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quinta-feira, 30 de julho de 2009

A TENTATIVA DE ENQUADRAR A IMPRENSA E DE SILENCIAR OS REPÓRTERES. QUE ELES RESISTAM A UM CERCO INÉDITO EM PERÍODO DEMOCRÁTICO

Fonte: BLOG DO REINALDO AZEVEDO
terça-feira, 28 de julho de 2009

Queridos,

Segue um texto longo, longo mesmo. Mas peço que vocês leiam porque se trata da exposição de um método. Demonstro o modo como o oficialismo está tentando calar a imprensa. Com ele, também presto uma homenagem aos repórteres que honram a sua profissão.
*
Há um movimento organizado para desacreditar o jornalismo e intimidar os jornalistas, especialmente os repórteres. Não se trata de nenhuma teoria conspiratória, com personagens secretas a se mover nas sombras. Eu nunca lido com isso. Meus “fantasmas” sempre são de carne e osso. O comandante da operação é até bem conhecido. Chama-se Franklin Martins, ministro da Comunicação Social e responsável último tanto pela área de comunicação propriamente dita como pela distribuição da verba publicitária do governo e de estatais. A manifestação mais visível e virulenta dessa ação é o tal blog da Petrobras. Ele é o melhor exemplo do que pode ser descrito como um método.

Blogueiros a serviço do oficialismo se encarregam, depois, de tentar difamar na rede os veículos da grande imprensa. Muitos deles já passaram por jornais, TVs ou revistas importantes e usam esse passado como prova de autoridade. Seus eventuais leitores se esquecem de perguntar por que, afinal de contas, foram banidos da imprensa de primeira linha e terminam seus dias exercendo este triste papel. Mas não quero me deter nisso agora. Volto à questão do método, não sem antes fazer uma advertência.

Chegou a hora de a chamada grande imprensa se dar conta desse movimento de desmoralização e reagir. Até porque é evidente que as chances de o atual grupo que governa continuar no poder não são pequenas. Mais oito anos na mesma toada, e será abolida a saudável vigilância do poder exercida pela imprensa em qualquer país democrático do mundo. Nesta segunda-feira, uma reportagem pôde ser tomada como estudo de caso. Professores de jornalismo, se ainda os há, deveriam levá-lo para a sala de aula — os que não forem de esquerda, claro, se os houver. Adiante.

A Folha publicou ontem uma reportagem de Fernando Barros de Mello, um jovem repórter muito cuidadoso e cioso dos bons procedimentos da profissão. Leiam a íntegra do que foi publicado. É importante ir até o fim. Reparem quantas são as estranhezas nas quais vocês tropeçam. Volto depois.

A Petrobras pagou, de 2003 a junho deste ano, R$ 203,1 milhões a um grupo de empresas de terceirização de mão de obra de Santo André (Grande ABC) que já utilizou laranjas e tem uma dívida milionária cobrada pela União, entre débitos tributários e previdenciários.

As empresas possuem o mesmo nome -Protemp-, têm fundadores ou sócios em comum, apresentam o mesmo endereço e estão abrigadas no mesmo site da internet.

A própria Petrobras enviou à Folha, em um primeiro momento, os valores como se fossem repassados a uma só empresa. Só depois confirmou que eram três diferentes CNPJs.

Dos 27 contratos com a Petrobras desde 2005, 11 foram por dispensa de licitação e 16 pelo sistema de convite, em que a estatal escolhe as empresas que apresentam propostas.

Segundo a Petrobras, a Protemp é responsável por funcionários que fazem de análise de dados meteorológicos ou fiscalização de topografia até serviços de limpeza e comunicação. A empresa diz não ter contratos com outros órgãos públicos.

Dois CNPJs que receberam verbas da Petrobras estão na Lista de Dívida Ativa da União desde fevereiro de 2009 e não podem obter Certidão Negativa de Débitos, o que impede a contratação. Quem está na lista, diz a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, “não está parcelando, não tem uma decisão judicial favorável (mesmo que liminarmente) e nem efetuou um depósito como forma de garantia, antes de discutir a validade ou não do tributo”.

A reportagem apurou que o primeiro débito previdenciário surgiu em 1999. Hoje, a União cobra dívida de R$ 16,99 milhões. A Protemp diz que os contratos foram feitos porque a empresa questiona débitos na Justiça e está parcelando a dívida. A Petrobras afirma que até o último contrato, de outubro de 2008, toda a documentação estava em ordem.

O grupo Protemp já prestava serviços à Petrobras antes de 2003, mas em volume menor: R$ 19,9 milhões entre 1995 e 2002, no governo Fernando Henrique Cardoso -crescimento de 920,3% em relação ao período da gestão Lula.

Laranjas
As empresas com o nome Protemp pertencem, já pertenceram ou foram fundadas pela empresária Sueli do Espírito Santo, sócia majoritária na Protemp SG Prestação de Serviços, aberta em 1998 em nome de Walter Fabri. À Folha Fabri, que trabalha na empresa até hoje, disse que nunca foi sócio. “Sempre fui funcionário.”

O endereço da sede foi alterado de uma sala em Santana do Parnaíba para o centro de Santo André em 2004. Em 2006, foi aberta a filial do Rio, a cem metros da sede Petrobras.

