Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

A tragédia do estudante sério no Brasil

Do portal MOVIMENTO ENDIREITAR
30 de Agosto de 2008 | Olavo de Carvalho

Toda semana, recebo dezenas de cartas de estudantes que, em busca de alguma formação intelectual, encontraram nas universidades que freqüentam apenas propaganda comunista rasteira, porca, subginasiana.

Não são, como em geral imaginam, vítimas de puras circunstâncias políticas imediatas. Gemem sob uma montanha de fatores adversos à inteligência humana, que foram se acumulando no mundo, e não só no Brasil, ao longo das últimas décadas. Se a primeira metade do século XX trouxe um florescimento intelectual incomum, a segunda foi uma devastação geral como raramente se viu na História. A queda foi tão profunda que já não se pode medi-la. Num panorama inteiramente dominado por charlatães caricatos como Noam Chomsky, Richard Dawkins, Edward Said, Jacques Derrida, Julia Kristeva, a época em que floresceram quase que simultaneamente Edmund Husserl, Karl Jaspers, Louis Lavelle, Alfred North Whitehead, Benedetto Croce, Jan Huizinga, Arnold Toynbee – e na literatura T. S. Eliot, W. B. Yeats, Ezra Pound, Thomas Mann, Franz Kafka, Jacob Wassermann, Robert Musil, Hermann Broch, Heimito von Doderer – já se tornou invisível, inalcançável à imaginação dos nossos contemporâneos. Toda comparação é entre alguma coisa e alguma outra coisa. Não se pode comparar tudo com nada.

Isso não quer dizer que as fontes do conhecimento tenham secado. Pensadores de grande envergadura – um Eric Voegelin, um Bernard Lonergan, um Xavier Zubiri – sobreviveram à debacle dos anos 60 e continuaram atuantes, o primeiro até 1985, o segundo até 1984, o terceiro até 1983. Mas seus ensinamentos são ainda a posse exclusiva de círculos seletos. Não entram na corrente geral das idéias, nem poderiam entrar sem sujar-se, sem transformar-se em matéria de discussões idiotas como vem acontecendo, graças à ascensão política de alguns de seus discípulos, com o infeliz Leo Strauss.

Pois a desgraça se deu justamente na “corrente geral”. O fim da II Guerra Mundial trouxe uma prodigiosa reorganização das bases sociais e econômicas da vida intelectual no mundo. Novas instituições, novas redes de comunicação, novos mecanismos de estocagem e distribuição das informações acadêmicas, novos públicos e, sobretudo, a ampliação inaudita do apoio estatal e privado à cultura e a formação dos grandes organismos internacionais como a ONU e a Unesco. Tudo isso veio junto com o descrédito do marxismo soviético e a profunda mutação interna da militância esquerdista internacional, a essa altura já plenamente imbuída das duas lições aprendidas da Escola de Frankfurt e de Georg Lukacs (mas também, mais discretamente, de Martin Heidegger): (1) a luta essencial não era propriamente contra o capitalismo, mas contra “a civilização ocidental”; (2) o agente principal do processo era a classe dos intelectuais.

Nessas condições, o crescimento fabuloso dos meios de atuação veio junto com o esforço multilateral de apropriação desses meios por parte de grupos militantes bem pouco interessados em “compreender o mundo” mas totalmente devotados a “transformá-lo”. A redução drástica da atividade intelectual ao ativismo político foi a conseqüência desejada e planejada dessa operação, realizada em escala mundial a partir dos anos 60.

Não que o fenômeno fosse totalmente desconhecido antes disso. Um vasto ensaio geral já vinha sendo realizado nos EUA desde a década de 30 pelo menos, através das grandes fundações “não lucrativas” que descobriram seu poder de orientar e manipular a seu belprazer a atividade intelectual, científica e educacional mediante a simples seleção ideologicamente orientada dos destinatários de suas verbas bilionárias.

Em 1954, uma comissão de investigações do Congresso americano já havia descoberto que fundações como Rockefeller, Carnegie e Ford exerciam controle indevido sobre as universidades, as instituições de pesquisa e a cultura em geral, orientando-as num sentido francamente anti-americano, anticristão e até anticapitalista. (Não me perguntem pela milésima vez com que interesse os grandes capitalistas podem agir contra o capitalismo. A explicação está resumida em http://www.olavodecarvalho.org/semana/040617jt.htm e http://www.olavodecarvalho.org/textos/debate_usp_4.htm .) Inevitavelmente, a influência exercida por essas organizações não consistiu só em introduzir uma determinada cor política na produção cultural, mas em alterá-la e corrompê-la até às raízes, subordinando aos objetivos políticos e publicitários visados todas as exigências de honestidade, veracidade e rigor. Sem essa interferência, fraudes cabeludas como o Relatório Kinsey ou a pseudo-antropologia de Margaret Mead jamais teriam conseguido impor-se ao meio acadêmico e à mídia cultural como produtos respeitáveis de uma atividade científica normal.

A comissão foi alvo de ataques virulentos de toda a grande mídia, e seu trabalho acabou por ser esquecido, mas ele ainda é uma das melhores fontes de consulta sobre a instrumentalização política da cultura (v. René Wormser, Foundations, Their Power and Influence, New York, Devin-Adair, 1958 – vocês podem comprá-lo pelo site www.bookfinder.com ). Na verdade, sem ele não se pode compreender nada do que se passou em seguida, pois o que se passou foi que o experimento tentado em escala americana foi ampliado para o mundo todo: a apropriação dos meios de ação cultural pelas organizações militantes e o sacrifício integral da inteligência humana no altar da “vontade de poder” simplesmente se globalizaram.

Recursos incalculavelmente vastos, que poderiam ter sido utilizados para o progresso do conhecimento e a melhoria da condição de vida da espécie humana foram assim desperdiçados para sustentar a guerra geral da estupidez militante contra a “civilização ocidental” que havia gerado esses mesmos recursos.

Embora esse processo seja de alcance mundial, é claro que o seu peso se fez sentir mais densamente em países novos do Terceiro Mundo, onde as criações das épocas anteriores não tinham sido assimiladas com muita profundidade e as raízes da civilização podiam ser mais facilmente cortadas. No Brasil, da década de 60 em diante, os progressos da barbárie foram talvez mais rápidos do que em qualquer outro lugar, destruindo com espantosa facilidade as sementes de cultura que, embora frágeis, vinham dando alguns frutos promissores. A comparação impossível entre as duas épocas, que mencionei acima, é ainda mais impossível no caso brasileiro. Na década de 50, tínhamos, vivos e atuantes, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Àlvaro Lins, Augusto Meyer, Otto Maria Carpeaux, Mário Ferreira dos Santos, Vicente Ferreira da Silva, Herberto Sales, Cornélio Penna, Gustavo Corção, Nelson Rodrigues, Lúcio Cardoso, Heitor Villa-Lobos, Augusto Frederico Schmidt, a lista não acaba mais. Hoje, quem representa na mídia a imagem da “cultura brasileira”? Paulo Coelho, Luís Fernando Veríssimo, Gilberto Gil, Arnaldo Jabor, Emir Sader, Frei Betto e Leonardo Boff. Perto desses, Chomsky é Aristóteles. É o grau mais alto pelo qual se medem. Chamar isso de crise, ou mesmo de decadência, é de um otimismo delirante. A cultura brasileira tornou-se a caricatura de uma palhaçada. É uma coisa oca, besta, disforme, doente, incalculavemente irrisória.

A inteligência, ao contrário do dinheiro ou da saúde, tem esta peculiaridade: quanto mais você a perde, menos dá pela falta dela. O homem inteligente, afeito a estudos pesados, logo acha que emburreceu quando, cansado, nervoso ou mal dormido, sente dificuldade em compreender algo. Aquele que nunca entendeu grande coisa se acha perfeitamente normal quando entende menos ainda, pois esqueceu o pouco que entendia e já não tem como comparar. Uma das coisas que me deliciam, que me levam ao êxtase quando contemplo o Brasil de hoje, é o ar de seriedade com que as pessoas discutem e pretendem sanar os males econômicos, políticos e administrativos do Brasil, sem ligar a mínima para a destruição da cultura, como se a inteligencia prática subsistisse incólume ao emburrecimento geral, como se inteligência fosse um adorno a ser acrescentado ao sucesso depois de resolvidos todos os problemas ou como se a inépcia absoluta não fosse de maneira alguma um obstáculo à conquista da felicidade geral. A prova mais evidente da insensibilidade torpe é o sujeito já nem sentir saudade da consciência que teve um dia.

Mas não, a inteligência nacional não acabou no dia em que os nossos estudantes tiraram o último lugar numa avaliação entre alunos do curso secundário de 32 países: acabou logo em seguida, quando o ministro da Educação disse que o resultado poderia ter sido pior.

Num sentido mais profundo do que o ministro imaginava, poderia mesmo. Na eleição seguinte, o país colocou na presidência um carreirista enriquecido, de terno Armani e unhas polidas, que, por orgulhar-se de jamais ler livros, foi proclamado um símbolo da autenticidade popular. A imagem era falsa, grotesca e insultuosa, mas ninguém percebeu. Se existe um grau abaixo do grotesco, porém, ele foi atingido logo em seguida, quando o escritor Raymundo Faoro, quanto mais bobo mais celebrado nas esquerdas como inteligência luminosa, sugeriu o nome do então presidenciável para ocupar uma vaga na Academia Brasileira de Letras. Perto disso, tirar o último lugar num teste chegava a ser meritório.

Se o desespero dos estudantes que me escrevem viesse só da situação política, haveria esperança de saná-lo por meio da ação política. Mas a ação política é um subproduto da cultura e, no estado em que as coisas estão, nenhuma ação política inteligente, ao menos em escala federal, é previsível nas próximas duas ou três gerações. Nas próximas eleições, por exemplo, o país terá de optar novamente entre PT e PSDB, isto é, os dois filhotes monstruosos gerados no ventre da USP, a mãe da esterilidade nacional, ou como bem a sintetizou o poeta Bruno Tolentino, a “p... que não pariu”. Sim, a política brasileira virou uma imensa assembléia de estudantes da USP, com o Partido Comunista de um lado, a Ação Popular de outro, num torneio de arrogância, presunção, hipocrisia, sadismo mental, mendacidade ilimitada e estupidez sem fim. A USP levou meio século para chegar ao poder, e ainda não parou de gerar pseudo-intelectuais ambiciosos, ávidos de mandar, sedentos de ministérios. Sua obra de destruição está longe de haver-se completado.

Da política nada de bom se pode esperar num prazo humanamente suportável. Uma ação cultural de grande escala – a fundação de uma autêntica instituição de ensino superior, para contrabalançar a desgraça uspiana – também não é nada provável, dada a omissão das chamadas “elites”, sempre de rabo entre as pernas, oscilando entre lamber mais um pouco os pés da canalha petista ou apegar-se ao primeiro zesserra que apareça.

