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domingo, 8 de fevereiro de 2009

"Idiotas úteis" e a doença mental

CONSIDERAÇÕES SOBRE A VIDA VIVIDA OU
SEGUNDA-FEIRA, JANEIRO 26, 2009

É típico de uma mente contaminada achar que não existe realidade. Este tipo de mente só acha que tudo o que existe é expressão de opinião e sentimento. Assim criamos as situações mais díspares e esdrúxulas de todas quando alguém se pronuncia defendendo algo verdadeiro e logo um idiota contaminado se une a outros idiotas e proclamam em uníssono que aquela opinião está errada, simplesmente porque assim proclamam. Quanto maior o assunto, quanto mais grave ele for e tiver maior repercussão nos recônditos mentais, mais está sujeito à essa forma de deturpação da realidade.

Essa maneira de ver o mundo contamina principalmente nossos acadêmicos e jornalistas que acham não existir mais nada que a narrativa. E simplesmente ganha o joguinho idiota quem fizer prevalecer sua narrativa independentemente dos fatos mesmo. Logicamente que qualquer idiota (o uso aqui da palavra idiota se dá no nível dos “idiotas úteis”, termo cunhado por Lênin) confrontado com sua narrativa esperneará juntamente com seus cupinchas e tentará fazer com que sua opinião prevaleça. Fica meio difícil fazer isso com uma realidade objetiva última. Não adianta o grupinho de idiotas espernear dizendo que o carro em que eles estão não exista, o carro vai continuar existindo. 

Assim é bem mais fácil fazer isso no campo jornalístico ou acadêmico. Sentado atrás de uma mesa ou protegido atrás de um título acadêmico, qualquer esperneio em grupo é logo taxado de verdadeiro, por mais que seja a mentira última mais sem vergonha. Quando um grupo de “úteis” são designados para o trabalho do esperneio não se pode mais confiar neles para saber a verdade. Pode-se confiar neles para descobrir a moda da hora ou a lavagem cerebral corrente, mas nunca para saber a verdade. Assim enquanto Obama no seu primeiro dia de presidente assina o maior acordo para promover o aborto mundialmente, temos que ficar ouvido de sua cor, seu sorriso, seu carisma, as esperanças do mundo, as possibilidades do milagre desejado etc. Nunca somos confrontados ou nos confrontamos com a realidade.

Dessa maneira nossa classe média acredita piamente no “coitadismo”. Ela acredita irremediavelmente que os pobres são pobres por sua culpa, de ter dinheiro. Acredita-se no mito de que para uns terem um pouco outros não podem ter nada. Dá-lhe esmola, ajuda pra ONGs, militantismo pelos direitos do homem, pela dignidade humana etc. Poderíamos ter pena do sujeito pobre, que não foi educado e ganha a vida mal e porcamente? Talvez. Mas preferimos ter pena do bandido, do ladrão, do traficante, do malandro, da puta etc. Chegamos ao ápice da deformação mental ao dizer claramente que roubar dinheiro dentro de um gabinete é pior que matar uma pessoa. Sério! E as pessoas continuam discutindo isso mesmo depois de qualquer argumento do tipo: VIDA HUMANA. A perda da causa e conseqüência mais imediata as fazem relativizar toda a moral e toda a ética em prol de um desdobramento infinito que vai terminar em quem? No pobre, novamente. Antes de ver que o roubo de dinheiro por um político atenta contra suas vidas, sua saúde, sua educação, seu salário, seu transporte, seus serviços... teimam em concluir que o dinheiro roubado vai matar milhares ou milhões de pobres que não tem nada a ver com a história, por uma cadeira de causa e conseqüência das mais obtusas e implausíveis. 

Quem teima em ver a realidade em prol do pobre, e somente do pobre, teima em fazer exatamente como os jornais e demais mídias procuram conduzir o pensamento. Tudo sempre se refere aos pobres, aos miseráveis, aos flagelados etc. A educação tem que ser limada na base para que os padrões caiam absurdamente a fim de uma inserção social. O dinheiro há de ser distribuído da forma mais obtusa possível pelo pensamento paternalista. Ninguém nunca vê que essas medidas não são tentativas de melhorar alguma coisa, consertar um pouquinho disso ou daquilo. Essas coisas servem somente para deixar o problema como está e criar outro, de profundidade muito maior. Toda vez que o preceito democrático é usado ao extremo... este tente a desmoronar. Se todos que possuímos direitos a isso ou aquilo outro reivindicarmos nossos direitos conjuntamente e da maneira máxima a máquina governamental quebra, se esfacela e enguiça. Agora imagine se todas as pessoas forem colocadas na balança e forem criados milhares de direitos específicos para elas?

