Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Luiz Inácio da Silva apoia o crime organizado e a guerrilha rural

Fonte: BRASIL ACIMA DE TUDO
19 de fevereiro de 2007


Marcola & Cia também não
querem diminuir a idade
penal.
Do Observatório de Inteligência
Por Orion Alencastro

Apesar do Carnaval, é óbvio que repercutiu muito bem nos morros do Rio de Janeiro, no sistema carcerário e nos estabelecimentos de assistência ao menor infrator, o pronunciamento do Exmo. Sr. Presidente da República, feito na última sexta-feira, por ocasião da inauguração da nova central da poderosa transnacional Atento, do grupo Telefonica, na capital paulista.

Diante de auditório de dirigentes do grupo, autoridades e de jovens candidatos ao primeiro emprego na empresa, Luiz Inácio da Silva condenou freneticamente a redução da maioridade para 16 anos, culpou o Estado e a sociedade pela criminalidade, assunto em discussão no Congresso Nacional.

O crime adorou a posição do presidente

A fala presidencial propagou-se e foi comentada em presídios e casas de menores, inclusive apreciada com muito agrado por líderes do crime organizado que cumprem pena no interior de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Espírito Santo. A repercussão do pronunciamento nos ambientes de reclusão foi percebida por agentes de inteligência e de segurança penitenciária. Familiares de sentenciados, em visita a presídios no fim-de-semana, comentaram o fato e, em alguns pátios, presidiários que tomavam sol lembraram da fala do Chefe da Nação, divulgada pela imprensa. Assim, depreende-se que o

A Casa Branca aprovou e a idade
penal de 16 anos na América teve
o efeito desejado e consagrado pela
opinião pública.
presidente cumpre orientação do Foro de São Paulo em não contrariar as organizações criminosas.

O crime organizado e os movimentos sociais radicais (MST...)logicamente não vêem com bons olhos as pressões e articulações para a diminuição da idade penal, pelo fato de adolescentes e jovens serem atraídos para o crime desde tenra idade e serem alvo do proselitismo revolucionário marxista dos movimentos sociais. Os menores são inimputáveis, protegidos pela lei e amparados por ONGs ideologicamente suspeitas. Eles desfrutam de mais liberdade para a prática de ações delinqüentes e manifestações de desafeto contra a ordem social.


FARC: o futuro garantido para o MST
Os comandantes do crime investem nas novas gerações como recursos humanos indispensáveis para a formação de quadros de operadores, capacitando-os para serem seus futuros líderes. A título de exemplo, o Movimento Sem Terra possui núcleos e escolas de ensino doutrinário, como é o caso do centro escola de guerrilha em Guararema/SP para formação do seu contingente de militantes, com instruções para a prática da radicalização contra a iniciativa privada, inclusive com instrutores de organizações criminosas, notadamente FARC, fato exaustivamente informado pela ABIN e conhecido pelo Palácio do Planalto, o qual libera recursos de sustentação financeira do governo. O curioso é que a reforma agrária até hoje não deu certo em nehum país do globo terrestre e a sociedade consciente nunca teve notícias e nem assistiu documentários que comprovem a produtividade dos assentados, a soldo do dinheiro da expropriação tributária oficial.

Igreja católica não gostou da fala presidencial

Luiz Inácio da Silva chamou a atenção do público presente ao evento da Atento, pelo discurso inflamado e por sacar a frase de efeito "Ainda vão querer punir fetos". Jovens na lateral do auditório comentaram que o presidente dava impressão de ter tomado "guaraná" para se expressar daquele jeito. Nos meios católicos a referência à palavra feto causou arrepios e ecoou na Cúria Metropolitana, pois a Igreja de Bento XVI acompanha o movimento mundial dos núcleos de opinião pública, de influência socialista, inclusive no Brasil, com apoio do PT e de outros partidos de esquerda para a legalização do aborto, prestes a ser regulamentado em Portugal.

A expansão e ameaça do crime organizado à paz social começou com José Sarney, no afrouxamento paulatino dos costumes e da ordem, aplaudido pela esquerda e por políticos inconseqüentes do revanchismo e o silêncio cínico de intelectuais e artistas que passaram a se alimentar melhor com a instituição da Lei de Incentivos Fiscais à Cultura. Atores e artistas plásticos não saem mais às ruas para defender a sociedade. Nem contra o crime. Talvez, pela vergonha de terem servido às intenções do partido mais corrupto da história contemporânea, o PT.


Discursos inoportunos que
desarticulam a formação da opinião
pública, mantendo o povo ignorante
Crime é conseqüência de maus políticos

Um Estado, cujos políticos não entendem que a saúde, o saneamento, a educação, o trabalho e a segurança pública estão na sala de espera da UTI, está fadado ao domínio dos aproveitadores e do crime organizado pela vulnerabilidade da segurança sócio-econômica da sociedade.

