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quarta-feira, 18 de junho de 2008

Líder estudantil desafia Chávez

Do portal BRASIL ACIMA DE TUDO
15 de junho de 2008

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Goicoechea, apesar de todas as ameaças, não admite a possibilidade de deixar a Venezuela. “Esse país é de todos e não apenas de Chávez”, afirmou. “Eu amo a Venezuela e, por isso, tenho de continuar resistindo.”



Vácuo na oposição formal abre caminho para Goicoechea se consolidar como ícone da resistência ao chavismo

Por Renata Miranda (*)

Uma das principais figuras da oposição na Venezuela não faz parte de nenhum partido político, ainda não saiu da faculdade e, recentemente, ganhou um prêmio de US$ 500 mil de um instituto americano por sua militância no país. Aproveitando o vácuo deixado pela falta de crença nas antigas classes políticas do país, o universitário Yon Goicoechea, de 23 anos, tornou-se a causa de mais uma dor de cabeça do presidente Hugo Chávez.

“Entrei no movimento estudantil porque acredito ser possível mudar a situação degradante em que se encontra o governo de meu país”, afirmou Goicoechea ao Estado, por telefone. “Se os próprios jovens não acreditarem que podem mudar o futuro, quem vai acreditar?”

Goicoechea surgiu no cenário político venezuelano em maio do ano passado, quando articulou e liderou os protestos estudantis contra o fechamento da emissora Rádio Caracas Televisão (RCTV) - cuja renovação de concessão para transmitir por canal aberto foi negada pelo governo de Chávez e saiu do ar em 27 de maio de 2007. Desde então, o estudante do 5º ano de direito da Universidade Católica Andrés Bello (UCAB) organizou mais de 40 marchas, que reuniram cerca de 80 mil manifestantes cada, e mostrou para a Venezuela e o mundo que não têm intenção de parar sua “luta pela democracia”: Ele diz que chegou para ficar. “Quero continuar o trabalho que faço e, daqui a alguns anos, seguir carreira na política”, afirmou. “Mas esse projeto não é imediato, ainda não penso em me candidatar.”

Com a eloqüência de um político com anos de carreira, Goicoechea conquistou o apoio e admiração de milhares de estudantes, que não só participam das marchas convocadas por ele, mas também o auxiliam em seus projetos sociais e zelam por sua segurança. “Yon é um rapaz muito aplicado tanto na liderança estudantil quanto na área acadêmica”, disse a estudante de jornalismo Dariela Sosa, de 22 anos.

“Ele consegue lidar de maneira muito satisfatória com questões difíceis.” Dariela e Yon são dois dos três representantes da UCAB no Parlamento Estudantil Venezuelano - entidade que reúne as organizações de universitários do país. Foram seus “companheiros de militância” que o abrigaram em suas casas quando, no fim do ano passado, Goicoechea sofreu diversas ameaças de morte. A insegurança que o cercava era tanta que ele foi obrigado a dormir cada dia num lugar diferente. Na época, ele fazia campanha contra a reforma constitucional proposta por Chávez, que reforçaria os poderes do presidente e limitaria a liberdade democrática no país.

VITÓRIA ESTUDANTIL

Horas antes do referendo de 2 de dezembro, Goicoechea teve um de seus discursos televisionado em rede nacional e pediu para que o povo se mobilizasse em favor do “não”. O emocionado discurso do universitário e sua militância no movimento estudantil parecem ter surtido efeito - o projeto de Chávez foi rejeitado por 50,6% dos votos e, pela primeira vez desde 1999, o presidente sofreu uma derrota significativa nas urnas. “Hoje, a possibilidade de uma Venezuela melhor venceu... Queremos dizer a todos os venezuelanos, àqueles que votaram ‘sim’, àqueles que apóiam o presidente, que estamos comemorando com humildade e dedicamos esse triunfo a vocês”, disse o estudante após a divulgação do resultado. “Essa vitória foi a vitória do povo venezuelano que hoje defendeu sua liberdade, mas acima de tudo foi uma vitória do futuro e das imensas possibilidades que temos de construir um país juntos.”

