Não demonstre medo diante de seus inimigos. Seja bravo e justo e Deus o amará. Diga sempre a verdade, mesmo que isso o leve à morte. Proteja os mais fracos e seja correto. Assim, você estará em paz com Deus e contigo.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Bruno Tolentino - Quero o país de volta
ENTREVISTA COM HEITOR DE PAOLA PARA A REVISTA DO CLUBE MILITAR
O Dr Heitor De Paola, 64, é médico psiquiatra e psicanalista, membro da International Psycho-Analytical Association e do Board of Directors da Drug Watch International e Diretor Cultural da BRAHA, Brasileiros Humanitários em Ação, articulista e escritor, com diversos artigos publicados no Brasil e no exterior, e um livro. No passado, pertenceu a organização Ação Popular (AP) da esquerda revolucionária. Em entrevista à Revista do Clube Militar, o Dr De Paola falou sobre sua experiência passada, sobre seu desencanto com a esquerda, e sobre sua visão atual dos acontecimentos políticos no Brasil, na América Latina e no mundo. Articulista do jornal eletrônico Mídia Sem Máscara, dos Jornais Inconfidência e Visão Judaica, e do site Ternuma. Site pessoal: www.heitordepaola.com.
1) Dr De Paola, inicialmente pediríamos que o senhor nos relatasse algo sobre sua experiência como militante de organização de esquerda.
Minha participação começou já em 1959 quando a esquerda da JEC (Juventude Estudantil Católica, versão secundarista da JUC) conquistou pela primeira vez a UGES (União Gaúcha de Estudantes Secundários), com uma campanha ardilosa. Inicialmente fiquei limitado ao mundo estudantil até a renúncia de Jânio. A partir de então engajei na campanha da “legalidade” de Leonel Brizola, então Governador do RS, posteriormente na campanha pelo plebiscito para a volta do presidencialismo (janeiro de 1963). Neste mesmo ano, já universitário, mantive minha participação estudantil, participei do Congresso da UNE que elegeu José Serra Presidente e neste ano começaram meus contatos com a Ação Popular (AP) e com a Juventude Trabalhista.
Senti que eu precisava entender melhor no que estava me metendo e me inscrevi num curso de marxismo do PCB e facilmente fui fisgado por aquela cantilena mágica que fornecia meia dúzia de regrinhas para explicar tudo o que se quisesse. Entrei para a AP pouco depois do comício da Central (13/03/64) e no dia 1º de abril liderei uma greve que atingiu quase todas as faculdades de Pelotas, RS, com exceção da agronomia, onde predominavam filhos de fazendeiros que nos expulsaram a pauladas! Esta greve era coordenada com a Casa do Trabalhador, reduto do PCB.
Em 65 fui eleito Vice-Presidente da UNE num Congresso cercado pelo DOPS e pela Força Pública, no Centro Politécnico de SP. Na campanha da UNE Volante, em outubro, fui preso em Fortaleza, CE, ficando até dezembro no 23º BC. A Diretoria foi desbaratada, sobrando apenas um dos Vices. Em janeiro 66 haveria um Congresso na União Internacional de Estudantes (UIE) na Mongólia ao qual não consegui comparecer.
Nos dois anos seguintes levei uma vida dupla: como já estava visado, abandonei a política estudantil e integrei o Comando Zonal Sul da AP, encarregado principalmente de Rio Grande, RS. Lá, organizei duas células operárias e uma camponesa e ainda ajudei a montar o esquema de passagem Brasil-Uruguai via Jaguarão-Rio Branco. Em janeiro de 68 saí. Os estudos teóricos, geralmente com estrangeiros clandestinos, versavam sobre Mao, Ho Chi Minh, Giap, Régis Debray.
2) E como se deu o desencanto com a esquerda?
Desde que entrei para a AP rebelei-me contra o extremo autoritarismo que reinava entre seus membros, disfarçado de livre discussão – a “luta interna”. Eu já havia estudado Marx e Lenin e conhecia teoricamente o conceito de “centralismo democrático” (Cavaleiro do Templo: esta turma da esquerda adora contradições, não é mesmo? O que seria o centralismo de algo que é/seria "de todos, para todos"?), mas jamais o havia experimentado ao vivo. No entanto logo ocorreu a contra-revolução de 64 e me convenci que, num movimento clandestino, ele é fundamental, pelo menos por razões de segurança.
Outro fator foi quando, em 65, sendo Vice-Presidente da UNE, percebi a enorme hipocrisia de reuniões para promover a revolução proletária em mansões de altíssimo luxo com farta distribuição de bebidas importadas e carros idem. Numa delas encontramos com altos dirigentes da AP, inclusive o Coordenador Nacional, Herbert José de Souza, o Betinho e eles me pareceram plenamente satisfeitos e adaptados ao local.
Eu percebia, também, um absoluto desprezo pelos outros, os quais só serviam enquanto fossem úteis à causa ou a propósitos mais sórdidos dos dirigentes. Um dos operários que eu “ampliara” foi despedido, ninguém – nem eu – o ajudou, passou a beber, foi abandonado pela família. Outro, um camponês, foi mandado para um encontro no Nordeste e jamais voltou e passou a ser proibido perguntar por ele.
Mas não quero passar por inocente: só saí em função da luta armada, que não aceitei. Não fosse isto eu teria permanecido mais tempo, não sei quanto.
3) Pode-se afirmar que há sinceridade nas afirmações de ex-terroristas, quando alegam que pegaram em armas para salvar a democracia no Brasil?