Ao estudante que consiga ainda vislumbrar o que é vida intelectual e faça dela o objetivo de sua existência, restam dois caminhos: o exílio, que pode levar ao lugar errado (a miséria brasileira nasce em Paris), e o isolamento, que pode levar os mais fracos a um desespero ainda mais profundo do que aquele em que se encontram.

A única solução viável, que enxergo, é a formação de pequenos grupos solidários, firmemente decididos a obter uma formação intelectual sólida, de início sem nenhum reconhecimento oficial ou acadêmico, mas forçando mais tarde a obtenção desse reconhecimento mediante prova de superioridade acachapante. Já não leciono no Brasil, mas a experiência mostrou que muito aluno meu, com alguns anos de aulas e bastante estudo em casa, já está pronto para dar de dez a zero, não digo em alunos, mas em professores da USP do calibrinho de Demétrio Magnoli e Emir Sader, o que, bem feitas as contas, é até luta desigual, é até covardia.

O processo é trabalhoso, mas simples: cumprir as tarefas tradicionais do estudo acadêmico, dominar o trivium , aprender a escrever lendo e imitando os clássicos de três idiomas pelo menos, estudar muito Aristóteles, muito Platão, muito Tomás de Aquino, muito Leibniz, Schelling e Husserl, absorver o quanto possível o legado da universidade alemã e austríaca da primeira metade do século XX, conhecer muito bem a história comparada de duas ou três civilizações, absorver os clássicos da teologia e da mística de pelo menos três religiões, e então, só então, ler Marx, Nietzsche, Foucault. Se depois desse regime você ainda se impressionar com esses três, é porque é burro mesmo e eu nada posso fazer por você.

Mas o ambiente universitário brasileiro de hoje é tão baixo, tão torpe, que só de a gente apresentar essa lista – o mínimo requerido para uma formação séria de filósofo ou erudito –, o pessoal já arregala os olhos de susto. Na verdade, o estudante brasileiro não lê nada, só resumo e orelha, além de Emir Sader e da dupla Betto & Boff, que não valem o resumo de uma orelha. É tudo farsa, chanchada, pose. Não há quem não saiba disso e não há quem não acabe se acomodando a essa situação como se fosse natural e inevitável. A abjeção intelectual deste país é sem fim.

Diário do Comércio, 12 de fevereiro de 2006
Fonte: www.olavodecarvalho.org

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Se você ainda quer ser um estudante sério...

“A tragédia do estudante sério no Brasil” resultou em tantas cartas, que acho melhor completar, com algumas dicas baseadas na experiência pessoal, as indicações de estudo que dei no final do artigo.

Começo com um exemplo casual.

Outro dia recebi de amigos a cópia de uma mensagem interessantíssima, postada em algum site da internet por uma senhorita, aparentemente culta e universitária, que, indecisa entre me admirar e me detestar, exigia uma explicação para o fato de eu acertar tantas previsões ao longo de quase duas décadas, apostando quase sempre no contrário do que anunciava a opinião geral dos bem-pensantes. No entender da remetente, bem como de outros participantes do debate, a hipótese mais plausível era a de eu ser um agente da CIA, conectado portanto a uma rede de informantes secretos espalhados por toda parte...

Guardei a mensagem com o carinho historiográfico que merece um eloqüente sinal dos tempos.

Que época mais adorável, esta, em que o sujeito não é cobrado por seus erros, mas por seus acertos! Se o normal é errar sempre, para que serviriam então os milhares de cientistas sociais, historiadores, jornalistas, economistas e doutores em filosofia que as universidades, sustentadas pelo trabalho suado de milhões de contribuintes que jamais as freqüentaram, despejam anualmente no mercado da tagarelice nacional? Resposta: não servem para entender o mundo, mas para transformá-lo. Não podendo, porém, conhecê-lo, já que não acreditam em verdade objetiva, levam-no sempre num rumo diferente do que pretendiam, sentindo-se -- por isso mesmo, raios! -- inocentes dos resultados monstruosos que produzem e sempre merecedores de um redobrado crédito de confiança para começar tudo de novo e de novo e de novo. A revolução, afinal, não seria revolucionária se não revolucionasse a si mesma e à sua própria história, mudando de identidade após cada novo crime e cada novo fracasso e não tendo satisfações a prestar senão a um futuro que, quando chega, já não é mais futuro e não tem portanto qualquer autoridade para cobrá-la do que quer que seja. Tal é, brutalmente resumida mas nem um pouco deformada, a essência da mentalidade que se pode adquirir em qualquer universidade deste país e em muitas do exterior. Equivale a um atestado de impecabilidade congênita, que confere o direito à estupidez laureada, ao amor-próprio ilimitado e ao crime inocente. Não espanta que tantos a desejem, mesmo sabendo que a remuneração dos ofícios universitários já não é lá essas coisas. Aliás, ganhar abaixo do que desejam reforça ainda o seu sentimento de méritos incalculáveis e sua revolta contra a malvada sociedade capitalista que não recompensa adequadamente as pessoas empenhadas em destruí-la.

Leia também: A mentalidade revolucionária

É natural que, num ambiente assim formado, o sujeito acertar previsões políticas em série deva ser mesmo uma coisa muito esquisita, muito suspeita, denotando poderes demoníacos ou no mínimo algum truque sujo. Entendo mesmo que, no desespero, alguns apelem até à suposição “CIA”, sem ter em conta que essa entidade, há pelo menos quarenta anos, tem se especializado mais é em produzir informações erradas.

A hipótese de que exista uma realidade objetiva da vida política, de que ela possa ser conhecida, de que o indivíduo em questão tenha estudado muito com o objetivo de conhecê-la e de que depois de quatro décadas de esforço ele tenha conseguido montar um conjunto de critérios científicos razoáveis para fazer previsões acertadas dentro de um quadro definido de possibilidades, ah!, isso não ocorre a ninguém. É absurdo demais. É escandaloso. É repugnante. É impossível.

E eu lhes direi no entanto: foi precisamente isso o que aconteceu, patetas. Enquanto vocês enchiam sua cabeça de cocô universitário, tentando menos buscar conhecimento do que imitar trejeitos verbais para parecer bons meninos no ambiente ideológico em torno (v. meu artigo “O imbecil juvenil”, http://www.olavodecarvalho.org/textos/juvenil.htm ), preferi ficar em casa estudando, por achar que assim faria melhor uso das horas que o pessoal uspiano gastava em condução, papo furado, assembléias, greves, festinhas de embalo e surubas gerais no CRUSP, totalizando essas várias ocupações aproximadamente noventa e oito por cento da vida acadêmica útil. Preservando minha inteligência dessa centrifugação mortífera e da influência corruptora de orientadores ignorantes, estudei para saber, para aplacar minhas dúvidas, sem nenhuma esperança fútil de glórias escolares provincianas. Não nego que ganhei algo além do puro conhecimento. Ganhei o prazer de poder chamar os fulanos de burros sem nenhuma intenção insultuosa e com estrito realismo científico. Enquanto eles se intoxicavam de Eduardo Galeano, Noam Chomsky, Foucault, Derrida, e na melhor das hipóteses Nietzsche e Heidegger, brilhantes professores de confusão mental, coloquei para mim mesmo as questões fundamentais da filosofia política – que é ao mesmo tempo filosofia da História – e busquei respondê-las com toda a seriedade, cercando-me ainda de toda a ajuda disponível em livros de várias épocas, revistas científicas e contatos pessoais com estudiosos de vários países.

Os resultados foram sendo apresentados, aqui e ali, sob a forma de aulas e apostilas, sem a menor preocupação de publicá-los em livros. Livros para que? No Brasil de hoje, quanto mais sério o livro, maior a certeza de que será totalmente ignorado exceto pelo círculo de estudiosos que já o conheciam pela audição direta do autor. Numa época em que a literatura é personificada pelo sr. Luís Fernando Veríssimo, a filosofia por dona Marilena e a ciência política pelo dr. Emir Sader, qualquer esforço científico mais sério fica um pouco constrangido de se mostrar em público. Voltamos à era da difusão oral. Todo conhecimento efetivo tornou-se esotérico. O essencial do que aprendi e ensinei sobre a filosofia política está nas gravações dos meus cursos dados na PUC do Paraná, bem como nas apostilas “Ser e Poder”, “Que é a Psique?” e “O Método nas Ciências Humanas”. Quem teve acesso a esse material – que publicarei quando os afazeres jornalísticos me derem um descanso para poder editá-lo --, sabe que existem meios para descrever objetivamente uma situação político-social qualquer e prever com grande margem de acerto suas possibilidades de desenvolvimento. É isso, e nada mais, o mistério por trás das minhas previsões. Quanto aos erros alheios, não me cabe explicá-los.

Das questões a que me referi acima, algumas das mais importantes para a análise das situações políticas eram as seguintes:

1. Qual é a natureza do poder, não só na política mas em todas as relações humanas, e qual a diferença específica entre o poder político e as demais formas de poder?

2. Que é propriamente a “ação” em escala histórica? Em que condições a expressão “história disto” ou “história daquilo” se refere a uma entidade real, capaz de ação contínua ao longo do tempo, e quando se refere apenas, metonimicamente, a um sujeito ideal, sem unidade de ação própria, como por exemplo quando se fala em “História do Brasil”, ou “história da burguesia”? Em suma: quem é o sujeito da História?

3. Qual a relação entre as “intenções” subjetivas dos agentes históricos e os efeitos reais de suas ações? Qual a equação que se forma entre o conhecimento objetivo dos dados da situação, as decisões tomadas, a execução, os resultados específicos e sua diluição num quadro maior onde outros fatores entram em jogo? Existe uma ação histórica eficiente, na qual os efeitos reproduzam mais ou menos fielmente as intenções? Ou, ao contrário, a História humana estará sempre condenada a ser, como dizia Weber, “o conjunto das conseqüências impremeditadas das nossas ações”?

4. Dando por pressuposto que ninguém pode se colocar fora do quadro comum da vida humana para observá-lo “de cima”, e que portanto toda observação é uma forma de participação, não é possível isolar totalmente observação e confissão. Qual a relação entre autoconhecimento e conhecimento histórico? Em que medida o conhecimento da história pode e deve ser um meio de integração da consciência pessoal do estudioso, e em que medida esta se reflete na veracidade da descrição histórica obtida? Em que medida toda história é autobiografia e, portanto, toda descrição de uma situação política, social e cultural determinada é uma confissão pessoal?

5. Em que medida, portanto, o estudo das ciências humanas é uma prática “ascética” de autoconhecimento, e em que medida as disciplinas ascéticas e místicas desenvolvidas pelas religiões tradicionais, bem como as técnicas modernas de psicoterapia e auto-ajuda, podem desempenhar nesse estudo uma função essencial?