O presidente Luiz Inácio da Silva se afigura como dissimulador, inconscientizador e covarde. Sempre evita atribuir a culpa e a responsabilidade do crime organizado à classe política, a mesma que engloba os trezentos picaretas do Congresso por ele acusados, em passado recente. Isso sem falar do chefe da quadrilha que tinha assento na Casa Civil. A sociedade não tem culpa, ela é vítima da inação dos seus dirigentes, que ocupam os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, dentro da responsabilidade maior pelas obrigações do Estado Federativo.(OI/Brasil acima de tudo)

Extra! Extra! Liberalismo na universidade

Fonte: MÍDIA SEM MÁSCARA
BRUNO PONTES | 21 OUTUBRO 2009
ARTIGOS - EDUCAÇÃO



extra
O universitário de humanas consciente é contra o capitalismo. Ele expressa a aversão ao capitalismo convocando protestos por telefone celular e e-mail. Ele fotografa a passeata com câmera digital (fabricada de modo artesanal e gratuito) e bota as imagens no Orkut. No fim de semana, o universitário anticapitalista sai de carro para tomar cerveja. Ninguém é de ferro. Mas, por coerência, ele só usa carros montados de maneira socializada, sem lucro pra ninguém. E a cerveja que ele bebe tem uma função social.


Se você é ou foi estudante de humanas na faculdade, sabe que a explicação para todos os fenômenos está no marxismo. Os professores, os currículos, os alunos são marxistas. É provável que o porteiro do campus seja marxista também. Lá, ninguém sabe quem é Ludwig von Mises, Friedrich Hayek. Fiquemos com um nome brasileiro: ninguém sabe quem é José Osvaldo de Meira Penna. Só marxista tem vez. E dá-lhe Paulo Freire e Antonio Gramsci.

Certo dia, no meu tempo de UFC, foi apresentado no auditório da reitoria um documentário de apologia a Fidel Castro e Che Guevara. Após a exibição, uma professora de História, cheia de mestrados, doutorados e outros ados na conta bancária, declarou, para uma platéia embevecida, que "não existe felicidade sob o capitalismo". Ah, se vocês estivessem lá para sentir a emoção do auditório... A classe média estudantil vibrou.

O universitário de humanas consciente é contra o capitalismo. Ele expressa a aversão ao capitalismo convocando protestos por telefone celular e e-mail. Ele fotografa a passeata com câmera digital (fabricada de modo artesanal e gratuito) e bota as imagens no Orkut. No fim de semana, o universitário anticapitalista sai de carro para tomar cerveja. Ninguém é de ferro. Mas, por coerência, ele só usa carros montados de maneira socializada, sem lucro pra ninguém. E a cerveja que ele bebe tem uma função social.

Sei que existem cinco ou seis elementos que escapam do marxismo atmosférico. E há também os saudáveis curiosos. É para eles que estou escrevendo este artigo. Tenho uma dica: no próximo dia 23, a turnê "Liberdade na Estrada", promovida pela turma do site OrdemLivre.org, passa por Fortaleza. Participam os economistas Adolfo Sachsida e Hélio Beltrão Jr., os cientistas políticos Bruno Garschagen e Diogo Costa e o filósofo Lucas Mafaldo, entre outros.

As palestras em Fortaleza acontecem em dois horários. Na UFC, das 8 às 12h, no auditório Geraldo da Silva Nobre (Avenida da Universidade, 2486). Na FA7, das 18 às 22h, no teatro da faculdade (Rua Almirante Maximiniano da Fonseca, 1395). Repetindo: dia 23 de outubro.

Os realizadores da turnê querem expor aos estudantes universitários o pensamento liberal, em defesa do livre mercado e dos direitos individuais. Esses caras estão oferecendo outra visão em pleno terreno sagrado da militância estatizante. O programa promete.



Publicado no jornal O Estado.

Bruno Pontes é jornalista - http://brunopontes.blogspot.com

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Hackers acusam TSE de manipular desafio de urnas eletrônicas

Fonte: TERRA
25 de outubro de 2009


LARYSSA BORGES
Direto de Brasília


Hackers dizem que o desafio lançado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que pediu a piratas da internet de todo o País para que tentem fraudar o sistema de urnas eletrônicas é, na verdade, apenas uma forma de "provar" que o mecanismo eletrônico é inviolável. Segundo eles, o TSE manipula as regras do jogo, limitando os softwares que eles podem usar na tentativa de violar as urnas. O TSE afirma que "não pretende cercear nenhum investigador".


"A realidade é uma só. Eles, do TSE, não querem correr o risco. Por isso escolhem os softwares a serem usados. Fica complicado assim. Um software que é usado para 'crackear' e 'hackear' hoje custa em torno de R$ 30 mil. É quase impossível adquirir a licença de forma legal. Se pudéssemos usar (qualquer ferramenta) seria outra coisa e a realidade, outra. Com certeza a perícia forense nesses sistemas (ilegais) seria frágil", comenta o hacker Álvaro Falconi, moderador do fórum www.forum-hacker.com.br, grupo de discussão sobre a atividade na internet.


Entre os profissionais que trabalham para testar a segurança de sistemas informatizados, a preocupação com o desafio do TSE é que, em função de lidar com o Poder Judiciário, eles possam ser processados se tentarem violar as urnas eletrônicas utilizando softwares piratas.


"Ter acesso (ao conteúdo interno da urna) não é o problema. O problema é eu ser preso por usar softwares ilegais. Em grandes fóruns brasileiros sobre o tema, o pessoal só diz isso. Só com esses softwares e possíveis hardwares (piratas) pode ser possível a invasão do sistemas do TSE. Os softwares que o governo vai disponibilizar, nem em computadores domésticos conseguem ser explorados", alerta. "Não tem como burlar (as urnas com os programas sugeridos pelo TSE). Todos, até leigos no assunto, sabem que isso é malandragem deles. Se eles querem testar se as urnas deles realmente estão seguras, teriam que deixar usar as ferramentas que nós temos", critica o hacker.


