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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Risco Daniel: Lula e sua cúpula já temem “exumação” do Caso Santo André e dossiê criado por Dantas

ALERTA TOTAL
Segunda-feira, Novembro 17, 2008

Edição de Segunda-feira do Alerta Total http://www.alertatotal.blogspot.com

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Por Jorge Serrão


O risco de revelação de novas informações sobre o assassinato do prefeito petista Celso Daniel e a divulgação, súbita, de um dossiê bombástico produzido por aliados do banqueiro Daniel Valente Dantas são duas ameaças que tiram o sono da cúpula petista e do chefão Lula da Silva nos últimos dias. Os serviços particulares de informação que atendem à elite do desgoverno já deram o sinal de alerta sobre instabilidades políticas à vista, no curto prazo.

A ameaça já recebe o nome, na comunidade de informações, de “Risco Daniel”. Seja por causa do fantasma politicamente insepulto do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, torturado e morto barbaramente em um crime até hoje mal esclarecido, ou por causa do sempre ameaçador baú de malvadezas do banqueiro baiano Daniel Valente Dantas – o mesmo que o ministro da Justiça, Tarso Genro, promete punir com a reformatação da Operação Satyagraha, num jogo de cena digno do teatrinho de fantoches do João Minhoca.

Um indício de que existe uma ação desestabilizadora do desgoverno Lula veio de fora para dentro com o lançamento do livro "Deu no New York Times - O Brasil segundo a ótica de um repórter do jornal mais influente do mundo" (Ed. Objetiva, RJ). A obra foi escrita pelo jornalista norte-americano Larry Rohter, que foi oficialmente expulso (depois perdoado) porque escreveu um artigo para o New York Times revelando os hábitos etílicos do atual Presidente da República Sindicalista do Brasil.

Caso Celso Daniel

Escreve Rohter: "Mas nada tinha alarmado e assustado tanto o entorno de Lula do que uma reportagem que escrevi sobre o caso Celso Daniel, em fevereiro de 2004. O maior golpe de sorte de Lula foi que o PT conseguiu desviar a atenção do assassinato, em 20 de janeiro de 2002, de Celso Daniel, prefeito de Santo André. Se aquela investigação tivesse sido levada a cabo com o mesmo vigor e energia que foram dirigidos contra Roseana Sarney, poderia facilmente ter torpedeado a candidatura de Lula".

"Os irmãos de Celso Daniel, Bruno e João Francisco, disseram que, de acordo com o que o irmão tinha contado a eles, os membros mais importantes do PT não apenas sabiam do esquema de corrupção que provocou sua morte, como desempenharam um papel ativo na operação".

A sombra do Poderoso Zé

Em outra passagem do livro, Rohter lembra que o irmão de Celso Daniel compromete o ilustre advogado, blogueiro e consultor empresarial José Dirceu de Oliveira e Silva – que foi ministro-chefe da Casa Civil de Lula, mas que continua mandando nos bastidores mais ainda (embora sempre tente negar).

"Disse Bruno: `Pouco depois do enterro de Celso Daniel, Gilberto Carvalho me contou que tinha feito várias entregas em dinheiro vivo ao partido e que ficou apavorado quando estava transportando mais de 500 mil dólares em uma valise. E entregou o dinheiro diretamente a José Dirceu'".

"Uma pessoa que cumpria um papel importante no PT paulista, em uma longa entrevista, me disse que a atividade ilegal de levantamento de dinheiro em Santo André não era um caso isolado, como afirmavam os líderes do partido, mas era parte de um esquema generalizado para acumular grande soma em caixa 2 para a campanha" (de Lula em 2002).

Levantamento de grana – e não só de copo...

Larry Rohter prossegue em seu livro:

"Tinham sido dadas ordens a todos os prefeitos do PT para levantar dinheiro por todos os meios possíveis, e cada município havia recorrido a um mecanismo um pouco diferente para cumprir sua cota. Em Santo André eram as empresas de ônibus. Em Santos, era o programa da Aids. Em Campinas, onde o prefeito Toninho do PT tinha sido assassinado quatro meses antes de Celso Daniel, era o superfaturamento de obras públicas e de contratos de estacionamento. E em Ribeirão Preto eram os contratos de coleta de lixo".