6. Como é a psicologia do conhecimento na História e nas ciências humanas em geral? Da percepção dos dados sensíveis (documentos, monumentos, ações observadas) até as sínteses interpretativas gerais, qual o trajeto psicológico percorrido e como dirigi-lo para diminuir a possibilidade de erros?

Os filósofos que mais estudei para encontrar as respostas (e ficam aí como sugestões para os interessados) foram Platão, Aristóteles, Sto. Agostinho, Sto, Tomás, S. Boaventura, Duns Scot, Leibniz, Schelling, Husserl, Scheler, Lavelle, Croce, Ortega, Zubiri, Marías, Voegelin, Lonergan, o nosso Mário Ferreira dos Santos e o Albert Camus de L'Homme Révolté . Os grandes historiadores da filosofia, como Gomperz, Ueberweg e Zeller, devem ser lidos com devoção. Outros autores da área de ciências humanas que muito me ajudaram foram Ibn Khaldun, Vico, Ranke, Taine, Huizinga, Weber, Böhm-Bawerk, von Mises, Sorokin, Victor Frankl, Paul Diel, Eugen Rosenstock-Huessy, Franz Rosenzweig, Lipot Szondi, Maurice Pradines, Alois Dempf, Max Dvorak, Rudolf Arnheim, Erwin Panofsky, A. D. Sertillanges, Mortimer J. Adler, Oliveira Martins, Gilberto Freyre e Otto Maria Carpeaux. Apesar de inumeráveis erros de informação, a Life of Napoleon de Walter Scott também foi de muito proveito pela acuidade da sua psicologia histórica. O maior historiador vivo hoje em dia é Modris Eksteins (sabe o que significa “tem de ler”?). Dos poetas e ficcionistas, aqueles que produziram verdadeiras descrições científicas da condição humana, muito úteis nos meus estudos, foram Sófocles, Dante, Shakespeare, Camões, Cervantes, Goethe, Dostoiévski, Alessandro Manzoni, Pío Baroja, T. S. Eliot, W. B. Yeats, Antonio Machado, Thomas Mann, Jacob Wassermann, Robert Musil, Hermann Broch, Heimito von Doderer, Julien Green, Georges Bernanos e François Mauriac. A Bíblia tem de ser relida o tempo todo (não leia o Evangelho em busca de “religião”: leia como narrativa de alguma coisa que realmente aconteceu; atenção especial para Mateus 11:1-6, onde o próprio Jesus ensina o critério para você tirar as dúvidas a respeito d'Ele; penso nisso o tempo todo). O Corão, os Vedas, o Tao-Te-King e o I-Ching, assim como os escritos de Confúcio, Shânkara e Ibn'Arabi, merecem consultas periódicas. Dos conselhos pessoais que recebi de mestres generosos, a quem incomodei por meio de cartas, telefonemas e visitas, falarei outro dia.

O importante é você não estudar por estudar, para “adquirir cultura” ou seguir carreira universitária, mas para encontrar respostas a questões determinadas, que tenham importância existencial para você, para sua formação de ser humano e não só de estudioso. É claro que as questões vão se definindo aos poucos, no curso das leituras mesmas, mas à medida que isso acontece elas vão definindo melhor o rumo dos estudos. E é essencial que, na ânsia de ler, você não deixe sua acumulação de conhecimento ultrapassar o seu nível de autoconsciência, de maturidade, de responsabilidade pessoal em todos os domínios da vida. Se você não é capaz de tirar de um livro conseqüências válidas para sua orientação moral no mundo, você não está pronto para ler esse livro. Não esqueça nunca o conselho de Goethe: “O talento se aprimora na solidão, o caráter na agitação do mundo.”

Diário do Comércio, 27 de fevereiro de 2006
Fonte: www.olavodecarvalho.org

Última atualização ( Sáb, 30 de Agosto de 2008 14:56 )

La política exterior de McCain en América Latina enfrentará a Hugo Chávez

Do portal NOTICIAS24
Por Mauricio Rabuffetti ST PAUL, EEUU (AFP), 31/08/2008

© 2008 AFP

El candidato republicano a la presidencia de Estados Unidos, John McCain, considera que en América Latina hay países “amigos” y “enemigos”, estima que el mandatario venezolano Hugo Chávez es “una amenaza” para la región y mantendrá la política hacia Cuba, señaló uno de sus asesores a la AFP.

LEYENDA FOTO: El candidato republicano a la presidencia estadounidense, John McCain, en una conferencia de prensa en un instituto de Phoenix, Arizona (Estados Unidos), el 25 de agosto de 2008. McCain considera que en América Latina hay países “amigos” y “enemigos”, estima que el mandatario venezolano Hugo Chávez es “una amenaza” para la región y mantendrá la política hacia Cuba, señaló uno de sus asesores a la AFP.

En un eventual gobierno suyo, McCain buscaría estrechar lazos con los países “amigos” de Estados Unidos en América Latina como México o Colombia y determinaría la forma de “tratar” a las demás naciones en función de “la conducta de cada gobierno”, explicó el congresista Lincoln Díaz-Balart.

“Evidentemente la conducta de cada gobierno es lo que va a significar la forma en que Estados Unidos va a tratar a esos gobiernos”, dijo el legislador cubanoamericano, designado por la campaña de McCain para dialogar con la AFP como uno de sus asesores en política latinoamericana.

“Como hay un conocimiento por parte del senador Mccain sobre las realidades del hemisferio (por el continente americano), sin duda eso va a conllevar a una relación más estrecha con nuestros amigos como México, como Colombia, como Chile, Perú, los otros gobiernos muy amigos que tiene Estados Unidos” en América Latina, estimó Díaz-Balart.

McCain “está consciente que tenemos enemigos en este hemisferio, y esa es otra diferencia con (el candidato demócrata a la Presidencia, Barack) Obama”, aseguró el congresista republicano por Florida (sureste), quien busca la reelección en los comicios de noviembre.

“Hay una diferencia entre Rusia y Georgia, hay una diferencia entre Chávez y (el presidente colombiano Alvaro) Uribe. McCain conoce esas diferencias, Obama evidentemente no”,
señaló el legislador, reiterando las críticas de su partido a la reacción del postulante demócrata a la reciente crisis en el Cáucaso.

McCain está consciente de que Chávez es una amenaza para todo el hemisferio, que Chávez está financiando elementos desestabilizadores a través de todo el hemisferio. (…) Hay que contrarrestar los esfuerzos de Chávez por desestabilizar las democracias en el hemisferio a través de la utilización del poder económico que tiene por el petróleo”, enfatizó.

Gran parte del problema que tenemos con Bolivia y con Ecuador es esa utilización por parte del señor Chávez de los recursos de Venezuela para ir incrementando su influencia y su agenda antiamericana” en América Latina, dijo. “Es muy preocupante lo que estamos viendo en esos países”, concluyó el legislador.

Díaz-Balart, quien es uno de los más duros críticos del gobierno cubano de Fidel Castro y del encabezado ahora por Raúl Castro, sostuvo que en un eventual mandato de McCain “habría aún más interés por parte del presidente de Estados Unidos sobre el tema cubano, sobre la necesidad de ayudar a la oposición interna y a la sociedad civil”.

Ese interés se traduciría, explicó, en un mantenimiento de la actual política norteamericana hacia Cuba, que incluye un embargo económico y comercial que lleva más de 45 años y que es cuestionada por Obama por no haber logrado un cambio de régimen en la isla comunista.

“Se mantendría el enfoque sobre la necesidad de que (se siga con la actual política) hasta que no haya una transición democrática en Cuba, encaminada, a través de tres pasos” que son la “liberación de presos políticos”, la “legalización de todos los partidos, la prensa y los sindicatos obreros” y “la convocatoria de un proceso electoral”, añadió Díaz-Balart.

En cambio, un eventual gobierno republicano promovería acuerdos de libre comercio como el alcanzado por la administración de George W. Bush con Colombia “porque Mccain considera que es irrespetuoso la forma en que el señor Obama y el Congreso demócrata han tratado a Colombia”, negándole la aprobación de un TLC concluido hace casi dos años.

“Es irrespetuoso tratar a México diciéndole que ahora hay que renegociar el acuerdo de libre comercio con nuestro vecino más cercano”, el NAFTA o TLCAN, añadió.

Según Díaz-Balart, McCain también buscaría “diseñar programas conjuntamente” con los “amigos” de Estados Unidos en el continente americano, “adicionales a los (programas) que han existido. (…) Eso conllevará a una mejor relación con el hemisferio”.

Tradução aqui

O novo perfil das Forças Armadas

Do portal JB ONLINE
Vasconcelo Quadros, 31 de julho de 2008

Ministro entrega a Lula no Dia da Independência projeto que reformula totalmente o setor

BRASÍLIA

Guardado como o novo segredo civil-militar até o próximo dia 7 de setembro, quando deverá ser anunciado pelo presidente Lula, o novo Plano Estratégico de Defesa Nacional causará impacto no orçamento do governo para os próximos anos. Com previsão atual de gasto estimada em 1,5% do PIB ou cerca de R$ 50,2 bilhões, a proposta entregue a Lula prevê aumento de, no mínimo, o dobro desse patamar, colocando o Brasil numa faixa intermediária de investimentos entre os países pobres e ricos, que chegam a empregar nos gastos com defesa cifras superiores a 5% do PIB.

– Será um aumento substancial – diz o ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangaberia Unger, um dos pais do novo plano.

Ele classifica a proposta orçamentária como "patamar mediano" e alerta que a reformulação radical delineada no texto de mais de 100 páginas entregues ao presidente exigirá sacrifícios de tempo e recursos públicos.

– Não há estratégia de defesa sem dinheiro – avisa Mangabeira Unger, em entrevista exclusiva ao Jornal do Brasil. Garante, no entanto, que o foco do plano é a qualificação das Forças Armadas.

Debate inédito

Concluído depois de um ano de um inédito debate envolvendo estrategistas civis e militares coordenados por Mangabeira Unger e pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, o plano prevê uma profunda reestruturação militar (Exército, Marinha e Aeronáutica), mas mantém o serviço militar obrigatório e põe um fim na velha discussão sobre o uso das Forças Armadas no combate ao crime em centros urbanos.

– Força armada não é polícia. É necessário manter clara essa distinção – diz o ministro.

Segundo ele, o legado pacifista e ausência de guerras com outros países deixaram aos militares o desafio de evitar que as forças se voltem para questões corporativistas ou "degenerem em preocupações" com segurança interna. (C.T. - ou seja, o fim definitivo das FFAA.)

– Força armada existe para defender o Brasil – afirma.

