Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.
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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

‘Tropa de elite’ de Rodney tumultuou ação da PM na detenção de sargentos



No episódio da detenção do sargento Heber Valêncio (foto), o então subsecretário de Segurança, Fernando Francischini, fomentou desrespeito de militares subalternos a oficiais.


Da Redação
Foto capa: Arquivo SD

Está repleto de inverdades e mistificações o relato de Carlos Eduardo Lemos e Rodney Miranda, no livro “Espírito Santo”, sobre a passagem da equipe do coronel Marcos Aurélio por um posto de gasolina de Cariacica, quando conduzia o sargento Heber Valêncio. Os autores usaram o tumulto ali provocado com o incentivo do então subsecretário de Segurança, Fernando Francischini, como pretexto para muito depois insinuar, sem conseguir apresentar uma única prova, que haveria cumplicidade entre o oficial, então diretor adjunto da Divisão de Inteligência da PM, e Heber Valêncio.

Pouco antes desse episódio, Marcos Aurélio conseguira evitar outro espetáculo de arbitrariedades e exibicionismo, este comandado pelo capitão Renato Cristianes Lacerda, também integrante do grupo que se convencionou chamar “tropa de elite” de Rodney Miranda. Sem o conhecimento do comando do 4º Batalhão da PM, Renato Cristianes mobilizara uma força armada daquela unidade, fazendo também presente uma equipe de repórteres, nas cercanias da residência do sargento Heber Valêncio. Neste, como também no caso do posto de gasolina, a intenção dos auxiliares de Rodney era fazer da prisão do sargento um carnaval, com o risco de conflitos armados entre colegas de farda e situações constrangedoras para a imagem pública da corporação, não tinha mandado de prisão nem de busca e apreensão. Legalmente nada poderiam fazer.


Mas Marcos Aurélio agiu prontamente, ordenando a retirada da tropa do local e assumindo, ele próprio, a missão de deter o sargento, determinando que ele o acompanhasse. O que fez em seguida, marcando com ele, pelo telefone celular, um encontro em frente ao supermercado Champion, em Cariacica, para apresentação espontânea do sargento, que se tivesse culpa no caso não compareceria ao encontro, muito menos levaria consigo a arma que Lumbrigão roubara do juiz Alexandre e supostamente lhe confiara.


Com Valêncio sob sua guarda, Marcos Aurélio – acompanhado na missão pelo subtenente Boa Ventura Fagundes, da P2 do 4º BPM, que o ajudara na localização do detido – atendeu a um pedido deste para ser levado à presença de sua esposa, que trabalhava num posto de gasolina na beira da estrada em que passavam dirigindo-se à Sectretaria de Segurança. Valêncio. queria simplesmente comunicar à esposa o que estava lhe acontecendo. Nada mais que isso. Entretanto, no livro “Espírito Santo”, esse fato ganhou dimensões de conspiração, de conluio entre o detido e o coronel. Não há preso sem mandado de prisão escrito e assinado, e sem estar em flagrante. Relata o livro que “quatro policiais que estavam no local, sob o comando do cabo Adauto, e que sabiam que Heber estava sendo procurado, o identificam. Estranham que ele circule pelo posto, livremente. Aproximam-se e o flagram ao lado de um balcão tomando café, no bar do posto, e conversando com o tenente-coronel Áureo Macedo Carmelo – que portava uma pistola ponto quarenta de cor preta, aberta, ou seja, com o ferrolho rebatido para trás, não municiada – portanto, inepta para pronto emprego – e segurava um carregador da pistola na outra mão”.


Admitindo como verdadeira a informação de que os tais quatro policiais estavam no local por puro acaso, cabe perguntar o que o livro não esclarece: que faziam eles ali? Isto vai ficar claro mais adiante, quando falarmos do principal personagem desse episódio, o então subsecretário de Segurança, o agente de Polícia Federal Fernando Francischini. Há outra informação mentirosa no livro que a presença de Francischini igualmente clareia: Adauto disse não saber que o oficial nomeado no livro como “Áureo Macedo” era um tenente coronel de sua corporação. Se realmente não soubesse dessa condição do oficial, por que assistiu, então, passivamente à cena em que ele supostamente manuseava duas armas de fogo na companhia de um sargento que estava sendo procurado pela polícia?


