Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Os insuspeitíssimos

Diário do Comércio, 9 de março de 2009

Se você se interessa pelos rumos da política mundial, chega um dia em que tem de escolher entre compreender os fatos e continuar tentando parecer um sujeito normal e equilibrado. Normalidade e equilíbrio são coisas altamente desejáveis, mas um esforço exagerado para simular calma e ponderação quando na verdade você está perplexo e desorientado prova apenas que você é um neurótico incapaz de suportar suas próprias emoções. Como o calmante artificial mais popular consiste em negar as realidades perturbadoras, há muito tempo os estrategistas revolucionários e os engenheiros sociais a seu serviço já aprenderam a usá-lo como instrumento de controle da opinião pública. O truque é de um esquematismo espantoso: eles simplesmente adotam o curso de ação mais ousado, estranho, inesperado e inverossímil, e ao mesmo tempo estigmatizam como louco paranóico quem quer que diga que estão fazendo algo de anormal. De cada dez cidadãos, nove caem no engodo. A insegurança mesma da situação faz a maioria apegar-se a falsos símbolos convencionais de normalidade, sufocando os fatos estranhos sob o peso dos lugares-comuns consagrados e assim ajudando a tornar ilusoriamente secreto o que na verdade está à vista de todos.


Os exemplos de aplicação dessa estratégia desde o início do século XX são tantos, que seu estudo bastaria para constituir uma disciplina científica independente. Vou aqui citar apenas um, cuja magnitude contrasta com a escassez de interesse geral em conhecê-lo.


Desde a década de 20, enquanto os regimes comunistas promoviam a mais brutal e ostensiva perseguição aos cristãos nos seus territórios, os grandes estrategistas do comunismo – numa gama que vai de Stálin a Antonio Gramsci – já haviam chegado à conclusão de que, nas nações democráticas, o ataque frontal à Igreja não ia funcionar: o que era preciso era infiltrar-se nela, corrompê-la e destruí-la por dentro, esvaziá-la de todo conteúdo espiritual e usá-la como caixa de ressonância para as palavras-de-ordem emanadas do comando revolucionário.


Todo mundo já ouviu falar disso. Não há quem não saiba que há comunistas na Igreja. Mas quantos são eles? Quem são? Quais as suas formas de ação? Como identificá-los, denunciá-los e expulsá-los? Será razoável imaginar que a substância letal injetada no corpo da Igreja se reduza aos mais óbvios e barulhentos “padres de passeata”, como os chamava Nelson Rodrigues, e que não haja por trás deles agentes de nível incomparavelmente mais alto, agindo de maneiras mais discretas, camufladas e decisivas? Aí, de súbito, cessa toda curiosidade. As perguntas mais naturais – inevitáveis mesmo, para o fiel que se preocupe com a integridade da Igreja – começam a parecer, de repente, inconveniências de mau gosto, sinais de doença mental, manifestações de desrespeito à hierarquia eclesiástica. A pretexto de evitar o escândalo, reprime-se a investigação do crime, semeando escândalos mil vezes maiores no futuro.


Recentemente, Bella Dodd, ex-agente soviética que já denunciara a infiltração comunista na Igreja em seu livro “The School of Darkness”, consentiu em dar ao público, pela primeira vez, uma idéia mais exata das dimensões do fenômeno. Ela disse que havia milhares de agentes encarregados da operação, cada um tratando de colocar em seminários e outras instituições religiosas o maior número possível de “adormecidos”, isto é, agentes sem nenhuma missão imediata, encarregados de apenas permanecer dentro da Igreja, construindo identidades aparentes de católicos fiéis, aguardando instruções que poderiam vir dentro de uma, duas ou três décadas. Bella Dodd, sozinha, colocou na Igreja mais de mil e duzentos “adormecidos”. O total dos agentes infiltrados só nas décadas de 30 e 40 dificilmente estará abaixo de cem mil, sem contar os que vieram depois, quase que certamente em número maior. Muitos desses só entraram em ação na época do Concílio Vaticano II. Outros continuam subindo discretamente na hierarquia ou em organizações leigas, onde uma de suas mais óbvias funções é apagar os sinais da sua própria presença e, sob os pretextos mais santos, desestimular todo anticomunismo sistemático, boicotando os grupos e organizações que insistam em continuar obedecendo à ordem de Pio XII, transmitida a todos os católicos do mundo, para que combatessem o comunismo até com risco de suas próprias vidas (Cavaleiro do Templo: leia AQUI e veja que Pio XII afirma que basta AJUDAR um socialista/comunista para que a pessoa ESTEJA AUTOMATICAMENTE EXCOMUNGADA).


Mais nefasta do que a tagarelice dos notórios padres vermelhos é a ação amortecedora, castradora, empreendida desde dentro e desde cima por prelados e líderes leigos aparentemente respeitáveis, imunes a qualquer suspeita, cuja função estratégica não é pregar o comunismo, mas simplesmente secar as fontes do anticomunismo católico até que a Igreja se resuma, como no Brasil de hoje se resume, à Igreja esquerdista militante e agresssiva de um lado, e de outro a Igreja apolítica, omissa, silenciosa, manietada, debilitada e doente.


Muitos, para justificar o injustificável, alegam o primado do espiritual. Nossa missão, dizem, é orar e buscar a santidade, não sair em campo de armas em punho. Mas a hipocrisia desses indivíduos revela-se da maneira mais patente tão logo são testados: se permanecem silenciosos e tímidos quando suas organizações e a Igreja como um conjunto são difamadas e cobertas de injúrias pela esquerda, muito outra é sua reação quando alguém os critica desde um ponto de vista cristão e denuncia sua omissão e preguiça. Aí reagem com a fúria de mil demônios, desancando o infeliz como se fosse um rebelde, um heresiarca, um dinamitador de sacristias.


Muitos dos que fazem isso, é claro, não são agentes infiltrados. São apenas covardes genuínos, afetados da síndrome de simulação de normalidade que mencionei no início deste artigo. Mas é impossível que estes, tímidos por natureza, entrem em combate com tanta presteza sem ser incitados pelos primeiros. Simplesmente não é verossímil que tanta omissão em face do comunismo, aliada a tanta virulência contra o anticomunismo, não tenha nada de comunista nas fontes que a inspiram.

Doutora da Unicamp defende depredação da escola

RELÍQUIAS DA CASA VERDE
Um observatório das teses produzidas nas universidades brasileiras
Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008


"De que serviria uma educação que levasse à morte a sociedade que a praticasse?"
Émile Durkheim


Depredar como forma legítima de criticar


Para a pedagoga Áurea Guimarães, depredar escola é apenas uma manifestação crítica do aluno, que deve ser estimulada pelo professor. Ela não admite nem mesmo que o aluno sinta remorso por depredar a escola. Na prática, é a educação brasileira formando psicopatas mirins.


Em memória do prof. José Vieira Carneiro (1957-2001), vítima da pedagogia


Depredar a escola é uma forma legítima de contestação por parte do aluno, que, ao agir assim, está apenas sendo crítico em face do autoritarismo de diretores e professores. Cabe à escola aprofundar essa ação crítica, ao invés de condená-la. É o que defende, em trabalhos acadêmicos, a Dra. Áurea Maria Guimarães, professora titular da Unicamp e uma das mais requisitadas autoridades pedagógicas do país quando o assunto é violência e indisciplina nas escolas. Até 30 de março de 2007, Áurea Guimarães já havia orientado seis dissertações de mestrado e três de doutorado e estava orientando duas dissertações e duas teses. Também já havia participado, em várias universidades, inclusive na USP, de 25 bancas examinadoras de mestrado e 12 de doutorado, além de 11 bancas de qualificação de doutorado.