Absolutamente nenhuma sinceridade! A “luta armada” começara ainda durante o governo democrático de João Goulart, em 1961 e, se teve que ver com alguma ditadura, foi com a cubana. No dia 1º de maio daquele ano a revolução cubana abraçou oficialmente o comunismo e tornou-se uma cabeça de ponte soviética na América Latina. Note-se também que neste ano houve uma radicalização da guerra fria e a construção do Muro de Berlim. A exportação da revolução para o resto do continente começou imediatamente visando, primariamente, a Venezuela – por causa do petróleo – e o Brasil – por seu imenso território e importância estratégica em função da industrialização que avançava lentamente, mas de forma segura. E também por possuírem as Forças Armadas mais capacitadas do continente e era necessário vingar-se de
Três mentiras precisam ser desfeitas:
a- De que a “resistência democrática” começara após o “golpe” de 64. Na verdade, este movimento cívico-militar só ocorreu em conseqüência do grau que já alcançara o avanço revolucionário sobre o poder.
b- De que a luta armada foi desencadeada após o AI-5. Agitações, atos terroristas, focos guerrilheiros precederam a promulgação do mesmo e foram a sua causa.
c- De que a esquerda revolucionária lutava para restaurar a democracia. Não conheci – e continuo quarenta anos depois sem conhecer – nenhum esquerdista democrata. A esquerda visa, ao contrário, implantar o comunismo. Só. O resto é balela.
4) O senhor ao passar a defender princípios contrários aos que esposava no passado sofreu algum tipo de reação traumática em seu relacionamento pessoal?
Logo no início sim. Quando me recusei a prosseguir no caminho revolucionário, exatamente em função da aprovação da luta armada pela AP em janeiro de 68, sofri ameaças de meus antigos “companheiros”, que incluíam pessoas a mim chegadas. Mas eu ainda não defendia princípios contrários. Permaneci alguns anos numa espécie de limbo ideológico, a convalescença veio bem mais tarde, como já expliquei em artigos, conferências e livro. Durante alguns anos eu ainda era procurado por antigos companheiros, inclusive após minha mudança para o Rio. É impressionante como me localizaram rapidamente. Mas não houve mais ameaças, apenas tentativas de arregimentar-me outra vez e contribuições para o sustento do pessoal clandestino.
5) Que considerações o senhor faz sobre o Foro de São Paulo?
A principal consideração não é minha, mas dos próprios fundadores do FSP: é uma organização que reúne as esquerdas da América Latina na tentativa de recuperar neste continente o que fora perdido do Leste Europeu. Ora, o que se perdeu lá – se é que se pode dizer que tenha havido alguma perda? O comunismo. Portanto é uma falácia dizer que o FSP é um clube de amigos, apenas um fórum de debates, cujas decisões não são mandatórias. Segundo seu próprio idealizador, fundador e por anos Secretário-Geral, Marco Aurélio Garcia, trata-se da refundação do comunismo, não mais como uma “revolução proletária”, mas seguindo os ensinamentos de Antonio Gramsci, privilegiando a revolução cultural. Pode dar a impressão de não haver unidade já que o grau de evolução é distinto nos diversos países, mas Hugo Chávez já explicou claramente que, enquanto ele vai de Ferrari, outros são obrigados a ir mais devagar: “O gradualismo é uma estratégia necessária dos governantes esquerdistas para se fazerem aceitar aos poucos”. É ainda MAG quem disse: “Primeiramente temos que dar a impressão de que somos democratas. No início teremos que aceitar certas coisas. Mas isto não durará muito tempo”.
O regime que virá a se estabelecer é a ditadura de terceira geração: a repressão não mais generalizada, como o paredón de Fidel, mas seletiva. São atacadas algumas pessoas ou organizações cuidadosamente selecionadas e o resto se intimida. Veja-se o que ocorre na Venezuela e mais recentemente no Equador, na Nicarágua e na Bolívia.
Apenas secundariamente o FSP foi fundado para tirar Cuba da situação em que se encontrava após o fim da mesada soviética, sendo a última Resolução da OEA cancelando a expulsão de 1962, um dos objetivos secundários plenamente atingidos pelo FSP.
6) Como o senhor analisa o chamado socialismo bolivariano?
Fiquemos com o substantivo porque o adjetivo é falso: socialismo, a fachada de sempre para esconder o fato de que é o velho comunismo. O “bolivarianismo” é uma falácia, uma mistura de elementos incompatíveis para enganar a população e unir comunismo com orgulho nacionalista – ou latinista, pois se pretende implantá-lo em todo o continente – enquanto sua pseudo-doutrina é marxista-leninista e maoísta na origem, nos meios e nos objetivos. Em 1858, em contundente artigo denominado Simón Bolívar, Karl Marx ataca o Libertador com sua costumeira fúria e mordacidade. O desprezo de Marx por Bolívar era tão profundo que, no verbete biográfico que escreveu para a New American Encyclopaedia, ele analisa em detalhes cada uma de suas campanhas, nega suas aptidões militares e, pior ainda, nega-lhe a valentia. Segundo Marx, Bolívar sempre abandonou seus homens em batalha para fugir covardemente. Como então juntar Marx e Bolívar na mesma mixórdia ideológica de Chávez? É só para inglês – ou americano – ver!
7) Como o Senhor vê a verdadeira lavagem cerebral que os estudantes brasileiros têm sido submetidos nas escolas brasileiras, em todos os níveis de ensino?
Como parte essencial da revolução cultural, da “longa marcha para dentro dos aparelhos de hegemonia da burguesia”: educação, mídia, sociedades científicas, Igreja Católica e Forças Armadas, visando modificar o senso comum (as bases tradicionais do pensamento e dos valores ocidentais). Obviamente a educação é primordial, pois abrange desde a mais tenra idade, como já se vê ocorrer com as crianças que, submetidas à doutrinação marxista, já se voltam contra os pais e a família.