A mente humana criada livremente é capaz das maiores proezas. Ela é capaz das associações mais óbvias e das conclusões diretas mais elementares. Mas adoecida ela peca em fazer as operações mentais mais simples. A doença de nosso tempo é exatamente essa: achar que não há verdade, só há opiniões e expressões. Baseados nessa falcatrua intelectual implantada na mente de bilhões de seres humanos tiramos a conclusão direta e inescapável: contaminados por essa doença mental toda a realidade desaparece, prevalecendo o discurso.

Prevalecendo o discurso podem inventar qualquer realidade possível, basta que caiba dentro do discurso. Foi exatamente por esse meio que Obama não foi eleito. Elegeram em seu lugar uma idéia de esperança milagrosa. Sua cor de pele significou uma quebra de paradigma (virtual) e uma promessa de tempos melhores, mais brandos e humanos, quando na verdade a realidade se impõe por si mesma. Basta que o povo desligue a televisão para em menos tempo do que imagina começar a perceber a verdade. Sua vida crua e dura é tudo que lhe resta, e tais tipos de governantes só farão piorar, assim como o fez logo no começo do mandato ao assinar a proposta de gastar bilhões de dólares em plena crise com o fomento do aborto no mundo, para esperança Obama se mostra um perfeito traíra logo de cara. E o pior de tudo é que seus eleitores cristãos, protestantes, judeus, evangélicos e mulçumanos regozijam com seu salvador, o primeiro a ir contra suas crenças. Este é o tipo de reversão mental doentia a que as mentes estão condicionadas, esquecer a realidade e acreditar no discurso. Esquecendo que existe uma realidade que se impõe sobre cada discurso. Mas quando for perceber isso já será tarde demais. 


Mais sobre a doença mental

TERÇA-FEIRA, JANEIRO 27, 2009

Existe algo que sempre me inquieta e hoje tenho plena certeza do que seja. Para explicar minha inquietação tenho antes que explicar as impressões que sempre tive dela. Essas são poucas, mas como são constantes crescem em qualidade. Sempre me achei mais inteligente que a média das pessoas, pelo menos desde que me entendo por gente, coisa que acontece há uns 5 anos somente. Depois essa impressão caiu e hoje eu penso que eu sou como todo mundo deveria ser normalmente, se não sofressem do mal que sofrem. Esse mal pode ser creditado à televisão, à educação, ao capitalismo, ao comunismo, mas de qualquer forma isso só explicaria a origem do mal e não o mal em si. Esse é muito fácil de perceber depois que se passam anos e anos convivendo ao seu lado.

Mas se as pessoas sofrem de um mal e eu me considero normal, por que diabos eu não acho que isso pode ser um sinal de grandiloqüência? Pelo simples fato de que não acho que sou exemplo para ninguém, não devem seguir o meu caminho, não quero que ninguém seja como eu sou e acho que se alguém se espelhar em mim para se desenvolver só pode ser um burro. Depois que percebi isso em meu íntimo é que tive a certeza de que não sou egocêntrico nem megalomaníaco. E consequentemente consegui enxergar mais claramente a realidade. Quando eu consegui enxergar mais claramente a realidade é que por tabela eu descobri o mal dos outros. Eles são incapazes de enxergar mais claramente a realidade.

De fato a ignorância não tem começo, ela é infinita e persistente. Todos os homens nascem ignorantes, igualmente ignorantes. Essa condição é natural e não precisa ter início, pois é a própria condição manifestada na realidade. Assim o bebê passa anos e anos para aprender a separar e dividir a realidade em pedaços, pedaços reconhecíveis, pedaços reconhecíveis que possuem ligações, pedaços reconhecíveis que possuem ligações e se repetem e são capazes de identificação. Isso em relação a todos os sentidos, a sensação ao tocar uma árvore vai se repetir, a resposta ao chorar vai se repetir, e assim por diante. Anos é o tempo que leva para que uma criança ganhe noção de profundidade, tridimensionalidade e capacidade de abstração. Basta ver qualquer bebê em sua plena forma desengonçada e destrambelhada para saber o que é isso instantaneamente. 

