Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Candidato mais votado a reitor da USP é contra cotas raciais

Fonte: CONTRA A RACIALIZAÇÃO DO BRASIL
26/10/2009




Amigos,
No início de outubro o jornal Estado de São Paulo fez um debate com os vários candidatos a reitor da USP. A reportagem sobre o debate pode ser lida clicando aqui.
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É de nosso interesse o trecho abaixo, sobre o Prof. Glaucius Oliva, físico renomado que estuda estrutura de proteínas. Ele foi o mais votado no primeiro turno das eleições (com 756 dos 2.827 votos válidos), que ocorreu semana passada:

Glaucius Oliva
O diretor do Instituto de Física de São Carlos destacou que a legitimidade de uma instituição no mundo de hoje se mede pela sua inserção na comunidade que a sustenta, defendendo que o modelo de produção de conhecimento do século 20, descontextualizado das demandas e necessidades da sociedade, precisa ser revisto. "A mudança passa por um ajuste de foco nas atividades de pesquisa e por uma melhor comunicação com a sociedade", afirmou.

"A fronteira do conhecimento envolve não mais abordagem disciplinar, e a divisão dos conhecimentos em áreas estanque. Isso tudo passa também por um desafio novo que é incorporar o tema da sustentabilidade, não podemos nos desligar dessa questão de liderança na sociedade", defendeu.

O físico, que fez parte da elaboração do Inclusp, justificou o projeto de inclusão afirmando que ele vem da necessidade de a instituição produzir os melhores formandos para a sociedade. "Para entregar o melhor egresso, nós vemos com desafio de identificar os melhores talentos. E eles não se encontram em uma classe específica da sociedade. Os talentos encontram-se em todas as classes sociais e todas as escolas", afirmou. Os 3% de pontuação extra para quem estudou em escola pública, para Oliva, foi a melhor maneira encontrada pela instituição, segundo ele, que descartou a adoção de cotas raciais na USP. "Há clara compreensão que nasce do conhecimento genômico que cor da pele, no Brasil, não tem correlação com nossa herança genética."

Um Congresso que tudo pode - inclusive burlar a lei

Fonte: JORNAL COMUNICAÇÃO


Concessões de TV e rádio na mão de políticos é prejudicial ao exercício da cidadania e à consolidação da democracia



Reportagem HENRIQUE KUGLER e VANESSA PRATEANO


Que em 2008 completam-se 20 anos da Constituição Brasileira, muitos já sabem. O que pouca gente sabe é que há 20 anos se consolidava um processo que muitos estudiosos condenam e poucos parlamentares lutam para derrubar: a concessão – ilegal - de canais de emissoras de TV e rádio a políticos e funcionários públicos.

Em 1988, a Assembléia Constituinte votava pelo presidencialismo e mandato de cinco anos para José Sarney. Embora o órgão houvesse decidido pelo parlamentarismo e quatro anos de mandato, Sarney conseguiu convencer o Legislativo a mudar o voto. Para tanto, o presidente distribuiu, ao longo do mês que antecedeu as votações, 257 concessões. Desse total, 165 foram destinadas a 91 parlamentares. Dentre eles, 90% votaram a favor do que propunha Sarney. Ao todo, ele outorgou, ao longo de seu governo (1985-1990), 1.091 concessões, das quais apenas 65 foram submetidas à aprovação do Congresso. E a prática continua ocorrendo.


Segundo o
artigo 54 da Carta Magna de 88 , é proibido a políticos, a partir do momento em que assumem o cargo, ‘firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público’ e serem ‘proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público’.


O artigo veio justamente para evitar que transformem o veículo em meio de propaganda ideológica, ofendam adversários políticos ou utilizem o poder que a licença lhes dá para barganha política, mas isso não é respeitado. E a falta de conhecimento da população sobre a legislação impede que esse vício seja erradicado. Entretanto, há expectativas de que isso tenha fim: um projeto da deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) promete colocar o assunto em pauta e cobrar ações das autoridades. Mas não será fácil: 14 colegas de partido de Erundina detêm concessões de algum canal.


O
Comunicação conversou com a professora da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) Ada Cristina Machado, coordenadora do Núcleo de Pesquisa “Política e Estratégias da Comunicação” da Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares de Comunicação), sobre o assunto. A professora é taxativa: a ignorância da população sobre como se dão as concessões é fundamental para que políticos continuem agindo em desrespeito com a lei.


Comunicação: Políticos exercerem controle sobre os meios de comunicação no Brasil é um hábito saudável para uma sociedade democrática?


Ada Cristina Machado:
É muito complicado para a democracia. E, com a concentração dos veículos e redes nas mãos de algumas famílias, a questão torna-se mais complicada ainda. Nós não temos um controle social da mídia no Brasil. Os mecanismos pelos quais se faz a concessão dos canais não são conhecidos pela sociedade. Aliás, a sociedade nem sabe que uma emissora de televisão ou de rádio tem origem em uma concessão política.


Comunicação: Como é esse processo de liberar concessões?


Machado:
É pelo Poder Executivo do governo federal, através de atos do Ministério das Comunicações. Há longos processos, que duram vários anos, por caminhos às vezes tortuosos, burocráticos, mas que têm muita influência política na definição das concessões. E a sociedade não tem conhecimento de como esses processos se dão.


Comunicação: Aí entram favorecimentos políticos, jogadas de poder?


Machado:
Sim. Entra uma relação política muito forte, que é atravessada pelos interesses dos partidos - e que acaba definindo o espectro, o mapa das concessões de emissoras no Brasil. E a população não tem a menor informação sobre como isso acontece.


Comunicação: Assim, é de forma negativa que a senhora avalia essa relação entre mídia e poder político?


Machado:
Com certeza. O simples capital político de um indivíduo, que o faz senador ou deputado, já o transforma numa pessoa apta a ter a concessão de um canal. A relação entre mídia e poder é complicada, e nela está prejudicada a parte mais importante, que são os profissionais de comunicação. Os estudantes e profissionais dificilmente têm direito de acesso aos meios. Por isso, temos uma baixa profissionalização no rádio, acompanhada de uma redução dos postos de trabalho no jornalismo impresso e na televisão. Crescem os canais, mas os postos de trabalho não crescem na mesma proporção.


