“Vocês trocaram sua liberdade pelo luxo de se sentirem superiores. Todos vocês teriam sido bons nazi-fascistas. Certamente iriam vestir uma farda, virar a cabeça e permitir que seus amigos e vizinhos fossem perseguidos e destruídos. O fascismo não é uma coisa que outras pessoas fizeram. Ele está aqui mesmo em todos nós. Vocês perguntam: como que o povo alemão pode ficar impassível enquanto milhares de inocentes seres humanos eram assassinados? Como alegar que não estavam envolvidos. O que faz um povo renegar sua própria história? Pois é assim que a história se repete. Vocês todos vão querer negar o que se passou em “A onda’. Nossa experiência foi um sucesso. Terão ao menos aprendido que somos responsáveis pelos nossos atos. Vocês devem se interrogar: o que fazer em vez de seguir cegamente um líder? E que pelo resto de suas vidas nunca permitirão que a vontade de um grupo usurpe seus direitos individuais. Como é difícil ter que suportar que tudo isso não passou de uma grande vontade e de um sonho”.
Não demonstre medo diante de seus inimigos. Seja bravo e justo e Deus o amará. Diga sempre a verdade, mesmo que isso o leve à morte. Proteja os mais fracos e seja correto. Assim, você estará em paz com Deus e contigo.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Filme importantíssimo - A Onda
“Vocês trocaram sua liberdade pelo luxo de se sentirem superiores. Todos vocês teriam sido bons nazi-fascistas. Certamente iriam vestir uma farda, virar a cabeça e permitir que seus amigos e vizinhos fossem perseguidos e destruídos. O fascismo não é uma coisa que outras pessoas fizeram. Ele está aqui mesmo em todos nós. Vocês perguntam: como que o povo alemão pode ficar impassível enquanto milhares de inocentes seres humanos eram assassinados? Como alegar que não estavam envolvidos. O que faz um povo renegar sua própria história? Pois é assim que a história se repete. Vocês todos vão querer negar o que se passou em “A onda’. Nossa experiência foi um sucesso. Terão ao menos aprendido que somos responsáveis pelos nossos atos. Vocês devem se interrogar: o que fazer em vez de seguir cegamente um líder? E que pelo resto de suas vidas nunca permitirão que a vontade de um grupo usurpe seus direitos individuais. Como é difícil ter que suportar que tudo isso não passou de uma grande vontade e de um sonho”.
Blogs fazem pessoas escreverem pior, diz (o idiota) José Saramago
Quanto a seu blog, o escritor disse que não destina ao espaço "nenhuma ideia em particular", para depois expressar que "os sismógrafos não escolhem os terremotos, reagem aos que vão ocorrendo, e o blog é isso, um sismógrafo".
A morte do "painel da morte"
Sábado, 15 de Agosto de 2009

SOB UM CLIMA EXALTADO Na foto à esquerda, Craig Miller, um eleitor de 59 anos, de dedo em riste, xinga um senador, num debate sobre a reforma da saúde, na qual Obama apostou seu futuro político: a oposição quer uma batalha de Waterloo
A ideia, exagerada, de que um comitê federal iria decidir sobre a vida e a morte dos doentes crônicos e dos velhos levou os americanos a uma onda de protestos contra a reforma da saúde proposta por Obama. A ideia sumiu.
Como pode terminar uma discussão nacional em que o governo é acusado de estar preparando um "painel da morte" para decidir sobre a eutanásia dos velhinhos que estão demorando a morrer e não têm dinheiro para pagar sua hospitalização? Com a justificativa do governo de que se trata de uma malévola invenção de seus opositores. Mas que fazer quando o presidente Barack Obama, o grande comunicador, em uma entrevista dada em abril, contribuiu ele próprio para o pânico que está dividindo o país de forma raramente vista?
Obama: Os doentes crônicos e aqueles que caminham para o fim da vida respondem por potencialmente 80% do total da conta de saúde que pagamos.
Repórter: Bem, como o senhor – como nós – vai lidar com isso?
Obama: Bem, penso que terá de haver um diálogo dirigido por médicos, cientistas e especialistas em ética. Depois terá lugar uma discussão democrática muito difícil. É triste imaginar o país tomando essas decisões por meio apenas dos canais políticos normais. Você precisa de um grupo independente para mostrar o caminho.