Graças aos erros próprios e, em parte, à condução dos adultos a criança passa por essa fase incólume. E quando possui um sendo mais estável do mundo, em um processo paralelo ao outro, ela começa a falar. A fala é a conquista por natureza da criança, que vai aprender na marra a separação da realidade e sua nomeação. Se começa com papi e mami, ela em pouco tempo vai saber que existe ventilador, cama, garfo, papinha, e com o tempo vai ganhar a noção de amor, morte, doença, perigo etc. A criança aprende tudo isso na terapia de choque, ou ela aprende ou perece. E esquecemos rapidamente que ela demora anos e anos, no mínimo uns 6 anos para aprender e dominar completamente o idioma e conseguir captar grande parte da realidade. Mas mesmo assim ainda nessa idade a criança não sabe o que é morte. 

Eis que continuando nessa descrição vamos terminar o crescimento de um novo ser humano apenas lá pelos 15 anos. E teremos um novo ser formado completamente aos 20. Essa era minha idéia básica, aos 20 anos mais ou menos foi quando tomei consciência da vida mesma e comecei a trilhar meu caminho particular de aprendizagem, busca e desenvolvimento. Quando passei, anos depois, a ver a realidade mais claramente percebi que nossos jovens de 20 anos estão infantilizados. Eles não conseguem perceber o mundo de maneira que um ser humano de 20 anos deveria ver, mas enxerga a realidade através de olhos totalmente deturpados. Cheios de vícios. Quando na verdade o ser humano deveria ter toda a base livre de vícios maiores para começar a desenvolver um trabalho sério, é exatamente o que hoje é o ápice da desenvoltura e por ali fica a coisa toda. Devemos lembrar que comparativamente, aqui em uma hipótese por mim formulada que deve ser considerada livremente, podemos comprar uma criança de 14 anos de dois séculos atrás como estando no mesmo nível intelectual de nossos jovens de 20 hoje.

Isso para falar em termos de início de uma existência minimamente satisfatória. Se olharmos nos consultórios de análise e psiquiatria hoje veremos que a maioria das pessoas não possuem problemas patológicos, mas simplesmente são arrastadas aos consultórios por simples carência emotiva e desestrutura interna para manter-se como um adulto. Ou seja, temos um exército de adultos que são infantis ainda em suas vidas internas. Constatando isso não é espanto algum ver hoje em dia pais, mães, filhos e/ou filhas muitas vezes como amigos e companheiros. A distância mental é tão pequena entre os dois que eles conseguem esse nível de aproximação, quebrando toda a corrente hierárquica necessária à educação do ser humano. Toda a falta e carência que uma mente pode sentir está à mostra para pesquisas nos adultos de hoje em dia. E principalmente nos jovens que serão adultos daqui a algum tempo.

Isso repercute em todos os níveis da vida social. Crianças são histéricas, inseguras, procuram a confirmação e comprovação de que estão certas em ídolos e figuras paternalistas. O pai é o símbolo, ou era, ou cada vez é menos, de referência do filho, a mãe é outro símbolo equivalente. O casal, cada um com sua parcela na construção do novo ser, quando hierarquicamente consolidado é um pilar na qual o filho irá se apoiar para lá chegar um dia. Quando os pais já são meros escombros de vigas retorcidas e colunas deformadas, não há mais apoio algum no qual o filho irá utilizar, e muitas vezes, estando no mesmo nível, haverá apoio mútuo de mesmo nível, o que é lamentável tanto para a consolidação dos pais, como para o crescimento da criança. 

Essa forma de existir que hoje se espalha rapidamente por todas as camadas sociais, é um sintoma direto da falta de desenvolvimento interno de cada ser humano. Todos sabemos que um ser humano carente, que carece de algo, ou de tudo, é inseguro. Quem é inseguro procurará confirmações e apoio onde encontrar um pilar que ache íntegro. Se não houver tal pilar em sua vida toda a moral, todos os valores, todos os atos, forma de pensar e perceber o mundo serão relativizados. É como o estudante que possui toda a biblioteca mundial para estudar, mas não tem instrução de ninguém, tendo que sozinho ir lendo e buscando suas fontes de informação. Se toda a literatura e todos os livros filosóficos, científicos e de todos os tipos lá estiverem a chance que ele se perca no caminho e crie uma idéia absolutamente errada do mundo é enorme. Assim acontece hoje em dia. Mas o principal é que as obras mais significativas, as experiências mais enriquecedoras, não estão disponíveis ao grande público. Toda a literatura, cinema, todas as artes, os estudos, a ciência que está disponível para o grande público é da mais rasteira. Mas isso é evidente, como ensinar a uma criança um pensamento profundo, uma teoria elaborada, o método científico rigoroso? Não é possível. 