Na internet, a Protemp diz ter sido fundada em 1987. Na verdade, essa era a Protemp Serviços Empresariais, outra da lista de devedores e que recebeu verbas da Petrobras.

Criada por Sueli do Espírito Santo e Agostinho João Pinheiro (já morto), ela esteve em nome de duas moradoras da periferia de Santo André. Uma delas, Deolinda Malentachi (que também foi sócia de outra Protemp), morreu em novembro de 2007. Ela tinha uma participação majoritária na empresa, de R$ 296 mil. Mas não deixou bens. A documentação mostra que Deolinda deixou o negócio três dias antes de sua morte.

Já a Protemp Consultoria em RH está hoje em nome de ao menos uma laranja. Essa empresa, no entanto, não recebeu da Petrobras.

A Folha localizou, na periferia de Santo André, a aposentada Maria Aparecida da Costa, que aparece como sócia da Protemp Consultoria, mas diz ter sido colocada em uma confusão depois que ela perdeu seus documentos. “Pediram para eu assinar uns papéis”, afirmou.

Maria Aparecida afirmou que, agora, segue orientações de um advogado, que, segundo ela, a procurou há alguns meses. O advogado é Saulo de Lima, de Blumenau (SC). Ex-juiz, foi secretário na gestão do petista Dario Lima e defende o ex-prefeito em outro caso.

Voltei
Barros de Mello fez tudo certo. Ouviu as empresas, inclusive a Petrobras, consultou o cadastro de devedores, procurou os laranjas e falou com eles, evidenciou os procedimentos heterodoxos desses empreendedores. Tudo conforme tem de ser. E quem foi que entrou, então, na arena? O Blog da Petrobras — com os seus satélites fazendo o serviço sujo para tentar desqualificar jornal e jornalista. Publica o blog, sem economizar palavras:

Manchete da Folha está errada
Na matéria “Devedora da União recebe R$ 203 mi da Petrobras” (27/7, pág. A4), a Folha de São Paulo constrói uma tese, a partir de sua manchete, de que a Petrobras fez contratos com empresas devedoras da União. Na verdade, a Petrobras só tem relação comercial atualmente com a Protemp SG Prestação de Serviços, cujo último contrato foi assinado em outubro de 2008, mediante apresentação de todos os documentos exigidos pela legislação vigente.

Vamos ver…
Pra começo de conversa, a Folha de S. Paulo não construiu tese nenhuma. Cadê a tese? Desafio alguém da Petrobras a demonstrá-la. Reportou um fato. A Petrobras pagou mais de R$ 200 milhões a três CNPJs diferentes, todos de empresas com nome Protemp, e duas delas estão na lista de devedores da União. E estão!!! Mas atenção para isto: “Na verdade, a Petrobras só tem relação comercial atualmentecom a Protemp SG Prestação de Serviços, cujo último contrato foi assinado em outubro de 2008, mediante apresentação de todos os documentos exigidos pela legislação vigente.”

Ah, bom!!! Ter relações “atualmente” com apenas uma das três esquisitíssimas Protemps não anula as relações passadas com as outras. Ou anula? Os mais de R$ 200 milhões pagos, está claro, referem-se ao período de 2003 a esta data e dizem respeito a todas as empresas. Mas olhem que isso, na minha opinião, nem é o mais importante, embora estatais e governos não possam fazer negócios com devedores da União. A dívida é apenas um dos aspectos da reportagem da Folha. E os outros?

É razoável fazer negócios com empresas que têm tal histórico? Voltem lá ao subtítulo “laranjas”. Vejam como foram constituídas essas empresas. Olhem que maravilha:

“A Folha localizou, na periferia de Santo André, a aposentada Maria Aparecida da Costa, que aparece como sócia da Protemp Consultoria, mas diz ter sido colocada em uma confusão depois que ela perdeu seus documentos. “Pediram para eu assinar uns papéis”, afirmou.

Maria Aparecida afirmou que, agora, segue orientações de um advogado, que, segundo ela, a procurou há alguns meses. O advogado é Saulo de Lima, de Blumenau (SC). Ex-juiz, foi secretário na gestão do petista Dario Lima e defende o ex-prefeito em outro caso.”

Alguém precisa de mais explicações?

O método
Em que consiste o método de intimidação da reportagem? Em ignorar os problemas para os quais não há resposta e em submeter um aspecto ou outro do texto a torções, respondendo àquilo que não foi escrito. Recuperemos mais duas linhas da reposta da Petrobras: “O último contrato foi assinado em outubro de 2008, mediante apresentação de todos os documentos exigidos pela legislação vigente.” O “último” contrato está de acordo com a legislação vigente? E os outros? Barros de Mello, por acaso, referiu-se, em sua reportagem, ao “último contrato”? Mas a mágica do Blog da Petrobras para esconder débitos com a União vem agora.

A mágica
Leiam com atenção este outro trecho da resposta que está no Blog da Petrobras:

A Protemp SG Prestação de Serviços Limitada reiterou hoje, por meio de carta encaminhada à Petrobras, que não tem débito de nenhuma natureza, seja fiscal, previdenciário, com fornecedores ou empregados.

