Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

QUASE UMA JABUTICABA

PERCIVAL PUGGINA
16/02/2011

Não fosse pela Finlândia, o sistema pelo qual nós elegemos nossos deputados seria único no mundo. E se enquadraria no preceito segundo o qual se algo só existe no Brasil e não é jabuticaba deve ser besteira. E é. Por uma razão muito simples como veremos a seguir.

Graças a esse sistema, ante a proximidade do processo eleitoral, os mais poderosos e articulados grupos de interesse e segmentos sociais do país se mobilizam para a tarefa "política" de escolher e eleger seus representantes. Os eleitos por esse mecanismo compõem poderosas bancadas que operam com unidade e vigor superiores aos dos partidos políticos, tendo por tarefa primordial zelar pela felicidade dos seus representados. Não é preciso luneta nem lanterna para ver que esse tipo de representação deveria ser evitado em vez de estimulado.

"Mas não é bom que os interesses dos grupos sociais sejam cuidados no parlamento?", perguntará o leitor menos afeito a esses temas de modelagem institucional. Não, é péssimo. Por várias razões. É nesse jabuticabal que os privilégios são concebidos e transformados em direitos adquiridos. É nesse jabuticabal que se instala escabroso balcão de negociações. É nele que operam os abusos do poder econômico, que se aloja profundo desinteresse por tudo que envolva o bem comum, que se corrompem os procedimentos e que as convicções rolam com as águas das sarjetas. E é nele, por fim, graças ao engenho e à arte de conceder vantagens a alguns encaminhando a conta ao restante da sociedade, que se constroem longevas carreiras políticas a despeito dos escândalos atribuídos a tantos de seus operadores.

Os dois principais grupos que se pode distinguir nas nossas massas votantes são: 1º) o dos que votam em qualquer um (e qualquer um é o tipo de sujeito capaz de qualquer coisa), e 2º) o dos que votam em alguém para lutar por seus interesses pessoais e grupais. Os primeiros, os que votam em qualquer um, são um caso perdido. Os segundos, um pouco menos. Mas é à soma dos dois que a Câmara dos Deputados deve sua crescente desqualificação. E é devido a ela que o bem comum resulta vítima de um verdadeiro bullying no plenário do parlamento. Contemple os impostos que você paga e saiba: boa parte dessa conta se formou graças ao mecanismo que aqui descrevo.

Só isso bastaria para que os eleitores conscientes incluíssem certos tópicos da reforma política como condições indispensáveis à definição de seu voto. Um sistema de eleição não proporcional, majoritário, tipo distrital, por exemplo, produziria mais representantes comprometidos com o bem comum. Por outro lado, há um incontornável paradoxo na conduta da massa votante interesseira. Se ela considera moralmente aceitável assumir como critério decisivo de voto a melhor representação de suas conveniências, como pode reprovar os parlamentares quando se põem a defender as conveniências deles mesmos?

Sob essa ótica e ética, por qual razão deveriam os indivíduos políticos flagelar sua espontânea cobiça? Se todos podem legitimamente valer-se da política para cuidar do seu lado, se eleição fosse para isso, por que se imporia aos políticos o dever de descuidar do seu próprio lado? Muitos que os reprovam, estão, na prática dizendo assim: gente egoísta, só pensam em si, não pensam em mim... Eis por que somos o país dos egoísmos e privilégios, no qual, cada vez mais, rareiam os estadistas.


ZERO HORA, 13/02/2011

China compra empresas brasileiras com estratégia de conquista

IPCO
19, fevereiro, 2011


Luis Dufaur
Em 2010, a China comunista foi o país que aplicou mais capitais diretos no Brasil: US$ 17 bilhões, pouco menos de um terço do total de US$ 52,6 bilhões. A estimativa é da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização (Sobeet).
Os chineses trazem os capitais ‒ como na operação da Sinopec com a Repsol ‒ via paraísos fiscais. Eles procuram commodities e instalações de infraestrutura estratégicas.
Em maio, a Sinochem comprou, por US$ 3 bilhões, 40% do campo petrolífero de Peregrino e adquiriu sete companhias de transmissão de energia por US$ 1,7 bilhão, enquanto a ECE comprou a mineradora Itaminas por US$ 1,2 bilhão.
O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, Charles Tang, calcula que as compras de empresas no Brasil por chineses podem ter superado US$ 20 bilhões em 2010.
A cifra deve ser somada aos US$ 10 bilhões que o China Development Bank emprestou à Petrobras. Até 2009, os investimentos chineses acumulados no país não passavam de US$ 400 milhões.
Em seu túmulo, Mao Tsé Tung, fundador do comunismo chinês deve estar esfregando as mãos.

Os donos do mundo

MÍDIA SEM MÁSCARA

Pela primeira vez na história do mundo, as três modalidades essenciais do poder - político-militar, econômico e religioso - encontram-se personificadas em blocos supranacionais distintos, cada qual com seus planos de dominação mundial e seus modos de ação peculiares.
As forças históricas que hoje disputam o poder no mundo articulam-se em três projetos de dominação global: o "russo-chinês" (ou "eurasiano"), o "ocidental" (às vezes chamado erroneamente "anglo-americano") e o "islâmico". Cada um tem uma história bem documentada, mostrando suas origens remotas, as transformações que sofreu ao longo do tempo e o estado atual da sua implementação. Os agentes que os personificam são, respectivamente:

1) A elite governante da Rússia e da China, especialmente os serviços secretos desses dois países.
2) A elite financeira ocidental, tal como representada especialmente no Clube Bilderberg, noCouncil of Foreign Relations e na Comissão Trilateral.
3) A Fraternidade Muçulmana, as lideranças religiosas de vários países islâmicos e alguns governos de países muçulmanos.
Desses três agentes, só o primeiro pode ser concebido em termos estritamente geopolíticos, já que seus planos e ações correspondem a interesses nacionais e regionais bem definidos. O segundo, que está mais avançado na consecução de seus planos de governo mundial, coloca-se explicitamente acima de quaisquer interesses nacionais, inclusive os dos países onde se originou e que lhe servem de base de operações. No terceiro, eventuais conflitos de interesses entre os governos nacionais e o objetivo maior do Califado Universal acabam sempre resolvidos em favor deste último, que hoje é o grande fator de unificação ideológica do mundo islâmico.
As concepções de poder global que esses três agentes se esforçam para realizar são muito diferentes entre si porque brotam de inspirações heterogêneas e às vezes incompatíveis.
Embora em princípio as relações entre eles sejam de competição e disputa, às vezes até militar, existem imensas zonas de fusão e colaboração, ainda que móveis e cambiantes. Este fenômeno desorienta os observadores, produzindo toda sorte de interpretações deslocadas e fantasiosas, algumas sob a forma de "teorias da conspiração", outras como contestações soi disant "realistas" e "científicas" dessas teorias.
Boa parte da nebulosidade do quadro mundial é produzida por um fator mais ou menos constante: cada um dos três agentes tende a interpretar nos seus próprios termos os planos e ações dos outros dois, em parte para fins de propaganda, em parte por genuína incompreensão.
As análises estratégicas de parte a parte refletem, cada uma, o viés ideológico que lhe é próprio. Ainda que tentando levar em conta a totalidade dos fatores disponíveis, o esquema russo-chinês privilegia o ponto de vista geopolítico e militar; o ocidental, o ponto de vista econômico e o islâmico, a disputa de religiões.
Essa diferença reflete, por sua vez, a composição sociológica das classes dominantes nas áreas geográficas respectivas:
1) Oriunda da Nomenklatura comunista, a classe dominante russo-chinesa compõe-se essencialmente de burocratas, agentes dos serviços de inteligência e oficiais militares.
2) O predomínio dos financistas e banqueiros internacionais no establishment ocidental é demasiado conhecido para que seja necessário insistir sobre isso.
3) Nos vários países do complexo islâmico, a autoridade do governante depende substancialmente da aprovação da umma - a comunidade multitudinária dos intérpretes categorizados da religião tradicional. Embora haja ali uma grande variedade de situações internas, não é exagerado descrever como "teocrática" a estrutura do poder dominante.
Assim, pela primeira vez na história do mundo, as três modalidades essenciais do poder - político-militar, econômico e religioso - encontram-se personificadas em blocos supranacionais distintos, cada qual com seus planos de dominação mundial e seus modos de ação peculiares. Isso não quer dizer que cada um não atue em todos os fronts, mas apenas que suas respectivas visões históricas e estratégicas são delimitadas, em última instância, pela modalidade de poder que representam. Não é exagero dizer que o mundo atual é objeto de disputa entre militares, banqueiros e pregadores.
Praticamente todas as análises de política internacional hoje disponíveis na mídia do Brasil ou de qualquer outro país refletem a subserviência dos "formadores de opinião" a uma das três correntes em disputa, e portanto, o desconhecimento sistemático de suas áreas de cumplicidade e ajuda mútua. Esses indivíduos julgam fatos e "tomam posições" com base nos valores abstratos que lhes são caros, sem nem mesmo perguntar se suas palavras, na somatória geral dos fatores em jogo no mundo, não acabarão concorrendo para a glória de tudo quanto odeiam.
Os estrategistas dos três grandes projetos mundiais estão bem alertados disso, e incluem os comentaristas políticos, jornalísticos ou acadêmicos, entre os mais preciosos idiotas úteis a seu serviço.

