
Não demonstre medo diante de seus inimigos. Seja bravo e justo e Deus o amará. Diga sempre a verdade, mesmo que isso o leve à morte. Proteja os mais fracos e seja correto. Assim, você estará em paz com Deus e contigo.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Candidato mais votado a reitor da USP é contra cotas raciais

Um Congresso que tudo pode - inclusive burlar a lei
Em 1988, a Assembléia Constituinte votava pelo presidencialismo e mandato de cinco anos para José Sarney. Embora o órgão houvesse decidido pelo parlamentarismo e quatro anos de mandato, Sarney conseguiu convencer o Legislativo a mudar o voto. Para tanto, o presidente distribuiu, ao longo do mês que antecedeu as votações, 257 concessões. Desse total, 165 foram destinadas a 91 parlamentares. Dentre eles, 90% votaram a favor do que propunha Sarney. Ao todo, ele outorgou, ao longo de seu governo (1985-1990), 1.091 concessões, das quais apenas 65 foram submetidas à aprovação do Congresso. E a prática continua ocorrendo.
Segundo o artigo 54 da Carta Magna de 88 , é proibido a políticos, a partir do momento em que assumem o cargo, ‘firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público’ e serem ‘proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público’.
O artigo veio justamente para evitar que transformem o veículo em meio de propaganda ideológica, ofendam adversários políticos ou utilizem o poder que a licença lhes dá para barganha política, mas isso não é respeitado. E a falta de conhecimento da população sobre a legislação impede que esse vício seja erradicado. Entretanto, há expectativas de que isso tenha fim: um projeto da deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) promete colocar o assunto em pauta e cobrar ações das autoridades. Mas não será fácil: 14 colegas de partido de Erundina detêm concessões de algum canal.
O Comunicação conversou com a professora da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) Ada Cristina Machado, coordenadora do Núcleo de Pesquisa “Política e Estratégias da Comunicação” da Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares de Comunicação), sobre o assunto. A professora é taxativa: a ignorância da população sobre como se dão as concessões é fundamental para que políticos continuem agindo em desrespeito com a lei.
Comunicação: Políticos exercerem controle sobre os meios de comunicação no Brasil é um hábito saudável para uma sociedade democrática?
Ada Cristina Machado: É muito complicado para a democracia. E, com a concentração dos veículos e redes nas mãos de algumas famílias, a questão torna-se mais complicada ainda. Nós não temos um controle social da mídia no Brasil. Os mecanismos pelos quais se faz a concessão dos canais não são conhecidos pela sociedade. Aliás, a sociedade nem sabe que uma emissora de televisão ou de rádio tem origem em uma concessão política.
Comunicação: Como é esse processo de liberar concessões?
Machado: É pelo Poder Executivo do governo federal, através de atos do Ministério das Comunicações. Há longos processos, que duram vários anos, por caminhos às vezes tortuosos, burocráticos, mas que têm muita influência política na definição das concessões. E a sociedade não tem conhecimento de como esses processos se dão.
Comunicação: Aí entram favorecimentos políticos, jogadas de poder?
Machado: Sim. Entra uma relação política muito forte, que é atravessada pelos interesses dos partidos - e que acaba definindo o espectro, o mapa das concessões de emissoras no Brasil. E a população não tem a menor informação sobre como isso acontece.
Comunicação: Assim, é de forma negativa que a senhora avalia essa relação entre mídia e poder político?
Machado: Com certeza. O simples capital político de um indivíduo, que o faz senador ou deputado, já o transforma numa pessoa apta a ter a concessão de um canal. A relação entre mídia e poder é complicada, e nela está prejudicada a parte mais importante, que são os profissionais de comunicação. Os estudantes e profissionais dificilmente têm direito de acesso aos meios. Por isso, temos uma baixa profissionalização no rádio, acompanhada de uma redução dos postos de trabalho no jornalismo impresso e na televisão. Crescem os canais, mas os postos de trabalho não crescem na mesma proporção.
Comunicação: Essa dinâmica sempre foi assim? Ou houve alguma razão histórica que condicionou esta relação?
