Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Carta de um palestino

CONSIDERAÇÕES SOBRE A VIDA VIVIDA OU DESCONSIDERAÇÕES SOBRE A VIDA ESCRITA
QUARTA-FEIRA, JANEIRO 28, 2009

Estive passeando pelo orkut procurando certas informações durante o auge do conflito de Israel com Gaza e achei uma interessante cara de um palestino. A primeira coisa que fiz ao ler a carta foi procurar seu nome no Google. Assim percebi que vários sites diferentes a tinham publicado também, sem ser o Orkut. Mas intrigado com a veracidade da carta eu resolvi escrever um email para o Achmed. E ele respondeu. Segue abaixo primeiro o meu email e sua resposta, depois segue a sua carta.

***

de Leandro Diniz 
para achmedassef@gmail.com
data 24 de janeiro de 2009 21:13
assunto sobre carta que está no orkut.
enviado por gmail.com


Caro Achmed Assef,

Gostaria de me informar sobre a autoria de uma carta que está sendo veiculada a você no orkut nesse enderço http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=1514428&tid=5291848365276868866&start=1

Hoje em dia muita coisa falsa e montada aparece pela internet e não temos como comprovar nada. Mas como a carta seguia com seu email ao final, gostaria de saber se é tua mesmo.

Grato desde já,

leandroDiniz

--

de Achmed Moussaf Assef 
para Leandro Diniz 
data 28 de janeiro de 2009 03:08
assunto Re: sobre carta que está no orkut.
enviado por gmail.com


Querido Leandro

Sim a carta eh minha mas nao sei como foi parar no orkut pois nao tenho conta la.

Agradeco por divulgar e muito obrigado por tudo

salam

Achmed


2009/1/24, Leandro Diniz :

- Mostrar texto das mensagens anteriores -

***

Amigos,

Meu nome é Achmed Assef, sou palestino e vivo no Brasil atualmente.

Desde que iniciou novamente os conflitos no Oriente Médio, não se fala em outra coisa a não ser nesta guerra infeliz que tanto vem fazendo vitimas dos dois lados.

Nasci na Palestina, um pais que ainda não existe oficialmente e quando a situação ficou insustentável para minha família, tivemos o feliz e sagrado convite de um amigo de meus pais a virmos ao Brasil, e desde meus 5 anos de idade, moro neste lindo pais acolhedor.

Quando digo que a situação na Palestina ficou insustentável, não estou me referindo aos inúmeros conflitos com o exercito de Israel ou os religiosos judeus que mantinham suas casas lindas em território palestino, e que hoje essas mesmas casas foram tomadas a força pelos terroristas, mas sim de uma insustentabilidade provocada pelos próprios "governantes" palestinos em todos esses anos.

Para quem está no Brasil ou qualquer outro lugar do mundo, na segurança de seu lar e de sua vizinhança não vai conseguir imaginar nunca o que é viver em Gaza. Somente de lembrar minha breve infância nas cidades em que vivi, me da aperto no coração e vontade de chorar, porem, ninguém que esta no conforto de seus lares também recebendo milhares de informações, fotos e noticias do atual conflito pode imaginar também o que é sentir-se traído por aqueles que se intitulam lideres palestinos.

Os lideres palestinos nunca quiseram um Estado. E eu posso falar isso em alto e bom tom, porque é uma verdade. Se quisesse teriam criado antes de 1948, quando ainda não existia o Estado de Israel, se quisessem o teriam feito em 48 também quando a ONU decidiu pela criação de dois Estados, mas nossos grandes Líderes preferiram incitar o povo a violência de lutar contra os judeus do local ao invés de fazer lobby por um Estado palestino viável.

Não quiseram também os lideres palestinos quando os territórios, chamados "ocupados por Israel" e que hoje estão em sua grande maioria em nosso domínio, criar um Estado palestino.

O que dizer então da mais recente escalada de violência, quando ocorreu a segunda intifada causada pelo grande líder Arafat que em 2000 rejeitou o melhor acordo de paz de todos os tempos propostos pelo premie israelense Ehud Barak e mais uma vez incitou o povo palestino a violência e a brutalidade através de homens-bomba, enquanto a família do Sr. Arafat vivia com regalias, mordomias e riquezas em Paris, tudo fruto de doações dignas estrangeiras mas que nunca chegaram ao povo sofrido da Palestina.

Ao invés de comprar comida, água, remédios e oferecer uma vida digna e boa ao povo palestino, nossos lideres preferiram o caminho da violência, da brutalidade e da estupidez de promover o ódio e a discriminação contra o povo judeu, que se não são anjos, também não são demônios como pregam nossos lideres.

As mesmas crianças que hoje morrem inocentemente no colo de suas mães, são as mesmas que recebem a criação e educação militar desde cedo a odiar Israel e o povo judeu, sabendo atirar com armas pesadas com menos de 5 anos de idade e ainda recebem a lavagem cerebral de se tornarem mártires explodindo-se para causar ainda mais vitimas do outro lado.

Os lideres palestinos não possuem nenhum sentimento humanitário como se espera para uma população cansada e calejada de sofrimento. Pois se tivessem, não mandariam para o suicídio seus parentes e suas crianças, enquanto esses covardes assassinos escondem-se em outros paises ou ate mesmo utilizando escudos humanos dentro da população civil, como vemos hoje na faixa de Gaza.

O Hamas, que há muito tempo vem promovendo barbáries dentro e fora de Gaza, desde que em seu único ato inteligente na historia, transformou-se em partido político somente para dar legitimidade ao seu terrorismo praticado diariamente nas ruas de Gaza, matou, perseguiu, torturou e aniquilou todos os "inimigos" do Fatah, o partido moderado que hoje é representado pelo incapaz Mahmoud Abbas.

Senhores, como pode um grupo terrorista, dizendo-se líder do povo palestino matar nossos irmãos?

Como entender que eles não estão defendendo nosso povo, mas sim seus próprios ideais que não refletem a opinião da maioria desse meu povo palestino? Matar palestinos somente porque não concordam com seus atos e idéias é arcaico e acima de tudo terrorista. Sobrou a Cisjordânia para o Fatah e que se não tomarem cuidado, servira de base para mais atos de violência dos terroristas do Hamas.

Vocês podem argumentar que os terroristas do Hamas praticam atos sociais e de solidariedade, mas não acreditem em tudo que vêem na mídia e muito menos em tudo que ouvem. Para que vocês consigam compreender, faço uma analogia com os traficantes no Rio de Janeiro, pois é legitimo o que eles fazem? Aliciar crianças inocentes para o trafico de drogas, colocando armas pesadas em suas mãos? Acredito que não, mesmo que os traficantes promovam atos sociais e atos solidários com os moradores dos morros onde estão alojados. Continuam desrespeitando o direito de crianças crescerem com educação saudável e não para a guerra, como os terroristas do Hamas fazem hoje.

Amigos brasileiros que tanto respeito e tanto quero bem, faço um apelo como palestino, como muçulmano, mas acima de tudo como um ser humano que não agüenta mais ver a ignorância e a falta de conhecimento por parte de muitas pessoas neste lindo Brasil:

Parem de atacar Israel, parem de atacar os judeus e também parem de achar que o povo palestino é somente de terroristas. Há muita gente boa, inocente e que não quer mais conflitos com os israelenses e não os odeiam, assim como não odeiam os americanos.

Muita gente la, incluindo minha família está cansada de tanta dor e sofrimento e sabemos que devemos ter uma convivência pacifica com Israel, afinal, é de Israel que vem nossa água, nossa comida, nosso trabalho e nosso dinheiro.

Israel inclusive nos oferece ajuda militar sabiam?

Quando houve acordo com a Autoridade Palestina no governo de Arafat, a policia de Israel treinou muitos de nossos homens que não queriam envolvimento com o conflito para que pudessem trabalhar na ordem de nossas cidades. Israel ofereceu treinamento para seus supostos inimigos, inclusive com armamento para que tivéssemos nossa própria segurança.

Terroristas que tentaram e não conseguiram se explodir nas cidades de Israel, receberam atendimento medico nos hospitais israelenses!! E muitas das escolas em Israel promovem a educação igualitária com alunos palestinos e judeus, convivendo em perfeita harmonia e recebendo educação sadia e de respeito ao próximo. Diferentemente do que acontece em Gaza, por exemplo.

