Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

As raízes marxistas da paranóia do aquecimento global

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Wes Vernon em 03 de julho de 2008


Resumo: Simplesmente delete a palavra “soviéticos” e substitua-a por “ambientalistas marxistas”, e você terá uma idéia bastante clara sobre o que hoje nos ameaça.

© 2008 MidiaSemMascara.org

Natalie Grant Wraga, hoje falecida, escreveu: “A proteção do meio ambiente tornou-se a principal ferramenta de ataque contra o Ocidente e tudo o que ele representa. Pode ser utilizada como pretexto para adotar uma série de medidas destinadas a solapar a base industrial das nações desenvolvidas. Pode também servir para introduzir o mal-estar por meio da redução dos padrões de vida e, conseqüentemente, da implantação de valores comunistas”.

Quem foi Natalie?

Natalie Grant Wraga (falecida em 2002 aos 101 anos de idade) foi uma expert internacionalmente reconhecida no serviço de desinformação. Em seu obituário no Washington Post, Herbert Romerstein - veterano da inteligência e expert nos ramos legislativo e executivo de governo - descreveu Grant/Wraga como “uma das nossas principais autoridades” sobre a farsa soviética.

Em um artigo de 1998 publicado no Investors Business Daily (IBD), o repórter John Berlau escreveu que alguns dos mais respeitados estudiosos sobre a Inteligência Soviética, creditavam a esta mulher o ensino de como penetrar os meandros da desinformatzia, termo utilizado por Moscou nas suas constantes operações para enganar governos estrangeiros induzindo-os permanentemente a erros de avaliação estratégicos.

John Dziak, que fora funcionário sênior da inteligência na Defense Intelligence Agency (DIA), é citado pelo IBD como tendo dito que se não fosse “por alguém como Natalie, teríamos tido mais fracassos e os soviéticos teriam tido mais sucessos”.

O que nos leva aonde?

Em muitos de seus textos, ela abandonou o seu sobrenome e assinou com a alcunha Natalie Grant. Isto nos retoma à edição de The Register da primavera de 1998. Lá, Grant identifica a Cruz Verde Internacional (GCI em inglês) como uma Organização Não-Governamental (ONG) fundada por Mikhail Gorbachov, o último ditador comunista da União Soviética. O objetivo da GCI era a aplicação global de uma rígida agenda ambiental.

Ao mesmo tempo em que avançava a GCI, ocorria o nascimento de outra ONG chamada Earth Council (Conselho da Terra), presidida por Maurice Strong, um dos principais ecoativistas e agitadores nas Nações Unidas. De acordo com a Wikipedia, Strong - um canadense - descreve-se a si mesmo como “um socialista na ideologia e um capitalista na metodologia”. A biografia também cita que “alguns consideram Strong um temível faminto por poder”. E mais: “Ele compartilha a visão do mais radical ambientalista que protesta nas ruas, mas ao invés de gritar até ficar rouco na barreira policial duma conferência global, ele é o secretário-geral nos bastidores, mexendo os pauzinhos”.

Enquanto isso, uma dezena de pessoas participava na reunião preparatória da GCI de Gorbachov, incluindo o então Deputado norte-americano James Scheuer (Democratas, Nova York). O congressista tinha publicamente declarado de que, independentemente da alegação de que o “aquecimento global” provocado pelo homem ser real ou exagerada, os EUA deveriam seguir em frente e tomar as atitudes necessárias para enfrentá-lo, pois tais atitudes supostamente beneficiariam o planeta. Como foi explicado na coluna da semana passada, a legislação cap-and-trade (limitar-e-negociar) - taxar e roubar - tinha como objetivo levar a agenda ambiental radical a um custo tão exorbitante para os consumidores e contribuintes americanos que caísse como uma bomba no Senado, levando-os a temer que o povão se revoltasse e desse uma resposta indesejada nas urnas. Ela voltará em 2009. Ligar estes pontos é relevante. Mas isto eu deixo de lado momentaneamente.

Os principais eventos preparatórios

Outros eventos da GCI se seguiriam, incluindo o que Grant chamava de “O Grande Evento - a Conferência de Moscou”, em Janeiro de 1990. O então senador Al Gore estava entre os palestrantes. Apenas dois anos antes, ele coordenara audiências públicas no Capitólio para apresentar a teoria do “aquecimento global”.

Enquanto ocorria a Conferência de Moscou, a União Soviética estava respirando seu último fôlego - em baixa, porém ainda não fora de cena, poder-se-ia dizer. Gorbachov, ainda o líder soviético, anunciou a exigência de seu governo para que as nações pressionassem pelo fim dos testes nucleares, por um sistema de monitoramento ambiental internacional, um pacto para proteger “zonas ambientais exclusivas” (uma mentalidade que desde que foi proposta levou a uma briga internacional a respeito dos esforços da ONU para proibir snowmobiles [tipo de moto para neve] no Yellowstone Park, em pleno solo americano), apoio aos programas ambientais das Nações Unidas e a uma conferência para dar seguimento aos trabalhos a ser realizada no Brasil, em junho de 1992.

Grant escreve que, enquanto Gorbachov expressava as “visões” e “sugestões” do Partido Comunista Soviético, tais sugestões caíram em solo fértil. “Logo, logo, as atividades do movimento começaram a refletir as ‘recomendações’ comunistas”.

Atualização: 2008

Por que todo este pano de fundo?


Em 28 de maio, em Washington, o palestrante do jantar anual do Competitive Enterprise Institute (CEI) foi Václav Klaus, Presidente da República Tcheca (C.T. - leiam sobre este homem maravilhoso e o Novo Comunismo aqui).

O livro de Klaus, “Blue Planet in Green Schackles”, acabara de ser lançado. Como o chefe de Estado tcheco disse no jantar, o propósito do seu livro era frisar sua forte crença de que grande parte do ambientalismo organizado é “uma ideologia que eu considero a mais perigosa ameaça à liberdade e à prosperidade da era atual”.

Schumpeter tinha razão?

Klaus acredita que os Estados Unidos - apesar de todos os seus problemas - é “o país mais livre no mundo e fonte de inspiração para todos nós. Eu enfatizo isto principalmente por causa da minha crescente decepção com o desenrolar das coisas no outro lado do Atlântico, de onde acabei de vir”.

O Presidente Klaus referiu-se então ao filósofo Joseph Alois Schumpeter, cujo conhecimento da tirania proveio de fatos ocorridos na sua própria vida, tais como a fuga da Alemanha nazista. Klaus disse que “A teoria evolucionária de [Schumpeter] do fim do capitalismo [teria sido] baseada em seu próprio sucesso”.

Eis como funciona a teoria: as inovações tornar-se-iam uma questão de rotina, o progresso seria mecanizado, os problemas seriam “simplesmente resolvidos” pela razão e pela ciência, o empreendedorismo seria substituído pelo mero cálculo, a motivação individual declinaria, a mentalidade coletivista prevaleceria e as cada vez maiores equipes de trabalho das grandes corporações tornariam obsoleto o principal ator (ou talvez mobilizador) do capitalismo – o empreendedor. Este, com o tempo, viria a desaparecer (C.T. - isto acontece no Brasil a algumas décadas, esta opressão imensa contra a livre iniciativa com leis, impostos e travas ao empreendedorismo chegando até à quase criminalização da prática. Tudo isto começa nas escolas quando colocam o empreendedor como um malfeitor. Parece sem sentido para quem não conhece as estratégias esquerdopatas mas as coisas estão mudando e as pessoas com alguma inteligência estão perecebendo a estratégia por trás dos atos).

Nos anos pós-Watergate e pós-Vietnã, no final dos anos 70, havia sinais incipientes de que a teoria de Schumpeter poderia se tornar realidade no futuro. O otimismo e a economia vigorosa dos anos oitenta colocaram a América (e grande parte do mundo) de volta aos eixos.

Klaus acredita que a teoria de Schumpeter “parece ser pessimista demais”. O mundo simplesmente não seguiu aquele roteiro. “Como alguém que participou ativamente no desmantelamento do comunismo e na construção de uma sociedade livre”, diz ele, “o colapso [do Império Soviético] e a aceitação explícita do capitalismo em quase todo o mundo [é algo que], com o devido respeito, é claramente incompatível com a hipótese schumpeteriana”.

Então, qual é o problema?

Como Klaus relatou à sua platéia na CEI, há outros fatores “pelos quais o capitalismo poderia ter sido destruído, [como no] crescente descrédito na criatividade humana e nas vantagens do mercado”.

No passado, disse o chefe do Executivo tcheco, os argumentos dos socialistas eram atrelados a slogans sobre “o empobrecimento das massas” (trabalhadores do mundo, unidos, etc.). Agora, em lugar disso, há “um slogan muito mais perigoso: o empobrecimento [ou até a destruição] do Planeta”.

Antigamente, era fácil provar se as pessoas (isto é, trabalhadores) estavam em melhor situação. “Agora levará séculos para se chegar a uma prova convincente de que o Planeta está sendo destruído ou de que não se acha à beira da sua destruição”.

Em outras palavras, “o galope deste potro é, portanto, muito mais fácil. Os políticos ambiciosos que tentam planejar o mundo e a vida dos seus cidadãos vêem sonhando há décadas como encontrar uma doutrina tão maravilhosa e imune à realidade. Anos ou décadas de clima gelado não vão desmenti-lo – para meu grande pesar. É quase uma religião. Minha certeza de que esta ideologia se tornará o meio mais efetivo para a destruição do livre mercado foi o maior motivo para escrever o livro”.

E somente para melhor precisar o problema, Klaus acrescenta: “Schumpeter felizmente estava errado em suas previsões. E, além disso, ele morreu há quase sessenta anos. Al Gore, contudo, está bem vivo”.

A nova arma de propaganda marxista

Ou – novamente – como a falecida Natalie Grant diz, “a proteção do meio ambiente pode ser utilizada como um pretexto para adotar uma série de medidas forjadas para minar a base industrial das nações desenvolvidas. Também pode servir para causar mal-estar reduzindo seus padrões de vida e implantando valores comunistas”.

O obituário de Natalie Grant Wraga trazia a seguinte frase como se fosse dela: “Devemos dar aos Soviéticos o seu real valor. Nenhum outro país é capaz de manipular a opinião pública do Ocidente como eles”.

