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sábado, 4 de outubro de 2008

AS CAUSAS DA GRANDE DEPRESSÃO: MITO E REALIDADE

Ubiratan Iorio


I. INTRODUÇÃO


Uma das opiniões mais difundidas entre economistas e leigos é a de que a Grande Depressão do final dos anos 20 e início dos anos 30 do século passado teria sido provocada por “gastos de menos e poupança demais”. Na verdade, embora esse diagnóstico tivesse prevalecido sobre os demais - o que se deve ao extraordinário poder de persuasão de Lord Keynes e ao verdadeiro petisco que sua terapia de aumentar os gastos públicos significou (e sempre significará) para políticos de todos os matizes-, há uma outra teoria, da mesma época - para não mencionarmos um terceiro, formulado por Milton Friedman nos anos 50 -, desenvolvido por Hayek, com base na tradição vienense de Carl Menger, na “Escola Sueca” de Knut Wicksell e em um abrangente tratado de Teoria Monetária publicado por Mises, em 1912.

Para Hayek e os economistas “austríacos”, a Grande Depressão não fora provocada por “gastos de menos e poupança demais”, mas exatamente pelo oposto, isto é, “gastos demais e poupança de menos”.

Serão loucos – ou incompetentes – os economistas, a ponto de dois dos mais famosos de sua época sustentarem cada um que aquilo que o outro apontava como causa era na verdade efeito e o que o colega apontava como efeito é que seria a verdadeira causa? Bem há economistas loucos e há economistas incompetentes (especialmente, quando formados na Unicamp)... Mas não se pode dizer nem uma coisa nem outra tanto de Hayek como de Keynes (por mais que discordemos do último).

A questão crucial está na abrangência do conceito de tempo subjacente a cada teoria: Keynes, na Teoria Geral, olhou o curto prazo, em que de fato o setor privado gastava pouco, ao passo que Hayek, quando falava em “sobreinvestimentos”, estava se reportando aos imensos gastos realizados pelos governos nos anos 20, especialmente após o fim da Primeira Guerra Mundial, comparando-os a um excesso de comida que, fatalmente, haveriam de provocar a “indigestão” da Grande Depressão.

Poucas frases foram tão infelizes e provocaram efeitos tão devastadores quanto aquela de Keynes, uma verdadeira condenação à vida das formigas e exaltação à das cigarras, segundo a qual “no longo prazo, todos estaremos mortos”... Para compreender por que, voltemos setenta e cinco anos na máquina do tempo que é a História do Pensamento Econômico.

No início dos anos trinta, o Prof. Hayek foi convidado pelo próprio Keynes para proferir uma série de três conferências na London School of Economics. O material daquelas palestras, então publicado sob o título de “Prices and Production” , representa sua primeira tentativa de elaborar uma teoria dos ciclos econômicos, combinando a análise de Knut Wicksell das relações entre moeda e taxa de juros com a teoria do capital de Eugene von Böhm-Bawerk, na tradição iniciada em 1912 por Mises, no capítulo 19 de sua “Theorie des Geldes und der Umlaufsmittel”. As palestras de Hayek foram pontuadas por triângulos, de uma espécie que sua platéia - que incluía, entre outros, John Hicks, Nicolas Kaldor e Joan Robinson - jamais tinha visto anteriormente e que, talvez por esse motivo, não tenha compreendido.

Este artigo tem os objetivos de, explicando o que Hayek pretendia representar com seus triângulos, apresentar de maneira conceitual a alternativa dos economistas que adotam a metodologia austríaca às teorias da inflação dos modelos macroeconômicos convencionais.

A teoria austríaca dos ciclos, atribuída a Hayek, procura explicar de que maneira os distúrbios monetários provocam descoordenações intertemporais nas atividades econômicas (os “booms” artificiais), como essas descoordenações, ao serem descobertas, provocam recessão (os “busts”) e que ajustamentos elas desencadeiam no sentido da reestruturação da economia.

Trata-se de uma tentativa de conciliar elementos wicksellianos e böhm-bawerkianos, tal como já o fizera Mises em seu tratado de 1912. Além disso, Hayek enriqueceu-a com as influências de David Ricardo e John Stuart Mill, bem como, é claro, com seus próprios “insights”. O resultado é uma integração magistral das teorias dos preços, da moeda e do capital. Os diversos elementos da teoria hayekiana - que são isolados a seguir para facilitar a compreensão e a análise do leitor - estão conectados por uma forte complementaridade, a tal ponto de não podermos rejeitar qualquer um deles sem que a teoria como um todo fique comprometida.

...

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
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Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
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A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".