Comunicação: Essa dinâmica sempre foi assim? Ou houve alguma razão histórica que condicionou esta relação?


Machado:
A concentração da mídia na mão de poucos é um fenômeno mundial, não acontece só no Brasil. Aqui, a concentração é muito forte, e os grupos são multimídia. Por exemplo, o detentor de um jornal forte é natural candidato a ter uma emissora, e de uma emissora ele terá uma rede. Isso tudo proporciona que essas pessoas montem grupos econômicos muito fortes, controlados por opiniões que não explicitam a pluralidade que existe na sociedade. Infelizmente, esse é um fenômeno mundial hoje. Para contrabalançar isso, só temos a realidade da Internet.


Trata-se de uma realidade muito difícil de ser alterada. Não é só questão de grupos políticos. Mais do que isso, são grupos econômicos. A convergência, que é uma junção de interesses que vem da telefonia, informática e telecomunicações, acabou redefinindo o controle das mídias no mundo inteiro. A Europa tinha uma ótima experiência em TV estatal. Mas abriu mão disso, e deu espaço aos canais privados. Começou a cometer erros que no Brasil já conhecemos de longa data.


Comunicação: E por que essa mudança?


Machado:
Porque o estado europeu não conseguiu dar conta. A atualização tecnológica era muito defasada, e a realidade da indústria cultural forçou a adoção de um padrão tecnológico de TVs privadas. Nessa mudança, a qualidade da programação acaba sendo prejudicada. De um lado temos uma qualidade estética muito grande, mas a qualidade informativa e educativa decai. Temos a ilusão de ter uma mensagem de melhor qualidade, pois esteticamente ela é mais bem resolvida. Adota padrões e cânones que nos parecem mais atrativos. Mas a qualidade é indiscutivelmente pior.


Comunicação: Em que regiões do Brasil podemos notar uma maior concentração dos meios nas mãos de famílias?


Machado:
Tínhamos presença política muito forte nas mídias locais em geral. Mas paulatinamente nós fomos vendo, nas regiões norte e nordeste muito mais nitidamente, que os políticos começaram a abraçar as mídias em geral. É bastante lamentável hoje, porque a concentração não favorece a pluralidade.


Comunicação: A senhora citaria algum caso emblemático que possa ilustrar esta concentração no Brasil?


Machado:
Existe um estudo que relaciona a posse das redes de comunicação no Brasil por famílias. Por exemplo, a famílias Marinho, no Rio de Janeiro, e Abravanel (de Sílvio Santos), em São Paulo, para citar as principais. No caso do Nordeste, é a família Sarney que domina. Aí há um vínculo claro entre política e controle da mídia.


Comunicação: Quais são as conseqüências disso para o profissional da comunicação?


Machado:
As conseqüências é que se reduzem os postos de trabalho. Caminhamos para uma realidade em que veremos profissionais tendo o fruto de seu trabalho - suas matérias - reproduzido em diversas mídias. A tendência dos profissionais é tornarem-se multimídia. E o resultado é ter sua produção apropriada por diversos veículos e suportes midiáticos. E com isso nós corremos o risco de ter a veiculação de apenas uma perspectiva do fato. Nesse sentido, a concentração é, mais uma vez, contrária à democracia.


Políticos que detém concessões de rádio e/ou TV(Por partidos)

Fonte: Transparência Brasil/Projeto Excelências


Xavier Neto (PL/PI)

Alberto Oliveira (PMDB/RS)

Alexandre Santos (PMDB/RJ)

Aloísio Acácio Piazza (PMDB/SC)

Aníbal Gomes (PMDB/CE)

Antonio Bulhões (PMDB/SP)

Antônio Júlio (PMDB/MG)

Baleia Rossi (PMDB/SP)

Domingos Filho (PMDB/CE)

Edson Albertassi (PMDB/RJ)

Elcione Barbalho (PMDB/PA)

Francisca Motta (PMDB/PB)

Francisco Rossi (PMDB/SP)

Garibalde Mendonça (PMDB/SE)

Garibaldi Alves Filho (PMDB/RN)

Guerino Zanon (PMDB/ES)

Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN)

Ivan Sarney (PMDB/MA)

Jader Barbalho (PMDB/PA)

João Magalhães (PMDB/MG)

Joaquim Nagib Haickel (PMDB/MA)

José Maranhão (PMDB/PB)

José Sarney (PMDB/AP)

Lobão Filho (PMDB/MA)

Luiz Claudio Romanelli (PMDB/PR)

Luiz Tadeu Leite (PMDB/MG)

Mão Santa (PMDB/PI)

Mauro Benevides (PMDB/CE)

Mauro Tapety (PMDB/PI)

Moacir Micheletto (PMDB/PR)

Neuto De Conto (PMDB/SC)

Odílio Balbinotti (PMDB/PR)

Olavo Calheiros (PMDB/AL)

Raniery Paulino (PMDB/PB)

Renan Calheiros (PMDB/AL)

Ricardo Murad (PMDB/MA)

Romero Jucá (PMDB/RR)

Roseana Sarney (PMDB/MA)

Waldyr Pugliesi (PMDB/PR)

Wellington Salgado de Oliveira (PMDB/MG)

Wilson Braga (PMDB/PB)

Zé Gerardo (PMDB/CE)

André Soares (DEM/SP)

Antonio Carlos Júnior (DEM/BA)

Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM/BA)

Carlos Apolinario (DEM/SP)

Dilceu Antônio Dal Bosco (DEM/MT)

Edmir Chedid (DEM/SP)

Efraim Morais (DEM/PB)

Elmiro Nascimento (DEM/MG)

Fábio Souto (DEM/BA)

Felipe Maia (DEM/RN)

Giulianno dos Anjos (DEM/ES)

Jayme Campos (DEM/MT)

Jerônimo Reis (DEM/SE)

Jorginho Maluly (DEM/SP)

José Adécio Costa (DEM/RN)

José Agripino (DEM/RN)

José Bruno (DEM/SP)

José Mendonça Bezerra (DEM/PE)

José Nunes (DEM/BA)

Júlio Cesar (DEM/PI)

Juraci Leite (DEM/PI)

Leal Junior (DEM/PI)

Luiz de Deus (DEM/BA)

Miriam Lacerda (DEM/PE)

Mussa Demes (DEM/PI)

