Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.
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terça-feira, 18 de novembro de 2008

Continente Latino caindo aos pedaços

MOVIMENTO ORDEM VIGÍLIA CONTRA A CORRUPÇÃO


TOMBE AUX LA BEAUX!



Não se trata de sentar sobre o próprio rabo para apontar o rabo do vizinho, até porque, no quesito violência, nosso país está insuperável. Nossos crimes diários ganham contornos de sadismo jamais vistos até então; uma maldade satânica que nos faz arrepiar os ossos, pois os criminosos já não se contentam em simplesmente matar.

Esse retrocesso a barbárie e a decadência que estamos assistindo aqui no país e na América Latina, deve-se à doença do esquerdismo - do bolivarianismo - que nada mais é do que a tentativa de estupro de nossas vidas, a anulação da nossa individualidade, através da estatização da nossa espontaneidade social. Logicamente, que a corrupção é o esteio dessa maldita revolução. O reflexo não podia ser outro: que o digam as pesquisas que apontam nosso Continente como o mais violento e perigoso do mundo.

Estamos nas mãos da bandidagem, inclusive à mercê de grupos - dos "exércitos sociais" dos governos - verdadeiras faunas de antanho mantidas a expensas de recursos públicos, que começam a acreditar serem eles o próprio Estado, e que devem fazê-lo funcionar a qualquer pretexto, esmagando tudo que o perturbe: seja na política, nas idéias, no empreendedorismo, ou, até mesmo, na hora de fazer “justiça”, como vocês verão na matéria abaixo sobre os “ponchos rojos”, na Bolívia.

O flagrante dessa cena horripilante e degradante ganhou as primeiras páginas de alguns dos principais jornais do mundo. Lógico, que não veremos nenhum grupo de “direitos humanos” repudiando tal cena, afinal, da mesma forma que os nossos índios terroristas e outros grupos barbarizam por aqui, os de lá (da Bolívia) também contam com a complacência criminosa de seu governo. 




11 LADRÕES FORAM QUEIMADOS EM UM ESTÁDIO DE FUTEBOL

"Duas pessoas morreram e outras duas ficaram gravemente feridas, nas mãos de uma turba que os atacou juntamente a outros prováveis sete ladrões, em uma localidade do altiplano boliviano, informaram hoje os jornais locais. Fotos:EFE/Stringer

Os habitantes de Achacachi, um feudo dos “ponchos rojos”, de radicais indigenistas aimaras afins do presidente Evo Morales, atacaram as 11 pessoas que estavam, supostamente, perpetrando roubos na comunidade.

Fontes policiais e os meios de comunicação que chegaram ao local, situado a 100 quilômetros de La Paz, confirmaram a morte por linchamento de duas pessoas, enquanto que o restante das vítimas da turba foi internado em uma clínica paceña.

Os vizinhos de Achacachi trasladaram os presumíveis ladrões ao estádio de futebol da localidade, onde os golpearam durante horas, os encharcaram com gasolina e os queimaram, até acabar com a vida de dois deles. Você continua lendo a matéria 
aqui, noNotícias24 (em espanhol). Tem mais fotos por lá.

Enquanto isso, Evo Morales, na Universidade de Fordham, em Manhattam, ontem (segunda-feira), chamava de terroristas seus opositores. Ele afirmou que teve de “negociar com genocidas, com sediciosos e com terroristas para manter a unidade da Bolívia, quando dialogou com a oposição há alguns meses”.

"No aceptan que un líder sindical pueda ser presidente", disse Morales a um público de estudantes e acadêmicos. E aí, isso te faz lembrar-se de mais alguém? PorGaúcho/Gabriela

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

OBAMA E A RE-ESTRUTURAÇÃO DA POLÍTICA PARA A AMÉRICA LATINA

PAPÉIS AVULSOS do HEITOR DE PAOLA

O que está acontecendo com o candidato à presidência, Barack Hussein Obama, faz-me lembrar, inevitavelmente, o que aconteceu com Fidel Castro, e o que depois sucedeu com Chávez. Quando advertimos nossos amigos venezuelanos que o preço da “mudança” seria a privação da liberdade, nos acusaram de ver ameaças até dentro de um prato de sopa... Tínhamos razão, mas já era tarde demais...


ARMANDO VALLADARES


Cubano, ex-prisioneiro em Cuba por 22 anos, Embaixador Americano nos Governos Reagan e George H. Bush, Diretor da Human Rights Foundation


    


Seguindo o velho modelo de Carter de atacar os aliados e proteger os inimigos, Obama deverá re-estruturar a diplomacia para a América Latina no sentido da defesa dos ‘direitos humanos’ nos fiéis amigos dos EEUU e conversar sem pré-condições com os dirigentes hostis. Assim Carter perdeu a Nicarágua para os Sandinistas – e o Irã para os Aiatolás -, apoiou D. Helder Câmara no Brasil contra a ‘ditadura’ e nem deu um pio sobre Cuba Clinton mandou de volta o menino Elián Gonzalez que fugira de Cuba, numa atitude digna de Lula com os atletas ‘traidores’ assim Obama pretende rever o apoio à Colômbia e falar sem restrições com Chávez. É o prosseguimento na América Latina da política do mea culpa e de apaziguamento no sentido de ‘curar feridas’ como já vimos no artigo anterior .Com a intenção de reverter o voto da Florida (27 votos no Colégio Eleitoral), que deu a vitória a Bush duas vezes e onde os Republicanos ainda têm uma pequena margem, Obama desencadeou uma ofensiva feroz, enviando cinco de seus principais assessores para lá, inclusive Hillary Clinton, segundo informa Destaque Internacional. Os dirigentes do Eixo do Mal Latino-Americano também estão nervosos com a possível derrota de Obama na Florida (Al Gore perdeu ali pela trapalhada de Clinton com Elián).