Serviço militar

Um dos pontos mais polêmicos do plano é o dilema de como tratar o serviço militar. O texto prevê alternativas ao presidente. Unger não entra em detalhes, mas deixa escapar que a proposta possível será híbrida, deixando intocável o atual sistema de convocação, mas profissionalizando e matendo nos quartéis por mais tempo recrutas treinados para se transformar em "soldados técnicos", especialmente na Marinha e na Aeronáutica.

– Numa sociedade tão desigual como a nossa, o serviço militar é um nivelador republicano, um espaço no qual a nação pode se encontrar acima das classes – explica o ministro.

A idéia, segundo ele, seria diminuir a proporção de recrutas sem sacrificar a necessidade de profissionalização da tropa.

Unger diz que como o número de jovens em condições de convocação é infinitamente maior que a necessidade das Forças Armadas, o serviço militar acaba sendo voluntário na prática.

– Servem aqueles que querem servir – diz, ao prever que, com a elevação do valor do soldo, a pressão das camadas pobres pelas forças armadas tende a aumentar.

Favorável a uma proposta "maximalista e ambiciosa", o ministro de Assuntos Estratégicos pode ser voto vencido, não deixa dúvidas sobre o que os militares deveriam fazer:

– As Forças Armadas passariam a escolher dentro da população jovem o que elas querem dentro de uma combinação do vigor físico com capacidade intelectual e por um critério que represente todas as classes e regiões do país por homens e mulheres de diferentes regiões – diz.

O ministro esclarece, no entanto, que no texto entregue ao presidente há também propostas de soluções intermediárias e, embora não concorde, acha que a de concepção "minimalista" pode ser mais viável politicamente.

– No centro da questão está o nível de ambição e a disposição para o sacrifício. Eu não ocultaria, dentro de um radicalismo republicano, que opto pela proposta maximalista, mas reconheço que ela só faz sentido no contexto de uma decisão nacional – acrescenta.

Serviço social

Pela proposta do ministro, o excesso de contingente que ficaria fora do padrão "vigor físico combinado com capacidade intelectual", formado por homens e mulheres, receberia um treinamento militar básico, mas seria usado num serviço obrigatório social em programas parecidos com o Projeto Rondon ou no Tiro de Guerra, que ainda não foram desativados completamente. Seria também uma força de reserva.

Em linhas gerais o plano mexe na configuração, na orientação e no posicionamento operacional das Forças Armadas, que passariam por um processo de transformação e qualificação para dar resposta ao inimigo externo em caso de necessidade. A proposta prevê a reestruturação da indústria bélica nacional pública e privada, com tecnologia própria para a construção de equipamentos modernos, tecnologicamente avançados e que garantam ao país controle total do monitoramento territorial por terra, espaço e ar.

– Não se trata apenas de equipar as Forças Armadas. Trata-se de transforma-las – afirma.

OU A DEMOCRACIA REAGE OU AINDA ACABA NA CADEIA

Do blog do REINALDO AZEVEDO
Segunda-feira, Setembro 01, 2008

Gilmar Mendes, presidente do Supremo, e outras autoridades da República foram vítimas de grampo ilegal, como todos sabemos. Reportagem da VEJA desta semana conta a história em detalhes. A reação do Supremo Tribunal Federal, do Congresso e de entidades da sociedade civil ligadas à preservação dos direitos que caracterizam uma sociedade livre é que vai determinar o futuro da democracia brasileira. Sim, a questão tem esse alcance. Quando falo do futuro da democracia, não infiro que caminhamos para uma tirania explícita, de modelo chinês. O que está em curso é a corrosão dos valores democráticos patrocinada pelo próprio poder — e esse é o aspecto inegável, porém nem tão visível da questão.

Ainda que, indiretamente, o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha sido vítima da arapongagem — Gilberto Carvalho, um dos seus homens fortes, caiu na malha —, é inegável que, num dado momento da trajetória petista no poder, os aparelhos policiais foram mobilizados a serviço da política. Aconteceu com a Polícia Federal e suas operações espetaculosas, eivadas de ilegalidades, para provar que, no Brasil, “os ricos também choram”. Aconteceu com a Abin, especialmente depois que passou a ser comandada por uma das muitas facções da balcanizada PF. Delegados e agentes hoje atendem a comandos e vieses ideológicos que nem de longe estão relacionados com a sua função — pior do que isso, são incompatíveis com ela. O caso é que não se chegou a isso de súbito.

Ora, quem não se lembra do próprio presidente da República, faz pouco tempo, reagindo às críticas sobre os exageros da PF? Segundo ele, quem nada devia nada tinha a temer. Por esse critério, são hoje "devedores" Gilberto Carvalho, seu auxiliar, e os ministros José Múcio (Articulação Institucional) e Dilma Rousseff (Casa Civil). Seus subordinados, a começar de Tarso Genro (Justiça), trataram com desdém a questão. Segundo esse diligente senhor, o grampo é próprio da evolução tecnológica...

Ora, pergunte-se com clareza: um governo que mobiliza a máquina pública para fazer dossiês contra adversários é estranho a esse mundo da arapongagem? Não é. A natureza é a mesma. Vivem diferenças de circunstância e de propósitos. A fabricação de dossiês obedece a um comando centralizado e tem, vamos dizer assim, objetivos estratégicos. Já o submundo da arapongagem atende a interesses diversificados. Há vários "senhores da guerra" um tanto afastados do núcleo central de decisões do petismo e do governo, mas que conservam ainda grande poder na máquina pública. São um misto de pistoleiros com francos-atiradores. E todos eles têm seus "agentes" na Polícia Federal e na antigamente chamada "Comunidade de Informações".

A coisa saiu do controle, e hoje as pessoas são ilegalmente investigadas pelos mais diferentes motivos. Daqui a pouco, se é que já não existe, teremos agentes apurando casos de adultério para atender à solicitação de algum amigo infeliz... Era assim com a polícia secreta da antiga Alemanha Oriental. Mas é preciso que se recupere a origem desse procedimento. E, na origem, temos um partido e um governo que decidiram ser protagonistas dos negócios privados. Sim, isto mesmo: polícia e agentes da "Inteligência" foram mobilizados por facções do governo em guerra para "investigar" este ou aquele empresários, para fabricar dossiês, para fazer chantagem. Esta Polícia Federal e esta Abin, não se enganem, nasceram de uma agenda do petismo, sempre metido com este ou com aquele lados nas disputas privadas. E, sem dúvida, o banqueiro Daniel Dantas, com seus amigos e inimigos no governo, é o emblema dessa barafunda.

Como o que é ruim atrai ruindade, os arapongas soltos logo se ligaram a algumas franjas do Judiciário que decidiram fazer "justiça achada na rua", com o amparo de certa sub-imprensa venal. Que o Supremo e o Congresso saibam: uma investigação detida do aparato policial e parapolicial que está montado no país tem de estabelecer as devidas conexões entre essa escória e a outra, notoriamente porta-voz da ilegalidade e fingindo-se de jornalismo.

Ou o estado democrático e de direito reage, ou o próximo debate será feito na cadeia. E com os bandidos soltos.

O bem

Do portal do ESTADÃO
Denis Lerrer Rosenfield em Segunda-Feira, 01 de Setembro de 2008

Você quer que o Estado determine o que você deve fazer? Você pensa que o Estado sabe melhor do que você o que é o seu próprio bem? Você acha que o Estado sabe escolher melhor do que você o que são os seus valores morais e pessoais? Assim colocadas, essas perguntas remetem a questões centrais de filosofia moral, que acarretam conseqüências políticas das mais relevantes. No entanto, poderia também aflorar uma outra questão, relativa à sua atualidade, como se fosse um mero problema teórico, sem importância para a vida de cada um. Engana-se quem pensa assim.

Gradativamente, o Estado brasileiro, em suas várias esferas, está-se impondo cada vez mais em detrimento das escolhas individuais e, sobretudo, de considerações morais, que deveriam nortear a subjetividade de cada um. Trata-se da autonomia que cada um tem de decidir por si mesmo, exercendo uma discriminação racional daquilo que é melhor para si. Tem ocorrido freqüentemente uma suposta coincidência entre o que o indivíduo considera para si o bem e o que o Estado lhe apresenta enquanto tal, como se o politicamente correto fosse o caminho que permitiria essa identificação. Há aqui uma armadilha.

O Poder Executivo, em particular, interfere progressivamente na vida de cada um, seja por atos administrativos como decretos, portarias, resoluções e instruções normativas dos mais diferentes tipos, seja por medidas provisórias, seja ainda por projetos de lei que vão na mesma direção. Por exemplo, uma alteração, via administrativa, de uma alíquota do Imposto de Renda tem incidência direta nos rendimentos individuais e familiares, como se o Estado soubesse fazer melhor uso dos bens particulares. Ocorre uma transferência de bens materiais, de propriedades, que surge travestida de uma justificativa de ordem moral, ancorada na concepção de que o Estado sabe moralmente melhor do que qualquer um o que é o seu bem próprio.

O Incra, por sua vez, determina, em lugar dos assentados, o que é melhor para eles, interferindo diretamente no seu cultivo e, em última instância, em sua capacidade individual de escolha, como se um assentado fosse um tolo que deveria apenas seguir as diretrizes desse órgão estatal e dos movimentos ditos sociais. Assim, o cultivo de eucaliptos é proibido pelo Incra porque contraria as suas orientações, independentemente de que ofereça melhor rendimento aos assentados do que outros cultivos ou lavouras. Por que não poderia um assentado escolher o cultivo que lhe dê maior renda e usufruir seus resultados?

Tal "normalidade" não surge como um tsunami, mas em volumes crescentes, que vão ganhando consistência e poder. O caso da saúde é particularmente revelador. Em nome dela, há propostas de aumentos de contribuições, restrições ao fumo, mesmo em recintos que afetam somente os que usufruem o ato de fumar, à ingestão de bebidas alcoólicas ou à publicidade de medicamentos. O Estado apresenta-se como o grande patrocinador da saúde, quando está patrocinando somente a si mesmo. E o faz em nome do bem de cada um. Quem lhe confere esse poder?

Observe-se que, em nome da saúde, há projeto em curso para ressuscitar a CPMF, fortemente rechaçada por toda a população brasileira. Como os brasileiros são, hoje, contrários ao aumento de impostos, este aparece disfarçado de figura moral do bem de todos. A moral surge como justificativa de um simples acréscimo da arrecadação tributária! Da mesma maneira, por que deveria uma autoridade governamental banir o fumo em locais especialmente destinados a isso, sem afetar os não-fumantes? Não sabe cada um discernir o que é melhor para si, sem o auxílio da bengala estatal? Por que deveria o Estado determinar a "lei seca", graças a uma nova regulamentação apresentada com estardalhaço, como se fosse a salvação da saúde nacional? Por que o Estado deveria regulamentar a publicidade de medicamentos de livre compra em farmácias? Se a compra pode ser feita sem receita, onde estaria o seu dano para a saúde? Amanhã, vai o Estado legislar ainda mais no lar de cada um, como já começa a fazer? Onde reside o limite, se o solar da casa já foi transgredido? Cabe ao Estado informar sobre os efeitos nocivos de determinados hábitos para a saúde pessoal. Não lhe cabe tomar o lugar da escolha individual.

