Sinceridade de fato
Talk show de Olavo de Carvalho
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Não demonstre medo diante de seus inimigos. Seja bravo e justo e Deus o amará. Diga sempre a verdade, mesmo que isso o leve à morte. Proteja os mais fracos e seja correto. Assim, você estará em paz com Deus e contigo.

Many conservatives now hesitate to identify themselves as conservatives or as being on the Right. One reason for this hesitation, no doubt, is the erratic way President Bush conducted himself in office.
Another reason is less known and almost never discussed. The definition of the terms Left and Right have been deliberately and carefully altered over the last few decades, just as most terms that apply to social issues have ("gay" "marriage", fundamentalism, racism, Supreme Court "striking down" laws, references to men with sex changes as "she", etc.).
The term "right" or "conservative" has been co-opted by the Left (I mean “Left” in the original sense) so that it now includes people in the extreme middle and on the near Left. Hence, the policies of G.W. Bush, even those relating to border control and immigration, are referred to erroneously as rightwing. After all, most Americans accept at face value Bush’s extravagant claim to be a conservative. This is because few understand that Bush's thinking has been heavily influenced by the "religious" Left, flying under the radar and generally mislabeled, deliberately again, as "religious right." Bush did not accept miscreant schemes like the SPP, the Mexican truck highway, open borders and amnesty for illegal immigrants only because he wanted to cater to business interests, as the Left and pseudo-Right stoutly maintain. He did so because he believed the “evangelical” myth that nationalism – and hence, national sovereignty as opposed to allegiance to world or supranational government – is anti-Christian, which is utter and absolute nonsense.
If we accept these unacceptable redefinitions of English, then, of course, we can no longer use the terms Left and Right because they are in constant flux at the whim of the Left.
But why should we chase after the Left's definition du jour as so many hapless tagalongs have done on their way to our current state of semi-anarchy? We must accept no other definition than the original organic one and it is not our fault if some foolishly accept bogus definitions – that is, it is not our fault if some have lacked the discernment to see how our language has been deliberately eroded by interest groups to their own benefit and to the detriment of our nation.
Another great example, by the way, is red states vs blue states, a word pair that is perfectly crafted to make the unwary forget that red China was communist, or that red was the preferred color of the Russian Revolution. We are now all the same under our newspeak definitions.
To understand these stealthy changes and to know what the Left – in the original sense of that word – is all about, you can rely on the writings of Olavo De Carvalho, who may well be the foremost authority anywhere on the Left and on the useful idiots who aid and abet them. He still knows the correct meanings of words (in more than one language) and refuses to let the Left lead him around by the nose.
All of this language change madness is a perfect illustration of why conservatives have the duty to "stand athwart history and yell 'stop,'" according to William Buckley’s definition.
Sadly, many of us have instead yelled: "take it slow going over the cliff."
Those who have done so are conservatives only by the Left's definition. Isn't it time to stand our ground, reclaim our language and stop being maneuvered by these weasels?
Then we can have our name back, without apology.
Donald Hank is a former language teacher, currently operating a technical translation agency in Wrightsville, PA. A former language teacher, he holds an undergraduate degree in French and German from Millersville State University (PA), a Master’s degree in Russian language and literature from Kutztown State College (also in PA), has studied Chinese for 3 years in Taiwan at the Mandarin Training Center, and is self-taught in other languages, having logged a total of 8 years abroad in total immersion situations. He is also the founder of Lancaster-York Non-Custodial Parents, a volunteer organization that provides Christian counseling for non-custodial parents.
Qual é exatamente a posição do Brasil no quadro da esquerda internacional em ascensão? A uma visão superficial, o Brasil é uma democracia de esquerda moderada, favorável ao livre mercado e respeitosa da ordem jurídica. Quase ninguém entende que o País precisa ser tudo isso precisamente para poder desempenhar a função nuclear que lhe cabe na estratégia esquerdista mundial. Também poucos querem enxergar que a democracia brasileira é hoje um puro formalismo jurídico a encobrir o poder monopolístico da esquerda e a total exclusão da simples possibilidade teórica de uma oposição conservadora, seja na política eleitoral, seja na mídia, seja até na pura esfera cultural.
Democracia sui generis, onde as liberdades legalmente constituídas coexistem pacificamente com a total impossibilidade de exercê-las, o Brasil é a origem e o centro de comando da revolução comunista na América Latina.