Muito embora todos os dirigentes do Eixo torçam por McCain em termos econômicos, pois ele defende a abertura do mercado americano como todo Republicano e Obama signifique mais protecionismo, a ideologia fala mais alto, jogando por terra mais uma charlatanice de Marx: não é a economia e as ‘condições materiais de existência’ que determinam as ‘superestruturas ideológicas’ - justo o oposto!


Segundo o comentário do DI, ‘Obama já anunciou que, se vencer, estará disposto a dialogar sem prévias condições com o governo autoritário da Venezuela e com o regime ditatorial de Cuba. O candidato democrata se conectaria facilmente com a nova posição concessiva da União Européia, encabeçada pela França e Espanha, que teve o lamentável impulso da diplomacia vaticana, segundo reconheceu o chanceler espanhol Angel Moratinos diante das Cortes espanholas. A UE acaba de receber com cordialidade o chanceler cubano, Pérez Roque, apesar de que este, antes de seu encontro com os representantes europeus, teve o descaramento de declarar que em Cuba não existem presos políticos’.


O Senador pelo Connecticut Chris Dodd, Presidente do Sub-Comitê do Senado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, influente na cúpula Democrata e um nome não descartado para a eventual Administração Obama – inclusive no Departamento de Estado - declarou num artigo recente (13 de outubro) para o Miami Herald, intitulado O novo Presidente deverá adotar uma nova agenda  que a América Latina está experimentando uma espécie de ‘revolução positiva’: ‘Ditadorzinhos militares e a luta ideológica Leste-Oeste são coisas do passado. A inclusão (note-se o termo utilizado pelas esquerdas mundiais) política se expandiu através de irresistíveis processos democráticos e milhões de pessoas têm novas expectativas em relação a seus governos. Como em qualquer lugar, a democracia na região é algumas vezes confusa, erros são cometidos. Mas a mudança é boa’.


Dodd acha que são apenas confusões próprias de regimes democráticos a perseguição e morte de dissidentes na Venezuela, Bolívia e em breve no Equador as reiteradas fraudes eleitorais em todos eles o apoio inclusive territorial e financeiro a grupos guerrilheiros colombianos. Chama à expulsão de Embaixadores americanos nos dois primeiros e a conseqüente retaliação americana de ‘tit-for-tat’.


Este termo é usado na teoria dos jogos [[1]] para significar mais ou menos a Lei de Talião: olho por olho, dente por dente, significando uma reciprocidade das ações, como se a violenta expulsão do Embaixador americano em Caracas, aos palavrões e brados coléricos e psicóticos de Chávez, fosse equivalente à serena e respeitosa resposta americana. Já se pode perceber a mudança que ocorrerá aqui como no Oriente Médio  no sentido do mea culpa: a América deve ‘olhar para dentro e encontrar formas de impedir tais confrontações no futuro’. A América é culpada pelo antiamericanismo! Há quantos anos ouvimos esta lengalenga de nossos esquerdistas? Pois com os Democratas na Casa Branca e com previsível maioria no Congresso, esta será a política americana oficial.


* * *


É adequado lembrar o discurso de Ronald Reagan perante a Associação Evangélica Nacional sobre a URSS: ‘Convoco-os a se precaverem da tentação do orgulho (...)e rotular os dois lados como culpados, a ignorar os fatos da história e dos impulsos agressivos do império do mal (...) e se retirarem da luta entre o certo e o errado, entre o bem e o mal’ (citado no livro o Eixo do Mal Latino-Americano, p. 178). A neutralidade arrogante é inaceitável quando se trata entre o bem e o mal. Ser neutro não é não optar, é optar pelo mal ou errado. Se eu digo que Aristóteles e Marx foram filósofos importantes, estou na verdade comparando um filósofo com um charlatão antifilosófico e, obviamente, dando ao primeiro um crédito que ele não tem.

 


* * *


Relembrando meus tempos de comunista, eu dizia o que Dodd diz agora: ‘Chegou a hora de reconhecer que a América Latina não é o nosso quintal mas nossos vizinhos’ E é nossa obrigação ajudar para melhorar suas vidas. Velhos refrões do CPC (Centro ‘Popular’ de Cultura da UNE) e das musiquinhas idiotas de Carlos Lyra.


Segundo Dodd o próximo Presidente ‘deverá construir uma parceria ampliada com a região’ sugerindo a próxima Reunião da ‘Cúpulas das Américas’, a ser realizada em abril em Trinidad-Tobago como uma excelente oportunidade para incrementar‘as energias em direção à democracia e melhor aproveitamento de recursos’.


Sugere uma parceria com as democracias ‘já consolidadas’ como México e Brasil e tece elogios a Lula, considerando-o um líder adequado para propagar novos modelos de crescimento. A América deverá olhar além das ‘elites tradicionais’,mesmo quando os resultados não forem favoráveis aos nossos aliados tradicionais’, os quais devem ser desencorajados de práticas não democráticas e cooperar com os novos líderes e as novas forças emergentes: indígenas, mestiços, etc., já que a classe política tradicional está desgastada.


Importância fundamental para remover as ‘manchas’ de nossa credibilidade, deverá ser a ‘reorientação de nossas políticas em relação a Cuba, esquecendo os rancores e ressentimentos do passado (...) deixar de lado os irmãos Castro (mais uma vez vale a pergunta do Garrincha) e nos voltarmos para o povo e para o futuro’.


Na próxima ‘Cúpula das Américas’ veremos uma América Latina querendo mudança. Será o momento certo para os EEUU fazerem o mesmo’.


Segundo Armando Valladares ‘se Obama for eleito Presidente nossa sociedade estará mais que nunca em grande perigo. Um dos seus objetivos é a dissolução da família e de seus valores’. Nestas eleições ’pela primeira vez estão em jogo os valores, os princípios, os ideais que formaram esta grande nação. Destruir o cimento deste país é um velho sonho de ideologias totalitárias, de líderes frustrados’


Os cubano-americanos e os latino-americanos residentes na Flórida têm que fazer todos os esforços de propaganda que estejam em suas mãos para evitar a vitória de Obama. Isto constituiria a única salvaguarda do sonho que os fez irem para os EEUU: a liberdade e a busca da felicidade. No caso dos cubano-americanos, trata-se também de uma obrigação para com a causa da liberdade de Cuba.







