Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.
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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Há 70 anos: Democracia e o Indivíduo

Fonte: MÍDIA A MAIS
1 de setembro de 2009 Especial - Segunda Guerra Mundial: 70 anos


Eric Voegelin: honestidade intelectual e coragem para dizer verdades alertando sobre os perigos para a democracia

H
á setenta anos, em 1939, quase recém chegado aos Estados Unidos após escapar das garras da Gestapo, literalmente pela janela, o filósofo Eric Voegelin, acostumado ao rigor científico e acadêmico, fez uma breve preleção radiofônica, numa linguagem acessível ao público americano. Voegelin não era apenas mais um refugiado europeu acolhido pelos americanos: não era judeu, não tinha afiliação política e era alemão de nascimento, criado e educado em Viena, Áustria. Mas Voegelin dava aulas e escrevia coisas que não agradavam ao nacional-socialismo. Tão perigosos eram os seus escritos que quase lhe custaram a liberdade e a vida, pois continham elementos corrosivos: honestidade intelectual, rigor e verdades[1].

Suponho que movido pela gratidão, o erudito Voegelin aceitou fazer a preleção radiofônica a partir de Evanston, Illinois. O tema era “Democracia e o Indivíduo[2]. Dela reproduzo aqui alguns trechos em tradução livre, adicionando uns poucos comentários e ênfases em negrito, deixando para o leitor a avaliação de sua pertinência aos tempos e ao país em que vivemos:


“Qual é o papel do indivíduo numa democracia? Para responder a essa questão não precisamos elaborar definições daquilo que é a democracia e daquilo que ela não é; precisamos apenas apontar determinadas instituições que, obviamente, requerem alguma ação da parte do indivíduo.


Nosso sistema democrático moderno é baseado na participação da população adulta na criação de órgãos de governo. Os cidadãos precisam eleger certo número de seus concidadãos para deveres governamentais, e esses, precisam estar prontos a aceitar tais deveres. Consideramos altamente democráticas as instituições quando praticamente todos os cidadãos adultos, homens e mulheres, podem votar e quando os postos são acessíveis a qualquer cidadão, sendo a regra comum a da qualificação pela idade, maior do que a exigida para votar.


Mas simplesmente votar faz uma democracia?


Devemos notar que o voto, simplesmente, não faz um governo democrático. Líderes ditatoriais, e não apenas nos dias de hoje, foram muito hábeis na transformação do processo eleitoral livre num processo mais ou menos sutil do voto de mão-única. Eles permitem que a população vote, mas apenas com um sim ou não; e pobre daquele que votar não. A decisão real acerca de quem deve ocupar cargos é tomada pelo grupo no poder.
[...] De modo a que um sistema de votação seja democrático, é necessário que esse seja complementado por instituições que permitam ao cidadão formar uma opinião sobre os assuntos e que tal opinião seja politicamente eficaz. Este fim é servido pela proteção às liberdades civis, pelo direito à livre expressão, imprensa livre, direito à reunião e petição, o direito de ingressar num partido, ou, se os existentes não forem do agrado, reunir pessoas e formar um novo. [...]”


Comentário 1: Deliberadamente, traduzi o office da transcrição como dever, posto e cargo, respectivamente. Os dois primeiros termos, nas democracias; o terceiro e último, nos regimes ditatoriais. Deliberadamente, mas não por acaso: etimologicamente, as duas são as acepções originais. Fica por conta do leitor avaliar se os eleitos no Brasil cumprem um dever, mantêm um posto em defesa das instituições, ou se apenas ocupam cargos. Sobre a idade adulta, conheço pessoas de cinquenta anos ou mais que ainda agem feito crianças, não obstante ocuparem cargos. Por outro lado, os adolescentes de dezesseis anos, que por natureza ainda não sabem o que são, são, não raro, pequenos ditadores e a eles lhes é concedido o direito ao voto. A nós outros, a humilhante obrigação.

Comentário 2: Os brasileiros têm opiniões sobre quase toda e qualquer coisa: a “imprensa livre” não pára de lançar opiniões ao ar. Direitos nominais, tampouco nos faltam. O que nos falta, então?

Voegelin continua:

“[...] O problema mais delicado da democracia é o da classe governante. Nenhuma sociedade política pode ser mantida estável quando há uma rápida mudança no grupo de pessoas que governa, e uma democracia não é exceção a essa regra. Deve haver certo número de pessoas que façam da política a sua profissão, estabelecendo as regras do jogo, preservando a tradição, iniciando os novatos, moldando-os à tradição. [...]

Comentário 3: Qual é a tradição política brasileira?

“[...] Eles não podem ser uma casta e precisam regenerar-se continuamente, a partir de diferentes estratos da sociedade. Uma delicada textura de interrelações sociais precisa ligar a ampla base democrática dos cidadãos que formam opiniões ao grupo governante, a fim de que este grupo seja verdadeiramente representativo do sentimento do povo e, ao mesmo tempo, preserve o elemento de estabilidade e continuidade no conjunto governante, o que é essencial a um governo estável e eficiente. [...] De forma abreviada, o problema de uma democracia funcional pode ser assim enunciado: um povo, constituído de indivíduos, capaz e desejoso de tomar interesse por assuntos políticos, capaz de formar opiniões bem fundamentadas e disposto a dedicar tempo e esforço na obtenção das informações necessárias [para a formulação de tais opiniões]. [...]”

Comentário 4: Sem comentários.

Volto ao sábio:

“[...] Os perigos que ameaçam uma democracia podem ser traduzidos por uma fórmula similar: Uma democracia está em perigo quando os cidadãos individuais, por uma ou outra razão, são incapazes ou não têm o desejo de ser bem informados, de ponderar, de argumentar e debater. [...] Ou, quando os cidadãos não mais produzem um número suficiente de indivíduos dispostos a assumir responsabilidades políticas. [...] Os dois perigos estão intimamente relacionados. [...] O caso alemão é bastante instrutivo a esse respeito. Os opositores do regime frequentemente criam a impressão ingênua de que um povo foi sobrepujado e destituído de suas instituições por uma minoria de demônios astuciosos. Às vezes é esquecido o fato de que muito antes de os Nacional Socialistas subirem ao poder na Alemanha, o sistema democrático tornou-se inoperante uma vez que os dois partidos antidemocráticos, o Comunista e o Nacional-Socialista, detinham uma maioria paralisante, por assim dizer. Isto significa que os dois partidos juntos tinham a maioria dos assentos do Reichstag, e juntos bloquearam e paralisaram qualquer ação democrática governamental. E essa maioria antidemocrática no parlamento foi eleita por uma maioria de eleitores vivendo no âmbito de instituições estritamente democráticas. A maioria dos cidadãos alemães desistiu do (ou nunca o obteve) status de indivíduos com opiniões bem fundamentadas, preferindo, em vez dessas, ter convicções. [...] O problema da democracia é, portanto, manter os indivíduos num estado de espírito democrático. [...]”

Comentário 5: Eric Voegelin evidentemente falava em favor das democracias modernas, pois seu grande mestre, Platão, temia as democracias, uma vez que estas seriam o caminho mais curto para a demagogia e, finalmente, para a tirania. Do exposto acima, é difícil classificar o Brasil como uma democracia moderna.

Comentário 6: A propósito do comentário anterior...



Também há setenta anos, exatamente em 1º de setembro de 1939, homens cheios de convicções, ostentando suásticas, invadiam a Polônia vindos do oeste, dando início à II Guerra Mundial. Dias depois, outros homens, não menos convictos, mas ostentando estrelas vermelhas, foices e martelos, invadiam a mesma Polônia, selando o seu destino. As grandes democracias européias, Inglaterra e França, protestaram com veemência... Foi necessário o concurso da grande democracia norte-americana para que ao menos uma parte do mundo não sucumbisse à tirania. Resta saber se essa democracia ainda conserva o vigor e o equilíbrio originais. Ora pro nobis.

