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segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Homem-massa nos tribunais: uma justiça totalitária no Brasil

Do blog CAVALEIRO CONDE (CONDE LOPPEUX DE LA VILLANEUVA)
Quarta-feira, Setembro 10, 2008


Uma questão observável no meio jurídico brasileiro atual é a quase total indigência de conhecimentos gerais e humanísticos entre muitos bacharéis em direito. Se há algo que a universidade forma atualmente é uma legião de futuros tecnocratas, meros copiadores de leis, como que preparados para pertencer a uma gigantesca burocracia, seja ela estatal ou paraestatal. Isso se reflete no excesso de regras jurídicas, de funcionários públicos e de advogados que são jogados aos montes no mercado de trabalho. Na prática, é uma gigantesca estatização da classe média, já que as atividades privadas, sobrecarregadas de impostos e, por conta disso, cheias de riscos, tornam-se cada vez menos interessantes. Do ponto de vista econômico, a classe média vai aonde está o dinheiro. E a maior parte do butim está nas mãos do Estado. Nada mais lógico que ela procure no funcionalismo público uma estabilidade que não encontra na iniciativa privada. Entretanto, fica a pergunta: quem é que vai sustentar tanta gente? Alguém duvida que isso é um processo lento e graduação de estatização da economia?

Se o Estado sofre um processo lento e gradual de agigantamento, cria-se no mercado uma série de empecilhos burocráticos e morais. Já é relativamente comum a ideologia anti-empresarial no imaginário brasileiro. Essa perspectiva se coaduna com outras formas de distorções econômicas, tais como as reservas de mercado e outras demais formas antiquadas de corporativismo em ofícios profissionais, sejam elas empresariais ou até mesmo profissões liberais. Quem duvidará que as provas da OAB, que depuram milhares de bacharéis em direito, restringindo a profissão advocatícia, não é uma reserva de mercado? Em nosso país, até então existia reserva de mercado para jornalistas, uma aberração, do ponto de vista das democracias. Quando o MEC exige títulos e mais títulos para o exercício da profissão de licenciatura nas universidades ou escolas, isso é também reserva de mercado. A cultura cartorial da papelada, tão comum nas altas esferas do Estado, contamina a economia privada do país, incapaz de ser competitiva, empreendedora e dinâmica. Para cada profissão, um título. Quer ensinar história? Tenha diploma de história. Quer ensinar direito? Tenha diploma de direito. Enfim, o que vale não é a cultura real, mas o papel timbrado. Os autodidatas, por definição, estão excluídos desse mercado, ainda que demonstrem ter um conhecimento acima da média dos nobilitados.

Feito isto, eis o que é preocupante na cultura jurídica brasileira: o vácuo de um conhecimento geral apurado de filosofia e demais outras letras deu margem ao ativismo militante encarnado na figura de advogados, promotores, procuradores, juízes ou defensores públicos. Esse ativismo implica uma partidarização do direito, dentro de espúrias crenças de esquerda. Se a classe média está sendo estatizada, por outro lado, ela quase sempre assume uma ideologia corporativista e totalitarista do poder e do direito no Estado. A lógica se processa da seguinte forma: a burocracia estatal é sempre voluntariosa e benévola; a livre empresa é sempre má e exploradora. É o que se passa na cabeça de muitos causídicos iletrados, a despeito de notórios conhecimentos jurídicos. Entretanto, saber jurídico é tão somente um saber técnico. Não é saber filosófico, não é cultura intelectual, não é elevação moral, no sentido maior do termo.

A média dos advogados brasileiros está no nível dos “señoritos arrogantes” tão fielmente descritos na Rebelião das Massas, de Ortega y Gasset: os medianos, de cultura técnica acham que podem medir a humanidade pelo prisma de suas limitadas idéias e esquemas de conhecimento. Não é por acaso que o positivismo jurídico ou o marxismo mais rasteiro se apropriem do vazio intelectual da classe jurídica. Diria rasteiro, porque uma boa parte, senão a maioria, só conhece os autores através de fragmentos, e nunca se interessou em se aprofundar a respeito. Na verdade, há uma certa absorção sofística no direito que vicia sua linguagem. O positivismo jurídico, na valorização absolutista da formalidade e aparência legal e o marxismo, na politização e instrumentalização corporativista das leis, parecem atender perfeitamente a consciência de uma classe de pessoas que só se contentou em decorar e soltar regras a granel. A ideologização do direito no Brasil adquire sintomas preocupantes, porque representa o nascimento de esquemas totalitários aplicados em sentenças e formas abusivas de controle do Estado sobre a sociedade civil.