Machado: A concentração da mídia na mão de poucos é um fenômeno mundial, não acontece só no Brasil. Aqui, a concentração é muito forte, e os grupos são multimídia. Por exemplo, o detentor de um jornal forte é natural candidato a ter uma emissora, e de uma emissora ele terá uma rede. Isso tudo proporciona que essas pessoas montem grupos econômicos muito fortes, controlados por opiniões que não explicitam a pluralidade que existe na sociedade. Infelizmente, esse é um fenômeno mundial hoje. Para contrabalançar isso, só temos a realidade da Internet.
Trata-se de uma realidade muito difícil de ser alterada. Não é só questão de grupos políticos. Mais do que isso, são grupos econômicos. A convergência, que é uma junção de interesses que vem da telefonia, informática e telecomunicações, acabou redefinindo o controle das mídias no mundo inteiro. A Europa tinha uma ótima experiência em TV estatal. Mas abriu mão disso, e deu espaço aos canais privados. Começou a cometer erros que no Brasil já conhecemos de longa data.
Comunicação: E por que essa mudança?
Machado: Porque o estado europeu não conseguiu dar conta. A atualização tecnológica era muito defasada, e a realidade da indústria cultural forçou a adoção de um padrão tecnológico de TVs privadas. Nessa mudança, a qualidade da programação acaba sendo prejudicada. De um lado temos uma qualidade estética muito grande, mas a qualidade informativa e educativa decai. Temos a ilusão de ter uma mensagem de melhor qualidade, pois esteticamente ela é mais bem resolvida. Adota padrões e cânones que nos parecem mais atrativos. Mas a qualidade é indiscutivelmente pior.
Comunicação: Em que regiões do Brasil podemos notar uma maior concentração dos meios nas mãos de famílias?
Machado: Tínhamos presença política muito forte nas mídias locais em geral. Mas paulatinamente nós fomos vendo, nas regiões norte e nordeste muito mais nitidamente, que os políticos começaram a abraçar as mídias em geral. É bastante lamentável hoje, porque a concentração não favorece a pluralidade.
Comunicação: A senhora citaria algum caso emblemático que possa ilustrar esta concentração no Brasil?
Machado: Existe um estudo que relaciona a posse das redes de comunicação no Brasil por famílias. Por exemplo, a famílias Marinho, no Rio de Janeiro, e Abravanel (de Sílvio Santos), em São Paulo, para citar as principais. No caso do Nordeste, é a família Sarney que domina. Aí há um vínculo claro entre política e controle da mídia.
Comunicação: Quais são as conseqüências disso para o profissional da comunicação?
Machado: As conseqüências é que se reduzem os postos de trabalho. Caminhamos para uma realidade em que veremos profissionais tendo o fruto de seu trabalho - suas matérias - reproduzido em diversas mídias. A tendência dos profissionais é tornarem-se multimídia. E o resultado é ter sua produção apropriada por diversos veículos e suportes midiáticos. E com isso nós corremos o risco de ter a veiculação de apenas uma perspectiva do fato. Nesse sentido, a concentração é, mais uma vez, contrária à democracia.