[1] Ver Reflexões Autobiográficas, É Realizações, São Paulo, 2008.
[2] Democracy and the Individual in The Collected Works of Eric Voegelin, volume 33, The Drama of Humanity and Other Miscellaneous Papers 1939-1985, Missouri University Press, Columbia, 2004, pp.24-32

segunda-feira, 13 de abril de 2009

As bases que fundamentam o Nazismo

MOVIMENTO ENDIREITAR
Escrito por Murilo Medeiros  |  Ter, 07 de Abril de 2009 09:50

Muitos historiadores tentaram explicar o surgimento do nazismo de diferentes formas. O enfoque do economista Mises, no entanto, é bastante peculiar, pois mostra como o nazismo foi um filhote da mentalidade estatizante que dominou o mundo na época, e a Alemanha em particular. O prisma econômico de Mises permite uma abordagem transparente, que desfaz uma das maiores inversões já criadas na história: a ideia de que o nazismo é de “direita” e, portanto, oposto ao socialismo e mais próximo do capitalismo. Socialismo, afinal, trata de um sistema econômico de organização da sociedade, defendendo meios públicos de produção, contra o pilar do capitalismo, que é a propriedade privada. Analisando por este ângulo, fica evidente a proximidade entre nazismo e socialismo, ambos totalmente opostos ao capitalismo de livre mercado. 

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Quando se fala em nazismo, o anti-semitismo é uma das primeiras características que vem à mente. Mises mostra, no entanto, que esse ódio racial foi apenas um pretexto utilizado pelos nazistas, transformando os judeus em bodes expiatórios. Era impossível diferenciar antropologicamente alemães judeus dos não-judeus. Não existem características raciais exclusivamente judaicas, e o “arianismo” não passava de uma ilusão. As leis nazistas de discriminação contra os judeus não tinham ligação com considerações da raça em si. Eles se uniram aos italianos e japoneses, sem ligação alguma com a “supremacia racial nórdica”, enquanto desprezavam os nórdicos que não simpatizavam com seus planos de domínio mundial. Tantas contradições não incomodavam os “arianos”, pois o racismo não era a causa do movimento, e sim um meio político para seus fins. 

Tudo aquilo que representava um empecilho no caminho do poder total era considerado “judeu” pelos nazistas. Apesar de os nacionalistas alemães considerarem o bolchevismo uma criação judaica, isso não os impediu de cooperar com os comunistas alemães contra a República de Weimar, ou de treinar seus guardas de elite nos campos de artilharia e aviação russos entre 1923 e 1933. Também não os impediu de costurar um acordo de cumplicidade política e militar com a União Soviética entre 1939 e 1941. Mesmo assim, a opinião pública defende que o nazismo e o bolchevismo são filosofias implacavelmente opostas. O simples fato de que os dois grupos lutaram um contra o outro não prova que suas filosofias e princípios sejam diferentes. Sempre existiram guerras entre pessoas do mesmo credo ou filosofia. Se a meta for a mesma – o poder – então será natural uma colisão entre ambos. O rei Charles V disse uma vez que estava em pleno acordo com seu primo, o rei da França, pois ambos lutavam contra o outro pelo mesmo objetivo: Milão. Hitler e Stalin miravam no mesmo alvo. Ambos desejavam governar a Polônia, a Ucrânia e os estados bálticos. Além disso, disputavam o mesmo tipo de mentalidade, aqueles desesperados que estão dispostos a sacrificar a liberdade em prol de alguma promessa de segurança. Nada mais normal do que um bater de frente com o outro, quando sustentar o acordo mútuo ficou complicado demais. Não devemos esquecer que os socialistas de diferentes credos sempre lutaram uns contra os outros, e isso não os torna menos socialistas. Stalin não virou menos socialista porque brigou com Trotsky. 

Os bolcheviques partiram na frente em termos de conquista de poder, e o sucesso militar de Lênin encorajou tanto Mussolini como Hitler. O fascismo italiano e o nazismo alemão adotaram os métodos políticos da União Soviética. Eles importaram da Rússia o sistema de partido único, a posição privilegiada da polícia secreta, a organização de partidos aliados no exterior para lutar contra seus governos locais e praticar sabotagem e espionagem, a execução e prisão os adversários políticos, os campos de concentração, a punição aos familiares de exilados e os métodos de propaganda. Como Mises disse, a questão não é em quais aspectos ambos os sistemas são parecidos, mas sim em quais eles diferem. O nazismo não rejeita o marxismo porque sua meta é o socialismo, e sim porque ele advoga o internacionalismo. Ambos são anticapitalistas e antiliberais, delegando todo o poder ao governo centralizado e planejador. No nazismo, a propriedade privada não foi abolida de jure, mas foi de facto, e os empresários eram nada mais do que “gerentes administrativos”, obedecendo a ordens do governo, que decidia sobre tudo, incluindo alocação de capital e preços exercidos. 

É verdade que Hitler conseguiu subsídios das grandes empresas na primeira fase de sua carreira política. Mas ele tomou esse dinheiro como um rei toma o tributo de seus súditos. Se os empresários negassem o que era demandado, Hitler teria os sabotado ou mesmo usado violência. Os empresários preferiram ser reduzidos ao papel de gerentes administrativos sob o nazismo a ser liquidados pelo comunismo no estilo soviético. Não havia uma terceira opção naquele contexto. Tanto a força como o dinheiro eram impotentes contra as ideias, e estas apontavam na direção da estatização da economia. O próprio Hitler concluiu que não era necessário socializar os meios de produção oficialmente. Ele havia socializado os homens! Os empresários alemães contribuíram com parte do avanço nazista, assim como várias outras camadas da nação, incluindo as igrejas, tanto a católica como a protestante (*). O lamentável fato é que a maioria do povo alemão abraçou o nacional-socialismo. 

O cenário catastrófico da economia foi crucial para criar um terreno fértil ao nazismo. Mas o fato de existir uma doença não explica, por si só, a busca por um determinado remédio. Esse remédio é procurado porque o doente acredita que ele pode curá-lo. Logo, o caos econômico na Alemanha só levou ao nazismo porque muitos passaram a acreditar que este era o caminho da salvação. E isso foi uma consequência das ideias estatizantes, mercantilistas, que espalharam a falácia de que mais espaço físico e recursos naturais deveriam ser conquistados pelos alemães para garantir o suprimento doméstico e a retomada do crescimento. A inflação que devastou a economia não era vista como resultado das políticas do governo, mas sim como um problema do capitalismo internacional. A mentalidade de guerra, que encara o comércio entre nações como um jogo de perde e ganha, foi fundamental para o crescimento nazista. Poucos compreendiam as vantagens do livre comércio, da divisão internacional de trabalho. Para os males causados pelo intervencionismo estatal, mais estado foi proposto como solução. A ignorância econômica da grande maioria dos alemães foi o que permitiu o avanço do nacionalismo-socialista radical. 

Os aspectos fundamentais da ideologia nazista não diferem daqueles geralmente aceitos pelas demais ideologias estatizantes. O controle da economia deve ser estatal. O lucro é visto com enorme desdém. O planejamento centralizado é uma panaceia para os males econômicos. As importações são encaradas como uma invasão estrangeira negativa. O individualismo deve ser duramente combatido em prol do coletivismo. Eis o arcabouço ideológico que possibilitou a conquista do poder pelos nazistas, que derrubaram os concorrentes estatizantes porque estavam dispostos a defender até as últimas consequências esta mentalidade. Os pilares do nazismo foram erguidos sobre a mentalidade estatizante da época. A idolatria ao estado e a desconfiança em relação ao livre comércio sustentaram os dogmas nazistas. Mises afirma que somente através da destruição total do nazismo o mundo poderá retomar suas conquistas e melhorar a organização social, construindo uma boa sociedade. Infelizmente, os pilares de sua ideologia permanecem conquistando muitos adeptos, ainda que sob diferentes rótulos. São estes pilares que devem ser atacados para a garantia do progresso da civilização.


