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quarta-feira, 2 de maio de 2012

O conservador cético e as “inserções” esquerdistas

 

LUCIANO AYAN

O filme “A Origem”,  lançado em 2010 por Christopher Nolan (diretor de “Batman Begins” e “O Cavaleiro das Trevas”), está com certeza no meu Top 10 de todos os tempos.

Para alguns, é um ótimo filme de ação. Para mim, é uma exploração contundente (embora com tons de ficção científica, é claro) de como funciona o sistema límbico profundo e como aceitamos as nossas crenças mais fundamentais. O que me surpreendeu é que, mesmo tratado com uma abordagem sci-fi (já que ainda não existem sonhos compartilhados conforme mostrados no filme), a demonstração do funcionamento do processo cerebral de aceitação de uma ideia de valor fundamental é bastante coerente com o que a neurociência nos afirma.

Quando eu falo em “ideia de valor fundamental” falo de idéias que mexem com os valores mais fundamentais que possuímos, e que podem mudar toda a nossa concepção de mundo, incluindo nossa cosmovisão. Por isso, há uma diferença entre a idéia do tipo “ir pela Marginal Pinheiros é mais rápido do que pela Santo Amaro” e “creio em Deus” ou “creio no governo global”. Essas duas últimas são idéias que falam de valores fundamentais, enquanto que a primeira é uma ideia ocasional, que não tem muito a afetar em nossa cosmovisão e portanto nesse tipo de valor. (Um pouco mais sobre esse tema já foi tratado aqui)

Embora existam análises muito elaboradas sobre o filme (e concordo com algumas delas, como esta aqui), eu quero entender o “processo” de como funciona a inserção de uma ideia.

Aliás, esse poderia ser o título em português: “Inserção”. Mas o fato do título em português ser “A Origem” nos suscita a noção de que os tradutores também pensaram em um outro aspecto importante, tratado no filme: a origem de uma ideia.

Não quero me alongar na sinopse (que você ler aqui e aqui), mas sim nos cinco componentes que podem explicar a absorção de idéias de valores fundamentais.

  1. Inserção
  2. Catarse
  3. Formato
  4. Origem
  5. Aptidão

Inserção significa basicamente “inserir” uma ideia na mente do outro, através do correto estímulo do sistema límbico profundo (a “aptidão”, que tratarei adiante).

Essas “inserções” acontecem durante a vida, e modificam completamente a visão de mundo de alguém.

Recentemente, pude visualizar, no ambiente corporativo, a inserção da idéia “Ele é professor”, a respeito de um gerente de projetos. Simplesmente, um gerente tinha forte experiência em gestão, e resolveu assumir, por um determinado período, a área de treinamentos. Pode parecer irônico, mas essa atuação dele gerou uma espécie de “tumor” em sua carreira nessa empresa, pois a ideia registrada no sistema límbico profundo da gestão executiva era “ele é teórico, não gestor”. Para retirar essa idéia, a iniciativa proposta foi uma só: realizar um resultado, em nível de gestão, para realizar uma nova “inserção”, que substituiria a inserção anterior. Logo, a inserção da ideia “ele é teórico, não gestor” seria substituída pela ideia “ele é um gestor, não é teórico”. Atenção: a argumentação racional não funcionaria para criar uma nova inserção, mas apenas reforçaria a inserção anterior (por causa do efeito backfire). Uma nova inserção, aí sim, substituiria a anterior.

A catarse significa uma “purificação” devido a uma descarga emocional causada por algum drama. O ser humano sempre busca a catarse, portanto buscar situações de conflito, de qualquer tipo, e visualizar a solução deste conflito provoca a tal descarga emocional que é um mecanismo ideal para realizar uma inserção.

Indo para o ambiente corporativo de novo, visualize um gestor que conseguiu aumentar em 2% a margem de contribuição de uma conta. Agora visualize um outro gestor que conseguiu aumentar em 15% a margem de contribuição de uma conta que estava em crise, com o cliente ameaçando romper o contrato. Após a entrada deste gestor, o cliente agora renovou o contrato por 10 anos. É natural que este último provoque a “catarse”, pois existe a “purificação” em um cenário de conflito. Como a vida é cheia de conflitos, buscar a catarse é um meio ideal para realizar a inserção.

O formato significa a forma que a ideia tomará no momento da inserção. Em termos de sistema límbico profundo deve ser algo muito simples. Exemplos: “Ele resolve”, “Nós, proletários, venceremos” ou “Deus existe”. O resto vem depois. Por exemplo, se alguém acredita que Deus existe, os milagres são possíveis, portanto não há problemas em acreditar que existiu o nascimento virginal ou a ressurreição de Cristo. Da mesma forma, se a vitória dos proletários é inevitável, não há problemas em acreditar em todos os caminhos que levem a esse fim, pois ele é… inevitável. Essas crenças adicionais podem surgir depois, mas antes a idéia fundamental (que abrirá as portas para todas essas outras) deverá estar lá.