Levemos esse argumento ao seu extremo. Consideremos que a ingestão de colesterol e de gorduras saturadas fazem mal à saúde. Pesquisas científicas referendariam essa avaliação. Seguir-se-ia daí que seria função do Estado decidir o que cada pessoa deveria, por dia, tomar de sorvete ou comer de carne? Os indivíduos não poderiam tomar sorvete ou comer carne além de uma determinada quantia? Haveria punição para os transgressores? Assim apresentada, a questão parece absurda, porém ela é, em seus efeitos, terrivelmente verdadeira.

Não faltam, inclusive, pseudopesquisas que procuram justificar "cientificamente" essas medidas. Na verdade, a sua justificação reside numa determinada noção do bem de natureza propriamente política, estatal, que se reveste de científica. Séries estatísticas, por definição, podem ser feitas de quaisquer coisas, bastando relacioná-las, sem que daí siga necessariamente uma relação causal. Tomemos o caso da proibição de ingestão de bebidas alcoólicas por condutores de veículos. A redução da mortalidade nas ruas e estradas tem sido atribuída a essa lei. A correlação estabelecida se faz entre a nova lei e a redução da mortalidade. Por que não uma outra correlação, entre a fiscalização rigorosa da aplicação da lei, que poderia ser perfeitamente a anterior, e a redução da mortalidade? Se afrouxar a fiscalização, haverá provavelmente um aumento de acidentes automobilísticos, apesar da lei seca. No entanto, quando isso vier a ser comprovado, o efeito midiático buscado já terá sido atingido: o Estado sempre sabe o que é melhor para o indivíduo!

Denis Lerrer Rosenfield é professor de Filosofia na UFRGS.

Corações e Mentes

Do portal MOVIMENTO ENDIREITAR
01 de Setembro de 2008 | Percival Puggina

Estou lendo a excelente biografia – "Hugo Chávez sin uniforme" –, escrita pelos jornalistas venezuelanos Alberto Barrera Tyszka e Cristina Marcano. O livro é ótima fonte de referências para quem quiser entender como funciona a cabeça desse sujeito cujo projeto de vida era chegar ao Palácio Miraflores, fosse através dos tanques, fosse através do voto.

Às folhas tantas, os autores se debruçam sobre as investidas de Chávez no sistema educacional, mediante a produção de um material didático orientado para a "revolução bolivariana". Diante da forte resistência dos pais, que saíram às ruas tão logo tiveram conhecimento do conteúdo desses novos livros, o histriônico presidente declarou: "No soy monedita de oro para caerle bien a todos". Subiu nas tamancas, empertigou-se, resistiu e lançou bravatas. Mas a revolta foi tão contundente que precisou recuar.

Nada há de original na tentativa de Chávez. Ela não chegou aos extremos inicialmente previstos, mas é certo que a educação venezuelana, hoje, inclui os elementos essenciais da doutrinação marxista. A propósito é bom lembrar que durante boa parte do século 20, os comunistas da América Latina prepararam-se, lutaram, viveram, mataram e morreram pela "revolução". Esse era o ânimo das alianças libertadoras nacionais (ALNs) e grupos assemelhados que infernizaram décadas da história política continental e deram causa aos governos militares surgidos entre os anos 60 e 80 do século passado. Na expectativa dos revolucionários, a luta armada deveria levar ao alçamento em armas e a isso o povo era convocado em sucessivos e inúteis manifestos. O povo jamais lhes deu bola. Não lhes deu bola nem mesmo quando essa convocação foi exercida contra governos que suprimiam liberdades públicas. Ainda assim, seu credo lhes preserva a absoluta certeza de agirem pelo povo, com o povo e para o povo, cujo santo nome usam absolutamente em vão. E dane-se o povo se duvidar disso.

A guinada metodológica que os está levando ao poder pela via mais fácil do voto surgiu com a leitura da obra de Gramsci, cuja metodologia implica a conquista de corações e mentes através da infiltração nos meios culturais. Infiltração, aliás, que não preservou e não preserva sequer a Igreja e seus seminários e que, obviamente, inclui os sistemas de ensino público e privado. Acertou na mosca, portanto, a revista Veja, em sua recente matéria sobre a doutrinação marxista nas escolas brasileiras. A reportagem "Prontos para o século XIX" é uma descrição correta e tardia do que está em curso há quase quatro décadas nos educandários brasileiros e dos países vizinhos, porque a orientação é a mesma para todos, com êxito que se comprova a cada eleição.

Note-se: o processo denunciado pela reportagem está em curso na rede pública – o que se poderia justificar pela falta de tutano político dos gestores que, gradualmente, entregaram essa rede ao comando dos sindicatos funcionais – e está em curso na rede privada, inclusive nas escolas confessionais, como bem identifica a matéria. Há vários anos, escrevi artigo com o título "Alerta aos pais", no qual observava que quem matricula um filho de seis ou sete anos em escola particular, o faz tendo em conta a orientação filosófica ou religiosa que ela segue. Se essa pessoa for católica, evangélica ou israelita, provavelmente optará por um estabelecimento de igual confissão. A criança, nessa idade, não tem um miligrama de marxismo no cérebro. É bem provável que já ame o Brasil, creia em Deus, no valor da solidariedade, na dignidade da pessoa humana. Seus pais a ensinaram a respeitar a propriedade alheia. Exercem o direito de ter seu filho educado em fidelidade à fé, princípios e valores que adotam e seguem.

A escola está autorizada a educar tais crianças, mas não recebeu procuração para as manipular, para as influenciar politicamente, ou para lhes meter na cabeça idéias que os pais não querem ver lá dentro. É preciso pôr freio nesse tipo de estupro mental. Se os colégios querem formar marxistas e socialistas, que o informem com clareza. É perfeitamente legítimo fazê-lo. Eduquem assim os filhos dos pais que o desejarem. Mas mudem de nome. Que passem a se chamar Colégio Che Guevara, Faculdade Karl Marx, Escolas Reunidas Mao-Tse-Tung, Curso Técnico Luiz Carlos Prestes. E deixem de usar, para fins impróprios, nomes com significado religioso.

O Colégio Anchieta de Porto Alegre contestou a matéria da Veja sem a responder. Considerou parcial e insignificante o fato de um de seus professores atacar em aula os empresários e suas máquinas pelo desemprego que produzem e convocar os estudantes, filhos de empreendedores, a questionar os pais sobre se eles estão fazendo isso. O Sinpro/RS, sindicato dos professores de escolas particulares, veio em apoio aos colegas, num texto maluco que defende com unhas e dentes a liberdade de cátedra (como autorização para um professor ensinar uma idiotice daquelas) e trata de maneira jocosa a liberdade de expressão usada pela revista. Dois pesos, duas medidas.

São esses gênios da lógica que comandam as corporações que dirigem a política educacional que forma a mentalidade das crianças brasileiras. São esses talentosos mestres e suas idéias que levam o Brasil à 76ª posição no ranking da Unesco e situam nosso padrão educacional atrás da Bolívia, do Paraguai e do Equador.

Fonte: http://www.puggina.org

Última atualização ( Seg, 01 de Setembro de 2008 12:24 )

A política de natalidade assassina na China

Do blog CAVALEIRO CONDE
Domingo, Agosto 31, 2008



O mundo parece que se esqueceu das atrocidades do governo chinês contra o seu povo. Este vídeo feito por jornalistas ingleses retrata a política de natalidade chinesa, em que milhares de crianças são abandonadas ou mesmo assassinadas pelo regime comunista. O povo chinês não vale mais do que o gado. Enquanto isso, o ocidente se deslumbra com as Olímpiadas. . .

CONTRA-INFORMAÇÃO E PROPAGANDA

Do portal do NIVALDO CORDEIRO
16/08/2008

Foi cirúrgico: ao tempo em que vieram a público as notícias sobre os e-mails encontrados no computador do terrorista Raúl Reys, comprometendo autoridades brasileiras ligadas ao PT, o ministro da Justiça, Tarso Genro, inventou o factóide de revisão da Lei de Anistia, atiçando a ira do meio militar. A notícia importante, a ligação de nossas autoridades com o terrorismo das FARC, sumiu como por encanto de todos os meios de comunicação, entrando em seu lugar o factóide inventado por Genro. Dias depois o bondoso Lula mandou seu ministro se calar, ficando o dito pelo não dito, mas o escândalo dos e-mails foi devidamente esquecido.

Fiquei muito impressionado com o poder da contra-informarão e o soberbo poder demonstrado sobre a mídia que têm os estrategistas do Planalto. Nem nos tempos do Regime Militar vi tamanha eficiência e grau de controle do poder constituído sobre a mídia. A notícia mais sensacional e importante de nossa grande política foi picada no triturador de papel, no caso as manchetes de jornais que deixaram de ser impressas.

-x-x-x-

Vou votar em Geraldo Alckmin para prefeito de São Paulo. É o melhor nome, o único em condições de vencer Marta Suplicy. Ontem o IBOPE divulgou estranhíssima pesquisa, pela qual a candidata do PT abriu quinze pontos de vantagem sobre o candidato do PSDB. Como nenhum fato novo relevante aconteceu desde a última pesquisa divulgada (dava vantagem a Alckmin), só posso concluir que esses novos números ou têm forte viés de amostra (erro técnico) ou a mão deliberada do inimigo. A mesma técnica usada para apagar os rastros de Raúl Reys da mídia pode estar sendo utilizada para induzir o eleitorado a achar que Marta “já ganhou”.

Reiteradas vezes tenho apontado que o fato de São Paulo (prefeitura e Estado) não estar nas mãos do PT é o grande freio para as ambições totalitárias do partido governante. Não que José Serra seja alguém diferente do PT, ao contrário. Serra, assim como muitos dos que se filiam ao PSDB, comunga das idéias igualitaristas do PT e pratica objetivamente a mesma política. Ocorre que esses políticos não empunham mais a bandeira revolucionária e aceitam o jogo democrático da alternância de poder. No caso particular de Serra há um terceiro fator: seu grupo não se dá pessoalmente com o PT, até onde se sabe. O efeito “caciquismo” é importante para que o governador de São Paulo se mantenha longe da influência petista.

Mas Serra, por seu voluntarismo individualista, pode indiretamente estar ajudando o PT. Ao forçar a candidatura do prefeito Kassab contra suas próprias bases e contra as evidências de que Alckmin reúne as melhores condições para derrotar Marta Suplicy, põe água a mover o moinho do PT. De fato Serra, ao não se ligar publicamente ao candidato de seu partido e ao não somar esforços eleitorais consistentes – vale dizer, pôr recursos e energia na campanha – está fazendo o jogo do inimigo.