Graduada e licenciada em Ciências Sociais pela USP (1974-75) e mestre em Filosofia Social pela PUC de Campinas (1984), Áurea Guimarães defendeu seu doutorado em Filosofia e História da Educação na Unicamp em 1990, com a tese "A depredação escolar e a dinâmica da violência", sob a orientação do Dr. Newton Aquiles Von Zuben. Publicada em livro, com o título A Dinâmica da Violência Escolar: Conflitos e Ambigüidades (Editora Autores Associados, 1996, 172 páginas), sua tese de doutorado foi reeditada em 2005, pela mesma editora. Esta análise baseia-se não no livro, mas no texto original da tese de doutorado, um volume de 477 páginas, que será esmiuçado por partes, na medida do possível.


Em 1985, Áurea Guimarães defendeu sua dissertação de mestrado, também na Unicamp, publicada sob o sintomático título de Vigilância, Punição e Depredação Escolar (Campinas, Papirus, 2ª ed., 1988). Baseando-se na obra de Michel Foucault, especialmente nos livros Vigiar e Punir e Microfísica do Poder, sua dissertação de mestrado trata a escola como uma prisão, afirmando que o seu caráter repressivo é que provoca as depredações por parte dos alunos. Sua dissertação chegou a ser alvo de uma dura crítica científica, fato raro na vida acadêmica brasileira. No artigo Possíveis incompletudes e equívocos dos discursos sobre a questão da disciplina (Revista Educação e Sociedade, Vol. 19, nº 62, Campinas, Abril de 1998), o professor Luiz Carlos Faria da Silva, doutor em educação pela Unicamp e professor da Universidade Estadual de Maringá, critica os equívocos de Áurea Guimarães ao se apropriar de Foucault:


"Amiúde, os textos escritos pelos pedagogos cujo intuito é a análise da questão das relações entre educação e disciplina centram-se na categoria de poder tal qual a tematiza Michel Foucault. Isto é, por exemplo, o que faz Áurea Guimarães. Entretanto, estes autores parecem não dar muita importância ao fato de existir uma grande distância entre suas posturas teóricas e as de Michel Foucault."


Luiz Carlos Faria da Silva observa que relacionar educação e disciplina com base em Foucault sem rejeitar a centralidade do sujeito inerente à metodologia e à ontologia da obra do autor francês leva a problemas incontornáveis. No caso de Áurea Guimarães, ela parte de uma visão antropológica e teleológica da história, mas, para operacionalizar em sua pesquisa essa visão de mundo, recorre exatamente a um autor que aposta na exclusão do sujeito e na descontinuidade da história. Essa "síncope analítica" — observa Faria da Silva — resulta num "processo generalizado de desqualificação e de desautorização da disciplina", que deixa de ser reconhecida como "mediação necessária e imprescindível à ação humana em geral, e à ação educativa em especial":


"O poder e a autoridade são internos e inseparáveis do processo educativo no qual interferem consciências que dirigem e regulam as ações. Essa direção e essa regulação são construídas na história dos conflitos vividos socialmente e são obra dos homens e produto de suas ações conscientes. Exorcizar o poder e a autoridade, esvaziar as ações humanas e as ações educativas do conteúdo representado pela necessidade de direção e controle, que buscam encontrar os meios mais adequados aos fins a serem realizados, é esterilizar as mesmas e mergulhá-las na intransitividade, na abulia; é condená-las a ser um arremedo ligeiramente melhorado da atividade animal."


Se em sua dissertação de mestrado, Áurea Guimarães se apropriou de Michel Foucault sem discernimento, — como demonstra Faria da Silva, — em sua tese de doutorado ela apropria-se de Michel Maffesoli com deslumbramento. A mudança de guru foi reforçada pelo curso A Cultura Pós-Moderna, ministrado pelo próprio Maffesoli, na Escola de Comunicação e Artes da USP, de 18 de outubro a 1º de novembro de 1989. Aluna desse curso do sociólogo francês, a autora transcreve em sua tese anotações de aula:


"Cultura é o aspecto global do cotidiano. O modo de comer, de vestir, de utilizar o tempo, enfim o modo de viver. Costuma-se considerar cultura apenas as grandes obras da cultura, mas, na visão de Maffesoli, o cotidiano é o lençol freático da cultura. É por esse enfoque que se compreende a cultura cotidiana e a questão das mudanças de valores. Conforme anotações do curso 'A Cultura Pós-Moderna'."


Por trás das tautológicas anotações de Áurea Guimarães transparece a sua falta de leitura dos clássicos. Um século depois da afirmação da antropologia como ciência, ela ainda acredita que dissociar "cultura" de "grandes obras" é uma novidade teórica, capaz de promover uma revolução do conhecimento. Desde a consolidação científica da antropologia, na primeira metade do século XX, o conceito de cultura deixou de se limitar à exegese das grandes obras de arte para descrever a vida do homem em sua totalidade. Em sua obra, iniciada com a publicação do clássico Casa Grande & Senzala em 1933, o brasileiro Gilberto Freyre (1900-1987) já usa o conceito de cultura nessa acepção, ocupando-se dos costumes, da culinária, da vestimenta, dos gestuais, enfim, da totalidade da vida, para alicerçar a positividade da miscigenação na sociedade brasileira. Por sua vez, o antropólogo norte-americano Ralph Linton (1893-1953), no clássico O Homem: Uma Introdução à Antropologia (Livraria Martins Editora, 1959, 3ª Ed.), publicado originalmente em 1936, já contesta seus contemporâneos que insistiam em considerar Aristóteles como "o último homem a possuir a soma total dos conhecimentos de seu tempo":


"A afirmativa é absurda mesmo à primeira vista, porque já na época de Aristóteles existiam milhares de culturas das quais ele não conhecia nem sequer a existência, quanto mais o conteúdo. Aristóteles certamente não sabia atirar um boomerang nem obter a tinta do jenipapo. Pode ser que Aristóteles tenha conhecido tudo a respeito da filosofia, da literatura e da arte, mas provavelmente não saberia forjar, temperar uma espada, fazer uma armadilha para lobos ou dizer em que ponto podem ser encontrados mais facilmente os lúcidos. O conhecimento destas cousas fazia parte da cultura grega, tanto quanto as peças de Eurípedes ou as especulações de Platão." (p.102)


Entretanto, o mais grave erro de Áurea Guimarães não é o uso equivocado que faz de determinadas teorias e, sim, as implicações éticas de suas pesquisas para a educação brasileira. Sua obra acadêmica é um repúdio à disciplina, com base numa visão distorcida da realidade. Para ela, a escola é uma prisão e a suposta opressão que impõe aos alunos tem de ser denunciada. A autora vem fazendo esse tipo de afirmação tanto no que diz respeito à escola da década de 80 quanto em relação à escola do novo século, sem perceber que, nesse espaço de duas décadas, se havia algum autoritarismo nas escolas, ele já deixou há muito de existir. Mas nem é necessário recorrer ao tempo para desmentir a afirmação de Áurea Guimarães. Ela própria se desmente ao descrever as escolas que lhe serviram de objeto de pesquisa. Os alunos pesquisados por ela não se comportavam como se estivessem numa prisão — mais pareciam estar numa praça pública. A despeito dessa realidade que salta aos olhos, a autora prefere ver o mundo com a viseira da ideologia e afirma ter constatado que a depredação escolar era uma forma de contestação crítica por parte dos alunos. Confira, textualmente, o que escreve a Dra. Áurea Guimarães, professora titular da Unicamp:


"A depredação escolar surgia como uma forma de contestação aos modos pelos quais a uniformização se expressava, isto é, à vigilância e à punição. A depredação também abria um campo delimitado de violência sobre o qual era possível localizar os indivíduos portadores de um potencial desviante. De certo modo, a escola pretendia reduzir as depredações, esquadrinhando comportamentos, distinguindo os 'bons' dos 'maus' alunos. O padrão estabelecido era o do 'bom' aluno, aquele que não depredava a escola, quem depredava era o 'marginal', o 'mau' aluno. Esse procedimento impedia que a depredação resultasse em formas mais amplas de manifestação e que os alunos radicalizassem suas críticas à escola, pois eles mesmo acabavam associando depredação com 'marginalidade', e muitos até se culpavam por suas reações, não percebendo que a violência primeira partia da própria escola e que a depredação, na sua ambigüidade, expressava tanto uma forma de contestação, como uma maneira que a administração encontrava para neutralizar as ações que visassem críticas à escola." (grifos meus)


Se houvesse um Código de Ética do Magistério, Áurea Guimarães estaria em maus lençóis. Uma pedagoga justificar a depredação da escola como resposta do aluno ao autoritarismo dos mestres é como um médico defender que uma criança tem o direito de se automedicar em resposta à enfermeira autoritária que lhe aplica injeção no bumbum. Se um médico apresentasse uma tese dessas na faculdade de medicina, seria não apenas reprovado, mas também condenado pelo CRM, correndo o risco de perder a licença profissional. Por que na educação se dá o contrário e, em lugar de ser condenado, quem defende esse tipo de tese se torna autoridade pedagógica? Diante da crescente violência de alunos contra professores, chegando ao assassinato, esse tipo de pensamento mais parece terrorismo pedagógico: além de ser uma vítima física de alunos predadores, o professor da escola básica é uma vítima moral das faculdades de pedagogia.


Exemplo dessa tragédia cotidiana das escolas brasileiras foi o que ocorreu numa escola estadual de São Bernardo do Campo, em 9 de novembro de 2001, quando um aluno resolveu “radicalizar suas críticas” à escola e um professor acabou assassinado. Além de uns poucos dados colhidos na imprensa local e na revista Época (a mídia deu pouca importância ao caso), as informações que se seguem foram obtidas, por mim, para minha dissertação de mestrado, no final de fevereiro de 2002, em conversas telefônicas com a viúva do professor assassinado e com um dos diretores da Apeoesp (o Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo).


Enquanto dava aula, o professor de geografia José Vieira Carneiro havia posto seu molho de chaves em cima da mesa. Um aluno de 17 anos pegou as chaves e começou a girá-las. O professor pediu-lhe que parasse com a brincadeira porque poderia provocar um acidente, caso uma chave se soltasse. Irritado com o pedido, o aluno deu um soco no rosto do professor, com as chaves enfiadas entre os dedos, e elas ficaram cravadas na fronte do mestre. Socorrido por um colega, o professor foi levado ao hospital, onde o médico procedeu à retirada da chave. O paciente teve alta, mas continuou sentindo dores de cabeça. Voltou a passar mal dias depois, sendo levado às pressas para o hospital, em 24 de novembro de 2001, quando morreu em conseqüência de hemorragia interna provocada pelo ferimento com a chave.


A morte do professor de São Bernardo do Campo foi tratada com relativa indiferença pelas autoridades pedagógicas e pelos meios de comunicação. Sem dúvida, por influência da pedagogia do crime que se traveste de pedagogia progressista nas universidades brasileiras. Como freqüentemente acontece na abordagem da violência de alunos contra professores, a culpa acaba sendo da vítima (o professor), acusado de ser autoritário. No trágico caso de São Bernardo do Campo, essa inversão da culpa começou na própria escola. Como a agressão se deu na primeira aula, o diretor (que não estava no estabelecimento, sendo comunicado do fato por telefone) foi à escola e determinou que as aulas tivessem continuidade, inclusive para a turma em que ocorreu o incidente. A sala foi limpa do sangue do professor e os alunos continuaram a estudar, como se nada tivesse ocorrido. Nas poucas reportagens de jornal veiculadas sobre o caso, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo recusou-se a fazer qualquer pronunciamento a respeito. A morte de um cachorro talvez merecesse mais consideração.


E o que é mais grave: o diretor da escola deu declaração à imprensa, desculpando o aluno, que, segundo ele, agiu sem querer. Segundo a versão oficial, a chave ter-se-ia desprendido do chaveiro acidentalmente e cravado na testa do professor, como se chave fosse peixeira. Somente se o chaveiro fora usado como soco inglês, a chave ficaria cravada na testa do professor. Mas a culpa por essa tentativa de desvirtuar os fatos para desculpar o aluno não pode recair apenas no diretor. Sem dúvida, ele tem curso superior e deve ter sido aluno de doutores como Áurea Guimarães que estão sempre dispostos a justificar qualquer transgressão dos estudantes.


A se crer nessa ideologia insana que tomou conta das universidades brasileiras, o aluno de São Bernardo apenas percebeu que "a violência primeira partia da própria escola" e não lhe convinha deixar que "a escola neutralizasse suas ações", impedindo-o de girar a chave como bem entendesse, atrapalhando o professor explicar a matéria. Por isso, enquanto a "forma de contestação" dos alunos pesquisados por Áurea Guimarães foi a depredação do prédio da escola, como se ele pudesse ser culpado de alguma coisa, o algoz do professor José Carneiro foi mais arguto — ele percebeu que um simples prédio não pode ser culpado pelo "autoritarismo" de que era vítima, então, "radicalizando sua crítica à escola", resolveu depredar o próprio professor.


É claro que casos como o de São Bernardo do Campo não são rotineiros, mas o caldo de cultura universitária que os torna possível nas escolas, sem dúvida, o é. Ao equiparar "depredação" com "crítica", chegando a condenar a escola por considerar o aluno predador como mau aluno, a autora faz uma descarada apologia da barbárie em detrimento da civilização. O caráter imoral dessa tese é auto-evidente, mas como a universidade brasileira virou uma Casa Verde, abrigo das maiores insanidades, é preciso recorrer a uma parábola para tornar a loucura mais explícita.


Suponhamos que Áurea Guimarães não fosse uma privilegiada professora titular da Unicamp, mas uma faxineira, trabalhando de sol a sol para dar uma vida digna ao filho. Suponhamos ainda que o menino correspondesse aos seus anseios, apresentando um comportamento exemplar, fazendo as tarefas de casa e tirando boas notas na escola. Pois bem, num certo dia, ao chegar exausta do trabalho, a faxineira Áurea depara com um calombo na testa do filho. Ao perguntar-lhe o que aconteceu, descobre que se trata de uma "pedra perdida", atirada por um aluno que estava querendo quebrar a vidraça da escola. Diante desse fato, o que a faxineira pode esperar da escola? Obviamente, a punição do aluno que feriu seu filho. E, se isso não for possível, que pelo menos a escola evidencie a diferença moral subjacente ao caso — um bom aluno foi ferido por um mau aluno. Se a escola não reconhecer ao menos isso, não resta dúvida que o filho exemplar da sofrida faxineira vai-se sentir duplamente injustiçado — ferido na pele e na alma. Felizmente, para a professora universitária Áurea, o caso da sofrida faxineira Áurea é apenas uma hipótese. Mas uma hipótese provável, levando em conta que as escolas são pautadas por teses como essa da privilegiada doutora da Unicamp.