"Eu sabia que o caso de Santo André era apenas a ponta do iceberg".

Apenas um detalhe: o prefeito de Ribeirão Preto, na época narrada, era Antônio Palocci Filho (atual deputado federal, ex-ministro da Fazenda, e que foi o sucessor de Celso Daniel na gestão financeira da campanha presidencial petista de 2002).

Ficou PT da vida?

"Fiquei puto porque como pode um cidadão que nunca conversou comigo, que nunca tomou um copo de cerveja comigo, que nunca tomou um copo d'água comigo, fazer uma matéria de que eu bebia? Isso me deixou muito puto".

A reclamação foi proferida em uma entrevista nervosa do chefão Lula da Silva à "Folha", em 2007.

Detalhes sobre a obra de Larry Rohter saíram no artigo “Tudo começou em Santo André”, de Sebastião Nery, na Tribuna da Imprensa de sábado.

Outra mentirinha...

Nery frisa que, ao contrário do que Lula reclamou à "Folha", ele conhece bem o Larry Rohter:

"O meu relacionamento com Lula data dos anos 70. Já conversei bastante com ele. Já tomei água, refrigerante e até uma cachacinha com ele. Também fiquei impressionado na época com as generosas quantidades de álcool que ele consumia. Me lembro de Lula me provocar com bom humor: `Que é isso, meu caro, um jornalista que não gosta de beber?' De uma reunião a outra, ele bebia o que lhe ofereciam: cachaça, uísque, conhaque".

"Em setembro de 2003. Brizola, companheiro de chapa de Lula, disse: `Quando eu fui candidato a vice do Lula, ele bebia muito. Eu o alertava que a bebida destilada é perigosa. Ele não me ouviu e, segundo dizem, continua bebendo. A bebida ataca os neurônios e talvez esse seja um dos motivos que o têm levado a perder a percepção das coisas'".

Leia abaixo as Rapidinhas Políticas e as Rapidinhas Econômicas

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 17 de Novembro de 2008.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Íntegra da entrevista de César Benjamin, fundador do PT, sobre os projetos de corrupção do partido

Cavaleiro do Templo fala: abaixo uma entrevista que se complementa com a leitura do post do Olavo de Carvalho chamado "PT, o Partido dos Ricos". O entrevistado, César Benjamin, foi coordenador da campanha de Lula a presidente em 1989 (apenas um ano antes da fundação do FORO DE SÃO PAULO), portanto não preciso dizer que conhece "o cara" profundamente.


Canal Livre, TV Bandeirantes (31/07/05)


Fundador do PT e coordenador da campanha de Lula a presidente em 1989, o cientista político César Benjamin foi um dos entrevistados por Roberto Cabrini, Fernando Mitre e Antônio Teles na edição do programa Canal Livre da TV Bandeirantes que foi ao ar no dia 31 de agosto de 2005. César deixou o PT em 1995. Segue o que ele disse:

Roberto Cabrini – O senhor acredita que o presidente Lula termina o seu mandato?

César Benjamin – Eu acredito que termina. Eu acho que não há, nesse momento, na sociedade brasileira nenhum setor minimamente significativo interessado em interromper o seu mandato. O impeachment é, antes de tudo, uma decisão política.

RC – Nós temos um presidente refém da oposição nesse momento?

CB – Eu acho que o Lula é refém de um pouco de tudo. Eu acho que ele é um presidente fraco. Vai terminar o mandato de maneira melancólica.

RC- E se for comprovado que ele sabia de tudo isso?

CB – Certamente a situação se agrava muito e nós teremos uma situação imprevista. A grande elite brasileira teme a possibilidade de que o vice-presidente José de Alencar assuma o governo, altere a política econômica e se credencie a como forte candidato para 2006. A gente prefere o Lula fraco chegando em 2006 a criar esse vazio de poder.

Fernando Mitre – Como o senhor vê a alegação do presidente Lula de que as elites estão tramando contra ele?

CB – Eu acho que o Lula desassociou aquilo que ele faz daquilo que ele diz. Ele é capaz de demitir o Olívio Dutra de manhã e a tarde dizer que jamais aceitará nenhuma pressão das elites, tendo nomeado o indicado de Severino. Ele é capaz de cortar as verbas de todos os ministérios e dizer que nenhum governo faz tanto quanto o dele está fazendo. Eu acho que ele está apelando para os segmentos da opinião pública menos informados e buscando uma identificação mais de base, de classe social de origem. Uma identificação profundamente despolitizada, dirigida aos setores menos informados. Foi a saída que ele encontrou.