É evidente que Adauto sabia que Valencio estava sendo conduzido pelo diretor adjunto da Dint. Também evidente é o fato de que ali ele se encontrava por ordem de Francischini, que chefiava os homens da tal “tropa de elite” de Rodney, da qual faziam parte Adauto e seus homens. Segundo o livro, Adauto, ao saber que estava diante de um oficial superior, telefonou para Francischini, relatou os fatos e disse que também estava presente no posto o sargento Ranilson Alves da Silva. Então, recebeu do subsecretário a ordem de que Ranilson também deveria ser preso. Ranilson estava acompanhando Valencio espontaneamente. Os dois são amigos e serviam no mesmo batalhão. Convidado pelo coronel Marcos Aurélio, Ranilson também o acompanhou espontaneamente.


O livro omite o fato mais grave ocorrido nesse episódio. Foi quando Adauto apontou sua pistola para a cabeça de Valêncio e deu-lhe voz de prisão, ouvindo do sargento a informação de que já estava detido sob a guarda do coronel Marcos Aurélio. Para que apontar uma arma de fogo para a cabeça de um colega de farda, já desarmado? E dar voz de prisão a um sargento, sendo ele, Adauto, um cabo? Isto só se explica mesmo como intenção de criar um grande tumulto e provocar no local riscos de um confronto armado, de conseqüências imprevisíveis. Mas esse detalhe do uso desnecessário de uma arma de fogo pelo cabo Adauto – provado sobejamente na documentação a respeito – foi solenemente ignorado pelos autores do livro.


Para refrescar a memória de quem acompanha o caso, convém recordar que o agente Francischini (é muito estranho que o segundo homem da Secretaria de Segurança não tivesse qualificação profissional para ser o segundo homem em qualquer unidade da Polícia Federal) veio a protagonizar, tempos depois, o episódio dos grampos ilegais pelos quais a Polícia Civil capixaba fora responsabilizada, na gestão de Rodney. Episódio que se transformou em escândalo nacional, quando se descobriu que um dos grampos atingira em cheio a privacidade dos profissionais e da direção da principal rede de comunicação do Estado, a Rede Gazeta. Uma CPI foi instalada na Assembléia Legislativa para apurar os fatos, mas teve seus trabalhos torpedeados pelo governo do Estado. Tudo o que foi apurado desapareceu dos anais da CPI. Por causa dos grampos, Rodney caiu – foi trabalhar em Pernambuco – e com ele também desabou o sub-reinado de Francischini no Espírito Santo. Agente da Polícia Federal, ele voltou para Brasília, de onde viera trazido por Rodney, que, como se sabe, é delegado federal.


Esse pequeno histórico sobre a dupla Rodney-Francischini esclarece muita coisa do episódio no posto de gasolina. Já naquela época, portanto, Francischini andava mexendo nos botões do Guardião, equipamento de escuta telefônica da Secretaria de Segurança usado no escândalo dos grampos ilegais. Nas ações que comandou por determinação de Rodney, esse funcionário federal fez largo uso do grampo, o que explica a presença da “tropa de elite” no posto de gasolina quando lá pararam Marcos Aurélio, sua equipe e o detido Valêncio. Francischini estava monitorando os passos do coronel Marcos Aurélio e deles deu ciência ao cabo Adauto e seus homens.


Como já foi dito no início desta série, os autores do livro mentem, inventam, distorcem e deturpam a realidade. No relato desses fatos envolvendo o coronel Marcos Aurélio, eles ultrapassaram todos os limites do absurdo e invadiram o movediço terreno da calúnia, da injúria e da difamação. Por isso é que estão sendo processados judicialmente e denunciados com base no Código de Ética do Executivo estadual pelo atual corregedor da Polícia Militar.


Nas suas ações em defesa da própria honra e da dos policiais militares vitimados por Carlos Eduardo e Rodney, o corregedor da PM vai usar documentos que não deixam de pé uma única assertiva dos autores no seu livro “Espírito Santo”. Uma das principais peças de sustentação das denúncias do oficial – senão a principal – é o resultado do Inquérito Policial Militar (IPM) conduzido pelo coronel Jonas de Brito Silva e que mereceu despacho favorável do então comandante da corporação, coronel Luiz Carlos Giuberti, em 27 de janeiro de 2005.