Mais grave é que, além de justificar a depredação da escola, Áurea Guimarães não quer que o mau aluno se arrependa do seu ato. Ela lamenta que o discurso dos professores condenando a depredação tenha encontrado eco em muitos alunos:


"Muitos até se culpavam por suas reações, não percebendo que a violência primeira partia da própria escola e que a depredação expressava tanto uma forma de contestação, como uma maneira que a administração encontrava para neutralizar as ações que visassem críticas à escola."


Novamente é preciso chamar atenção para a gravidade das afirmações da autora. Além de defender a depredação, Áurea Guimarães não quer que o aluno se sinta culpado por depredar a escola. É como se depredar fosse um direito inalienável do aluno, que não deve sentir remorso por quebrar carteiras e vidraças. Mas se o aluno não pode nem mesmo se arrepender de seus erros, como é possível fazer com que pare de errar? O sentimento de culpa é a base da recuperação moral de qualquer pessoa. Só psicopatas não sentem remorso. Um trabalho acadêmico que condena o necessário sentimento de culpa de alguém que erra não é exatamente uma tese de doutorado, mas um manual de formação para psicopatas mirins.


A tese de doutorado de Áurea Guimarães baseia-se em pesquisa de campo realizada a partir de 1987. Ela pesquisou um grupo de crianças e adolescentes que não eram regularmente matriculados como alunos, mas faziam atividades supervisionadas na escola, "cujo objetivo era ocupá-los e afastá-los dos 'perigos da rua'", segundo expressão da própria autora. Como se vê, a autora não reconhece os "perigos da rua" temidos pelos professores da escola pesquisada, uma vez que grafa a expressão entre aspas. É de se perguntar se as crianças de seu círculo social, os filhos de seus pares da Unicamp, passam o dia na rua, fazendo malabares nos semáforos, ou se estudam em escolas privadas, cercadas de muros e guardas, e os espera, depois das aulas regulares, uma agenda cheia de atividades, como natação, inglês, balé, música etc. A resposta é óbvia. Nenhum filho de professor universitário fica exposto nas ruas, porque, na vida real, fora do desatino de suas teses, os doutores universitários sabem que rua, para criança, é sinônimo de perigo. Só não reconhecem isso quando estão fazendo pesquisa "científica" sobre os pobres. É como se filho de pobre fosse vira-lata, natural das ruas.


Em seu contato com o grupo de crianças e adolescentes, Áurea Guimarães não demonstra nenhum distanciamento crítico. Cristã nova da seita sociológica de Michel Maffesoli (parece que já não tem a mesma fé na seita de Michel Foucault), ela adere ao conceito de "formismo sociológico" do intelectual francês, que se ocupa em elaborar uma "sociologia compreensiva que descreve o vivido por aquilo que é". Ora, essa sempre foi a grande meta da sociologia desde que ela se tornou ciência nas mãos de Émile Durkheim (1858-1917). O clássico As Regras do Método Sociólogo (1894) já tinha este objetivo — o de descrever a realidade da forma mais fiel possível. Mas o próprio Durkheim — que não era charlatão, como muitos sociólogos contemporâneos — reconhece que, na prática, isso é impossível. Trata-se mais de uma ética a ser perseguida do que de uma prática que garanta resultados. Entretanto, desde George Simmel, surge, a cada estação, nas universidades e botequins da França (se é que há diferença entre ambos), um novo teórico da sociologia que acredita ter solucionado os incontornáveis mistérios que alicerçam e fermentam as relações entre indivíduo e sociedade, mediante a simples criação de vocábulos novos, no mais das vezes, pomposos e vazios. Esses sociólogos não se comportam como cientistas — são chefes de seita. Uma vez que costumam ser escritores criativos, convencem muito mais pelo estilo aparentemente poético do que pela força dos argumentos.


No Brasil, sua força é ainda maior. Retórico desde as origens, como demonstra Antônio Luiz Machado Neto, no livro A Estrutura Social da República das Letras (São Paulo: Editora da USP, 1973), o intelectual brasileiro é facilmente influenciável pelo estilo alheio. Sobretudo os intelectuais incultos, que só tiveram contato com livros tardiamente. Muitos doutores universitários jamais leram os clássicos da literatura antes de entrar na faculdade, salvo o resumo dos livros indicados para o vestibular. Ao longo da graduação, tornam-se escravos das fotocópias, em que passam a ler apenas pedaços de obras técnicas. Só quando estão perto da pós-graduação, é que alguém lhes apresenta Guimarães Rosa e Clarice Lispector, sem que tenham passado antes por um Machado de Assis ou um Eça de Queirós. O resultado é desastroso. Qualquer frase um pouco mais enviesada, que manga da razão e deifica os sentidos, já é suficiente para obrigá-los a uma genuflexão cognitiva. Daí o sucesso de pensadores como Michel Maffesoli. Suas obras não são usadas como teoria científica, mas como espartilho ideológico — ou a realidade se encaixa na tese deles, ou ela não existe.


Em sua pesquisa maffesoliana, Áurea Guimarães não consegue "descrever o vivido por aquilo que é". Não só porque a tarefa é impossível em si, mas também por lhe faltar um mínimo de distanciamento crítico. Esquecendo-se que seu próprio guru prega o "politeísmo de valores", a autora acaba incorrendo na sociologia normativa que tanto combate, ao tomar o partido do grupo pesquisado e negar os valores do mundo circundante. Só que sua norma é construída pelo avesso: o certo é renegado como erro, e o erro é idolatrado como certo. Tanto que ela não hesita em acompanhar um bando de alunos em suas incursões predatórias pelos arredores da escola. E, pelo que se depreende de sua própria descrição, não o faz como observadora neutra, mas como torcedora participante, que não chega a jogar pedra, mas sorri para a mão que a atira. Duvidam? Então, constatem abaixo:


"Nos passeios que fizemos juntos, algumas crianças tocavam a campainha de algumas casas para pedirem comida e somente quem os maltratasse é que teria a casa depredada por eles. Aqueles que negavam a comida, mas os tratavam bem, não tinham suas residências 'marcadas' para serem depredadas. Os garotos e garotas me diziam que adoravam tocar a campainha de uma casa, abrir e bater um portão, às vezes até quebrá-lo, para depois sair correndo: 'Dá uma emoção'."


O trecho acima pode ser resumido numa frase: "Dá-me comida ou te depredo a casa". Era assim que as crianças e adolescentes agiam na frente de uma pessoa adulta, ainda por cima professora, que em nenhum momento as repreendeu quando incursionou com eles nessas aventuras. Pelo contrário, Áurea Guimarães justifica essa ética da chantagem textualmente, quando afirma que os pequenos vândalos só depredavam as casas em que eram maltratados. É a pedagogia do seqüestro: uma criança estimulada a depredar casas para obter comida pode achar correto, quando adulto, sequestrar pessoas para obter dinheiro. E é também a pedagogia da mentira, porque a própria autora desmente a si mesma. Logo depois de justificar a depredação das casas como reação aos maus-tratos, ela conta que os garotos e garotas adoravam tocar a campainha de uma casa e bater o portão até quebrar, para depois saírem correndo, deliciando-se com as emoções fortes do ato. Mas ela não havia dito que os alunos só depredavam a casa de quem os maltratava? Sem querer, ela confessa que depredavam por depredar, pela "emoção forte" do ato. Seu afã de minimizar a violência e indisciplina dos alunos é tanto que ela se contradiz a cada frase. E, nunca é demais frisar, essas contradições primárias não são obra de um jovem vestibulando — são da lavra de uma candidata a doutora, em sua própria tese de doutoramento.


