Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Auto-explicativo

Os heróis do futuro

MÍDIA SEM MÁSCARA

Do entrevero, do acinte, do deboche, certamente emergirão futuras lideranças, predestinados batalhadores, indivíduos de convicta postura, e dispostos a lutar pelos seus ideais e posições.

Tudo depende do momento. Hoje a “sociedade” se horroriza com a bandalha que se instalou na USP por alguns dias.

São os agitadores travestidos de universitários, alguns tarimbados profissionais da anarquia, ou melhor, são massas de manobra, cabeças feitas por espertos intelectuais, que afrontam a tudo e a todos por seus direitos. Deve ser o direito ao caos.

Mas recordem, vivemos um momento em que a preocupação com o direito pretere a tudo. Sobre os deveres, nem tocar.
Imaginem, quando estivermos vivendo sob a égide da anarquia ou da liberação total do uso de drogas, pois cada um é dono de si, como serão cultuados os jovens que hoje, mascarados, invadem instalações, depredam o bem público, e são corajosos para afrontar os agentes da ordem pública?

Ah, seguiram a cartilha do MST? Quem sabe.

Do entrevero, do acinte, do deboche, certamente emergirão futuras lideranças, predestinados batalhadores, indivíduos de convicta postura, e dispostos a lutar pelos seus ideais e posições.
E contam com o apoio de determinadas entidades, tanto que elas já levantaram os recursos para libertação dos novos guerreiros.

Provavelmente, assistimos ao nascimento de FUTUROS HERÓIS.

Um voto de louvor aos intransigentes, pois agregaram ao seu cabeludo currículo, a palavra de ordem “a baderna acima de tudo”.

Na universidade serão respeitados, citados, amados, cultuados e admirados. Percebam que hoje, grupos de universitários se manifestam na frente da Universidade em apoio aos pândegos presos.

Quanto ao apoio ou à complacência da sociedade, será uma questão de tempo.

Passado o primeiro momento, hábeis advogados estarão às portas da justiça desenrolando o carretel de atrocidades que o aparato policial desencadeou contra seus inocentes jovens idealistas.

A começar pela agressão, que como num pesadelo, na calada da noite, adentrou nos sonhos dos desordeiros, para expulsá-los de seu merecido sono.

Esperamos que os indignados não clamem por ridículas medidas, como a expulsão dos baderneiros, nem na indenização para ressarcir a depredação, que poderia ser da responsabilidade de cada um e, quem sabe, de 20 ou 30 % para o seu, ou seus líderes.

Blasfêmia, tal penalização nunca ocorrerá.

Que ninguém duvide, ali, na USP, nasceu, nesta semana, uma nova chusma de líderes, e quando eles voltarem será um Deus-nos-acuda, pois serão impiedosos, e serão indenizados, e contarão suas historias de sacrifícios, de como se agarraram aos seus princípios, com coragem e determinação, e todos, de curta memória, diremos amém.
Brasília, DF, 09 de novembro de 2011.
 
Valmir Fonseca Azevedo Pereira é general de brigada (reformado).

DIPLOMATA REVELA QUE CÂNCER DE CHÁVEZ AVANÇA MUITO RÁPIDO E MÉDICOS LHE DÃO POUCO MAIS DE 6 MESES DE VIDA

ALUIZIO AMORIM
Quinta-feira, Novembro 10, 2011


Chávez em solenidade no último domingo. Clique s/ a foto p/ ampliar

O câncer que ataca o ditador Hugo Chávez está evoluindo com mais velocidade do que se esperava e seus médicos temem que lhe reste poucos meses de vida, disse nesta quarta-feira o embaixador dos Estados Unidos ante à Organização dos Estados Americados (OEA), Roger Noriega, citando fontes confiáveis dentro do governo venezuelano. 
"A equipe internacional de médicos encarregados do tratamento do câncer que acomete Hugo Chávez não espera que possa sobreviver mais de seis meses",  afirmou Noriega numa coluna de opinião intitulada A Grande Mentira ede Hugo Chávez e a Grande Apatia de Washington, publicada no portal de internet do InterAmerican Security Watch.
"Fontes que me tem proporcionado informação privilegiada e documentos desde dentro do regime da Venezuela indicam que o câncer de Chávez evolui mais rápido do que era esperado e poderia causar sua morte antes das eleições presidenciais em outubro de 2012", acrescentou o diplomata americano. Leia MAIS - en español

Invada a reitoria você também!

MÍDIA SEM MÁSCARA

Você é a favor das drogas? É contra a polícia no campus? Não tem mais o que fazer? Ótimo!
Participe da próxima invasão de reitoria e incremente o seu portfólio de militante.
O pacote inclui: manchetes e fotos de primeira página em todos os jornais, fotogalerias nos sites jornalísticos, vídeos no youtube, repercussão nas redes sociais, reportagens benevolentes na TV Globo, depoimento solidário ("Não se pode tratar a USP como se fosse a cracolândia") do Ministro da Educação e pré-candidato petista à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad - e muito mais!
Em especial: a foto da vitória! Todos unidos na saída da delegacia exibindo o documento de liberação após o pagamento da fiança de R$ 545! Fiança paga, é claro, com o dinheiro público dos nossos sindicatos, entidades e movimentos sociais, que cuidam de todas as despesas pra você, incluindo os advogados. Isso mesmo: ninguém precisa chamar o papai!
Venha! Traga o seu capuz. Traga o seu baseado. Traga o seu galão de gasolina e o seu coquetel molotov.
Após a invasão, basta ignorar as ordens judiciais, aguardar a chegada da polícia com a(s) câmera(s) do(s) seu(s) celular(es) ligada(s) e resistir bravamente à prisão, com o máximo possível de vitimismo heroico e acusações histéricas. Vamos juntos imputar ao governo tucano qualquer indício de truculência policial! Todo sangue é bem-vindo!
Aproveite ainda para arremessar pedras nos repórteres e destruir seus equipamentos, que nós garantimos a sua absolvição moral. Você e seus amigos delinquentes serão tratados como "manifestantes" (Folha de São Paulo), "estudantes" (O Globo) e até "os meninos" (Jornal Nacional)! É muita honraria à sua espera.
Mas lembre-se: não basta, por fim, reunir 5% dos alunos em assembleia e afetar os demais 95% com a declaração de "greve geral".
É preciso, também, participar das festinhas do DCE, com Open Bar de ervas e charutos cubanos.
Comece em alto estilo a sua carreira na militância esquerdista.
Inscreva-se já!*
 
