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sexta-feira, 30 de maio de 2008

Como estudantes liberais devem lidar com professores esquerdistas

Do portal ORDEM LIVRE
Por Diogo Costa, editor de OrdemLivre.org

O establishment acadêmico do Brasil é de esquerda. Os alunos podem passar um curso universitário inteiro sem perceber que aquilo que lhes está sendo apresentado como consenso intelectual não passa de propaganda ideológica, o que dificulta a vida daqueles que percebem o que está acontecendo. Estudantes liberais tendem a se sentir isolados. Suas idéias são marginalizadas e ainda devem tratar como mestres os seus oponentes intelectuais. Aqui vão alguns pontos que podem ser úteis para a vida universitária de estudantes liberais:

Aprenda os fatos. Os libertários normalmente se apóiam em primeiros princípios, e é importante que nosso entendimento das ciências sociais não seja alicerçado em contingências e proposições vagas. Mas isso não substitui o conhecimento dos fatos sobre assuntos específicos. Um liberal radical pode responder a todas as questões políticas com um "não cabe ao governo fazer X", mas, se ele não entender como proceder com determinada reforma, ou como o mercado substituiria uma determinada função do governo, pode facilmente perder uma discussão e passar a impressão (às vezes correta) de que sua crença não passa de uma teimosia. Enriqueça suas explicações com exemplos da história de diferentes sociedades que ilustram a aplicação de seus princípios. Seus argumentos se tornarão mais convincentes e sua compreensão do liberalismo mais apurada.

Aproveite sua vantagem comparativa. Não tenha medo de usar as ferramentas intelectuais que o liberalismo pode oferecer. Em questões econômicas e políticas, os liberais conhecem hipóteses não consideradas pela maioria dos professores. É muito difícil produzir algo diferente quando se está preso dentro de uma mesma doutrina. Aproveite os insights liberais para destacar os seus trabalhos do resto da multidão. Uma idéia surrada como a “luta de classes” marxista pode ser desmontada e substituída pela sofisticação da análise dos grupos de interesse a partir da escola de Escolha Pública. Se você apresentar suas idéias de forma razoável e bem fundamentada, o liberalismo pode dar ao seu trabalho acadêmico um vigor que o professor não achará em outros alunos.

Trate os professores como objeto de estudo. O esquerdismo acadêmico é um fenômeno social. Estude-o como tal. Receba os discursos de esquerda com aquela "suspensão voluntária da descrença" (a willing suspension of disbelief proposta por Samuel Taylor Coleridge) com que lemos obras de ficção. Tente entender como seu professor chegou às suas convicções, quais são seus pontos mais fracos, qual a formulação mais consistente de seus argumentos. Separe os erros distintivos da vagueza incoerente. Conheça o outro lado tão bem a ponto de conseguir reproduzir o seu discurso melhor do que seus professores. Apenas conhecendo bem seus oponentes intelectuais você conseguirá agir com estratégia e certeza.

Aprenda a discutir. Vencer uma discussão não é simplesmente obter o convencimento absoluto e incondicional da outra parte. Se você for viver esperando que as pessoas se desmontem perante a força de seus argumentos, sua vida será repleta de frustrações. O que você pode fazer com relativo sucesso é trazer as pessoas um pouco mais perto de você, como fazer com que o comunista se torne um pouco cético ou com que o social-democrata ache que os liberais entendem alguma coisa do que falam. Quando se trata de professores, até essa modesta aproximação pode ser impossível, mas a discussão em sala de aula pode servir para atrair os demais alunos.

Aprenda a não discutir. Discussões intermináveis em salas de aula distanciam os outros alunos e alienam os professores. Ninguém tem o dever moral de consertar todos os erros intelectuais que encontra pela frente. Como os liberais normalmente têm um horizonte intelectual mais amplo do que a maioria das pessoas e dos professores, eles percebem uma maior quantidade de incoerências e inconsistências. Não ache que é sua missão responder a todos elas. Esses erros são tão corriqueiros que você teria que dedicar a sua vida inteira a simplesmente corrigi-los, enquanto poderia usar sua energia e capacidades com atividades mais importantes e até mais eficientes de promover a liberdade.

Ouça o que eles têm a ensinar. Os libertários tendem a desmerecer seus professores. Sentem-se superiores por conhecer argumentos e autores que eles não conhecem, por considerar soluções que eles não consideram e, principalmente, por ouvir em seu discurso uma repetição chata, manjada e falaciosa. Mas os erros intelectuais, ou até as falhas de caráter, não significam que os professores de esquerda nada têm a nos ensinar. Entenda do que eles falam. Isso não significa se esforçar para tentar ser convencido, mas para tentar saber o que eles sabem. Os professores são seus professores porque, em áreas específicas, eles sabem mais do que você. Há matérias em que os professores de esquerda têm muito pouco a oferecer. Um marxista não tem muito o que ensinar de economia assim como um curandeiro não tem muito a ensinar de medicina. Mas na maioria dos assuntos, a crença ideológica pode coexistir com o conhecimento verdadeiro. O estudante deve ouvir tudo o que seu professor fala, discernir o que é propaganda do que é conhecimento, e guardar o que for bom.

O elitismo mercantilista - Ciro Gomes, amigo do Lula, leva pela cara um maravilhoso "... o Sr. deveria ter vergonha ..." em público

Do portal ORDEM LIVRE
Por Diogo G.R. Costa é editor de OrdemLivre.org

O OrdemLivre.org esteve no XXI Fórum da Liberdade. Lá, Tom Palmer, vice-presidente de programas internacionais do Cato, participou de um painel com Paulo Guedes e Ciro Gomes. O tema era "Livre comércio: ameaça ou oportunidade". O discurso do economista Paulo Guedes foi informativo e até mesmo divertido, mas quero falar aqui do debate (C.T. - clique aqui para ver que maravilha foi o Ciro sendo colocado em seu devido lugar de demagogo, para dizer o mínimo) entre Ciro Gomes e Tom Palmer.

O debate decorreu de uma inesperada resposta de Ciro Gomes à apresentação feita anteriormente por Tom Palmer. Palmer havia concluído sobre o tema que a globalização do comércio funciona como uma ameaça para monopólios e mercantilistas e uma oportunidade para os consumidores dos diferentes países. E apontou alguns dados do Banco Mundial e do Fraser Institute sobre o nível de intervencionismo do Estado brasileiro. Em sua vez, Ciro Gomes disse que era a favor da liberdade absoluta, mas não hoje. Ciro falou de coordenação econômica sem especificar causas e efeitos, coisa que ele costuma fazer. A diferença é que dessa vez ele aproveitou seu discurso para responder ao Palmer. Criticou os estrangeiros que pintam uma caricatura do Brasil sem capturar a verdadeira identidade nacional. Foi a provocação certa para esquentar um debate entre Ciro Gomes e Tom Palmer.

Não tenho a transcrição do debate (C.T. - tem problema não, clique aqui e veja no vídeo o debate), mas tentarei lembrar os pontos principais. Depois que os três palestrantes fizeram suas apresentações, Palmer pediu a palavra para responder ao ataque do deputado cearense. Ele se defendeu dizendo que não é uma descaracterização de identidade enfatizar o excesso de intervencionismo do Brasil, afinal, a identidade brasileira está nas artes, na cultura, e não na burocracia, assim como a identidade russa e dos povos por trás da cortina de ferro não estava no comunismo. Aproveitou para lembrar que a Estônia, ao se modernizar após a desmoronamento do império soviético, reduziu as tarifas de importação para zero, e alcançou resultados positivos. Ciro Gomes, confundindo os nomes, disse que a Lituânia não tinha nada a perder, mas que o Brasil tem, se adotar um "free trade" irrestrito. E que até os americanos, que falam tanto de "free trade", são protecionistas e seletivos. "Com o Canadá as fronteiras são abertas, mas com o México constrói-se um muro". E depois de reclamar de alguma falha de tradução no que ele havia dito sobre identidade, lembrou que o mundo não pode adotar a identidade consumista americana, país que ele conhecia bem, pois já foi um professor visitante na Harvard. De acordo com Ciro, nem todos os povos devem ou precisam ter o nível de consumo que os americanos têm. "Imaginem se os chineses resolvessem ter dois carros na garagem por família... O mundo acabava", concluiu.

Na sua vez, Palmer começou por endossar o ataque de Ciro ao muro na fronteira entre Estados Unidos e México: "É um muro criminoso e deve ser derrubado". E continuou: "Mas enquanto fala desse muro, o Sr. Gomes parece estar querendo levantar outro, um muro imaginário, ao redor de uma certa elite. Acredito que eu estou sentado ao lado de um homem bastante rico para os padrões brasileiros. De um homem que viaja para Cambridge para lecionar em Harvard, para a Europa, que tem bons ternos, provavelmente bons carros. Mas e os brasileiros? Ah, os brasileiros não podem ter o mesmo nível de consumo do Sr. Gomes..." Palmer encarava Ciro Gomes e falava sobre como esse pensamento mercantilista mantém os brasileiros empobrecidos enquanto a elite protege seus privilégios. "Sr. Gomes, o senhor deveria ter vergonha!" A platéia aplaudiu.

Ciro Gomes provavelmente não esperava ser apontado como um defensor dos privilegiados contra os pobres. Em sua vez, resolveu culpar novamente o serviço de interpretação, que deveria ter traduzido mal as suas palavras, e disse que só foi para Harvard porque recebeu bolsa. Mas o golpe já havia acertado o alvo. Durante o resto do Fórum, as pessoas repetiam as palavras finais de Tom Palmer, "you should be ashamed". Semana passada, em Atlanta, encontrei um brasileiro que me disse ter ouvido falar que o Ciro Gomes havia sido destruído num debate no FL. Não creio que tenha sido um ataque devastador, mas foi algo mesmo memorável. Alguém comparou ao que Henry Maksoud havia falado a Collor numa edição do Fórum anterior a sua eleição. Algo como "Se você for eleito e implementar suas idéias, eu me mudo do país".

É sempre saudável ver um político (e não falo em particular do Ciro Gomes) levar um golpe onde menos espera. O livre comércio internacional beneficia as sociedades da mesma forma que a divisão de trabalho beneficia os indivíduos. Levados às últimas conclusões, os argumentos usados para atacá-lo acabam conduzindo à economia de subsistência e à miséria em que ela implica. Mas os políticos são muito bem articulados para permitir que a fragilidade do seu discurso seja dissecada em público. O que leva boa parte do público a ter uma reverência injustificável por eles. Poucos têm coragem de apontar a nudez da classe como o jornalista americano H.L. Mencken:

"Como os jornais falam do político o tempo todo e ele recebe aplausos quando aparece em público, as pessoas acham que ele é um homem realmente importante... As pessoas falam do governo fazendo isso ou aquilo como se falassem de Deus. Mas o governo não é, na verdade, nada mais do que um grupo de homens, normalmente homens bastante inferiores. Eles podem ter alguém melhor trabalhando para eles, mas eles próprios raramente merecem alguma consideração. Poucos deles conseguem fazer algo de valor em qualquer atividade digna de respeito, e poucos deles conhecem alguma coisa que vale a pena ser conhecida ou já tiveram algum pensamento que vale a pena ser pensado".

Precisamos de mais pessoas que zombem dessa pretensa glória e que coloquem o ônus de justificar a intervenção do governo em seus próprios ombros. A arrogância da elite política brasileira merece levar mais tapas retóricos na cara.

OS MILITARES E A SOCIEDADE CIVIL

Do portal FAROL DA DEMOCRACIA REPRESENTATIVA
Por Oliveiros S. Ferreira, Doutor em Ciências Sociais


Palestra proferida no NUPRI da USP em 17/05/2008


Para bem compreender as relações entre as Forças Armadas e a Sociedade é preciso definir, antes de tudo, no que umas se distinguem, enquanto princípio, da outra. Isso significa avaliar os traços distintivos da sociedade — que alguns timbram em chamar de civil — e do grupo militar. Resumidamente, esses traços distintivos são:

a. enquanto princípio constitutivo:

Militares - O princípio é burocrático, hierárquico. As chefias são escolhidas segundo padrões estabelecidos pela hierarquia. Guiam-se pelo que Hermann Heller chama de “segurança militar", isto é, a certeza probabilística de que a ordem dada será cumprida.