Atenção, pais! Seus filhos estão sendo molestados! Chamem a Polícia! Acionem a Justiça!

REINALDO AZEVEDO
19/02/2011 às 7:21

A campanha eleitoral de 2012 já está nas ruas de São Paulo na figura de baderneiros, cujos jeans podem comprar centenas de passagens de ônibus, e na imprensa, parte expressiva dela já alinhada com “O Partido”. Denunciei aqui e reitero — e se encarreguem de espalhar esta verdade na Internet: os ditos organizadores do Movimento Passe Livre estão recrutando estudantes entre os colégios mais caros de São Paulo.

Moleques e meninas em busca de uma causa — alguns deles estimulados por professores da “área de humanas” que preferem pregar a revolução em salas com ar condicionado a fazê-lo no Capão Redondo — estão servindo de massa de manobra de espertalhões. Na manifestação de quinta, que teve de ser reprimida pela polícia, lá estavam os vereadores do PT fazendo pré-campanha eleitoral. Alguns deles dizem ter recebido jatos de gás pimenta. Ok! Coloquem isso em seus currículos, valentes! Como foi experimentar este verdadeiro orgasmo ideológico? Vocês pensam que a vida é só defender os valores revolucionários de um salário mínimo de R$ 545?

Jovens inexperientes, ainda tateando as questões políticas, acabam sendo presas fáceis. A irresponsabilidade está em todo canto. A CBN de São Paulo trata a turma como verdadeiros libertadores. Até o Jornal Nacional, na quinta, noticiou o “protesto” e, em seguida, no mesmo bloco, reportou as manifestações no Oriente Médio. O largo em frente ao prédio da Prefeitura foi tratado como a praça Tahir, no Cairo. Nas ditaduras islâmicas, parte da população desafia ditaduras de décadas; em São Paulo, os irresponsáveis testavam o estado democrático e de direito lançando rojões contra o prédio da Prefeitura. Queriam provocar a Polícia, que teve de reagir. Sempre que baderneiros tentam atacar prédios, eu recomendo justamente isto: a democracia de farda, com seus artigos traduzidos em gás pimenta.

O Movimento Passe Livre é mera fachada. O que está na rua já é campanha eleitoral. Pode-se gostar ou não da gestão Kassab — esse não é o ponto. Mas ela tem de ser defendida ou criticada segundo as regras da civilidade democrática. E com um mínimo de honestidade de propósitos. Travestir-se de movimento popular e mobilizar para a causa “mão-de-obra” que nem sequer é usuária do serviço que se critica é coisa de pilantras, de vigaristas, de bandidos políticos. Na era da mistificação e da mitificação das chamadas “redes sociais”, diz-se que a mobilização é feita pelo Twitter e pelo Facebook. Essas ferramentas podem até ajudar. Mas o verdadeiro suporte dos protestos, basta investigar, está sendo dado por vereadores do PT.

Seus filhos, senhores pais, estão sendo usados por verdadeiros molestadores ideológicos - cada vez mais presentes, infelizmente, nas salas de aula. Pagam-se verdadeiras fortunas para manter filhos em escolas que seriam caras em qualquer país do mundo — basta dolarizar os preços para constatá-lo—-, e eles ficam expostos ao proselitismo mais rasteiro. Depredar prédio público e pregar o “passe livre” são “exercícios de cidadania”. Ensinar o que é uma Oração Subordinada substantiva Completiva Nominal seria sinal de atraso e reacionarismo! Estimular quebra-quebra, evidência de uma consciência superior.

Alguns inocentes — talvez acreditem até em Irmandade Muçulmana democrática… — lembram que o Movimento Passe Livre existe no Brasil inteiro, que é suprapartidário. Sei! Há muitos “apartidários” que só estão à espera da adoção. Em São Paulo, o PT já se ofereceu para ser o gigolô do “movimento”, que não é só um “flash mob”. Está claro que o objetivo é mesmo provocar confronto com a polícia. Se alguns desses garotos criados a sucrilho e toddynho levarem algumas bordoadas da Polícia, tanto melhor! Sempre “repercute”, não é?

Uma coisa é reivindicar uma tarifa mais baixa, cobrar qualidade etc. Outra é vir com delinqüências como o tal “passe livre”. A Prefeitura de São Paulo vai gastar, neste ano, espantosos R$ 743 milhões só com o subsídio a passagens. Sairá a R$ 3 para o usuário, mas custa R$ 3,27. Tudo de graça, como querem os valentes, a cidade teria de gastar, por ano, quase R$ 9 bilhões… Chega a ser impressionante que essa gente tenha espaço naquilo que chamam “mídia”.

Mantenham seus filhos longe de molestadores!

Por Reinaldo Azevedo

MUNDO DESCONHECIDO

VIVERDENOVO
QUINTA-FEIRA, 17 DE FEVEREIRO DE 2011

Por Arlindo Montenegro

À minha Amiga Lua.

Chega uma idade cronológica, variável, acima dos 60 ou 70, em que a gente parece já ter visto e ouvido tudo, experimentado de todos os sabores, exceto aqueles considerados asquerosos, por razões diversas. A idade em que a gente parece ter sentido todas as mágoas sem sentido, aquelas que são decorrentes de relacionamentos normais, correntes e humanos, previsíveis ou não, mas sempre presentes, diga-o a literatura universal.

As tolerâncias e intolerâncias se cristalizam e podemos, olimpicamente, dizer diretamente o que pensamos, declarar amores e objeções, saborear mingau de aveia e afagar bichos sem temor a mordidas. As agressões persistentes são sempre atos humanos, irracionais, desta raça nobre hábil na comunicação, no sentido da página das escrituras que discorrem sobre a torre de Babel.

Chega um dia em que a gente pode contemplar, como vendo um filme antigo, revivendo algumas emoções similares, o conflito entre pessoas próximas ou distantes, sem o desejo de intervir, tipo juiz ou conselheiro. Chega a hora de aposentar aquele ser interior arrogante, que simula saber o que é melhor para os outros e para cada um. Esta tendência que parecia incontrolável de julgar os atos alheios, brilha como escudo de proteção dos próprios medos.

O mais novo da família está logo ali. Brinca com um jogo eletrônico que ativa seus reflexos, amplia a visão periférica e exercita o julgamento rápido de situações, que ultrapassa à medida que mata mais personagens no seu caminho. É bem assim que se resume a história da humanidade: resiste quem mata mais. Mortes físicas, crimes continuados contra o físico, contra o espírito, contra os direitos jurídicos, extermínio de mentes e possitilidades.