*Os 100 primeiros ganham uma carteirinha do PT.

2012- Planos da Elite Global (Lindsey Williams)



Lindsey Williams tem contato com pessoas da Elite Global que lhe passam informações, entre elas:

- O barril de petróleo cairá dos 147 dólares para os 15 (gradualmente);
- O dólar vai desvalorizar cada vez mais até morrer nas proximidades de 2012;
- Só o ouro e a prata irão ser confiáveis;
- Os americanos tornaram-se muito pobres "tão pobres que não se poderão rebelar";
- A guerra com o médio oriente está planejada para 2012 e vai se espalhar pelo mundo;
- Num período de 2 anos a maioria dos trabalhadores americanos vão trabalhar para o governo (governo a apossar-se das empresas);
- Dentro de 2 anos todos os bancos trabalharão para a reserva federal;
- As armas irão ser tiradas dos cidadãos até 2012;
- Dentro de dois anos: O Messias Demoníaco? Igrejas e muitos pastores estão sendo corrompidos. O Anti-Cristo que vem dentro de 2 anos?

True Outspeak - 9 de novembro de 2011




Uploaded by  on Nov 10, 2011
Gravação do programa True Outspeak, de Olavo de Carvalho, transmitido em 9 de novembro de 2011.

De interlocutor a “informante”

AUGUSTO NUNES
10/11/2011 às 19:31 \ O País quer Saber

TEXTO PUBLICADO NO OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NESTA QUINTA-FEIRA