Se nossos lideres não fossem tão burros e estúpidos, nosso povo sofrido não teria mais o que reclamar, pois em Israel estão as maiores oportunidades para um palestino que vive em gaza ou Cisjordânia e quem tem um mínimo de inteligência la sabe que não vai conseguir nunca varrer Israel do mapa ou exterminar todos os judeus, como apregoam certos lideres maníacos do nosso lado.

Quanto ganharíamos se estivéssemos do lado de Israel e dos judeus? Por que aqui no Brasil a convivência entre os dois povos sempre foi motivo de orgulho e quando estamos em sociedade ganhamos em tudo?

Meu tio recebeu visto de trabalho em Israel. Todos os dias levantava cedo e ia trabalhar em Israel e voltava de noite para sua casa em Gaza. Quando o Hamas tomou o poder à força e iniciou seus diários ataques as cidades israelenses, meu tio perdeu o emprego e a fronteira foi fechada. A culpa é de Israel? Do meu tio que nunca odiou os judeus? Não, a culpa é dos terroristas do Hamas. Meu tio hoje continua não odiando os israelenses nem os judeus. Vive na Síria, onde a situação não é das melhores, mas la não ha. grupos terroristas como o Hamas ou o Hezballah que somente acabam com a vida dos cidadãos de bem.

O povo palestino foi expulso de diversos paises chamados "amigos dos palestinos", incluindo Jordânia, Líbano, Síria e Líbia.

O Egito fecha sua fronteira com Gaza porque não nos querem por la, inclusive no tratado de paz com Israel, na devolução do Sinai ao Egito, foi oferecido por Israel devolver Gaza também e os egípcios não quiseram porque chamaram de terra sem lei e o pior lugar do mundo para se viver.

Por que paises fortes e com um território gigantesco como Arábia Saudita, Jordânia, Irã e outros não tão grandes, mas muito ricos, como Kweit, Emirados Árabes ou Catar não nos recebem de braços abertos? Preferem somente financiar atentados terroristas e mandar todo seu dinheiro para lideres palestinos terroristas e que não pensam no bem estar da população, mas somente em enriquecimento próprio e incentivo ao ódio e intolerância?

Por isso, meus amigos, escrevo esta mensagem. Sei que esta carta não vai fazer nenhum dos dois lados pararem com o atual conflito e muito menos mudar o pensamento dos lideres que hoje determinam o rumo do meu povo palestino, mas se servir para fazer o povo brasileiro pensar nisso e entender que não precisamos importar um conflito que não serve pra nada aqui e também para que todos vocês realmente entendam quem são os principais responsáveis pela matança generalizada que ocorre atualmente em Gaza, fico feliz.

Israel não é culpado, esta se defendendo dos irresponsáveis lideres terroristas palestinos que diariamente ataca nosso vizinho com seus nada caseiros foguetes para depois se esconderem atrás de mulheres e crianças, colocando toda a culpa nos israelenses, enquanto esses terroristas que infelizmente também são palestinos covardemente se escondem em áreas altamente populosas para causar ainda mais mortes e ganharem fotos sensacionalistas nos jornais do mundo todo.

O povo palestino também não é culpado, o povo palestino, tirando esses terroristas que são minoria quer a paz, quer o convívio pacifico com Israel e com os judeus.

Quer uma vida digna e viver em seu território chamando-o de lar, sem precisar fugir para qualquer outro país maravilhoso como o Brasil como eu fiz, pois a Palestina é o melhor lugar para viver um palestino.

Pensem nisso antes de escolher algum lado no conflito, mas acima de tudo, escolham o lado da paz, da tolerância e do respeito com quem quer que seja.

Grato,

Achmed Assef
achmedassef@gmail.com 

Obama admite erros em nomeações para o gabinete

MSN NOTÍCIAS

Olhem que equipe de salafrários o Lula americano quer(ia) perto de si. Alguma diferença do nosso? Nem mesmo no discurso "... eu sou O ético...", não é mesmo? É o HOMEM MASSA no poder. 

Cliquem aqui pois a BBC não me deixa copiar e colar a matéria.

Como se as Coisas Não Estivessem Suficientemente Ruins, Professor Russo Prevê o Fim dos Estados Unidos da América.

TRADUÇÕES ESSENCIAIS
Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

por Andrew Osborn [1]
19 de Dezembro de 2008, Wall Street Journal [2]


Moscou - Por uma década, o acadêmico russo Igor Panarin [3] tem previsto que os EUA vão se esfacelar em 2010. Durante quase esse tempo todo, ele admite, poucos levaram seu argumento - que um colapso econômico e moral vai desencadear uma guerra civil e eventual destruição dos EUA - a sério. Agora ele encontrou uma forte audiência: a mídia estatal russa.

Nas últimas semanas, ele tem sido entrevistado quase duas vezes por dia sobre sua previsão. "É um recorde," diz o professor Panarin. "Mas eu acho que a atenção vai crescer cada vez mais."

Professor Panarin, 50 anos de idade, não é uma figura desconhecida. Um ex-analista da KGB, ele é reitor da Academia do Ministério russo dos Negócios Estrangeiros para futuros diplomatas. Ele é convidado para recepções no Kremlin, palestra para estudantes, publica livros, e aparece na mídia como um perito em relações entre Rússia e EUA.

Mas é sua previsão sinistra para os EUA que é música para os ouvidos do Kremlin, que nos últimos anos tem culpado Washington por tudo, desde a instabilidade no Oriente Médio até a crise financeira mundial. A visão de Panarin também encaixa perfeitamente com a narrativa do Kremlin que a Rússia está retornando ao seu correto lugar no cenário mundial depois das trevas da década de 1990, quando muitos temeram na quebra do país economica e politicamente e sua posterior divisão em vários territórios.

Um homem educado e agradável com corte de cabelo militar (curto), Sr. Panarin insiste que ele não desgosta dos americanos. Mas ele alerta que a previsão para eles é tenebrosa. 

"Existe hoje uma chance de 45-55% que a desintegração ocorrerá," ele diz. "Alguém poderia regozijar com esse processo," ele adiciona, indiferente. "Mas se estamos falando razoavelmente, não é o melhor cenário - para a Rússia." Mesmo que a Rússia se tornasse poderosa no nível mundial, ele diz, sua economia sofreria, pois ela depende fortemente hoje em dia do dólar e das transações com os EUA.

O Sr. Panarin apresenta, resumindo, que a imigração em massa, o declínio econômico, e a degradação moral vai desencadear uma guerra civil no próximo outono e o colapso do dólar. Mais ou menos em fins de Junho de 2010, ou no início de Julho, ele diz, os EUA irão partir-se em seis pedaços - com o controle do Alasca vindo para a Rússia.

Além da crescente cobertura da mídia estatal, que é fortemente controlado pelo Kremlin, as idéias de Panarin estão agora sendo amplamente discutidas entre os especialistas locais. Ele apresentou sua teoria em uma recente mesa redonda em uma discussão no Ministério do Exterior. A melhor escola de relações esteriores do país o apresentou como palestrante principal. Durante uma aparição no canal de tevê estatal Rossiya, a estação alternava entre seus comentários e filmagens de filas em restaurantes populares e massas de mendigos nos EUA. O professor também tem sido exibido no canal de propaganda de língua americana do Kremlin, "Russian Today".

A visão apocalíptica de Panarin "reflete um alto nível de anti-Americanismo na Rússia atual." diz Vladimir Pozner, um eminente jornalista de televisão na Rússia. "É muito maior do que era na União Soviética."

Pozner e outros comentadores e especialistas sobre os EUA desacreditam as previsões de Panarin. "Idéias malucas não são geralmente discutidas por pessoas sérias," diz Sergei Rogov, diretor do "Institute for U.S. and Canadian Studies"(Instituto para estudos sobre os EUA e Canadá) gerido pelo governo, que pensa que as teorias de Panarin não se sustentam.

O currículo de Panarin inclui muitos anos de experiência na KGB soviética, uma experiência compartilhada por outros altos oficiais russos. Seu escritório, no centro de Moscou, mostra seu orgulho patriótico, com bandeiras na parede sustentando o emblema da FSB, a agência sucessora da KGB. Também está cheio de estátuas de águias; uma águia com cabeça dupla era o símbolo da Rússia Czarista.