Políticos que detém concessões de rádio e/ou TV(Por partidos)
Fonte: Transparência Brasil/Projeto Excelências
Xavier Neto (PL/PI)
Alberto Oliveira (PMDB/RS)
Alexandre Santos (PMDB/RJ)
Aloísio Acácio Piazza (PMDB/SC)
Aníbal Gomes (PMDB/CE)
Antonio Bulhões (PMDB/SP)
Antônio Júlio (PMDB/MG)
Baleia Rossi (PMDB/SP)
Domingos Filho (PMDB/CE)
Edson Albertassi (PMDB/RJ)
Elcione Barbalho (PMDB/PA)
Francisca Motta (PMDB/PB)
Francisco Rossi (PMDB/SP)
Garibalde Mendonça (PMDB/SE)
Garibaldi Alves Filho (PMDB/RN)
Guerino Zanon (PMDB/ES)
Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN)
Ivan Sarney (PMDB/MA)
Jader Barbalho (PMDB/PA)
João Magalhães (PMDB/MG)
Joaquim Nagib Haickel (PMDB/MA)
José Maranhão (PMDB/PB)
José Sarney (PMDB/AP)
Lobão Filho (PMDB/MA)
Luiz Claudio Romanelli (PMDB/PR)
Luiz Tadeu Leite (PMDB/MG)
Mão Santa (PMDB/PI)
Mauro Benevides (PMDB/CE)
Mauro Tapety (PMDB/PI)
Moacir Micheletto (PMDB/PR)
Neuto De Conto (PMDB/SC)
Odílio Balbinotti (PMDB/PR)
Olavo Calheiros (PMDB/AL)
Raniery Paulino (PMDB/PB)
Renan Calheiros (PMDB/AL)
Ricardo Murad (PMDB/MA)
Romero Jucá (PMDB/RR)
Roseana Sarney (PMDB/MA)
Waldyr Pugliesi (PMDB/PR)
Wellington Salgado de Oliveira (PMDB/MG)
Wilson Braga (PMDB/PB)
Zé Gerardo (PMDB/CE)
André Soares (DEM/SP)
Antonio Carlos Júnior (DEM/BA)
Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM/BA)
Carlos Apolinario (DEM/SP)
Dilceu Antônio Dal Bosco (DEM/MT)
Edmir Chedid (DEM/SP)
Efraim Morais (DEM/PB)
Elmiro Nascimento (DEM/MG)
Fábio Souto (DEM/BA)
Felipe Maia (DEM/RN)
Giulianno dos Anjos (DEM/ES)
Jayme Campos (DEM/MT)
Jerônimo Reis (DEM/SE)
Jorginho Maluly (DEM/SP)
José Adécio Costa (DEM/RN)
José Agripino (DEM/RN)
José Bruno (DEM/SP)
José Mendonça Bezerra (DEM/PE)
José Nunes (DEM/BA)
Júlio Cesar (DEM/PI)
Juraci Leite (DEM/PI)
Leal Junior (DEM/PI)
Luiz de Deus (DEM/BA)
Miriam Lacerda (DEM/PE)
Mussa Demes (DEM/PI)
Raimundo Colombo (DEM/SC)
Álvaro Guimarães (PR/GO)
Carlos Simões (PR/PR)
César Borges (PR/BA)
Henrique Queiroz (PR/PE)
Inocêncio Oliveira (PR/PE)
Jaime Martins (PR/MG)
José Rocha (PR/BA)
Jusmari Oliveira (PR/BA)
Leo Alcântara (PR/CE)
Londres Machado (PR/MS)
Luciano Castro (PR/RR)
Vivaldo Costa (PR/RN)
Wellington Fagundes (PR/MT)
Armando Abílio (PTB/PB)
Campos Machado (PTB/SP)
Eduardo Costa (PTB/PA)
Epitácio Cafeteira (PTB/MA)
Fernando Collor (PTB/AL)
Geraldo Coelho (PTB/PE)
Gim Argello (PTB/DF)
João Vicente Claudino (PTB/PI)
Manoel Ribeiro (PTB/MA)
Mozarildo Cavalcanti (PTB/RR)
Nerinho (PTB/PI)
Paulo Herinque Paes Landim (PTB/PI)
Pedro Fernandes (PTB/MA)
Abelardo Camarinha (PSB/SP)
Aglailson Júnior (PSB/PE)
Átila Lira (PSB/PI)
B. Sá (PSB/PI)
Dr. Ubiali (PSB/SP)
Eduardo Lopes (PSB/RJ)
Gonzaga Patriota (PSB/PE)
Ismar Marques (PSB/PI)
Josué Neto (PSB/AM)
Luciano Pereira (PSB/ES)
Marcondes Gadelha (PSB/PB)
Sandra Rosado (PSB/RN)
Sérgio Aguiar (PSB/CE)
Welington Landim (PSB/CE)
Carlos Willian (PTC/MG)
Alberto Pinto Coelho (PP/MG)
Antonio Salim Curiati (PP/SP)
Beto Mansur (PP/SP)
Cida Borghetti (PP/PR)
Dilceu Sperafico (PP/PR)
Gerson Peres (PP/PA)
Pedro Westphalen (PP/RS)
Ricardo Barros (PP/PR)
Vadão Gomes (PP/SP)
Venâncio Fonseca (PP/SE)
Warner Pires (PP/TO)
José Fernando Aparecido de Oliveira (PV/MG)
Micarla Araújo de Sousa Weber (PV/RN)
Sarney Filho (PV/MA)
Tiago Ulisses (PV/MG)
Victor Mendes (PV/MA)
Adroaldo Loureiro (PDT/RS)