Marina Amaral e Natalia Viana
Fomos surpreendidas pela polêmica gerada por uma “notícia” publicada em um blog e reproduzida em grandes portais da internet de que o jornalista William Waack, da TV Globo, seria “informante” da embaixada americana – revelação que estaria dentre os documentos diplomáticos obtidos no ano passado pelo WikiLeaks. A notícia se espalhou pela internet, com grande repercussão nas redes sociais e no twitter. Chegou até mesmo ao site americano HuffingtonPost.
Alguns veículos reportaram ainda que Natalia Viana, uma das diretoras da Pública, como “representante do WikiLeaks no Brasil” teria confirmado tal informação. Dois equívocos: a jornalista Natalia Viana, não é, nem nunca foi, representante do WikiLeaks no Brasil. E não concordamos de modo algum que os documentos do WikiLeaks qualifiquem Waack como “informante” dos americanos.
Esclarecendo o primeiro ponto: em um trabalho voluntário para o WikiLeaks – organização que desafiou o jornalismo com sua exigência radical de transparência –, Natalia Viana foi responsável pela publicação e distribuição dos documentos diplomáticos referentes ao país, cujo conteúdo foi parcialmente relatado pelos jornais O Globo e Folha de S. Paulo,de novembro de 2010 a fevereiro deste ano.
Ao fundar a Pública, o primeiro centro de jornalismo investigativo do país, em abril deste ano, fechamos uma parceria com o WikiLeaks para trabalhar jornalisticamente com documentos obtidos pela organização de Julian Assange. Entre junho e agosto publicamos mais de 50 reportagens com base em documentos não publicados pela imprensa.
CULTIVAR FONTES
Em meio a documentos utilizados como base para uma reportagem que tratava da relação entre a mídia brasileira e a missão diplomática americana, havia, de fato, três documentos que citavam William Waack como interlocutor de representantes dos EUA em três ocasiões: duas vezes com o cônsul americano em São Paulo, e uma vez com o embaixador Thomas Shannon.
Em setembro de 2009, em um encontro com o cônsul na presença de Sérgio Fausto, à época diretor do Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC), Waack transmitiu uma versão, que circulava à época, de que os então governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves, teriam acertado uma “chapa puro-sangue” do PSDB para disputar a presidência com Dilma Rousseff. O que, como sabemos hoje, jamais se concretizou.
Ao embaixador Thomas Shannon, em fevereiro de 2010, Waack teria dito que, em um fórum com empresários, Aécio Neves teria se mostrado “o mais carismático”, Ciro Gomes “o mais forte”, Serra “claramente competente” e Dilma “a menos coerente”. Waack é classificado pelo embaixador como “crítico ferrenho” do governo Lula.
Em nenhuma passagem dos documentos se pede que a fonte (Waack) seja protegida – sinalizada pela observação de “please protect” (favor proteger) – que, nos documentos diplomáticos dos EUA, indicam fontes que passam informações relevantes, de bastidores ou internas. Há uma passagem dúbia em que se pode pensar que Waack é chamado de “insider”, mas nada na conversa aponta para o fato de ele ser mais do que um jornalista com algumas especulações sobre o futuro da disputa eleitoral.
O simples fato de um político, jornalista ou empresário ir até à embaixada ou ao consulado americano não significa que ele seja considerado um informante pelos diplomatas dos EUA. Como sabem diplomatas e jornalistas, representantes estrangeiros se reúnem o tempo todo com pessoas do país para se informar, sentir o que pensam determinados setores, para afinar sua visão sobre a política ou a economia do país; é esse o seu trabalho. Do mesmo modo, não se pode criticar políticos ou jornalistas por se aproximarem dos diplomatas, também com o objetivo de buscar informações ou cultivar fontes que possam trazer novidades sobre as relações bilaterais.
CONVICÇÕES POLÍTICAS
Waack foi apenas um dos jornalistas que conversaram com diplomatas americanos. Outros nomes – como Fernando Rodrigues, presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) ou Leonardo Sakamoto, jornalista que cobre e luta contra o trabalho escravo no país (e que é conselheiro da Pública) – também são citados nos documentos do WikiLeaks em conversas com diplomatas americanos.
Nada mais normal. Culpar um jornalista por ter conversado com um embaixador é como punir um mecânico por estar com as mãos sujas de graxa.
O fato de alguém ir ou não à embaixada só é notícia se o conteúdo da conversa é importante – uma informação de bastidor sobre o governo, por exemplo – ou se a própria visita à embaixada for algo que o público em geral jamais imaginaria.
É o caso, por exemplo, do ex-ministro da Defesa Nelson Jobim, que segundo os documentos compartilhava abertamente com os americanos a antipatia em relação ao “antiamericanismo” do Itamaraty; não hesitou em contar que Evo Morales teria tido um tumor no nariz; e passou informações sobre a compra dos caças, de interesse comercial dos EUA, e sobre parcerias militares com outros países no combate ao narcotráfico.
Do mesmo modo, o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu criticou Lula e o PT em um encontro com o ex-assessor do Departamento de Estado americano Bill Perry, isentando-se de responsabilidade pelo esquema que ficou conhecido como mensalão; e o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, do PT, notório crítico da atuação americana e advogado de diversos integrantes do MST, contou bastidores do PT e do MST ao cônsul americano em São Paulo.
Já Wiliam Waack apenas transmitiu suas opiniões – a favor do PSDB e contra o PT – e arriscou palpites políticos em suas conversas com os diplomatas americanos. Talvez a preferência do jornalista da Globo pelo partido tucano seja algo não muito claro para o público que o assiste todo dia na televisão. Aqui, a polêmica é outra, e bem mais interessante: será que os jornalistas deveriam ser mais claros sobre as suas convicções políticas quando debatem o assunto diante do público? Infelizmente, todo o alvoroço que se fez sobre o caso jamais tocou nesse assunto.
AOS FATOS
Neste caso, como tem acontecido com uma velocidade impressionante, uma “notícia” mal apurada foi reproduzida por diversos veículos, na pressa de produzir mais, e não melhor.
Não há nada de novo no ar. Todos os documentos diplomáticos do WikiLeaks referentes ao Brasil estão disponíveis ao público desde julho deste ano. Dica da Pública: basta acessar o site www.cablesearchnet.orge buscar por palavra-chave para formar sua própria opinião sobre assunto.
Para nós, jornalistas, passado o vendaval de notícias, não seria má ideia se debruçar sobre esses ricos documentos que ainda escondem muitas histórias de interesse público e servem como ponto de partida para investigações relevantes. Ou será que já esquecemos as revelações sobre a prisão de suspeitos de terrorismo sob acusação de narcotráfico para “não levantar suspeitas”? Ou que 30 oficiais da DEA americana foram transferidos para o Brasil depois de expulsos da Bolívia por espionagem?
É hora, como dizemos na agência Pública, de deixar a polêmica vazia de lado e buscar os fatos.

Pápi banca minha revolução

ROTA na USP

Não precisa colocar um vírgula sequer: absolutamente perfeito.

link: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=285518604803884&set=pu.285084884847256&type=1&theater

Karl Marx especulava sistematicamente em títulos e acções da Bolsa de Londres

PERSPECTATIVAS
Quinta-feira, 29 Abril 2010


Marx, 1861
Eu sempre tive a ideia, por simples observação da realidade, que não há ninguém mais agarrado ao dinheiro que um comunista; por ser um materialista inveterado, o comuna só vê dinheiro à sua frente. Porém, confesso que foi com surpresa que soube que Karl Marx era um jogador de primeira água na Bolsa de Londres, nos anos de 1860.

Quando o Bloco de Esquerda vier com os argumentos do costume contra a especulação bolsista; quando o partido comunista diabolizar a especulação financeira, vou-me lembrar que o padrasto do socialismo (padrasto, porque o socialismo não tem pai certo) deu o exemplo de como, em política, se pode dizer uma coisa, e fazer outra.

A desculpa de Karl Marx era de que especulava na Bolsa para “aliviar o inimigo do seu dinheiro”. Por um lado, abotoava-se à custa do capitalismo; por outro lado, “aliviava o inimigo do seu dinheiro”. E foi assim que nasceu a mentalidade do comuna: sacar quanto pode e for possível, em nome de uma virtude qualquer. Os actos mais viciosos do comunista são justificados por uma qualquer qualidade virtuosa e sempre subjectiva.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

História, meta-história, e os métodos de investigação

MARCOS BOEIRA
DOMINGO, 4 DE SETEMBRO DE 2011

Atualmente, visualizamos uma multidão generalizada de “demiurgos da história”, possuidores da “fórmula universal”.