Raimundo Colombo (DEM/SC)

Álvaro Guimarães (PR/GO)

Carlos Simões (PR/PR)

César Borges (PR/BA)

Henrique Queiroz (PR/PE)

Inocêncio Oliveira (PR/PE)

Jaime Martins (PR/MG)

José Rocha (PR/BA)

Jusmari Oliveira (PR/BA)

Leo Alcântara (PR/CE)

Londres Machado (PR/MS)

Luciano Castro (PR/RR)

Vivaldo Costa (PR/RN)

Wellington Fagundes (PR/MT)

Armando Abílio (PTB/PB)

Campos Machado (PTB/SP)

Eduardo Costa (PTB/PA)

Epitácio Cafeteira (PTB/MA)

Fernando Collor (PTB/AL)

Geraldo Coelho (PTB/PE)

Gim Argello (PTB/DF)

João Vicente Claudino (PTB/PI)

Manoel Ribeiro (PTB/MA)

Mozarildo Cavalcanti (PTB/RR)

Nerinho (PTB/PI)

Paulo Herinque Paes Landim (PTB/PI)

Pedro Fernandes (PTB/MA)

Abelardo Camarinha (PSB/SP)

Aglailson Júnior (PSB/PE)

Átila Lira (PSB/PI)

B. Sá (PSB/PI)

Dr. Ubiali (PSB/SP)

Eduardo Lopes (PSB/RJ)

Gonzaga Patriota (PSB/PE)

Ismar Marques (PSB/PI)

Josué Neto (PSB/AM)

Luciano Pereira (PSB/ES)

Marcondes Gadelha (PSB/PB)

Sandra Rosado (PSB/RN)

Sérgio Aguiar (PSB/CE)

Welington Landim (PSB/CE)

Carlos Willian (PTC/MG)

Alberto Pinto Coelho (PP/MG)

Antonio Salim Curiati (PP/SP)

Beto Mansur (PP/SP)

Cida Borghetti (PP/PR)

Dilceu Sperafico (PP/PR)

Gerson Peres (PP/PA)

Pedro Westphalen (PP/RS)

Ricardo Barros (PP/PR)

Vadão Gomes (PP/SP)

Venâncio Fonseca (PP/SE)

Warner Pires (PP/TO)

José Fernando Aparecido de Oliveira (PV/MG)

Micarla Araújo de Sousa Weber (PV/RN)

Sarney Filho (PV/MA)

Tiago Ulisses (PV/MG)

Victor Mendes (PV/MA)

Adroaldo Loureiro (PDT/RS)

Damião Feliciano (PDT/PB)

Euclides Fernandes (PDT/BA)

Geraldo Cartário Ribeiro (PDT/PR)

Jurandy Oliveira (PDT/BA)

Luiz Carlos Martins (PDT/PR)

Otaviano Olavo Pivetta (PDT/MT)

Sérgio Brito (PDT/BA)

Severiano Alves (PDT/BA)

Juninho Araújo (PRTB/MG)

Reinaldo Braga (PSL/BA)

Albano Franco (PSDB/SE)

Bonifácio de Andrada (PSDB/MG)

Carlos Alberto Leréia (PSDB/GO)

Eduardo Azeredo (PSDB/MG)

Glauco Lopes (PSDB/RJ)

João Jaime (PSDB/CE)

João Tenório (PSDB/AL)

Mauri Torres (PSDB/MG)

Moésio Loiola (PSDB/CE)

Roberto Rocha (PSDB/MA)

Rodrigo de Castro (PSDB/MG)

Tasso Jereissati (PSDB/CE)

Zé Maia (PSDB/MG)

Zilá Breitenbach (PSDB/RS)

Fábio Faria (PMN/RN)

Robinson Mesquita de Faria (PMN/RN)

Humberto Souto (PPS/MG)

Nelson Proença (PPS/RS)

Carrinho de Compras: Presidência reserva R$ 145 mil para compra de 1.440 ternos

Fonte: CONTAS ABERTAS
quarta-feira, 28 de outubro de 2009


A Secretaria de Administração da Presidência da República resolveu encher os armários mais uma vez durante a última semana. O órgão empenhou (reservou em orçamento) R$ 145 mil para a compra de 1.440 ternos masculinos, compostos de paletó e calça, na cor azul “marinho noite” (cada um por R$ 99), e seis femininos, incluindo blazer, duas blusas e calça (cada um por R$ 220). Os “uniformes profissionais”, conforme descrevem as notas de empenho emitidas pela instituição nas últimas quarta e quinta-feira para as aquisições, foram comprados por meio de pregão, hoje a principal modalidade de licitação que barateia custos.

Além disso, a Presidência comprometeu R$ 70,4 mil para a compra de 2.670 camisas sociais masculinas brancas, em tecido tricoline misto, e 2.461 pares de meias sociais masculinas pretas. Outros R$ 14,5 mil serviram para 853 cintos sociais de couro legítimo, pretos, dupla face. Completam a extensa lista quatro uniformes de serviços gerais femininos (duas blusas, duas calças ou duas saias), 218 uniformes profissionais guarda-pó (alguns azuis outros brancos), 56 ternos para garçom (paletó, calça, dois pares de luvas malha e gravata tipo borboleta, confeccionada em cetim de primeira qualidade) e 18 agasalhos esportivos (jaqueta, calça e três camisetas). Tudo por R$ 23,1 mil.

No começo do mês, a PR já havia empenhado recursos para a aquisição de diversos conjuntos de uniformes profissionais e acessórios, entre eles quatro ternos femininos, 16 masculinos, nove conjuntos para copeira, oito para camareira, 40 de cozinheiro e copeiro, 14 para lavanderia, além de 24 camisas sociais masculinas, 75 cintos de couro, 166 sapatos sociais femininos e masculinos e 228 meias sociais masculinas pretas.

Em meio a essa roupa toda, vale parabenizar a descrição das notas de empenho emitidas pela Presidência da República (PR), porque sem essa transparência e nível de detalhe seria impossível citar todos os materiais dessa maneira. Opa, mas ainda não acabou... Como o tecido em geral foi a pauta da semana, um material de tipo menos nobre também foi adquirido pela Presidência. Na verdade, foram reservados R$ 646 para a compra de 543 panos de prato para limpeza. O Gabinete da Vice-Presidência da República seguiu o exemplo e também empenhou recursos para a compra de panos de prato, 300 no total, por R$ 357 (o mesmo preço unitário comprometido pela PR).