Notaram? Esse é o caso da Protemp SG Prestação de Serviços Limitada. Não se está falando das outras duas Protemps — NÃO POR ACASO, AQUELAS APONTADAS NA REPORTAGEM DA FOLHA. Elas vêm agora:

Durante a vigência dos contratos anteriores com as empresas Protemp SG Mão de Obra Temporária Ltda. e Protemp Sertviços Empresariais Ltda. também não existiam débitos junto ao INSS e FGTS e as certidões negativas foram apresentadas. Portanto, a Petrobras não celebra contratos com empresas devedoras da União.

Viram? Os débitos “não existiam durante a vigência dos contratos”, o que quer dizer que agora existem — como negar o que está na lista oficial? Então vamos ver se nós entendemos direito a situação. Há três Protemps. As três fazem praticamente a mesma coisa e têm uma mesma dona — depois de alguns “laranjas” terem passado por lá. Como duas das Protemps passaram a ter dívidas com a União (e não foi por falta de grana da Petrobras, né?), então há uma terceira Protemp, esta sem dívida. Entenderam ou preciso desenhar? Se esta vier a ter dívida também, faz-se uma quarta Protemp. Não será por falta de Protemp que essa gente vai ficar sem milhão.

E, assim, a Petrobras conclui, somando dois mais dois e encontrando cinco: “Portanto, a Petrobras não celebra contratos com empresas devedoras da União.” ERRADO! Celebra, sim. Celebrou com uma das Protemps, fazendo de conta que as outras, com as quais já havia trabalhado, não existiam.

Na Folha de hoje, há mais informações sobre a Protemp. Ela conta com 336 funcionários atuando na Petrobras, 183 deles só na área de comunicação. Mas a empresa não tem preconceitos. A exemplo das organizações de R. A. Brandão, é polivalente: atua também na área de limpeza, meteorologia e serviços médicos… Se a R. A. Brandão concorria com as Organizações Capivara, do Seu Creysson, esta deixa as Organizações Tabajara no chinelo.

Ah, sim: quase me esqueço de deixar uma vez mais registrado. Um dos funcionários que a Protemp tem na Petrobras é o ex-chefe do Gabinete Regional da Presidência da República em São Paulo e um dos mais próximos seguranças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em campanhas políticas. Seu nome é José Carlos Espinoza, um dos aloprados do escândalo do dossiê. Ele está na área de comunicação, e sua função é fazer a interlocução com os movimentos sociais. Mais um pouco, vão contratar Freud Godoy para a área de psicologia.

Concluindo
O que a Petrobras fez com o texto de Fernando Barros de Mello, chamando de erro uma apuração impecável e submetendo a linguagem a pequenas malandragens para esconder a verdade nas suas dobras, tornou-se uma constante da área de comunicação do governo. Os tontons-maCUTs da Internet se encarregam do resto.

Essa prática tem de ser denunciada. É nefasta para o jornalismo, especialmente se as próprias redações começarem a duvidar da apuração de seus repórteres. Intimidados, estes tenderão a se limitar ao despacho burocrático para que seus respectivos nomes não passem a freqüentar o lixão da Internet.

Que os repórteres resistam; que não cedam à tropa de choque do oficialismo e aos prestadores de serviço a soldo. A reportagem de Fernando Barros de Mello segue intacta, e o Blog da Petrobras, em vez de contestá-la, endossou-a de forma vexaminosa para ela e virtuosa para ele.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

CHÁVEZ COMPROU LANÇA-FOGUETES DA SUÉCIA E OS ENTREGOU AOS NARCOTRAFICANTES. EIS O “DEMOCRATA ATÉ DEMAIS” DE LULA

Fonte: BLOG DO REINALDO AZEVEDO
segunda-feira, 27 de julho de 2009 | 6:13


...em duas incursões do Exército em um acampamento dos narcoterroristas das Farc, foram encontrados lança-foguetes de fabricação sueca QUE TINHAM SIDO VENDIDOS AO EXÉRCITO VENEZUELANO.


Torço para que todos os leitores brasileiros tenham acesso à informação que segue, mas não estou muito certo disso. Afinal, as editorias de “Internacional” dos jornais andam muito ocupadas defendendo o grande democrata, estadista e paladino da liberdade Manuel Zelaya, o hondurenho que tentou dar um golpe na Constituição democrática do país e, por isso, foi deposto, segundo a… Constituição! Falo disso em outro post. Adiante.

A mais recente edição da respeitada revista SEMANA, da Colômbia, que chegou aos leitores neste sábado, informa que, em duas incursões do Exército em um acampamento dos narcoterroristas das Farc, foram encontrados lança-foguetes de fabricação sueca QUE TINHAM SIDO VENDIDOS AO EXÉRCITO VENEZUELANO. Sim, vocês entenderam direito. Hugo Chávez, aquele que, segundo Lula, garante “democracia até demais na Venezuela”, comprou foguetes dos suecos e os repassou para a narcoguerrilha colombiana. Dois generais que fazem parte do círculo mais estreito de relações do tiranete estão diretamente envolvidos na operação. Um deles integra uma lista de narcotraficantes elaborada pelo governo americano. Traduzo grande parte da reportagem da SEMANA. Comento no post seguinte.
*
Os foguetes venezuelanos
No dia 2 de junho, durante a reunião da OEA em San Pedro Sula, em Honduras, altos funcionários do governo colombiano procuraram, em caráter de urgência, os representantes do governo da Venezuela. Tinham uma informação extremamente grave, que devia ser repassada aos venezuelanos com a maior discrição possível. O assunto, sem dúvida, era delicado.