Além da proibição óbvia de que os piratas da internet não podem, durante o teste, jogar as urnas eletrônicas no chão e as abrir fisicamente com chaves de fenda, por exemplo, o edital garante margem para que programas ilegais ou roubados, principal mecanismo dos crackers, sejam preferencialmente evitados nos testes.


"Como verdadeiros hackers ou crackers vão dizer o software usado (para burlar a urna)? Um software 'crackeado' do FBI que está na internet, se o usar (contra o TSE) vai estar usando um software ilegal para tentar achar as falhas. Não creio que vão se expor assim", resume Álvaro Falconi.


Outro lado

O secretário de tecnologia da informação do TSE, Giuseppe Janino, afirma que o tribunal "não pretende cercear nenhum investigador" e que não distinguirá os hackers entre os que usam "software livre, proprietário ou pirata".


Ele alerta, no entanto, que "os investigadores (hackers inscritos) são responsáveis pelos softwares e demais ferramentas que julguem necessários para a execução dos testes, e as penalidades com relação a roubo ou o uso indevido de softwares de terceiros são publicamente conhecidas e definidas em lei".


A decisão de o TSE realizar "testes de penetração" nas urnas eletrônicas ocorreu após PT e PDT terem ponderado junto ao tribunal que a verificação feita pelo colegiado "não consegue aferir a resistência do sistema contra 'ataques informatizados intencionais'".


Pelo edital, publicado pelo tribunal e sugerido pelo ministro relator do caso, Ricardo Lewandowski, "o TSE será responsável pela definição e preparação dos equipamentos necessários para a realização dos testes", e duas comissões tratarão da "definição dos procedimentos de realização dos testes", irão "analisar e aprovar a inscrição dos investigadores" e "validar a metodologia (apresentada pelos hackers)".


Segundo o tribunal, serão recusados testes que "não puderem ser repetidos" e "os de caráter destrutivo, que possam resultar em inutilização da urna eletrônica e de seus softwares".


Teste para hackers seria inócuo

Sem a garantia de utilizar um programa que, pela potência, pode destruir completamente o conteúdo interno da urna eletrônica, hackers avaliam que o desafio do TSE seria inócuo.


"As regras não limitam o uso de ferramentas, equipamentos e softwares aos que serão fornecidos pelo TSE. Os investigadores têm liberdade de levar seus próprios recursos, desde que não haja proposta de danificar o hardware (componentes eletrônicos) da urna", explica o secretário de tecnologia da informação do TSE.


"O processo de avaliação da metodologia tem por objetivo excluir propostas que possam causar prejuízo ao patrimônio público (no caso a urna eletrônica) ou procedimentos que claramente não tragam qualquer contribuição. É caso de ações propostas e que não sejam compatíveis com a urna eletrônica. Por exemplo, uma proposta de ataque, via rede, na urna eletrônica. Isso é um caso impossível de acontecer, pois as urnas não são conectadas em rede", diz Janino.


Ainda que hoje as urnas não estejam conectadas em rede, o ministro da Defesa e ex-presidente do TSE, Nelson Jobim, acredita que a decisão do presidente Lula de garantir o direito de eleitores em trânsito no território nacional poderem votar obriga que os sistemas eletrônicos de votação sejam em alguma medida interligados. Na sua avaliação, uma porta aberta para os crackers.


No âmbito da minirreforma eleitoral aprovada pelo Congresso Nacional neste ano, os eleitores poderão votar para presidente e vice-presidente fora de seu domicílio eleitoral em urnas instaladas exclusivamente nas capitais.


"No mundo da informática não existe sistema seguro. Somos nós, seres humanos, que estamos atrás dessas máquinas e somos cheios de falhas. Para haver voto seguro essas urnas eletrônicas também não poderiam passar pelo mesário. Hoje o mesário libera a urna (por meio de um dispositivo na mesa de votação) para a pessoa votar. Já imaginou se o mesário fosse um hacker?", questiona Álvaro Falconi.


"As ações dos mesários são extremamente limitadas e registradas no log (registro de acesso) da urna eletrônica. Cabe ressaltar que é incontável a quantidade e diversidade de barreiras de segurança e procedimentos envolvidos na utilização do Sistema Eletrônico de Votação, o que torna, na visão do TSE, inviável a fraude (nas votações)", rebate o TSE.

“Será que há saída?”: Leis, supressões de direitos e o que será que está acontecendo?

Fonte: FORENSE CONTEMPORÂNEO
Outubro 25, 2009

Gustavo D'Andrea


Muito calor em Ribeirão Preto, mesmo à noite. O tempo parado, e aparentemente de repente (mas só aparentemente) uma enxurrada de questões para debatermos com seriedade. Haverá certamente mais posts sobre várias dessas coisas, mas, se você leu o título, já imagina que estamos falando principalmente de leis e direitos e, claro, preocupações atuais sobre o assunto.


A frase do título, Será que há saída? está no final do comentário de alguém com nome Esperança ao post intitulado “Chávez decreta o fim da propriedade privada“, escrito por Graça Salgueiro no blog notalatina (também publicado no Mídia Sem Máscara). O assunto-título do mencionado post refere-se à inclusão de uma enorme porção de Caracas (Venezuela), incluindo ruas, propriedades privadas, bancos, árvores, bairros etc. no patrimônio cultural venezuelano, por serem considerados bens de interesse cultural. Parece ser como um gigantesco tombamento, e no post pode-se notar que os atos de disposição, quanto às propriedades agora culturais, devem ser autorizados, inclusive herança.

