Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Está lançado o Ideal Universitário!



Mais uma vez o site Farol da Democracia Representativa (www.faroldademocracia.org), por intermédio do seu presidente, o Sr. Jorge Roberto Pereira, brinda-nos com uma iniciativa ímpar no cenário intelectual e político do Brasil.


A partir de agora, está lançado o IDEAL UNIVERSITÁRIO. Trata-se de uma iniciativa de agregação, voltada especialmente para o público universitário, onde jovens conservadores de todo o país, e até estrangeiros, poderão se encontrar, lançar debates, inserir idéias, organizar eventos, constituir ações concretas para organização política, tudo em prol da unidade do conservadorismo nacional. 


É disso realmente que estamos precisando. Não podemos continuar esparsos, ou mesmo esfaqueando-nos uns aos outros em grupos dispersos sem unidade, enquanto o pensamento de esquerda e a sua conseqüente ação política, seja ela mais revolucionária ou aparentemente maislight, ocupam todo o espectro social tornando-se hegemônicas e onipresentes. Pervagando todos os meandros sociais e familiares, desde a mais alta cultura até as expressões populares autênticas e tradicionais, as esquerdas possuem uma inacreditável coesão de objetivos revolucionários (mais ou menos reconhecíveis e/ou conscientemente anunciados pelos próprios esquerdistas) que nos atacam violentamente por todos os lados e ângulos, em escala avassaladora, mormente para quem freqüenta uma universidade brasileira. É o pensamento revolucionário em ação que atormenta o mundo desde alguns séculos como adverte o filósofo Olavo de Carvalho.


No estado em que se encontra a cultura e a sociedade brasileira atualmente, com uma taxa elevadíssima de mais de quarenta mil homicídios anuais; tráfico de drogas destruindo lares e inúmeras vidas, principalmente de jovens, com a conivência do Poder Público; predomínio do ensino marxista nas escolas, desde o ensino fundamental até as universidades e seus cursos de pós-graduação criando novas hordas de “idiotas úteis” para a causa revolucionária. Estamos, inexoravelmente, caminhando para um totalitarismo socialista disfarçado de “democracia”.


Para combater isso precisamos entre outras coisas de uma educação universitária clássica e verdadeiramente edificante. Isto é imprescindível para modificar o atual cenário, mas precisamos também, dada a situação de penúria da sociedade, fazer algo mais e com urgência.


Precisamos partir para a ação concreta também, como constantemente adverte Olavo de Carvalho. O luxo de apenas desenvolvermos belíssimas teorias, ou de discutirmos a doutrina econômica liberal, só é compatível com um país onde existam receptores qualificados e dispostos, onde a democracia impera, as instituições sejam sólidas e as informações possam circular através de uma mídia livre e autêntica.


Ao contrário, encontramos no conjunto da sociedade nacional as seguintes condições:


a) tributos escorchantes;


b) educação marxista;


c) significação arbitrária das palavras;


d) unicidade de ideologia e pensamento único (senso comum modificado);


e) falta de identidade partidária: os partidos não se distinguem uns dos outros;


f) censura descarada e, principalmente, velada;


g) acanhamento de muitas pessoas de bons ideais diante do avanço dos mal-intencionados;


h) silêncio obediente daqueles que possuem poder econômico;


i)  aumento constante do controle estatal da economia de moldes socialistas;


j) impregnação das idéias totalitárias e violentas do gramscismo.


l) destino político do continente determinado pela hegemonia do Foro de São Paulo;


m) fomentação forçada e manipuladora dos preconceitos “de classes” e raças por meio da ação de “intelectuais” marxistas;


n) inexistência de verdadeira oposição política articulada;


o) ataques sistemáticos e constantes aos valores Judaico-Cristãos;


p) crescimento de organizações criminosas como o MST, Via Campesina, quilombolas, indigenistas, entre outros, estimulados e financiados pelo governo federal com verbas públicas, que se somam às milionárias doações de ONGs internacionais ligadas à ONU;


q) palpiteiros e “formadores de opinião” ocupando o lugar de filósofos e intelectuais sérios e decentes;


r) o preconceito em relação às atividades intelectuais clássicas, em prol de inúmeras “vanguardas modernistas” que se dedicam a desconstruir a cultura clássica da civilização ocidental;


s) o avanço do tráfico e consumo de drogas e propostas de legalização da venda através do subterfúgio denominado “Redução de Risco”;


t) o avanço e o estímulo contínuo da promiscuidade sexual e sua precocidade;


u) a proteção dos bandidos, agora chamados “excluídos do sistema”, subentendido como capitalista, por meio de “direitos alternativos”;


v) o sucesso da excrescência chamada “teologia da libertação” e de outras falsas “igrejas”;


x) o sucateamento contínuo e o desrespeito e a difamação proposital das Forças Armadas com a finalidade de torná-las submissas aos projetos do Foro de São Paulo, do Diálogo Interamericano e da ONU;


z) falta de opções eleitorais conservadoras, consoantes com a tradição do povo brasileiro, que resigna-se a votar contra as suas mais arraigadas convicções em revolucionários irresponsáveis;


Quando a situação chega a esse nível de putrefação, então não vemos outra saída senão a discussão de estratégias democráticas de aquisição do poder e a denúncia incessante dos inimigos da democracia.


O IDEAL UNIVERSITÁRIO é uma iniciativa para expressarmos e debatermos nossas inquietudes intelectuais, do que não abrimos mão, mas também temos a intenção de tocar o coração de outros jovens como nós, assim como o do povo em geral, e convencê-los de que, até agora, por pura e simples inércia e apatia nossa, estamos entregando a vida e a liberdade da nossa e das próximas gerações aos cuidados de homens mal-intencionados, cujo único objetivo é conseguir conquistar a hegemonia do poder pelo próprio poder, sem nenhum compromisso verdadeiro com o povo brasileiro que dizem defender e representar.


Aqui, neste sítio eletrônico, procuraremos reunir pessoas com ideais em comum, para encorajar a nossa união e organização em prol de objetivos conservadores autênticos. Não é lugar para irresponsáveis, revolucionários, esquerdistas de “miolo mole”, de pessoas que são cúmplices morais do genocídio de etnias e o democídio de nações. Que matam seus semelhantes se estes não se adequam às promessas de um futuro utópico e irrealizável, projetado por suas cabeças revolucionárias “iluminadas”. Aqui não se venderá fumaça e nem se fará espuma. Aqui, a natureza humana será compreendida como é, como Deus nos fez. Deus sabe o que nos espera, e Nele confiamos.


Deus é nosso único guia e a Ele tememos somente. Sobre a Sua Verdade deve repousar a consciência dos políticos. Demonstraremos que a esmagadora maioria dos cidadãos brasileiros são conservadores, e que existem pessoas que têm os mesmos anseios conservadores e que querem trazê-los para a dimensão política.


Se somos contra o aborto, não podemos votar em quem é a favor, porque é dele que virão as decisões que devemos cumprir. Não é uma situação política normal políticos que levantam bandeiras criminosas chegarem ao poder para comandar um povo que conserva seus princípios morais cristãos. Sabemos o que está errado e queremos expor a verdade dos fatos. 


O povo brasileiro precisa saber que a linguagem dos políticos que eles mesmos põem no poder é falsa e mentirosa. Falam em distribuição de renda, e quando chegam ao poder logo dão um jeitinho de realmente distribuí-la, só que para eles mesmos, como comprova o caso do “mensalão”. Falam de defesa dos direitos humanos, e logo lançam campanhas fazendo apologia do aborto e da eutanásia, defendem e abrigam terroristas indenizando-os com quantias milionárias; votam a favor do desarmamento para privar o cidadão comum do direito à autodefesa; incitam o ódio racial e entre as classes econômicas; mantém relações íntimas com Cuba, Venezuela, Bolívia e Equador, países todos com presidentes totalitários até a medula. Falam em defesa do território nacional, de “entreguismo da direita”, e a primeira coisa que fazem ao ascender ao poder é retalhar a Amazônia, entregando-a para ONG’s estrangeiras e proibindo o exército de fiscalizá-las. Dizem proteger os interesses internos, mas suas decisões tomam por base as resoluções do Foro de São Paulo, uma excrescência internacionalista juridicamente ainda não catalogada e que fere a constituição brasileira ao interferir nos assuntos internos do país.


De uma coisa estamos convencidos: é através dos atos políticos que conquistamos, ou não, nossa liberdade. A inação e a acomodação não nos levarão longe, apenas mais perto do cadafalso. Mas sem conhecimento também não conseguimos reconhecer os perigos. Neste momento, cremos que o mais sensato é unir o conhecimento (que nos capacitará a diagnosticar), e ação (que nos permitirá efetivar).