Damião Feliciano (PDT/PB)
Euclides Fernandes (PDT/BA)
Geraldo Cartário Ribeiro (PDT/PR)
Jurandy Oliveira (PDT/BA)
Luiz Carlos Martins (PDT/PR)
Otaviano Olavo Pivetta (PDT/MT)
Sérgio Brito (PDT/BA)
Severiano Alves (PDT/BA)
Juninho Araújo (PRTB/MG)
Reinaldo Braga (PSL/BA)
Albano Franco (PSDB/SE)
Bonifácio de Andrada (PSDB/MG)
Carlos Alberto Leréia (PSDB/GO)
Eduardo Azeredo (PSDB/MG)
Glauco Lopes (PSDB/RJ)
João Jaime (PSDB/CE)
João Tenório (PSDB/AL)
Mauri Torres (PSDB/MG)
Moésio Loiola (PSDB/CE)
Roberto Rocha (PSDB/MA)
Rodrigo de Castro (PSDB/MG)
Tasso Jereissati (PSDB/CE)
Zé Maia (PSDB/MG)
Zilá Breitenbach (PSDB/RS)
Fábio Faria (PMN/RN)
Robinson Mesquita de Faria (PMN/RN)
Humberto Souto (PPS/MG)
Nelson Proença (PPS/RS)
Carrinho de Compras: Presidência reserva R$ 145 mil para compra de 1.440 ternos
CONVOCAÇÃO MUNDIAL PELO DIREITO DE VIVER - ASSINE VOCÊ TAMBÉM E MANDE PARA TODOS OS SEUS CONTATOS
Nós, cidadãos dos Estados membros da Organização das Nações Unidas, neste ano do 60.° aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada e proclamada pela Resolução 217 A (III) da Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948,
Tendo em conta que:
Indicamos que:
Deve-se dar a devida consideração a:
1. O direito à vida de cada ser humano, da concepção até a morte natural, tendo cada criança o direito de ser concebida, nascida e educada no seio de uma família, baseada no matrimônio entre um homem e uma mulher, sendo a família o grupo de unidade natural e fundamental da sociedade,2. O direito de cada criança de ser educada por seus pais, que têm a prioridade e o direito fundamental de escolher o tipo de educação que deve ser dada a seus filhos.
Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. (Artigo 3)
Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. (Artigo 16)A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e têm o direito à proteção da sociedade e do Estado. (Artigo 16)A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais.(Artigo 25)Os pais têm o prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos. (Artigo 26)
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Cotas Raciais - dois artigos de Demétrio Magnoli (Kabengele e o mulato inviável e Kabengele e o bálsamo racial)


Revisionismo indigenista e neomissiologia - mais desgraça do pessoal esquerdopata
Na origem das absurdas demarcações de “terras indígenas” encontram-se movimentos de esquerda, que vêm prejudicando a produção de alimentos e causando insegurança entre os proprietários
De norte a sul, a política indigenista em curso vem rompendo a harmonia social e racial do Brasil. Extensas áreas vêm sendo demarcadas como reservas indígenas, ao mesmo tempo que delas são expulsos seus legítimos proprietários, ali radicados no mais das vezes há várias gerações. Uma política que vem dividindo perigosamente a nossa sociedade entre brancos, negros, índios e mestiços.
Nesse quadro tão alarmante, poucos antropólogos têm a coragem de contrariar a FUNAI, no momento uma longa manus do governo federal, fornecedora de “laudos fantasiosos” para fins de “demarcação de territórios” indígenas. Grave improbidade dos responsáveis por tal política, como de quase toda uma classe profissional, a dos antropólogos, que no exercício da sua profissão não deveriam se afastar do compromisso com a verdade.