Em vários dos comentários ao post de Graça Salgueiro, há reflexões sobre se este tipo de atitude governamental poderia vir a ser aplicado no Brasil. Isso me lembrou o que um professor de filosofia dizia na faculdade de direito, mais ou menos assim: “você acha que você é o dono da sua casa? Então experimenta parar de pagar o IPTU para ver o que acontece”. De fato, o IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano), no Brasil, possui algumas regras relacionadas ao que a lei chama de função social da propriedade, adquirindo uma progressividade na medida em que tal imposto não é pago e culminando na perda da propriedade por desapropriação (embora seja uma desapropriação indenizada). Quem tiver curiosidade de saber mais sobre como a lei regula isto no Brasil, basta ler as seções III e IV do Estatuto da Cidade (Lei 10.257/2001, disponível no site do Planalto).


Recentemente se falou em tributar a poupança no Brasil, o que parece ter ficado de lado. As pessoas mais antenadas com o mundo tecnológico andaram discutindo sobre a Lei de Crimes Cibernéticos, temendo um controle exacerbado da navegação na internet. Ao lado desses exemplos, estamos verificando um movimento muito rápido na legislação, e já há uma comissão no Senado para a criação de um novo código de processo civil. No próprio
Mídia Sem Máscara, Nivaldo Cordeiro escreve fazendo referência a mudanças no nosso sistema jurídico, entre outras coisas. Como entender e lidar com tudo isso, ajudando a que se realizem os direitos?


Este post é para dizer que eu acredito que haja saída, respondendo à pergunta de Esperança (embora não tenha sido feita para mim esta pergunta). Precisamos analisar e falar. Ler os projetos de lei, estudar os assuntos e escrever. A blogosfera tem crescido, claro. Os juristas blogueiros poderiam pensar mais nas leis e fazer análises.


No ano que vem há as Eleições 2010. E o uso da internet está liberado para propaganda eleitoral depois do dia 5 de julho de 2010 (como diz o art. 57-A acrescido junto com outros no final de setembro de 2009, à
Lei 9.504/97). Então, os blogueiros devem estar preparados, porque há muito o que estudar, pensar e analisar, já neste ano e especialmente no ano que vem.

NAZIS - a Conspiração do Ocultismo

Fonte: deusmihifortis


A invasão vertical dos bárbaros

Fonte: DOCTOR PLUMBING - US ARMY


Por Miguel Gustavo Lopes Kfouri
Curitiba, 30-09-2002


A reportagem de capa (o ano é 2002) de uma das mais importantes revistas do país faz a apologia da mentira. Um candidato socialista radical pode ganhar a eleição para presidente já no primeiro turno. Os efeitos da instabilidade do câmbio sobre a economia revelam que o Estado brasileiro está falido e a beira de um colapso muito maior do que o da Argentina. A CNBB realiza um plebiscito para decidir se o Brasil deve ou não participar da ALCA. E o que é pior: em meio a esse cenário nada auspicioso (e meio kafkiano), vê-se que os membros das classes altas e médias estão completamente alheios e indiferentes aos desdobramentos inelutáveis dessa terrível situação.

Que cultura é essa onde campeia o egoísmo e a mentira como se fossem coisas naturais e até saudáveis? O que está acontecendo em nossa sociedade?

Em 1967, o filósofo Mário Ferrreira dos Santos escreveu um livro com o título que usei como epígrafe deste texto. No prefácio ele explica o significado dessa expressão dizendo o seguinte:

"A História nos relata que houve muitas invasões HORIZONTAIS de bárbaros; ou seja, invasões que se processaram com maior lentidão ou não, maior rapidez ou não, e que consistiram na penetração pacífica ou violenta dos povos, que se deslocavam para as regiões habitadas por outros, impondo-lhes o seu poder ou pelo menos os seus costumes. Mas só se pode falar em invasão de bárbaros, quando essa se processa no território que corresponde à civilização. Não foram essas invasões tão cruentas como muitas vezes são descritas, pois as que se processaram no antigo Império Romano, sobretudo no período final, processaram-se gradualmente, e muitas vezes com o apoio interno dos próprios civilizados, já barbarizados em muitos dos seus costumes.

Na verdade, a invasão que é a penetração gradual e ampla dos bárbaros não só se processa HORIZONTALMENTE pela penetração no território civilizado, mas também VERTICALMENTE, que é a que penetra pela cultura, solapando os seus fundamentos, e preparando o caminho à corrupção mais fácil do ciclo cultural, como aconteceu no fim do império romano, e como começa a acontecer agora entre nós."

Como o próprio filósofo destaca, essa "obra é uma denúncia dessa invasão, que, preparando-se e desenvolvendo-se há quase quatro séculos, atinge agora a um estágio intolerável, e que nos ameaça definitivamente."

Revelando todo seu gênio de verdadeiro filósofo ao refletir sobre essa corrupção cultural, Mário Ferreira dos Santos, sem apelar para radicalismos - que, em reflexão filosófica, é sintoma de superficialidade -, lembra também que,

"De outro lado, há disposições prévias corruptivas, que estão em todo ciclo cultural, e actuam desde o primeiro momento com maior ou menor intensidade, para destruir a forma do ciclo que repelem. E esse é o tema de outra obra nossa 'Vida e Morte dos Ciclos Culturais'."