A obra maléfica de Paulo Freire, A Pedagogia do Oprimido, começou a ser utilizada na década de 60, antes mesmo do livro que consolidou o pensamento freiriano, principalmente nas escolas de monges capuchinhos, jesuítas e dominicanos. Doutrinando, ao invés de ensinar, foi destruindo lentamente e de forma sutil, toda a educação clássica e formando robôs com “consciência social” e não mais pessoas eruditas. A juventude de hoje sequer consegue articular frases coerentes, mas sabe muito bem quem são os “opressores e os oprimidos”, não conhece – ou desdenha – os heróis nacionais, mas cultua Che, Mao, Fidel, etc. desconhece a rica literatura brasileira e portuguesa, mas conhece bem a reles pseudo-literatura dos Best Sellers. A atual geração de pais e mães já foi deformada de modo que não podem ser “opressores” dos próprios filhos e deixam a eles decisões que não têm condições de tomar. Já estamos perto do caos total e isto se reflete nos baixíssimos índices que a educação brasileira vem obtendo.
8) O senhor lançou recentemente o livro “O Eixo do Mal Latino-Americano”, um estudo minucioso da evolução do comunismo entre o pós-guerra e o Foro de São Paulo. Que comentários pode fazer sobre mais essa obra sua?
Deixo a palavra com o Professor Ivanaldo Santos que, recentemente, elaborou uma resenha do livro: “Neste livro Heitor De Paola apresenta, a partir de sólida documentação, como milhões de pessoas estão sendo submetidas a um sistema de profunda lavagem cerebral e, por conseguinte, de total anestesia política. Esse sistema é financiado pelos governos esquerdista-liberais, por ONGs e fundações internacionais. Além de amplas fontes de recursos financeiros existe a cumplicidade de setores estratégicos da sociedade como, por exemplo, a grande mídia, parte da intelectualidade universitária e setores da Igreja que se auto proclamam de “progressistas” e “esclarecidos”. Entre esses setores ganha destaque a Teologia da Libertação (TL). Uma teologia de inspiração marxista e ateísta que, na prática, funciona como a quinta coluna, a qual tem por finalidade minar e, se possível, destruir a Igreja por dentro, ou seja, a partir de seus sólidos alicerces evangélicos e filosóficos. (...) Por fim, afirma-se que o livro de Heitor De Paola é fundamental para a compreensão da história e das atuais estratégias planetárias de implantação de um governo único e, com isso, acabar com a liberdade. Este livro pode ser o primeiro passo de um processo de esclarecimento e contra-revolucionário na América Latina e no mundo. Justamente o processo que a atual sociedade precisa para novamente poder compreender e experimentar a liberdade e a dignidade humana”.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Entrevista muito didática que CHAMA o cidadão (VOCÊ E EU, NÓS TODOS) a cumprir o nosso dever
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Mídia Sem Máscara ENTREVISTA Daniel Barenbein
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Aristoi Entrevista: Martim Vasques
Prezados visitantes,
Seguindo sugestões, decidimos iniciar uma série mensal de entrevistas, sempre com pessoas que tenham algo importante a dizer sobre educação. Este certamente é o caso do nosso primeiro entrevistado, tanto por ele ser um estudioso sério como por estar coordenando um dos principais projetos de educação liberal do Brasil. Afinal, Martim Vasques da Cunha, 29 anos, é o coordenador do Departamento de Humanidades do Instituto Internacional de Ciências Sociais, uma das primeiras instituições de ensino a adotar a educação liberal como centro de sua filosofia educacional.
Esperamos que a entrevista lhes sejam tão proveitosa quanto foi para nós.
Um abraço,
Lucas Mafaldo
1. Para começar, gostaria que nos falasse sobre sua formação e sobre sua carreira. Muitos lhe conhecessem dos textos que publicou n'O Indivíduo, mas, fora isso, sabemos muito pouco sobre você. Enfim, conte-nos um pouco do que tem feito e dos seus planos.
Bem, não há nada demais na minha formação e na minha carreira. Sou formado em Jornalismo pela PUC-Campinas, fiz também as faculdades de Letras (Unicamp) e de Direito (PUC-Campinas) e atualmente faço mestrado em Ciências da Religião na PUC-SP, sob a orientação de Luiz Felipe Pondé. Abandonei a profissão de jornalista simplesmente porque não agüentava as idiotices que acontecem nas redações; a partir daí, fui trabalhar em outras áreas – como, por exemplo, revisor de textos e vendedor na Livraria Cultura Villa-Lobos – e depois de algum tempo me chamaram para organizar o Departamento de Humanidades do IICS. Agora, sobre o fato das pessoas saberem pouco sobre mim, isso é uma mentira; não sei se isso tem algum interesse, mas é só lerem os meus ensaios em O Indivíduo, no Digestivo Cultural e no meu blog Aurora Borealis, além de, obviamente, verem toda a programação de Humanidades do IICS – e perceberão que estou todo ali, full frontal.
2. Embora certamente haja um núcleo de princípios comuns entre as diferentes definições de educação clássica, há também uma dificuldade em defini-la claramente. Por isso, gostaria de lhe perguntar qual é a sua definição de educação clássica? Enfim, qual a concepção que fundamenta seu trabalho no IICS?