Simplesmente delete a palavra “soviéticos” e substitua-a por “ambientalistas marxistas”, e você terá uma idéia bastante clara sobre o que hoje nos ameaça.

Wes Vernon é veterano escritor e radialista em Washington, D.C.

© Copyright 2008 Wes Vernon - http://www.renewamerica.us/columns/vernon/080616

Tradução: Marcel van Hatem

ILUDINDO O PÚBLICO - NÃO EXISTE AQUECIMENTO GLOBAL ANTROPOMÓRFICO

Do portal FAROL DA DEMOCRACIA REPRESENTATIVA
José Carlos de Almeida Azevedo

Doutor em física pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, EUA). Foi reitor da UnB (Universidade de Brasília).

N. WIENER graduou-se em matemática aos 14 anos e doutorou-se em lógica aos 18 na Universidade Harvard. Conhecido como pai da cibernética, contribuiu para outros ramos da ciência e afirmou que as "tentativas de modelar o clima espremendo equações da física em computadores, como se a meteorologia fosse uma ciência exata como a astronomia, estão condenadas ao fracasso", que a "auto-ampliação de pequenos detalhes frustraria qualquer tentativa de prever o clima" e que "os líderes dessa atividade estavam iludindo o público ao pretender que a atmosfera é previsível".

Opinião semelhante foi a de J. von Neumann, matemático que contribuiu para a mecânica quântica, as teorias dos jogos e dos computadores, o projeto da bomba de hidrogênio e a previsão do tempo.

Há quase 20 anos, o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, na sigla em inglês), órgão da ONU, patrocina a novela do aquecimento global e faz "previsões" sem amparo científico.

Dois grupos distintos cuidam do clima: o dos cientistas, que conhecem a complexidade do problema e procuram decifrá-la, e os "modeladores", que usam teorias do século 19 e "prevêem" o clima até o final dos séculos.

Este segundo grupo usa computadores colossais, faz projeções e estimativas, fala de indícios e vestígios, já consumiu US$ 50 bilhões e nada contribuiu para elucidar o problema. Quer frear o desenvolvimento mundial e levar países à miséria ao propor a redução drástica do uso de combustíveis fósseis porque, diz ele sem provas, o dióxido de carbono (CO2) gerado pelo homem é o responsável pelo aquecimento. Reduzindo a emissão, acrescenta, o aquecimento no fim deste século será de uns dois graus e a natureza estará salva.

Mais eficazes são as propostas do Voluntary Human Extinction Movement e da Gaia Liberation Front, que querem extinguir a humanidade para salvar a natureza.

Não há prova que o CO2 é responsável pelo "efeito estufa", mas é certo que o Sol e a água (nuvens, vapor d'água, cristais de gelo) condicionam a temperatura e o clima na Terra. O IPCC e seus 2.500 "cientistas", porém, culpam o CO2.

Ocorre que o IPCC não estuda nada: faz resenha de trabalhos publicados, adultera-os quando lhe convém e alardeou a importância de dois deles, o de Michael Mann e o relativo às camadas de gelo extraído na Antártida, em Vostok.

O trabalho de Mann analisou a temperatura na Terra entre os anos 1000 e 1980 e disse que as emissões de CO2 a partir do início da era industrial causaram o maior aumento de temperatura daquele milênio. Pois esse trabalho é uma manipulação de dados e nem falam mais dele. Quanto às camadas de gelo, é certo que o aumento da temperatura antecede o da emissão do CO2, e não o oposto.

A banda de música do IPCC é o filme do Al Gore, cuja exibição foi proibida na Inglaterra por decisão judicial, exceto se mencionar as inverdades que contém: aumento do nível dos mares, morte de corais e ursos polares, Tuvalu, Vostok, malária etc.

Restou ao IPCC citar os 2.500 "cientistas" e o seu "consenso" sobre CO2 "antropogênico". Consenso não é referencial científico e, se for questão de números, há muitas listas de consensos de cientistas qualificados, identificados e contrários ao IPCC: a de Frederick Seitz, antigo presidente da Academia Nacional de Ciências e do Instituto Americano de Física dos EUA e atual presidente da Universidade Rockefeller e do Instituto George Marshall, por exemplo, tem mais de 32 mil assinaturas. O último relatório do IPCC tem 51.

A compreensão da natureza do clima começou em 1610 com Galileu, descobridor das manchas do Sol. Em 1752, Franklin mostrou que as nuvens têm cargas elétricas. Em 1998, o Instituto de Pesquisas Espaciais da Dinamarca provou a influência da radiação cósmica no clima. Em 2006, o Cern, o maior centro de pesquisas nucleares, cujo acelerador de partículas tem 27 km, criou um consórcio com dezenas de universidades e cientistas para ampliar as descobertas na Dinamarca que provam que o campo magnético do Sol controla a radiação cósmica incidente e, portanto, o clima; e que a passagem do Sol pela Via Láctea explica as glaciações e interglaciações. Os "modeladores" iludem a população e não dizem que o pólo Norte de Marte está derretendo.

Os investimentos em computadores profetas devem ser destinados às pesquisas em biologia. As plantas retiram da atmosfera, por ano, bilhões de toneladas de carbono, e um bom laboratório -a Embrapa, por exemplo-, com um mínimo daqueles US$ 50 bilhões, pode desenvolver plantas que absorvem mais carbono. Elas farão o ar mais limpo e produzirão mais alimentos.

Publicado em TENDÊNCIAS/DEBATES FSP – 1° - 07 - 08

debates@uol.com.br

Avançando para a ruína

Do portal do OLAVO DE CARVALHO
Por Olavo de Carvalho em 20 de junho de 2008

Ao afirmar que, com a candidatura Obama, “a América avançou muito”, George W. Bush deu mais uma prova de que prefere antes destruir a si mesmo, ao seu partido e ao seu país do que dizer qualquer verdade desagradável aos inimigos políticos que o difamam incessantemente.

Devolver ataques brutais com amabilidade servil é o caminho certo para a lata de lixo da História. O presidente americano já avançou demais nessa direção com seu vezo de depreciar seus próprios méritos reais exaltando os méritos inexistentes do adversário.

A declaração é tanto mais masoquista porque proferida na mesma semana em que o candidato democrata, perguntado se indicaria George W. Bush para embaixador no Iraque, respondeu que escolheria alguém mais competente. Quem pode ser mais competente para representar um país em terra estrangeira do que aquele que a libertou da tirania? Responder à insolência com afagos é sinal de fraqueza e, como dizia Donald Rumsfeld, a fraqueza atrai agressores.

Mas a opinião emitida por Bush não é só inconveniente: é falsa. Avaliar a escolha de um candidato pela cor da pele é, literalmente, julgar os fatos só pela sua aparência epidérmica. Como já expliquei aqui, o que diferencia Barack Obama, o que o torna único na América e no mundo, não é a cor da pele, mas um grau de mendacidade grosseira, vulgar, quase pueril, que jamais se viu em qualquer candidato à presidência de uma grande nação. A candidatura Obama é, nesse sentido, um blefe ostensivo destinado a provar, numa cínica demonstração de força da elite globalista, que o eleitor americano já está amestrado para aceitar, mesmo em prejuízo próprio, qualquer porcaria que venha dela. Isso não é um avanço de maneira alguma: é o sintoma cabal do estado alarmante de deterioração da democracia americana.

Só nesta semana já apareceram mais dois indícios eloqüentes de que o candidato democrata falsifica sua biografia com aquela malícia ingênua dos pequenos estelionatários. Primeiro, ele ainda não entregou à secretaria do Partido Democrata sua certidão de nascimento. Por que um presunçoso que já se considera praticamente eleito haveria de colocar em risco sua candidatura pela omissão de um detalhe burocrático tão banal? Só pode ser porque o documento contém alguma informação inconveniente que ele, como menino surpreendido em flagrante traquinagem, torna ainda mais visível pela canhetrice com que a esconde.

Que informação pode ser essa, é algo que sem grande dificuldade se depreende do segundo indício: agora quem desmente Obama, afirmando que na infância ele foi muçulmano e não cristão como afirma, já não são nem seus colegas de escola -- é o seu próprio irmão.

Todos os políticos mentem, mas fazem isso com alguma classe, evitando as mentirinhas tolas mais fáceis de impugnar. Obama não tem esse requinte, ou porque não esteja à altura de observá-lo, ou porque tem costas quentes o bastante para poder ser o mais descuidado dos mentirosos sem ter de se preocupar com as conseqüências.

A esta altura, é eufemismo alertar que Obama, se eleito, pode trazer danos sérios à democracia americana: que um sujeito tão obviamente desqualificado seja aceito como candidato à presidência já é um dano monstruoso e irreversível não só para a nação líder do mundo, mas para toda a humanidade. Essa candidatura é um avanço, sim, mas em direção à ruína final do Ocidente, prenunciando os “mil anos de trevas” de que falava Ronald Reagan.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Refém das Farc mais de 6 anos, Ingrid Betancourt é resgatada

Do portal do DIÁRIO DO COMÉRCIO
02/07/2008

VIVA URIBE, VIVA COLÔMBIA
ISTO SIM É UM HOMEM, ISTO SIM É UM POVO

A franco-colombiana Ingrid Betancourt, ex-candidata à presidência da Colômbia e refém das Farc há mais de seis anos, foi resgatada nesta quarta-feira (2).
Ela foi libertada junto com três norte-americanos e mais outros 11 militares colombianos, segundo o ministro colombiano da Defesa, Juan Manuel Santos.

O anúncio da libertação foi confirmado logo depois pelo governo francês, que participava de negociações anteriores.
Os norte-americanos libertados são Thomas Howes, Keith Stansell e Marc Gonsalves, seqüestrados em 2003 quando realizavam uma missão antidrogas na floresta de Caquetá, no sudeste do país.

De acordo com o ministro, todos estão em boas condições de saúde e nenhum tiro foi disparado durante o resgate, que foi feito com a ajuda de três helicópteros.
"Seguimos trabalhando na libertação dos demais seqüestrados. Apelamos para os atuais líderes da Farc para que não se deixem matar, liberem os outros seqüestrados e não sacrifiquem seus homens", disse o ministro em Bogotá. A operação foi realizada em um acampamento das Farc na Colômbia. Os resgatados já teriam chegado na base militar de Toleimada, no centro do país. Lá, eles seriam recebidos pelo presidente da Colômbia, Alvaro Uribe.