[1] A Teoria dos Jogos é um ramo da matemática aplicada que estuda situações estratégicas onde jogadores escolhem diferentes ações na tentativa de maximizar seus ganhos. Inicialmente desenvolvida como ferramenta para compreender o comportamento econômico e depois usada pela Corporação RAND para definir estratégias nucleares, a teoria dos jogos é hoje usada em diversos campos acadêmicos: comportamento animal, ciência política, ética, jornalismo e computação, entre outros.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Mentiras concisas

Do portal OLAVO DE CARVALHO
Por Olavo de Carvalho, 23 de novembro de 2002

Comentário do Cavaleiro do Templo: atentem para este nome em toda a mídia nacional, guardem este nome como se fosse o nome da sua esposa ou esposo ou namorada(o). KENNETH MAXWELL. É um dos abestalhados que a nossa mídia trata como se fosse um deus. Leiam abaixo porque, sempre que forem ler algo publicado no Brasil veja se foi escrito por este sujeito e se for esqueça o que ele falar lá.

Num ensaio recém-publicado na New York Review of Books, o historiador Kenneth Maxwell, citado pela mídia brasileira como autoridade confiável, dá um exemplo da capacidade que só um intelectual de esquerda pode ter para comprimir mentiras no espaço exíguo de um parágrafo, quase que à base de uma por sentença. Comentando as advertências de Constantine C. Menges quanto aos riscos que o governo Lula pode trazer para a segurança continental, diz ele:

"Quanto à acusação sobre armas nucleares, é claramente absurda. Tanto a Argentina como o Brasil, ao retornar à democracia, fecharam os seus programas nucleares e assinaram um tratado internacional fazendo da América Latina uma zona desnuclearizada. Quanto ao Foro São Paulo, que seria uma coordenação de terroristas, guerrilheiros e partidos comunistas, nem os mais bem informados especialistas com quem conversei no Brasil jamais ouviram falar dele. Lula participou da última reunião do Foro, em Havana, provável razão de ter entrado na lista de inimigos dos cubano-americanos no Congresso... Verificando a origem da campanha anti-Lula, descobri que começa com Lyndon LaRouche (...) que, em 1995, escreveu..."

Examinemos ponto por ponto.

1. É verdade que o Brasil desistiu do seu programa atômico e assinou um tratado contra armas nucleares na América Latina. Mas, ao usar esse fato como argumento tranqüilizante, Maxwell omite a informação complementar de que foi justamente esse o programa que Lula ameaçou retomar e esse o tratado que ele publicamente disse repelir. Como essa informação constituía o núcleo mesmo da denúncia a que o historiador professava responder, a omissão não pode ter sido um lapso inocente. Foi ocultação proposital.

2. Após esse começo brilhante, Maxwell, no esforço de abafar a repercussão das denúncias sobre o Foro de São Paulo, insinua que até a existência da entidade é duvidosa, porque dela "nem os mais bem informados especialistas jamais ouviram falar". Ora, em qualquer curso de História a primeira coisa que um estudante aprende é jamais depender de fontes secundárias -- a palavra dos "especialistas" -- quando tem à disposição fontes primárias, isto é, documentos originais e testemunhos. Maxwell decerto cabulou essa aula, porque foi dar ouvidos a sabichões em vez de examinar o site do próprio Foro na internet, as atas dos dez congressos da organização ou a extensa cobertura dada aos eventos pelo jornal oficial cubano Granma, que ninguém acusará de caluniador imperialista.

3. Mas, tendo assim deixado no ar a sugestão da irrealidade fantasmal do Foro de São Paulo, o historiador, com a maior cara de inocência, admite logo em seguida que Lula, em carne e osso, participou do último congresso da imaterial instituição, em dezembro de 2001. Daí devemos concluir, ou que Lula teve o privilégio de cruzar por instantes o umbral da supra-realidade, ou que os especialistas informadíssimos consultados por Maxwell são ignorantes confessos, ou que eles mentiram para ele, ou que ele mentiu para a New York Review of Books. Deixo a primeira hipótese aos devotos dos dons sobrenaturais do presidente eleito e confesso que não sei escolher entre as três restantes, todas igualmente lindas.

4. Dizer que Lula participou "da última" reunião é, obviamente, dar a impressão, tão falsa como a anterior, de que esse foi o único e evanescente contato dele com a entidade. Aqui, novamente, as fontes primárias encarregam-se de desfazer o embuste: o próprio Foro, no site mencionado acima, confessa que Lula foi seu idealizador e fundador, junto com Fidel Castro, tendo presidido várias de suas reuniões. A informação é confirmada pelo Granma de 2 de julho de 1994.

5. Seria "provável", então, ou ao menos possível, que a simples participação de Lula na reunião de dezembro de 2001 tivesse desencadeado contra ele a revolta dos exilados cubanos de Miami? Estes, no caso, apareceriam como uns sujeitos levianos que se irritam por pouca coisa. Mas em 24 setembro de 1997 o Latin America News Syndicate já distribuía aos jornais de Miami a história completa das origens do Foro, também já publicada no Granma: quando aconteceu o encontro citado, quatro anos depois, todos os cubanos de fora e de dentro de Cuba já sabiam que Lula não era o participante ocasional de uma reunião tardia, e sim um pioneiro e veterano de muitos encontros. Maxwell apenas torce a cronologia das notícias para lançar uma suspeita difamatória contra toda uma comunidade.