Uma eventual derrota de Geraldo Alckmin poderá comprometer mais do que a futura candidatura de Serra à Presidência da República, poderá significar a perda sucessiva da prefeitura de São Paulo e do governo do Estado. Marta, eventualmente vitoriosa, marchará resoluta para ganhar o governo do Estado. Aí o país inteiro ficará á mercê dos revolucionários que comandam hoje o Palácio do Planalto. O que está em jogo é o futuro da democracia no Brasil.

A miopia do grupo de José Serra reflete a miopia de nossa classe pensante (C.T. - fico com as observações do Olavo de Carvalho: o PT e o PSDB são irmãos gêmeos criados pela mesma mãe monstruosa, a mentalidade revolucionária dos celerados da USP. Fazerem o jogo situação/oposição e vice-versa com o objetivo de monopolizar o poder político entre dois pólos apenas enquanto este não se transforma em PODER TOTAL, como estamos vendo acontecer no Brasil), desde sempre, a de que o PT é um partido como outro qualquer. Não é. É um partido revolucionário que está à espera de acumular forças suficientes para colocar seu projeto totalitário em ação. Se seus dirigentes ganharem a prefeitura de São Paulo darão um passo gigante na direção de sua hegemonia. Aí até o projeto de re-reeleição de Lula sairá do papel com rapidez.

Mentiras como essas de Tarso Genro sobre a Lei da Anistia, para enganar a opinião pública, assim como essas pesquisas tecnicamente contestáveis sobre a tendência do eleitorado nem mais precisarão ser utilizadas como expediente. Podemos estar agora na véspera do poder totalitário.

A moralidade deles e a nossa moral. . .

Do blog CAVALEIRO CONDE
Sexta-feira, Agosto 22, 2008

Nasci no meio militar. Durante um bom tempo de minha vida, morei em vilas militares. Estudei em colégios administrados por militares. Por toda essa trajetória, raramente deparei-me com um nível tão alto de pessoas a serviço deste país. Da cepa do oficialato conheci eruditos, pianistas, cientistas, homens de sólida cultura. Conheci também a banda podre, mas era minoria. No geral, as forças armadas são compostas de pessoas decentes, de ilibada formação moral. Além de honrados, são verdadeiros patriotas. Em épocas caóticas da república brasileira, nunca se recusaram ao dever de salvar o país da subversão e da ausência de caráter da classe política. Na verdade, com a queda da monarquia, em 1889, o exército brasileiro se tornou a única instituição de consenso republicano da nação, uma espécie de poder moderador. Não deixa de ser uma tragédia, por um ponto, já que o império foi a única instituição política realmente estável do país. Porém, as forças armadas gozam de credibilidade, precisamente por serem as únicas instituições que inspiram honestidade em uma república cada vez mais corrompida. As estatísticas não negam. A despeito de toda a fábrica de calúnia e mentiras com relação as forças armadas, é uma das instituições mais populares do país. As forças armadas possuem muitos defeitos. Entretanto, suas virtudes são melhores do que seus pecados.

E por falar em desinformação, calúnia e mentiras, o governo federal, na figura do Ministro da Justiça Tarso Genro, agora move mais um ato de vingança contra os militares. Ao arrepio do caso jurídico perfeito, da coisa julgada e do direito adquirido, quer revogar a Lei de Anistia, o decreto que propiciou a volta da normalidade democrática do país. A Anistia isentou tanto o governo, como o lado da subversão comunista, dos crimes políticos decorrente no regime militar. Na verdade, a lei colocou um ponto final no estado de exceção, criando condições propícias para que os ressentimentos causados por aquela época fossem apagados da memória, sem guardar os seus devidos traumas.

No entanto, a esquerda é rancorosa. Apoiada pela ONU, por ONGs internacionais riquíssimas e por uma campanha de desinformação na imprensa e na classe intelectual, quer revogar aquilo que deu as garantias necessárias para que ela mesma retornasse ao poder no país. Claro, a anistia só vale para os terroristas, seqüestradores e assaltantes de banco da guerrilha. Isso porque lei da anistia nunca abrangeu o perdão a esses crimes. Quando o Sr. Tarso Genro prega o fim da anistia, numa tacada só, ele criminaliza a reputação dos militares, ao mesmo tempo que isenta as práticas da esquerda revolucionária de seus crimes. Os argumentos são tacanhos, artificiosos. Em nome de se deparar com o “passado” do país, os comunistas querem justificar a unilateralidade de sua história e atingir a reputação das forças armadas. Na realidade, há muito tempo eles fazem isso. O que se conta sobre a contra-revolução de 1964 nas escolas e universidades é pura mentira, pura falsificação, pura mistificação. Como é mentira, falsificação e mistificação a idéia falaciosa de que os guerrilheiros, terroristas e assassinos seqüestradores lutavam por democracia. Besteira! Lutavam para instaurar uma ditadura totalitária no país! Lutavam para transformar o Brasil numa gigantesca Cuba, espalhando revoluções para a América Latina. O corrupto ex-ministro da Casa Civil José Dirceu que o diga (ele que era espião do regime cubano e foi treinado para espalhar focos de guerrilha e terrorismo no Brasil). O meu grande amigo, o príncipe Dom Bertrand, em uma conversa informal, falava-me a respeito disso: - As forças armadas não salvaram o Brasil do comunismo. Salvaram a América Latina inteira!

A mobilização esquerdista sobre a revogação da Anistia lembra as piores épocas do período stalinista. Trotsky, com muita propriedade, dizia que a moral revolucionária não era a moral comum. Quando se comparam os escrúpulos dos bandidos de esquerda que governam atualmente o país e os militares de 1964, há uma tamanha disparidade de caráter, de princípios e de moralidade, que só mesmo tamanha canalhice pode mover tal cinismo jurídico.

Dilma Roussef, a Ministra da Casa Civil, no programa do charlatão Jô Soares, falava abertamente de sua participação no roubo do dinheiro de uma suposta amante do governador paulista Adhemar de Barros. Dias antes dessa entrevista, em audiência com senadores, ela dizia se orgulhar de mentir para os supostos torturadores dela, na época do regime militar. Do mesmo modo, ela passava o pito de que estava mentindo mesmo para o Congresso Nacional inteiro. Comenta-se que um professor da Unicamp, o Sr. João Quartim de Morais, atualmente militante do PC do B, se orgulhava de ter participado do assassinato do oficial americano Charles Chandler, em 1968, quando seu grupo crivou o militar com rajadas de metralhadora na frente do filho e da esposa da vítima. Se não bastassem esses auto-elogios obscenos, a esquerda não se cansa de se auto-indenizar pelos feitos de criminalidade. Um dos assassinos do capitão Chandler, o Sr. Diógenes de Oliveira, conhecido como “Diógenes do PT”, recebeu uma indenização milionária do contribuinte por suas práticas terroristas neste período. Todavia, as maldades do sujeito não param por aí. Ele também foi responsável pela explosão do consulado americano no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, em 1968. Três estudantes que passavam a frente do prédio foram atingidos pelo estilhado da bomba e um deles perdeu a perna. Enquanto o Sr. Diógenes é indenizado com uma dinheirama por serviços prestados aos crimes revolucionários, o estudante aleijado jamais recebeu a menor atenção do governo. Também em 1968, foi Diógenes um dos responsáveis pela explosão de um carro-bomba em frente ao quartel do exército de Ibirapuera, fazendo virar pó o sentinela Mário Kozel Filho.

Entretanto, a esquerda não se deixa de rogado. Queria elevar o desertor Lamarca, inimigo confesso do exército brasileiro e assassino covarde do tenente da PM Alberto Mendes Junior, como general póstumo das próprias forças armadas que combateu. E mesmo glorificar outros demais bandidos daquela época funesta, como se a criminalidade terrorista fosse um sinônimo excelso de virtudes. A família de Mário Kozel Filho, o militar feito em pedaços pela bomba do Sr. Diógenes do PT, recebeu apenas um mísero salário mínimo de indenização.

Enquanto a esquerda se orgulha e se premia de seus crimes, os militares se mostram contritos com o seu passado. E isso tem uma explicação simples: o exército tem reputação e caráter. A grande maioria dos militares não sente nostalgia do regime militar. Pelo contrário, o oficialato é leal à democracia e a Constituição. Nem mesmo a tortura e as perseguições políticas são motivos de orgulho para eles. Sob determinados aspectos, a violência política contra a guerrilha foi um estorvo para a maioria dos oficiais, acostumados às regras convencionais da guerra. Impressionante é perceber que, mesmo com poderes autoritários, praticamente todos os presidentes militares morreram pobres, apenas vivendo de suas pensões. Não há um só caso de corrupção que envolva a reputação deles. Os serviços de repressão eram muito restritos a algumas pessoas que faziam o trabalho sujo. A grande maioria dos militares brasileiros de 1964 para cá não viveu a repressão política e estava alheia a ela.

Não se vê essa contrição quando os comunistas morrem de amores pela ditadura cubana, ainda que esta tenha executado milhares de cidadãos inocentes, que mal ofereciam resistência ao regime. Tampouco nunca de arrependeram de ter defendido ditaduras violentíssimas, como a de Stálin ou Mao Tse Tung, causadoras da morte de milhões de pessoas. Na verdade, se vê um orgulho psicótico, laudatório, egocêntrico, de crimes abomináveis. Isso porque o regime militar matou 300 bandidos e a maioria dos terroristas sobreviveu. Percebe-se que, pelos números, o estado de exceção militar estava longe de uma ditadura totalitária. Na verdade, a esmagadora maioria da população brasileira jamais sentiu o menor pressentimento da repressão política. Pessoas tinham suas vidas normais e praticamente nada mudou em sua vida cotidiana. Isso não se pode dizer dos chineses, russos, cubanos, vietnamitas, alemães orientais e europeus do leste que sofreram os horrores da ditadura comunista.

A lógica do ministro trotskista Tarso Genro, o mesmo que manda a Polícia Federal expulsar os proprietários de suas casas sem mandado legal em Roraima, reflete tão somente o caráter delinqüente e terrorista de quem se embebedou por um relativismo moral doentio. Reflete a dúbia moral comunista que multiplicou o século XX de cadáveres. Os bandidos comunistas se enriquecem com o dinheiro público, usam o Estado como arma contra os inimigos e se vangloriam de seus crimes abjetos, enquanto culpam nos outros, o que é conseqüência de seus próprios atos. O regime militar foi uma reação violenta contra gente violenta. Foi legitimo porque salvou o país de males piores. A revogação da Anistia é tão somente a elevação moral do delinqüente e a condenação moral do justo que salvou o país. É a inversão da moralidade preconizada por Trotsky e que custou sua vida, quando um agente stalinista o matou com uma picaretada na sua cabeça. É a moral “nossa”, contra a moral “deles”. . .