Infiltrados
Segundo o ministro colombiano da Defesa, o Exército da Colômbia se infiltrou na cúpula das Farc para libertar os quinze seqüestrados, enganando dois rebeldes e fazendo com que eles acreditassem que iam a um encontro com o chefe máximo rebelde, Alfonso Cano. Ele disse que os militares infiltrados haviam feito um acordo com o comandante César, das Farc, para supostamente levar os cativos de helicóptero até o lugar onde estaria Cano, chefe da guerrilha desde maio passado, quando morreu Manuel Marulanda, o Tirofijo, fundador do grupo. Lorenzo Betancourt, filho de Ingrid, disse que espera "de todo coração" que seja verdadeira a notícia da libertação. "Estou aguardando mais informações. Espero que seja verdade, de todo coração", disse à agência EFE.

Ingrid Betancourt nasceu em Bogotá, estudou em Paris e hoje tem 46 anos - dos quais os últimos seis passou no meio da mata, vivendo em condições precárias como refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A parlamentar havia sido seqüestrada em 23 de fevereiro de 2002 na região de Caquetá e, hoje, acredita-se que esteja com malária, leishmaniose e hepatite B. Betancourt é uma das mais importantes reféns que as Farc mantinham em cativeiro - faz parte do grupo de 40 prisioneiros políticos passíveis de troca por guerrilheiros presos pelo governo colombiano.

Além disso, há centenas de outras pessoas seqüestradas pela guerrilha por motivos financeiros.
O resgate é um trunfo político na mão do presidente Uribe, que endureceu contra a guerrilha e aliou-se com os EUA, que investiram bilhões de dólares para colocar os rebeldes na defensiva, combater a criminalidade e investir no desenvolvimento do país.

Comentário do Cavaleiro do Templo: prestem atenção na quantidade de informações maravilhosas, material este que prova a incompetência
e inépcia dos esquerdopatas QUANDO ENFRENTADOS POR UM HOMEM (URIBE), UM POVO (COLOMBIANOS) E UM PAÍS (COLÔMBIA) sem medo de peitar estes SALAFRÁRIOS. Viu seu LULA? É o que te espera em breve. Notem também o recado para os calhordas assassinos narcotraficantes: NÃO SE DEIXEM MATAR NEM A SEUS HOMENS!!! Isto sim é CORAGEM, isto sim é COMPETÊNCIA, isto sim é AMOR À VERDADE!!! Uribe para IMPERADOR DA AMÉRICA LATINA!!! Depois que a Sra. Ingrid puder falar, depois de merecido descanso e cuidados, VAMOS SABER MUITO MAIS SOBRE FARC, LULA, CHÁVEZ, MORALES, CORREA e FORO DE SÃO PAULO!!!

Ainda do portal do DIÁRIO DO COMÉRCIO
02/07/2008

Centenas de colombianos saíram nesta quarta-feira (2) às ruas com bandeiras, enquanto os motoristas promoviam um buzinaço após o anúncio do resgate por parte de militares de 15 reféns da guerrilha das Farc, entre eles Ingrid Betancourt e três norte-americanos.

No norte de Bogotá as ruas foram tomadas por centenas de pessoas que agitavam a bandeira nacional, aplaudiam e gritavam: "livres, livres, livres". No centro da capital foi registrado um enorme engarrafamento, enquanto nos edifícios da cidade foram colocadas bandeiras tricolores. Em Medellín (noroeste), segunda maior cidade colombiana, a imprensa local registrou cenas parecidas.

"Queremos todos livres", estava escrito em uma enorme faixa exibida em um edifício em Cali, 500 km a sudeste de Bogotá, onde as ruas também foram tomadas de pessoas que comemoravam a libertação.
Segundo o governo colombiano, 15 reféns da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), entre eles a franco-colombiana Ingrid Betancourt e três norte-americanos, foram resgatados em uma operação de inteligência no departamento de Guaviare (sudeste).

Bares têm queda de 20% no faturamento

Do portal do DIÁRIO DO COMÉRCIO
Por Maristela Orlowski em quarta, 2 de Julho de 2008

Descontentamento geral para donos de bares e restaurantes na cidade de São Paulo. A nova lei 11.705 – que pune mais severamente os motoristas que dirigem sob influência de qualquer quantidade de álcool – já surte efeito também no bolso dos empresários. A queda no faturamento chega a 20% em dez dias, segundo estimativa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), seção São Paulo.

O Diário do Comércio conversou ontem com Percival Maricato, diretor-jurídico da entidade. Segundo ele, bebidas alcoólicas são os itens que mais geram lucro aos estabelecimentos. Elas são responsáveis por 60% e 30% do faturamento de bares e restaurantes, respectivamente.

“À medida que a lei vai sendo divulgada, o prejuízo aumenta. Mas, muito além da queda na receita, a nova lei pode deflagrar a perda de empregos e a falência de empresários”, ressaltou o executivo, que defende a adoção do mesmo limite de álcool permitido em países como Estados Unidos, Inglaterra e Canadá, de 8 decigramas de álcool por litro de sangue.

Diário do Comércio - Qual sua opinião a respeito da nova Lei Seca?

Percival Maricato - É demagógica, anti-social, excessivamente draconiana e inconstitucional. Nós vamos enfrentá-la e mudá-la, como fizemos com a Medida Provisória 415, que proibia a venda de bebidas alcoólicas em estabelecimentos localizados em rodovias federais. Do país mais tolerante, passamos, repentinamente, ao mais intolerante. As autoridades brasileiras costumam ser omissas com problemas sociais e, quando resolvem intervir, o fazem sempre desequilibradamente.

DC – Como fica o setor de bares e restaurantes?

Maricato – É uma hecatombe, uma situação trágica. Temos cerca de 50 mil estabelecimentos na cidade de São Paulo, 100 mil pequenos empresários e 300 mil funcionários. Todos estão arriscados a perder seus negócios e empregos. Somam-se, ainda, distribuidores, adegas, fabricantes. Todos os negócios podem ser levados à falência. Cerca de 10% da população ativa do País pode ser atingida por essa nova lei.

DC – Já há estimativa de prejuízos?

Maricato – Todos os estabelecimentos já devem ter sido atingidos. A população está lendo nos jornais que tomar um chope pode dar cadeia ou, no mínimo, resultar em drásticas punições administrativas. É evidente que evitará o consumo. É um estado de terror. Estamos apurando o prejuízo com exatidão, mas, até agora, os menos prejudicados devem ter perdido 20% de receita. À medida que as punições e prisões vão sendo anunciadas, esse prejuízo aumenta. E não pára por aí. Supermercados, quitandas e padarias também serão atingidos, pois, da mesma forma, não se poderá mais beber em churrascos de fim de semana, casamentos, jantares com a família. No fim das contas, acredito que 95% do mercado de bebida será atingido.

DC – Que medidas serão tomadas pela Abrasel?

Maricato – Vamos ajuizar uma ação até amanhã (hoje). Demonstraremos que a lei é inconstitucional por vários motivos: fere os princípios da razoabilidade quando diz que qualquer quantidade de álcool é infração; prevê punições desproporcionais às infrações; e é iníqua e ilegal quando sustenta que quem não se submeter a testes como o do bafômetro será punido como se estivesse alcoolizado. A lei também atinge a livre iniciativa, a liberdade econômica, o direito de ir e vir. Vamos mobilizar o setor, fazer avaliações, obter números e informações e agir no plano político, abordando parlamentares para mudar a lei. Divulgaremos nossas razões à opinião pública e entraremos com ações judiciais. O setor deixou de ser passivo, criou lideranças. Está preparado para lutar.

DC – E quanto ao senhor?

Maricato – Eu considero essa exigência não só ilegal, como abusiva e uma invasão de privacidade. Entrei com mandado de segurança para poder circular na cidade sem ser molestado.

DC – Qual a atitude das pessoas nos bares e restaurantes?

Maricato – Muitas não bebem, outras pedem chá ou água, algumas pedem cerveja sem álcool. Estamos brincando de escoteiros e seminaristas nos bares. Estes, pelo menos, podem tomar um pouco de vinho nas missas. Mas, se a lei for aplicada, o padre que tomar vinho nas cerimônias também poderá acabar sendo preso na esquina.

DC - A lei vai pegar?

Maricato – Não passará. Faremos um movimento mais forte do que o que fizemos para enterrar a MP 415. Do lado do consumidor, é evidente que 80 milhões ou 90 milhões de brasileiros também não mudarão seus hábitos, não deixarão de lado seu direito ao lazer apenas porque o governo emitiu um decreto ou uma lei.

DC - Por que não daria certo no Brasil, assim como deu em países europeus?

Maricato – Na Europa, as pessoas têm uma cultura de sair mais cedo. Seria bom para nós que os brasileiros fizessem isso, mas eles gostam de sair mais tarde. Por outro lado, na Europa, você pode circular na rua sem correr risco de ser assaltado em cada esquina e existem transportes públicos durante a noite. Aliás, em muitos países, a lei é mais liberal que a nossa.

DC – Existe certo preconceito contra bares ou mesmo bebida no País?

Maricato – Existe, sim, um visível preconceito da sociedade, das autoridades e da mídia contra bares em geral e bebida em especial. São locais de lazer, descontração, divertimento, namoro, acesso democrático de jovens, e não merecem essa carga negativa. Aliás, bebida alcoólica é algo que faz parte da civilização há mais de dez mil anos. Na Antiguidade era tão cultuada que tinha até entidade divina – como Baco, o deus do vinho –, respeitada tanto como a fertilidade, o fogo e outras necessidades do homem. É preciso acabar com tanto preconceito.