Não tenho uma definição de Educação Clássica porque este tipo de educação não deve ser definido como um sistema cheio de princípios lógicos; a Educação Clássica é a educação que qualquer um deveria ter para ser considerado minimamente articulado. O problema é que o Brasil se importa mais com uma educação fundada em bases ideológicas – seja de direita ou de esquerda – e hoje as pessoas lêem o Rubem Alves e a Marilena Chauí, mas não lêem Plutarco, Aristóteles ou Homero. A nossa concepção do IICS é recuperar, de forma bem quixotesca (no bom sentido, isto é, recuperar um norte que foi perdido, mas que está prestes a ser redescoberto), algum brasileiro decente que queira se (re)integrar à tradição do Ocidente, sem se preocupar com o FEBEAPÁ que as ideologias fizeram no país.
3. Podemos ver, pelos seus textos, que você sempre teve uma grande preocupação com a sua formação pessoal e com as questões da alta cultura. Como a educação clássica influenciou sua própria formação? Como estas idéias chegaram a você e como elas lhe afetaram?
A grande preocupação com a minha formação pessoal nos textos que escrevi vem do fato de que não passo de um grande pedante. Com o tempo, vi que ser um grande pedante não levava a nada; percebi que tinha entrar no redemoinho das coisas, de amadurecer nas ambigüidades da vida. A educação que recebi foi igual a de qualquer garoto de classe média – só não virei comunista e um idiota latino-americano por um milagre. O que aconteceu é que passei por certas experiências que, se não fosse pela conversão que enfrentei, nenhuma educação teria me ajudado a compreendê-las. A educação clássica que você fala, Lucas, é simplesmente a educação do homem ocidental que, confrontado com a perspectiva da morte e a inevitabilidade do Mal, o ajuda a enfrentar essas questões – as questões mais sérias da nossa existência – e tenta encontrar não uma solução, mas uma forma de aceitá-las sem falsos otimismos e sem tragédias anunciadas.
4. Devido ao péssimo estado do nosso sistema educacional, muitos dos nossos leitores se vêem pressionados a recorrer ao autodidatismo. Você se considera um autodidata? O quanto da sua formação se deve ao auxílio de professores e ao esforço isolado?
Qualquer um que se orgulhe em ser um autodidata é um completo otário. O autodidata é o ser mais solitário do planeta. Não encontra eco, não encontra confronto. O Bruno Tolentino me dizia sempre para fazer um mestrado porque, apesar do nível baixo das universidades, elas sempre são um local de encontro de idéias e de debates. Confrontar os seus inimigos intelectuais é essencial para a formação de qualquer um que queria enfrentar a vida como um adulto. A minha formação vem de muita coisa que li sozinho, mas também das várias pessoas que me influenciaram: meus pais, os meus amigos do IFE (Instituto de Formação e Educação, entidade que criei com alguns amigos e onde discutimos Platão minuciosamente há quase quatro anos), os colegas do mestrado, os verdadeiros mestres com quem tive a benção de conviver, como Bruno Tolentino, Luiz Felipe Pondé, João Pereira Coutinho, Olavo de Carvalho; e também os mestres que já se foram há algum tempo, como Eric Voegelin (este sim, a minha verdadeira influência, junto com Tolentino), Mário Ferreira dos Santos, Chesterton e muitos outros.
5. Diga-nos quais foram os principais livros, cursos ou experiências que mais fortemente definiram o seu percurso intelectual – e o que disto você nos recomenda.
Os livros que te marcam mais são sempre relacionados com algumas experiências cruciais pelas quais todo o ser humano deve ter passado. Falo, claro, da experiência da morte e do sofrimento, mas também da bondade e da caridade e o fato de que viver em um mundo que tem as duas coisas simultaneamente é talvez a coisa mais perturbadora que alguém pode sentir.
Por isso, alguns livros são fundamentais para se entender essas experiências; para mim foram os seguintes: Ulysses, de James Joyce; Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust; a Poesia de T.S. Eliot, W.H. Auden e W.B. Yeats (leia tudo o que puder desses três grandes gênios); Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro, de Machado de Assis; Grande Sertão:Veredas, de Guimarães Rosa; Avalovara, de Osman Lins; toda a obra deBruno Tolentino (sem dúvida, o maior poeta que o Brasil já teve); as obras de Drummond, Bandeira e Cecília Meirelles; os ensaios de Edmund Wilson, G.K. Chesterton e C.S. Lewis; e as grandes obras filosóficas de Platão, Aristóteles, Santo Agostinho, Santo Tomás de Aquino e Eric Voegelin.
Também não deixaria de lado a música e o cinema, artes essenciais para que alguém tenha uma sensibilidade saudável. Escute os clássicos (Mahler, Bach, Mozart, Sibelius), escute o bom e velho rock-n´-roll (todo mundo sabe da minha fixação por Bob Dylan) e veja filmes, muitos filmes, em especial os de Stanley Kubrick, Howard Hawks, Joseph Mankiewicz, F.W. Murnau, Scorsese e tantos outros.
6. Finamente, gostaria de entrar em uma questão cara aos leitores do Aristoi: seu trabalho junto ao IICS. Gostaria que você nos contasse um pouco da história deste empreendimento: como ele surgiu, como você se envolveu no projeto e, evidentemente, quais objetivos vocês pretendem alcançar.
A diretoria do IICS me chamou porque precisava de um sujeito jovem, com uma linha sólida de pensamento cristão e que fosse suficientemente maluco para aceitar uma empreitada dessas. Eu preenchia todos os requisitos. Os objetivos que pretendemos alcançar é sermos um centro de pensamento e de formação de scholars. Em outras palavras: um think tank. Conseguiremos? Não sei; o que sei é que a diretoria do IICS me deu todo o apoio necessário.