O professor diz que ele iniciou sua carreira na KGB em 1976. Na Rússia pós-Soviética, ele ganhou um doutorado em ciência política, estudou economia americana, e trabalhou para a FAPSI (Federal Agency of Government Communications and Information) (Agência Federal de Informação e Comunicação Governamental), então a equivalente russa da "Nationa Security Agency" (NSA) americana. Ele diz que fazia previsões estratégicas para o então presidente Boris Yeltsin, adicionando que os detalhes são "secretos."

Em Setembro de 1998, ele compareceu a uma conferência em Linz, Aústria, voltada para informações militares, o uso de dados para ter vantagem sobre o inimigo. Foi lá, em frente a 400 delegados membros, que ele apresentou pela primeira vez sua teoria sobre o colapso dos EUA em 2010.

"Quando eu apertei o botão no meu computador e o mapa dos EUA desintegrou, centenas de pessoas ficaram estupefatas," ele relembra. Ele disse que a maioria da audiência era cética. "Eles não acreditaram em mim."

Ao final da minha apresentação, ele diz que muitos delegados pediram para que ele autografasse cópias do mapa mostrando os EUA desmembrado.

Ele baseou sua previsão em material secreto fornecido para ele pelos analistas da FAPSI, ele diz. Ele prediz que tendências econômicas, financeiras e demográficas vão provocar uma crise social e política nos EUA. Quando a coisa ficar realmente feita, ele diz, os Estados mais ricos vão retirar seus fundos do governo federal e efetivamente romper com a união. Agitação social e até uma guerra civil vai vir. Os EUA então vão se separar entre linhas étnicas, e governos estrangeiros vão invadir. 

A California formará um núcleo do que ele chama "A República da Califórnia," e será parte da China ou sobre influência chinesa. Texas será o coração da "República do Texas," um grupo de estados que ou vão cair sobre domínio mexicano ou cairão sofre influência do México. Washington D.C., e Nova York serão parte da "América Atlântica" que pode vir a se unir com a União Européia. Canada pegará um grupo dos estados do nordeste que Panarin chama de "A República Central Norte-Americana." Havaí, ele sugere, será um protetorado do Japão ou da China, e o Alaska vai ser englobado pela Rússia.

"Seria razoável para a Rússia ficar com o Alasca; ele foi parte do Império Russo por um longo tempo." Uma imagem de satélite enquadrando o Estreito de Bering que separa o Alasca da Rússia como um fio está pendurado na parede de seu escritório. "Não está aí sem razão," ele diz com um sorriso cínico. 

O interesse em sua previsão reacendeu nesse outono quando ele publicou um artigo na Izvestia, um dos maiores jornais diários nacionais da Rússia. Nele, ele reiterou sua teoria, chamando a dívida externa americana "um esquema em pirâmide," e previu que a China e a Rússia usurparão o papel de Washington como um regulador financeiro global.

Os americanos esperam que o presidente eleito Barack Obama "pode fazer milagres," ele escreveu. "Mas quando a primavera vir, estará claro que não haverá milagres."

O artigo trouxe uma questão sobre sobre a reação da Casa Branca sobre a previsão de Panarin veiculado na conferência de notícias de Dezembro. "Eu terei que recusar a comentar," a porta-voz Dana Perino disse entre muitos risos.

Para o Professor Panarin, a resposta da Sra. Perino foi insignificante. "A forma que a resposta foi dada é uma indicação de que minha visão está sendo ouvida muito atentamente," ele diz.

O professor diz que está convencido que as pessoas estão levando sua teoria mais à sério. Pessoas como ele previram cataclismas similares antes, ele diz, e estavam certas. Ele cita o cientista político francês Emmanuel Todd. O Sr. Todd é famoso por ter previsto acertadamente a queda da União Soviética - com 15 anos de antecedência. "Quando ele previu o colapso da União Soviética em 1976, as pessoas riram dele," diz o professor Panarin.

FETO CONSUMADO

FAROL DA DEMOCRACIA REPRESENTATIVA

Raphael De Paola
Doutor em Fisica, Educador, Fundador do FDR

Exemplar a matéria de capa da Veja da semana passada, 28 de janeiro, intitulada “Aborto: a realidade dos consultórios”, por uma Adriana Dias Lopes. Exemplar pela baixeza das analogias e pela escolha dos termos usados, parcial ao extremo em uns casos, e totalmente falsa em outros. E também por usar a mera constatação do fato de que há médicos realizando impunemente o aborto, que era para ser o núcleo da reportagem e é a mensagem passada pelo título, como premissa camuflada para fortalecer a tese abortista na discussão mais geral sobre a licitude do aborto. Exemplar ainda pela lógica absurda, cuja conclusão, ademais, induz médicos e mães a um comportamento irresponsável que é, de fato, criminoso no nosso país. E finalmente a reportagem se destaca por mostrar como se encaixam a mídia em particular, e a intelectualidade ativista em geral, na estrutura de poder do mundo de hoje. Em suma, uma reportagem que representa genuinamente a postura dos órgãos de mídia nacionais. Analisemos ponto por ponto.

Comecemos pelas analogias. A reportagem começa pela alusão a um “mundo ideal” – juro, o termo é da Adriana - no qual os métodos anticoncepcionais fossem baratíssimos e 100% eficazes. Em tão sublime paraíso o número de abortos poderia ser praticamente zerado. Mas como Deus não é tão bom quanto a jornalista, no mundo em que vivemos o aborto se torna um mal necessário. Sendo uma alma assim tão caridosa, Adriana não dá o braço a torcer à malvada realidade e quer impor sua bondade: só tolera o aborto se for reduzido ao mínimo possível. E como verdadeiro oráculo, revela a fórmula para nos aproximarmos do lindo “ideal adriático”: adaptar para o caso a “filosofia da redução de danos” adotada em muitos países para o problema das drogas. Isso mesmo, das drogas. 

É claro que “redução de danos”, quando transposta da questão das drogas para o presente assunto, é apenas um eufemismo para designar o aborto, como a própria reportagem deixa claro. A adaptação para o caso do aborto da divina solução de “redução de danos” baseia-se, portanto, na analogia entre os seguintes termos: quem tem o problema: num caso é o drogado, e no outro a “mulher” (o artigo não usa uma única vez o termo “mãe”); e o problema propriamente dito: num caso é a droga, e no outro o feto. How beautiful is that? 

Quanto à escolha dos termos empregados pela revista, todos favorecem a tese abortista. Ao final do terceiro parágrafo, a reportagem faz referência à “...chamada ‘pílula do dia seguinte’ – que contém uma substância capaz de impedir a fixação do óvulo no útero...”. Para começar, não é simplesmente “óvulo”, mas um óvulo já fecundado, o que faz toda a diferença para um debate que versa sobre o aborto e não sobre a menstruação. Ademais, não é que a pílula “impeça a fixação” no útero, mas, através de contrações uterinas provocadas pelo medicamento, trata-se de fato da expulsão do feto, mesmo que já esteja fixado, o que ocorre na maioria das vezes. E por último, um termo que a jornalista não inventa, mas usa com gosto: a pílula não é do “dia seguinte”, mas da semana seguinte, do mês seguinte ou dos meses seguintes, podendo ser usada ao longo de largo período de tempo, como a própria reportagem atesta ao exibir uma mulher que a usou dois meses após o início da gravidez. Afinal, a reportagem não trata de situações onde mulheres tenham feito sexo ontem e tomado a pílula hoje, mas sim de casos em que um médico é consultado sobre o assunto, o que, na quase totalidade dos casos, não se dará no dia seguinte. 
Passemos agora à análise lógica da reportagem, que se prenderá a dois pontos específicos: uma tese explicitamente afirmada pela revista, e uma outra que está implícita no enfoque da reportagem como um todo, mas que constitui a conclusão geral e é a que tem peso persuasivo determinante.

