Não demonstre medo diante de seus inimigos. Seja bravo e justo e Deus o amará. Diga sempre a verdade, mesmo que isso o leve à morte. Proteja os mais fracos e seja correto. Assim, você estará em paz com Deus e contigo.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Rússia e Venezuela, "mui amigos"
domingo, 4 de janeiro de 2009
Duas notas de um católico perplexo - Editora Vozes: uma editora católica?
Sempre que visito uma livraria da Editora Vozes (e também da Paulus) me entristeço com os livros de comunistas confessos publicados pela editora ou vendidos pela livraria. É um desfile de betos e boffs que enjoa o estomago.
No caminho de casa até a livraria, vou me preparando, prometendo-me não olhar as estantes e me concentrar no livro que quero adquirir. Digo a mim mesmo: “Chegue lá e peça o livro ao atendente; verifique se é isso que você quer, pague e vá embora.”
Outro dia, fui com meu filho comprar, para ele, o “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, de São Luis Maria Grignion de Montfort. Muito auto-disciplinado, pedi ao atendente o livro e fui direto ao caixa. Chega o meu filho e me diz: “Pai, naquela estante ali tem um livro de Calvino.” Disse a ele: “Não filho, a Editora Vozes é católica e nunca publicaria um livro de Calvino.” Pensei comigo mesmo: “Vá lá, betos e boffs, mas Calvino não!” “Pai, está ali o livro de Calvino. Ele não chama João Calvino?”, insistiu meu filho. Fui lá e vi, com meus próprios olhos, “A Instituição da Religião Cristã”. O significado desse livro nos explica Belloc, em As Grandes Heresias: “Não havia nenhuma doutrina construtiva externa em oposição ao antigo corpo doutrinal sob o qual nossos pais viveram, até que um homem de gênio surgiu com um livro como seu instrumento, e um poder pessoal violento de raciocínio e de pregação para atingir seu fim. Este homem era francês, Jean Cauvin (ou Calvino) ...qualquer que tenha sido sua motivação, ele foi certamente o fundador de uma nova religião. Pois foi João Calvino que estabeleceu uma anti-Igreja.”
Expliquei para meu filho o estado lastimável em que se encontra o dito “catolicismo” no Brasil e fui embora, muito mais triste do que tinha antecipado que ficaria ao sair de casa. O livro de São Luis Montfort se tornou ainda mais necessário de ser lido. Rezemos à Santíssima Virgem e a seu Santo Esposo pela Igreja.
A consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria
Lemos no texto do Prof. Orlando Fedeli, Fátima: um "segredo" contendo um enigma envolto em um mistério, o seguinte:
“No primeiro segredo, Nossa Senhora mostrou aos três pastorinhos de Aljustrel ‘o inferno para onde vão os pecadores’, e explicou-lhes que foram os pecados dos homens que provocaram o castigo da I Guerra Mundial (1914-1917).
‘Nossa Senhora mostrou-nos um grande mar de fogo que parecia estar debaixo da terra. Mergulhados em esse fogo os demônios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras, ou bronzeadas com forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas mesmas saíam, juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das fagulhas nos grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor. Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes e negros. Esta vista foi um momento, e graças à nossa boa Mãe lá do céu, que antes nos tinha prevenido com a promessa de nos levar para o céu (na primeira aparição). Se assim não fosse, creio que teríamos morrido de susto e pavor. Em seguida, levantamos os olhos para Nossa Senhora, que nos disse com bondade e tristeza: 'Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para salvá-las, Deus quer estabelecer no mundo a devoção a meu Imaculado Coração. Se fizerem o que eu disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz.’
“O segundo segredo: ‘A guerra vai acabar, mas, se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite iluminada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para impedi-la, virei pedir a consagração da Rússia a meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja, os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas, por fim o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.’
Todos sabemos que a Rússia não foi consagrada e estamos sabendo, pouco a pouco, desde a abertura dos arquivos de Moscou, quais foram os erros que ela “espalhará pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja ...” A mais recente notícia que temos é comentada por Olavo de Carvalho em seu artigo, URSS, a mãe do nazismo. Vejam lá de que Nossa Senhora estava falando.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Apesar da retórica, a Rússia desmorona
O urso está de volta. É isso que muitos observadores da Rússia têm dito desde que as tropas do país invadiram a Geórgia, em agosto, anunciando que o homem forte da nação, o primeiro-ministro Vladimir Putin, estava mostrando suas garras e abrindo caminho de volta ao status de superpotência. O ressurgimento da Rússia tem sido abastecido - literalmente - por lucros milagrosos provenientes da exploração do petróleo e do gás, por um imenso salto nos gastos com a defesa nacional e pela atitude desafiadora exibida durante a surra aplicada à Geórgia, o vizinho da Rússia apoiado pelos EUA na fronteira do Cáucaso.
