Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.
Mostrando postagens com marcador economia americana. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador economia americana. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 14 de outubro de 2008

OS FUNDAMENTOS DA ECONOMIA DOS ESTADOS UNIDOS SÃO FORTES - RUSH LIMBAUGH

PAPÉIS AVULSOS do HEITOR DE PAOLA


É verdade: Os Fundamentos da economia dos EUA são Fortes.


 


Nota do Tradutor (Tradução: Mayr Sampaio Fortuna Neto) - Esta é a tradução da transcrição de parte do programa de Radio (Talk Show) de Rush Limbaugh, em 24 de setembro de 2008. Aqui, ele comenta sobre a economia, mas mais importante, sobre a fé que os Americanos tem na América, e denuncia as práticas dos Democratas – Liberais (Comunistas Norte Americanos). Esta é uma peroração, uma exaltação, deste grande americano, que vale a pena ser lida, não somente por representar a fé de um grande povo, mas também, porque denuncia muito do que nós brasileiros já sofremos, e continuamos a sofrer no nosso dia a dia. A linguagem do texto é coloquial (trata-se da transcrição de um bate-papo com ouvintes do show de rádio) e eu tento mantê-la assim tanto quanto possível.


 


RUSH:


 


Os Fundamentos da Economia dos EUA ressoam (são fortes). Snerdley (um ajudante do programa) diz – “Você não acredita mesmo nisso né?” Então eu tenho que explicar.


 


Vejam, ele pensa, que vocês, nós todos, estamos balançando, à beira do colapso, desastre total, bancarrota e tudo o mais. Então, eu vou dizer por que você se sente como se sente. Não é a Economia. Não é. Segure-se, porque aqui nós temos Max Boot, no Los Angeles Times de hoje:


 


“Não entregue a Economia Americana tão barato, nem tão rápido”.


 


Ele começa desta forma:


 


Um Ministro Israelense em visita aos EUA, propôs dois argumentos interessantes numa conferência em Washington este fim de semana:


 


A atual Crise Financeira, ele disse, esta minando a percepção de Pode Norte Americano, quando se trata de lidar com problemas tais como a ameaça nuclear Iraniana, os aventureiros Russos ou as crescentes ameaças do Hamas e do Hezbolah. Vários atores ao redor do mundo, olham para os EUA., e vêem um Gigante Aleijado, o que reduz os incentivos a fazer concessões à Washington.


 


Este problema é real, mas assim também é, o sentimento expresso após estar por aqui por alguns dias. O fim econômico dos EUA, ele pensa, não esta tão aparentemente próximo,  como tão pronta e sensacionalmente alardeado pela mídia internacional. Até agora, o Povo nas Ruas (Main Street) tem demonstrado uma impressionante capacidade de resistência frente aos problemas de Wall Street. Mesmo que a economia, finalmente, sucumba a uma recessão, como agora parece ser o caso, ela se recuperará novamente antes de muito tempo.


 


Houve muitas, muitas crises no passado. A estagflação e os picos dos preços do petróleo dos anos 70, a Débâcle da Poupança e Empréstimos, assim como o alarmante défcit Orçamentário e Comercial dos anos 80, a explosão da Bolha da Internet (.com) e os ataques terroristas do início da década, o que levou muitos observadores a prever que os Estados Unidos da América (A superpotência Imperialista) logo seguiria o caminho da Roma antiga.


 


Rush comenta: E nós sempre voltamos mais fortes, cada vez mais fortes – Não voltamos Snerdley? Obama, seguramente, com os diabos, ficou RICO nos anos “Bush”, Al Gore ficou rico nos anos “Bush”, os Clintons ficaram ricos nos anos “Bush”.


 


“O que os pessimistas ignoram, é que os Fundamentos da Economia Americana são Excelentes e permanecem Inabaláveis”.


 


Rush comenta: Vocês sabem, amigos, a Economia Americana – e este é outro grande erro em que incorre a mídia, por ignora-lo – pode ser rastreada até o povo que a faz, o povo que trabalha, isto é, você meu amigo.  A Economia Americana não é esta gente de Wall Street, não é aquela gente de Washington (nt: os conservadores atribuem grande parte, senão a maior parte dos problemas econômicos ao governo de Washington e às políticas Democratas Liberais). Vocês realmente pensam, que estes caras como Barney Frank (Congressista, Chefe do Comitê de Assuntos Financeiros do Congresso dos EUA – Democrata) ou Chris Dodd (Senador, Líder Democrata no Senado Federal, que ainda conta com maioria Republicana) ou todos estes matutos bobalhões (yokels) conduzindo esta audiências no Congresso, que Paul Bernanke (Chefe do Federal Reserve – Banco Central Norte Americano) ou Henry Paulson (Secretario do Tesouro) tem a varinha mágica para corrigir isso tudo (a crise das hipotecas)? Vocês realmente acreditam nisto? Não acreditem! Não, porque eles não tem. Se alguém por lá, tivesse uma maneira de prevenir estas coisas, elas nunca teriam acontecido, mas elas acontecem, porque você não pode parar o Mercado. Agora, você pode socializar o Mercado, você pode Diminuir o Ritmo de Atividade do Mercado, você pode destruí-lo com ataques ao longo do tempo, que é o risco que nós estamos correndo hoje. Mas esta gente, não é diferente de ninguém mais, eles apenas tem esta “Aura” de sapiência baseada nos cargos que ocupam, nos cargos que ocuparam, mas estas coisas ocorreram debaixo dos olhos deles, e agora eles alegam que têm a solução mágica para resolver a crise, e isto vai requerer apenas a miserável quantia de 700 bilhões de dólares minha gente. É por isso  que eu sempre digo meus caros amigos – e vocês riem de mim, e pensam - ele é apenas um sabe-tudo que extrapolou – se “eles” vão ter uma recessão, não participe dela, não se junte a ela. Vocês ficariam surpresos com a fôrça da atitude meus caros, o resultado desta atitude. O que os pessimistas ignoram, é que os Fundamentos da nossa Economia, são fortes!