Alguns exemplos podem ser vistos na realidade política atual. O tribunal paulista que condenou o jornalista Diogo Mainardi da Revista Veja, em processo movido pelo também jornalista Paulo Henrique Amorim, representa um sintoma claro desse modelo de pensar. O parecer do Ministério Público do Estado de São Paulo sobre o assunto mais lembra àquelas tristes épocas da burocracia soviética, em que os tribunais inquiriam ideologicamente o réu e o fuzilavam. A declaração do Procurador de Justiça Carlos Eduardo de Athayde Buono é uma pérola do sovietismo mais ralé. Daqui a alguns anos, quem sabe os futuros burocratas e juristas “soviéticos” não fuzilem o Mainardi?!

O procurador tem umas senhoras pérolas: “É notório que o querelado, em suas matérias semanais, quase sempre atinge a honra de alguém, maldosamente, maliciosamente, com evidente animo de depreciar seu alvo”. (Como se os vigaristas citados por Diogo Mainardi tivessem algum tipo de honra e não merecessem ser depreciados). O fazedor de regras ainda nos completa: “É preciso ressaltar que não sou simpatizante do PT, ou de qualquer partido político”. Bem, todos os petistas chapas vermelhas dizem isso, para simular imparcialidade. O resto do relatório é um poço de puxa-saquismo e falta com a verdade: “Ah, se soubesse adivinhar o futuro esse jornalista não devia ter dito o que disse, ante os fatos e a prisão de Daniel Dantas pela Polícia Federal e sua posterior soltura”. Qualquer pessoa informada sabe que a prisão do banqueiro Daniel Dantas não foi motivada por um excesso de moralidade do governo, e sim para chantagear um sujeito que presta grandes favores ao mesmo, através de muita propina.

Todavia, o Sr. Carlos Eduardo é um burocrata sem senso de humor. Assim ele nos diz: “Dizer que Franklin Martins, Paulo Henrique Amorim e Mino Carta estão na fase descendente de suas carreiras só porque os dois primeiros não estão na Globo é bobagem sem tamanho dita pela arguta defesa. Felizmente não é verdade. A Record e a Bandeirantes e outros meios de comunicação têm crescido e feito frente à Globo (hoje o monopólio não é mais saudável, especialmente nas democracias e na globalização).” Presumo que o Sr. Procurador é incapaz de entender ironias. De fato, Franklin Martins foi demitido pela Rede Globo quando se soube que ele era figura carimbada no Planalto, principalmente quando sua irmã foi favorecida pelo governo. Isso porque o próprio ganhou um cargo de ministro, por serviços prestados à chapa vermelha petista. Sem contar o jornalismo de Mino Carta e Paulo Henrique Amorim, que é notório e descarado apoio ao governo. Recordemos, o próprio Paulo Henrique Amorim foi demitido da IG, já que nem o público endossa suas vigarices.
Entretanto, o procurador Carlos Eduardo se entrega, quando demonstra o cacoete mental típico de um petista. Afirmar que a Globo é monopólica é demonstrar uma completa ignorância do que seja o sentido da palavra “monopólio”, salvo nos clichês típicos da esquerda. O mesmo princípio se aplica ao chavão mais adiante: “Diogo Mainardi por fazer parte dos poderosos conglomerados de comunicação (Globo e Ed. Abril) não está imune ao Direito Penal”. Quer coisa mais comunista do que esse discurso? Quer coisa mais piegas, mais grotesca, mais parecida com o colegial de DCE acadêmico, do que uma pantomima ideológica como essa travestida em um relatório de uma sentença? Há uma certa dose de elogio em causa própria, como se o "grande conglomerado" da imprensa fosse mais poderoso do que o Estado, como se o próprio Procurador fosse um David lutando contra Golias.
Os impropérios grosseiros de Mino Carta sobre o filho deficiente de Mainardi devem ser um saudável jornalismo ao Sr. Procurador. O contrário, ou seja, a verdade sobre a corrupção moral dos jornalistas pagos por Brasília (entre os quais, Mino Carta), é uma “ofensa à honra” de alguém. O Dr. Carlos Eduardo de Athayde Buono tem futuro no país governado por senhoritos arrogantes. O acórdão que condenou Mainardi é uma senhora defecada de regras sem a menor disposição com a realidade. No final das contas, o charlatão Paulo Henrique Amorim pode mentir á vontade a peso de soldo de Brasília, pois a justiça endossa o seu jornalismo vendido.