Foi sua atuação durante os protestos do referendo que lhe rendeu o prêmio de US$ 500 mil do Instituto Cato, em Washington. Em 15 de maio, Goicoechea recebeu na capital americana o Prêmio Milton Friedman para o Avanço da Liberdade. Agora, ele estuda os requisitos legais para aplicar o dinheiro que ganhou em projetos sociais na Venezuela. “Quero investir a quantia do prêmio em uma escola de formação de líderes em Caracas, um lugar onde possamos dar apoio aos futuros chefes regionais e nacionais.”

Goicoechea chegou a sofrer agressões de partidários do presidente e teve seu nariz quebrado depois que um chavista o atacou num evento em Caracas. Hoje, ele afirma que está mais seguro, mas ressalta que continua recebendo ameaças. “Eu procuro ficar sempre atento em locais públicos e nunca fico sozinho.” Por medo de ter suas conversas grampeadas, ele também tomou como medida de segurança mudar o número do telefone e o endereço de e-mail a cada duas semanas. Apesar de todas as ameaças, ele não admite a possibilidade de deixar a Venezuela. “Esse país é de todos e não apenas de Chávez”, afirmou. “Eu amo a Venezuela e, por isso, tenho de continuar resistindo.”

(*) Fonte: http://www.estado.com.br/editorias/2008/06/15/int-1.93.9.20080615.14.1.xml

segunda-feira, 24 de março de 2008

O cerco à Colômbia – Parte II

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Heitor De Paola em 14 de março de 2008

Resumo: O reconhecimento das FARC-EP como força beligerante por parte de Chávez abre o caminho para os demais países que as consideram terroristas e narcotraficantes deixarem de fazê-lo.

© 2008 MidiaSemMascara.org

A análise da crise colombiana exposta no meu último artigo veio a ser confirmada por ninguém menos do que o Presidente Chávez num vídeo (http://www.youtube.com/watch?v=DzxOK21kXms&feature=related) em que, entre outras revelações, como a de ter conhecido Lula e Raúl Reyes na reunião do Foro de São Paulo de 1995 em El Salvador, disse: “Ayacucho de ese siglo será em Colombia”. Estava se referindo à Batalha de Ayacucho de 9 de dezembro de 1824, a batalha decisiva das campanhas de independência da América do Sul. O Vice-Rei do Peru era o único que ainda resistia ao ímpeto de independência e, cercado em Pampa de la Quinoa, Departamento de Ayacucho, rende-se. O vencedor, Marechal Antonio José de Sucre, havia dito a seus homens antes da batalha: “¡Soldados!, de los esfuerzos de hoy depende la suerte de América del Sur; otro día de gloria va a coronar vuestra admirable constancia. ¡Soldados!: ¡Viva el Libertador! ¡Viva Bolívar, Salvador del Perú!”. Em 2 de abril do ano seguinte o Departamento do Alto Peru torna-se independente com o nome de Bolívia (si de Rómulo, Roma, de Bolívar, Bolívia).

Se Ayacucho representou o fim do Império Espanhol nas Américas, Chávez, sentindo-se legítimo sucessor de Bolívar, prevê que sua Ayacucho será a derrota do “império” americano, representado pelo “vice-rei” Uribe em Bogotá revirando a “suerte de América del Sur” outra vez, obviamente com ele mesmo como El Libertador.