O livro "A invasão vertical dos Bárbaros" é dividido em duas partes. A primeira trata de temas referentes à sensibilidade e à afetividade do homem. Nela são analisadas questões como a exaltação da força, valorização exagerada do corpo, a supervalorização romântica, a superioridade da força sobre o Direito, a propaganda desenfreada e tendenciosa, a valorização da memória mecânica, o surgimento da horda e do tribalismo, a exploração da sensualidade, a disseminação do mau-gosto etc.

Na segunda parte são tratados temas que se referem à intelectualidade, tais como a luta contra a universalização do conhecimento (com o conseqüente desaparecimento dos princípios comuns a várias ciências, corrupção da linguagem e atomização do conhecimento), o desvirtuamento da Universidade, a separação entre Religião, Filosofia e Ciência, a incompreensão entre Ética e Moral, o Proletário e a exploração ideológica, juventude transviada, nominalismo e realismo, o conceito de Deus etc.

A obra é de atualidade desconcertante, e constitui um diagnóstico preciso das doenças espirituais e culturais que podem levar uma civilização a um estado de barbárie e morte. Portanto, é de leitura fundamental, pois, como se sabe, o diagnóstico é também o primeiro passo para a cura da doença. Demais, a leitura desse livro ajudará a todos que buscam responder às perguntas que fiz acima a encontrar as respostas que procuram.

Contudo, o que quero destacar aqui é que o filósofo escreveu essa obra num momento histórico, cultural e político muito mais tumultuado que o nosso. E, sabendo há muito que a academia oficial, monopolizada pelo governo, jamais seria o lugar de onde deveria partir a luta para salvar o ciclo cultural em que vivemos, pôs-se a escrever durante a sua vida toda, às vezes até mimeografando as suas obras e, assim, cumprindo a sua parte na luta.

A vida e a obra de Mário Ferreira dos Santos constituem para todos nós, mais que um exemplo a seguir, um poderoso testemunho de que, para evitar a completa barbarização de toda uma cultura, basta que existam algumas pessoas cujas vidas estejam integralmente a serviço da Verdade.

Diante dessa afirmação, os pessimistas de hoje talvez dirão que é impossível deter a revolução cultural gramsciana que já está em estádio avançado. Ao que eu responderia: contemplar a realidade dessa ótica é cair naquele velho erro de ficar vendo o corpo através da sombra, atitude que, ao final, só nos levará a tomar a sombra pelo corpo e, no final das contas, "a conhecer o bem pelo seu reflexo no mal", como já disse o professor Olavo de Carvalho. Com efeito, se os que podem ver a luz preferem ficar olhando somente para as trevas, logo tudo para eles será choro e ranger de dentes.

A meu ver, mesmo num momento em que grande parte das pessoas parecem querer dirigir seus olhares somente para as sombras, todas as pessoas que buscam a verdade têm o dever de continuar a olhar para o corpo. E o que isso significa? Deixo a resposta para o mestre Mário Ferreira dos Santos:

"Se temos em nossa estrutura cultural, no âmbito das idéias superiores, tudo quanto de maior a humanidade ardentemente sonhou e desejou, como admitir que se destruiu o que é fundamento para uma caminhada mais promissora?

Que afastemos o que obstaculiza, que lutemos contra o que desvirtua, que fortaleçamos o que nos auxilia a marchar para frente, está bem! Mas renunciar, demitirmo-nos do conquistado, para volver atrás, isso nunca!

Lutar pelo nosso ciclo cultural, fortalecer os aspectos positivos para impedir o desenvolvimento do que é negativo, eis o nosso dever."


Miguel Gustavo Lopes Kfouri
mglkfouri@onda.com.br


***


INVASÃO VERTICAL DOS BÁRBAROS
Trecho do livro "Invasão Vertical dos Bárbaros", de Mário Ferreira dos Santos



O problema ético - O que caracteriza a ética culta e civilizada é a sua fundamentação na prudência como hábito reiterado do saber (virtude é um hábito reiterado e bom), do conhecimento dos princípios, meios e fins, e inclui, subordinadamente, a sabedoria, a ciência, a filosofia, etc. Funda-se na moderação, no manter-se equilibradamente entre os excessos contrários, pois o vício, como hábito continuado do que é mau, pode surgir, também, de uma virtude tomada em excesso.

A moderação é a temperança nas paixões, o evitar-se os excessos, o saber manter-se no meio termo justo e bom. Por isso a moderação exige também a justiça, o reconhecimento do que é devido à natureza das coisas, o respeito aos seus direitos, a ausência da lesão ao direito alheio, o saber dar a cada um o que lhe cabe, com moderação. E exige ainda coragem, ânimo forte, a capacidade para saber arrostar os riscos, que a prática do bem pode exigir, sem cair nos excessos da temeridade e da audácia. Vê-se, assim, que a prudência precisa dos freios da moderação, da iluminação, da justiça e da força, da coragem, como a moderação necessita o auxílio da prudência, os limites da justiça, a coragem que faz vencer os ímpetos exagerados, e a coragem o conhecimento da prudência, os freios da moderação, a visão clara da justiça. Todas essas virtudes cooperam entre si para darem os melhores resultados. Soltas, são incompletas; cooperando, são poderosas. O homem verdadeiramente culto sabe dosar seus atos. O bárbaro, não. Este se deixa arrastar pelos excessos da coragem que o levam à temeridade, à audácia; aos excessos da prudência, que o tornam astucioso, manhoso; aos desvios da justiça, que o tornam cruel, inclemente; aos desvios da moderação, que o levam à ira, à cólera, à destruição.