 


De fato, o Fórum Econômico Mundial, avaliou os Estados Unidos, como a economia mais competitiva dos últimos dois anos (A nova pesquisa sai mês que vem). As estatísticas do Fórum indicam que o Produto Interno Bruto ´per capita´ tem crescido mais rápida e consistentemente do que o das outras economias desenvolvidas desde a década de 80. Uma análise mais profunda da competitividade Americana mostra que o nosso comércio interno é particularmente forte (1º no mundo) – e nós continuamos a ouvir sobre a China - Nós, meus caros, somos o Número Um. Nós somos o maior mercado doméstico do mundo, não se esqueçam disso. Não há ninguém, nem mesmo perto de nós. Somos também, além disso: “em tempo necessário para se abrir uma nova empresa (No. 3)”, “Capital de Risco (No. 1)”, “posse de computadores pessoais (No. 2)”, “Colaboração na Pesquisa, Universidade X Indústria (No. 1)” e, qualidade das instituições de pesquisa científica (No. 2). Agora vejam, eu não vou discutir os aspectos liberais influentes nestas coisas, poderemos faze-lo mais tarde, estou somente fornecendo nossa colocação agora.



A disponibilidade de Capital de Risco pode estar um pouco afetada, devido aos problemas com a Bolha das Hipotecas, e nós devemos nos preocupar, se os Democratas conseguirem controlar as duas pontas da Avenida Pensilvânia em novembro (nt: De um lado, a Casa Branca, do outro o Congresso – que já é controlado por eles desde 2006 – mas, este ano também há eleições para o Congresso) porque eles podem exacerbar o que a pesquisa diz ser os dois aspectos mais problemáticos de se fazer negócios nos EUA: Impostos altos e incremento excessivo de regulamentação de impostos.


Eu digo a vocês, meus caros ouvintes, nós não podemos nos dar ao luxo de um “Empréstimo Barack Obama”. Não poderemos suportar o “Risco” de não saber o que estamos levando e também não precisamos dos “avalistas” dele: Jeremiah Right (nt: pastor comunista anti-americano ferrenho), Bill Ayres (nt: ex terrorista e ideólogo dos “Organizadores Comunitários”), Toni Rezko (8 things you need to know about Obama and Rezko), Bernardine Dohrn (nt: nascida em 12 de janeiro de 1942, ex-líder da organização radical de esquerda  Weather Underground).


 


Mas, seja o que for que aconteça nos próximos meses, a maioria das vantagens que alimentam a capacidade da Economia Norte-Americana, continuarão inalteradas, assim como também, outra Estatística Vital: De acordo com autoridades Federais, a Taxa de Fertilidade nos EUA. – onde cada mulher tem hoje 2,1 crianças – é a maior dentre as economias desenvolvidas. Porque nós na fazemos mais tantos abortos como fizemos no passado, dentre outras coisas. Então meus caros, nós, Americanos, estamos produzindo uma População de novas abelhinhas trabalhadoras.


 


Agora, voltemos aos Democratas e seus Impostos.  Se você pensa caro amigo, que o que esta acontecendo já é o máximo que poderia acontecer em termos de maldade e problemas, causados pelos Democratas, você esta enganado. Aguarde até que também aconteça com o Seguro Saúde Social. Agora, este grau de crise, pode não ser atingido durante a minha vida, ou a sua, mas vai seguramente acontecer durante a vida de nossos filhos, e eles podem não querer pagar os impostos que gente como Obama vai exigir. Então, amigos, eleições são importantes. Esta é de importância crucial, ainda mais que toda a mídia esta ajudando Obama, e tentando controlar nossas mentes, pelo controle da informação. Assim, os fundamentos da economia são fortes e ainda há oportunidades lá fora. Pessoas estão abrindo novos negócios todos os dias, empreendedores estão fazendo o seu máximo, e em situações de crise, meus amigos, nos criamos mais empreendedores. Nós temos a história de fazê-lo. A oportunidade esta lá fora, más, ela não chega de graça. Você pode ouvir a batida na porta – “alô, cheguei!” – mas a oportunidade será desperdiçada amigo, se você não agarra-la com ambas as mãos. Então, pergunto: por que sentir-se mal, porquê você se sente mal? Bem, há sérias razões meu amigo, e elas não são econômicas.


 


De forma a nos controlar, a nós, os exuberantes Americanos, a esquerda, o Partido Democrata, os Socialistas, tem nos atacado continuamente, vagarosa mas continuamente, diariamente. Nunca termina, isto nunca termina. Primeiro, eles tentaram destruir a nossa religião, até que nós nos sentirmos diferentes, começarmos a falar baixo e dissimuladamente sobre ela. Então, veio a guerra contra as Armas. Eles não podem permitir que o povo americano esteja armado porque isso nos dá muito CONTROLE. Então, eles se infiltraram nas escolas públicas, nas Universidades, a mídia tentando ganhar o controle sobre os nossos hábitos (campanha do Fumo, da comida, dentre outras) e, então, você se sente mal. Quem quer que seja você, você se sente mal. Você pode ligar o rádio, ouvir uma música, ver a televisão, ler um jornal ou um livro, e sempre estará lá: SEU PAÍS FEDE, e você também. Eles atacaram os nossos carros (nt: alusão aos carrões americanos), eles fizeram a definição americana de liberdade virar um demônio, forçando-nos a dirigir estas caixinhas de fósforo de brinquedo que eles chamam carro, e nós ficamos sem saída. Agora, eles estão atacando os telefones celulares, meus amigos e eu digo que não vão conseguir – Telefone celular dá câncer, da mesma forma que o cigarro da câncer, eles não podem provar, mas dá! Somando-se à nossa perda de liberdade, eles ganham dinheiro para continuar as operações de ataque. Por que eles tem medo do telefone celular? – Bem, você sabe, com um celular, nós podemos falar uns com os outros.


