Repassando:
Não demonstre medo diante de seus inimigos. Seja bravo e justo e Deus o amará. Diga sempre a verdade, mesmo que isso o leve à morte. Proteja os mais fracos e seja correto. Assim, você estará em paz com Deus e contigo.
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Uma Longa História de Corrupção
RATIO PRO LIBERTAS
Escrito pela Maria Lúcia V. Barbosa
No ambiente afrodisíaco dos trópicos, afrouxou-se a moralidade, que se tornou mais débil. Assim, foi-se produzindo, apesar da rigidez aparente das proibições eclesiásticas e inquisitoriais, a plasticidade de costumes, onde prevaleceu o suborno, a corrupção, a mentira, convertidos em "virtudes" a serem exaltadas e comungadas por toda a sociedade.
A vinda da corte portuguesa para o Brasil em 1808 deu uma fisionomia particular ao nosso caso, distinguindo-o do resto do continente. Mas, se, por um lado, a instalação da família real fortaleceu a unidade política do colossal território e abriu caminho para a Independência em 1822, por outro, a partir de 1808 instalaram-se de uma vez por todas no Brasil as características do velho Estado português, que em terra nova era também um Estado corrupto na medida em que para tudo dele se dependia, do seu excessivo quadro de funcionários, da morosidade típica do burocrata, correndo soltas as propinas para aligeirar licenças, fornecimentos, processos, despachos.
Em toda parte das entranhas do desajeitado e ineficiente Leviatã conduzido por D. João VI traficavam-se influências, negociava-se a coisa pública em proveito próprio.
A Independência não alterou a essência estatal portuguesa, em que pese o esforço de reorganização constitucional, atribuído a princípio à Assembleia Constituinte de 3 de maio de 1823. Dissolvida por D. Pedro I, terá em seu lugar um Conselho indicado pelo imperador, prática que continuará história afora com outros governantes. Do Conselho nascerá a Constituição de 1824, que incluirá, além dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, o Poder Moderador, que na verdade transformava D. Pedro I em árbitro supremo dos demais poderes.
Também colaborou para marcar a mentalidade brasileira a adoção da escravatura, que já estava em desuso no mundo enquanto sistema produtivo.
Em 1530, os africanos começaram a chegar à colônia brasileira para substituir a mão de obra indígena, incapaz de se adaptar à atividade das lavouras de cana-de-açúcar e, além dos aspectos morais negativos e já bastante debatidos, a escravidão trouxe consequências econômicas e sociais.
Em 1846, o embaixador norte-americano no Rio de Janeiro, Henry A. Wise escreveu ao Secretário de Estado James Buchanan explicando a situação:
"Só há três maneiras de se fazer fortuna no Brasil - ou no tráfico negreiro ou negociando com escravos ou tendo uma casa exportadora de café... Apenas os comerciantes estrangeiros se dedicam ao café, e todo brasileiro influente tem de participar, direta ou indiretamente, das duas primeiras atividades... Os traficantes são, pois, ou os homens que detêm o poder ou os que emprestam aos homens do poder e os manobram. Assim, o próprio governo é, na realidade, um governo traficante, contrário às suas próprias leis e tratados". (Citado por Leslie Bethell, A abolição do tráfico de escravos no Brasil)
Na interferência estatal, que incluía o chamamento de empresários, oferecendo-lhes concessões e garantindo-lhes juros, não faltava, apesar da austeridade do Segundo Reinado, a corrupção.
Segundo Raymundo Faoro, em Os donos do poder: "Eram frequentes as concessões a políticos que as vendiam a incorporadores nacionais e estrangeiros, circulando por dezenas de mãos antes de realizarem o serviço, quando o realizavam. Não era incomum que a especulação matasse a empresa, esfolando-a antes de nascer... Usavam também os negociantes associar os políticos mais prestigiosos para figurarem nominalmente ou por intermédio de parentes e amigos em alguma concessão".
A Proclamação da República deveria ter-se constituído num marco inaugural de uma nova ordem de coisas, de uma nova mentalidade.
No entanto, como sempre acontece, ainda que a história avance, a mentalidade de um povo permanece arraigada, e valores, comportamentos e costumes só muito lentamente se modificam sob o impacto de algum acontecimento marcante.
Quanto às eleições, desde o começo o voto foi comprado, induzido, negociado. Como já foi dito, "no Brasil sempre votaram vivos e mortos".
Negócios escusos ainda prevalecem como práticas usuais não só das eleições, mas no trato com a coisa pública por parte dos detentores do poder.
Só que política como "negócio do rei" é também praticada pelos "súditos", aos quais interessa, essencialmente, levar vantagens com relação ao Estado paternalista.
Voltemos ao presente. Alguma coisa mudou? Em essência, não.
O Estado continua a apresentar os males crônicos da incapacidade administrativa (especialmente em saúde, educação, infraestrutura), nepotismo exacerbado, empreguismo parasitário. Em todos os níveis do governo - federal, estadual, municipal - grassa a corrupção, o mesmo acontecendo em instituições importantes. A impunidade é cada vez mais um estimulo à criminalidade, que registra índices assustadores, assim como a roubalheira oficial.
Como no passado, os "traficantes" estão no poder.
Indiferente, a massa só se interessa por vantagens imediatas, sem perceber que a corrupção lhe tira os direitos mais importantes.
Ou mudamos a mentalidade ou o Brasil permanecerá o eterno país do futuro que não chega.

Escrito pela Maria Lúcia V. Barbosa
A corrupção no Brasil tem uma longa história, que, aliada à impunidade, vem nos infelicitando ao longo dos séculos. Na verdade, tivemos uma "embriogenia defeituosa" na medida em que, nos primórdios de nossa colonização, aventureiros gananciosos interpuseram um oceano entre si e os controles sociais de sua pátria.
No ambiente afrodisíaco dos trópicos, afrouxou-se a moralidade, que se tornou mais débil. Assim, foi-se produzindo, apesar da rigidez aparente das proibições eclesiásticas e inquisitoriais, a plasticidade de costumes, onde prevaleceu o suborno, a corrupção, a mentira, convertidos em "virtudes" a serem exaltadas e comungadas por toda a sociedade.
A vinda da corte portuguesa para o Brasil em 1808 deu uma fisionomia particular ao nosso caso, distinguindo-o do resto do continente. Mas, se, por um lado, a instalação da família real fortaleceu a unidade política do colossal território e abriu caminho para a Independência em 1822, por outro, a partir de 1808 instalaram-se de uma vez por todas no Brasil as características do velho Estado português, que em terra nova era também um Estado corrupto na medida em que para tudo dele se dependia, do seu excessivo quadro de funcionários, da morosidade típica do burocrata, correndo soltas as propinas para aligeirar licenças, fornecimentos, processos, despachos.
Em toda parte das entranhas do desajeitado e ineficiente Leviatã conduzido por D. João VI traficavam-se influências, negociava-se a coisa pública em proveito próprio.
A Independência não alterou a essência estatal portuguesa, em que pese o esforço de reorganização constitucional, atribuído a princípio à Assembleia Constituinte de 3 de maio de 1823. Dissolvida por D. Pedro I, terá em seu lugar um Conselho indicado pelo imperador, prática que continuará história afora com outros governantes. Do Conselho nascerá a Constituição de 1824, que incluirá, além dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, o Poder Moderador, que na verdade transformava D. Pedro I em árbitro supremo dos demais poderes.
Também colaborou para marcar a mentalidade brasileira a adoção da escravatura, que já estava em desuso no mundo enquanto sistema produtivo.
Em 1530, os africanos começaram a chegar à colônia brasileira para substituir a mão de obra indígena, incapaz de se adaptar à atividade das lavouras de cana-de-açúcar e, além dos aspectos morais negativos e já bastante debatidos, a escravidão trouxe consequências econômicas e sociais.
Em 1846, o embaixador norte-americano no Rio de Janeiro, Henry A. Wise escreveu ao Secretário de Estado James Buchanan explicando a situação:
"Só há três maneiras de se fazer fortuna no Brasil - ou no tráfico negreiro ou negociando com escravos ou tendo uma casa exportadora de café... Apenas os comerciantes estrangeiros se dedicam ao café, e todo brasileiro influente tem de participar, direta ou indiretamente, das duas primeiras atividades... Os traficantes são, pois, ou os homens que detêm o poder ou os que emprestam aos homens do poder e os manobram. Assim, o próprio governo é, na realidade, um governo traficante, contrário às suas próprias leis e tratados". (Citado por Leslie Bethell, A abolição do tráfico de escravos no Brasil)
Na interferência estatal, que incluía o chamamento de empresários, oferecendo-lhes concessões e garantindo-lhes juros, não faltava, apesar da austeridade do Segundo Reinado, a corrupção.
Segundo Raymundo Faoro, em Os donos do poder: "Eram frequentes as concessões a políticos que as vendiam a incorporadores nacionais e estrangeiros, circulando por dezenas de mãos antes de realizarem o serviço, quando o realizavam. Não era incomum que a especulação matasse a empresa, esfolando-a antes de nascer... Usavam também os negociantes associar os políticos mais prestigiosos para figurarem nominalmente ou por intermédio de parentes e amigos em alguma concessão".
A Proclamação da República deveria ter-se constituído num marco inaugural de uma nova ordem de coisas, de uma nova mentalidade.
No entanto, como sempre acontece, ainda que a história avance, a mentalidade de um povo permanece arraigada, e valores, comportamentos e costumes só muito lentamente se modificam sob o impacto de algum acontecimento marcante.
Quanto às eleições, desde o começo o voto foi comprado, induzido, negociado. Como já foi dito, "no Brasil sempre votaram vivos e mortos".
Negócios escusos ainda prevalecem como práticas usuais não só das eleições, mas no trato com a coisa pública por parte dos detentores do poder.
Só que política como "negócio do rei" é também praticada pelos "súditos", aos quais interessa, essencialmente, levar vantagens com relação ao Estado paternalista.
Voltemos ao presente. Alguma coisa mudou? Em essência, não.
O Estado continua a apresentar os males crônicos da incapacidade administrativa (especialmente em saúde, educação, infraestrutura), nepotismo exacerbado, empreguismo parasitário. Em todos os níveis do governo - federal, estadual, municipal - grassa a corrupção, o mesmo acontecendo em instituições importantes. A impunidade é cada vez mais um estimulo à criminalidade, que registra índices assustadores, assim como a roubalheira oficial.
Como no passado, os "traficantes" estão no poder.
Indiferente, a massa só se interessa por vantagens imediatas, sem perceber que a corrupção lhe tira os direitos mais importantes.
Ou mudamos a mentalidade ou o Brasil permanecerá o eterno país do futuro que não chega.

Maria Lúcia V. Barbosa
Graduada em Sociologia e Política e Administração Pública pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em Ciência Política pela UnB. É professora da Universidade Estadual de Londrina/PR. Articulista de vários jornais e sites brasileiros. É membro da Academia de Ciências, Artes e Letras de Londrina e premiada na área acadêmica com trabalhos como "Breve Ensaio sobre o Poder" e "A Favor de Nicolau Maquiavel Florentino".
E-mail: mlucia@sercomtel.com.br
E-mail: mlucia@sercomtel.com.br
É um erro falar que existe nova classe média, diz sociólogo
FOLHA
13/02/2011 - 00h02
UIRÁ MACHADO DE SÃO PAULO
Assim como fizera em seu livro anterior, Souza procura determinar as características dessa classe por um recorte diferente do que ele chama de economicista e quantitativo, fugindo tanto de análises pelo consumo e renda quanto de abordagens marxistas "unidimensionais".
Abaixo, trechos da entrevista sobre a classe que, para ele, "parece se constituir, com o resgate social da ralé, na questão social, econômica e política mais importante do Brasil contemporâneo".
Jessé Souza - Os dois livros se enquadram no projeto de longo prazo de estudar as classes sociais mais importantes do Brasil contemporâneo de maneira não economicista e quantitativa, como sempre acontece.
Quando falo em estudos economicistas, penso tanto nas descrições estatísticas baseadas em níveis de consumo e renda quanto nas descrições marxistas fundadas numa leitura unidimensional da realidade.
Alguns desses estudos são importantes como ponto de partida descritivo, mas o que nenhum deles oferece é uma leitura sociocultural da realidade que nos possibilite compreender o principal: a produção diferencial de seres humanos a partir do pertencimento a classes sociais distintas.
Ainda que a renda seja um componente importante do pertencimento de classe, pessoas muitos diferentes podem ter renda semelhante.
Para que possamos explicar e compreender uma realidade social complexa é necessário penetrar na dimensão mais recôndita das motivações profundas do comportamento social e nos dramas, sonhos, angústias e sofrimentos humanos que elas implicam.
O ganho em compreensão em relação a uma realidade opaca e complexa é insofismável.
Acredito que, por conta desse tipo de interesse instruído teórica e metodologicamente, foi possível perceber, talvez pela primeira vez, a existência do um terço de brasileiros excluídos como uma única classe, ou seja, pelo estudo dos pressupostos afetivos, morais e emocionais que explicam a origem, a manutenção e o destino social provável às pessoas dessa classe específica.
No caso da "ralé", formada pela ausência dos pressupostos que permitem a incorporação das capacidades exigidas pela sociedade competitiva moderna, é possível perceber a irmandade entre pessoas que moram no interior do Piauí ou na periferia de São Paulo quando a regra é a fragmentação e, portanto, a cegueira da percepção.
É essa cegueira que percebe essa classe de abandonados sociais apenas no registro espetacularizado e manipulador da oposição polícia/bandido, aprofundando todos os preconceitos das classes do privilégio contra esses esquecidos, explorados como mão de obra barata por esses mesmos privilegiados.
