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terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Vale do Juruá: uma das maiores rotas do tráfico de drogas do país

TRIBUNA DO JURUÁ
Cruzeiro do Sul, AC, 08 de December de 2008

Em comunidades ribeirinhas traficantes andam armados como se fossem a polícia e crianças estão sendo viciadas para se associar ao tráfico.

 

mapa_regiao_jurua.jpgNa região acreana do Vale do Juruá localizada no meio da floresta amazônica está à fronteira entre Brasil e Peru. A região é considerada uma das principais rotas de tráfico de drogas do Brasil, formada pelos municípios de Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter e Cruzeiro do Sul. Esta, a segunda maior cidade do Acre. Os vários rios que cortam a área de 74.965,417 km² são utilizados para o escoamento de produtos entorpecentes, quase sempre a pasta-base de cocaína.   


rio_jurua_acima.jpgOs rios Juruá Mirim e Paraná dos Mouras, afluentes do Rio Juruá são os  mais utilizados pelos traficantes. O Juruá Mirim que deságua no Juruá próximo ao município de Porto Walter é o mais usado para o transporte de cocaína. Em virtude disso nem todo mundo se arrisca a navegar pelas águas barrentas em meio à densa floresta.


A Comunidade Tamburiaco localizada próxima à cabeceira do rio, já na fronteira, é a mais temida. Segundo informações de moradores de comunidades ao longo do rio, no Tamburiaco e em outras comunidades próximas a divisa entre os dois países, brasileiros e peruanos transitam durante o dia fortemente armados, preparados para negociar droga. Os armamentos utilizados são fuzis, pistolas, metralhadoras e até granadas. Um morador que não quer ter o nome citado, disse que um dia passava com droga_90_quilos.jpguma arma de caça e encontrou um peruano portando uma pistola, ele cumprimentou o estrangeiro que o seguiu por cerca de 15 minutos, mas não foi incomodado.


A passagem de estranhos pelo Rio Juruá Mirim é comum, os moradores supõem que sejam traficantes. Temerosos, os ribeirinhos tratam bem esses desconhecidos. "Não mexemos com eles, passam e ninguém intervém, até porque se incomodar é perigoso", diz um morador antigo que também pediu pra ter a identidade preservada.


Um outro ribeirinho revelou uma tragédia que está acontecendo nas comunidades invadidas pelos traficantes. Eles estão incentivando os menores a usarem drogas, desde cedo, conforme o morador: "As famílias estão sendo atingidas, crianças usando droga, jovens passam de três droga_planta.jpgdias na mata fumando. Alguns pais vão sair de lá porque estão nervosos e não querem ver os filhos viciados", explica.

  

O perigo para quem se arrisca


Um homem morador em Cruzeiro do Sul identificado apenas por Marcos saiu há seis meses para o Rio Juruá Mirim e até hoje não voltou. Na cidade surgiram comentários de que ele teria ido à fronteira negociar drogas junto com dois amigos, apenas um deles teria retornado. A mulher dele não sabe com quem Marcos saiu, mas ele a informou que iria trabalhar na construção de canoas no Rio Juruá Mirim. A dona de casa pediu para não ter o nome divulgado, ficou sozinha com três filhos, um menino e uma menina que são do desaparecido. "Fiquei sem nada, agora tenho que trabalhar farinha_com_coca.jpgna agricultura para criar as crianças, fica muito difícil", ressalta a mulher.


Alguns desaparecimentos já foram notados de pessoas que sobem o Rio Juruá Mirim num caminho sem volta, mas os fatos geralmente não são levados ao conhecimento das autoridades. As famílias ficam amedrontadas e não costumam falar, por isso, não há dados concretos sobre tais fatos.

 

Como a droga é distribuída


Os traficantes vão comprar a droga na fronteira. Se não tiverem informações sobre barreiras da Polícia Federal ou do Exército, descem o rio em suas embarcações até droga_no_fusca.jpgCruzeiro do Sul. Os que não se arriscam utilizam mulas (pessoas que transportam a droga).


Com algumas apreensões realizadas durante esse ano, os traficantes estão utilizando trilhas pela floresta até chegar ao Rio Paraná dos Mouras, que fica próximo de vários ramais dos municípios de Mâncio Lima e Rodrigues Alves.