 


Assim que eles puderem, eles vão se livrar de mim, de mim e de outros que como eu contrariam a Fairness Doctrine (nt: alusão a tentativa de retirar do ar os talk-shows que ‘mostram um lado só, muito influentes entre o povo, e atualmente mais fortes que a grande mídia na formação de opinião). Eles também vão tentar se livrar das pessoas que eles não gostam na internet. E vão usar estes meios, para disseminar a propaganda deles. Vejam, esta semana mesmo, estamos presenciando um ataque deliberado, na tentativa de socializar o sistema financeiro dos EUA. Nós estamos chegando ao ponto amigos, em que não teremos controle sobre o nosso próprio dinheiro. Mas, ora, quem precisa investir, quando temos um futuro seguro garantido pelo governo? E aí, veio o Chuck Schumers – A culpa é sas hipotecas! Ora, o que é uma hipoteca? Uma hipoteca é o instrumento de acesso ao Sonho Americano amigo, é o símbolo da posse de uma propriedade privada! E lá vem o Chuck Schumers culpando as hipotecas – Segundo ele, o fato de você ter uma propriedade privada causou este problema. É longa amigos, esta estrada que nós temos viajado, estes ataques, vem acontecendo há anos e anos, décadas,  com este grupo de “Organizadores Comunitários”, NÚNCA PARA! Más, é também uma estrada muito direta, é o caminho da servidão (livro de Fredrich A. Hayek). É por isso amigo, que você se sente mal, você esta PERDENDO A SUA LIBERDADE e você não entende isso, não compreende isso.


 


Deixe-me dizer mais alguma coisa aqui, só para esclarecer. Quando eu digo que os fundamentos da economia são fortes, eu não estou tentando relevar o seu pessimismo a respeito das coisas, porque, nós precisamos estar preocupados sobre as coisas aqui – Não estou dizendo: Hei, ta tudo bem, vamos já bater as asas e sair desta situação, não, de forma alguma! O problema, é que nós estamos no meio de uma crise, e esta crise, não é uma falha do capitalismo, é uma falha do GOVERNO! Nós não temos só o direito, nós temos o DEVER de ser pessimistas. Temos o dever de estar brabos, e motivados a fazer algo a respeito. O governo, esta no Piloto Automático amigos, ele não mais responde ao desejo do povo, o governo, e todos estes políticos entreguistas, usando o governo para minar a economia! Não seja pessimista sobre as circunstâncias econômicas que vão atuar sobre as suas finanças. Mas fique brabo, muito brabo, com o que está acontecendo com este sistema de governo, que se desviou dos seus fundamentos, para algo que os fundadores (nt: pais fundadores da nação) nunca teriam endossado. É simplesmente enlouquecedor!


 


Quando eu digo – os fundamentos da economia são fortes – nós temos duas escolhas, podemos escolher o crescimento econômico, ou podemos escolher um governo socialista, e uma economia socialista, e você pode esquecer o crescimento econômico. Aqui está uma pequena ilusão, e você pode  levantar as mãos para o alto e dizer – Meu Deus, não demora muito, e também vai acontecer aqui! – Esta veio do UK Guardian – O Equador, na próxima semana, votará o que muitos países acham IMPENSÁVEL! O Equador está dando à Natureza, “Direitos Humanos”! As pessoas são chamadas a votar uma constituição que dará direitos humanos à natureza. Florestas tropicais, rios, ilhas, o ar, teriam os mesmos direitos que as pessoas! E, se eles votarem sim, (56% SÃO A FAVOR E 23% SÃO CONTRA), então aprovam também a Carta dos Direitos da Natureza, que será aplicada, e novas leis, que mudam o Status da Natureza de simples propriedade para uma Entidade-com-Direitos.


Você poderia ser acusado de assassinato, por cortar um ramo errado de uma árvore, ou, se você esta descendo um rio, no Equador, no seu Caiaque ou canoa, e precisa fazer cocô, ou urinar, alguém te vê... Quem sabe o que eles poderiam fazer?


A ESQUERDA ESTA SIMPLESMENTE FORA DE CONTROLE COM TANTO PODER! E É DIFÍCIL DIZER, MAS É SOBRE ISTO QUE FALAMOS: PODER. O QUE ESTA REALMENTE COMANDANDO, DIRECIONANDO ESTA LINHA DE AÇÃO, É A AUSÊNCIA DE Deus nos corações e almas da esquerda.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O LIMIAR CRISE MUNDIAL

NIVALDO CORDEIRO
19/03/2008

Deus abençoe a América! A crise econômica que se desenha no grande país do Norte é daquelas que não terão solução nem curta e nem fácil. É uma crise sistêmica, que poderá levar a uma dramática crise no mercado mundial. Afinal, os EUA são os maiores compradores e vendedores do mundo e é o seu maior PIB o elemento dinâmico que permitiu a recente prosperidade nas chamadas economias emergentes.

