Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Oposição ameaça Lula com o impeachment

Do portal ZERO HORA
01 de setembro de 2008

Parlamentares querem processar presidente por crime de responsabilidade no episódio das escutas ilegais

Além de pedir a demissão de toda a diretoria da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a oposição ameaça denunciar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por crime de responsabilidade.

A medida abriria caminho para um processo de impeachment por conta da suposta escuta clandestina da agência nos telefones dos presidentes do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e do Congresso, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN).

– Ou o presidente toma uma atitude rápida e aponta os responsáveis pelo grampo, ou, se continuar calado e omisso como está, ficará como responsável perante a sociedade e terá de responder por isto com base na Lei do Impeachment – advertiu ontem o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ).

Líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP) falou em nome dos tucanos:

– O presidente Lula tem de dar uma satisfação imediata à sociedade, ou então permitirá a dedução de que ele é conivente com a realidade policialesca que teima em tentar se instalar no Brasil.


– O que a lei diz é que, ou o presidente é o responsável, ou alguma autoridade de seu governo o é – completa Maia.

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) informou que Alves deverá convocar a Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência, que tem como objetivo fiscalizar os serviços do setor. Demóstenes confirmou, em entrevista à TV Brasil, que a transcrição divulgada pela revista Veja é realmente de uma conversa entre ele e o presidente do Supremo, e considerou “grave” e “ilegal” o grampo que teria sido feito pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin):

– O que está acontecendo é desastroso para a democracia. A Abin, um grupo criado para detectar focos de guerrilha, fazer espionagem no bom sentido, passou de todos os limites e está espionando o Legislativo e o Executivo indevidamente. Isso é gravíssimo. O fato é ligado ao presidente Lula e está descontrolado, ele tem que retomar esse controle , porque é uma questão de harmonia dos poderes.

O DEM quer se articular com o PSDB, para que a oposição tome uma posição conjunta. Os tucanos marcaram para quarta-feira, em Brasília, uma reunião da executiva nacional, “para discutir o momento político e a crise entre poderes”.

Ao ser questionado por repórteres durante sua visita ontem à Expointer, em Esteio, o vice-presidente da República, José Alencar, disse que considera “abominável as escutas de qualquer natureza”.

– Temos que dar um jeito de acabar com essas escutas – afirmou Alencar.

Em tom bem mais agressivo, a nota do DEM diz que a democracia brasileira encontra-se “à beira do precipício” do momento em que “órgão sob o comando do presidente da República” faz escutas ilegais.

O texto dos democratas faz outras observações críticas. Uma delas diz que “a responsabilidade pelos atos criminosos que se sucedem no âmbito da Presidência da República é do presidente Lula da Silva, o chefe de um governo que se caracteriza pela mesquinhez de propósito, a irresponsabilidade política e a delinqüência institucional”.

No encerramento da nota, o DEM denuncia a “escalada criminosa do governo de índole autoritária conduzido pelo presidente Lula” e exige respeito à Constituição e ao estado de direito, e o fim do “estado policial”.

Altas finanças e princípios bolcheviques

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Jeffrey Nyquist em 02 de setembro de 2008

Resumo: O social-democrata de hoje (e o conservador compassivo) quer os benefícios do mercado sem a dor do processo de mercado, seguindo um caminho que leva a somente um lugar: o socialismo.

© 2008 MidiaSemMascara.org

Foi Joshua Rosner, escrevendo no Financial Times do dia 15/7, quem melhor definiu um princípio: “Numa economia capitalista, espera-se que os perdedores assumam as perdas e os ganhadores, os ganhos”. Mas não é assim que as coisas funcionam hoje em dia, não é mesmo? Mais de três décadas atrás, Richard Nixon disse uma frase já famosa: “Agora, somos todos keynesianos”. Em 2008, podemos ir ainda além. Se George Bush tivesse a visão e compreensão de um Nixon, ele seria forçado a admitir: “Nós todos nos tornamos socialistas, mas, da boca para fora, somos pró-livre mercado”.

Rosner diz que começamos a nacionalizar ativos ruins. A partir disso, é só um pequeno passo para nacionalizar ativos bons. Na verdade e logicamente, as duas coisas acarretam uma a outra. Tal como afirma Rosner, nós oficialmente perdemos a fé no mercado. Perdemos a fé na fonte da prosperidade. Nós não mais suportamos a destruição criativa do processo de mercado. Nós não mais queremos o sofrimento que naturalmente acompanha o crescimento real. Coisas boas e apenas coisas boas são exigidas. Perdas são inaceitáveis, ainda que essas sempre acompanhem conquistas genuínas. Todo mundo quer ser um vencedor. No sistema escolar atual encontramos o no child left behind [nenhuma criança deixada para trás], que exemplifica a catástrofe contínua e adiantada na educação americana.

A lógica do capitalismo recente (a forma declinante de capitalismo) exige a eliminação de todo o sofrimento (e, portanto, a eliminação do crescimento real). Este programa é a base da mais recente social-democracia, que se opõe ao mercado exatamente porque a dor e a tragédia são normais ao sistema de mercado. A social-democracia quer um mundo sem a falência de corporações ou de bancos. Não é de se admirar então que, passo a passo, eles cercaram o mercado com “proteções”. O social-democrata de hoje (e o conservador compassivo) quer os benefícios do mercado sem a dor do processo de mercado. O economista austríaco Ludwig von Mises certa vez escreveu: “Homens devem escolher entre a economia de mercado e o socialismo. Eles não podem se esquivar da decisão entre estas alternativas...”. Sem dor, não há ganho (no pain, no gain).

Então, a situação aí está. Uma decisão foi tomada (e quase todos concordam com ela), de que a dor precisa ser nacionalizada. Por conseguinte, ativos ruins precisam ser nacionalizados, uma vez que ativos ruins envolvem dor. Alguém em algum lugar imaginou que nacionalizar faz a dor desaparecer. Tomem, por exemplo, o sistema de saúde. Você o nacionaliza e ele se acaba. Você nacionaliza qualquer ramo da atividade econômica e ele murcha até desaparecer. Aplique este princípio de redistribuição a todos os sofrimentos humanos e, bem, você obtém o socialismo.

O processo é lógico e se baseia no desejo humano por um passe livre nesta vida. E, assim, nacionalizamos as perdas do Bear Stearns[1]. O FDIC [Federal Deposit Insurance Corp.] dá uma generosa contribuição ao IndyMac [2]. Os contribuintes devem pagar pelos megatropeços de Fannie e Freddie[3]. Onde isso vai parar? A distribuição de dívidas e encargos é o primeiro passo. Deixe que cada um se machuque só um pouco, com a responsabilidade transferida para todos (i.e., ninguém em particular). Diga adeus à dor, mas também diga adeus ao dólar americano.

A coletivização de perdas financeiras necessariamente acarreta a coletivização de lucros financeiros. Quanto à liberdade mesma, o sistema de governo criado e apresentado pelos Founding Fathers não pode sobreviver à aceitação geral de práticas financeiras bolcheviques. De acordo com Ludwig von Mises, “Cada passo que um governo dá além... para proteger a suave operação da economia de mercado contra a agressão... é um passo adiante na estrada que leva diretamente ao sistema totalitário, onde não há liberdade de espécie alguma”.

Ah, se os bolcheviques tivessem entendido o alcance dos seus princípios em 1917. Pense em quão diferentemente eles teriam lidado com o período soviético inicial. Sua tendência era de fazer o socialismo acontecer da forma mais desajeitada e violenta. Eles colocaram a carroça à frente dos bois, ficaram irritados quando a carroça não andou e mataram os bois. Nada disso era necessário. Tudo o que eles precisavam fazer era esperar que a burguesia se auto-amolecesse.

Os bolcheviques não precisavam tomar de assalto o Palácio de Inverno e nem matar de fome os Kulaks. Expurgos e julgamentos espetaculares estavam completamente fora de jeito. Tudo que alguém precisava para criar a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas era paciência. Os próprios capitalistas, enfraquecidos por sua promoção do hedonismo, inevitavelmente buscariam refúgio na nacionalização do investimento de risco. Assim, o socialismo seria instalado de um só golpe, em nome da salvação do capitalismo. Nunca houve necessidade de armar o proletariado ou de enforcar homens de negócios em postes de rua. Os homens de negócios enforcar-se-iam por conta própria e no devido tempo, ao exigir um governo ao estilo soviético. A ingenuidade característica do comunista não é nada mais do que um antegozo dos impulsos suicidas de sua vítima.