Sobre o primeiro ponto, a revista afirma categoricamente: “A adoção da redução de danos por um número maior de médicos poderia derrubar ainda mais essa curva [refere-se ao “número de abortos clandestinos no Brasil”] nos próximos anos.” E ao explicar em que consiste a tal “redução de danos”, a jornalista relata: “Tal conduta prevê basicamente a adoção de duas medidas. O médico indica à sua paciente uma clínica clandestina onde ela pode fazer o aborto ou ele mesmo a orienta sobre como usar as pílulas abortivas.” Pegaram a lógica da revista Veja? A adoção em massa de abortos clandestinos reduziria maciçamente o número de abortos clandestinos. Uma argumentação digna de escolinha do MST, mas ninguém deve se surpreender que corações assim tão bondosos possuam inteligências iluminadas também.
Passemos à tese implícita. A reportagem poderia se restringir a narrar os acontecimentos, o que de fato é sugerido pelo título, mas Veja faz mais: não só encampa a tese pró-aborto, o que por si só seria lícito, mas ainda incorre em indução à prática do aborto, o que constitui crime. A argumentação implícita parte de duas premissas e leva a uma conclusão. As premissas:

1) Religiosos nem cientistas têm a menor idéia de qual seja o preciso milésimo de segundo em que começa uma vida humana.

2) Médicos renomados e corajosos (seriam anjos?) têm tomado a despojada atitude de “orientar” pacientes sobre as técnicas abortistas, e nisso consiste a tal “redução de danos”. (Por suposto que nunca lucraram nada com as “orientações”. Tampouco podiam prever que, tendo seus nomes publicados na revista, seus dadivosos serviços passariam a ser mais requisitados. E como vêm a calhar as menções na matéria ao medicamento abortivo proibido e à ONG holandesa que lhe dá acesso fácil! Todos interessados, é claro, Veja inclusive, somente na causa humanitária.)

A conclusão a que induz o artigo é que o aborto pode – e até deve, segundo dois médicos entrevistados - ser praticado com orientação profissional se a mulher assim já decidiu. (Pouco importa que essa conclusão dos médicos abortistas não seja encampada explicitamente pela revista, porque o poder persuasivo da argumentação sai ainda mais fortalecido quando obriga o leitor a tirar a conclusão óbvia que se segue de tais premissas, deixando-o com a impressão de que quem está pensando é ele, e que a revista é apenas tendenciosa sem desempenhar, no entanto, nenhum papel ativo. Um truque mais psicológico do que retórico, e por isso mesmo de maior eficácia.) A reportagem induz o leitor a pensar assim: se nem os maiores especialistas têm a questão por resolvida, e se declarações tão sensacionais podem ser publicadas numa revista de circulação nacional, dando nome, endereço e telefone, que importa a lei se alguém tomar uma decisão que a afronte? A argumentação leva em conta somente os casos em que a mulher já decidiu, mas é cristalino como água que a própria reportagem, depois de publicada e lida, poderá ser um fator em futuras decisões. E fica claro qual das opções, o sim ou o não ao aborto, é favorecida pela reportagem.

Indução premeditada ao crime é crime, incorrendo nele não somente os médicos-anjos mas a própria revista-oráculo, bastando para tanto que alguma mulher demonstre que a leitura do artigo tenha sido causa preponderante para a consecução de um aborto, ou que um médico ainda reticente quanto ao uso de tal prática declare-se influenciado de modo decisivo pela reportagem. A premeditação por parte da revista decorre do uso implícito do ponto (2) como premissa, que nada mais é do que uma constatação de fato consumado. Ora, a constatação de um fato consumado nunca pode servir como base para a discussão sobre se o fato mesmo deve ou não ser permitido por lei ou ser aceito moralmente. Caso contrário, por que considerar crime qualquer crime que seja, já que são praticados mesmo?

Quanto aos médicos abortistas da reportagem, um deles dá o seguinte depoimento: “Essa polêmica é infrutífera, pois o aborto sempre existirá, independentemente de qualquer conclusão científica, dogma religioso ou convicção ética. O aborto é acima de tudo uma questão de foro íntimo, uma decisão exclusivamente pessoal da mulher”. Sua argumentação vai ainda mais longe que a da revista, porque para ele pouco importa que se chegue a alguma conclusão sobre o assunto da premissa (1). Ou seja, mesmo que religiosos e cientistas atinjam algum dia uma conclusão e os juristas tomem uma decisão com base nisso, para o diabo com a lei.

Todos os envolvidos confundem o fato consumado da decisão tomada pela mãe com o fato consumado do aborto já realizado, transformando, portanto, literalmente, um fato consumado num feto consumado.
Permitam uma analogia: suponha que psicólogos recebam em suas clínicas ou advogados em seus escritórios pessoas que, por causa de algum incômodo qualquer, já decidiram cometer um crime por uma questão de “foro íntimo”. Talvez Veja e esses médicos (sic) concordassem com a seguinte solução: o profissional não pode deixar a pessoa “sem assistência” nem “orientação” quanto aos métodos a serem adotados para a consecução do crime. Aguardemos uma matéria de Veja sobre esse novo assunto, com todas as melhores “orientações” a respeito.

Como último ponto, a influência da intelectualidade na sociedade. Após a descrição da panacéia da “redução de danos”, segue o texto da articulista: “Pela letra fria da lei brasileira, todo o procedimento narrado neste parágrafo pode ser descrito como criminoso [pelo menos a repórter ainda lembra que está no Brasil]. Ele seria visto com pecado ao juízo das convicções religiosas de muitas pessoas. O espantoso [grifo meu], nesse caso, é que, apesar das imposições legais e das restrições ético-religiosas, médicos e pacientes se sintam eticamente autorizados a discutir e a praticar procedimentos que levem ao aborto.” O sentido do que afirma a articulista (e, aliás, da quase totalidade do que produz a intelectualidade nacional) é o seguinte: ela se espanta que, numa sociedade onde a circulação de idéias fique restrita a pequenos grupos, presos a privilégios garantidos por antigos dogmas irracionais, comecem a surgir pessoas - não se sabe bem de onde vem esse impulso misterioso -, capazes de romper as amarras da sociedade castradora, como se isso brotasse de decisões individuais espontâneas dentro de corações imaculados que aos poucos vão descobrindo a verdade, contra tudo e contra todos. 

Pois não se espante, Adriana Dias Lopes. A fonte de tal comportamento “progressista” é perfeitamente identificável. Você é uma delas, esse seu artigo é uma delas, essa sua revista é uma delas, nossa mídia inteira é uma delas, nossas universidades também, assim como toda nossa intelectualidade, e é claro que você sabe disso. De alto a baixo reina a idéia-mestra da revolução: submeter o grande número de pessoas sem coesão a uma minoria compacta e vociferante. Mas como a tarefa de transformação revolucionária da sociedade, no sentido de contrariar suas convicções ponto por ponto, não pode ser feita abertamente, resta passar a impressão de que essa transformação vem de um processo invisível, como se brotasse do fundo mesmo da realidade cósmica. Ao esconder seu papel no processo revolucionário, a intelectualidade transfere para o grande público a responsabilidade das transformações. É o ladrão gritando “pega ladrão!”. 

E a arma mais eficaz usada pela intelectualidade ativista é justamente a da reportagem de Veja: induzir e fomentar o fato consumado, usando-o para fazer valer de direito o que já vale de fato. Não podem se ater nunca à simples apresentação de suas idéias, as quais, em sua totalidade, são revoltantes, mas cuja discussão em si mesma é legítima. Não. A par disso, e para dar mais força à causa esquerdista, é preciso ainda produzir em larga escala o fato consumado, claro que atribuindo retroativamente este à hipocrisia da sociedade, nunca às suas belas ações. Veja não se limita a tomar o lado da causa abortista, o que seria por si só lícito. Veja incorre em sugestão de crime de aborto.

Para finalizar, digno de menção muitíssimo positiva na reportagem só mesmo o Dr. Yaron Hameiry, que acerta em cheio no núcleo da reportagem. Comentando sobre a abordagem de “redução de risco”, diz ele: “Fazer isso é o mesmo que praticar o aborto.” Parabéns, e permita-me chamá-lo de senhor Hameiry e não pelo título profissional, nesse momento de vergonha para a medicina brasileira, em que companheiros seus de profissão exibem como um valor sua feiúra moral ante a lei aos quatro cantos do país. Somente, acrescento eu à sua fala: publicar esta reportagem, é muito mais que praticar o aborto, é praticar um número indefinido de abortos.