Os senhoritos arrogantes passaram anos estudando direito, quando na verdade, não estudam absolutamente nenhuma outra coisa. Fazem sentenças ideológicas, por falta de conteúdo intelectual mais apurado, para cobrir a carência das idéias genuínas. Ser ativista nos tribunais dá status. Neste vazio, há os senhoritos arrogantes que acham que pensam alguma coisa. Um amigo meu do Rio Grande do Sul me avisa qual a obra a ser estudada para o seu curso de Direito: “As motivações ideológicas da sentença”, do desembargador amigão das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Rui Portanova. Se não bastasse isso, outro amigo, lá dos confins do Paraná, me conta a estripulia de uma turma de Procuradores de Justiça que odeiam os empresários, porque estes são malvados por natureza e “exploram” os trabalhadores.

As pessoas não são mais julgadas pelos atos, porém, pelas suas idéias, pelos seus papéis sociais. E os burocratas, fabricados pelas faculdades, tornaram-se os justiceiros do mundo, tomando postos do governo para intervir, lapidar e oprimir, cada vez mais, a sociedade privada e nossas relações particulares. São estes que querem controlar nossa fala, nossos pensamentos, nossas manifestações, em nome da legalidade e da ordem, em nome de uma cartilha politicamente correta estéril e idiotizante. Querem controlar, inclusive, a internet, presumindo que todos os usuários são pedófilos e racistas, até que se prove o contrário. Enquanto isso, eles aderem falaciosamente à ideologia totalitária que domina o governo de Brasília, tais como cachorrinhos amestrados de guarda. Há os oportunistas, os fanáticos e os idiotas úteis nessa história. Ninguém do Ministério Público, do Judiciário ou mesmo da OAB moveu uma palha contra o governo mais cínico, corrupto e imoral da história do Brasil. Quase todos eles pensam em carguinhos, em mesquinharias úteis, em ascensão na burocracia estatal, tal como um burocrata da nomenclatura soviética. Não seria de espantar que, se o Brasil caminhasse para uma ditadura (como de fato está caminhando), haveria uma ordem inumerável de alcagüetes e colaboradores desse sistema totalitarista. Muita gente está pronta para abdicar das liberdades fundamentais em nome do Estado voluntarioso e benévolo. A banalização do mal começa pela indiferença moral burocrática. É a rebelião do homem-massa no Brasil.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Para refletir antes que o Brasil vire um continente de HOMENS-MASSA



Os textos do Mídia Sem Máscara, do Farol da Democracia Representantiva, do site do Heitor de Paola ou do Olavo de Carvalho, entre outros, visam o universo dos formadores de opinião, supostamente mais sofisticados intelectualmente, e potencialmente, novas fontes difusoras.

O nível da linguagem e estilo de argumentação precisam adequar-se àquele perfil, sob pena de descarte a priori, sem exame.

Por outro lado, nosso povo - como resultado da outorga do nosso sistema educacional a comuno-gramscistas - jamais esteve tão rasteiramente desprovido de cultura básica, elementar, começando pela programada indigência vocabular: sem palavras não desenvolvemos a capacidade de pensar ou, sequer, de acessar o conhecimento.

A canalha sabe que para dominar há que estupidificar.

No "melhor mundo possível (C.T. - qual seja, o ESTADO SOCIALISTA/COMUNISTA)" o povo deve alcançar apenas as condições mínimas para produzir bens para a "nova classe", limiar pragmático muito abaixo do pensamento crítico - essencial à dissenção. Em outros termos, um rebanho massificado e amorfo, mero gado
a ser explorado pela nomenklatura.

Foi para consegui-lo que Gramsci vincou a necessidade de assenhorarem-se dos meios de formação cultural - mídia, escolas, editoras que desde então nada produzem que não politicamente correto, isto é, visando o empobrecimento moral e intelectual das gentes, numa degradação cultural tão funda que a manipulação se torne fácil.