Civis - O princípio é político, eletivo. As chefias são eleitas e necessitam ter legitimidade para exercer a dominação. Guiam-se, esses grupos, pelo que Heller chama de "segurança jurídica", isto é, a incerteza que cerca a obediência às ordens, na medida em que a dominação só é possível se dirigentes e dirigidos partilham dos mesmos valores que inspiram a norma jurídica que consagra a dominação.

b. enquanto princípio aglutinador:

Militares - O princípio que aglutina o grupo militar é a honra. Dessa perspectiva, os militares são uma corporação no sentido em que se toma a palavra quando nos referimos às antigas corporações. Um sociólogo diria que a solidariedade que une os membros do grupo é de comunhão. Outro, para explicar, diria que o membro do grupo militar sente como dirigida contra ele a ofensa feita ao grupo, e que o grupo toma como dirigida a ele aquilo que reputa ofensa a seu membro. Pensando em tipos sociológicos, podemos dizer que os valores que mantêm unido o grupo militar são diferentes, quando não antagônicos aos valores da economia monetária, especialmente o juro e o lucro.

Civis - Contrariamente ao grupo militar, o que aglutina os civis são o status, o poder e a riqueza. Os civis integram uma sociedade de classes (inclusive as ditas socialistas). A solidariedade que une cada grupo da sociedade é de comunidade ou de massa. A honra é substituída pela legalidade formal das ações. Os valores monetários são valorizados, especialmente o lucro, embora haja momentos em que grupos civis condenam os juros abusivos.

Há idéias fundamentais sobre as quais, acredito, devemos meditar.

Em linhas gerais, a corporação deve ser vista como uma unidade de vontade e de potência; ao reduzir os membros do grupo a uma unidade orgânica de pessoas, a corporação torna-se o sujeito próprio dos poderes e dos direitos coletivos, do grupo. Desse ponto de vista, "a fusão orgânica dos indivíduos membros de um ser corporativo implica necessariamente que ele concentrará nele, a partir dessa fusão, as faculdades jurídicas do grupo unificado. É assim, por sua organização unificante, que a coletividade se encontra erigida em sujeito de direitos" (Carré de Malberg, “Contribution à la théorie générale de l'État", vol.I, 33).

A corporação militar, é preciso que se tenha presente, não se insere num universo de grupos que respondem ao mesmo e igual princípio, mas sim numa sociedade de classes, que alguns preferem caracterizar como contratual ou de adesão voluntária. De qualquer forma, cabe distinguir — e isso reputo fundamental e por isso repito — que o princípio constitutivo da corporação militar é a honra; que o princípio constitutivo da organização contratual ou de adesão, civil, é o interesse individual.

A segunda idéia para a qual chamaria sua atenção é a seguinte: os grupos sociais, inclusive a corporação militar, são funcionais, isto é, constituem-se para desempenhar determinada função.

Diferentemente dos grupos civis, a corporação militar raramente realiza sua função precípua que é a guerra. Ao contrário dos empresários que todos os dias dirigem; dos operários que todos os dias trabalham sob ordens, dos professores que diariamente dão aulas, os militares só fazem a guerra em última instância. O que significa, salvo melhor juízo, que existe uma disfunção implícita na corporação militar — disfunção que a sociedade como um todo e os governos no mais das vezes desejam ardentemente que se perpetue, ainda que as Forças Armadas sejam o braço armado do Estado.

O grupo militar sofre de uma crise de disfuncionalidade mais do que os grupos civis, muitas vezes também sujeitos a esse tipo de crise. Feito para a guerra, o militar vê que a sociedade se rejubila com o fato de ela não acontecer. Alguns membros da corporação poderão ver com satisfação que essa é a realidade. Esse sentimento dá-se num primeiro momento. Num segundo momento, porém, o militar sente-se inseguro por não ter função e por ver que a sociedade o considera inútil. A História tem registrado momentos em que as sociedades, especialmente aquelas em desenvolvimento, passam por sérias crises institucionais, aquelas em que os mecanismos que permitem que se alcance uma solução negociada já não funcionam. Nessas ocasiões, haverá grupos civis que desejarão que os militares interfiram nos negócios internos, apesar do que possam estabelecer constituições e leis. Muitas vezes, depois que tudo voltar ao normal e novos mecanismos tiverem sido construídos, é possível (quase certo) que os mesmos grupos que pediram a intervenção condenem os militares por terem atendido a seu apelo e realizado a intervenção contra as leis.

A disfuncionalidade básica da corporação militar agrava o que se poderia chamar de crise de identidade, que se traduz numa pergunta: “Para que existo?”. Quando essa crise se instala concomitantemente com a inflação há o risco de que se solape o sentido de honra e a hierarquia e a disciplina se vejam ameaçadas. Afora isso, a inflação tende a colocar a corporação militar em atitude de expectativa crítica diante do Governo, ao qual devem obediência política, mas não corporativa.

Quando o governo, por esse ou aquele motivo, congela orçamentos, reduzindo ou negando investimentos, a corporação amarga o sentimento de rejeição de parte da sociedade e, o que é mais grave, de parte do governo que, a elas, parece desconhecer que uma das funções das Forças Armadas é sustentar o Estado. Desde que, como diria o General de Gaulle, haja um Estado.

Outra idéia para a qual chamo sua atenção é que a corporação militar é composta de indivíduos sujeitos a um tipo de disciplina especial. Quando se cumpre a função precípua da corporação, a disciplina — raciocino no limite, desconsiderando a atitude daqueles que combatem pelo ideal nacional — se mantém mediante a certeza de que a morte certa espera na retaguarda aquele que não desejar arriscar a vida na frente de combate. Essa disciplina e seu fundamento aberram da natureza — e por isso não encontram igual nos grupos civis.

A disciplina militar não é compreendida pelos integrantes das sociedades modernas. Se, nelas, os velhos são vistos com ”caretas”, que dizer dos militares? São tidos como "milicos" — e dito isso se estabelece, pelo elo semântico, a profunda separação entre dois tipos de indivíduos: um, buscando usufruir da vida enquanto energia houver, outro, buscando viver enquanto persistir o sentido de missão, que interiorizou, e a certeza de que o Conselho de Justificação ou a corte marcial o espera se não cumprir seu dever.

Será alguém, dotado de razoável bom-senso e desfrutando relativamente bem dos lazeres que a sociedade industrial ou pós-industrial coloca a nosso dispor, capaz de compreender a vida de um submarinista, ou a de um tripulante de um blindado, mais especificamente de um tanque? Não falo do aviador — ele é o mais feliz de todos, pois realiza nos céus a autonomia que os homens porfiam por ter na sociedade. Como disse, certa feita, "o oficial-aviador é um homem só — ele, o inimigo, o horizonte e Deus. ... é ele quem, sozinho, joga a vida. ... O aviador é o Quixote que sobreviveu à Cavalaria e integrou-se na mecanização da morte".

***

Reflitamos alguns instantes sobre cada uma dessas idéias.

Sendo a honra o princípio constitutivo da corporação militar, é apenas normal que seus membros não compreendam como, na sociedade exterior, o interesse individual possa ser princípio aglutinador de ações pessoais e coletivas. Essa oposição entre dois princípios constitutivos não é apenas teórica; é prática, e disso temos plena consciência quando buscamos entender as razões que levam o empresário a acumular lucros ou o burocrata soviético a desejar ter mais e mais poder e dinheiro ainda que à custa da corrupção.

Em países em que o capitalismo não se estabeleceu plenamente e ainda não impregnou a sociedade com seu ethos racional, é difícil para o militar integrar-se no espírito da ação lucrativa, que deixa ao Mercado (essa abstração tão mal compreendida por muitos) a solução das divergências entre os interesses. Não é de estranhar, assim, que os militares, enquanto tipo social, em princípio se oponham ao liberalismo e sejam propensos a aceitar o que se poderia denominar de capitalismo de Estado, sistema econômico em que normas burocráticas e considerações opostas ao lucro e ao interesse individual dirigem em teoria as ações econômicas – independentemente de juízos sobre a eficiência de um sistema e outro.

A disfuncionalidade talvez seja a principal questão que perturba o militar na sociedade moderna. São poucos os Estados modernos, e digamos democráticos, que ainda mantêm Forças Armadas funcionais em constante estado de “pronto”. O fato de haver Estados que não as têm em estado de “pronto” não obscurece o fato de por toda parte existirem Forças Armadas, cujo nível de equipamento e preparo é visto como insuficiente por seus integrantes. Elas são, muitas vezes, empregadas em situações de guerra interna para as quais não foram preparadas, ou em ações de natureza civil — um e outro emprego não se coadunando com sua destinação corporativa se assim se pode dizer.

O fato de ser uma corporação organizada em torno da honra faz das Forças Armadas um corpo estranho na sociedade civil, especialmente no Brasil, país de mil contrastes e nenhuma solução. Na verdade, nas sociedades como a brasileira em que a anomia social começa a estabelecer-se, as Forças Armadas são possivelmente a única, ou uma das poucas instituições que mantêm um mínimo de disciplina.

Do prisma em que vejo as coisas, por isso mesmo a disfunção das Forças Armadas só tende a aumentar — disfunção não mais produzida apenas pela impossibilidade de emprego, mas ampliada pelo fato de serem um grupo organizado dentro de uma sociedade a caminho da desorganização. Quando bandos criminosos liberam territórios nas cidades e neles impõem sua lei sem que o Poder de Estado consiga ou deseje se afirmar, as Forças Armadas transformam-se num corpo à parte da sociedade e do próprio Estado. Pior ainda, não podem impedir que os germes da indisciplina e da corrupção que pululam no lá-fora abalem sua estrutura ao nível dos subordinados, obrigando os superiores ao desempenho de funções pedagógicas e punitivas muito acima do normal previsível.

Uma sociedade em anomia tende a conduzir a duas situações limites: ou as Forças Armadas se transformam em outros tantos grupos privados dispostos a dividir território e poder, como na China pré-revolucionária, e então perdem sua característica básica que é a unidade de comando e a disciplina, ou então se encasulam e se constituem em corpos estranhos enquistados na sociedade. Nessa hipótese não se sabe até quando, para defender os valores que constituem sua razão de ser e sua consciência de que lhes cabe defender o Estado, resistirão ao impulso de assumir as funções de polícia ou assumir posição real de controle das situações.

Por esses três fatores — o princípio constitutivo, a função e a disciplina — os militares situam-se à margem da nossa sociedade dita moderna. Será assim tão difícil compreender por que os militares sejam levados a colocar, a serviço dos interesses nacionais compreendidos à luz da visão do mundo que a corporação lhes transmite, as armas que a Nação lhes deu para defendê-la contra os inimigos externos ou contra aqueles que vêem como inimigos do Estado?

É preciso estar atentos para a crise de Estado em que vivemos — possivelmente em seu início, mas ainda assim presente. Seu começo é uma crise de Governo, e é por isso que, quando falo em crise de Estado, são poucos os que concordam comigo.

Contando com o contraditório para melhor fixar idéias, gostaria de abordar esse tema, começando por dizer que a compreensão da necessidade da existência de um grupo específico encarregado de defender o Estado e a própria sociedade está estreitamente ligada à idéia que essa mesma sociedade tem do Estado – Território, Destino, Governo.

Não pretendo aqui discutir questões teóricas de Geopolítica; quero, tão-só, chamar atenção para a importância que o Território tem, primeiro, naquilo que se poderia chamar de percepção do caráter concreto do Estado pela sociedade; depois, nas relações do Estado nacional com os demais Estados. A esse propósito, diria que muitas das crises que, hoje, são consideradas como crises internacionais, espelham, a rigor, uma das características, se não a fundamental, do Volksgeist.

O exemplo disso é a dupla saga, sionista e palestina, que marca a realidade internacional que sucedeu a 1948, sem que nos tenhamos detido o suficiente sobre a importância que o elemento Território tem para esses povos. Se não tivermos presente a relação entre a “visão” do Território (que não é a do Paraíso, mas talvez seja a da terra sobre a qual erguer a escada que leva a ele, tal qual no sonho de Jacó) e o Volksgeist, não seremos capazes de compreender a história do Sionismo. Muito menos a vocação para a morte dos que engrossam as fileiras do terrorismo (e, não nos esqueçamos, dos que lhes dão apoio nas Intifadas) para alcançar obter seu Estado Palestino.