Mudando de instituição e área, para concluir, temos o Senado Federal comprometendo R$ 5,7 mil para a contratação da Cooperativa Brasiliense de Teatro. O grupo será responsável pelo desenvolvimento de oficinas de malabares, acrobacias no solo, perna de pau, balomania e pintura de rosto para crianças a alunos de escolas da rede pública das cidades-satélites do Distrito Federal. As crianças participarão, no próximo dia 26 de outubro, dessas oficinas, entre outros eventos, em comemoração ao mês da criança no Senado. Resta desejar mais um parabéns neste “Carrinho de Compras” pela nobre iniciativa! E acabamos por aqui. Domingo que vem tem mais...

Clique aqui para ver as notas de empenho citadas no texto.

*Todo fim de semana o Contas Abertas publica a coluna "Carrinho de Compras", que traz reservas de recursos em orçamento realizadas por órgãos da União para pagamento de despesas curiosas. Vale ressaltar que, a princípio, não existe nenhuma ilegalidade nem irregularidade neste tipo de gasto feito pela União e que o eventual cancelamento de tais empenhos certamente não ajudaria, por exemplo, na manutenção do superávit do governo ou em uma redução significativa de despesas. A intenção de publicar essas aquisições é popularizar a discussão em torno dos gastos públicos junto ao cidadão comum, no intuito de aumentar a transparência e o controle social, além de mostrar que a Administração Pública também possui, além de contas complexas, despesas curiosas.

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Leandro Kleber
Do Contas Abertas

Leia os últimos “Carrinho de Compras”:




CONVOCAÇÃO MUNDIAL PELO DIREITO DE VIVER - ASSINE VOCÊ TAMBÉM E MANDE PARA TODOS OS SEUS CONTATOS

Fonte: CATHOLIC FAMILY & HUMAN RIGHTS INSTITUTE


A Catholic Family & Human Rights Institute, está recolhendo esta votação (ler abaixo) para apresentar na plenária da ONU a favor da vida, como vocês podem ler. Precisam duplicar o número de votações. Por favor, se puder não deixe de votar e pedir votos.

É uma pressão muito importante.


IMPORTANTÍSSIMO:

Abaixo está o texto, cliquem AQUI para assiná-lo.



Convocação Internacional pelos Direitos e pela Dignidade da Pessoa Humana e da Família


Nós, cidadãos dos Estados membros da Organização das Nações Unidas, neste ano do 60.° aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada e proclamada pela Resolução 217 A (III) da Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948,

Recordando que:

A Declaração Universal é um estandarte comum para todas as pessoas e todas as nações,

Tendo em conta que:


Os direitos humanos, a dignidade, a liberdade, a igualdade, a solidariedade e a justiça, constituem o patrimônio espiritual e moral sobre o qual se baseia a união das Nações,

Indicamos que:


Deve-se dar a devida consideração a:

1. O direito à vida de cada ser humano, da concepção até a morte natural, tendo cada criança o direito de ser concebida, nascida e educada no seio de uma família, baseada no matrimônio entre um homem e uma mulher, sendo a família o grupo de unidade natural e fundamental da sociedade,
2. O direito de cada criança de ser educada por seus pais, que têm a prioridade e o direito fundamental de escolher o tipo de educação que deve ser dada a seus filhos.

Por isso solicitamos:

A todos os governos interpretar de maneira apropriada a Declaração Universal dos Direitos Humanos, dado que:

Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. (Artigo 3)


Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. (Artigo 16)


A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e têm o direito à proteção da sociedade e do Estado. (Artigo 16)

A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais.
(Artigo 25)

Os pais têm o prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos. (Artigo 26)



CLIQUE AQUI PARA ASSINAR:
http://www.c-fam.org/campaigns/lid.7/default.asp

Cotas Raciais - dois artigos de Demétrio Magnoli (Kabengele e o mulato inviável e Kabengele e o bálsamo racial)

Fonte: NoRaceBR - CONTRA A RACIALIZAÇÃO DO BRASIL - I e II



Demétrio Magnoli

[notas sobre um debate que não existiu – I]

Publiquei em maio uma coluna em O Estado de S. Paulo e O Globo intitulada “Monstros tristonhos”, que abordava os dilemas das comissões raciais criadas pelas universidades para “certificar” a raça de candidatos inscritos nos sistemas de cotas.

A coluna, de menos de 6 mil caracteres, criticava um conceito expresso pelo antropólogo Kabengele Munanga, classificando-o como charlatanismo. Munanga replicou com um texto de quase 24 mil caracteres, que enviou ao Estadão solicitando direito de resposta. Como, naturalmente, o jornal não lhe daria algo como duas páginas inteiras, Munanga acusou a imprensa de parcialidade e distribuiu seu tratado por sites racialistas.

Na minha coluna, citei um trecho da introdução assinada por Munanga a um livro racialista. Eis a passagem:

“Os chamados mulatos têm seu patrimônio genético formado pela combinação dos cromossomos de “branco” e de “negro”, o que faz deles seres naturalmente ambivalentes, ou seja, a simbiose (...) do “branco” e do “negro”. (...) os mestiços são parcialmente negros, mas não o são totalmente por causa do sangue ou das gotas de sangue do branco que carregam. Os mestiços são também brancos, mas o são apenas parcialmente por causa do sangue do negro que carregam.”

Foi isso que classifiquei como charlatanismo. Eu não escrevi que Munanga é um charlatão. Ele resolveu vitimizar-se para circundar o tema em discussão. Contudo, qualquer aluno razoável de ensino médio sabe que não existem cromossomos raciais ou essas “gotas de sangue do branco” nem aquele “sangue do negro” mencionados sem intenções metafóricas. A passagem evidencia que Munanga enxerga uma humanidade dividida em raças biológicas, como fazia o “racismo científico” do século XIX.