Tratava-se, nada mais, nada menos, de um informe dando conta de que a Colômbia havia encontrado num acampamento das Farc vários lança-foguetes de propriedade do Exército venezuelano. A preocupação não era para menos. Ainda que, no passado, se tenha encontrado material bélico das Forças Armadas da Venezuela em poder da subversão, especialmente munição e fuzis, era a primeira vez que se encontra artilharia daquele tipo, com alto poder de destruição, nas mãos da guerrilha.

Ao receber a informação, os funcionários venezuelanos se comprometeram a realizar uma investigação para tratar de explicar ao governo colombiano como material de guerra reservado ao Exército venezuelano havia ido parar nas mãos da subversão. Os dias se converteram em semanas. Até sexta-feira passada, quase dois meses depois de transmitido o informe, a explicação venezuelana não havia chegado. O alto comando militar e funcionários do governo, consultados por SEMANA sobre o assunto, optaram por não se pronunciar a respeito, seguindo instruções do presidente Alvaro Uribe. O silêncio do governo de Chávez está na raiz da nova deterioração das relações da Colômbia com a Venezuela. SEMANA investigou e reconstruiu este grave episódio, de profunda gravidade internacional.

Os foguetes suecos
A história começou em meados do ano passado nas selvas de La Macarena, durante uma das muitas operações que o Exército colombiano realizou contra um dos mais temidos, sanguinários e procurados chefes guerrilheiros: Gener García — ou “Jhon 40″, chefe da Frente 43 das Farc. À frente de 300 subversivos, é um dos principais alvos das forças militares, dado que é um dos homens de confiança de Jorge Briceõ, o “Mono Jojoy”, há muitos anos o principal responsável pelo controle do narcotráfico na região oriental do país, razão por que há um pedido dos EUA para a sua extradição.

No fim de julho de 2008, durante uma das incursões contra “Jhon 40″ e seus homens, o Exército chegou até um dos acampamentos do chefe guerrilheiro. Apesar de o subversivo ter escapado, os militares encontraram no local algo que os surpreendeu: vários lança-foguetes AT-4. A estranheza era explicável, já que se trata de uma arma que sem sequer as próprias Forças Armadas da Colômbia têm. É considerada uma das armas de infantaria mais eficientes e letais do mundo. Trata-se de uma espécie de bazuca de manejo e transporte simples. Um único homem pode usá-la facilmente; seu poder a torna muito eficaz para destruir veículos blindados, bunkers ou fortalezas militares. Em outubro, em outro acampamento das Farc, na mesma região, o Exército encontrou partes de outros lança-foguetes desse mesmo tipo.

Os militares colombianos sabiam que, dado o modelo (AT-4), esses artefatos eram fabricados pela empresa Saab-Bofors Dynamics, da Suécia. Os projéteis traziam inscritos os números de série. Essa informação foi passada à embaixada sueca em Bogotá e a autoridades em Estocolmo, com o objetivo de buscar ajuda para estabelecer a origem do armamento e, sobretudo, saber como chegaram à Colômbia. Há pouco mais de três meses, veio a resposta oficial, que confirmou que os números de série dos foguetes encontrados nos acampamentos correspondiam a um lote que havia sido vendido, há alguns anos, pela firma sueca ao Exército da Venezuela.

SEMANA falou com diplomatas da embaixada sueca em Bogotá, que confirmaram que haviam sido, de fato, informados de que o material bélico fabricado por uma empresa de seu país havia sido encontrado na Colômbia: “Estamos muito preocupados com essa situação, e o governo da Suécia está colaborando efetivamente na investigação”.
(…)
SEMANA entrou em contato com representantes da empresa Saab Bofors Dynamics em Estocolmo, que afirmou que é extremamente desagradável que isso tenha ocorrido, porém é algo que sai do seu controle: “Nosso cliente era o Exército da Venezuela. A Saab sempre atua cumprindo a legislação sueca e as leis internacionais para a venda de material de defesa”.

A pergunta óbvia é como essas armas saíram dos quartéis da Venezuela para os acampamentos das Farc. E é aí que o assunto se torna muito mais complicado para o governo venezuelano.

Os generais e as Farc
No acampamento de Raúl Reyes no Equador, foram encontrados vários computadores do chefe guerrilheiro. Nesses computadores, cuja autenticidade foi certificada pela Interpol, encontrou-se a informação que descreve em detalhe as polêmicas relações das Farc com o Equador e com a Venezuela. Poucas semanas depois do bombardeio de 1º de março, conheceu-se publicamente o conteúdo de parte da informação que Reyes guardava. E se evidenciavam, entre outras coisas, vínculos estreitos e colaboração econômica, política e militar de funcionários e militares do governo de Hugo Chávez com a guerrilha colombiana.

Muitos desses documentos foram entregues pelo governo da Colômbia à Venezuela poucas semanas depois do bombardeio. Chávez sempre negou publicamente qualquer colaboração de seu governo com a guerrilha. Algumas das mensagens mais polêmicas eram aquelas nas quais Reyes e outros chefes guerrilheiros trocavam informações sobre a entrega de armas da Venezuela para as Farc. Caracas sempre negou.

Chamou atenção a coincidência de informação de alguns e-mails e os lança-foguetes que a Suécia vendeu ao Exército venezuelano e que acabaram em poder da guerrilha.