*A primeira foto mais acima é o que sobrou do cadáver do soldado Mário Kozel Filho, morto por um carro-bomba, que explodiu em um quartel em SP. A segunda foto é a do tenente da polícia militar de SP, Alberto Mendes Junior, assassinado por Lamarca.

A vala do Cemitério de Perus

Do portal A VERDADE SUFOCADA
31/08/2008

José Dirceu antes da plástica e de mudar de nome. Se tivesse a infelicidade da falecer de qualquer uma das milhares de causas possíveis, não se achariam os parentes, seria enterrado e esquecido. Existem muitas maneiras de se perder a vida, mas se estiver na lista dos desaparecidos, só existirá um culpad

Os militantes das organizações terroristas, quando entravam na clandestinidade, abandonavam a família, os estudos, os amigos, a profissão e até o próprio nome. Tudo passava a fazer parte do seu passado.

Para viver na clandestinidade, necessitavam de nova história de vida, de novos amigos, de novo nome, de nova identidade.

Para isso não hesitavam em fraudar a lei. Nesse sentido, o mais comum era obterem uma nova certidão de nascimento, com o nome que passariam a usar. Com essa certidão compareciam a um serviço de identificação do governo, onde eram identificados e de onde saíam com uma nova carteira de identidade, legítima e válida para todos os efeitos legais. A partir desse momento, por meios criminosos, oficialmente, passavam a ser outra pessoa. Essa situação, em caso de arrependimento, era de longa e difícil reversão. Só poderia ser conseguida através da Justiça.

A exemplo deste fato, o jornal “O Globo” de 14/01/2007 publicou matéria de Evandro Éboli sob o título: “A dupla identidade de um clandestino na democracia”. Segundo o publicado, Carlos Augusto Lima Paz recebeu, em1972, do PC do B, uma identidade falsa com o nome de Raimundo Cardoso de Freitas. Em 1985 ele entrou na justiça para retomar sua real identidade, mas não teve sucesso. Somente em dezembro de 2006, a Comissão de Anistia aprovou o direito de Raimundo voltar a ser quem é: Carlos Augusto.

Outro procedimento era receberem do Serviço de Inteligência da organização identidades falsas. As cédulas das carteiras de identidade, em branco, eram conseguidas nos assaltos aos Postos de Identificação do governo e as certidões de nascimento, em branco, também eram obtidas em assaltos aos Cartórios de Registro. Assim agindo, evitavam ser reconhecidos e presos caso procurassem um posto de identificação policial.

Creio que esse foi o caso de José Dirceu. Ao retornar de Cuba, ingressou no Brasil já com uma nova e falsa identidade, o que o permitiu continuar com suas atividades clandestinas. Casou, registrou um filho e fez negócios, usando essa falsa identidade. Creio que não foi fácil para José Dirceu, após a Lei da Anistia, voltar a usar o seu nome de batismo e deve tê-lo conseguido através da Justiça.

Só os Serviços de Informações possuíam fotos, geralmente desatualizadas, dos principais militantes das organizações terroristas.

Caso um militante, usando uma identidade com o nome diferente do seu, morresse num acidente, dificilmente seria reconhecido pelas autoridades policiais que atendessem a ocorrência.

Quando, porém, entre os documentos apreendidos em poder do morto era encontrado material subversivo, armas, bombas, etc, o DOPS ou o DOI (no caso de São Paulo) eram informados.

José Dirceu, se falecesse num acidente ou por doença, em Cruzeiro d’Oeste, nos idos de 1975 a 1979, teria sido sepultado legalmente com o nome de Carlos Henrique Gouveia de Melo. Hoje, seu nome certamente estaria incluído na lista de desaparecidos políticos e os órgãos de segurança acusados de ocultação de cadáver.

Quando um terrorista, usando uma identidade obtida de modo criminoso, morria em combate, tínhamos que seguir os procedimentos normais para sepultá-lo.

Como seu nome não constava na nossa relação de terroristas procurados, ficávamos na dúvida, mas tínhamos a certeza de que, normalmente, por medida de segurança, eles trocavam suas identidades. Começava, então, o nosso trabalho em saber quem ele era na realidade.

Às vezes, pela fotografia, um companheiro de militância o reconhecia. Outras vezes, pesquisando no álbum de fotografias, por semelhança, obtínhamos seu nome verdadeiro.

Obrigatoriamente, eram tiradas as impressões digitais pelas autoridades policiais encarregadas do sepultamento e comparadas com as da carteira de identidade que portava. Confirmado que eram idênticas, o sepultamento era feito com o nome constante na carteira.

Suas impressões digitais eram enviadas aos Serviços de Identificação para que suas fichas datiloscópicas fossem comparadas e o verdadeiro nome oficialmente identificado. Isso demandava tempo.

No inquérito policial, aberto para apurar a morte, essa situação da dupla identidade era declarada, mas só a Justiça poderia fazer o morto voltar à sua primeira identidade.

Normalmente, as famílias nem sabiam de seu falecimento, apesar de noticiados em jornais, pois desconheciam os seus paradeiros. O morto era enterrado numa cova rasa, mas com a exata localização no cemitério. A qualquer momento, a sepultura poderia ser encontrada. Não era, portanto, sepultamento clandestino.

Em São Paulo, a maioria dos terroristas mortos em combate foi sepultada no Cemitério Dom Bosco, no bairro Perus.

Passado o prazo legal, que penso ser de cinco anos, como acontece em todos os cemitérios do País, se a família não retirasse os restos mortais e os colocasse num nicho ou em um jazigo, eles seriam exumados e enterrados numa vala comum, juntamente com as ossadas de outras pessoas que se encontrassem na mesma situação. A esquerda, dentro do quadro de revanchismo a que se impôs, explora essa situação e acusa as autoridades de enterrar os “presos políticos” em cemitérios clandestinos e com nomes falsos.

Em 1990, Luiza Erundina, então prefeita de São Paulo pelo PT, com a força do seu cargo, ajudou a esquerda nesse processo de “denúncias”, criando a Comissão Especial de Investigações das Ossadas de Perus.

Em 4 de setembro daquele ano, a prefeitura de São Paulo abriu com grande estardalhaço, com manchetes e mais manchetes na mídia, a Vala de Perus, localizada no Cemitério Dom Bosco, na periferia da cidade, onde estavam enterradas 1.049 ossadas de indigentes e, possivelmente, de alguns terroristas.

Ainda em setembro desse ano, no dia 17, instalou-se na Câmara Municipal de São Paulo uma CPI para investigar as “irregularidades” na Vala de Perus.

De acordo com www.desaparecidospoliticos.org.br:

“em seis meses de atividades da CPI, foram realizadas 42 sessões ordinárias, uma extraordinária, várias diligências ao Sítio 31 de março de 1964, em Parelheiros, três visitas à Secretaria de Segurança Pública, cinco à Prefeitura Municipal, uma ao DHPD, duas ao Departamento de Comunicação Social da Secretaria de Segurança Pública, duas à Polícia Federal, duas ao Cemitério de Perus e duas à UNICAMP.”

O Sitio 31 de Março, de propriedade do senhor Joaquim Rodrigues Fagundes, foi incluído nas investigações por vingança, pois eles não aceitavam que um sítio tivesse esse nome. Inventaram que nele estavam enterrados os corpos de muitos “desaparecidos”. As máquinas da prefeitura revolveram o solo do sítio, deixando-o em uma situação lastimável. Como já se esperava, nada foi encontrado. Tudo não passou de um teatro, montado para a imprensa que, aliás, “esqueceu” de publicar o resultado das escavações.

No dia 09/04/2003, o Serviço Funerário do Município de São Paulo publicou no Portal Prefeitura de São Paulo, sob o título: “SFMSP ajuda a resgatar a história política do Brasil”, uma matéria da qual destacamos:

“O Serviço Funerário também participou ativamente da localização das ossadas de mais de mil militantes políticos que foram assassinados e enterrados em vala clandestina do Cemitério de Perus. No dia 4 de setembro de 1990, os corpos foram exumados para análise e identificação.”

Segundo a ONG Tortura Nunca Mais, foram 358 os mortos e desaparecidos em todo o Brasil e no exterior, incluídos os do Araguaia, os que se suicidaram, os que faleceram em acidentes de carro, os mortos em passeatas e arruaças.

Já Nilmário Miranda, em seu livro Dos filhos deste solo, aponta 420 mortos, dos quais 23, segundo ele, não têm motivação política e um dos “mortos”, Wlademiro Jorge Filho, está vivo (página 468 do seu livro). O número portanto cai para 396 mortos.

De onde esse Serviço Funerário da Prefeitura, na época de Marta Suplicy do PT, tirou os mais de mil militantes políticos, enterrados na Vala de Perus?

Por que mentir de forma tão leviana? Por que empregar a teoria de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Hitler, de que a mentira, muitas vezes repetida, se torna uma verdade? Qual o interesse da prefeitura e por que a irresponsabilidade em afirmar o que é inverídico?

Segundo a matéria, nenhum terrorista foi morto em combate com os órgãos de segurança, todos foram assassinados, e a vala comum, que sempre existiu, passou a ser clandestina.

Segundo o site www.desaparecidospoliticos.org.br/perus.htm-25k- :

- Em 1973, a família dos irmãos Yuri e Alex de Paula Xavier Pereira descobriu que Yuri estava enterrado no Cemitério de Perus. Procurando o administrador do cemitério, localizou no livro de registros o sepultamento de João Maria Freitas, nome falso usado por Alex.

- Em junho de 1979, alguns familiares foram ao Cemitério de Perus e localizaram outros militantes mortos, sob identidade falsa, como Gelson Reicher, enterrado com o nome de Emiliano Sessa, e Luís Eurico Tejera Lisboa, enterrado como Nelson Bueno.

- Em 1992, foram identificados na Vala de Perus Denis Antônio Casemiro, considerado desaparecido, e Frederico Eduardo Mayr.

- No Cemitério de Perus foram identificados três esqueletos em covas individuais, como sendo de Helber José Gomes Goulart, Antônio Carlos Bicalho

Lana e Sônia Maria de Moraes Angel Jones.

- No mesmo cemitério foram identificados os esqueletos das covas onde estavam enterrados Hiroaki Torigoe e Luís José da Cunha. Seus ossos foram retirados e enviados para o DML/UNICAMP.

A respeito do que está publicado nesse site, podemos acrescentar que:

- Denis Antônio Casemiro não é desaparecido. Segundo o livro de Nilmário

Miranda e Carlos Tibúrcio, foi enterrado com o verdadeiro nome.

- Hiroaki Torigoe faleceu em 05/01/72. Sua morte foi publicada no dia

seguinte no jornal O Estado de S. Paulo, onde consta o seu verdadeiro nome.