A historiografia clássica crê que a veracidade da história consiste na aceitação de que a história é um composto de fluxos, perspectivas e contradições inerentes a realidade concreta. Nessa perspectiva, a história é apresentada por recortes, não por períodos separados por predominância ideológica ou cultural. Pelo conjunto dos acontecimentos que, de fato e de iure, ocasionaram a mudança ou progressão dos eventos decisivos. A história é entendida, portanto, como uma constante tensão de ordem e desordem.

Nesse particular, a metodologia do estudo historiográfico consistiria na espiral de inúmeras ressurreições dos acontecimentos sucessivos, entendidos dentro do cenário concreto das relações de poder. História, diante disso, seria uma “história” dos fatos decisivos que acarretaram mutações e/ou manutenções de padrões morais e políticos.

Evidentemente, para o historiador analítico, o acesso ao conjunto dos acontecimentos encontra no legado documental e na força dos símbolos da cultura sua raiz primogênita. Não obstante isso, em toda “interpretação da história” há, em última análise, uma filosofia da história subjacente à análise que acaba por permear toda a abordagem empreendida. Por isso, percebemos olhares tão antagônicos entre os historiadores com relação aos temas e acontecimentos que marcaram a civilização. Por exemplo, a análise de um marxista sobre a revolução francesa é bastante distinta daquela realizada por um liberal. Ambos apóiam-se no mesmo acontecimento. Até sobre o mesmo conjunto de fontes documentais, oficiais e biográficas. Porém, sedimentados num determinado “paradigma norteador”, observam o “sentido” do acontecimento segundo uma cosmovisão subjacente. Assim, a tarefa de historiador transfigura-se no de um agente intelectual movido sobre um fio que separa dois mundos: o mundo dos fatos e o terreno das ideologias. Poderíamos até dizer assim: de um lado, seu compromisso frente aos acontecimentos e as fontes primárias e secundárias; de outro, suatentação de transformar-se num filósofo da história, procurando encontrar nela uma fisionomia determinadora do sentido da realidade concreta. Como se o historiador vivesse na tangente, sendo por vezes um regente analítico e n´outras ocasiões apenas um refratário condutor, em suma, entre alguém que está na história e, no instante a seguir, salta a um patamar superior. Essa tensão é, talvez, a própria expressão de uma das maiores dificuldades na vida de um historiador. Manter-se fiel ao conjunto dos fatos, ou então saltar para além de si mesmo e de suas circunstâncias, assumindo a falsa identidade de um demiurgo do tempo histórico. Chega a patologia espiritual e cognitiva de fazer crer a todos quantos que a narrativa temporal da história é de autoria suya.

O dilema contemporâneo da investigação histórica encontra raízes profundas na erosão ocasionada pelo fetichismo do método. Se há método, há validade! A correspondência entre método e validade implicou na fratura visceral do tecido investigativo. Então, ou é historicismo ou teoria da história. Ou pragmatismo ou ideologismo. A frontal redução da análise investigativa aos aclamados “métodos de investigação das ciências sociais” acalentou a dispersão de inúmeras teorias “válidas” no ambiente universitário. Atualmente, visualizamos uma multidão generalizada de “demiurgos da história”, possuidores da “fórmula universal”.

É um princípio evidente o de que o sentido da história só é percebido pela inteligência e não pela conjunção dos fatos e narrativas históricos desconexos entre si. É na percepção da unidade articuladora entre a narrativa e a ordem, ou seja, no confronto da memória com o entendimento que se afigura uma fisionomia potente, sem a qual a narrativa não teria qualquer senso unitivo. Mutatis mutandis, só discirno o recorte entre diversos tempos e narrativas quando salta aos olhos um chamariz litúrgico que me faz mergulhar na história sem condicionamentos: uma empresa substancial por debaixo da superfície existencial.

Hoje, porém, boa parte dos cursos universitários não forma historiadores cientes da tensão de que falamos. Pelo contrário, o estudante é incentivado a dar o salto para além de si desde o primeiro semestre, não para “reconhecer” a verdadeira fisionomia inserida na substância da realidade, mas para “determinar” de acordo com sua ideologia barata o quadro da validade analítica. Quando as mentalidades acadêmicas da atualidade, acostumadas na sedução fisionômica da filosofia da história marxista, encontram na dialética materialista da luta de classes a espiral sobre a qual toda a ordem de acontecimentos históricos se sucedeu, e então temos um impasse: ou o estudante migra direto para a fisionomia potente, estudando toda a ordem de acontecimentos segundo a pseudo cosmovisão orientadora, mesmo que a história em si mostre a impossibilidade de a teoria marxista explicar todo o orbe de fatos, ou então o estudante rejeita essa porcaria, vinculando-se desde o início de sua vida intelectual à realidade e não a uma teoria qualquer sem fundamento da ordem das coisas.

Portanto, caros investigadores, não caiam nesse engodo. Mantenham-se fiéis à realidade, e não àquilo que lhes impõem como certo e absoluto. Por “maravilhosos” que os “formadores de opinião” possam ser, nunca esqueçam de que eles não são superiores a história. Suas opiniões podem corresponder a realidade de algum modo, mas ainda assim são “opiniões”. A história é maior do que a existência deles. E o emotivismo deles, o fato de serem “pessoas maravilhosas” e/ou “respeitadíssimas no círculo universitário” não quer dizer que sejam fiéis à verdade e ao conhecimento. Não procurem a amizade, mas sempre a verdade em primeiro lugar. Se o sujeito quiser ser seu amigo, ele o será por seu vínculo com a verdade e não por emotivismo ou por interesse. Ademais, não se valham de ideologias - seja qualquer que seja - para abordar a realidade da história. Sua sede pelo conhecimento deve ser permeada pela realidade. É ela quem deve conduzir sua inteligência, não falsificações mascaradas e produtos ideológicos de massa.