Mas Chávez não é louco nem burro, sabe muito bem do que está falando e conta com o apoio de quase todos os mandatários sul-americanos co-irmãos no Foro de São Paulo, com a possível exceção de Alan García que enfrenta crescentes exigências dos “movimentos populares” ligados a Ollanta Humala. No Paraguai, segundo as pesquisas eleitorais, provavelmente será eleito o candidato da Alianza Patriótica para el Cambio (APC), Fernando Lugo, ex-Bispo da Demonologia da Libertação, chamado “o Bispo dos pobres”, que tem encontro marcado com Lula para abril. Conta com o apoio maciço dos “movimentos sociais” reunidos no Movimento Tekojoja (de Caaguazú) e no Movimiento Agrário y Popular (MAP). O Tekojoja está firmemente ligado à Via Campesina e às “lutas dos camponeses de todo o mundo contra os transgênicos” (ver em http://www.lasojamata.org/?q=node/86 e similares - notar bem o nome do site: a soja mata!). Há um ano foram os destaques da Cúpula do Protocolo de Biossegurança (MOP3) e da Convenção da Biodiversidade (COP8) em Curitiba (http://www.biodiversidadla.org/content/view/full/22620).

O Grupo de Reflexión Rural (http://www.grr.org.ar) de Buenos Aires lançou no Centro Cultural Guapachoza, em dezembro passado, a compilação Repúblicas Unidas de la Soja sobre as conseqüências do plantio de soja. A conclusão principal dos ‘investigadores’ da Argentina, Paraguai, Bolívia, Equador, Brasil, Argentina, Suíça e Espanha é que “a soja não é um mero cultivo, mas um sistema com um valor geopolítico que sustenta a globalização econômica e a agricultura em função dos interesses corporativos. (...) (promovem) a desumanização da agricultura e o despovoamento do campo (no que chamam de ‘republiquetas sojeiras’), em favor dos interesses corporativos dos países do Sul e do Norte”. Os autores propõem “outro futuro com Soberania Alimentar e Territorial para todos nossos povos”.

* * *

Grifei Territorial porque é também da separação de territórios indígenas (e, no Brasil, quilombolas) que estamos tratando quando se discute o problema colombiano.

Assinalei no artigo anterior que o cerco à Colombia não está relacionado somente às fronteiras externas, mas inclui uma extensa fronteira interna com os territórios dominados pelas FARC. O reconhecimento das FARC-EP como força beligerante por parte de Chávez – e conseqüentemente, em pé de igualdade com o legítimo Exército da Colombia - abre o caminho para os demais países que as consideram terroristas e narcotraficantes deixarem de fazê-lo. E adotem uma atitude safada à la façon de Brésil como foi definida pelo Ministro (ele acha que é, mas quem manda é o MAG) Celso Amorim, que declarou perante a Comissão de Relações Exteriores do Senado ontem (12/03) que o Brasil “não classifica as FARC de grupo guerrilheiro, beligerante ou criminoso porque isso poderia atrapalhar nossas estratégias diplomáticas ou humanitárias”. De acordo com ele o Brasil “segue a classificação das Nações Unidas, que define apenas a Al-Qaeda como organização terrorista”. “Algo novo e positivo que se pode fazer é por meio de medidas práticas, como a criação de confiança (em quem cara pálida? Em terroristas?), a verificação de compromisso (pergunte ao Chamberlain como eles respeitam compromissos!) e a maior facilidade de comunicação entre os governantes”, disse Amorim para os senadores durante a reunião (Tatiana Damasceno em http://congressoemfoco.ig.com.br:80/Ultimas.aspx?id=21414). Maior facilidade como, depois da Internet banda larga, dos celulares e das comunicações via satélite?

Não só na ONU, mas a definição de terrorismo ainda não foi encontrada, pois os terroristas e países que os apóiam participam das discussões e fazem tudo para que nunca haja definição – ou quando houver, seja tarde demais! (ver em http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=5606 e na Revista Tecnologia & Defesa, Suplemento Especial, nº 15, Ano, 23). Em relação às FARC-EP, a ONU tem razões especiais para isto, como veremos adiante.