Comentário do Cavaleiro do Templo: trocar o vício da humanidade é parte do projeto de dominação mundial. O partido-seita (estou falando do PT evidentemente, que quer dizer Pouco Trabalho, aliás) está totalmente alinhado com este projeto pois é e sempre foi financiado por ele. Ao tentar impedir o uso do cigarro e das bebidas, drogas lícitas, e fazer acordos com traficantes extremamente poderosos como as FARC no FORO DE SÃO PAULO, o que o PT (Pouco Trabalho) está nos impondo são as drogas ilícitas e que imbecilizam totalmente o ser humano. Ou seja, o PT com sua ideologia bacteriana (pois só uma bactéria pode perceber o mundo como faz um comunista/socialista), quer que todos sejam como eles. Imbecis. De quebra, realizam com esta "lei" outro movimento que dá a eles um tremendo tesão: impedir o ser humano de encontrar soluções próprias para um problema básico, o da sobrevivência (ou seja, a iniciativa privada, a empresa), visto que para a mentalidade bacteriana bom é encostar no Estado e depender completamente dele até para o papel higiênico, que não existe em Cuba.

Pão, circo e perseguidores brasileiros...

Do BLOG DO CLAUSEWITZ
quarta-feira, 2 de Julho de 2008

Pena que o Sr Marsico é "apenas" um Adjunto e que as decisões do TCU são no nível administrativo, não contendo força de retificação de ato, mas já é um começo... O TCU mostrou-se preocupado com a farra das indenizações aos ex do PT que teriam sido perseguidos na ditadura mais bizonha do velho oeste bolivariano, a nossa... e os casos levantados pelo Procurador Marsico, são emblemáticos, em especial o do terrorista Carlos Lamarca... nada como constestar dados técnicos de um processo de indenização a um traidor da pátria, como foi Lamarca...

Ironizei o fato do Sr Marsico ser apenas um adjunto, pois no nosso país se o sujeito não for o titular a coisa anda com menos ímpeto do que deveria andar... mas no grande festival de bandoleiros que tomaram de assalto os cofres públicos e os lugares de decisão de nossa acabrunhada nação, o Sr Marsico recebe neste momento a Medalha de Honra ao Mérito do Cruzeiro do Sul, por sua importante e decisiva participação na moralização da Res Publica... não confundir, por favor, com mérito da UNASUL, nem do MERCOSUL do lulla e da guerrilheira argentina...


Procurador do TCU questiona indenizações milionárias pagas pela Comissão de Anistia a Jaguar, Ziraldo e viúva de Lamarca

"O procurador-adjunto do Tribunal de Contas da União (TCU), Marinus Marsico, está preocupado com o alto valor das indenizações pagas pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça a personalidades públicas como Jaguar e Ziraldo, como forma de reparar perdas por perseguição política durante a ditadura. Marsico entrou com representação pedindo que o tribunal reveja as indenizações com prestações mensais, permanentes e continuadas. Se a representação for acolhida, das 24.560 indenizações já concedidas pela comissão, cerca de 90%, que são benefícios mensais, poderão ser revisadas. É o que mostra reportagem de Maria Lima na edição desta quarta-feira em 'O Globo'. Na representação, Marsico cita falhas consideradas graves nos processos da viúva do capitão Carlos Lamarca e dos jornalistas Ziraldo e Jaguar, que estão entre as mais altas já concedidas. O procurador do Ministério Público diz que deveriam ser reduzidos os benefícios à viúva de Lamarca, Maria Pavan Lamarca, e seus dois filhos. Além de pagamento retroativo de R$ 902.715,97 relativo a salários não recebidos, a Comissão de Anistia concedeu à família indenização post mortem de R$ 300 mil como compensação pelos dez anos do exílio em Cuba. Morto em 1971, Lamarca foi promovido de capitão para coronel, o que deu à viúva o direito a pensão de R$ 12.152,61, equivalente à de general de divisão..."

Matéria completa

Um capítulo de memórias

Do portal do OLAVO DE CARVALHO
Por Olavo de Carvalho em 23 de junho de 2008

Vou pedir desculpas ao professor Olavo e publicar apenas a parte final de seu último artigo. Quem quiser ler na íntegra, clique aqui.

...

As sociedades humanas podem ser comparadas – e julgadas – pelo seu sucesso ou fracasso em transmutar a linguagem comum em instrumento do encontro genuíno entre os seres humanos. E, de tudo o que vi e vivi depois, concluí que a sociedade brasileira se destaca pelo total desinteresse em fazer isso, pela acomodação complacente a uma convivência feita só de estereótipos. Foi isso o que o conde de Keyserling, aquele observador arguto, notou ao dizer que, enquanto nos outros países as pessoas só imitam aquilo que desejam tornar-se no futuro, os brasileiros se contentam com a imitação enquanto tal, esmerando-se nela ao ponto de esquecer que é possível ser algo na realidade e acabando por acreditar que a única coisa a esperar da vida é o sucesso no fingimento. Não é à toa que a obra do maior dos nossos ficcionistas é uma galeria de fingidos, hipócritas e palhaços como jamais se viu no mundo. Em Machado de Assis o único personagem sincero, o único que fala consigo mesmo e tenta se compreender a si próprio e aos outros, o conselheiro Aires, acaba vivendo num prudente e recatado isolamento. Isso explica muita coisa da nossa política.

No meu caso, justamente a confissão, que deveria ser o encontro mais íntimo da consciência interior com o observador onissapiente, acabou se transformando no desencontro completo entre a rotina de um confessor entediado e a confusão mental de um menino ignorante. O Papa João Paulo II acertou em cheio quando disse que os brasileiros são cristãos no sentimento, mas não na fé. Não existe fé sem vida interior, mas a vida interior começa pelo ingresso naquele recinto fechado, sombrio, e pelo esforço de comunicar o incomunicável. O brasileiro acha isso angustiante demais e, buscando alívio numa familiaridade fácil, acaba por se transformar no seu próprio estereótipo.

Antes o Tio Sam que o tiro no sanco...

Do portal ÚLTIMO SEGUNDO
01/07
- 23:35 - BBC Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira que quer explicações dos Estados Unidos sobre a Quarta Frota da marinha americana, que reapareceu nas águas da América Latina quase 60 anos após ter sido desativada. "Pedi ao ministro (das Relações Exteriores) Celso Amorim que pedisse à secretária de Estado americana (Condoleezza Rice) informações sobre os objetivos desta Quarta Frota", disse Lula, em entrevista coletiva no encerramento da 35ª Reunião de Cúpula do Mercosul, na cidade argentina de San Miguel de Tucumán.

A Quarta Frota da marinha dos Estados Unidos, criada em 1943 diante da ameaça nazista, havia sido desativada em 1950. A partir desta terça-feira, a unidade voltou a realizar operações nos mares da América Latina.

"Nós agora descobrimos petróleo em toda a costa marítima brasileira, a 300 quilômetros da nossa costa, e nós, obviamente, queremos que os Estados Unidos nos expliquem qual é a lógica desta Quarta Frota", afirmou Lula.

"Nós vivemos numa região totalmente pacífica", disse o presidente, ao afirmar que a única guerra na região é contra a pobreza e a fome.

"Se fosse frota de navios de alimentos, de navios de sementes, seria até razoável. Mas eu penso que isso o ministro Celso Amorim haverá de ter uma resposta da Condoleezza", disse.

Críticas
A reativação da Quarta Frota provocou críticas de líderes latino-americanos, como o cubano Fidel Castro e o presidente da Bolívia, Evo Morales.

Lula falou sobre o tema ao ser questionado sobre declarações feitas durante a reunião de cúpula pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que condenou essa presença da marinha americana na região.

Alguns analistas afirmam que o objetivo da medida seria controlar países da região com governos considerados "incômodos" por Washington, especialmente a Venezuela.

Porta-vozes militares americanos afirmam que a reativação da Quarta Frota não significa uma mudança de estratégia do país.

Segundo os Estados Unidos, trata-se de um ajuste operacional sem intenções agressivas, para melhorar a capacidade operativa no combate ao narcotráfico, manejo de desastres naturais e trabalhos de cooperação.

Comentários do BLOG DO CLAUSEWITZ

1º- Ante a inevitável recolonização à qual seremos submetidos, quer queiramos ou não, prefiro ser recolonizado por uma cultura superior, a dos USA...

2º- A quarta frota norte-americana, desativada desde 1950, reiniciou ontem suas atividades e será comandada por um contra-almirante e terá sua base em Mayport, Flórida...

3º- Essa força tarefa naval estará subordinada ao Comando Sul, com sede em Miami e será composta por 11 navios, entre eles 1 porta-aviões e 1 submarino nuclear...

4º- Essa decisão ocorre em um momento complexo na América do Sul, em que a instabilidade na região deixou de se resumir às FARC...

5º- A construção de um "big base" militar na Colômbia seria também um dos motivos de alvoroço por parte dos ditadores bolivarianos, pois consta que um dos objetivos da base é a substituição da base militar de Manta, cuja renovação de permissão de permanência no Equador não foi assinada e termina no próximo ano...

6º- Na AméricaLatina, os EUA já possuem bases militares em Guantánamo (Cuba), Aruba(Curaçao), Manta (Equador), Comapala (El Salvador), Comayagua (Honduras) e oaeroporto Mariscal Estigarribia (Paraguai)...

7º- Já mandei uma cartinha ao McCain que apesar de minha casa não comportar uma base militar, estou ao dispor daquele país para sentar a lenha na bolivarianada... antes que elles comecem a nos sentar a lenha...

Comentário do Cavaleiro do Templo: adiciono outra oferta aos americanos

8º- Estou autorizado a oferecer uma área com 440 mil metros quadrados por míseros 10 milhões de reias caso a base queira se instalar em Vitória, capital do ES.

McCAIN ESTÁ COLÔMBIA

Do blog MOVCC
O candidato republicano a Presidência de EUA chegou a Cartagena em companhia de sua esposa, onde se reúne esta noite com o presidente Uribe.

Objetivo da visita de McCain: Mostrar o êxito da política externa republicana.

Assim disseram fontes diplomáticas dos EUA. De feito, o governo Bush coincide com o momento da Colômbia, donde Uribe tem conquistado grandes triunfos contra os grupos armados e do narcotráfico.

Nos últimos meses foram desmantelados grandes cartéis de droga, como o do Norte del Valle; as guerrilhas estão dizimadas e três chefes do secretariado das Farc estão mortos este ano. Ademais, 14 chefes 'paras' foram extraditados recentemente porque o Governo considerou que não cumpriram os compromissos de Justiça e Paz.