Catolicismo entrevistou o professor Hilário Rosa, mestre em Antropologia, História, Sociologia e Geografia. Atualmente leciona na USC — Universidade do Sagrado Coração, da Universidade Católica de Bauru (SP), onde ministra o curso de Antropologia Forense ou Antropologia Pericial.
Por sua posição firme e bem fundamentada, o professor Hilário Rosa tem participado de perícias judiciais a convite da Justiça Federal, como assistente técnico, sociólogo, antropólogo e historiador desde 1987.
* * *
Catolicismo — O Sr. poderia fundamentar a ilegitimidade dos chamados esbulhos e expropriações praticados pelo governo federal, sob pretexto de tutela indígena?
A prova de dolo e de má-fé do governo em tais procedimentos é o fato de que a FUNAI, não obstante saber que no final de cada processo se faz necessária a provisão de verbas para as devidas indenizações (no caso de desapropriação por interesse social), não as coloca em seus orçamentos anuais. A maior prova de que o governo trata com desrespeito a classe rural, é que não existe dotação orçamentária para uma situação delicada como esta. Na verdade, o que o governo faz através da FUNAI é expropriar (roubar) as terras de nossos produtores rurais que, além de trabalharem sob constantes riscos, ainda devem se preocupar com a total insegurança jurídica.
Ora, se o governo quisesse cumprir sua obrigação constitucional para com os silvícolas, bastaria seguir o estatuído no caput do Art. 26 da Lei nº 6001/73, o chamado Estatuto do Índio: “A União poderá estabelecer, em qualquer parte do território nacional, áreas destinadas à posse e ocupação pelos índios, onde possam viver e obter meios de subsistência, com direito ao usufruto e utilização das riquezas naturais e dos bens nelas existentes, respeitadas as restrições legais”.
Catolicismo — O que se deve entender por “respeitadas as restrições legais”?
O governo vem insistindo em criar gigantescos latifúndios indígenas, atropelando o direito de propriedade. Cumpre esclarecer que o direito de propriedade é assegurado a qualquer cidadão, mesmo estrangeiro, desde que na forma da lei, pois está consagrado no Art. 5º, § XXII, Título II — Dos Direitos e Garantias Individuais. Portanto, o governo jamais poderia, em nome do direito indígena, expropriar ou esbulhar qualquer proprietário, como o vem fazendo.
Catolicismo — Qual seria a melhor política governamental para salvaguardar os interesses dos índios, sem vir a reboque das ONGs e sem ferir o direito de particulares?
Prof. Hilário Rosa — O que acabei de afirmar não importa em negar à União o direito e até o dever de defender, resguardar e resgatar — quando ameaçados — os direitos do índio. Para isso o governo dispõe de instrumentos jurídicos, os processos administrativos a serem utilizados diante de provas evidentes de lesão aos direitos dos indígenas.
Configurada tal hipótese, o processo deverá levar em conta não apenas o Decreto nº 1775/96, mas de modo particular o que determina o Art. 37 da CF/88, bem como a Lei n° 9784/99, em todos os seus dispositivos que o regulamentam. Ou seja, a FUNAI e seus antropólogos precisam trabalhar de modo impessoal, com eficiência e moralidade, e não estar a serviço de política ideológica, com processos administrativos discricionários e arbitrários, como vem ocorrendo nas três últimas décadas, sob o bafejo de inumeráveis ONGs nacionais e estrangeiras.
Catolicismo — Que papel desempenharam e vêm desempenhando os missionários católicos junto aos índios brasileiros?
A partir do final da década de 1960, a Igreja Católica — que desde o Império colaborava com o Estado brasileiro na implementação da sua política indigenista — mudou profundamente sua visão filosófica e sociológica em relação aos nossos indígenas. Até então os missionários guiavam-se pela luz do Evangelho, ao procurar a assimilação e a aculturação dos índios, administrando-lhes a catequese. E ao mesmo tempo os assistia diante da política indigenista oficial, corporificada no Serviço de Proteção ao Índio— SPI, ao qual prestavam dessa maneira sua inestimável colaboração.
A perspectiva daqueles tempos dava prioridade à integração do índio na sociedade nacional, sem descuidar de lhe garantir terras, dentro de ações legítimas e legais. A Igreja Católica e o SPI (antecessor da FUNAI) criaram inúmeras reservas e parques onde os silvícolas, integrando-se aos poucos de acordo com suas vontades e conveniências, conforme a sociologia de cada grupo, foram preservando sua etnicidade.