As FARC reconhecem ter 745 pessoas seqüestradas (organizações independentes falam no dobro), dos quais somente 41 são considerados “trocáveis” – são os que têm apoio em Paris, os que têm peso político e ajudariam as FARC a obter reconhecimento “humanitário”. Os demais 704 são “cidadãos esquecidos”, “não-pessoas”. Em troca as FARC exigem a libertação de 500 companheiros especializados em colocar colares-bomba em suas vítimas. Além disto, e aí vem a tramóia, exigem a liberação de parte do território colombiano onde seriam realizadas as trocas. Coincidentemente, os municípios de Pradero e Florida estão estrategicamente localizados no corredor de comunicação da zona ocidental, Departamento de Chocó, com a fronteira com o Panamá e saída para o Pacífico e para o Golfo de Urabá, onde a ONU, com o apoio da Inglaterra, patrocina um movimento separatista, no mínimo desde 1995. Logo após a derrota dos cartéis de Cali e Medellín pelo Plano Colombia se iniciaram os preparativos para a instalação de grupos guerrilheiros. Já que não existem argumentos étnicos – como na Amazônia, Bósnia ou Kosovo - criem-se incidentes que permitam trazer os “capacetes azuis”. O golfo se estende ao longo do Caribe, da fronteira com o Panamá (ver mapa) através dos Departamentos de Chocó e Antioquia (capital Medellin) até o de Córdoba.

Atua na região a organização belga Pax Christi International, (http://www.paxchristi.net/members) da qual fazem parte a Comissão Pastoral da Terra (e através dela o MST), a Red Nacional de Iniciativas Ciudadanas por la Paz y contra la Guerra (REDEPAZ) (http://www.redepaz.org.co/). A REDEPAZ, um conglomerado de 51 grupos de trabalho, realizou em 1999 o Congresso Nacional pela Paz, que elegeu um Comitê Temático Nacional de 20 membros, dos quais 10 eram representantes das FARC-EP para “negociar” com o legítimo governo colombiano. Este Comitê não funciona mais mas a REDEPAZ também está integrada na luta contra os transgênicos. Segundo o documento Poder Popular en Colombia, de autoria do Presidente de seu colegiado, Luis Emil Sanabria Duran, a rede tem interesse na reformulação da Constituição colombiana que visa o estabelecimento de uma democracia direta e não mais representativa (ver em http://www.redepaz.org.co/IMG/pdf/GENESIS_FINAL_CONSTITUYENTE__resumen__PDF_1_.pdf, principalmente o Capítulo III, na página 12).

Todo o apoio a Uribe é pouco.

quinta-feira, 13 de março de 2008

O cerco à Colômbia

Do blog MÍDIA SEM MÁSCARA
por Heitor De Paola em 08 de março de 2008

Resumo: A situação estratégica da Colômbia frente aos objetivos do Foro de São Paulo - que de repente passou a existir para parte da mídia brasileira - envolve diversas variáveis, todas elas explosivas e perigosas.

© 2008 MidiaSemMascara.org

Qualquer pessoa que tenha lido a série de artigos As Raízes Históricas do Eixo do Mal Latino-Americano*, assim como vários de outros autores que aqui publicam também, poderia prever o que está acontecendo: a Colômbia, único aliado do temido – e por isto odiado – “império” americano viria a ser cercada pelo Foro de São Paulo. A Colombia faz fronteira (ver mapa) com Panamá, Brasil, Venezuela, Equador e Peru. Além, obviamente, da fronteira interna com o território em mãos das FARC com ajuda milionária do Foro como um todo; engana-se quem atribui à maluquice de Chávez o apoio aos terroristas narcotraficantes.
 
Com o primeiro tem um contencioso territorial centenário: o Panamá declarou unilateralmente a independência em 1903, por ironia da história num movimento iniciado pela companhia construtora do canal com apoio dos Estados Unidos; a Colombia só reconheceu a independência em 1921, mas até hoje os dois países mantêm uma hostilidade contida. O Brasil é governado por um dos Fundadores do Foro que ostensivamente se recusa a reconhecer as FARC como uma organização terrorista; pelo contrário, mantém relações cordiais com elas e, quase explicitamente, considera-as o governo legítimo do País. Venezuela e Equador nem é preciso falar: formam a linha de frente do Foro, junto com a Bolívia.