É da elite intelectual petista, fundadora do Foro de São Paulo, que emanam discretamente as instruções gerais destinadas a transformar-se em espetáculos de esquerdismo histriônico por meio dos Chávez, Morales e outros tantos, que às vezes nem mesmo compreendem as sutilezas dialéticas do processo e por isto acabam, com freqüência, exagerando no desempenho de seus papéis. Se a Venezuela e a Bolívia parecem estar na vanguarda da revolução, e o Brasil muito na retaguarda, é porque o comando, por definição, fica na retaguarda.
Por isso mesmo é que o Brasil se torna também o abrigo ideal para os revolucionários caídos em desgraça nos seus respectivos países. Se eles fossem para Cuba ou para a Venezuela, teriam de conservar sua identidade exterior de revolucionários e se tornariam inúteis para funções mais discretas e relevantes. Aqui, podem adquirir uma fachada de cidadãos pacíficos, aposentados de toda violência, e integrar-se, sem risco nenhum, nos altos círculos intelectuais que comandam o processo.
Só um idiota completo pode acreditar que o governo brasileiro aceitaria o risco de uma crise diplomática só para agradar a uma socialite. Tal como Achille Lollo e Olivério Medina, Cesare Battisti não recebeu apenas um asilo político, mas uma promoção, subindo na hierarquia revolucionária, do posto de executor na linha de frente para o de analista e planejador nas altas esferas. Ele é protegido porque é útil, não porque Carla Bruni é bonitinha.
Nenhuma análise séria dos fatos políticos pode-se fazer desde o ponto de vista liberal e conservador se este não absorve, primeiro, a perspectiva do adversário. Se você não está capacitado para fazer uma análise marxista da situação exatamente como a fariam os teóricos e estrategistas do movimento revolucionário, suas opiniões a respeito da política de esquerda serão sempre meras tentativas de projetar sobre ela categorias que lhe são estranhas, ajudando, portanto, a encobrir seus verdadeiros intuitos e a conferir o privilégio da invisibilidade quase absoluta às estratégias e táticas do esquerdismo.
Afinal, o marxismo não é só uma “ideologia”: ele é uma estratégia da praxis revolucionária e, nesse sentido, é uma ciência – uma ciência extremamente sutil e complexa, da qual os formadores de opinião liberais e conservadores, no Brasil, não sabem praticamente nada. O deslocamento entre as categorias analíticas e a natureza do fenômeno estudado é garantia segura de incompreensão, e a incompreensão é por sua vez a origem dos erros estratégicos monstruosos que, ao longo dos últimos trinta anos, reduziram o liberalismo e o conservadorismo, de forças imperantes, a exceções doentias que só subsistem graças à tolerância provisória do sistema.
É fácil observar de fora os erros da economia marxista e pontificar que todo movimento baseado nela está condenado ao fracasso. Mas a estratégia do movimento comunista não é, de maneira alguma, uma decorrência direta e mecânica da sua economia. Principalmente, não o é na esfera da luta cultural, onde as manobras e rodeios da intelectualidade ativista vão, com freqüência, no sentido contrário daquilo que se poderia deduzir do economicismo marxista vulgar.
Trata-se de um ramo de conhecimento que tem sua própria autonomia e que não pode ser dominado senão mediante longos anos de estudo. É só aprendendo a pensar como os teóricos da revolução mundial que se pode, em seguida, transcender a sua visão das coisas e condená-la com fundamento. Atirar-lhe pedras desde fora é ficar abaixo dela e tornar-se vítima cega do processo revolucionário.