Idolatria, corrupção espiritual e covardia

Idolatria é cometida, não somente pela instituição de falsos deuses, mas também, pela instituição de falsos demônios; fazendo os homens temerem a guerra e o álcool, ou a lei econômica, quando eles devem temer a corrupção espiritual e a covardia. 

G.K.Chesterton

AS MASSAS E O ESTADO

AS MASSAS E O ESTADO

José Nivaldo Gomes Cordeiro


Apresentação no Instituto Cervantes

Colóquio sobre Ortega y Gasset

12 de novembro 2008

 

Minhas Senhoras e meus Senhores,

 

Quero cumprimentar os organizadores desse evento e, ao fazê-lo, a todos os presentes. É uma honra para mim estar aqui nesta Casa dedicada ao grande Miguel de Cervantes, para falar da obra de um outro grande espanhol, José Ortega y Gasset. Meu tema não poderia ser outro, eu que dediquei  grande parte de minha atividade intelectual dos últimos tempos a estudar a obra de Ortega: o homem-massa e sua relação com o Estado na obra do filósofo celtibero. É o que pretendo comentar aqui.

 

No conjunto da obra de Ortega certamente esse tema é o mais difundido e é o maior triunfo científico de sua sociologia. Diante da sua filosofia não é o tema principal, todavia. O filósofo foi cirúrgico na sua análise e nas suas previsões nelas fundadas, daí ter encantado gerações de admiradores. Ao chamar a atenção do mundo para esse fenômeno – a emergência do homem-massa – Ortega o fez como um desesperado, que tinha em mira a sua querida Espanha, que via como invertebrada, isenta de homens egrégios. É na obra ESPANHA INVERTEBRADA, do início dos anos vinte, que poderemos enxergar por inteiro o que ele olhou e pensou. E previu com muita acuidade. O famoso REBELIÃO DAS MASSAS virá depois como um refinamento dessa sua obsessão com a vida de Espanha, seu discurso para os não espanhóis.

 

E por que me interessei pelo tema? Tomo aqui as palavras do próprio Ortega, escritas em 1934 no prólogo à quarta edição do ESPANHA INVERTEBRADA: “Alguém em pleno deserto se sente enfermo, desesperadamente enfermo. O que fará?”  A imagem é primorosa, é como eu me sinto nesses tempos tormentosos. Por me sentir assim é que eu venho aqui falar a vocês. A minha alma sente o duplo efeito: a ameaça dos perigos dos tempos e a insuficiência de conhecimento alegada por Ortega, socraticamente, ele que era um grande mestre. Com mais rigor e propriedade faço minhas as suas palavras e lamento a minha própria ignorância.

 

O mundo hoje padece de crises e incertezas da maior envergadura, semelhantes àquelas vividas por Ortega no período em que escreveu o ESPANHA INVERTEBRADA e o A REBELIÃO DAS MASSAS. Novamente tempos de grandes perigos. “A história está novamente em movimento”, para usar a bela frase profética de Arnold Toynbee. Isso nos deveria fazer quedar, sem ter o que fazer diante do inevitável? De forma alguma. No mínimo, temos que imitar o filósofo e falar nem que seja às estátuas, como o fez em Paris. Ou às almas bondosas que aqui estão. Falar é sempre um grande remédio para a alma desesperada.

 

Por isso a atualidade de suas reflexões. Quero aqui me debruçar sobre três conceitos: homem-massa, Estado e o poder, ou seja, “quem manda no mundo”. Creio que estão contidas nessas expressões as preocupações do filósofo e a investigação para compreender esses três temas é que lhe deu as chaves para a compreensão da dinâmica política atual.

 

Não posso aqui deixar de me referir à recente eleição de Barack Obama para a Presidência dos Estados Unidos. Em tudo e por tudo sua eleição está carregada de significados. Quem ouviu o primeiro discurso do presidente eleito em Chicago, diante da multidão prostrada, não pôde deixar de se admirar e de se apavorar. “Change, gritavam. E também: “Yes, we can”. Estamos aqui novamente diante de um líder de multidão que é ele mesmo a expressão do homem-massa tornado chefe de Estado. Sua característica principal, quando comparado com lideranças genuínas, é que chefes como Obama não lideram a multidão, são por elas liderados. Daí porque essas palavras-força hipnotizam e apavoram.

 

Obama só tem a oferecer às massas o poder de Estado posto a serviço de seus apetites e estes não são banais, são impossíveis de ser atendidos: suprimir a lei da escassez, eliminar a crise econômica por medida legislativa e unilateralmente impor a paz quando a guerra se faz necessária. E, a fracassar a paz, como no passado, fazer a guerra pela guerra, no ativismo bélico motivado por razões econômicas e ideológicas, e não pelos nobres e racionais motivos geopolíticos.

 

Em resumo, Obama é o exemplo mais completo e acabado de chefe de multidões erguido aos ombros pelos homens-massas desde que Hitler foi eleito, em 1933. Vimos como acabou aquela experiência histórica. Temos que decifrar o enigma atual e buscar o sentido das imorredouras palavras de Sófocles, na peça ÉDIPO REI:

 

Naufraga a polis – pode conferi-lo -;

a cabeça já não é capaz de erguê-la

por sobre o rubro vórtice salino:

morre no solo – cálices de frutas;

morre no gado, morre na agonia

do aborto”.

 

Eu não encontraria palavras mais poéticas e mais trágicas para descrever o teor da grave crise econômica mundial instalada e a carência de um governante sensato na condução do Estado, em período tão critico. A ideologia por excelência dos homens-massa é o socialismo. E a causa da crise são as medidas socialistas tomadas no passado. E, quanto mais a crise se agrava, mais medidas socialistas são pedidas pela multidão ao governante, que é seu espelho. A causaçãocircular gera uma espiral política infernal que há um século redundou na pira em que queimou o mundo e os homens na estupidez da guerra e na busca desesperada da solução existencial – a perfeição em vida – pela ação burocrática do Estado. O apogeu dessa loucura foram os fornos crematórios e a bomba atômica, de triste memória.

 

O que viu Ortega? O surgimento das multidões urbanas, átomos individualizados que herdaram o melhor da tradição ocidental, mas quais filhos pródigos de pais ricos, nada fizeram para dispor do que receberam. E entre os muitos bens herdados dois se destacam especialmente: a técnica, originada da filosofia e da ciência empírica, que deu às multidões luxos jamais imaginados pelos ricos de outrora; e o Estado, esse portento agigantado pelos modernos administradores, poder comprimido posto nas mãos desses filhos das massas, homens notavelmente despreparados para seu autogoverno.

 

A ausência dos “melhores”

 

A primeira grande desgraça que Ortega viu nos novos tempos foi o que ele chamou de “a ausência dos melhores”. Ortega entendia que há uma hierarquia natural, em que a minoria “egrégia”, em tempos sadios, é aceita como a liderança espontânea, cabendo às massas copiar-lhe o exemplo vital e obedecê-la. Quem é essa elite?

 

Ao ler a obra orteguiana fica sempre a pergunta impertinente. Seria o “nobre” assemelhado ao filósofo platônico? É possível que possamos ver aqui esse parentesco. No entanto, precisamos qualificar o sentido, pois essa minoria egrégia não deve ser confundida, para Ortega, com uma classe letrada ou de verniz sacerdotal, “filósofa”. Ortega repetidas vezes afirmou que é nobre aquele que dá mais de si, que se sacrifica, que supera as próprias restrições pessoais, pondo-se a serviço dos seus. É aquele que sabe das virtudes e as pratica. Não há, portanto, a idéia de uma aristocracia do conhecimento, mas do ser vital, que traz em si a história viva. Mesmo um homem simples pode ser um egrégio.

 

O homem nobre é o oposto do demagogo que vai à praça pública pregar facilidades para se tornar governante e que empresta sua oratória para dar voz aos vícios insaciáveis das massas.

 

Tampouco podemos falar de uma aristocracia de sangue. O filósofo desdenha dessa idéia e deixa claro que nobreza não pode ser transmitida geneticamente, como diríamos hoje. Nobreza de sangue é apenas uma caricatura jurídica da verdadeira nobreza, a repetição mecânica e um reconhecimento tardio do valor de um ser nobre que viveu no passado.