Eu acho que isso é grave, quando se sabe que ele é professor titular do Departamento de Antropologia da USP. Mas Munanga está tão aferrado a seus anacrônicos preconceitos que repete a bobagem na réplica. Depois de, curiosamente, sugerir que não li o (péssimo) livro racialista citado, escreve o seguinte: “nada inventei sobre a ambivalência genética do mestiço que não estivesse presente no próprio título da obra Mulato: negro-não-negro e/ou branco-não-branco.” De fato, o que ele fez foi sintetizar em linguagem “biológica” os preconceitos do próprio livro, conferindo-lhes uma credibilidade derivada de sua posição acadêmica.

O livro propõe que “o mulato”, essa entidade abstrata do pensamento racial, seja retificado, abandonando sua suposta “ambivalência” para assumir-se como “negro”, uma outra entidade abstrata do pensamento racial. É, também, o programa de Munanga, expresso numa passagem particularmente abominável:

“Se no plano biológico, a ambigüidade dos mulatos é uma fatalidade da qual não podem escapar, no plano social e político-ideológico eles não podem permanecer (...) “branco” e “negro”; não podem se colocar numa posição de indiferença ou de neutralidade quanto a conflitos latentes ou reais que existem entre os dois grupos, aos quais pertencem, biológica e/ou etnicamente.”

Na concepção da “luta de raças” de Munanga encontram-se os fundamentos do programa de polarização do Brasil entre “brancos” e “negros”, com a supressão política de tudo que não possa ser encaixado nessas duas categorias “puras”. O pensamento racial é, aqui como alhures, uma busca da pureza. Os racialistas brasileiros não suportam a imagem de um país que se entende e define como misturado. Esse é o tema do debate que Munanga enterra sob toneladas de frases ocas.


***



Demétrio Magnoli

[notas sobre um debate que não existiu – II]

A réplica de Kabengele Munanga (veja o post anterior) é um texto raro. O pensamento racialista no Brasil geralmente aparece envelopado em linguagem deliberadamente equívoca, apresentando-se como um programa de redenção social. Nesse caso, porém, temos uma exposição franca das derivações de uma doutrina que interpreta a história como um drama protagonizado pelas raças.

Munanga escreve: “Entrando na vida privada, gostaria que o sociólogo soubesse que tenho um filho e uma neta mestiços que (...) são educados para assumir sua negritude e evitar assim os graves problemas psicológicos apontados na obra de Eneida de Almeida Dos Reis (...)”.

Cada um educa seus filhos com quer, desde que respeite os direitos legais deles. O antropólogo racialista, segundo ele mesmo, programa seus filhos para serem representantes de uma “raça”. Eu desconfio que o faz em nome de sua própria ideologia.Mas ele declara ser esta uma postura médica, destinada a prevenir a ocorrência dos graves distúrbios psicológicos que imagina andarem junto com a “mescla de raças”.

O “racismo científico” do século XIX enxergava a miscigenação como propulsora de degeneração. A principal justificativa das leis antimiscigenação dos EUA e da Alemanha nazista era evitar a “degeneração racial”. Munanga parece imaginar que “mestiços” tendem à degeneração, mas podem ser “salvos” por uma adequada “educação identitária”. Sinto muito pelos filhos dele, mas isso não é da minha conta. As coisas mudam de figura quando ele projeta aplicar seu bálsamo racial sobre toda a nação.

O antropólogo começa com uma indagação singela: “Eu pergunto se alguém pode se tornar racista pelo simples fato de assumir sua branquitude, amarelitude ou negritude?”.

Tenho duas respostas para isso. A primeira: cada um assume a identidade que quiser, na sua vida privada, e se não tiver coisa melhor para fazer, tem todo o direito de se imaginar ou mesmo se exibir como Homo brancus, Homo amarelus ou Homo negrus. Asegunda: na democracia, o Estado não tem o direito de colar rótulos raciais sobre os cidadãos – nem, muito menos, distribuir direitos (no caso, privilégios) segundo tais rótulos.

Depois, como um obcecado, Munanga atribui rótulos raciais aos outros – no caso, a mim. Ele escreve: “Como se identifica então o geógrafo Demétrio: branco, negro, mestiço ou Demétrio indefinido? Pelo que me consta, ele se identifica como branco, mas não aceita que os negros e seus descendentes mestiços se identifiquem como tais e lutem por seus direitos num país onde são as grandes vítimas do racismo.” Bem, Munanga está mal infomado: Demétrio (que não é geógrafo mas sociólogo) jamais se identificou racialmente. Ele não entenderá, mas Demétrio tampouco se identifica como “indefinido”. É que Demétrio despreza a ideia de que as pessoas devam procurar identidades raciais. “(...) não aceita que os negros e seus descendentes mestiços se identifiquem como tais e lutem por seus direitos num país onde são as grandes vítimas do racismo”.
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Munanga pretende utilizar o racismo para produzir uma raça negra autoconsciente. A sua meta, registre-se, não é combater o racismo, mas fabricar a raça. Eu discordo. Acho que o racismo é uma chaga que diminui e desumaniza todos os seres humanos. E que a luta contra essa chaga constitui dever das pessoas de todas as cores.

Revisionismo indigenista e neomissiologia - mais desgraça do pessoal esquerdopata

Fonte: CATOLICISMO

Na origem das absurdas demarcações de “terras indígenas” encontram-se movimentos de esquerda, que vêm prejudicando a produção de alimentos e causando insegurança entre os proprietários

De norte a sul, a política indigenista em curso vem rompendo a harmonia social e racial do Brasil. Extensas áreas vêm sendo demarcadas como reservas indígenas, ao mesmo tempo que delas são expulsos seus legítimos proprietários, ali radicados no mais das vezes há várias gerações. Uma política que vem dividindo perigosamente a nossa sociedade entre brancos, negros, índios e mestiços.

Nesse quadro tão alarmante, poucos antropólogos têm a coragem de contrariar a FUNAI, no momento uma longa manus do governo federal, fornecedora de “laudos fantasiosos” para fins de “demarcação de territórios” indígenas. Grave improbidade dos responsáveis por tal política, como de quase toda uma classe profissional, a dos antropólogos, que no exercício da sua profissão não deveriam se afastar do compromisso com a verdade.

Catolicismo entrevistou o professor Hilário Rosa, mestre em Antropologia, História, Sociologia e Geografia. Atualmente leciona na USC — Universidade do Sagrado Coração, da Universidade Católica de Bauru (SP), onde ministra o curso de Antropologia Forense ou Antropologia Pericial.