Em 4 de janeiro de 2007, “Ivan Márquez” envia um e-mail a Reyes e a outros membros do Secretariado [das Farc] no qual dá um informe sobre vários pontos.
“Como estava previsto, em 3 de janeiro, eu me reuni com os generais (Cliver) Alcalá e (Hugo) Carvajal, com quem Já havia me reunido em três ocasiões na companhia de Ricardo (Rodrigo Granda). Falamos do Plano Patriota, troca de prisioneiros, a “parapolítica” e de três aspectos do plano estratégico: finanças, armas e política de fronteiras. Eles vão nos fazer chegar (na próxima semana) 20 bazucas (não me lembro o calibre) de grande potência segundo eles, das quais 10 seriam para Timo (Timochenko) e 10 para cá. Alcalá sugeriu que fosse uma quantidade maior”.

É o que diz o quarto dos oito pontos do e-mail de Márquez. Poucos dias depois dessa comunicação, Márquez enviou uma nova mensagem a Tirofijo e ao Secretariado. Ele confirmou, entre outras coisas, que “o aparato que recebemos com Timo são foguetes antitanques de 85 mm, dois tubos e 21 cargas. O amigo disse que eles têm mais 1.000 cargas e que, em breve, nos fará chegar outras mais, assim como alguns tubos.”

Quando os e-mails foram encontrados e divulgados, em maio de 2008, a Venezuela tratou de dizer que eles não tinham credibilidade. As autoridades colombianas, por sua vez, sabiam havia tempos da velha intenção das Farc de conseguir armamento pesado em qualquer lugar do mundo. Ainda que os e-mails de Márquez fossem muito claros sobre o tipo de arma que a guerrilha havia recebido dos generais Cliver Alcalá e Hugo Carvajal, a verdade é que nem as forças militares nem os organismos de segurança nacionais tinham a certeza ou evidências de que esse tipo de armamento estivesse em poder da guerrilha.

(…)
Os dois militares venezuelanos que são mencionados por Márquez em seu correio fazem parte do círculo de maior confiança do presidente venezuelano e podem ser apontados como colaboradores das Farc. O general Alcalá é o comandante da 41ª Brigada Blindada e Guarnição Militar de Valencia. Mas o mais polêmico, sem dúvida alguma, e o general Hugo Carvajal, chefe da Direção Geral de Inteligência Militar da Venezuela (Dgim). Em fevereiro de 2008, SEMANA publicou uma extensa investigação que evidenciou a estreita colaboração de Carvajal com as Farc, assim como a proteção efetiva que esse oficial dava a grupos de narcotraficantes. Carvajal estaria também envolvido na tortura e assassinato de membros do Exército colombiano em território venezuelano.
(…)
No ano passado, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos incluiu na lista especial de traficantes de drogas, popularmente chamada de “Lista Clinton”, Carvajal, três altos funcionários do governo venezuelano, o ex-ministro do Interior e Justiça Ramón Rodríguez Chacín e Heny de Jesús Rangel Silva, diretor dos Serviços de Prevenção e Inteligência (Disip).

O assunto dos lança-foguetes do Exército venezuelano em mãos das Farc, sem dúvida, vem a público num momento crítico das relações entre os dois países. Ainda que o governo de Uribe tenha tentado cuidar do caso discretamente para “não jogar mais lenha na fogueira”, é claro que a Venezuela deve explicações não só à Colômbia, mas também à Suécia.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

OS NÚMEROS MENTIROSOS NO PALANQUE QUE CELEBROU A MORTE DA LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL

REINALDO AZEVEDO
Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009

Ser adversário político de Lula é uma tarefa perigosa. E não é de hoje, não. Seu sucesso mais visível na política partidária propriamente dita se dá a partir de 2002. Mas, antes disso, o PT ajudou a enlamear muitas reputações — algumas foram destruídas. E, como já escrevi aqui outro dia, a legenda também pode funcionar como lavanderia de biografias: basta que o interessado preste vassalagem ao soberano. Antes ainda, no meio sindical, um decreto não-escrito de Lula tinha o poder de demonizar pessoas. Cito um caso: Joaquinzão, considerado o “pelego” histórico do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. O homem foi liquidado pelo petismo. Era flor que se cheirasse? Acho que não. Morreu pobre, esquecido e meio maluco num asilo — males que jamais acometerão petistas da máquina sindical. Ou quaisquer outros.

Lembram-se que postei aqui um filme do YouTube em que dois discursos de Lula são recortados? Em 2000, ele esculhamba a família Sarney. Em 2006, ele a santifica. E parece impressionantemente sincero nas duas vezes. Lula é um adversário perigoso porque é o chefe inconteste da maior máquina partidária jamais havida no país, com seus múltiplos tentáculos, e porque sabe atacar bem abaixo da linha da verdade. E o faz com aquele misto de aparente indignação e pia sinceridade.