Depois de historiar, em resumo, o que foi levantado no IPM, o comandante resolveu:


“ – Concordar e acolher em todos os termos o relatório e o parecer do Oficial Encarregado do IPM, já que, analisando detidamente o Inquérito, que conta com 07 volumes e 1.290 páginas, não subsiste qualquer elemento que testifique as condutas imputadas ao TEN CEL MARCOS AURÉLIO CAPITA DA SILVA, de maneira irresponsável por parte dos Militares CB PM ADAUTO LUIZ DE SOUZA e SD PM HÉLIO ZEFERINO DE SOUZA. Não obstante o cotejo dos elementos obtidos com a investigação, faz crer que houve uma certa orquestração por parte de agentes públicos mal intencionados, os quais pretendiam desacreditar Oficiais e a própria Corporação, tudo com respaldo, infelizmente, de Militares da própria Polícia Militar, já que as fls 1.271 a 1.224, subsiste cópia de documentação oriunda da Polícia Federal, onde se verifica que no dia 24-03-2003, o SD PM WAGNER WELLINGTON DE SOUZA LIMA prestou declarações ao DELEGADO ANDRÉ LUIZ CUNHA PEREIRA, fazendo acusações de que Oficiais da Corporação estariam forjando provas em inquéritos para prejudicá-lo e aos militares CB PM REF. ADAUTO LUIZ DE SOUZA e CB PM CLÁUDIO HACKBARTH AZAMBUJA DA SILVA, sendo que, embora a insistência do Encarregado do IPM em conseguir cópia legível da documentação atinente ao fato, não obteve qualquer resposta por porte daquele Delegado, motivo pelo qual esse Comandante resolve determinar a instauração de outro IPM para apurar especificamente esse caso, inclusive para que o novo Encarregado, se necessário, solicite à Justiça acesso às informações.


2 – Determinar a instauração de Processo Administrativo Disciplinar em desfavor dos Militares CAP PM RENATO CRISTIANES LACERDA, CB PM REF. ADAUTO LUIZ DE SOUZA, CB PM SALVADOR GONÇALVES BASTOS E SD PM HÉLIO ZEFERINO DE SOUZA.


3 – Remeter cópia das peças necessárias ao Ministério Público Federal para fins de análise quanto à conduta do Agente de Polícia Federal FERNANDO DESTITO FRANCISCHINI.


4 – Encaminhar também cópia das peças necessárias ao Departamento de Polícia Federal para fins de apreciação administrativa das irregularidades apontadas pelo Encarregado do IPM na conduta do Agente de Polícia Federal FERNANDO DESTIDO FRANCISCHINI.


5 – Remeter os autos ao MM Dr. Juiz Auditor da Justiça Militar Estadual, na forma da legislação em vigor.


6 – Remeter cópia do Relatório e de Solução ao Cel PM Diretor de Inteligência da Polícia Militar.


7 – Publicar a presente Solução em Boletim Reservado do Comando Geral (BRCG).


8 – Arquivar cópia do Relatório e da Solução na C/4 da Corregedoria, para futuras consultas.


9 – Registrar que o comportamento dos Militares indiciados não está amparado na Lei Complementar número 166/99. visto que o evento não configurou atendimento de ocorrência.”



Na próxima edição, o desmonte de outra farsa contida no livro: a apreensão da arma furtada do juiz.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Autores do livro ‘Espírito Santo’ mentem, inventam, distorcem e deturpam realidade



Sentindo-se “gravemente caluniado”, o corregedor da PM, coronel Marcos Aurélio Capita da Silva, resolveu mover processos contra Carlos Eduardo Lemos e Rodney Miranda (fotos).


Da Redação
Foto capa: Ricardo Medeiros/Arquivo SD

São duas as ações movidas pelo coronel Marcos Aurélio contra o juiz Carlos Eduardo Lemos e o secretário estadual de Segurança, Rodney Miranda. O primeiro atuou como juiz de exceção do caso Alexandre Martins de Castro Filho e junto com o segundo comandou as investigações policiais com base nas quais os dois montaram a farsa do crime de mando.