Fraude masivo en elecciones en Nicaragua

UNOAMERICA
Jueves, 10 de Noviembre de 2011


Por UnoAmerica
Politica La Red Latinoamericana y del Caribe para la Democracia (RedLad)alerta sobre fraude masivo electoral perpetrado en Nicaragua el pasado domingo 6 de noviembre, por parte del oficialista Frente Sandinista de Liberación Nacional (FSLN).








Comunicado del Secretariado Permanente de la Red Latinoamericana y del Caribe para la Democracia: fraude masivo en elecciones en Nicaragua

Noviembre de 2011.

La Red Latinoamericana y del Caribe para la Democracia (RedLad), plataforma de impulso a la democracia y los derechos humanos, integrada por aproximadamente 300 organizaciones de la Región. Capítulo regional del Movimiento Mundial por la Democracia (WMD) y Miembro Oficial del Foro de Sociedad Civil de la Organización de Estados Americanos (OEA), alerta sobre fraude masivo electoral perpetrado en Nicaragua el pasado domingo 6 de noviembre, por parte del oficialista Frente Sandinista de Liberación Nacional (FSLN).

Los Observadores Electorales profesionales Internacionales de la Misión de la Unión Europea, Hagamos Democracia, Ética y Transparencia, Movimiento por Nicaragua y diversos medios de comunicación nacionales como la Prensa y el Nuevo Diario dieron a conocer la enorme cantidad de denuncias por fraude, irregularidades, favoritismos, quema de papeletas, abuso policial, proselitismo ilegal a favor del oficialismo y conteo de votos sin presencia de fiscales de la oposición. Igualmente, las misiones observadoras de la Unión Europea (UE) y la Organización de Estados Americanos (OEA), denunciaron graves dificultades para ingresar a las mesas electorales a realizar las observaciones pertinentes y la carencia condiciones adecuadas para llevar a cabo la observación.

Se manifestó además, que la gran mayoría de misiones acreditadas como "acompañantes" son de organizaciones afines al FSLN y a Daniel Ortega. La Red Latinoamericana y del Caribe para la Democracia y la organización Transparencia Internacional, entre muchas organizaciones internacionales,  solicitaron en reiteradas ocasiones la acreditación formal ante el Consejo Supremo Electoral (CSE) sin recibir ninguna respuesta por parte del órgano gubernamental.

El CSE manifiesta con el 85% de las mesas escrutadas a Daniel Ortega como vencedor con un 62.65% de los votos válidamente emitidos, sin embargo, estos resultados no son reconocidos ni aceptados por los partidos opositores ni observadores independientes participantes en la jornada. Tampoco son ni remotamente cercanos a las encuestas de boca de urna que manejamos ni a ninguna boca de urna que hemos revisado, encuesta o patrones de comportamiento histórico electoral.

El fraude previo y durante las elecciones dan a conocer resultados que son en realidad ampliamente cuestionables y no cuentan con criterios para ser calificados como veraces, transparentes, democráticos ni reales.

La Red Latinoamericana y del Caribe, alerto la semana pasada la gran cantidad de irregularidades presentes en los momentos previos a la elección:
  • Candidatura inconstitucional de Daniel Ortega.
  • Magistrados del CSE de facto y con períodos vencidos.
  • Problemas con el Calendario electoral.. Ilegalidades en la conformación de los Consejos Electorales Departamentales y Regionales del Atlántico (CED y CER).
  • Politización y arbitrariedad en la entrega de Cédulas de Identidad.
  • Limitaciones para la verificación ciudadana.
  • Reglamento de Observación Electoral con limitaciones y dificultades para acreditar la observación internacional y nacional.
  • Código de Ética inconstitucional.
  • Utilización de los bienes del Estado para realizar propaganda partidaria.
  • Rechazo arbitrario e ilegal de Fiscales Nacionales.
  • Impugnación ilegal de candidaturas a diputados.
  • Violencia y persecución política, así como amenazas e intimidaciones.
  • Padrón electoral inflado y no público.
  • Reelección ilegal de la Jefa de la Policía. 
Otra serie de factores, han sido señalados y respaldados en un informe emitido por la organización Ética y Transparencia, capítulo nicaragüense de Transparencia Internacional, donde se indica que:
  • Previo a la elección no era posible ubicar una sola escuela u oficina donde no hubiera campaña proselitista a favor de Daniel Ortega.
  • El registro en padrones carecía de controles lo que daba pie a la inscripción de extranjeros y menores. Se estima además, que 100,000 empleados públicos y allegados al FSLN recibieron de forma declarada por el CSE un segundo documento de votación de manera preferencial, en un 80% de los casos el primer documento no fue solicitado ni recibido.
  • Las oficinas de la estructura gubernamental de emisión de documento de votación estuvieron cerradas hasta tres meses antes de la elección con lo que a un aproximado de 250.000 no les fue entregado su documento de votación, negándoseles su derecho al sufragio.
  • El Padrón Electoral no fue auditado y no existen controles sobre su uso por lo que se estima gran cantidad de extranjeros y difuntos inscritos en los padrones.
  • El gasto del FSLN en propagan superó  15 veces a todos los partidos de oposición juntos.
Ética y Transparencia afirma que el Proceso Electoral no cumplía de previo con los requisitos y garantías mínimas universales en materia de Campañas Electorales Limpias.

Los titulares nacionales e internacionales de medios de comunicación, destacan la votación de hondureños y demás extranjeros, fiscales de la oposición desaparecidos, violaciones de derechos civiles a partidarios de la oposición, detención y agresión contra manifestantes de la oposición y otra serie de eventos que indican el tenso clima pos electoral que se vive en el país.