Áurea Guimarães conta que, na escola estudada, os alunos inventaram o "futebol sem bola", que consistia em chutar quem estivesse por perto. Ela própria ficou com medo de andar no meio deles e sair ferida. Acabado o recreio, alunos suados — e alguns machucados — pediam mais tempo à professora para irem ao banheiro. A autora minimiza todo esse pandemônio, incompatível com o aprendizado, alegando que não se trata propriamente de uma briga, "pois os alunos pareciam estar se divertindo". A seguir, grafando "brigas" entre aspas, ela relata:


"Presenciei muitas 'brigas' não só no recreio, como também nas salas de aula, onde havia uma tensão permanente. Qualquer brincadeira ou comentário poderia ser interpretado como ofensa e daí para a briga corporal era só um passo. Quando terminei o estágio nessa escola soube de um aluno do noturno que, sem motivo aparente, pelo menos, tentou estrangular uma colega durante a aula."


Ao mencionar esse caso, quase não se percebe que se trata de um aluno que tentou estrangular uma aluna. Ao usar a palavra colega (substantivo de dois gêneros) em lugar de aluna (substantivo feminino), a autora induz o leitor a não atentar para o fato de que a vítima era mulher. A violência de gênero fica camuflada. Diante da gritante covardia de um aluno que quase estrangula uma aluna, Áurea Guimarães não faz nenhum comentário, mesmo tendo sido pródiga em comentários negativos a respeito dos professores da escola ao longo de toda a sua tese. A autora chega a aventar a possibilidade de haver desculpa mais profunda, não visível, para o agressor da aluna, quando escreve que a tentativa de estrangulamento se deu "sem motivo aparente, pelo menos".


A exemplo da Dra. Sueli Itman Monteiro, da Unesp, e da Dra. Eloísa Guimarães, professora aposentada da UFRJ e consultora da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora (cuja tese sobre violência nas escolas será analisada aqui), Áurea Guimarães também menospreza a violência de gênero. O trecho acima é sintomático de uma tendência perniciosa da maioria das pesquisas científicas feitas por mulheres — a tendência de relevar e até mitificar a violência perpetrada pelos homens. É o que ficará claro na continuação da análise desta tese e na análise de outras teses acadêmicas.

Lula diz que 'Manifesto Comunista' já dava receita contra crise

ESTADÃO
Leonêncio Nossa, da Agência Estado | quinta-feira, 5 de março de 2009

Cavaleiro do Templo: sai na grande mí"r"dia nacional o que Olavo, Heitor, Graça, Nivaldo e mais um monte de pesquisadores honestos, idôneos e patriotas falam faz anos: 


LULA É COMUNISTA E PORTANTO SEGUIDOR DE KARL MARX 
(clique AQUI e conheça de quem KARL MARX era seguidor)


Presidente voltou a defender a regulação do sistema financeiro internacional e dos paraísos fiscais

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula voltou a defender a regulação do sistema financeiro internacional e dos paraísos fiscais. Segundo o presidente, o manifesto comunista de Karl Max e Engels, publicado em 1848, já dava a receita para saída de crises como esta."Agora é hora da gente aproveitar a crise e fazer o que não tivemos coragem de fazer nos últimos 20 anos", afirmou. 

Cavaleiro do Templo: para quem precisa do trecho acima em BOM PORTUGUÊS, LULA está dizendo o seguinte: 

ESTÁ NA HORA DA MUDANÇA TÃO TRABALHADA, QUERIDA E ESPERADA POR TODO COMUNISTA
  
A TOMADA DO PODER TOTAL 

Veja também:


linkCorte de gastos não soluciona crise, diz Lula

O presidente voltou a defender a regulação do sistema financeiro internacional e dos paraísos fiscais. "Onde está, Gerdau, o dinheiro que rodava antes da crise? Desapareceu", disse o presidente dirigindo-se ao empresário Jorge Gerdau, que integra o conselho. 

"Temos não apenas de regular o sistema financeiro e os paraísos fiscais, mas estabelecer o crédito no planeta,porque sem crédito, a economia não funciona", afirmou o presidente, no discurso de abertura da 29ª reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).


Cavaleiro do Templo: ele está dizendo o seguinte: 


TEMOS QUE DAR MAIS DINHEIRO PARA AS "MINORIAS" SEM COBRAR NADA EM RETRIBUIÇÃO. TEMOS QUE PEGAR DE QUEM TEM E DAR PARA QUEM NÃO TEM SEM ENSINAR A ESTES COMO SE FAZ PARA TER. SEM ENSINAR A PESCAR.

Ele aproveitou o discurso para fazer uma defesa da política social do seu governo. Ele disse que programas como o bolsa família e Luz para todos, entre outros, contribuíram para o aumento, no mercado interno, do poder aquisitivo das classes mais pobres da população. "Os especialistas que vieram para participar do seminário, gastando seu dinheiro, devem agora gastar um tempo para conhecer os programas sociais do governo", disse o presidente. "Vocês vão perceber que foi possível ajudar os pobres e fazer os ricos ganharem dinheiro", completou.

Cavaleiro do Templo: sem nenhuma sutileza ele levanta o mote da revolução comunista no trecho acima: 


A LUTA DE CLASSES


Em seguida Lula atacou , sem citar nomes, empresas que fizeram apostas no mercado especulativo.

"Lamentavelmente muitos quiseram ganhar mais do que deveriam ganhar e aplicaram no derivativo e quebraram a cara. Não produziram uma única folha de papel. Temos de aprender esta lição".


Cavaleiro do Templo: é o ESTADO definindo o que, quanto e como você deve/pode ganhar.


O presidente afirmou que a economia não pode estar desassociada da política e dos interesses sociais. "Chegou a hora da verdade e da política. Não tem contemporização. E essa crise foi gerada no coração daqueles que sabiam tudo", afirmou.


Cavaleiro do Templo: por fim, a declaração final: 


O PODER TOTAL NAS "NÓÇAS MÃUNS".

CONSIDERAÇÕES SOBRE CHÁVEZ, FIDEL E EL CHE

JOSÉ OSVALDO DE MEIRA PENNA

Jornal do Brasil, 08 de maio de 2005

Muita gente se espanta com o problema do estreitamento de nossas relações diplomáticas com a Venezuela e Cuba. Não vejo por que a surpresa pois Bolívar, o herói da independência da América espanhola, detestava o Império brasileiro - razão a mais para desfazer os mal-entendidos. Antes de morrer, deprimido e decepcionado no exílio, o Libertador profetizou que a Venezuela seria um quartel, a Colômbia uma Universidade e o Equador um convento.


Conheço bem o Equador e seus claustros - são obras de arte realmente excepcionais e o país geralmente pacífico, ao contrário de seus dois vizInhos. A Colômbia tem guerra civil e coca mas, com uma grande cultura universitária, demonstra ser uma das sociedades mais civilizadas do continente. A Venezuela é outra coisa. O país foi sucessivamente governado pelo general Monaga, pelo general Guzman Blanco, pelo general Joaquin Crespo, o general Cipriano Castro, o general Juan Vicente Gómez, o general López Contreras e o general Medina Angarita, assim confirmando o prognóstico pessimista de Bolívar. Juan Vicente Gómez inaugurou um sistema de governo original que foi, mais tarde, imitado pelo rei das Arábias, Ibn Saud. Todos os ministros, governadores, generais, almirantes, senadores, deputados, prefeitos, embaixadores, diretores de banco e outros altos dirigentes do país pertenciam à família do Chefe de Estado. A fidelidade al Tirano de los Andesestava assegurada e Gómez morreu na cama, em 1935, depois de governar durante 27 anos.