Nesse momento reduz-se o mundo num círculo vicioso automático. Se as mentes estão mais fracas vamos relativizar e amenizar o estudo e os modos de compreender o mundo. E assim sucessivamente até o entorpecimento geral da mente humana em todos os níveis. Isso seria trágico por si só se fosse uma reação natural histórica da raça humana. Mas é, nesse caso, enraivecedor, pois o plano todo é orquestrado por uns poucos. O nível intelectual global tem caído profundamente nas últimas décadas. O engraçado é que era para ter crescido vertiginosamente. Qualquer trabalho literário e intelectual só pode ter lugar em sociedades confortáveis. Sociedades em que o nível de conforto atingiu um patamar tal que propicia a transferência de trabalhos braçais e de lutas constantes ao ócio individual. Deparamo-nos com um problema gigantesco aqui. Temos o nível de conforto mais elevado desde o surgimento da raça humana e ao mesmo tempo temos a derrocada do nível intelectual. Não digo que a produção deixou de existir. Nossos mercados editoriais crescem. Mas o lixo que é produzido e cada vez maior e a literatura de merda que existe é infinitamente superior a alta literatura. 

Qualquer ser humano com 20 anos de idade que conviveu em uma sociedade minimamente desenvolvida sabe que se ouvir um homem o aconselhando a pular de uma ponte para ser feliz vai saber que o que o sujeito diz é errado, por rápida impressão interna. Mas isso atualmente não se dá ao fato de que viver é melhor que morrer, mas simplesmente que o fato de morrer por alguma coisa maior foi simplesmente tirado do imaginário popular. A vontade individual foi minada de todas as maneiras. É impensável hoje alguém decidir algo autonomamente se isso vai contra o consenso popular de nascer-estudar-trabalhar-morrer. Aliado a esse fato temos o direito à felicidade, que é um expressão totalmente sem sentido e absolutamente vazia. A felicidade não chega através de luta, trabalho, suor nem nada disso, é um estado alcançado mais pela contingência que pelo plano elaborado, aliás somente pela contingência. Pascal Bruckner sintetizou de forma magistral esse pensamento nessa frase: “nós constituímos as primeiras sociedades a tornar pessoas infelizes por não serem felizes.”

A condição humana é ser infeliz, é ter momentos de angústia, desilusão, tristeza e lamento. Essa é a nossa condição básica, nascemos ignorantes, pelados e famintos. Somos por definição seres que alçam vôo sobre as misérias. Através do trabalho, da luta individual, do crescimento interno, do desenvolvimento dos valores, da consolidação da mente sobre o corpo. Mas todo esse trabalho não nos leva à felicidade, mas a realização humana. Muitas das vezes é trabalhosa e estafante. E na grande maioria não há felicidade em comer, dormir, trabalhar e se manter. Essas coisas básicas trazem a tranqüilidade para ser humano de forma mais plena. Quem tem comida diariamente, uma cama para dormir, possui saúde e família não deve por isso ficar feliz automaticamente, mas simplesmente perceber que possui todas as necessidades básicas satisfeitas e que a partir dali pode buscar uma completude maior. Hoje em dia, talvez, a única coisa pela qual as pessoas lutassem com a própria vida seriam seus filhos, mas uma reduzida parcela da população, a maioria bradaria por uma melhor gestão governamental enquanto culpa meio mundo pelas mazelas. 

O senso individual foi perdido e com isso perdeu-se a unidade interna do indivíduo que se vê capaz de analisar e validar ou não seus pensamentos com a realidade que se impõe a todos. Se a pessoa não se acha mais capaz, como pessoa, de autonomia, pela lógica inexorável do fato teremos uma pessoa que não é capaz de se ver como canal entre si e o mundo. Essa é a doença mental que falei no começo do texto. As pessoas deixaram de perceber-se como algo real que possui correspondência com a realidade e por isso, autonomamente, são capazes de avaliar o mundo por si mesmos e tomar decisões e guiar as próprias vidas.