O ponto mais crítico eu entendo que é a origem, pois a “vítima” da inserção deve entender que a ideia foi auto-criada ou então surgiu de pura inspiração. Um exemplo pode ser visto no uso das técnicas dos PUAs para sedução. Ao se inserir a ideia na mente da garota que você é  parceiro ideal para ela, você não poderá deixar ela perceber a origem dessa ideia. Na verdade, a origem está em sua intenção de transar com ela, e para isso alguns recursos psicológicos serão utilizados. Mas se ela não descobrir essa origem, e portanto percebê-lo como o parceiro ideal, através dela achar que a percepção vem dela, isso terá um efeito poderoso. Caso a origem seja desvencilhada, a mente racional dela entrará em conflito com o sistema límbico profundo, e a ideia inserida não só corre riscos, como também poderá ser misturada com uma nova ideia bizarra, a de que você é um picareta.

O último ponto que fecha os cinco componentes é o fato da mente ter ou não aptidão para aceitar a ideia inserida. A busca da catarse, por exemplo, já nos dá várias dicas no momento de inserir as idéias. Mas existem outros pontos. No caso da sedução, temos a aptidão natural da mente feminina por buscar machos dominantes. Portanto, as idéias a serem inseridas na mente dela (de que você é o macho dominante) devem assumir este formato. No caso corporativo, temos a aptidão natural pela busca de pessoas que aumentem o valor de sobrevivência. E portanto, as idéias que você vai inserir devem buscar esse formato.

A despeito disso tudo, se no filme de Nolan, o personagem de Leonardo DiCaprio insere as idéias através dos sonhos, no cotidiano isso pode ser feito por ações, rotinas de controle de frame, propaganda e tudo o mais.

Note que este framework não é inspirado pelo filme “A Origem”, ele apenas é DEMONSTRADO por lá, já que todos os cinco componentes já fazem parte do estudo da mente há muito tempo.

Vamos observar agora os cinco componentes aplicados no aceite das idéias esquerdistas, por umfuncional.

A inserção ocorreu basicamente quando o funcional aceitou a ideia de que “o homem vai criar o mundo melhor”, e esse é o formato da ideia. A catarse ocorre pois essa ideia é formatada para aproveitar a sub-crença de um mundo que entrará em colapso (aquecimento global, crise do capitalismo… todos são truques que podem funcionar) mas então será “purificado” a partir de uma ação. A origem da ideia na verdade está no fato de que beneficiários precisam que esta pessoa aceite essa crença, para então obter poder a partir dessa crença. Obviamente, o funcional não sabe a origem desta ideia, e portanto achará que “realmente luta pelo mundo justo”. E a aptidão está no fato de que o ser humano busca, instintivamente, o “macho alfa”, em sua tribo, e portanto uma ideia focada em estabelecer líderes dentre os homens que criarão o mundo melhor é um tipo de idéia mais fácil de ser aceita.

É importante notar que esse framework explica tanto a crença em Deus, como a crença no homem. Assim como explica as crenças mais fundamentais do ser humano. E por estudar a origem das idéias inseridas, isso pode parecer “agressivo” à primeira vez.

Quem é cristão, judeu ou islâmico talvez já tenha percebido essa sensação, pelo fato dos anti-religiosos estudarem a “origem” de suas crenças mais profundas. Se quiser experimentar a sensação, leia o livro “Quebrando o Encanto: A Religião como Fenômeno Natural”, de Daniel Dennett, e veja a sensação incômoda que você sentirá ao ver ele esmiuçar a possível origem (mesmo que especulativa) das crenças religiosas tradicionais.

O que Dennett talvez não tenha percebido é que o estudo da “origem” das crenças religiosas tradicionais vale também para a origem da religião política, e, como o esquerdismo é um fenômeno natural tal qual a religião tradicional, podemos estudar os motivos pelo quais Dennett aceita a idéia humanista e propaga, de forma ardorosa em busca da catarse, a crença no governo global. A não ser que ele seja um beneficiário, é claro.

Enfim, um campo fascinante de estudo é o estudo da “origem” da crença esquerdista, para entender o processo de “inserção” dessa idéia na mente dos funcionais.

Quais serão os beneficiários desse estudo? Na maior parte dos casos, são aqueles que AINDA NÃO foram tiveram a crença esquerdista “inserida” em sua mente.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
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" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".