Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.
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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Ética sociopática - já em 2000 Olavo mostrava o que é o esquerdismo nacional: SOCIOPATIA INDUZIDA E COLETIVA

Fonte: ÉPOCA
Edição 131 20/11/2000

OPINIÃO

Por Olavo de Carvalho


Maquiavelismo revolucionário camuflado em luta pela ética faz mal à saúde moral do país


Mas o psicopata (ou sociopata) não é um doente mental da forma como nós o entendemos. O doente mental é o psicótico, que sofre com delírios, alucinações e não tem ciência do que faz. Vive uma realidade paralela. Se matar, terá atenuantes. O psicopata sabe exatamente o que está fazendo. Ele tem um transtorno de personalidade. É um estado de ser no qual existe um excesso de razão e ausência de emoção. Ele sabe o que faz, com quem e por quê. Mas não tem empatia, a capacidade de se pôr no lugar do outro.”

Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva

Psiquiatra e escritora, diretora das clínicas Medicina do Comportamento, no Rio e em São Paulo, onde atende pacientes e supervisiona tratamentos.




Outro dia escrevi que Fidel Castro começara sua carreira assassinando um político qualquer só para cavar favores de um inimigo da vítima. Alguém replicou, indignado, que não era justo polemizar contra o regime cubano mediante “ataques à vida pessoal” de seu representante.

Estão vendo por que digo que o atual esquerdismo brasileiro não é um fanatismo simples, mas um fanatismo de sociopatas?

O simples fanático não chega ao desvario de proclamar que um homicídio político é puro assunto de foro íntimo do homicida, sem peso no julgamento de seu desempenho de homem público. Para tanto é preciso que ele tenha sacrificado no altar de sua fé o último vestígio de discernimento ético.

Fanatismo, por si, não implica dessensibilização moral. Essa é, em contrapartida, a definição mesma da sociopatia.

Não se trata, evidentemente, de sociopatia individual e espontânea, mas coletiva e induzida. Milhões de brasileiros estão se deixando reduzir à completa obtusidade pela prostituição de seu senso ético a uma formidável mentira eleitoral. Um partido que, em seus planos estratégicos, se propõe implantar no país um regime comunista de tipo cubano, mas em sua propaganda escamoteia esse dado essencial e vende uma imagem ideologicamente inócua de probidade administrativa, está, com toda a evidência, introduzindo um grave desvio de foco nas discussões públicas. O PT, de fato, parece ter menos corruptos que os outros partidos. Ao sugerir, porém, que essa diferença o torna especialmente apto a governar com lisura num regime democrático, ele omite que ela é apenas um subproduto da disciplina revolucionária voltada à destruição desse regime. Todo partido revolucionário é, nesse sentido aparente, “honesto”: não porque respeite as leis e a ordem, mas porque os rigores da guerra contra a lei e a ordem não lhe permitem o luxo de sacrificar a estratégia geral a ambições individuais. Ele não pode dizer isso em público, mas pode se aproveitar dessa mesma circunstância para fazer da luta em favor da moral a mais perfeita camuflagem de uma radical insinceridade. Não foi à toa que Antonio Gramsci fez do partido revolucionário a nova encarnação do Príncipe de Maquiavel.

Falando em nome dos mais altos anseios éticos, usando de sua falsa identidade até mesmo como instrumento de chantagem psicológica para instilar sentimentos de culpa nos eleitores que votassem contra ele, o bem-sucedido discurso petista ficou muito abaixo, não digo das injunções superiores de uma ética de virtudes, mas das exigências mais comezinhas do Código de Defesa do Consumidor.

Nunca, na história psicológica deste país, uma estratégia tão visceralmente fraudulenta logrou colocar a seu serviço, mediante propaganda enganosa, os sentimentos mais nobres e elevados de tantos eleitores. Nunca aquilo que há de melhor na alma dos cidadãos foi tão maquiavelicamente usado, desvirtuado, prostituído.

Corruptio optimi pessima: não há improbidade administrativa que possa se comparar, na malignidade de seus efeitos profundos, a essa propositada deformação da inteligência moral de um povo. Não espanta, pois, que pessoas submetidas a tamanha deseducação acabem se estupidificando a ponto de julgar que homicídios políticos sejam detalhes da vida pessoal, inaptos a manchar no mais mínimo que seja uma bela carreira de homem público.

Olavo de Carvalho é filósofo

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O pensamento de Gramsci - a bíblia do FORO DE SÃO PAULO

Fonte: SALVE A PÁTRIA
por Carlos I.S. Azambuja em 28 de abril de 2005


Antonio Gramsci
Antonio Gramsci: novas táticas adicionadas aos velhos métodos comunistas de tomada do poder.