Mas não são, estes, os únicos exemplos que posso apresentar, buscando demonstrar minha tese que vai além da Geopolítica como muitos a entendem de modo estreito. As guerras balcânicas desde fins do século XIX, mas especialmente as que deitaram uma sombra negra sobre a Europa no fim do século XX, estão aí para nos demonstrar a verdade da afirmação.

O que foi dito serve para introduzir outra proposição: a de que a ligação primeira de um povo não é com o Estado, mas com o Território, porque ele é o primeiro ponto de referência do povo ao criar seu espírito, seu Volksgeist. O Estado é abstrato no sentido de que os simples (e mesmo, algumas vezes, os intelectuais) não são capazes de visualizá-lo, de tocá-lo, ao contrário do que fazem com a terra que têm como sua, porque habitam seu chão, quando não o transformam para sua sobrevivência. O Estado é ente real e construção teórica dos (chamemo-los assim) intelectuais orgânicos do povo, aqueles que são capazes de traduzir em palavras o significado profundo dos símbolos coletivos em que se expressa o espírito do povo, espírito esse que marca como ferrete em brasa a Nação. O Território é dado de fato concreto, pois é nele que se vive e que se morre (e por ele se mata, também, convém não esquecer, para fazê-lo nosso).

Avançaria para dizer que, enquanto o Território não integra o Volksgeist como seu elemento fundador, o Estado é uma abstração para o povo, que dele só conhece o Governo. E que quando se esvaece a idéia de que o Território é a conditio realiter do Estado, o Governo vê-se diante de dramáticas situações em caso de invasão do território estatal ou de tentativas de subversão da idéia que o Povo faz de si mesmo e de seu Destino.

Não se pode pensar que a idéia do território estatal – não do pedaço de terra de cada um – impõe-se como um dado ao povo. O processo de criação do Volksgeist é mais complexo do que desejariam os que fazem dele sua bandeira de combate contra o estrangeiro. A relação entre Território e Estado, da perspectiva da criação e firme existência do Volksgeist depende de que os indivíduos sejam capazes de superar os obstáculos impostos ao contato constante e duradouro entre os núcleos populacionais pela deficiência das vias de comunicação ou a ausência delas. Se admitirmos, para argumentar, que, em suas relações sociais, os indivíduos se guiam, mentalmente, pelo território que ocupam ou por até onde vão suas atividades econômicas e suas perspectivas afetivas de futuro individual ou coletivo, veremos que num país da dimensão do Brasil, continental e com as deficiências de infra-estruturas que são notórias, não se deve, a priori, partir do pressuposto de que, a formar o Espírito do povo, esteja presente a idéia do território estatal.

A história nos dá suficientes lições de que houve momentos em que, levantando-se contra o Estado, o Território que as revoluções pretendiam abranger era sempre menor do que aquele que Estado delimitara juridicamente – 1817, 1824, 1835, 1842. E, como querem alguns, 1932.

Dessa perspectiva, concordaria com o general Aurélio Lyra Tavares que, quando comandante da 7ª. Região Militar, dizia que o Exército Nacional era e tinha sido a coluna vertebral em torno da qual se estruturara o Brasil. Espinha dorsal, acrescentaria eu, na medida em que era e é uma organização nacional, no sentido de que atua em todo o território estatal. Não é demais dizer que o general Lyra Tavares tinha perfeita consciência de que o Exército era um instrumento do Estado e que dele fazia as vezes, quando o Governo não tinha como chegar aos mais afastados rincões do país. Um Exército que ocupasse o território e o vivificasse — essa a proposição, nem sempre oculta, do general Góes Monteiro nos anos 1930. Para que o Território integre, como idéia, o Volksgeist, é necessário que o Estado vivifique o seu Espaço e faça que as vias de comunicação sirvam não apenas para fomentar o comércio e o turismo, mas para permitir que as populações de fato se comuniquem, troquem suas experiências de vida, suas esperanças e frustrações. Só assim todos construirão a imagem de todos ocupando o mesmo território e formando como partes integrantes o mesmo Estado.

Aos que resistirem a essas proposições, darei exemplo de survey não científico que venho fazendo com meus alunos em duas faculdades. Pergunto-lhes, de maneira a permitir uma resposta sincera, se estariam prontos a alistar-se para recuperar parte do território da Amazônia que fora ocupada pelas FARC. Invariavelmente, a resposta é Zero, isto é, ninguém se disporia a alistar-se. Houve ocasião em que alguém disse que, se fossem os Estados Unidos e não as FARC, estaria disposto a lutar; em outra classe, alguém também disse que pagaria mais impostos para que outros fossem lutar. A conclusão a que cheguei é que a idéia de Território não pertence ao universo de pensamento e ação de boa parte dos jovens estudantes paulistas, e, se não pertence a esse universo, é possível pressupor que não pertença ao universo dos demais jovens estudantes do País; e que a idéia de Estado esteja se desfazendo no Brasil.

O Estado, porém, tenhamos claro, não é apenas Território. É também Destino e Governo.

O Destino é aquele da Nação, que construímos em nossos sonhos, acalentados por uma idéia nem sempre assente na dura realidade dos dias em que cada um de nós vive e morre. A Nação é uma idéia que um grupo tem e faz sua, procurando expandi-la para outros. Mas, para que o grão não morra, é preciso que a semente lançada à terra seja fecundada pela ação de muitos, especialmente daqueles que, acreditando numa boa safra, ocupam o Governo. É importante fixar que sonhamos a Nação antes de ocupar o Governo que indicará a todos qual será o futuro. O Governo, por si, não sonha; o sonho da Nação é de alguns poucos que, ocupando parte do Território, pretendem que ela se construa nele. Importa ver que se não houver uma íntima associação entre o sonho e as ações do Governo, o Estado continuará sendo uma abstração e as sucessivas administrações perderão a capacidade de mobilizar a sociedade para construir seu futuro.

Quero dizer que a Nação não sobrevive apenas como um estado d’alma da sociedade. Ela resulta da interação dos indivíduos que a idealizam e são capazes de manter contatos criadores ao longo do território — isso exige que as servidões da infra-estrutura sejam vencidas e as vias de comunicação sirvam não só para o comércio e o turismo, mas também e, sobretudo, repito, para que os indivíduos e grupos troquem experiências e construam seu Destino.

Não apenas disso, porém; o estado d’alma de uma sociedade resulta também das ações do Governo que permitam a cada membro dela intuir ou saber de certeza sabida que pertence a uma Nação que tem um papel a desempenhar no conjunto das nações e que ele, indivíduo, tem um lugar nela e um papel a desempenhar na construção de um futuro que é dela.

O sentimento de pertença à Nação e a íntima convicção de que os antigos tinham razão ao dizer: “Certa ou errada, minha Nação”, confronta-se com aquilo que alguns filósofos diziam ser a tendência do ser humano a desejar mais e mais poder ou ter, na vida em sociedade, apesar de todos os constrangimentos a que ela sujeita, maior independência, autonomia e poder. É um sistema de forças — umas centrífugas, outras centrípetas — cuja resultante apenas o Estado pode resolver a favor daquilo que, em momentos de grande crise nacional, os franceses chamaram de union sacrée.

A crise do Estado vem do fato de que o núcleo de poder no Estado, para voltar a Hermann Heller, não tem mais projeto para oferecer à sociedade e nem às Forças Armadas, que só sustentam o Estado quando ele tem projeto. Um projeto não é um conjunto de ações de governo. A falta de um projeto decorre do fato de que o grupo que pensa a Nação não tem força (que resulta do contato criador entre os indivíduos) para afirmar sobre as tendências anti-sistêmicas, a sua idéia, o seu projeto.

Creio que o momento é propício para que se lance um olhar sobre o passado imperfeito, especialmente tendo em conta que o presidente da República insiste em dizer que seus programas de governo permitem que seu governo seja equiparado aos de Juscelino Kubitschek — seguramente louvado na entronização que alguns meios de comunicação fizeram do então presidente — e de Ernesto Geisel.

S.Exa. poderia, para fazer justiça, referir-se ao governo do Marechal Eurico Gaspar Dutra, que formulou o Plano Salte, que permitiu um avanço nos setores de energia e transporte. Deixemos, já consagrado, o período JK e fixemo-nos no de Ernesto Geisel, que tem em comum com nossa palestra o fato de ter sido o que encerrou, em janeiro de 1979, o ciclo de presidências militares governando com poderes discricionários.

O projeto do Estado brasileiro de 1964 foi construir uma potência emergente capaz de impor-se à América Latina e contrapor-se, enquanto expressão regional de poder, aos Estados Unidos. Inexistindo na sociedade grupo social que pudesse vertebrar tal aspiração, a mise-en-oeuvre desse projeto teve de ser confiada às Forças Armadas e à Diplomacia. As primeiras incumbiram-se de formular uma doutrina militar autônoma, concluída ao fim do governo Castelo Branco. Qualquer que seja o juízo que se faça sobre os autores do projeto e sobre a preeminência do Exército no conjunto das Armas, o fato é que o projeto foi assim concebido e executado. A Diplomacia incumbiu-se de marcar as distâncias dos Estados Unidos, assinalando desde 1964 que o fato de o Brasil pertencer ao chamado Ocidente não significava que defenderia os interesses da grande potência que, à época, defendia o Ocidente.

A História, sabemos todos, não segue linhas retas — afinal, Deus escreve certo por linhas tortas. O princípio do erro interfere de quando em quando — e só nos regimes parlamentaristas é que a queda de gabinetes permite que se retome o curso normal e necessário. O princípio do erro interveio no Brasil quando se celebrou o Acordo Nuclear com a Alemanha. Objetivamente, esse acordo, que foi a conclusão de estudos do então Conselho de Segurança Nacional com certeza a partir de 1967, respondia a uma dupla necessidade: uma, assegurar o suprimento de energia elétrica ao ecúmeno principal; outra, permitir que o Brasil tivesse o controle do ciclo completo do átomo.

O acordo nuclear e o terceiro-mundismo da Diplomacia — tendo como pano de fundo o rompimento do acordo militar Brasil-EUA e a incipiente indústria bélica — levaram os Estados Unidos a ter uma percepção das intenções do Estado brasileiro que não coincidia com a que os governos brasileiros tinham de suas ações. Esse desencontro de percepções — sempre fatal nas relações entre Estados — não impediu que o projeto de autonomia científico-tecnológica fosse levado a cabo. Mesmo quando — e daí eu falar em princípio do erro — se teve consciência de que o acordo nuclear com a Alemanha não permitia o enriquecimento autônomo do urânio. A resposta foi o programa nuclear paralelo, em cujo desenvolvimento a Marinha conseguiu enriquecer o urânio em porcentagem suficiente para abastecer um reator civil ou o de um submarino. Nesse estágio, tudo parou: fosse a construção de reatores para cidades médias e pequenas, a fim de fazer cessar a dependência de energia gerada em terceiros países, fosse o projeto do submarino nuclear, condenado por ativos grupos civis que conseguiram obter dos governos da Nova República em diante o congelamento das verbas indispensáveis a que a Marinha continuasse seu projeto, que é, estejamos certos, um projeto de projeção de poder e autonomia do Estado brasileiro.

Em Argel, 1943, depois de ganhar a disputa com o General Giraud em torno de quem representaria a França Livre, o General de Gaulle cuida de organizar o Estado — a França, note-se, ainda está ocupada pelo exército alemão. A quem o aconselha a deter-se antes de tudo na Educação, o General de Gaulle responde com a sobranceria que lhe era peculiar: antes de tudo, o Exército, pois é ele que sustenta o Estado.

Essa idéia de que o Exército sustenta o Estado — e como organização é capaz de sustentar a idéia de Nação — não foi bem compreendida pelos governos militares apesar da clareza de visão do General Lyra Tavares antes de assumir o Ministério do Exército e, depois, integrar a Junta Militar. Quando se fizer sine ira et studio a história da relação entre as presidências militares e as Forças Armadas, ver-se-á que foi a partir de 1964 que seus orçamentos foram congelados ou aumentados apenas para conter a inflação, e se descuidou — exceto, talvez, no que se refere à Força Aérea em alguns momentos típicos — de sua missão estratégica e de sua função numa sociedade que já apresentava alguns sinais de anomia.