Que nos mostra o espetáculo de hoje? Não há exemplos viciosos que se repetem e se multiplicam? Bárbaros intra muros... É mister apontá-los, e apontá-los até dentro de nós, porque em nossos momentos de fraqueza e de desfalecimento somos bárbaros também. Que cada um faça seu exame de consciência, e compreenda que não há nessas atitudes nenhuma grandeza, pois a temeridade e a audácia bárbaras não são manifestações de força, mas apenas de fraqueza na capacidade inibidora; revelam apenas que aquele que os sofre é um fraco em sua vontade e em sua inteligência. Por isso é presa fácil de suas paixões e de sua concupiscência. Só os fortes, só os corajosos são moderados e prudentes, porque tais virtudes exigem mais inteligência e vontade do que deixar desencadear as forças primitivas.

Dizia Nietzsche, e nisto ele era bem cristão, que o homem de real valor não é aquele que levanta o gládio e desfecha o golpe, mas aquele que, sendo capaz de levantar o gládio, não fere, e perdoa.

A ética do bárbaro é a ética do dente por dente, do olho por olho. É a ética da vingança, é a norma do que deseja apenas o castigo, do sádico que só se satisfaz ao ver o adversário morder o pó da derrota. Não é o que vence e dá a mão para levantar o vencido. Não é o que busca a solução que o tornará amigo de seus semelhantes. Não é o que ama, mas o que odeia.

O bárbaro ameaça a nossa ética. Invade todos os caminhos, penetra nos lares, nas escolas. Quer estabelecer a sua grandeza na sua miséria, proclama a sua força onde esta não está, aponta a sua exaltação, quando ela é depressão, e quando julga olhar a sua altura apenas está vendo o vale, em cujos pântanos ele perdura. Seus vôos são apenas saltos de sapos, ou arrancos de fera, nunca o vôo das aves que invadem o azul do céu, e que são símbolos da grandeza e da inteligência humana.

"Lula fecha os olhos para os direitos humanos"

Fonte: ÉPOCA
25/10/2009

O advogado de presos políticos na Venezuela, na Rússia, na Bulgária e na Guatemala diz que o presidente ignora os abusos de Chávez e Ahmadinejad


JULIANO MACHADO E HELIO GUROVITZ


O banqueiro venezuelano Eligio Cedeño, de 44 anos, cumpre prisão preventiva desde fevereiro de 2007, acusado de fraude financeira. No dia 14, uma corte de apelações ordenou que Cedeño esperasse seu julgamento em liberdade. Ele não só não foi libertado, como poderá ficar na cadeia até meados de 2010. Na semana passada, o principal advogado de Cedeño, o nova-iorquino Robert Amsterdam, reuniu-se em Brasília com o presidente do Senado, José Sarney, e outros senadores para denunciar os abusos da Justiça venezuelana, controlada pelo presidente Hugo Chávez. Em entrevista a ÉPOCA, Amsterdam demonstra frustração pela posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação ao regime de Chávez e ao do líder iraniano Mahmoud Ahmadinejad.



ENTREVISTA - ROBERT AMSTERDAM



Rogério Cassimiro
QUEM É
Advogado de 53 anos. Nascido em Nova York, mudou-se aos 5 anos para Toronto, no Canadá. Casado, tem cinco filhos. Mora em Londres, onde é sócio do escritório Amsterdam & Peroff


O QUE FAZ
É especializado em advogar para presos políticos e companhias privadas, principalmente em países com governos autoritários. Um de seus principais clientes é o russo Mikhail Khodorkovsky, ex-magnata do setor energético e opositor de Vladimir Putin, preso há seis anos por acusações de fraude


ÉPOCA
– Por que o senhor decidiu apelar para o Brasil no caso de Eligio Cedeño?
Robert Amsterdam – Se há um homem no mundo que consegue “lavar” a reputação de Hugo Chávez, seu nome é Lula. Por isso achei importante visitar o Brasil e apresentar o caso Cedeño. Precisamos tirar a máscara de Chávez, acabar com o mito de que ele é o pai dos pobres na Venezuela. Eu fui a Brasília (pela primeira vez, em junho) e percebi que havia uma cortina de fumaça nas informações sobre Chávez. Agora, vou entregar aos senadores um relatório com documentação farta das pressões sobre o Judiciário para manter Cedeño preso. Uma delas é o testemunho da juíza Yuri López, cuja família foi ameaçada.


ÉPOCA
– Como se deu essa ameaça?
Amsterdam – Ela teve a coragem de aceitar uma representação de Cedeño contra dois procuradores por terem pedido a colegas a revisão do processo. A juíza foi afastada do cargo, e um de seus filhos sofreu uma tentativa de sequestro (Yuri López vive como asilada política nos Estados Unidos).


