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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Pecado, Maçã e Milagres

 

FRANCISCO RAZZO

Por franciscorazzo, julho 5, 2010 6:55 pm

por Francisco Razzo

Um dos principais mal-entendidos na discussão sobre a relação entre Ciência e Religião, é justamente tentar forçar uma suposta relação a partir de um dos campos de entendimento de mundo, seja por parte do religioso, seja por parte da ciência.

Não há dúvida de que a Ciência vive um lugar ao sol enquanto que as formas de compreensão religiosa estão com seus dias contados. Para os ateus, a ciência é palavra final sobre a realidade: “Deus não existe e pronto, seu burro!” Qualquer resquício de crença em Deus é sinal de que você verdadeiramente sofre de alguma doença mental, de que você é submisso dos seus próprios medos.

Dia desses, atônito, um professor me perguntou: como que pode alguém inteligente como você ser católico? Uma pessoa inteligente não pode mais aceitar essas formas arcaicas de compreensão do mundo! Pois é: ou você é inteligente ou é cristão. Ou você é moderno ou medieval! Escolha simples, como se  estivéssemos no bar discutindo nosso amado time.

No entanto, tudo isso não passa de um autoengano. Sinceramente, a maioria das pessoas que eu conheço não faz a menor ideia do que é ser um medieval, do que foi o período medieval e do que é realmente a cristandade. No máximo, se admiram com a cristandade nas férias, onde o pacote turístico inclui uma velha Catedral Gótica. tudo que sabem, é fruto de uma intoxicação fraudulenta de parquinho. Uma imaginação pueril, romantizada, sobre um período da história. Luzes ou trevas. Moderno ou Arcaico. Inteligente ou Cristão. Livre ou Católico.

Quando eu era bem jovem, com os meus doze treze anos, uma das sensações mais incríveis que eu senti, foi ter me libertado daquele monte de historinhas da carochinha que minha mãe me contava sobre pecado, maçã e milagres. É inaudita aquela sensação de superioridade que estava sentido quando olhava meus coleguinhas engomados indo à missa, enquanto eu, já com autoridade sobre mim mesmo, dizia em solilóquio: que ridículo!

Nada é mais atraente para um jovem do que a experiência de si mesmo, do que seu primeiro contato com sua própria voz, seu primeiro diálogo interior consigo mesmo.

Não há dúvida, a ciência te liberta! E o ateísmo é a expressão máxima de uma vida elevada em que você é seu próprio regente, seu único maestro, seu próprio destino. Pecado, maçã e milagres é coisa de gente velha e, literalmente, emburrada! Pecado, maçã e milagres é coisa de menina que ainda vive na letargia sexual do rabo de saia da mamãe e da vovó.

Mas isso só funciona até a adolescência. Afinal, a pergunta é, qual o limite dessa experiência de autolibertação? Até aonde somos capazes de nos conduzirmos na solidão radical do “eu mesmo, eu quero, eu posso, eu faço!” a nossa própria vida? Não existe ateísmo maduro, todo ateu é um homem que parou na adolescência.

Sou da opinião que toda verdadeira vida religiosa deve experimentar profundamente algum dia o que é ser o condutor de si mesmo, ser porta voz da sua própria vida. E que essa experiência nunca se perca, esteja sempre presente como parâmetro para o que se vai viver pela frente. A vida religiosa é uma tensão real entre tudo ou nada. Entre a glória e a miséria mais profunda! E só um verdadeiro ateu sabe que sua miséria é o limite da sua arrogância.

Os mal-entendidos gerados nas discussões sobre o problema da relação entre Religião e Ciência, nada mais são do que a frustração de uma batalha interior que nunca se vence: amadurecimento.

Não estou dizendo com isso que todo homem maduro, necessariamente, não tem outra opção a não ser encontrar verdadeiramente Deus – Deus me livre desse tipo de afirmação, deixo isso pros tolos. O que estou dizendo é que todo homem maduro sabe que aquele pequenino deus que vivia dentro dele já não faz mais sentido. E acreditar demais nele é só um sinal de que realmente chegou a hora de arrumar teu quarto.

Ciência e Religião só são inimigas na cabeça de quem parou no tempo, daquela aspiração romântica de libertação interior. Acreditar no progresso da ciência é o mais puro sinal de breguice quando se olha a vida depois dos trinta. Descobrir o que significava pecado, maçãs e milagres é compreender o lugar edificante daquelas narrativas, que na infância já revelavam a nossa miséria.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
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A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".