Os adversários de Obama chamaram esse comitê de "painel da morte". O nome colou. Bem, na sexta-feira, depois de protestos espontâneos, orquestrados, combinados por e-mail ou incentivados pelos hidrofóbicos radialistas de oposição, o comitê sumiu da proposta de reforma. Mas o dano estava feito. Eis o pêndulo da política americana tocando o ponto extremo do intervencionismo e detonando as reações naturais de um país construído sobre o "direito de ser deixado em paz", na memorável interpretação da Constituição feita pelo juiz da Suprema Corte Louis Brandeis (1856-1941).
Em uma simplificação exagerada, mas verdadeira, desde sua fundação como país independente, os Estados Unidos se movem entre dois eixos fundamentais de pensamento político. Um deles é focado no poder central e na união. Outro se revolve na direção contrária e prioriza o indivíduo, seu direito de ser deixado em paz pelo governo e de se responsabilizar pelas decisões que dizem respeito a sua vida, seu dinheiro e propriedade. Os inevitáveis choques entre as duas visões e as ações delas derivadas são arbitrados pela Suprema Corte. O pêndulo, porém, nunca deixa de oscilar de um lado para outro no decorrer da história. Às vezes, seu arco belisca a fronteira do inaceitável. O pêndulo esteve no limite do coletivismo centralizador no governo de Franklin Roosevelt, que, a pretexto de combater ao mesmo tempo dois inimigos, a Grande Depressão em casa e Adolf Hitler no exterior, exigiu – e lhe foram negados pela Suprema Corte – poderes especiais para comandar a economia. Com Ronald Reagan nos anos 80, o pêndulo bateu no extremo oposto, a entronização das ambições individuais em todos os campos da vida nacional. Ainda simplificando, mas sem perigo de turvar a visão, cada vez que um republicano substitui um democrata na Casa Branca, o pêndulo tende ao individualismo. Quando se dá o contrário, o pêndulo ruma para o intervencionismo e o centralismo. Esse movimento pendular e a sabedoria de não deixá-lo se fixar em nenhum dos extremos, à esquerda ou à direita, estão na base da grandeza dos Estados Unidos. Essa habilidade vai ser testada agora com a proposta de reforma do sistema de saúde emanada das mentes que cercam o presidente Obama. Os engenheiros de marketing político insistem que o presidente precisa vitalmente aprovar a reforma de saúde. Do contrário, sua popularidade, já no terreno negativo, vai afundar ainda mais. Parece uma causa perdida. Obama conseguiu dar um novo sentido à famosa frase de Ronald Rea-gan em sua cruzada antiburocracia: "As palavras mais assustadoras da língua inglesa são: 'Eu sou do governo e estou aqui para ajudar'". A versão sob Obama fica assim: "Eu sou do governo e estou aqui para ajudar – você a morrer!". Exagero da extrema direita? Um pouco. Mas ela simplesmente interpretou ao pé da letra o que Obama disse em abril.
à noite e gente dormindo nos carros
Ninguém discute que os Estados Unidos precisam de uma reforma. Se nada for feito, o déficit do sistema estatal de saúde americano vai bater em 1 trilhão de dólares no prazo de uma década. Os Estados Unidos têm um sistema de saúde híbrido, em parte público e em parte privado, com diferenças significativas de um estado para o outro. No plano nacional, 110 milhões de americanos são atendidos por programas públicos, que beneficiam velhos, pobres, crianças, veteranos de guerra e funcionários públicos. Outros 140 milhões têm planos privados, comprados das seguradoras de saúde ou oferecidos pela empresa em que trabalham. No meio deles se espremem 50 milhões de pessoas que levam a vida sem nenhuma cobertura de saúde. Em geral, são ricos demais para se preocupar com os custos dos tratamentos, pobres demais para contratar um plano privado ou jovens sadios, ambiciosos e convencidos de sua invulnerabilidade que preferem fazer poupança a entregar dinheiro às seguradoras.
No fundo, o que o governo Obama propõe é a criação de um sistema universal e obrigatório de saúde em que todos têm de contribuir sob pena de ser multados – e, quem sabe, no futuro, processados. Deixemos o "painel da morte" no campo dos mal-entendidos (mas que Obama propôs sua criação, não há dúvida) e examinemos algumas outras intervenções estatais na vida íntima das pessoas e no funcionamento independente dos estados propostas por Obama.
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A proposta principal dos democratas – existem outras acessórias – tem mais de 1 000 páginas e, se aprovada, transformaria, pelo menos no que diz respeito à saúde, os Estados Unidos em um experimento socializante de consequências imprevisíveis. A reação está nas ruas.