La RedLad desarrolló una observación ciudadana internacional propia y además coordino esfuerzos con Hagamos Democracia. Encontramos que fue una elección viciada de origen y un fraude descarado continuado. No encontramos ningún elemento que permita dar validez a esta elección.

Ante ello, el Secretariado de la Red Latinoamericana y del Caribe para la Democracia:
  • Exige la nulidad inmediata de las Elecciones del 6 de Noviembre en Nicaragua
  • Exige un cambio inmediato de las autoridades electorales por unas validas e imparciales.
  • Pide la organización de unas nuevas elecciones con condiciones democráticas.
  • Alerta a la comunidad internacional, medios de comunicación, organizaciones de la sociedad civil y gobiernos democráticos del mundo sobre el fraude masivo acontecido en Nicaragua por parte del FSLN.
  • Exige a la Organización de Estados Americanos, calificar de antidemocrático y fraudulento el proceso electoral.
  • Pide a la comunidad internacional no reconocer el gobierno dictatorial que se estaría instalando luego del fraude electoral.
  • Insta al Secretario General de la OEA, José Miguel Insulza a ser verdadero garante de la democracia y no ser cómplice del fraude y la dictadura, y a replantear y retirar su posición con respecto a los comicios, sobre los cuales aseguró: "En Nicaragua ayer avanzó la democracia y la paz". El fraude es más que evidente lo que demuestra un retroceso democrático en Nicaragua que socaba los principios de la OEA mismos e instala una dictadura en Nicaragua, avalar la elección es apoyar la dictadura.
  • Se une a la sociedad civil nicaragüense, la organizaciones Hagamos Democracia,  Ética y Transparencia, Movimiento por Nicaragua y a todos los observadores independientes no acreditados por el CSE a quienes expresa su solidaridad y apoyo.
  • Se suma a la Cámara de Comercio Americana de Nicaragua (AMCHAM) en su exigencia de declarar NULA la elección.
  • Hace un llamado a evitar la violencia.
  • Pide la instalación de un Grupo de Alto Nivel Internacional encargado de mediar para la vuelta a la democracia de Nicaragua.
Red Latinoamericana y del Caribe para la Democracia

Secretariado Permanente

A situação econónima (no Brasil falamos e escrevemos "econômica") antes e depois de 1910

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA

A regeneração foi na verdade um “boom” económico que poderia ter adiantado os actuais níveis de vida em 30 anos, não tivesse sido a revolução de 1910 as crises económicas de 1890 e a implantação da republica no Brasil…



A linha azul mostra a evolução do rendimento “per capita” durante a monarquia, no período de 1855 ate 1910

A linha vermelha mostra a evolução do nível de rendimento durante a I República

A linha vermelha fina mostra a “tendência” (trend) que o ciclo económico poderia ter levado se não tivesse havido aqueles 16 anos ,entre 1910 e 1926

1- O 1910

Em 1855 o PIB era de 248.000 contos de reis, para uma população de 3.901.000 indivíduos, tal significava um rendimento per capita de 82 escudos (escudos de 1914). Esse rendimento viria a subir até 176 escudos (escudos de 1914), ou seja 114 % em 33 anos. A manter-se esse ritmo , o rendimento real per capita em 1921 teria sido de 189 escudos e não 90 como efectivamente foi (um hiato de 110%), sendo que era um valor inferior ao auferido em 1799.

Não podemos dizer que o nível de vida em 1799 fosse melhor do que em 1921, embora os dados indiquem nesse caminho, mas podemo-nos questionar onde foram parar os 110% de rendimento per capita, ou mesmo como foi possível a um país com um PIB real de um milhão de escudos em 1910 regredir para metade desse valor em 11 anos (555 000 contos em 1921). Para um país com seis milhões de almas e um rendimento per capita de 90 escudos… pode dizer-se que em 11 anos (1910-1921) Portugal efectivamente regrediu mais de 60 anos, anulando todo o desenvolvimento que a regeneração havia feito, condenando o país a um eterno atraso de uma a três décadas.

2- A REPUBLICA DO BRASIL E AS CRISES DA DECADA DE 90

Que ocorreu então entre 1890 e 1910 ?. A economia quase estagnou, mesmo apesar de em 1910 ter atingido o maior valor para o Rendimento Interno até então conseguido (1.007.000 contos a preços constantes de 1914). Mesmo apesar da enorme dívida que todos os anos crescia 11.000 contos, o país crescia… não havia uma tendência no sentido da descida, como se veio a verificar desde 1910 até 1921.

Para cumprir os programas de fomento necessários Portugal tinha obrigatoriamente de recorrer ao crédito internacional, e para isso era obrigatória a entrada no sistema do “livre câmbio”, através do sistema “padrão ouro” (cada moeda valia efectivamente uma quantidade fixa de ouro).
Esta abertura ao exterior era um enorme risco para uma economia ainda agrícola e a prová-lo estão as pautas aduaneiras portuguesas, que eram à altura as mais elevadas da Europa (o Estado cobrava em média 30% sobre as importações) o que no fundo reflecte o carácter proteccionista sobre a industria nacional.

Mas não se pode dizer que Portugal fosse efectivamente uma economia aberta, pois o peso das importações e exportações nunca ultrapassou os 7% (em Inglaterra a média era de aproximadamente 20%). Só com advento da República é que esta fasquia foi ultrapassada tendo a Balança comercial registrado desvios de 21 pontos percentuais com as importações a representarem 28% do PIB (1921) face aos 7% das exportações.