A partir dos anos 60, para desgraça nossa, importantes setores da Igreja aderiram aos princípios do Congresso de Barbados (1971), que teve como objetivo básico, ditado por ONGs européias, rever todas as políticas culturais dos países latino-americanos com os indígenas.
Com efeito, a política indigenista brasileira, até então elogiada como modelo para o mundo, de repente passou a ser execrada e denunciada pelos antropólogos patrocinados pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e peloConselho Mundial das Igrejas, que num escandaloso processo revisionista passaram a denunciar tudo o que até então se havia feito na etnografia brasileira.
Curiosamente, para o Congresso de Barbados não foram convidados os antropólogos norte-americanos, pois os mesmos não teriam aceitado a intromissão européia nas suas relações étnicas, sobretudo com os indígenas.
Catolicismo — E qual a posição de nossos governantes diante dessa mudança radical de comportamento dos padres missionários?
Duas são as grandes vítimas dessa política oficial: os produtores rurais e as próprias comunidades indígenas, vergonhosamente exploradas e manipuladas por ONGs e entregues à sua própria sorte. Apesar dessas influências deletérias, alguns esforços no sentido de melhorar a vida dos índios vêm sendo feitos, como a construção de postos de saúde, gabinetes odontológicos, farmácias, poços artesianos e escolas em suas aldeias. Quero deixar claro que o dinheiro das ONGs nacionais e estrangeiras não é aplicado nessas ações positivas, como a profissionalização dos jovens índios que desejam se integrar no mercado de trabalho.
Sobre o comportamento do clero nessa questão, devo dizer que o Brasil nasceu sob as bênçãos da Igreja Católica, e que desde o início de nossa colonização — com figuras do porte de Nóbrega e Anchieta — o clero procurou abrandar a rudeza dos primeiros encontros entre os portugueses e os nossos indígenas.
A ação evangelizadora e civilizadora da Igreja era profundamente diferente da de hoje. Com prestígio junto à corte, conseguia arrancar do rei de Portugal inúmeras portarias ou alvarás régios, a fim de coibir abusos contra os índios. Hoje, infelizmente, determinados setores da Igreja, sob pretexto de defender os indígenas, na verdade conspiram contra a unidade nacional, o desenvolvimento e o bem-estar do País, comprometendo assim o amanhã de nossos filhos e netos.
Catolicismo — Quais são as interpretações errôneas do direito indígena à terra, no passado e na atualidade?
Prof. Hilário Rosa — No período colonial, passando pelo Império até a criação do SPI no início do século XX, a visão única era de assimilação do indígena, ou seja, deveriam constituir, com os outros povos que aqui aportaram, o povo brasileiro, sem resguardar sua etnicidade.
A partir de 1934 adquiriu amparo constitucional o Direito Indígena, com uma visão mais moderna baseada na integração nacional, que prometia respeitar as tradições dos índios, sua língua e cultura, dentro de seus territórios, embora o Estado brasileiro continuasse seu tutor.
Presentemente, as interpretações errôneas que a FUNAI, o Ministério da Justiça e o Ministério Público Federal vêm dando ao indigenismo poderiam inviabilizar o Brasil como nação soberana. Esses órgãos confundem indigenismo com a posse imemorial da terra, sem limite no tempo.
Em colaboração com o jurista Dr. Tales Oscar Castelo Branco, já escrevemos sobre isto um artigo: “Do direito dos índios à terra no passado e na atualidade brasileira – ‘Gênese do Indigenato’”, publicado na Revista do IASP (Instituto dos Advogados de São Paulo) e no site Consultor Jurídico.
Catolicismo — Qual vem sendo a aplicação do princípio do indigenato a partir da Constituição de 1988?
Prof. Hilário Rosa — Procuramos demonstrar no referido artigo que o indigenismo, tal como está esculpido no texto da CF/88, só tem sentido a partir de 5 de outubro de 1988, data em que entrou em vigor a atual Constituição. É a isto que o Supremo Tribunal Federal denomina “atualidade da posse”, não tendo, pois, sentido retroativo.