Pela mesma razão infiltraram-se nas igrejas, destruindo a partir de dentro seu conteúdo de valores essenciais, substituidos pela falácia sofistica do 'paraiso possível na Terra', da 'opção pelos pobres'.

A imundície comunista, demoníaca e anti-humana, trabalha livremente para este objetivo desde os idos dos '70, atualmente dominam todas as instâncias sócio-político-culturais do país e estão a um passo do pleno sucesso.

A consciência que motiva seu reclamo por textos mais acessíveis, me levou a meu estilo de divulgação por notas e apresentações de textos ricos, com a linguagem mais simples a meu alcance e com o uso de chaves emocionais, mais que racionais.

Ainda assim, ao longo destes anos, o retorno em termos de sensibilização é desanimador. Testando, lancei mais de uma vez textos com chaves de "confirmação de leitura"... A volta desta confirmação se conta nos dedos, num universo de quase um milhar de endereços, comprovando que meus textos são deletados automaticamente, sem abri-los.

Conclusão: nossa gente já é gado. E gado não lê, não abriga dúvidas que motive curiosidade, está satisfeito com a visão-de-mundo que ingerem via TV cooptada e se interessa apenas pelo pasto mais rasteiro.

O trabalho dos conscientes, motivados por responsabilidade, é gigantesco e deve visar alertar, despertar e reunir os poucos capacitados a tal.

Se teremos tempo, é outro papo. Inclusive porque não há caminho alternativo, mesmo com a esperança - até aqui ilusória - de que as FFAA se mobilizem para seu dever primordial.

Portanto, amigos, hay que tenerlos, los cojones!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

O HOMEM-MASSA NO PODER

Do portal do NIVALDO CORDEIRO
Por Nivaldo Cordeiro em 28/07/2008

CLIQUE AQUI E VOTE CONTRA A LEI QUE VAI ACABAR COM A LIBERDADE NA INTERNET BRASILEIRA

Na noite do último sábado eu tive o privilégio de assistir ao concerto de encerramento do 39º FESTIVAL INTERNACIONAL DE INVERNO DE CAMPOS DO JORDÃO. Já bastante tradicional, o evento, que ocorreu em auditório ao lado do Palácio de Inverno do governador do Estado de São Paulo, é bancado, em grande parte, por verbas públicas. A orquestra, composta basicamente por jovens músicos bolsistas, foi regida pelo octogenário maestro Kurt Masur e não era ele apenas que fazia o contraponto com seus jovens músicos.

Na platéia muita gente conhecida, integrante da elite econômica e política de São Paulo, gente que foi ali para ver e ser vista, como é da regra nesses eventos, e não pelo espetáculo musical em si. No programa a majestosa Nona Sinfonia, de Beethoven, considerada por muitos a composição mais bela de todos os tempos. De fato, essa música é capaz de elevar a mais endurecida alma aos cumes do prazer estético. Foi um raro privilégio estar ali.

Na platéia também estava o governador José Serra. Discreto, vestia roupas simples, sem gravada e com camisa que lembrava o indefectível jeans, o uniforme do homem-massa contemporâneo. Não pude deixar de lembrar-me do filme O SEGREDO DE BEETHOVEN, da diretora polonesa Agnieszka Holland. Nas cenas finais do filme podemos ver a estréia da peça em Viena, diante da nobreza e dos governantes principescos. Talvez o compositor nunca imaginasse que um espetáculo solene, em que sua música estivesse no programa, viesse a ter um governante assim trajado, de forma bastante inadequada para o evento e em contraste singular com muitos da platéia. Contraste ainda maior com o maestro, envergando a indumentária tradicional, e seus músicos, todos vestidos a rigor. Não preciso lembrar que, na recriação do filme, o mais elegante na platéia da estréia era o governante e não o maestro.

Mas o governador, pelo menos, entrou mudo e saiu calado, mesmo tendo recebido algumas chochas palmas. Evitou um comício desnecessário. Pior mesmo foi o secretário da Cultura, João Sayad, que representou o poder constituído na solenidade. Subiu ao palco em mangas de camisa, sem gravata e envergando uma calça de jeans desbotada, o emblema mais característico do homem-massa, usando sua indefectível barba por fazer, outro emblema dos intelectuais militantes, os sacerdotes do deus-Estado que governam em nome da massa. Que contraste! Nada poderia ser mais plástico para representar os tempos de hoje: um homem-massa governante, vestido a caráter. Um “intelectual” no poder. Sayad parecia um centauro barbudo, metade homem, metade bicho, quer dizer, homem-massa, que é a besta ela mesma.