6. Por fim, tentando desmoralizar as denúncias quanto à participação de Lula no Foro, Maxwell as atribui a um tipo tão pouco confiável quanto ele próprio, o líder de extrema-direita Lyndon La Rouche. Ele diz que "verificou e descobriu" essa origem comprometedora. Mas ele não verificou nada, não descobriu nada. Ele chuta, ele blefa. Em agosto de 1994, muito antes do artigo de La Rouche, o jornal Letras em Marcha, de ampla circulação entre oficiais militares brasileiros, já dava todo um panorama do Foro de São Paulo, com fotos e documentos, denunciando com veemência o papel do sr. Luís Inácio da Silva no "programa de luta" que associava partidos legais e organizações criminosas. La Rouche, que é um embrulhão da estirpe de Maxwell, apenas com signo ideológico inverso, limitou-se a tomar carona na denúncia, amoldando-a à sua fantasiosa "filosofia da história".

Metade da performance de Kenneth Maxwell nesse parágrafo já bastaria para arruinar a reputação de um historiador, se fosse conservador ou apolítico. Mas a intelectualidade de esquerda goza do especial privilégio de adquirir tanto mais autoridade moral e científica quanto mais diligentemente trapaceia em favor da "causa".

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Bola de Cristal – 2008

Do blog MÍDIA SEM MÁSCARA
por Ipojuca Pontes em 07 de janeiro de 2008

Resumo: Previsões para o cenário político nacional neste ano de 2008 devem levar em conta um fator básico: o socialismo é irreversível no cotidiano nacional.

© 2008 MidiaSemMascara.org

“Em certas circunstâncias, no mundo das previsões o difícil não é acertar, mas errar prognósticos”

Baba Vanga, vidente búlgara.


Por solicitação de alguns leitores que me vêem por vezes como vidente, capaz de vislumbrar acontecimentos que apenas estão no limbo, retiro do fundo do baú minha Bola de Cristal e, humildemente, com a ajuda dos astros, antecipo o que ocorrerá neste promissor ano eleitoral de 2008. Bafejado por uma atmosfera de semi-obscuridade, iluminada apenas pela luz diáfana da própria bola mágica (abençoada por Baba Vanga, a centenária vidente búlgara, fundadora do Instituto de Sugestiologia e Parapsicologia de Sofia - que profetizou, um ano antes, a morte de Joseph Stalin, sendo por isso trancafiada numa jaula), antevejo o seguinte quadro:

NO CAMPO ECONÔMICO - A instabilidade dos preços dos alimentos, que gerou nesta área em 2007 uma inflação na ordem de 10,6%, atingirá, por baixo, em 2008, o índice nada desprezível de 20,10% - em boa parte devido às consideráveis altas de produtos como leite, carne, ovos, pão, feijão, arroz, farinha, frutas, verduras e legumes. Em outra escala de aferimento inflacionário, os consumidores comerão o pão que o diabo amassou com os substanciais aumentos nos preços dos combustíveis, transportes, aluguéis, tarifas de energia elétrica, telefone, gás, água, serviços bancários e outros que tais. Pelo que demonstra a luminosa Bola de Cristal, a inflação brasileira, mesmo camuflada, ultrapassará mole o índice de 10% (contra 4,61%, em 2007).

NO CAMPO DIPLOMATICO - No ar, sempre repleto de aspones, vejo o AeroLula decolando rumo a países da África, Ásia, Europa e América do Sul – em viagens cada vez mais dispendiosas com pagamentos (em dólares) de diárias, gratificações, gastos com presentes e verbas de representação. Na América do Sul, em particular, o AeroLula descerá repetidas vezes no aeroporto de Caracas (“Simon Bolívar”), para visitas de Inácio da Silva ao “líder” venezuelano Hugo Chávez, tramadas em solo pátrio pelo Itamaraty Vermelho, com o objetivo de abreviar a chegada do “socialismo do século XXI” no subcontinente - uma velha aspiração totalitária do Foro de São Paulo, orientado pelo caquético Fidel Castro e o próprio Inácio da Silva.

(Coisa curiosa: quem aparece desembarcando no aeroporto de Carrasco – em Montevidéu, Uruguai – para orientar mais um encontro do Foro de São Paulo destinado ao fomento de “políticas revolucionárias” na América Latina não é o atual ocupante do Palácio do Planalto. Quem preenche o espaço luminoso é o chanceler Sargento Garcia, homem celebrizado pelo pornográfico “top top” e, no momento, agente de inteira confiança dos companheiros Fidel e Chávez).

CARGA TRIBUTÁRIA - Como a execução das tarefas revolucionárias apontadas pelo Foro de São Paulo exige muito dinheiro dos cofres da Viúva, antecipo aos leitores que a equipe econômica do governo, para manter em quantidade e qualidade o processo transformador em andamento, aumentará ainda mais a carga tributária em vigência. Seu objetivo será atingir 50% do Produto Interno Bruto (BIP), meta desgastante, capaz de levantar protestos da Fiesp e da população trabalhadora, mas absolutamente necessária em face da irreversível ampliação do Estado socialista. Tidos como principais aliados do projeto do governo, os banqueiros e as ONGs, cada vez mais empanzinados com a grana pública, regurgitarão de alegria e de lucros – embora a coisa arrole o escândalo.

ELEÇÕES MUNICIPAIS - Falar em escândalo... Vejo aqui na minha Bola de Cristal que as eleições municipais, previstas para outubro, farão recrudescer como nunca o espetáculo da corrupção. De muito pouco servirão as medidas tomadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o clamor da oposição, no sentido de coibir a distribuição de bens e benefícios oficiais ou a ampliação de programas sociais tipo Bolsa Família ou Cheque Cidadão. A ambição política totalitária de ampliar os alicerces do terceiro mandado e a manutenção do poder a todo custo, despertarão nos políticos uma capacidade de inventar métodos para a compra de votos capaz de fazer inveja ao consagrado Thomas Alva Edison e o fabuloso Houdini, juntos.

POLÍTICA SOCIAL - No campo das promessas de um porvir venturoso, nossa especialidade, o país atingirá o nirvana: tal como previsto, já com a “casa arrumada”, teremos afinal uma educação perfeita, a saúde funcionando a todo vapor e a segurança pública mais que estruturada... tudo, no entanto, conforme nos mostra a Bola de Cristal, só no papel e nos discursos proclamados em Brasília, visto que chegaremos em 2008 à casa dos 35 milhões de iletrados, analfabetos e analfabetos funcionais; cerca de 40 milhões de pessoas sem assistência hospitalar e, o mais trágico, alguma coisa em torno de 70 mil mortos por motivos de violência explicita - o duplo do ocorrido no Iraque, em 2007.