Antes, o Rio Môa também era uma das principais rotas do tráfico, mas com a instalação de um Pelotão do Exército, os traficantes desviam antes da base militar para o Rio Paraná dos Mouras através de trilhas que ligam os rios.    

Moradores são convidados a traficar

droga_2.jpgUm aposentado que mora em uma comunidade do Rio Juruá Mirim, afirma que foi convidado a guardar pasta-base de cocaína em casa, mas não aceitou. A proposta partiu de um funcionário público. "Eu recomendei que procurasse outro, porque comigo não ia conseguir", disse.


Um agricultor que também mora no Rio Juruá Mirim não teve o mesmo pensamento. Ele recebeu uma proposta de dois peruanos para transportar em seu pequeno barco, 8 quilos de pasta-base de cocaína para vender em Cruzeiro do Sul, em troca ganharia R$ 4 mil. No caminho foi abordado pela polícia e passou dois anos e dez meses no presídio. "A gente do seringal quando vê o dinheiro cai mesmo, mas deu tudo errado. Agora estou trabalhando ao lado da minha família pra descontar o tempo perdido. Eu aconselho quem tem essas idéias a trabalhar, a cadeia não é coisa boa", droga_nas_cadeiras.jpgcomenta o morador.

   

Em Mâncio Lima vários ramais interligados permitem o acesso ao Rio Paraná dos Mouras. Um jovem morador do Ramal Bahia, disse que pessoas entranhas quase sempre armadas costumam passar pelas casas e deixam veículos durante dias escondidos no mato. "Alguns que passam a pé com cargas, às vezes pedem aos moradores que têm moto para fazer a viagem pra eles, eu não me arrisco", garante.


Repressão


O 61° Batalhão de Infantaria de Selva localizado em Cruzeiro do Sul tem a missão de vigiar a fronteira, mas também combate o tráfico de drogas que é alarmante na região. O coca_1.jpgtenente coronel Alexandre Jansen comandante da unidade militar, entende que seriam necessárias instalações de outros postos militares em pontos estratégicos para um combate mais eficaz. Ele cita os exemplos dos pelotões instalados no Rio Môa e no município de Marechal Thaumaturgo que dificultam a passagem dos traficantes. "Eu propus ao comando do Exército a instalação de um novo pelotão em Porto Walter que é um meio caminho entre Juruá Mirim e Paraná dos Moras, para melhorar o patrulhamento nesses rios, impedindo que a droga chegue ao Juruá onde já fica difícil o controle, porque daí existem uma infinidade de saídas", comenta. 

  

Para o tenente-coronel, o problema é complexo. De acordo com ele, nas cabeceiras do rio Juruá Mirim os brasileiros utilizam trilhas para fazer compras no município peruano de Cantagalo. "Eles compram alimentos que tem um preço mais em conta e é mais fácil do que vir a Cruzeiro do Sul e Mâncio Lima. Então, se há essa facilidade de trânsito que eles têm pra comprar comida, também tem pra voltar com droga", explica Alexandre Jansen.  

  

O tenente-coronel entende que viciar as crianças é uma tática normal, "primeiro trabalhar pra eles em troca de um punhado de droga, ou então, ser um consumidor deles do futuro", diz. 


O delegado Marcel Antônio Neme chefe da Delegacia da Polícia Federal em Cruzeiro do Sul reconhece que a passagem de droga pela região é grande. "Uma pequena parte fica para o consumo local, o restante é enviado para Manuas e Rio Branco de onde seguem para o Sudeste e Nordeste para a exportação", explica.


Apreensões feitas pela Polícia Federal mostram que grande parte da droga que sai de Cruzeiro do Sul é pelo Rio Juruá dentro de balsas carregadas de farinha. Mas, como houve apreensões, o delegado acredita que hoje esse não seja mais o principal disfarce para o despache da pasta-base de cocaína.  


Segundo o delegado, com os investimentos dos Estados Unidos para combater o tráfico de drogas na Colômbia o refino da cocaína passou a ser realizado no Peru o que torna o tráfico ainda mais intenso na fronteira com o Brasil. Uma das preocupações da Polícia Federal é com carregamentos de cimentos e produtos químicos enviados ao auto Juruá, que podem chegar ao Peru para o refino da droga. "Mas a fiscalização também é intensa nesse sentido, os produtos químicos controlados só podem ser comercializados com autorização da Polícia Federal", diz.