Uma sucessão indigesta e repetitiva. E no entanto, a beleza e o amor resiste. Estes sentimentos singelos parecem ser os únicos dignos de atenção. Já pensou? Sinais de beleza até nas coisas mais grotescas ou a manifestação da essência contemplativa? No mais é mesmo a beleza desta teimosia que é a vida tão presente e plena de energia, perpassando todas as formas, mesmo as que parecem estáticas, a mesma energia que move outras formas nesta passagem.

Chega um momento em que cessa o impulso para estes jogos humanos e a visão revela que os mesmos filhos disputam não sei que, reproduzindo no recôndito do lar, as disputas do espaço exterior onde cada um parece mais ansioso para ocupar o espaço de poder, de controle das situações, jogando contra a mesma natureza e seu eterno movimento. Quanta pretensão!

Este é o meu momento de poder, enquanto o gato se aninha sobre a mesa ao lado do copo de cristal, único exemplar de uma coleção que serviu aos brindes de tantas pessoas risonhas e crentes em deuses e ideologias diferentes, sem ao menos ouvir a voz do Deus interior, desafiando valores universais permanentes, inconsciente da própria capacidade, da propria missão humana percebida apenas como possibilidade remota e inalcançável.

Melhor juntar-se à tribo e sair dançando, correndo em busca de novas conquistas, sem ao menos pensar em conquistar a paz interior. É o que fazem todos que vivem seu momento. Este é o meu momento de descansar à sombra vigorosa da árvore da paz interior. Deitar-se apreciando as luzes brincando com o vento entre as folhas da copa onde as memórias estão descritas.

Lá ao longe, por onde passei, a gente continua embevecida falando línguas diferentes, usando trajes negros ou coloridos, ouvindo as últimas notícias sennnsaacionaaaiss!! Os mesmos discursos, os mesmos apelos religiosos que conduzem à salvação, seguindo as mesmas diretrizes, multiplicando os mesmos ritos no amor e na guerra. Sem tempo para conhecer o mundo interior.

Olho as folhas que guardam as imagens de rostos e sons de vozes gentís, tanta gente, tantos nomes sonoros ou soturnos, tantas idéias e ideais bondosos e vem à recordação do mundo que se desenhava, do que poderia vir a ser, mas foi impedido quando brotava. As mortes, as guerras, a separação da família, os rigores do frio e do calor extremo, as paixões, a vida em si, desenhou caprichosamente e espalhou enigmas pelo caminho, mudando a direção.

Nada a reparar. Nenhuma culpa pelos crimes cometidos no caminho da sobrevivência. Apenas as marcas, algumas bem profundas, como ficam dos golpes de machado no tronco que resistiu. Igual e diferente de outras marcas que cada pessoa vai juntando vida afora. Todas cicratizadas, algumas ainda guardando a memória da dor. Como a memória das chuvas, ventos, geadas e as floradas quando o sol expunha a vida afirmativa.

Chega o momento de olhar docemente para os olhos das pessoas, sabendo que vão cruzar caminhos que já conhecemos, vão repetir gestos e palavras, vão estender a mão, acariciar, espancar, empunhar armas físicas e mentais. Vão conhecer o gosto e o grito das emoções de odio e amor. Vão praticar ou desprezar a caridade. Vão viver com mais medo paralizante ou mais ação construtiva-destrutiva. Vão louvar ou vão fingir veneração a um Deus. Vão rir, chorar, dançar e dormir. Um dia, dormir sem acordar para a vida que segue.

VINTE E DOIS ANOS DEPOIS, INIMAGINÁVEL

PERCIVAL PUGGINA
19/02/2011

Tenho bem presente a comoção com que o mundo tomou conhecimento da queda do Muro de Berlim, seguida da derrocada dos regimes comunistas no Leste Europeu e do desmonte da União Soviética. Inimaginável: derrubavam-se estátuas de Lênin por toda parte, como atos simbólicos que marcavam o fracasso político, econômico e social do pior dos totalitarismos instalados ao longo do século 20. Inimaginável: não foi preciso mais de dois anos para que, deixando péssimos vestígios, se desfizessem as estruturas de poder estabelecidas nos 15 países constituintes da URSS. Inimaginável, mesmo então: nenhum desses países manteve o regime e a nenhum o regime retornou. Inimaginável: em diversos deles, os partidos comunistas foram banidos, ou melhor, foram varridos, como convinha, para a lixeira da memória, misturando-se ao nazismo, fascismo e odores de cebolas podres.

Não havia então internet, que hoje atua sobre as informações como um acelerador de partículas subatômicas, dessas capazes de atravessar quaisquer barreiras. Lembro que quando escrevi um artigo falando sobre as emocionantes cenas do povo derrubando estátuas dos tiranos comunistas, um jornalista de Santa Maria retrucou na edição seguinte do jornal local que eu estava espalhando informação falsa... Pois é, inimaginável. Passou-me sob os olhos, dias atrás, foto de uma estátua de Lênin, mantida no chão, nos arredores da cidade de Mogosoaia (Romênia), em decúbito dorsal, para lembrar que ele, como tantos seguidores e sucessores, foi apenas mais um mito com vontade de ferro, ideias de m... e pés de barro, tombado pela própria história.

Eis que 22 anos mais tarde, o mundo observa nova onda libertária formar-se, desta feita naquelas regiões quentes cortadas pelo Trópico do Câncer, no norte da África. Inimaginável também ela, porque, diferentemente das contrariedades que fermentavam no antigo Leste Europeu, os povos de tais nações sempre se mantiveram distantes dos ideais democráticos. Tanto era assim, que a democracia vinha sendo considerada como uma vocação ocidental, não necessariamente capaz de repercutir na alma dos orientais. É o que me dizia, outro dia, uma mocinha segundo quem a democracia era coisa importante para o Ocidente. Só para o Ocidente. Aliás, a menina tinha convicções ziguezagueantes. Para ela, a democracia se tornava algo inestimável (pelo qual valia a pena matar, morrer e usar o terrorismo) quando se referia ao tempo dos regimes militares da América Latina. Sumia entre as coisas inúteis quando relacionada às práticas internas dos Estados Unidos. Voltava a ganhar importância, inclusive no Oriente, se algum ditador obtinha proteção norte-americana. E se diluía num emaranhado de conceitos quando seus olhos caíam sobre a amada Cuba e a transgênere Venezuela.

Contemplando os recentes levantes naquela região, pude perceber um claro anseio por liberdade, esse fulgurante valor em cujo útero a democracia é concebida. Toda a insegurança que cerca as análises sobre o futuro desses movimentos repousa sobre dois riscos: a ainda imponderável força das correntes islâmicas radicais em cada país e a carência das instituições. Há professores que gastam horas de aula para criticar as Cruzadas ocorridas há mais de nove séculos, mas não abrem a boca para mencionar a Jihad islâmica, que começou no século 7º e nunca mais suspendeu sua guerra contra os "infiéis". Todos os estudantes brasileiros saem da escola tendo ouvido falar das Cruzadas. Mas desconhecem a palavra Jihad. É claro que você sabe por quê: 1ª) atacando-se as Cruzadas ataca-se a Igreja, cujos valores é preciso destruir para o triunfo da revolução cultural marxista; e 2ª) a Jihad escolheu os EUA como o grande satã, o berço do mal, que precisa ser aniquilado, e quem adota os EUA por inimigo imediatamente ganha lugar na sala, na cozinha e na cama dos promotores da revolução cultural marxista.

Isso quanto ao risco das forças islâmicas radicais. Sobre a questão institucional, é importante ponderar que a democracia precisa de boas instituições tanto quanto nós precisamos do ar que respiramos. E essas instituições estão, presentemente, indisponíveis na tradição regional. Será preciso construí-las. Coisa que, por exemplo, ainda hoje não alcançamos sequer em nosso país, onde gradualmente marchamos para a total desmoralização da política, daqueles que a fazem e para a completa centralização dos poderes político e econômico, num processo em tudo avesso à democracia e à saúde moral da pátria.