As mesmas fontes diplomáticas de EUA afirmaram ao jornal El Tiempo que outra razão para que o senador e candidato republicano à Presidência visite o presidente Uribe é para chamar a atenção dos eleitores de seu país sobre as "inconseqüências" de Obama e dos democratas, que se negam a apoiar temas como o TLC com um aliado estratégico: Colômbia.

A viagem também é uma mensagem para uma região na qual pululam os governos de esquerda. McCain já disse anteriormente que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, "aspira converter-se em um Fidel Castro desta geração" e o considera uma "ameaça". El Tiempo.com


"Cala a boca" agora vai pro Evo(i)Morales...

Do blog MOVCC
O presidente do Peru, Alan García, exigiu nesta terça-feira que o chefe de Estado boliviano, Evo Morales, não se meta nos assuntos internos peruanos, e esclareceu enfaticamente que os Estados Unidos não têm nenhuma base dentro de seu país.

— Seria preciso dizer como (o rei) Juan Carlos da Espanha. Por que não se cala? Meta-se em seu país e não se meta no meu (...), tenha cuidado com as conseqüências do que está fazendo — disse García a jornalistas, ao falar do presidente boliviano.

— Além disso, tudo está sustentado em grosseiras mentiras e manipulações, como dizer que o Peru tem uma base dos Estados Unidos. Que esse senhor Morales venha ao Peru e diga onde está a base, mas o melhor que pode fazer é não se meter na política peruana e dividir os peruanos — acrescentou.

— Já parece ter feito o suficiente na Bolívia para vir se meter aqui. E não quero as desculpas de ninguém — disse o chefe de Estado peruano. EFE

ELA CHEGOU! A IV FROTA DOS EUA

Do blog MOVCC
Depois de 58 anos de inatividade, a IV Frota do poderoso Comando Sul, dos EUA, começa a patrulhar novamente as águas latino-americanas. Desta vez, sob o comando do contra-almirante Joseph Kernan. No currículo de Kernan, além de chefe máximo do Comando de Táticas Especiais de Guerra Naval, ele pertence ao grupo SEAL, um comando de elite cujos homens são selecionados para as mais duras operações especiais, preparados para atuar em condições adversas e exigentes. É a primeira vez que um SEAL ocupa um cargo semelhante.

Trata-se de uma força naval poderosa navegando pelas águas do Caribe, e cuja base será em Mayport (Flórida). Sua missão será combater o terrorismo e as atividades ilícitas, além de prestar serviços humanitários pela região.

(C.T. - agora a piada...) Como sempre, o trombeteador do Hugo Chávez afirma que poderá afundá-la pelos quatros flancos, e por isto, deverá viajar para a Rússia no final deste mês para adquirir mais armamentos para a Venezuela. Diante dos obscuros objetivos da UNASUL e do Conselho de Defesa Sul-americano, essa notícia é excelente. Coincidência ou não, os chefes latinos estão reunidos na Argentina hoje, para o seu encontro do MERCOSUL. Por Gaúcho/Gabriela

O material de Jaime L. Garcia sobre a IV FROTA, publicado hoje no jornal El Mundo, você pode ler aqui (em espanhol) via Notícias 24

Cai aprovação às medidas do governo no combate à inflação

Do portal do ESTADÃO
Da Redação, segunda-feira, 30 de junho de 2008

Pesquisa Ibope revela ainda que o pessimismo com a inflação no 2º semestre é o pior da série

BRASÍLIA - A alta da inflação já mexe com a avaliação do governo Lula, pelo menos no que diz respeito à forma como a alta dos preços tem sido combatida. Pesquisa Ibope - encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgada nesta segunda-feira - revela que a avaliação positiva do governo permaneceu estável em junho, em 58%. Contudo, a forma como a inflação tem sido combatida pelo governo (aprovação no combate aos preços) caiu de 51% para 41%. Na mesma medida cresceu a desaprovação ao combate à alta dos preços - de 43% para 53%.

Veja também:

link CNI/Ibope: cai aprovação do governo no combate à fome

link Avaliação positiva do governo fica em 58%, diz CNI/Ibope

A política econômica do governo para reduzir a pressão de alta sobre a inflação tem sido a elevação da Selic, a taxa básica de juros da economia, que desde março já subiu 1 ponto porcentual - de 11,25% para 12,25% ao ano. A pesquisa mostrou, portanto, que a aprovação à atual taxa de juros caiu de 39% para 31%.

Pessimismo com inflação é o maior da série histórica do Ibope

A população também está pessimista quanto à eficácia do aumento de juros no combate à inflação. A pesquisa mostra que 65% dos entrevistados acreditam que os preços vão aumentar muito no segundo semestre - é o maior patamar da série histórica do Ibope - e apenas 12% acreditam que ela diminuirá. Para 18%, a inflação não mudará nos seis próximos meses.

A pesquisa mostrou que a expectativa de aumento da inflação é o principal motivo de preocupação de todos os entrevistados. Isso influiu, segundo o diretor da CNI, Marco Antonio Guarita, no aumento da percepção pessimista da população em relação ao desemprego e à renda - dois itens que causam impacto direto na vida das pessoas.

A apuração do Ibope mostra também que a aprovação no combate ao desemprego caiu de 55% para 52%, enquanto a desaprovação subiu de 41% para 45%. No campo econômico, outro aspecto negativo foi a queda na aprovação sobre impostos - de 35% para 31% - e a desaprovação subiu de 60% para 63%.

O pessimismo atinge também as perspectivas sobre o desemprego. Subiu de 42% para 52% o total de entrevistados que acreditam que o desemprego aumentará muito no segundo semestre. Apenas 24% acreditam em queda do desemprego e para 21% os números do desemprego continuaram estáveis nos seis próximos meses.

O fato é que a pesquisa revelou que o brasileiro está percebendo mudanças no horizonte da economia, sobretudo em relação à inflação. Guarita diz, porém, que ainda é recente a expectativa das pessoas em relação à alta da inflação e que isso não teria influenciado a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na pesquisa, a avaliação negativa do governo passou de 11%, registrados em março, para 12% em junho, e a desaprovação ao presidente subiu de 22%, registrados em março, para 24%, em junho.

Os dados são da pesquisa Ibope, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e apresentada nesta segunda-feira. O Ibope entrevistou 2002 pessoas em 141 municípios entre os dias 22 e 23 de junho. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais.

Comentário do Cavaleiro do Templo: estes dados mostram o que Olavo de Carvalho fala a algum tempo: o brasileiro é DINHEIRISTA e SEXISTA. Só pensa em dinheiro e sexo. Para nós, apenas se mexerem no nosso bolso ou se nos castrarem é que a coisa fica ruim. Termos 50 mil mortes por ano não mexe com a população NEM FAZ A POPULARIDADE DO PRESIMENTE CAIR. A existência do FORO DE SÃO PAULO, entidade criada por LULA e as FARC também não afeta a vida do brasileiro. O MST fazer o que quer também não causa espanto. Pelo menos espero que com a alta da inflação, reflexo de políticas de um governo de ineptos (todo este governo é, de cima até embaixo), o brasileiro fique pelo menos chateado com o LULA-LAU.

terça-feira, 1 de julho de 2008

A dissolução do Ocidente: uma introdução

Do BLOG DO ANGUETH
Por Richard Weaver em sábado, 23 de setembro de 2006


Nota inicial: Richard M. Weaver (1910-1963) foi professor de inglês na Universidade de Chicago. Apesar de sua curta vida, foi um expoente do pensamento conservador americano e sua obra é extensa (basta digitar seu nome na Amazon.com para se ter uma idéia de suas obras ainda editadas). Ele é, contudo, praticamente desconhecido no Brasil. Arriscando-me a cometer alguma injustiça, afirmo nunca ter visto referência a seu nome em obras em português.

Em 1948, ele escreveu um pequeno livro de 187 páginas intitulado “
Ideas Have Consequences” que até hoje é editado pela editora da Universidade de Chicago, do qual traduzo seu capítulo introdutório. O livro é um extraordinário diagnóstico da situação da queda do homem ocidental. Na contra-capa do livro, Robert Nisbet, outro grande conservador americano, afirma que “este livro profundamente profético não só iniciou a renascença do conservadorismo filosófico neste país [EUA], como também, no processo, nos forneceu um arsenal de insights sobre as doenças que acometem nossa nação e é tão atual hoje, como quando de sua primeira edição.

Que esse livro nunca tenha sido traduzido para o português e editado no Brasil é só mais uma confirmação do que nos ensina, insistentemente, Olavo de Carvalho. É necessário que libertemos nosso país da sinecura acadêmica em que se transformou a universidade brasileira.

***

Este é um outro livro sobre a dissolução do Ocidente. Eu tento fazer duas coisas pouco comuns na crescente literatura sobre o assunto. Primeiro, apresento uma avaliação do declínio baseada não em analogia, mas em dedução. O ponto de partida é a suposição de que o mundo é inteligível, que o homem é livre e que as conseqüências que, agora, expiamos são o produto de uma escolha não inteligente e não de necessidade biológica ou de outra natureza qualquer. Em segundo lugar, subjaz em minha proposta – senão de solução, pelo menos de início de solução – a crença de que o homem não deve utilizar-se de uma análise científica como pretexto por sua impotência moral.

Considerando o mundo a que essas questões são endereçadas, tenho me surpreendido com a dificuldade de admissão de certos fatos iniciais. Essa dificuldade é devida, em parte, à prevalecente teoria Whig da história[1] – com a sua crença de que o ponto mais avançado no tempo representa o ponto mais elevado de desenvolvimento – que é, sem dúvida, auxiliada pelas teorias da evolução que sugerem ao desatento a existência de um tipo de passagem necessária do simples ao complexo. No entanto, o problema real se encontra numa camada mais profunda. Trata-se do espantoso problema, quando casos reais são enfrentados, de fazer os homens distinguirem entre o melhor e o pior. Têm as pessoas, atualmente, uma escala de valores suficientemente racional para avaliar esses predicados com inteligência? Há fundamento para se declarar que o homem moderno se tornou um idiota moral. São tão poucos os que se preocupam em examinar suas próprias vidas, ou conseguem suportar a censura diante da constatação de que nosso estado presente pode ser um estado de queda, que se pode perguntar se as pessoas, hoje, entendem o que significa a superioridade de um ideal. Pode-se esperar que haja uma perda da capacidade do raciocínio abstrato; mas o que dizer quando afirmações do tipo mais concreto são feitas e as pessoas não conseguem perceber diferenças ou tirar uma conclusão? Por quatro séculos, todo homem tem sido não só seu próprio sacerdote, mas também seu próprio professor de ética, e a conseqüência é uma anarquia que ameaça até o consenso mínimo de valores necessário à existência do estado político.