A tragédia maior é que se nota a ausência de homens preparados para fazer o enfrentamento da crise. Não será uma simples crise econômica, portanto, mas também uma crise da ciência econômica e da ciência política. Tudo em que se acreditou em matéria de teoria econômica será posto em xeque. O feijão-com-arroz da administração dos juros, o que pateticamente tem sido feito pelo FED nos últimos meses, não apenas não resolve a crise, como logra agrava-la. Há uma carência científica na ação do FED. Porque a raiz da crise está no modo de funcionamento da economia norte-americana: vive de emissão de moeda sem lastro, que paga seus gigantescos déficits na balança comercial. Esse modelo esgotou-se. É como se os EUA cobrassem um imposto inflacionário sobre o resto do mundo na forma de emissão descontrolada de moeda. Foi possível manter isso por algumas décadas, quando o mundo precisava de uma moeda nacional forte para substituir o padrão-ouro. Depois do advento do Euro e da emergência formidável da China no mercado internacional esse modelo ficou inviável. Ninguém mais quer papel pintado desvalorizado pagando suas mercadorias. Nem a nossa bela Gisele Bündchen.

Por isso a crise é tão profunda. Ela obrigará a repensar os fundamentos da construção do Estado norte-americano. Seus governantes terão que elevar fortemente os impostos e, ao mesmo tempo, reduzir benefícios sociais. O discurso eleitoral distributivista está caduco. As duas coisas juntas, mais impostos e menos benefícios, terão que ser feitas, tal a gravidade da crise. Em um ano eleitoral como o que estamos é difícil sequer a um candidato discutir o assunto. O campeonato de discursos eleitorais que tenho visto é no sentido de ver quem promete mais facilidades e benesses para o homem-massa eleitor, essa noiva tão cortejada. Obviamente que, fechadas as urnas, o governante eleito terá que enfrentar a dura realidade de ter que combater a parasitagem oficial, ter que elevar a taxa de juros para estimular a poupança e repatriar capitais que fugiram do artificialismo do seu mercado financeiro e animar o investimento produtivo. Suas decisões farão quebrar os negócios inviáveis com longuíssimos períodos de retorno e provocarão redução na taxa de salários para torna-la competitiva com os países emergentes. Respeitar-se-á a máxima: “Homem, comerás o pão com o suor do teu rosto”. E – muito importante – criarão os meios para fazer retornar ao solo norte-americano as indústrias expulsas de lá por excesso de regulação e de custo de mão-de-obra.

Será tarefa para dez anos e no meio do caminho haverá muito choro e ranger de dentes. Privilégios centenários terão que ser abolidos. Gerações de vagabundos profissionais pendurados no Tesouro terão que voltar a trabalhar. Indústrias artificiais mantidas por barreiras alfandegárias estúpidas quebrarão. E a renda fácil de uma economia baseada na emissão descontrolada de moeda desaparecerá por força da crise. Trabalho duro e produtividade são as únicas receitas que eu conheço para fazer voltar a prosperidade. Mas, por si sós, não bastam, antes será necessário o saneamento de tudo que está errado.

Entendo que esse é o melhor cenário. Há um ainda pior, que é aquele em que os Estados militarmente hostis aos EUA, como China e Rússia, detentores de gigantescos superávits em dólares norte-americanos, poderão ficar tentados a jogar a pá de cal no que resta de equilíbrio monetário e saírem a comprar commodities e outras moedas usando seu enorme estoque de dólares. O dólar simplesmente viraria pó em poucos meses e a economia mundial rejeitaria a moeda norte-americana como a uma doença contagiosa. Um cenário desses certamente provocaria taxas negativas de crescimento de produto e elevada taxa de inflação. O pior dos mundos.

Em artigo publicado na Folha de São Paulo (“Jamais teremos um modelo perfeito de risco”) de ontem o antigo presidente do FED, Alan Greenspan, escreveu: “O problema essencial é que os nossos modelos tanto os de risco quanto os econométricos, por mais complexos que se tenham tornado, ainda assim são simples demais para capturar a ampla gama de variáveis que definem e propelem a realidade econômica mundial”. A cegueira tecnocrática não poderia ser mais bem exposta. Obviamente que a crise tem uma dimensão bancária, mas definitivamente não está aí a sua origem. A origem são os pilares estruturais que geram os gigantescos déficits gêmeos, que não mais poderão ser mantidos. O mundo não aceita mais pagar imposto inflacionário. No artigo não há uma palavra sobre isso, revelando que a elite tecnocrática, como de resto a empresarial, está atônita. O mundo como o construíram está desabando e eles não sabem o que fazer. Terão que descobrir o novo caminho da pior forma.

Em outras palavras, a realidade não é como Greenspan, no seu olhar convencional, pensa. Ele escreveu: “As bolhas nos preços dos ativos se acumulam e explodem hoje como o fazem desde o começo do século 18, quando os mercados competitivos modernos começaram a evoluir. É certo que tendemos a classificar essas respostas comportamentais como não racionais. Mas as preocupações de quem realiza previsões não deveriam se dirigir à racionalidade ou não das respostas humanas, e sim apenas ao fato de que elas sejam passíveis de observação, e sistemáticas. Esta, para mim, é a grande "variável explanatória" ausente tanto nos modelos de administração de risco quanto dos macroeconométricos. A prática atual envolve introduzir o conceito de "vigor animal", como diria John Maynard Keynes, na forma de "fatores de adição". As idéias de Keynes são as que menos podem ajudar, elas que levaram ao beco sem saída atual. As causas da crise são estruturais e o mercado de capitais apenas reflete seus desequilíbrios. Modelos de riscos são brincadeira de criança perto do que terá que fazer o próximo presidente eleito em matéria de impostos, gastos sociais e administração da moeda. O tal “vigor animal” só pode aturar se o ambiente institucional – moeda, gastos públicos, regulamentação – fizer a sua parte.