O ganho em termos de uma percepção alternativa, totalizadora e crítica da realidade social como um todo não é pequeno.
No caso dos "batalhadores", esse mesmo ponto de partida nos permitiu, na contramão dos estudos dominantes sobre esse assunto, perceber tanto o potencial de chance e de oportunidade que efetivamente existe nessa nova classe que se constitui defronte os nossos olhos quanto articular a dimensão do sofrimento e dor humanos sistematicamente silenciados por uma leitura superficial e triunfalista da realidade.
Em seu livro, o senhor questiona a afirmação de que o governo Lula alçou 30 milhões de brasileiros à classe média e diz até que se trata de uma mentira. Por quê?
Eu não nego que houve uma efetiva ascensão social de 30 milhões de brasileiros nem que esse fato seja extremamente importante e digno de alegria. O que questiono é a leitura dessa classe como uma classe média.
A classe média é uma das classes dominantes em sociedades modernas como a brasileira porque é constituída pelo acesso privilegiado a um recurso escasso de extrema importância: o capital cultural nas suas mais diversas formas.
Seja sob a forma de capital cultural técnico, como na "tropa de choque" do capital (advogados, engenheiros, administradores, economistas etc.), seja pelo capital cultural literário dos professores, jornalistas, publicitários etc., esse tipo de conhecimento é fundamental para a reprodução e legitimação tanto do mercado quanto do Estado.
Consequentemente, tanto a remuneração quanto o prestígio social atrelados a esse tipo de trabalho --e da condução de vida que ele proporciona-- são consideráveis.
A vida dos "batalhadores" é completamente outra. Ela é marcada pela ausência dos privilégios de nascimento que caracterizam as classes médias e altas.
E, quando se fala de "privilégios de nascimento", não se está falando apenas do dinheiro transmitido por herança de sangue nas classes altas. Esses privilégios envolvem também o recurso mais valioso das classes médias, que é o tempo.
Afinal, é necessário muito tempo livre para incorporar qualquer forma de conhecimento técnico, científico ou filosófico-literário valioso.
Os batalhadores, em sua esmagadora maioria, precisam começar a trabalhar cedo e estudam em escolas públicas muitas vezes de baixa qualidade.
Como lhes faltam tanto o capital cultural altamente valorizado das classes médias quanto o capital econômico das classes altas, eles compensam essa falta com extraordinário esforço pessoal, dupla jornada de trabalho e aceitação de todo tipo de superexploração da mão de obra.
Essa é uma condução de vida típica das classes trabalhadoras, daí nossa hipótese de trabalho desenvolvida no livro que nega e critica o conceito de "nova classe média".
Qual o ganho analítico de enxergar os batalhadores como uma classe diferente da classe média tradicional? E quais as implicações que essa diferenciação traz para o governo Dilma?
O ganho é tanto analítico quanto político.
Essa diferenciação permite, em primeiro lugar, perceber a realidade social como ela é, com suas ambiguidades e contradições constitutivas.
Depois, como em toda leitura sóbria da realidade, ela possibilita criticar todo tipo de manipulação política ou de leitura triunfalista da realidade.
Com relação não apenas ao governo Dilma, mas em relação ao futuro do Brasil, essa nova classe de trabalhadores, típica do novo tipo de capitalismo financeiro que logrou se globalizar, parece se constituir --com o resgate social da ralé-- na questão social, econômica e política mais importante do Brasil contemporâneo.
Para mim, existem duas alternativas possíveis: a primeira é essa classe ser cooptada pelo discurso e prática individualista e socialmente irresponsável que caracterizam boa parte das classes dominantes no Brasil; a segunda alternativa é essa classe assumir um papel de protagonista e inspirar, pelo seu exemplo social, a efetiva redenção daquela classe social de humilhados sociais que chamo provocativamente de ralé.
Muitos dos batalhadores que entrevistamos vinham, inclusive, da própria ralé, mostrando que as fronteiras entre as classes são fluidas e que não existem classes condenadas para sempre.
Esse ponto me parece fundamental, já que é precisamente a existência desses abandonados sociais --e não qualquer tipo de patrimonialismo advindo de um suposto "mal de origem" português, como ainda hoje acredita nossa ciência social dominante-- o que nos separa das sociedades mais igualitárias e socialmente mais justas do globo.
Quando o senhor afirma que os batalhadores alcançaram um "lugar ao sol à custa de extraordinário esforço", o senhor não está assumindo a tese do mérito individual, a qual o senhor habitualmente critica?
Quando critico a ideologia do mérito individual, não estou negando a extraordinária importância do esforço individual, nem, muito menos, a necessidade de reconhecimento social efetivo para os desempenhos singulares em qualquer área da vida.
Qualquer noção de justiça social moderna tem que articular responsabilidade social e reconhecimento dos desempenhos singulares e extraordinários.
Há que proteger tanto a ideia de que somos responsáveis uns pelos outros quanto estimular o esforço pessoal.
Quando critico a ideia de mérito individual, é apenas pelo seu uso amesquinhado como ideologia, ou seja, como falsa percepção da realidade.
É muito diferente quando uma classe inteira de privilegiados de nascimento, com boas escolas, estimulados em casa o tempo todo, com tempo livre desde sempre para fazer o que bem entende e dinheiro para investir em cursos de línguas e pós-graduações valorizadas, chama o próprio sucesso de mérito individual e ainda acusa as classes que não tiveram acesso a qualquer desses privilégios sociais de preguiçosos, burros e culpados pelo próprio fracasso.
A tese do mérito individual que crítico é, portanto, herdeira do modo como o liberalismo sempre foi recebido no Brasil: um discurso para legitimar os privilégios de nascimento das classes abastadas, como se esses privilégios decorressem do esforço apenas de indivíduos, e não da herança de sangue e de classe.
No estudo dos batalhadores, o que impressionou foi o extraordinário esforço de superação de condições efetivamente adversas, todas contribuindo antes ao desânimo e ao desespero do que ao enfretamento corajoso das condições negativas ao sucesso social e econômico.
O título do livro foi uma homenagem à luta cotidiana e silenciosa desses brasileiros.
Este termo "batalhadores" sinaliza o fato de que o que perfaz o cotidiano dessas pessoas é a necessidade de "matar um leão por dia" como forma de vida de toda uma classe social que tem que lutar diariamente contra o peso da própria origem.
Nos casos empíricos de seu livro, há operadores de telemarketing, uma profissão relativamente nova, e feirantes, ocupação bem antiga. Como as duas funções aparecem juntas para caracterizar tipos de uma nova classe social que é tão conforme o modelo atual do capitalismo?
Para responder a esta pergunta, temos que compreender, antes de tudo, ainda que sucintamente, o que significa "modelo atual de capitalismo", de modo a podermos compreender de maneira mais adequada como essa "nova classe trabalhadora" se torna, não só no Brasil, mas em todos os países emergentes, como China e Índia, sua classe suporte, como diria Max Weber, mais típica.
O que hoje é chamado por muitos de "capitalismo financeiro" representa um movimento que começa nos anos 80 no mundo e se propaga nos anos 90 entre nós. O pano de fundo desse movimento eram taxas de lucro decrescentes em nível mundial já havia décadas.
Mas as mudanças não foram apenas nem principalmente de retórica política. Elas comandaram transformações profundas tanto na forma de produção de todo tipo de mercadoria quanto no regime de trabalho.
Ao fim e ao cabo, o conjunto de mudanças apontou no sentido de um aumento da velocidade de circulação do capital, em grande medida determinado pelos cortes com gastos de controle e supervisão de trabalho, que caracterizavam a produção do tipo fordista tradicional, como existe ainda hoje, por exemplo, em algumas indústrias automobilísticas.
Amplos setores da produção de mercadorias de todo tipo são realizados agora por trabalhadores em fábricas a céu aberto ou pequenas unidades familiares que se acreditam, inclusive, empresárias de si próprias, o que explica, também, que o epíteto de "nova classe média" tenha caído tão rápido no gosto de todos, inclusive dos próprios batalhadores.
Na verdade, o capital financeiro que flui sem qualquer controle por todos os pontos do globo pode, agora, se valorizar a taxas de lucros e juros sem precedentes também a partir de atividades realizadas por um exército mundial de trabalhadores --que abundam precisamente nos países populosos ditos emergentes-- sem direitos trabalhistas, sem passado sindical e sem tradição de lutas políticas, que muitas vezes não pagam impostos, que trabalham de dez a 14 horas ao dia e ainda nem sequer precisam de capatazes ou supervisores, porque se acreditam "livres" e patrões de si mesmos.
Essa mudança abrange não apenas as "novas atividades", como as da informática, mas também redefinem e transformam, inclusive, atividades tradicionais, como a dos feirantes.
Quais são os valores dessa classe batalhadora?
Em primeiro lugar, há que ficar bem claro que uma pesquisa sobre valores sociais profundos, como a que realizamos, não pode imaginar que esses valores sejam de fácil acesso e estejam na cabeça das pessoas de modo claro e óbvio.
Ao contrário, como diria Max Weber, a primeira necessidade dos seres humanos não é a de dizer a verdade --muito menos a verdade sobre si mesmos--, mas sim justificar e legitimar a vida que realmente levam.
Por conta disso, uma pesquisa de sociologia crítica é diferente de uma pesquisa meramente quantitativa. Nas pesquisas quantitativas podemos saber, por exemplo, em quem as pessoas vão votar ou que sabonete elas usam, precisamente porque suas autoimagens quase nunca estão em jogo nesse tipo de questão.
Quem se interessa em perceber os estímulos mais profundos da conduta social, ao contrário, tem que realizar um esforço interpretativo e hermenêutico que as pesquisas quantitativas comuns não fazem e perceber os valores na prática cotidiana efetiva da vida das pessoas.
Afinal, valores são aquilo que nos conduzem para um lado e não para outro da vida, mesmo que de modo pré-reflexivo ou inconsciente.
Nós optamos por analisar a vida no trabalho e na família de nossos informantes, de modo a retirar dessas esferas fundamentais os impulsos e estímulos práticos --os tais "valores" na nossa visão-- da conduta de vida.
Neste particular, o horizonte valorativo dos batalhadores pode ser mais bem percebido no confronto com os membros da ralé.
A principal diferença em relação aos excluídos e abandonados sociais é a constituição de uma ética articulada do trabalho duro.
Afinal, não basta querer trabalhar em qualquer área da vida. É necessário também poder trabalhar, ou seja, ter logrado incorporar (literalmente "tornar corpo", de modo pré-reflexivo e automático) os pressupostos emocionais e morais do trabalho produtivo no mercado competitivo.
O capitalismo atual pressupõe crescente incorporação de distintas formas de conhecimento e de capital cultural como porta de entrada em qualquer de seus setores competitivos.
Como esses pressupostos faltam por diversos motivos à ralé, esta é condenada aos trabalhos braçais ou com mínimo de conhecimento, servindo, portanto, de mão de obra barata para qualquer serviço duro, desvalorizado e pesado.
Esse não é o único horizonte dos batalhadores.
Os batalhadores são quase sempre vindos de famílias pobres, mas, no entanto, bem estruturadas, com os papéis de pais e filhos reciprocamente compreendidos, exemplos de perseverança na família e estímulo consequente --baseado em exemplos concretos-- para o estudo e para o trabalho.
Temos nas famílias dessa classe a incorporação e internalização efetiva da tríade disciplina, autocontrole e pensamento prospectivo que sempre está pressuposta tanto em qualquer processo de aprendizado na escola quanto em qualquer trabalho produtivo no mercado competitivo.
Sem disciplina e autocontrole é impossível, por exemplo, concentrar-se na escola --daí que os membros da ralé diziam repetidamente que "fitavam" o quadro negro por horas sem aprender.
Essa "virtude" não é natural, como pensa a classe média que universaliza indevidamente às outras classes suas virtudes e privilégios para depois culpar a vítima do abandono social, como se o abandono e a miséria fossem uma escolha.
Por outro lado, sem pensamento prospectivo --ou seja, a visão de que o futuro é mais importante do que o presente--, não existe sequer a possibilidade de condução racional da vida pela impossibilidade de cálculo e de planejamento e pela prisão no aqui e agora.
No caso dos batalhadores, a incorporação dessa economia emocional e moral mínima é duramente conquistada, às vezes no horizonte do aprendizado familiar, às vezes tardiamente, nas mais diversas formas de socialização religiosa.
Assim, ainda que falte a essa classe o acesso às formas mais valorizadas de capital cultural --monopólio das "verdadeiras" classes médias--, não lhes falta força de vontade, perseverança e confiança no futuro, apesar de todas as dificuldades.
Em um contexto minimamente favorável, como o que vivemos até agora, esse exército de batalhadores se mostra então disponível e atento à menor possibilidade de trabalho rentável e de melhoria das condições de vida por meio, por exemplo, do consumo de bens duráveis que antes lhes eram inatingíveis.
Durante as eleições deste ano, alguns debates ganharam fortes contornos religiosos, como foi o caso da discussão sobre o aborto. A religião é mais importante para os batalhadores do que para a classe média tradicional?
O tema da religião é tão importante para essa classe que até dedicamos toda uma parte do livro a esta temática. Além disso, a socialização religiosa dessa classe perpassa boa parte dos textos construídos a partir das análises empíricas.
É preciso cuidado com esse tema, já que ele pode servir para que se construa uma nuvem de preconceitos contra essa classe.
É, sem dúvida, correto que as religiões evangélicas --como, aliás, todas as religiões em alguma medida-- exigem o sacrifício do intelecto, o que, efetivamente, não ajuda no exercício da tolerância nem no desenvolvimento das capacidades reflexivas dos seres humanos.