Ontem, na pajelança em que se começou a celebrar a morte da Lei de Responsabilidade Fiscal, o alvo, claro!, foi o governo tucano de São Paulo — obviamente, mirava em José Serra. Lula lançou ao vento números mentirosos sobre o analfabetismo em São Paulo. Absurdamente mentirosos. Lembremo-nos do caso. Reproduzo um trecho em vermelho da reportagem do Estadão On Line:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou o Encontro Nacional dos Novos Prefeitos e Prefeitas, em Brasília, para atacar o governo do Estado de São Paulo. Em discurso de improviso, Lula disse que o Estado apresenta números elevados de analfabetismo. A crítica do presidente causou constrangimento ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), aliado do governador José Serra (PSDB). "Pasme, caia de costas, Kassab. No Estado de São Paulo nós temos 10% de analfabetos. É o Estado mais rico da federação", disse. "Você não sabe, e eu também não sabia", afirmou o presidente.

Viram? Mas não é só. Lula também sugere que essa é a realidade porque o governo de São Paulo não coopera com o governo federal. Prossegue o Estadão On Line:

Em seu discurso, Lula disse que não adianta o ministro da Educação criar programas de alfabetização se não houve um pacto entre o governo federal e os Estados. O presidente afirmou ainda que as regiões com os mais altos índices de analfabetismo são Norte e Nordeste. Só no Norte, disse, o índice de analfabetismo chega a 19%. Ele cobrou dos prefeitos maior empenho para colocar em prática ações federais de redução do analfabetismo.

Pois bem, leitor. Há o que diz Lula, e há a verdade. E a verdade é bem diferente do que diz Lula. E quem o sustenta? Eu? Peço que vocês acreditem ou em mim ou em Lula? Não. Os dados que seguem são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Segundo o Pnad 2007 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), estes são os índices de analfabetismo em alguns estados das pessoas com 15 anos ou mais:

DF - 3,7%
RJ - 4,3%
SC - 4,4%
SP - 4,6%
RS - 5,0%
PR - 6,6%
MG – 8,9%
RMSP: 3,8% (Região Metropolitana de São Paulo)

Creio que o índice não chegue a 10% nem que se incluam os “analfabetos” de zero a cinco anos... Vejam a evolução dos números ao longo dos anos em São Paulo:

Ano - Taxa de Analfabetismo
1970 - 19,1
1980 -13,9
1991 -10,2
1995- 7,7
1996 - 7,3
1997 - 6,8
1998 - 6,6
1999 - 6,2
2000 - 6,6
2001 - 6,0
2002 - 5,9
2003 - 5,4
2004 - 5,5
2005 - 5,4
2006 - 5,0
2007 - 4,6
Fonte: IBGE - Censos Demográficos (decenais) e PNAD's

Os dados mentirosos de Lula foram, depois, vejam só, corrigidos por outra mentira, esta do Planalto. Na transcrição, ele aparece dizendo que São Paulo tem 10% dos analfabetos de todo o país. Se a intenção tivesse sido essa, por que o "Pasme, caia de costas, Kassab", como se isso fosse um grande escândalo? O Estado tem 22% da população brasileira.

Lula, ontem, estava da pá virada, conforme deixei claro no post “Ataque de boçalidade” (às 19h05), em que tratou a imprensa aos chutes. Por quê? Ora, porque ela relatou, desta feita, o que Lula anda fazendo. Ah, sim: na transcrição de sua fala, o Planalto maquiou a fala do Apedeuta. É como se Lula tivesse dito que o estado de São Paulo tem 10% dos analfabetos do Brasil.

Não, não estou demonizando a política. Ao contrário, se há alguém que não cai no truque fácil de, vamos dizer, “ilegalizar” a política, este alguém sou eu. Observem que jamais trato distribuição de cargos entre aliados como “fisiologismo”, por exemplo. Acho isso um vício da cobertura política. Afinal, é com aliados que se governa mesmo no mundo inteiro — eles têm é de ser competentes. Assim, é compreensível que o presidente faça propaganda de seu governo. Mas há coisas que não lhe são lícitas. E, definitivamente, não é lícito mentir sobre dados, fazendo alusão indireta a um possível adversário político nas próximas eleições. Especialmente num evento pensado sob medida para beneficiar a provável candidata oficial. Especialmente numa cerimônia em que se começou a celebrar a morte da Lei de Responsabilidade Fiscal, como já deixei claro aqui.


quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Reinaldo reina no País dos 'petralhas'

MOVIMENTO ENDIREITAR
Seg, 20 de Outubro de 2008 08:28 Edmilson Siqueira

Na próxima quarta-feira, às 19h, Campinas estará recebendo, na Livraria Saraiva, o mais polêmico jornalista da atualidade. Reinaldo Azevedo estará aqui para autografar seu livro O País dos Petralhas (Editora Record), lançado há poucas semanas e que entrou direto na lista dos mais vendidos, se mantendo entre os cinco primeiros desde o lançamento.

O sucesso do livro era previsto. Afinal, Azevedo escreve diariamente um blog na Internet que tem entre 900 mil e 1 milhão de acessos mensais e talvez seja, de longe, o blog jornalístico mais lido no Brasil. O mais influente não há dúvida que é. Seu blog é lido em Brasília e nos governos estaduais e municipais mais importantes com a mesma freqüência dos leitores comuns.

Recebe cerca de dois mil comentários por dia de brasileiros daqui e de várias partes do mundo e, atualmente, dezenas de leitores de cidades espalhadas pelo Brasil inteiro têm solicitado sua presença para autografar O País dos Petralhas. O nome do livro é um trocadilho que ele criou à época do escândalo do mensalão: juntou “petistas” com “Irmãos Metralhas”, personagens de Walt Disney, todos bandidos, que sempre apareciam vestidos com trajes de prisão carregando um número no peito. A obsessão deles era roubar os bilhões do Tio Patinhas. Os petistas, lógico, odiaram. Polêmico ao extremo e com uma cultura invejável, Azevedo alia essas qualidade a uma outra que encanta a legião de leitores: sabe escrever muito bem.