No recesso parlamentar de agosto, deputados e senadores voltaram às suas bases e começaram as reuniões de praxe com eleitores. Em pauta, a reforma do sistema de saúde, um colosso que atende 250 milhões de americanos e movimenta 2,2 trilhões de dólares por ano. Virou um rebu danado. A foto maior desta página é um emblema da fúria dos americanos com os políticos que querem mexer no seu plano de saúde. O eleitor Craig Miller, 59 anos, coloca o dedo na cara do senador Arlen Specter, veterano republicano que se bandeou há pouco para o Partido Democrata. Furioso, trêmulo, o eleitor gritou: "Você está pisoteando a Constituição!". Tem sido assim pelo país afora. Em Mehlville, no Missouri, uma reunião no ginásio de esportes acabou com seis presos. Em Tampa, na Flórida, o auditório com 1 500 eleitores virou uma arena de gritos e empurrões. Em Alhambra, na Califórnia, uns levavam cartazes ("Reforma já!"), outros erguiam faixas ("Não à reforma nazista!"). Em Portsmouth, em New Hampshire, adversários se xingavam na frente da escola onde o presidente Barack Obama falava com eleitores. "Parasitas!", berrava um, aos reformistas. "Ignorantes!", respondia outro.
Com a obrigatoriedade de ter plano, o sistema incorporaria gente que tem dinheiro e queria ficar fora – e, é evidente, gente que não tem dinheiro e quer entrar. Na semana passada, nos arredores de Los Angeles, uma entidade de caridade resolveu oferecer serviços médicos e dentários de graça. Deu-se um alvoroço. Só no primeiro dia, apareceram 1 500. As filas se formavam na noite anterior. Famílias dormiam nos carros. A cidade mudou as rotas do transporte coletivo para dar conta do fluxo. É um sinal de que, de fato, existe uma vasta demanda reprimida, provocada pelos preços exorbitantes da medicina americana.
A outra ideia básica de uma reforma é justamente conter os preços, cuja escalada joga 14.000 americanos por dia na vala comum dos que não podem pagar seu plano. De cada 6 dólares que os americanos ganham, 1 é gasto com saúde. É caro, e está ficando mais caro ainda. Em 2003, 14 milhões de americanos tiveram dificuldades para pagar suas contas médicas. Em 2007, a massa de endividados subiu para 57 milhões. Os americanos são o povo que mais gasta com saúde. É um problema, mas decorre dos mais doces motivos: eles são os mais ricos e os mais bem informados sobre saúde (veja o quadro abaixo). A questão é que, mesmo gastando tanto, o sistema americano não é o melhor e sua população não é a mais saudável. Em 2000, um levantamento sobre os melhores sistemas apontou a França na cabeça. Os EUA ficaram em 37° lugar. Os americanos têm baixa incidência de alcoolismo e tabagismo e ficam num escalão intermediário em doenças cardiovasculares e diabetes. Mas como fazem cirurgias! Em 2006, foram 60 milhões. Dá uma cirurgia para cada cinco americanos.
.click na imagem para ampliá-laA medicina mais cara do mundo
CONTA MALANDRA
Baucus, veterano senador democrata envolvido na reforma da saúde: na sua proposta, não apareceu nada de combate a fraude
A cada trinta segundos, um americano abre falência em decorrência de despesa relacionada com tratamento de saúde. Há dois anos, um levantamento mostrou que 57 milhões tinham, em média, 2.000 dólares de dívida com plano de saúde ou hospitais ou médicos, e já haviam sido procurados pelo menos uma vez pelo setor de cobrança. Os custos da medicina nos Estados Unidos são os mais altos do mundo. Já passam de 16% do PIB do país, o que equivale a 2,2 trilhões de dólares anuais (veja o quadro). Nenhum outro povo no mundo gasta tanto assim. Na Suíça, a saúde responde por menos de 11% do PIB. Na Alemanha e no Canadá, esse índice não chega a 10%. O economista Uwe Reinhardt, da Universidade Princeton, calculou que a despesa per capita dos americanos com saúde deveria ser de 4.800 dólares, considerando a renda e a oferta de saúde. No entanto, os americanos gastam mais de 6.700 dólares anuais. A que se deve a gordura de quase 2.000 dólares? Em parte, deve-se ao que os Estados Unidos têm de melhor.