Marcel Antônio Neme disse que o efetivo da Polícia Federal está sendo reforçado e embarcações estão sendo adquiridas para tornar o combate ao tráfico mais eficaz e cita a importância da ajuda das comunidades com informações para o trabalho da polícia.  

 

www.tribunadojurua.com - Genival Moura

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Colômbia desmantela rede de narcotráfico ligada ao Hezbollah

ESTADÃO
quarta-feira, 22 de outubro de 2008

REUTERS

BOGOTÁ - A Colômbia desarticulou uma rede de narcotráfico e lavagem de dinheiro em meio a uma operação internacional que resultou na detenção de 111 pessoas, entre as quais três acusados de enviar dinheiro ao grupo islâmico Hezbollah, infomou a Procuradoria Geral do país.

"Durante a Operação Titã, iniciada em julho de 2006, foram capturadas 90 pessoas no exterior e 21 na Colômbia", afirmou o órgão em um comunicado, na terça-feira, revelando que entre os detentos estavam oito colombianos com pedidos de extradição feitos pelos EUA.

A organização desarticulada lavava dinheiro dos cartéis do Norte do Vale, de Antioquia e de grupos paramilitares, operando na Colômbia, nos EUA, no Canadá, na Europa, no Oriente Médio, na África, na Ásia e na América Central.

"A organização criminosa utilizava rotas que passavam pela Venezuela, pelo Panamá, pela Guatemala, pelo Oriente Médio e pela Europa, colocando o dinheiro resultante da venda de substâncias ilegais nos mercados internacionais, por meio de várias modalidades de lavagem como transferências internacionais e comercialização de bens móveis e imóveis", disse a Procuradoria Geral.

Nas cidades de Bogotá, Cali, Medellín e Pereira foram apreendidos mais de 750 mil dólares em dinheiro, além de 360 quilos de cocaína e 5 quilos de heroína. Também foram confiscados veículos automotores, jóias, dois aviões e um bote.

Na Colômbia, foram detidos Chekry Mahmoud Harb, conhecido como "Taliban", Ali Mohamad Abdul Rahim, conhecido como "Ali", e Zacaria Hussein Harb, conhecido como "Zac". Os três coordenavam o envio de drogas para seus países de origem fazendo com que o dinheiro arrecadado ingressasse no território colombiano por meio de empresas de fachada, disseram as autoridades.

"Parte do dinheiro era distribuído em países do Oriente Médio a fim de, supostamente, financiar grupos terroristas como o Hezbollah", afirmou a Procuradoria Geral, referindo-se à organização islâmica do Líbano que mantém laços com o Irã e a Síria.

A Colômbia, principal aliado dos EUA na América Latina, continua a ser o maior produtor mundial de cocaína, e isso apesar dos últimos sete anos em que o governo norte-americano gastou 5 bilhões de dólares com assistência militar e treinamento de efetivos colombianos para enfrentar o narcotráfico e grupos armados ilegais como as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

Os EUA denunciaram que, com o apoio do Hezbollah e de outros grupos islâmicos que acusam de terrorismo, organizações daquele tipo mantêm-se ativas dentro de comunidades árabes da América do Sul, como as existentes no Brasil e na Venezuela.

(Reportagem de Luis Jaime Acosta)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Um negócio quase honesto

Do portal JB ONLINE
Por Olavo de Carvalho em 13 de abril de 2006

Ao mesmo tempo que o Exército Brasileiro comunicava a prisão de agentes das Farc na Amazônia, a IstoÉ de 12 de abril informava: documentos apreendidos com Fernandinho Beira-mar ''comprovam a antiga suspeita de que o bandido fornecia armamentos e munições às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia em troca das toneladas de cocaína com que abastecia pontos-de-venda de droga no Brasil''. Uma agenda, preenchida pelo traficante com o registro de suas operações no ano 2000, ''é a prova cabal da aliança entre Beira-Mar e as Farc'', assegura a revista.