(Detalhe: a Bola de Cristal abençoada pela centenária Baba Vanga não esclarece, por mais que implorasse, se vai aumentar ou não o número de vítimas em desastres aéreos, trânsito, mortes por suicídio, etc., nem falou da sobrevivência dos loucos, mendigos, alcoólatras, drogados e miseráveis em geral, no presente ultrapassando a casa dos 60 milhões de infelizes).

CULTURA E MANIPUILAÇÃO IDEOLÓGICA – O governo continuará ampliando os gastos públicos com o pessoal do show business, mormente na área do cinema de denúncia social, teatro engajado, música empenhada e a literatura participante. Nas universidades públicas, diz a Bola, a política de inclusão cotista, considerada por muitos como neo-racista, ganhará alento. Em resumo, as políticas nas áreas da educação e cultura continuarão no firme propósito de consolidar um senso comum revolucionário, capaz de acirrar a luta de classe e detonar a derrocada final do “velho mundo burguês” – vale dizer, a digna civilização ocidental e cristã.

E dinheiro não é problema: as estatais estão de cofres empanturrados.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Discrso requentado ou Marxismo-leninismo aporta na América Latina

Do portal do OLAVO DE CARVALHO
Por Olavo de Carvalho em 27 de dezembro de 2007

No começo da década de 90, a ilusão triunfalista do “fim do comunismo” produziu nos liberais brasileiros a mais desconcertante das mutações: fez com que daí por diante eles concentrassem suas baterias na propaganda das vantagens da economia de mercado e na apologia abstrata do Estado de Direito, como se não lhes restasse outro inimigo a enfrentar. A esse programa acrescentou-se apenas, a partir de 2002, o combate à corrupção petista – muito mais brando e educado do que aquele que o PT havia travado contra os governos Collor e FHC. Se esse mesmo período foi também o da ascensão da esquerda ao controle hegemônico do Estado e da sociedade, só um cérebro monstruosamente letárgico poderia ver aí só coincidência.

Ao desmantelamento parcial e aparente da URSS seguiu-se, na América Latina, a fundação do Foro de São Paulo . Quando as Farc, em carta ao PT, celebram essa fundação como o acontecimento providencial que salvou da extinção o movimento comunista no continente, elas sabem muito bem do que estão falando: partidos legais e organizações criminosas de esquerda são hoje os dominadores incontestes da América Latina.

Isso aconteceu precisamente no período em que os liberais, desejando limpar-se de toda contaminação com a imagem de um passado conservador, não só se abstinham de toda menção ao perigo comunista, mas não escondiam sua má vontade hostil ante quem quer que ousasse tocar no assunto. Se, numa disputa política, um dos lados está disposto a todos os sacrifícios para reconquistar o terreno perdido e o outro se sente comprometido a jamais denunciar o que o adversário está fazendo, não é preciso ser muito esperto para saber quem vai ganhar a briga. Mas os liberais já a perderam, e a maioria deles ainda se recusa a entender o porquê.

Não percebem, essas angélicas criaturas, que toda a sua retórica não pode fazer nenhum mal à esquerda, a qual já se apossou dela quase que por inteiro, ao ponto de ser acusada, por alguns de seus membros mais loucos e por seus próprios agentes de desinformação empenhados em espalhar falsas pistas, de haver se bandeado para a direita.

O inimigo que hoje se perfila diante dos liberais e conservadores do continente não é um nebuloso “populismo”, não é um mero estatismo administrativo, não é um adocicado burocratismo social-democrata de estilo europeu: é o marxismo-leninismo, é o bom e velho comunismo de sempre, hoje com uma estratégia mais abrangente e flexível do que nunca e com adversários mais tímidos e bobocas do que seus sonhos mais róseos poderiam jamais ter concebido.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Fora CUBA e o referendo na Venezuela ou PORQUE NÃO SE CALA, MÍRIAM LEITÃO e mídia brasileira de %&$%@&$#@¨#%!!

Do blog NOTALATINA

Eu (Graça Salgueiro, uma das pessoas que mais entende o processo sociopata pelo qual estamos pasasndo na América Latina) havia decidido “tirar uma folguinha” hoje, depois da exaustiva semana acompanhando cada passo do movimento pelo referendum da Venezuela ocorrido ontem, mas diante das notícias dos jornais brasileiros e dos comentários e artigos que tenho lido pela Internet, não dá para ficar calada.

Em primeiro lugar, os resultados das pesquisas que os jornais brasileiros divulgaram NÃO correspondiam à realidade vivida e divulgada na Venezuela por jornais de credibilidade incontestáveis, e fico sinceramente me perguntando: onde esses jornalistas tupinikins fabricaram tais resultados? Em segundo lugar, é preciso que se conheça a realidade e as normas eleitorais daquele país para poder se entender - e julgar - a abstenção como arma, e não ficar dizendo tanta estupidez como tenho lido, não apenas em relação a esse referendum mas toda vez que a Venezuela realiza algum sufrágio.

A “pérola” de hoje vem de dona Míriam Leitão, no artigo “Razões e reflexos da derrota de Chávez”, que pode entender de economia (digo “pode” porque eu não entendo nada e por isso não posso julgá-la) mas não sabe NADA do que se passa realmente na Venezuela. E digo isto com a autoridade (sem qualquer modéstia) de quem estuda o Movimento Comunista na América Latina há quase 10 anos e tem fontes de informação sérias, confiáveis e isentas, enquanto que dona Miriam pauta-se pela cartilha comuno-petista dos jornalões tupinikins. Até parece palavra de ordem, pois só os jornais brasileiros, empenhados em desinformar e entortar a cabeça dos leitores com mentiras, divulgaram que o “SIM” tinha a preferência do eleitorado e que a vitória de Chávez era dada como certa.