7. Os "módulos de educação clássica" são, definitivamente, uma dos grandes projetos do IICS. Como foi o processo de desenvolvimento destes módulos (a seleção das leituras, dos temas, a determinação do tempo para cada etapa)?
Foi simples. Inspirei-me nos modelos curriculares do St. John College e do St. Thomas Aquinas e depois discuti bastante com os professores de cada aula, relacionando temas e cruzando referências. Quando se trabalha com pessoas inteligentes e com o mesmo horizonte de pensamento a coisa caminha sozinha.
8. Como será o funcionamento prático dos módulos? Fale-nos um pouco do que vocês esperam realizar enquanto prática pedagógica.
O funcionamento prático dos módulos é a discussão de alguns temas dos livros apresentados e, a partir daí, orientar cada um dos alunos a seguir um caminho próprio, dentro do seu ritmo e do seu interesse. A única coisa que espero é que não venha ninguém com ideologias ou papo falsificado de boteco. Os módulos são para pessoas que gostam de investir na sua formação como algo para a vida e não para conquistar menininhas ou ser bem sucedido no mercado de trabalho.
9. Recentemente, em seu blog, você publicou uma verdadeira declaração de guerra contra o "totalitarismo cultural da esquerda". Como você entende esta guerra cultural? Como você avalia as nossas chances? E – principalmente – quais estratégias lhe parecem mais efetivas?
Bem, estamos em uma guerra, não estamos? Entendo que essa guerra cultural é a mais importante que já passamos. O Brasil não existe mais no mapa da Civilização porque decidiu ir para uma Segunda Realidade onde Foucault é meu rei e o Lula-lá é o exemplo de estadista. É a função desta geração que sabe das coisas recuperar o país do lodo em que se encontra; afinal, nós sabemos que a USP não presta mais e que o PT não é o partido dos santos e imaculados. Nós sabemos quem é quem. E a única estratégia que vejo ser efetiva é a nossa geração tomar vergonha na cara. Mesmo com o aumento de uma resistência na mídia e nos meios educacionais, ainda assim as pessoas que compõem essa suposta “resistência” não passam de sujeitos mimados, egocêntricos e que só pensam no seu “aperfeiçoamento espiritual” – leia-se: fugir do mundo. Afirmam ser cristãos quando Cristo disse que tínhamos que ensinar aos outros, que tínhamos uma missão para realizar neste mundo. É como eu disse: esta é a hora da resistência entrar em ação. Quem não quiser entrar nela não passa de um covarde.
10. Diga-nos o pensa da educação liberal no Brasil - o que podemos esperar do futuro e o que podemos fazer para torná-lo um pouco melhor.
Não existe educação liberal no Brasil. Precisa dizer mais alguma coisa?
11. Por fim, gostaríamos de lhe pedir algumas dicas de estudo e leitura para nossos leitores – e para nós mesmos, evidentemente.
a. Você teria alguma recomendação em relação à ordem prática dos estudos para nossos leituras (técnicas, métodos, etc.)?
A única ordem prática que dou para o estudo é a seguinte: o sujeito tem de estudar porque há um problema que o consome no seu íntimo, um problema que, se não começar a querer saber porque existe e porque incomoda a sua vida, vai deixá-lo louco. Não estude para ter boas notas; não estude para ser culto; não estude para fazer amigos e influenciar pessoas. Estude somente para solucionar a questão que, provavelmente, só vai ser resolvida quando estiver no leito de morte.
b. Que livros sobre educação e formação pessoal você indica?
Indico três: os contos de Sherlock Holmes (para pensar direito e saber onde se encontra o Mal), o Eclesiastes (para você saber que tudo nessa terra é passageiro) e o Autobiographical Reflections, do Eric Voegelin, uma verdadeira aula de como ser um homem do espírito sério.
c. E que livros – sobre qualquer assunto – você recomenda entusiasticamente a nossos leitores?
Recomendo que leiam A Nova Ciência da Política, de Eric Voegelin, para saber o que realmente se passa no mundo, o tratado do Voegelin, Order and History, além de O Mundo Como Idéia, de Bruno Tolentino, uma verdadeira aula de filosofia através da mais bela poesia, e qualquer romance do Joseph Conrad ou do Henry James, para saber como se faz literatura.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Nivaldo Cordeiro é entrevistado pelo blog DIRETO DO ABISMO
Terça-feira, 20 de Maio de 2008
ENTREVISTA AO BLOG DIRETO DO ABISMO
http://darkabysses.blogspot.com:80/
Em nossa opinião, não há melhor maneira de apresentar José Nivaldo Cordeiro*, a quem agradecemos a honra da presente entrevista, do que citar alguns trechos de sua autoria:
“(...) Lutar contra o Estado Total é um dever de consciência”
(José Nivaldo Cordeiro em “O Combate ao Estado Total” )
“(...)Álvaro Vargas Llosa não faz essa distinção entre os condutores da multidão entorpecida e ela própria, por isso disse em entrevista que Che Guevara encarnava a própria figura do perfeito idiota latino-americano.
Grande engano. Che é o protótipo do dirigente revolucionário que sabia exatamente o mal que fazia. Praticava o mal por escolha. Che é Lula, é Dirceu, é Palocci, é Chávez, é Fidel, gente que vendeu a alma ao Diabo e que fará o mesmo com aqueles que estiverem no seu caminho, o povo todo junto. O peruano involuntariamente contribuiu para esconder essa realidade trágica com seus livros e sua divertida expressão.”