Beira-Mar não decerto é o principal amigo brasileiro dos delinqüentes colombianos. A Resolução número 9 do X Foro de São Paulo, de 7 de dezembro de 2001, condenou a repressão à narcoguerrilha como ''terrorismo de Estado'' e como ''verdadero plán de guerra contra el pueblo''. Entre as assinaturas estava a de Luiz Inácio Lula da Silva, então ainda presidente do Foro.

No mesmo ano, líderes das Farc foram recebidos como hóspedes oficiais pelo governo petista do Rio Grande do Sul.

Mas seria injusto dizer que a colaboração do PT com as Farc se limitou à troca de gentilezas. As duas organizações publicam juntas uma revista, America Libre, dirigida pelo sublime Emir Sader, na qual defendem seus interesses comuns contra o governo da Colombia e dos EUA, o Exército brasileiro e outras entidades malignas. Pelo menos até 2004, o chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, estava no Conselho Editorial da publicação ao lado do comandante das Farc, Manuel Marulanda Vélez, o famigerado ''Tiro Fijo''. Lá estava também o impoluto deputado Greenhalgh - aquele mesmo que propunha controlar a criminalidade mediante o desarmamento geral das vítimas.

Quando o porta-voz das Farc, Olivério Medina, contou que a organização tinha dado dinheiro para a campanha eleitoral do PT, houve uma correria geral para persuadir o público de que tudo não passava de bravata. Mas, logo depois, a elite petista organizava um movimento de protesto para libertar da prisão o homem acusado de manchar a reputação do partido com fanfarronadas irresponsáveis. Em vez de enxergar algo de suspeito em tamanha incongruência, a nação preferiu acreditar que o PT era um partido cristianíssimo, que retribuia o mal com o bem.

Em 2002, três dos quatro concorrentes à presidência eram membros de partidos aliados às Farc no Foro de São Paulo, e o quarto, José Serra, informado de tudo, preferiu perder a eleição de bico fechado, provando fidelidade estóica às suas raízes esquerdistas. Enquanto a mídia local celebrava a lisura do pleito, o vencedor confessava ao Le Monde que a eleição tinha sido ''apenas uma farsa, necessária à tomada do poder'', sendo confirmado nisso pelo sr. Marco Aurélio Garcia em declaração ao jornal argentino La Nación de 5 de outubro de 2002. Em julho de 2005, o então já tarimbado presidente admitia ter tomado decisões de governo em reuniões secretas do Foro de São Paulo, longe do Congresso e da opinião pública.

A troca de cocaína pelas armas que Fernandinho Beira-Mar trazia do Líbano era feita na Tríplice-Fronteira (Brasil-Argentina-Paraguai). Semanas atrás, o promotor do Distrito de Manhattan, Robert Morgenthau, conseguiu fechar um canal de dinheiro pelo qual US$ 3 bilhões de drogas, seqüestros, contrabando e outros crimes tinham fluído dessa região para organizações terroristas muçulmanas, por meio de um banco de Nova York. Quando a existência desse canal foi denunciada pela primeira vez, a esquerda brasileira protestou com veemência, dizendo que era tudo uma sórdida mentira imperialista.

Aos poucos, a verdade está aparecendo. Mas ela é ainda grande e feia demais para os olhos sensíveis de uma nação que se deixou enfraquecer por uma longa dieta de mentiras cor-de-rosa. O Brasil talvez precise de mais alguns anos para entender que, comparado à trama do Foro de São Paulo, o Mensalão é quase um negócio honesto.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

O óbvio invisível

Do portal OLAVO DE CARVALHO
Por Olavo de Carvalho em 17 de dezembro de 2007

A característica mais óbvia e permanente da estratégia gramsciana para a instauração do comunismo, característica que a distingue radicalmente do método leninista, é que ela evita na máxima medida possível a intervenção revolucionária direta do Estado sobre a sociedade, preferindo operar transformações profundas por meio de agentes auxiliares informais, isto é, entidades e movimentos não estatais espalhados pelo Partido no seio da própria sociedade civil. A revolução transcorre então de maneira difusa, camuflada e anestésica, desnorteando seus adversários – ou mais propriamente vítimas – ao ponto de tornar inviável qualquer reação organizada.