Vale repetir: este espaço quer agrupar conservadores, fazê-los sair das catacumbas, para que contribuam com a difusão dos fundamentos do conservadorismo, que denunciem permanentemente os inimigos da democracia e dos valores cristãos, e que, ao mesmo tempo, discutam e ponham em prática formas de alcançar os órgãos de decisão deste país, a fim de que tenhamos uma melhor inserção no meio político nacional, de uma vez por todas.


Em resumo: combater as mentiras, no campo espiritual e cultural; combater o totalitarismo, no campo político. E para isso é necessário um trabalho constante de denúncia e esclarecimento.


Aos cidadãos brasileiros, homens e mulheres de coragem e determinação, que querem construir a dignidade deste país, as portas estão abertíssimas.


Que Deus sempre nos abençoe e nos livre de todos os males!

Foundation for Investigation of the Communist Crimes




Mission

The purpose of the Foundation for the Investigation of Communist Crimes is to diffuse knowledge and increase international understanding of the crimes against humanity committed by violent communist regimes across the globe in different times. The goal of the Foundation is to dismiss once and  for all a shockingly common and ubiquitous illusion that any ‘semi-good’ violent regimes – yet based on the violation of human rights, torture and constant threat on life – ever existed or could exist.

 
Communist crimes need to be understood globally, and they must be condemned the same way Nazi crimes were. In pursuing its mission, the Foundation gathers data regarding Communist crimes and Red terror across the world, provides grants for scholarly research, disseminates information globally via modern communication channels, and supports experts advising the last remaining communist regimes in their transformation to democracies.


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Nerd Sem Máscara - O Inevitável Watchmen

MÍDIA SEM MÁSCARA
THE RIGHTWATCHER | 17 MARÇO 2009 | ARTIGOS CULTURA

Teria o governo o direito do monopólio do uso dos "super-seres"? E os governos reais teriam o direito de tirar o direito do cidadão de reagir contra os crimes que são cometidos contra ele? O super-herói, afinal, nada mais é que um cidadão que, dotado de armas fantasiosas ou poderes que as substituem, assume a tarefa de auto-defesa da sociedade. O próprio fato de serem forçados a se mascararem de alguma forma já demonstra que no século 20 este direito era cobiçado maliciosamente pelos governos centralistas, já que para simplesmente defenderem-se eles precisavam agir no anonimato.


Há um evento ofuscante no mundo nerd no momento e seu nome é Watchmen. Embora tenha saído no cinema após o sombrio Batman de Christopher Nolan, quem acompanha os quadrinhos sabe que a transição do gênero super-herói de um passatempo de crianças para um modelo arquétipo literário completo só foi possível graças ao Watchmen de Alan Moore, ao Cavaleiro das Trevas de Miller e o Sandman de Neil Gaiman. Com Watchmen traduzido fielmente para as telas, e a presença "espiritual" de Miller nos dois últimos filmes do Batman, fica faltando apenas uma adaptação da obra de Gaiman para o cinema. Considerando que a indústria se abriu para séries de vários capítulos como em Harry Potter, não é de todo absurdo pensar em uma série de filmes que narre a saga de Sandman.


Watchmen marca a nona-arte porque nele os atos fantásticos dos super-heróis não são o assunto final do trabalho. Não se trata de apenas mostrar pessoas extraordinárias fazendo coisas extraordinárias para que o espectador projete-se neles. Ali, temos uma história com super-heróis, mas não sobre eles.
 

E qual seria, então, o assunto de Watchmen? A história, que se passa na década de 80, começa com um assassinato misterioso. Logo um dos super-heróis, o direitista conservador Rorschach, surge para investigá-lo. Sua primeira descoberta é que a vítima era a identidade secreta de um super-herói da velha guarda, o Comediante. Rorschach parte então para avisar sobre o fato seus ex-colegas do grupo Watchmen, uma espécie de "Liga da Justiça", dado que estão todos agora involutariamente aposentados por uma lei de 1977 que proibia a atividade de vigilantes mascarados. Esta foi a primeira vez nos quadrinhos que se utilizou o argumento da proibição da atividade super-heróica que veríamos ainda em "Cavaleiro das Trevas" e mais tarde na animação "Os Incríveis" e na série da Marvel "Guerra Civil". Já aí vemos uma das inúmeras questões levantadas pelo filme, já que a máscara do super-herói pode ser vista como uma metáfora do porte de armas, já que uma e outra representam o direito do cidadão comum de defender-se dos "vilões". Teria o governo o direito do monopólio do uso dos "super-seres"? E os governos reais teriam o direito de tirar o direito do cidadão de reagir contra os crimes que são cometidos contra ele? O super-herói, afinal, nada mais é que um cidadão que, dotado de armas fantasiosas ou poderes que as substituem, assume a tarefa de auto-defesa da sociedade. O próprio fato de serem forçados a se mascararem de alguma forma já demonstra que no século 20 este direito era cobiçado maliciosamente pelos governos centralistas, já que para simplesmente defenderem-se eles precisavam agir no anonimato.
 

As questões levantadas por Watchmen, entretanto, não param aí. Na medida em que o direitista noir Rorschach vai avisando seus ex-companheiros, vamos enquadrando-os também. O primeiro é o Coruja, visivelmente inspirado no Batman (ainda que indiretamente pelo Besouro Azul): filho de pais milionários, utilizou sua fortuna para construir aparatos tecnológicos de combate ao crime e utiliza um uniforme que faz referência a uma criatura da noite. Longe de seus dias de glória, o Coruja atualmente vive uma vida insossa e frustrada de classe média, falido pelos seus gastos, barrigudo pela falta de exercícios e acovardada pela lei de 77, pela Guerra Fria e pela sua atitude de desistência frente aos seus sonhos e vocação. A seguir, conhecemos Ozymandias, também um ex-herói, que se aposentou dois anos antes da lei de 77 e criou em cima de sua antiga imagem um império comercial e industrial que permite que ele possa comprar todo o patrimônio de Lee Iacocca e outros bilionários juntos "três vezes". Ozymandias é considerado o homem mais inteligente do mundo e participou de inúmeras experiências de expansão de consciência, além de ter incomparáveis habilidades marciais. Por fim, ele visita o único ser com super-poderes, que é o Dr. Manhantan e sua esposa e heroína também, a Espectral. O Dr. Manhantan é o gancho para as questões religiosas da história. Desintegrado em um teste de física nuclear, conseguiu reagrupar-se. Porém, voltou com uma visão dos "bastidores" da criação, podendo manipular a matéria quase como um deus, possuindo consciência plena de todos os momentos presentes, passados e futuros de sua vida e podendo estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. Essa verdadeira "ascese materialista" não o torna uma pessoa melhor, porém cada vez mais frio e maquinal, como o próprio universo materialista sem Deus ao qual ele se uniu e que ele mesmo define como um "relógio sem relojoeiro". Sua esposa, a Espectral, tornara-se heroína apenas para satisfazer sua mãe, uma heroína da geração anterior, e anteriormente atraída pelo exotismo do Dr. Manhantan, hoje vive em perene frustração dada a indiferença dele. Também deve conviver com sua exótica mãe que ainda hoje é apaixonada pelo homem que a estuprou. Enquanto isso, ao mesmo tempo, as relações entre a União Soviética e os Estados Unidos vão se acirrando, trazendo a sombra da guerra nuclear total bem próxima.
 
O vilão do filme, como vemos no final, manipula todos os super-heróis e mata dezenas de milhões com o objetivo de trazer o ideal da paz mundial. Seu "socialismo caviar" elitista é evidente para qualquer um que saiba que o socialismo é gerado e movido nas altas elites e não no proletariado. Sua atitude de colocar-se como salvador do mundo, planejador global de direito pelo simples fato de ter o poder de fazê-lo denuncia que afinal, o tema do filme, é nada mais nada menos que a mentalidade revolucionária ainda que o autor não conheça o termo. Para quem ainda não está familiarizado com o conceito, vale uma lida nos artigos seminais de Olavo de Carvalho sobre o assunto: (http://www.olavodecarvalho.org/semana/070813dc.html e http://www.olavodecarvalho.org/semana/071010dce.html).


De fato, a questão última que o filme coloca é: mesmo supondo que uma revolução global, que matasse milhões, pudesse atingir seu objetivo declarado de uma "sociedade mais justa", seria espiritual, moral e eticamente correto obtê-la a este custo? Seria correto que esse "mundo melhor possível" fosse baseado na manipulação geral das consciências como faz o vilão? Aliás, seria correta a afirmação final do vilão para os super-heróis de que eles é que estariam errados em tentar detê-lo e ele é o herói? Sob tal contexto, o único que se mantém coerente o filme todo é o conservador Rorschach, que não aceita contemporizar com os sutis argumentos revolucionários do vilão, e através de um pequeno jornal conservador de direita inspirado exatamente nos "mediawatch" americanos e é tido como "paranóico" e "fanático" é que coloca a dúvida sobre se o vilão realmente teria tido sucesso ou não, denunciando-o.
 