Só é preciso esperar que o FDIC detone sob a mal administrada República. Se alguém imaginava que os Bônus do Tesouro americano fossem um investimento sem risco, que pense novamente. Estou sugerindo que o governo americano dará o calote? Em minha opinião, não há outro resultado imaginável. Se você duvida desta conclusão, tente imaginar os governos federal, estaduais e municipais saldando dívidas de dez trilhões de dólares. Isto não acontecerá, na medida em que o método mais fácil de dar o calote à disposição do governo é o aviltamento da moeda nacional. Isto significa o fim do poder internacional americano – financeiro e militar. Significa um fim para a velha ordem internacional, que existiu desde 1945. Significa revolução global. Acene e dê um alô ao socialismo.

[1] NT: O Bear Stearns era uma importante administradora de fundos de investimentos, com pesada dependência em créditos imobiliários duvidosos, os subprime. Em maio, praticamente quebrou, mas foi resgatado (comprado a preço baixíssimo) pelo J. P. Morgan, sob as bênçãos e com o aval do FED.

[2] NT: O IndyMac é mais um importante banco de crédito imobiliário que quebrou e foi resgatado por um órgão de seguros federal, o FDIC. Estranhamente, o FDIC, um órgão regulador que já estava monitorando o IndyMac, permitiu empréstimos de risco no mesmo período em que deveria estar zelando para que tais procedimentos não mais ocorressem.

[3] NT: Fannie Mae e Freddie Mac são as duas maiores (e gigantescas) agências hipotecárias americanas. Mal comparando, uma dupla de BNHs. Fannie Mae foi fundada em 1938, durante o New Deal, como agência governamental. Tornou-se empresa privada com ações em Bolsa, com autorização do Congresso para financiar e fomentar o financiamento de moradias a baixo custo.

© 2008 Jeffrey R. Nyquist

Publicado por Financialsense.com

Tradução: MSM

Jeffrey Nyquist é formado em sociologia política na Universidade da Califórnia e é expert em geopolítica. Escreve artigos semanais para o Financial Sense (http://www.financialsense.com/), é autor de The Origins of The Fourth World War e mantém um website: http://www.jrnyquist.com/.

Votem CONTRA o Lula


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http://noticias.bol.uol.com.br/brasil/2008/08/31/ult4728u15909.jhtm

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

A tragédia do estudante sério no Brasil

Do portal MOVIMENTO ENDIREITAR
30 de Agosto de 2008 | Olavo de Carvalho

Toda semana, recebo dezenas de cartas de estudantes que, em busca de alguma formação intelectual, encontraram nas universidades que freqüentam apenas propaganda comunista rasteira, porca, subginasiana.

Não são, como em geral imaginam, vítimas de puras circunstâncias políticas imediatas. Gemem sob uma montanha de fatores adversos à inteligência humana, que foram se acumulando no mundo, e não só no Brasil, ao longo das últimas décadas. Se a primeira metade do século XX trouxe um florescimento intelectual incomum, a segunda foi uma devastação geral como raramente se viu na História. A queda foi tão profunda que já não se pode medi-la. Num panorama inteiramente dominado por charlatães caricatos como Noam Chomsky, Richard Dawkins, Edward Said, Jacques Derrida, Julia Kristeva, a época em que floresceram quase que simultaneamente Edmund Husserl, Karl Jaspers, Louis Lavelle, Alfred North Whitehead, Benedetto Croce, Jan Huizinga, Arnold Toynbee – e na literatura T. S. Eliot, W. B. Yeats, Ezra Pound, Thomas Mann, Franz Kafka, Jacob Wassermann, Robert Musil, Hermann Broch, Heimito von Doderer – já se tornou invisível, inalcançável à imaginação dos nossos contemporâneos. Toda comparação é entre alguma coisa e alguma outra coisa. Não se pode comparar tudo com nada.

Isso não quer dizer que as fontes do conhecimento tenham secado. Pensadores de grande envergadura – um Eric Voegelin, um Bernard Lonergan, um Xavier Zubiri – sobreviveram à debacle dos anos 60 e continuaram atuantes, o primeiro até 1985, o segundo até 1984, o terceiro até 1983. Mas seus ensinamentos são ainda a posse exclusiva de círculos seletos. Não entram na corrente geral das idéias, nem poderiam entrar sem sujar-se, sem transformar-se em matéria de discussões idiotas como vem acontecendo, graças à ascensão política de alguns de seus discípulos, com o infeliz Leo Strauss.

Pois a desgraça se deu justamente na “corrente geral”. O fim da II Guerra Mundial trouxe uma prodigiosa reorganização das bases sociais e econômicas da vida intelectual no mundo. Novas instituições, novas redes de comunicação, novos mecanismos de estocagem e distribuição das informações acadêmicas, novos públicos e, sobretudo, a ampliação inaudita do apoio estatal e privado à cultura e a formação dos grandes organismos internacionais como a ONU e a Unesco. Tudo isso veio junto com o descrédito do marxismo soviético e a profunda mutação interna da militância esquerdista internacional, a essa altura já plenamente imbuída das duas lições aprendidas da Escola de Frankfurt e de Georg Lukacs (mas também, mais discretamente, de Martin Heidegger): (1) a luta essencial não era propriamente contra o capitalismo, mas contra “a civilização ocidental”; (2) o agente principal do processo era a classe dos intelectuais.

Nessas condições, o crescimento fabuloso dos meios de atuação veio junto com o esforço multilateral de apropriação desses meios por parte de grupos militantes bem pouco interessados em “compreender o mundo” mas totalmente devotados a “transformá-lo”. A redução drástica da atividade intelectual ao ativismo político foi a conseqüência desejada e planejada dessa operação, realizada em escala mundial a partir dos anos 60.

Não que o fenômeno fosse totalmente desconhecido antes disso. Um vasto ensaio geral já vinha sendo realizado nos EUA desde a década de 30 pelo menos, através das grandes fundações “não lucrativas” que descobriram seu poder de orientar e manipular a seu belprazer a atividade intelectual, científica e educacional mediante a simples seleção ideologicamente orientada dos destinatários de suas verbas bilionárias.

Em 1954, uma comissão de investigações do Congresso americano já havia descoberto que fundações como Rockefeller, Carnegie e Ford exerciam controle indevido sobre as universidades, as instituições de pesquisa e a cultura em geral, orientando-as num sentido francamente anti-americano, anticristão e até anticapitalista. (Não me perguntem pela milésima vez com que interesse os grandes capitalistas podem agir contra o capitalismo. A explicação está resumida em http://www.olavodecarvalho.org/semana/040617jt.htm e http://www.olavodecarvalho.org/textos/debate_usp_4.htm .) Inevitavelmente, a influência exercida por essas organizações não consistiu só em introduzir uma determinada cor política na produção cultural, mas em alterá-la e corrompê-la até às raízes, subordinando aos objetivos políticos e publicitários visados todas as exigências de honestidade, veracidade e rigor. Sem essa interferência, fraudes cabeludas como o Relatório Kinsey ou a pseudo-antropologia de Margaret Mead jamais teriam conseguido impor-se ao meio acadêmico e à mídia cultural como produtos respeitáveis de uma atividade científica normal.

A comissão foi alvo de ataques virulentos de toda a grande mídia, e seu trabalho acabou por ser esquecido, mas ele ainda é uma das melhores fontes de consulta sobre a instrumentalização política da cultura (v. René Wormser, Foundations, Their Power and Influence, New York, Devin-Adair, 1958 – vocês podem comprá-lo pelo site www.bookfinder.com ). Na verdade, sem ele não se pode compreender nada do que se passou em seguida, pois o que se passou foi que o experimento tentado em escala americana foi ampliado para o mundo todo: a apropriação dos meios de ação cultural pelas organizações militantes e o sacrifício integral da inteligência humana no altar da “vontade de poder” simplesmente se globalizaram.

Recursos incalculavelmente vastos, que poderiam ter sido utilizados para o progresso do conhecimento e a melhoria da condição de vida da espécie humana foram assim desperdiçados para sustentar a guerra geral da estupidez militante contra a “civilização ocidental” que havia gerado esses mesmos recursos.