No Brasil de hoje, os partidos e demais entidades “de oposição” não conseguem sequer ter uma visão de conjunto do processo revolucionário que os engolfa. Na desorientação geral em que se encontram, apegam-se a pontos de detalhe, soltos e inconexos, sem perceber que qualquer vitória parcial aí obtida pode ser sempre reciclada em favor da estratégia revolucionária graças ao domínio superior que esta tem do processo como um todo.

O desnível entre a abrangência da ação revolucionária e o esfarelamento pontilhista das reações é tamanho, que as facções respectivas não parecem viver no mesmo país, nem no mesmo planeta, mas em galáxias distantes e mutuamente incomensuráveis. De um lado, a engenharia de longo prazo, calculada para mudar as estruturas profundas e dominar o todo. Do outro, o empenho míope de preservar interesses grupais imediatos, sem a menor estratégia de conjunto e até sem o menor interesse de conhecer a do adversário.

Um exemplo desse desnível é o empresário que espera aplacar a fúria revolucionária mediante contribuições lícitas ou ilícitas ao partido ascendente, sem pensar que com isso ajuda esse partido a dominar o Estado, portanto a prescindir das suas contribuições e a atirar o contribuinte às chamas na primeira queima de arquivo.

Outro, o do militante cristão que ataca o movimento gay mediante um discurso de pura moralidade tradicional, sem notar que esse movimento é apenas a ponta de lança de uma estratégia muito maior, calculada até mesmo para fazer concessões à moralidade tradicional e trocar, se preciso e no momento devido, o apoio da militância gay pelo das igrejas tradicionais. Ninguém entenderá nada, absolutamente nada do que se passa nesse domínio se não levar em consideração que as forças que instigam os gays contra a moral cristã no Brasil, nos EUA ou na Europa Ocidental são as mesmas, as mesmíssimas que punem o homossexualismo com pena de prisão ou morte nos países comunistas e islâmicos. Essas forças estão tão interessadas em liberdade sexual quanto eu estou interessado em Pokemons . E não conheço, ao menos no Brasil, um só militante cristão que, na sua defesa entusiástica da moral religiosa, tenha parado para pensar que seu discurso – e a progressiva radicalização desse discurso, em reação à escalada gay – pode ter entrado de antemão nos cálculos da estratégia revolucionária. No entanto, pelos frutos os conhecereis: quantas igrejas, fugindo do avanço gayzista, não têm aderido aos partidos de esquerda em troca de duas ou três palavrinhas, de pura esmola e da boca para fora, em favor da moralidade cristã?

Mas o exemplo mais especialmente patético é o fazendeiro que acredita poder defender sua propriedade contratando jagunços, enquanto em torno, sem que ele veja, todas as estruturas jurídicas, sociais e culturais já foram modificadas para colocar contra o seu direito de propriedade os tribunais, a polícia, o exército e até a opinião pública.

Não estou dizendo que os fazendeiros sejam incultos e tolos. Mesmo gente de profissão letrada -- jornalistas, empresários, oficiais militares – parece não perceber a obviedade escandalosa de que o que está acontecendo no Brasil não são meras invasões de fazendas: é uma das mais vastas, sistemáticas e irreversíveis operações de transferência de propriedade que já se viram no mundo.

Planejada desde há muitas décadas, no seio de think tanks de esquerda e organismos internacionais, essa operação se desenrola, até agora, em seis fronts simultâneos, articulados para muito além do que as vítimas de seus ataques podem enxergar no momento:

1) A ocupação de fazendas pelos “sem terra”.

2) A ocupação de propriedades urbanas pelos “sem teto”.

3) A transferência de vastas porções de território para as “nações indígenas”, imunes à ação do Estado brasileiro e prontas a declarar sua independência.

4) A desapropriação de casas e terrenos pelos autodeclarados “quilombolas”.

5) A abertura de territórios livres entregues ao domínio de narcotraficantes associados às Farc, vacinados contra toda ação policial.

6) A compra de imensas faixas de terra por estatais chinesas, por agentes da máfia russa (que é o próprio establishment russo) e por milionários árabes com possíveis vínculos com o terrorismo internacional.