Nota do M.E.:


* Para mais detalhes sobre a problemática das Igrejas e o nazismo conferir os capítulos "Descida ao abismo eclesiástico: A Igreja Evangélica" e "Descida ao abismo eclesiástico: a Igreja Católica" do livroHitler e os Alemães (Voegelin, Eric; E Realizações, 2008):  Voegelin afirma que houve um problema de desordem e corrupção intelectual e espiritual em toda a sociedade a Alemã, inclusive nas Igrejas. Explica que os funcionários eclesiáticos não passavam de fucionários do estado; a "Igreja" era um componente das operações do estado que eram levadas a efeito pelo Partido Nacional-Socialista.

segunda-feira, 16 de março de 2009

A grandeza de Josef Stálin

MOVIMENTO ENDIREITAR
Escrito por Olavo de Carvalho Sex, 13 de Março de 2009

A Segunda Guerra Mundial foi preparada e provocada deliberadamente pelo governo soviético desde a década de 20, naquilo que constituiu talvez o mais ambicioso, complexo e bem-sucedido plano estratégico de toda a história humana. O próprio surgimento do nazismo foi uma etapa intermediária, não de todo prevista no esquema originário, mas rapidamente assimilada para dar mais solidez aos resultados finais. Os documentos dos arquivos de Moscou reunidos pelos historiadores russos Yuri Dyakov e Tatyana Bushuyeva em "The Red Army and the Wehrmacht" (Prometheus Books, 1995) não permitem mais fugir a essa conclusão.

Reduzida à miséria por indenizações escorchantes e forçada pelo Tratado de Versalhes a se desarmar, a Alemanha sabia que, para ter seu Exército de volta, precisaria reconstruí-lo em segredo. Mas burlar a fiscalização das potências ocidentais era impossível. A ajuda só poderia vir da URSS.


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Enquanto isso, Stálin, descrente dos movimentos revolucionários europeus, pensava em impor o comunismo ao Ocidente por meio da ocupação militar. Nessa perspectiva, a Alemanha surgia naturalmente como a ponta-de-lança ideal para debilitar o adversário antes de um ataque soviético. Foi para isso que Stálin investiu pesadamente no rearmamento secreto da Alemanha e cedeu parte do território soviético para que aí as tropas alemãs se reestruturassem, longe da vigilância franco-britânica. De 1922 até 1939, a URSS militarizou ilegalmente a Alemanha com o propósito consciente de desencadear uma guerra de dimensões continentais. A Segunda Guerra foi, de ponta a ponta, criação de Stálin.

O sucesso do nazismo não modificou o plano, antes o reforçou. Stálin via o nazismo como um movimento anárquico, bom para gerar confusão, mas incapaz de criar um poder estável. A ascensão de Hitler era um complemento político e publicitário perfeito para o papel destinado à Alemanha no campo militar. Se o Exército alemão iria arrombar as portas do Ocidente para o ingresso das tropas soviéticas, a agitação nazista constituiria, na expressão do próprio Stálin, "o navio quebra-gelo" da operação. Debilitando a confiança européia nas democracias, espalhando o caos e o pânico, o nazismo criaria as condições psicossociais necessárias para que o comunismo, trazido nas pontas das baionetas soviéticas com o apoio dos movimentos comunistas locais, aparecesse como um remédio salvador.

Para realizar o plano, Stálin tinha de agir com prudente e fino maquiavelismo. Precisava fortalecer a Alemanha no presente, para precipitá-la num desastre no futuro, e precisava cortejar o governo nazista ao mesmo tempo em que atiçava contra ele as potências ocidentais. Tarimbado na práxis dialética, ele conduziu com espantosa precisão essa política de mão dupla na qual reside a explicação lógica de certas contradições de superfície que na época desorientaram e escandalizaram os militantes mais ingênuos (como as sutilezas da estratégia do sr. José Dirceu escandalizam e desorientam a sra. Heloísa Helena).

Por exemplo, ele promovia uma intensa campanha antinazista na França, ao mesmo em tempo que ajudava a Alemanha a se militarizar, organizava o intercâmbio de informações e prisioneiros entre os serviços secretos da URSS e da Alemanha para liquidar as oposições internas nos dois países e recusava qualquer ajuda substantiva aos comunistas alemães, permitindo, com um sorriso cínico, que fossem esmagados pelas tropas de assalto nazistas. A conduta aparentemente paradoxal da URSS na Guerra Civil Espanhola também foi calculada dentro da mesma concepção estratégica.

Mobilizando batalhões de idiotas úteis nas classes intelectuais do Ocidente, a espetaculosa ostentação estalinista de antinazismo - cujos ecos ainda se ouvem nos discursos da esquerda brasileira, última crente fiel nos mitos dos anos 30 - serviu para camuflar a militarização soviética da Alemanha, mas também para jogar o Ocidente contra um inimigo virtual que, ao mesmo tempo, estava sendo jogado contra o Ocidente.

Hitler, que até então era um peão no tabuleiro de Stálin, percebeu o ardil e decidiu virar a mesa, invadindo a URSS. Mas Stálin soube tirar proveito do imprevisto, mudando rapidamente a tônica da propaganda comunista mundial do pacifismo para o belicismo e antecipando a transformação, prevista para muito depois, do antinazismo de fachada em antinazismo armado. Malgrado o erro de cálculo logo corrigido, o plano deu certo: a Alemanha fez seu papel de navio quebra-gelo, foi a pique, e a URSS ascendeu à posição de segunda potência mundial dominante, ocupando militarmente metade da Europa e aí instalando o regime comunista.

Na escala da concepção estalinista, o que representam 40 milhões de mortos, o Holocausto, nações inteiras varridas do mapa, culturas destruídas, loucura e perdição por toda parte? Segundo Trótski, o carro da história esmaga as flores do caminho. Lênin ponderava que sem quebrar ovos não se pode fazer uma omelete. Flores ou ovos, o sr. Le Pen, mais sintético, resumiria o caso numa palavra: "Detalhes". Apenas detalhes. Nada que possa invalidar uma grandiosa obra de engenharia histórica, não é mesmo?

Por ter colaborado nesse empreendimento, o sr. Apolônio de Carvalho foi, no entender do ministro Márcio Thomaz Bastos, um grande herói. Mas, se o miúdo servo de Stálin tem as proporções majestosas de um herói, o que teria sido o próprio Stálin? Um deus?


Fonte: www.olavodecarvalho.org

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Nunca é demais relembrar o genocídio do socialismo

PENSADORES BRASILEIROS

Nesses anúncios bem bolados, a malária é comparada com os genocídios causados pelos ídolos do socialismo internacionalista (comunismo) e nacionalista (nazismo).




segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

KATYN - MASSACRE COMUNISTA NA POLÔNIA

As legendas estão um pouco ruins, faltam as letras com acentos mas dá para se ter uma idéia adequada do flagelo que é o NACIONAL SOCIALISMO de Hitler e o pai do regime alemão, o COMUNISMO daquela que viria a se chamar URSS.

Acordem brasileiros, é isto que os aguarda.




Veja abaixo mais alguma coisa sobre o assunto...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

URSS, a mãe do nazismo


Diário do Comércio, 11 de dezembro de 2008

Se você acha que comunistas, socialistas e marxistas acadêmicos são pessoas normais e respeitáveis, com as quais é possível um "diálogo democrático", por favor vá ao site http://www.sovietstory.com/about-the-film, ou diretamente a http://www.youtube.com/watch?v=xqGkj-6iF2I&feature=PlayList&p=26731056B15AF3E1&index=0&playnext=1 e veja o filme The Soviet Story, que o cientista político Edvins Snore escreveu e dirigiu baseado em documentos recém-desencavados dos arquivos soviéticos. Eis algumas coisinhas que você pode aprender com ele: 1. Toda a tecnologia genocida dos campos de concentração foi inventada pelos soviéticos. Os nazistas enviaram comissões a Moscou para estudá-la e copiar o modelo. 2. O governo da URSS assinou com os nazistas um tratado para o extermínio dos judeus e cumpriu sua parte no acordo, entre outras coisas enviando de volta à Gestapo os judeus que, iludidos pelas promessas do paraíso comunista, buscavam asilo no território soviético. 3. A ajuda soviética à máquina de guerra nazista foi muito maior do que se imaginava até agora. O nazismo jamais teria crescido às proporções de uma ameaça internacional sem as armas, a assistência técnica, os alimentos e o dinheiro que a URSS enviou a Hitler desde muito antes do Pacto Ribbentrop-Molotov de 1939. 4. Altos funcionários do governo soviético defendiam – e os remanescentes defendem ainda – a tese de que fortalecer o nazismo foi uma medida justa e necessária adotada por Stálin para combater o "fascismo judeu" (sic). 5. Nada disso foi um desvio acidental de idéias inocentes, mas a aplicação exata e rigorosa das doutrinas de Marx e Lenin que advogavam o genocídio como prática indispensável à vitória do socialismo.