Por sua posição firme e bem fundamentada, o professor Hilário Rosa tem participado de perícias judiciais a convite da Justiça Federal, como assistente técnico, sociólogo, antropólogo e historiador desde 1987.

* * *

Catolicismo — O Sr. poderia fundamentar a ilegitimidade dos chamados esbulhos e expropriações praticados pelo governo federal, sob pretexto de tutela indígena?


Prof. Hilário Rosa Basta compulsar oDiário Oficial da União, para se tomar conhecimento das portarias da FUNAI, do Ministério de Justiça, bem como dos processos administrativos da União contra os produtores rurais dos mais diversos quadrantes. Seu único “crime” seria o de produzir para a sociedade alimentos em quantidade e qualidade, além de baratos. Enfrentam dificuldades, intempéries e inúmeras pragas, que os obrigam a arcar com pesados investimentos para garantir a colheita. A esses fatores somam-se os juros altos, as incertezas e as especulações do mercado nacional e internacional, e agora a intempestividade do governo com os processos administrativos de expropriação, e o esbulho de suas propriedades.

A prova de dolo e de má-fé do governo em tais procedimentos é o fato de que a FUNAI, não obstante saber que no final de cada processo se faz necessária a provisão de verbas para as devidas indenizações (no caso de desapropriação por interesse social), não as coloca em seus orçamentos anuais. A maior prova de que o governo trata com desrespeito a classe rural, é que não existe dotação orçamentária para uma situação delicada como esta. Na verdade, o que o governo faz através da FUNAI é expropriar (roubar) as terras de nossos produtores rurais que, além de trabalharem sob constantes riscos, ainda devem se preocupar com a total insegurança jurídica.

Ora, se o governo quisesse cumprir sua obrigação constitucional para com os silvícolas, bastaria seguir o estatuído no caput do Art. 26 da Lei nº 6001/73, o chamado Estatuto do Índio: “A União poderá estabelecer, em qualquer parte do território nacional, áreas destinadas à posse e ocupação pelos índios, onde possam viver e obter meios de subsistência, com direito ao usufruto e utilização das riquezas naturais e dos bens nelas existentes, respeitadas as restrições legais”.

Catolicismo — O que se deve entender por “respeitadas as restrições legais”?


Prof. Hilário Rosa — Trata-se de respeitar sobretudo dois direitos: o de propriedade e o de segurança. E é exatamente isso que o governo não vem fazendo, quando a FUNAI instaura processos administrativos arbitrários, baseados em laudos antropológicos falsos, fantasiosos, visando à expropriação de ruralistas que compraram suas terras na melhor forma da lei e detêm a posse e o domínio legítimo de seus imóveis.

O governo vem insistindo em criar gigantescos latifúndios indígenas, atropelando o direito de propriedade. Cumpre esclarecer que o direito de propriedade é assegurado a qualquer cidadão, mesmo estrangeiro, desde que na forma da lei, pois está consagrado no Art. 5º, § XXII, Título II — Dos Direitos e Garantias Individuais. Portanto, o governo jamais poderia, em nome do direito indígena, expropriar ou esbulhar qualquer proprietário, como o vem fazendo.

Catolicismo — Qual seria a melhor política governamental para salvaguardar os interesses dos índios, sem vir a reboque das ONGs e sem ferir o direito de particulares?

Prof. Hilário Rosa — O que acabei de afirmar não importa em negar à União o direito e até o dever de defender, resguardar e resgatar — quando ameaçados — os direitos do índio. Para isso o governo dispõe de instrumentos jurídicos, os processos administrativos a serem utilizados diante de provas evidentes de lesão aos direitos dos indígenas.

Configurada tal hipótese, o processo deverá levar em conta não apenas o Decreto nº 1775/96, mas de modo particular o que determina o Art. 37 da CF/88, bem como a Lei n° 9784/99, em todos os seus dispositivos que o regulamentam. Ou seja, a FUNAI e seus antropólogos precisam trabalhar de modo impessoal, com eficiência e moralidade, e não estar a serviço de política ideológica, com processos administrativos discricionários e arbitrários, como vem ocorrendo nas três últimas décadas, sob o bafejo de inumeráveis ONGs nacionais e estrangeiras.

Catolicismo — Que papel desempenharam e vêm desempenhando os missionários católicos junto aos índios brasileiros?


Prof. Hilário Rosa — Permita-me um breve histórico, entrando necessariamente num assunto muito delicado, mas de suma importância em toda esta questão. Com certeza interessará aos leitores deCatolicismo.

A partir do final da década de 1960, a Igreja Católica — que desde o Império colaborava com o Estado brasileiro na implementação da sua política indigenista — mudou profundamente sua visão filosófica e sociológica em relação aos nossos indígenas. Até então os missionários guiavam-se pela luz do Evangelho, ao procurar a assimilação e a aculturação dos índios, administrando-lhes a catequese. E ao mesmo tempo os assistia diante da política indigenista oficial, corporificada no Serviço de Proteção ao ÍndioSPI, ao qual prestavam dessa maneira sua inestimável colaboração.

A perspectiva daqueles tempos dava prioridade à integração do índio na sociedade nacional, sem descuidar de lhe garantir terras, dentro de ações legítimas e legais. A Igreja Católica e o SPI (antecessor da FUNAI) criaram inúmeras reservas e parques onde os silvícolas, integrando-se aos poucos de acordo com suas vontades e conveniências, conforme a sociologia de cada grupo, foram preservando sua etnicidade.

A partir dos anos 60, para desgraça nossa, importantes setores da Igreja aderiram aos princípios do Congresso de Barbados (1971), que teve como objetivo básico, ditado por ONGs européias, rever todas as políticas culturais dos países latino-americanos com os indígenas.

Com efeito, a política indigenista brasileira, até então elogiada como modelo para o mundo, de repente passou a ser execrada e denunciada pelos antropólogos patrocinados pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e peloConselho Mundial das Igrejas, que num escandaloso processo revisionista passaram a denunciar tudo o que até então se havia feito na etnografia brasileira.

Curiosamente, para o Congresso de Barbados não foram convidados os antropólogos norte-americanos, pois os mesmos não teriam aceitado a intromissão européia nas suas relações étnicas, sobretudo com os indígenas.