Façam as contas da extensão já transferida, avaliem os planos de expansão traçados para os próximos anos, e entenderão que o Brasil já tem uma nova classe dominante, ainda espalhada e amorfa em aparência, mas muito bem articulada, como força histórica, no plano estratégico mais vasto. Para qualquer estrategista revolucionário, mesmo chinfrim, a conexão ao menos teórica desses seis pontos é um requisito primário, óbvio e indispensável. E, hoje em dia, a correspondente articulação prática já em ação pode ser facilmente reconstituída, com um pouco de paciência, juntando os pontos entre as entidades envolvidas e desenhando a trama de suas conexões internacionais – um estudo que qualquer analista estratégico medianamente responsável sabe ser a condição inicial de qualquer diagnóstico da situação.

Para as vítimas do processo, no entanto, a mera hipótese dessa articulação parece tão complexa e diabólica que, por medo de ficar com medo, preferem rejeitá-la mediante o apelo irracional, mas infalível, ao chavão prêt-à-porter : “É teoria da conspiração.”

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

A Conexão Chávez

Do blog MÍDIA SEM MÁSCARA
por Manuel Marlasca e Luis Rendueles em 02 de dezembro de 2007


© 2007 MidiaSemMascara.org


O Fabio Gallipolli, um pequeno barco pesqueiro patroado por Juan José Mata, foi abordado pela polícia espanhola em águas do Cabo Verde em maio de 2006. Em sua adega levava quase três toneladas de cocaína. Seus tripulantes foram detidos e presos. O juiz de La Orotava (Tenerife) encarregado do caso escutou atônito as declarações de dois dos marinheiros-narcos. Eles lhe contaram que a droga lhes havia sido entregue em alto mar por uma patrulheira da Armada da Venezuela. No mesmo submarino dessa operação, chamada Butreque, a Polícia e a Guarda Civil escutaram uma conversa entre os narcos. Um deles mostrava seu temor em voltar à Venezuela para saldar uma dívida. O outro o tranqüilizava: “Agora o chefe é o irmão”, em alusão, segundo fontes da investgação, a Marcos Chávez, irmão do presidente venezuelano Hugo Chávez Frías, nomeado comisário geral da CICPC (Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas), o corpo policial de elite venezuelano encarregado, dentre outras coisas, de reprimir o narcotráfico.

No melhor dos casos, a negligência de Chávez e seu regime com os narcos é notória. Informes do CICO (Centro de Informação sobre o Crime Organizado) espanhol descobriram que 80 por cento da cocaína que chega à Espanha já procede da Venezuela. “Não parece que incomode a Chávez inundar de droga a juventude espanhola burguesa e podre, segundo seu discurso ideológico”, assegura um dos investigadores. Outro dos agentes espanhóis anti-droga lembra que antes de Chávez, “apenas 20 por cento da coca vinha da Venezuela; a maioria saía de praias colombianas caribenhas. Porém, com ele no poder, no mínimo se triplicou”. Agentes espanhóis estão esta semana na Venezuela tratando precisamente de melhorar a colaboração na luta anti-droga, quase órfã desde que Chávez expulsou a DEA, a toda-poderosa agência americana, em 2005.

É precisamente a DEA a autora de informes em poder da Polícia espanhola que afirma que a Armada venezuelana escolta com seus patrulheiros os barcos carregados de droga, enquanto sulcam o delta do rio Orinoco até a desembocadura. Os agentes espanhóis não confirmaram essa denúncia, porém relatam várias histórias: a do carregamento de 175 quilos de coca que agentes da Guarda Nacional haviam colocado no porto de Guaira. Esse mesmo grupo já havia enviado 1.300 qilos de droga que foram localizados pela Guarda Civil em Madri e Lisboa.

Os últimos barcos com coca até na cozinha, apreendidos pela Polícia e Guarda Civil desde 2003, passaram pela Venezuela. Foi o caso do Gallipolli e também do Caridad C (outras três toneladas) e do White Sands (3.100 quilos de droga). Este último tinha como destino o Senegal, onde os grandes narcos já têm infraestrutura. De fato, a Polícia espanhola detectou em alguns países africanos, como Marrocos e Togo, a presença de prováveis homens de negócios com passaportes venezuelanos dedicados na realidade ao tráfico de cocaína.