Como se trata do país mais rico, também se gasta mais. A riqueza nos Estados Unidos, apesar da crise, está se expandindo. À medida que vão enriquecendo, os países tendem a fazer mais despesas com saúde. Além disso, a disseminação de informações sobre cuidados com a saúde e novos tratamentos é cada vez maior, o que também contribui para fazer com que o investimento em saúde cresça num ritmo mais acelerado do que a economia em geral. Por fim, os americanos são grandes gastadores porque têm a mais abundante e mais sofisticada oferta de tecnologia na área da medicina. E, de novo, quem tem usa. Um estudo do Dartmouth Institute for Health Policy & Clinical Practice mostra que a oferta de recursos – de especialistas, de leito hospitalar, de tecnologia – tem influência decisiva sobre decisões médicas. Onde há mais leito, há mais hospitalização. Onde há mais especialista, há mais consulta.
A outra parte da gordura de gastos deve-se à ganância, em que médicos, por exemplo, fazem um procedimento desnecessário para aumentar o preço. Tanto que nos Estados Unidos se brinca que o equipamento mais caro é a caneta do doutor. Há, ainda, cobranças simplesmente exorbitantes. Na semana passada, irritadas com a constante acusação de que são responsáveis pelos altos preços, as seguradoras de saúde divulgaram cobranças absurdas que recebem de médicos – como 23.500 dólares por uma extração de apêndice. No contra-ataque, os médicos dizem que as seguradoras pagam pouco, quando pagam. Em alguns estados, é comum que um médico seja também dono de um laboratório de análises clínicas ou de um aparelho de ressonância magnética, aos quais remete seus pacientes para ganhar em duas frentes. Existem casos de profissionais que recebem das clínicas um salário para remeter seus pacientes até elas. À ganância, claro, aliam-se as fraudes.
No Congresso, onde há cinco comitês elaborando propostas de reforma, a mais promissora parece ser a do comitê financeiro do Senado, liderado pelo senador Max Baucus, um veterano democrata de Montana que tem conseguido formar alguns consensos com seus colegas republicanos. Mesmo ali, não se debateu até agora nenhum mecanismo mais efetivo contra fraudes, sobretudo em contas hospitalares. São tão intrincadas, com códigos e expressões tão enigmáticos para o leigo, que está surgindo até uma nova profissão no mercado: especialistas em interpretar contas hospitalares. Nessas contas, podem-se encontrar erros, mas também se pode fazer uma viagem pela retórica malandra. Os "especialistas" contam que já viram cobrança de 11 dólares por "sistema descartável de reparação de muco". O que é isso? Caixa de lenço. Ou 15 dólares por "aplicação de terapia térmica". Era bolsa de gelo. No mercado das irregularidades, já se descobriram também farmácias que vendem informações dos clientes a empresas de saúde – que, com base nelas, passam a enviar ao cliente ofertas de remédios ou produtos ligados à medicação adquirida. Num mercado de 2,2 trilhões de dólares por ano, controlar as fraudes pode ter resultado maior do que se espera.
Do site do PT: Declaração Final do Foro de SP defende luta pelo socialismo
Com uma longa intervenção do presidente nicaragüense Daniel Ortega e outra do senador frenteamplista uruguaio José Mujica, foi encerrada no domingo (25) a 14ª edição do Foro de São Paulo. As atividades ocorreram no belo palácio que abriga a sede do Mercosul, às margens do Rio da Prata, numa avenida beira-rio da capital uruguaia.
Em três dias de reunião, com a participação de 844 delegados de 35 países da América Latina e Caribe — ademais de convidados de outras partes do mundo —, o Foro foi concluído com a aprovação de uma firme e contundente Declaração Final. O texto aponta para o chamado de que “seguiremos reafirmando nossa inquebrantável vontade de luta para conquistar a definitiva libertação de nossos povos e pelo socialismo”.
Um guru da educação brasileira e Paranóia sociológica
Desinformação já nos anos 40
sábado, 15 de agosto de 2009
GRAVÍSSIMO!!! - Hugo Chávez y Nueva Demanda ante Corte Penal Internacional
Cadê o decoro, sr. presidente?
Tem decoro, pois és presidente! Não é por ti que exijo, isto, mas pelo cargo, que desmereces!