Em troca, no entanto, essas religiões oferecem o que a sociedade como um todo, o Estado ou mesmo algumas das famílias menos estruturadas dessa classe jamais deram a eles: confiança em si mesmos, autoestima, esperança e a força de vontade para vencer as enormes adversidades da vida sem privilégios de nascimento.
Nesse sentido preciso, tudo leva a crer que a religião seja efetivamente mais importante para esses setores do que para as classes médias estabelecidas, ainda que nunca tenhamos feito nenhum estudo sistemático. Mas me parece uma hipótese plausível.
E não apenas as religiões evangélicas, que são muito importantes especialmente nos núcleos urbanos. Também a religião católica, no interior do Nordeste, ainda muito forte e atuante, cumpre uma função fundamental de baluarte da solidariedade familiar e como fundamento de uma ética do trabalho em muitos aspectos semelhantes à ética do protestantismo.
Se é verdade que a classe batalhadora não é uma classe média em sentido tradicional, e se aí vai uma crítica, não é possível ao menos imaginar que os filhos dos "batalhadores" terão melhores oportunidades que seus pais? Nesse sentido, a crítica não perderia sua força? Não é possível imaginar que a ascensão à classe média se dará em "duas etapas"?
Sem dúvida que isso é possível. Até porque o Brasil é um país singular no sentido de ser extremamente desigual e, ao mesmo tempo, apresentar forte mobilidade social muitas vezes ascendente.
É preciso, no entanto, também levar em consideração que uma concepção sociocultural das classes sociais implica a percepção de que as mudanças sociais tendem a preservar aspectos importantes da história e da tradição das classes sociais envolvidas nessas mudanças.
Como nos constituímos como seres humanos de modo antes de tudo afetivo e emocional, pela incorporação insensível e pré-reflexiva daquilo e de quem amamos, somos sempre muito mais parecidos com nossos pais --ou de quem quer que tenhamos recebido afeto e amor-- do que as vezes muitos imaginam.
Mas o que é importante é que as mudanças sociais e pessoais são, sim, sempre possíveis. Mais importante ainda é lembrar que as mudanças sociais jamais acontecem apenas pelo jogo das variáveis econômicas.
O aprofundamento dos processos de aprendizado social e político que o Brasil começa a realizar são também fundamentais para a constituição de uma sociedade em que todos tenham efetiva condição de participar da competição social com um mínimo de igualdade de condições, que é o que muitos entre nós desejam.
A nova classe batalhadora faz surgir um novo tipo de preconceito no Brasil?
Sem dúvida. Basta olhar qualquer das revistas que analisam o padrão de consumo dessa classe sob a égide da visão de mundo da classe média estabelecida. Ela aparece sempre como um tanto vulgar e sem o "bom gosto" que caracterizaria os estratos superiores.
Como regra geral, as classes superiores se veem sempre como as "classes do espírito", da personalidade refinada e sensível, e percebem as classes baixas como as "classes do corpo" e, portanto, rudes, primitivas e sem refinamento.
Uma das características dos "batalhadores" parece ser a precariedade da situação econômica e social. De que forma o governo pode melhorar ou piorar a situação dessa classe?
Eu acho fundamental o aprofundamento mais consequente tanto da política social --no sentido de que apenas uma pequena ajuda econômica tópica não irá retirar o um terço de brasileiros da exclusão e do abandono-- quanto de políticas de crédito e de estímulo aos batalhadores.
A "parte de baixo" da população brasileira tem demonstrado sobejamente que consegue transformar qualquer pequena ajuda em progresso social e econômico significativo que interessa e beneficia a todos os setores da sociedade inclusive os superiores.
13/02/2011 - 00h02
UIRÁ MACHADO DE SÃO PAULO
Autor do livro "Os Batalhadores Brasileiros", o sociólogo Jessé Souza afirma que a ascensão social de 30 milhões de pessoas no governo Lula não produziu uma "nova classe média", mas uma classe social diferente, que ele chama provocativamente de "batalhadores".
Assim como fizera em seu livro anterior, Souza procura determinar as características dessa classe por um recorte diferente do que ele chama de economicista e quantitativo, fugindo tanto de análises pelo consumo e renda quanto de abordagens marxistas "unidimensionais".
Abaixo, trechos da entrevista sobre a classe que, para ele, "parece se constituir, com o resgate social da ralé, na questão social, econômica e política mais importante do Brasil contemporâneo".
Folha - Após lançar o livro "A Ralé Brasileira", o senhor agora publica "Os Batalhadores Brasileiros". Qual a diferença entre a "ralé" e os "batalhadores"?
Jessé Souza - Os dois livros se enquadram no projeto de longo prazo de estudar as classes sociais mais importantes do Brasil contemporâneo de maneira não economicista e quantitativa, como sempre acontece.
Quando falo em estudos economicistas, penso tanto nas descrições estatísticas baseadas em níveis de consumo e renda quanto nas descrições marxistas fundadas numa leitura unidimensional da realidade.
Alguns desses estudos são importantes como ponto de partida descritivo, mas o que nenhum deles oferece é uma leitura sociocultural da realidade que nos possibilite compreender o principal: a produção diferencial de seres humanos a partir do pertencimento a classes sociais distintas.
Ainda que a renda seja um componente importante do pertencimento de classe, pessoas muitos diferentes podem ter renda semelhante.
Para que possamos explicar e compreender uma realidade social complexa é necessário penetrar na dimensão mais recôndita das motivações profundas do comportamento social e nos dramas, sonhos, angústias e sofrimentos humanos que elas implicam.
O ganho em compreensão em relação a uma realidade opaca e complexa é insofismável.
Acredito que, por conta desse tipo de interesse instruído teórica e metodologicamente, foi possível perceber, talvez pela primeira vez, a existência do um terço de brasileiros excluídos como uma única classe, ou seja, pelo estudo dos pressupostos afetivos, morais e emocionais que explicam a origem, a manutenção e o destino social provável às pessoas dessa classe específica.
No caso da "ralé", formada pela ausência dos pressupostos que permitem a incorporação das capacidades exigidas pela sociedade competitiva moderna, é possível perceber a irmandade entre pessoas que moram no interior do Piauí ou na periferia de São Paulo quando a regra é a fragmentação e, portanto, a cegueira da percepção.
É essa cegueira que percebe essa classe de abandonados sociais apenas no registro espetacularizado e manipulador da oposição polícia/bandido, aprofundando todos os preconceitos das classes do privilégio contra esses esquecidos, explorados como mão de obra barata por esses mesmos privilegiados.
O ganho em termos de uma percepção alternativa, totalizadora e crítica da realidade social como um todo não é pequeno.
No caso dos "batalhadores", esse mesmo ponto de partida nos permitiu, na contramão dos estudos dominantes sobre esse assunto, perceber tanto o potencial de chance e de oportunidade que efetivamente existe nessa nova classe que se constitui defronte os nossos olhos quanto articular a dimensão do sofrimento e dor humanos sistematicamente silenciados por uma leitura superficial e triunfalista da realidade.
Em seu livro, o senhor questiona a afirmação de que o governo Lula alçou 30 milhões de brasileiros à classe média e diz até que se trata de uma mentira. Por quê?
Eu não nego que houve uma efetiva ascensão social de 30 milhões de brasileiros nem que esse fato seja extremamente importante e digno de alegria. O que questiono é a leitura dessa classe como uma classe média.
A classe média é uma das classes dominantes em sociedades modernas como a brasileira porque é constituída pelo acesso privilegiado a um recurso escasso de extrema importância: o capital cultural nas suas mais diversas formas.
Seja sob a forma de capital cultural técnico, como na "tropa de choque" do capital (advogados, engenheiros, administradores, economistas etc.), seja pelo capital cultural literário dos professores, jornalistas, publicitários etc., esse tipo de conhecimento é fundamental para a reprodução e legitimação tanto do mercado quanto do Estado.
Consequentemente, tanto a remuneração quanto o prestígio social atrelados a esse tipo de trabalho --e da condução de vida que ele proporciona-- são consideráveis.
A vida dos "batalhadores" é completamente outra. Ela é marcada pela ausência dos privilégios de nascimento que caracterizam as classes médias e altas.
E, quando se fala de "privilégios de nascimento", não se está falando apenas do dinheiro transmitido por herança de sangue nas classes altas. Esses privilégios envolvem também o recurso mais valioso das classes médias, que é o tempo.
Afinal, é necessário muito tempo livre para incorporar qualquer forma de conhecimento técnico, científico ou filosófico-literário valioso.
Os batalhadores, em sua esmagadora maioria, precisam começar a trabalhar cedo e estudam em escolas públicas muitas vezes de baixa qualidade.
Como lhes faltam tanto o capital cultural altamente valorizado das classes médias quanto o capital econômico das classes altas, eles compensam essa falta com extraordinário esforço pessoal, dupla jornada de trabalho e aceitação de todo tipo de superexploração da mão de obra.
Essa é uma condução de vida típica das classes trabalhadoras, daí nossa hipótese de trabalho desenvolvida no livro que nega e critica o conceito de "nova classe média".
Qual o ganho analítico de enxergar os batalhadores como uma classe diferente da classe média tradicional? E quais as implicações que essa diferenciação traz para o governo Dilma?
O ganho é tanto analítico quanto político.
Essa diferenciação permite, em primeiro lugar, perceber a realidade social como ela é, com suas ambiguidades e contradições constitutivas.
Depois, como em toda leitura sóbria da realidade, ela possibilita criticar todo tipo de manipulação política ou de leitura triunfalista da realidade.
Com relação não apenas ao governo Dilma, mas em relação ao futuro do Brasil, essa nova classe de trabalhadores, típica do novo tipo de capitalismo financeiro que logrou se globalizar, parece se constituir --com o resgate social da ralé-- na questão social, econômica e política mais importante do Brasil contemporâneo.
Para mim, existem duas alternativas possíveis: a primeira é essa classe ser cooptada pelo discurso e prática individualista e socialmente irresponsável que caracterizam boa parte das classes dominantes no Brasil; a segunda alternativa é essa classe assumir um papel de protagonista e inspirar, pelo seu exemplo social, a efetiva redenção daquela classe social de humilhados sociais que chamo provocativamente de ralé.
Muitos dos batalhadores que entrevistamos vinham, inclusive, da própria ralé, mostrando que as fronteiras entre as classes são fluidas e que não existem classes condenadas para sempre.
Esse ponto me parece fundamental, já que é precisamente a existência desses abandonados sociais --e não qualquer tipo de patrimonialismo advindo de um suposto "mal de origem" português, como ainda hoje acredita nossa ciência social dominante-- o que nos separa das sociedades mais igualitárias e socialmente mais justas do globo.
Quando o senhor afirma que os batalhadores alcançaram um "lugar ao sol à custa de extraordinário esforço", o senhor não está assumindo a tese do mérito individual, a qual o senhor habitualmente critica?
Quando critico a ideologia do mérito individual, não estou negando a extraordinária importância do esforço individual, nem, muito menos, a necessidade de reconhecimento social efetivo para os desempenhos singulares em qualquer área da vida.
Qualquer noção de justiça social moderna tem que articular responsabilidade social e reconhecimento dos desempenhos singulares e extraordinários.
Há que proteger tanto a ideia de que somos responsáveis uns pelos outros quanto estimular o esforço pessoal.
Quando critico a ideia de mérito individual, é apenas pelo seu uso amesquinhado como ideologia, ou seja, como falsa percepção da realidade.
É muito diferente quando uma classe inteira de privilegiados de nascimento, com boas escolas, estimulados em casa o tempo todo, com tempo livre desde sempre para fazer o que bem entende e dinheiro para investir em cursos de línguas e pós-graduações valorizadas, chama o próprio sucesso de mérito individual e ainda acusa as classes que não tiveram acesso a qualquer desses privilégios sociais de preguiçosos, burros e culpados pelo próprio fracasso.
A tese do mérito individual que crítico é, portanto, herdeira do modo como o liberalismo sempre foi recebido no Brasil: um discurso para legitimar os privilégios de nascimento das classes abastadas, como se esses privilégios decorressem do esforço apenas de indivíduos, e não da herança de sangue e de classe.
No estudo dos batalhadores, o que impressionou foi o extraordinário esforço de superação de condições efetivamente adversas, todas contribuindo antes ao desânimo e ao desespero do que ao enfretamento corajoso das condições negativas ao sucesso social e econômico.
O título do livro foi uma homenagem à luta cotidiana e silenciosa desses brasileiros.
Este termo "batalhadores" sinaliza o fato de que o que perfaz o cotidiano dessas pessoas é a necessidade de "matar um leão por dia" como forma de vida de toda uma classe social que tem que lutar diariamente contra o peso da própria origem.
Nos casos empíricos de seu livro, há operadores de telemarketing, uma profissão relativamente nova, e feirantes, ocupação bem antiga. Como as duas funções aparecem juntas para caracterizar tipos de uma nova classe social que é tão conforme o modelo atual do capitalismo?
Para responder a esta pergunta, temos que compreender, antes de tudo, ainda que sucintamente, o que significa "modelo atual de capitalismo", de modo a podermos compreender de maneira mais adequada como essa "nova classe trabalhadora" se torna, não só no Brasil, mas em todos os países emergentes, como China e Índia, sua classe suporte, como diria Max Weber, mais típica.
O que hoje é chamado por muitos de "capitalismo financeiro" representa um movimento que começa nos anos 80 no mundo e se propaga nos anos 90 entre nós. O pano de fundo desse movimento eram taxas de lucro decrescentes em nível mundial já havia décadas.
Mas as mudanças não foram apenas nem principalmente de retórica política. Elas comandaram transformações profundas tanto na forma de produção de todo tipo de mercadoria quanto no regime de trabalho.