O autor, Alan Moore, porém, nada tem de conservador. Praticante de paganismos exóticos, seu mérito maior é exatamente não ter sido panfletário ao criar a história e, assim, ao refletir as ideologias e crenças dos personagens, acabar dando a vitória moral ao direitista Rorschach em face da mentalidade revolucionária do vilão, à qual subjuga todos os demais. Na verdade a atitude dos outros personagens lembra bem a do personagem central de 1984 que morre tecendo louvores ao Grande Irmão. Eles concordam em participar da mentira em face dos "benefícios" que ela traz. Foram derrotados e subjugados pelo tamanho estonteante da revolução global trazida pelo vilão.


Watchmen é uma obra com super-heróis, mas é sobre política, religião, psicologia, sociologia e filosofia. É uma pena que o diretor tenha optado pelo excesso de sexo e violência que não estão presentes nos quadrinhos originais. Uma das super-heroínas da primeira geração era apenas brevemente mencionada como lésbica e, no filme, não apenas vemos sua parceira, como um beijo "caliente" entre as duas. A cena de sexo do Coruja e a Espectral em sua nave, também meramente insinuada no graphic novel, beira o soft porn. A quantidade de fraturas expostas e sangue também excedem em muito o original. Talvez por apelo, talvez por achar que isso seja um avanço, o diretor optou por tais inserções e temos apenas a lamentar por isso. No mais, entretanto, é um filme com muito o que se discutir e recomendável para todos os que se interessam por tais assuntos. Três vivas para Zack Snyder por tê-lo realizado e aguardemos para ver quem terá brio para transpor Sandman para o cinema.

Por e-mail (sic)

Então... 

Precisamente crítica, mas elegantemente contida e ponderada na linguagem, esta carta pretende ser uma aula sobre "ser soldado".
 
Entendo que, embora retoricamente dirigida ao ministro da Defesa, busca em verdade, outras mentes - mais saudáveis que aquela.
 
Com certeza, o autor sabe que tal como crianças não alcançam entender complexas motivações de adultos, determinados perfis de caráter - e no caso em pauta, de mau carácter - jamais conseguirão assimilar, mesmo ao rasteiro nível do intelecto, valores éticos e morais que os transcendem por léguas.
 
Honra, brio, integridade, lealdade, bravura, a dignidade que promana do auto-respeito, do jamais rebaixar-se a atos desleais, o amor incondicional à pátria... são-lhes conceitos vazios de ecos pessoais.

Nada de remotamente similar e suscetível de ressonância por simpatia, existe nestes caracteres.

A superior realidade em valor humano que se honra pela dedicação ao Servir, é-lhes mais estranha e incompreensível que uma décima dimensão.
 
O senso de honra, de honestidade para consigo e para com o Outro - florações do auto respeito embasado em sensibilidade ética - absolutamente nada lhes significam. De positivo.

E porque precisa-se sempre de uma dimensão de significado para "explicar-nos o mundo", eles se oferecem "explicações" para tão estranhos fenômenos: babaquices. Debilidades burguesas destes pobres estúpidos que estão aí para serem pisados.
 
Vem-me num angustiante crescendo a percepção de que - para a imensa maioria de nossa gente, uns quantos militares incluso - ainda não chegou a compreensão da verdadeira natureza destes tipos que hoje mandam e desmandam no país.
 
Esta récua resulta de uma corrupção de caráter tão profunda - quer de origem ideológica, seja por pura patologia de caráter - que, em termos práticos, são espécie à parte na qual, o que pudesse ter havido de sanidade e elementar decência humana, esvaiu-se num poço de escura perversão.

Atendem apenas à pulsão por poder, sem entraves de escrúpulos de qualquer ordem.
 
O homem comum, decente e honesto, tende sempre a acreditar que o outro se lhe assemelha. E estará errado, neste caso.
 
Com estes espécimens não se negocia, não se discute no mesmo plano, não se fazem acordos - ou qualquer tipo de relação embasada no respeito às normas de uma honestidade mínima.
Não sabem o que seja. Interpretam-na como estupidez e fraqueza.

Romperão acordos, trairão alianças, apunhalarão pelas costas... Sua palavra vale zero - nada.
O Cel. Lício os conhece de longa data, de muitos sofrimentos... e de muitas traições. E autenticidade deste conhecimento ele prova ao posicionar-se:
 
"--- Não converso com comunas. Se aparecerem, levam bala."
 
Só serão parados pela força.
 
É imperioso que se entenda que

só serão parados pela força.
 
Só param pela força!

 
Se tal força já não existe, ou se não se tem disposição para usá-la...

Restará esperar que a terra nos seja leve.
 
M.
 
 
Carta a um Jobim fora do tom

Luiz Cesário da Silveira Filho

GENERAL DA RESERVA DO EXÉRCITO

Ministro Jobim,

Tomei conhecimento de sua entrevista, publicada no Jornal do Brasil em 15 março de 2009, na qual o senhor responde à pergunta de como pretende administrar a insatisfação de alguns generais em relação a algumas diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa (END).


Por considerar deselegante para comigo e para com os integrantes da Reserva das Forças Armadas a sua resposta de que "o general que declarou a insatisfação não tem nada a administrar porque é absolutamente indiferente, foi para a reserva, se liberou", resolvi considerar a possibilidade de responder-lhe.


Sei que o senhor não leu as minhas palavras de despedida do Comando Militar do Leste. Nelas, relembro o saudoso ministro do Exército, General Orlando Geisel, que afirmou: "Os velhos soldados se despedem, mas não se vão".


Sou um general com 47 anos de serviço totalmente dedicados ao meu Exército e ao meu país. Conquistei todas as promoções por merecimento. Fiz jus à farda que vesti. Não andei fantasiado de general. Fui e continuarei a ser, pelo resto de minha vida, um respeitado chefe militar. Vivi intensamente todos os anos de minha vida militar. Fui, sempre, um profissional do meu tempo.


Alçado ao mais alto posto da hierarquia terrestre, acompanhei, por dever, atentamente, a evolução do pensamento político-estratégico brasileiro, reagindo com as perspectivas de futuro para a minha instituição, na certeza de que a história do Brasil se confunde com a história do Exército.


Vivemos, atualmente, dias de inquietude e incerteza. Sei que só nós, os militares, por força da continuidade do nosso dever constitucional, temos por obrigação manter a trajetória imutável da liberdade no Brasil. É, por este motivo, que serei sempre uma voz a se levantar contra os objetivos inconfessáveis que se podem aduzir da leitura de sua Estratégia Nacional de Defesa.


Ela está eivada de medidas, algumas utópicas e outras inexequíveis, que ferem princípios, contrariam a Constituição Federal e afastam mais os chefes militares das decisões de alto nível. Tal fato trará consequências negativas para o futuro das instituições militares, comprometendo, assim, o cumprimento do prescrito no artigo 142, da Constituição Federal, que trata da competência das Forças Armadas.


"Competência para defender a Nação do estrangeiro e de si mesma".


Em época de grave crise econômica, como a que atinge o país, apesar das tentativas de acobertá-la por parte do governo ao qual o senhor serve, os melhoramentos materiais sugeridos serão, obviamente, postergados. Mas, o cerne da estratégia e suas motivações políticas poderão ser facilmente implementados.


É clara, nela, a intenção de se atribuir maiores poderes ao seu cargo de ministro da Defesa, dando-lhe total capacidade de interferir em todas as áreas das Forças Armadas, desde a indicação de seus comandantes, até a reestruturação do ensino e do preparo e emprego das Forças.


Vejo, atualmente, com preocupação, a subvalorização do poder militar. Desde a Independência do Brasil, sempre tivemos a presença de um cidadão fardado integrando a mesa onde se tomam as mais importantes decisões do país. O Exército Brasileiro sempre foi um ator importante na vida brasileira, e, ao longo da história, teve o papel de interlocutor, indutor e protagonista.


A concepção ressentida da esquerda, que se consolidou no poder político a partir de 1995, absorvendo as ideias exógenas do Estado mínimo e da submissão total do poder militar, mantendo "a chave do cofre e a caneta" em mãos civis, a fim de conseguir a sua subserviência ao poder político civil, impôs a criação de um ministério destinado a coordenar as três Forças Armadas. Isto não se fazia necessário, no estágio evolutivo em que se encontrava o processo político brasileiro. Em um governo, à época da criação do Ministério da Defesa, constituído por 18 ministérios, nos quais pelo menos cinco eram militares, foram substituídos, estes últimos, por um ministério que, por desconhecimento de seus ocupantes (até hoje, nenhum ministro da Defesa prestou sequer o Serviço Militar Obrigatório, como soldado), tem apenas atuado no campo político.