Olavo de Carvalho é jornalista, ensaista e professor de Filosofia
O artigo abaixo reproduzido, "Voto consciente", foi censurado pela direção do jornal Zero Hora, de Porto Alegre, sob a alegação de que feria o seu código de ética. Não tenho a menor idéia do que a palavra ética possa significar nesse contexto, se não a obrigação de ocultar fatos que indiquem a verdadeira gravidade da situação brasileira. Esses fatos têm estado ausentes das páginas noticiosas do jornal gaúcho desde há muitos anos, não havendo portanto razão para que não sejam retirados também da minha coluna. A explicação suplementar fornecida pelo editor da página, Nílson Souza, explicava menos ainda. O motivo para suprimir o artigo, disse ele, era que as informações que o compunham vinham de um blog sem credibilidade suficiente. A premissa do argumento é que o jornal que oculta notícias não só adquire credibilidade por isso, mas a adquire em quantidade bastante para julgar a dos que as publicam. Ademais, mencionei esse blog a esmo, já que fontes suplementares existem em abundância e eu mesmo já as citei tanto que cheguei a ser chamado de obsessivo por isso. Mas, se os diretores de Zero Hora se fazem de bobos, é por uma razão muito séria: eles são realmente bobos. Infelizmente, acabarão entendendo isso demasiado tarde, quando perceberem o que Lula quer dizer com "democratização dos meios de comunicação". -- Olavo de Carvalho
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Voto consciente
Olavo de Carvalho
Zero Hora, 29 de outubro
Dados colhidos do blog http://ex-petista1.blogspot.com/2006/08/notas.html:
Maurício Hernandez Norambuena, o agente do MIR chileno que liderou o seqüestro de Washington Olivetto, tem como advogado Iberê Bandeira de Mello, que foi defensor de Lula e hoje é o de Silvio Pereira (PT) e Klinger Luiz de Oliveira Sousa (PT). Enquanto Norambuena ia para cadeia e a elite petista fazia tudo para tirá-lo de lá, Lula e seu guru ortográfico Luiz Dulci se reuniam com representantes do MIR no XXII Encontro do Foro de São Paulo, em julho de 2005, na Fundação Perseu Abramo, em São Paulo, para planejar estratégias comuns entre a quadrilha chilena, o PT e outras organizações esquerdistas, entre as quais MST, MSLT, FARC, MIR, CUT, PCB, PC do B, ELN, Partido Comunista Chileno, MAS e Partido Comunista Cubano. Norambuena ficou preso em Presidente Bernardes com a cúpula do PCC, cujo líder máximo, Marcos William Herbas Camacho, é irmão de Gabriel Herbas Camacho, deputado federal do MAS (Movimiento al Socialismo), partido de Evo Morales e participante ativo do Foro de São Paulo.
Com dez por cento dessas boas relações, Lula e sua gangue já deveriam ter sido expelidos da política decente há um bom tempo. A história está bem documentada nas atas do Foro de São Paulo e no próprio site da Fundação Perseu Abramo. Pode-se acrescentar a isso um detalhe especialmente encantador: a Polícia Civil de Santo André informa que Jilmar Tatto, Arselino Tatto e Enio Tatto, todos do PT-SP, são ligados à facção criminosa paulista PCC. Jilmar Tatto foi secretário de Transportes da gestão Marta Suplicy na prefeitura de São Paulo.
Como nada disso foi abordado nos debates eleitorais, o povo brasileiro vai hoje às urnas seguro de que está praticando o tal do “voto consciente”.
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A ONG Rede 13, de Santa Catarina, foi fundada em abril de 2003, coletou vinte milhões do governo, deu-os à filha de Lula e, cumprida essa sua nobre finalidade, fechou em agosto do mesmo ano. A operação foi coordenada pelo churrasqueiro presidencial Jorge Lorenzetti (v. aqui ).
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A semi-estatal Brasil-Telecom já possui o software “Narus Insight Discover Suite”, que tem capacidade para ler nossos e-mails, vasculhar nossas contas bancárias e ouvir nossas conversas no Skype. Quer dizer: adeus, privacidade. Para a dinastia Lula, porém, isso pode ser uma boa notícia. Era essa a empresa que, segundo a Veja, o bem-aventurado Fábio Lulinha estava tentando comprar, só não o fazendo graças a entraves legais. Mas estes são, é claro, removíveis. Se tudo der certo, o futuro selo do Brasil ostentará a orelha do Lulinha, aquele que tudo ouve.
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Uma estudante, Mirian Macedo, enviou a Louise Caroline, vice-presidente da UNE, uma carta contra o programa abortista do PT. Recebeu a seguinte resposta, que transcrevo na ortografia originária: “pois vai perder tudo, querida... até seus livros e a limpeza nojenta dos seus filhinhos. toma cuidado... nossa aliança com o Chávez e o Fidel vai chegar qualquer dia desses na sua casa feliz. e vai ser uma delícia.” Louise Caroline, cujo nível de instrução é mais ou menos o da mãe do Lula ao nascer, compensa esse handicap com sobra de truculência. É a universitária ideal criada pela educação petista.
Não quero me “alvorar” (falando presidencialmente) em profeta, mas acho que Louise, Lulinha e Lurian são o futuro deste país. Ou melhor: dêfte paíf.