Embora esse processo seja de alcance mundial, é claro que o seu peso se fez sentir mais densamente em países novos do Terceiro Mundo, onde as criações das épocas anteriores não tinham sido assimiladas com muita profundidade e as raízes da civilização podiam ser mais facilmente cortadas. No Brasil, da década de 60 em diante, os progressos da barbárie foram talvez mais rápidos do que em qualquer outro lugar, destruindo com espantosa facilidade as sementes de cultura que, embora frágeis, vinham dando alguns frutos promissores. A comparação impossível entre as duas épocas, que mencionei acima, é ainda mais impossível no caso brasileiro. Na década de 50, tínhamos, vivos e atuantes, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Àlvaro Lins, Augusto Meyer, Otto Maria Carpeaux, Mário Ferreira dos Santos, Vicente Ferreira da Silva, Herberto Sales, Cornélio Penna, Gustavo Corção, Nelson Rodrigues, Lúcio Cardoso, Heitor Villa-Lobos, Augusto Frederico Schmidt, a lista não acaba mais. Hoje, quem representa na mídia a imagem da “cultura brasileira”? Paulo Coelho, Luís Fernando Veríssimo, Gilberto Gil, Arnaldo Jabor, Emir Sader, Frei Betto e Leonardo Boff. Perto desses, Chomsky é Aristóteles. É o grau mais alto pelo qual se medem. Chamar isso de crise, ou mesmo de decadência, é de um otimismo delirante. A cultura brasileira tornou-se a caricatura de uma palhaçada. É uma coisa oca, besta, disforme, doente, incalculavemente irrisória.

A inteligência, ao contrário do dinheiro ou da saúde, tem esta peculiaridade: quanto mais você a perde, menos dá pela falta dela. O homem inteligente, afeito a estudos pesados, logo acha que emburreceu quando, cansado, nervoso ou mal dormido, sente dificuldade em compreender algo. Aquele que nunca entendeu grande coisa se acha perfeitamente normal quando entende menos ainda, pois esqueceu o pouco que entendia e já não tem como comparar. Uma das coisas que me deliciam, que me levam ao êxtase quando contemplo o Brasil de hoje, é o ar de seriedade com que as pessoas discutem e pretendem sanar os males econômicos, políticos e administrativos do Brasil, sem ligar a mínima para a destruição da cultura, como se a inteligencia prática subsistisse incólume ao emburrecimento geral, como se inteligência fosse um adorno a ser acrescentado ao sucesso depois de resolvidos todos os problemas ou como se a inépcia absoluta não fosse de maneira alguma um obstáculo à conquista da felicidade geral. A prova mais evidente da insensibilidade torpe é o sujeito já nem sentir saudade da consciência que teve um dia.

Mas não, a inteligência nacional não acabou no dia em que os nossos estudantes tiraram o último lugar numa avaliação entre alunos do curso secundário de 32 países: acabou logo em seguida, quando o ministro da Educação disse que o resultado poderia ter sido pior.

Num sentido mais profundo do que o ministro imaginava, poderia mesmo. Na eleição seguinte, o país colocou na presidência um carreirista enriquecido, de terno Armani e unhas polidas, que, por orgulhar-se de jamais ler livros, foi proclamado um símbolo da autenticidade popular. A imagem era falsa, grotesca e insultuosa, mas ninguém percebeu. Se existe um grau abaixo do grotesco, porém, ele foi atingido logo em seguida, quando o escritor Raymundo Faoro, quanto mais bobo mais celebrado nas esquerdas como inteligência luminosa, sugeriu o nome do então presidenciável para ocupar uma vaga na Academia Brasileira de Letras. Perto disso, tirar o último lugar num teste chegava a ser meritório.

Se o desespero dos estudantes que me escrevem viesse só da situação política, haveria esperança de saná-lo por meio da ação política. Mas a ação política é um subproduto da cultura e, no estado em que as coisas estão, nenhuma ação política inteligente, ao menos em escala federal, é previsível nas próximas duas ou três gerações. Nas próximas eleições, por exemplo, o país terá de optar novamente entre PT e PSDB, isto é, os dois filhotes monstruosos gerados no ventre da USP, a mãe da esterilidade nacional, ou como bem a sintetizou o poeta Bruno Tolentino, a “p... que não pariu”. Sim, a política brasileira virou uma imensa assembléia de estudantes da USP, com o Partido Comunista de um lado, a Ação Popular de outro, num torneio de arrogância, presunção, hipocrisia, sadismo mental, mendacidade ilimitada e estupidez sem fim. A USP levou meio século para chegar ao poder, e ainda não parou de gerar pseudo-intelectuais ambiciosos, ávidos de mandar, sedentos de ministérios. Sua obra de destruição está longe de haver-se completado.

Da política nada de bom se pode esperar num prazo humanamente suportável. Uma ação cultural de grande escala – a fundação de uma autêntica instituição de ensino superior, para contrabalançar a desgraça uspiana – também não é nada provável, dada a omissão das chamadas “elites”, sempre de rabo entre as pernas, oscilando entre lamber mais um pouco os pés da canalha petista ou apegar-se ao primeiro zesserra que apareça.

Ao estudante que consiga ainda vislumbrar o que é vida intelectual e faça dela o objetivo de sua existência, restam dois caminhos: o exílio, que pode levar ao lugar errado (a miséria brasileira nasce em Paris), e o isolamento, que pode levar os mais fracos a um desespero ainda mais profundo do que aquele em que se encontram.

A única solução viável, que enxergo, é a formação de pequenos grupos solidários, firmemente decididos a obter uma formação intelectual sólida, de início sem nenhum reconhecimento oficial ou acadêmico, mas forçando mais tarde a obtenção desse reconhecimento mediante prova de superioridade acachapante. Já não leciono no Brasil, mas a experiência mostrou que muito aluno meu, com alguns anos de aulas e bastante estudo em casa, já está pronto para dar de dez a zero, não digo em alunos, mas em professores da USP do calibrinho de Demétrio Magnoli e Emir Sader, o que, bem feitas as contas, é até luta desigual, é até covardia.

O processo é trabalhoso, mas simples: cumprir as tarefas tradicionais do estudo acadêmico, dominar o trivium , aprender a escrever lendo e imitando os clássicos de três idiomas pelo menos, estudar muito Aristóteles, muito Platão, muito Tomás de Aquino, muito Leibniz, Schelling e Husserl, absorver o quanto possível o legado da universidade alemã e austríaca da primeira metade do século XX, conhecer muito bem a história comparada de duas ou três civilizações, absorver os clássicos da teologia e da mística de pelo menos três religiões, e então, só então, ler Marx, Nietzsche, Foucault. Se depois desse regime você ainda se impressionar com esses três, é porque é burro mesmo e eu nada posso fazer por você.

Mas o ambiente universitário brasileiro de hoje é tão baixo, tão torpe, que só de a gente apresentar essa lista – o mínimo requerido para uma formação séria de filósofo ou erudito –, o pessoal já arregala os olhos de susto. Na verdade, o estudante brasileiro não lê nada, só resumo e orelha, além de Emir Sader e da dupla Betto & Boff, que não valem o resumo de uma orelha. É tudo farsa, chanchada, pose. Não há quem não saiba disso e não há quem não acabe se acomodando a essa situação como se fosse natural e inevitável. A abjeção intelectual deste país é sem fim.

Diário do Comércio, 12 de fevereiro de 2006
Fonte: www.olavodecarvalho.org

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Se você ainda quer ser um estudante sério...

“A tragédia do estudante sério no Brasil” resultou em tantas cartas, que acho melhor completar, com algumas dicas baseadas na experiência pessoal, as indicações de estudo que dei no final do artigo.

Começo com um exemplo casual.

Outro dia recebi de amigos a cópia de uma mensagem interessantíssima, postada em algum site da internet por uma senhorita, aparentemente culta e universitária, que, indecisa entre me admirar e me detestar, exigia uma explicação para o fato de eu acertar tantas previsões ao longo de quase duas décadas, apostando quase sempre no contrário do que anunciava a opinião geral dos bem-pensantes. No entender da remetente, bem como de outros participantes do debate, a hipótese mais plausível era a de eu ser um agente da CIA, conectado portanto a uma rede de informantes secretos espalhados por toda parte...

Guardei a mensagem com o carinho historiográfico que merece um eloqüente sinal dos tempos.