A partir de Medina Angarita, o país começou a reduzir as patentes. Veio o coronel Pérez Jiménez e, em breve fôlego democrático no governo da Actión Democráticaque se permitiu mesmo criticar nosso regime militar, o nobre povo bolivariano entrou numa fria ao elevar ao poder um sargentão, Hugo Chávez Frias. Passemos, contudo, por cima da meteorologia e do fácil trocadilho, fazendo votos que não ocorra um embate mais grave entre o quartel da Venezuela e a universidade da Colômbia.


Comparando com a Venezuela, é Cuba mais interessante na imaginação de nossa Intelectuária da chamada Esquerda Escocesa, aquela que gosta de uísque. Explica-se. Sua natureza tropical é a única que pode, com a nossa, competir em beleza, conga, samba, alegria e belas praias. Última nação das Américas a se libertar do domínio colonial espanhol, com o auxílio dos ianques, Cuba manifestou seu reconhecimento pela autonomia conquistada, entregando-se sucessivamente à ditadura do sargento Batista, que eliminou a oficialidade do exército, e à do professor, Presidente, Führer, Duce e Marechal de Campo Fidel Castro, que eliminou a burguesia produtiva. Um sucesso incontestável em termos de Justiça Social…


Em 1962, a cabeça de ponte soviética nas Américas foi abalada pelo propósito grandioso de torná-la a base para os festejos com que Khruschev pretendia comemorar, com um fogo de artifício nuclear, a indissolúvel amizade dos sub-desenvolvidos de todo o mundo. No empenho de restabelecer, pelo turismo, os laços ambivalentes com o rico parceiro setentrional ao qual deve a independência, Fidel despachou para a Flórida doze milhões de “turistas” descontentes... As exportações cubanas limitam-se hoje a charutos e fotografias de El Che Guevara.


Havendo fracassado como Ministro da Indústria e Comércio de Cuba, o argentino de Rosário, Ernesto Gael Garcia Bernal de la Serna, filho de família rica que gostava de motocicletas (como é o caso de nosso cineasta Walter Salles) acabou convencendo-se que sua vocação não era nem para a medicina, na qual se formara, nem para a administração pública que Fidel lhe oferecera. Consta que suas desavenças com Fidel Castro cresceram, não obstante haver sido bem sucedido na arte de fuzilar adversários de encontro a el paredón, a tal ponto que o longevo ditador cubano resolveu dele livrar-se, enviando-o para uma missão impossível na “América Latrina” (uma expressão corriqueira de diplomatas aqui sediados). Consistia em subverter todo o continente. Modificando o famoso apelo de Marx aos proletários (os de prole numerosa), proclamou “Sub-desenvolvidos de todo o mundo, uni-vos!”. Durante dois anos desapareceu, enquanto aprendia aimara em vez de quéchua, para se fazer entender dos índios locais, um erro fatal. Deste modo, após ser martirizado pelo exército boliviano que o fuzilou, transformou-se no novo Cristo-Rei da Teologia da Libertação, estendido no chão de braços abertos como um Messias crucificado.


Depois da morte, el Che deixou como herança a Fidel Castro o projeto de subverter a África. Ali o espírito aventureiro do cubano (que inaugurou a moda da barba desgrenhada entre os políticos e diplomatas modernos) conseguiu, pelo menos, introduzir um novo método de controle da natalidade, a guerra subversiva de baixa intensidade. A belicosidade revolucionária só serve mesmo para o Planejamento Familiar pois controla a população sem objeções da Igreja, Arns, Bofe e Beto que o digam. Façam o amor, não a guerra. El Che bem merece então o renome de santidade que o cerca pois seu programa populista, cubano, sul-americano e africano magistralmente realizado por Fidel, reduziu, em pelo menos um ou dois milhões, a prolífica população de Angola, Moçambique e Etiópia... Hoje triunfa no imaginário super-aquecido dos frustrados barbudinhos esquerdóides.

Para refletir

“É preciso combater sempre. Discordo da teoria de que os povos empenhados na luta pela democracia devam esperar o seu desfecho para concretizar suas aspirações. É no próprio curso do conflito que se afirmam os valores dos que prezam a liberdade. Por isso, não compreendo um combatente dependendo de um relógio de pulso, embora seja verdade que todo combatente deva ter pulso para lutar, mesmo que não tenha relógio”.


Barão de Itararé

“ANOS DE CHUMBO” - A ditadura da mentira

JÚLIO SEVERO
2 de Março de 2009


O Regime Militar de 64 é a muleta moral dos intelectuais — eles o acusam de todos os crimes para melhor acobertarem os próprios


José Maria e Silva
www.josemariaesilva.com


“A revolução é biófila, é criadora de vida, ainda que, para criá-la, seja obrigada a deter vidas que proíbem a vida.”


Paulo Freire, em Pedagogia do Oprimido, defendendo os fuzilamentos sumários comandados por Che Guevara e Fidel Castro


Com quantas vidas se faz uma ditadura? Na belíssima novela de John Boyne, O Menino do Pijama Listrado, essa pergunta é respondida pelo espanto de Bruno, um menino de nove anos. Sempre que ele se surpreende com o mundo do Fúria à sua volta, seus olhos se arregalam, sua boca faz o formato de um O e seus braços caem ao longo do corpo. A obra, uma elegia à inocência da vida que não sabe da morte, deveria ser lida — e meditada — pelos 3.949 intelectuais que, até agora, assinaram um manifesto contra a Folha de S. Paulo, repudiando o editorial “Limites a Chávez”, publicado em 17 de fevereiro último, no qual a ditadura militar brasileira é indiretamente chamada de “ditabranda”. O Menino do Pijama Listrado (o livro, não vi o filme) demonstra, metaforicamente, a abissal diferença entre um regime autoritário (circunscrito à esfera política) e um regime totalitário (que permeia todas as instâncias sociais).


As primeiras reações ao editorial da Folha partiram da socióloga Maria Victória Benevides, professora da Faculdade de Educação da USP, e do advogado Fábio Konder Comparato, professor aposentado pela mesma instituição. Esquecendo-se que a universidade que representam arrasta até hoje um cadáver insepulto (o do estudante de medicina morto num trote em 1999), Benevides e Comparato encenaram uma indignação que jamais sentiram diante das quase 100 mil mortes perpetradas pela Trindade Cubana (Fidel, Guevara e Raúl Castro) — 17 mil na boca dos fuzis, em execuções sumárias, e 80 mil nos dentes dos tubarões, em fuga para os Estados Unidos. Como a Folha de S. Paulo chamou a atenção para essa dúbia moral de Benevides e Comparato, lembrando que eles jamais protestaram contra a ditadura cubana, os dois intocáveis uspianos se sentiram feridos e, em resposta, fizeram o que os intelectuais de esquerda mais sabem fazer quando são pegos sem argumentos — conclamaram o rebanho para um manifesto.


O inefável Antonio Candido, decano dos intelectuais de esquerda, encabeça o repúdio à Folha, que também conta com figuras como o indefectível Emir Sader, intelectual que, diante de Che Guevara, cai de joelhos por terra, parafraseando a missa: “Guevara, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e serei salvo”. Quem duvida que Emir Sader é capaz dessa oração diante do guerrilheiro argentino, leia o que ele escreveu num artigo publicado em Carta Maior: “Não vou gastar palavras inúteis para falar do Che. Basta reproduzir algumas das suas frases, que selecionei para o livro Sem Perder a Ternura”. Também diante de Marx e Fidel, Sader emudece: “O que falar de Marx que permaneça à sua altura? O que escrever sobre Fidel?”