Estou convencido que afastar-nos da mais alta mesa de decisão do país foi uma estratégia política proposital, o que tem possibilitado, mais facilmente, o aparelhamento do Estado brasileiro rumo à socialização, com a pulverização da alta administração do país, atualmente, em 37 ministérios e, apenas um, pretensamente, militar.


A expressão militar deve ser gerida com conhecimento profissional, pois ela é um componente indissolúvel do poder nacional. Sem a presença de militares no círculo das altas decisões nacionais, temos assistido a movimentos perturbadores da moral, da ética e da ordem pública intentarem contra a segurança do direito, aspecto basilar em um regime que se diz democrático. Tal fato traz, em seu bojo, condições potenciais de levar o país rapidamente a uma situação de anomia constitucional, o que poderá se configurar em risco de ruptura institucional.


A sua END aprofunda o contexto de restrições à autonomia militar e sugere medidas que, se adotadas, trarão de volta antigos costumes de politização dos negócios internos das Forças Armadas. Talvez isso favoreça o modelo de democracia que querem nos impingir. Será isto o que o senhor quer dizer quando fala em sua entrevista "que é o processo de consolidação da transição democrática"?


Finalizando, quero salientar que a desprezível conceituação de que "o general que declarou insatisfação não tem nada a administrar porque é absolutamente indiferente, foi para a reserva, se liberou", bem demonstra a consideração que o senhor empresta aos integrantes da Reserva das Forças Armadas, segmento que o seu ministério pretende representar. Isto mostra, também, o seu desconhecimento da grandeza e da servidão da profissão militar, pois, como bem disse o general Otávio Costa, "a farda não é uma vestimenta que se despe, mas uma segunda pele que adere definitivamente à alma...".


Lembre-se que os militares da ativa sempre conferem prestígio, não somente aos chefes de hoje, como, também, aos de ontem. Não existem dois Exércitos. Há apenas um: o de Caxias, que congrega, irmanados, os militares da ativa e da reserva.


A certeza de que o espírito militar, que sempre me acompanhou nos meus 47 anos de vida dedicados totalmente ao Exército, o qual, oxigenado pela camaradagem, é formado por coragem, lealdade, ética, dignidade, espírito público e amor incondicional ao Brasil, é o que me faz voltar, permanentemente, contra a concepção contida na sua END.


Quarta-feira, 18 de Março de 2009 - 00:00



ENTREVISTA DE JOBIM

 

Terça-Feira, 17 de Março de 2009 | Versão Impressa


''Defesa trata anistia pelo viés jurídico, e não pelo viés político''


Nelson Jobim: ministro da Defesa


João Bosco Rabello, Tânia Monteiro e Rui Nogueira


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Em entrevista ao Estado o ministro da Defesa, Nelson Jobim, condenou a tentativa política de revisão da Lei de Anistia e disse que o debate sobre sua abrangência criou uma falsa disputa entre defensores de torturadores e dos torturados. Ex- presidente do STF e um dos artífices da Constituição de 88, Jobim deixa claro que o tema o entedia tanto quanto as queixas militares com relação ao Ministério da Defesa. "Não me emociono com isso", diz. Para ele, se a anistia está politicamente consolidada, sua discussão fora do ambiente do Poder Judiciário é perda de tempo. Já o comando civil das Forças Armadas é irreversível. No primeiro caso, diz , o Ministério da Defesa adotará uma postura de absoluto viés jurídico. Em relação à reação militar à Estratégia de Defesa Nacional (END), materializada numa carta com críticas do ex-comandante Militar do Leste, general Luiz Cesário, distribuída entre os oficiais , o ministro chega a dizer que nem leu o documento. "São vozes esporádicas, residuais", minimiza. Na avaliação de Jobim, a vulnerabilidade do sistema militar brasileiro é outra: dependência externa de bens e tecnologia.

O Ministério da Defesa vai completar uma década em junho. Está consolidado ou ainda há resistências nos comandos militares?

A fase de transição está encerrada. Os militares saíram da política e os civis assumiram. A lealdade das Forças Armadas ao Poder democraticamente constituído está consolidada e esse foi um processo que começou no governo José Sarney (1985-1990). Do ponto de vista político, o Ministério da Defesa está consolidado, mas não está consolidado do ponto de vista administrativo, da gestão. Mas não há mais recuo. Não dá mais para pensar na volta ao modelo anterior e termos um ministério do Exército, outro da Marinha e outro da Aeronáutica, além de um Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA). Ou, voltando ainda mais no tempo, ao Ministério da Guerra.

Mas, vez por outra, um militar de alta patente critica a criação do Ministério da Defesa. Como o general Luiz Cesário, que acabou de deixar o Comando Militar do Leste e, ao passar para a reserva, criticou a pasta.

Pode haver vozes esporádicas contra. Isso é (manifestação) residual, isolada. São pontos de vista individuais, que precisamos respeitar.

O que vem depois da transição?

Entramos na consolidação do ministério, etapa iniciada com a elaboração da política de defesa (Estratégia Nacional de Defesa). Vamos discutir agora a elaboração da política militar, com a organização, preparação e atualização das Forças Armadas. Há coisas incipientes, como a modelagem das tarefas orçamentárias e as compras conjuntas. Mas tudo isso é um processo.

Como é que foi conquistada essa lealdade dos militares?

O que asseguramos foi a exclusão da intervenção militar nas decisões políticas. Isso veio com redução da presença militar nos cargos da administração pública direta e indireta e a perda do poder de veto.

De onde vinha esse poder político dos militares e por que agora, legalmente, não existe mais?

Desde a Carta de 1891 os militares entenderam que eles tinham uma destinação constitucional para garantir a lei e a ordem. Por uma definição deles mesmos, sem intermediação dos poderes políticos. Em 1987, na Constituinte, houve uma discussão e se manteve o mesmo modelo (fiadores da garantia da lei e da ordem), mas se estabeleceu uma diferença: os militares só agem por iniciativa dos Poderes da República. Antes, os próprios militares é que decidiam se podiam intervir ou não. Na Constituição de 88, submetemos o poder militar aos Poderes constituídos, mas não quisemos saber da questão militar porque esse é um assunto vinculado à repressão política. Os civis não assumiram a parte que lhes cabia na Defesa porque os objetivos para as Forças Armadas precisam ser definidos e escritos pelos governos. Daí vem a redução contínua do orçamento, os equipamentos começaram a ficar obsoletos. Como a relação era só para resolver problemas pontuais, as decisões eram todas dos militares.

Em que fase está a aplicação da Estratégia Nacional de Defesa?

Com a política definida, nós estamos agora fechando prioridades. Os militares quase sempre falam na falta de dinheiro. Mas esse não é o problema. A questão é saber o que tem de ser feito, considerando a capacidade do País. O problema do nosso Exército é a fronteira oeste, mas as grandes bases da Força estão no leste. A decisão de política pública está tomada, a Amazônia é a prioridade. O módulo de fixação do Exército na região é a brigada, com mobilidade dada pelos pelotões de fronteira e soldados com ação flexível, capacidade para o litígio convencional, mas também preparados para o confronto irregular, não-convencional. Estamos, portanto, definindo agora a política militar. Os civis tomam as decisões e os militares fazem as opções estratégicas para cumprir as decisões.

Por exemplo?

No caso da ajuda à Colômbia (para resgate de reféns em poder da guerrilha das Farc), chamei o general Enzo (comandante do Exército) e pedi um planejamento para uma operação de salvamento e resgate. Eu não intervim no modus operandi. Mas a decisão de ir era uma decisão do governo. Chegaram a me dizer que os soldados brasileiros não poderiam ter armas. Aí eu disse: negativo. Nossos militares terão, sim, armas de defesa pessoal. O Exército conhece a Amazônia e deu um belo resultado.

Qual é hoje a grande vulnerabilidade do sistema de defesa brasileiro?

Falta de capacitação nacional, pois todos os nossos insumos são obtidos no exterior. Mas o governo não tem dinheiro para garantir encomendas para as Forças, encomendas num volume que ajude a sustentar um indústria de defesa forte e desenvolvida. Se não tiver dinheiro nós vamos demorar a reduzir a vulnerabilidade.

Como o governo vai ajudar a desenvolver, por exemplo, o cargueiro KC-390, projeto da Embraer?

Nós vamos fazer encomendas do KC-390. Investiremos por meio da garantia de encomendas. E já conversei com o Juan Manoel Santos (ministro colombiano da Defesa) para ver se a Colômbia também faz encomendas garantidas.

Em meio à consolidação do Ministério da Defesa, um assunto atravessou o coro: a discussão sobre a validade e alcance da Lei de Anistia. De que lado o sr. fica?