Que época mais adorável, esta, em que o sujeito não é cobrado por seus erros, mas por seus acertos! Se o normal é errar sempre, para que serviriam então os milhares de cientistas sociais, historiadores, jornalistas, economistas e doutores em filosofia que as universidades, sustentadas pelo trabalho suado de milhões de contribuintes que jamais as freqüentaram, despejam anualmente no mercado da tagarelice nacional? Resposta: não servem para entender o mundo, mas para transformá-lo. Não podendo, porém, conhecê-lo, já que não acreditam em verdade objetiva, levam-no sempre num rumo diferente do que pretendiam, sentindo-se -- por isso mesmo, raios! -- inocentes dos resultados monstruosos que produzem e sempre merecedores de um redobrado crédito de confiança para começar tudo de novo e de novo e de novo. A revolução, afinal, não seria revolucionária se não revolucionasse a si mesma e à sua própria história, mudando de identidade após cada novo crime e cada novo fracasso e não tendo satisfações a prestar senão a um futuro que, quando chega, já não é mais futuro e não tem portanto qualquer autoridade para cobrá-la do que quer que seja. Tal é, brutalmente resumida mas nem um pouco deformada, a essência da mentalidade que se pode adquirir em qualquer universidade deste país e em muitas do exterior. Equivale a um atestado de impecabilidade congênita, que confere o direito à estupidez laureada, ao amor-próprio ilimitado e ao crime inocente. Não espanta que tantos a desejem, mesmo sabendo que a remuneração dos ofícios universitários já não é lá essas coisas. Aliás, ganhar abaixo do que desejam reforça ainda o seu sentimento de méritos incalculáveis e sua revolta contra a malvada sociedade capitalista que não recompensa adequadamente as pessoas empenhadas em destruí-la.

Leia também: A mentalidade revolucionária

É natural que, num ambiente assim formado, o sujeito acertar previsões políticas em série deva ser mesmo uma coisa muito esquisita, muito suspeita, denotando poderes demoníacos ou no mínimo algum truque sujo. Entendo mesmo que, no desespero, alguns apelem até à suposição “CIA”, sem ter em conta que essa entidade, há pelo menos quarenta anos, tem se especializado mais é em produzir informações erradas.

A hipótese de que exista uma realidade objetiva da vida política, de que ela possa ser conhecida, de que o indivíduo em questão tenha estudado muito com o objetivo de conhecê-la e de que depois de quatro décadas de esforço ele tenha conseguido montar um conjunto de critérios científicos razoáveis para fazer previsões acertadas dentro de um quadro definido de possibilidades, ah!, isso não ocorre a ninguém. É absurdo demais. É escandaloso. É repugnante. É impossível.

E eu lhes direi no entanto: foi precisamente isso o que aconteceu, patetas. Enquanto vocês enchiam sua cabeça de cocô universitário, tentando menos buscar conhecimento do que imitar trejeitos verbais para parecer bons meninos no ambiente ideológico em torno (v. meu artigo “O imbecil juvenil”, http://www.olavodecarvalho.org/textos/juvenil.htm ), preferi ficar em casa estudando, por achar que assim faria melhor uso das horas que o pessoal uspiano gastava em condução, papo furado, assembléias, greves, festinhas de embalo e surubas gerais no CRUSP, totalizando essas várias ocupações aproximadamente noventa e oito por cento da vida acadêmica útil. Preservando minha inteligência dessa centrifugação mortífera e da influência corruptora de orientadores ignorantes, estudei para saber, para aplacar minhas dúvidas, sem nenhuma esperança fútil de glórias escolares provincianas. Não nego que ganhei algo além do puro conhecimento. Ganhei o prazer de poder chamar os fulanos de burros sem nenhuma intenção insultuosa e com estrito realismo científico. Enquanto eles se intoxicavam de Eduardo Galeano, Noam Chomsky, Foucault, Derrida, e na melhor das hipóteses Nietzsche e Heidegger, brilhantes professores de confusão mental, coloquei para mim mesmo as questões fundamentais da filosofia política – que é ao mesmo tempo filosofia da História – e busquei respondê-las com toda a seriedade, cercando-me ainda de toda a ajuda disponível em livros de várias épocas, revistas científicas e contatos pessoais com estudiosos de vários países.

Os resultados foram sendo apresentados, aqui e ali, sob a forma de aulas e apostilas, sem a menor preocupação de publicá-los em livros. Livros para que? No Brasil de hoje, quanto mais sério o livro, maior a certeza de que será totalmente ignorado exceto pelo círculo de estudiosos que já o conheciam pela audição direta do autor. Numa época em que a literatura é personificada pelo sr. Luís Fernando Veríssimo, a filosofia por dona Marilena e a ciência política pelo dr. Emir Sader, qualquer esforço científico mais sério fica um pouco constrangido de se mostrar em público. Voltamos à era da difusão oral. Todo conhecimento efetivo tornou-se esotérico. O essencial do que aprendi e ensinei sobre a filosofia política está nas gravações dos meus cursos dados na PUC do Paraná, bem como nas apostilas “Ser e Poder”, “Que é a Psique?” e “O Método nas Ciências Humanas”. Quem teve acesso a esse material – que publicarei quando os afazeres jornalísticos me derem um descanso para poder editá-lo --, sabe que existem meios para descrever objetivamente uma situação político-social qualquer e prever com grande margem de acerto suas possibilidades de desenvolvimento. É isso, e nada mais, o mistério por trás das minhas previsões. Quanto aos erros alheios, não me cabe explicá-los.

Das questões a que me referi acima, algumas das mais importantes para a análise das situações políticas eram as seguintes:

1. Qual é a natureza do poder, não só na política mas em todas as relações humanas, e qual a diferença específica entre o poder político e as demais formas de poder?

2. Que é propriamente a “ação” em escala histórica? Em que condições a expressão “história disto” ou “história daquilo” se refere a uma entidade real, capaz de ação contínua ao longo do tempo, e quando se refere apenas, metonimicamente, a um sujeito ideal, sem unidade de ação própria, como por exemplo quando se fala em “História do Brasil”, ou “história da burguesia”? Em suma: quem é o sujeito da História?

3. Qual a relação entre as “intenções” subjetivas dos agentes históricos e os efeitos reais de suas ações? Qual a equação que se forma entre o conhecimento objetivo dos dados da situação, as decisões tomadas, a execução, os resultados específicos e sua diluição num quadro maior onde outros fatores entram em jogo? Existe uma ação histórica eficiente, na qual os efeitos reproduzam mais ou menos fielmente as intenções? Ou, ao contrário, a História humana estará sempre condenada a ser, como dizia Weber, “o conjunto das conseqüências impremeditadas das nossas ações”?

4. Dando por pressuposto que ninguém pode se colocar fora do quadro comum da vida humana para observá-lo “de cima”, e que portanto toda observação é uma forma de participação, não é possível isolar totalmente observação e confissão. Qual a relação entre autoconhecimento e conhecimento histórico? Em que medida o conhecimento da história pode e deve ser um meio de integração da consciência pessoal do estudioso, e em que medida esta se reflete na veracidade da descrição histórica obtida? Em que medida toda história é autobiografia e, portanto, toda descrição de uma situação política, social e cultural determinada é uma confissão pessoal?

5. Em que medida, portanto, o estudo das ciências humanas é uma prática “ascética” de autoconhecimento, e em que medida as disciplinas ascéticas e místicas desenvolvidas pelas religiões tradicionais, bem como as técnicas modernas de psicoterapia e auto-ajuda, podem desempenhar nesse estudo uma função essencial?

6. Como é a psicologia do conhecimento na História e nas ciências humanas em geral? Da percepção dos dados sensíveis (documentos, monumentos, ações observadas) até as sínteses interpretativas gerais, qual o trajeto psicológico percorrido e como dirigi-lo para diminuir a possibilidade de erros?