Certamente temos razão em dizer, de nossa época: se procuras um monumento à nossa tolice, olha para ti. Nestes dias que passam, temos visto cidades obliteradas e fés antigas atacadas. Podemos perguntar, com as palavras de Mateus, se não estamos enfrentando “a tribulação” que “será tão grande como nunca foi vista, desde o começo do mundo.”[2] Por muitos anos, temos nos movido com uma imprudente confiança de que o homem atingiu uma posição de independência, que tornou desnecessários os antigos limites. Agora, na primeira metade do século XX, no topo do progresso moderno, contemplamos surtos inigualáveis de ódio e violência; vemos nações inteiras desoladas pela guerra e transformadas em campos de concentração por seus conquistadores; descobrimos que metade da humanidade considera a outra metade criminosa. Por todo lado, ocorrem sintomas de psicose coletiva. Mais portentoso ainda é que surgem fundamentos divergentes de valores, de forma que nosso globo planetário único é escarnecido por mundos com diferentes entendimentos. Esses sinais de desintegração despertam o medo e o medo leva a esforços unilaterais desesperados de sobrevivência, que só fazem avançar o progresso.

Como Macbeth, o homem ocidental tomou uma má decisão, que se tornou a causa eficiente e final de outras más decisões. Já nos esquecemos de nosso encontro com as bruxas na charneca? Ele aconteceu no século XIV e o que as bruxas disseram ao protagonista desse drama foi que o homem poderia realizar-se mais integralmente se ele, simplesmente, abandonasse sua crença na existência dos transcendentais. Os poderes da escuridão estavam trabalhando sutilmente, como sempre, e eles expressaram essa proposição como uma, aparentemente, inofensiva forma de ataque aos universais. A derrota do realismo lógico no grande debate medieval foi o evento crucial da histórica da cultura ocidental; disso seguem aqueles atos que nos trás, agora, à moderna decadência.

Pode-se acusar essa descrição de simplificar excessivamente o processo histórico, mas tenho para mim que as políticas conscientes de homens e governos não são meras racionalizações que surgem como resultado de incontáveis forças. Elas são, ao contrário, deduções a partir de nossas mais básicas idéias sobre o destino humano, e elas têm o poder, não inteiramente desobstruído, de determinar o curso de nossa história.

Por essa razão, volto-me para Guilherme de Occam como o melhor representante de uma alteração surgida na concepção do homem sobre a realidade, naquele momento histórico. Foi Guilherme de Occam quem propôs a fatídica doutrina do nominalismo, que nega que os universais tenham uma existência real. Seu triunfo resultou em que os termos universais são meros nomes que podem servir à nossa conveniência. A questão de fundo envolve saber se existe uma fonte da verdade superior ao, e independente do, homem; e a resposta a essa questão é decisiva para qualquer visão da natureza e do destino da humanidade. O resultado prático da filosofia nominalista é banir a realidade que é percebida pelo intelecto e postular como realidade a que é percebida pelos sentidos. Com essa mudança na afirmação do que é real, toda a orientação da cultura se desviou e estamos trilhando, agora, o caminho do moderno empirismo.

É fácil deixar de enxergar a significância de uma mudança por ela apresentar um caráter abstrato e ter acontecido no passado remoto. Aqueles que não descobriram que a visão-de-mundo é a coisa mais importante em relação ao homem – quando, por exemplo, ele constrói uma cultura – devem considerar a cadeia de circunstâncias que, com perfeita lógica, seguiu-se ao nominalismo. A negação dos universais leva consigo a negação de toda experiência transcendente. A negação de toda a experiência transcendente significa inevitavelmente – apesar de se terem encontrado formas de subterfúgios – à negação da verdade. Com a negação da verdade objetiva não há como escapar do relativismo“do homem como medida de todas as coisas”. As bruxas falaram com a habitual ambigüidade dos oráculos, quando disseram ao homem que pela escolha fácil ele poderia se realizar mais inteiramente, pois, elas estavam iniciando um percurso que isola o homem da realidade. Assim começou a “abominação da desolação” que aparece hoje como uma sensação de alienação de toda realidade fixa.

Como a alteração de uma crença tão profunda acaba por influenciar todo o arcabouço conceitual, depois de muito tempo, surgiu uma nova doutrina sobre a natureza. Enquanto anteriormente a natureza tinha sido considerada uma imitação de um modelo transcendental, constituindo uma realidade imperfeita, agora, ela era vista como contendo os princípios de sua própria constituição e comportamento. Tal revisão teve duas importantes conseqüências para indagação filosófica. Primeira, ela encorajou um estudo cuidadoso da natureza, estudo que veio a ser conhecido como ciência, na suposição de que pelos seus atos (da natureza), ela revelava sua essência. Segunda, e pelo mesmo motivo, ela pôs de lado a doutrina das formas imperfeitamente realizadas. Aristóteles reconheceu um elemento de ininteligibilidade no mundo, mas a visão da natureza como um mecanismo racional expulsou este elemento. A expulsão do elemento de ininteligibilidade na natureza foi acompanhada pelo abandono da doutrina do pecado original. Se a natureza física é a totalidade e se o homem é apenas natureza, é impossível pensar que ele sofra de um mal constitucional; seus defeitos devem ser, agora, atribuídos simplesmente a sua ignorância ou a algum tipo de privação social. Chega-se assim, por uma límpida dedução, ao corolário da bondade natural do homem.[3]

E isso não é tudo. Se a natureza é um mecanismo auto-operante e o homem um animal racional adequado a suas necessidades, a próxima coisa a fazer é elevar o racionalismo ao posto de uma filosofia. Como o homem propunha, então, não ir além do mundo, seria apropriado que ele considerasse como sua mais alta vocação o desenvolvimento de métodos de interpretação dos dados supridos pelos seus sentidos. Seguiu-se a transição para Hobbes e Locke e os racionalistas do século XVIII, que ensinaram que o homem precisava apenas alimentar a razão com as evidências da natureza. A questão sobre a constituição do mundo se tornava, a partir de agora, sem sentido, pois, formulá-la pressuporia algo anterior à natureza, na ordem da existência. Assim, não é o misterioso fato da existência do mundo que interessa ao novo homem, mas as explicações de como ele funciona. Essa é a base racional da moderna ciência, cuja sistematização dos fenômenos é, como Bacon declarou em Nova Atlântida, um meio de domínio.

Nesse momento, a religião começa a assumir uma dignidade ambígua e a questão sobre se ela vai continuar a existir num mundo de racionalismo e ciência deve ser enfrentada. Uma solução é o deísmo, que faz de Deus o resultado de uma leitura racional da natureza. Mas essa religião, como todas as que negam uma verdade anterior, foi impotente para unir os homens; ela apenas permite cada homem livre interpretar o mundo dos sentidos como lhe aprouver. Seguiram-se referências à “natureza e à natureza de Deus,” e a anomalia de uma religião “humanizada”.

O materialismo nos espreitava no horizonte, pois, ele estava implícito no que já tinha sido acordado. Assim, ele logo se tornou imperativo para explicar o homem por meio de seu ambiente, que foi o trabalho de Darwin e outros no século XIX (e ainda mais significativo sobre o grau de penetração de tais mudanças é o fato de que outros estavam chegando a explicações semelhantes, quando Darwin as publicou em 1859). Se o homem entrou no século XIX em nuvens de glória transcendental, ele estava, agora, reduzido a um nível que satisfazia aos positivistas.

Com o ser humano assim firmemente abrigado na natureza, se tornou imediatamente necessário perguntar sobre o caráter fundamental de sua motivação. Necessidade biológica, resultado da sobrevivência do mais adaptado, foi oferecida como a causa causans, depois que a importante questão a respeito da origem humana foi decidida em favor do materialismo científico.

Após ter se tornado corrente a idéia de que o homem é moldado inteiramente por pressões ambientais, é obrigatório estender a mesma teoria da casualidade às suas instituições. Os filósofos sociais do século XIX encontraram em Darwin um poderoso apoio para suas teses sobre os seres humanos sempre agirem a partir de incentivos econômicos, e foram esses filósofos que completaram a abolição da liberdade da volição humana. O grande cenário da história ficou, assim, reduzido a empreendimentos econômicos de indivíduos e classes; e prognósticos elaborados foram construídos sobre a teoria do conflito econômico e sua resolução. O homem, criado à imagem de Deus, o protagonista de um grande drama em que sua alma corre perigo, foi substituído por um animal consumidor à procura de riqueza.

Finalmente, surgia a psicologia comportamental, que negava não somente a liberdade da vontade, mas até daqueles meios de orientação que são os instintos. Por causa da natureza escandalosa dessa teoria ter ficado logo aparente, ela fracassou em ganhar adeptos em número semelhante às outras teorias; mesmo assim, ela é somente uma extensão lógica delas e deveria ser adotada pelos defensores da causação material. Essencialmente, ela é uma redução ao absurdo da linha de raciocínio que começou quando o homem deu um alegre adeus ao conceito de transcendência.

Não há termo adequado para descrever a condição a que o homem foi deixado, exceto “abismalidade”. Ele está num abismo negro e profundo e não há nada que possa tirá-lo de lá. Sua vida é prática sem teoria. À medida que os problemas sobre ele se acumulam, ele aprofunda a confusão, por enfrentá-los com políticas ad hoc. Secretamente, ele anseia pela verdade, mas se consola com o pensamento de que a vida deve ser experimental. Ele vê suas instituições se desmoronando e racionaliza com uma conversa sobre emancipação. Guerras têm de ser travadas, aparentemente com crescente freqüência; portanto ele revive velhos ideais – ideais que suas atuais suposições tornam sem significado – e, por meio da máquina do estado, os força, novamente, a fazer o serviço. Ele luta contra um paradoxo: sua total imersão na matéria o torna inadaptado para tratar os problemas da matéria.