Bem, ano passado se fez isto também (no Brasil e no mundo, nos jornais de esquerda), anunciando apenas as pesquisas pagas pelos petrodólares chavistas que não refletiam a realidade, e naquela ocasião ele logrou êxito através de uma mega-fraude já fartamente provada, inclusive pelo Notalatina. Desta vez, porém, a situação foi bem diferente e mesmo lá na Venezuela, ninguém se atrevia a dizer que a vitória do “SIM” era certa porque todas as pesquisas diziam o contrário, com uma margem de vitória da oposição em mais de 15%.

Então, o que foi que aconteceu este ano que Chávez perdeu? O pleito foi limpo, sem fraudes? A maioria do povo rejeitava de fato a modificação da Constituição? Dona Miriam afirma, baseada em suas fontes confiabilíssimas, que “Além de todas as bocas de urnas trazerem a vitória de Hugo Chavez, o alto índice de abstenção indicava isso: 50% não tinham ido votar. Os analistas achavam que isso favoreceria Chavez porque quem não ia votar é porque estava desanimado”. É preciso saber, dona Miriam, em primeiro lugar, que o voto não é obrigatório na Venezuela e em segundo, os abstencionistas não são “pessoas desanimadas” mas opositores, que utilizam deste recurso como uma forma de protesto por não querer legitimar uma coisa ilegal e ilegítima. Além disso, se o número de abstenções for superior ao número de votantes, a eleição será anulada. Ademais, não foi permitido a boca de urna, sendo qualificado como “delito eleitoral” e passível de punições judiciais, conforme informei ontem.

Com relação à vitória do resultado REAL e esperado do “NÃO”, não foi porque este ano não se fraudou mas porque surgiram fatos novos que Chávez não esperava, como o movimento estudantil que surgiu em maio em protesto ao fechamento da RCTV (que não guarda NENHUMA semelhança com os “caras-pintadas” tupinikins), e que ganhou a confiança e apoio de boa parte da população; alertas contundentes e com ampla divulgação sobre a fraude que estava sendo montada pelo governo – como das vezes anteriores; pronunciamentos denunciando o crime que era a implantação do modelo comunista, por parte do alto prelado da Igreja Católica e do Gen Baduel, uma força opositora de última hora mas de grande impacto nas FAN; uma vigilância e fiscalização rigorosa por parte da oposição praticamente colada nas 33 mil mesas de votação em todo o país, durante o escrutínio e validação das atas no CNE, conforme pude comprovar durante todo o dia e madrugada de ontem, através da cobertura da televisão e informes de amigos na Venezuela, como nos confirma Alejandro Peña Esclusa nesta nota: A verdadeira “Operação Torquês”.

A vitória foi aceita e divulgada porque não havia como enganar o povo mais uma vez, mas o que estava programado era mesmo a fraude. Para tanto, algumas providências foram tomadas:

1. O CNE emitiu um “Aviso Oficial” que copio textualmente:
“O Conselho Nacional Eleitoral, no uso das atribuições conferidas no artigo 209 da Lei Orgânica do Sufrágio e Participação Política, no marco da celebração do Referendo da Reforma Constitucional de 02 de dezembro de 2007, informa aos representantes dos Blocos em torno das opções do SIM e do NÃO, assim como os representantes dos meios de comunicação social que, de acordo com o previsto nas Normas para Regular o Referendo da Reforma Constitucional, publicado na Gaceta Eleitoral nº 401, fica terminantemente proibido a publicação de pesquisas, estudos ou sondagens de opinião, a partir da segunda-feira 26 de novembro de 2007”. E assina, Tibisay Lucena, Presidenta do Conselho Nacional Eleitoral.

Como se pode ver, desde que a reforma constitucional foi aprovada na Assembléia, criou-se um mecanismo oficial para impedir que a população (e a opinião pública) tomasse conhecimento da preferência, porque todo mundo sabe que as pesquisas da última semana podem modificar o cenário, através da divulgação da mídia que pode manipular para um lado ou para o outro e influenciar os eleitores idecisos.

2. Durante todo o dia, em entrevistas ou coletivas de imprensa, tanto Chávez quanto membros do Governo insistiam em pedir que a “as partes” aceitassem o resultado, fosse ele qual fosse, do mesmo modo como no ano passado porque a “vitória” já estava sacramentada pela mega-fraude;

3. Mais ou menos por volta das 10 h. recebi um informe dando conta de que fora colocado um palanque na frente do Palácio de Miraflores e de que Chávez havia convocado a imprensa para uma coletiva, sendo confirmado pela repórter da CNN que se dirigia para lá, certo que estava da vitória;

4. No referendum do ano passado a votação encerrou-se às 4 da tarde mas estendeu-se até mais ou menos às 5 h., porque fora determinado pelo CNE que as mesas só encerrassem suas atividades quando não houvesse mais pessoas na fila. Em torno de 7 da noite o CNE anunciava a vitória de Chávez, tendo apurado pouco mais de 50% das urnas. Este ano o encerramento foi mais ou menos na mesma hora mas o resultado só foi revelado 1:30 da manhã do dia 03.

Por que a demora? Nenhuma justificativa plausível era dada por parte do CNE, que dizia que tinha havido um acordo com as partes de que só se revelaria o resultado quando 80% ou 90% das urnas estivessem apuradas porque, segundo eles, a disputa estava muito emparelhada. Os líderes da oposição, que SABIAM dos resultados porque estavam acompanhando através das atas, emitiam pronunciamentos exigindo que o CNE informasse ao público por uma questão de respeito ao povo, uma vez que eles estavam proibidos de falar.