______________
* Percival Puggina (66) é titular do blog www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões.

Mulheres da burka mental - Parte II

CONDE LOPPEUX DE LA VILLANUEVA
SEGUNDA-FEIRA, FEVEREIRO 14, 2011

Cavaleiro: parte I aqui.


Voltei a assistir àquele debate sobre a questão árabe-israelense, patrocinado pelo Jornal Folha de São Paulo e divulgado na internet. Falei, no artigo anterior, sobre a professora de filosofia Bernadete Abrão, com seus tiques nervosos, suas caretas, apertos de lábios, olhares esbugalhados e suas opiniões dementes sobre Israel e os judeus. A sua comparsa das causas islâmicas, dona Arlene Clemesha, tem um aspecto mais agradável. É até bonita (uma raridade na FFLCH, dominada por canhões soviéticos do tipo Marilena Chauí), embora se dependesse dessas mulheres, usariam barbas, ora porque são marxistas, ora porque agora têm a mania de serem pró-islâmicas. Algumas talvez não iriam tão longe. As burkas realmente serviriam melhor. . .
Dona Arlene Clemesha é historiadora da USP e é Diretora do Centro de Estudos Árabes da mesma universidade. Apesar do cabedal, as opiniões que ela emitiu na palestra não fazem jus a sua carreira. Pelo contrário, o que escutei é um emaranhado de tolices absurdas. Às vezes me pergunto por que o contribuinte gasta para formar tanta gente com idéias tão bobalhonas. É pior. Esse pessoal da USP defende o que há de pior no mundo. Dona Arlene Clemesha, tal como Dona Bernadete Abrão, é um poço de desinformação!
Dona Clemesha começa a falar sobre a revolta do Egito contra o governo Hosni Mubarak. Ela diz que a rebelião de lá não tem como causa as investidas dos radicais da Irmandade Muçulmana, mas tão somente algo “espontâneo” e, portanto, “popular”. Ela ainda diz que é besteira temer o chamado “perigo islâmico”, já que nas palavras dela, os jovens egípcios estão nas ruas para exigir dignidade, pra exigir emprego, pra exigir pão, pra exigir moradia, pra exigir direitos humanos, respeito e fim da tortura nas prisões, etc. Tal resposta deixou-me mais perplexo ainda: Dona Clemesha só falta vender a idéia da rebelião egípcia como uma espécie manifesta de “Fórum Social Mundial”, de “outro mundo é possível”.Convém dizer, desde quando exigir emprego, pão e casa para o governo pode ser considerada uma rebelião séria? Percebem-se aí os sentimentos difusos e incoerentes da massa. Na Rússia pré-soviética, a população exigia terra e pão e deu no que deu: uma ditadura sanguinária, que durou quase um século, com um preço de milhões de mortos. Por que no Egito, cuja tradição de democracia é tão inócua como na Rússia czarista seria diferente?
O que dona Clemesha finge ignorar é que a revolta egípcia tem todo o caráter de uma oclocracia, de uma rebelião de multidões, que ao causarem um caos governamental e destruírem o governo, vão deixar um vácuo de poder. Na velha tradição política ocidental, a oclocracia quase sempre leva uma nação aos caos e ao cesarismo, que é o governo da tirania. No caso islâmico, provavelmente a tirania teocrática vai tomar o poder. E quem ocupará este poder? Obviamente a Irmandade Muçulmana, o único grupo realmente organizado para tomar as rédeas do país, além do exército. A professora fala de democracia e direitos humanos, mas não nos cita um grupo sequer no Egito que defenda esses valores. Pelo contrário, as revoltas na Jordânia, no Iêmen, na Tunísia e demais países, a grande maioria formada de governos aliados dos Eua, têm o dedo do Irã no meio. Dona Arlene acredita que o Irã liga pra direitos humanos? Que os fanáticos islâmicos estão preocupados com isso? Claro que ela não é tão idiota assim. É tão somente uma pessoa intelectualmente desonesta.
A professora discute sobre o caso de um tunisiano que ateou fogo no próprio corpo. Ela diz que isso não tem caráter religioso. Ao menos, o tunisiano suicida não matou ninguém. Demonstrou um ato de desespero, em meio às tiranias comuns daquele meio. Mas nem por isso algo corrobora em favor da causa em jogo. Todas as revoluções assassinas têm seus mártires, por mais que eles não tenham a menor relação com o projeto político em ascensão. E a Irmandade Muçulmana, como a mídia pró-esquerdista, explorou fortemente a cena para chocar o ocidente.
A questão parece óbvia demais: o que a mídia ocidental e as Clemeshas da vida vendem para o ocidente é de que há ventos democráticos nos países onde há rebeliões pró-islâmicas contra ditaduras ou regimes pró-americanos. Que com a derrubada desses governos, sustentados maleficamente pelo governo dos Estados Unidos, nascerá a possibilidade de democracias no mundo islâmico. Claro que isso é, na prática, uma inverdade e uma tolice. O que os fatos nos revelam é que, no máximo, poderá haver uma radical mudança de ditaduras pró-ocidentais para ditaduras anti-ocidentais.
Em particular, no discurso da professora, há aquele antiamericanismo rançoso, mesclado com uma paixão louca e sorridente pelo terrorismo islâmico. O seu esquema mental simplista se revela da seguinte maneira: mundo árabe e islâmico coitadinho, vítima perseguida, caluniada, versus Estados Unidos, Israel, ocidente, malzinhos e conspiradores contra a felicidade muçulmana universal. Não nos esquentemos: Arlene Clemesha acha que o “perigo islâmico” é besteira. Mesmo que a ascensão da Irmandade Muçulmana possa jogar para o ralo a paz egípcia com Israel e retroceder toda a geopolítica do Oriente Médio para o ambiente da guerra dos seis dias de 1967, a professorinha da USP é só risinhos desconcertantes.
Porém, Clemesha sabe de que lado estará quando houver uma nova guerra provocada pelo Egito. Em 2005, o exército israelense retirou suas tropas em Gaza e deixou os palestinos livremente em paz. Em 2006, as mesmíssimas criaturas coitadinhas vítimas de Israel elegeram o Hamas, o grupelho terrorista mais radical e aliado do Irã, que decreta em seus estatutos a finalidade de destruir o Estado judeu. Depois das eleições, o mesmo Hamas massacrou uma boa parte de seus opositores e rivais da Autoridade Palestina, com requintes de crueldade e começou as hostilidades contra Israel. Os norte-americanos e judeus, contrariados, cortaram os subsídios que enviavam aos palestinos e não reconheceram o novo governo. E meses depois, os terroristas jogaram mísseis iranianos sobre as cidades israelenses.
E o que dona Clemesha diz, numa entrevista para a IHU (Instituto Humanitas Unisinos), em 2009? “Em 2006, quando o Hamas venceu as eleições aconteceu essa situação inaceitável, ou seja, o Estado de Israel, junto com os Estados Unidos e a Europa, não reconheceu a vitória do Hamas. Então, o povo palestino elegeu, democraticamente, um governo e o mundo não reconheceu esse governo e o derrubou. Isso sim é um exercício do autoritarismo e da ingerência.” Na lógica protozoária da professora, se uma comunidade eleger um governo hostil ao país vizinho, logo, este país deve reconhecê-lo de pronto, mesmo que ameace destruí-lo ou riscá-lo do mapa. Na lógica dela, os estados democráticos do mundo deveriam reconhecer um governicho terrorista que deseja destruir uma nação inteira. Ah sim, “autoritarismo” e “ingerência” para ela não é um governo declarar e usar de quaisquer meios para destruir outro país e sim a recusa mundial à sua política. E por que os governos dos Estados Unidos e de Israel deveriam reconhecer o Hamas, se o mesmo jamais reconheceu a legitimidade do Estado judeu? Contudo, Clemesha tem uma desculpa tola: o povo de Gaza elegeu o governo terrorista democraticamente. Mais uma razão para Israel negar qualquer ajuda a esse povo, que a despeito de toda a sua miséria, não quer a paz. Se as democracias ocidentais, nos anos 30 do século XX, negassem reconhecimento ao regime de Adolf Hitler, é possível que a professorinha tola afirmasse que tudo isso não passaria de ingerência e autoritarismo, porque uma ditadura pode ser justificável, sendo eleita. Se ela acata eleições onde um povinho vota em terroristas e assassinos no poder, que dirá então do caso egípcio, já que um deslize na política daquela nação pode levar uma região inteira à guerra?
Dona Clemesha, no alto de suas asneirices, ainda diz: “o choque não é de fundamentalismos ou de civilizações”.Reitera que o problema do fundamentalismo não é só islâmico, mas também judaico e quiçá, cristão! E ainda diz que o fundamentalismo é uma tendência mundial. A desonestidade intelectual aí ganha contornos tortuosos, dispersos. Ou seja, os fanáticos judeus e cristãos, tal como os islâmicos, explodem bombas em Shoppings Centers, jogam aviões em prédios, matam turistas incautos e estupram suas mulheres, degolam os infiéis e formam verdadeiros grupos terroristas, com conexões mundiais. Claro, os judeus fundamentalistas querem criar um gigantesco império judeu no mundo, tal como os cristãos, que ainda ressuscitam o ideal das cruzadas. A comparação aí é tão esdrúxula, tão vigarista, que só mesmo tamanha distorção de mentalidade pode levar a uma pessoa a adulterar os fatos de forma tão sombria.
No conflito causado por Gaza, em 2009, quando o exército israelense revidou os ataques do foguetório do Hamas, Clemesha ainda fala outras barbaridades: “Existem ataques dos dois lados? Existem! No entanto, primeiro, os ataques palestinos praticamente não causam mortos em relação aos ataques israelenses. Segundo, existe um motivo de fundo para essa violência”. Faltou relembrarem à senhora que, diferentemente dos árabes, os israelenses não usam civis como escudos humanos. Claro que ela faz vista grossa a inserção dos homens-bomba e outras práticas aberrantes do terrorismo islâmico. Clemesha ainda acrescenta, no debate da Folha de São Paulo: o Hamas é um grupo que tem como plataforma a guerra de libertação nacional.Medo! De “guerra de libertação nacional”, recordemos daqueles países da África que foram dominados pelos tiranetes tribais de plantão. Não será diferente com relação à Gaza. Clemesha ainda vende a idéia de que a popularidade do Hamas foi por conta da rejeição dos propósitos da Autoridade Palestina, que eram supostamente fracos, se comparados à incidência do grupo radical islâmico. É óbvio que ele ignorou os massacres praticados contra membros da Autoridade Palestina! Clemesha fala do terrorismo islâmico e das disputas internas sangrentas entre os palestinos como se fossem bons moços de uma sonolenta democracia escandinava. Ou anjos idealistas e, na prática, mártires esperançosos, com suas setenta virgens no céu!
Seguindo os passos da Dona Bernadete Abrão, Clemesha tenta relativizar as declarações de Armadinejad, afirmando que o ditador do Irã não afirmou que desejava jogar uma bomba atômica sobre Israel, e sim que o regime sionista deveria desaparecer. Nas palavras dela, “riscar a entidade sionista” é apenas eufemismo. E como não poderia deixar de ser, ela desperta a lenga lenga marxista de que o sionismo, sendo um pensamento de nacionalismo judeu, é um regime ultrapassado, que precisa deixar de existir, em nome do progresso histórico. E aí fez uma falsa analogia, afirmando que Armadinejad não tem intenções de destruir o Estado judeu, mas tão somente o modelo político de governo sionista. Na cabecinha da professora, o Irã quer desenvolver bombas atômicas pra soltar no Dia de São João. Ou financia terrorismo e homens-bomba contra Israel, não por ódio aos judeus, mas por ódio ao “sionismo”.
E curioso: na lógica da moça risonha, só o Estado judeu não tem o direito de existir, sabe-se lá por que causa, seja marxista ou islâmica! Só os palestinos estão isentos da ladainha marxista, ao defenderem a bandeira do seu nacionalismo! Claro, Clemesha, ao usar o tapa-sexo anti-sionista, demonstra ser defensora das causas terroristas e totalitárias mais abjetas do Oriente Médio.
O debate foi esclarecedor de muitas coisas. Primeiro, o total comprometimento das esquerdas com o fundamentalismo e terrorismo islâmicos. Segundo, a enorme superioridade argumentativa dos debatedores do outro lado, em particular, o cientista político Jorge Zaverucha e o jornalista português Joao Pereira Coutinho, que foram extremamente honestos e decentes com relação ao público. Eles desmitificaram muitas das demonizações alimentadas contra os judeus e Israel e foram claros nas questões problemáticas daquele conflito. Deixaram as duas mulheres, Bernadete Abrão e Arlene Clemesha, de burka em pé! E também, como não poderia deixar de ser, revelaram a superioridade dos argumentos pró-israelense e pró--ocidental.