"No meu estudo das sociedades comunistas, cheguei à conclusão de que o propósito da propaganda comunista não era persuadir, nem convencer, mas humilhar - e, para isso, quanto menos ela correspondesse à realidade, melhor. Quando as pessoas são forçadas a ficar em silêncio enquanto ouvem as mais óbvias mentiras, ou, pior ainda, quando elas próprias são forçadas a repetir as mentiras, elas perdem de uma vez para sempre todo o seu senso de probidade... Uma sociedade de mentirosos castrados é fácil de controlar."[1]
Theodore Dalrymple
De uns tempos pra cá tem se tornado recorrente que os governantes xinguem a população. Parece que não tem bastado nos roubar praticamente a metade de todo o fruto dos que trabalham e produzem; não tem bastado torrar montanhas de dinheiro em finalidades as mais desprezíveis, e fazê-las faltar onde mais indispensáveis; Não tem bastado nos submeter a periódicas crises econômicas por investimentos que haviam de fazer com o nosso dinheiro e não o fizeram; eles também precisam xingar aos que minimamente lhes chamam a atenção para uma prestação de contas.
Lembro-me de, ainda candidato, ter se referido ao Dr Constantine Menges, do Hudson Institute - em célebre entrevista ao jornalista Boris Casoy - como o "patife de Miami", por ter denunciado a existência do Foro de São Paulo e a aliança que Lula e Chávez haviam celebrado, fato de que hoje já nem sequer cuida de proteger, mas antes, já o exibe com satisfação e orgulho. Curiosamente, bastou esta pergunta para que Casoy ganhasse um sumiço da tevê por pelo menos seis longos anos.
Muito mal acostumado este senhor. Mimado pela imprensa e por sua militância, que o têm cultuado acima da condição de homem, e inexplicavelmente tolerado pelos demais representantes das instituições, que guardam por normal seu comportamento tosco e irascível, devido à crença injustificável na imputabilidade de sua origem simples - como se a maioria dos homens e mulheres simples não soubessem o que é decoro, respeito e decência - a cada dia alimenta a brutalidade de sua alma com os germes da arrogância e da impunidade.
No dia 1º de agosto, como bem noticiado - mas não bem criticado - este homem vitupera a mim e a todos os que acreditam no erro do bolsa-voto-de-cabresto-evoluído, chamando a todos de "imbecis". Pois eu retorno: imbecil és tu, patife! Tem decoro, pois és presidente! Não é por ti que exijo, isto, mas pelo cargo, que desmereces!
Por obra do acaso, no mesmo dia, o irmão do teu padrinho ideológico Fidel Castro - o Raulzito, vulgo "China" (bandidos e assassinos sempre são mais conhecidos por seus apelidos, não?), declara que os gastos públicos "fazem com que alguns não sintam a necessidade de trabalhar[2]":
(...)
"Los gastos en la esfera social deben estar en consonancia con las posibilidades reales, y ello impone, suprimir aquellos de que es posible prescindir. Puede tratarse de actividades beneficiosas y hasta loables, pero simplemente no están al alcance de la economía.
(...)
Con similar sentido de racionalidad se adoptarán otras decisiones en la educación, la salud pública y el resto del sector presupuestado, dirigidas a eliminar gastos que sencillamente resultan insostenibles, que han ido creciendo de año en año y que además son poco eficaces o peor aún, hacen que algunos no sientan la necesidad de trabajar".
Tradução:
"Os gastos na esfera social devem estar em consonância com as possibilidades reais, e isto impõe suprimir aqueles que são possíveis prescindir. Pode se tratar de atividades benéficas e até louváveis, mas que simplesmente não estão ao alcance da economia.
(...)
Com similar sentido de racionalidade se adotarão outras decisões na educação, na saúde pública e no restante do setor orçamentado, dirigidas a eliminar gastos que sensivelmente resultem insustentáveis, que têm crescido de ano a ano e que ademais são pouco eficazes ou pior ainda, fazem que alguns não sintam necessidade de trabalhar".
Quero ver-te agora chamar Raúl de imbecil pra todo o Brasil ouvir... (!).
Não que eu considere errada a decisão do General Raúl: muito pelo contrário, considero que é correta, tempestiva e apropriada: afinal, já estava mais do que na hora de se colocar um freio a este consumismo desenfreado dos cubanos... Olha o aquecimento global, hein?
Não obstante, vou explicar como e porquê um bolsa-isto ou um bolsa aquilo, e especificamente o bolsa-família, jamais será uma solução benéfica para o Brasil. E vou fazer isto tanto no plano teórico quanto no plano empírico.