RC – Até quando a popularidade do presidente resiste a esse processo?

CB – É difícil afirmar, até porque para isso seria preciso saber bem como funciona a cabeça desses setores da opinião pública que estão mais distantes. Setores mais empobrecidos e menos informados. Eu acho que ele terminará muito mal o governo, até porque ele está fazendo um governo muito ruim. As mudanças que ele fez desassociaram ainda mais seu governo do projeto original do PT

Antônio Teles – O senhor acha que ele tem o controle dos movimentos sociais de tal forma que em uma emergência ele poderia lançar mão desses movimentos para um esforço na rua e pressionar pela permanência e se fortalecer?

CB – Não acredito. A relação do Lula com os movimentos sociais vem piorando e está no seu ponto mais baixo. É muito fácil armar cenários, mas os movimentos sociais fizeram um esforço de ir a Lula propor uma alternativa e a posição que eu percebo hoje é de grande frustração.

AT – Por exemplo, o MST não participa.

CB – Há um distanciamento crescente e cada vez mais explícito, até porque o projeto de reforma agrária está parado.

FM – O senhor foi o primeiro a se declarar frustrado com o PT em 1990. Qual o motivo?

CB – Isso remete a uma questão importante, relacionada com que está acontecendo hoje: a longevidade desses esquemas que estão aparecendo nesse momento. O que está aparecendo agora não é fruto de uma atitude individual intempestiva de alguns. É uma prática sistêmica que tem pelo menos 15 anos no âmbito do PT, da CUT e da esquerda em geral. Nesse ponto, a responsabilidade do presidente Lula e do ex-ministro José Dirceu é enorme (Nota do C.T. - é como o Olavo sempre disse: o que está acontecendo não começou agora...)

RC – Como o país vai sair desse processo?

CB- Talvez um país um pouco mais dilacerado. Eu temo muito porque temos processos de natureza sociológica. É um país urbanizado e empobrecido, que tinha até aqui uma espécie de reserva política e moral. Ele gastou essa reserva.

AT – Mas o senhor não acabou de contar como foi seu processo de desilusão...

CB – Isso que está aparecendo agora é o desdobramento de uma série de práticas que começaram na gestão do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) no início dos anos 90, quando o senhor Delúbio Soares foi nomeado representante da CUT na gestão do FAT. Até onde eu sei, começaram ali práticas de financiamento muito heterodoxas. Isso se desdobra na campanha de 94.

AT – Na época, lançou-se mão do FAT?

CB – Sim. Começa um tipo de prática que vai dar a esse grupo uma arma nova na luta interna da esquerda.

RC – Na época, quem tinha conhecimento disso?

CB- O grupo mais íntimo de Lula. O Lula nunca foi um quadro orgânico. Ele sempre teve seus esquemas pessoais na vida interna do PT que culminou na formação do Instituto da Cidadania, anos depois. Um esquema paralelo que seus amigos mais íntimos freqüentavam. Esse esquema pessoal do Lula começou a gerenciar quantidades crescentes de recursos e isso foi um fator decisivo para que o grupo político do Lula pudesse obter a hegemonia dentro do PT e da CUT. No início dos anos 90, a disputa interna do PT era muito equilibrada. Eles chegaram a perder uma convenção em 1993 e introduziram uma arma nova nessa disputa interna. Quando você está numa disputa interna e introduz uma arma nova, você tem grande vantagem. Essa arma foi o poder do dinheiro.

RC – O senhor chama isso de deslumbramento do poder ou de os fins justificam os meios?

CB – No início havia fins. Havia projeto político de controlar o PT, de controlar a CUT, mas eu acho que com o tempo esse grupo foi dissolvido por sua própria prática.

FM – Parece que houve uma desilusão muito grande do senhor em 89, ainda no final da campanha eleitoral...

CB – No fim de 1989 eu tive meu sinal amarelo na relação pessoal com o Lula. Ele me disse que nos dias seguintes ao famoso debate da rede Globo ele tinha se reunido com a direção da Globo e tinha derrubado vários litros de whisky. Eu achei que foi uma atitude extremamente antiética. Eu achei que uma pessoa que se prestava a esse papel tinha um problema de caráter.