O monumental erro em comum entre Marx e Smith - erro que mudou o mundo para sempre

MISES BRASIL
sábado, 19 de fevereiro de 2011

por Juan Fernando Carpio

Liberalismo x Socialismo - BRESCOLA.jpgO que esses dois pensadores, tidos como opostos, poderiam ter em comum?  Ocorre que Karl Marx herdou de Adam Smith um erro extremamente básico, um erro que possui monumentais consequências e que mudou o mundo para sempre.


Em seu famoso tratado sobre a riqueza das nações, Adam Smith nos diz que, em condições primitivas ou em cidades pequenas, aqueles indivíduos que vão ao mercado para vender seus produtos (sejam eles produtos agrícolas, parte do seu rebanho ou mesmo produtos manufaturados) ganham, nesse processo de venda, um salário. Isto é, a renda auferida por esses indivíduos que vendem bens no mercado é o seu salário.

Salário?  Grave erro.  Aquilo que é obtido por alguém que sai da autossuficiência agrícola para vender seus produtos no mercado não é um salário, mas, sim, um lucro.  Ou um prejuízo.  Lucros ou prejuízos são obtidos apenas por empreendedores.  Por definição, portanto, essa pessoa poderia ser um agricultor ou um profissional liberal qualquer em alguma cidade.

O salário é uma forma de pagamento que surge apenas quando um capitalista entra em cena.  O capitalista é a pessoa que irá fazer uso de bens previamente produzidos, colocando-os em empreendimentos arriscados.  Ele é aquele que compra ou paga por um bem ou serviço para, apenas mais tarde, vender algo cujo valor total é maior do que a soma das partes utilizadas nesse processo.  E isso poderá ser determinado somente se o produto for vendido: este é o único sinal — um sinal ausente em economias socialistas — de que a sociedade está criando valor agregado.

Smith erra sobejamente quando chama de salários aquilo que empreendedores obtêm quando comercializam bens nas cidades.  Um salário só passa a existir quando uma pessoa contrata uma outra, pagando-lhe regularmente uma quantia fixa.  Podemos chamar isso de 'o pacto do capitalismo', pois significa que o empregado agora faz parte do risco empreendedorial assumido pelo capitalista.  Em troca, o empregado recebe uma renda fixa (diária, mensal etc.) — ou seja, um salário.

