Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.
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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

O PROBLEMA DO MAL

NIVALDO CORDEIRO

30 de novembro de 2008

 

“Não te deixeis vencer pelo mal; vence antes o mal com o bem”

São Paulo, Carta aos Romanos, 12;21

 

Quando vi as primeiras imagens do desastre de Santa Catarina, com a cheia levando casas, árvores e vidas, deixando um rastro de destruição atrás de si, não pude escapar de me emocionar e pensar na manifestação do mal no mundo. Sim, impõe-se a primeira pergunta: o que é o mal? Entendo que é tudo aquilo que prejudica o homem e o desvia de sua jornada, que encurta artificialmente sua existência e lhe impõe sofrimentos perfeitamente evitáveis em situações normais. Morrer em si não é mal, mal é morrer fora de época, de forma violenta, como vimos acontecer a mais de uma centena de pessoas em Santa Catarina.

 

Esse é o mal natural, que desde o Iluminismo o Ocidente passou a associá-lo a simples causas naturais, saindo de qualquer explicação teológica. Claro, se a metafísica é desacreditada como um todo não haveria de ser o elemento maligno transcendente a prevalecer. Aqui se impõe novamente outra pergunta: o mal é apenas humano ou tem uma raiz transcendente? Essa pergunta atravessa os milênios. Se quisermos ser fiéis aos textos bíblicos temos que admitir uma certa autonomia do mal. O Livro de Jó é categórico, nomina Satanás na presença de Deus, que dele recebe autorização para tentar seu servo mais fiel, a quem inflige as maiores provações.

 

O próprio Jesus Cristo recebe as tentações diretamente de Satã. Então não é possível descartar o elemento transcendente e relativamente autônomo da ação do mal, como testemunhado pelo próprio Salvador. Na oração do Pai Nosso Jesus não esqueceu de rogar ao Pai: “Mas livrai-nos do mal”.

 

Na visão humanista do mal este é apenas produto da condição humana e de causas naturais, perfeitamente inteligíveis pela razão. Já na visão cristã é sempre o Tentador que está presente. Equivale a dizer que o mal depende da ação humana para acontecer na história. Seu acesso se dá pela soberba do homem. A Queda de Adão é esse primeiro ato de soberba e lá estava a serpente tentadora representando Satanás. Então se pode dizer que para acontecer o mal no mundo é necessário o concurso do homem e desse elemento metafísico a quem chamamos de Satanás. O livre-arbítrio e o pecado estão na raiz da manifestação do mal. São a sua porta de entrada na história.

 

As obras de arte mais significativas do Ocidente abraçam essa visão dualista. Em Goethe, Fausto tem o assédio de Mefistófeles, que usa de sua ambição para levá-lo ao delírio de grandeza, que é a maior de todas as metáforas da modernidade. Em Dante vemos o mesmo simbolismo, ainda com forte roupagem medieval. Primeiro o poeta se confronta no caminho descendente, ameaçado pela loba e para salvar-se (notar esta palavra) tem que se embrenhar na mata escura que o leva direto ao Inferno.

 

Thomas Mann o faz da mesma forma. Adrian Leverkühn precisa antes firmar seu pacto com o demônio para realizar seu delírio de grandeza, que é o mesmo da Alemanha, e intercala o relato de ficção com o relato historico e, assim, construindo a mais sensacional crônica dos tempos nazistas. Os filmes de Kubrick, o grande cronista da alma no cinema, retrata o mal nascendo da transcendência. Sublinho especialmente os filmes O ILUMINADO e DE OLHOS BEM FECHADOS. O homem decide pelo livre arbítrio, mas o faz em uma ambiente hostil, pleno de tentações. Precisa sempre firmar um pacto, vender-se livremente.

 

Expressões estéticas puras do mal estão em Nietzsche (Zaratustra é outro nome para Mefistófeles), em Walt Whitman e em Van Gogh. Esse trio produz, com sua obra, a profecia do que viria no século XX.

 

Mesmo em obras mais antiga, pagãs, como ÉDIPO REI, de Sófocles, vemos essa ação exterior à vontade do homem nos acontecimentos capitais de sua própria existência. Freud cometeu um enorme erro de avaliação ao centrar sua exegese dessa obra no intercurso sexual incestuoso, realizado à revelia da vontade e mesmo do desejo enquanto tal. Se desposou Jocasta foi mais por razões de Estado do que motivado pela libido. Fugia do próprio mal que não queria praticar e acabou por ir encontrar-se com ele. Entendo que o essencial dessa tragédia acontece no caminho que se trifurca, um símbolo poderoso: ao homem é dada a possibilidade de escolher. E veremos já aqui na Grécia do século V a soberba de Édipo como o elemento essencial para determinar o assassinato do pai. Tivesse Édipo alguma humildade e a comitiva de Laio teria seguido seu caminho sem incidentes no ponto trifurcado. O motor da trama genial de Sófocles nada tem a ver com sexo, mas com soberba. E o intercurso incestuoso vem como castigo, não como algo desejado. É um espanto que toda uma psicologia tenha sido construída em cima de uma interpretação equívoca desta peça.