Os filósofos que mais estudei para encontrar as respostas (e ficam aí como sugestões para os interessados) foram Platão, Aristóteles, Sto. Agostinho, Sto, Tomás, S. Boaventura, Duns Scot, Leibniz, Schelling, Husserl, Scheler, Lavelle, Croce, Ortega, Zubiri, Marías, Voegelin, Lonergan, o nosso Mário Ferreira dos Santos e o Albert Camus de L'Homme Révolté . Os grandes historiadores da filosofia, como Gomperz, Ueberweg e Zeller, devem ser lidos com devoção. Outros autores da área de ciências humanas que muito me ajudaram foram Ibn Khaldun, Vico, Ranke, Taine, Huizinga, Weber, Böhm-Bawerk, von Mises, Sorokin, Victor Frankl, Paul Diel, Eugen Rosenstock-Huessy, Franz Rosenzweig, Lipot Szondi, Maurice Pradines, Alois Dempf, Max Dvorak, Rudolf Arnheim, Erwin Panofsky, A. D. Sertillanges, Mortimer J. Adler, Oliveira Martins, Gilberto Freyre e Otto Maria Carpeaux. Apesar de inumeráveis erros de informação, a Life of Napoleon de Walter Scott também foi de muito proveito pela acuidade da sua psicologia histórica. O maior historiador vivo hoje em dia é Modris Eksteins (sabe o que significa “tem de ler”?). Dos poetas e ficcionistas, aqueles que produziram verdadeiras descrições científicas da condição humana, muito úteis nos meus estudos, foram Sófocles, Dante, Shakespeare, Camões, Cervantes, Goethe, Dostoiévski, Alessandro Manzoni, Pío Baroja, T. S. Eliot, W. B. Yeats, Antonio Machado, Thomas Mann, Jacob Wassermann, Robert Musil, Hermann Broch, Heimito von Doderer, Julien Green, Georges Bernanos e François Mauriac. A Bíblia tem de ser relida o tempo todo (não leia o Evangelho em busca de “religião”: leia como narrativa de alguma coisa que realmente aconteceu; atenção especial para Mateus 11:1-6, onde o próprio Jesus ensina o critério para você tirar as dúvidas a respeito d'Ele; penso nisso o tempo todo). O Corão, os Vedas, o Tao-Te-King e o I-Ching, assim como os escritos de Confúcio, Shânkara e Ibn'Arabi, merecem consultas periódicas. Dos conselhos pessoais que recebi de mestres generosos, a quem incomodei por meio de cartas, telefonemas e visitas, falarei outro dia.

O importante é você não estudar por estudar, para “adquirir cultura” ou seguir carreira universitária, mas para encontrar respostas a questões determinadas, que tenham importância existencial para você, para sua formação de ser humano e não só de estudioso. É claro que as questões vão se definindo aos poucos, no curso das leituras mesmas, mas à medida que isso acontece elas vão definindo melhor o rumo dos estudos. E é essencial que, na ânsia de ler, você não deixe sua acumulação de conhecimento ultrapassar o seu nível de autoconsciência, de maturidade, de responsabilidade pessoal em todos os domínios da vida. Se você não é capaz de tirar de um livro conseqüências válidas para sua orientação moral no mundo, você não está pronto para ler esse livro. Não esqueça nunca o conselho de Goethe: “O talento se aprimora na solidão, o caráter na agitação do mundo.”

Diário do Comércio, 27 de fevereiro de 2006
Fonte: www.olavodecarvalho.org

Última atualização ( Sáb, 30 de Agosto de 2008 14:56 )

La política exterior de McCain en América Latina enfrentará a Hugo Chávez

Do portal NOTICIAS24
Por Mauricio Rabuffetti ST PAUL, EEUU (AFP), 31/08/2008

© 2008 AFP

El candidato republicano a la presidencia de Estados Unidos, John McCain, considera que en América Latina hay países “amigos” y “enemigos”, estima que el mandatario venezolano Hugo Chávez es “una amenaza” para la región y mantendrá la política hacia Cuba, señaló uno de sus asesores a la AFP.

LEYENDA FOTO: El candidato republicano a la presidencia estadounidense, John McCain, en una conferencia de prensa en un instituto de Phoenix, Arizona (Estados Unidos), el 25 de agosto de 2008. McCain considera que en América Latina hay países “amigos” y “enemigos”, estima que el mandatario venezolano Hugo Chávez es “una amenaza” para la región y mantendrá la política hacia Cuba, señaló uno de sus asesores a la AFP.

En un eventual gobierno suyo, McCain buscaría estrechar lazos con los países “amigos” de Estados Unidos en América Latina como México o Colombia y determinaría la forma de “tratar” a las demás naciones en función de “la conducta de cada gobierno”, explicó el congresista Lincoln Díaz-Balart.

“Evidentemente la conducta de cada gobierno es lo que va a significar la forma en que Estados Unidos va a tratar a esos gobiernos”, dijo el legislador cubanoamericano, designado por la campaña de McCain para dialogar con la AFP como uno de sus asesores en política latinoamericana.

“Como hay un conocimiento por parte del senador Mccain sobre las realidades del hemisferio (por el continente americano), sin duda eso va a conllevar a una relación más estrecha con nuestros amigos como México, como Colombia, como Chile, Perú, los otros gobiernos muy amigos que tiene Estados Unidos” en América Latina, estimó Díaz-Balart.

McCain “está consciente que tenemos enemigos en este hemisferio, y esa es otra diferencia con (el candidato demócrata a la Presidencia, Barack) Obama”, aseguró el congresista republicano por Florida (sureste), quien busca la reelección en los comicios de noviembre.

“Hay una diferencia entre Rusia y Georgia, hay una diferencia entre Chávez y (el presidente colombiano Alvaro) Uribe. McCain conoce esas diferencias, Obama evidentemente no”,
señaló el legislador, reiterando las críticas de su partido a la reacción del postulante demócrata a la reciente crisis en el Cáucaso.

McCain está consciente de que Chávez es una amenaza para todo el hemisferio, que Chávez está financiando elementos desestabilizadores a través de todo el hemisferio. (…) Hay que contrarrestar los esfuerzos de Chávez por desestabilizar las democracias en el hemisferio a través de la utilización del poder económico que tiene por el petróleo”, enfatizó.

Gran parte del problema que tenemos con Bolivia y con Ecuador es esa utilización por parte del señor Chávez de los recursos de Venezuela para ir incrementando su influencia y su agenda antiamericana” en América Latina, dijo. “Es muy preocupante lo que estamos viendo en esos países”, concluyó el legislador.

Díaz-Balart, quien es uno de los más duros críticos del gobierno cubano de Fidel Castro y del encabezado ahora por Raúl Castro, sostuvo que en un eventual mandato de McCain “habría aún más interés por parte del presidente de Estados Unidos sobre el tema cubano, sobre la necesidad de ayudar a la oposición interna y a la sociedad civil”.

Ese interés se traduciría, explicó, en un mantenimiento de la actual política norteamericana hacia Cuba, que incluye un embargo económico y comercial que lleva más de 45 años y que es cuestionada por Obama por no haber logrado un cambio de régimen en la isla comunista.

“Se mantendría el enfoque sobre la necesidad de que (se siga con la actual política) hasta que no haya una transición democrática en Cuba, encaminada, a través de tres pasos” que son la “liberación de presos políticos”, la “legalización de todos los partidos, la prensa y los sindicatos obreros” y “la convocatoria de un proceso electoral”, añadió Díaz-Balart.

En cambio, un eventual gobierno republicano promovería acuerdos de libre comercio como el alcanzado por la administración de George W. Bush con Colombia “porque Mccain considera que es irrespetuoso la forma en que el señor Obama y el Congreso demócrata han tratado a Colombia”, negándole la aprobación de un TLC concluido hace casi dos años.

“Es irrespetuoso tratar a México diciéndole que ahora hay que renegociar el acuerdo de libre comercio con nuestro vecino más cercano”, el NAFTA o TLCAN, añadió.

Según Díaz-Balart, McCain también buscaría “diseñar programas conjuntamente” con los “amigos” de Estados Unidos en el continente americano, “adicionales a los (programas) que han existido. (…) Eso conllevará a una mejor relación con el hemisferio”.

Tradução aqui

O novo perfil das Forças Armadas

Do portal JB ONLINE
Vasconcelo Quadros, 31 de julho de 2008

Ministro entrega a Lula no Dia da Independência projeto que reformula totalmente o setor

BRASÍLIA

Guardado como o novo segredo civil-militar até o próximo dia 7 de setembro, quando deverá ser anunciado pelo presidente Lula, o novo Plano Estratégico de Defesa Nacional causará impacto no orçamento do governo para os próximos anos. Com previsão atual de gasto estimada em 1,5% do PIB ou cerca de R$ 50,2 bilhões, a proposta entregue a Lula prevê aumento de, no mínimo, o dobro desse patamar, colocando o Brasil numa faixa intermediária de investimentos entre os países pobres e ricos, que chegam a empregar nos gastos com defesa cifras superiores a 5% do PIB.