Um dos processos a que Rodney e Carlos Eduardo vão responder tem como ponto de partida denúncia ao Ministério Público Estadual (MPE). O outro está sendo encaminhado ao Conselho Superior de Ética do Executivo. Em ambos, o corregedor da PM juntou documentos oficiais que provam serem inverídicas e fantasiosas as afirmações contidas no livro “Espírito Santo” sobre sua participação em dois episódios ocorridos imediatamente após a morte de Alexandre: a prisão dos sargentos Heber Valêncio e Ranilson Alves da Silva e a apreensão da arma roubada do juiz Alexandre.


No livro, o coronel Marcos Aurélio é identificado pelo nome fictício de Áureo Macedo Carmelo de Souza. À época dos fatos ele era tenente-coronel e servia como diretor adjunto da Diretoria de Inteligência (Dint) da corporação. Com sua equipe, Marcos Aurélio entrou no caso ao saber, pelo coronel Adilson Costa Barros, então no comando do Policiamento Ostensivo Metropolitano (CPOM), de que partira da Secretaria de Segurança Pública um pedido de prisão contra o sargento Heber Valêncio, por suposto envolvimento no crime. Heber servia no 4º BPM.


Marcos Aurélio foi então à sede desse batalhão e, com a aquiescência do seu comandante à época, tenente-coronel Robson Luiz Martins Barbosa, de lá saiu, na companhia do subtenente Boa Ventura Fagundes, no livro sob o pseudônimo de Álvaro Cintra, lotado na P2 da unidade, em direção à casa de Valêncio. Fagundes conhecia o endereço de Valêncio.


O que aconteceu então, a partir do momento em que Marcos Aurélio, Fagundes e equipe chegaram às proximidades da residência de Valêncio, virou, na narrativa do livro “Espírito Santo”, uma autêntica fábula, um emaranhado de inverdades que ocupa as 15 páginas do capítulo 2 do livro, intitulado “As peças começam a se encaixar”.


É nesse capítulo que se depreende da narrativa a obsessão com que Carlos Eduardo e Rodney buscaram elementos para engendrar a farsa do crime de mando. Fica evidente nesse texto que Valêncio passaria a ser a principal peça da montagem. Havia a história do apartamento locado com o seu aval no trajeto percorrido pelo juiz Alexandre, de casa à academia de ginástica onde se exercitava e na frente da qual foi morto. O fato – devidamente comprovado por documentos – de o apartamento ter sido alugado seis meses antes de Alexandre matricular-se na academia, o que inviabiliza a versão de que o imóvel funcionara como posto de monitoramento dos passos do juiz, nunca foi considerado pelo policial ou pelo juiz. Muito menos teve qualquer peso nas investigações ou no julgamento de Valêncio o laudo policial que atestava não servir o tal apartamento a essa função, pois de nenhuma de suas janelas se avistava a rua por onde Alexandre passava.


Nada disso importava à dupla Carlos Eduardo-Rodney. E a esse desinteresse somou-se a irritação dos dois pelo fato de o então tenente-coronel Marcos Aurélio ter agido com lisura apego à lei no episódio da prisão de Valêncio, ocorrida num primeiro momento, e de Ranilson, em seguida. Era preciso, para fazer valer a farsa, levantar suspeitas sobre o comportamento isento de Marcos Aurélio no episódio da prisão dos dois sargentos. E é isto o que se vê no livro “Espírito Santo”.


Muito provavelmente não contavam Carlos Eduardo e Rodney que, além de militar correto, o hoje coronel Marcos Aurélio também fosse um oficial zeloso com relação a certas minúcias de seu trabalho. Por exemplo: a organização e a guarda de documentos sobre sua participação no episódio da morte de Alexandre.


Século Diário está de posse de cópias de toda essa documentação, que respalda as ações judiciais do oficial contra seus detratores e vai servir de base para esta nova série de matérias sobre a grande farsa do crime de mando no caso Alexandre.