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Em tempo: O MIR chileno é um dos signatários do manifesto emitido pelo “Congreso Bolivariano de los Pueblos”, no dia 3 de outubro, em favor da candidatura Lula. A gratidão é a mãe de todas as virtudes.

Olavo de Carvalho
Aproximadamente um ano atrás, o Jornal do Brasil diminuiu arbitrariamente meu salário, de US$ 2.000,00 para US$ 400,00 por mês. O aviso veio como fato consumado, sem qualquer consulta prévia a esta desprezível criatura.
Abraço,
Olavo de Carvalho
Se há uma coisa especialmente idiota a acometer muitos dos leitores, ex-leitores, alunos ou ex-alunos de Olavo de Carvalho, é isto: desprezá-lo apenas para posar de diferente. Isso possui um segundo motivo, até compreensível, que comento logo à frente. Mas, de imediato, a causa de tal rejeição parte da sensação de que toda e qualquer pessoa jovem minimamente inteligente a existir hoje, no Brasil, não passa um dia sequer sem ler Olavo de Carvalho. E, ora, você não quer ser só inteligente: você quer ser o mais inteligente. Até aí, não há o que condenar. Obstrução canalha a essa aspiração, todavia, é este meio escolhido para realizá-la: já que todo mundo está lendo Olavo, eu preciso rapidamente digerir tudo o que ele ensinou, começar a ler uns autores nunca citados por ele, e – cereja do bolo – dizer que “Olavo já deu sua contribuição à cultura brasileira, já passou, agora eu e meus amigos é que vamos fazer e acontecer”. É batata: entro em blogs de conservadores e liberais e percebo uma espécie de pacto de silêncio em torno a Olavo após terem chupado seu olho até mais não poder e, sobretudo, até mais não compreender. Isso é de um receio pueril: medo de se tornar caricato, de ter impresso em sua testa a marca dos “novos iguais”. Medo, por exemplo, de criar um perfil no Orkut e entrar em cascata naquelas comunidades correlatas tão ao gosto new conservative brasileiro: Olavo de Carvalho, Mário Ferreira dos Santos, Gustavo Corção, Bruno Tolentino, Otto Maria Carpeaux, José Osvaldo de Meira Penna, José Guilherme Merquior, Ortega y Gasset, Eric Voegelin, René Girard…
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Esse modo de querer fazer-se visto é parte de algo que só vejo ser abordado, e parcialmente, por Pedro Sette Câmara. Mais de uma vez, já disse ele que a disputa entre conservadores e comunistas no Brasil é, mais que uma disputa honesta, um duelo de imagens: e o fato de o time dos conservadores – como alguém já disse – não lotar nem uma kombi é mais um fator a tornar nossos direitistas uns seres histrionicamente empenhados em empinar o nariz e se considerarem infinitamente acima dessa coisa que chamamos, com humildade e aquiescência ao que Deus nos consagrou, “consciência humana”. Aliás, naquela aula estranhíssima – de tão equivocada – do Massimo Borghesi que está na Dicta & Contradicta nº 2, há, todavia, uma síntese brilhante do que resultou do desbunde da geração 68 e da french theory (como chamam os americanos) que a acompanhou: o revolucionário pariu o burguês em estado puro. Pois bem. De forma similar, porém invertida, o Brasil passa – talvez eu esteja delirando, vendo coisas, mas vejamos – por um troço mais bisonho ainda: o novo direitista brasileiro age de forma mais à esquerda que as nossas mais jurássicas esquerdas. Nossos direitistas se idiotizaram antes mesmo de ter nascido por aqui alguma direita. Ou dito de outra forma: o direitista brasileiro mal viu a luz e já se pariu à imagem e semelhança do revolucionário em estado puro.
Há algumas características, principalmente na linha mais highbrow, que fazem com que jovens intelectuais conciliem a defenestração de Olavo a uma mentalidade de gueto iluminado cuja postura, diante dos problemas da ordem do dia, é em tudo igual à presunção de tipo gnóstico que ampara a estrutura cognitiva do revolucionário. Há várias, mas, para não tornar este post mais extenso do que já está, citarei uma apenas: a anglofilia. Algo como querer ser um inglesinho chique só para zombar desse pessoal breguérrimo que lê o brega do Olavo - algo como querer levar a sério o personagem que Alexandre Soares Silva criou para si. Porque, de fato, Olavo de Carvalho não é chique e nem se esforça para ser. E ora: além de ter de ser educado por alguém que todos os meus “pares” estão lendo, ainda terei de agüentar a breguice desse meu professor? Enfim: também já é cool ser um conservador elegante e chique. O que penso disso? Nada. Nem ligo. Eu mesmo sou só um subdesenvolvido falando mal do subdesenvolvimento, como me descreveria Nelson Rodrigues.