ÉPOCA
– Que meios Chávez usa para controlar o Judiciário?
Amsterdam – Há meios formais e informais. Funciona assim: juízes da Corte Suprema são grampeados e os procuradores federais não ocupam o cargo de maneira fixa. Há uma espécie de sistema rotativo. Se algum deles faz algo que desagrade aos chefes, é afastado. O sistema de trabalho dos juízes é semelhante. Não há garantias para um trabalho isento. Há alguns dias, uma corte de apelação decidiu que Cedeño deveria aguardar o julgamento em liberdade. Desde então, coisas estranhas aconteceram. O tribunal aonde fomos para ter acesso à ordem de soltura estava fechado. E procuradores entraram com um recurso pedindo explicações sobre a decisão só para ganhar tempo. Agora entramos com um pedido de habeas corpus.


ÉPOCA – O governo dificulta seu acesso a Cedeño?
Amsterdam – Quanto a isso, não posso reclamar muito. Mas já passei por situações complicadas. Em minha última visita a Caracas, alguns minutos depois de meu desembarque, a notícia de minha presença no país estava na internet. Também fui vítima do que chamam de “hack and tap” (algo como “hackear e grampear” ). Eles hackeiam seu computador e grampeiam seu telefone. Na Rússia já fui até preso, mas, mesmo que os agentes do governo tenham me perseguido, me espionado, mantinham tudo em sigilo. Na Venezuela, eles divulgaram na TV uma troca de e-mails entre mim e dois advogados venezuelanos, cujo assunto era uma estratégia de defesa para Cedeño.


ÉPOCA – Como o senhor vê a posição do presidente Lula, que usa o argumento do respeito à soberania para não interferir nos problemas da Venezuela?
Amsterdam – Respeito o presidente Lula e seu grande apoio popular. Mas ele é um intervencionista que finge não ser. A situação da embaixada brasileira em Honduras é de total violação de qualquer aspecto do Direito Diplomático, mas ele diz que não há intervenção. Lula vai receber (o presidente iraniano, Mahmoud) Ahmadinejad após uma repressão brutal contra estudantes iranianos em Teerã. E ainda há Chávez, o homem que certa vez disse publicamente para a polícia jogar “uma boa dose de gás” na cara de estudantes que protestavam em Caracas. Defendo presos políticos e o respeito aos direitos humanos em países subdesenvolvidos há 30 anos e nunca vi um líder, legítimo ou não, que tenha sido capaz disso. Não digo que Lula não seja consciente do perigo que Chávez representa, mas isso não adianta nada quando Lula diz haver democracia na Venezuela.


Vamos ser bem claros: não existe democracia na ausência da lei. E quem mais deveria estar ciente disso é Lula. Não se pode fingir que há eleições livres e justas num país em que as leis são interpretadas de acordo com a vontade de uma pessoa. A prisão de Cedeño é uma questão absolutamente política, pois ele manifestava apoio a opositores de Chávez, mesmo sem participação ativa. Para Chávez, deixar Cedeño na cadeia é uma questão de honra. Ele apresentou-se voluntariamente à polícia, de tão convencido de que era inocente (Cedeño era diretor de um banco que fez uma operação de câmbio para dar dólares a uma empresa na compra de computadores americanos. As máquinas não existiam. Ele afirma não saber da fraude na negociação, que recebera a autorização do governo venezuelano).


ÉPOCA – Como o Brasil pode ajudar?
Amsterdam – Sou um dos que consideram (o ex-chanceler alemão) Gerhard Schröder um criminoso, por causa de sua defesa intransigente aos interesses da Alemanha com a Rússia. Schröder estava simplesmente dizendo que era preciso ser aliado de um Estado de terror, que trata seus presos políticos de forma brutal. Chávez é um dos poucos líderes que apoiam abertamente uma organização (as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) que sequestra pessoas e se financia com isso, além do narcotráfico. A última pessoa que Lula poderia apoiar no mundo é Chávez. O que Lula deveria apoiar é o respeito às leis e aos negócios limpos entre seus vizinhos, não esse Estado sem lei e completamente fora de controle. Chávez acredita que seu futuro está diretamente ligado ao de Lula. E Lula, hoje, está numa situação privilegiada: seu país tem grandes reservas de energia, uma economia estável e um papel de líder no eixo Sul-Sul. Tudo isso vai completamente contra o que vigora na Venezuela. Chávez não tem lugar nesse modelo.


ÉPOCA – O apoio de Lula a Chávez é injustificável, então?
Amsterdam – É compreensível que o governo brasileiro tenha seus interesses na Venezuela. Não estou dizendo que Lula precise cortar as relações diplomáticas com Caracas. Mas lamento que Lula esteja aderindo a uma estratégia dos chineses e russos de não interferir em coisas horríveis a sua volta. Lula fecha os olhos para os direitos humanos, algo que transcende a questão da soberania nacional. Tivemos o caso recente do Irã, que executou estudantes, e, em seguida, Lula deu uma grotesca declaração de que eles eram uns perdedores (como no futebol). Agora que o Brasil virou sede das Olimpíadas e é reconhecido como força internacional, será que os brasileiros vão querer ver grandes protestos às vésperas dos Jogos por ser um país que apoia regimes desse tipo? Se o Brasil quiser mesmo o ingresso da Venezuela no Mercosul, é bom refletir sobre em que termos se dará essa inclusão.