Essa é a típica condição da criança. Ela é incapaz de autonomia e por isso busca validar-se e a suas ações pelas dos outros, dos pais, depois dos amigos, dos mestres etc. Temos um exército de crianças que não acreditam, ou não são capazes de ver o mundo como realidade mesma. E essas crianças podem ter a idade que for, temos crianças desde cinco anos de idade até crianças com cinqüenta. Esse problema é o maior problema que enfrentamos atualmente. A perda da noção básica individual como ser autônomo. E quando isso acontece, como acontece com qualquer criança, temos a realidade moldada por histórias, que não precisam de lastro real. Conte a uma criança qualquer história e ela acreditará, se for contada por alguém que confia. Por isso a sensação de autoridade da pseudo-ciência e da mídia que temos hoje é altamente destrutiva. Ela substitui a realidade mesma por histórias e narrativas. Que por atingirem crianças, terminam por serem absorvidas como realidade mesma. 

A perda da autonomia é grave e traz conseqüências desastrosas para nossa sociedade. Trazem a perda dos valores, da moral e da ética, a perda da realização humana mesma, transferida para compras, trabalho e hedonismo, e trazem o mal maior, a influência à manipulação mental descarada que ocorre atualmente em todos os níveis da sociedade por uns poucos que conhecem a regra e se aproveitam dela para levar à cabo seus planos grandiloqüentes. Estar apto a perceber tais deformações sociais e mentais generalizadas é a busca básica de qualquer pessoa que perceba a realidade como está. Qualquer um que diga que sabe como trazer a felicidade e completude para a raça humana como um todo é maluco e megalomaníaco. Podemos ao máximo trazer alguns poucos esclarecimentos e uns caminhos incertos para a realização individual do ser, nunca da raça inteira, do povo inteiro, nem de toda nação. Salvar o planeta, salvar todas as crianças, salvar todas as mulheres, salvar todos os gays, salvar todos os árabes, salvar todos os judeus, salvar todas as baleias, salvar todos os negros etc., só pode ser piada de mal gosto e é, mas assim não é percebida pela maioria que não acha nada, o que é pior do que achar alguma coisa. Mas isso também é sintoma da doença mental, a perda constante de individualidade, de poder, de autonomia, de capacidade de crescimento e resolução dos próprios problemas. Perceber isso já é o grande passo para amadurecer, a criança só cresce da primeira vez que se vê como criança e logo busca crescer para ser adulto. 

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

"Idiotas úteis" e a doença mental

CONSIDERAÇÕES SOBRE A VIDA VIVIDA OU DESCONSIDERAÇÕES SOBRE A VIDA ESCRITA
SEGUNDA-FEIRA, JANEIRO 26, 2009

É típico de uma mente contaminada achar que não existe realidade. Este tipo de mente só acha que tudo o que existe é expressão de opinião e sentimento. Assim criamos as situações mais díspares e esdrúxulas de todas quando alguém se pronuncia defendendo algo verdadeiro e logo um idiota contaminado se une a outros idiotas e proclamam em uníssono que aquela opinião está errada, simplesmente porque assim proclamam. Quanto maior o assunto, quanto mais grave ele for e tiver maior repercussão nos recônditos mentais, mais está sujeito à essa forma de deturpação da realidade.

Essa maneira de ver o mundo contamina principalmente nossos acadêmicos e jornalistas que acham não existir mais nada que a narrativa. E simplesmente ganha o joguinho idiota quem fizer prevalecer sua narrativa independentemente dos fatos mesmo. Logicamente que qualquer idiota (o uso aqui da palavra idiota se dá no nível dos “idiotas úteis”, termo cunhado por Lênin) confrontado com sua narrativa esperneará juntamente com seus cupinchas e tentará fazer com que sua opinião prevaleça. Fica meio difícil fazer isso com uma realidade objetiva última. Não adianta o grupinho de idiotas espernear dizendo que o carro em que eles estão não exista, o carro vai continuar existindo. 

Assim é bem mais fácil fazer isso no campo jornalístico ou acadêmico. Sentado atrás de uma mesa ou protegido atrás de um título acadêmico, qualquer esperneio em grupo é logo taxado de verdadeiro, por mais que seja a mentira última mais sem vergonha. Quando um grupo de “úteis” são designados para o trabalho do esperneio não se pode mais confiar neles para saber a verdade. Pode-se confiar neles para descobrir a moda da hora ou a lavagem cerebral corrente, mas nunca para saber a verdade. Assim enquanto Obama no seu primeiro dia de presidente assina o maior acordo para promover o aborto mundialmente, temos que ficar ouvido de sua cor, seu sorriso, seu carisma, as esperanças do mundo, as possibilidades do milagre desejado etc. Nunca somos confrontados ou nos confrontamos com a realidade.