 

Sófocles pôs na boca do coro:

 

“Terrível presenciar o teu sofrer!

De tudo que vi o mais terrível!

Que delírio, infeliz, te atropelou?

Qual deus demônio, de um salto só,

Ultrapassa uma distância máxima,

Impondo os pés sobre tua moira demoníaca?”

 

As perguntas em verso ecoam agora com a mesma força que ecoaram aos contemporâneos gregos do século V. Diante do mal o homem fica mudo, aterrorizado, entregue como uma folha ao vento. Salvar-se é escapar ao maligno e essa é uma tarefa de Deus-Pai Todo Poderoso. Esse é o mistério da encarnação de Cristo.

 

E tem também o mal moral, que se desdobra no mal político. Vimos os acontecimentos recentes na Índia, chocantes. O mal lógico em ação. Gratuito, estúpido, irracional. Como entender? O que houve na Índia é da mesma natureza do 11 de Setembro. Da mesma natureza de Hitler. Esse malmoral está hoje potenciado pelo enorme poder de Estado. Se olharmos toda a força militar e policial estocada veremos que é uma tentativa desesperada de a humanidade dar combate ao mal. No entanto, quase sempre esse poder se volta contra os inocentes, especialmente quando governantes estúpidos estão no comando do Estado. Esse é o maior perigo que paira sobre a humanidade. Os alvos das bombas e projéteis de todos os calibres são sempre homens.

 

Uma manifestação destrutiva do mal moral associado ao Estado é a crise econômica, especialmente esta que agora se manifestou. Com os estúpidos governando o mal tende a crescer e a produzir sacrifícios inúteis e prolongados. A crise econômica é uma das novidades dos tempos modernos, em que a soberba do homem é elevada à razão de Estado.

 

O papa João Paulo II deu uma resposta para o mal lógico do século XX, as Grandes Guerras,Auschiwitz e acontecimentos assemelhados, no livro MEMÓRIA E IDENTIDADE. Sempre volto a ele e vejo novas perspectivas. O papa foi um grande pedagogo. E aqui ele sublinhou que o mal está na soberba do homem, no amor sui que substitui o amor a Deus sobre todas as coisas. As tragédias do século passado foram gigantes porque o homem nunca foi tão arrogante e cioso de si mesmo. Temo que essa arrogância aumentou desde então, que a humanidade nada aprendeu com aquelas grandes tragédias. Assim, o mal poderá voltar a operar livremente, utilizando-se especialmente da alma desgarrada dos governantes estúpidos. Nunca foi tão atual e necessário o conselho de Cristo: Orai e vigiai.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Psicose iluminista

Do portal do OLAVO DE CARVALHO
Por Olavo de Carvalho no Jornal do Brasil, 24 de abril de 2008

Um dos traços constitutivos da mentalidade revolucionária é a compulsão irresistível de tomar um futuro hipotético – supostamente desejável – como premissa categórica para a explicação do presente e do passado. Nessa perspectiva, a história humana é vista como o trajeto linear – embora entrecortado de abomináveis resistências – em direção ao advento de um estado de coisas no qual o curso total dos acontecimentos encontrará sua consumação e sua razão de ser.

Que haja nisso uma inversão psicótica da ordem das causas é algo que nem de longe rebrilha no horizonte da (in)consciência revolucionária, tão embevecida na contemplação estática das suas próprias lindezas que até a claridade máxima do óbvio se torna a seus olhos treva densa e impenetrável.

Mais cômica ainda, ou tragicômica, torna-se essa inversão quando, à maneira iluminista, o futuro esperado é descrito como o triunfo da racionalidade científica sobre o obscurantismo das crenças bárbaras. Pois a concepção futurocêntrica da História, virando de cabeça para baixo a hierarquia do necessário e do contingente já traz em seu bojo a destruição completa da lógica, do método científico e de toda possibilidade de compreensão racional da realidade. Não foi à toa que Paul Ilie, no seu magistral estudo The Age of Minerva (2 vols., University of Pennsylvania Press, 1995), caracterizou o estilo mental do Século das Luzes como "razão anti-racional".

Não espanta que, mais de 200 anos depois de ter desencadeado a maior e mais duradoura epidemia de revoluções, tiranias e genocídios já registrada desde o início dos tempos, a vaidade iluminista ainda continue a se pavonear de campeã da liberdade e dos direitos humanos, como se fosse lícito a uma filosofia reconhecer-se a si mesma tão somente pelos ideais declarados na sua propaganda e não pelo desenrolar inevitável e previsibilíssimo da realização efetiva das suas premissas.