A figura apequenada do secretário de Cultura estaria mais adequada, com o seu traje, em algum festival de música pop ou mesmo de funk. Diante daqueles músicos solenes, daquela platéia sofisticada e da música celestial de Beethoven foi um despropósito só. Quando a figura majestosa do maestro Kurt Masur adentrou ao recinto é que o contraste ficou mais acentuado. A digníssima figura do velho artista, absolutamente de acordo com o momento, a música a ser regida, o recinto, a platéia e tudo mais, ofuscou os representantes dos homens-massa tornados governantes, ali presentes.

Quando a massa se eleva a primeira coisa que a distingue é a deselegância, a incapacidade de ter bons modos ao vestir-se e ao falar. O idioma ficará irremediavelmente corrompido, assim como os modos. A decadência pode ser percebida até mesmo nas salas de concerto, um dos recintos mais tradicionais, como bem pude testemunhar.

Meu caro leitor, nem tudo está perdido, todavia. Pior mesmo se, ao invés dos governantes, fossem os jovens músicos a vestir jeans. Aí tudo estaria irremediavelmente desesperançado. O poder pode ocasionalmente perder a majestade, não a música de Beethoven e as orquestras que o honram. Entendo que é mais fácil mudar os governantes do que os usos dos artistas eruditos, pois estes têm pudor estético. Menos mal.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Intenção estratégica e o homem-massa

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Jeffrey Nyquist em 15 de abril de 2008


Resumo: O homem-massa é uma criatura facilmente manipulável. Ele é presa fácil dos adversários, dos vendedores de óleo de cobra e de charlatães de todo naipe.

© 2008 MidiaSemMascara.org

"Eu olhei nos olhos de Putin e vi três coisas:

um ‘K’, um ‘G’ e um ‘B’.

– John McCain


Recentemente foi publicado na The New Criterion um ensaio de Anthony Daniels, no qual ele resume o conceito de “homem-massa”, do filósofo espanhol José Ortega y Gasset, como sendo aquele homem “que vai de uma distração a outra distração, que é presa de modismos absurdos, que nunca pensa em profundidade...”. Na primeira década do século XXI isso soa até familiar demais. Em 2008, vivemos numa sociedade dominada por “homens-massa”, engolida pela psicologia de massa, pela mídia de massa, pela escola de massa e pela ignorância em massa que atualmente nos circunda e avulta.

O grande público de hoje não é capaz de distinguir o importante do trivial. O que precisa ser reconhecido, e um dia será, é a distinção bastante real entre princípios elevados e aquilo que é vulgar, entre coragem moral e conformismo apenas desculpável, entre pensadores e embusteiros. E é a isto que tudo se resume. As massas cresceram fracas e indolentes. Elas não querem admitir a realidade porque nisso poderia haver uma cláusula de responsabilidade. Sendo esta a consideração principal, a negação de eventos-chave completa-se melhor através de uma maré enchente de trivialidades – a cápsula de escape da realidade do homem comum. Uma vez que você está perdido no Grande Oceano do Lixo Intelectual, serve qualquer meia-verdade, à qual você se agarra, mesmo que essa seja um bote furado e cheio de ratos.

Se tivéssemos sido treinados para pensar em termos hierárquicos em vez de em termos igualitários, se entendêssemos a base de nossa própria existência, nossa atenção crítica estaria instintivamente voltada para determinados assuntos, para aqueles que tocassem em nosso futuro político e econômico. Então, saberíamos que certas escolhas de estilos de vida são perniciosas à sociedade como um todo, que moedas fiduciárias (papéis-moeda) não duram para sempre, que ser brando na punição estraga a “criança”[1], que se você deseja a paz deve estar preparado para a guerra. Todavia, fica mais e mais evidente que o homem-massa de hoje perdeu seus instintos, perdeu de vista o que é importante e que julga tudo a partir de suposições falsas, feitas a partir de um ponto de vista igualmente falso.