São mais de trezentas folhas em tamanho ofício, com a nomeação do coronel Marcos Aurélio Capita para a comissão que investigava a morte do advogado Marcelo Denadai pelo então ministro da Justiça, Miguel Reale, cópias de IPMs, despachos oficiais dos escalões superiores da PM, sentenças judiciais, pareceres sobre o estado de saúde mental dos militares que integraram a “tropa de elite” (informal) de Rodney, autos de apreensão de arma e documentos, depoimentos judiciais, boletins sobre situação funcional de todos os personagens envolvidos no caso, boletins de ocorrências policiais, despachos oficiais de autoridades judiciárias e policiais, inquéritos a cargo do Ministério Público (com respectivos resultados), denúncias e procedimentos internos da PM, certificados, diplomas – em suma, um extenso rol de papéis oficiais relativos a fatos que jogam por terra tudo o que Rodney e Carlos Eduardo usaram no livro para denegrir a imagem do coronel Marcos Aurélio.


Se a organização e o ordenamento desse material consumiram uma semana de trabalho da equipe de jornalistas de Século Diário que cobre a farsa do crime de mando, imagine-se a tarefa que terão Carlos Eduardo e Rodney para responder judicialmente pelas inverdades que escreveram e fizeram publicar no livro “Espírito Santo”.


Já na terceira página do capítulo 2 do livro, eles iniciam os ataques ao atual corregedor da PM, atribuindo-lhe algo que ele não fez durante o espalhafatoso cerco que Rodney ordenou fosse montado próximo à casa do sargento Heber Valêncio. Dizem os autores que Marcos Aurélio pôs fim ao cerco ao determinar “a imediata retirada de todos, alegando a falta do mandado de busca e apreensão – apesar de já ter sido informado pelo delegado Jorge Pimenta, da DHPP, que o documento legal estava sendo providenciado”. Tudo mentira.


Quem questionou a falta do mandado de prisão, bem antes, ainda no quartel do 4º BPM, foi o coronel Costa Barros, ao ser cobrado da prisão de Valêncio em telefonema do gabinete de Rodney. Nos autos do IPM aberto pela corporação a respeito, está registrado o seguinte: “Enquanto o TEN CEL PM MARCOS AURÉLIO AINDA ESTAVA NA SEDE DO 4º BPM (...), O CEL PM COSTA BARROS recebeu nova ligação telefônica cobrando a prisão do SGT VALENCIO, onde o Oficial requereu uma cópia do mandado de prisão, sendo informado de que esse “estava saindo”. Seja como for, o TEN CEL PM MARCOS AURÉLIO se deslocou com a equipe da DINT e em companhia do SUB TEN PM BOA VENTURA FAGUNDES até o bairro Araçás, em Vila Velha-ES, onde residia o SGT PM VALENCIO, e ao chegar à casa do Policial já encontrou no local viaturas do policiamento ostensivo do 4º BPM e um carro com repórteres, fato que chamou a atenção do Oficial. O TEN CEL MARCOS AURELIO perquiriu a 2º TEN PM SÔNIA RIBEIRO PINHEIRO, Oficial de serviço na área do 4º BPM sobre o que fazia no local, tendo essa relatado que recebera ordem do CP PM RENATO CRISTIANES LACERDA, através do telefone celular funcional à disposição dos Oficiais de serviço, para que ficasse nas proximidades de uma residência e se preparasse para talvez adentrar o domicílio e realizar uma prisão. As investigações denotaram que o empenho de Policiais do 4º BPM na captura do SGT PM VALENCIO não era de conhecimento do Comandante da Unidade, tampouco do COPOM, setor responsável pelo gerenciamento operacional da Corporação.”


Ou seja, ao chegar ao local, o coronel Marcos Aurélio testemunhou uma autêntica balbúrdia, uma grande confusão para atrair os holofotes da imprensa e, acima de tudo, um indesculpável erro de quem armara aquela cena, pois o que estava acontecendo depunha contra a corporação. A ordem dele para que aqueles policiais deixassem o local teve, portanto, o objetivo de preservar a PM de um escândalo, irresponsavelmente orquestrado pelo capitão Renato Cristianes, então a serviço de Rodney Miranda.


Com a situação voltando à ordem legal, Marcos Aurélio então iniciou a operação de captura do sargento Valêncio, episódio seguinte do capítulo “As peças começam a se encaixar” e no qual Rodney e Carlos Eduardo prosseguem em sua obsessão de montar a farsa do mando tendo como principais suspeitos dois inocentes – os sargentos Valencio e Ranilson – e, como cúmplice (sem apresentar qualquer prova ou indício), o hoje coronel Marcos Aurélio.