O assunto está no Supremo (Tribunal Federal). É de lá que virá a interpretação constitucional. Temos de sair da dicotomia equivocada do revisionismo interpretativo, que divide o debate entre os que defendem os torturadores e os que defendem os torturados - não é isso que está em jogo. Essa dicotomia é a mesma em que estamos caindo no debate sobre a Amazônia: de um lado os desenvolvimentistas, que querem derrubar a Amazônia; do outro lado, os preservacionistas, que querem preservar a Amazônia. E quem está no meio são os 25 milhões de pessoas que precisam sobreviver.

Mas qual é sua visão sobre o alcance da Lei da Anistia?

No fim dos anos 70 foi tomada uma decisão política traduzida em lei. Essa lei está sujeita a interpretações, e o órgão competente para interpretar é o Supremo Tribunal Federal. O Ministério da Defesa trata o assunto pelo viés jurídico, e não pelo viés político. Não tem outro caminho. Eu nunca fui emocionado.

O assunto da demarcação da Reserva Raposa Serra do Sol também está no Supremo. É assunto resolvido para os militares?

O voto do ministro Carlos Alberto Direito já tem número suficiente de apoios (8 dos 11 votos possíveis). As 18 regras que ele (Direito) explicitou são a definição do estatuto jurídico da terra indígena. Nós não temos nação indígena, ou, dizendo de outra forma, nós não temos índios brasileiros, mas brasileiros índios. Habilmente, o STF está aproveitando o julgamento para definir que a terra indígena é de propriedade da União, usada pela população indígena. Definir que o subsolo é da União, mas que na exploração eles vão ter uma participação. Definir que as Forças Armadas não precisam pedir licença para ninguém, nem para a Funai, para entrar em terra indígena. Definir que as terras indígenas também estão sujeitas a questões ambientais, não permitindo negócios em que os índios derrubam a mata para servir às madeireiras. As leis de proteção ambiental valem para todos.

Todo mundo diz que o sr. não fez nada de concreto para acabar com o caos aéreo, apesar das muitas reuniões, planos e promessas. Mas é fato que melhorou um pouco o ambiente nos aeroportos. Nem a briga para aumentar o espaço entre os assentos o sr. ganhou. O que houve?

A verdade é que as agências tinham uma agenda própria, os órgãos de controle da Aeronáutica tinham outra agenda. Era um desastre. Hoje está tudo coordenado. A Anac prometeu examinar a questão dos assentos na próxima (nesta) semana. Vai ter um resultado.

O que está havendo na briga envolvendo os aeroportos do Rio (Santos Dumont e Galeão), o governador Sérgio Cabral e a Agência Nacional de Aviação (Anac)?

O setor político aprovou uma legislação de criação da Anac, mas não sabia o que estava aprovando. A Anac tem duas liberdades legais: para definir tarifas e para definir rotas. Com a ajuda dos órgãos técnicos, a Anac define a capacidade dos aeroportos. A agência está discutindo agora quem entra e quem sai (no Santos Dumont), porque você não pode deixar que um aeroporto fique eternamente nas mãos de alguém. É isso o que está acontecendo.

CAOS AÉREO: "O setor político aprovou uma legislação de criação da Anac, mas não sabia o que estava aprovando"

POLÍTICA MILITAR: "Os civis tomam as decisões e os militares fazem as opções estratégicas para cumprir as decisões"

ÍNDIOS: "Habilmente, o STF está aproveitando o julgamento para definir que a terra indígena é de propriedade da União"

Quem é: Nelson Jobim

Bacharel em ciências jurídicas, foi deputado pelo PMDB

Ocupou o posto de ministro da Justiça no governo FHC

Foi ministro e presidente do STF
 

Ludwig von Mises (1881-1973)

INSTITUTO LUDWIG VON MISES BRASIL
Por Murray N. Rothbard*


"A economia lida com os problemas fundamentais da sociedade; é do interesse de todos e pertence a todo mundo. Ela é o estudo principal e natural de cada cidadão."

lastknight.jpgUm dos mais notáveis economistas e filósofos do século XX, Ludwig von Mises, no curso de uma longa e altamente produtiva vida, desenvolveu uma ciência dedutiva e integrada para se entender a economia, baseada no axioma fundamental de que seres humanos individuais agem propositadamente para atingir as metas desejadas. Mesmo que sua análise econômica fosse "livre de juízo de valor" - no sentido de simplesmente descrever as coisas, dizer como elas são, sem defender nenhum ponto de vista em particular -, Mises concluiu que a única política econômica viável para a raça humana seria uma política de laissez-faire irrestrito, de livre mercado e de respeito total aos direitos de propriedade privada, com o governo estritamente limitado a defender a pessoa e a propriedade dentro de sua área territorial.

Mises foi capaz de demonstrar que (a) a expansão do livre mercado, a divisão do trabalho, e o investimento de capital privado é o único caminho possível para a prosperidade e o sucesso contínuo da raça humana; (b) o socialismo seria desastroso para a economia moderna porque a ausência de propriedade privada da terra e de bens de capital impediria qualquer tipo de precificação racional, ou de estimativa de custos, e (c) a intervenção governamental, além de obstruir e arruinar o mercado, seria contra-produtiva e acumulativa, levando inevitavelmente ao socialismo, a não ser que todo o tecido intervencionista fosse repelido.

Mantendo essas visões, e se apegando indomitamente à verdade em um século crescentemente devotado ao estatismo e ao coletivismo, Mises se tornou famoso por sua "intransigência" em insistir em um padrão-ouro não inflacionário e no laissez-faire.

Efetivamente impedido de exercer qualquer cargo universitário pago na Áustria e depois nos Estados Unidos, Mises seguiu seu curso nobremente. Como conselheiro econômico chefe do governo austríaco nos anos de 1920, Mises foi solitariamente capaz de diminuir a inflação na Áustria; e ele desenvolveu seu próprio "seminário particular" que atraiu os notáveis jovens economistas, cientistas sociais, e filósofos de toda a Europa. Como fundador da "Escola Neo-Austríaca" de economia, a teoria dos ciclos econômicos de Mises - que dizia que a culpa por inflações e depressões era dos créditos bancários inflacionários encorajados pelos Bancos Centrais -, foi adotada pela maioria dos jovens economistas da Inglaterra no início dos anos 1930 como a melhor explicação para a Grande Depressão.

Tendo ido para os EUA, fugindo dos nazistas, Mises fez neste país uns de seus mais importantes trabalhos. Em mais de duas décadas lecionando, ele inspirou uma emergente Escola Austríaca nos EUA. No ano após a morte de Mises em 1973, seu seguidor mais distinto, F.A. Hayek, foi laureado com o Prêmio Nobel de economia por seu trabalho, no qual ele elaborou a teoria dos ciclos econômicos de Mises durante o fim dos anos 1920 e início dos anos 1930.

Mises nasceu em 29 de Setembro de 1881 na cidade de Lemberg (atualmente Lvov) na Galícia, onde seu pai, um vienense que era engenheiro de construção e trabalhava nas ferrovias austríacas, havia sido enviado a trabalho. Tanto o pai quanto a mãe de Mises vieram de proeminentes famílias vienenses; o tio de sua mãe, Dr. Joachim Landau, serviu como deputado pelo Partido Liberal no Parlamento austríaco.

Entrando na Universidade de Viena na virada do século como um esquerdista intervencionista, o jovem Mises descobriu o livro de Carl Menger, Princípios de Economia Política (Principles of Economics), o trabalho fundador da Escola Austríaca de economia, e foi rapidamente convertido à ênfase austríaca na ação individual ao invés da crença de que equações mecanicistas irrealistas são a verdadeira unidade de análise econômica. Consequentemente, Mises também passou a enxergar a importância de uma economia de livre mercado.

Mises se tornou um proeminente aluno de pós-doutorado nos famosos seminários da Universidade de Viena dados pelo grande economista austríaco Eugen von Böhm-Bawerk (dentre as suas grandes realizações está a refutação devastadora da teoria do valor-trabalho marxista).

Durante esse período, em seu primeiro grande trabalho, The Theory of Money and Credit (A Teoria da Moeda e do Crédito), de 1912, Mises executou aquela que era considerada uma tarefa impossível:  integrar a teoria da moeda na teoria geral da utilidade marginal e dos preços (o que hoje seria chamado de integrar a "macroeconomia" na "microeconomia.") Posto que Böhm-Bawerk e seus outros colegas austríacos não aceitaram essa integração feita por Mises e, portanto, permaneceram sem uma teoria monetária, ele, Mises, foi obrigado a tomar uma ação enérgica e, com isso, fundou a escola "neo-austríaca."

Misesgraysuit.gifEm sua teoria monetária, Mises ressuscitou o princípio, há muito esquecido, daEscola Britânica da Moeda (British Currency School), que havia predominado até os anos 1850, que dizia que a sociedade não se beneficia em nada de qualquer aumento na oferta monetária, que um aumento da moeda e do crédito bancário apenas causam inflação e ciclos econômicos, e que, por isso, a política governamental deveria manter o equivalente a um padrão-ouro de 100 por cento.