Empregados assalariados não têm possibilidade de auferir lucros, porém — e ainda mais importante — estão livres de prejuízos.  Com efeito, os empregados têm mais chance de receber renda do que o capitalista.  O fazendeiro, por exemplo, deve pagar os salários de seus empregados mesmo que tenha havido uma geada no dia anterior à colheita.  Os empregados, por sua vez, estão isentos do ônus do prejuízo.  Tampouco pode o fazendeiro, para sermos justos, compartilhar com eles seus lucros.  Uma empresa farmacêutica irá vender seus produtos somente quatro ou cinco anos após a ideia inicial de se criar esses novos produtos.  Nesse meio tempo, ela terá de pagar salários para centenas, talvez milhares, de pessoas.  O salário é pago hoje independentemente de como serão as vendas futuras.

Assim, o problema — brilhantemente ensinado pelo professor George Reisman — é que o erro compartilhado por Smith e Marx gerou a ideia de que, para obter lucros — a famosa "mais-valia" exploradora —, os capitalistas tinham de manter para si parte do salário de cada empregado.  A realidade é outra.  A realidade é que a riqueza é criada por aquele indivíduo que sabe como transmitir suas visões, arriscar recursos e reconhecer oportunidades — tudo isso ao mesmo tempo em que ele cria uma renda regular para terceiros durante esse processo.

O capitalismo cria uma classe média mundial.  Antes dos capitalistas, todos tinham de assumir por completo todo o risco de uma dada atividade.  Já hoje, podemos delegar os riscos para aqueles que são mais ambiciosos e mais capacitados para atividades empreendedoras, já sabendo que, no final do mês, receberemos nossos contracheques.  Tal arranjo é infinitamente mais produtivo e eficaz.  Em última instância, é ele quem elimina a pobreza.
______________________________________________

Artigos relacionados:


Juan Fernando Carpio mora em Quito, Equador, possui mestrado em Economia Empreendedorial pela Universidad Francisco Marroquin, da Guatemala e é o presidente do Instituto para la Libertad, um think tank libertário equatoriano.

SÍMBOLO NA PRAÇA TAHRIR

NIVALDO CORDEIRO
19/02/2011

Reiteradas vezes, ao ler a coluna do aloprado Clóvis Rossi, sempre fico na dúvida se devo comentá-la ou não. Custa-me perder meu tempo diante de textos que são puro estrume. Por outro lado, Rossi fornece temas preciosos para que possamos agir contra a revolução da burrice, aquela que Gramsci pôs em marcha e que tem em Clóvis Rossi um seguidor sincero. Radical, porém sincero. Crédulo, porém sincero. Burro, porém sincero. Ele se entrega às suas mendacidades sem qualquer pudor e tudo me leva a crer que seus leitores no Folhão de São Paulo o têm como oráculo. Clóvis Rossi é o retrato da Folha.

No artigo de hoje (A praça Tahrir já não tem limites), no qual ele insiste, em alinhamento com a imprensa esquerdista internacional, que está em curso no mundo árabe uma revolução democrática, que poderia chegar até mesmo à arcaica e terrorista monarquia da Arábia Saudita. A tese delirante esconde o mais fundamental: está em curso uma ação orquestrada pelos radicais islâmicos para derrubar a ordem estabelecida e pôr no seu lugar governantes revolucionários, como os do Irã. Esconder esse fato elementar do grande público é um ato criminoso, uma mentira que esconde outra ainda mais grave: mudança da ordem no mundo árabe é alimentar os inimigos do Ocidente. Sem os militares egípcios no poder, por exemplo, o risco de guerra contra Israel cresce exponencialmente. Um grande paradoxo.

Gente como Clóvis Rossi ignora que o fechamento do Suez equivale a declarar uma nova guerra mundial. E a mudar para sempre o modo de ser ocidental. Não é brincadeira o que está em jogo.

Piormente, esses analistas mal intencionados não apontam a fraqueza e o titubeio da diplomacia obâmica e hilária, que acabou por favorecer a saída de Mubarak, um aliado precioso. Exatamente como foi feito por Jimmy Carter com a saída do Xá e a entrega do poder aos mulás do Irã. Deu no que deu.

Clóvis Rossi está certo. A Praça Tahrir tem um símbolo: a curra impiedosa da jornalista americana, Lara Logan. Pela malta revolucionária. É tudo o que os radicais revolucionários islâmicos querem fazer ao ocidente: um estupro, e não apenas das mulheres. Esse sujeito, Clóvis Rossi, não é sério. Sua coluna é uma coleção de sandices mentirosas.

Travestis, violência, disque-denúncia, oportunismo e truculência governamental

JULIO SEVERO
21 de fevereiro de 2011


Julio Severo
O jornal esquerdista Falha de S. Paulo noticiou em 19 de fevereiro de 2011: “Polícia prende suspeito de manter travestis em cárcere em SP”. Só se esqueceu de mencionar que a “orientação sexual” do suspeito é a mesma das vítimas. Como sempre, mais uma pequena “falha”.
A reportagem, que deixou abundantemente claro que as vítimas eram travestis, só fez uma única citação discreta da “orientação sexual” do suspeito quando identificou seu nome como “Nilton Pinto de Freitas, 27, conhecido como Andressa”. Afinal, qual é o homem que gostaria de ser chamado de “Andressa”?
A mídia esquerdista se faz de inocente, mas seu pensamento é: “Nós sempre os mostramos como vítimas inocentes e puras. Não fica bem identificá-los como homossexuais quando eles são os opressores e criminosos. Dá um engasgo terrível na garganta!”
Provavelmente, a computação do crime do travesti contra outros travestis inchará registros de “crimes contra homossexuais”, um banco de dados que será convenientemente usado para pressionar os legisladores sobre a necessidade “urgente” de proteger travestis e outros prostitutos homossexuais que frequentam, em horários perigosos, locais de elevada criminalidade, ou que seesquecem de pagar seus parceiros e acabam sendo surrados ou mortos.
“Senador, você precisa aprovar o PLC 122! Olha só o que fizeram com um bando de travestis!”
Essa “proteção” virá na forma de leis que imporão sobre as crianças das escolas aulas sobre a “beleza” e “dignidade” da vida sexual dos travestis e outros homossexuais, sob pena de punir todos os pais que se mostrarem contrários a que seus próprios filhos aprendam a “inocência” e “pureza” do ato mais sacrossanto do universo: o sexo masculino no orifício anal de outro homem.
Aliás, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) anunciou que o Ministério da Educação vai preparar cartilhas contra o “preconceito” que serão distribuídas nas escolas. Com a cobertura sistemática e sensacionalista dos meios de comunicação dos casos isolados de violência contra gays, “a senadora se diz confiante na aprovação do PLC 122, contra a homofobia”. É a marcha governamental para a imposição do infame kit gay, com a desculpa de combater o “preconceito”, onde crianças terão de aprender a usar o orifício anal conforme determina a agenda gay e no estilo “Relaxa e goza” de Suplicy.
Marta Suplicy e Maria do Rosário
O anúncio de Suplicy foi feito durante o lançamento oficial do Disque 100 em 19 de fevereiro de 2011. O número de telefone especial receberá denúncias anônimas contra a “homofobia” e foi lançado pela ministra Maria do Rosário, da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República, que declarou: “A impunidade não permanecerá, e os crimes homofóbicos serão trabalhados, julgados e responsabilizados”. O evento contou com a presença de Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), que disse: “Temos um adversário comum, que são os religiosos fundamentalistas”.
Segundo o JusBrasil, “Após o lançamento do Disque 100 também para casos de homofobia e da colocação do primeiro selo ‘Faça do Brasil um território livre da homofobia’, os participantes uniram-se à Marcha contra a Homofobia e pelo PLC 122, na própria avenida Paulista”.
O disque-denúncia vai facilitar as ações da Gaystapo. Em 2007, em nome da ABGLT, Toni Reis teve de enviar ao Ministério Público Federal de São Paulo carta pedindo ações criminais contra o Blog Julio Severo e seu autor. Com o Disque 100, acabou o trabalho. O nome de Julio Severo, acusado por Luiz Mott de ser o maior “homofóbico” do Brasil, poderá ser usado direta e indiretamente em todos os tipos de denúncias:
Caso 1:
“Em nome da democracia brasileira, quero como cidadão anônimo denunciar o autor que incitou agressões contra aqueles homossexuais que estavam perambulando às 2h da madrugada em São Paulo! Depois de lerem o Blog Julio Severo, os agressores foram buscar homossexuais fazendo ponto de madrugada…”
Caso 2:
“Alô, desejo fazer uma denúncia de homofobia!”
“Disque 100 às suas ordens. O que foi que o homofóbico fez?”
“É a Andressa, que está prendendo meus amigos travestis”.
“Qual é o nome completo da Andressa?”
“Nilton Pinto de Freitas”.
“Tá tirando sarro de mim? Afinal, é Andressa ou Nilton?”
“É ele, mas ele é mais conhecido por ela”.
“Lamento, mas aqui não aceitamos denúncias contra homossexuais. Você deve ser algum homofóbico disfarçado!”
“Tá certo. Eu me enganei. Foi o Julio Severo!”
“Ah, assim melhorou! Agora já podemos aceitar sua denúncia!”
Tanto a União Soviética quanto a Alemanha nazista contavam com um sistema de denúncia, onde os denunciados sofriam o peso da truculência estatal. Essa truculência sobrevive hoje com rótulos mais palatáveis e com nomes hiperdemocráticos, mas não menos nojentos em sua essência do que o comportamento que a Gaystapo protege acima do bem-estar de crianças, famílias e da própria liberdade de consciência, religião e expressão.