FM – O que ele alegou?

CB – Ele alegou que não ia brigar com a Globo, que precisava ficar bem com a emissora. Depois eu participei da coordenação da campanha de 1994 na direção do PT. Houve nessa campanha um segundo fato que foi para mim a gota d'água: o levantamento de recursos paralelos, como diz Delúbio Soares, recursos não contabilizados, sem que isso tivesse sido discutido na direção. Eu não sabia, a direção não sabia. Só o grupo de amigos do Lula participava desse tipo de decisão. Eu me lembro de ingenuamente propor várias vezes na coordenação da campanha que nós abríssemos ao público o nosso sistema de financiamento e pedíssemos que os adversários fizessem o mesmo por uma questão de transparência de campanha. O próprio Lula foi quem me falou que não faríamos isso, sem explicar por quê. Depois ficou claro que havia um financiamento via bancos, empreiteiros, que nunca havia sido discutido na direção do partido. Não era aceitável que uma fração da direção do partido montasse mecanismos paralelos. Não obtive nenhuma reação da direção do PT. Havia um encontro nacional do partido em 1995. Levei essa questão a 800 delegados do partido e usei a expressão "isso é o ovo da serpente" – se não cortar imediatamente, isso vai destruir o partido.

RB – Então o senhor não se surpreendeu com que aconteceu?

CB – Não. Esse é, inclusive, um esquema que se desdobra em várias frentes. É possível ver as impressões digitais desse esquema em Santo André, no caso Celso Daniel. Estamos diante de um grupo que estava montando dentro do governo Lula o que talvez pudesse vir a ser o maior esquema de corrupção já conhecido. Se pegarmos os fios e juntarmos, teremos um conjunto de entidades, instituições e empresas públicas e privadas que é assustador. Aparece no Banco do Brasil, na Petrobrás, nas verbas de publicidade, nos fundos de pensão. Esse esquema tem complexidade e permanência no tempo. Ele estava inovando. Houve um tempo que as empreiteiras eram as grandes vilãs, mas como o governo não faz obras, passou a ser a publicidade.

FM – O senhor concorda com o roteiro de denúncias de Roberto Jefferson?

CB – Eu não conheço o Roberto Jefferson, mas acho que é uma questão muito grave. Acho que o Lula tem uma responsabilidade histórica por ter introduzido um tipo de prática que a esquerda brasileira não conhecia e que corroeu por dentro seus valores.

RC – Esse país dilacerado que o senhor antevê será um país mais democrático?

CB – Não sei o final. Nós estamos em vôo cego.

PT, o partido dos ricos

Do portal OLAVO DE CARVALHO
Olavo de Carvalho, Diário do Comércio, 21 de janeiro de 2008

O PT não é um partido ladrão porque abandonou seus altos ideais e se corrompeu ao contato com a maldita direita. Para que a direita o corrompesse seria preciso que ela fosse mais corrupta do que ele, e é só comparar a lista de escândalos dos governos respectivos para ver que o próprio P. C. Farias teria muito a aprender com os Dirceus e Berzoinis. O PT é um partido ladrão porque é um partido revolucionário, filiado a uma tradição de amoralismo maquiavélico que pelo menos desde a Revolução Francesa, com intensidade crescente desde a Primeira Internacional de 1864 e mais ainda desde a fundação do Partido Socialdemocrata de Lênin, sempre achou que era de seu direito, e até da sua obrigação, financiar a si próprio por meio de assaltos, de seqüestros, de extorsões, de desvio de dinheiro público, bem como de uma infinidade de negócios capitalistas legais e ilegais, cujo volume total faria inveja a seus mais reacionários inimigos burgueses.