Hoje, as Forças Armadas sofrem as conseqüências dessa visão estreita de sua função numa sociedade como a brasileira. O papel secundário a que são relegadas no Estado é um indicador seguro de que os sucessivos governos pós-1964 abriram mão de fortalecer o poder do Estado nacional no momento em que as tensões internas e internacionais exigiam que se atentasse para tal. Na passagem da idéia da defesa associada à de criar-se um organismo sul-americano de defesa pode vislumbrar-se projeto de reduzir as funções das Forças Armadas, especialmente do Exército, às de mero coadjuvante das ações de paz das Nações Unidas. Com o que se está transformando o Exército — e por extensão as demais Forças — da realidade de espinha dorsal da Nação em executor das decisões dos governos de um Estado que se poderia chamar de Estado-sipaio da globalização.

Por "sipaio", conforme tenho muitas vezes esclarecido, entenda-se metaforicamente aquilo que está nos dicionários: “soldado natural da Índia, a serviço dos ingleses”.

Muito obrigado.


permitida a reprodução total ou parcial dos textos desde que citados autor e fonte

http://www.oliveiros.com.br/ie.html

quarta-feira, 28 de maio de 2008

O ateísmo e a História

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Percival Puggina em 26 de maio de 2008

Resumo: Compreender o Ocidente implica mergulhar naqueles abismos iniciais em que o Cristianismo agiu como fermento e salvaguarda dos valores nucleares da civilização.

© 2008 MidiaSemMascara.org

“Não há povo tão primitivo, tão bárbaro que não admita a existência de deuses, ainda que se engane sobre a sua natureza”

Cícero, De natura deorum II,4.

Sendo a pessoa humana um ser naturalmente religioso, resulta infrutífero esquadrinhar a história com as pinças do ateísmo. Dificuldade semelhante à que tem o analfabeto em entender a ciência, tem o ateu em compreender a alma das civilizações, posto que são as religiões e a fé que lhes dão muitos de seus influxos mais vitais.

Rodeada de episódios controversos, como os sonhos que antecederam as batalhas de Saxa Rubia e da ponte Mílvio, relatados por Constantino ao historiador Eusébio de Cesaréia, a lenta e tumultuada conversão do imperador romano é parte importante da história do Ocidente. Com efeito, após 250 anos de perseguições quase ininterruptas, em que o “sangue dos mártires adubou a sementeira da fé”, o Cristianismo foi deixando as catacumbas para se tornar religião do Império. Seja na lenda, seja no fato, foi Constantino que buscou a vitória e a unidade na Igreja e não a Igreja que buscou sua vitória e sua unidade no Império. Aliás, a divisão romana logo se tornaria definitiva e o Império caminhava para o ocaso.

Quando Odoacro, em 476, enrolou as insígnias de Roma e as enviou a Constantinopla, encerrava-se uma ficção. O Império Romano do Ocidente já estava extinto. Alarico entrara na capital em 410 e tribos bárbaras desfilavam pela cidade havia muitos anos (por isso, no fim da IIª Guerra, ao verem os ianques entrar em Roma, diziam os italianos: “Todos os bárbaros já estiveram aqui, só nos faltavam os peles-vermelhas”...).

Com a ruína do Império inicia-se, para as instituições, uma longa noite de muitos séculos. E não houve estadista destacado que não expressasse, bem ou mal, o sonho da reconstrução da unidade ocidental, de que a Igreja permaneceu como sinal vivo e eficaz.

Compreender o Ocidente implica, então, mergulhar naqueles abismos iniciais em que o Cristianismo agiu como fermento e salvaguarda dos valores nucleares da civilização. Observa Daniel-Rops que essa extensa jornada iniciou na noite de Natal do ano 499, quando Clóvis vergou-se sobre a pia batismal. Começava a conversão dos bárbaros e se decidia, ali, o destino do Ocidente - o nosso destino.

Nos séculos que se seguiram, a Igreja, quisesse ou não, foi o fiel da civilização. Como regra, não era ela que buscava o poder político, mas era este que a buscava, por sua supremacia cultural e moral, bem como pelo que sua unidade significava para o disperso poder temporal. E ainda bem que foi assim! Quem percorre a Europa encontra, em cada canto e recanto, as homenagens dos povos aos admiráveis bispos medievais. Em nome do “carpinteiro galileu”, esses faróis da história os conduziram em meio às trevas como guardiões do passado, a caminho do Reino definitivo.

O autor é arquiteto, político, escritor e presidente da Fundação Tarso Dutra de Estudos Políticos e Administração Pública. puggina.org

Militares apóiam criação de frente parlamentar na Câmara

Do blog MOVIMENTO ORDEM E VIGÍLIA CONTRA A CORRUPÇÃO
Oficiais aplaudem discursos contra terras indígenas e ONGs - Por Evandro Éboli – O Globo

Em um plenário repleto de oficiais de alta patente, foi instalada ontem, na Câmara, a Frente Parlamentar de Apoio às Forças Armadas na Amazônia, que tem o apoio oficial de Exército, Marinha e Aeronáutica. A frente é formada, na sua maioria, por parlamentares da Região Norte, que têm discursos contrários à demarcação de terras indígenas e à presença de ONGs na Amazônia. Os três comandantes militares não compareceram, mas enviaram representantes graduados à solenidade. Em vários momentos, os oficiais aplaudiram discursos dos deputados.

O deputado Ernandes Amorim (PTB-RO) chegou a criticar a presença de um civil - Nelson Jobim - no comando do Ministério da Defesa, sem ser contestado:
- Sou contra a presença de um civil à frente do Ministério da Defesa. Tem que ser um militar seja da reserva ou da ativa, que entende o que é caserna e que seja um nacionalista.

O coordenador da frente é o deputado Édio Lopes (PMDB-RR), contrário à demarcação contínua de Raposa Serra do Sol. Lopes afirmou que o comandante Militar da Amazônia, general Augusto Heleno, foi convidado para o evento. O ministério recomendou ao general que evite comparecer a audiências públicas no Congresso.

- Como diz o general Heleno, a política indigenista no Brasil é um equívoco - disse Lopes.

Ministro da Defesa diz que não se sente atacado

Na mesa principal do evento estavam o chefe do Estado-Maior do Exército, general Luiz Edmundo Carvalho; o brigadeiro Paulo Roberto Britto, chefe do Estado-Maior da Aeronáutica; e o almirante Aurélio Ribeiro, chefe de Operações Navais. Carvalho disse que espera bastante da frente parlamentar em defesa da presença militar na Amazônia. - A criação da frente pode trazer enormes benefícios para o país e a segurança nacional.

O general disse não desconhecer a posição dos deputados sobre Raposa. Ele preferiu não emitir opinião sobre a reserva porque o assunto será julgado pelo Supremo.

O deputado Moreira Mendes (PPS-RO) disse que, sem a presença dos militares na Amazônia, a região será totalmente entregue às ONGs. O ministro Nelson Jobim disse que não se sentiu atacado. Afirmou que apóia e ajudou a articular a criação da frente para tornar mais ampla a atuação da bancada da Amazônia no Congresso. - Os órgãos de defesa estão prioritariamente voltados para a Amazônia. Inclusive o plano estratégico de defesa privilegia o aumento do efetivo militar na Amazônia - disse Jobim, do Haiti. Colaborou Chico de Góis

Cristãos do mundo, reflitam

É neste contexto que Saint Gabriel Communications International publica o Livro Real de Apologética Católica, "Defesa dos Sete Sacramentos", a fim de contribuir para a autêntica reunificação de todos os que clamam ser cristãos sob "Um Senhor, uma Fé, e um Batismo" (Efésios 4:5), na única Igreja de Jesus Cristo, "coluna e alicerce da Verdade" ( 1 Timóteo, 3:15), a Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana.

A obra, escrita por um Rei (Henrique VIII), orientada por um Santo (São Tomás Morus) e aclamada por um Papa (Leão X), é dedicada à Rainha Elizabeth II e publicada in memoriam do grande Cruzado do Século XX, Plinio Corrêa de Oliveira.

"Defesa dos Sete Sacramentos" foi dedicada ao Papa Leão X, o qual concedeu ao autor o título de "Defensor da Fé'". Na obra, Henrique VIII refuta em detalhes as doutrinas errôneas de Martinho Lutero, e apresenta a verdadeira doutrina católica do primado do Papa sobre toda a Igreja Universal e a da prática das indulgências.

Publicada em inglês, a obra foi editada por Raymond de Souza, diretor de Saint Gabriel Communications (Austrália); apresentador de programa na EWTN, a maior emissora de televisão católica do mundo; diretor do Escritório de Evangelização do Santuário Nacional do Sagrado Coração de Jesus (Estados Unidos); porta-voz de Saint Gabriel Communications International.

Destinada a ser difundida na América do Norte, no Reino Unido e em todos os países da Commonwealth britânica, "Defesa dos Sete Sacramentos" levanta a bandeira da ortodoxia católica, ao refutar as várias formas de falso ecumenismo em nossos dias, que procuram reunir todos os credos num só povo, em vez de reunir todos os povos num só Credo.

Também tem como objetivo ajudar a orientar os convertidos à Igreja, de modo que, ao voltarem para a casa paterna, não se deixem levar pelas doutrinas modernistas que hoje infeccionam muitos ambientes católicos.

Saint Gabriel Communications International pede a oração de todos, no sentido de que a autêntica reunificação de todos os cristãos tenha lugar, e que a islamização da Europa - já denunciada pelo padre Georg Gaenswein, secretário do papa Bento XVI - seja evitada para o bem da Santa Igreja e da Civilização Cristã.

Para mais informações, visite o site www.KeysofPeter.org.

Desgoverno Lula investe em projetos que cerceiam liberdade de expressão para calar oposição via internet

Do blog ALERTA TOTAL
Por Jorge Serrão em terça-feira, Maio 27, 2008

Internautas, uni-vos! O espectro do totalitarismo ronda a Internet no Brasil. O senador petista Delcídio Amaral (MS) é o autor de um projeto de lei (PLS 279/03) que pretende criar o cadastro obrigatório, de todos os usuários de internet, e um arquivo, para em tese ser usado pela Justiça, contendo todo o conteúdo de todos os e-mails enviados nos últimos 10 anos. O projeto se arrasta pelo Senado e pode ser aprovado de repente.

Também no Senado, por orientação do desgoverno Lula, tramita o “bem intencionado” projeto do PLS 398/07, “idealizado” pelo senador Expedito Júnior (PR-RO). Seu “objetivo” é reprimir “sites criados por pseudo-jornalistas com o objetivo de caluniar, difamar ou injuriar autoridades públicas e personalidades e assim destruir a reputação dessas pessoas. O projeto é um atentado à liberdade de expressão.

O projeto propõe alterações no Código Penal (Decreto-Lei 2.848/40). Com a mudança, o crime praticado por meio de sites ou de mensagens eletrônicas difundidas pela internet terá pena aumentada em um terço (em relação às demais penalidades determinadas no capítulo que trata dos crimes contra a honra). Com a ajuda do cadastro de e-mails, a repressão ao livre pensamento na Internet fica mais fácil.

Na visão “socialista” do petismo, o Estado tem o “direito” de saber o conteúdo das mensagens eletrônicas enviadas por cada brasileiro. Em tese, a proposta tem como objetivo estabelecer algum tipo de controle sobre o que é veiculado na internet e facilitar a apuração de crimes cometidos na rede mundial de computadores. Na prática, os bolcheviques petistas querem instituir a invasão da privacidade eletrônica pela via legalizada. Se aprovado o projeto, o Big Brother vai virar realidade no mundo virtual brasileiro.

O monstrengo autoritário, vomitado pelos petistas ainda no começo do primeiro mandato de Lula, já recebeu parecer favorável de seu relator, o senador tucano Eduardo Azeredo (PSDB-MG). O tucano e Delcídio concordam que a proposta precisa de ajustes técnicos que serão feitos com o apoio do próprio Comitê Gestor da Internet, cujo presidente, Marcelo de Carvalho Lopes, apóia a criação do cadastro. O presidente da Abranet (Associação Brasileira de Provedores de Acesso de Serviços e Informações da Rede de Internet), Antônio Alberto Tavares, também concorda com a idéia dos petistas.

Recordar é ficar p...