Ao fim e ao cabo, o conjunto de mudanças apontou no sentido de um aumento da velocidade de circulação do capital, em grande medida determinado pelos cortes com gastos de controle e supervisão de trabalho, que caracterizavam a produção do tipo fordista tradicional, como existe ainda hoje, por exemplo, em algumas indústrias automobilísticas.
Amplos setores da produção de mercadorias de todo tipo são realizados agora por trabalhadores em fábricas a céu aberto ou pequenas unidades familiares que se acreditam, inclusive, empresárias de si próprias, o que explica, também, que o epíteto de "nova classe média" tenha caído tão rápido no gosto de todos, inclusive dos próprios batalhadores.
Na verdade, o capital financeiro que flui sem qualquer controle por todos os pontos do globo pode, agora, se valorizar a taxas de lucros e juros sem precedentes também a partir de atividades realizadas por um exército mundial de trabalhadores --que abundam precisamente nos países populosos ditos emergentes-- sem direitos trabalhistas, sem passado sindical e sem tradição de lutas políticas, que muitas vezes não pagam impostos, que trabalham de dez a 14 horas ao dia e ainda nem sequer precisam de capatazes ou supervisores, porque se acreditam "livres" e patrões de si mesmos.
Essa mudança abrange não apenas as "novas atividades", como as da informática, mas também redefinem e transformam, inclusive, atividades tradicionais, como a dos feirantes.
Quais são os valores dessa classe batalhadora?
Em primeiro lugar, há que ficar bem claro que uma pesquisa sobre valores sociais profundos, como a que realizamos, não pode imaginar que esses valores sejam de fácil acesso e estejam na cabeça das pessoas de modo claro e óbvio.
Ao contrário, como diria Max Weber, a primeira necessidade dos seres humanos não é a de dizer a verdade --muito menos a verdade sobre si mesmos--, mas sim justificar e legitimar a vida que realmente levam.
Por conta disso, uma pesquisa de sociologia crítica é diferente de uma pesquisa meramente quantitativa. Nas pesquisas quantitativas podemos saber, por exemplo, em quem as pessoas vão votar ou que sabonete elas usam, precisamente porque suas autoimagens quase nunca estão em jogo nesse tipo de questão.
Quem se interessa em perceber os estímulos mais profundos da conduta social, ao contrário, tem que realizar um esforço interpretativo e hermenêutico que as pesquisas quantitativas comuns não fazem e perceber os valores na prática cotidiana efetiva da vida das pessoas.
Afinal, valores são aquilo que nos conduzem para um lado e não para outro da vida, mesmo que de modo pré-reflexivo ou inconsciente.
Nós optamos por analisar a vida no trabalho e na família de nossos informantes, de modo a retirar dessas esferas fundamentais os impulsos e estímulos práticos --os tais "valores" na nossa visão-- da conduta de vida.
Neste particular, o horizonte valorativo dos batalhadores pode ser mais bem percebido no confronto com os membros da ralé.
A principal diferença em relação aos excluídos e abandonados sociais é a constituição de uma ética articulada do trabalho duro.
Afinal, não basta querer trabalhar em qualquer área da vida. É necessário também poder trabalhar, ou seja, ter logrado incorporar (literalmente "tornar corpo", de modo pré-reflexivo e automático) os pressupostos emocionais e morais do trabalho produtivo no mercado competitivo.
O capitalismo atual pressupõe crescente incorporação de distintas formas de conhecimento e de capital cultural como porta de entrada em qualquer de seus setores competitivos.
Como esses pressupostos faltam por diversos motivos à ralé, esta é condenada aos trabalhos braçais ou com mínimo de conhecimento, servindo, portanto, de mão de obra barata para qualquer serviço duro, desvalorizado e pesado.
Esse não é o único horizonte dos batalhadores.
Os batalhadores são quase sempre vindos de famílias pobres, mas, no entanto, bem estruturadas, com os papéis de pais e filhos reciprocamente compreendidos, exemplos de perseverança na família e estímulo consequente --baseado em exemplos concretos-- para o estudo e para o trabalho.
Temos nas famílias dessa classe a incorporação e internalização efetiva da tríade disciplina, autocontrole e pensamento prospectivo que sempre está pressuposta tanto em qualquer processo de aprendizado na escola quanto em qualquer trabalho produtivo no mercado competitivo.
Sem disciplina e autocontrole é impossível, por exemplo, concentrar-se na escola --daí que os membros da ralé diziam repetidamente que "fitavam" o quadro negro por horas sem aprender.
Essa "virtude" não é natural, como pensa a classe média que universaliza indevidamente às outras classes suas virtudes e privilégios para depois culpar a vítima do abandono social, como se o abandono e a miséria fossem uma escolha.
Por outro lado, sem pensamento prospectivo --ou seja, a visão de que o futuro é mais importante do que o presente--, não existe sequer a possibilidade de condução racional da vida pela impossibilidade de cálculo e de planejamento e pela prisão no aqui e agora.
No caso dos batalhadores, a incorporação dessa economia emocional e moral mínima é duramente conquistada, às vezes no horizonte do aprendizado familiar, às vezes tardiamente, nas mais diversas formas de socialização religiosa.
Assim, ainda que falte a essa classe o acesso às formas mais valorizadas de capital cultural --monopólio das "verdadeiras" classes médias--, não lhes falta força de vontade, perseverança e confiança no futuro, apesar de todas as dificuldades.
Em um contexto minimamente favorável, como o que vivemos até agora, esse exército de batalhadores se mostra então disponível e atento à menor possibilidade de trabalho rentável e de melhoria das condições de vida por meio, por exemplo, do consumo de bens duráveis que antes lhes eram inatingíveis.
Durante as eleições deste ano, alguns debates ganharam fortes contornos religiosos, como foi o caso da discussão sobre o aborto. A religião é mais importante para os batalhadores do que para a classe média tradicional?
O tema da religião é tão importante para essa classe que até dedicamos toda uma parte do livro a esta temática. Além disso, a socialização religiosa dessa classe perpassa boa parte dos textos construídos a partir das análises empíricas.
É preciso cuidado com esse tema, já que ele pode servir para que se construa uma nuvem de preconceitos contra essa classe.
É, sem dúvida, correto que as religiões evangélicas --como, aliás, todas as religiões em alguma medida-- exigem o sacrifício do intelecto, o que, efetivamente, não ajuda no exercício da tolerância nem no desenvolvimento das capacidades reflexivas dos seres humanos.
Em troca, no entanto, essas religiões oferecem o que a sociedade como um todo, o Estado ou mesmo algumas das famílias menos estruturadas dessa classe jamais deram a eles: confiança em si mesmos, autoestima, esperança e a força de vontade para vencer as enormes adversidades da vida sem privilégios de nascimento.
Nesse sentido preciso, tudo leva a crer que a religião seja efetivamente mais importante para esses setores do que para as classes médias estabelecidas, ainda que nunca tenhamos feito nenhum estudo sistemático. Mas me parece uma hipótese plausível.
E não apenas as religiões evangélicas, que são muito importantes especialmente nos núcleos urbanos. Também a religião católica, no interior do Nordeste, ainda muito forte e atuante, cumpre uma função fundamental de baluarte da solidariedade familiar e como fundamento de uma ética do trabalho em muitos aspectos semelhantes à ética do protestantismo.
Se é verdade que a classe batalhadora não é uma classe média em sentido tradicional, e se aí vai uma crítica, não é possível ao menos imaginar que os filhos dos "batalhadores" terão melhores oportunidades que seus pais? Nesse sentido, a crítica não perderia sua força? Não é possível imaginar que a ascensão à classe média se dará em "duas etapas"?
Sem dúvida que isso é possível. Até porque o Brasil é um país singular no sentido de ser extremamente desigual e, ao mesmo tempo, apresentar forte mobilidade social muitas vezes ascendente.
É preciso, no entanto, também levar em consideração que uma concepção sociocultural das classes sociais implica a percepção de que as mudanças sociais tendem a preservar aspectos importantes da história e da tradição das classes sociais envolvidas nessas mudanças.
Como nos constituímos como seres humanos de modo antes de tudo afetivo e emocional, pela incorporação insensível e pré-reflexiva daquilo e de quem amamos, somos sempre muito mais parecidos com nossos pais --ou de quem quer que tenhamos recebido afeto e amor-- do que as vezes muitos imaginam.
Mas o que é importante é que as mudanças sociais e pessoais são, sim, sempre possíveis. Mais importante ainda é lembrar que as mudanças sociais jamais acontecem apenas pelo jogo das variáveis econômicas.
O aprofundamento dos processos de aprendizado social e político que o Brasil começa a realizar são também fundamentais para a constituição de uma sociedade em que todos tenham efetiva condição de participar da competição social com um mínimo de igualdade de condições, que é o que muitos entre nós desejam.
A nova classe batalhadora faz surgir um novo tipo de preconceito no Brasil?
Sem dúvida. Basta olhar qualquer das revistas que analisam o padrão de consumo dessa classe sob a égide da visão de mundo da classe média estabelecida. Ela aparece sempre como um tanto vulgar e sem o "bom gosto" que caracterizaria os estratos superiores.
Como regra geral, as classes superiores se veem sempre como as "classes do espírito", da personalidade refinada e sensível, e percebem as classes baixas como as "classes do corpo" e, portanto, rudes, primitivas e sem refinamento.
Uma das características dos "batalhadores" parece ser a precariedade da situação econômica e social. De que forma o governo pode melhorar ou piorar a situação dessa classe?
Eu acho fundamental o aprofundamento mais consequente tanto da política social --no sentido de que apenas uma pequena ajuda econômica tópica não irá retirar o um terço de brasileiros da exclusão e do abandono-- quanto de políticas de crédito e de estímulo aos batalhadores.
A "parte de baixo" da população brasileira tem demonstrado sobejamente que consegue transformar qualquer pequena ajuda em progresso social e econômico significativo que interessa e beneficia a todos os setores da sociedade inclusive os superiores.
Um amigo meu comentou: e ainda dizem que não é uma seita/igreja? Poderíamos até mudar de nome. De PT para Reino Universal do Reino do Lula.
ESTADÃO
13 de fevereiro de 2011 | 23h 00
Dízimo do PT cresce 700% na Era Lula; cúpula e eleitos dão R$ 3,6 mi em 2011
Tesouraria petista cobra de 2% a 20% dos salários de eleitos e nomeados; arrecadação é contestada pelo TSE
Marta Salomon
O PT espera arrecadar R$ 3,6 milhões neste primeiro ano de governo Dilma Rousseff só com as contribuições de parlamentares e ocupantes de cargos de confiança filiados ao partido. O valor é pouco superior ao que foi amealhado no último ano de mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apesar da eleição de um número maior de deputados e senadores e do aumento da participação de integrantes do partido no primeiro escalão do governo.
Mas os R$ 3,6 milhões mostram que a arrecadação cresceu mais de 700% em relação ao valor arrecadado em 2002, antes da chegada do PT ao Palácio do Planalto.
O partido cobra contribuição entre 2% e 20% de todos os eleitos pela legenda e também dos filiados que ocupam cargos de confiança. O porcentual varia de acordo com o valor do salário e é maior para os parlamentares.
A cobrança do dízimo pelo PT vem sendo contestada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde 2005. Naquele ano, foi proibido o desconto na folha de pagamento. Mas o estatuto do partido, alterado em 2007, mantém a obrigatoriedade do pagamento mensal. Os parlamentares inadimplentes ficam sujeitos até a serem expulsos da legenda.
A inadimplência dos militantes, porém, é "pequena", garante o tesoureiro petista, João Vaccari Neto, sobre a cobrança do dízimo, um assunto sobre o qual evita falar.
O Estado consultou as prestações de contas do PT, apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral, para verificar quanto o partido vem arrecadando nos últimos anos. Fica constatado que a contribuição dos parlamentares e ocupantes de cargos de confiança cresceu durante o segundo mandato de Lula. Mas os pagamentos feitos por filiados sem postos públicos - igualmente obrigatórios, segundo o estatuto do partido - caíram, n esse mesmo período, de R$ 3,5 milhões, em 2007, para R$ R$ 1,8 milhão, em 2010.
O tesoureiro atribui a queda a restrições impostas por resoluções do TSE, embora o tribunal tenha considerado ilegal apenas a contribuição por parte de ocupantes de cargos de confiança no serviço público, que o partido manteve obrigatória.
A cobrança é feita com base no salário líquido dos filiados com postos e cargos públicos e por meio de débito automático, informa o estatuto do PT. A alíquota maior - de 20%, no caso dos eleitos, e de 10% para quem tem cargo de confiança - incide na faixa de rendimentos acima de 20 salários mínimos (R$ 10.800).
É do próprio João Vaccari Neto a previsão de que o partido arrecadará dos parlamentares e ocupantes de cargos de confiança em 2011 R$ 3,6 milhões, antes mesmo de o governo Dilma Rousseff completar a nomeação de cargos de segundo escalão. O valor representa 11% da dívida que o partido registrou no último dia de 2010.
13 de fevereiro de 2011 | 23h 00
Dízimo do PT cresce 700% na Era Lula; cúpula e eleitos dão R$ 3,6 mi em 2011
Tesouraria petista cobra de 2% a 20% dos salários de eleitos e nomeados; arrecadação é contestada pelo TSE
Marta Salomon
O PT espera arrecadar R$ 3,6 milhões neste primeiro ano de governo Dilma Rousseff só com as contribuições de parlamentares e ocupantes de cargos de confiança filiados ao partido. O valor é pouco superior ao que foi amealhado no último ano de mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apesar da eleição de um número maior de deputados e senadores e do aumento da participação de integrantes do partido no primeiro escalão do governo.