Dessa maneira nossa classe média acredita piamente no “coitadismo”. Ela acredita irremediavelmente que os pobres são pobres por sua culpa, de ter dinheiro. Acredita-se no mito de que para uns terem um pouco outros não podem ter nada. Dá-lhe esmola, ajuda pra ONGs, militantismo pelos direitos do homem, pela dignidade humana etc. Poderíamos ter pena do sujeito pobre, que não foi educado e ganha a vida mal e porcamente? Talvez. Mas preferimos ter pena do bandido, do ladrão, do traficante, do malandro, da puta etc. Chegamos ao ápice da deformação mental ao dizer claramente que roubar dinheiro dentro de um gabinete é pior que matar uma pessoa. Sério! E as pessoas continuam discutindo isso mesmo depois de qualquer argumento do tipo: VIDA HUMANA. A perda da causa e conseqüência mais imediata as fazem relativizar toda a moral e toda a ética em prol de um desdobramento infinito que vai terminar em quem? No pobre, novamente. Antes de ver que o roubo de dinheiro por um político atenta contra suas vidas, sua saúde, sua educação, seu salário, seu transporte, seus serviços... teimam em concluir que o dinheiro roubado vai matar milhares ou milhões de pobres que não tem nada a ver com a história, por uma cadeira de causa e conseqüência das mais obtusas e implausíveis. 

Quem teima em ver a realidade em prol do pobre, e somente do pobre, teima em fazer exatamente como os jornais e demais mídias procuram conduzir o pensamento. Tudo sempre se refere aos pobres, aos miseráveis, aos flagelados etc. A educação tem que ser limada na base para que os padrões caiam absurdamente a fim de uma inserção social. O dinheiro há de ser distribuído da forma mais obtusa possível pelo pensamento paternalista. Ninguém nunca vê que essas medidas não são tentativas de melhorar alguma coisa, consertar um pouquinho disso ou daquilo. Essas coisas servem somente para deixar o problema como está e criar outro, de profundidade muito maior. Toda vez que o preceito democrático é usado ao extremo... este tente a desmoronar. Se todos que possuímos direitos a isso ou aquilo outro reivindicarmos nossos direitos conjuntamente e da maneira máxima a máquina governamental quebra, se esfacela e enguiça. Agora imagine se todas as pessoas forem colocadas na balança e forem criados milhares de direitos específicos para elas?

A mente humana criada livremente é capaz das maiores proezas. Ela é capaz das associações mais óbvias e das conclusões diretas mais elementares. Mas adoecida ela peca em fazer as operações mentais mais simples. A doença de nosso tempo é exatamente essa: achar que não há verdade, só há opiniões e expressões. Baseados nessa falcatrua intelectual implantada na mente de bilhões de seres humanos tiramos a conclusão direta e inescapável: contaminados por essa doença mental toda a realidade desaparece, prevalecendo o discurso.

Prevalecendo o discurso podem inventar qualquer realidade possível, basta que caiba dentro do discurso. Foi exatamente por esse meio que Obama não foi eleito. Elegeram em seu lugar uma idéia de esperança milagrosa. Sua cor de pele significou uma quebra de paradigma (virtual) e uma promessa de tempos melhores, mais brandos e humanos, quando na verdade a realidade se impõe por si mesma. Basta que o povo desligue a televisão para em menos tempo do que imagina começar a perceber a verdade. Sua vida crua e dura é tudo que lhe resta, e tais tipos de governantes só farão piorar, assim como o fez logo no começo do mandato ao assinar a proposta de gastar bilhões de dólares em plena crise com o fomento do aborto no mundo, para esperança Obama se mostra um perfeito traíra logo de cara. E o pior de tudo é que seus eleitores cristãos, protestantes, judeus, evangélicos e mulçumanos regozijam com seu salvador, o primeiro a ir contra suas crenças. Este é o tipo de reversão mental doentia a que as mentes estão condicionadas, esquecer a realidade e acreditar no discurso. Esquecendo que existe uma realidade que se impõe sobre cada discurso. Mas quando for perceber isso já será tarde demais.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".