Releia os artigos deste Alerta Total nos dias 6 e 26 de janeiro deste ano:

Risco de Repressão ao Jornalismo na Internet

Defenda já sua Liberdade de Expressão!

terça-feira, 27 de maio de 2008

Frases de pessoas importantes e influentes sobre a Amazônia - o que o mundo quer lá e o PT vai permitir

Vejam esta apresentação (formato PowerPoint) e entendam que um dos tesouros mais cobiçados do mundo, a Amazônia, vai ser entregue de bandeja pelo PT, o partido mais canalha que já existiu no Brasil. Esta característica, o entreguismo petista, deve-se ao fato do PT não se importar com o Brasil, muito menos com os brasileiros.

O projeto do PT e de um monte de outros canalhas, entre eles as FARC, é a URSAL, que seria a União das Repúblicas Socialistas da América Latina, projeto a ser implantado em nosso continente pelo FORO DE SÃO PAULO. E no Brasil reinará o SOCIALISMO PETISTA, que vai "extinguir o capitalismo" já que é necessário em um sistema socialista que o cidadão dependa o quanto for possível do ESTADO. Quanto mais socialista o país, mais o cidadão depende do Estado e para tudo. Um escravo, propriedade do ESTADO, portanto. Desta forma, o povo fica sem poder e os socialistas reinam eternamente, cheios de dinheiro e com PODER TOTAL.

Cliquem aqui para a apresentação.

Amazônia: doação anunciada

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Heitor De Paola em 27 de maio de 2008

Resumo: A soberania brasileira está reduzida a quê? Ou melhor, o Brasil ainda é um país soberano?

© 2008 MidiaSemMascara.org

Quem lembra (...) quando os próceres petistas, (que então se mostravam) pseudo-nacionalistas, denunciavam a “internacionalização” da Amazônia como obra de milicos corruptos aliados a americanos espertos?

A política indigenista – e pode-se acrescentar sobre qualquer forma de propriedade privada – olhada do ponto de vista político e técnico, parece ser caótica; olhada de um ponto de vista histórico e ideológico nota-se que há muita lógica por trás do caos. Há quase quatro anos escrevi um artigo com o mesmo título deste (Amazônia: a doação anunciada) e de onde retirei a epígrafe acima, para denunciar o que, então, já era notícia de jornal velho: a doação de partes da Amazônia brasileira à exploração comercial. Um ano antes já havia publicado Lendas e Mistérios da Amazônia onde escrevi que “a estratégia globalista necessitava sobrepor à noção de País – Brasil – a de Nação indígena e, ipso facto, surgirem declarações de independência com a formação de território de domínio internacional, sob os auspícios da famigerada ONU”. Posteriormente, quando muitos ficaram perplexos porque Lula assinou decreto criando um “corredor de proteção ambiental” ao longo da margem esquerda da estrada Cuiabá-Santarém, escrevi Mídia Sem Máscara informa antes e melhor!

Na época do segundo artigo a Embrapa-Acre publicava um texto da JICA - Japan International Cooperation Agency (JICA Procura Iniciativas Promissoras na Amazônia), no qual dizia que “Os japoneses estão interessados em financiar e dar apoio técnico a iniciativas, públicas ou de organizações não-governamentais, que levem à conservação de florestas tropicais e melhoria da qualidade de vida da população amazônica”, e informava que “a missão japonesa manteve encontros em vários ministérios” e estudou “sistemas agroflorestais e agroindústria de alimentos a partir do cupuaçu, pupunha e açaí”, e também “oportunidades de parceria em projetos de plantas medicinais (desenvolvimento de processos e protótipos), subprodutos de castanha-do-brasil e manejo florestal (produção de sementes, estudos de novas espécies, adaptação de equipamentos e design de móveis em escala comercial)”.

Dizia eu ainda: “A estratégia tipicamente leninista de acusar inexistentes projetos americanos de invadir a Amazônia tem funcionado tão bem que civis e militares genuinamente nacionalistas e patriotas têm-se deixado cegar pela verdadeira internacionalização já (em 2003) em curso avançado! A cortina de fumaça leninista serve para acobertar a verdadeira e única ameaça de internacionalização, aquela comandada pela ONU, pelos liberals americanos do Partido Democrata – leia-se Carters, Clintons, Hillarys e John e Thereza Heinz Kerry – e por várias ONG’s européias entre as quais algumas financiadas pelos interesses dos grupos econômicos mais poderosos da Inglaterra, através do Príncipe Charles (C.T. - leia mais sobre o Príncipe Charles e as terras brasileiras aqui e aqui e vejam também os PARCEIROS DO CIR - CONSELHO INDIGENISTA DE RORAIMA. É o Príncipe Charles metido no Serra Raposa do Sol, amigos), como a World Wildlife e o Greenpeace, o Royal Botanic Garden e a Conservation International (http://www.conservation.org.br/onde/)”.

Já então era fato notório que a região estava loteada entre inúmeras ONG’s, mas desde então o número delas aumentou exponencialmente. Cito somente algumas: o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), intimamente ligado à Comissão Pastoral da Terra através da qual existem conexões com o MST e organismos internacionais como as FARC, a Via Campesina, a Indiana Navdanya Farmers Network and the Research Foundation on Science, Technology, and Ecology [1], dirigida pela Drª. Vandana Shiva; Nayakrishi Andolon (New Agricultural Movement) de Bangladesh; a organização suíça E-Changer [2], CCPY - Comissão Pró-Yanomami; Secoya - Serviço e Cooperação com o Povo Yanomami; Opan - Operação Amazônia Nativa [3]; Cafod - Catholic Agency for Overseas Development [4], CESE - Coalition for Excellence in Science Education [5] - da Packard Foundation; COIAB - Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira [6], OXFAM - Oxford Committee for Famine Relief [7], Rainforest Foundation [8], Survival International [9]. O site do Conselho Indígena de Roraima - CIR cita várias outras [10]. (C.T. - voltem ao site do CIR e vejam que algumas destas enttidades citadas acima são também parceiras do CONSELHO INDIGENISTA DE RORAIMA, onde fica a Serra Raposa Do Sol).

Listá-las todas é um trabalho hercúleo que já estou tentando (já registrei mais de cinqüenta) e oportunamente divulgarei [11]. O resultado é que nossa fronteira, do Mato Grosso ao Amapá (Ver Mapa abaixo) é uma verdadeira peneira com mais buracos do que fios. Desde o fim dos governos militares só fizeram aumentar os furos de tal modo que, de acordo com algumas estimativas, em breve poderemos ter a “declaração de independência” de mais de 200 “nações” indígenas que solicitariam – e certamente obteriam – reconhecimento por parta da OEA [12], da ONU, da Comunidade Européia e das casas reais européias. Essas ONG’s estão em íntimo contato com a ONU, com a qual possuem uma relação simbiótica, participando ativamente de reuniões como o “Fórum Permanente da ONU para Assuntos Indígenas” onde, na reunião deste ano (21 de abril a 03 de maio) integrantes da COIAB denunciaram a situação em Raposa Serra do Sol.

Quando as fronteiras estão assim arrasadas e quando Governadores, Parlamentares [13] e empresários brasileiros acorrem à Clarence House para de forma abjeta e degradante consultar o Príncipe Charles sobre o quê fazer com a Amazônia (ver em http://www.amazonia.org.br/english/noticias/noticia.cfm?id=268606), cabe a pergunta: a soberania brasileira está reduzida a quê? Ou melhor, ainda somos um país soberano? Será que ainda cabe perguntar se é possível salvar nossas fronteiras, ou se deve ser substituída por: será que ainda há tempo de retomá-las, expulsando todas as ONG’s e fazendo cumprir o Artigo 142 da Constituição do Brasil?


[1] www.navdanya.org

[2] http://www.humanitaire.ws/rubriques/rubriqueayainfo.php

[3] http://www.opan.org.br/opan_default.asp

[4] http://www.cafod.org.uk

[5] http://www.cese.org/

[6] http://www.coiab.com.br/index.php

[7] http://www.oxfam.org/en/about/who/

[8] http://www.rainforestfoundation.org/

[9] http://www.survival-international.org/

[10] http://www.cir.org.br/

[11] Sem falar nas ONG’s paganistas e satanistas que se interessam em estudar a “cultura” e as crenças “religiosas” dos povos da floresta.

[12] Cuja Comissão Interamericana de Direitos Humanos, no Capítulo VI do Relatório de 29/09/1997 http://www.cidh.org/countryrep/brazil-port/Cap%206.htm foi um dos fatores desencadeantes da política indígena brasileira.

[13] Ana Júlia Carepa, do Pará; Waldez Góes, do Amapá; e José de Anchieta Júnior, de Roraima. O Acre e o Amazonas foram representados pelos senadores Tião Viana (PT) e Arthur Virgílio (PSDB).

Publicado no Jornal Inconfidência

O autor é escritor e comentarista político, membro da International Psychoanalytical Association e ex-Clinical Consultant, Boyer House Foundation, Berkeley, Califórnia, Membro do Board of Directors da Drug Watch International, e Diretor Cultural do Farol da Democracia Representativa (www.faroldademocracia.org) . Possui trabalhos nas áreas de psicanálise e comentários políticos publicados no Brasil e exterior. E é ex-militante da organização comunista clandestina, Ação Popular (AP).

Até hoje, você trabalhou só para o governo

Do blog MOVIMENTO ORDEM E VIGÍLIA CONTRA A CORRUPÇÃO
ESTUDO MOSTRA QUE O BRASILEIRO PASSOU QUASE CINCO MESES DE 2008 PAGANDO IMPOSTOS

Desde o primeiro dia do ano até hoje, o brasileiro trabalhou apenas para pagar impostos. De acordo com estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), a carga tributária que incide sobre a renda, o consumo e o patrimônio consome 40,51% do orçamento do contribuinte - o equivalente, em média, a 148 dias de trabalho por ano, ou seja, quase cinco meses.

A situação é ainda pior para a classe média: os gastos com impostos abocanham 42,83% do orçamento das famílias com renda entre R$ 3 mil e R$ 10 mil. “É uma falha grave do modelo de tributação brasileiro, que deveria estabelecer uma contribuição compatível com a renda do trabalhador”, diz João Eloi Olenike, diretor técnico do IBPT.

O estudo mostra também que os impostos que mais pesam no bolso do brasileiro são os que incidem sobre o consumo. Para pagá-los, o contribuinte tem de trabalhar 84 dias por ano. “O consumidor não faz idéia do quanto paga sempre que compra algo. São muitos tributos escondidos atrás da etiqueta”, diz Olenike.

Para o diretor do IBPT, no futuro, as coisas não devem melhorar, já que a tendência é de que a carga tributária fique cada vez mais pesada. Em 2003, os impostos consumiam 36,98% da renda do trabalhador. De lá para cá, o valor subiu quatro pontos percentuais.

Hoje, de acordo com o estudo, o brasileiro trabalha mais de 29 anos apenas para contribuir com o Estado. Porém, para os bebês que nasceram em 2008, a coisa já piorou: terão de trabalhar metade dos 72 anos de vida (média brasileira) apenas para pagar tributos.

O estudo do IBPT lista outros países que possuem uma alta de carga de impostos, como a Suécia - 185 dias de trabalho para pagar impostos. “Mas lá o dinheiro é revertido em serviços de qualidade para a população”, compara Olenike. Por Carolina Dall’olio – Jornal da Tarde

Fantasias gays e Kassab, o laico

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Gerson Faria em 27 de maio de 2008

Resumo: Em 2008, a metade da cidade de São Paulo participou da parada do orgulho gay, afirmam os organizadores. Gays gostam mesmo de fantasias.

© 2008 MidiaSemMascara.org

Autoridade é isso. A organização da parada do orgulho gay afirma não possuir dados científicos sobre quantas pessoas participaram da última edição do evento, ocorrido domingo, 25 de maio. Mesmo assim, afirmam ser algo em torno de 5 milhões de pessoas. Segundo o movimento, em 2007 foram 3,5 milhões, obtendo assim um aumento de 40% para o ano de 2008.

Isso quer dizer que em 2007, 32% da população da cidade de São Paulo estava lá. Em um ano, 50% da cidade estava lá. Já analisei essa estatística gay para 2007 e não tenho nada mais a acrescentar nesse aspecto. O que era ridiculamente absurdo foi amplificado em 40%.

Só para o leitor ter uma idéia de densidade de pessoas, vai aí uma conta simples: 600 mil pessoas equivalem a uma lotação máxima do metrô de São Paulo nos piores dias (8 pessoas/m2 ) na avenida Paulista inteira (~75.000 m2 de área).