Todo militante ou simpatizante comunista é cúmplice moral de genocídio, tem as mãos tão sujas quanto as de qualquer nazista, deve ser denunciado em público e excluído da convivência com pessoas decentes. A alegação de ignorância, com que ainda podem tentar se eximir de culpas, é tão aceitável da parte deles quanto o foi da parte dos réus de Nuremberg. É uma vergonha para a humanidade inteira que crimes desse porte não tenham jamais sido julgados, que seus perpetradores continuem posando no cenário internacional como honrados defensores dos direitos humanos, que partidos comunistas continuem atuando livremente, que as idéias marxistas continuem sendo ensinadas como tesouros do pensamento mundial e não como as aberrações psicóticas que indiscutivelmente são. É uma vergonha que intelectuais, empresários e políticos liberais, conservadores, protestantes, católicos e judeus vivam aos afagos com essa gente, às vezes até rebaixando-se ao ponto de fazer contribuições em dinheiro para suas organizações.


Seguem abaixo algumas considerações sobre esse fenômeno deprimente. A convenção vigente nas nações democráticas trata os porta-vozes das várias posições políticas como se fossem pessoas igualmente dignas e capacitadas, separadas tão-somente pelo conteúdo das suas respectivas convicções e propostas. Confiantes nessa norma de polidez e aceitando-a como tradução da realidade, os conservadores, liberais clássicos, social-democratas e similares caem no erro medonho de tentar um confronto com os revolucionários no campo do diálogo racional.


Todos os seus esforços persuasivos dirigem-se, então, no sentido de tentar modificar o "conteúdo" das crenças do interlocutor, mostrando-lhe, por exemplo, que o capitalismo é mais eficiente do que o socialismo, que a economia de mercado é indispensável à manutenção das liberdades individuais, ou mesmo entrando com eles em discussões morais e teológicas mais complexas. Tudo isso não apenas é uma formidável perda de tempo, mas é mesmo um empreendimento perigoso, que coloca o defensor da democracia numa posição extremamente fragilizada e vulnerável. A discussão democrática racional não somente é inviável com indivíduos afetados de mentalidade revolucionária, mas expõe o democrata a uma luta desigual, desonesta, impossível de vencer. O debate com a mentalidade revolucionária é o equivalente retórico da guerra assimétrica.


Trinta anos de estudos sobre a mentalidade revolucionária convenceram-me de que ela não é a adesão a este ou àquele corpo de convicções e propostas concretas, mas a aquisição de certos cacoetes lógico-formais incapacitantes que acabam por tornar impossível, para o indivíduo deles afetado, a percepção de certos setores básicos da experiência humana. A mentalidade revolucionária não é um conjunto de crenças, é um sistema de incapacidades adquiridas, que começam com um escotoma intelectual e culminam numa insensibilidade moral criminosa. É uma doença mental no sentido mais estrito e clínico do termo, correspondente àquilo que o psiquiatra Paul Sérieux descrevia como delírio de interpretação.


Numa discussão com o homem normal, o revolucionário está protegido pela sua própria incapacidade de compreendê-lo. Os antigos retóricos consideravam que o gênero mais difícil de discurso, chamado por isso mesmo genus admirabile, é aquele que se dirige ao interlocutor incapaz. Os melhores argumentos só podem funcionar ante a platéia que os compreenda; eles não têm o dom mágico de infundir capacidade no auditório, nem de curá-lo de um handicap adquirido.


Os sintomas mais graves e constantes da mentalidade revolucionária são, como já expliquei, a inversão do sentido do tempo (o futuro hipotético tomado como garantia da realidade presente), a inversão de sujeito e objeto (camuflar o agente, atribuindo a ação a quem a padece) e a inversão da responsabilidade moral (vivenciar os crimes e crueldades do movimento revolucionário como expressões máximas da virtude e da santidade). Esses traços permanecem constantes na mentalidade revolucionária ao longo de todas as mutações do conteúdo político do seu discurso, e é claro que qualquer alma humana na qual eles tenham se instalado como condutas cognitivas permanentes está gravemente enferma.


Tratá-la como se estivesse normal, admitindo a legitimidade da sua atitude e rejeitando tão-somente este ou aquele conteúdo das suas idéias, é conformar-se em representar um papel numa farsa psicótica da qual os dados da realidade estão excluídos a priori, já não constituindo uma autoridade a que se possa apelar no curso do debate.


Revolucionários são doentes mentais. Os exemplos de sua incapacidade para lidar com a realidade como pessoas maduras e normais são tantos e tão gigantescos que seu mostruário não tem mais fim. Cito um dentre milhares. O sentimento de estar constantemente exposto à violência e à perseguição por parte da "direita" é um dos elementos mais fortes que compõem a auto-imagem e o senso de unidade da militância esquerdista. No entanto, se somarmos todos os ataques sofridos pelos esquerdistas desde a "direita", eles são em número irrisório comparados aos que os esquerdistas sofreram dos regimes e governos que eles próprios criaram. Ninguém no mundo perseguiu, prendeu, torturou e matou tantos comunistas quanto Lenin, Stálin, Mao Tsé Tung, Pol Pot e Fidel Castro. A militância esquerdista sente-se permanentemente cercada de perigos, e nunca, nunca percebe que eles vêm dela própria e não de seus supostos "inimigos de classe". Esse traço é tão evidentemente paranóico que só ele, isolado, já bastaria para mostrar a inviabilidade do debate racional com essas pessoas.


O que separa o democrata do revolucionário não são crenças políticas. É um abismo intransponível, como aquele que isola num mundo à parte o psicótico clinicamente diagnosticado. O que pode nos manter na ilusão de que essas pessoas são normais é aquilo que assinalava o Dr. Paul Serieux: ao contrário dos demais quadros psicóticos, o delírio de interpretação não inclui distúrbios sensoriais. O revolucionário não vê coisas. Ao contrário, sua imaginação é empobrecida e amputada da realidade por um conjunto de esquemas ideais defensivos.


A mentalidade revolucionária é uma incapacidade adquirida, é uma privação de autoconsciência e de percepção. Por isso mesmo, é inútil discutir o "conteúdo" das idéias revolucionárias. Elas estão erradas na própria base perceptiva que as origina. Discutir com esse tipo de doente é reforçar a ilusão psicótica de que ele é normal. Uma doença mental não pode ser curada por um "ataque lógico" aos delírios que a manifestam. Se o debate político nas democracias sempre acaba mais cedo ou mais tarde favorecendo as correntes revolucionárias é porque estas estão imunizadas por uma incapacidade estrutural de perceber a realidade e entram no ringue com a força inexorável de uma paixão cega. E não se pode confundir nem mesmo este fenômeno com o do simples fanatismo. Fanatismo é apenas apego exagerado a idéias que em si mesmas podem ser bastante razoáveis. Em geral, mesmo o mais louco dos revolucionários não é um fanático. É um sujeito que expressa com total serenidade os sintomas da sua deformidade, dando a impressão de normalidade e equilíbrio justamente quando está mais possuído pelo delírio psicótico.


Na peça de Pirandello, Henrique IV, um milionário louco se convence de que é o rei Henrique IV e força todos os seus empregados a vestir-se como membros da corte. No fim eles já não têm mais certeza de que são eles mesmos ou membros da corte de Henrique IV. É este o perigo a que os democratas se expõem quando aceitam discutir respeitosamente as idéias do revolucionário, em vez de denunciar a farsa estrutural da própria situação de debate. A loucura espalha-se como um vírus de computador. A maioria dos democratas que conheço é inteiramente indefesa em face da prepotência psicológica do discurso revolucionário. Daí a hesitação, a pusilanimidade, a debilidade crônica de suas respostas ao desafio revolucionário. Uma doença mental não pode ser "respeitada", aliás nem "desrespeitada". O respeito ou o desrespeito supõem um fundo de convivência normal, que justamente o delírio revolucionário torna impossível.