 

Então, o que é? Penso que para ele são aquelas pessoas que têm o sentido da história e da tradição. São aqueles que carregam o ônus das virtudes consagradas no Ocidente. São aqueles que fazem da história – mais das vezes a de tradição oral – o seu presente, fundando nela suas ações. Seu viver expressa essa atualidade do antigo. Fazem o dia a dia contemplando os milênios predecessores. Gente assim tinha ficado escassa no seu tempo, como escassa está atualmente. Os egrégios sumiram precisamente porque não há mais um passado vivo, mas a crença no presente eterno, que se perpetua.

 

Terá faltado a Ortega, por conta de seu agnosticismo, ligar esse “direito à continuidade” aos valores judaico-cristãos. Uma grande lacuna na sua produção teórica. A leitura atenta de sua obra, todavia, leva, de forma inescapável, a valorizar o cristianismo e colocá-lo, com o devido destaque, na coleção de requisitos para tornar alguém um ser egrégio. Tem sido, o cristianismo, o veículo pelo qual a atualidade histórica tem sido transmitida nos dois últimos milênios e não podemos deixar de creditar à Igreja Católica o mérito de reconhecer na filosofia clássica seu outro Testamento, conforme a análise lúcida do então jovem teólogo Joseph Ratzinger, no seu INTRODUÇÃO AO CRISTIANISMO, de 1967.

 

Essa consciência história é o impregnar-se com as virtudes da tradição, a temperança, o senso de justiça, a tolerância. Virtudes assim podem ser praticadas sem que haja a aquisição de cultura livresca, bastando que não seja quebrado o fio da tradição. Por isso que Ortega insistia que um dos direitos mais importantes da pessoa humana era o da “continuidade”, precisamente o de se ter um passado e de se viver o presente, construindo o futuro, sem perder de vista o legado precioso das gerações anteriores.

 

O império do Homem-massa

 

O homem-massa de Ortega é o oposto do ser egrégio como antes definido. É homogêneo, desprovido de passado. É o senhorito satisfeito. E reside aqui nessa constatação sua reprovação mais desabonadora: um ser sem passado é um ser sem história, recriado como que vindo do nada a cada geração. Junte-se a isso a confiança de quem domina as técnicas, capazes de grandes maravilhas, e aí teremos o personagem mais arrogante de todos os tempos.

 

O mundo que se apresenta a partir da segunda metade do século XIX é o das multidões, apinhadas nas grandes cidades. O impacto dessas aglomerações não pode ser minimizado. O ser individual perde a identidade, torna-se uma mônada indiferenciada, uma gota perdida em um oceano de gentes. Em oposição, agiganta-se o grande organizador dessas massas, o Estado, cujo papel muda radicalmente desde então, como veremos a seguir.

 

Ortega estava preocupado com a Espanha e a Europa, mas acabou por se tornar um profeta dos graves problemas do nosso tempo. Um escritor para o século XXI, para usar a expressão empregada por Vargas Llosa ao falar da obra de Cervantes. Ortega mesmo frisou que os problemas políticos seriam epidérmicos se a sociedade estivesse sadia, se seu corpo (as massas) e sua cabeça (a elite egrégia) estivessem interagindo como deve ser. Os fenômenos políticos, no entanto, podem ser elevados a alto grau de ameaça, a ponto de colocar a própria sobrevivência da humanidade em risco, se os tomadores de decisões de Estado foram meros representantes das massas insaciáveis. Os problemas políticos então deixam de ser epidérmicos e passam a ser o fator determinante para que a própria vida humana tenha continuidade. Os fornos crematórios de Hitler ainda não perderam de todo o calor, naquela loucura completa que foi o exercício do poder por um legítimo representante do homem-massa. Bombas atômicas estão prontas para uso em várias partes do planeta neste exato momento.

 

É nesse contexto que devemos tomar a célebre advertência de Ortega: “Eu sou eu e minha circunstância e se não a salvo, não salvo a mim mesmo”. Sábias e imorredouras palavras. Salvar as circunstâncias em política passou a ser um imperativo de nosso tempo. E salvar essas circunstância é resgatar o poder de Estado das mãos dos demagogos, dos chefes de multidão.

 

Os genocídios comunistas também não devem ser jamais esquecidos. O comunismo, assim como o nazismo, o fascismo e o progressismo, são expressões da política executada diretamente pelos homens-massa, que transformam rufiões oriundos da multidão em mandatários das nações. Homens sem passado e sem escrúpulos, que pregam facilidade e fazem a apologia de um futuro perfeito, em delirante fuga da realidade. Não são apenas crimes que esses homens praticaram, eles transformaram o Estado, de ferramenta para o bem-comum, na máquina de matar gente em larga escala. Talvez não haja na língua um vocábulo capaz de traduzir a hediondez do que estamos a ver.

 

O que é o Estado?

 

Podemos olhar o Estado de muitos ângulos e o que menos nos interessa aqui é vê-lo pela ótica jurídica. Alguém já disse que o Estado é uma ficção. Mas ficção não mata, mas a loucura, sim. O Estado é uma realidade ou uma ferramenta, como definiu Ortega y Gasset. Essa ferramenta é muito importante e sempre foi perigosa, porque o Estado é, antes de tudo, violência concentrada, capacidade de matar, de tributar, de prender, de sujeitar os indivíduos.

 

O Estado, quando conduzido por gente moralmente inferior, torna-se o grande algoz da humanidade. É isso que temos visto desde então. A própria guerra, cuja natureza nobre sempre foi cultuada pelo melhores, nos tempos hodiernos muda de caráter, passando de instrumento para a recuperação do equilíbrio político e da afirmação da segurança coletiva para  a ação de destruição pura e simples de comunidades diferentes. O homem-massa anseia pela homogeneidade. A guerra passou a matar à escala industrial apenas para satisfazer ideologias cegas, motivadas pela falsa capacidade que teria de aperfeiçoar a humanidade. A busca da igualdade irracional motiva muitos dos morticínios contemporâneos.

 

O Estado, enquanto ferramenta, nos tempos antigos permitiu ao homem criar uma ordem e, a partir dela, deixar frutificar os seus engenhos, a própria liberdade ela mesma. Sem o Estado não haveria como construir um espaço de liberdade, em que o homem em geral pudesse construir seu próprio destino. Ao contrário do que pensam aqueles de tendências anarquistas, a alternativa ao Estado não é haver mais liberdade, mas sim, o seu oposto, o caos, que é a escravidão da alma. Importa, pois, não substituir uma ilusão por outra, ou seja, o Estado gigante (ou Total, como costumo chamar), pela sua ausência, mas sim, domesticá-lo e trazê-lo para proporções humanas. Fazer novamente o criador dispor de sua criatura.

 

O Estado só pode ser benigno quando conduzido pela elite egrégia, que carrega a tradição e sabe da missão e das limitações do ente estatal. A elite sabedora de que o Estado precisa, necessariamente, ser “mínimo”, como defenderam os liberais clássicos. A maior das mentiras da modernidade foi recriar o antigo mito sofista da igualdade, sobrepondo-se à necessidade mais terrivelmente ameaçada de todos os tempos, a liberdade. O homem-massa, quando alçado ao poder – e até mesmo para ser alçado ao poder – quer tornar o Estado o instrumento para a implantação da igualdade. Esse terrível engano está na raiz dos monstruosos crimes cometidos pelos coletivistas de todos os calibres.

 

O resultado dessa visão errônea é a estatização progressiva e inexorável da vida cotidiana. Tudo passou a depender do ente estatal. A moeda é do Estado, os regulamentos se multiplicam, a vida espontânea tende ao desaparecimento. Os homens são “coisificados”, tratados com seres incapazes de uma vida adulta e responsável. É Estado-mamãe, que tudo provê, mas que não permite o menor desvio de seus regulamentos. Afinal, as leis são inexoráveis e quando se legisla sobre a banalidade da vida torna-se a própria vida uma prisão infame.

 

Uma crítica à democracia

 

Trago aqui aos senhores essas reflexões finais, tomando o quadro político que se apresenta aos nossos olhos. Acompanhamos agora as campanhas eleitorais no Brasil e no nos EUA. Pudemos ter uma clareza muito grande como a política pode ser perigosa, um nefasto exercício de auto-engano. O homem-massa eleitor é agora cortejado não para eleger os melhores partidos e as melhores pessoas para governar. Ele agora é chamado a escolher quem vai colocar “mais” e “melhor” o Estado a serviço de seus apetites, de suas idiossincrasias, de suas ilusões. “Change” e “Yes, we can” são mantras de mobilização de alto poder destrutivo, grávidos que estão de violência irracional.