A Companhia de Engenharia de Tráfego não afirma nada, não viu nada. Não quer meter a colher em briga de maridos. Menos polêmico é anunciar os 200 Km diários de lentidão no trânsito paulistano, com precisão de 1%.

E sobre o orgulho gay, o que há para se dizer? Cada um tem orgulho do que enxerga em si como um valor muito alto. É uma idolatria, dirão os cristãos com razão. Lula tem orgulho de não ter estudado, os gays orgulhosos têm orgulho de uma cultura debochada, caricata, artificial. Dizem que são debochados por culpa da sociedade. E eu digo que é mentira pois já frequentei locais de freqüência gay e o comportamento deles lá dentro é tão ou mais debochado do que o comportamento de fora. Se antes me xingavam de homofóbico, agora vão me xingar de gay enrustido. Paciência. O mais estranho é que nunca me chamaram de petista enrustido por criticar o PT.

Não tenho preconceito com gays no geral. Conheci bem seu mundo e já perdi um amigo de universidade e alguns conhecidos pela vida arriscada e libertina que viviam. Tenho uma certa pena da tristeza de suas vidas. Não eram felizes, embora frequentassem festas uma atrás de outras. Começavam na terça-feira. Era salve-se quem puder atrás de sexo e diversão. E sempre ouvia, “sabe não sei quem, então, morreu de aids...”, “sabe não sei quem, então, morreu de tanto cheirar...”. Não eram poucos, acreditem.

E agora, todos o anos, o barulho da parada do orgulho gay, que passa em frente minha casa, faz com que me lembre desse amigo perdido. Pessoa animada, muito boa e inocente. Divertíamos-nos muito em sua companhia. Antes de iniciar sua vida gay já era assim, radiante. Sua escolha de vida foi pelo gayzismo e seu complemento, as drogas. Não há culpa da sociedade. Sempre fez o que quis. Abandonou estudos, foi ser gerente de Call Center, dava preferência à contratação de 'garotos'.

Há coisas que a sociedade não pode dar, e acredito ser essa a farsa principal da promessa de paraíso terrestre do movimento gay. A aceitação da sociedade não faz a menor diferença na hora de querer fazer sexo com quem ou o que quer que seja. Se não, o que dizer da quantidade de pessoas internadas no Hospital das Clínicas que tentaram sexo com garrafas, lâmpadas fluorescentes, cabos de vassoura etc. sem sucesso? Cada prática tem seu risco e nada, nada pode a sociedade fazer quanto à multiplicidade de escolhas possíveis. Não é a sociedade aceitando a prática de sexo com garrafas que a condição do ‘garrafossexual’ irá melhorar. Há um problema intrínseco na escolha mesma. E culpar a sociedade por não nos amar é demais. A sociedade de modo geral nos ignora e isso é da natureza do amor e da sociedade. Por isso, não exija amor e reconhecimento dos que o ignoram, será decepcionante.

Os pais desse meu amigo o amavam do jeito que era. Conheci sua mãe, irmão etc. Conheci suas tristezas e, embora distantes, éramos amigos. Sua máxima era o romântico “viver dez anos a mil que mil anos a dez”.

Nossas vidas tomaram rumos distintos e só soube de seu estado quando já era tarde. Em seu velório, colegas gays meus e dele não foram olhá-lo pela última vez. Gays não gostam de ver vítimas da aids, são realmente “sidofóbicos”. Eu fui e não me esquecerei jamais do que vi. E jamais esquecerei do sofrimento de sua mãe, de seu pai e de seu irmão.

Se escrevo artigo atrás de artigo sobre a mentira cabal chamada ‘movimento gay’, não é porque eu seja homofóbico, rótulo político infamante. É porque sei que de ‘gay’ esse movimento não tem nada. Ele rouba a vida das pessoas, seu espírito e seu corpo. Não tenho porque responder a estultices de ser tachado de homofóbico. Fiz o que pude para ajudar esse amigo. O ‘movimento gay’ não estava lá, acompanhando sua perda de peso acelerada e inexorável. E nem doar sangue o movimento poderia.

Se escrevo artigo atrás de artigo sobre a mentira cabal chamada ‘movimento gay’, é porque acredito que temos como dever diário tirar o argueiro de nossos olhos e ajudar a tirar o dos olhos de nossos irmãos quando podemos.

Por isso digo: prefeito Kassab, fique lá mesmo na parada do orgulho gay mendigando votos, distribua preservativos a todos, selinho para estabelecimentos gay friendly e ache tudo lindo maravilhoso, alimentando a falsa ilusão dos tolos, que acham que tudo na vida é aceitação social. Deixe a Marcha para Jesus longe de preocupações politicamente corretas, demagógicas e covardes.

Zoológico para gays

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Gerson Faria em 20 de maio de 2008

Resumo: Sexo homossexual em público no Parque do Ibirapuera. O novo item da agenda gay, cujos militantes - assim como todos os militantes que pululam pelo Brasil afora - querem estar fora do Estado e ao mesmo tempo protegidos por ele.

© 2008 MidiaSemMascara.org

A Folha de S.Paulo deste sábado, 17 de maio, traz uma matéria no caderno “Cotidiano” descrevendo a proposta “polêmica” do candidato ao conselho gestor do Parque Ibirapuera, um militante do movimento gay. Consta da criação de zonas liberadas dentro do parque destinadas à prática do sexo público homossexual. Afirma o candidato que é uma proposta ousada e turisticamente atraente, coisa européia mesmo, moderna. Afirma que tais atos não são novidade no parque, declarando não haver nada demais. Sua plataforma de candidato enseja oficializar tal prática.

A despeito da jequice do argumento de ser a Europa modelo de conduta, tal prática já é crime. Crime tipificado de atentado ao pudor. Se a polícia não age – e já ouvi muitos testemunhos disso - é outro problema. É problema originado pela pressão que o movimento gay exerce sobre a sociedade, quando exige que sua classe seja tratada diferentemente do resto dela, em que o sexo e sua expressão não são utilizados como fator político de luta de classes.

E se sexo em local público é crime, a proposta do militante, se aceita e aplicada, também é. E mais: crime de atentado ao pudor com o agravante da privatização de espaços públicos por opção sexual.

A matéria chama de “curioso” o fato de a proposta ser exclusiva a gays. Ora, não há nada de curioso nela. Os heterossexuais não são conhecidos por condutas sexuais “ousadas” e públicas como os gays. Querer forçar a natureza da questão, achando que se os gays podem os heterossexuais também podem, é oferecer falsamente um direito aos heterossexuais que eles não estão reivindicando, para tão somente beneficiar os militantes gays, com um falso argumento em justiça da universalidade.

Ora, já ouvi vários testemunhos do descaso com que aquele parque trata o usuário normal, que o freqüenta para trabalho ou lazer. Amigos que lá trabalham me contam que é comum o assédio que sofrem por indivíduos pervertidos que já vêem naquele local um território “livre”.

Dentro do parque há empresas (museus, lanchonetes, órgãos públicos, etc.) e alguns inúteis postos policiais. Em um dos testemunhos que obtive, a polícia se recusou a atender a um pedido para que acompanhasse a pessoa até uma das saídas do parque, pois estava saindo do trabalho à noite. A resposta do policial foi - acredite ou não - a de que ele estava assistindo à novela, não podendo assim atender ao pedido. Isso talvez deva-se a algum programa de sensibilização da polícia paulistana, coordenado por uma ONG qualquer.

Não bastasse o parque ser utilizado para esses fins, já é de conhecimento público a existência do local anexo ao parque, chamado de ‘autorama’ e [1], um espaço público que foi tomado pelos gays e por eles rebatizado e dado novo uso, o de “caçação”, como dizem. A imprensa vez ou outra traz notícias de casos de tráfico de drogas e pedofilia lá ocorridos.

São posições de difícil sustentação pública. Ora dizem que são pessoas mais que normais, ora dizem que querem fazer sexo no parque às vistas de qualquer um. Ora dizem que ser homossexual é uma escolha pessoal, ora dizem que é determinismo genético. Para sustentar tantas contradições por tanto tempo, o movimento gay possui uma rede de apoios políticos muito bem organizada, autochantageada e financiada, na mídia e nos órgãos do governo de forma geral, nos de cultura em particular. Nos museus, ministérios, secretarias, sem preconceitos. De faxineiros a diretores.

Imaginem que situação bizarra. Excursões de escolas visitando exposições na Oca, no Museu Afro, no MAM, como de costume, em meio aos marmanjos se entregando publicamente. Ora, seguindo a cartilha burocrática brasileira, haveria funcionários para fiscalizar horários de funcionamento do zoológico gay. Funcionários gays, é claro. Mas, como costuma afirmar o secretário Marrey sobre tais matérias, ele que não é um idiota qualquer, temos de deixar de lado as posições conservadoras, adotando posições mais de acordo com a cultura vigente. Cultura vai, cultura vem, haverá o dia em que fumar no Parque Ibirapuera será considerado crime hediondo.

O que esse militante anseia ardentemente não é diferente de tantos outros militantes deste Brasil, em que se plantando tudo dá. Gays, MST, indigenistas, pedófilos, etc., querem que as leis não sirvam para eles, mas sim, servirem-se delas. Querem estar fora do Estado e ao mesmo tempo protegidos por ele. Querem um Estado para eles. Se defendem o sexo público ou o direito inalienável de chupar picolé estando gripado no mais das vezes, não vem ao caso. Os ganhos políticos, ah, esses sim.

Se todas as questões de ordem pública não fossem mais do que meras oficializações de práticas, o Estado não teria mais razão de ser, exceto no Brasil, em que este se torna cada vez mais meio de vida de alguns, a despeito das necessidades básicas daqueles que o mantêm, sem ao certo saber o porquê.

[1] Autorama na CPI, em http://mixbrasil.uol.com.br/mp/upload/noticia/4_62_60224.shtml


segunda-feira, 26 de maio de 2008

Agência americana planeja ocupação da Amazônia

Do portal AGÊNCIA AMAZÔNIA DE NOTÍCIAS
Por LORENZO CARRASCO (*), segunda, 26 de maio de 2008

RIO — Enquanto o Brasil se debate em meio a um virtual “apagão” do Estado nacional, o governo dos Estados Unidos, por intermédio da sua Agência de Desenvolvimento Internacional (Usaid), delineia um “plano estratégico” para a ocupação efetiva de áreas críticas da Amazônia, onde a presença soberana dos Estados nacionais que compartilham a região é precária.

A estratégia integra uma nova etapa do processo de "internacionalização" da Amazônia, subseqüente à já consolidada fase de demarcação de vastas reservas naturais e indígenas na região, em proporções muito superiores às recomendadas pelos interesses nacionais.

Apenas no Brasil, as reservas indígenas ocupam quase 1,1 milhão de quilômetros quadrados, cerca de 13 % do território nacional, para pouco mais de 400 mil indígenas. Para comparação, toda a Região Sudeste, a mais populosa do País, com mais de 75 milhões de habitantes, não chega a 928 mil quilômetros quadrados.

Aproximadamente a metade dessa área está destinada a unidades de conservação biológica ou ambiental. Situações semelhantes ocorrem no Peru, Bolívia e Equador.

Lançada em junho de 2005 pela Usaid, a Iniciativa para Conservação da Bacia Amazônica (ABCI, na sigla em inglês) não oculta o propósito de coordenar as ações de diversos grupos ambientalistas e indigenistas nacionais e estrangeiros, provendo-os dos recursos e instrumentos de “governança ambiental” para o controle efetivo da região. A intenção é recrutar povos indígenas, “populações tradicionais” e Ongs nacionais e estrangeiras, para criar uma rede que em nada difere de um exército de ocupação pós-moderno a serviço de um esquema de “governo mundial” controlado por grupos hegemônicos do Establishment anglo-americano.