É de oposição ao atual governo e ao PT, se bem que, no governo anterior, também não deixou em paz FHC e sua turma em temas importantíssimos: criticou a manutenção da valorização do real frente ao dólar (o que FHC admitiria depois ter sido um erro de seu governo) e a emenda da reeleição. À época tinha uma revista, a Primeira Leitura, que fechou ao enfrentar dificuldades para conseguir anúncios. Logo em seguida ao fechamento da revista criou o blog e, devido ao sucesso, foi contratado pela Veja, onde também escreve artigos mensais.

Sua luta diária, mais do que contra o PT e o Apedeuta — um dos apelidos que ele colocou em Lula — é contra a esquerda em geral que, de certa forma, está revigorada na América Latina com a ascensão de Hugo Chávez, de Evo Morales, de Rafael Correa e de outros. O Foro São Paulo, representação máxima desse projeto das esquerdas tem sido atacado sistematicamente por ele e por alguns outros jornalistas antiditaduras e também porque não se conformam — e com razão — de o Brasil fazer parte de um grupo que agrega os narcoterroristas das Farc como se eles fossem um partido político. Católico tradicional, é contra o aborto — inclusive de anencéfalos — e contra as experiências com células-tronco embrionárias, assuntos que talvez lhe tenham rendido o maior número de comentários de leitores contrários às suas opiniões. Mas defende essas posições com tal conhecimento e com argumentos tão fortes, que a discussão se torna difícil para quem se atreve a contestá-lo. É fã de Bento XVI e, se votasse nos EUA, marcaria o xis em McCain com total convicção.

Você me disse que, sem o Lula fazendo sucesso como presidente, o livro nem teria razão de ser. Isso quer dizer que o sucesso do seu livro se deve ao Lula?
Essa resposta prescinde de um contexto. Os petralhas tentaram ironizar o lançamento do livro afirmando que ele vem a público no momento em que Lula tem 80% de popularidade. E eu respondi que assim é que é bom. Não teria graça chutar cachorro morto. Prefiro os vivos. O sucesso do meu livro se deve ao fato de que há muita gente no país que não concorda com os métodos dos petralhas.

As esquerdas estão mais ou menos organizadas no Brasil. Você e alguns outros jornalistas influentes batem na tecla de que o Foro São Paulo é um projeto de poder perigoso para a democracia no continente. Qual o cenário que você imagina na América Latina para que esse projeto tenha sucesso?
O Foro de São Paulo não é um projeto, é um fato. Quando ele foi criado por Lula e Fidel Castro, só Cuba tinha um governo alinhado com seus princípios. Hoje, temos a Nicarágua, a Venezuela, o Equador, a Bolívia, o Paraguai, o Uruguai e o Brasil. E o México chegou bem perto. Qual é a agenda principal do Foro? Enrijecer a democracia e, se possível, extingui-la. Cada governante local faz o que é possível dentro da institucionalidade do seu país. E isso não é segredo. Eles próprios afirmam isso. O que significa “enrijecer a democracia”? Estabelecer mecanismos de supostas consultas diretas que tornem irrelevante a alternância do poder. A idéia é usar mecanismos democráticos contra a democracia. Chávez, Correa e Evo Morales são hoje protoditadores. No Brasil, a marcha tem de ser mais lenta porque o país é mais complexo. Mas está em curso o aparelhamento do Estado, das estatais e dos fundos de pensão pelo PT. Se um partido de oposição vencer a eleição em 2010, uma boa parte do poder continuará na mão do PT. E, é claro, é preciso lembrar que as Farc, uma organização narcoterrorista, fazem parte do Foro. Daí o apoio incondicional desses países que citei ao Equador no conflito com a Colômbia. Note bem: o Brasil apóia um país que acoitava o terrorismo contra um país democrático. E é bom lembrar que, até hoje, o Brasil não reconhece as Farc como narcoterroristas. Seus líderes já deram entrevistas confessando que fazem tráfico de droga. E o Brasil se declara “neutro” em relação a esse caráter terrorista da organização.

Se houvesse uma oposição contra o governo Lula como foi a petista contra FHC, você acha que Lula teria sobrevivido?
É claro que não. Lula teria caído na época do mensalão. As oposições foram covardes. Apostaram que ele cairia de podre ou que sangraria no poder, sem chances de se reeleger. Justiça me seja feita — e dê um destaque gráfico para este “me” aí —, afirmei emPrimeira Leitura que era um erro terrível. Chamei essa escolha de “estúpida”.

Você recebe comentários violentos em seu blog. Alguns, você chega a publicar e a comentar para mostrar o nível da petralhada. Mas, intimamente, essas agressões chegam a incomodar?
Nem remotamente. Quer saber? Acho tudo muito engraçado. Agora, não deixa de ser uma evidência da boçalidade que toma conta do País.