A esse insight, Mises adicionou os elementos da sua teoria dos ciclos econômicos: que a expansão creditícia feita pelos bancos, além de causar inflação, torna as depressões inevitáveis porque essa expansão leva aos chamados "maus investimentos", isto é, induz os empresários a sobreinvestir em bens de capital de "ordens mais altas" (maquinaria, construção, etc.) e a subinvestir em bens de consumo.

O problema é que esse crédito bancário inflacionário, quando emprestado aos negócios, vem sob o disfarce de uma pseudo-poupança, e faz os empresários crerem que há mais poupança disponível para investir na produção de bens de capital do que os consumidores estão genuinamente dispostos a poupar. Assim, um boom inflacionário requer uma recessão para a sua cura, que se torna um processo doloroso porém necessário, pelo qual o mercado liquida os investimentos errados e restabelece a estrutura de investimentos e produção que melhor satisfaz as preferências e demandas do consumidor.

Mises e seu seguidor Hayek desenvolveram essa teoria dos ciclos durante os anos 1920, pela qual Mises foi capaz de alertar a um mundo desavisado que a amplamente proclamada "Nova Era" de prosperidade permanente dos anos 1920 era uma fraude, e que seu inevitável resultado seria uma corrida aos bancos e depressão. Quando Hayek foi convidado por Lionel Robbins, um influente ex-aluno dos seminários particulares de Mises, a lecionar na London School of Economics, em 1931, ele foi capaz de converter a maioria dos economistas ingleses mais jovens a essa perspectiva. Em rota de colisão com John Maynard Keynes e seus discípulos em Cambridge, Hayek demoliu a obra de Keynes, O Tratado Sobre a Moeda (Treatise on Money), mas perdeu a batalha e a maioria de seus seguidores para a onda da Revolução Keynesiana que varreu a economia mundial depois da publicação da Teoria Geral em 1936.

As receitas políticas para os ciclos econômicos prescritas por Mises e Hayek eram diametralmente opostas às de Keynes. Durante o período de expansão (o boom period), Mises aconselhava um fim imediato a todo o crédito bancário e expansão monetária; e, durante uma recessão, ele defendia um estrito laissez-faire, permitindo que as forças reajustadoras da recessão pudessem trabalhar o mais rápido possível.

Não apenas isso: para Mises, a pior forma de intervenção seria a de fazer aumentar preços ou salários, causando desemprego, e a de aumentar a oferta monetária, ou aumentar o gasto governamental, como forma de estimular o consumo. Para Mises, a recessão era um problema de poupança escassa e consumo excessivo, e seria importante, por isso, estimular a poupança e a frugalidade ao invés de se fazer o oposto; deveria, também, haver um corte de gastos do governo, ao invés de aumentá-los. Fica claro que, de 1936 em diante, Mises era totalmente contrário à moda que dominava a política macroeconômica mundial.

O socialismo-comunismo havia triunfado na Rússia e em grande parte da Europa durante e depois da Primeira Guerra Mundial, e Mises foi impelido a publicar seu famoso artigo, "Economic Calculation in the Socialist Commonwealth" (Cálculo Econômico na Comunidade Socialista), em 1920, no qual ele demonstrou que seria impossível para um conselho planejador socialista planejar um sistema econômico moderno; mais ainda, nenhuma tentativa de "mercados" artificiais funcionaria, já que um genuíno sistema de preços e custos requer uma troca de títulos de propriedade, e, portanto, requer a propriedade privada dos meios de produção.

Mises desenvolveu o artigo transformando-o em seu livro Socialismo (Socialism), de 1922, uma abrangente crítica filosófica e sociológica, bem como econômica, que ainda permanece como a demolição mais minuciosa e devastadora do socialismo já escrita. Socialismo afastou da ideologia socialista muitos economistas e sociólogos proeminentes, incluindo Hayek, o alemão Wilhelm Ropke, e o inglês Lionel Robbins.

Nos EUA, a publicação da tradução em inglês de Socialismo, em 1936, atraiu a admiração do notável jornalista da área econômica Henry Hazlitt, que escreveu sobre o livro no New York Times, e converteu um dos mais proeminentes e letrados comunistas da América - J.B. Matthews, seu companheiro de viagem no período - para uma posição misesiana. Com isso, Matthews acabou se opondo a todas as formas de socialismo.

Os socialistas de toda a Europa e dos EUA se preocuparam com o problema do cálculo econômico sob o socialismo por aproximadamente quinze anos, quando finalmente anunciaram que o problema estava solucionado com a promulgação do modelo de "socialismo de mercado" do economista polonês Oskar Lange, em 1936. Lange voltou para a Polônia depois da Segunda Guerra Mundial para ajudar a planejar o comunismo polonês. O colapso do planejamento socialista, na Polônia e nos outros países comunistas em 1989, deixou os economistas de todo o espectro ideológico que eram favoráveis ao Establishment, e que haviam acreditado na "solução" de Lange, totalmente atordoados.

Alguns socialistas proeminentes, como Robert Heilbroner, tiveram a elegância de admitir publicamente que "Mises estava certo" desde o início (a frase "Mises estava certo" foi o título de um painel no encontro anual, em 1990, da Southern Economic Association (Associação Econômica do Sul) em Nova Orleans).

Se o socialismo era uma catástrofe, a intervenção governamental não tinha como dar certo, e inevitavelmente levaria ao socialismo. Mises elaborou essa introspecção no seu livro Uma Crítica ao Intervencionismo (Critique of Interventionism), de 1929, e expôs sua filosofia política de liberalismolaissez-faire em Liberalismo - segundo a tradição clássica (Liberalism), de 1927.

Além de se posicionar contra todas as tendências políticas do século XX, Mises combateu com igual fervor e eloquência tudo aquilo que ele considerou como sendo modismos metodológicos e filosóficos desastrosamente dominantes, tanto na economia quanto em outras disciplinas. Esses modismos incluíam o positivismo, o relativismo, o historicismo, o polilogismo (a idéia de que cada raça e gênero tem sua própria "lógica", e que, portanto, não podem se comunicar com outros grupos), e todas as formas de irracionalismo e de negação da verdade objetiva. Mises também desenvolveu aquilo que ele considerou ser a metodologia própria da teoria econômica - a dedução lógica de axiomas evidentes, os quais ele chamou de "praxeologia" -, e levantou críticas incisivas à crescente tendência da economia e de outras disciplinas de substituir a praxeologia e a compreensão histórica por modelos matemáticos irrealistas e manipulações estatísticas.

Tendo emigrado para os EUA em 1940, os dois primeiros livros de Mises em inglês foram importantes e influentes. Seu Omnipotent Government (Governo Onipotente), de 1944, foi o primeiro livro a desafiar a então padronizada visão marxista que dizia que o fascismo e o nazismo foram impostos sobre as nações pelas grandes corporações e pela "classe capitalista". Seu Bureaucracy (Burocracia), também de 1944, fez uma análise ainda não superada de por que uma operação governamental deve necessariamente ser "burocrática" e sofrer de todos os malefícios da burocracia.

A realização mais monumental de Mises foi Ação Humana (Human Action), de 1949, o primeiro tratado abrangente de teoria econômica escrito desde a Primeira Guerra Mundial. Nessa obra, Mises aceitou o desafio proposto por sua própria metodologia e por seu programa de pesquisa e, assim, elaborou uma estrutura integrada e massiva de teoria econômica, que se baseava em seus próprios princípios dedutivos e "praxeológicos". Publicado em uma era em que economistas e governos em geral estavam totalmente dedicados ao estatismo e à inflação keynesiana, Ação Humana não foi lido pelos economistas formados. Finalmente, em 1957 Mises publicou seu último grande trabalho, Theory and History (Teoria e História), no qual, além de refutar o marxismo e o historicismo, ele realça as diferenças e funções básicas da teoria e da história tanto para a economia quanto para todas as várias disciplinas que envolvem a ação humana.

Nos EUA, assim como em sua terra natal, a Áustria, Mises não pôde achar um cargo pago na academia. Na New York University, onde ele lecionou de 1945 até se aposentar aos 88 anos em 1969, ele só seria designado para ser Professor Visitante, e seu salário seria pago pela William Volker Fund, uma fundação conservadora-libertária, até 1962, e depois disso por um consórcio de fundações e executivos pró-livre mercado. Apesar do clima desfavorável, Mises inspirou um crescente grupo de alunos e admiradores, inspirou entusiasmadamente seus estudos, e continuou ele próprio sua extraordinária produtividade.