(José Nivaldo Cordeiro em “Idiotas ou Malvados”)
1.A recente declaração de Lula em Lima, sobre a importância do Foro de São Paulo (criado na década de 1990 com os partidos “progressistas” da América Latina e do qual fazem parte narcobandidos e terroristas), equivale a admissão, por parte do presidente, ainda que por vias tortas, do monstro totalitário que as esquerdas querem nos impor goela abaixo, qual seja transformar nossa região numa nova União Soviética, com a implantação da “União das Repúblicas Socialistas da América Latina” (URSAL)?
Nivaldo Cordeiro --> A esquerda sempre atuou como unidade mundial, sempre propôs uma ação internacional integrada, mesmo depois de Lênin e Stalin teorizarem sobre a revolução em um só país. Tanto assim que a ex-URSS sempre tentou exportar seu modelo político. Então essa gente não se reúne para tomar cafezinho, mas para articular a revolução, primeiro em escala continental e, depois, em escala mundial. E francamente acredito que essa gente do FSP está articulada com a China e com os demais partidos comunistas no mundo, estejam ou não no poder. O inimigo dos comunistas é o cristianismo, os valores judaico-cristãos. Estava lendo o livro de ensaios do Joseph Brodsky (MENOS QUE UM) e nele há uma descrição de como era a vida no pós-guerra na Rússia, onde viveu. Tentaram fazer da múmia de Lênin um ícone religioso e da própria figura dele um profeta. No fundo, lutam para implantar a mentira como substituta da verdade da alma. A questão econômica é meramente acessória, um veículo para o propósito maior. Nessa luta, para a esquerda, vale tudo, até mesmo vender cocaína nos morros e produzi-la nos altiplanos.
2. Uma vez que “Não há como enganar a lei da escassez, exceto nos discursos populistas” ( "As duas Realidades" ) e tendo em conta que “os agentes revolucionários controlam o Estado e as forças de repressão”, você considera que o estágio da “violência aberta contra os supostos inimigos dos poderosos do dia” é inevitável? Existem alternativas?
Nivaldo Cordeiro --> Sim, esse é um perigo imediato que pode ser iniciado a qualquer momento, se o que eu chamo de Comitê Central do PT achar que chegou o momento. Aliás, já o fazem de forma mitigada na perseguição a empresários, com a desculpa de sonegação fiscal, e de inimigos políticos a quaisquer pretextos, mediante expedientes excusos (embora legais) como escutas telefônicas e ações espalhafatosas da Polícia Federal. São os ensaios iniciais do Estado policial que nos espera se essa gente controlar o Senado e o governo de São Paulo, as únicas barreiras efetivas que nos separam do totalitarismo. Claro, além de não controlarem o comando das Forças Armadas.
3. Em seu artigo “Idiotas ou Malvados” você demonstra a perigosa armadilha da expressão simplista do “perfeito idiota latino americano” (cunhada por Álvaro Vargas Llosa). O que você propõe para que se possa salvar da idiotia as massas que se deixam impregnar pela “propaganda enganosa” que lança seus tentáculos desde as escolas fundamentais até as universidades?
Nivaldo Cordeiro --> Não gosto da expressão "idiota" porque ela minimiza a responsabilidade moral dos militantes de esquerda. Certos que alguns deles são idiotas úteis, mas o comando não, são gente má, imbuída de propósitos malignos. A massa está imbelicilizada depois de décadas de propaganda mentirosa, que está nos jornais, no material escolar, na boca dos professores, na tv e por aí. O que fazer? O que estamos fazendo agora, falando sobre a verdade, sobre a coisa certa, sobre a tradição. Fazer o que nossos avós faziam despreocupadamente, mas agora temos que fazê-lo como missionários. Somos como os restos de Israel, os indispensáveis portadores da verdade que nunca muda.
4. Você considera possível esperar algumas gerações até que a nossa sociedade possa se livrar, por meio do conhecimento, dos vícios que a acometem a partir das ações esquerdistas que a permeiam? Não seria tempo demais para que o jogo do inimigo vingasse antes?
Nivaldo Cordeiro --> A questão de tempo depende muito dos fatos da conjuntura. Veja que José Dirceu cometeu erros táticos graves, que talvez lhe tenha custado o afastamento do grupo menor de comando do processo. A vaidade é um pecado importante e essa comunalha é especialmente vaidosa, por isso eles erram. Temos que levar em conta o elemento erro. Quão mais seguros se sentirem, mais arrogantes ficarão e mais errarão. Lula parece um pavão, mesmo sabendo que a bonança econômica é passageira, fruto que é de uma circunstância favorável única na economia internacional, que muito beneficiou o Brasil, a despeito da comunalha petista. Então vejo que aqui poderemos ter uma experiência à francesa, comuniza tudo mas mantém as aparências de uma economia de mercado, o poder real estando com os sindicatos. Ou uma ruptura, à moda venezuelana. Esta última hipótese só acontecerá se o Comitê Central conseguir neutralizar as Forças Armadas. Ou se ficarem muito confiantes, como em 1963. O tempo dirá. Voltar o povo aos valores tradicionais exigirá que primeiro a elite volte a eles. E a nossa elite é uma ralé, como disse Eric Voegelin dos alemães que viveram sob o nazismo. E eu não sei como tratar essa ralé que é dona de empresas, ensina nas universidades e escreve artigos para jornais. Essa gente parece imune a qualquer conversão de alma. São a ralé moral da Nação, porque têm a responsabilidade de conduzir as coisas e corromperam-se. O tempo é uma questão em aberto.
5. Nivaldo, você identifica no ‘direito positivo’ advindo das premissas socialistas ora infiltradas pelo governo (?) nas instituições mancas do país, como uma das principais causas do “abaixamento moral” de nossa sociedade que se auto-asfixia por meio de uma completa inversão da lei natural a que você se refere em seu artigo “Voegelin e o Direito Natural“?