O ideal de uma sociedade regida pela "razão científica" é o cerne mesmo da proposta iluminista, e a ele deve-se o nascimento das duas tiranias mais sangrentas que o mundo já conheceu, uma fundada na biologia evolucionária, outra na ciência marxista da história e da economia. O mais recente e meticuloso estudo comparativo desses dois regimes, The Dictators: Hitler's Germany, Stalin's Russia, de Richard Overy (New York, W. W. Norton, 2004, especialmente pp. 637 ss.), destaca como primeira e essencial similitude entre eles o "culto da ciência". Auschwitz e o Gulag são a utopia iluminista materializada.

E não me venham com aquela idiotice de que o iluminismo não gerou só ditaduras totalitárias, mas também a democracia americana. De um lado, o iluminismo britânico que influenciou a independência americana nada teve da rebelião voltaireana e enciclopedista contra a religião e as tradições (ver Gertrude Himmelfarb, The Roads to Modernity: The British, French and American Enlightenments, New York, Vintage Books, 2004).

De outro, mesmo essa versão suavizada do discurso iluminista não foi subscrita no todo pelos founding fathers, os quais a modificaram e cristianizaram em tal medida que praticamente não há na declaração da independência, na Constituição americana ou nas constituições dos Estados uma só afirmativa ou dispositivo legal cuja inspiração bíblica não esteja abundantemente documentada.

Nenhum argumento racional foi jamais apresentado contra a massa de provas reunida por Benjamin F. Morris nas mil e tantas páginas de The Christian Life and Character of the Civil Institutions of the United States em 1864. Tudo o que o partido iluminista pôde fazer, para tentar impor como puro constitucionalismo americano uma versão caricatural, "francesa", do Estado leigo compreendido como Estado ateísta militante, foi dar sumiço a esse livro e depois entrar em pânico quando da sua reedição em 2007 pela "american vision".

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

As Trincheiras do Iluminismo - ABSOLUTAMENTE IMPERDÍVEL

NÃO PERCAM ISTO!!!

Pessoas que não padecem de sociopatia devem ler este livro eletrônico (cliquem para baixar). Uma amostra da degradação sistemática da ficção jurídica chamada Brasil...

"... O futuro do Brasil depende dos jovens de hoje que, em poucos anos, estarão no comando do País. Portanto, a felicidade de nossos filhos e netos, amanhã, dependerá do que esses jovens estão aprendendo hoje, nas escolas. No entanto, nossos governantes, criminosamente, estão adotando um nova didática, que, inacreditavelmente, persegue três objetivos sinistros:

PRIMEIRO: Não ensinar nada útil aos alunos — mantê-los ignorantes;
SEGUNDO: Passar de ano todos os alunos, até débeis mentais;
TERCEIRO: Promover a doutrinação marxista-leninista da juventude;

Não acredita? Testes internacionais, em uma prova coordenada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em resposta a uma análise encomendada pelo Ministério da Educação, revelaram que alunos brasileiros, na faixa de 15 anos, são OS MAIS IGNORANTES DENTRE 32 PAÍSES AVALIADOS.

Que futuro tem o Brasil, nas mãos destes irresponsáveis que se intitulam “educadores”? As autoridades mineiras proclamam que estão reformando a educação; que nomearam 35 mil novos professores e que o nível de repetência é inexistente, o que é óbvio, pois estão passando de ano, de qualquer jeito, TODOS os alunos. Assim, estão também resolvendo o problema da falta de vagas, da maneira mais cretina e prejudicial a nossa juventude e a nosso País.

Além disso, quem conhece os livros do tal “Curso de Capacitação de Professores”, sabe que não estão sendo formados professores, mas doutrinadores marxistas-leninistas.

Como explicar este crime, este escândalo? Como explicar que as autoridades municipais e estaduais encarregadas de promover a cultura estão, de fato, promovendo a ignorância e o sectarismo comunista, com a aprovação do Ministério da Educação? A explicação é encontrada no plano para a conquista do poder criado pelo comunista italiano Antonio Gramsci, plano este sendo levado a cabo pelo PT, o partido do ultra-comunista Lula.

Intrigado pelo fato do comunismo ter vingado nos países do ORIENTE E NÃO DO OCIDENTE, Gramsci concluiu, acertadamente, que o que derrotou o comunismo nos países ocidentais foi a cultura democrática e liberal destes países, desenvolvida principalmente no século XVIII, o “Século do Iluminismo”, em reação ao regime ABSOLUTISTA de então, quando os reis tinham poder absoluto, até o poder de vida ou morte, sobre os cidadãos, sem dar satisfação a ninguém..."

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".