Muitos agora acreditam que o poderoso urso russo da Guerra Fria esteja acordando de sua hibernação. Mais devagar. As previsões afirmando que a Rússia se tornará novamente poderosa, rica e influente ignoram alguns problemas domésticos simplesmente devastadores que impedem qualquer marcha rumo ao topo. É claro que os soldados russos foram capazes de tomar um pequeno país como a Geórgia. Mas o exército de Putin ainda está em frangalhos, equipado com armamento enferrujado e composto por recrutas indiferentes.
Enquanto isso, uma população em declínio está tirando do Exército uma nova geração de soldados e a economia da Rússia continua quase totalmente dependente do preço do petróleo. E, o pior de tudo, o país enfrenta uma crise na saúde pública que beira a catástrofe.
É verdade que a paisagem urbana das cidades russas está repleta de guindastes. Lofts industriais são agora a última moda em Moscou, turistas russos lotam destinos remotos, como Tailândia e Caribe, e os magnatas russos estão comprando imóveis e obras de arte em Londres quase com a mesma rapidez que o fazem os seus equivalentes do petróleo do Golfo Pérsico.
Por trás da superfície reluzente, porém, a sociedade russa se encontra num estágio ainda mais frágil do que na época soviética. As recentes aventuras militares do Kremlin e o seu discurso duro são a fanfarronice do fraco, e não a bravata do forte. Apesar de a Rússia ter se capitalizado de maneira impressionante em cima da sua indústria petrolífera, a volatilidade do mercado mundial de petróleo significa que Putin não pode contar a longo prazo com um fluxo de dinheiro proveniente do alto preço do barril.
PETRÓLEO
Uma queda prevista em cerca de um terço no preço do petróleo certamente restringiria muito a capacidade de Putin de avançar seus programas ambiciosos, tanto no âmbito internacional quanto no nacional. Isso faz do anunciado plano de aumento de quase 26% nos gastos com a defesa nacional em 2009 - para reequipar o Exército com armamento de última geração - uma proposta arriscada.
O que o mundo viu em ação na Geórgia foi um arsenal muito defasado, coisa que levaria anos para substituir, mesmo que a Rússia pudesse arcar com o custo de US$ 200 bilhões envolvido numa tal operação.
Há algo ainda maior impedindo a marcha russa. Nas últimas décadas, principalmente depois do fim da União Soviética, em 1991, observou-se uma drástica deterioração na saúde do povo russo, o que põe a Rússia não na vanguarda dos países desenvolvidos, mas entre as nações mais atrasadas.
Trata-se de uma tragédia de imensas proporções - apesar de não ser surpreendente, ao menos não para mim. Acompanhei durante décadas o estado da população, da saúde e das questões ambientais na União Soviética. Recentemente, relatei o avanço da epidemia de aids e mostrei como essas e outras doenças estão arrasando o povo russo. Visitei a Rússia mais de 50 vezes no decorrer dos anos. Assim, posso dizer com base em minha experiência pessoal que essa calamidade nacional não está acontecendo subitamente. Está acontecendo inexoravelmente.
De acordo com números levantados pela ONU, a expectativa média de vida para um homem russo é de 59 anos, o que coloca o país em 166º lugar entre as nações mais longevas, um pouco acima de Gâmbia.
ATRASO
Para as mulheres o quadro é um pouco mais animador: a expectativa de vida é de 73 anos, quase empatando com a da Moldávia. Mas há ainda cerca de 126 países onde as mulheres poderiam viver mais tempo. E a lacuna entre as expectativas de vida masculina e feminina - 14 anos - é a maior do mundo desenvolvido. Afinal, o que está matando os russos?
A resposta são todas as causas habituais - aids, tuberculose, alcoolismo, câncer, doenças cardiovasculares e respiratórias, suicídios, tabagismo, acidentes de trânsito. Todas elas, porém, ocorrem numa proporção preocupantemente alta e Moscou não dispõe nem dos recursos e nem da determinação para reverter esta maré.
Considere o seguinte. A proporção de russos mortos em decorrência de doenças relacionadas ao coração por grupo de 100 mil habitantes é três vezes maior do que a registrada nos EUA e na Europa.