Mises também foi mantido por libertários e outros admiradores do livre mercado, trabalhando junto com eles. Desde sua origem em 1946 até sua morte, Mises foi um membro provisório da Foundation for Economic Education (Fundação para a Educação Econômica) em Irvington-on-Hudson, Nova York; e ele foi nos anos 1950 um conselheiro econômico da National Association of Manufacturers (NAM) - Associação Nacional de Industriais - trabalhando com a sua ala laissez-faire, que acabou perdendo a batalha para a onda do estatismo "iluminado".

Como um defensor do livre comércio e um liberal clássico na tradição de Cobden, Bright e Spencer, Mises foi um libertário que capitaneou a razão e a liberdade tanto em termos pessoais quanto econômicos. Como um racionalista e oponente do estatismo em todas as suas formas, Mises nunca se considerou um "conservador", mas sim um liberal no sentido do termo no século XIX.

De fato, Mises foi politicamente um laissez-faire radical, que denunciava tarifas, restrições de imigração, ou tentativas governamentais de fazer cumprir a moralidade. Por outro lado, Mises foi um firme conservador cultural e socialmente, que atacava o igualitarismo, e denunciava ferozmente o feminismo como sendo um aspecto do socialismo. Em oposição aos muitos conservadores que eram críticos do capitalismo, Mises manteve sua posição de que a moralidade pessoal e o núcleo familiar eram ambos não apenas essenciais para um sistema de capitalismo de livre mercado, como também eram estimulados por ele.

A influência de Mises foi marcante, considerando a impopularidade de suas visões políticas e epistemológicas. Seus alunos dos anos 1920, mesmo aqueles que depois virariam keynesianos, foram permanentemente marcados por uma visível influência misesiana. Dentre esses alunos estavam, além de Hayek e Robbins, Fritz Machlup, Gottfried von Haberler, Oskar Morgenstern, Alfred Schutz, Hugh Gaitskell, Howard S. Ellis, John Van Sickle, e Erich Voegelin.

Na França, o principal conselheiro econômico e monetário do General DeGaulle, que ajudou a França a se afastar do socialismo, foi Jacques Rueff, um velho amigo e admirador de Mises. E parte do afastamento da Itália em relação ao socialismo após a Segunda Guerra Mundial se deve ao Presidente Luigi Einaudi, um distinto economista, amigo de longa data e colega pró-mercado de Mises. Nos EUA, as idéias de Mises foram bem menos influentes. Sob condições acadêmicas menos promissoras, seus alunos e admiradores incluíam Henry Hazlitt, Lawrence Fertig, Percy Greaves, Jr., Bettina Bien Graeves, Hans F. Sennholz, William H. Peterson, Louis M. Spadaro, Israel M. Kirzner, Ralph Raico, George Reisman, e Murray N. Rothbard. Mas Mises foi capaz de construir uma legião notavelmente firme e leal de seguidores entre os homens de negócios e outros não-acadêmicos; sua sólida e complexa obra Ação Humana tem vendido extraordinariamente bem desde o ano de sua publicação original.

Desde a morte de Mises na cidade de Nova York, em 10 de Outubro de 1973, aos 92 anos de idade, a doutrina e a influência misesiana tem tido uma renascença. Os anos seguintes viram não somente o Prêmio Nobel dado a Hayek por sua teoria misesiana dos ciclos econômicos, mas também a primeira de muitas conferências da Escola Austríaca nos EUA. Livros de Mises têm sido re-impressos e inúmeros artigos seus já foram traduzidos e publicados. Cursos e programas baseados na Escola Austríaca têm sido ensinados e estabelecidos pelo país afora. (Estados Unidos).

Tomando a liderança desse renascimento de Mises e no estudo e expansão da doutrina misesiana está o Ludwig von Mises Institute, fundado por Lle wellyn Rockwell, Jr. em 1982, tendo a sua sede em Auburn, Alabama. O Mises Institute publica periódicos escolares e livros, e oferece cursos em nível básico, intermediário e avançado de economia austríaca, os quais atraem um número cada vez maior de alunos e professores. Indubitavelmente, o colapso do socialismo e a atratividade cada vez maior exercida pelo livre mercado contribuíram enormemente para esse surto de popularidade.

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*Murray N. Rothbard (1926-1995) se tornou o decano da Escola Austríaca após a morte de Mises

 

Cronologia

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(Baseado na Annotated Bibliography of Ludwig von Mises, de Bettina B. Greaves)

1881. Nascido em 29 de setembro, filho de Arthur Edler e Adele (Landau) von Mises, em Lemberg, no Império Austro-Húngaro. Após a Primeira Guerra Mundial, Lemberg se torna "Lvov", uma parte da Ucrânia na URSS; então em dezembro de 1991, "Lviv", na nova república independente da Ucrânia. O pai de Ludwig, formado naZürich Polytechnic, foi um engenheiro construtor que trabalhava no Ministério Ferroviário Austríaco. Ludwig era o mais velho de três meninos; um morreu ainda criança; Richard se tornou conhecido como matemático.

Frequentou uma escola primária particular, e então foi para aAkademishe Gymnasium em Viena, uma escola pública, de 1892 a1900.

1900. Primeira visita à Suíça. 

1900-1902. Frequenta a Universität Wien (Universidade de Viena). 

1902  . "Die Entwicklung des gutsherrlich-bäuerlichen Verhältnisses in Galizien (1772-1848) [O Desenvolvimento do Relacionamento entre Camponeses e o Lord de Manor na Galícia, 1772-1848]. Uma monografia sobre o declínio da servidão na Galícia natal de Mises.

1903. Morre o pai de Mises. 

1906. 20 de Fevereiro: Laureado com o doutorado jurídico, Doutor tanto em Leis Canônicas quanto em Leis Romanas, da Universität Wien (Universdade de Viena). Quando Mises frequentou a Universidade, ela não tinha um departamento de economia separado; o único caminho para se estudar economia era através do direito.

1904(?)-1914. Frequentou os seminários de Eugen von Böhm-Bawerk na Universität Wien

1910. Completou o serviço militar compulsório, consistindo de três períodos de quatro semanas de serviço, um período a cada ano, por três anos.

1906-1912. Lecionou economia para sêniores na Wiener Handelsakademie für Mädchen [Academia Comercial Vienense para Garotas]. 

1907-1908. Começou a trabalhar na Kammer für Handel, Gewerbe und Industrie [Câmara Austríaca do Comércio], "Handelskammer" para encurtar, uma agência oficial conselheira do governo austríaco.

1912Theorie des Geldes und der Umlaufsmittel [Teoria da Moeda e do Crédito], o primeiro importante trabalho teórico de Mises. 

1913. Designado Privatdozent (conferencista não-assalariado) na Universidade de Viena.

1914-1918. Chamado de volta para o serviço ativo quando a Primeira Guerra Mundial começou. Ele deixou Viena no verão de 1914 para ir à guerra, no mesmo dia e no mesmo trem no qual ele havia planejado sair para lecionar um seminário na Silésia. Ele serviu como capitão da artilharia na cavalaria Austro-Húngara, principalmente no front Leste nas montanhas dos Cárpatos, na Ucrânia russa, e na Criméia. Durante a parte final da guerra, ele trabalhou com problemas econômicos do Estado-Maior do Exército, em Viena.

1918-1919. Lecionou para uma classe de oficiais procurando voltar para a vida civil na Wiener Exportakademie [Academia de Exportações Vienense], depois chamada de Hochschule für Welthandel [Instituto para o Comércio Mundial]. 

1918-1920. Diretor, Liga da Comissão de Reparações Austríacas das Nações [Abrechnungs Amt].

1919-1934. Retornou para Viena como um Privatdozent (conferencista não-assalariado); dotado em 18 de Maio de 1918 como o título de "Professor Extraordinário".

Após a Primeira Guerra Mundial, Mises ajudou a reviver a Nationalökonomische Gesellschaft [Sociedade Econômica], editora do períodico trimestral Zeitschriftfur Nationalökonomie

1918-1938. Reassume sua posição na Handelskammer, a Câmara Austríaca do Comércio.

1919Nation, Staat und Wirtschaft: Beiträge zur Politik and Geschichte der Zeit [Nação, Estado, e a Economia: Contribuições para a Política e a História de Nosso Tempo]. 

1920. Die Wirtschaftsrechnung im sozialistischen Gemeinwesen" [Cálculo Econômico na Comunidade Socialista]. Artigo apresentado na Nationalökonomische Gesellschaft, depois publicado no Archiv für Sozialwissenschaft und Sozialpolitik (1920). 

1919-1933. Membro ativo, Verein fiir Sozialpolitik [Associação para Política Social]. 

1920-1934. Conduzia seminários particulares [Privatseminar] em seu escritório em tardes alternadas de sexta-feira. Participantes: Ph.Ds da Universidade e convidados, por convite apenas. 