Esta é a razão principal para que a derrota de Ollanta Humala, no Peru, fosse sentida como um golpe profundo na organização comunista: o flanco sul ficou nas mãos contrárias ao Foro, ou ao menos neutras, de Alan García que recentemente negociou um acordo comercial com os USA e certamente não vai querer queimar suas chances. Com este flanco exposto, não seria melhor esperar? Não, e por uma razão óbvia: Uribe está com mais de 80% de aprovação e quase certamente conseguirá uma emenda à Constituição Colombiana permitindo o terceiro mandato. Com Uribe re-eleito em 2010 por mais quatro anos e em franca popularidade interna e internacional, o plano kapput!

Urgia, portanto, bem ao estilo totalitário (Hitler em 39 contra a Polônia; Brezhniev em 56 na Hungria e 68 na Tchecoslováquia) provocar algum incidente de fronteira para iniciar uma guerra numa área fortemente armada para os padrões sul-americanos. Mas esta guerrinha é tão somente mais uma cortina de fumaça para encobrir um dos verdadeiros objetivos estratégicos. Embora esta já fosse minha conclusão, cedo a autoria a Oliveiros Ferreira que escreveu: “a manobra principal era o reconhecimento das FARC como grupo ‘insurgente’, como as qualificou Chávez. Se algum Governo reconhecesse essa condição à guerrilha, seria fácil a qualquer outro reconhecer um ‘governo provisório da Colômbia Livre’. E seria possível, então, iniciar o segundo e decisivo tempo da manobra principal, que é afastar Uribe, e os que pensam como ele, da cena política, eliminando a influência dos Estados Unidos na área. (Colombia: a grande manobra, 05/03/08, em http://www.oliveiros.com.br/ie.html).

Fontes fidedignas informam desde a Venezuela que Chávez rompeu o rigoroso silêncio de radiocomunicações 72 horas após a liberação dos reféns, chamando Reyes por radiotelefone por satélite e, ao não obter resposta, insistiu, fornecendo o código de segurança de urgência que obrigou Reyes a responder. Esta violação foi fatal para Reyes, pois o Pentágono facilmente detectou o chamado e as coordenadas do local onde estava, fornecendo-o a Uribe. Foi uma perda pior do que se supõe, pois o número 1 das FARC, Tirofijo, estaria, segundo estas fontes, em estado de saúde deplorável e em risco de vida, numa fazenda venezuelana próxima à fronteira com a Colombia, onde poderia ser facilmente atingido por um ataque igual. Este seria o motivo para a mobilização de 85% dos contingentes venezuelanos para a fronteira: Chávez, arrependido, tentaria proteger Marulanda “Tirofijo”. Segundo estas fontes, no entanto, isto não passa de uma fraude para enganar suas próprias Forças Armadas sugerida pelo G2 cubano: um ataque, por mínimo que seja, faria com que Chávez incendiasse alguns poços de petróleo no lago de Maracaibo atribuindo a culpa a Uribe. Chávez se aproveitaria do conflito que se seguisse para declarar emergência nacional e suspender garantias constitucionais, implantando de vez seu Estado Totalitário e levar o preço do barril de petróleo a US$ 200.00, objetivo que já anunciou há tempos.

Minha interpretação destes fatos é um pouco diferente: num típico lance ditatorial Chávez teria entregado Reyes de propósito, com a finalidade de assumir seu lugar e bem poderia agora, provocar outro incidente contra Marulanda que o levasse a atingir a quatro objetivos: 1- reconhecimento internacional das FARC; 2- assumir seu comando; 3- estabelecer a ditadura interna; e, como Presidente da Venezuela e líder das FARC, liquidar o governo Constitucional da Colômbia e aplainar o caminho para a Grande Pátria Bolivariana, sonho de Bolívar que Chávez pretende consumar. Digo isto porque estão tentando atribuir a Bolívar ideais democráticos que ele nunca teve: sua idéia de República era ter um Presidente Perpétuo, evidentemente, Simón Bolívar!