Economistas de várias escolas pensam que podem eliminar ou minimizar os riscos existenciais humanos pela simples manipulação de modelos. Vã tentativa! Não é possível congelar o futuro ao nosso talante. Sequer fazer previsões sem uma grande taxa de incerteza. Erros elementares na administração da moeda e do Estado não são tolerados pela realidade. Mesmo o gigante do Norte não escapará da lei da escassez, como parecia acontecer em algum momento. Estudar história é uma maneira de se preservar dos mesmos erros das gerações que se foram. Não foi isso que se viu, todavia. A arrogância prometéica de novo tomou conta dos governantes. Os graves conflitos bélicos da primeira metade do século XX foram precedidos de graves crises monetárias. Espero que o padrão, pelo menos este, não seja mantido.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Dólar fecha a R$ 2,31, maior taxa desde 2006; Bovespa desaba 4,16% - EXPLICA AÍ SAPO BARBUDO

FOLHA DE SÃO PAULO
EPAMINONDAS NETO da Folha Online - 07/10/2008 - 16h40

O mercado de câmbio superou, nesta terça-feira, as piores expectativas dos profissionais do segmento e bateu a taxa de R$ 2,31, a cotação mais alta desde 31 de maio de 2006. O desânimo dos investidores com a crise mundial, e a falta de moeda na praça, segundo operadores de corretoras, têm encarecido o dólar. Neste ano, o preço da moeda americana já subiu 30%.

Nas últimas operações de hoje, o dólar comercial foi negociado a R$ 2,311 na venda, com forte avanço de 5,14%. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado a R$ 2,400, em alta de 3%.

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) despenca 4,16% e retrai para os 40.348 pontos (pelo índice Ibovespa). O giro financeiro é de R$ 4,74 bilhões. No epicentro da crise, a Bolsa de Nova York cede 3,69%.

Arte Folha Online

"É aquela velha 'corrida de boi' [o efeito manada]. Está muito difícil trabalhar e o mercado está praticamente sem padrão, sem parâmetros", desabafa Cristiano Zanuzo, diretor de câmbio da corretora Renova.

O dólar saltou da casa dos R$ 2,1 para R$ 2,3, sem passar pelo "teste" dos R$ 2,2, uma patamar esperado por operadores de corretoras até ontem. E num ambiente turbulento, enquanto alguns já apontam o dólar a R$ 2,40 como próximo limiar das taxas, outros evitam falar de projeções.

"Não é um problema que está localizado num determinado país ou num determinado continente. É sistêmico e já contaminou todo mundo", avalia Ideaki Iha, profissional da corretora Fair, que evita em falar de preços para a moeda americana. "O mercado trabalha com base na confiança e nós estamos justamente numa crise de confiança entre os bancos", acrescenta.

Jonathan Ernst/Reuters
Ben Bernanke, do banco central americano, sugeriu mudanças na política monetária
Ben Bernanke, do banco central americano, sugeriu mudanças na política monetária

O Banco Central brasileiro já realizou dois leilões para tentar deter a escalada do câmbio, mas que não surtiram efeito. Por volta das 11h, o BC ofereceu mais de US$ 2,2 bilhões em contratos de swap cambial, o que funciona como uma operação de venda de dólar no mercado futuro. A demanda ficou abaixo da oferta e o mercado tomou pouco mais de US$ 1 bilhão. E pouco depois, às 15h11, o BC anunciou um leilão de venda de dólar com compromisso de recompra em 30 dias, no montante de US$ 1 bilhão.

Corretores de câmbio se queixam que o mercado está com falta de liquidez, e operações compra e venda são fechadas a "preços absurdos". A crise internacional, e os efeitos já sentidos até o momento no país, com o fechamento das linhas de crédito externo, tem servido de combustível para disparar as taxas. Nos bancos, as tesourarias abriram fortemente os "spreads" --a diferença entre o preço de compra e venda-- numa manobra tipicamente defensiva em momentos de crise.

EUA

O presidente dos EUA, George W. Bush, afirmou hoje que está confiante na eficácia do pacote de resgate financeiro de US$ 700 bilhões e prometeu que "o que for necessário será feito" para deter a crise. "As pessoas precisam se dar conta de que a crise representa um problema sério não só para os EUA, mas para o mundo inteiro", disse.

Pouco antes, o titular do Federal Reserve, o banco central americano, Ben Bernanke, havia sugerido mudanças na política monetária, o que foi interpretado como uma indicação de que a taxa básica de juros --hoje, em 2% ao ano-- sofrerá cortes, de modo a estimular o consumo e investimentos.

Essa percepção foi reforçada devido com a ata do Federal Reserve divulgada hoje, mas relativa à reunião do dia 16 de setembro. Na ata, os dirigentes do BC americano já consideram o relaxamento da política monetária num cenário de piora das turbulências financeiras.

Juros futuros

O mercado futuro de juros, que serve de referência para as tesourarias dos bancos, não mostrou tendência única nas taxas projetadas para 2009, 2010 e 2011.

No contrato com vencimento em janeiro de 2009, a taxa projetada foi mantida em 14% ao ano; no vencimento de janeiro de 2010, a taxa projetada cedeu de 14,54% para 14,49%; e no vencimento de janeiro de 2011, a taxa prevista foi conservada em 14,44%.

A FGV (Fundação Getúlio Vargas) revelou hoje que a inflação de setembro, medida pelo IGP-DI, teve variação de 0,36% ante deflação de 0,38% em agosto. Analistas do mercado financeiro estimavam inflação entre 0,28% e 0,30%.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

MENTIRA ECONÔMICA

Do portal do NIVALDO CORDEIRO

08/09/2008

Os jornais de hoje anunciaram que o Tesouro norte-americano vai injetar US$ 200 bilhões para garantir hipotecas de bancos quebrados, a pretexto de proteger a economia. É sempre assim, a cada instante de perigo trazido pela existência o Estado, arvorando-se uma suposta razão científica em Economia, estende suas garras ameaçadoras, a pretexto de eliminar os perigos sistêmicos. O único perigo sistêmico é próprio Estado, que no momento representa o máximo perigo para humanidade, em escala global. Devora o mais precioso dos bens: a liberdade.