– Será um aumento substancial – diz o ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangaberia Unger, um dos pais do novo plano.

Ele classifica a proposta orçamentária como "patamar mediano" e alerta que a reformulação radical delineada no texto de mais de 100 páginas entregues ao presidente exigirá sacrifícios de tempo e recursos públicos.

– Não há estratégia de defesa sem dinheiro – avisa Mangabeira Unger, em entrevista exclusiva ao Jornal do Brasil. Garante, no entanto, que o foco do plano é a qualificação das Forças Armadas.

Debate inédito

Concluído depois de um ano de um inédito debate envolvendo estrategistas civis e militares coordenados por Mangabeira Unger e pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, o plano prevê uma profunda reestruturação militar (Exército, Marinha e Aeronáutica), mas mantém o serviço militar obrigatório e põe um fim na velha discussão sobre o uso das Forças Armadas no combate ao crime em centros urbanos.

– Força armada não é polícia. É necessário manter clara essa distinção – diz o ministro.

Segundo ele, o legado pacifista e ausência de guerras com outros países deixaram aos militares o desafio de evitar que as forças se voltem para questões corporativistas ou "degenerem em preocupações" com segurança interna. (C.T. - ou seja, o fim definitivo das FFAA.)

– Força armada existe para defender o Brasil – afirma.

Serviço militar

Um dos pontos mais polêmicos do plano é o dilema de como tratar o serviço militar. O texto prevê alternativas ao presidente. Unger não entra em detalhes, mas deixa escapar que a proposta possível será híbrida, deixando intocável o atual sistema de convocação, mas profissionalizando e matendo nos quartéis por mais tempo recrutas treinados para se transformar em "soldados técnicos", especialmente na Marinha e na Aeronáutica.

– Numa sociedade tão desigual como a nossa, o serviço militar é um nivelador republicano, um espaço no qual a nação pode se encontrar acima das classes – explica o ministro.

A idéia, segundo ele, seria diminuir a proporção de recrutas sem sacrificar a necessidade de profissionalização da tropa.

Unger diz que como o número de jovens em condições de convocação é infinitamente maior que a necessidade das Forças Armadas, o serviço militar acaba sendo voluntário na prática.

– Servem aqueles que querem servir – diz, ao prever que, com a elevação do valor do soldo, a pressão das camadas pobres pelas forças armadas tende a aumentar.

Favorável a uma proposta "maximalista e ambiciosa", o ministro de Assuntos Estratégicos pode ser voto vencido, não deixa dúvidas sobre o que os militares deveriam fazer:

– As Forças Armadas passariam a escolher dentro da população jovem o que elas querem dentro de uma combinação do vigor físico com capacidade intelectual e por um critério que represente todas as classes e regiões do país por homens e mulheres de diferentes regiões – diz.

O ministro esclarece, no entanto, que no texto entregue ao presidente há também propostas de soluções intermediárias e, embora não concorde, acha que a de concepção "minimalista" pode ser mais viável politicamente.

– No centro da questão está o nível de ambição e a disposição para o sacrifício. Eu não ocultaria, dentro de um radicalismo republicano, que opto pela proposta maximalista, mas reconheço que ela só faz sentido no contexto de uma decisão nacional – acrescenta.

Serviço social

Pela proposta do ministro, o excesso de contingente que ficaria fora do padrão "vigor físico combinado com capacidade intelectual", formado por homens e mulheres, receberia um treinamento militar básico, mas seria usado num serviço obrigatório social em programas parecidos com o Projeto Rondon ou no Tiro de Guerra, que ainda não foram desativados completamente. Seria também uma força de reserva.

Em linhas gerais o plano mexe na configuração, na orientação e no posicionamento operacional das Forças Armadas, que passariam por um processo de transformação e qualificação para dar resposta ao inimigo externo em caso de necessidade. A proposta prevê a reestruturação da indústria bélica nacional pública e privada, com tecnologia própria para a construção de equipamentos modernos, tecnologicamente avançados e que garantam ao país controle total do monitoramento territorial por terra, espaço e ar.

– Não se trata apenas de equipar as Forças Armadas. Trata-se de transforma-las – afirma.

OU A DEMOCRACIA REAGE OU AINDA ACABA NA CADEIA

Do blog do REINALDO AZEVEDO
Segunda-feira, Setembro 01, 2008

Gilmar Mendes, presidente do Supremo, e outras autoridades da República foram vítimas de grampo ilegal, como todos sabemos. Reportagem da VEJA desta semana conta a história em detalhes. A reação do Supremo Tribunal Federal, do Congresso e de entidades da sociedade civil ligadas à preservação dos direitos que caracterizam uma sociedade livre é que vai determinar o futuro da democracia brasileira. Sim, a questão tem esse alcance. Quando falo do futuro da democracia, não infiro que caminhamos para uma tirania explícita, de modelo chinês. O que está em curso é a corrosão dos valores democráticos patrocinada pelo próprio poder — e esse é o aspecto inegável, porém nem tão visível da questão.

Ainda que, indiretamente, o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha sido vítima da arapongagem — Gilberto Carvalho, um dos seus homens fortes, caiu na malha —, é inegável que, num dado momento da trajetória petista no poder, os aparelhos policiais foram mobilizados a serviço da política. Aconteceu com a Polícia Federal e suas operações espetaculosas, eivadas de ilegalidades, para provar que, no Brasil, “os ricos também choram”. Aconteceu com a Abin, especialmente depois que passou a ser comandada por uma das muitas facções da balcanizada PF. Delegados e agentes hoje atendem a comandos e vieses ideológicos que nem de longe estão relacionados com a sua função — pior do que isso, são incompatíveis com ela. O caso é que não se chegou a isso de súbito.

Ora, quem não se lembra do próprio presidente da República, faz pouco tempo, reagindo às críticas sobre os exageros da PF? Segundo ele, quem nada devia nada tinha a temer. Por esse critério, são hoje "devedores" Gilberto Carvalho, seu auxiliar, e os ministros José Múcio (Articulação Institucional) e Dilma Rousseff (Casa Civil). Seus subordinados, a começar de Tarso Genro (Justiça), trataram com desdém a questão. Segundo esse diligente senhor, o grampo é próprio da evolução tecnológica...

Ora, pergunte-se com clareza: um governo que mobiliza a máquina pública para fazer dossiês contra adversários é estranho a esse mundo da arapongagem? Não é. A natureza é a mesma. Vivem diferenças de circunstância e de propósitos. A fabricação de dossiês obedece a um comando centralizado e tem, vamos dizer assim, objetivos estratégicos. Já o submundo da arapongagem atende a interesses diversificados. Há vários "senhores da guerra" um tanto afastados do núcleo central de decisões do petismo e do governo, mas que conservam ainda grande poder na máquina pública. São um misto de pistoleiros com francos-atiradores. E todos eles têm seus "agentes" na Polícia Federal e na antigamente chamada "Comunidade de Informações".

A coisa saiu do controle, e hoje as pessoas são ilegalmente investigadas pelos mais diferentes motivos. Daqui a pouco, se é que já não existe, teremos agentes apurando casos de adultério para atender à solicitação de algum amigo infeliz... Era assim com a polícia secreta da antiga Alemanha Oriental. Mas é preciso que se recupere a origem desse procedimento. E, na origem, temos um partido e um governo que decidiram ser protagonistas dos negócios privados. Sim, isto mesmo: polícia e agentes da "Inteligência" foram mobilizados por facções do governo em guerra para "investigar" este ou aquele empresários, para fabricar dossiês, para fazer chantagem. Esta Polícia Federal e esta Abin, não se enganem, nasceram de uma agenda do petismo, sempre metido com este ou com aquele lados nas disputas privadas. E, sem dúvida, o banqueiro Daniel Dantas, com seus amigos e inimigos no governo, é o emblema dessa barafunda.

Como o que é ruim atrai ruindade, os arapongas soltos logo se ligaram a algumas franjas do Judiciário que decidiram fazer "justiça achada na rua", com o amparo de certa sub-imprensa venal. Que o Supremo e o Congresso saibam: uma investigação detida do aparato policial e parapolicial que está montado no país tem de estabelecer as devidas conexões entre essa escória e a outra, notoriamente porta-voz da ilegalidade e fingindo-se de jornalismo.