Apesar de se saber, através de fotografias, o nome de nascimento, foi enterrado com o nome dos documentos que portava ao morrer: Massamiro Nakamura.

Torigoe só foi identificado oficialmente depois de prolongada busca nos órgãos de identificação para a comparação das suas impressões digitais.

- Alex de Paula Xavier Pereira e Gelson Reicher morreram no dia 20/01/1972, em tiroteio com uma equipe do DOI, após terem abatido a tiros de metralhadora o cabo Sylas Bispo Feche, desta equipe. As suas mortes foram tornadas públicas dois dias depois, em matéria do jornal O Estado de S. Paulo, onde constam seus nomes verdadeiros. Foram sepultados com os nomes constantes nos documentos que usavam ao morrer, João Maria Freitas (Alex) e

Emiliano Sessa (Gerson). Em novembro de 1980, a família de Alex retirou do Cemitério de Perus os restos mortais dos dois irmãos, Yuri e Alex, e os sepultou no Cemitério de Inhaúma, no Rio de Janeiro. A família de Gelson Reicher, após exumar seu corpo no Cemitério de Perus, o sepultou no Cemitério Israelita.

- Frederico Eduardo Mayr, ao morrer no dia 24/02/1972, foi enterrado com o nome que usava: Eugênio Magalhães Sardinha.

- Yuri Xavier Pereira, Ana Maria Nacinovic Corrêa e Marcos Nonato da Fonseca faleceram em 14/06/1972. A noticia de suas mortes foi publicada no dia 18/06/1972 pela imprensa, inclusive pelo Diário Popular, onde aparecem seus nomes verdadeiros.

- Helber José Gomes Goulart faleceu em 16/07/1973. Usava os nomes falsos de Walter Aparecido Santos e Acrísio Ferreira Gomes. Os jornais Folha da Tarde e Jornal do Brasil, do dia 18/07/1973, publicaram sua morte, com sua foto e nome verdadeiro.

- Antônio Carlos Bicalho Lana e Sônia Maria de Moraes Angel Jones faleceram em 30/11/1973. Suas mortes foram publicadas na imprensa, inclusive no jornal O Globo de 01/12/1973.

Recentemente, em 03/09/2005, os jornais do País publicaram matéria a respeito das ossadas de Flávio Carvalho Molina. Segundo o jornal Correio Braziliense:

“Flávio Carvalho Molina foi enterrado com o nome falso de Álvaro Lopes Peralta, no Cemitério Dom Bosco, em Perus. Posteriormente, seu corpo foi exumado e transferido para uma vala comum, junto com os restos mortais de outros presos políticos, enterrados como indigentes. Em 1990, a vala foi aberta e 1.049 ossadas exumadas, entre elas as de Molina.”

A notícia é tendenciosa. Como já expliquei, Flávio tinha de ser sepultado com o nome que usava ao morrer, isto é Álvaro Lopes Peralta. Assim, o corpo foi encaminhado para autópsia ao Instituto Médico Legal, órgão do governo do Estado de São Paulo, a quem cabia, por força de prescrição legal, a responsabilidade pelo sepultamento. Também, quem lê a noticia é induzido a pensar que as 1.049 ossadas eram de “presos políticos” e não de indigentes.

A bem da verdade, Flávio Carvalho Molina foi sepultado na cova 14, rua 11, quadra 2, gleba 1, registro 3.054. Isso consta no Inquérito Policial, enviado à 2ª Auditoria Militar, em São Paulo. Se a sua família tivesse lido os jornais da época e se tivesse procurado as autoridades, como o fez em julho de 1979, saberia onde estava enterrado o seu ente querido e poderia, como o fizeram outras, tê-lo exumado, evitando que, após cinco anos, sua ossada fosse sepultada na vala comum, juntamente com indigentes.

Que fique bem claro, Flávio Carvalho Molina não foi enterrado clandestinamente nem com nome falso; paradoxalmente, o último nome que usava também era verdadeiro.

Em junho de 2006, a mídia publicou, com grande destaque, a identificação da ossada de Luís José da Cunha, o “Crioulo”, que morreu em combate em meados de 1973 e teria sido enterrado no cemitério de Perus como indigente.

Ao final da década de 60, “Crioulo”, após regressar de Cuba, onde fizera curso de treinamento de guerrilha, destacou-se como um militante e terrorista de prestígio na sua organização, sendo escolhido membro do Comando Nacional da ALN em 1973.

Com a experiência desse treinamento, desempenhou importante papel na formação de vários jovens que se atiraram na luta armada, levando muitos a morte.

Foi segurança e homem de confiança de Marighella, o ideólogo do terror.

No dia 29/06/2006 o Correio Braziliense publicou a seguinte matéria:

“A Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos anunciou ontem a identificação, por amostras de DNA, da ossada do guerrilheiro Luís José da Cunha, mais conhecido como “Crioulo”, da Ação Libertadora Nacional (ALN). Emboscado em Santo Amaro, zona sul de São Paulo, por uma equipe do Destacamento de Operações de Informações e Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI). “Crioulo” foi morto em junho de 1973 e enterrado como indigente no Cemitério de Perus, na zona oeste da capital paulista.

Os autos da autópsia, recuperados pela Comissão de Mortos em 1995 revelaram que ele foi “brutalmente torturado até a morte e teve a cabeça arrancada para dificultar a identificação, só possível agora com os avanços da medicina legal”, segundo o presidente da comissão Marco Antonio Barbosa.

Nos arquivos do regime militar, o laudo original, assinado pelo médico Harry Shibata, descreve a morte como conseqüência de um tiro em confronto com a polícia. “Só a autoria já colocava o laudo sob suspeição e agora fica provado que era mais uma farsa”, disse Barbosa, ao lado da viúva de “Crioulo”, a também ex-militante da ALN Amparo Araújo. “Os ossos foram localizados há 15 anos durante as escavações no cemitério, para onde a Oban, destinada a eliminar inimigos do golpe militar, mandava as vítimas. A maior prova de que “Crioulo” foi submetido a tortura, como demonstra o segundo laudo determinado pelo governo, é que, na foto cadavérica, aparecem 11 lesões graves, típicas de suplício, só no rosto dele”.”

Profissionais competentes se fossem comprometidos com a verdade; se tivessem o interesse de resgatar o fato e o comparar com as versões para bem informar; e se explorassem a veia investigativa que estimula e diferencia o profissional da informação dos profissionais de ocasião, por certo pesquisariam nos jornais de São Paulo/SP de julho de 1973 e encontrariam artigos sobre o assunto em questão, o que lhes permitiria informar aos leitores com maior precisão.

O bom e competente jornalista dá um colorido especial ao fato e às circunstâncias que o envolvem, estimulando a elaboração de uma matéria que mais se aproxime da verdade, enquanto que o repórter sectário e manipulador constrói e deforma a história, segundo interesses e conveniências políticas e ideológicas.

A respeito da morte de Luís José da Cunha, “Crioulo”, ocorrida em julho de 1973, e não em junho como publicou o Correio Braziliense, os fatos se passaram como a seguir é descrito:

Durante uma ronda realizada por uma Turma de Busca e Apreensão do DOI, às 14 horas e 30 minutos do dia 13/07/1973, na altura do nº 2000 da Avenida Santo Amaro, foi observado um indivíduo com as características de Luís José da Cunha. Estabelecido o cerco, o suspeito foi abordado para identificação, reagindo violentamente com sua pistola automática e procurando se evadir.

Na tentativa de fuga, o terrorista procurou se apropriar do carro onde estavam as jovens Silvia Maria B. Prata, RG 6.094.658, e Patrícia Maria Ernesta Cennacchi, ferindo-as levemente com sua pistola. As duas foram socorridas no Pronto Socorro Santa Paula.

Após intenso tiroteio, o suspeito caiu ferido, vindo a falecer quando transportado para o Pronto Socorro Santa Paula.

O morto, confirmadas as suspeitas, era Luís José da Cunha, que, na ocasião,

portava documentos falsos com o nome de José Mendonça dos Santos.

Como “Crioulo” não foi preso e nem interrogado, seu “aparelho”, situado na rua Bom Pastor nº 2326, bairro do Ipiranga, São Paulo/SP, só foi localizado no dia19 de janeiro de 1974. Nele foram encontrados documentos falsos com os nomes de Luís de Oliveira, Oswaldo de Almeida e Antonio Milton de Morais, cinco recibos de entrega de Declaração de Rendimentos e duas vias do CIC nº 413841488, em nome de Luiz de Oliveira. A Receita Federal foi avisada para dar baixa desses nomes falsos, declarados por “Crioulo”.

Luís José da Cunha foi enterrado no Cemitério de Perus com o nome falso que portava, em uma cova identificada. Sua morte foi publicada com destaque na imprensa. O Jornal da Tarde, de São Paulo/SP, no dia 14 de julho de 1973, um dia após a sua morte, publicou matéria, onde consta o nome verdadeiro de “Crioulo”.

Como a família não procurou os restos mortais desse dirigente nacional da ALN no prazo legal, seu corpo foi exumado e transferido para o ossuário do cemitério.

A exploração política, ideológica e comercial do assunto, o desrespeito ao tema e às pessoas envolvidas, emocionalmente ou não, e as acusações grosseiras e infundadas que não resistem a uma pesquisa séria e cuidadosa, permite refutar com lógica, com equilíbrio, com fatos e com provas, a farsa dessa calúnia.

É ridícula e sem nexo a afirmativa do presidente da Comissão de Mortos de Familiares e Desaparecidos, Marco Antonio Barbosa, de que “Crioulo” teve a cabeça arrancada para dificultar a identificação e ser sepultado como indigente, o que demonstra a má fé da afirmação.

Se é verdade que a cabeça foi encontrada separada do corpo, a hipótese provável é que a separação tenha ocorrido no ato da exumação da cova rasa para o sepultamento na cova coletiva.

Como se pode verificar, os corpos de todos esses terroristas não foram enterrados clandestinamente. Foram enterrados oficialmente, com os registros feitos na administração do cemitério. As autoridades do DOPS e do IML que providenciaram os seus sepultamentos jamais ocultaram seus cadáveres. Todos foram sepultados em covas individuais, todas identificadas.

A farsa do Cemitério de Perus, publicada com alguma insistência e de forma irresponsável, sem nenhum cuidado jornalístico de preservação da verdade, nem mesmo pelo denominado jornalismo investigativo, continua até hoje enganando o povo e acusando, de maneira sórdida, as autoridades policiais, daquela época, de ocultação de cadáveres. A repercussão na imprensa dos sepultamentos de Flávio Carvalho Molina e de Luís José da Cunha demonstra do que eles são capazes quando querem mentir.

Retirado do livro " AVerdade Sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça" - do Cel Ref Carlos Alberto Brilhante Ustra.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".