Nivaldo Cordeiro --> Veja, o ponto é que a moralidade exige o discernimento adulto, a confiança em si mesmo para resolver seus próprios problemas, inclusive a questão da sobrevivência material. O que se vê é que as pessoas vivem agora a fazer concursos públicos para obter uma boquinha, vivem nas filas das bolsas-esmola, os empresários querem política industrial (crédito subsidiado, barreiras alfandegárias, isenções tributárias). Parece que o dom da vida agora depende de um burocrata de boa vontade. Viver na dependência é vício e sintoma de infantilidade. Quão mais infantilizado você se sente, mais ajuda do pai-Estado você vai buscar. Somos uma nação que anseia ser, toda ela, barnabé. É triste. A psicologia descreve bem a moralidade infantil: nenhuma. É preciso educar o ser para a vida adulta dentro de parâmetros morais.
6. As declarações do general Augusto Heleno sobre a política indigenista caótica do governo (?) seriam, segundo seu artigo “Quem são os responsáveis” , o reflexo de uma parte do Brasil ainda “não imerso no sonho hipnótico do esquerdismo irresponsável e suicida”, e portanto ainda saudável. O que poderia mover uma sociedade doente como a nossa, (que precisaria antes uma catarse de cada indivíduo que a compõe) no sentido de merecer o suporte dos “Guardas da Pátria”, antes que nada mais nos reste a defender?
Nivaldo Cordeiro --> As Forças Armadas, pela natureza, não têm interrupção geracional na sua formação. A revolução gramsciana não chegou às academias militares, até onde sei. Os graduados formam os jovens e assim a tradição se mantém. Vejo as Forças Armadas como essa reserva de elite imunizada contra a propaganda comunista. Mas elas, sozinhas, são frágeis; precisam do apoio das lideranças civis. E se estas não vierem, pode acontecer o que houve na Alemanha de Hitler: os generais viraram vassalos dos revolucionários. Uma tragédia. O que precisa é haver essa confraternização entre civis e militares. Mas quem no meio civil? Não vejo ninguém.
7. “A super carga tributária é a mãe e o pai de toda a corrupção reinante.” ("Meia Verdade Sobre os Impostos"). Além de progenitora da corrupção, a super carga tributária, que inclusive pode ser aumentada ainda mais nesta segunda-feira a partir da criação de uma “nova CPMF”, segundo a Folha de SP de hoje (18-05-08), também pode ser compreendida como a via de tributação progressiva crescente pela qual o atual governo(?) pretende atingir o comunismo/socialismo?
Nivaldo Cordeiro --> A supertributação é inerente ao ideário comunista. O ódio à economia de mercado é total. Como a estatização dos meios de produção se mostrou inviável, eles inventaram esse caminho do meio. A corrupção deriva do poder de arbítrio do Estado. O poder político, se tiver na mão o poder econômico, corrompe de cima a baixo o processo de produção. É uma lei inexorável. É preciso separar o poder político do poder econômico. Isso só se consegue mediante a vigência do Estado mínimo, algo inferior a uma carga tributária de 25% do PIB.
8. Em seu artigo "A questão da Representação no Brasil” , você muito bem observa que “vasta proporção do eleitorado simplesmente não tem políticos para representar sua visão de mundo”, já que inexiste um partido que represente as idéias liberais e conservadoras, uma vez que o próprio “DEM hoje levanta a bandeira do igualitarismo socialista.” Em sua opinião a que se deve essa abdicação, essa desistência dessas correntes de direita do debate das idéias com a sociedade, com o homem-massa?
Nivaldo Cordeiro --> Essa é uma boa questão. Sabemos do poder que os marqueteiros políticos têm sobre os candidatos e todos eles, pelo menos os que eu conheço, são companheiros de viagem da comunalha e acreditam que a bandeira do igualitarismo é a única capaz de seduzir o eleitorado. E não é só no Brasil, veja as eleições nos EUA. O discurso é distributivista e a ação política lá também. Minha crença é que o discurso conservador tradicional também dá votos e pode eleger até presidente da República. Lembremo-nos do Collor, que se elegeu contra Lula e não faz muito tempo, empunhando a modernização capitalista. Lembremo-nos de Reagan. A mentira não pode triunfar sobre a verdade se, de fato, existir aqueles que abracem a verdade. A mudança do nome do PFL para Democratas foi a mais óbvia confissão dessa fé na propaganda esquerdista. Nossa direita não acredita em seu próprio discurso e em seus próprios valores. Um erro colossal.
9. Você acredita que toda uma nação possa ter sido enganada por décadas a fio sem se dar conta da bem sucedida revolução gramscista posta em prática e cuja coroação foi a eleição de Lula ( “A questão da Representação no Brasil”)?
Nivaldo Cordeiro --> Os fatos mostram isso. Até Olavo Setúbal, ex-lider civil da revolução de 1964, virou advogado do distributivismo. Na verdade, a geração dos governos militares nem orou e nem vigiou, subestimou o mal. Ele entrou pelos poros, pelos ouvidos, tomou conta do organismo como um vírus letal. A esquerda é uma espécie de AIDS política, mas alguns indivíduos resistem ao mal e não adoecem. Serão a semente do futuro.
10. Nivaldo, em “Mensagem Sangrenta” você adverte que o apoio que “Lula e o PT vêm dando às FARC pode arrastar o Brasil para dentro de um conflito alheio aos nossos interesses geopolíticos”. Você concorda que os interesses políticos de Lula e do PT, ao compartilhar das diretrizes do Foro de São Paulo, têm demonstrado sistematicamente interesses diversos (do) e adversos ao Estado brasileiro?