Além disso, as mortes decorrentes da tuberculose na Rússia equivalem ao triplo do que a Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica como epidemia. O consumo de álcool per capita entre os russos é o dobro do que a OMS considera prejudicial à saúde.
Cerca de 1 milhão de russos foram diagnosticadas como portadoras do HIV. Na Rússia, estima-se que serão registrados 25% mais casos de aids em 2008 do que em 2007. E nenhum aspecto desse quadro deve melhorar tão cedo.
Peter Piot, chefe da Unaids, agência da ONU criada para responder à epidemia, disse durante entrevista coletiva que se sente "muito pessimista em relação ao que está acontecendo na Rússia e na Europa Oriental.
Nos EUA e na Europa Ocidental, 70% dos infectados pelo HIV são homens acima dos 30 anos. Na Rússia, 80% dos infectados têm idade entre 15 e 29 anos. E, apesar de os usuários de drogas injetáveis representarem cerca de 65% dos casos na Rússia, o país rejeitou oficialmente a metadona como forma de tratamento, apesar de isso reduzir o potencial de novas infecções pelo HIV.
Temos também a tuberculose. Lembra-se da tuberculose? Nos EUA, onde a população chega a 303 milhões de indivíduos, 650 pessoas morreram por causa da doença em 2007. Na Rússia, cuja população totaliza 142 milhões, foram impressionantes 24 mil mortes por tuberculose em 2007. Será possível que seja uma coincidência o fato de que apenas 9% dos hospitais russos para tratamento de tuberculose tenham padrão de higiene mínimo para o tratamento de qualquer doença?
Atualmente, 21% dos hospitais na Rússia apresentam falta de água quente ou mesmo fria. Pouco mais de 10% deles não tem um sistema de esgoto e 20% sofrerem com a falta de medicamentos para tuberculose.
Do outro lado do ciclo da vida, as notícias não são muito melhores. A taxa de natalidade russa está em declínio há mais de uma década. Mesmo se houvesse um aumento recente nos nascimentos, ele seria limitado pelo fato de que o número de mulheres entre 20 e 29 anos (as responsáveis por dois terços de todos os bebês) cairá muito nos próximos cinco anos como reflexo da queda de 50% na natalidade ocorrida na década de 1990. Infelizmente, a saúde dos recém-nascidos é também frágil, com 70% deles enfrentando complicações no nascimento.
MORIBUNDO
O urso segue cambaleando, movido por prioridades desastrosamente mal hierarquizadas e pelas expectativas caracterizadas pela falta de realismo e por causa de uma liderança política impulsionada pelo ressentimento. Moscou parece decidida a ignorar a devastadora verdade: o país não está doente, mas moribundo.
*Murray Feshbach escreveu este artigo para o Washington Post
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Entrevista com Nivaldo Cordeiro, um dos palestrantes do FORTE 2008, da FEBRATEL, em São Paulo
14/07/2008 :: João Carlos Fonseca
A Federação Brasileira de Telecomunicações – FEBRATEL – promove no dia 18 de agosto, em São Paulo, a edição 2008 do Fórum de Relações do Trabalho em Telecomunicações, com o tema "Liderança Empresarial do Brasil e os BRICS". José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas pela FGV-SP. É homem de idéias e seus recados são diretos. Na qualidade de fórum, o evento promete um debate ativo sobre a contemporaneidade. Para se inscrever, gratuitamente, é só enviar um e-mail (forte2008@febratel.org.br) ou ligar para (21) 2541-4848.
A sigla BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China – traduz o coletivo de países emergentes que disputam lugar no privilegiado clube do Primeiro Mundo. A liderança empresarial, sua formação e a dinâmica política são importantes fatores nessa disputa. A entrevista com o economista José Nivaldo Cordeiro foi feita por e-mail. As perguntas foram editadas para fins de publicação, mas as respostas estão reproduzidas em sua íntegra, tal como nos foram enviadas pelo entrevistado.
FEBRATEL – Em que consiste a liderança empresarial, tema do FORTE 2008? É a liderança dos empresários perante a sociedade ou é a liderança de pessoas nas empresas?
Nivaldo Cordeiro – A liderança, enquanto tal, consiste nas duas coisas. No meio empresarial, há que emergir vozes que representem seus pares junto à sociedade civil e ao governo. Da mesma forma, há que liderar as ações dentro da empresa. Uma das acepções do verbo “liderar” é “conduzir”. Um dos sentidos dado pelos dicionários ao termo é “ir junto com ou dentro de (algo), de um lugar para outro, dando-lhe direção e/ou comando”. Portanto, há o movimento que deve ser orientado em direção a uma meta.