Estudem a vida de Lênin e confirmarão o que estou dizendo. O volume do capital que o financiava, sem contar a ajuda de governos estrangeiros, era tal que, se aplicado em atividades produtivas, teria feito dele uma espécie de J. P. Morgan – com o detalhe significativo de que as contribuições de J. P. Morgan engrossavam aquele capital junto com o dinheiro dos assaltos comandados por Stálin. Revoluções custam caro. O revolucionário Parvus, que enriqueceu com mil e um negócios na Turquia, já ensinava em 1914: “A melhor maneira de derrubar o capitalismo é nós mesmos nos tornarmos capitalistas.” Não foi o Lulinha quem descobriu essa fórmula. Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht riram dela e acabaram derrotados. Lênin, o vitorioso, ouviu-a com reverência e gratidão da boca de seu gerente financeiro na Suíça, Jacob Hanecki, a quem depois da Revolução premiaria com o cargo de Comissário do Povo para as Finanças. Leiam Lenin in Zurich , de Alexander Solzhenitsyn (London, Farrar, Straus & Giroux, 1975). A revolução socialista consiste na simples transfiguração de uma elite ativista proprietária de boa parte do capital em senhora absoluta de todo o capital. Sempre foi assim, e com a esquerda nacional não é diferente. O mensalão não foi um pecado temporão cometido por almas santas no último minuto antes da ascensão aos céus. Foi a execução lenta e metódica de planos traçados desde o começo da década de 90 -- contemporâneos à criação do Foro de São Paulo --, já denunciados então por César Benjamin, algo como uma versão “los macaquitos” de Karl Liebknecht, à qual, como a este último, a História e o distinto público deixaram falando sozinha.

Tomem, por exemplo, a forma mais simples e bruta do capital – a posse da terra – e façam a conta de tudo o que a militância organizada, com o auxílio deste governo e dos anteriores, vem amealhando ao longo dos últimos anos. Somem a extensão das propriedades do MST com as reservas indígenas, com os quilombos (ou ditos tais) em vias de desapropriação, com os imóveis estatais e privados já transferidos a ONGs ativistas, com as áreas sob domínio das Farc diretamente ou através de seus prepostos locais – e verão que nunca houve, neste país, um patrimônio imobiliário comparável. Nem incluo aí o patrimônio financeiro – as verbas estatais que jorram sobre as organizações esquerdistas, as participações acionárias em mil e uma empresas, as contribuições internacionais impossíveis de calcular e, last not least , os lucros do narcotráfico. Os ricos não serão destruídos pelos pobres. Serão destruídos pelos mais ricos.

No fundo, o cinismo lulista é até mais respeitável do que o moralismo posado de seus críticos de esquerda, postiço até o desespero, macaqueação tardia do mesmo discurso enganoso que levou o PT às supremas glórias eleitorais. O que o antilulismo de esquerda nos promete, na hipótese viabilíssima de sua ascensão ao poder, são prodígios de ladroagem que farão Dirceu e Berzoini parecerem São Cosme e São Damião. No ato mesmo em que explicam a corrupção petista como traição aos ideais revolucionários, os santarrões do PSOL e do PSTU se desmascaram a si próprios com uma eloqüência quase sublime: Quem pode acreditar em patifes que prometem fazer a revolução marxista sem descumprir em nada os ditames da moral burguesa?

Ademais, por que alardeiam suas denúncias na Rede Globo, na Folha , no Estadão – naquela mesma mídia a que chamam reacionária e imperialista – antes de haver sequer tentado discuti-las discretamente no Foro de São Paulo, a instância máxima do esquerdismo continental? Roupa suja se lava em casa, e quando alguém o faz em público antes de haver nem mesmo tocado no assunto em família, é porque está tramando alguma. Imaginem um soi disant dissidente soviético que, nos anos 60, saísse berrando contra o comunismo na Voz da América ou Rádio Europa Livre, ao mesmo tempo que conservasse seu cargo e suas boas relações no Politburo ou na KGB. É exatamente a mesma coisa. Se a esquerda está dividida entre os corruptos e os honestos, a divisão deveria aparecer primeiro nos seus debates internos – só depois ante os inimigos, se chegasse a tanto. O inverso é prova clara de que se trata de pura encenação, de que por trás a família continua unida e coesa, tramando para ludibriar uma vez mais a multidão dos trouxas. Não há cisão na esquerda: há apenas uma natural divisão de trabalho – uns amealham dinheiro e poder à custa de enfeiar a imagem do esquerdismo, outros embelezam a imagem consentindo devotadamente em adiar o recebimento da sua quota de dinheiro e poder. Sempre foi assim. O movimento revolucionário limpa-se na sua própria sujeira, engorda alimentando-se do seu próprio cocô.