Se o ensino superior no Brasil, público e privado, não fosse mero aparelho ideológico da esquerda, Emir Sader jamais teria virado doutor em ciência política pela USP e professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro, além de orientador de teses e dissertações. Sem dúvida, estaria até hoje tentando passar no vestibular e sendo reprovado sempre, por não ter argumentos para retratar personagens da história. Que universidade isenta aceitaria um aluno que, ao ouvir falar de Marx, Guevara e Fidel, não fosse capaz de articular uma só palavra e se comportasse feito os silvícolas do Anhangüera, embriagado pelo álcool incandescente da revolução? Já imaginaram se um intelectual de “direita” dissesse não ter palavras diante de Karl Popper? Seria acusado de ignorante e charlatão. Emir Sader é um paradigma da universidade brasileira. Ele é a prova cabal de que, por trás da cantilena de “produção do conhecimento”, o que há nos mestrados e doutorados do país é uma usina de produção de marxismo e derivados.


Estou plenamente convicto de que a universidade brasileira não é solução para nada — ela é parte essencial do problema. As principais mazelas do Brasil são fomentadas artificialmente pela universidade, que, desde a década de 50, na ânsia de criar um novo mundo, especializou-se em destruir o existente. Isso fica muito claro quando se estuda a origem social dos guerrilheiros que pegaram em armas contra o regime militar. Eles vieram, em sua maioria, das universidades. Não tinham o menor apoio popular. Como é que o povo podia apoiar um bando de tresloucados que, de arma em punho, pregavam a derrubada de uma ditadura imaginária? Porque até o final de 1968, com a edição do AI-5, só havia ditadura na imaginação dos universitários.


Foi exatamente durante os propalados “Anos de Chumbo” que o Brasil viveu uma das maiores efervescências culturais de sua história, com os festivais, a imprensa alternativa, a Tropicália, o Cinema Novo, Chico e Vandré, Caetano e Gil. Ao contrário de Cuba, onde Chico Buarque seria fuzilado ou condenado a 20 anos de prisão se falasse mal de Fidel Castro, no Brasil, o máximo que lhe aconteceu foi ser admoestado pelos militares, o que lhe garante até hoje uma conta bancária maior do que seu indiscutível talento. Num ambiente assim, existe alguma razão plausível para se pegar em arma ou até para se perpetrarem atentados terroristas, como fizeram muitos grupos guerrilheiros? Obviamente, não. Em toda guerra, os primeiros sacrificados são os inocentes, portanto, a opção pela luta armada para derrubar um regime só se justifica quando esse regime é sanguinário e opressivo, incidindo sobre toda a vida social e não apenas sobre a esfera política. Era o que acontecia na terra do Menino do Pijama Listrado, daí o Levante do Beco de Varsóvia, em 1943, quando judeus desesperados — não tendo senão uma morte horrenda como alternativa — preferiram abreviar a vida numa luta suicida contra as tropas nazistas.


Mas esse não era o caso do Brasil dos militares. Aqui, os guerrilheiros eram homens e mulheres bem nascidos que, por puro espírito de aventura, jogavam fora o futuro como médicos, engenheiros e advogados e se arvoravam a libertadores da pátria, sem notar que a maioria esmagadora da população — provavelmente mais de 90 por cento — não se sentia oprimida nem pedia para ser libertada. Pelo contrário, o regime instalado em 1964 teve forte apoio popular e quando começou a ser repudiado nas urnas, em 1974, com a expressiva vitória do velho MDB, esse repúdio era mais de caráter econômico que político. A inflação estava recomeçando e os pobres votaram contra a “carestia”, que é como chamavam a inflação na época.


Já escrevi repetidas vezes, mas a ocasião me obriga a escrever de novo: quem acha que no Brasil houve uma ditadura sanguinária, totalitária, nos moldes nazistas (é essa a visão que se tem dos militares nas escolas) deve ler Pedagogia do Oprimido, o panfleto de auto-ajuda marxista do pedagogo Paulo Freire. Esse livro — que faz uma defesa explícita da luta armada e santifica Che Guevara, Fidel Castro e Mao Tsé-Tung — foi publicado em pleno ano de 1970, no Rio de Janeiro, pela Editora Paz e Terra, ligada aos padres da Teologia da Libertação. Em 1981, Pedagogia do Oprimido já estava na 10ª edição. Um verdadeiro best-seller, levando em conta que não é um livro comercial e o Brasil tinha muito menos estudantes universitários do que tem hoje. Ora, se o regime militar foi o período “mais sombrio da nossa história”, como dizem os intelectuais de esquerda, como se explica o sucesso editorial de uma obra que o combatia? Em Havana seria possível publicar um livro do gênero contra Fidel Castro, o santo fardado de Buarques e Sáderes?


Mas nem é preciso recorrer à ditadura cubana para demonstrar que os intelectuais brasileiros mentem descaradamente quando dizem que o regime militar de 64 foi uma ditadura sanguinária. A própria história recente do Brasil — contada mentirosamente por eles — mostra a contradição em que incorrem. É só comparar a “Revolução de 30” com a “Ditadura Militar” (ponho as expressões entre aspas para remeter ao modo como os dois períodos costumam ser chamados nos livros de história). Qual a diferença entre os dois períodos? A rigor, nenhuma. Salvo o fato de que Getúlio Vargas era um ditador civil, obviamente apoiado por militares, porque toda ditadura precisa de armas.


Sob o ponto de vista da repressão, Vargas foi muito pior do que os militares. O seu período, sim, foi literalmente “anos de chumbo”. Enquanto os militares procuraram preservar as instituições, garantindo eleições legislativas e a independência do Judiciário, Vargas centralizou todos os poderes em suas mãos, destituindo governadores e nomeando interventores em seu lugar. São Paulo se rebelou, na chamada Revolução Constitucionalista de 32, e Vargas bombardeou o Estado — o episódio mais sangrento da história brasileira no século passado, apesar de ofuscado pela preferência dos intelectuais pela Guerrilha do Araguaia. Todavia, mesmo quem não pegava em armas, não ficava ileso. O escritor Graciliano Ramos, individualista nato, incapaz de arregimentar qualquer movimento político, acabou sendo preso durante quase um ano, num presídio comum, sem julgamento. Seu único crime: escrever o romance São Bernardo, entre outros escritos tidos como comunistas. Bem que merecia, mas não teve indenização alguma pelo arbítrio de que foi vítima. Ao contrário dos fanfarrões que pegaram em armas contra os militares, o Velho Graça tinha vergonha na cara.


Se a sanguinária ditadura de Getúlio Vargas merece, nos livros de história, o epíteto de “Revolução de 30” (justificadamente, por sinal), por que os governos militares não podem ser chamados de “Revolução de 64”, levando em conta que também mudaram a face do Brasil? Vargas já era ditador desde o início de seu governo, antes mesmo da implantação do Estado Novo, em 1937, quando a tresloucada Intentona Comunista de 35 levou ao recrudescimento do regime. Já os militares só foram verdadeiramente ditadores a partir de 12 de dezembro de 1968, quando editaram o AI-5, obrigados pelos atos de terror da esquerda armada, treinada e financiada por Fidel Castro e abençoada por intelectuais como Paulo Freire. Mesmo assim, foi uma ditadura cirúrgica, circunscrita aos inimigos declarados do regime. Tanto que não chegou a matar nem 500 pessoas, como reconhecem os próprios autores de esquerda nos balanços que fizeram do período. As vítimas inocentes, em sua maioria, tombaram por terem sido usadas como escudo pelos adversários do regime.