”Lula diz haver democracia na Venezuela. Vamos ser claros: não há democracia na ausência de lei. E Lula é quem mais deveria saber isso”

Rituais vazios

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JOSÉ ARTHUR GIANNOTTI
COLUNISTA DA FOLHA


Esvaziamento dos discursos políticos é fenômeno universal que transforma líderes em profetas



Sabe-se que a política possui seus rituais. Os soberanos, os príncipes e os chefes de Estado demarcam seus respectivos territórios formalizando certas condutas que distinguem os que mandam e os que obedecem. Nas democracias contemporâneas os chefes procuram mostrar que atuam no mesmo plano de seus subordinados, mas não é por isso que sub-repticiamente deixam de marcar as diferenças. No que nos concerne, que se observem em particular as roupas do presidente Lula, que quase não repete um terno e se cobre de chapéus segundo as circunstâncias.

Se usa um chapéu do Exército na viagem inspetora-eleitoral às obras do rio São Francisco, é porque pretende sinalizar que todo o esforço da transposição das águas se faz mediante a colaboração militar, portanto, sob seu comando formal. Tudo nele simboliza, ao mesmo tempo, proximidade com o eleitor e distância nos modos de seu ser. No entanto, quanto mais o discurso político se esvazia de sentido, tanto mais essa sinalização do poder se converte num ritual vazio.

O fenômeno é universal, com a exceção notável dos EUA. Note-se, por exemplo, o que Sarkozy [presidente francês] diz a cada momento. Não lhe interessa se o que diz à tarde contradiz o que foi dito pela manhã, importa que seja ele quem enuncia a situação a ser trazida para o nível do discurso.


Não sabe de nada

Entre nós, como nos inclinamos a ser a caricatura do mundo, esse esvaziamento do discurso de nossos "grandes caciques" é flagrante. Ninguém acredita, nem ele mesmo, que o presidente do Senado, José Sarney, não sabia das irregularidades cometidas durante suas gestões. Mas assim mesmo ele declara não saber de nada, e todos nós terminamos sabendo de tudo como se não soubéssemos de nada. Vale tão só o ritual do falar purgante.

O presidente Lula, desde a crise do mensalão, é mestre nesse purgar pelo discurso vazio. Nesta semana, a imprensa anuncia que a defesa do ex-deputado Roberto Jefferson voltou a pedir que o Supremo Tribunal Federal inclua o presidente Lula entre as testemunhas do processo do mensalão. Obviamente, o presidente usará de suas prerrogativas de responder por escrito, reafirmará sua ignorância do caso e tudo continuará como está. Mas os advogados cumprirão a tarefa de dar uma conotação política ao processo, oferecendo uma oportunidade ao presidente de repor o testemunho no plano da indefinição conveniente a seus propósitos.

A fala desse poder mente, pretende ser verdadeira, mas todos sabem que ela é mentirosa. Isso porque as palavras não estão valendo pelo que denominam, mas, antes de tudo, porque simbolizam a chefia que, exibindo-se como fazedor, está além da verdade e da mentira. Desde os filósofos gregos sabe-se que o discurso político se desdobra no nível da retórica; pretende antes convencer do que falar a verdade.

Mas não é por isso que deixa de se revestir com o manto do verdadeiro, pois somente assim, imaginando que estão no verdadeiro, as pessoas podem agir de forma coletiva, assumindo um mesmo paradigma. Mas, se o paradigma da verdade e do interesse verdadeiro deixam de operar, o que a fala inconsequente simboliza?

Como esse discurso retórico pode ainda ter efeito quando as pessoas deixam de acreditar no que estão dizendo e ouvindo?


Marginais

Tudo parece indicar que a fala da chefia não pretende se responsabilizar pelo que está sendo feito. O que faz é o chefe, este e não outro, e, se suas frases são contraditórias, isso vem demonstrar que o feito resulta tão só dele, de seu ser, não de suas palavras, vale dizer, das determinadas opções que foi obrigado a dizer.

A ação política deixa então de ser coletiva para se tornar um dom a ser recebido por aqueles que acreditam. Estes sabem que o benefício não pode ser generalizado, mas, graças à mediação da chefia, podem se apropriar das margens do que os poderosos já possuem.

Não pedem igualdade, apenas participação, ainda que seja pela margem. Participam do jogo político reafirmando sua condição de marginais, contentando-se com os restos de um sistema produtivo que alimenta uma sociedade de consumo.

Pierre Clastres, em seu estudo sobre os guaranis, nos conta que, no fim da tarde, o chefe se levantava e começava a discursar ao léu, sem eira nem beira.

Os índios continuavam ocupados em suas tarefas cotidianas, mas, entre eles e o divino, um elo estava sendo tramado. Como Clastres estava com a cabeça no ser e tempo, de Heidegger, ele dizia que o chefe guarani falava do ser. Na política atual os "caciques" estão se tornando profetas do vazio. E como o nada, assim como o ser, não tem outra determinação a não ser ele mesmo, pode aparecer como a tela onde projetamos todas as nossas carências como se elas já estivessem sendo resolvidas.

Lula configura o outro do desastre do ensino brasileiro, do aparelhamento do Estado, o outro da derrocada de nossas infraestruturas, o outro da falência de nossas instituições políticas, o outro além do bem e do mal.

E também o outro dos velhos caciques, que agora sobrevivem tão só mediante essa alteridade comprometida. Ele e seus companheiros tingem e cobrem a política brasileira com seu manto de verdade falsa, ocultando assim o debate que seria preciso fazer sobre os gargalos atuais que atrasam nosso desenvolvimento. E com a falta de diálogo, eles continuam decidindo como querem e como lhes convém.

Essa política tem resultado em notável inclusão social, mas acompanhada de forte enervamento de nossas jovens instituições democráticas. Como evitá-la?

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".