P. S. Sheila Figlarz, editora do jornal Visão Judaica, avisa que finalmente a devotada estudiosa Sonia Bloomfield terminou seu trabalho de traduzir para o português a página do Memorial do Holocausto. A versão já está no ar em 

http://www.ushmm.org/museum/exhibit/focus/portuguese/.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

As Raízes Socialistas do Nazismo

MOVIMENTO ENDIREITAR
Dom, 16 de Novembro de 2008 19:56 F. A. Hayek

Todas as forças antiliberais estão se unindo contra tudo que é liberal. (A. Moeller van den Bruck)

É um engano comum considerar o nacional-socialismo uma simples revolta contra a razão, um movimento irracional sem antecedentes intelectuais. Se assim fosse, constituiria um perigo bem menor. Nada mais longe da verdade, porém, ou mais ilusório. As doutrinas do nacional-socialismo representam o ponto culminante de uma longa evolução de idéias, da qual participaram pensadores cuja influência se fez sentir muito além das fronteiras da Alemanha. Seja qual for nossa opinião sobre as premissas em que se basearam, não podemos negar que os criadores da nova doutrina eram escritores de peso, que deixaram a marca de suas idéias em todo o pensamento europeu. O sistema se desenvolveu com coerência implacável. Uma vez aceitas as suas premissas, não se pode fugir à sua lógica. Trata-se simplesmente do coletivismo libertado de todos os vestígios de uma tradição individualista que pudessem impedir-lhe a realização.

Embora os pensadores alemães tenham liderado o processo, de modo algum se pode dizer que foram os únicos a trazer-lhe contribuições. Thomas Carlyle e Houston Stewart Chamberlain, Augusto Comte e Georges Sorel distinguiram-se tanto quanto os alemães no desenvolvimento da doutrina nacional-socialista. Dessa constante evolução dentro da Alemanha, fez há pouco uma excelente exposição R.D.Butler em seu estudo The roots of National Socialism (As raízes do nacional-socialismo). Mas, embora seja um tanto alarmante verificar, pela leitura da obra d Butler, a permanência dessa doutrina naquele país durante cento e cinqüenta anos, manifestando-se reiteradamente e sob forma invariável, é fácil exagerar a importância que tais idéias tinham na Alemanha antes de 1914. Constituíam apenas uma corrente de pensamento entre muitas, numa sociedade que, na época, apresentava, talvez, maior variedade de opiniões que qualquer outra. E eram, em geral, idéias aceitas apenas por uma pequena minoria e tão desprezadas pela maioria na Alemanha como nos demais países.

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Por que, então, essas idéias, sustentadas por uma minoria reacionária, vieram a conquistar o apoio da grande maioria do povo e de praticamente todos os jovens alemães? Não foram apenas a derrota, o sofrimento e a onda de nacionalismo que as conduziram ao sucesso. Tampouco, como muitos querem acreditar, foi o seu êxito ocasionado por uma reação do capitalismo contra o avanço do socialismo. Ao contrário, o apoio a essas idéias veio precisamente do lado socialista. Não foi, por certo, a burguesia, mas antes a ausência de uma burguesia forte, que favoreceu sua escalada ao poder.

As doutrinas pelas quais, na geração anterior, as lideranças alemãs tinham-se pautado não se opunham aos elementos socialistas do marxismo e sim aos elementos liberais que este continha – seu internacionalismo e sua democracia. Ao se evidenciar cada vez mais que esses elementos eram justamente os que constituíam um obstáculo à realização do socialismo, os socialistas da esquerda aproximaram-se cada vez mais dos da direita. Foi a união das forças anticapitalistas da esquerda e da direita, a fusão do socialismo radical e do socialismo conservador, que destruiu na Alemanha tudo quanto ali havia de liberal.

Foi estreita, desde o início, a relação entre o socialismo e o nacionalismo naquele país. É significativo que os mais ilustres precursores do nacional-socialismo – Fichte, Rodbertus e Lassalle – sejam reconhecidos, ao mesmo tempo, como fundadores do socialismo. Enquanto o socialismo teórico, em sua forma marxista, dirigia o movimento trabalhista alemão, o elemento autoritário e nacionalista recuou durante algum tempo para o segundo plano. Isso não durou muito, contudo. [1] De 1914 em diante, das fileiras do socialismo marxista foram surgindo doutrinadores que arrebanharam para o nacional-socialismo, não os conservadores e os reacionários, mas os trabalhadores e a juventude idealista. Foi só a partir daí que a corrente nacional-socialista se projetou, transformando-se em pouco tempo na doutrina hitlerista. A histeria de guerra de 1914 que, por causa da derrota alemã, nunca se extinguiu por completo, é o ponto inicial dos desdobramentos mais recentes que produziram o nacional-socialismo, e foi em grande parte à colaboração dos socialistas da velha escola que se deveu a sua ascensão durante esse período.

O primeiro, e sob certos aspectos o mais característico representante desse processo de mudança, é talvez o Prof. Werner Sombart, cuja obra famosa Händler und Helden (comerciantes e heróis) foi publicada em 1915. Sombart a princípio era marxista e ainda em 1909 podia afirmar com orgulho que dedicara a maior parte da sua existência a lutar pelas idéias de Karl Marx. Empenhara-se ao máximo em difundir na Alemanha idéias socialistas e formas variadas de aversão ao capitalismo; e, se ali o pensamento se impregnou de elementos marxistas como em nenhum outro país antes da revolução russa, isso se deveu em grande parte a Sombart. Em certa época, ele foi considerado o maior representante da perseguida intelectualidade socialista, ficando impossibilitado de ocupar uma cátedra universitária por causa das suas opiniões radicais. E mesmo depois da I Guerra Mundial, a influência exercida dentro e fora da Alemanha por sua obra de historiador, que continuava a apresentar uma abordagem marxista apesar de ele ter abandonado o marxismo na política, foi das mais amplas e fez-se notar de modo especial nos escritos de muitos planejadores ingleses e americanos.

Em seu livro sobre a guerra, esse velho socialista saudou a “guerra alemã”, que considerava o inevitável conflito entre a civilização comercial da Inglaterra e a cultura heróica da Alemanha. Não tem limites o seu desprezo pelas idéias “mercantis” do povo inglês, que havia perdido todo o instinto guerreiro. Nada é mais desprezível aos seus olhos do que a busca generalizada da felicidade individual; e o que ele define como a máxima suprema da moral inglesa, “sê justo para que vivas bem e possas prolongar os teus dias sobre a terra”, é em sua opinião “a mais infame das máximas jamais formuladas por um espírito mercantil”. Ressalta a “concepção germânica do Estado”, formulada por Fitche, Lassale e Rodbertus, segundo a qual o Estado não é fundado ou formado por indivíduos; tampouco constitui um agregado de indivíduos ou tem por finalidade servir a qualquer interesse individual. É um Volksgemeinschaft (comunidade do povo) em que os indivíduos não têm direitos, mas apenas deveres. Para Sombart, as reivindicações individuais são sempre decorrência do espírito mercantil. “As idéias de 1789” – Liberdade, Igualdade, Fraternidade – são concepções características de sociedade baseadas no comércio, sem outra finalidade que a de garantir certas vantagens ao indivíduo.

Segundo ele, todos os verdadeiros ideais alemães de uma vida heróica estavam, antes de 1914, ameaçados de desaparecer por causa do avanço contínuo do pensamento mercantil inglês, do conforto inglês, do esporte inglês. Não só o povo inglês se tornara inteiramente corrupto, e cada membro dos sindicatos acabara “mergulhado no conforto”, como também havia começado a contagiar os outros povos. Só a guerra viera lembrar aos alemães que eles eram na realidade um povo de guerreiros, um povo no seio do qual todas as atividades, e em particular as econômicas, estavam subordinadas a objetivos militares. Sombart sabia que os outros povos desprezavam os alemães porque para estes a guerra era sagrada – mas regozijava-se com isso. Considerar a guerra algo desumano e insensato é um produto da mentalidade mercantil. Há uma vida superior à vida individual – a vida do povo e do Estado – e a finalidade do indivíduo é sacrificar-se por essa vida superior. A guerra é, para Sombart, a consumação da perspectiva heróica da vida e a guerra contra a Inglaterra representa a luta contra o ideal oposto, o ideal mercantil da liberdade individual e do conforto inglês que, para ele, encontra sua expressão mais desprezível nos aparelhos de barbear encontrados nas trincheiras inglesas.