Um dos argumentos de Maria Victoria Benevides para criticar o editorial da Folha é que não se mede ditadura com estatísticas: “Quando se trata de violação de direitos humanos, a medida é uma só: a dignidade de cada um e de todos, sem comparar ‘importâncias’ e estatísticas”. Em artigo publicado, na terça-feira, 24, o jornalista Fernando de Barros e Silva, editor de Brasil da Folha, corrobora a tese da socióloga: “Algumas matam mais, outras menos, mas toda ditadura é igualmente repugnante. Devemos agora contar cadáveres para medir níveis de afabilidade ou criar algum ranking entre regimes bárbaros?” Claro que devemos — respondo eu. Todo crime só se iguala em repugnância para aquele que é sua vítima, mas para quem o analisa de fora, especialmente se esse alguém for um historiador, há uma enorme diferença entre matar 100 pessoas ou matar 100 mil. Se Hitler tivesse matado apenas uma centena de judeus, o nazismo seria a encarnação do mal no imaginário do mundo contemporâneo?


Só não vê que ditadura também se mede com estatísticas aqueles que têm medo dos números. Ao ver que nenhuma ditadura capitalista até hoje conseguiu igualar os mais de 100 milhões de mortos do comunismo no mundo, a esquerda inventou esse argumento falacioso de que uma só morte perpetrada por uma ditadura diminui toda a humanidade, como se o homem-massa da revolução marxista tivesse lugar na poesia metafísica de John Donne. Justamente a esquerda, que não faz conta do individuo de carne e osso, só da massa de manobra da revolução. O regime militar não apenas matou muito menos gente do que outros regimes autoritários — também foi capaz de criar um modelo de ditadura que deveria ser exportado. Toda ditadura costuma ser encarnada por um homem só, que se torna escravo do poder que concentra, perdendo inclusive os freios morais. Daí a profusão de ditadores sádicos, pessoalmente sedentos de sangue humano.


No Brasil isso não ocorreu. Os militares criaram uma espécie de ditadura institucional, em que o poder não era encarnado por nenhum homem, mas pela instituição — as Forças Armadas. Nem o principio federativo foi quebrado num primeiro momento, como ocorreu de imediato com a ditadura de Getúlio Vargas. Antes do recrudescimento da luta armada, ainda houve eleição para governadores e, mesmo depois que elas foram suspensas, o legislativo continuou funcionando. Essa quase normalidade institucional propiciou até o surgimento e fortalecimento de uma oposição que jamais houvera em toda a história do Brasil — a oposição institucional, criada e mantida pelas próprias entranhas do Estado.


Boa parte do chamado movimento social — que hoje alimenta o PT e demais partidos de esquerda — começou a ser construído graças a esse processo de institucionalização do país gestado pelos militares. Começando pelas próprias universidades federais — cobras a quem os militares deram asas. A Reforma Universitária feita pelos militares em 1968 profissionalizou o ensino superior no país, instituindo antigas reivindicações da própria comunidade acadêmica, como dedicação exclusiva de docentes, introdução de vestibular unificado e implantação de mestrados e doutorados. Valendo-se dessa estrutura, os intelectuais de esquerda se infiltraram nas universidades e, a partir delas, forjaram em todo o país um movimento social de proveta, destinado não a resolver problemas, mas a fomentá-los.


Um exemplo são os quase 50 mil homicídios que ocorrem anualmente no país. Eles decorrem, em grande parte, da irresponsabilidade doentia dos intelectuais brasileiros, que, à força de pressionar o Congresso Nacional, levaram à completa lassidão das leis penais, hoje irreversível, já que a mentalidade pueril da esquerda parece ter contaminado até os ministros do Supremo. Não é a toa que o ministro Gilmar Mendes deixa entrever que, a qualquer momento, pode soltar nas ruas 189 mil dos cerca de 440 mil presos do país, muitos deles homicidas e estupradores. Aí, sim, teremos um verdadeiro genocídio da população indefesa, em parte porque a esquerda, com o objetivo de demonizar os militares, transformou o falacioso conceito de direitos humanos num dogma divino. Como se vê, a criminalização paranóica dos militares só atende a um objetivo — esconder que os intelectuais de esquerda forjaram um país muito pior que o deles.


Publicado no Jornal Opção, de Goiânia, em 1º de março de 2009.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Profanação do Templo por pseudo-padres católicos

visite também o OBSERVATORIO BRASILEÑO também da Graça - em espanhol

Trechos abaixo, íntegra AQUI

"Também na semana passada os cristãos católicos brasileiros se viram afrontados com a notícia de que o padre-cantor-e-apresentador-de-shows Marcelo Rossi havia celebrado uma missa para cerca de 20 mil pessoas, onde recebeu uma “convidada especial”. A esta “convidada” foi dado o direito de fazer uma leitura bíblica, numa agressão àqueles fiéis mais conservadores e numa prova inconteste de que este padre se propunha a alavancar a candidatura à presidência da ministra Dilma Rousseff.
Que particularmente Marcelo Rossi “se assente entre os escarnecedores”, como é o caso da visitante em campanha, é um problema pessoal dele com Deus. Agora, o que ele NÃO TEM O DIREITO é de cometer um sacrilégio como este, impondo a toda uma assembléia a presença de uma atéia comunista, criminosa e terrorista, e ainda permitir que a infeliz faça uma leitura bíblica – e, diga-se de passagem, escolhida a dedo para seus (dela e do seu chefe Lula) propósitos – que só deve ser feita por alguém que pertença àquela paróquia, que seja reconhecidamente fiel praticante e que participe dos ofícios, confesse e comungue regularmente. Será que o padre Rossi sabe disso ou é preciso que os leigos ensinem o que ele deveria saber desde os primeiros anos de seminário?"

"Ainda a respeito da excomunhão proclamada por Dom José Cardoso, li muitos comentários de que a Igreja “deveria se preocupar mais com a pedofilia que grassa em seu seio” e de fato concordo com isso. O que não posso concordar, de modo algum, é que palpiteiros ignorantes critiquem a Igreja por esses crimes sem saber porquê isto tem se tornado praticamente tão comum hoje em dia. Não é a Igreja de Cristo que está podre porque esta é inabalável até o fim dos tempos, mas aqueles que foram colocados lá exatamente com este objetivo: destruí-la desde dentro, infiltrando comunistas, homossexuais, pedófilos para assim desonrá-la, reduzi-la a um bordel de beira de estrada e esvaziá-la por completo desmoralizando o próprio Cristo."

"E ainda continuando a comentar as afrontas e provações que a Igreja Católica vem sofrendo nos últimos tempos, apresento mais um vídeo – desta vez da suposta homilia – do padre comunista venezuelano Adolfo Rojas Jiménez. Na edição de 1 de março oNotalatina apresentou o vídeo da “consagração ao Senhor” que este velho imundo fez a seu verdadeiro amo e senhor, o ditador Chávez. Hoje, ele se revela mais um pouco e é aplaudido pelas hienas idiotizadas que compunham a claque presidencial.

Com paramento propositalmente vermelho ele diz que os “fiéis” têm que ler o “Manifesto Comunista” de Karl Marx, diz que Cristo era socialista, e conclama a todos a abraçar o Socialismo do Século XXI.Termina gritando “Pátria, Socialismo ou Morte. Venceremos!”.Vocês não acreditam que um padre possa ter terminado uma homilia com esta palavra-de-ordem? Pois assistam ao vídeo e vocês poderão compreender com maior clareza aquilo que o Olavo fala no artigo citado acima."


Íntegra AQUI

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".