Soube através de uma amiga venezuelana, durante este intervalo, que o palanque havia sido retirado do palácio. A demora em fazer o anúncio foi porque não havia como fraudar, com toda a fiscalização da oposição presenciando o escrutínio, e a vitória era mesmo do NÃO. Chávez não aceitava isto e o CNE não tinha como satisfaser os caprichos do “menino voluntarioso”. Então, deu-se um resultado onde a derrota do ditador foi pequena, apertada, pois assim se mascarava um pouco a realidade acachapante de que a maioria absoluta do povo o rejeita e rejeita sua ideologia sinistra e criminosa.

Mas a grande vitória ainda não foi alcançada, pois Chávez tem pela frente 5 anos de mandato e os poderes da Lei Habilitante. Através dessa LH ele pode fazer e desfazer o que lhe der na telha, legalmente, o que é um perigo a partir dessa derrota sofrida ontem, pois não podemos esquecer que Chávez é um psicótico em surto, comunista e com um projeto revolucionário para toda a América Latina. De todo modo, essa vitória serviu como um oásis em meio ao deserto que os venezuelanos estão vivendo.

E ontem também houve eleições em Cuba e na Rússia, onde Putin e seu partido Rússia Unida (RU) sairam vitoriosos, na base da fraude, e das pressões do FSB sobre quem não dança de acordo com a música do Kremlin. E em Cuba, Fidel foi indicado mais uma vez para o cargo de deputado, podendo “concorrer” à Presidência no próximo ano. Como se vê, as ditaduras se servem sem qualquer pudor de um instrumento da democracia, para consolidar sua ditadura. Mas, como o sr. da Silva não feqüentou escola e detesta ler ou estudar, fica apregoando que na Venezuela há excesso de democracia somente porque as pessoas votam. Fiquem com Deus e até a próxima!

Comentários: G. Salgueiro

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Ideal insano

Do portal MOVIMENTO ENDIREITAR
Escrito por Olavo de Carvalho em 29 de novembro de 2007

Em 1996, como eu denunciasse o avanço comunista na América Latina, o diretor da Folha de S. Paulo, Otávio Frias Filho, naquele tom de serenidade olímpica que no Brasil vale como prova de superior entendimento, acusou-me de açoitar cavalos mortos. Não duvido de que sua opinião expressasse o sentimento geral.

Decorridos 11 anos, e estimulado sobretudo pela visibilidade obscena do senhor Hugo Chávez, o reconhecimento do acerto das minhas análises começa a despontar aqui e ali, até mesmo em publicações que um dia me demitiram (não é o caso da Folha) por teimar em falar do assunto então considerado o cúmulo da impertinência.

Não é preciso dizer que a relutância coletiva em admitir os fatos se inclui entre as causas coadjuvantes do crescimento subseqüente dos próprios males cujo surgimento eu assinalava.

Descontadas a cumplicidade consciente, a insensibilidade presunçosa das classes falantes e a lentidão proverbial do processo cognitivo brasileiro (o filósofo Raymond Abellio dizia que aqui as idéias jogadas ao solo não germinam: afundam e só voltam à tona decorridas muitas eras geológicas), várias causas concorreram para essa demora suicida.

A mais decisiva está na própria índole proteiforme do movimento revolucionário, que desaparece e ressurge a cada geração com nova forma e nova identidade, desorientando os que só aprenderam a reconhecê-lo pela sua fachada anterior.

A observação direta do fenômeno e a extensa freqüentação dos melhores estudos já empreendidos a respeito - sobretudo os de Albert Camus, Norman Cohn, Eric Voegelin, Marcel de Corte, Joseph Gabel, James Billington, Thomas Molnar, Luciano Pellicani e outros tantos - acabaram por me persuadir de que a unidade desse movimento não pode ser apreendida no plano dos meros discursos ideológicos e muito menos no das propostas políticas concretas, mas requer a sondagem de uma estrutura de percepção do mundo, a qual subjaz, íntegra e permanente, à variedade desnorteante dos pretextos e das estratégias que se sucedem na periferia mais visível da História.

Como o campo de observação da mídia é precisamente essa periferia, é quase inevitável que os recuos temporários e as trocas de formato da onda revolucionária lhe pareçam extinções definitivas ou transmutações de essência. A própria palavra "comunismo" torna-se enganadora quando a tomamos como nome de um sistema econômico definido e não do puro movimento que a ele conduz, ou promete conduzir, bem como dos submovimentos a que dá origem, alguns aparentemente antagônicos ao comunismo enquanto fórmula ideológica explícita.

A estrutura subjacente a que me refiro - nascida entre as heresias cristãs do início da era moderna - consiste num profundo distúrbio na percepção do tempo histórico, ilusoriamente tomado pela mente revolucionária como cenário possível de uma mutação apocalíptica que, na concepção bíblica originária, transcende toda temporalidade e não pode nem mesmo ser pensada como capítulo da História. Paródia mundana do Juízo Final, o ideal revolucionário falseia na base a experiência humana e por isso mesmo é tão prolífico em engendrar substitutivos alucinógenos capazes de ludibriar não só seus militantes e simpatizantes, mas também seus adversários e, principalmente, suas vítimas.

Apreender a unidade profunda do movimento revolucionário ao longo dos tempos é a condição prévia para impedir, se possível, que mais algumas centenas de milhões de cadáveres inocentes venham a se somar, nas décadas vindouras, àquelas que no século passado celebraram as glórias macabras de um ideal insano.

Publicado no JB - 29/11/2007

Sobre a Mentalidade Revolucionária ver os artigos:

- A revolução cultural gramsciana e a filosofia edificante de Olavo de Carvalho
- A mentalidade revolucionária
- A mentira estrutural
- Ainda a mentalidade revolucionária
- A inversão revolucionária
- Como não enxergar a realidade

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Idiotas ou malvados?

Do blog MOVIMENTO ENDIREITAR
Escrito por Nivaldo Cordeiro em 22 de novembro de 2007

Fez muito sucesso a expressão cunhada por Mário Vargas Llosa para retratar a marcha do esquerdismo na América Latina, a do perfeito idiota latino-americano relatado em diversos dos seus livros. É uma expressão divertida, mas perigosa, porque mais esconde do que revela os reais fatos políticos da região. O duelo que é travado por aqui se estende aos limites transcendentes e uma simplificação do mesmo equivale a esconder a verdade e a fazer o jogo do Inimigo.