FBT – Fale-nos da figura do líder.
NC – O líder é como o proverbial pastor que sabe aonde vai e o caminho certo, se porta da maneira correta, com a linguagem correta, faz as coisas no tempo certo. É a figura do spoudaios, o homem que amadurece com sabedoria e é respeitado pelos pares e pelos mais jovens. Na empresa, essa figura é representada pelo gerente, seja ele o administrador ou o técnico, o que sabe fazer e sabe organizar o trabalho.
FBT – A liderança empresarial é um fenômeno comum para o sucesso de todos o BRICS (Brasil, Rússia, China, Índia)?
NC – Sim. É comum em toda parte, embora cada cultura imprima a sua própria característica à liderança. Confesso que me fascina saber como se dá a liderança em uma sociedade como a chinesa, tão distante de nós em termos culturais e políticos. Certamente que o viés autoritário seja uma constante, em face do sistema político. Mas, a recente abertura ao ocidente impactou nas técnicas administrativas, de sorte de a busca da cooperação e do exemplo, algo tão importante, para nós, devem ter sido incorporados nos últimos anos. Mas, liderança não é apenas uma técnica, vai além.
Liderança na China, Rússia e Índia
FBT – O que acontece na China?
NC – A China, enquanto sociedade fechada e comunista, tende a produzir um tipo de líder que eu chamaria de “negativo”, não obstante ele conseguir obter os melhores resultados técnicos e empresariais, tão bons quanto os nossos. O fato é que liderar transcende a empresa, impacta a sociedade e a própria estrutura de poder. Uma sociedade que não tem a liberdade como valor tende a produzir líderes que não a valorizam e, por isso, enquanto homens, falham. Um spoudaios é, antes de tudo, um defensor da liberdade.
FBT – Vamos falar da Rússia?
NC – Na Rússia, vemos emergir uma sociedade conturbada com o fim do regime comunista, cujo regime democrático ainda não está consolidado. Então temos fenômenos interessantes, como uma grande agressividade empresarial casada com os males da sociedade ocidental do século XIX. As estatísticas mostram que em 2007 houve queda na população russa, pela mortalidade dos velhos e de pessoas jovens. Uma coisa selvagem. A redução de população em uma unidade política será sempre uma tragédia. Há, aqui, uma clara indicação de que houve uma escassez de bons condutores, de bons líderes; e não apenas de líderes políticos.
FBT – Só lhe falta comentar sobre a Índia...
NC – A Índia, por sua vez, conseguiu adaptar sua cultura milenar ao que de melhor tem o ocidente. Seus jovens invadiram as universidades ocidentais e levaram para o seu país inovações importantes, tanto que criaram centros de excelência notáveis.
FBT – Quais as vantagens competitivas do Brasil?
NC – O Brasil tem grande vantagem por estar próximo dos mercados consumidores do ocidente, ter fartura de matéria prima, fuso horário compatível com os EUA.
FBT – As vantagens da China?
NC – A China, por sua vez, tem mão de obra barata, o que tem o lado ruim, o dos indicadores sociais.
FBT – E as vantagens da Índia e Rússia?
NC – A Índia conseguiu ter centros de excelências tecnológicas; a Rússia, fartura de petróleo.
Liderança no mundo empresarial
FBT – Há alguma diferença entre "empresa pequena, média ou grande" para a "liderança empresarial do Brasil no contexto dos BRICS?”
NC – Veja. A função de liderar tem um fundo comum, que é a inteireza de alma, o compromisso de vida com seus liderados, com a família, com a pátria. É uma responsabilidade muito grande ser líder, em qualquer contexto, seja numa pequena, numa média ou grande empresas. O desempenho mais das vezes é medido no processo competitivo, que leva em conta inovações tecnológicas, técnicas de comercialização, organização no processo produtivo e motivação das pessoas envolvidas no processo. Então, há um fundo comum. Cada líder tem que saber tirar proveito daquilo que tem à mão.
FBT – Como deve agir o Brasil?
NC – O estrategista que “toca” negócios no Brasil precisa saber os pontos fortes e fracos dos competidores, e não apenas daqueles que vendem no mercado mundial. O mercado mundial também é aqui, na medida em que os produtos importados chegam às prateleiras de nossos supermercados. Compreender o processo como um todo pode ser a chave do sucesso empresarial.