Mas os R$ 3,6 milhões mostram que a arrecadação cresceu mais de 700% em relação ao valor arrecadado em 2002, antes da chegada do PT ao Palácio do Planalto.
O partido cobra contribuição entre 2% e 20% de todos os eleitos pela legenda e também dos filiados que ocupam cargos de confiança. O porcentual varia de acordo com o valor do salário e é maior para os parlamentares.
A cobrança do dízimo pelo PT vem sendo contestada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde 2005. Naquele ano, foi proibido o desconto na folha de pagamento. Mas o estatuto do partido, alterado em 2007, mantém a obrigatoriedade do pagamento mensal. Os parlamentares inadimplentes ficam sujeitos até a serem expulsos da legenda.
A inadimplência dos militantes, porém, é "pequena", garante o tesoureiro petista, João Vaccari Neto, sobre a cobrança do dízimo, um assunto sobre o qual evita falar.
O Estado consultou as prestações de contas do PT, apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral, para verificar quanto o partido vem arrecadando nos últimos anos. Fica constatado que a contribuição dos parlamentares e ocupantes de cargos de confiança cresceu durante o segundo mandato de Lula. Mas os pagamentos feitos por filiados sem postos públicos - igualmente obrigatórios, segundo o estatuto do partido - caíram, n esse mesmo período, de R$ 3,5 milhões, em 2007, para R$ R$ 1,8 milhão, em 2010.
O tesoureiro atribui a queda a restrições impostas por resoluções do TSE, embora o tribunal tenha considerado ilegal apenas a contribuição por parte de ocupantes de cargos de confiança no serviço público, que o partido manteve obrigatória.
A cobrança é feita com base no salário líquido dos filiados com postos e cargos públicos e por meio de débito automático, informa o estatuto do PT. A alíquota maior - de 20%, no caso dos eleitos, e de 10% para quem tem cargo de confiança - incide na faixa de rendimentos acima de 20 salários mínimos (R$ 10.800).
É do próprio João Vaccari Neto a previsão de que o partido arrecadará dos parlamentares e ocupantes de cargos de confiança em 2011 R$ 3,6 milhões, antes mesmo de o governo Dilma Rousseff completar a nomeação de cargos de segundo escalão. O valor representa 11% da dívida que o partido registrou no último dia de 2010.
31 anos de PT
Por e-mail:
NIVALDO CORDEIRO
Meus Amigos,
O PT completa 31 anos de vinda e comemora a hegemonia política no Brasil. É o partido legítmo herdeiro do PCB. É o triunfante da revolução gramsciana que se encontra no auge no Brasil. O PT não tem adversário à altura. Tão poderosa é sua presença que a oposição toda se coloca no campo esquerdo do espectro político. Só assim podemos compreender a manche do Estadão de hoje (Esquerda, filha enjeitada do PT) como se isso fosse verdade. A direita política no Brasil está destruída e o grande vencedor é o PT. No sábado passado travei proveitoso debate via Twitter com o deputado Roberto Freire. Homem que fez a história da esquerda e que foi do Partidão, ele mesmo tem dificuldade de enxergar o processo em curso. Não é simples. Quem quiser pode ver os diálogos no Twitter.
Meus comentários em vídeo:
Cordialmente,
Nivaldo Cordeiro
Hábito tradicional e disciplina atraem vocações
IPCO
12, fevereiro, 2011

12, fevereiro, 2011

Ao contrário do que diziam os progressistas há alguns anos, o que atrai é a disciplina e a tradição.
Agência Boa Imprensa
Os conventos de religiosas que se modernizaram segundo o figurino da “Igreja nova” estão vazios, devido às desistências, apostasias e falta de vocações. Porém, conventos como o das dominicanas de Santa Cecília em Nashville, EUA, (foto acima) vivem repletos de noviças.
Elas usam hábitos tradicionais e obedecem a uma estrita disciplina de oração, ensino e silêncio. O hábito antigo “é maravilhoso, é uma lembrança contínua de sermos esposas de Cristo; e aos outros ele diz que existe uma realidade além deste mundo – o Céu. Nós todas estamos voltadas para o Céu” – diz a irmã Mara Rose McDonnell. A irmã Anna Joseph Van Acker explica: “Nossa geração está sedenta de ortodoxia”.
Omissão astuta de Obama sobre “aquecimento global” abala esquerdas
VERDE: A COR NOVA DO COMUNISMO
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Após a catastrófica derrota eleitoral de novembro, o presidente Obama ensaia uma nova maquiagem “centrista”, abandonando na aparência seu descabelado esquerdismo.
Mas, a manobra está custando caro.
No discurso anual sobre o Estado da União, Obama silenciou um dogma sagrado do esquerdismo: o “aquecimento global de origem humana”, e nem mencionou as míticas “mudanças climáticas”.
O golpe foi sentido e a “czarina” da Casa Branca para o “aquecimento global” Carol Browner renunciou no mesmo dia, noticiou a CNS.
Ela liderava o esforço oficial para estabelecer um controle socialista mundial que engessasse o progresso e o desenvolvimento no mundo não-socialista com o pretexto de afastar perspectivas climáticas terrificas.
A renúncia sinalizou a frustração das esquerdas americanas diante da impopularidade do ambientalismo.
Obama patenteou o pavor do esquerdismo diante do avanço do conservadorismo e do bom senso em matéria ambiental.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
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| Carol Browner e presidente Obama |
Mas, a manobra está custando caro.
No discurso anual sobre o Estado da União, Obama silenciou um dogma sagrado do esquerdismo: o “aquecimento global de origem humana”, e nem mencionou as míticas “mudanças climáticas”.
O golpe foi sentido e a “czarina” da Casa Branca para o “aquecimento global” Carol Browner renunciou no mesmo dia, noticiou a CNS.
Ela liderava o esforço oficial para estabelecer um controle socialista mundial que engessasse o progresso e o desenvolvimento no mundo não-socialista com o pretexto de afastar perspectivas climáticas terrificas.
A renúncia sinalizou a frustração das esquerdas americanas diante da impopularidade do ambientalismo.
Obama patenteou o pavor do esquerdismo diante do avanço do conservadorismo e do bom senso em matéria ambiental.
OCLOCRACIA E CÓDIGO FLORESTAL
VIVERDENOVO
SÁBADO, 12 DE FEVEREIRO DE 2011
Por Arlindo Montenegro
Na caixa de entrada, encontrei uma oportuna lição, nas Crônicas Bárbaras de Manuel Molares do Val: "Oclocracia é uma palavra de origem grega, que define a sociedade que degenerou ao estágio de adotar como ícones, pessoas que melhor seriam designadas como o Grande Irmão" (Aquele "Big Brother" do execrando espetáculo comandado por mentes doentias que fascina os idiotas).
Segue Molares do Val: "Oclocracia significa o triunfo da chusma, das multidões vulgares, grosseiras e ignorantes. Provoca o declínio da democracia, segundo Aristóteles. Quando a chusma ocupa o poder, pode ocorrer o pior." É mesmo a descrição aproximada dos brasileiros enseguecidos, fascinados com promessas, surdos e mudos diante da propaganda avassaladora que confunde a mente dos analfabetos funcionais, entre os quais muitos doutores titulados.
Para estes a palavra liberdade perdeu o sentido de atributo para o desenvolvimento espiritual que permeia as atitudes independentes e alimenta o bem estar de cada um consigo mesmo. Assim o homem livre é capaz de fazer escolhas e superar dificuldades, mantendo a dignidade e reafirmando seus valores, constituindo famílias em ambientes onde o respeito às leis se concretiza no estado de direito democrático, onde a justiça não se protela, apenas cumpre o que está escrito no contrato social, Constituição que por suas características consuetidinárias resolve o direito de todos.
Em nossa oclocracia, ocorre exatamente o contrário. Guiam-nos para caminhos obscuros e reinventam “direitos ditos humanos”, que desmontam direitos universais, fomentando preconceitos e privilégios ofensivos à moral que baliza os comportamentos e confiança entre pessoas. O contrário é direito interpretado, o estado impondo normas, tipo financiar exceções de homem "virar" mulher e vice versa, quando a saúde perdeu a capacidade de atender, velhos, crianças e enfermos crônicos pela ingestão de "dietéticos", refrigerantes com aspartame, açúcar re-finado (isto é finado duas vezes), gordura vegetal hidrogenada e soja para que o fígado fique mais intoxicado que o "normal", pelo consumo de outros venenos.
Continua do Val, "Um exemplo de oclocracia é o nazismo, que cultivou o execrável sem nenhum código humanístico, somente as paixões primárias dos que se creem superiores, física ou moralmente. Retrocedemos." Agora parece que as pessoas em vez de crescer para níveis superiores, recusando os caminhos do obscurantismo irracional, elegem os piores, que podem ser comparados aos ratos de esgoto das latrinas, predadores sem o mínimo de consciência da responsabilidade para com o bem comum e menos ainda da dignidade Pátria.
Por email, chega um retrato específico desta situação traduzida em vivências com o pé no chão: "Sou produtor rural no Rio Grande do Sul, formado em zootecnia e trabalho com pecuária e agricultura... Há 13 anos participo das atividades do Sindicato Rural, em funções não remuneradas, pois acredito que sempre há um bem que fazer... sem esperar nada em troca. Estamos num país em evidente e rápida transformação, sob o domínio de forças ideológicas bem conhecidas."
"Tenho certo acesso a alguns deputados federais e senadores... estes políticos, agem de forma totalmente irresponsável... acredito que a realidade de Brasília passa por ignorância e safadeza... assinam listas para "ajudar" os parceiros ou votam de acordo com a "liderança". O que este produtor rural diz é o óbvio comportamento da olocracia. Os ignorantes votam no escuro, votam sem visão da responsabilidade e das consequências de seus atos. Pior é que muitos o fazem conscientemente, em troca de ganhos pessoais.
Segue o nosso zootecnista: "Temos em andamento, a questão da lei do Codigo Florestal Brasileiro. Não tenho a menor dúvida que ali está embutida uma desapropriação maciça de terras da agropecuaria brasileira, desapropriação em nome do meio ambiente. Tenho o relatório do comunista Aldo Rebelo... lí a introdução contida nas 36 páginas iniciais... isto é assunto da mais alta relevância...”
Taí porque ainda acredito que resta alguma esperança e que muitas almas ainda se salvam, pensam, agem racionalmente, crescem e podem multiplicar a consciência e atitudes corajosas, humanas de fato, em qualquer ambiente. O heroísmo de cada dia, diferente do “heroísmo” da força bruta que nos é imposta subliminarmente pela propaganda sem freios que apresenta como exemplo, mentes idiotizadas.
Encerrando a lição de Molares do Val: “Existe outra palavra de origem grega que define este governo de indignos: 'caquistocracia' – é quando a oclocracia domina o espírito geral de um povo. Os governantes são caquistocrátas, síntese ou essência do que há de pior.” É isto aí, meu caro zootecnista! O relatório do Aldo Rebelo deve ser levado à votação do novo congresso nacional, em Março. O pessoal do PT vai montar uma barreira pesada ao lado dos ambientalistas e apresentar um texto alternativo.
Quando as ongs ambientalistas entram na parada, pode acreditar que defendem interesses contrários aos interesses Pátrios. Os internacionalistas do PT, vivem no mundo irreal, submissos ou não, fanatizados ou não, cumprem à risca modelos de legislação de interesse dos que querem implantar o governo único na terra, desprezando culturas, valores, territórios, educação e progresso, eliminando de uma vez o resto de senso de liberdade dos indivíduos e das nações.
A aplicação do Código Florestal nos moldes da relatoria, será objeto de um artigo específico. Em princípio a caquistocracia tende, com o controle que tem sobre os votos do congresso nacional, a passar uma vaselina e deixar tudo como antes no quartel de Abrantes. É preciso lembrar que a agro-pecuária, com os grandes investimentos de poderosas empresas multinacionais, significa quase que metade da balança de exportações brasileiras.
Os produtores brasileiros têm muito a aprender com os argentinos, com os franceses, que se mobilizam, vão para as ruas, falam diretamente com a gente nas cidades e mostram tudo quanto os ambientalistas e a caquistocracia que nos governa é incapaz de ver, de sentir e de prestigiar. O trabalho a fazer é motivar a liberdade e responsabilidade que os agricultores menores sempre demonstraram, conscientes e íntimos com a natureza, sábios e incapazes de matar sua “galinha de ovos de ouro”, seu ganha pão, seu pedaço de chão familiar ou empresarial.
SÁBADO, 12 DE FEVEREIRO DE 2011
Por Arlindo Montenegro
Na caixa de entrada, encontrei uma oportuna lição, nas Crônicas Bárbaras de Manuel Molares do Val: "Oclocracia é uma palavra de origem grega, que define a sociedade que degenerou ao estágio de adotar como ícones, pessoas que melhor seriam designadas como o Grande Irmão" (Aquele "Big Brother" do execrando espetáculo comandado por mentes doentias que fascina os idiotas).
Segue Molares do Val: "Oclocracia significa o triunfo da chusma, das multidões vulgares, grosseiras e ignorantes. Provoca o declínio da democracia, segundo Aristóteles. Quando a chusma ocupa o poder, pode ocorrer o pior." É mesmo a descrição aproximada dos brasileiros enseguecidos, fascinados com promessas, surdos e mudos diante da propaganda avassaladora que confunde a mente dos analfabetos funcionais, entre os quais muitos doutores titulados.
Para estes a palavra liberdade perdeu o sentido de atributo para o desenvolvimento espiritual que permeia as atitudes independentes e alimenta o bem estar de cada um consigo mesmo. Assim o homem livre é capaz de fazer escolhas e superar dificuldades, mantendo a dignidade e reafirmando seus valores, constituindo famílias em ambientes onde o respeito às leis se concretiza no estado de direito democrático, onde a justiça não se protela, apenas cumpre o que está escrito no contrato social, Constituição que por suas características consuetidinárias resolve o direito de todos.