 

Temos, pois, a resposta à terrível pergunta de Ortega: “Quem manda no mundo?” Os piores, os moralmente inferiores, os cegos, os potencialmente genocidas, são esses os que mandam no mundo. São os socialistas que mandam no mundo. Essa laia tem hoje nas mãos as rédeas do poder.

 

O discurso político de todo postulante aos votos parte do suposto da estupidez factual da maioria dos eleitores, que não compreende o Estado e nem os movimentos políticos, mas que julga ser seu “direito” ter todas as benesses que as classes políticas lhes prometem em troca do seu voto. É crença estabelecida que o Estado tem a obrigação de prover as necessidades básicas, do emprego à escola, da saúde à aposentadoria. Essa crença decreta o fim da democracia, que supõe o indivíduo capaz de prover-se a si mesmo, mesmo que os sistemas eleitorais formais permaneçam funcionando. Estamos a ver o suicídio do sistema democrático e nada lembra mais um Estado policial do que a forma assumida pelos Estados contemporâneos, em todos os lugares.

 

Vimos nesses exemplos precisamente o esgotamento da experiência da democracia de massas, em que o voto universal não está condicionado por uma estrutura partidária que respeite e proteja a continuidade dos valores da democracia liberal. Do jeito que as instituições estão organizadas, tanto aqui como nos EUA ou em qualquer lugar do mundo, a demagogia da igualdade ou – o que é a mesma coisa – a demagogia de que o Estado teria uma função beneficente (para usar a deliciosa expressão empregada por Ortega em texto de 1953) triunfou. Posso dizer que é o triunfo do totalitarismo, do Estado Total.

 

Qual será a alternativa, meus senhores e minhas senhoras? Eu não sei. Sei apenas que, ficando como está, a humanidade transformará o Estado de instrumento de libertação em instrumento de escravidão e morte. Tudo contra o que Ortega y Gasset desesperadamente lutou, conforme o testemunho de sua obra. Tudo contra o que todos nós devemos lutar.  Não podemos esquecer jamais que vivemos tempo de grandes perigos.

Benicio cocô de Toro sem resposta: CHE GUEVARA

QUE MARAVILHA!!! O escrotinho Del Toro SEM RESPOSTA frente as perguntas da repórter. Estão vendo MÍ"R"DIA NACIONAL, é assim que se faz entrevista, é assim que se expõe o verme,qualquer que seja ele. É tão patético, o escroto diz: "não sabia que ele era um assassino maldito do inferno...".

El actor Benicio del Toro se queda sin respuestas en entrevista ofrecida a Marlen Gonzalez de Noticias 41 por el reciente estreno de la controversial película Che

Por Americateve.com/ Noticias 41



Educação ao contrário


Diário do Comércio, 27 de janeiro de 2009

Clicando no Google a palavra “Educação” seguida da expressão “direito de todos”, encontrei 671 mil referências. Só de artigos acadêmicos a respeito, 5.120. “Educação inclusiva” dá 262 mil respostas. Experimente clicar agora “Educar-se é dever de cada um”: nenhum resultado. “Educar-se é dever de todos”: nenhum resultado. “Educar-se é dever do cidadão”: nenhum resultado.


Isso basta para explicar por que os estudantes brasileiros tiram sempre os últimos lugares nos testes internacionais. A idéia de que educar-se seja um dever jamais parece ter ocorrido às mentes iluminadas que orientam (ou desorientam) a formação (ou deformação) das mentes das nossas crianças.


Eis também a razão pela qual, quando meus filhos me perguntavam por que tinham de ir para a escola, eu só conseguia lhes responder que se não fizessem isso eu iria para a cadeia; que, portanto, deveriam submeter-se àquele ritual absurdo por amor ao seu velho pai. Jamais consegui encontrar outra justificativa. Também lhes recomendei que só se esforçassem o bastante para tirar as notas mínimas, sem perder mais tempo com aquela bobagem. Se quisessem adquirir cultura, que estudassem em casa, sob a minha orientação. Tenho oito filhos. Nenhum deles é inculto. Mas o mais erudito de todos, não por coincidência, é aquele que freqüentou escola por menos tempo.


A idéia de que a educação é um direito é uma das mais esquisitas que já passaram pela mente humana. É só a repetição obsessiva que lhe dá alguma credibilidade. Que é um direito, afinal? É uma obrigação que alguém tem para com você. Amputado da obrigação que impõe a um terceiro, o direito não tem substância nenhuma. É como dizer que as crianças têm direito à alimentação sem que ninguém tenha a obrigação de alimentá-las. A palavra “direito” é apenas um modo eufemístico de designar a obrigação dos outros.


Os outros, no caso, são as pessoas e instituições nominalmente incumbidas de “dar” educação aos brasileiros: professores, pedagogos, ministros, intelectuais e uma multidão de burocratas. Quando essas criaturas dizem que você tem direito à educação, estão apenas enunciando uma obrigação que incumbe a elas próprias. Por que, então, fazem disso uma campanha publicitária? Por que publicam anúncios que logicamente só devem ser lidos por elas mesmas? Será que até para se convencer das suas próprias obrigações elas têm de gastar dinheiro do governo? Ou são tão preguiçosas que precisam incitar a população para que as pressione a cumprir seu dever? Cada tostão gasto em campanhas desse tipo é um absurdo e um crime.


Mais ainda, a experiência universal dos educadores genuínos prova que o sujeito ativo do processo educacional é o estudante, não o professor, o diretor da escola ou toda a burocracia estatal reunida. Ninguém pode “dar” educação a ninguém. Educação é uma conquista pessoal, e só se obtém quando o impulso para ela é sincero, vem do fundo da alma e não de uma obrigação imposta de fora. Ninguém se educa contra a sua própria vontade, no mínimo porque estudar requer concentração, e pressão de fora é o contrário da concentração. O máximo que um estudante pode receber de fora são os meios e a oportunidade de educar-se. Mas isso não servirá para nada se ele não estiver motivado a buscar conhecimento. Gritar no ouvido dele que a educação é um direito seu só o impele a cobrar tudo dos outros – do Estado, da sociedade – e nada de si mesmo.


Se há uma coisa óbvia na cultura brasileira, é o desprezo pelo conhecimento e a concomitante veneração pelos títulos e diplomas que dão acesso aos bons empregos. Isso é uma constante que vem do tempo do Império e já foi abundantemente documentada na nossa literatura. Nessas condições, campanhas publicitárias que enfatizem a educação como um direito a ser cobrado e não como uma obrigação a ser cumprida pelo próprio destinatário da campanha têm um efeito corruptor quase tão grave quanto o do tráfico de drogas. Elas incitam as pessoas a esperar que o governo lhes dê a ferramenta mágica para subir na vida sem que isto implique, da parte delas, nenhum amor aos estudos, e sim apenas o desejo do diploma.

O que é o politicamente correcto?

MOVIMENTO ENDIREITAR
Escrito por O. Braga  | Qua, 04 de Fevereiro de 2009 00:00

Muitos de nós fazemos uma ideia do que é o politicamente correcto (PC), pela repetição de informações transmitidas pelos mídia.

O PC não teve origem recente; remonta a sua utilização como instrumento ideológico, ao tempo da I Guerra Mundial. Quando Karl Marx escreveu o “Manifesto Comunista” (séc. 19), ficou bem claro que [a] ideologia que nascia assentava em duas vertentes básicas: O Marxismo Económico, que defende a ideia de que a História é determinada pela propriedade dos meios de produção, e o Marxismo Cultural, que defende a ideia de que a História é determinada pelo Poder através do qual, grupos sociais (para além das classes sociais) definidos pela raça, sexo, etc., assumem o poder sobre outros grupos. Até à I Guerra Mundial, o Marxismo Cultural não mereceu muita atenção, que se concentrou praticamente toda no Marxismo Económico, que deu origem à revolução bolchevista (URSS).

O Marxismo Cultural é uma sub-ideologia do Marxismo (a “outra face da moeda” é o marxismo económico), e como todas as ideologias, tende inexoravelmente para a implantação de uma ditadura, isto é, para o totalitarismo.