Seu declínio pode ser representado como uma longa série de abdicações. Ele foi encontrando cada vez menos fundamento para a autoridade, ao mesmo tempo em que pensava estar se consolidando como o centro da autoridade no universo; de fato, parece haver aqui um processo dialético que tira poder do homem na proporção em que ele considera que sua independência o habilita a tal poder.

Essa estória é eloqüentemente refletida nas alterações que aconteceram na educação. O deslocamento da verdade do intelecto para os fatos da experiência aconteceu decisivamente após o encontro com as feiticeiras. Um pequeno sinal aparece, “uma nuvem menor que uma mão humana”, numa modificação que surgiu no estudo da lógica no século XIV – o século de Occam. A lógica se tornou gramatizada, passando de uma ciência que ensinava aos homens o vere loqui para uma que os ensinava o recte loqui ou de uma divisão ontológica por categorias a um estudo das significações, com o inevitável foco nos significados históricos. Aqui começa o ataque à definição: se as palavras não correspondem mais a realidades objetivas, parece não ser errado tomar certas liberdades com as palavras. Desse ponto em diante, a fé na linguagem como um meio de alcançar a verdade enfraquece, até que a nossa época, repleta de um agudo sentimento de dúvida, procura por uma solução na nova ciência da semântica.

O mesmo aconteceu com a educação. A Renascença adaptou, de modo crescente, o seu curso de forma a produzir um bem-sucedido homem do mundo, apesar de não deixá-lo sem filosofia e sem as Graças, pois, o mundo era ainda, por herança pelo menos, idealista e, portanto, próximo o bastante das concepções transcendentais para perceber os efeitos desumanizantes da especialização. No século XVII, as descobertas físicas pavimentaram o caminho para a incorporação das ciências, a despeito de que não tenha sido antes do século XIX que estas começassem a desafiar a própria existência das antigas disciplinas intelectuais. E nesse período, a mudança ganhou ímpeto, auxiliada por dois desenvolvimentos de imensa influência. O primeiro foi o patente aumento do domínio do homem sobre a natureza, que deslumbrou a todos, excluindo-se apenas os mais atentos; e o segundo foi a crescente exigência de educação popular. O último desenvolvimento poderia ter sido positivo, mas ele foi arruinado pelo insolúvel problema da autoridade numa democracia igualitária: ninguém tinha o mandato para dizer quais das múltiplas aspirações deveriam ser atendidas. Finalmente, numa abjeta capitulação à situação, numa abdicação da autoridade do conhecimento, surgiu o sistema eletivo. Seguiu-se então um carnaval de especialismo, profissionalismo e vocacionalismo, freqüentemente estimulado e protegido por estranhos instrumentos burocráticos, de tal forma que sob o honrado nome de universidade se abrigou uma extraordinária confluência de interessesnão poucos desses, anti-intelectuais até em suas pretensões. Instituições de ensino não contrabalançaram, mas contribuíram para o declínio, por perderem o interesse no Homo sapiens e desenvolverem o Homo faber.

Estudos se transformam em hábitos e é fácil ver essas mudanças refletidas no tipo dominante de líder de época para época. No século XVII o líder foi, de um lado, o monarquista e o defensor erudito da fé e, de outro, intelectuais aristocráticos do porte de John Milton e teocratas puritanos que se assentaram na Nova Inglaterra. O século seguinte assistiu a dominação dos Whigs na Inglaterra e o advento dos enciclopedistas e românticos no Continente, homens a quem não faltava preparo intelectual mas que, assiduamente, cortavam as cordas que nos uniam à realidade, na medida em que sucumbiam à ilusão de que o homem é bom por natureza. A repreensão de Frederico, o Grande, a um sentimentalista, “Ach, mein lieber Sulzer, er kennt nicht diese verdammte Rasse,” resume a diferença dos dois cenários. O período subseqüente testemunhou o surgimento do líder popular e demagogo, o típico inimigo do privilégio, que ampliou o direito do voto na Inglaterra, forjou a revolução no Continente, e nos EUA substituiu a ordem social vislumbrada pelos Pais Fundadores pelo demagogismo e pela máquina política urbana. O século XX introduziu o líder das massas, apesar de que neste ponto ocorreu uma fissura, cujo profundo significado teremos ocasião de comentar. Os novos profetas da reforma se dividem nitidamente em humanitários sentimentais e um grupo de elite de teóricos desapiedados que se orgulham de sua imunidade ao sentimentalismo. Odiando este mundo que eles não criaram, depois de sua devassidão de séculos, os modernos comunistas – revolucionários e lógicos – se movem em direção ao rigor intelectual. Nessa decisão reside a mais nítida devassidão originada na deserção do intelecto do homem renascentista e seus sucessores. Nada há de mais perturbador para o homem moderno do Ocidente que a claridade lógica com que os comunistas enfrentam todos os problemas. Quem dirá que esse sentimento não nasce de uma profunda apreensão do fato de que aqui se encontram os primeiros realistas em centenas de anos, e que não há caminho intermediário que salvará o liberalismo ocidental?

A história da passagem do homem pelo transcendentalismo religioso ou filosófico já foi contada muitas vezes e, como ela tem sido contada como uma história de progresso, é extremamente difícil hoje fazer as pessoas, em qualquer número, verem implicações contrárias. Mesmo assim, estabelecer a decadência como um fato é a tarefa mais urgente de nosso tempo, pois, até que demonstremos que o declínio cultural é um fato histórico – que pode ser confirmado – e que o homem moderno tem esbanjado a herança dos antepassados, não poderemos combater aqueles que caíram presas do otimismo histérico.

Tal é a tarefa. Seu mais sério obstáculo é que as pessoas que trilham o caminho do declínio desenvolvem uma insensibilidade que aumenta sua degradação. A perda é percebida mais claramente no início; depois que o hábito se implantou, nota-se a anômala situação da apatia se instalando à medida que a crise moral se aprofunda. Quando os primeiros e tênues alertas aparecem é que se tem as melhores chances de salvação; e isso, desconfio, explica porque os pensadores medievais ficavam extremamente agitados sobre questões que nos parecem, hoje, sem nenhuma relevância. Se se avança, as vozes de alerta se tornam inaudíveis e não é impossível atingir-se o estado em que se perde completamente a orientação moral. Então, em face da enorme brutalidade de nosso tempo, parecemos incapazes de dar as respostas apropriadas às perversões da verdade e aos atos de bestialidade. Variadas situações mostram nossa complacência em presença de contradições que negam a herança da Grécia e de uma insensibilidade ao sofrimento que nega o espírito do Cristianismo. Particularmente, desde as grandes guerras observamos essa situação. Aproximamo-nos de uma condição em que seremos amorais sem a capacidade para percebê-lo e degradados sem os meios de medir nossa queda.

Essa é a razão pela qual, quando refletimos sobre os cataclismos de nosso tempo, ficamos profundamente impressionados com os fracassos do homem frente a seus desafios. No passado, grandes calamidades exigiram, senão grandes virtudes, pelo menos posturas heróicas; mas depois dos tremendos julgamentos pronunciados contra os homens e as nações nas décadas recentes, detectamos notas de trivialidade e paródia. Uma estranha disparidade se desenvolveu entre o drama dessas ações e a conduta dos protagonistas, e temos a impressão de assistir atores que não compreendem seus papéis.

O otimismo histérico persistirá até que o mundo admita a existência da tragédia novamente, e ele não poderá admitir a existência da tragédia até que ele, de novo, distinga o bem do mal. A esperança da restauração depende da recuperação da “cerimônia da inocência,” daquela clareza de visão e conhecimento da forma que nos capacita a perceber o que é hostil e destrutivo, o que não se adequa a nossa ambição moral. O tempo da busca é agora, antes que adquiramos a despreocupação daqueles que preferem a perdição. Pois, com o passar do tempo, o movimento se torna centrífugo; regozijaremos em nosso abandono e nada nos dará um maior senso de realização do que a destruição de algum baluarte de nossa cultura.

Nessas circunstâncias, não é surpresa que, quando sugerimos às pessoas que considerem a mera possibilidade da decadência, só encontramos incredulidade e ressentimento. Devemos considerar que estamos, de fato, pedindo uma confissão de culpa e uma aceitação de uma obrigação austera; estamos fazendo exigências em nome do ideal ou do supra-pessoal, e não podemos esperar uma recepção mais cordial da que receberam, em outros tempos, os perturbadores da complacência. Ao contrário, nossa recepção será pior hoje, pois um século e meio de ascendência burguesa produziu um tipo de mentalidade altamente refratária a pensamentos perturbadores. Somado a isso vem o egoísmo do homem moderno, alimentado de muitas formas, que dificilmente possibilitará a humildade necessária à autocrítica.

Os apóstolos do modernismo começam, usualmente, sua réplica mordaz com uma lista das modernas realizações, não percebendo que, assim, eles dão testemunha de sua imersão em particulares. Devemos lembrá-los que não podemos começar a enumerar até que tenhamos definido o que se busca ou o que se tenta provar. Não será suficiente apontar as invenções e processos de nosso século, a menos que se possa mostrar que eles são mais que uma esplêndida florescência da queda. Qualquer um que queira louvar alguma realização moderna deve esperar até que possa relacioná-la aos professados objetivos de nossa civilização, tão rigorosamente quanto o escolástico relacionava um corolário à sua doutrina da natureza de Deus. Sem isso, todas as demonstrações são inúteis.

Se concordarmos, contudo, de que devemos falar de fins antes que de meios, podemos começar por algumas questões perfeitamente triviais a respeito da condição do homem moderno. Comecemos, em primeiro lugar, por perguntar se ele sabe mais ou é, no geral, mais sábio que seus predecessores.

Essa é uma grave consideração e se a alegação moderna do maior saber é correta, nossa crítica desmorona, pois dificilmente pode-se imaginar que um povo cujo conhecimento tenha aumentado ao longo dos séculos, venha a escolher um curso nocivo.

Naturalmente, tudo depende do que queremos dizer por conhecimento. Apoio-me aqui na proposição clássica de que não há conhecimento no nível da sensação, que, portanto, o conhecimento é conhecimento de universais e o que quer que conheçamos, nos habilita a predizer. O processo de aprendizagem envolve interpretação e quanto menos particulares exigimos para chegar a nossas generalizações, mais aptos estudantes seremos na escola da sabedoria.