FBT – Há diferença entre "empresa multinacional" e "empresa nacional" para a "liderança empresarial do Brasil, no contexto dos BRICS?”
NC – Essencialmente, não. Certos setores multinacionais têm grandes desvantagens quando vêm para o Brasil. Veja o caso de bancos de varejo. Não conseguiram entrar. É difícil, muito regulamentado. Veja o setor de TI. As multinacionais fabricantes tiveram que desenvolver uma rede de parceiros para entrar no nosso mercado, por muitas razões, o que abriu um leque de oportunidades para pequenas e médias empresas do setor.
FBT – O que distingue uma multinacional?
NC – As multinacionais têm várias vantagens, como um conhecimento amplo do mercado mundial, facilidades de financiamentos mais baratos, produção própria de tecnologia e um padrão competitivo de classe mundial. Elas são muito cuidadosas com o desenvolvimento de seus quadros gerenciais, seus líderes. E têm também a vantagem de importar talentos, quando esses faltam, com algum perfil específico.
O sistema sindical
FBT – Qual sua visão sobre o sistema sindical praticado no Brasil, visto em perspectiva histórica?
NC – Eu não gosto desse sistema, de concepção fascista. Sou favorável ao livre mercado, ao livre sindicalismo; sou pelo fim do imposto sindical. Penso que associações desse tipo devem ser voluntárias e custeadas pelos interessados.
FBT – Qual a importância dos sindicatos patronais?
NC – Os sindicatos patronais são muito importantes para representar os setores e cuidar para que os interesses coletivos não sejam ameaçados, seja por medidas legislativas, seja por medidas arbitrárias do Poder Executivo.
FBT – E dos sindicatos laborais?
NC – Já os sindicatos laborais são de grande importância para manter o equilíbrio na relação capital/trabalho.
A presença do Estado
FBT – No contexto dos BRICS (Brasil, Rússia, índia, China), como o Sr. percebe a presença e a atuação do Estado?
NC – Aqui está a questão central. Esses países têm em comum o fato de viverem ou vive de experiência com algum grau de socialização. Como a literatura prova à exaustão, a ingerência do Estado é perniciosa para a produtividade e para o desenvolvimento econômico, além de prejudicar a justa distribuição da renda.
FBT – O Sr., então, vê a redução do Estado como algo positivo?
NC – Sim; aquele que conseguir reduzir o Estado e a regulamentação e patrocinar as livres trocas internacionais irá proporcionar o maior institucional para que as empresas alcancem seu apogeu.
FBT – Poderia citar um exemplo?
NC – É esse o segredo da China, que, não obstante manter o regime político fechado, abriu largas zonas para o livre comércio. Está crescendo a taxas espetaculares, semelhante às alcançadas pelo Brasil nos tempos do “milagre”. Livre mercado é o combustível desse processo.
FBT – E o caso do Brasil?
NC – No Brasil estamos na contramão, com o crescimento da regulamentação, da carga tributária, da ingerência estatal. Nossos líderes empresariais precisam fazer-se também líderes políticos para fazer mudar essa realidade. Estado Mínimo é o essencial para tornar nossas empresas competitivas.
Os BRICS no cenário mundial
FBT – Os BRICS competem ou se aliam no cenário internacional?
NC – Depende do tema. Nos mercados, eles competem ferozmente. O crescimento da China, por exemplo, em alguns mercados, está sendo feito à custa da nossa indústria. Por outro lado, abriu enormes mercados para os produtos que não chocam com nossa matriz industrial.
FBT – E quando se trata de política?
NC – Na arena política, há um certo alinhamento dos governos contra os EUA, que eu considero um erro. O Brasil não tem porque hostilizar aquele que é nosso maior mercado e tem uma democracia que é exemplo para o mundo. Entendo a postura da China e da Rússia que têm pretensões geopolíticas diferente das nossas. Entrar nesse coro, todavia, só nos trará perdas.
FBT – O Sr. acha que o Brasil, que é o "B" dos BRICS, tem vocação natural para basear seu sucesso em commodities e produtos extrativos ou deve investir em inovação?
NC – Veja que o Brasil tem uma forte vocação agrícola. Isto é um fato que até as pedras sabem. O Brasil já é o maior produtor (senão o maior exportador) em muitos mercados, como carne, soja, álcool, frutas etc. E o País vai crescer porque tem território, água e uma liderança empresarial nesse setor de fazer inveja a concorrentes.