Neste contexto, ação da Usaid vem reforçar financeiramente as intensas atividades de Ongs como o Fundo Mundial para a Natureza (WWF), Survival International, Conservation International, The Nature Conservancy e outras, financiadas tanto pela Usaid como por agências governamentais do Canadá, Reino Unido, Holanda e outros países europeus, além de fundações familiares do Establishment.

amazonia260508_1.jpgPor “governança ambiental”, deve-se entender o controle efetivo dos territórios demarcados como reservas, sob intensas pressões internacionais, para obstaculizar o desenvolvimento do Brasil e seus vizinhos, insidiosamente apresentado como ameaça à integridade do meio ambiente. O argumento central da ABCI é o de que os enormes e desconhecidos recursos da bacia Amazônica podem servir como uma base sólida para o desenvolvimento regional, mas são ameaçados por usos não sustentáveis associados com a agricultura, pecuária, exploração madeireira, mineração, exploração de petróleo e pesca. Essas ameaças, por sua vez, são intensificadas por outras forças, como o crescimento populacional (sic), o desenvolvimento infra-estrutural, a expansão dos mercados de commodities. (Plano Estratégico da Usaid para a Iniciativa de Conservação da Bacia Amazônica).1

Semelhante formulação interdita, de fato, qualquer perspectiva de desenvolvimento de atividades econômicas modernas na região, mantendo as populações que ali vivem em condições de pobreza extrema, ou deslocando-as sob o pretexto da demarcação ou ampliação de reservas indígenas (mesmo em áreas nunca ocupadas por eles), como tem ocorrido com freqüência. Um dos riscos envolvidos é o de que populações que aceitem tais condições terminem se opondo às próprias instituições nacionais.

A intenção é explícita:

A Usaid luta por uma Bacia Amazônica em que os povos indígenas e tradicionais, outras partes interessadas na conservação e instituições chave alcancem o comprometimento, capacidade e cooperação para serem guardiões efetivos da diversidade biológica e dos serviços ambientais de importância global da bacia.

Da mesma forma, o planejamento da agência contempla uma estratégia de ações transnacionais:

Como várias das ameaças à biodiversidade na Bacia e, portanto, as eventuais oportunidades de ação da Usaid, são transnacionais por natureza, é preciso desenvolver e negociar práticas de gestão de recursos entre os parceiros regionais. A troca de conhecimentos entre as partes interessadas e as agências de conservação terá maior eficácia se forem levadas em conta as conexões da bacia que cruzam linhas municipais ou nacionais.

O propósito é coordenar todos os programas do governo estadunidense para a região. Assim, o documento-base da Iniciativa propõe que os grupos de intercâmbio de informações do Governo dos EUA reúnam-se em nível nacional para catalisar e sustentar colaborações entre o programa da Usaid para a Amazônia e outras atividades do Governo dos EUA.

Entre as iniciativas existentes e possíveis de colaboração destacam-se o intercâmbio de informações e oportunidades de contato relacionados com a governança ambiental, fiscalização e cumprimento de leis e regulamentos, assistência técnica e treinamento, oportunidades de contato com mercados e produtores, além da diplomacia ambiental. (sic)

As oportunidades programáticas específicas de colaboração com o GEUA (Governo dos EUA - n.e.) incluem o processo de Fiscalização Florestal e Governança (FLEG), a Iniciativa Presidencial contra a Exploração Madeireira Ilegal, cooperação ambiental nos termos dos Acordos de Livre Comércio, o Programa Piloto do G-7 para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG7), gestão das áreas indígenas e capacitação, monitoramento da fauna e cobertura florestal, e gestão das bacias hidrográficas e áreas protegidas.

No tocante ao PPG7, a Usaid explorará oportunidades de integrar-se com as redes de pesquisa do subprograma de ciência (pesquisa dirigida — Ciência II) e alavancar experiências anteriores do PPG7 em, por exemplo, monitoramento e mobilização das comunidades... Em parceria com as organizações regionais, como a OTCA, a COIAB, a Aliança Amazônica e outras, a Usaid procurará implementar estes investimentos regionais com os países membros do Tratado de Cooperação Amazônica, conforme apropriado às respectivas atividades. (...) [1].

O que surpreende na ABCI não é mais uma manifestação da velha cobiça oligárquica internacional sobre a Amazônia, mas a sem-cerimônia com que um governo estrangeiro, alegando causas nobres, promove em pleno século XXI uma interferência tão ostensiva nas políticas brasileiras que influenciarão de forma decisiva as perspectivas de desenvolvimento de uma região que disputa com o Nordeste o triste título de a mais atrasada do País. A bem da verdade, isso não representa novidade na política estadunidense, uma vez que um propósito idêntico já estava explicitado no hoje célebre memorando secreto do Conselho de Segurança Nacional, NSSM-200 (National Security Study Memorandum-200), elaborado em 1975 sob a orientação de Henry Kissinger e apenas desclassificado no início da década passada.

Os autores do documento propunham o controle do crescimento populacional do Brasil e outras 13 "nações-chave", alegando que ele implicaria em um uso descontrolado dos recursos naturais nacionais - minerais, energéticos etc. -, os quais, na sua visão hegemônica, seriam fundamentais para a prosperidade futura dos EUA e seus aliados. Logo, o crescimento demográfico brasileiro representava uma "ameaça" aos interesses nacionais estadunidenses.

Mais tarde, na década de 1990, as questões ambientais passaram a integrar definitivamente a agenda de segurança nacional dos EUA, como se mostra no documento United States Security Strategy for the Americas (Estratégia de Segurança dos Estados Unidos para as Américas), publicado pelo Departamento de Defesa, em setembro de 1995.

Em 1998, o general Patrick Hughes, então diretor da Agência de Inteligência de Defesa (DIA), explicitou tais intenções no tocante à Amazônia. Em uma conferência proferida no Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT), em 9 de abril daquele ano, ele afirmou que uma das hipóteses de conflito que o Pentágono considerava possíveis nas duas décadas seguintes seria uma intervenção na Amazônia brasileira, para evitar danos ambientais que pudessem, eventualmente, provocar impactos sobre os interesses estadunidenses (diante da grande repercussão internacional de suas declarações, o general Hughes se viu obrigado a desmenti-las).

Em novembro de 2002, já em plena era das intervenções unilaterais do governo “neoconservador” do presidente George W. Bush, o então secretário da Defesa Donald Rumsfeld apresentou, na V Conferência de Ministros da Defesa das Américas, em Santiago do Chile, o conceito de “soberania efetiva”, significando a necessidade de intervenções em áreas onde o Estado nacional não pudesse, por um motivo ou outro, exercer um pleno controle territorial.

O conceito é uma variante do princípio de “soberania limitada” ou “soberania restrita”, tão prezado pelos grupos que se empenham em impor estruturas de "governança global" sobre os Estados nacionais soberanos. Afortunadamente, a sugestão foi amplamente rechaçada pelos demais participantes do encontro.

É sintomático que o programa da Usaid introduza o conceito da governança efetiva sobre regiões nas quais os Estados nacionais amazônicos tenham uma presença débil.

Na mesma linha, devem ser consideradas as declarações de autoridades de outras potências do Hemisfério Norte a respeito da soberania sobre a Amazônia, como a do então comissário de Comércio da União Européia e atual diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), Pascal Lamy. Em 21 de fevereiro de 2005, em uma palestra realizada em Genebra, Suíça, sobre o tema “As lições da Europa para a governança global”, Lamy afirmou que a floresta amazônica e as demais florestas tropicais do planeta deveriam ser consideradas “bens públicos mundiais” e submetidas a uma gestão coletiva pela comunidade internacional.

Ainda mais escandalosa foi a proposta do ministro do Meio Ambiente do Reino Unido, David Miliband, para uma “privatização completa da Amazônia”, alegadamente, para preservar a floresta como uma proteção contra as emissões de dióxido de carbono que, supostamente, estariam provocando o aquecimento global. A sugestão, feita em uma conferência sobre mudanças climáticas em Monterrey, México, no final de setembro de 2006, envolveria a aquisição de grandes áreas da Floresta Amazônica por cidadãos e grupos privados, de modo a formar uma vasta área “protegida”, cuja administração seria confiada a uma comissão internacional. O esquema teria o apoio do então primeiro-ministro Tony Blair, porque “capturaria a imaginação do mundo” e “uniria a comunidade internacional”.

Em entrevista ao jornal Daily Telegraph (1/10/2006), Miliband admitiu que a idéia poderia suscitar questões de soberania com o Brasil: “Obviamente, existem problemas de soberania, mas o desmatamento é um assunto enorme... e qualquer plano, mesmo que seja radical, é digno de ser avaliado.”

Na ocasião, a imediata reação do Itamaraty obrigou o boquirroto ministro-ambientalista britânico a se retratar, com as tradicionais declarações de que havia sido mal interpretado pela imprensa.

Como se percebe, a iniciativa da Usaid ocorre nesse contexto de intenções ostensivas de interferência direta na Amazônia, que configura uma autêntica estratégia de guerra irregular, ou “guerra de quarta geração” (G4G), contra a soberania nacional do Brasil e seus vizinhos amazônicos.

O conceito de G4G, que vem sendo discutido entre certos círculos militares e estratégicos da América do Norte e da Europa, se refere a campanhas em que um Estado nacional se defronta com oponentes não-estatais, como organizações terroristas e/ou criminosas - ou, no caso brasileiro, ONGs contrárias ao desenvolvimento nacional.

Assim sendo, não é exagero considerar que estão em curso na Amazônia ações de “quarta geração”, nas quais os territórios não são conquistados no sentido militar clássico, mas têm neutralizado o seu pleno desenvolvimento socioeconômico e conseqüente povoamento, para, em uma fase posterior, serem eventualmente declarados como territórios sem “soberania efetiva”. Estaríamos, portanto, às voltas com uma doutrina estratégica exógena, cuja denominação não poderia ser outra senão “Pax Verde”.

Embora os métodos tenham mudado, sendo hoje muito mais sofisticados no que tange à manipulação da opinião publica ou ao controle psicológico, os propósitos são os mesmos do velho colonialismo europeu de séculos passados.

fig1.jpgA agenda da Usaid em marcha

Em janeiro de 2007, no relatório Iniciativa para a Conservação da Bacia Amazônia - Desenho, Atividades Propostas e Resultados Esperados, a Usaid deu a conhecer o programa da ABCI, que contará com um financiamento de 65 milhões de dólares aplicados ao largo de cinco anos, em cinco frentes diferentes. Em realidade, tais recursos funcionarão como créditos iniciais para motivar a atração de mais recursos provenientes de agências governamentais, fundações e ONGs internacionais. Recorde-se que o programa visa vincular as principais redes existentes e dirigir as suas ações de forma centralizada.

Três das linhas de ações previstas para a Iniciativa visam estabelecer um "cerco verde", para conter os efeitos econômicos das grandes obras de infra-estrutura na Amazônia Ocidental, em uma vasta região que pertence ao Brasil, Bolívia e Peru. A intenção é cercar o estratégico estado de Rondônia por três frentes: a primeira, ao norte, pelo sudoeste do estado do Amazonas (Fig. 1); a segunda, ao sul, pela região do Madidi-Manu, na Bolívia e no Peru (Fig. 2); e a terceira, a oeste, pela região do chamado MAP, formado pela província peruana de Madre de Dios, o Acre e o departamento boliviano de Pando (Fig. 3).

Na primeira frente, estão inseridos o que o documento chama “Municípios Alvos no Sudoeste do Estado do Amazonas”, por ser esta uma nova “região de fronteira”, onde vários projetos importantes de infra-estrutura estão sendo planejados pelo governo brasileiro, incluindo a pavimentação das rodovias Porto Velho - Manaus e Humaitá-Lábrea, a construção do gasoduto Urucu-Porto Velho e de represas hidroelétricas de grande escala no Rio Madeira, um dos principais tributários do Rio Amazonas.

Nessa frente, o programa se propõe a “estabelecer uma barreira verde de áreas protegidas”, para conter a ocupação econômica e desenvolver redes locais com capacidade tecnológica para o monitoramento in situ do território da região-alvo, inclusive com a utilização de tecnologias de sensoreamento remoto.

O propósito inquestionável é desenvolver uma capacidade local de inteligência em tempo real, gerenciada externamente por interesses inconfessáveis.

