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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Como é chato ser MODERNO

 

OLAVO DE CARVALHO

Gustavo Nogy
Facebook, 23 de fevereiro de 2012

NOTÍCIAS DO FRONT: corre em plenário projeto de lei que – por favor, tomem seus assentos – regulamenta a, aspas, profissão de filósofo. O autor da enormidade é o deputado Giovani Cherino (PDT-RS), orgulhosíssimo, imagino, de suas lides parlamentares. Fui conferir o lattes da sumidade. (Tirem as crianças da frente do computador). Graduado em Cooperativismo e pós-graduado em Economia Rural. E, agora, ele é o homem que vai dizer quem é e quem não é filósofo por estas plagas. Sejamos justos: não exatamente ele, mas a nobilíssima Academia Brasileira de Filosofia, que conta entre seus veneráveis membros e demais luminares da ciência com os senhores – agora doutores honoris causa – João Havelange, Michel Temer e Carlos Alberto Torres (para quem não sabe, grande médio-volante no título da seleção brasileira de futebol de 1970, autor de um gol que vale mais, feitas as contas, que a obra de uns e outros doutores por aí; mas isso são histórias outras).

Segundo nos autos consta, a Academia Brasileira de Filosofia “é a representante da filosofia e língua filosófica nacionais”, e parece-lhes evidente – e quem sou eu para discordar – que “(...) o Estado pode e deve agir no sentido de regular o exercício da profissão de filósofo no país, estipulando as condições de habilitação e as exigências legais para o regular exercício da mesma, além de seu âmbito de competência”. Stalin não diria melhor.

Stalin não diria melhor, mas quem o disse foi o senhor João Ricardo Moderno, presidente da dita Academia, na justificativa do projeto. Agora filósofo é profissão, sim senhor! E com carteira de trabalho assinada, décimo terceiro, férias (período em que, imagino, o filósofo deixa de lado a filosofia e justifica certos projetos de lei) e carteirinha da Academia. Quem não tem não é, salvo se mantiver união estável por mais de cinco anos com a musa grega.

Se filosofia é profissão e há filósofos devidamente empregados, inevitável imaginar que, em breve, a depender das flutuações do mercado financeiro internacional, teremos hordas de insuspeitos pensadores à espera do seguro-desemprego ou, o que é pior, fazendo biscates quaisquer. Melhor pensar duas vezes antes de, com a antiga displicência, pedir ao ascensorista: “Terceiro, por favor”. Ele pode ser um genuíno filósofo em temporário desvio de função e, da sua pergunta, leva-lo não ao andar desejado, mas aos mais altos níveis da abstração metafísica. Taxistas, por sua vez, serão sempre suspeitos. Todo taxista é um Heidegger inconfesso.

Mas, guardadas as proporções devidas, a posição estapafúrdia da Loucademia não deixa de ser a conclusão levada aos limites, no que toca à regulamentação (e, em consequência, a tudo o que isso implica) dos estudos de filosofia (e não só). Obviamente, cursos universitários não formam filósofos, mas professores de filosofia. Porém muitas, muitas vezes não é bem isso o que se nota quando um sujeito é entrevistado, ou citado num artigo, ou tem seu nome sob a foto de uma qualquer coluna social. Formou-se em filosofia na USP ou na UNITANTÃ – em princípio, tanto faz – e já se diz, e dizem do fulano: “Filósofo”. E os colegas acham bonito porque, claro, serve pra eles também. Trocam-se socráticos confetes.

Convenhamos: mesmo aqueles que seguiram os protocolares trâmites e fizeram graduação, mestrado, doutorado, pós-doutorado (França, Sorbonne – Paris 2,7/+05/68) e ostentam mais medalhas no peito que veterano de guerra não são, necessariamente, filósofos, no sentido estricto do termo. Idem para os formados em letras que não são escritores. E para aqueles formados em artes plásticas e assim por diante. Espero estar dizendo platitudes.

Pois bem: se cursos universitários não formam filósofos e nem sempre formam sequer bons comentadores de filosofia; se - Deus nos perdoe! -, muitas vezes não formam nem mesmo razoáveis professores de filosofia (está aí o Safatle que não me deixa mentir), por que diabos o título universitário há de ser tão importante assim?

Filósofo não é mais ou predominantemente o individuo que, herdeiro de uma tradição que remonta a Sócrates, Platão e Aristóteles, dedica-se a, sobretudo, educar sua própria alma e ser capaz de nela encontrar alguma ordem para só então estudar certos problemas – os problemas que lhe surgirem como tais, desde o centro mesmo do seu ser e do sentido que lhe cabe (Frankl) –, sob a perspectiva ou à luz da filosofia, mas sim aquele que, desde os cueiros, do bacharelado ao pós-doutorado, reza pela cartilha do grêmio acadêmico?

A própria idéia de produção acadêmica me causa sartreanas náuseas: como é possível que todo ano, centenas, milhares de alunos país (mundo) afora em cursos de filosofia produzamdissertações e teses de extrema relevância? Será possível mesmo fazer isso: produzir conhecimento? Vejamos: o professor Newton Carneiro da Costa meteu-se a investigar umas questões algo abstratas e, sozinho (ainda que um ou outro tenha chegado, de forma independente, a resultados semelhantes, salvo engano), descobriu ou desenvolveu os princípios todos da Lógica Paraconsistente. Ele foi e fez. É um exemplo. Miguel Reale e sua Teoria Tridimensional do Direito, outro. Mas e então? Os outros todos estão aí nas salas produzindo ciência, realizando insondáveis descobertas que muito em breve nós vamos acabar por conhecer? É possível chegar e “Vai lá pro quarto produzir ciência, moleque!”, e o sujeito voltar, três anos depois, todo feliz dizendo: “Produzi um conhecimento aqui, fessor!”.

Essa coisa de que conhecimento é algo a ser produzido, do modo como é colocada, é como chegar no sujeito que inventou a roda e exigir: “Agora, para doutorado, trate de imaginar um outro negócio aí, porque aquele seu colega já descobriu o fogo...”. E tudo isso que, em filosofia ou ciências, já soa absurdo (espero que não só pra mim, mas ao menos para mais uns dois ou três leitores) – que dizer em artes, então? “Olha aqui, Oh seu Picasso: ou você me produz uns quadros para o mês que vem, ou te corto aquela verba da CAPES. Então te vira!”. E assim nasce o cubismo.

Pensando bem: não é de surpreender que uns coitados tenham de inventar cura quântica, terapia à base de toques com os cotovelos de sábios chineses, ou mesmo, por que não?, a regulamentação da, aspas, profissão de filósofo.

Monty Python seria impossível no Brasil: não dá pra fazer nonsense do nonsense.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".