FBT – Então, a vocação do Brasil seria explorar seus recursos naturais?
NC – A situação do Brasil não se esgota aí. Temos uma grande matriz industrial. No setor de TI, a vocação para crescer é total, com fuso horário favorável e estabilidade política, que falta aos concorrentes (a Índia tem ogiva atômica do Paquistão apontada para ela). Então, não temos que fazer nenhuma escolha; temos é que explorar as potencialidades de ambas as áreas. Essa é uma falsa questão.
A presença do Estado
FBT – O Brasil já foi apelidado de um "BRIC lento". O Sr. concorda ou discorda?
NC – O Brasil ficou lento nas décadas recentes. Visto em um contexto mais amplo, a afirmação não se sustenta. O que tem segurado nosso desenvolvimento são dois fatores: o descontrole de preços, que perdurou muito, e o agigantamento do Estado, que ainda continua. Na verdade, o primeiro fator está contido no segundo.
FBT – O Estado, então, seria grande demais no Brasil?
NC – Sim. Vejo que precisamos mobilizar as forças da nação para reduzir o gigante estatal. E quando falo isso, estou pensando pelo lado da receita e da despesa. É preciso reduzir impostos, mas igualmente as despesas.
FBT – Como seria, no seu entender, a redução de impostos e das despesas do Estado?
NC – Não tenho nenhuma fórmula, apenas sei que se precisa ser feito e aqui a demanda por líderes positivos e genuinamente comprometidos com os interesses gerais da nação precisam emergir. Não será um processo nem curto e nem fácil. Teremos que enfrentar crenças socialistas fortemente arraigadas. Mas, essas crenças são malignas, erradas, são os grilhões que nos prendem e impedem o desenvolvimento voltar a ocorrer de forma acelerada.
FBT – O Sr. acha que seria necessário reformular tudo?
NC – Acho que precisamos redesenhar o Estado, repensar a federação, a representação. É uma demanda para redundar a nação.
FBT – Mas, isso seria possível?
NC – Sei da importância do que estou dizendo, da gravidade das minhas palavras. Mas, não seria honesto com os leitores não dizer o que penso e vislumbro. Temos que redundar politicamente o Brasil para que os brasileiros possam enriquecer e prosperar e se tornar um povo mais feliz. Para tanto, precisamos reduzir o monstro estatal. Não temos alternativa.
Pensador brasileiro
FBT – A programação do Forte 2008 se refere a Ortega y Gasset. Qual o pensador brasileiro que dele se aproxima?
NC – Olavo de Carvalho. Ele é profundo e comprometido com a nacionalidade.
FBT – Algum outro tema que queira comentar?
NC – Sim. Seria relativo aos rumos políticos atuais do Brasil que vejo com muita apreensão. Estamos na rota revolucionária. O PT está, desde que assumiu o poder, ocupando todo a aparelho de Estado e conduzindo o Brasil no rumo da socialização, exatamente na contramão da nossa necessidade histórica, de ir em busca da liberdade.
FBT – O momento atual seria, então, motivo de preocupação?
NC – Eu vejo com muita preocupação a hipótese ou do terceiro mandato ou de ser eleger alguém da linha do PT. Podemos estar em véspera da destruição da alternância de poder no Brasil, algo que na prática já vige, na medida em que não existem forças políticas ditas de “direta”. Não há organizações partidárias verdadeiramente comprometidas com o livre mercado, o que é uma tragédia colossal.
FBT – O Sr. poderia explicar?
NC – Agora dar o monopólio do poder político às forças em torno do PT é muito grave, pois equivale a manter o curso do processo revolucionário. Isso se casa com o que está acontecendo com a maioria dos países vizinhos, todos atuando no âmbito do Foro de São Paulo, com a notável exceção da Colômbia, que acabou de infringir vigorosas derrotas às FARC, o braço colombiano do FSP.
FBT – Algum recado?
NC – Nossos líderes empresariais precisam largar a passividade e ir para a arena política, tendo consciência dos perigos que estamos vivendo. Esses perigos podem significar uma regressão civilizacional de grande monta, como vimos na Venezuela e no Zimbábue, este em maior proporção. Não estamos longe disso. E não existe nenhum determinismo histórico que nos diga que as forças do livre mercado devem ser derrotadas. Não.
FBT – Como assim?