O hábito de salvar o prestígio do esquerdismo no ato mesmo de denunciar os seus crimes já está tão arraigado nas rotinas mentais da classe falante, que aparece até mesmo nos lugares que se julgariam, à primeira vista, os mais inusitados. Falando dos reféns em poder da narcoguerrilha colombiana, escreve a Veja desta semana – sim, Veja , nominalmente o spalla da orquestra antipetista:

“A organização que mantém cerca de oitocentas pessoas em seu poder, conhecida pela sigla Farc, não é formada por guerrilheiros marxistas , como repete a denominação usual (grifo meu). Nem Marx endossaria as barbáries cometidas pelas Farc, que se originaram numa querra civil ocorrida na Colômbia e depois tiveram inspiração esquerdista, mas há muito tempo degeneraram em uma espécie de seita de fanáticos que vive à custa do tráfico de cocaína.”

Desde logo, é falso que Marx não endossaria essas violências e outras piores, de vez que contemplava como exigência normal e desejável do processo revolucionário a extinção sumária de povos inteiros. Em segundo lugar, o narcotráfico das Farc é mixaria perto do que foi feito na China por Mao Dzedong, a quem ninguém jamais acusou de ser infiel às tradições marxistas. Em terceiro lugar, o comércio latino-americano de drogas foi na sua parte mais substantiva uma criação da KGB, que se empenhou nisso desde os anos 50 (v. o depoimento do general tcheco Jan Sejna – um participante direto da operação – em Christopher Story , Red Cocaine. The Drugging of America and the West , London, Edward Harle, 2nd. Ed., 1999). Devemos crer que o governo soviético, Mao Dzedong e o próprio Marx não representam o autêntico espírito do marxismo, cujo único porta-voz autorizado é o redator de Veja ? Este aliás se trai miseravelmente ao dizer que, de esquerdistas genuínos, os militantes das Farc se trasnformaram numa “seita de fanáticos”. Se dissesse que se transformaram em aproveitadores sem fé nenhuma, talvez enganasse melhor. Mas “fanáticos”? Fanáticos do quê? Do espiritismo? Do vegetarianismo? Da Seicho-No-Iê? Fanáticos jogadores de futebol-de-botão? Fanáticos admiradores da Ana Paula Arósio? Fanáticos, por definição, acreditam em alguma coisa, e em que acreditam os homens das Farc, senão no bom e velho marxismo de sempre? Fanáticos marxistas, sim, é o que são, ontem como hoje. Se não o fossem, não seriam aceitos e celebrados como representantes fidedignos do marxismo no templo mesmo da revolução comunista, o Foro de São Paulo. Ou será que Veja tem mais autoridade do que o Foro de São Paulo para julgar a ortodoxia comunista dos outros?

Mais abusadamente ainda, Marcelo Otávio Dantas, no artigo “Messianismo e o credo petista” (Folha de S. Paulo), querendo contrastar o PT corrupto de hoje com o PT puríssimo de outrora, diz que a mentalidade do partido “converteu-se, assim, em um neosabbatianismo radical, alimentado por uma intelectualidade delirante, especializada em justificar o injustificável”. Como se os traços da heresia de Sabbatai Zevi já não estivessem no próprio sangue do movimento revolucionário desde sempre e como se a marca distintiva do PT não tivesse sido, desde a origem, o culto do pecado redentor assumido até mais explicitamente que o dos outros partidos de esquerda então existentes. Nascido de uma aliança entre os comunistas e a esquerda católica, o PT veio imbuído do projeto gramsciano de subverter a Igreja por dentro, esvaziando-a de seu conteúdo espiritual e fazendo dela o instrumento dócil do que pode haver de mais anticristão no mundo, a revolução comunista. Se isso não é uma forma extrema de heresia messiânica, não sei em que outra classificação possa caber. O discurso untuosamente moralista do PT nunca teve nada de sincero, foi sempre, entre os líderes, uma parasitagem maquiavélica do prestígio da Igreja para fins de propaganda e, na arraia miúda dos militantes, uma forma patológica de auto-engano lisonjeiro. Perto disso, o mensalão é apenas um pecadinho de fim de semana. A corrupção financeira do PT não é senão a exteriorização tardia – e mais vistosa, para a mentalidade dinheirista – da podridão interior sem fim que inspirou a criação do partido-seita.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Lula viaja ansioso para negociar com Raul Castro um mega resort com cassino e acordo que beneficia a Petrobrás