A real abertura da economia não advinha da balança comercial mas da exportação de trabalhadores (emigração - modelo idêntico ao italiano, com as mesmas consequências). Portugal exportava os trabalhadores, que enviavam remessas sob a forma de letras de câmbio sobre a praça de Londres (porque o Brasil tinha mais relações económicas com Inglaterra) permitindo aos nacionais e ao Estado ter crédito para contrair empréstimos.

Então tudo o que se passava no Brasil tinha reflexos imediatos no valor da moeda face á libra. Isto foi verdade na guerra do Paraguai (1868-71) e particularmente grave na implantação da republica do Brasil (1890-1907).

A desvalorização da moeda face ao exterior provocava o imediato aumento da Divida Pública e de facto o crescente endividamento que se verifica desde 1890 não advém de um endividamento real, mas do seu menor valor. Na altura todos queriam ver culpados no Fontes Pereira de Melo ou numa conspiração inglesa. Foi num estudo de 1915 ( “O Ágio”, Salazar) por um académico de nome Oliveira Salazar, que se provou o que já era sugerido por alguns… Foi o câmbio da moeda brasileira que determinou o câmbio da moeda nacional até 1907.

Tudo estava bem se tudo estivesse bem no Brasil (e D. Carlos sabia-o), mas desde Novembro de 1889, com o fim da monarquia no Brasil que este pais descambou num Carnaval de golpes de Estado, sendo que em 1891 já as praças internacionais previam a bancarrota, com o cambio da moeda portuguesa a cair 25 % e as transferências do Brasil a passarem de 4355 contos (1888) para 800 contos em 1891, uma queda de 80%

Portanto foi uma consequência da conjuntura internacional, o que determinou a fraca performance económica (1890-1907), sendo que o PIB per capita de 1909 só seria igualado em 1928…19 anos de diferença! e a prova do fracasso da I republica

De facto a I república foi um fracasso, não só ideológico como social. O Liberalismo assentava grande parte do seu pensamento no equilíbrio do Poder pela sua divisão. Ao monarca, o poder moderador contrapunha o poder executivo do governo e das assembleias. Mas a implantação da República apenas veio vincar o acrescido gosto pelo poder que as “elites” vinham vindo a adquirir e o quanto era incomoda a presença de um poder moderador. A enorme liberdade de movimento financeiro e executivo dos sucessivos governos veio provar que a independência orçamental tinha sido subestimada e que esta era de facto mais forte do que os poderes consignados na Constituição…mas seria de facto mais eficiente?

A República implanta-se muito devido ao escândalo dos tabacos, que em 1926 ainda não tinha sido resolvido.

O aumento do nível de vida foi uma mentira escabrosa… as diferenças sociais aumentaram, e se em 1910 não se vivia muito bem, em 1921 nem pão havia para comer, o que diz muito da igualdade entre os homens!

A dívida pública aumentou e não se construíram quaisquer estruturas. É legitimo perguntar-se para que serviu a república ou se a monarquia era assim tão desnecessária.

Bom entre a linha azul e a vermelha a única diferença (do gráfico) é o Rei porque o resto estava lá tudo: as estruturas, os políticos, as mentiras e omissões!

…afinal a monarquia fez falta!

Ricardo Silva

No Enem, a saudação ao Duce

ESTADÃO
10 de novembro de 2011 | 3h 08

Demétrio Magnoli, sociólogo e doutor em Geografia Humana pela USP. E-mail: demetrio.magnoli@terra.com.br - O Estado de S.Paulo

Questão do Enem, 2001: "A Lei 9.491, de 9 de setembro de 1997, criou o Programa Nacional de Desestatização, que reordena a posição estratégica do Estado na economia, transferindo à iniciativa privada atividades indevidamente exploradas pelo setor público . A referida lei representa um avanço não só para a economia nacional, mas também para a sociedade brasileira, porque (...)". Resposta, segundo o gabarito: "amplia os investimentos produtivos e a riqueza geral da nação".

A questão acima é uma invenção minha: nunca foi proposta num Enem. Mas o que diria Fernando Haddad se, no governo FHC, o MEC a tivesse inserido num exame nacional que decide o futuro universitário de milhões de estudantes brasileiros? Desconfio que, coberto de razão, ele classificaria a prova como um gesto de covardia autoritária pelo qual os candidatos seriam forçados a se curvar à doutrina política do poder de turno, repetindo compulsoriamente o credo expresso no site do Planalto sob pena de exclusão do ensino superior. Pois o atual ocupante do MEC acaba de produzir um gesto assim, indigno de uma nação democrática, na mais recente edição do Enem.

Eis o texto da questão: "A Lei n.º 10.639, de 9 de janeiro de 2003, inclui no currículo dos estabelecimentos de ensino (...) a obrigatoriedade do ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira e determina que o conteúdo programático incluirá o estudo da História da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil (...) . A referida lei representa um avanço não só para a educação nacional, mas também para a sociedade brasileira, porque (...)". Resposta, segundo o gabarito: "impulsiona o reconhecimento da pluralidade étnico-racial do país". Sob Haddad, o Enem converteu-se em campo de reeducação ideológica para jovens. Diante disso, pouco significam os sucessivos espetáculos de incompetência gerencial que o atormentam.

A lei que os candidatos estão obrigados a celebrar não é uma ferramenta de combate ao preconceito racial, mas a condensação da doutrina racialista. Seu pressuposto é a divisão da humanidade em raças. Segundo ela, as pessoas não são indivíduos mas componentes de "famílias raciais" definidas por ancestralidades supostas e involucradas em culturas singulares. As escolas, prega a lei, devem ensinar uma história particular do "povo negro" (por oposição implícita ao "povo branco"). Desde a mais tenra idade, os estudantes aprenderiam a enxergar a si mesmos como participantes de uma comunidade racial.