1922Die Gemeinwirtshaft: Untersitchungen über den Sozialismus [Socialismo: Uma Análise Econômica e Sociológica]. 

1923Die geldtheoretische Seite des Stabilisierungsproblems [Estabilização da Unidade Monetária, do Ponto de Vista da Teoria]. 

1924. A Teoria da Moeda e do Crédito, segunda edição alemã. 

1926. Tour de conferências nas universidades americanas, sob o patrocínio da Fundação Laura Spelman (Rockefeller). 

1927-1938. 1 de Janeiro de 1927: The Oesterreichisches Institut für Konjunkturforschung [Instituto Austríaco para a Pesquisa dos Ciclos Econômicos], fundado por Mises, começa a operar. Mises se torna seu Vice-Presidente Executivo; F. A. Hayek serviu como gerente até 1931; quando Hayek migrou para Londres, Oskar Morgenstern assumiu. 

1927Liberalismus [Liberalismo]. Primeira tradução em Inglês publicada em 1962 com o título de The Free and Prosperous Commonwealth (A Comunidade Livre e Próspera). 

1928. Geldwertstabilisierung and Konjunkturpolitik [Estabilização Monetária e Política Cíclica]. 

1929Kritik des Interventionismus: Untersuchungen zur Wirtschaftspolitik und Wirtschaftsideologie der Gegenwart [Crítica do Intervencionismo: Investigações da Ideologia e da Política Econômica da Época Atual]. 

1931. Visitou os Estados Unidos para o Congresso da Câmara Internacional de Comércio. 

Die Ursachen der Wirtschaftskrise: Ein Vortrag [As Causas da Crise Econômica: Uma Leitura]. 

1932Socialismo, segunda edição alemã. 

1933Grundprobleme der Nationalökonomie [Problemas Epistemológicos da Economia]. 

1934. Tradução para o inglês de Theorie des Geldes und der Umlaufsmittel [A Teoria da Moeda e do Crédito]. 

1934-1940. Professor de Relações Econômicas Internacionais, Institut Universitaire des Hautes Études Internationales (Instituto Universitário de Altos Estudos Internacionais), Genebra, Suíça. Apesar de ele mal ter deixado Viena para aceitar esse cargo na Suíça, Mises manteve sua associação com a Câmara Austríaca do Comércio de maneira temporária até o Anschluss, a anexação da Áustria feita por Hitler em Março de 1938.

1936. Tradução para o Inglês de Die Gemeinwirtschaft [Socialismo]. 

1937. A mãe de Mises morre em Viena. 

1938. 6 de Julho: Mises se casa com Margit (nascida Herzfeld) Sereny em Genebra. 

1940. Nationalökonomie: Theorie des Handelns und Wirtschaftens [Economia: Teoria da Ação e da Troca]. 

Intervencionismo: Uma Análise Econômica (não publicado até 1998). 

Migrou para os EUA, chegando a Nova York em 2 de Agosto. 

1940-1944. Escreveu reminiscências de sua vida em Viena, traduzido e publicado postumamente comoNotas e Recordações (1978). 

As doações da Fundação Rockfeller e do National Bureau of Economic Research (Agência Nacional de Pesquisa Econômica) permitiram que Mises escrevesse dois livros, Omnipotent Government: The Rise of the Total State and Total War (Governo Onipotente: A Ascensão do Estado Máximo e da Guerra Máxima) eBureaucracy (Burocracia), ambos publicados em 1944. 

1942. Janeiro e Fevereiro: nomeado como Professor Visitante por 2 meses na Universidad Nacional Autónoma de Mexico, Escuela Nacional de Economia. 

1945-1969. Professor Visitante, New York University, Escola de Pós-Graduação de Administração. Ministrou dois cursos: exposições nas tardes de segunda-feira (Fevereiro de 1945 - Primavera de 1964), seminários nas tardes de quinta-feira (Outono de 1948 - Primavera de 1969). 

1946. Membro, Comissão de Princípios Econômicos, Associação Nacional de Industriais. Como tal, foi consultado para a preparação do The American Individual Enterprise System, 2 volumes. (McGraw Hill, 1946), o produto do "consenso do julgamento dos membros da Comissão".

Adquire a cidadania americana.

26 de Julho a 4 de Setembro: Professor Visitante no México, lecionando na Escuela de Economía da Associación Mexicana de Cultura 

1946-1973. Conselheiro, Foundation for Economic Education, Inc. (Irvington-on-Hudson, N.Y.). 

1947 Planned Chaos (Caos Planejado).

Fundamental para a fundação, junto com F. A. Hayek, da Mont Pelerin Society, uma sociedade internacional de empresários, economistas, e outros intelectuais. 

1949. 30 de Julho a 28 de Agosto: conferências no México para a Escuela de Economia da Associación Mexicana de Cultura. 

Ação Humana: Um Tratado de Economia. 

1950. 31 de Março a 16 de Abril: tour de conferências no Peru, a convite de Pedro Beltrán, Presidente do Banco Central peruano.

1951Socialismo, nova edição americana, aumentada com Planned Chaos (1947) como seu epílogo. 

1952Planning for Freedom: And Other Essays and Addresses(Planejando a Liberdade: E Outros Ensaios e Discursos). Edições maiores seriam publicadas mais tarde, em 1962, 1974, e 1980. 

1953. A Teoria da Moeda e do Crédito. Nova versão americana, aumentada com um novo ensaio sobre "Reconstrução Monetária". 

Richard von Mises, irmão de Ludwig, o matemático, morre. 

1954-1955. Janeiro de 1954 a Abril de 1955: Conselheiro da Associação Nacional de Industriais. 

1956. 20 de Fevereiro: o Doutorado de Mises é renovado e comemorado pela Universität Wien[Universidade de Viena] no 500 aniversário da data na qual ele foi conseguido. 

Tributo publicado na ocasião do Quinquagésimo Aniversário do Doutorado de Mises, 20 de Fevereiro de 1956, On Freedom and Free Enterprise: Essays in Honor of Ludwig von Mises (Sobre Liberdade e Livre Iniciativa: Ensaios em Homenagem a Ludwig von Mises), Mary Sennholz, editora. 

A Mentalidade Anti-Capitalista. 

1957. Prêmio por Serviços Distintos da Associação de ex-Rotarianos no exterior.

8 de Junho: recebe o Diploma Honorário, Doutor em Direito, Grove City College, Grove City, Pennsylvania. 

Teoria e História (Theory and History).

1958. 19 de Setembro a 28 de Setembro: visita ao México sob o patrocínio do Instituto de Investigaciones Sociales y Económicas para participar em um seminário com vários outros membros da Mont Pelerin Society. 

1959. 2 de Junho a 15 de Junho: convidado para ir a Buenos Aires, Argentina, pelo Centro de Difusión dela Economia Libre, depois chamado Centro de Estudios sobre la Libertad. Fez seis palestras, publicadas postumamente como As Seis Lições (Economic Policy: Thoughts for Today and Tomorrow), 1979. 

1960. Tradução para o Inglês de Grundprobleme der Nationalökonomie [Problemas Epistemológicos da Economia]. 

1962The Ultimate Foundation of Economic Science(A Fundação Suprema da Ciência Econômica)

Tradução para o inglês de Liberalismus [Liberalismo] sob o título de The Free and Prosperous Commonwealth (A Comunidade Livre e Próspera). 

20 de Outubro: Laureado com a Österreichisches Ehrenzeichen für Wissenschaft und Kunst [Medalha austríaca de honra pela ciência e pelas artes] em reconhecimento por suas "atividades distintas como estudioso e professor e por seu trabalho internacionalmente reconhecido nos campos da ciência política e econômica." 

1963. 5 de Junho: Laureado com o Diploma Honorário, Doutorado em Direito, pela New York University, "por sua exposição da filosofia do livre mercado, e por sua defesa de uma sociedade livre." 

Ação Humana, 2a ed., revista. 

1964. 28 de Julho: Diploma Honorário, Doctor Rerum Politicarum [Doutor em Ciências Políticas] pela Universidade de Friburgo, Brisgóvia, Alemnha. 

1966. Ação Humana, 3a edição. 

1965-1971. Professor Visitante, Plano University, Plano, Texas. 

1969. Setembro: Citado pela American Economic Association (Associação Americana de Economia) como "Membro Distinto" do ano. 

1971. 29 de Setembro: Tributo publicado em honra ao 900 aniversário de Mises: Toward Liberty: Essays in Honor of Ludwig von Mises on the Occasion of his 90th Birthday (Rumo à Liberdade: Ensaios em Homenagem a Ludwig von Mises na Ocasião do seu Nonagésimo Aniversário), 2 volumes. 

1973. 10 de Outubro: Mises morre no St. Vincent's Hospital, na cidade de Nova York.

 

 

Tradução de Leandro Augusto Gomes Roque

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".