Ou o estado democrático e de direito reage, ou o próximo debate será feito na cadeia. E com os bandidos soltos.

O bem

Do portal do ESTADÃO
Denis Lerrer Rosenfield em Segunda-Feira, 01 de Setembro de 2008

Você quer que o Estado determine o que você deve fazer? Você pensa que o Estado sabe melhor do que você o que é o seu próprio bem? Você acha que o Estado sabe escolher melhor do que você o que são os seus valores morais e pessoais? Assim colocadas, essas perguntas remetem a questões centrais de filosofia moral, que acarretam conseqüências políticas das mais relevantes. No entanto, poderia também aflorar uma outra questão, relativa à sua atualidade, como se fosse um mero problema teórico, sem importância para a vida de cada um. Engana-se quem pensa assim.

Gradativamente, o Estado brasileiro, em suas várias esferas, está-se impondo cada vez mais em detrimento das escolhas individuais e, sobretudo, de considerações morais, que deveriam nortear a subjetividade de cada um. Trata-se da autonomia que cada um tem de decidir por si mesmo, exercendo uma discriminação racional daquilo que é melhor para si. Tem ocorrido freqüentemente uma suposta coincidência entre o que o indivíduo considera para si o bem e o que o Estado lhe apresenta enquanto tal, como se o politicamente correto fosse o caminho que permitiria essa identificação. Há aqui uma armadilha.

O Poder Executivo, em particular, interfere progressivamente na vida de cada um, seja por atos administrativos como decretos, portarias, resoluções e instruções normativas dos mais diferentes tipos, seja por medidas provisórias, seja ainda por projetos de lei que vão na mesma direção. Por exemplo, uma alteração, via administrativa, de uma alíquota do Imposto de Renda tem incidência direta nos rendimentos individuais e familiares, como se o Estado soubesse fazer melhor uso dos bens particulares. Ocorre uma transferência de bens materiais, de propriedades, que surge travestida de uma justificativa de ordem moral, ancorada na concepção de que o Estado sabe moralmente melhor do que qualquer um o que é o seu bem próprio.

O Incra, por sua vez, determina, em lugar dos assentados, o que é melhor para eles, interferindo diretamente no seu cultivo e, em última instância, em sua capacidade individual de escolha, como se um assentado fosse um tolo que deveria apenas seguir as diretrizes desse órgão estatal e dos movimentos ditos sociais. Assim, o cultivo de eucaliptos é proibido pelo Incra porque contraria as suas orientações, independentemente de que ofereça melhor rendimento aos assentados do que outros cultivos ou lavouras. Por que não poderia um assentado escolher o cultivo que lhe dê maior renda e usufruir seus resultados?

Tal "normalidade" não surge como um tsunami, mas em volumes crescentes, que vão ganhando consistência e poder. O caso da saúde é particularmente revelador. Em nome dela, há propostas de aumentos de contribuições, restrições ao fumo, mesmo em recintos que afetam somente os que usufruem o ato de fumar, à ingestão de bebidas alcoólicas ou à publicidade de medicamentos. O Estado apresenta-se como o grande patrocinador da saúde, quando está patrocinando somente a si mesmo. E o faz em nome do bem de cada um. Quem lhe confere esse poder?

Observe-se que, em nome da saúde, há projeto em curso para ressuscitar a CPMF, fortemente rechaçada por toda a população brasileira. Como os brasileiros são, hoje, contrários ao aumento de impostos, este aparece disfarçado de figura moral do bem de todos. A moral surge como justificativa de um simples acréscimo da arrecadação tributária! Da mesma maneira, por que deveria uma autoridade governamental banir o fumo em locais especialmente destinados a isso, sem afetar os não-fumantes? Não sabe cada um discernir o que é melhor para si, sem o auxílio da bengala estatal? Por que deveria o Estado determinar a "lei seca", graças a uma nova regulamentação apresentada com estardalhaço, como se fosse a salvação da saúde nacional? Por que o Estado deveria regulamentar a publicidade de medicamentos de livre compra em farmácias? Se a compra pode ser feita sem receita, onde estaria o seu dano para a saúde? Amanhã, vai o Estado legislar ainda mais no lar de cada um, como já começa a fazer? Onde reside o limite, se o solar da casa já foi transgredido? Cabe ao Estado informar sobre os efeitos nocivos de determinados hábitos para a saúde pessoal. Não lhe cabe tomar o lugar da escolha individual.

Levemos esse argumento ao seu extremo. Consideremos que a ingestão de colesterol e de gorduras saturadas fazem mal à saúde. Pesquisas científicas referendariam essa avaliação. Seguir-se-ia daí que seria função do Estado decidir o que cada pessoa deveria, por dia, tomar de sorvete ou comer de carne? Os indivíduos não poderiam tomar sorvete ou comer carne além de uma determinada quantia? Haveria punição para os transgressores? Assim apresentada, a questão parece absurda, porém ela é, em seus efeitos, terrivelmente verdadeira.

Não faltam, inclusive, pseudopesquisas que procuram justificar "cientificamente" essas medidas. Na verdade, a sua justificação reside numa determinada noção do bem de natureza propriamente política, estatal, que se reveste de científica. Séries estatísticas, por definição, podem ser feitas de quaisquer coisas, bastando relacioná-las, sem que daí siga necessariamente uma relação causal. Tomemos o caso da proibição de ingestão de bebidas alcoólicas por condutores de veículos. A redução da mortalidade nas ruas e estradas tem sido atribuída a essa lei. A correlação estabelecida se faz entre a nova lei e a redução da mortalidade. Por que não uma outra correlação, entre a fiscalização rigorosa da aplicação da lei, que poderia ser perfeitamente a anterior, e a redução da mortalidade? Se afrouxar a fiscalização, haverá provavelmente um aumento de acidentes automobilísticos, apesar da lei seca. No entanto, quando isso vier a ser comprovado, o efeito midiático buscado já terá sido atingido: o Estado sempre sabe o que é melhor para o indivíduo!

Denis Lerrer Rosenfield é professor de Filosofia na UFRGS.

Corações e Mentes

Do portal MOVIMENTO ENDIREITAR
01 de Setembro de 2008 | Percival Puggina

Estou lendo a excelente biografia – "Hugo Chávez sin uniforme" –, escrita pelos jornalistas venezuelanos Alberto Barrera Tyszka e Cristina Marcano. O livro é ótima fonte de referências para quem quiser entender como funciona a cabeça desse sujeito cujo projeto de vida era chegar ao Palácio Miraflores, fosse através dos tanques, fosse através do voto.

Às folhas tantas, os autores se debruçam sobre as investidas de Chávez no sistema educacional, mediante a produção de um material didático orientado para a "revolução bolivariana". Diante da forte resistência dos pais, que saíram às ruas tão logo tiveram conhecimento do conteúdo desses novos livros, o histriônico presidente declarou: "No soy monedita de oro para caerle bien a todos". Subiu nas tamancas, empertigou-se, resistiu e lançou bravatas. Mas a revolta foi tão contundente que precisou recuar.

Nada há de original na tentativa de Chávez. Ela não chegou aos extremos inicialmente previstos, mas é certo que a educação venezuelana, hoje, inclui os elementos essenciais da doutrinação marxista. A propósito é bom lembrar que durante boa parte do século 20, os comunistas da América Latina prepararam-se, lutaram, viveram, mataram e morreram pela "revolução". Esse era o ânimo das alianças libertadoras nacionais (ALNs) e grupos assemelhados que infernizaram décadas da história política continental e deram causa aos governos militares surgidos entre os anos 60 e 80 do século passado. Na expectativa dos revolucionários, a luta armada deveria levar ao alçamento em armas e a isso o povo era convocado em sucessivos e inúteis manifestos. O povo jamais lhes deu bola. Não lhes deu bola nem mesmo quando essa convocação foi exercida contra governos que suprimiam liberdades públicas. Ainda assim, seu credo lhes preserva a absoluta certeza de agirem pelo povo, com o povo e para o povo, cujo santo nome usam absolutamente em vão. E dane-se o povo se duvidar disso.