Em nossa oclocracia, ocorre exatamente o contrário. Guiam-nos para caminhos obscuros e reinventam “direitos ditos humanos”, que desmontam direitos universais, fomentando preconceitos e privilégios ofensivos à moral que baliza os comportamentos e confiança entre pessoas. O contrário é direito interpretado, o estado impondo normas, tipo financiar exceções de homem "virar" mulher e vice versa, quando a saúde perdeu a capacidade de atender, velhos, crianças e enfermos crônicos pela ingestão de "dietéticos", refrigerantes com aspartame, açúcar re-finado (isto é finado duas vezes), gordura vegetal hidrogenada e soja para que o fígado fique mais intoxicado que o "normal", pelo consumo de outros venenos.
Continua do Val, "Um exemplo de oclocracia é o nazismo, que cultivou o execrável sem nenhum código humanístico, somente as paixões primárias dos que se creem superiores, física ou moralmente. Retrocedemos." Agora parece que as pessoas em vez de crescer para níveis superiores, recusando os caminhos do obscurantismo irracional, elegem os piores, que podem ser comparados aos ratos de esgoto das latrinas, predadores sem o mínimo de consciência da responsabilidade para com o bem comum e menos ainda da dignidade Pátria.
Por email, chega um retrato específico desta situação traduzida em vivências com o pé no chão: "Sou produtor rural no Rio Grande do Sul, formado em zootecnia e trabalho com pecuária e agricultura... Há 13 anos participo das atividades do Sindicato Rural, em funções não remuneradas, pois acredito que sempre há um bem que fazer... sem esperar nada em troca. Estamos num país em evidente e rápida transformação, sob o domínio de forças ideológicas bem conhecidas."
"Tenho certo acesso a alguns deputados federais e senadores... estes políticos, agem de forma totalmente irresponsável... acredito que a realidade de Brasília passa por ignorância e safadeza... assinam listas para "ajudar" os parceiros ou votam de acordo com a "liderança". O que este produtor rural diz é o óbvio comportamento da olocracia. Os ignorantes votam no escuro, votam sem visão da responsabilidade e das consequências de seus atos. Pior é que muitos o fazem conscientemente, em troca de ganhos pessoais.
Segue o nosso zootecnista: "Temos em andamento, a questão da lei do Codigo Florestal Brasileiro. Não tenho a menor dúvida que ali está embutida uma desapropriação maciça de terras da agropecuaria brasileira, desapropriação em nome do meio ambiente. Tenho o relatório do comunista Aldo Rebelo... lí a introdução contida nas 36 páginas iniciais... isto é assunto da mais alta relevância...”
Taí porque ainda acredito que resta alguma esperança e que muitas almas ainda se salvam, pensam, agem racionalmente, crescem e podem multiplicar a consciência e atitudes corajosas, humanas de fato, em qualquer ambiente. O heroísmo de cada dia, diferente do “heroísmo” da força bruta que nos é imposta subliminarmente pela propaganda sem freios que apresenta como exemplo, mentes idiotizadas.
Encerrando a lição de Molares do Val: “Existe outra palavra de origem grega que define este governo de indignos: 'caquistocracia' – é quando a oclocracia domina o espírito geral de um povo. Os governantes são caquistocrátas, síntese ou essência do que há de pior.” É isto aí, meu caro zootecnista! O relatório do Aldo Rebelo deve ser levado à votação do novo congresso nacional, em Março. O pessoal do PT vai montar uma barreira pesada ao lado dos ambientalistas e apresentar um texto alternativo.
Quando as ongs ambientalistas entram na parada, pode acreditar que defendem interesses contrários aos interesses Pátrios. Os internacionalistas do PT, vivem no mundo irreal, submissos ou não, fanatizados ou não, cumprem à risca modelos de legislação de interesse dos que querem implantar o governo único na terra, desprezando culturas, valores, territórios, educação e progresso, eliminando de uma vez o resto de senso de liberdade dos indivíduos e das nações.
A aplicação do Código Florestal nos moldes da relatoria, será objeto de um artigo específico. Em princípio a caquistocracia tende, com o controle que tem sobre os votos do congresso nacional, a passar uma vaselina e deixar tudo como antes no quartel de Abrantes. É preciso lembrar que a agro-pecuária, com os grandes investimentos de poderosas empresas multinacionais, significa quase que metade da balança de exportações brasileiras.
Os produtores brasileiros têm muito a aprender com os argentinos, com os franceses, que se mobilizam, vão para as ruas, falam diretamente com a gente nas cidades e mostram tudo quanto os ambientalistas e a caquistocracia que nos governa é incapaz de ver, de sentir e de prestigiar. O trabalho a fazer é motivar a liberdade e responsabilidade que os agricultores menores sempre demonstraram, conscientes e íntimos com a natureza, sábios e incapazes de matar sua “galinha de ovos de ouro”, seu ganha pão, seu pedaço de chão familiar ou empresarial.
Chaves e Irã na América do Sul
WIKILEAKS BRASIL
Cavaleiro: novidade alguma para quem lê NOTALATINA, Heitor de Paola, Olavo de Carvalho...
Cavaleiro: novidade alguma para quem lê NOTALATINA, Heitor de Paola, Olavo de Carvalho...
Irã segue a pista do urânio na América Latina.
Diplomatas americanos confirmaram a presença de técnicos iranianos em mineração venezuelana e desconfiam das promessas de cooperação nuclear entre Teerã e Bolívia.
Pelo menos desde 2006, o Irã está investigando em campo as possibilidades de obtenção de urânio em vários países da América Latina, nomeadamente a Venezuela e a Bolívia, de acordo com as comunicações entre as embaixadas dos EUA na região e o Departamento de Estado. Este interesse é ainda apoiado por uma ofensiva diplomática do regime de Teerã na região, que não só despertou as suspeitas da diplomacia dos EUA mas também de terceiros países, como Israel.
Durante os últimos três anos, Washington tem estado a receber relatórios periódicos das diferentes delegações sobre a possibilidade de que essa produção passe a um estado operacional.
Evitando o tom alarmista, os americanos têm recolhido toda a informação que chega até seus ouvidos a respeito do “yellow cake”, denominação do óxido de urânio concentrado. E não há detalhe pequeno que não mereça ser escutado: desde um acordo com uma empresa canadense - a maior produtora de urânio do mundo - para aumentar a produção em Puno (Peru), até um comentário do ministro das Relações Exteriores israelense, Avigdor Lieberman, durante uma visita oficial ao Peru em julho de 2009, sobre o "desmedido tamanho" da missão diplomática do Irã na Bolívia e sua relação com a busca de urânio no país andino.
É entretanto na Venezuela que os iranianos estão desenvolvendo uma maior atividade relacionada com a produção de urânio, atividade esta que conta com o apoio aberto do Governo de Hugo Chávez. Assim é que, em outubro do ano passado, Rodolfo Sanz, ministro venezuelano de Minas, afirmou à imprensa local que o Irã havia ajudado a realizar levantamentos geofísicos e reconhecimentos aéreos para estimar o montante das reservas venezuelanas de urânio.
A embaixada americana em Caracas reagiu a essas declarações. Pouco antes havia contatado de forma confidencial a um físico nuclear local para avaliar até que ponto estava avançada esta colaboração. A fonte além de salientar que "Chávez não confia nos cientistas", descreveu os comentários dos ministros de Chávez como "não muito inteligentes." Ainda assim, os americanos decidiram tranquilamente solicitar o parecer de outro cientista local, que confirmou que, mesmo que quisesse a Venezuela "não possui cientistas qualificados para realizar um programa nuclear."
Com essa perspectiva sobre a capacidade técnica de Caracas, Washington foi capaz de avaliar o acordo nuclear assinado em outubro passado entre Chávez e o presidente russo, Dmitry Medvedev. No entanto, os despachos diplomáticos de Caracas insistem em "não desprezar os rumores sobre o urânio".
Testemunhos recolhidos pela Embaixada em Caracas confirmaram a presença em diferentes períodos, com início em 2004, de um total de 57 técnicos iranianos - "que não respondem à liderança da Venezuela" - que trabalharam em agências relacionadas à mineração e geologia.
A atividade iraniana na América Latina está na mira de Israel, que em maio de 2009 vazou um relatório de três páginas que afirmava que o Irã estava a ajudar a Bolívia e a Venezuela no que seria um programa nuclear. O ministro boliviano da presidência Juan Ramón Quintana, saiu a afirmar publicamente que "só um tolo acredita em besteiras como essa." No entanto, os americanos enviaram uma mensagem confidencial para Washington indicando que em Potosí as autoridades bolivianas pretendem produzir urânio no futuro próximo. E em outubro passado, o presidente Evo Morales, revelou ao público durante uma visita em novembro de Mahmoud Ahmadinejad, que Teerã ajudaria La Paz a construir uma central nuclear em troca de “yellowcake”.
A presença de urânio, em qualquer estado natural ou processado, é cuidadosamente examinada pelas embaixadas dos EUA na região. Por exemplo, em um relatório secreto se adverte para a descoberta de munições de urânio empobrecido em um armazém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) ou a existência, no norte do Brasil, perto da fronteira com a Colômbia, de campos ilegais de exploração de diversos minérios, incluindo urânio, nas mãos de grupos como as FARC. A este respeito, os relatórios confirmam as declarações do presidente colombiano, Juan Manuel Santos, que, segundo averiguado por este jornal, nas últimas semanas tem expressado, em reuniões privadas, preocupação sobre as minas ilegais existentes no lado colombiano da fronteira com o Brasil.
Este estado de alerta contra qualquer presença iraniana na indústria nuclear americana contrasta com a naturalidade com que se informa de iniciativas nucleares em países estáveis ou considerados aliados de Washington. Assim, um extenso relatório confidencial explica como o Brasil começou a instalar centrífugas em cadeia para enriquecer urânio. No mesmo documento se destaca que funcionários do governo brasileiro querem trabalhar com Washington "para melhorar a segurança das instalações nucleares e ajudar a formar a próxima geração de técnicos e especialistas".
Fonte: El País / Tradução: Vader
Nosso comentário:
Pelo artigo fica evidente que os americanos sabem de coisas que, ou o nosso governo não sabe, e então é incompetente, ou sabe, e nesse caso é conivente ou incapaz.
Depois de notícias de que a inflitração das FARC-EP em território brasileiro teria já atingido conexões muito longe da fronteira (Manaus); que as FARC estariam usando a bacia amazônica para traficar armas e drogas em troca de forragem e remédios; e que usariam a fronteira para armazenamento de munições e suprimentos, este é mais um tapa na cara da sociedade brasileira.
Era só o que faltava o governo brasileiro fazer vista grossa às estripulias nucleares das FARC. Era só o que faltava esse lixo conseguir se colocar dentro de nosso território, e ainda por cima com tempo suficiente para financiar a exploração de URÂNIO!
Não caros leitores, não é madeira ou água que está sendo roubada do Brasil; não é sucata ou minério de ferro; não é nem mesmo ouro ou diamante, como soía ocorrer em outros tempos (na verdade ocorre até hoje):
É URÂNIO!!! METAL RARÍSSIMO, CARÍSSIMO, UTILÍSSIMO e, nas mãos erradas, PERIGOSÍSSIMO!!!
CADÊ OS PELOTÕES DE FRONTEIRA SR. NELSON JOBIM? CADÊ O EXÉRCITO COLOCADO LÁ? CADÊ A FORÇA AÉREA PARA PATRULHAR E METER BOMBA NESSA CORJA? CADÊ A MARINHA PARA BLOQUEAR OS RIOS?
ISSO É INACREDITÁVEL!
Não dá pra conceber que os americanos, de Washington, saibam disso, e o governo brasileiro não saiba! De maneira que só se pode pensar em conivência, seja ela por omissão ou não!
No mais, já são conhecidas de longa data as estripulias iranianas na América Latina. A nossa sorte é que nossos vizinhos bolivarianos são tão incompetentes que são absolutamente incapazes de conduzir a sério um programa nuclear, ainda que com auxílio dos aiatolás. Se o Irã quer atômicos na AL, pra atormentar os EUA, melhor seria olhar para o Brasil, único país que tem capacidades para conduzir um programa nuclear sério.
Ocorre entretanto que, em verdade, o programa nuclear brasileiro é tremendamente mais avançado e moderno do que o iraniano, cujo programa nuclear foi recentemente atacado e abalado por um vírus que só se propaga por mídia móvel, ou seja: um programa nuclear tão avançado que permite que alguém (algum técnico por exemplo, ou o porteiro da central nuclear) insira um disquete ou pendrive no mainframe de uma usina nuclear...
Excetuada a tecnologia de montagem e disparo do dispositivo termonuclear, da qual ainda pouco sabemos e só receberemos dos franceses após termos devidamente pago a conta dos submarinos e dos Rafale, sabemos muito mais que os persas.
Por fim, a conclusão a que chegamos é que a diplomacia americana está completamente cega ao que se passa no Brasil. Eles acreeditam piamente na "estabilidade" e nos fins pacíficos do programa nuclear brasileiro. Nas boas intenções da nossa república-sindical.
Os americanos não tem mesmo a menor noção de com quem estão lidando. Quando acordarem pode ser muito tarde.
Fonte: Blog do Vader e Wikileaks
Irã tenta obter urânio na América Latina, revelam arquivos
A República Islâmica sondou fornecedores em países como Venezuela e Bolívia
O Irã estuda desde 2006 a possibilidade de obter urânio em vários países da América Latina, em particular Venezuela e Bolívia, segundo os telegramas diplomáticos revelados pelo site WikiLeaks.