NC – Se lutarmos, se líderes assumirem as suas responsabilidades, podemos, aqueles que combatem pela liberdade, retomar o caminho perdido e colocar o Brasil na trilha do desenvolvimento. Mas, isso não acontecerá por inércia, terá que vir pela mãos de homens inteligentes, sóbrios e comprometidos com a nação. Certamente que os setores das Teles com e de TI terão que dar sua contribuição de novos líderes, que confrontem os adversários socialistas, para mudar o curso da nossa História.
FBT – Suas palavras finais.
NC – Acredito firmemente que esse é o lado “certo”. Como dizia Ortega, não se pode permanecer no “erro”. O socialismo é um erro que precisa ser corrigido. As lideranças empresariais não poderão escapar ao enfrentamento dos inimigos da civilização.
segunda-feira, 12 de maio de 2008
O ABC do poder global
Do portal MÍDIA SEM MÁSCARApor Jeffrey Nyquist em 08 de maio de 2008
Resumo: Para aqueles que amaldiçoam os Estados Unidos e Israel fica a pergunta: vocês confiariam nos herdeiros de Mao Tse-tung e nos discípulos de Felix Dzerzhinsky para manter a paz, a liberdade e ampliar a prosperidade global?
© 2008 MidiaSemMascara.org
Rússia e Estados Unidos têm os maiores arsenais nucleares do mundo. Ambos os países têm exércitos poderosos, além de frotas navais e forças aéreas também poderosas. O mesmo pode ser dito da China, que se coloca como o terceiro país mais poderoso do mundo. Os três países são grandes em área e população. Juntos, ocupam um quatro da área da superfície terrestre, somam um terço da população mundial e têm a posse de mais de noventa por cento das mais poderosas e avançadas armas do mundo. Sendo a mais poderosa dessas três potências, os Estados Unidos são dominantes. Se essa supremacia acabasse repentinamente (devido a uma grave crise financeira), a atual aliança entre Rússia e China rapidamente preencheria o vácuo deixado pelo colapso do poder americano.
Como é que o mundo se pareceria sem os EUA no papel dominante?
Para responder a esta questão, precisamos considerar as diferenças entre a Rússia, China e os Estados Unidos. Se não existissem diferenças significativas, especialmente as concernentes ao uso do poder, os três países seriam intercambiáveis. O mundo permaneceria estável, sem nenhuma ameaça de que uma guerra mundial viesse a se deflagrar. Infelizmente, as três potências não são iguais.
Quaisquer que sejam os pecados cometidos pelos Estados Unidos, quaisquer que sejam os danos que os americanos tenham causado, não há comparação entre os EUA e as duas outras potências – Rússia e China. O Oriente e o Ocidente diferem na história, na política e na cultura. Diferem, acima de tudo, nos métodos utilizados para obter e manter o poder. A história americana é completamente diferente da história russa e da chinesa. A história dos Estados Unidos não é um desfile de tiranos: não é a história do primeiro imperador Ch’in que unificou a China em 221 a.C., e nem a do primeiro czar, Ivã, o Terrível. A maioria das nações nasce em meio a algum derramamento de sangue, é verdade, mas nem todo esse sangue é derramado em prol dos mesmos fins. Quem procurar algum imperador chinês ou czar russo que se assemelhe a George Washington ou a Abraham Lincoln procurará em vão. Rússia e China foram sempre governadas por déspotas, e esses não estavam preocupados com a liberdade, mas com o auto-engrandecimento. Hoje, Rússia e China ainda são governadas por déspotas.
A fim de ilustrar melhor o caráter do poder russo – no passado e no presente – recomendo enfaticamente a leitura de um artigo de Jamie Glazov, intitulado The Russia-Al-Qaeda Axis [O Eixo Rússia-Al Qaeda][1]. Basicamente, é uma entrevista concedida a Glazov por Ahmed Zakayev, primeiro-ministro no exílio da República da Chechênia. Quando perguntado se a resistência chechena é nacionalista ou islâmica, Zakayev explicou que a ideologia islamita é uma provocação [iniciada em 1988][2] organizada pela KGB contra a população muçulmana da antiga União Soviética. Àquela época, a KGB fundou o “Partido da Renovação Islâmica da URSS”. O propósito do partido era, nas palavras de Zakayev, “rachar toda nação islâmica ao dividi-la entre ‘bons’ e ‘maus’ muçulmanos”.