Certo, quando você vê um conjunto de idiotas carregando bandeiras do PT ou do partido do Chávez, ostentando botons nas lapelas e fazendo discurso em prol da suposta “justiça social” certamente você estará confrontado com um conjunto de perfeitos idiotas latino-americanos, iguais aos idiotas de outros continentes. Não há aqui na região peculiaridade alguma. São idiotas porque têm os predicados dos idiotas: são pessoas que carecem de inteligência e discernimento, são tolos e estúpidos. Piormente porque estão convencidos de que são portadores da mais alta moralidade e que são os campeões na defesa dos pobres e oprimidos, quando a realidade é precisamente o contrário. E ainda acharão que aqueles que não se juntam ao séqüito idiota dos comunistas é que são os tolos, na medida em que ficam excluídos das oportunidades materiais que só os militantes do partido dispõem, como empregos públicos rendosos, contratos de serviços com o Estado, verbas para ONGs e coisas do gêneros. Não percebem, os idiotas, que as benesses de agora serão tomadas e os bens mais preciosos lhes serão arrancados na primeira oportunidade, a começar pela liberdade e a vida.

Afinal, são idiotas ou não? Os idiotas são os militantes miúdos e inconscientes dispersos na multidão encharcada pela propaganda revolucionária, que nunca dispuseram de qualquer instrumento que lhes ajudassem a ter um descortino da realidade. Dito de outra forma, vivem, os idiotas, mergulhados na realidade virtual criada pelos falsos discursos e pela propaganda enganosa, que se inicia nos meios de comunicação, é aprofundada nas escolas fundamentais e de ensino médio e tem a sua conclusão coroada nas escolas de nível superior. O idiota é laureado com pompa e circunstância no reconhecimento pelo Estado de sua completa idiotice diplomada. Depois a propaganda continua a agir nos jornais, nos livros e nos discursos políticos, que os idiotas passam a repetir feitos papagaios.

Hoje em dia até mesmo denominações religiosas de seitas pentecostais, como a do Edir Macedo, foram recrutadas para fazer a propaganda enganosa da causa revolucionária. Esse “bispo” satânico deu agora para defender o aborto, a liberação das drogas e seus apaniguados que dispõem de votos estão na tropa de choque da base de apoio do governo. O povo miúdo e ignorante não tem como escapar do alçapão que virou a seita, que arregimenta milhões. E o Macedo não é o único simoníaco na conta do governo. Se a ladainha revolucionária está no rádio, na TV, na boca dos professores e na boca dos bispos, então a mentira haverá que se tornar a verdade mais auto-evidente para a gente desprotegida pela couraça do Espírito. Mas a mentira será sempre mentira.

Essa idiotia, todavia, não pode ser atribuída aos líderes partidários, aos chefes da propaganda, aos que controlam o caixa rico do partido. Eles sabem perfeitamente o que estão fazendo. Esses são os homens maus, que mais das vezes são desconhecidos do grande público, agindo nos bastidores. Só ocasionalmente esses dirigentes nas sombras dão a cara a conhecer, como aconteceu com o então obscuro Antonio Palocci, surpreendendo a todos ao assumir o Ministério da Fazenda no primeiro governo Lula, sem ter formação econômica, sem ser uma liderança política nacional, sem ostentar experiência específica para lidar com finanças. Nada! Um raio em dia de céu azul. O mesmo podemos dizer da ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, que veio a substitui o todo poderoso José Dirceu. Seu melhor atributo terá sido colaborar com a guerrilha revolucionária em priscas eras.

Essa gente pratica o mal de caso pensado, com o único fito de conquistar e manter-se indefinidamente no poder. O coletivismo marxista não se sustenta nem no plano teórico e menos ainda no plano moral e eles sabem disso muito bem. Mas o discurso distributivista e supostamente libertário escrito pelos propagandistas da revolução faz dessa gente os únicos postulantes com êxito ao poder de Estado na ordem democrática. Um voto é um voto, dirão os cínicos, e uma gente idiotizada pela propaganda não haveria como escolher outros que não os mentirosos que o produziram. O apelo direto aos instintos básicos da fome e da sexualidade, ou seja, o uso deliberado da miragem da liberação da lei da escassez e das travas da moral natural, a libertinagem sem limites, mobiliza as massas infantilizadas naquilo que elas têm de mais vulnerável. Um ser humano adulto e bem formado sabe que os vícios não se confundem com virtudes e que deles só podem advir tragédia e morte, como aliás tem sido a saga em todos os lugares onde o marxismo triunfou. O discurso mentiroso mil vezes repetido toma o lugar da verdade e anestesia o senso de perigo da multidão. Depois de um certo ponto é impossível interromper o processo que transfere a esses sediciosos mentirosos todo o poder e apenas a conclusão sangrenta do mesmo poderá estanca-lo e dar um fim ao sofrimento. Aí será tarde demais e a pilha de mortos terá sido contada aos milhões. Poderíamos aqui repetir o verso de Walt Whitman, o poeta maldito: “Morte, morte, morte, morte, morte”. A morte é o mantra real desses criminosos do espírito.

Álvaro Vargas Llosa não faz essa distinção entre os condutores da multidão entorpecida e ela própria, por isso disse em entrevista que Che Guevara encarnava a própria figura do perfeito idiota latino-americano (ver http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL145499-5602,00.html). Grande engano. Che é o protótipo do dirigente revolucionário que sabia exatamente o mal que fazia. Praticava o mal por escolha. Che é Lula, é Dirceu, é Palocci, é Chávez, é Fidel, gente que vendeu a alma ao Diabo e que fará o mesmo com aqueles que estiverem no seu caminho, o povo todo junto. O peruano involuntariamente contribuiu para esconder essa realidade trágica com seus livros e sua divertida expressão.


Publicado originalmente em http://www.nivaldocordeiro.net

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".