A fragilidade das imputações que eles fazem a este oficial está disfarçada no livro com o artifício de um nome fictício para identificá-lo. Mas isso agora é irrelevante, o mal está feito. Leitor algum do livro deixará de fazer a associação entre o personagem “Áureo Macedo Carmelo de Souza” e o atual corregedor da PM.



Na próxima edição, outro show de prepotência e exibicionismo, agora num posto de gasolina.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Carlos Eduardo Lemos montou na Justiça e Rodney Miranda (Secretário de Segurança do Estado do Espírito Santo) executou na polícia

22/9/2009

Da Redação

Denúncia de dois advogados ao CNJ detalha as ações do juiz Carlos Eduardo Lemos e do secretário Rodney Miranda (fotos abaixo) para montar a farsa do crime de mando do juiz Alexandre.

Cavaleiro do Templo: lembra daquele artigo que fala dos assassinatos no Espírito Santo? Aquele em que o Secretário de Segurança Estadual, Rodney Miranda, afirma com outras palavras que "diminuir em menos de 0,3% o número de mortes é um indicativo de que estamos no caminho certo"? Então leia abaixo.


Denúncia de dois advogados ao CNJ, a que Século Diário teve acesso, detalha as ações do juiz Carlos Eduardo Lemos e do secretário (de Segurança) Rodney Miranda para montar a farsa do crime de mando no caso Alexandre Martins de Castro Filho. Segundo a denúncia – dos advogados Último de Carvalho e Leonardo Picoli Gagno, recebida em audiência pública no Tribunal de Justiça do Estado, dia 25 de junho deste ano, pela Corregedoria Nacional de Justiça –, a montagem, apoiada pelo então presidente do Tribunal de Justiça, Alemer Moulin, teve ingredientes de uma grande impostura: vingança, usurpação de funções, juízo de exceção, tortura, edição criminosa de fitas de voz e imagens, ocultação de fatos contidos em depoimentos de testemunhas, busca e apreensão ilegais de material processual, entre muitos outros fatos que transformaram em peças de ficção o inquérito policial e, na sequência, o processo criminal.

A montagem da farsa atendeu a interesses pessoais do próprio Carlos Eduardo, inimigo confesso e notório do juiz Antônio Leopoldo Teixeira (por ele apontado como mandante do crime), e do governador do Estado, Paulo Hartung, que teve seu nome envolvido no caso, livrando-se de figurar no processo por obra de Carlos Eduardo Lemos e do secretário de Segurança, Rodney Miranda.

A Rodney, diz a denúncia, coube a tarefa de usar a tortura, física e psicológica, para arrancar de um dos executores do crime, preso sob a custória do Estado na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a confissão de que agira por encomenda do juiz Antônio Leopoldo. Os denunciantes dizem que essa confissão foi editada em fitas de voz e imagens e está repleta de cortes, indicando terem sido montadas para figurar no processo como prova cabal do mando.

A montagem das fitas aconteceu porque o preso torturado, Odessi Martins, o “Lumbrigão”, apanhando muito e sufocado por saco plástico colocado em sua cabeça, confirmava o que seus interrogadores mandavam e, em seguida, livre por instantes do saco plástico, desmentia tudo. Debaixo de socos e chutes, voltava a confirmar os pedidos dos inquisidores e, quando parava de apanhar, negava tudo. Assim, as fitas, com os cortes dos desmentidos, se transformaram em peças ridículas de um inquérito feito sem obediência a normas comezinhas dos direitos humanos – afirmam os dois advogados.

Foi na polícia, em ação comandada por Rodney, que, com base em confissões arrancadas sob tortura – prossegue a denúncia –, surgiu a história de um tal PCG (Primeiro Comando de Garanhuns), uma suposta organização criminosa da qual fariam parte os executores – além de “Lumbrigão”, Giliarte, o “Gi” (20 anos de idade), Leandro, o “Pardal” (23 anos), e André, o “Yokito” (21 anos).