De acordo com o diário espanhol El País, uma das cinco publicações que tiveram acesso prévio aos mais de 250 mil telegramas confidenciais, as comunicações entre as embaixadas dos EUA na região e o Departamento de Estado mostram que Washington apurou até os mínimos detalhes sobre o interesse de Teerã no óxido de urânio.
Segundo o El País, os documentos expõem um comentário do ministro de Relações Exteriores israelense, Avigdor Lieberman, sobre o "desmesurado tamanho" da representação diplomática iraniana na Bolívia e sua relação com a busca de urânio no país andino.
O periódico insiste que é na Venezuela onde os iranianos estão desenvolvendo uma maior atividade relacionada com a obtenção de urânio, no que teria o respaldo do Governo de Hugo Chávez.
O diário menciona que testemunhos recolhidos pela embaixada de Washington em Caracas confirmaram a presença, em diferentes períodos que começam em 2004, de um total de 57 técnicos iranianos que trabalharam em organismos relacionados com a mineração e geologia.
Os telegramas que vazaram mostram que as embaixadas americanas vigiam de perto a presença de urânio em qualquer país da região, seja natural ou processado.
O diário cita um relatório secreto que adverte sobre a descoberta de munição com urânio empobrecido em um armazém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e da existência no norte do Brasil, perto da fronteira com a Colômbia, de explorações ilegais de diversos minerais, entre eles o urânio, em poder de grupos como as Farc.
(com Agência EFE)
Militares trabalham na criação de um partido político
MSN
O capitão da Polícia Militar de São Paulo, Augusto Rosa, está articulando a criação de um partido para abrigar militares e simpatizantes de suas causas, e que foi batizado de Partido dos Militares Brasileiros (PMB). O nome já criou polêmica porque militares das Forças Armadas não se sentem representados por Pms.
O capitão Augusto diz que já conta com 5 mil inscritos, sendo 70% deles das três Forças (Exército, Marinha e Aeronáutica) e metade destes, da ativa. Ser da ativa é um problema porque a legislação veta a militância partidária. O artifício usado para esconder a identidade é, quase sempre, mobilizar e inscrever as respectivas mulheres nas listas de apoio ao novo partido.
O militar será uma espécie de filiado 'tipo 2', conforme explicou o capitão Augusto, o que significa, na prática, que ele só existirá nos registros secretos do partido. O ânimo do capitão, que acha que receberá o apoio para expansão do seu partido do pessoal do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, não leva em conta que, militares das Forças Armadas não se integram a iniciativas lideradas por PMs, ainda mais por iniciativa própria. O PMB é pouco conhecido na cúpula das três forças e nos Clubes Militares, que costumam replicar as vozes da ativa das Forças Armadas.
Hoje, o único oficial da reserva (capitão do Exército) que ocupa uma cadeira no Congresso, deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), e está cumprindo seu sexto mandato, não foi convidado para integrar a nova legenda e já avisa que não trocaria de partido. 'A intenção é boa, mas dificilmente terá um resultado satisfatório. O partido peca pelo nome', declarou Bolsonaro, acrescentando que a primeira ideia da população é achar que um partido com este nome será corporativista.
Democracia
Depois de explicar que este será um partido 'extremamente democrático', que exigirá uma ficha 'limpíssima' de seus filiados, que terá como pilar 'os direitos humanos' e a democracia', o capitão Augusto disse que o partido quer ter candidatos a vereador e prefeito em 2012 e, em 2014, a presidente, governador, deputado estadual e federal e senador. Informou ainda que a filiação não será só de militares. Ele disse que uma das principais bandeiras do partido será a segurança pública.
A primeira convenção nacional do futuro Partido dos Militares Brasileiros (PMB) foi realizada online, no dia 29 de janeiro. 'O novo partido já começará um gigante', avaliou o capitão Augusto, que dirige uma companhia da PM em Ourinhos (SP). Ele informou que, apesar de, para a criação do partido, serem necessários 120 mil filiados, em nove Estados, o PMN já conseguiu inscrição de cerca de 5 mil militares, nos 27 Estados.
O capitão da Polícia Militar de São Paulo, Augusto Rosa, está articulando a criação de um partido para abrigar militares e simpatizantes de suas causas, e que foi batizado de Partido dos Militares Brasileiros (PMB). O nome já criou polêmica porque militares das Forças Armadas não se sentem representados por Pms.
O capitão Augusto diz que já conta com 5 mil inscritos, sendo 70% deles das três Forças (Exército, Marinha e Aeronáutica) e metade destes, da ativa. Ser da ativa é um problema porque a legislação veta a militância partidária. O artifício usado para esconder a identidade é, quase sempre, mobilizar e inscrever as respectivas mulheres nas listas de apoio ao novo partido.
O militar será uma espécie de filiado 'tipo 2', conforme explicou o capitão Augusto, o que significa, na prática, que ele só existirá nos registros secretos do partido. O ânimo do capitão, que acha que receberá o apoio para expansão do seu partido do pessoal do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, não leva em conta que, militares das Forças Armadas não se integram a iniciativas lideradas por PMs, ainda mais por iniciativa própria. O PMB é pouco conhecido na cúpula das três forças e nos Clubes Militares, que costumam replicar as vozes da ativa das Forças Armadas.
Hoje, o único oficial da reserva (capitão do Exército) que ocupa uma cadeira no Congresso, deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), e está cumprindo seu sexto mandato, não foi convidado para integrar a nova legenda e já avisa que não trocaria de partido. 'A intenção é boa, mas dificilmente terá um resultado satisfatório. O partido peca pelo nome', declarou Bolsonaro, acrescentando que a primeira ideia da população é achar que um partido com este nome será corporativista.
Democracia
Depois de explicar que este será um partido 'extremamente democrático', que exigirá uma ficha 'limpíssima' de seus filiados, que terá como pilar 'os direitos humanos' e a democracia', o capitão Augusto disse que o partido quer ter candidatos a vereador e prefeito em 2012 e, em 2014, a presidente, governador, deputado estadual e federal e senador. Informou ainda que a filiação não será só de militares. Ele disse que uma das principais bandeiras do partido será a segurança pública.
A primeira convenção nacional do futuro Partido dos Militares Brasileiros (PMB) foi realizada online, no dia 29 de janeiro. 'O novo partido já começará um gigante', avaliou o capitão Augusto, que dirige uma companhia da PM em Ourinhos (SP). Ele informou que, apesar de, para a criação do partido, serem necessários 120 mil filiados, em nove Estados, o PMN já conseguiu inscrição de cerca de 5 mil militares, nos 27 Estados.
Coréia Socialista é líder mundial no uso de tecnologia 3G em celulares
VANGUARDA POPULAR
ESCRITO POR VLADIMIR LENIN
ESCRITO POR VLADIMIR LENIN
Um estudo absolutamente imparcial financiado pelo Ministério da Verdade da Coréia do Norte mostrou que existe meia dúzia de países no mundo onde usuários da tecnologia 3G em celulares constituem mais de metade dos usuários desse meio de comunicação.
No fim de setembro de 2010, a República Democrática Popular da Coréia do Norte já liderava o uso – onde 100% dos usuários de celulares (chamados de Kim Jong Koryolink) estavam conectados à tecnologia 3G. No segundo lugar do ranking, aparece o Japão (com 94,6% dos usuários de celulares usando a tecnologia 3G) e, em terceiro lugar, aparece a maldita e imperialista Coréia do Sul com 71,7% dos usuários conectados à tecnologia 3G. Logo depois, aparecem respectivamente Austrália (64,6%) e Taiwan, com 58,1%.
Tais dados refutam categoricamente as mentiras que a imprensa reacionária levanta agressivamente contra a RDP da Coréia. Meios de comunicação como a Revista Veja ou o site direitista neo-con Mídia Sem Máscara freqüentemente dão alaridos em forma de notícias do tipo "norte-coreanos são fuzilados por serem descobertos com celulares" ou "celulares foram banidos".
Dados concretos mostram que os coreanos do norte tem acesso em larga escala a celulares de altíssima qualidade e, por sinal, estão à frente de todos os países capitalistas em tal quesito. A realidade mostra a superioridade do socialismo sobre o capitalismo, ainda que Kim Jong Il, para construir o paraíso socialista, tenha democraticamente ordenado o bloqueio total do acesso à Internet em banda larga sem fio 3G, chamadas de vídeo e o acesso à televisão até o ano 2135.
O ministro das telecomunicações norte coreano informou, no entanto, que “graças ao Grande Líder Kim Jong Il, a função viva-voz está liberada em todos os celulares”.
No fim de setembro de 2010, a República Democrática Popular da Coréia do Norte já liderava o uso – onde 100% dos usuários de celulares (chamados de Kim Jong Koryolink) estavam conectados à tecnologia 3G. No segundo lugar do ranking, aparece o Japão (com 94,6% dos usuários de celulares usando a tecnologia 3G) e, em terceiro lugar, aparece a maldita e imperialista Coréia do Sul com 71,7% dos usuários conectados à tecnologia 3G. Logo depois, aparecem respectivamente Austrália (64,6%) e Taiwan, com 58,1%.
Tais dados refutam categoricamente as mentiras que a imprensa reacionária levanta agressivamente contra a RDP da Coréia. Meios de comunicação como a Revista Veja ou o site direitista neo-con Mídia Sem Máscara freqüentemente dão alaridos em forma de notícias do tipo "norte-coreanos são fuzilados por serem descobertos com celulares" ou "celulares foram banidos".
Dados concretos mostram que os coreanos do norte tem acesso em larga escala a celulares de altíssima qualidade e, por sinal, estão à frente de todos os países capitalistas em tal quesito. A realidade mostra a superioridade do socialismo sobre o capitalismo, ainda que Kim Jong Il, para construir o paraíso socialista, tenha democraticamente ordenado o bloqueio total do acesso à Internet em banda larga sem fio 3G, chamadas de vídeo e o acesso à televisão até o ano 2135.
O ministro das telecomunicações norte coreano informou, no entanto, que “graças ao Grande Líder Kim Jong Il, a função viva-voz está liberada em todos os celulares”.

STJ: processo envolvendo Lulinha deve ser julgado em SP
TERRA
11 de fevereiro de 2011 • 11h45 • atualizado às 11h54
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que o julgamento da suposto crime de tráfico de influência praticado por Fábio Luiz da Silva, o Lulinha, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é de responsabilidade da 10ª Vara Criminal Federal de São Paulo. A decisão é da 3ª Seção do STJ, que julgava um conflito de competência para apurar o caso.
Lulinha é sócio da Gamecorp, que recebeu investimento de R$ 5 milhões da Telemar (atual Oi), que adquiriu parte minoritária das ações da empresa em uma negociação cujos valores foram considerados excessivos. A suspeita é de que o aporte desproporcional de recursos financeiros teria ocorrido única e exclusivamente devido à participação de Lulinha, o que configuraria o crime de tráfico de influência.
Há mais de três anos, a Polícia Federal (PF) abriu inquérito para apurar o negócio, já que havia suspeitas de que a Telemar ajudou a empresa de Lulinha em troca da alteração da Lei Geral de Telecomunicações. Em 2008, um decreto do então presidente Lula alterou a legislação, permitindo a fusão da empresa de telefonia com a Brasil Telecom, que resultou na empresa Oi.
O conflito de competência teve início depois que a Câmara Municipal de Belém (PA) solicitou à Procuradoria-Geral da República (PGR) apuração das denúncias. O caso foi remetido à Procuradoria no Rio de Janeiro, sede da Telemar, onde a PF instaurou inquérito. Porém, o Ministério Público Federal (MPF) no Rio entendeu que a competência era do Judiciário paulista, sede da empresa beneficiária da suposta vantagem ilícita e local de residência da maioria dos acionistas e representantes legais da Gamecorp.
A Justiça paulista também recusou a competência, sob o argumento de que "ainda não havia nenhum elemento capaz de indicar o tipo penal eventualmente praticado e, consequentemente, o local de consumação do delito". Dessa forma, o caso foi remetido ao STJ.
O relator, ministro Jorge Mussi, ressaltou inicialmente que havia poucos elementos para resolver a controvérsia. Em regra, a competência é determinada pelo local onde o crime é praticado. No caso, o material investigativo resumia-se a informações divulgadas pela imprensa.
O Código Penal estabelece que, quando o local da infração não é conhecido, a competência se dá pelo domicílio do réu. Mesmo não havendo réu definido no caso, o ministro Jorge Mussi extraiu dos autos que a suposta obtenção de vantagem teria ocorrido em São Paulo, sede da Gamecorp e local de residência da maioria dos sócios da empresa. Assim, estabeleceu que caberia à Justiça paulista a apuração do caso.
11 de fevereiro de 2011 • 11h45 • atualizado às 11h54
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que o julgamento da suposto crime de tráfico de influência praticado por Fábio Luiz da Silva, o Lulinha, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é de responsabilidade da 10ª Vara Criminal Federal de São Paulo. A decisão é da 3ª Seção do STJ, que julgava um conflito de competência para apurar o caso.
Lulinha é sócio da Gamecorp, que recebeu investimento de R$ 5 milhões da Telemar (atual Oi), que adquiriu parte minoritária das ações da empresa em uma negociação cujos valores foram considerados excessivos. A suspeita é de que o aporte desproporcional de recursos financeiros teria ocorrido única e exclusivamente devido à participação de Lulinha, o que configuraria o crime de tráfico de influência.