Catolicismo — O Sr. poderia citar exemplos de abusos da FUNAI, do Ministério Público Federal e do Ministério da Justiça nas recentes demarcações de terras indígenas?
Para não ficar apenas num exemplo, entre Joinville e o porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina –– portanto, num verdadeiro corredor industrial –– a FUNAI e o Ministério da Justiça vão criar, com uma só penada, quatro reservas indígenas. Essa medida arbitrária vem causando desespero em milhares de pessoas que lá residem e trabalham.
E pensar que isso vem sendo feito tão-só para satisfazer os caprichos dos antropólogos filiados ao C.T.I. (Centro de Trabalho Indigenista), com o seu “Projeto Guarani”, manipulando e transpondo para aquelas terras centenas e milhares de índios Guarani Mbya, provenientes da província de Misiones na Argentina e de terras do sudeste paraguaio!
Catolicismo — O Sr. poderia comentar a inquietação dos produtores rurais, decorrente dessa avalanche de demarcações de terras indígenas?
Prof. Hilário Rosa — Basta ler o noticiário sobre terras do Mato Grosso do Sul, próximas da fronteira com o Paraguai e com a Bolívia. Jornais locais, TVs, inclusive grandes emissoras, têm dado destaque ao ambiente de desolação, de frustração dos produtores rurais. Com efeito, eles sentem-se ameaçados em seus direitos de propriedade e de produzirem dignamente, contribuindo para os grandes avanços do agro
A denúncia do índio Kaiowá
Declaração de índio guarani/kaiuwá, por Escritura Pública no Tabelião Albuquerque,
Amambaí – MS, convalidada na Comissão de Direitos Humanos do Senado,
mostra a falta de controle do governo sobre as ONGs
A declaração pública do índio Kaiowá Adair G. Sanches, de Amambaí – MS, dá-nos uma visão de como as ONGs, o CIMI, o PKÑ (Projeto Kaiowá Ñandeva) e o PT estão agindo no Mato Grosso do Sul, “fabricando” supostas terras de ocupação tradicional. Isto tem servido de fundamento para falsos relatórios da FUNAI, com o objetivo de expropriar (roubar) terras de produtores rurais honestos, que as compraram na melhor forma do Direito. Hoje muitos deles já foram expropriados por ações da FUNAI, algumas acolhidas pela justiça, que infelizmente deixou-se enganar por esses falsos relatórios.
Seguem trechos da transcrição da Declaração, apresentada em audiência no Senado Federal no dia 7 de abril de 2005.
* * *
“Perante mim, Tabelião, compareceu em pessoa, Adair Gonçalves Sanches, indígena, lavrador, capaz, residente e domiciliado no Posto Indígena Amambaí, neste Distrito, portador do RG: 2320, Posto ADR, Amambaí, MS; CPF: 408.038.561-72, reconhecido por mim, Tabelião.
“Por ele, foi-me dito que vinha, de sua livre e espontânea vontade, sem constrangimento de quem quer que seja, prestar a seguinte declaração, cujo teor transcrevo a seguir:
“Que é índio da Tribo Guarani, nascido em 1959, na Aldeia Amambaí; Vereador eleito em Amambaí, MS, com o voto dos índios da Aldeia de Amambaí; ex-Presidente do Conselho da Aldeia de Amambaí; ex-representante da União das Nações Indígenas do Mato Grosso do Sul; ex-companheiro do antropólogo japonês Celso Aoki e Paulo Pepe, chefe de uma entidade que se chama PKÑ, Projeto Kaiowá-Ñandeva, entidade criada em nome do índio Kaiowá-Guarani, em Amambaí. O PKÑ, o CIMI — Conselho Indigenista Missionário — e o Partido dos Trabalhadores (PT) são entidades ligadas entre si. Essas entidades, usando de — são as expressões que estão na escritura — ‘malandragem e safadagem’, fazem montagens aqui em Mato Grosso do Sul, coisas que ninguém nunca imagina e que eu, que fui companheiro e conhecedor, sei que eles fazem no Mato Grosso do Sul, o PKÑ recebe verba do exterior, Holanda, Canadá e Suíça, em nome do povo indígena do Mato Grosso do Sul, do Kaiuá e Guarani.