Li na resenha do Diogo Mainardi na Veja que seu blog tem 900 mil acessos mensais. É hoje o mais acessado do Brasil? Você tem números de outros blogs famosos? Dá pra fazer uma comparação?
De 900 mil a um milhão. Olhe, os instrumentos de medição são imprecisos. Se você fizer uma pesquisa no Google Trends, que me parece a ferramenta mais objetiva, o meu blog é o primeiro em política. Mas não me importo com isso. Escrevo o que acho que devo, sem me importar com isso. E é o que o leitor espera de mim. Aliás, nem sempre eu e a maioria dos meus leitores concordamos. Quando tratei da liberação de pesquisas de células-tronco embrionárias e da liberação do aborto de anencéfalos, recebi muito mais discordâncias do que elogios. Eu me oponho às duas coisas. E a maioria dos leitores do blog é favorável. Publico, sim, opiniões contrárias às minhas, desde que venham numa forma respeitosa e não sejam mera propaganda partidária.

Li que você não gosta de jazz. o que para mim foi uma decepção quase igual ao fato de você ser corintiano (risos). Que tipo de música você curte?
Nenhuma (risos). Bem, é uma brincadeira. Não sou especialista em música — não me sinto à vontade para tratar tecnicamente do assunto. Gosto de música de concerto; aprecio alguns compositores chamados clássicos — até onde alcanço, Flauta Mágica, de Mozart, é um dos monumentos dessa arte. Quanto ao jazz, especifique aí: eu fiz uma brincadeira com o chamado “solo de jazz”, aquele momento em que o artista se encanta de tal sorte com a sua improvisação, que beira, digamos, uma masturbação em público (risos). Não consigo entrar naquele encantamento. Há um amigo que diz que algumas pessoas nasceram surdas para a verdadeira música. Talvez eu seja um deles. De fato, o que me interessa são as palavras.

Eu sei — e seus milhares de leitores também — que você dorme bem tarde e acorda tarde e o blog é sua principal ocupação. Como é a sua rotina nessa que é uma das mais novas profissões que a tecnologia proporciona?
Fico ligado ao blog, de algum modo, 16 horas por dia: das 15h às 7h do dia seguinte. É evidente que não fico escrevendo todo esse tempo. No período, leio coisas úteis para o blog; outras que são úteis para mim, para a minha formação. Posso interromper o romance que esteja lendo ou um livro qualquer de ensaios só para olhar se há alguma novidade na rede. Se eu achar a coisa relevante, faço um post.

Você, que já fez jornal, revista e agora está mais no meio eletrônico, acha que o jornal do futuro vai ser numa tela?
Não, não acho, não. O jornal continuará jornal. E vai ter espaço. No Brasil, eles até cresceram um pouco em razão do crescimento da economia. Os veículos impressos sempre vão existir. O que acho é que eles vão ter de mudar quando a Internet realmente se universalizar. Você já reparou que 90% daquilo que os jornais publicam já foi noticiado na rede no dia anterior — e, freqüentemente, pelos veículos eletrônicos dos próprios jornais? Mas há várias coisas a considerar: uma fatia do público ainda confia mais na letra impressa, ainda que ela repita um meio eletrônico. Não só isso: a Internet torna tudo muito linear: o importante e o desimportante estão juntos. O jornal nos dá o senso de hierarquia. Mas chegará a hora em que a Internet ganhará mais credibilidade e aprenderá a lidar com a organização do noticiário.

E o futuro dos jornais?
Acho que eles tenderão a se tornar menos noticiosos e mais analíticos, o que acho excelente. Agora uma coisa é certa: a tiragem cairá drasticamente, como vem caindo no mundo. Reitero: no Brasil, subiu porque havia uma demanda ainda reprimida em razão do baixo crescimento. Assim que as empresas de comunicação aprenderem a ganhar dinheiro com a Internet — ainda não sabem —, darão graças aos céus pela diminuição da tiragem. Afinal, papel é caro, e a logística para a entrega do exemplar ao assinante é complicada e também custosa. O problema é que, até agora, a Internet contribuiu para rebaixar o preço dos anúncios impressos, mas ainda não deu às empresas uma receita publicitária decente.

O que você acha que estaria escrevendo hoje se o presidente fosse o Serra ou o Alckmin?
Meu primeiro livro, Contra o Consenso, reúne textos de literatura, cinema e cultura. Eu me acho melhor escrevendo crítica literária do que crítica política. Mas considero uma tarefa indeclinável caracterizar essa gente que chegou ao poder e os métodos a que ela recorre para estabelecer a sua hegemonia. Ademais, há a suposição, que é dos petralhas, de que nunca escrevi textos criticando o PSDB ou o DEM, antigo PFL. Basta recuperar artigos e reportagens da revista Primeira Leitura. Ou antes até. Eu me opus ferozmente à emenda da reeleição. A revista que eu dirigia alertou para o apagão com seis meses de antecedência. Fui uma das poucas vozes que criticavam com dureza a sobrevalorização do real no governo FHC. O problema é que o PT não admite que alguém possa discordar de suas posições e tenta criminalizar o debate político.

O que eles disseram sobre o livro:
- VEJA – Por Diogo Mainardi;
- O Globo – Por Demétrio Magnoli;
- No Blog do Gerald Thomas – pelo próprio;
- Gazeta Mercantil e JB – Por Augusto Nunes;
- GloboNews - Espaço Aberto Literatura – por Edney Silvestre;
- Estadão – por Rui Nogueira

Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".