Há mais de três anos, a Polícia Federal (PF) abriu inquérito para apurar o negócio, já que havia suspeitas de que a Telemar ajudou a empresa de Lulinha em troca da alteração da Lei Geral de Telecomunicações. Em 2008, um decreto do então presidente Lula alterou a legislação, permitindo a fusão da empresa de telefonia com a Brasil Telecom, que resultou na empresa Oi.
O conflito de competência teve início depois que a Câmara Municipal de Belém (PA) solicitou à Procuradoria-Geral da República (PGR) apuração das denúncias. O caso foi remetido à Procuradoria no Rio de Janeiro, sede da Telemar, onde a PF instaurou inquérito. Porém, o Ministério Público Federal (MPF) no Rio entendeu que a competência era do Judiciário paulista, sede da empresa beneficiária da suposta vantagem ilícita e local de residência da maioria dos acionistas e representantes legais da Gamecorp.
A Justiça paulista também recusou a competência, sob o argumento de que "ainda não havia nenhum elemento capaz de indicar o tipo penal eventualmente praticado e, consequentemente, o local de consumação do delito". Dessa forma, o caso foi remetido ao STJ.
O relator, ministro Jorge Mussi, ressaltou inicialmente que havia poucos elementos para resolver a controvérsia. Em regra, a competência é determinada pelo local onde o crime é praticado. No caso, o material investigativo resumia-se a informações divulgadas pela imprensa.
O Código Penal estabelece que, quando o local da infração não é conhecido, a competência se dá pelo domicílio do réu. Mesmo não havendo réu definido no caso, o ministro Jorge Mussi extraiu dos autos que a suposta obtenção de vantagem teria ocorrido em São Paulo, sede da Gamecorp e local de residência da maioria dos sócios da empresa. Assim, estabeleceu que caberia à Justiça paulista a apuração do caso.
Ano Novo, Vida Nova
BLOG DO JHEITOR
SEGUNDA-FEIRA, 14 DE FEVEREIRO DE 2011
Estou de volta.
Desde o dia 2 de dezembro, quando da entrevista com o pianista e arranjador Mário Feres, resolvi tirar umas férias, durante as quais repensei mil e uma coisas, revi posições que venho tomando há tempos e resolvi que não tratarei mais de política e ideologia aqui no blog, pois já há muita gente tratando disso, mais e melhor que eu, e por isso não desejo ser apenas mais um a opinar sobre o mesmo assunto. Há gente muito mais gabaritada que eu.
Sou um contador de histórias. Não sou filósofo, jornalista político ou analista da política local ou internacional.
Obviamente que contando histórias devo ter algumas noções desses assuntos, bem como de história geral, atual ou antiga, mas comentarei apenas entre parentes e amigos, nos meus bate-papos do dia a dia, portanto não falarei mais de presidentes, deputados, congresso, corrupção, Adam Smith, Ludwig Von Mises, Antônio Gramsci ou Karl Marx. Deixo isso para os que entendem muito mais que eu.
Falarei de gente como eu e você. Gente que trabalha, anda pelas ruas, ri, chora, se diverte, reclama, elogia, torce por um time, se diverte, está próxima, acessível. Está ali na esquina, no barzinho, no escritório, na roça, que é minha origem. Gente que anda de carro, de ônibus, de moto, de charrete ou a cavalo.
Falarei de gente e não de políticos, porque o político não é gente. É uma outra espécie no mundo animal que, apesar de bípede, se parece muito com a hiena, um animal que raramente caça porque se aproveita de restos de outros animais caçadores, muitas vezes carniça, que rouba sorrateiramente os mais distraídos se ri de suas próprias façanhas.
Tratarei aqui de divulgar meus livros, comentar e divulgar alguns de outros autores, conhecidos ou não, falar de educação, dividir com os leitores minhas caipirices, sérias ou não, fazer algumas entrevistas com pessoas como Mário Feres, dizer de minha cidade, do meu povo, de seus costumes, da região onde vivo e até fazer um pouco de história.
Logicamente não escreverei a história de Napoleão, da II Guerra Mundial, da sucessão do trono da Inglaterra e outros assuntos assim ou mesmo relacionados a eles. Mil historiadores, cineastas, já esgotaram tais temas. Tratarei, por exemplo, de saber quem foi o homem cujo nome está na rua em que moro, ou quem foi o fundador de alguma cidadezinha da região. E me contentarei com isso.
O motivo? Cansei!
Não resolverei os inúmeros problemas do país. Não darei novos rumos nem mesmo ao meu bairro ou minha rua. Não elegerei ninguém nessas eleições obrigatórias com apenas um voto; não terei um microfone e uma multidão para me ouvir pichar essa quadrilha governante. Não cooptarei fanáticos e outros idiotas que acreditam piamente nas mais deslavadas mentiras que a mídia veicula nos jornais, revistas, televisão, nacionais ou não.
Como falar de coisas sérias e construtivas para quem assiste o BBB? E saibam que há milhares de professores (veja bem: professores) que fazem isso religiosamente e comentam e discutem essa m... em suas rodinhas de bate-papo, e não raro com seus alunos na classe numa hora em que deveriam estar ensinando, uma vez que são pagos para fazerem isso.
Falar sobre uma educação decente com tais professores é tentar secar os oceanos com um garfo.
Pois bem; e eu sou uma pessoa normalmente bem humorada, querida de todos os que me conhecem, e não pretendo mais desgastar esse meu bom humor natural criticando ou mesmo opinando sobre misérias, maus-caracteres e mesquinhezas várias, abundantemente disseminadas por toda parte. Cansei!
Não mudei nem mudarei minhas opiniões, porém me resumo, de agora em diante, em contar minhas histórias e piadas, em tratar de amenidades e coisas interessantes ao cotidiano das pessoas comuns, publicar aqui no blog coisas do interesse dos que me pedem e assim conservarei minha cabeça leve, meu humor descontraído, e me sobrará inspiração para o que mais gosto de fazer que é simplesmente contar histórias.
Quanto à política e os políticos, do vereador ao presidente da república, reservei a eles um lugar muito especial: a lata de lixo!
SEGUNDA-FEIRA, 14 DE FEVEREIRO DE 2011
Estou de volta.
Desde o dia 2 de dezembro, quando da entrevista com o pianista e arranjador Mário Feres, resolvi tirar umas férias, durante as quais repensei mil e uma coisas, revi posições que venho tomando há tempos e resolvi que não tratarei mais de política e ideologia aqui no blog, pois já há muita gente tratando disso, mais e melhor que eu, e por isso não desejo ser apenas mais um a opinar sobre o mesmo assunto. Há gente muito mais gabaritada que eu.
Sou um contador de histórias. Não sou filósofo, jornalista político ou analista da política local ou internacional.
Obviamente que contando histórias devo ter algumas noções desses assuntos, bem como de história geral, atual ou antiga, mas comentarei apenas entre parentes e amigos, nos meus bate-papos do dia a dia, portanto não falarei mais de presidentes, deputados, congresso, corrupção, Adam Smith, Ludwig Von Mises, Antônio Gramsci ou Karl Marx. Deixo isso para os que entendem muito mais que eu.
Falarei de gente como eu e você. Gente que trabalha, anda pelas ruas, ri, chora, se diverte, reclama, elogia, torce por um time, se diverte, está próxima, acessível. Está ali na esquina, no barzinho, no escritório, na roça, que é minha origem. Gente que anda de carro, de ônibus, de moto, de charrete ou a cavalo.
Falarei de gente e não de políticos, porque o político não é gente. É uma outra espécie no mundo animal que, apesar de bípede, se parece muito com a hiena, um animal que raramente caça porque se aproveita de restos de outros animais caçadores, muitas vezes carniça, que rouba sorrateiramente os mais distraídos se ri de suas próprias façanhas.
Tratarei aqui de divulgar meus livros, comentar e divulgar alguns de outros autores, conhecidos ou não, falar de educação, dividir com os leitores minhas caipirices, sérias ou não, fazer algumas entrevistas com pessoas como Mário Feres, dizer de minha cidade, do meu povo, de seus costumes, da região onde vivo e até fazer um pouco de história.
Logicamente não escreverei a história de Napoleão, da II Guerra Mundial, da sucessão do trono da Inglaterra e outros assuntos assim ou mesmo relacionados a eles. Mil historiadores, cineastas, já esgotaram tais temas. Tratarei, por exemplo, de saber quem foi o homem cujo nome está na rua em que moro, ou quem foi o fundador de alguma cidadezinha da região. E me contentarei com isso.
O motivo? Cansei!
Não resolverei os inúmeros problemas do país. Não darei novos rumos nem mesmo ao meu bairro ou minha rua. Não elegerei ninguém nessas eleições obrigatórias com apenas um voto; não terei um microfone e uma multidão para me ouvir pichar essa quadrilha governante. Não cooptarei fanáticos e outros idiotas que acreditam piamente nas mais deslavadas mentiras que a mídia veicula nos jornais, revistas, televisão, nacionais ou não.
Como falar de coisas sérias e construtivas para quem assiste o BBB? E saibam que há milhares de professores (veja bem: professores) que fazem isso religiosamente e comentam e discutem essa m... em suas rodinhas de bate-papo, e não raro com seus alunos na classe numa hora em que deveriam estar ensinando, uma vez que são pagos para fazerem isso.
Falar sobre uma educação decente com tais professores é tentar secar os oceanos com um garfo.
Pois bem; e eu sou uma pessoa normalmente bem humorada, querida de todos os que me conhecem, e não pretendo mais desgastar esse meu bom humor natural criticando ou mesmo opinando sobre misérias, maus-caracteres e mesquinhezas várias, abundantemente disseminadas por toda parte. Cansei!
Não mudei nem mudarei minhas opiniões, porém me resumo, de agora em diante, em contar minhas histórias e piadas, em tratar de amenidades e coisas interessantes ao cotidiano das pessoas comuns, publicar aqui no blog coisas do interesse dos que me pedem e assim conservarei minha cabeça leve, meu humor descontraído, e me sobrará inspiração para o que mais gosto de fazer que é simplesmente contar histórias.
Quanto à política e os políticos, do vereador ao presidente da república, reservei a eles um lugar muito especial: a lata de lixo!
Peña Esclusa lanza su libro "Desde los calabozos de Chávez"
UNOAMERICA
Sabado, 12 de Febrero de 2011
Bogotá, 12 de febrero.- Con motivo de cumplirse hoy siete meses del injusto encarcelamiento del escritor venezolano Alejandro Peña Esclusa, UnoAmérica presenta la versión digital de su nuevo libro, titulado "Desde los calabozos de Chávez".
El libro es un compendio de las reflexiones de Peña Esclusa desde su "hermana cárcel" -como él llama a su celda- escritas desde los primeros días de su detención, hasta el pasado mes de enero, cuando se cerró la edición.
El compendio incluye capítulos ya publicados, como la "carta a los jóvenes"; y otros inéditos, como su carta al Papa Benedicto XVI. La presentación fue escrita por el Ex Presidente de Honduras, Roberto Micheletti.
Se trata del testimonio humano y conmovedor de un venezolano que ama profundamente a su patria, y que -desde la cárcel- sigue luchando y proponiendo ideas para recuperar la libertad y la democracia en Venezuela.
Sin embargo, es un documento que atañe no sólo a los venezolanos, sino a todos los latinoamericanos, puesto que plantea un agudo diagnóstico de la realidad continental, y esboza soluciones para la interesante coyuntura regional que se avecina.
Este es el séptimo libro que escribe Peña Esclusa. Los anteriores se titulan, en orden de aparición: "Cómo hacer de Venezuela una potencia industrial", "350", "El Continente de la Esperanza", "Arte Clásico y Buen Gobierno", "El Foro de Sao Paulo contra Álvaro Uribe" y "El Foro de Sao Paulo una Amenaza Continental". Estos dos últimos fueron publicados por la casa editorial Random House-Mondadori.
Estamos seguros de que nuestros lectores sabrán apreciar este documento histórico, y que lo difundirán de la manera más ampliamente posible.
Para descargar el archivo pdf del libro haga click aquí
Sabado, 12 de Febrero de 2011
Por UnoAmerica | ||
Bogotá, 12 de febrero.- Con motivo de cumplirse hoy siete meses del injusto encarcelamiento del escritor venezolano Alejandro Peña Esclusa, UnoAmérica presenta la versión digital de su nuevo libro, titulado "Desde los calabozos de Chávez".
El libro es un compendio de las reflexiones de Peña Esclusa desde su "hermana cárcel" -como él llama a su celda- escritas desde los primeros días de su detención, hasta el pasado mes de enero, cuando se cerró la edición.
El compendio incluye capítulos ya publicados, como la "carta a los jóvenes"; y otros inéditos, como su carta al Papa Benedicto XVI. La presentación fue escrita por el Ex Presidente de Honduras, Roberto Micheletti.
Se trata del testimonio humano y conmovedor de un venezolano que ama profundamente a su patria, y que -desde la cárcel- sigue luchando y proponiendo ideas para recuperar la libertad y la democracia en Venezuela.
Sin embargo, es un documento que atañe no sólo a los venezolanos, sino a todos los latinoamericanos, puesto que plantea un agudo diagnóstico de la realidad continental, y esboza soluciones para la interesante coyuntura regional que se avecina.
Este es el séptimo libro que escribe Peña Esclusa. Los anteriores se titulan, en orden de aparición: "Cómo hacer de Venezuela una potencia industrial", "350", "El Continente de la Esperanza", "Arte Clásico y Buen Gobierno", "El Foro de Sao Paulo contra Álvaro Uribe" y "El Foro de Sao Paulo una Amenaza Continental". Estos dos últimos fueron publicados por la casa editorial Random House-Mondadori.
Estamos seguros de que nuestros lectores sabrán apreciar este documento histórico, y que lo difundirán de la manera más ampliamente posible.
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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".