“Dizem que é para ajudar esses povos. Só que esses dólares que vêm do exterior, o indígena nem sabe, usa o nome do índio e usa o índio também da seguinte forma: todos os problemas de terras que estão ocorrendo no Mato Grosso do Sul, na fronteira do Paraguai, são mandados pelo Sr. Celso Aoki e Paulo Pepe, antropólogos e chefes do PKÑ.
“Eu fui companheiro dessa entidade e do Partido do PT por três anos, na época do Presidente José Sarney e do Ministro Ronaldo Costa Couto. Essa escritura é de 1992. Nós fazíamos assim: procurávamos onde o índio estava trabalhando e há quantos anos estava morando naquela fazenda. Se eles falavam que estavam há cinco, seis ou dez anos, nós perguntávamos se não tinham familiares que faleceram naquele local e nós já falávamos para esse índio dar entrevista dizendo que ali era terra indígena antigamente.
“Se tivesse algum cemitério de alguém da família ou parente, era para falar que eles já haviam nascido ali, se criaram ali, seus pais, avós, bisavós e netos, e assim por diante. Já nós pegávamos o pai daquela família para ser líder naquele lugar.
“Os antropólogos Celso Aoki e Paulo Pepe são agitadores que pegam rios de dinheiro em troca desse tipo de trabalho. Já mandam elaborar documentos naquele lugar, naquela fazenda, já fazem um mapa baseado em mais ou menos quantos hectares, dizendo que a área é indígena e que só falta a demarcação; já colocam o nome de como se chamava antigamente aquele lugar ou trocam o nome ou colocam o nome da fazenda mesmo. Se tiver três ou quatro famílias trabalhando lá, colocam como se tivessem 80 ou 90 famílias naquela área, dizendo que a aldeia e o pessoal do PKÑ já vão comprar mercadorias baratas refugadas, gradil de gado, banha podre e já sai nas aldeias grandes, que são demarcadas, que têm segurança, juntas as lideranças em todas as aldeias que são dominadas por eles e fazem uma reunião com todos os capitães do Mato Grosso do Sul.
“Eles fazem o documento daquele lugar, dizendo que o índio mora naquela fazenda, mesmo que o índio seja só peão. Já o indicam de capitão e mandam todos assinarem o documento, mandando para o Presidente da Funai em Brasília, dizendo que ali tem área indígena que falta demarcação, com 80 ou 90 famílias [...].
“Com a pressão, o Presidente da Funai assina o documento e manda para o Ministério da Reforma Agrária. Depois, passa para o grupão, depois para o Ministro do Interior. Na época, nós fazíamos assim. Hoje é Ministério da Justiça.
“Eu não sou contra a demarcação de terras. Só que sou contra esses elementos que vocês não conhecem. Eu descobri porque eles não compram as terras. Com os dólares que pegam no exterior, em nome do índio, só ficam jogando os índios contra os proprietários de terras e proprietários de terras contra os índios. [...]
“Eles não querem ver o indígena se civilizar, melhorar. Para eles continuarem a usar e manipular. Se o índio se sensibilizar e estudar vai descobrir o que eles fazem, e eles não vão ter mais como sobreviver à custa dos povos indígenas. [...]
“Estou pronto para fazer qualquer declaração ou debate, para ir perante o juiz com Celso Aoki e Paulo Pepe mostrar a realidade. As pessoas dessas entidades não querem que eu fale, e os administradores da Funai não querem que eu fale nada com os brancos. O novo administrador da Funai, José Antônio Martins Flores, pediu, pelo amor de Deus, para não fazer esse tipo de entrevista para os brancos e para a Justiça porque podem perder na Justiça as questões de terras.
“Uma vez já estive na rádio esclarecendo uma parte do trabalho sujo que eles estavam armando. Desde então, o administrador Antônio Martins Flores queria que eu guardasse segredo sobre isso. E de como assim disse e dou fé, me pediu e lavrei essa escritura”.
http://webthes.senado.gov.br/sil/Comissoes/Permanentes/CDHIGUAL/Atas/20050407IN001.rtf
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