Se as críticas violentas de Sombart pareceram, na época, excessivas mesmo a muitos alemães, outro professor alemão veio a formular idéias mais ou menos idênticas, sob uma forma mais moderada e erudita, e por isso mesmo mais eficaz. O Prof. Johann Plenge era tão grande autoridade em Marx quanto Sombart. Seu livro Marx und Hegel assinala o início do moderno renascimento hegeliano entre os pensadores marxistas e não há dúvidas quanto ao caráter genuinamente socialista das convicções que lhe serviram de ponto de partida. Entre suas numerosas publicações durante a guerra, a mais importante é um livrinho muito discutido na época, e que tem o significativo título 1789 e 1914: os anos simbólicos na história do espírito político. É consagrado ao conflito entre as “Idéias de 1789”, o ideal da liberdade, e as “Idéias de 1914”, o ideal da organização.

A organização é para ele a essência do socialismo, como o é para todos os socialistas cuja doutrina deriva de uma aplicação ingênua dos ideais científicos aos problemas da sociedade. Constituiu, como ele acentua com razão, a raiz do movimento socialista quando este nasceu na França, no início do século XIX. Marx e o marxismo traíram essa idéia básica do socialismo com sua adesão fanática e utópica à idéia abstrata de liberdade. Somente agora a idéia de organização estava voltando a assumir o seu legítimo papel nos demais países, como o atesta a obra de H.G.Wells (cujo Future in América exerceu profunda influência sobre Plenge, que considera Wells uma das maiores figuras do socialismo moderno), mas em especial na Alemanha, onde ela é melhor compreendida e está mais plenamente realizada. A guerra entre a Inglaterra e a Alemanha é, portanto, na realidade, um conflito entre dois princípios opostos. A “Guerra Econômica Mundial” é a terceira grande fase da luta espiritual na história moderna. Tem a mesma importância que a Reforma e a revolução burguesa liberal. É a luta pela vitória das novas forças nascidas do progresso da vida econômica do século XIX: o socialismo e a organização.

Porque, na esfera das idéias, a Alemanha era o mais convicto expoente de todos os sonhos socialistas, e na esfera da realidade, o poderoso arquiteto do sistema econômico mais altamente organizado. Em nós vive o século XX. Seja qual for o fim a guerra, somos um povo exemplar. Nossas idéias determinarão os objetivos da vida humana. A História assiste atualmente a um colossal espetáculo: conosco, um novo e grande ideal de vida avança rumo à vitória, enquanto ao mesmo tempo, na Inglaterra, um dos princípios históricos mundiais entra em colapso final. A economia de guerra criada na Alemanha de 1914 é o primeiro passo na construção de uma sociedade socialista e seu espírito é a primeira manifestação ativa, e não apenas reivindicatória, de um espírito socialista. As necessidades da guerra firmaram a concepção socialista na vida econômica alemã, e assim a defesa da nossa nação criou para a humanidade a idéia de 1914, a idéia da organização alemã, a comunidade do povo (Volksgemeinschaft) nacional-socialista.

Sem que nos apercebêssemos disso, toda a nossa vida política, no Estado e na economia, alçou-se a um plano superior. O Estado e a vida econômica constituem uma nova unidade. O senso de responsabilidade econômica que caracteriza o trabalho do servidor público impregna toda a atividade privada. A nova constituição corporativa da vida econômica alemã [que o Prof. Plenge admite não estar ainda madura nem completa, é a mais alta forma de vida do Estado que já se conheceu na terra. No início, o Prof. Plenge ainda esperava conciliar os ideais de liberdade e de organização, embora em grande parte mediante a submissão completa, porém voluntária, do indivíduo ao todo. Mas esses vestígios de idéias liberais logo desaparecem das suas obras. Por volta de 1918, consumara-se na sua mente a união entre o socialismo e a inexorável política de poder. Pouco antes do fim da guerra, dirigia ele esta exortação aos seus compatriotas no periódico socialista Die Glocke:

Já é tempo de reconhecermos que o socialismo deve ser uma política de poder, porque resume-se em organização. O socialismo deve conquistar o poder, nunca destruí-lo às cegas. E a questão mais importante e crítica para o socialismo em tempo de guerra entre nações não pode deixar de ser está: qual desses povos é preeminentemente chamado ao poder por ser o líder exemplar na organização dos povos? E prenunciava todas as idéias que acabariam por justificar a Nova Ordem de Hitler:

Do ponto de vista do socialismo, que consiste em organização, acaso o direito absoluto de autodeterminação dos povos não equivale ao direito de anarquia econômica individualista? Estaremos dispostos a conceder inteira autodeterminação ao indivíduo na vida econômica? O socialismo coerente só pode conceder ao povo o direito de incorporação de acordo com a distribuição real de forças historicamente determinadas. 

Os ideais expressos por Plenge com tanta clareza gozavam de especial aceitação em certos círculos de cientistas e engenheiros alemães, onde talvez se tenham originado. Como o exigem agora com tanta veemência os seus colegas ingleses e norte-americanos, da vida. Entre aqueles cientistas, destacava-se o famoso químico Wilhelm Ostwald, que conquistou certa celebridade por seus pronunciamentos sobre a questão. Ostwald teria declarado publicamente:

A Alemanha quer organizar a Europa, que até hoje carece de organização. Vou explicar-lhes agora o grande segredo da Alemanha: nós, ou talvez a raça alemã, descobrimos a importância da organização. Enquanto os outros povos ainda vivem sob o regime do individualismo, nós já atingimos o regime da organização. 

Idéias muito semelhantes a estas eram correntes nos escritórios do ditador alemão das matérias-primas, Walter Rathenau, que teria ficado horrorizado se percebesse as conseqüências de suas concepções econômicas totalitárias, mas que, no entanto, merece lugar de destaque numa história mais completa da evolução do pensamento nazista. Com suas obras, Rathenau provavelmente moldou, mais que qualquer outro, as idéias econômicas da geração que cresceu na Alemanha durante a Primeira Guerra Mundial e nos anos subseqüentes. Alguns dos seus colaboradores mais íntimos formariam mais tarde a espinha dorsal da administração do Plano Qüinqüenal do Goering. Muito semelhantes eram também os ensinamentos de um outro ex-marxista, Friedrich Naumann, cuja obra Mitteleuropa foi talvez o livro da época da guerra que maior circulação alcançou na Alemanha[2]. Caberia, porém, a um ativo político socialista, pertencente à ala esquerda do partido social-democrata no Reichstag, desenvolver essas idéias da maneira mais completa e dar-lhes ampla divulgação. Paul Lensch, em livros anteriores, já descrevera a guerra como “a fuga da burguesia inglesa ante o avanço do socialismo”, ressaltando quão diferentes eram o ideal socialista de liberdade e a concepção inglesa. Mas somente em seu terceiro livro sobre a guerra, Três anos de Revolução Mundial (de todos o de maior sucesso), suas idéias características, sob a influência de Plenge, alcançariam pleno desenvolvimento[3]. Lensch baseia-se num relato histórico interessante, e sob muitos aspectos exato, de como o sistema protecionista adotado por Bismarck tornara possível na Alemanha uma evolução no sentido da concentração industrial e da cartelização que, segundo a sua ótica marxista, representava um estágio superior do desenvolvimento industrial.