Não apenas a Espanha tem se queixado de que Chávez faz vista grossa à droga. Também se queixou a Colômbia, local de saída da coca. Assim, um recente informe do Governo colombiano afirma: “A organização de empresas narcotraficantes formadas por redes de colombianos e venezuelanos, permitiu aproveitar a experiência acumulada na Colômbia para converter a Venezuela em exportador de drogas ilegais de primeira ordem para a Europa e Estados Unidos”. O diário colombiano El País informou em julho deste ano que a droga procedente da Venezuela para a Europa e México havia aumentado uns 500 por cento sob o mandato de Chávez. Segundo informação deste periódico, na Venezuela já há 117 pistas clandestinas no delta do Orinoco nas quais aterrizam aviões com coca para carregá-la nos barcos. Também o Governo mexicano se queixou da lassidão venezuelana com a cocaína e os vôos para seu país. Tampouco teve êxito.

Não é por acaso que Chávez também mantenha fluidas relações com as FARC, guerrilha colombiana financiada com a cocaína e com os seqüestros. Inclusive Chávez ofereceu-se para mediar com eles a libertação de alguns dos seqüestrados. Tampouco é por acaso que quase todos os grandes narcos tenham um passaporte venezuelano. A Polícia espanhola confirma que “os narcos colombianos compram passaportes venezuelanos em branco. Dessa forma, evitam ter que pedir visto para viajar para a Europa”. Foi o caso de Orlando Sabogal, codinome “Mono”, chefe do cartel do Norte del Valle, que foi detido pela Guarda Civil no ano passado em Madri.

O primeiro caso de um traficante de droga internacional com conexões diretas com o regime, foi o de Walter del Nogal, detido em setembro na Itália, por tráfico de cocaína, segundo publicou El Nuevo Herald. Del Nogal havia chegado a Milão desde a Espanha e era foragido da justiça suíça. Quando Chávez chegou ao poder, Del Nogal estava na prisão cumprindo condenação por assassinato. O presidente o indultou e Del Nogal converteu-se em um homem agradecido e que freqüentava festas dos vips do regime. Em uma dessas festas posou radiante junto do prefeito de Caracas, Juan Barreto.


Na estrutura do regime


Os serviços anti-droga espanhóis não estão nada contentes com Chávez, tampouco os grupos anti-terroristas. Por um lado, organizações fundamentalistas islâmicas violentas, como o Hamas e o Hezbollah, já têm escritório e simpatizantes na Venezuela. Por outro lado, mais estritamente espanhol, o assunto dos etarras que vivem na Venezuela, muitos desde os anos 80. “O que mudou com Chávez é que os etarras antes eram empresários privados que financiavam desde lá; agora, muitos estão integrados na estrutura do regime e se uniram com outros procedentes do México, desde que o Governo mexicano começou a colaborar conosco. Alguns cobram de governos e municípios controlados por chavistas, inclusive. E todos têm passaporte venezuelano”, assegura um agente anti-terrorista.

A cabeça visível dos etarras na Venezuela é Arturo Cubillas, acusado de três assassinatos entre 1984 e 1985, quando fazia parte do Comando Oker. Cubillas refugiou-se na Venezuela em 1989 e abriu um restaurante ao qual chamou - como seu grupo assassino, no qual compartilhava pistolas com Idoia López Riaño -, La Tigresa. Na Venezuela Cubillas casou-se com Goizeder Odriozola, filha de exilados bascos. Em 2005, o governo de Chávez o nomeou diretor de Bens e Serviços do Ministério da Agricultura. Sua esposa passou do mesmo ministério a converter-se em diretora geral do Despacho da Presidência, uma espécie de gabinete de Chávez. Ficavam para trás as extradições em 2002 de Sebastián Etxaniz – condenado por três assassinatos – e Juan Víctor Galarza. O Governo de Chávez retificou essas extradições de imediato e ofereceu pagar 325.000 euros de indenização, embora depois tenha anunciado que não o faria.

Na Venezuela vivem comodamente, segundo informes anti-terroristas espanhóis, Miguel Ángel Aldana, codinome Askatu – acusado de dois assassinatos -, María Arana Altuna, Carmen Albizu Etxabe... até uns quarenta etarras. Alguns, os mais afortunados, trabalham para bandos chavistas. Outros dirigem uma armaria e inclusive dão aulas de tiro e táticas de guerrilha aos círculos bolivarianos. “Eles podem ensinar muitas coisas de guerrilha e ‘kale borroka’ ao contrário a essa espécie de ‘somatén’ ou milícia que Chávez usa para destruir mobilizações da oposição”, afirmam fontes policiais espanholas. Os Círculos Bolivarianos reprimem com dureza, e com armas, as manifestações da oposição contra o projeto de Chávez de poder ser reeleito por toda a vida, previsto para 2 de dezembro.