E aqui chegamos ao segundo motivo, mais plausível e referido no início deste post, para a renegação de Olavo de Carvalho: muita gente em débito com ele agora dá uma de gostoso porque uns 70% de seus leitores são uns seres nauseabundamente chatos. Mais uma vez, direita e esquerda batem as ancas: politizaram todos os seus interesses. É, por sinal, uma gama de leitores que não vai além dos artigos de jornal do Olavo e que se interessa infinitamente mais por política que por cultura. É uma gente que não dá muita bola à astrocaracteriologia, à teoria dos quatro discursos, à metafísica cuja ontologia toma as posições de sujeito e objeto como abstrações e não dados da realidade, à paralaxe cognitiva, à descrição dos mecanismos cognitivos próprios à mentalidade revolucionária, à dinâmica do Império no mundo ocidental – e demais contribuições originais do Olavo (sem falar nos empreendimentos editoriais). Só querem saber de PT, Obama, FARC e vocês sabem todo o resto. De minha parte, acho bastante nobre a postura de quem se encarrega disso: porque eu simplesmente não tenho saco. Minha paciência é dedicada a temas e estudos que não me permitem me inteirar tanto quanto eu gostaria a respeito desses assuntos “da ordem do dia”. Mas sempre acompanho. Só não faço deles os meus segundos, terceiros ou sequer quartos interesses – pois são os últimos. E, retornando ao que eu queria dizer – não é possível julgar um autor pelos seus maus leitores. Mas é isso que se tem feito com Olavo.
Em resumo, eis o fato que tanto incomoda a muitos: a centralidade de Olavo de Carvalho no que se salvar da atual cultura brasileira. Sua obra transformou os debates intelectuais minimamente honestos do Brasil em um jogo de cartas marcadas. Uma hora, um irá brandir seu Voegelin na cara do adversário. Noutro momento, o segundo surpreenderá com uma citação de Rosenstock-Huessy. Quando o debate se aproximar do ápice, um dos contendores dirá que o outro está tomando o verossímil por provável, em uma alusão à teoria dos quatro discursos. E assim por diante.
Mas, afinal, o que fazer quanto a isso? Eu, como sempre (dizem meus inimigos), tenho uma solução: não fazer nada, apenas continuar estudando. Naturalmente, os meus e os seus estudos deverão se encaminhar para onde nossas alma, seriedade e dedicação indicarem. Pois, a propósito, qual o problema em passar dois, três, cinco ou dez anos digerindo um autor? Que mal haveria, sei lá, em ler Mário Ferreira dos Santos durante a vida toda? Isso é de uma canalhice que me deixa crispado de ódio – a canalhice de “colecionar” autores “diferentes” a fim de tornar mais evidente a sua pinta de “intelectual”, como se leituras rápidas e dispersas produzissem algo mais que cansaço mental.
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Outro dia, em tom de pilhéria, um amigo me disse que Olavo de Carvalho salvou minha vida intelectual – ou mesmo minha vida. Que, se um dia eu não tivesse aberto O Jardim das Aflições, continuaria lendo Hakim Bay e Guy Debord e me lambuzando no ódio de minha impotência. Eu apenas disse que sim, é verdade, e com uma gratidão sincera. Pois é por essas e outras que não tenho vergonha de ser leitor de Olavo de Carvalho. Não quero ser diferente às suas custas.
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(Alguém poderá perguntar se não tenho nenhuma objeção a fazer a nada do que Olavo escreveu. É claro que tenho, assim como a qualquer outro autor. Mas não darei isso a público por um motivo evidente: não passo de um moleque de 20 anos. Se com o tempo, estudo e reflexão tais objeções continuarem a me parecer procedentes, cessarei de compartilhá-las em conversas privadas e divulgá-las-ei, pelo menos, em blog. Isso, claro, se alguém além de meus amigos se interessar pelo que tenho a dizer.)
Publicado originalmente em: Fantasia Exata