Catolicismo — E qual a posição de nossos governantes diante dessa mudança radical de comportamento dos padres missionários?


Prof. Hilário Rosa — Infelizmente, o Estado brasileiro tem sido leniente nesse terreno. Desertando de seu dever, deixa-se levar por ações e propostas revisionistas e interesseiras, acabando por legitimar propostas imorais no sentido de balcanizar ouafricanizar as relações dos brasileiros com seus irmãos indígenas.

Duas são as grandes vítimas dessa política oficial: os produtores rurais e as próprias comunidades indígenas, vergonhosamente exploradas e manipuladas por ONGs e entregues à sua própria sorte. Apesar dessas influências deletérias, alguns esforços no sentido de melhorar a vida dos índios vêm sendo feitos, como a construção de postos de saúde, gabinetes odontológicos, farmácias, poços artesianos e escolas em suas aldeias. Quero deixar claro que o dinheiro das ONGs nacionais e estrangeiras não é aplicado nessas ações positivas, como a profissionalização dos jovens índios que desejam se integrar no mercado de trabalho.

Sobre o comportamento do clero nessa questão, devo dizer que o Brasil nasceu sob as bênçãos da Igreja Católica, e que desde o início de nossa colonização — com figuras do porte de Nóbrega e Anchieta — o clero procurou abrandar a rudeza dos primeiros encontros entre os portugueses e os nossos indígenas.

A ação evangelizadora e civilizadora da Igreja era profundamente diferente da de hoje. Com prestígio junto à corte, conseguia arrancar do rei de Portugal inúmeras portarias ou alvarás régios, a fim de coibir abusos contra os índios. Hoje, infelizmente, determinados setores da Igreja, sob pretexto de defender os indígenas, na verdade conspiram contra a unidade nacional, o desenvolvimento e o bem-estar do País, comprometendo assim o amanhã de nossos filhos e netos.

Catolicismo — Quais são as interpretações errôneas do direito indígena à terra, no passado e na atualidade?

Prof. Hilário Rosa — No período colonial, passando pelo Império até a criação do SPI no início do século XX, a visão única era de assimilação do indígena, ou seja, deveriam constituir, com os outros povos que aqui aportaram, o povo brasileiro, sem resguardar sua etnicidade.

A partir de 1934 adquiriu amparo constitucional o Direito Indígena, com uma visão mais moderna baseada na integração nacional, que prometia respeitar as tradições dos índios, sua língua e cultura, dentro de seus territórios, embora o Estado brasileiro continuasse seu tutor.

Presentemente, as interpretações errôneas que a FUNAI, o Ministério da Justiça e o Ministério Público Federal vêm dando ao indigenismo poderiam inviabilizar o Brasil como nação soberana. Esses órgãos confundem indigenismo com a posse imemorial da terra, sem limite no tempo.

Em colaboração com o jurista Dr. Tales Oscar Castelo Branco, já escrevemos sobre isto um artigo: “Do direito dos índios à terra no passado e na atualidade brasileira – ‘Gênese do Indigenato’”, publicado na Revista do IASP (Instituto dos Advogados de São Paulo) e no site Consultor Jurídico.

Catolicismo — Qual vem sendo a aplicação do princípio do indigenato a partir da Constituição de 1988?

Prof. Hilário Rosa — Procuramos demonstrar no referido artigo que o indigenismo, tal como está esculpido no texto da CF/88, só tem sentido a partir de 5 de outubro de 1988, data em que entrou em vigor a atual Constituição. É a isto que o Supremo Tribunal Federal denomina “atualidade da posse”, não tendo, pois, sentido retroativo.

Catolicismo — O Sr. poderia citar exemplos de abusos da FUNAI, do Ministério Público Federal e do Ministério da Justiça nas recentes demarcações de terras indígenas?


Prof. Hilário Rosa — Se fôssemos relacioná-los todos, precisaríamos no mínimo de umas 300 páginas de sua revista! Cito o mais recente: a constituição de uma força-tarefa — FUNAI, Ministério Público e Ministério da Justiça — visando, em nada menos que 26 municípios, criar uma reserva indígena para índios guaranis, que em sua grande maioria vieram recentemente do Paraguai. É o que eles chamam, sem pejo, de projeto “Cone Sul”. Querem transformar o sudoeste do Mato Grosso do Sul em território indígena, com a expropriação de centenas ou mesmo milhares de fazendas, ocupadas algumas há mais de um século por gaúchos, catarinenses, paranaenses, paulistas e mineiros, que lá compraram terras vendidas pelo Estado.

Para não ficar apenas num exemplo, entre Joinville e o porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina –– portanto, num verdadeiro corredor industrial –– a FUNAI e o Ministério da Justiça vão criar, com uma só penada, quatro reservas indígenas. Essa medida arbitrária vem causando desespero em milhares de pessoas que lá residem e trabalham.

E pensar que isso vem sendo feito tão-só para satisfazer os caprichos dos antropólogos filiados ao C.T.I. (Centro de Trabalho Indigenista), com o seu “Projeto Guarani”, manipulando e transpondo para aquelas terras centenas e milhares de índios Guarani Mbya, provenientes da província de Misiones na Argentina e de terras do sudeste paraguaio!

Catolicismo — O Sr. poderia comentar a inquietação dos produtores rurais, decorrente dessa avalanche de demarcações de terras indígenas?

Prof. Hilário RosaBasta ler o noticiário sobre terras do Mato Grosso do Sul, próximas da fronteira com o Paraguai e com a Bolívia. Jornais locais, TVs, inclusive grandes emissoras, têm dado destaque ao ambiente de desolação, de frustração dos produtores rurais. Com efeito, eles sentem-se ameaçados em seus direitos de propriedade e de produzirem dignamente, contribuindo para os grandes avanços do agro


A denúncia do índio Kaiowá

Declaração de índio guarani/kaiuwá, por Escritura Pública no Tabelião Albuquerque,
Amambaí – MS, convalidada na Comissão de Direitos Humanos do Senado,
mostra a falta de controle do governo sobre as ONGs

A declaração pública do índio Kaiowá Adair G. Sanches, de Amambaí – MS, dá-nos uma visão de como as ONGs, o CIMI, o PKÑ (Projeto Kaiowá Ñandeva) e o PT estão agindo no Mato Grosso do Sul, “fabricando” supostas terras de ocupação tradicional. Isto tem servido de fundamento para falsos relatórios da FUNAI, com o objetivo de expropriar (roubar) terras de produtores rurais honestos, que as compraram na melhor forma do Direito. Hoje muitos deles já foram expropriados por ações da FUNAI, algumas acolhidas pela justiça, que infelizmente deixou-se enganar por esses falsos relatórios.