Essa decisão coroa um processo de agigantamento estatal nos EUA que se prolonga desde o início do século XX – sempre para sua proteção (do pagador de impostos de lá) – e episodicamente interrompido pelo governo Reagan que, no entanto, não logrou revertê-lo. Mesmo as administrações dos Bush pai e filho o processo de alargou. O fato é que a economia norte-americana vive a falsa prosperidade financiada pela inflação e a crise das hipotecas é apenas o início de um ajuste necessário. Ao intervir diretamente, impedindo a quebra das instituições o Tesouro legará como saldo desse processo tão somente o adiamento do ajuste. Entretanto, o ogro estatal resultará mais forte e mais ameaçador.

Veja, caro leitor, que nenhum instrumento político delegou tal poder de intervenção. Essa é uma ação voluntarista da burocracia estatal, obviamente apoiada pelo estamento político, interessado em realizar negócios e transferir grandes estoques de riquezas para suas esferas de influência. O processo é muito parecido com o que vimos por aqui, com o Proer. Bem sabemos o custo dessa engenharia financeira: alguns pontos percentuais de elevação da participação da carga tributária no PIB, em caráter permanente e dificilmente reversível. A liberdade desapareceu entre nós na mesma proporção, devendo acontecer o mesmo nas terras do Tio Sam.

Essa é a grande mentira, a de que o Estado pode ser capaz de eliminar os riscos inerentes à existência. Quer sanar todos, dos riscos do tabaco aos do porte de arma de defesa pessoal e acaba por ser ele, o Estado, o grande risco. Nos EUA a chance de um homem negro, por exemplo, tornar-se um prisioneiro das masmorras estatais é altíssimo. Na verdade, de qualquer homem. Para proteger os homens dos riscos da existência o sistema legal está se tornando uma gigantesca prisão, que se torna literal para um número cada vez maior de pessoas.

Nenhuma proteção pode ser dada pelo Estado que não seja temporária e artificial. Toda proteção estatal é privilégio moralmente insustentável. Manter bancos falidos como se estivessem em boa situação financeira é um erro. Manter valorizadas hipotecas insolventes também. Investir é antes de tudo um ato de assumir riscos e toda gente sabe disso. E o risco torna-se sempre fatalidade para alguns. O Estado não pode eliminar essa realidade imediata.

A conclusão é que mesmo o país que tem sido referência mundial em matéria de práticas liberais nega essa condição, a cada dia que passa. Tornou-e o paraíso do politicamente correto, uma nação policialesca que nega aos seus próprios cidadãos a espontaneidade tão vital como a alegria de viver. É um fenômeno universal, a Europa já está assim de há muito e o Brasil também.

O Estado não tem os meios para eliminar os riscos vitais, sejam eles de que ordem forem, desde um esquadrão suicida islâmico até um crise econômica conjuntural. Viver é correr perigo, viver é muito perigoso. Acreditar que essa realidade imediata possa ser modificada pelos burocratas estatais é completa loucura. Está sendo dado mais um passo na direção do coletivismo no país que deveria dar o exemplo na direção contrária. Algo a se lamentar profundamente.

Proteger empresas quebradas é a maior de todas as mentiras econômicas.

A CRISE FINANCEIRA

Do porta FAROL DA DEMOCRACIA REPRESENTATIVA
Nivaldo Cordeiro, Economista, 24/09/2008

“Se a canoa não virar, eu chego lá.”
Emilinha Borba





Se o negócio era tão bom, porque não foi tentado antes? A velha pergunta que os caipiras do interior se faziam cabe como uma luva para se tentar entender a maneira como o governo Bush está tentando enfrentar a crise que se instalou nos últimos dias. A solução aventada é uma só: estatização das perdas. Ora, se era assim tão fácil, porque a ciência econômica e a ciência política não reconhecem como legítima e necessária uma ação assim? Certo, o marxismo e o keynesianismo é que propõem essas ações, mas as pessoas sensatas, no poder, ignoram-nas enquanto podem. São os falsos ramos da ciência. Nos momentos de crise é que esses facilitários são considerados e implementados, em total perda da razão.

A história econômica desde o século XX tem sido esse duelo entre a racionalidade e a suposta facilidade proposta pela estatização. A cada crise – incluindo aquela de 1929, paradigma da crise atual – o que temos visto é o paulatino agigantamento do Estado, pelo lado da receita, da despesa e da regulação da vida prática. É como se nos momentos de crise a ciência perdesse relevância, entrando em seu lugar o sonho gnóstico de que é possível a salvação nesse mundo.

Numa palavra, é como se fosse dado ao homem, usando o instrumento do Estado, a capacidade de eliminar os riscos e os perigos da existência. O Estado e sua enorme burocracia propõem-se a reinventar a realidade, supostamente produzindo uma saída pela esquerda, de forma indolor. O máximo que têm conseguido é adiar os ajustes.

Há décadas a mágica da expansão econômica impulsionada pela inflação foi apresentada como algo normal e desejável. Os preços dos imóveis e dos ativos em geral foram inflando, até contaminar as commodities (o preço estratosférico do petróleo é apenas o rebento mais visível do processo). Chegado o momento do ajuste, vez que a expansão inflacionária tem limites claros, vem a burocracia estatal propor mais do mesmo: mais inflação em troca do adiamento e mesmo a superção indolor da crise. É claro que não vai dar certo, não pode dar certo. Se o negócio era tão bom, porque não foi tentado antes? Porque é irracional e imoral a ação de salvamento. Simples assim.