Houve um tempo em que tínhamos uma civilização. Tínhamos padrões. Tínhamos noções de objetividade. Nós tínhamos uma cultura que não era vulgar. Nós olhávamos para os grandes homens do passado tal como olhávamos para a nossa posteridade. A arte era bela e tinha sentido. A política evoluía para longe da tirania. A economia dizia respeito à liberdade e responsabilidade. O que temos hoje? Temos Britney Spears e Jerry Springer. Nossos padrões erodiram-se seriamente. A subjetividade declarou, cinicamente, que a objetividade não existe. Tudo aquilo que continha princípios elevados, aquilo que não é vulgar, foi negligenciado.

Mas mais importante, e ainda mais desastroso, é que a emergência do “homem-massa” tem algo a ver com a emergência do totalitarismo (que ceifou as vidas de aproximadamente 100 milhões de pessoas no século XX). E é seguro afirmar que o totalitarismo ceifará ainda mais vidas no futuro. Mas as pessoas não querem acordar. Elas não querem reconhecer que o totalitarismo é real e avança. Ele cresce no solo da cultura de massa; leva à destruição e ao assassínio em massa, pois todo o conceito totalitário baseia-se em mentiras sustentadas pelo crime e dirigidas pela politização das frustrações e invejas pessoais. Alguma atrocidade faz parte da história quando um país invade outro, ou quando um comandante de cavalaria ou um chefe indígena cometem uma atrocidade. Os homens têm feito coisas terríveis uns aos outros ao longo dos tempos. Mas transformar o terror e o assassinato num sistema significa um novo tipo de regime.

O homem-massa não consegue ver os males do totalitarismo; ele não vê a inclinação de Hitler; ele não vê as letras”K-G-B” por detrás de Putin; ele nega o Holocausto; ele não se importa se o Irã construirá armas nucleares; ele acha que Rússia e China nunca começarão uma guerra global. O espírito filistino do homem-massa é encontrado em sua prontidão para acreditar na propaganda totalitária. É uma propaganda que inculpa a futura vítima.

O totalitarismo se ergue porque o homem-massa é suscetível e é fundamentalmente um ignorante, apesar de notavelmente “bem-informado”. A inércia do homem-massa aceita o que é ditado pela burocracia. Ele não tem nenhuma “grande idéia” ou “fé” para resguardá-lo da acomodação e transigência convenientes, ou da participação no genocídio. O oportunismo sem questionamentos do homem-massa permite-lhe exemplificar aquela mesma “banalidade do mal” à qual se referiu Hannah Arendt, em seu livro Eichmann em Jerusalém. Afinal de contas, o homem-massa sob Hitler[2], sob Stalin, se defenderia dizendo que estava apenas fazendo o seu trabalho. Ele estava apenas obedecendo a ordens.

O homem-massa é inócuo ou sinistro? Ele faz o que faz de propósito ou precisa de um planejador maligno, tal como Hitler? O que significaria dizer que o extermínio em massa de judeus na época de Hitler foi um fenômeno sociológico que nada teve a ver com a intencionalidade? Dito de outro modo, o que significa dizer que o Holocausto foi alguma coisa outra que não uma conspiração contra vítimas específicas? O que significa dizer que o aviltamento sistemático de um povo foi em virtude de “um processo histórico”?

Eu não acredito que o resultado, de um lado, seja possível sem a intenção do outro lado. Não há nada diabólico a menos que seja intencional. E tudo que é intencional é individual. Hitler era um indivíduo. Seus companheiros de crime eram indivíduos. Cada um foi responsável por suas ações individuais. Não serve como desculpa declarar-se apenas um dente da engrenagem maior. Cada um obteve alguma satisfação particular na perseguição, pilhagem e matança de judeus. Imaginar que pessoas assim não podem existir, apenas porque a sua imaginação é muito limitada, é esquecer aquilo que a história já provou.

Se irromper outra guerra genocida, quais nações serão vitimadas? Quais nações estão sendo vilipendiadas atualmente? Duas nações, especificamente: (1) a dos judeus e (2) a dos americanos. A falha em não compreender a significância desse aviltamento e a falha em não reconhecer suas origens, é, de fato, uma falha triste e sombria.