Toda a tendência do moderno pensamento – pode-se dizer, todo o seu impulso moral – é de manter o indivíduo ocupado com intermináveis induções. Desde o tempo de Bacon, o mundo tem se afastado, e não se aproximado, dos primeiros princípios, de tal forma que, em nível verbal, vemos o “fato” substituindo a “verdade”, e em nível filosófico, testemunhamos o ataque às idéias abstratas e ao questionamento especulativo. A suposição oculta do empirismo é que a experiência nos dirá o que estamos experimentando. Na arena popular, pode-se dizer, a partir de certas colunas jornalísticas e de certos programas de rádio, que o homem médio se imbuiu dessa noção e imagina que uma cuidadosa aquisição de particulares o transformará num homem de conhecimento. Com essa patética confiança, ele recita suas crenças! Foi dito a ele que conhecimento é poder e que conhecimento se constitui de um grande número de pequenas coisas.

Dessa forma, o deslocamento do questionamento especulativo para a investigação da experiência tem deixado o homem moderno tão encharcado de multiplicidades que ele não consegue mais vislumbrar seu caminho. Entendemos, assim, o dictum de Goethe que diz que só podemos dizer que sabemos mais, na medida em que sabemos pouco. Se nosso contemporâneo tem uma profissão, ele será capaz de descrever alguma parte ínfima do mundo com minuciosa fidelidade, mas lhe faltará ainda a compreensão. Não pode haver verdade num programa de ciências isoladas, e o pensamento de nosso especialista será invalidado assim que relações ab extra são introduzidas.

O mundo do conhecimento “moderno” é como o universo de Eddington, que se expande por difusão até que se aproxima do ponto de nulidade.

O que os defensores da presente civilização querem dizer quando afirmam que o homem moderno é mais instruído que seus antepassados é que ele é alfabetizado em grandes números. A alfabetização pode ser demonstrada; mesmo assim, pode-se questionar se houve, em alguma época, panacéia tão decepcionante, e somos compelidos, depois de cem anos de experiência, a ecoar a observação amarga de Nietzsche: “Todo aquele que aprende a ler, arruína, a longo prazo, não somente a escrita, mas também o pensamento.” Não é o que o indivíduo consegue ler; é o que ele realmente lê – e o que ele pode, por todos os meios imagináveis, aprender com o que lê –, que determina a questão deste nobre experimento. Desenvolvemos a técnica de aquisição; quão confortáveis podemos estar com a forma de as pessoas empregarem essa técnica? Numa sociedade onde a expressão é livre e a popularidade é recompensada, elas lêem principalmente o que as perverte, e estão continuamente expostas à manipulação pelos controladores das máquinas de imprimir. Pode-se duvidar que uma pessoa, em três, consiga extrair o que se possa considerar conhecimento de suas leituras livremente escolhidas. O impressionante número de fatos a que o homem moderno tem, hoje, acesso serve apenas para afastá-lo dos primeiros princípios, de tal forma que sua orientação se torna periférica. E pairando sobre tudo, como um lembrete dessa tolice, está a tragédia da Alemanha moderna, uma nação totalmente alfabetizada.

Aqueles que são baconianos e preferem sapatos à filosofia, responderão que esse é um argumento ocioso, pois a verdadeira glória da moderna civilização é que o homem aperfeiçoou seu legado a tal ponto que agora ele pode dele se beneficiar. E é provável se encontrarem estatísticas mostrando que o homem médio atual, em países que não foram devastados pela guerra, tenha mais coisas a consumir que seus antepassados. Sobre isso, contudo, há dois comentários importantes a fazer.

O primeiro é que como o homem moderno ainda não definiu sua forma de vida, ele deu o primeiro de uma séria interminável de passos quando entrou na luta por uma vida “adequada”. Uma das mais estranhas disparidades da história é a encontrada entre o sentimento de abundância das sociedades mais antigas e simples e o sentimento de escassez das sociedades atuais, ostensivamente ricas. Charles Péguy referiu-se ao sentimento de um “vagaroso estrangulamento econômico” do homem moderno, o sentimento de nunca ter o suficiente para as exigências que seu padrão de vida o impõe. Padrões de consumo que ele não pode manter, e que ele não precisa manter, surgem virtualmente disfarçados de obrigações. Como a abundância da vida simples é substituída pela escassez da vida complexa, parece que, de alguma forma inexplicável, idealizamos a prosperidade até que, para a maioria, ela fosse apenas uma ficção. Certamente os baconianos ainda não podem declarar vitória até que fique provado que a substituição da desambição pela cobiça e das exigências estáveis das necessidades pela espiral crescente dos desejos, leva a uma condição de maior felicidade.

Suponha, contudo, que ignoremos esse sentimento de frustração e voltemos nossa atenção para o fato de que, em comparação, o homem moderno possua mais bens. Essa mesma circunstância instala um conflito, pois é uma lei permanente da natureza humana o fato de que quanto mais o homem se delicia com o que tem, menos se dispõe a suportar a disciplina do trabalho árduo – isso equivale a dizer, menos desejoso está de produzir aquilo que será depois consumido. O trabalho deixa de ter uma função na vida; torna-se algo que é relutantemente trocado por aquela competência ou por aquela superfluidade a que todos têm “direito”. Uma sociedade mimada dessa forma pode ser comparada com o alcoólatra: quanto mais ele se embebeda, menos capaz ele se torna de trabalhar e de adquirir os meios para manter seu hábito. Um alto nível de vida, pela sua própria tentação à luxúria, incapacita quem o possui para o trabalho necessário a mantê-lo, fato que tem sido observado em incontáveis épocas nas histórias de indivíduos e nações.

Mas, deixemos de lado todas as considerações particulares desse tipo e perguntemos se o homem moderno, por razões aparentes ou obscuras, se sente crescentemente feliz. Evitemos concepções superficiais sobre esse estado e nos voltemos para algo fundamental. Considero aqui na definição de Aristóteles: “sentimento de vitalidade consciente”. O homem moderno se sente bem com a vida, ele a contempla como um homem forte aguarda uma competição?

Primeiro, precisa-se levar em conta a profunda ansiedade psíquica, a extraordinária permanência da neurose, que torna único o nosso tempo. O homem moderno típico tem o olhar de uma presa. Ele sente que perdemos o pulso da realidade. Isso, por sua vez, produz uma desintegração, e a desintegração torna impossível aquele tipo de predição razoável por meio da qual os homens, em eras de sanidade, são capazes de ordenar suas vidas. E o medo disso advindo, liberta a grande força desorganizadora do ódio, de forma que estados são ameaçados e guerras se sucedem. Poucos homens hoje confiam que a guerra não exterminará a herança de seus filhos; e, mesmo que esse mal seja contido, o indivíduo não se confortará, pois ele sabe que a tecnologia Juggernaut[4] pode distorcer e destruir o padrão de vida que ele construiu para si mesmo. Uma criatura destinada a olhar para trás e para frente descobre que a primeira ação se tornou fora de moda e a segunda, impossível.

Além disso, há outra privação. O homem é constantemente assegurado de que ele tem, hoje, mais poder do em qualquer tempo anterior, mas sua experiência diária é de incapacidade. Olhe para ele na confusão de uma grande cidade. Se ele trabalha em uma empresa, há grandes chances de que ele tenha sacrificado todo tipo de independência por aquela dúbia independência dita financeira. As organizações corporativas modernas fazem da independência uma coisa muito cara; de fato, elas podem fazer da integridade um luxo proibitivo para o homem comum, como mostrou Stuart Chase.[5] Esse homem não é só um provável escravo em seu trabalho diário, mas ele está também cercado, tolhido e confinado de incontáveis formas, muitas delas sendo apenas instrumentos que tornam fisicamente possível o viver na multidão. Pelo fato de que essas são privações do que é legítimo, o resultado é a frustração, daí o olhar, no rosto daqueles cujas almas ainda não se apequenaram, de penúria e infelicidade.

Essas são algumas questões que devem ser apresentadas aos defensores do progresso. Objetar-se-á certamente que a decadência da época atual é uma das permanentes ilusões da humanidade; será dito que cada geração sente em relação à próxima o mesmo que os pais sentem em relação aos filhos, não acreditando que eles sejam capazes de tratar com o imenso mundo. Em reposta devemos afirmar que, dadas as condições descritas, cada geração sucessiva mostra, realmente, um declínio no sentido de que ela dá um passo a mais na direção do abismo. Quando uma mudança está acontecendo, cada geração para ela contribuirá, e o fato de que algumas culturas passaram de um alto grau de organização para a dissolução pode ser demonstrado tão objetivamente quanto qualquer outro fato na história. Pense apenas na Grécia, em Veneza, na Alemanha. A asserção de que mudanças de geração a geração são ilusórias e de que existem apenas ciclos de reprodução biológica é outra forma de negação de padrões e, em última análise, de negação do conhecimento, que é a fonte de nossa degradação.

A civilização tem sido um fenômeno intermitente; a essa verdade temos nos permitido ficar cegos pela insolência do sucesso material. Muitas sociedades mostraram, em seu entardecer, um brilho pirotécnico e uma capacidade para refinadas sensações, muito além de qualquer coisa vista em seus dias de vigor. Que tais coisas existam e ainda trabalhem contra o caráter mesmo da escolha, que é a âncora da sociedade, é a grande lição a ser aprendida.

Em última análise, nosso problema é como recuperar a integridade intelectual que permitirá ao homem perceber a ordem do bem.



[1] Whig theory of history – teoria histórica associada a estudiosos da era Vitoriana e Eduardiana, tais como Henry Maine e Thomas Macaulay. O traço fundamental dessa teoria é a consideração de que a história humana vai da selvageria ao progresso, da ignorância à paz, história de prosperidade e ciência. (N. do T.)
[2] Mat 24, 21 (N. do T.)
[3] Ver Os inimigos do conservadorismo segundo Edmund Burke. (N. do T)
[4] Do Hindu, JagannAth, literalmente, senhor do mundo, título de Vishnu. O termo é usado aqui como sinônimo de força inexorável que atropela tudo em seu caminho. (N. do T.)
[5] Ver “The luxury of integrity”(O luxo da integridade), de Stuart Chase

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".