Quando eu estava terminando este artigo recebo um Editorial de Fuerza Solidaria que reforça minha opinião. Com o título “Hugo Chávez é o verdadeiro substituto de Raúl Reyes”, Alejandro Peña Esclusa, que entende de Venezuela como poucos, refere-se ao comunicado das FARC nomeando Joaquín Gómez como sucessor de Raúl Reyes. Para Alejandro o nomeado não tem nem liderança, nem experiência política, nem as relações internacionais para exercer o cargo, e acrescenta: “o único homem capaz de substituir eficientemente a Reyes e reconstruir a capacidade operativa das FARC é Hugo Chávez” . É ele que já se converteu no principal porta-voz das FARC com um agravante: está usando o poder do Estado para pô-lo a serviço dos criminosos. Chávez goza de imunidade e controla as instituições do Estado.

Tal desenvolvimento seria impossível se o principal aliado de Uribe não tomasse a mesma atitude branda, ambígua e covarde que já vem tomando em relação a Israel: ofereceu um tratado de livre comércio, quando deveria ter ordenado imediatamente o deslocamento de um porta-aviões da base de San Diego – ali perto, para a velocidade destes monstros marinhos – mandado armas em profusão e deixado claro que se a Colômbia for atacada os EUA enviarão tropas para defendê-la e invadirão a Venezuela. Uribe deveria ir a Israel aprender como um País convive com “grupos insurgentes” lançando foguetes Kassam todos os dias e a hipócrita “comunidade internacional” finge que não vê. Mas se Israel revida, sai de baixo! É protesto de tudo quanto é lado, a Condoleezza vai lá e inicia um novo “processo de paz” e outro “encontro de alto nível” nos jardins da Casa Branca e o ciclo se repete ad nauseam. Lá também tem um Foro: a Liga Árabe!

A guerra assimétrica usando o terror contra países é parte da guerra da quarta geração. Mas esta já é outra história.

* * *

Falando no Foro de São Paulo: o que deu para a mídia chapa branca desandar a falar nele, cuja existência vem negando há anos? Ora, ele não é mais necessário e está em vias de extinção; para que serve um organização clandestina se a quase totalidade dos países do Continente já estão oficialmente nas mãos de seus mentores? Então, agora pode falar à vontade!
 
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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Exército VENEZUELANO vai "desobecer" o sociopata Chávez

Do blog MOVIMENTO ORDEM E VIGÍLIA CONTRA A CORRUPÇÃO
Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008

"Seu APOIO ÀS FARC provoca inquietação, confusão e intranqüilidade em nossos quartéis", afirma Raúl Baduel, ministro da Defesa.

"Descarto uma guerra entre a Venezuela e a Colômbia. Se o presidente Hugo Chávez quisesse empreender uma intervenção armada contra a Colômbia, o exército não apoiaria uma aventura dessa natureza e desobedeceria a uma ordem contrária à vocação pacifista de nosso povo", afirma o general Raúl Baduel, militar que foi decisivo para que Chávez aceitasse sua derrota no referendo de 2 de dezembro passado. "A Venezuela é o único país americano que nunca teve um conflito armado com seus vizinhos", salienta.

Com Baduel não se cumpre o ditado de que um general aposentado tem menos autoridade que um policial urbano. Esse militar, que recolocou Chávez no poder depois do golpe de abril de 2002, mantém grande ascendência sobre os quartéis. Desde que o presidente venezuelano apoiou no Congresso as Farc, a guerrilha colombiana que se financia com narcotráfico e seqüestros, Baduel teve reuniões com oficiais da ativa que expressaram sua preocupação.

Fonte: Jornal La Vanguardia - aqui

Comentário do Cavaleiro do Templo: até o MINISTRO DA DEFESA da Venezuela SABE e AFIRMA PUBLICAMENTE que o sociopata do Hugo Chávez dá suporte às FARC. Me digam então: isto já não é suficiente para que o Brasil declare que este grupo é inimigo público?

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".