A falácia da Reforma Agrária

PAZ NO CAMPO


:: terça-feira, 15 de fevereiro de 2011


A falácia da Reforma Agrária

Segue artigo do historiador Marco Antonio Villa com oportuna análise do mito agro-reformista. Faltou mencionar e agradecer aos que lutaram e impediram a Reforma Agrária socialista e confiscatória. Destaco o grande batalhador professor Plinio Corrêa de Oliveira que defendeu o direito de propriedade sem nunca possuir um pedaço de terra.

A falácia da Reforma Agrária
Marco Antonio Villa

O tema da reforma agrária dividiu o país durante décadas. Desde os anos 1940 foi um dos assuntos dominantes do debate político e considerada indispensável para o desenvolvimento nacional. Diziam que a divisão das grandes propriedades era essencial para a industrialização, pois ampliaria, com base nas pequenas propriedades, o fornecimento de gêneros alimentícios para as cidades, diminuindo o custo de reprodução da força de trabalho e acabando com a carestia.

Por outro lado, o campo se transformaria em mercado consumidor das mercadorias industrializadas. Ou seja, o abastecimento dos centros urbanos, que estavam crescendo rapidamente, e o pleno desenvolvimento da indústria dependiam da reforma agrária. Sem ela não teríamos um forte setor industrial e a carestia seria permanente nos centros urbanos, além da manutenção da miséria nas áreas agrícolas. E, desenhando um retrato ainda mais apocalíptico, havia uma vertente política da tese: sem a efetivação da reforma agrária, o país nunca alcançaria a plena democracia, pois os grandes proprietários de terra dominavam a vida política nacional e impediam a surgimento de uma sociedade livre. Era repetido como um mantra: o Brasil estava fadado ao fracasso e não teria futuro, caso não houvesse uma reforma agrária.

Os anos se passaram e o caminho do país foi absolutamente distinto. A reforma agrária não ocorreu. O que houve foram distribuições homeopáticas de terra segundo o interesse político dos governos desde 1985, quando foi, inclusive, criado um ministério com este fim. Enquanto os olhos do país estavam voltados para a necessidade de partilhar as grandes propriedades — marca anticapitalista de um país que não admira o lucro e muito menos o sucesso — o Centro-Oeste foi sendo ocupado (e parte da Amazônia), além da revolução tecnológica ocorrida nas áreas já cultivadas do Sul-Sudeste.

O deslocamento de agricultores, capitais e experiência produtiva especialmente para o Centro-Oeste ocorreu sem ter o Estado como elemento propulsor. Foram agricultores com seus próprios recursos que migraram principalmente do Sul para a região. Como é sabido, falava-se desde os anos 30 em marcha para o Oeste, mas nada de prático foi feito. E, quando o Estado resolveu fazer algo, sempre acabou em desastre, como a batalha da borracha, nos anos 1940, ou, trinta anos depois, com as agrovilas, na Amazônia.

O épico deslocamento de agricultores do Sul para o Centro-Oeste até hoje não mereceu dos historiadores um estudo detalhado. De um lado, devido aos preconceitos ideológicos; de outro, pela escassez ou desconhecimento das fontes históricas. Como todo processo de desbravamento não ficou imune às contradições — e isto não ocorreu apenas no Brasil. Foram registrados sérios problemas em relação ao meio ambiente e aos direitos humanos, em grande parte devido à precariedade da presença das instituições estatais na região.

Com a falência do modelo econômico da ditadura, em 1979, e a falta de perspectiva segura para a economia, o que só ocorrerá uma década e meia depois, com o Plano Real, as atenções do debate político ficaram concentradas no tema da reforma agrária, mas de forma abstrata. O centro das discussões era o futuro dos setores secundário e terciário da economia. O campo só fazia parte do debate como o polo atrasado e que necessitava urgentemente de reformas. Contudo, a realidade era muito distinta: estava ocorrendo uma revolução, um fabuloso crescimento da produção, que iria mudar a realidade do país na década seguinte.

Entretanto, no Parlamento, os agricultores não tinham uma representação à altura da sua importância econômica. Alguns que falavam em seu nome ficaram notabilizados pela truculência, reforçando os estereótipos construídos pelos seus adversários. É o que Karl Marx chamou de classe em si e não para si. Os agricultores, na esfera política, não conseguiam (e isto se mantém até os dias atuais) ter uma presença de classe, com uma representação moderna, que defendesse seus interesses e estabelecendo alianças com outros setores da sociedade. Pelo contrário, sempre estiveram, politicamente falando, correndo atrás do prejuízo e buscando alguma solução menos ruim, quando de algum projeto governamental prejudicial à sua atividade.

Hoje, o Brasil é uma potência agrícola, boa parte do saldo positivo da balança comercial é devido à agricultura, a maior parte da população vive no meio urbano, a carestia é coisa do passado, a industrialização acabou (mesmo com percalços) sendo um sucesso, o país alcançou a plena democracia e não foi necessária a reforma agrária. A tese que engessou o debate político brasileiro durante décadas não passou de uma falácia. Fonte: O Globo, 15 de fevereiro de 2011.

WikiLeaks: diplomacia de Lula irritou sul-americanos

ESTADÃO
18 de fevereiro de 2011 | 7h 56

AE - Agência Estado

Telegramas secretos da diplomacia norte-americana revelam que, sob o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, países sul-americanos se incomodaram com a liderança brasileira e chegaram a pedir aos Estados Unidos que "contivessem" as ambições do Brasil na região. Os despachos foram divulgados pelo grupo WikiLeaks. Entre os que solicitaram à diplomacia norte-americana que atuasse contra o aumento da influência do Brasil estão Colômbia, Chile e Paraguai.

Em 11 de fevereiro de 2004, numa conversa entre o então presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, e uma delegação do alto escalão da diplomacia dos EUA, o incômodo com as ambições de Lula ficou claro. "Uribe disse que sua relação com Lula é complicada", relata o telegrama. O ex-líder de Bogotá e forte aliado de Washington alertou na ocasião para a agenda externa de seu colega brasileiro: "Lula se esforça para construir uma aliança antiamericana na América Latina", teria dito Uribe.

"Lula é mais pragmático e mais inteligente do que (Hugo) Chávez, mas é conduzido por seu histórico de esquerda e pelo espírito imperial do Brasil para se opor aos EUA", acusou o ex-presidente colombiano. Em outro trecho, Uribe ainda acusa o presidente brasileiro de não ter cumprido sua promessa de lutar contra o narcotráfico.