Nivaldo Cordeiro --> Isso realmente é sério. Chávez só está no poder porque Lula o bancou, duas vezes. E vimos agora a divulgação dos e-mails do terrorista Raul Reys, que incriminam Chávez. Esse Chapolim Colorado é o capitão-do-mato do FSP. Se estourar uma guerra será para destruir o governo constitucional da Colômbia e a comunalha petista fará tudo para que isso aconteça. Dificilmente o Brasil ficará de fora de um conflito assim. Evidente que essa guerra só interessaria aos revolucionários, não ao povo brasileiro, de tradição pacífica e não imperialista.
11. Ao descortinar os muitos “delírios de maluco” da versão feita por Chico Buarque para a canção tema de “Man of La Mancha” (musical de 1965 - Broadway), em seu artigo “O Inacessível Chão” , como se explica que a grande maioria da classe artística e intelectual, que reza pela cartilha da nomenKlatura, não se estabeleça de uma vez por todas no “paraíso” cubano?
Nivaldo Cordeiro --> Boa parte desses artistas de esquerda são profissionais remunerados para a causa comunista, especialmente os mais talentosos. Já me disseram que até Chico Buarque tinha (não sei se ainda tem) uma bolsa de US$ 15 mil de Fidel Castro, mensal, desde o início da carreira. Então o emprego revolucionário bem remunerado está aqui, não em Cuba. E esses caras são inconseqüentes e parasitas. Não gostam do batente. Se venderam ao primeiro que apareceu. Cuba, só em férias.
12. Em Tel-Aviv, onde participou das comemorações dos 60 anos de Israel, Bush comparou Barack Hussein Obama àqueles que nos EUA, (em 1939, quando da invasão da Polônia), defendiam um entendimento com os nazistas, o que provocou a ira dos democratas norte-americanos. Uma vez que Barack Hussein Obama já manifestou seu interesse em conversar com Irã, Cuba e Síria, você considera que procede essa reação dos democratas ao discurso de Bush ou entende que não há negociação possível com terroristas?
Nivaldo Cordeiro --> O Partido Democrata sempre foi um antro esquerdista, que prega o progressismo e uma forma de fascismo, a chamada Terceira Via, de Wilson. É intervencionista, imperialista, faz da indústria bélica seu suporte econômico e sempre se alinhou com a esquerda internacional. Digo: a Nação americana repudia o terrorismo, mas as lideranças do PD cortejam as idéias e os líderes terroristas. Taí um dilema existencial. Quero ver Obama dar comando para derrubar governos delinqüentes. Vimos o que Carter fez no Irã: nada. Será igual.
13. Você avalia que existam bases concretas para se temer um 3º mandato de Lula?
Nivaldo Cordeiro --> Sim. Está tudo pronto para isso. Faltam pouquíssimos votos no Senado, que na Câmara passa fácil. Se FHC e Serra não segurarem, a petelhada se eterniza no poder.
14. Que diferenças você apontaria entre o “socialismo do século XXI” que avança na América Latina e o do Estado totalitário implantado na ex-União Soviética a partir de1917? A “guerra fria” acabou?
Nivaldo Cordeiro --> Nenhuma, ou melhor, eles aprenderam com os próprios erros. Significa dizer que são mais letais e mais perigosos. A Guerra Fria acabou para os norte-americanos. Os esquerdistas nunca declaram a paz.
15. Nivaldo, existe alguma coisa sobre a qual você gostaria de falar que não tenha sido aqui questionado?
Nivaldo Cordeiro --> É um dever de consciência lutar contra o Estado Total.
Se você nos permite, da mesma forma que fizemos com os outros entrevistados, gostaríamos de fazer um rápido bate bola (sem bola mesmo).
• Um livro –
Nivaldo Cordeiro --> Não vale dizer a Bíblia. Order and History, de Eric Voegelin.
• Uma música –
Nivaldo Cordeiro --> Asa Branca, do Gonzagão.
• Um filme –
Nivaldo Cordeiro --> O Poderoso Chefão. do Coppola.
• Um sonho de consumo –
Nivaldo Cordeiro --> Um sitiozinho, num alto de uma serra. Com bichos, eu cuidando. E bem longe do MST.
• Uma alegria -
Nivaldo Cordeiro --> Meus filhos, meu tesouro.
• Um homem –
Nivaldo Cordeiro --> João Paulo II, um santo.
• Uma mulher –
Nivaldo Cordeiro --> Mirna, minha companheira de todas as horas.
• Uma pedra no sapato –
Nivaldo Cordeiro --> O trânsito de São Paulo. Uma estupidez.
• Um campo minado-
Nivaldo Cordeiro --> Nosso sistema jurídico. A qualquer momento se pode ser esmagado pelo Leviatã.
• Uma indignação –
Nivaldo Cordeiro --> A chamada Igreja progressista. Essas caras traíram a fé.
• Inferno-
Nivaldo Cordeiro --> Já visitei esse sítio várias vezes, sempre por causa de meu orgulho. O Inferno é a soberba.
• Raposa do Sol –
Nivaldo Cordeiro --> Um escândalo. Alguém tinha que dar um basta nessa traição nacional.
• Brasil –
Nivaldo Cordeiro --> Um país doente, que precisa da ajuda de seu povo.
• América Latina –
Nivaldo Cordeiro --> Um continente marchando para a revolução comunista.
• 2010 –
Nivaldo Cordeiro --> Lula lá.
• Uma reflexão, um pensamento –
Nivaldo Cordeiro --> Romanos 12,21: "Não te deixes vencer pelo mal; vence antes o mal com o bem".
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Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