Como conseqüência da decisão de Bismarck em 1879, a Alemanha assumiu um papel revolucionário, isto é, o papel de um Estado que ocupava em relação ao resto do mundo a posição de representante de um sistema econômico superior e mais avançado. Tendo compreendido isso, deveríamos perceber que na presente revolução mundial a Alemanha representa o lado revolucionário e sua grande antagonista, a Inglaterra, o lado contra-revolucionário. Isso prova quão pouco importa a constituição de um país, seja ela liberal e republicana ou monárquica e autocrática, para que esse país seja considerado liberal ou não, do ponto de visto do desenvolvimento histórico. Ou, em termos mais claros, nossa concepção de liberalismo, democracia, etc., deriva da filosofia do individualismo inglês, segundo a qual um Estado com um governo fraco é um Estado liberal, e toda restrição à liberdade do indivíduo é encarada como um produto da autocracia e do militarismo. Na Alemanha, “designada pela história” para representar essa forma superior de vida econômica,  a luta pelo socialismo foi sobremodo simplificada, pois nesse país todos os requisitos do socialismo já se achavam estabelecidos. Portanto, era necessariamente de vital interesse para qualquer partido socialista que a Alemanha triunfasse sobre os seus inimigos, para poder assim cumprir sua missão histórica de revolucionar o mundo. É por isso que a guerra da Entente contra a Alemanha se assemelhava a uma tentativa da pequena burguesia da época pré-capitalista de impedir sua própria decadência. A organização do capital (continua Lensch) iniciada inconscientemente antes da guerra, e prosseguindo de modo consciente no decorrer desta, continuará a desenvolver-se de forma sistemática depois da guerra – isso, não pelo desejo de desenvolver a técnica de organização, e tampouco porque o socialismo tenha sido reconhecido como um princípio superior de desenvolvimento econômico. As classes que constituem hoje, na prática, as pioneiras do socialismo, são, na teoria, as suas inimigas confessas, ou, em todo caso, o eram até há bem pouco. O socialismo está próximo, e, de certo modo, já chegou, visto que não podemos mais viver sem ele. 

Os únicos que ainda se opõem a essas tendências são os liberais. Essa classe de indivíduos, que inconscientemente raciocina segundo padrões ingleses, abrange toda a burguesia alemã de formação acadêmica. Seus conceitos políticos de “liberdade” e “direitos civis”, de constitucionalismo e parlamentarismo, derivam da concepção individualista do mundo, de que o liberalismo inglês é uma encarnação clássica, e que foi adotada pelos representantes da burguesia alemã no período que vai de 1850 a 1880. Mas esses padrões são antiquados e decadentes, exatamente com o antiquado liberalismo inglês, destruído por esta guerra. O que cumpre fazer agora é eliminar essas idéias políticas que herdamos e contribuir para o desenvolvimento de uma nova concepção do Estado e da sociedade. Também nessa esfera, o socialismo deve fazer uma oposição consciente e resoluta ao individualismo. A esse respeito, é surpreendente que, na chamada Alemanha “reacionária”, as classes trabalhadoras tenham conseguido conquistar uma posição muito mais sólida e poderosa na vida do Estado do que na Inglaterra ou na França. 

Lensch prossegue com uma consideração bastante correta e digna de ponderação:

Os social-democratas, com o auxílio desse sufrágio (universal), ocuparam todos os postos que podiam obter no Reichstag, no Parlamento, nos Conselhos Municipais, na Justiça do Trabalho, nos institutos de previdência social, e assim por diante. Desse modo, penetraram fundo no organismo do Estado. Mas o preço disso foi que o Estado, por suas vez, passou a exercer grande influência sobre as classes trabalhadoras. Sem dúvida, como resultado do árduo esforço desenvolvido pelos socialistas durante cinqüenta anos, o Estado já não é o mesmo de 1867, quando foi implantado o sufrágio universal; mas, por sua vez, a social-democracia já não é a mesma daquela época. O Estado passou por um processo de socialização e a social-democracia sofreu um processo de estatização. 

Plenge e Lensch forneceram as idéias que nortearam os doutrinadores imediatos do nacional-socialismo, em especial Oswald Spengler e A. Moeller Van den Bruck, para mencionarmos apenas os dois nomes mais conhecidos. [4] Até que ponto o primeiro pode ser considerado um socialista? As opiniões podem divergir, mas torna-se agora evidente que no seu opúsculo sobre Prussianismo e socialismo, publicado em 1920, ele apenas expressou idéias amplamente defendidas pelos socialistas alemães. Alguns argumentos por ele utilizados bastarão para comprová-lo. “O velho espírito prussiano e a convicção socialista, que hoje se odeiam com um ódio de irmãos, equivalem à mesma coisa.” Os representantes da civilização ocidental na Alemanha, os liberais alemães, são “o exército inglês invisível que, após a batalha de Iena, Napoleão deixou atrás de si em solo alemão.” Para Spengler, homens como Hardenberg, Humboldt e todos os demais reformadores liberais eram “ingleses”. Mas esse espírito “inglês” será eliminado pela revolução alemã iniciada em 1914:

As três últimas nações do Ocidente aspiraram a três formas de existência, representadas pelas famosas divisas: Liberdade, Igualdade, Comunidade. Elas aparecem nas formas políticas do parlamentarismo liberal, da democracia social e do socialismo autoritário [5]. (...) Segundo o instinto alemão, ou, mais corretamente, prussiano, o poder pertence ao todo. (...) A cada um é atribuída uma posição: ou se comanda, ou se obedece. Este é, desde o século XVIII, o socialismo autoritário, essencialmente antiliberal e antidemocrático, pelos padrões do liberalismo inglês e da democracia francesa. (...) Há na Alemanha muitos contrastes detestados e malvistos, mas só o liberalismo é desprezível no território alemão. 

A estrutura da nação inglesa baseia-se na distinção entre ricos e pobres; a da nação prussiana, na distinção entre comando e obediência. O significado da distinção de classes é, pois, fundamentalmente diverso nos dois países. 

Após apontar a diferença essencial entre o sistema competitivo inglês e o sistema prussiano de “administração econômica”, e tendo mostrado (numa repetição propositada dos conceitos de Lensch) que depois de Bismarck a organização deliberada da atividade econômica assumira progressivamente formas cada vez mais socialistas, Spengler prossegue:

Na Prússia existia um verdadeiro Estado, na mais ambiciosa acepção da palavra. Rigorosamente falando, lá não podia haver indivíduos. Todos os que viviam dentro do sistema, que funcionava com uma precisão de mecanismo de relógio, eram, de certo modo, uma peça desse sistema. A direção dos negócios públicos não podia, portanto, achar-se nas mãos de particulares, como pressupõe o parlamentarismo. Era um Amt (seção, departamento), e o político responsável por ela era um servidor público, um servidor todo. 

A “idéia prussiana” exige que cada um se torne um funcionário do Estado e que todos os salários e remunerações sejam fixados por este. Em especial, a administração de toda propriedade se converte numa função assalariada. O Estado do futuro será umBeamtenstaat. Mas, a questão decisiva, não só para a Alemanha, como para o mundo inteiro e que a Alemanha deve resolver para o mundo, é a seguinte: deverá a economia no futuro dirigir o Estado, ou o Estado dirigir a economia? Em face dessa questão, prussianismo e socialismo se identificam. Prussianismo e socialismo combatem a Inglaterra entre nós. 

Não tardaria muito, e o expoente máximo do nacional-socialismo, Moeller van den Bruck, proclamaria a Primeira Guerra Mundial; uma guerra entre o liberalismo e o socialismo: “Nós perdemos a guerra contra o Ocidente. O socialismo perdeu-a para o liberalismo” [6]. Como para Spengler, o liberalismo é, pois, o arquiinimigo. Moeller van den Bruck vangloria-se de que nãohá hoje liberais na Alemanha: há jovens revolucionários e jovens conservadores. Mas quem desejaria ser liberal? (...) O liberalismo é uma filosofia de vida à qual a juventude alemã volta hoje as costas com nojo, cólera e um desprezo especial, pois não há nada mais exótico, mais repugnante e mais contrário à sua filosofia. A juventude alemã dos nossos dias reconhece no liberalismo o arquiinimigo. 