Em telegrama de 19 de maio de 2005, a então chanceler do Paraguai, Leila Rachid, queixou-se ao embaixador americano em Assunção, Dan Johnson, sobre o comportamento de seu colega brasileiro, Celso Amorim, e sua ideia de convocar uma cúpula entre países árabes e sul-americanos. Johnson, por sua vez, disse que o evento promoveria "gratuitamente tensões entre a comunidade árabe e judaica no Brasil". Ele pediu ainda que, na declaração final, elogios ao Sudão fossem evitados. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

VIVA O POVO BRASILEIRO!

VIVERDENOVO
SEXTA-FEIRA, 18 DE FEVEREIRO DE 2011

Por Arlindo Montenegro

Todo santo dia, quando a massa ignara, depois da suadeira no eito, no trânsito, tentando salvar vida ou apagando incêndios, chega em casa, liga a tv. As mesmas caras de sempre nos mesmos cenários, estão lá, com enfado ou fúria, mostrando estupros, assassinatos, assaltos, helicópteros, imagens de perseguições no trânsito, presos que mataram pais, namoradas, apreensão de drogas e armas, delegados e policiais falando no dialeto que nada diz, "pra não prejudicar as investigações".

A mulher, aliviada pela presença do companheiro, serve a cervejinha, diz uma palavra carinhosa e vai apressar os filhos – ligeiro que seu pai quer tomar banho antes do jantar. Segue para os intermináveis afazeres domésticos e na hora da primeira novela está lavando os pratos e arrumando a cozinha. Os filhos menores foram brincar ou dormir. Os maiores saíram. O casal se reencontra, silente diante da tv, vidrado, vendo nudez, comportamentos exóticos, perversidades aos quilos.

Tudo na mais rotineira naturalidade. Um dia chega a notícia de que a filha adolescente "pegou barriga" ou o menino está fumando maconha... Que fazer, meu Deus?! A menina vai ficando barriguda, a mãe aliviando a barra e o pai de cara sempre amarrada. Nas novelas, os ídolos (substitutos dos deuses) falam de aborto e divórcio com naturalidade. As drogas, até um ex presidente defende que sejam comercializadas livremente. Drogas e baladas? Coisa de jovem!


Incomum é a responsabilidade da família desestruturada, incapaz de exercer a ética e a autoridade paterna, os limites e cuidados que previnem tragédias. Incomum é o elenco de deveres e a disciplina. Incomum é a gentileza e a permanente visão das consequências dos mínimos pensamentos, das palavras, das ações. Incomum é o ensino e exigência do cumprimento de deveres domésticos e atitudes medidas fora de casa.

A televisão substituiu a educação doméstica e apregoa a educação que o estado impõe, para as mudanças culturais profundas: sexo prematuro irresponsável, drogas e grosserias são direitos humanos para formar humanos cruéis, a serviço de ideologias e negação da liberdade espiritual, que o auto conhecimento e a auto estima, bem como a veneração ao Deus que toca o coração de cada um, assegura.

Na escola, na aprendizagem dos tratos sociais so se fala em "direitos", "gêneros", "liberdade sexual", "preservativos", "posições"... de acordo com os manuais do MEC que seguem a cartilha da ONU, coroando com os direitos dos filhos contra a "ditadura" dos pais, estes criminalizados e sujeitos às penas da lei. Muito natural, não é?

Mas viva! Temos alta cultura e muito esporte para a formação de crianças e adolescentes saudáveis. Temos uma musicalidade e uma alegria incomparável: axé, pagode, funk! E podemos viver com 545 Reais ao mês, cometendo a bravura generosa de recolher impostos para pagar a cada deputado 166.000 Reais mensais, a cada senador 169.000 Reais mensais e a cada vereador mais de 53.000 Reais ao mês. Ou seja, Um vereador vale por 100 trabalhadores, um deputado ou senador vale 300 e 310 trabalhadores! Para o resto, que o governo apelida de classe média, uns 3 salários mínimos em média... Brava gente!

Até ex-líderes sindicalistas que agitavam greves no passado, agora deputados, votaram no mínimo dos mínimos!

Sem uma elite cultural ativa e consciente mobilizando a nação contra a nova ordem mundial que aqui se instala, apoderando-se ditatorialmente dos três poderes, mais alguns anos e o salário mínimo vira bolsa família! Bolsa botijão de gaz, bolsa escola, bolsa cesta básica, com vantagens... Meu Deus! Lembrando Castro Alves: "mas que bandeira é esta que infamante na gávea (ou no Planalto) tripudia?..."

O Conselho Nacional de Justiça informa que foram construídos 888 presídios nos últimos 8 anos. E falta construir mais 396 para abrigar 198 000 pequenos vagabundos, que os grandes, a gente sabe, estão no governo, que nem os mensaleiros, a ex prefeita e o ex prefeito que deitavam e rolavam, como aquele que ferrou com a vida do caseiro. E nestes governos que prestigiam o crime organizado, preso ganha quase que o dobro do mínimo do trabalhador assalariado.

Sabe-se também que os nossos ilustres, intocáveis deputados escolheram para presidir a Comissão de Constituição e Justiça, a mais importante do Congresso, um dos réus no processo dos mensaleiros, o Joâo Paulo, do PT de Osasco. Assim vai poder engavetar qualquer coisa contrária ao processo de implantação da ditadura nos moldes de um governo mundial, como querem as grandes empresas e banqueiros..

No mais, as Prefeituras deitam e rolam as prefeituras, seguindo o exemplo de Brasília. De vez em quando escapam notícias dos cafundós da Paraíba, onde a Secretaria da Educação estava pagando salários para 71 mortos e 62 desaparecidos. Inda bem que entre os que não batiam ponto, foram localizados 44 "funcionários" que vivem no exterior. Tem mais: 187 ja estavam aposentados, mas continuavam a receber salários como ativos. São os jeitinhos do interior.

"Quem ganha piso de R$ 545 por mês terá de trabalhar mais de meio século para alcançar o salário anual de um deputado ou senador. Por mês, cada congressista recebe o equivalente a quatro anos de salário mínimo." (http://congressoemfoco.uol.com.br/)

No dia 15 de dezembro do ano passado, os parlamentares aprovaram a toque de caixa um aumento de 62% em seus salários. Para Dilma, Temer e seus ministros, o aumento superou os 100%." Apenas 4 congressistas votaram em contrário. Também, com a marcação cerrada: os líderes do governo mapearam os possíveis dissidentes. Quem não for governista não terá cargos políticos daqueles no governo e nas estatais.

LANÇAMENTO: O Enigma Quântico, de Wolfgang Smith. Prefácio: Olavo de Carvalho

O Enigma Quântico

Wolfgang Smith

Prefácio: Olavo de Carvalho

Lançamento Virtual Ao Vivo neste site!!!





Dia 22/02 (terça-feira) às 20hrs

      Palestra Ao Vivo com o Professor Olavo de Carvalho

www.videeditorial.com.br

 Você também pode adquirir nossos produtos em

Dica de internauta: Partido Nacionalista Democrático

Outro dia publiquei o nascimento de um partido político, um internauta me indicou outro. Vejam abaixo o que ele me mandou:


O PND - Partido Nacionalista Democrático - foi fundado em 12 de janeiro de 2001, e já é pessoa jurídica. Só não tem ainda registro definitivo no TSE, de modo que não pode lançar candidatos nas eleições, não participa do fundo partidário nem tem acesso a rádio ou TV.


O partido tem citação até na Wikipedia, na lista de partidos em processo de legalização.


http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_partidos_pol%C3%ADticos_no_Brasil


Acredito que seja interessante conferir o endereço oficial do partido, que está em nome do CNPJ do próprio partido.


www.pnd.org.br

wibiya widget

A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".