Os etarras vivem na Venezuela nos estados Falcón, Sucre, Nueva Esparta e Aragua, segundo os informes anti-terroristas espanhóis, que acrescentam com preocupação que alguns etarras conseguiram ser eleitos diretores das euskaletxea (casa basca), verdadeiro centro nevrálgico da emigração. São os casos de Barcelona, Puerto La Cruz, Anzoátegui, Sucre e Falcón. Além de militantes do ETA, Chávez mima seus simpatizantes e entorno próximos, especialmente a organização Askapena (Libertação), que afirma em seus documentos fazer parte do Movimiento de Liberación Nacional Vasco (MLNV), a forma em que o ETA e seu entorno se auto-definem. Membros do Askapena mantêm excelentes relações com o regime chavista e participaram lá, do mesmo modo que o dirigente de Batasuna, Joseba Álvarez, no Fórum Social Mundial que celebrou-se em Caracas no ano passado. O Askapena também colaborou na inauguração da emissora de rádio de apoio a Chávez chamada “Al son del 23”.

No verão passado, um grupo de jovens independentistas bascos viajou à Venezuela com o nome de Brigada. Em suas crônicas afirmaram que iam “transmitir o que é a Euskal Herria, nossa luta e nosso projeto”. Foram entrevistados na emissora, também na rádio estatal venezuelana e visitaram várias coordenadoras chavistas. Um fotografia na internet mostra vários dos voluntários da Askapena posando sob um enorme retrato de Simón Bolivar e com um cartaz no qual se reclama o regresso à casa (etxera) dos presos etarras. Outro membro da Askapena, Luismi Uharte, assina artigos de apoio a Chávez como “professor ad honorem da Universidade Central da Venezuela”.

Chávez e seus aliados empregaram membros da Askapena para se defender, inclusive, de problemas locais. Desse modo, integrantes da Askapena viajaram à Bolívia no verão passado e deram entrevista coletiva de imprensa em 23 de agosto em El Alto. O Governo de Evo Morales passa por dificuldades ante a mobilização popular majoritária no estado de Santa Cruz, que reclama um estatuto de autonomia similar ao basco ou ao asturiano. Morales vem sofrendo massivas manifestações contra si.

Os brigadistas bascos chegaram até aqui para explicar, segundo suas próprias palavras, que a “Euskal Herria é uma nação sem Estado sob o domínio do Estado espanhol e francês”, que “o nosso é um povo que foi colonizado; quando em 1512 [data da incorporação de Navarra à Espanha] os colonizadores espanhóis chegavam à Bolívia, começava também a última ofensiva contra a soberania de nosso povo”. Após a heróica história, o chamamento aos bolivianos: “A autonomia significou a concessão à oligarquia local de quotas de poder para defender seus interesses econômicos e administrar seus negócios. Este regime autonômico é um obstáculo no caminho para a recuperação de nossa soberania”. Quer dizer, nada de autonomia para a Bolívia. A fluidez de relações entre o regime chavista, seu “irmão mais novo” Morales e alguns setores independentistas radicais bascos mostra-se também com a existência em Bilbao, desde 2004, do Círculo Bolivariano La Puebla, que se define a si mesmo como “conformado por bascos/as, venezuelanos/as e outros/as interessados/as em apoiar a Revolução Bolivariana que se está levando a cabo na Venezuela” e faz fincapé nas raízes bascas de Bolívar.

Não estranha que, com tanta comunicação ideológica, quando Chávez protagonizou o incidente com o Rei de Espanha a televisão pública venezuelana tenha entrevistado José María Esparza, ex-editor de Gara, para que desse sua opinião: “O Rei não tem maior representatividade do que a que lhe condece o ditador Francisco Franco... O povo basco e o catalão jamais votaram pela permanência do Rei” .

Fonte: http://www.interviu.es

Tradução: Graça Salgueiro

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".