O problema é que as sociedades de massas atuais estão viciadas em chamar o Estado como se fosse uma panacéia, sempre que a situação fica crítica.

O novo Baal está sempre disponível e sua burocracia fica permanentemente produzindo fórmulas teóricas de auto-justificação, supostamente científicas, para fazer seu próprio agigantamento. Foi assim que adentramos ao século XXI, com as economias cobrando algo em torno de 40% do PIB em impostos, exceto a norte-americana, que usa mais do que ninguém da válvula do endividamento público e da emissão inflacionária para a cobertura do déficit estatal gigantesco. A presente crise é aguda porque está impondo o reconhecimento de que a realidade do gasto público nos EUA é muito grave e que o atual nível de déficit é insustentável.

Uma das conseqüências inevitáveis da crise será a elevação dos impostos. É possível que nos próximos anos a taxa de tributação dos EUA seja alinhada com aquela verificada na União Européia.

Obviamente que a crise tem conseqüências reais, além daquelas verificadas na esfera econômica. A fragilidade estratégica é uma delas. Hoje a saúde financeira dos EUA depende da boa vontade de inimigos como a China e a Rússia, detentores de grandes superávits em dólares. Esses países podem ser cooperativos, mas agora depende deles o que vai acontecer. Se finanças podem ser usadas como arma de guerra, nunca a conjuntura foi tão propícia para um conflito assim.

O Ocidente nunca se encontrou em fragilidade tão grande.

Na prática, o que se verifica é a interdependência. Uma eventual derrocada da economia doméstica dos EUA é literalmente a derrocada do mundo. Todos perderiam. A pergunta é: valeria a pena acabar com o reinado estratégico dos EUA, mesmo ao preço de alguns anos de grave crise? Talvez valha, tudo é uma questão da análise de quem sairá vencedor dessa suposta guerra. O fato real é que algo assim tornou-se possível e bem próximo de todos. Ninguém escaparia da catástrofe de uma derrocada econômica, com todas as implicações e conseqüências previsíveis, inclusive no plano militar.

Em conclusão, pode-se dizer que a saída irracional das limitações da realidade econômica – inflação e mais estatização – são simples torniquetes para estancar hemorragias grandes. Não resolvem o problema. Torniquetes não servem para curar a sangria de um membro amputado. É aguardar os próximos movimentos, que os R$ 700 bilhões do Bush ainda ficaram no plano das intenções. Tempos de grandes perigos.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Má notícia para os urubus: o “Império” sobreviverá - Final

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por João Luiz Mauad em 01 de abril de 2008

Resumo: Inversamente ao que prevê o wishful thinking antiamericanista, portanto, será preciso muito mais do que uma crise de hipotecas para colocar uma economia daquele tamanho e complexidade de joelhos.

© 2008 MidiaSemMascara.org

Falemos um pouco de desemprego. O quadro abaixo mostra os volumes de pedidos de seguro-desemprego – média móvel de 4 semanas – desde 2001 até hoje. A análise deste quadro mostra claramente que, ainda que os pedidos tenham aumentado durante 2008, eles ainda estão em níveis muito inferiores àqueles de períodos recessivos. Segundo os padrões estatísticos dos EUA, não se poderia falar em recessão enquanto o volume semanal de novos pedidos não alcançar a marca de 400.000.

Peguem agora os dois gráficos abaixo, que mostram o volume de empréstimos do setor bancário, desde 2005 até agora, tanto para os setores comercial e industrial, como para o consumidor. Reparem que a tendência é de crescimento quase ininterrupto durante todo o período analisado.

Ora, considerando que o crédito à produção e ao consumo é o combustível da economia e, por conseguinte, da geração de riqueza, seria prudente falar em recessão, pelo menos num horizonte de curto prazo?

Se todos os dados acima mencionados parecem indicar que a economia americana ainda não está em recessão, o histórico dos ciclos econômicos nos mostra que ela virá, alguma hora, no futuro. Quando isso ocorrer, no entanto, ao contrário do que gostam de pregar os adeptos da escatologia econômica, que – como o ministro Mantega e o presidente Lula da Silva – já falam numa crise semelhante à de 1929, não se prevê nada muito duradouro.

Como mostram os quadros abaixo, a duração dos períodos recessivos da economia norte-americana vem caindo regularmente, desde o início do século XX. Vejam que, de 1900 a 1926, os americanos permaneceram 44,4% do tempo sob recessão. De 1927 a 1954, a prevalência de períodos recessivos caiu para 28,6% do tempo, chegando a 20% entre 1955 e 1982. Nos últimos 25 anos, apenas 5,3% do tempo a economia mais próspera do planeta esteve em recessão.

De fato, a economia americana tornou-se sempre mais estável ao longo do tempo (veja gráfico abaixo). Reparem que, a partir da década de 1950, as flutuações de crescimento e declínio do produto interno bruto daquele país se deram de forma bem mais suave que na primeira metade do século e, mesmo nos períodos considerados recessivos, as flutuações negativas foram muito menos abruptas.

Só o tamanho e a pujança da economia americana, com seu PIB hoje próximo dos 14 trilhões de dólares, distribuídos de forma amplamente diversificada pelos setores agrário, industrial, de serviços, financeiro e de tecnologia, dentre outros, proporcionam um elevado grau de estabilidade, como que vacinando-a contra as pressões recessivas.

Inversamente ao que prevê o wishful thinking antiamericanista, portanto, será preciso muito mais do que uma crise de hipotecas para colocar uma economia daquele tamanho e complexidade de joelhos. Ainda que Perry e outros estejam errados, e tenhamos realmente uma recessão em 2008, no longo prazo a economia dos EUA continuará em sua trajetória de prosperidade, pois, com recessão ou não, ela ainda será a maior geradora de riquezas, prosperidade e trabalho da História.