O Terceiro Reich de Moeller van den Bruck propunha-se dar aos alemães um socialismo adaptado à sua índole e não maculado pelas idéias liberais do Ocidente. E assim o fez. Esses escritores não constituíam em absoluto um fenômeno isolado. Já em 1922, um observador imparcial falava de um “fenômeno peculiar e, à primeira vista, surpreendente” que então se verificava na Alemanha. De acordo com essa opinião, a luta contra a ordem capitalista é uma continuação da guerra contra a Entente, com as armas do espírito e da organização econômica; é o caminho que conduz ao socialismo na prática, a volta do povo alemão às suas melhores e mais nobres tradições. [7]

A luta contra todas as formas desse liberalismo que derrotara a Alemanha foi a idéia comum que uniu numa frente única socialistas e conservadores. A princípio, foi sobretudo no Movimento da Juventude Alemã, quase inteiramente socialista em suas inspiração e perspectiva, que essas idéias foram mais prontamente aceitas e que se completou a fusão do socialismo com o nacionalismo. No fim da década de 20, e até a ascensão de Hitler ao poder, formou-se em torno da revista Die Tat, dirigida por Ferdinand Fried, um grupo de jovens que se tornou o expoente dessa tradição na esfera intelectual. A obra Ende des Kapitalismus (o fim do capitalismo), de Fried, é talvez o produto mais característico desse grupo de Edennazis (elite nazista), como eram conhecidos na Alemanha, e tem um aspecto sobremodo inquietante devido a sua semelhança com grande parte da literatura que vemos na Inglaterra de hoje, onde se pode observar a mesma aproximação entre socialistas de esquerda e de direita, e quase o mesmo desprezo por tudo quanto é liberal na acepção clássica. “Socialismo Conservador” (e, em outros círculos, “socialismo religioso”) foi o slogan sob o qual muitos escritores prepararam o clima que iria propiciar o sucesso do nacional-socialismo. E o “socialismo conservador” é hoje a orientação dominante entre nós. A guerra contra as potências do Ocidente – “com as armas do espírito e da organização econômica” – já não estaria quase vencida, antes de a verdadeira guerra começar?

(O texto que você acabou de ler é um trecho do livro O Caminho da Servidão de Friedrich A. Hayek. Para fazer o download do livro [Arquivo PDF]: clique aqui! ) 

NOTAS

1 - E só se verificou em parte. Em 1892, um dos líderes do partido socialdemocrata, August Bebel, declarava a Bismarck: "o Chanceler Imperial pode ficar certo de que a social-democracia alemã é uma espécie de escola preparatória para o militarismo"!

2 - Um bom sumário das idéias de Naumann, tão características da fusão alemã de socialismo e imperialismo quanto as demais que citamos no texto, se encontra em R. D. Butler, The Roots of National Socialism, 1941, p. 203-9.

3 - Lensch, p. Three Years of World Revolution, prefácio de J. E. M., Londres, 1918. A tradução inglesa dessa obra foi publicada, ainda durante a última guerra, por algum espirito previdente.

4 - O mesmo se aplica a muitos outros líderes intelectuais da geração que produziu o nazismo, tais como Othmar Spann, Hans Freyer, Carl Schmitt e Ernst Jünger. Com respeito a estes, consulte-se o interessante estudo de Aurel Kolnai, The War Against lhe West {A guerra contra o Ocidente, 1938), o qual, todavia, limita-se ao período de pós-guerra, quando esses ideais já tinham sido adotados pelos nacionalistas, apresentando o defeito de não mencionar os socialistas que os haviam criado.

5 - Essa fórmula spengleriana encontra eco numa afirmação muito citada de Carl Schmitt, o maior especialista do nazismo em direito constitucional, de acordo com o qual a evolução do governo desenvolve-se em "três fases dialéticas: do Estado absoluto dos séculos XVII e XVIII, passando pelo Estado neutro do século XIX liberal, ao Estado totalitário, em que Estado c sociedade se identificam" (Schmitt, Carl, Der Hüter der Verfassung. [Tübingen, 1931]. p. 79).

6 - Bruck, A. Moeller van den. Sozialismus und Aussenpolitik, 1933, p. 87, 90 e 100. Os artigos reproduzidos nesse livro, em particular o que trata de "Lenin e Keynes", discutindo de modo mais exaustivo a questão de que tratamos, foram publicados pela primeira vez entre 1919 e 1923.

7 - Pribram, K. "Deutscher Nationalismus und Deutscher Sozialismus", em Archiv für Sozialwissenschaft und Sozialpolitik, v. 49, 1922, p. 298-9. O autor menciona, como outros exemplos, o filósofo Max Scheler, o qual pregava "a missão socialista da Alemanha no mundo", e o marxista K. Korsch, que escreve dentro do espírito da nova Volksgemeinschaft; ambos, segundo ele, seguem a mesma linha de argumentação.

domingo, 16 de novembro de 2008

Homem que viveu na Alemanha nazista dá aviso aos EUA

JÚLIO SEVERO
15 Novembro 2008

“Todo dia os EUA se aproximam mais do abismo totalitário no estilo nazista”


© 2008 WorldNetDaily


WASHINGTON, EUA – Pelo fato de que abandonaram os absolutos morais e sua fé cristã histórica, os EUA estão se aproximando mais de um totalitarismo de estilo nazista, avisa um ex-membro alemão da Juventude Hitlerista num livro recém publicado.


“Todo dia os EUA se aproximam mais do abismo totalitário no estilo nazista”, escreve Hilmar von Campe, hoje um cidadão americano e autor do livro “Defeating the Totalitarian Lie: A Former Hitler Youth Warns America”.


Von Campe fundou o Instituto Nacional em prol da Verdade e da Liberdade para lutar por um retorno ao governo constitucional nos EUA – que é a chave, crê ele, para se manter a liberdade nos EUA.


“Vivi no pesadelo nazista e, como diz o velho ditado, ‘Um homem com experiência nunca fica à mercê de um homem com um argumento’”, escreve von Campe. “Tudo o que escrevo se baseia em minha experiência pessoal na Alemanha nazista. Não há nada de teórico acerca da minha descrição do que acontece quando uma nação joga Deus para fora do governo e da sociedade, e os cristãos se tornam espectadores religiosos. Não quero ver uma reprise. O papel de Deus na sociedade humana é uma questão decisiva para esta geração. Meu livro é parte da minha vida de restituição pelos crimes de um governo ímpio, do mal do qual fiz parte”.


Von Campe cresceu durante o nazismo, serviu na Juventude Hitlerista e lutou contra o Exército Vermelho na Iugoslávia como artilheiro de tanque no exército alemão. Ele foi capturado no fim da guerra e escapou cinco meses depois de um campo de prisioneiros de guerra na Iugoslávia comunista.


”Levou-me muito tempo para entender e definir a natureza do nacional socialismo”, diz von Campe. “E, infelizmente, a filosofia deles continua a florescer sob diferentes rótulos que permanecem uma ameaça para os EUA e para a sociedade humana livre”.


Ele escreve: “A parte mais dolorosa de definir o nacional socialismo era reconhecer minha própria responsabilidade moral pelo desastre nazista e seus crimes contra a humanidade. A conclusão é que aceitando a verdade de que ‘assim como sou, assim é minha nação’, e percebendo que se todo alemão era como eu, não era de maravilhar que a Alemanha se tornou um esgoto de gângsteres. Essa compreensão é tão válida hoje para qualquer pessoa em qualquer nação como foi então, e é verdade para os EUA e todo americano agora”.


A mensagem de Von Campe é que apenas liberdade política e leis democráticas não são o suficiente para governar a humanidade com justiça.


“Os processos democráticos podem ser subvertidos e políticos desonestos são abundantes, estão em toda parte e são destrutivos”, escreve ele. “O que vejo nos EUA hoje são pessoas pintando suas cabines enquanto o navio afunda. Hoje nos EUA estamos testemunhando uma reprise da tragédia que aconteceu em 1933 quando uma nação inteira se deixou ser conduzida como cordeiro para o matadouro socialista. Desta vez, se os EUA não se levantarem para defender sua missão e destino, o fim de sua liberdade é inevitável”.


Von Campe diz que ele vê o paralelo espiritual entre os americanos e sua infância na Alemanha.


“O silêncio de nossos púlpitos com relação ao colapso moral da sociedade americana provocado por corrosão interna não é muito diferente do silêncio que ecoou dos púlpitos na Alemanha para com as políticas nazistas”, explica ele. “Nossa família viveu durante os anos nazistas na Alemanha, uma experiência típica de milhões de europeus independente de qual lado estavam. Pagamos um preço elevado pelas perversões morais de um governo alemão que excluía Deus e seus mandamentos de suas políticas. Os EUA não devem continuar seguindo o mesmo caminho de destruição, mas em vez disso dar atenção às lições da história e ao aviso que estou dando”.


Especificamente, von Campe avisa os americanos que seus líderes políticos estão no fundamento errado, “negando nossas raízes culturais e tradicionais baseadas em nossa constituição exclusiva e orientação cristã como nação. Os cristãos não entendem sua missão”.


Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com


Fonte: WND



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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".