Do blog ALERTA TOTAL
Por Jorge Serrão em 14 de janeiro de 2008

Exclusivo - O poderoso Lula tem grandes interesses pessoais na viagem apressada que faz hoje a Cuba e Guatemala. A suposta visita ao vivo-morto Fidel Castro, companheiro no Foro de São Paulo, é uma mera desculpa. A principal motivação de Lula é sacramentar negócios para seu grupo de poder.

A família da Silva e parceiros querem permissão do governo cubano para a investir em um mega-resort, que possa até abrigar um cassino, na Ilha Perdida. É isso que Lula está ansioso para amarrar com Raul Castro, irmão e sucessor de Fidel. E a turma de Lula vai lutar pela legalização do jogo no Brasil, desde que explorado por “investidores” de fora, e não pelo que consideram “máfias daqui”.

A ansiedade de Lula com a viagem a Cuba foi tanta que nem a doença do vice presidente atrapalharia sua viagem. José Alencar assume hoje a Presidência, literalmente, na emergência. Mesmo internado no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, Alencar ocupa o posto de chefe da Nação a partir das 9h 30min da manhã. Por causa dos interesses maiores de Lula, antes de ser internado, Alencar não se licenciou do cargo.

Se tivesse procedido dessa forma, caberia ao presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), assumir a Presidência. O chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, ligou para o vice no domingo, e ouviu de Alencar que ele estaria pronto para o sacrifício. Lula deve retornar ao Brasil na terça-feira à noite, para retomar suas funções na quarta-feira.

Na fachada oficial da viagem, Lula vai promover a extensão dos acordos que serão firmados entre Cuba e a Petrobrás. O objetivo é explorar petróleo em lotes do Golfo do México delimitados pelos cubanos. Em contrapartida, a Petrobrás abriria uma fábrica de lubrificantes em Cuba. Essa condição imposta pela Petrobrás sempre embolou a negociação com os cubanos. Mas tudo indica que o governo cubano agora vai facilitar o negócio.

Negócio rentável

No submundo dos negócios, comenta-se que o grupo de Lula também quer comandar o mega-empreendimento do jogo no Brasil.

A aprovação legal do jogo no Brasil será um dos favores mais rentáveis para a base aliada na atual legislatura.

“Investidores” prometem generosas molhadas de mão para que o projeto emplaque, apesar da restrição que sofre, historicamente, da cúpula da Igreja Católica.

Fazendo o Jogo

O lobby corre pesado para a autorização do funcionamento do primeiro cassino legalizado no Brasil.

Em Florianópolis, reserva-se uma área para a implantação do primeiro complexo.

No Guarujá, o empresário Silvio Santos também já preparou toda a infra-estrutura para isso em seu mega-empreendimento hoteleiro.

Mas o super cassino tem tudo para virar realidade em Cabo Frio, na região dos Lagos do Rio de Janeiro, aproveitando a proximidade do novo Clube Méd que se constrói ali.

Quem faz o lobby

O esquema para implantação do jogo é internacional, e não teria relação com as atuais máfias brasileiras.

A implantação dos cassinos contaria com apoio de investidores internacionais.

Um dos operadores deste lobby é de dois ex-presidentes do Banco Central, Gustavo Franco e Armínio Fraga.

O empresário Eike Batista e genro de Lula, Marcelo Sato, também estariam nessa parada que é comandada por José Dirceu, Antonio Palocci e José Genoíno.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Para refletir

Quem eram os personagens do "outro lado" do Movimento Cívico-patriótico que nossas Forças Armadas empreenderam com o objetivo de impedir que tomassem o poder através da força neste país em 1964?

Quem eram as pessoas do "outro lado", quais os nomes delas? Será que alguns deles estão HOJE onde queriam chegar naquela época (ou seja, no mando da nação) tendo utilizado para isto a estupidez e o desprezo pelo conhecimento de toda uma nação que vota em quem adora FIDEL, um assassino de 100 mil de seus compatriotas que discordaram, em algum momento, que CUBA era um paraíso?

Estou errado?

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".