Leia também Má notícia para os urubus: o “Império” sobreviverá - I

terça-feira, 25 de março de 2008

Má notícia para os urubus: o “Império” sobreviverá - I

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por João Luiz Mauad em 25 de março de 2008

Resumo: A economia americana está em recessão? Muita gente acredita que sim, e alguns mais afoitos já falam até no “fim do Império”

© 2008 MidiaSemMascara.org

"I know we are supposed to be in a recession since Warren Buffett said so, but the data refuse to fully cooperate"

(James Pethokoukis, US News & World Report)

A economia americana está em recessão? Muita gente acredita que sim, e alguns mais afoitos já falam até no “fim do Império”. Bobagem! Mais uma vez, eu estou com os céticos. Um deles é o economista Mark. J. Perry, professor de finanças na Universidade de Michigan e editor do excelente blog CARPE DIEM.

Segundo ele, a economia americana está forte e estável, e deve continuar expandindo-se – embora a taxas menores que no passado recente – durante o próximo ano. Para fundamentar sua opinião, Perry cita o National Bureau of Economic Research - NBER, órgão oficial de pesquisas econômicas dos EUA (sucedâneo do nosso IBGE). Para espanto de muitos, diz ele, o NBER não baseia suas análises em quaisquer dos elementos atualmente em voga na grande mídia, como a crise das hipotecas, o câmbio desvalorizado, as retomadas de imóveis, os índices da bolsa de valores ou preço do petróleo.

As únicas variáveis que realmente importam para determinar se há uma recessão em andamento – ou não – são os salários pagos aos trabalhadores, os níveis de produção (principalmente industrial), a atividade comercial (consumo), e as requisições de auxílio-desemprego. De acordo com dados disponíveis, nenhuma dessas variáveis mostra que um quadro recessivo esteja em andamento. Vamos conhecer algumas delas:

Antes de mais nada, uma rápida análise nos dados de crescimento agregado da economia americana, desde 2000 até 2007.

O crescimento real do PIB no segundo e terceiro trimestres de 2007 foi de 3,8% e 4,9%, respectivamente, tendo caído para 0,6% no último trimestre daquele ano. Esse último indicador é o pano de fundo da maioria das análises que indicam ali o início de uma provável recessão.

Porém, se olharmos a coisa com um pouco mais de cuidado, o primeiro dado que nos chama a atenção é que o número do terceiro trimestre foi muito grande para os padrões de 1º mundo (4,9%) e, portanto, era presumível que houvesse uma desaceleração no período seguinte, como, de fato, ocorreu.

No entanto, se compararmos o desempenho do 4º trimestre de 2007 com o mesmo período de 2006 (e fizermos o mesmo para todos os demais períodos anteriores), veremos que o bicho não é tão feio quanto parece. Neste caso, o crescimento foi de 2,5% (veja quadro acima), algo bem diferente dos 0,6% em relação ao trimestre anterior. É preciso notar que, por motivos óbvios, as taxas de crescimento de trimestre a trimestre serão sempre mais voláteis do que as anuais e, por conseguinte, sempre mais enganosas.

Reparem também que a tendência verificada durante quase todo o ano de 2007 não guarda qualquer similaridade com a verificada em 2001 (ano da última recessão), ou mesmo em 2000 (ano imediatamente anterior).

No último dia 17, veio a notícia de que a produção industrial de fevereiro havia caído 0,5% em relação a janeiro, o que causou enorme apreensão nos mercados. O que quase ninguém disse foi que, em relação ao mesmo período do ano anterior, houve mesmo um crescimento de 1%. Reparem no quadro acima os níveis de crescimento mensal da indústria durante o último período recessivo, em 2001. É evidente a diferença entre o que aconteceu naquele período e o que temos hoje.

Prestem atenção agora no gráfico seguinte, que mostra a evolução anual das taxas de crescimento da indústria americana, numa perspectiva de mais longo prazo, pegando o período desde 1990 até 2008:

Calculada relativamente ao mesmo mês do ano anterior, janeiro de 2008 marcou o 55º mês consecutivo de crescimento positivo da produção industrial. Isto quer dizer que a última vez em que esta taxa esteve no terreno negativo foi em junho de 2003 (e mesmo assim apenas por um mês), mais de 4 anos atrás.

O crescimento durante todo o ano de 2007 esteve abaixo da média de 2,9%, é verdade, possivelmente indicando alguma redução nos níveis de produção. Porém, certamente esta redução é muito diferente daquelas ocorridas em períodos de comprovada recessão (veja as áreas marcadas no gráfico, em 1990/91 e 2001 respectivamente). Outro dado que parece demonstrar que não há uma recessão no horizonte é a tendência “para cima”, verificada desde meados de 2007.

Segundo dados do Departamento de Comércio divulgados recentemente, os novos pedidos para bens duráveis em dezembro de 2007 subiram 5,2%, contra uma expectativa do mercado de apenas 1,6%. Esse foi o segundo aumento consecutivo. Os pedidos de bens duráveis são um sinal claro, segundo Perry, de que a economia americana encontra-se hoje mais forte do que há um ano, estando longe de uma recessão. Reparem no gráfico acima que houve um forte declínio nos pedidos de bens duráveis não só durante, como também nos meses anteriores e mesmo posteriores à última recessão, em 2001.

O gráfico acima mostra o desempenho anual das vendas no varejo em relação ao mesmo mês do ano anterior (média móvel de 6 meses). Vejam que a tendência dos últimos 9 meses é ascendente e não se parece em nada com a tendência declinante verificada durante e depois da último período recessivo (área escura).

wibiya widget

A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".