Na Rússia, há uma longa tradição: dividir e conquistar; de penetrar, infiltrar e subverter potências rivais; de criar falsas frentes de oposição para encurralar os inimigos. De acordo com Zakayev, o radicalismo islâmico foi a “vacina do Kremlin” contra a independência nacional de vários grupos muçulmanos dentro da URSS. “Durante todos esses anos”, disse Zakayev, “a missão principal dos ideólogos ‘islâmicos’ foi a de desacreditar e desorganizar a resistência chechena”. Ele explicou ainda que a FSB/KGB é “a mais experiente organização terrorista no mundo, cujas bases foram lançadas ainda antes que os bolcheviques tomassem o poder...”. Os serviços [secretos] especiais da Rússia sabem como conduzir “todo tipo de atividade terrorista, incluindo raptos, explosões, seqüestro de aviões, tomada de reféns, uso de venenos e de materiais radiativos para assassinatos, etc.”. Mas a capacidade mais apreciada da KGB, como ressaltou Zakayev, “é a habilidade da FSB/KGB em formar e desenvolver ideologias extremistas”.
Apesar de não ser ampla e devidamente considerada e avaliada, a mais influente e destrutiva peça de ideologia conspiratória de século XX foi criada pelos serviços especiais russos em Paris [em 1903]. Eu estou me referindo à falsificação conhecida como Os Protocolos dos Sábios do Sião. Hitler acreditou nos Protocolos e o nazismo baseou sua campanha genocida contra os judeus sobre esse mesmo documento forjado. Muito do absurdo conspiratório que anima a extrema-direita nos EUA foi influenciado por essa falsificação. Como exemplo comprobatório, só é preciso citar o caso de Timothy McVeigh. Se a polícia secreta russa não tivesse inventado os Protocolos, o bombardeio em Oklahoma City não teria tido qualquer antecedente conceptual (ver The Turner Diaries).
Depois de 1917, o governo soviético persistiu na tradição czarista de fomentar ideologias extremistas. Exemplo disso é o encorajamento soviético ao culto conspiratório no caso do assassinato de John F. Kennedy (ver The Mitrokhin Archive). Para cultivar e disseminar a desconfiança, o ódio e o pessimismo, a FSB/KGB desenvolveu ferramentas intelectuais sofisticadas a fim de desorganizar as sociedades alvo. Idéias extremistas afetaram bastante o patriotismo de muitos americanos, levando-os ao desencanto e à paranóia.
O terrorismo islâmico que hoje ameaça o mundo é mais um exemplo de criação de ideologias extremistas pela KGB. De acordo com Zakayev, a Al Qaeda é “uma provocação global projetada para fazer colidir o mundo islâmico com o mundo ocidental, assim enfraquecendo ambos os lados tanto quanto possível. Aqueles que ganham com isso são Rússia, China e seus aliados no campo totalitário”. Zakayev está, quase com certeza, correto.
Refletindo sobre os fatos da história russa e sobre o emprego de ideologias extremistas pela KGB, qual seria o resultado do declínio dos Estados Unidos? O que seria desencadeado? Que violência seria cometida e quais nações sofreriam? Tal como expliquei no início deste artigo, há somente uma nação capaz de resistir à ameaça nuclear da Rússia e da China. Se os Estados Unidos se enfraquecessem e recuassem, o poderio da Rússia e China necessariamente avançaria.
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| Felix Dzerzhinsky |
Uma potência dominará. Um legado se verá realizado. Será um legado de terror global e opressão? Ou será um legado de mercados e eleições livres?
[1] NT: O título em português é meramente ilustrativo.
[2] NT: Cf. Ahmed Zakayev, a provocação contra os muçulmanos da antiga URSS foi iniciada pela KGB já em 1988, portanto antes do “fim” da URSS, mas conduzida até hoje pela FSB/KGB.
[3] NT: O “Felix de Ferro”, comunista polonês, foi ligado aos movimentos terroristas que atuaram na Polônia a partir de 1900, onde assassinou pessoalmente seus inimigos e ordenou a morte de suas famílias de forma notavelmente fria e calculista. Filiou-se ao Partido Bolchevique em 1917; foi um dos comandantes do Terror Vermelho, quando levou a cabo torturas e execuções sumárias em massa; fundador e organizador da Cheka, a primeira polícia secreta da Rússia soviética, sucedida pela NKVD, GPU, KGB e FSB. Lênin teria comentado com Maxim Gorky a respeito de Dzerzhinsky: “Ele tem o rosto de um religioso pietista, mas a natureza de um ladrão e corruptor”.
© 2008 Jeffrey R. Nyquist Publicado por Financialsense.com Tradução: MÍDIA SEM MÁSCARA
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