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À semelhança do Marxismo Económico, o Marxismo Cultural (ou Politicamente Correcto) considera que os trabalhadores e os camponeses são, à partida, “bons”, e que a burguesia e os capitalistas são, a priori, “maus”. Dentro das classes sociais assim definidas, os marxistas culturais entendem que existem grupos sociais “bons” (como as mulheres feministas — porque as mulheres não-feministas são “más” ou “ignorantes”), os negros e os homossexuais – para além dos muçulmanos, dos animistas, dos índios, dos primatas superiores, etc.. Estes “grupos sociais” (que incluem os primatas superiores — chimpanzés, gorilas, etc.) são classificados pelos marxistas culturais como sendo “vítimas” e por isso, são considerados como “bons”, independentemente do que os seus membros façam ou deixem de fazer. Um crime de sangue perpetrado por um homossexual é visto como “uma atitude de revolta contra a sociedade opressora”; o mesmo crime perpetrado por um heterossexual de raça branca é classificado como um “acto hediondo de um opressor”. Segundo o Marxismo Cultural, o “macho branco” é o equivalente ideológico da “burguesia” no Marxismo Económico.

Enquanto que o Marxismo Económico baseia a sua acção no acto de expropriação (retirada de direitos à propriedade), o Marxismo Cultural (ou PC) expropria direitos de cidadania, isto é, retira direitos básicos a uns cidadãos para, alegadamente, dar direitos acrescidos e extraordinários a outros cidadãos, baseados na cor da pele, sexo ou aquilo a que chamam de “orientação sexual”. Nesta linha está a concessão de quotas de admissão, seja para o parlamento, seja no acesso a universidades ou outro tipo de instituições, independentemente de critérios de competência e de capacidade.

Enquanto que o método de análise utilizado pelo Marxismo Económico é baseado no Das Kapital de Marx (economia colectivista marxista), o Marxismo Cultural utiliza o desconstrucionismo filosófico e epistemológico explanado por ideólogos marxistas como Jacques Derrida, que seguiu Martin Heidegger, que bebeu muita coisa em Friederich Nietzsche.

O Desconstrucionismo, em termos que toda a gente entenda, é um método através do qual se retira o significado de um texto para se colocar a seguir o sentido que se pretende para esse texto. Este método é aplicado não só em textos, mas também na retórica política e ideológica em geral. A desconstrução de um texto (ou de uma realidade histórica) permite que se elimine o seu significado, substituindo-o por aquilo que se pretende. Por exemplo, a análise desconstrucionista da Bíblia pode levar um marxista cultural a inferir que se trata de um livro dedicado à superioridade de uma raça e de um sexo sobre o outro sexo; ou a análise desconstrucionista das obras de Shakespeare, por parte de um marxista cultural, pode concluir que se tratam de obras misóginas que defendem a supressão da mulher; ou a análise politicamente correcta dos Lusíadas de Luís Vaz de Camões, levaria à conclusão de que se trata de uma obra colonialista, supremacista, machista e imperialista. Para o marxista cultural, a análise histórica resume-se tão só à análise da relação de poder entre grupos sociais.

O Desconstrucionismo é a chave do politicamente correcto (ou marxismo cultural), porque é através dele que surge o relativismo moral como teoria filosófica, que defende a supressão da hierarquia de valores, constituindo-se assim, a antítese da Ética civilizacional europeia.

Com a revolução marxista russa, as expectativas dos marxistas europeus atingiram um ponto alto. Esperava-se o mesmo tipo de revolução nos restantes países da Europa. À medida que o tempo passava, os teóricos marxistas verificaram que a expansão marxista não estava a ocorrer. Foi então que dois ideólogos marxistas se dedicaram ao estudo do fenómeno da falha da expansão do comunismo marxista: António Gramsci (Itália) e George Lukacs (Hungria).

Gramsci concluiu que os trabalhadores europeus nunca seriam servidos nos seus interesses de classe se não se libertassem da cultura europeia – e particularmente da religião cristã. Para Gramsci, a razão do falhanço da expansão comunista marxista estava na cultura e na religião. O mesmo conclui Lukacs.

Em 1923, por iniciativa de um filho de um homem de negócios riquíssimo de nacionalidade alemã (Félix Veil), que disponibilizou rios de dinheiro para o efeito, criou-se um grupo permanente (“think tank”) de estudos marxistas na Universidade de Frankfurt. Foi aqui que se oficializou o nascimento do Politicamente Correcto (Marxismo Cultural), conhecido como “Instituto de Pesquisas Sociais” ou simplesmente, Escola de Frankfurt – um núcleo de marxistas renegados e desalinhados com o marxismo-leninismo. 

Em 1930, passou a dirigir a Escola de Frankfurt um tal Max Horkheimer, outro marxista ideologicamente desalinhado com Moscovo e com o partido comunista alemão. Horkheimer teve a ideia de se aproveitar das ideias de Freud, introduzindo-as na agenda ideológica da Escola de Frankfurt; Horkheimer coloca assim a tradicional estrutura socio-económica marxista em segundo plano, e elege a estrutura cultural como instrumento privilegiado de luta política. E foi aqui que se consolidou o Politicamente Correcto, tal como o conhecemos hoje, com pequenas variações de adaptação aos tempos que se seguiram. Surgiu aTeoria Crítica.

O que é a Teoria Crítica? As associações financiadas pelo nosso Estado e com o nosso dinheiro, em apoio ao activismo gay, em apoio a organizações feministas camufladas de “protecção à mulher”, e por aí fora – tudo isso faz parte da Teoria Crítica do marxismo cultural, surgida da Escola de Frankfurt do tempo de Max Horkheimer. A Teoria Crítica faz o sincretismo entre Marx e Freud, tenta a síntese entre os dois (“a repressão de uma sociedade capitalista cria uma condição freudiana generalizada de repressão individual”, e coisas do género).

No fundo, o que faz a Teoria Crítica? Critica. Só. Faz críticas. Critica a cultura europeia; critica a religião; critica o homem; critica tudo. Só não fazem auto-crítica (nem convém). Não se tratam de críticas construtivas; destroem tudo, criticam de forma a demolir tudo e todos.

Por essa altura, aderiram ao bando de Frankfurt dois senhores: Theodore Adorno e Herbert Marcuse. Este último emigrou para os Estados Unidos com o advento do nazismo.

Foi Marcuse que introduziu no Politicamente Correcto (ou marxismo cultural) um elemento importante: a sexualidade. Foi Marcuse que criou a frase “Make Love, Not War”. Marcuse defendeu o futuro da Humanidade como sendo uma sociedade da “perversidade polimórfica”, na linha das profecias de Nietzsche.

Marcuse defendeu também, já nos anos trinta do século passado, que a masculinidade e a feminilidade não eram diferenças sexuais essenciais, mas derivados de diferentes funções e papéis sociais; segundo Marcuse, não existem diferenças sexuais, senão como “diferenças construídas”.

Marcuse criou a noção de “tolerância repressiva” – tudo o que viesse da Direita tinha que ser intolerado e reprimido pela violência, e tudo o que viesse da Esquerda tinha que ser tolerado e apoiado pelo Estado. Marcuse é o pai do Politicamente Correcto moderno.

O sucesso de expansão do Marxismo Cultural na opinião pública, em detrimento do Marxismo Económico, deve-se três razões simples: a primeira é que as teorias económicas marxistas são complicadas de entender pelo cidadão comum, enquanto que o tipo de dedução primária do raciocínio PC, aliado à fantasia de um mundo ideal e sem defeitos, é digno de se fazer entender pelo mentecapto mais empedernido. A segunda razão é porque o Politicamente Correcto critica por criticar, pratica a crítica destrutiva até à exaustão – e sabemos que a adesão popular (da juventude, em particular) a este tipo de escrutínio crítico é enorme. A terceira razão é que o antropocentrismo do marxismo económico falhou, como sistema social e económico, em todo o mundo; resta ao Marxismo a guerrilha cultural.

O que se está a passar hoje na sociedade ocidental, não é muito diferente do que se passou na União Soviética e na China, num passado recente. Assistimos ao policiamento do pensamento, à censura das ideias, rumo a uma sociedade totalitária.

Fonte: http://espectivas.wordpress.com/o-que-e-o-politicamente-correcto/

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".