A guinada metodológica que os está levando ao poder pela via mais fácil do voto surgiu com a leitura da obra de Gramsci, cuja metodologia implica a conquista de corações e mentes através da infiltração nos meios culturais. Infiltração, aliás, que não preservou e não preserva sequer a Igreja e seus seminários e que, obviamente, inclui os sistemas de ensino público e privado. Acertou na mosca, portanto, a revista Veja, em sua recente matéria sobre a doutrinação marxista nas escolas brasileiras. A reportagem "Prontos para o século XIX" é uma descrição correta e tardia do que está em curso há quase quatro décadas nos educandários brasileiros e dos países vizinhos, porque a orientação é a mesma para todos, com êxito que se comprova a cada eleição.

Note-se: o processo denunciado pela reportagem está em curso na rede pública – o que se poderia justificar pela falta de tutano político dos gestores que, gradualmente, entregaram essa rede ao comando dos sindicatos funcionais – e está em curso na rede privada, inclusive nas escolas confessionais, como bem identifica a matéria. Há vários anos, escrevi artigo com o título "Alerta aos pais", no qual observava que quem matricula um filho de seis ou sete anos em escola particular, o faz tendo em conta a orientação filosófica ou religiosa que ela segue. Se essa pessoa for católica, evangélica ou israelita, provavelmente optará por um estabelecimento de igual confissão. A criança, nessa idade, não tem um miligrama de marxismo no cérebro. É bem provável que já ame o Brasil, creia em Deus, no valor da solidariedade, na dignidade da pessoa humana. Seus pais a ensinaram a respeitar a propriedade alheia. Exercem o direito de ter seu filho educado em fidelidade à fé, princípios e valores que adotam e seguem.

A escola está autorizada a educar tais crianças, mas não recebeu procuração para as manipular, para as influenciar politicamente, ou para lhes meter na cabeça idéias que os pais não querem ver lá dentro. É preciso pôr freio nesse tipo de estupro mental. Se os colégios querem formar marxistas e socialistas, que o informem com clareza. É perfeitamente legítimo fazê-lo. Eduquem assim os filhos dos pais que o desejarem. Mas mudem de nome. Que passem a se chamar Colégio Che Guevara, Faculdade Karl Marx, Escolas Reunidas Mao-Tse-Tung, Curso Técnico Luiz Carlos Prestes. E deixem de usar, para fins impróprios, nomes com significado religioso.

O Colégio Anchieta de Porto Alegre contestou a matéria da Veja sem a responder. Considerou parcial e insignificante o fato de um de seus professores atacar em aula os empresários e suas máquinas pelo desemprego que produzem e convocar os estudantes, filhos de empreendedores, a questionar os pais sobre se eles estão fazendo isso. O Sinpro/RS, sindicato dos professores de escolas particulares, veio em apoio aos colegas, num texto maluco que defende com unhas e dentes a liberdade de cátedra (como autorização para um professor ensinar uma idiotice daquelas) e trata de maneira jocosa a liberdade de expressão usada pela revista. Dois pesos, duas medidas.

São esses gênios da lógica que comandam as corporações que dirigem a política educacional que forma a mentalidade das crianças brasileiras. São esses talentosos mestres e suas idéias que levam o Brasil à 76ª posição no ranking da Unesco e situam nosso padrão educacional atrás da Bolívia, do Paraguai e do Equador.

Fonte: http://www.puggina.org

Última atualização ( Seg, 01 de Setembro de 2008 12:24 )

A política de natalidade assassina na China

Do blog CAVALEIRO CONDE
Domingo, Agosto 31, 2008



O mundo parece que se esqueceu das atrocidades do governo chinês contra o seu povo. Este vídeo feito por jornalistas ingleses retrata a política de natalidade chinesa, em que milhares de crianças são abandonadas ou mesmo assassinadas pelo regime comunista. O povo chinês não vale mais do que o gado. Enquanto isso, o ocidente se deslumbra com as Olímpiadas. . .

CONTRA-INFORMAÇÃO E PROPAGANDA

Do portal do NIVALDO CORDEIRO
16/08/2008

Foi cirúrgico: ao tempo em que vieram a público as notícias sobre os e-mails encontrados no computador do terrorista Raúl Reys, comprometendo autoridades brasileiras ligadas ao PT, o ministro da Justiça, Tarso Genro, inventou o factóide de revisão da Lei de Anistia, atiçando a ira do meio militar. A notícia importante, a ligação de nossas autoridades com o terrorismo das FARC, sumiu como por encanto de todos os meios de comunicação, entrando em seu lugar o factóide inventado por Genro. Dias depois o bondoso Lula mandou seu ministro se calar, ficando o dito pelo não dito, mas o escândalo dos e-mails foi devidamente esquecido.

Fiquei muito impressionado com o poder da contra-informarão e o soberbo poder demonstrado sobre a mídia que têm os estrategistas do Planalto. Nem nos tempos do Regime Militar vi tamanha eficiência e grau de controle do poder constituído sobre a mídia. A notícia mais sensacional e importante de nossa grande política foi picada no triturador de papel, no caso as manchetes de jornais que deixaram de ser impressas.

-x-x-x-

Vou votar em Geraldo Alckmin para prefeito de São Paulo. É o melhor nome, o único em condições de vencer Marta Suplicy. Ontem o IBOPE divulgou estranhíssima pesquisa, pela qual a candidata do PT abriu quinze pontos de vantagem sobre o candidato do PSDB. Como nenhum fato novo relevante aconteceu desde a última pesquisa divulgada (dava vantagem a Alckmin), só posso concluir que esses novos números ou têm forte viés de amostra (erro técnico) ou a mão deliberada do inimigo. A mesma técnica usada para apagar os rastros de Raúl Reys da mídia pode estar sendo utilizada para induzir o eleitorado a achar que Marta “já ganhou”.

Reiteradas vezes tenho apontado que o fato de São Paulo (prefeitura e Estado) não estar nas mãos do PT é o grande freio para as ambições totalitárias do partido governante. Não que José Serra seja alguém diferente do PT, ao contrário. Serra, assim como muitos dos que se filiam ao PSDB, comunga das idéias igualitaristas do PT e pratica objetivamente a mesma política. Ocorre que esses políticos não empunham mais a bandeira revolucionária e aceitam o jogo democrático da alternância de poder. No caso particular de Serra há um terceiro fator: seu grupo não se dá pessoalmente com o PT, até onde se sabe. O efeito “caciquismo” é importante para que o governador de São Paulo se mantenha longe da influência petista.

Mas Serra, por seu voluntarismo individualista, pode indiretamente estar ajudando o PT. Ao forçar a candidatura do prefeito Kassab contra suas próprias bases e contra as evidências de que Alckmin reúne as melhores condições para derrotar Marta Suplicy, põe água a mover o moinho do PT. De fato Serra, ao não se ligar publicamente ao candidato de seu partido e ao não somar esforços eleitorais consistentes – vale dizer, pôr recursos e energia na campanha – está fazendo o jogo do inimigo.

Uma eventual derrota de Geraldo Alckmin poderá comprometer mais do que a futura candidatura de Serra à Presidência da República, poderá significar a perda sucessiva da prefeitura de São Paulo e do governo do Estado. Marta, eventualmente vitoriosa, marchará resoluta para ganhar o governo do Estado. Aí o país inteiro ficará á mercê dos revolucionários que comandam hoje o Palácio do Planalto. O que está em jogo é o futuro da democracia no Brasil.

A miopia do grupo de José Serra reflete a miopia de nossa classe pensante (C.T. - fico com as observações do Olavo de Carvalho: o PT e o PSDB são irmãos gêmeos criados pela mesma mãe monstruosa, a mentalidade revolucionária dos celerados da USP. Fazerem o jogo situação/oposição e vice-versa com o objetivo de monopolizar o poder político entre dois pólos apenas enquanto este não se transforma em PODER TOTAL, como estamos vendo acontecer no Brasil), desde sempre, a de que o PT é um partido como outro qualquer. Não é. É um partido revolucionário que está à espera de acumular forças suficientes para colocar seu projeto totalitário em ação. Se seus dirigentes ganharem a prefeitura de São Paulo darão um passo gigante na direção de sua hegemonia. Aí até o projeto de re-reeleição de Lula sairá do papel com rapidez.

Mentiras como essas de Tarso Genro sobre a Lei da Anistia, para enganar a opinião pública, assim como essas pesquisas tecnicamente contestáveis sobre a tendência do eleitorado nem mais precisarão ser utilizadas como expediente. Podemos estar agora na véspera do poder totalitário.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".