O gabarito da questão está errado e inexiste resposta correta entre as alternativas apresentadas no exame. Mas a resposta certa, segundo o próprio MEC, consta de um parecer do Conselho Nacional de Educação no qual se explica que a lei "deve orientar para (...) o esclarecimento de equívocos quanto a uma identidade humana universal". Tal resposta não aparece entre as alternativas, pois ela explicitaria a insolúvel contradição entre a lei da educação racial e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que repousa sobre a afirmação da realidade de "uma identidade humana universal".

O contrato constitucional das democracias está amparado no princípio da pluralidade. O princípio significa que não se reconhece doutrina ou ideologia oficialmente verdadeira, à qual a nação deveria fidelidade ou obediência. Dele se extrai um corolário: o sistema de ensino não pode promover catequese ideológica. Escolas, livros didáticos e exames vestibulares não têm o direito de doutrinar - isto é, de atribuir estatuto de verdade científica ao que não passa de um ponto de vista político. Haddad evidencia no Enem a sua visceral aversão ao princípio da pluralidade. Ele é ministro num Estado democrático, mas sonha ser comissário de um Estado totalitário.

A questão escandalosa não é um raio no céu claro. Nos últimos anos, enquanto se metamorfoseava em vestibular nacional, o Enem converteu-se num pátio de folguedos da pedagogia da doutrinação. O desfile de catecismos ideológicos abrange, ao lado de versões cômicas de um marxismo primitivo, constrangedores panfletos do ambientalismo apocalíptico e manifestos rudimentares do multiculturalismo pós-moderno. Os exames, especialmente suas seções de ciências humanas, parecem emanar de um acordo de partilha territorial firmado entre os arautos acadêmicos do cortejo de ONGs e "movimentos populares" associados ao governo. Contudo, mesmo sobre esse deplorável pano de fundo, exigir que milhões de jovens estudantes repitam como autômatos as sílabas, palavras e frases escritas pelo Palácio do Planalto equivale a ultrapassar a fronteira da obscenidade.

Meu avô materno, um antifascista perseguido pelo regime de Mussolini, deixou a Itália com a esposa e dois filhos pequenos na hora da eclosão da guerra mundial. No Brasil, beneficiando-se de uma bolsa de estudos baseada no mérito, minha mãe pôde ser matriculada no prestigioso Dante Alighieri, que era um colégio da comunidade italiana de São Paulo. Por uma dessas amargas ironias, durante dois anos, até a declaração brasileira de guerra ao Eixo, ela tinha a obrigação, compartilhada com todos os colegas, de fazer a saudação ao Duce à entrada da escola. A exposição a desenhos animados violentos não transforma crianças em adultos assassinos. A rotina da saudação diária a Mussolini em nada reduziu o desprezo devotado por minha mãe ao fascismo. Os estudantes não aderirão ao credo identitário do racialismo por serem compelidos a pagar pedágio à verdade ideológica oficial no Enem. Mas a democracia brasileira fica um pouco menor quando o ministro da Educação veste a fantasia do Duce.

Brasil sem Drauzio Varella: 100% APOIADO.


Published on Nov 8, 2011 by 
O Agora é Tarde lança a campanha contra o médico que insiste em dizer o que as pessoas devem ou não fazer. Dia 14 e 15 de novembro é o dia do "Brasil sem Drauzio Varella".





Mais sobre Drauzio Varella, o idiota, demente e senil:





quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Danilo Gentili lança campanha "Brasil sem Drauzio Varela"

D24AM
09 Nov 2011 . 12:35 h


A piada de Gentili teve dois alvos. Primeiro, o próprio médico, a quem o humorista atribuiu a divulgação de uma estatística “estarrecedora”: “100% dos fumantes do mundo vão morrer”.

São Paulo - Com uma fitinha na lapela, Danilo Gentili lançou no “Agora É Tarde”, o talk show que comanda na Band, uma “campanha” contra o médico Dráuzio Varella, que está promovendo uma cruzada contra o tabagismo, no “Fantástico”. Em resposta ao "Brasil sem cigarro", do dominical da Globo, o humorista propôs o “Brasil sem Drauzio”.
A piada de Gentili teve dois alvos. Primeiro, o próprio médico, a quem o humorista atribuiu a divulgação de uma estatística “estarrecedora”: “100% dos fumantes do mundo vão morrer”.
Depois de comentar várias campanhas lideradas por Dráuzio, nas quais trata de outros “hábitos e manias” do brasileiro, Gentili disse: “Nós também nos preocupamos com as manias do Drauzio Varella. Essa mania de ficar enchendo o saco dos outros, dizendo o que as pessoas devem ou não fazer. É isso que me deixa doente.”
O outro alvo é mais genérico. “Se você quer um Brasil longe de gente cri-cri, de caga-regra, de gente que enche o saco, que fala do que você deve rir, do que você deve comer, do que você deve beber, fumar, participe da campanha”, convidou o humorista.
Indagado pelo blog sobre como surgiu a ideia da campanha, Gentili contou: “Estávamos conversando como seria engraçado se alguém fizesse uma campanha nacional do tipo ‘Brasil sem Drauzio’ e rimos muito. Nos pareceu divertido e fizemos.”
Sobre a repercussão, o humorista observa: “A maioria dos feedbacks é de pessoas rindo. Mas aí aparecem uns outros ‘drauzeando’, dizendo que não se deve rir disso.”

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".