Como Bernard Chazelle chamou a atenção recentemente em seu ensaio intitulado Anti-Americanism: a Clinical Study [Antiamericanismo: um estudo clínico], não há um antifrancesismo, um antipolonismo ou um antiespanholismo. E por que não há? Porque “o antiamericanismo está isolado: é um testamento vivo...”. Bem, não tão sozinho assim. É preciso lembrar o anti-semitismo, sendo ainda necessário juntá-lo ao Holocausto.

O aviltamento de um povo inteiro é algo similar a amaciar uma carne. A tarefa do aviltamento a deixa pronta para o forno.

Foi Paul Johnson, o historiador inglês, quem escreveu: “O antiamericanismo é a doença predominante entre os intelectuais de hoje”. O que ele deveria ter dito, mas falhou em esclarecer, é que os “intelectuais” de hoje são fraudes; eles são homens-massa, exatamente como aqueles a quem Ortega y Gasset se referia em seu livro A Rebelião das Massas. O fingimento de erudição e o fingimento de pensar apenas encobrem a baixeza e torpeza de alguém que, nas palavras de Anthony Daniels, “não reconhecerá aqueles que lhe são superiores”.

O homem-massa adquire idéias do mesmo modo que os ratos adquirem pulgas infestadas de peste bubônica. Ele é infectado por elas. E é perfeitamente possível que alguém dissemine a infecção intencionalmente. Pondere a seguinte sutileza: quando um estrategista americano pensa a respeito de mísseis nucleares, ele pensa em termos de dissuasão. Quando um estrategista russo pensa a respeito de mísseis nucleares, pensa em aniquilar os inimigos. Estrategistas nucleares americanos, de Herman Kahn a Vincent Pry, estavam especialmente preocupados com a dissuasão. Já os estrategistas russos, de Sokolovskiy a Sidorenko, estavam principalmente preocupados com a aniquilação do inimigo. A diferença de conceitos é importante – apesar de ser facilmente negligenciada ou nem sequer percebida.

O ódio é o ingrediente, e fazer com que os americanos odeiem-se entre si têm sido um truque especial. Talvez o homem-massa, ao odiar aquilo que tem grandeza, incline-se a odiar o seu próprio país, se a grandeza deste for suficiente. Nesse caso, um inimigo ardiloso não precisaria levantar nem um dedo sequer – ainda que a União Soviética tenha movidos céus e terras para espalhar, de 1950 a 1991, o ódio antiamericano. Uma das técnicas de propaganda mais eficazes envolvia plantar histórias falsas nos jornais ocidentais. Tais eram as “medidas ativas” de Moscou. No que diz respeito a essa técnica, o recente desertor da SVR [KGB], Sergei Tretyakov, confidenciou ao autor Pete Earley: “Nós dizíamos [após o colapso da União Soviética]: ‘Ok, agora nós somos amigos. Vamos parar de fazer isso’. E a SVR [KGB] fechou o Diretório A [Medidas Ativas]. Mas o Diretório A submeteu-se apenas a uma mudança de nome. E isso foi tudo. Ele tornou-se o Departamento MA [Medidas de Apoio], e as mesmíssimas pessoas que o dirigiam sob a KGB, continuaram a fazê-lo para a SVR”.

O homem-massa é uma criatura facilmente manipulável. Ele é presa fácil dos adversários, dos vendedores de óleo de cobra e de charlatães de todo naipe. Por favor, permitam-me dizer-lhes, caras massas: vocês têm sido o alvo especial de uma variedade superior de propaganda. Vocês foram alvejados. Vocês foram tapeados. Os fornos estão sendo aquecidos neste exato momento.


[1] NT: “Sparing the rod spoils the child”. É evidente que o autor não advoga a punição física de crianças, muito menos com varas. No contexto apresentado, a expressão idiomática, já antiga, aplica-se aos adultos à rédea solta, “crianças” sem punição, quer na área criminal ou quanto às transgressões morais cada vez mais toleradas; em suma, é ao crescente laxismo da sociedade americana que o autor se refere.

[2] NT: Hitler e Stalin foram, eles mesmos, exemplos de homens-massa no poder: vulgares, incultos, mas implacáveis e capazes de provocar fascínio e infundir terror na mente de outros homens massa. Ver Hitler e os Alemães, Eric Voegelin, São Paulo: É Realizações, 2008.

© 2008 Jeffrey R. Nyquist

Publicado por Financialsense.com

Tradução: MSM

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".