Para este objetivo, a Usaid conta com o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), que desde o ano 2000, vem se especializando na tarefa de organizar redes locais contra projetos de infra-estrutura, especialmente entre grupos indígenas. “O programa aumentará a capacidade das organizações indígenas de assegurar a integridade de seus territórios e o manejo sustentável dos seus recursos naturais”, diz o texto.

fig2.jpgA criação do IEB resultou de uma iniciativa conjunta da Usaid e da seção estadunidense do WWF e a organização conta com o apoio financeiro de agências oficiais dos Países Baixos e do Reino Unido. Suas tarefas especificas são:

1. Construir capacidade local... Desenvolvimento organizacional de instituições locais em assuntos como administração, gestão financeira, e preparação de projetos, planejamento, monitoramento, e avaliação; Desenvolvimento interinstitucional através do planejamento e implementação de espaços públicos para a resolução de assuntos sócio-ambientais e através de treinamento em assuntos como gênero e equidade, resolução de conflitos, e redes de comunicação. Para aumentar os impactos, a abordagem enfatizará treinamento de líderes, intercâmbio de treinamento a curto e médio prazo, e estabelecimento de grupos temáticos de trabalho em tópicos estratégicos, como estradas, óleo e gás, e a gestão econômica de áreas protegidas habitadas. (sic)”.

2. Monitorar tendências da paisagem. Esta atividade é projetada para fornecer aos tomadores locais de decisão e ao público a informação necessária para orientar a conservação e o desenvolvimento do sudoeste do Amazonas e assim tomar decisões fundamentadas. Como parte desta atividade, o programa conduzirá um monitoramento anual de níveis de desmatamento, incêndios florestais, e abertura de estradas não oficiais para atividades madeireiras ilegais.

Para fortalecer a capacidade local para monitorar mudanças na paisagem,o programa oferecerá cursos para os líderes e técnicos sobre o uso de sistemas de informação geográfica (SIGs) e imagens de satélite. O programa também analisará os impactos sociais e econômicos de projetos de infra-estrutura no sudoeste do Estado de Amazonas, incluindo o gasoduto Urucu-Porto Velho, a rodovia BR-319, as represas hidroelétricas no Rio Madeira, e outros projetos em andamento na Bacia Amazônica que afetam o sudoeste do Amazonas. As informações geradas nesta atividade serão disseminadas on-line, em publicações, e através de seminários locais."

Bloqueando a saída para o Pacífico

O segundo alvo da ABCI é a região Madidi-Manu, que os estrategistas "verdes" vêem como um “cordão sanitário” no Peru e na Bolívia, contra a potencial extensão dos efeitos positivos dos grandes projetos de infra-estrutura em Rondônia, especialmente o Complexo do Rio Madeira, o gasoduto Urucu-Porto Velho e a conexão Manaus-Porto Velho, dois dos potenciais “corredores de desenvolvimento” para a modernização socioeconômica e a industrialização da Região Amazônica - perspectiva intolerável para a Usaid e suas redes intervencionistas.

Igualmente execrada por esses círculos antidesenvolvimentistas é a saída brasileira para o Pacífico, pela Rodovia Interoceânica, cuja ligação da BR-364 com a malha rodoviária peruana se encontra em construção e, quando concluída, permitirá o acesso aos portos oceânicos de Ilo e Mataraní.

Nas próprias palavras do documento da Usaid, o objetivo desse subprograma é avaliar e desenvolver estratégias para enfrentar os impactos de desenvolvimento de infra-estrutura em grande escala. A combinação da conclusão do trecho final da Rodovia Interoceânica e a expansão do desenvolvimento de óleo e de gás natural terá impactos profundos na região, com o potencial de destruir muitas das importantes e difíceis realizações feitas em nome da conservação e do uso sustentável de recursos naturais.

Atualmente, vários parceiros do consórcio ajudam o povo local a avaliar e a enfrentar os impactos do desenvolvimento de infra-estrutura em grande escala. O programa continuará e expandirá este processo participativo, trabalhando com atores locais, autoridades governamentais em diferentes níveis, e doadores para assegurar que o desenvolvimento de infra-estrutura irá incorporar objetivos que apóiem a conservação da biodiversidade e o uso sustentável de recursos naturais.”


Do Bolivian Syndicate ao "MAP Syndicate"

O terceiro “tampão” pretendido pela Iniciativa da Usaid está localizado na chamada MAP (Madre de Dios-Acre-Pando), ironicamente, a região onde a concessão feita pelo governo boliviano ao Bolivian Syndicate provocou, no início do século passado, o mais sério conflito fronteiriço na história das relações diplomáticas entre a Bolívia, o Brasil e o Peru. Como o próprio relatório assinala, a região de MAP é uma conexão crucial na Rodovia Interoceânica que conecta os portos do Atlântico no sudoeste do Brasil aos portos do Pacífico no Peru.

fig3.jpgA pavimentação da componente da Rodovia Interoceânica no Acre foi completada em 2002, e atualmente a parte restante nas terras baixas em Madre de Dios está sendo pavimentada. Esta atividade faz parte de um investimento de US$ 800 milhões que inclui o melhoramento de instalações portuárias no Peru para permitir as exportações do Brasil para as economias à margem do Pacífico. Um conjunto semelhante de rodovias está planejado para unir as seções de Cobija e Riberalta no Pando a La Paz na Bolívia; os investimentos atuais reservados para a melhoria dessas estradas totalizam dezenas de milhões de dólares.

Também nas fases de planejamento avançadas está um conjunto de grandes represas hidroelétricas no Rio de Madeira e seus tributários (a um custo calculado em US$ 10 bilhões) na Bolívia e Brasil, que afetarão diretamente Pando e Madre de Dios. Além disso, companhias chinesas começaram a exploração madeireira em Madre de Dios ao longo das margens bolivianas e brasileiras.

Deve-se destacar que uma boa parte do departamento de Pando é constituída por áreas de cerrado contínuas aos campos de Rondônia e, portanto, o seu desenvolvimento agrícola moderno pode constituir-se em um importante vetor de modernização econômica para uma das mais depauperadas regiões da Bolívia. O pleno desenvolvimento do Complexo do Rio Madeira, que inclui duas usinas hidrelétricas em território boliviano (uma binacional, no rio Mamoré, e a outra no rio Beni), com a construção de eclusas (que não podem ser descartadas de forma alguma), proporcionaria uma saída para o Atlântico para o potencial produtivo daquela hoje estrangulada região boliviana. Quanto ao Acre, a Iniciativa da USAID pretende coibir até mesmo a simples prospecção de gás e petróleo no estado, onde os estudos geológicos são promissores.

Além dos aspetos geoeconômicos, o programa como um todo está sendo contemplado para “servir como um exemplo de colaboração internacional em assuntos transfronteiriços na Bacia Amazônica”, o que, precisamente, aumenta a gravidade da interferência estadunidense. Aqui, observa-se o verdadeiro sentido da proposta da USAID, de “aumentar a capacidade de governança ambiental” - que não é outra coisa senão o princípio de soberania relativa anteriormente mencionado.

O Projeto MAP já conta com financiamento do governo holandês e vem sendo executado pelo “consórcio” das ONGs WWF, Conservation International, The Nature Conservancy e a pouco conhecida holandesa Tropenbos, além do Serviço Holandês de Cooperação para o Desenvolvimento - um verdadeiro “MAP Syndicate”. Um dos objetivos diretos é criar os costumeiros entraves ambientais, como os famigerados "corredores de conservação", para dificultar esforços como a ligação da BR-364 com o Pacífico (anteriormente bloqueada no final da década de 1980, por pressões diretas do presidente George Bush pai).

Reservas transfronteiriças e "governança ambiental efetiva"

O “Projeto MAP” é apenas uma das iniciativas da Usaid para desenvolver ações em regiões transfronteiriças entre Peru-Brasil, Equador-Colômbia, Brasil-Guiana e Brasil-Guiana Francesa, todas regiões ricas em recursos naturais. Segundo o relatório da ABCI, estas terras, que aparecem como a maior mancha verde na terra quando vistas do espaço, são habitados principalmente por povos indígenas e comunidades tradicionais. A ABCI reconhece que estes povos possuem laços profundos com a terra e um legado de manejo que oferecem a melhor esperança para assegurar a conservação e o desenvolvimento sustentável da Bacia Amazônica.

Porém, ademais dessa visão romantizada, que deixa de fora os quase 25 milhões de demais brasileiros que habitam a Região Amazônica, o relatório da UsaidD deixa clara a sua preocupação central com os recursos minerais e energéticos existentes no subsolo das reservas indígenas, como se observa na “pérola” a seguir:


Embora muitos países amazônicos tenham reconhecido que os povos indígenas e tradicionais controlam áreas significativas da região, o controle de minerais e de hidrocarbonetos permanecem nas mãos do Estado ou de companhias privadas, que têm elevado em muitas áreas a exploração descontrolada e destrutiva de minérios e do transporte de petróleo e gás. Uma série de outras ameaças - incluindo rodovias, represas hidroelétricas, jurisdições cruzadas, incursões por colonos e companhias madeireiras, e conflitos constantes sobre terras e recursos naturais - flagelam os territórios indígenas em toda a região (grifos nossos).

fig4.jpgSobre a “governança efetiva”, diz o documento:

As ameaças ambientais diretas a muitas terras indígenas são sintomáticas de um problema mais sério: falta de governança efetiva. Organizações representativas dos povos indígenas tipicamente desempenham um papel marginal em decisões referentes aos povos e territórios indígenas. Estas organizações enfrentam problemas estruturais internos que limitam a sua efetividade no trato de assuntos ambientais e de manejo de recursos naturais, especialmente ao nível de reserva.

Apenas uma minoria dessas organizações tem sido capaz de desenvolver capacidade técnica significativa, e muitas ainda confiam em aliados "indigenistas" da sociedade civil para fornecer o apoio técnico necessário. Da mesma forma, suas práticas e procedimentos administrativos e financeiros são freqüentemente fracos. Por sofrerem de falta crônica de recursos financeiros, as organizações indígenas amazônicas tendem a ser instáveis e mostram dificuldades em alcançar seus objetivos programáticos.

Por outro lado, um número crescente de organizações indígenas amazônicas reconhece que o sucesso na luta por terra significa pouco se estas terras não forem administradas efetivamente. Por toda a Bacia Amazônica, especialmente no Brasil, vários movimentos indígenas estão sofrendo a transição da luta por terra para a administração de seus territórios, que exige uma série de competências diferentes. Este programa busca responder ao desejo das organizações indígenas amazônicas para apoio no fortalecimento de sua efetividade.

Portanto, a ação da Usaid propõe uma “gestão ambiental de terras indígenas”, especialmente nessas áreas de fronteira, para dar capacidade às organizações indígenas de determinar as políticas de “distribuição de direitos sobre os recursos naturais”. Ou seja, a intenção é que as organizações indígenas controladas pela rede de ONGs internacionais possam definir a utilização dos recursos minerais ou energéticos.

No caso, a estratégia visa fortalecer a capacidade de “pelo menos 20 federações indígenas amazônicas”. Além disto, o “treinamento in situ e a capacitação focalizarão áreas que estas organizações identificaram como estrategicamente vitais”.

Cabe perguntar: “vitais” para quem, cara-pálida?

Brasil, é hora de acordar!

Do exposto, resulta claro que o Brasil está sendo paulatinamente submetido a uma nova forma de colonialismo, com o qual a determinação de crescer e exercer plenamente a soberania sobre os seus recursos naturais e o seu território está sendo derrotada por interesses exógenos. A forma verbal “derrotada” se justifica porque as instituições nacionais como um todo, que se encontram débeis e abastardadas, abandonaram a missão de cuidar primordialmente do bem comum e o bem-estar geral da Nação.

As próprias Forças Armadas, cuja missão mais primordial é a preservação da integridade territorial do País, têm sido criminosamente sucateadas pelas crescentes restrições orçamentárias e um revanchismo “antiautoritário” irracional e irresponsável, contribuindo para deixar o País cego e indefeso diante dessas novas e mais sofisticadas formas do colonialismo.

Essa é a hora para que as forças patrióticas da Nação acordem para pelejar pela sua soberania plena, ou correrão o sério risco de despertar mais tarde da sua letargia e se defrontarem com o pesadelo de uma nação dividida ou fragmentada. Para saber mais sobre o assunto, clique aqui.

(*) O texto de Lorenzo Carrasco foi publicado originalmente no Alerta em Rede, em maio de 2007, e encontra-se atualíssimo diante das escaramuças em torno da internacionalização da Amazônia.
 
[1] Plano estratégico da Usaid para a Iniciativa de Conservação da Bacia Amazônica, Usaid, 06/02/2005.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".