Seguem trechos da transcrição da Declaração, apresentada em audiência no Senado Federal no dia 7 de abril de 2005.

* * *

“Perante mim, Tabelião, compareceu em pessoa, Adair Gonçalves Sanches, indígena, lavrador, capaz, residente e domiciliado no Posto Indígena Amambaí, neste Distrito, portador do RG: 2320, Posto ADR, Amambaí, MS; CPF: 408.038.561-72, reconhecido por mim, Tabelião.

“Por ele, foi-me dito que vinha, de sua livre e espontânea vontade, sem constrangimento de quem quer que seja, prestar a seguinte declaração, cujo teor transcrevo a seguir:

“Que é índio da Tribo Guarani, nascido em 1959, na Aldeia Amambaí; Vereador eleito em Amambaí, MS, com o voto dos índios da Aldeia de Amambaí; ex-Presidente do Conselho da Aldeia de Amambaí; ex-representante da União das Nações Indígenas do Mato Grosso do Sul; ex-companheiro do antropólogo japonês Celso Aoki e Paulo Pepe, chefe de uma entidade que se chama PKÑ, Projeto Kaiowá-Ñandeva, entidade criada em nome do índio Kaiowá-Guarani, em Amambaí. O PKÑ, o CIMI — Conselho Indigenista Missionário — e o Partido dos Trabalhadores (PT) são entidades ligadas entre si. Essas entidades, usando de — são as expressões que estão na escritura — ‘malandragem e safadagem’, fazem montagens aqui em Mato Grosso do Sul, coisas que ninguém nunca imagina e que eu, que fui companheiro e conhecedor, sei que eles fazem no Mato Grosso do Sul, o PKÑ recebe verba do exterior, Holanda, Canadá e Suíça, em nome do povo indígena do Mato Grosso do Sul, do Kaiuá e Guarani.

“Dizem que é para ajudar esses povos. Só que esses dólares que vêm do exterior, o indígena nem sabe, usa o nome do índio e usa o índio também da seguinte forma: todos os problemas de terras que estão ocorrendo no Mato Grosso do Sul, na fronteira do Paraguai, são mandados pelo Sr. Celso Aoki e Paulo Pepe, antropólogos e chefes do PKÑ.

“Eu fui companheiro dessa entidade e do Partido do PT por três anos, na época do Presidente José Sarney e do Ministro Ronaldo Costa Couto. Essa escritura é de 1992. Nós fazíamos assim: procurávamos onde o índio estava trabalhando e há quantos anos estava morando naquela fazenda. Se eles falavam que estavam há cinco, seis ou dez anos, nós perguntávamos se não tinham familiares que faleceram naquele local e nós já falávamos para esse índio dar entrevista dizendo que ali era terra indígena antigamente.

“Se tivesse algum cemitério de alguém da família ou parente, era para falar que eles já haviam nascido ali, se criaram ali, seus pais, avós, bisavós e netos, e assim por diante. Já nós pegávamos o pai daquela família para ser líder naquele lugar.

“Os antropólogos Celso Aoki e Paulo Pepe são agitadores que pegam rios de dinheiro em troca desse tipo de trabalho. Já mandam elaborar documentos naquele lugar, naquela fazenda, já fazem um mapa baseado em mais ou menos quantos hectares, dizendo que a área é indígena e que só falta a demarcação; já colocam o nome de como se chamava antigamente aquele lugar ou trocam o nome ou colocam o nome da fazenda mesmo. Se tiver três ou quatro famílias trabalhando lá, colocam como se tivessem 80 ou 90 famílias naquela área, dizendo que a aldeia e o pessoal do PKÑ já vão comprar mercadorias baratas refugadas, gradil de gado, banha podre e já sai nas aldeias grandes, que são demarcadas, que têm segurança, juntas as lideranças em todas as aldeias que são dominadas por eles e fazem uma reunião com todos os capitães do Mato Grosso do Sul.

“Eles fazem o documento daquele lugar, dizendo que o índio mora naquela fazenda, mesmo que o índio seja só peão. Já o indicam de capitão e mandam todos assinarem o documento, mandando para o Presidente da Funai em Brasília, dizendo que ali tem área indígena que falta demarcação, com 80 ou 90 famílias [...].

“Com a pressão, o Presidente da Funai assina o documento e manda para o Ministério da Reforma Agrária. Depois, passa para o grupão, depois para o Ministro do Interior. Na época, nós fazíamos assim. Hoje é Ministério da Justiça.

“Eu não sou contra a demarcação de terras. Só que sou contra esses elementos que vocês não conhecem. Eu descobri porque eles não compram as terras. Com os dólares que pegam no exterior, em nome do índio, só ficam jogando os índios contra os proprietários de terras e proprietários de terras contra os índios. [...]

“Eles não querem ver o indígena se civilizar, melhorar. Para eles continuarem a usar e manipular. Se o índio se sensibilizar e estudar vai descobrir o que eles fazem, e eles não vão ter mais como sobreviver à custa dos povos indígenas. [...]

“Estou pronto para fazer qualquer declaração ou debate, para ir perante o juiz com Celso Aoki e Paulo Pepe mostrar a realidade. As pessoas dessas entidades não querem que eu fale, e os administradores da Funai não querem que eu fale nada com os brancos. O novo administrador da Funai, José Antônio Martins Flores, pediu, pelo amor de Deus, para não fazer esse tipo de entrevista para os brancos e para a Justiça porque podem perder na Justiça as questões de terras.

“Uma vez já estive na rádio esclarecendo uma parte do trabalho sujo que eles estavam armando. Desde então, o administrador Antônio Martins Flores queria que eu guardasse segredo sobre isso. E de como assim disse e dou fé, me pediu e lavrei essa escritura”.

http://webthes.senado.gov.br/sil/Comissoes/Permanentes/CDHIGUAL/Atas/20050407IN001.rtf

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".