Pra começar, tem perdurado no seio do imaginário da economia política nacional a idéia de que o distributivismo gera renda, e o bolsa-família é o caso por excelência. Mito. Pois, onde mais tem sido aplicado, jamais se teve uma semeada de prosperidade. O dinheiro dos beneficiados - e aqui incluo aposentados e pensionistas, que nas cidades do Norte e do Nordeste muitas vezes representam a maioria e o dinheiro gordo da população local - realmente faz girar o comércio, mas apenas aquele varejista que se desloca para atendê-los. Idem com os salários dos servidores públicos envolvidos (Estes bem menos, pois mal passam nos concursos, conseguem liminares na Justiça para logo voltarem ao Rio ou a São Paulo). Tão logo a chuva mingua, seca a pimenteira. Agora o fato: recentes pesquisas têm dado conta de que os programas sociais - incluso o bolsa-família - não propiciaram o desenvolvimento do Nordeste.
Assim se expressou Lula[3]: "Tem gente tão imbecil, tão ignorante que fala: "O Bolsa Família é para deixar as pessoas preguiçosas, porque quem recebe o Bolsa Família não quer mais trabalhar'". A boa teoria econômica tem demonstrado, com precisão, que os estímulos encarecem o trabalho e barateiam o não trabalho. Quanto a isto, explica Hans-Hermann Hoppe[4]:
Portanto, a redistribuição das oportunidades de aquisição de ganhos deve resultar em mais pessoas usando a agressão para conquistar a satisfação pessoal e/ou mais pessoas tornando-se agressivas, ou seja, mudando-se gradativamente as regras de não-agressivas para agressivas, e vagarosamente mudando a personalidade delas como uma conseqüência disto; e esta mudança na estrutura do caráter, na composição moral da sociedade, em retorno, leva a uma redução no nível de investimento em capital humano.
Não é tão difícil imaginar o quanto é assertiva a presunção de que um benefício continuado e isento de contrapartidas pode gerar a indolência: o valor do benefício pago apenas compreende uma faixa pela qual alguém pode ser "comprado". Se a algumas pessoas parece ser insuficiente, porque são mais exigentes quanto ao que querem da vida, outras se conformam mais facilmente, e o valor se torna desta forma a medida do conveniente.
Agora, o fato, que já foi largamente noticiado: muitas mães no Norte e Nordeste (e em menor medida, no restante do Brasil), geram filhos com o único propósito de receber a indigitada bolsa!
Porém, mais do que isto, como ensinou Hoppe, o que mais importa são as expectativas criadas: o trabalho, a poupança e o investimento custarão mais caro, e o ócio, a despesa e o consumo imediato serão mais recompensadores.
Torna-se lucrativo, pois, investir em formas agressivas e não-contratuais de aquisição da propriedade, ao mesmo tempo em que vão escasseando as possibilidades de abertura de empresas ou o crescimento delas, e conseqüentemente, a oferta de empregos, que produziriam homens e mulheres independentes e críticos em relação aos atos de seus governantes. Ao governo, por sua vez, isto muito interessa: para fazer um cãozinho comer na mão, basta que esta ofereça um petisco.
Feitas estas considerações teóricas e provadas empiricamente, resta-me apenas dizer que já passa da hora para que homens e mulheres de bem levantem-se contra esta ousadia crescente que já se coloca em tom de desafio, a corroborar a tese exposta na epígrafe. Homens e mulheres de relevo na sociedade têm o dever de censurá-lo. Homens e mulheres do Congresso e do Judiciário idem. A boa imprensa também.
Notas:
[1] Extraído do artigo "Um Gênio da Inépcia", de Olavo de Carvalho:
http://www.olavodecarvalho.org/semana/090129dc.html
[2] "A mí no me eligieron Presidente para restaurar el capitalismo en Cuba ni para entregar la Revolución. Fui elegido para defender, mantener y continuar perfeccionando el socialismo, no para destruirlo" (Discurso pronunciado por el General de Ejército Raúl Castro Ruz, Presidente de los Consejos de Estado y de Ministros, en el Tercer Período Ordinario de Sesiones de la VII Legislatura de la Asamblea Nacional del Poder Popular, en el Palacio de Convenciones, el 1º de agosto de 2009, "Año del 50 aniversario del triunfo de la Revolución"):
http://www.granma.cu/espanol/2009/agosto/lun3/discurso.html
[3] http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/palanqueiro-lula-reajusta-bolsa-familia-e-chama-criticos-de-imbecis/
[4] Hoppe, Hans-Hermann. Uma Teoria sobre o Socialismo e o Capitalismo (tradução autorizada). Arquivo PDF - disponível na Livraria Virtual de meu blog LIBERTATUM
(http://libertatum.blogspot.com)
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