Para os denunciantes, Rodney e seus auxiliares se inspiraram em fato ocorrido uma semana antes do assassinato de Alexandre Martins de Castro Filho para inventar o tal PCG. Com efeito, na sexta-feira 14 de março de 2003, o juiz Antônio José Machado, em exercício na Vara de Execuções Penais de Presidente Prudente, São Paulo, foi morto por volta das 18,30h, logo após deixar o fórum.

Eis como os denunciantes relatam esse fato em sua denúncia, associando-o ã imaginosa criatividade do secretário Rodney Miranda:

“Ele, o MM Dr. Antônio José Machado, saiu do fórum e trafegava com seu Vectra por uma rua residencial a três quarteirões do Palácio da Justiça, quando foi fechado por um veículo roubado ocupado por dois homens. O que estava no banco do carona disparou e atingiu a cabeça do juiz. O Vectra, desgovernado, subiu na calçada e bateu em uma árvore. O atirador desembarcou do carro roubado e fez outros dois disparos à queima roupa contra o juiz paulista, de forma a assegurar-se do êxito letal da empreitada, fato cuja autoria foi atribuída à organização criminosa paulista PCC – Primeiro Comando da Capital. No dia 24 de março de 2003, o também juiz de Execuções Alexandre sofreu morte violenta no cerco que tentou fazer aos adolescentes que tentavam matá-lo.”

Para mostrar como, sob todos os aspectos, os crimes têm diferenças fundamentais, os dois advogados relatam detalhes importantes – nunca revelados pela mídia corporativa – do que aconteceu naquela manhã de 24 de março de 2003, na movimentada rua de Vila Velha em que o juiz Alexandre Martins de Castro Filho foi morto. Eis o texto deles:

“1 – A abordagem ocorreu na parte da manhã, no local que a vítima roteineiramente freqüentava só à noite. Após o assalto ser frustrado pela reação da vítima, que sacou sua arma e pôs-se a disparar, os dois bandidinhos abandonaram a decrépita e defeituosa motocicleta a eles comissionada por terceiro (que ostentava placa legítima) na qual chegaram ao local e já fugiam, esgueirando-se entre os carros estacionados”.

“2 – Para interceptá-los e ter ângulo de tiro, a vítima, heróica e insensatamente, deslocou-se para o desabrigo indo para o meio da larga avenida, assim expondo-se, e foi dupla e letalmente alvejada à distância. Com a vítima ferida, armada e caída entre os fugitivos e a motocicleta, um deles correu até a vítima e, ante seus estertores, efetuou um único disparo à queima roupa sobre a tatuagem impressa no bíceps do braço esquerdo (não no coração ou na cabeça, zonas efetivas de tiro de misericórdia, “confere”, em casos de morte encomendada), arrecadou a arma usada pela vítima, e juntamente com o outro moleque empurraram a motocicleta até que o motor pegasse, no tranco, porque a motocicleta que ostentava placas legítimas não tinha sistema de partida, nem pedal nem elétrico”.

Esta parte da denúncia se encerra com os dois advogados informando ter sido facílimo para a polícia chegar aos criminosos, ao contrário do que acontece em crimes de mando. Havia, para facilitar o trabalho policial, uma placa legítima como pista, indicando ser a motocicleta de propriedade de André, o “Yiokito”.

Outro fato que derruba a tese do crime de mando: ao ser preso, Giliarde disse ter imaginado que a vítima fosse policial, porque a arma dela subtraída tinha o brasão da Polícia Militar do Espírito Santo.

No item seguinte da denúncia, os dois advogados se reportam a um fato ocorrido dois meses antes do crime, quando Alexandre sofreu outro assalto à mão armada, “também praticado por dois adolescentes, ao qual a vítima, armada, regiu da mesma maneira, igualmente empreendendo caçada àqueles outros jovens ladrões, fazendo disparos de arma de fogo, sem contudo, ferir ou capturar os assaltantes”.

Nesse episódio, Alexandre, depois da perseguição aos dois bandidos, voltou para junto de sua namorada, que o acompanhava na ocasião, e com ela comentou: “Eu poderia ter morrido por esses dois meninos”. Tal declaração foi prestada pela moça no inquérito policial.


Na próxima edição: Uma trama urdida em palácio

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".