28/04 - O socialismo proposto por Gramsci não passa pelos proletários e camponeses, e sim pela cultura e pelo efeito multiplicador dos meios de comunicação, buscando, através de métodos persuasivos, mudar a mentalidade vigente em uma sociedade.


O italiano Antonio Gramsci, um dos fundadores do Partido Comunista Italiano, foi o primeiro teórico marxista a compreender que a revolução na Europa Ocidental teria que se desviar muito do rumo seguido pelos bolcheviques russos. Nesse sentido, ofereceu um novo “Que Fazer” ao Ocidente desenvolvido. Aquilo que ele chamou de “sociedade civil” – rede de instituições educativas, religiosas e culturais que disseminam modos de pensar – era, na Rússia, incapaz de fornecer uma doutrinação moral e intelectual de caráter unitário, uma vez que o Estado czarista fundamentava-se na ignorância, na apatia e na repressão, e não no consentimento voluntário dos súditos. Na ausência de uma articulação complexa da “sociedade civil” em condições de absorver a insatisfação, a única defesa da velha ordem era constituída pelo aparelho do Estado, que Gramsci denomina de“sociedade política”. O conjunto difuso da “sociedade civil”, que propaga a ideologia da classe dominante, não existia na Rússia.

Segundo Gramsci, o objetivo da batalha pela mudança é conquistar, um após outro, todos os instrumentos de difusão ideológica (escolas, universidades, editoras, meios de comunicação social e sindicatos), uma vez que os principais confrontos ocorrem na esfera cultural e não nas fábricas, nas ruas ou nos quartéis.


Dessa forma, Gramsci abandonou a generalizada tese marxista de uma crise catastrófica que permitiria, como um relâmpago, uma bem sucedida intervenção de uma vanguarda revolucionária organizada. Ou seja, uma intervenção do Partido. Para ele, nem a mais severa recessão do capitalismo levaria à revolução, como não a induziria nenhuma crise econômica, a menos que, antes, tenha havido uma preparação ideológica.


Segundo a linguagem colorida de Gramsci, o proletariado precisa transformar-se em força cultural e política dirigente dentro de um sistema de alianças, antes de atrever-se a atacar o poder do Estado-burguês. E o Partido deve adaptar sua tática a esses preceitos, sem receio de parecer que não é revolucionário.


Lênin sustentava que a revolução deveria começar pela tomada do Estado para, a partir daí, transformar a sociedade.

Gramsci inverteu esses termos: a revolução deveria começar pela transformação da sociedade, privando a classe dominante da direção da “sociedade civil” e, só então, atacar o poder do Estado. Sem essa prévia “revolução do espírito”, toda e qualquer vitória comunista seria efêmera.


Para tanto, Gramsci definiu a sociedade como “um complexo sistema de relações ideais e culturais” onde a batalha deveria ser travada no plano das idéias religiosas, filosóficas, científicas, artísticas, etc. Por essa razão,

a caminhada ao socialismo proposta por Gramsci não passava pelos proletários de Marx e Lênin e nem pelos camponeses de Mao-Tsetung, e sim pelos intelectuais, pela classe média, pelos estudantes, pela cultura, pela educação e pelo efeito multiplicador dos meios de comunicação social, buscando, através de métodos persuasivos, sugestivos ou compulsivos, mudar a mentalidade, desvinculando-a do sistema de valores tradicionais, para implantar os valores ateus e materialistas.


O comunismo de Gramsci é a “
versão ocidental” do comunismo, e ao proclamar o diálogo e aceitar o debate, próprios dos sistemas verdadeiramente democráticos, trabalha sobre todas as formas de expressão cultural, atuando sob a cobertura do pluralismo, com a contribuição de todos aqueles que por compartilhar a ideologia marxista, por snobismo, por conveniência ou por negligência, se somam voluntária ou involuntariamente a essa nova expressão do “frentismo”, chamando “fascistas” ou “retrógados” aqueles que se opõem a essa forma de pensar e atuar.


Nessa confusão de idéias, chega-se a substituir a contradição hegeliana de
“burguês – proletário” (tese e antítese) pela de “fascista – anti-fascista”. O inimigo não é patrão e sim o fascista. Assim surge o mito do fascismo, que nada tem a ver com o fascismo histórico, sem dúvida questionável.


Quem quer que defenda os valores tradicionais da cultural ocidental é tachado de “
fascista” e considerado genericamente como “um mal”. O grande erro dos comunistas, segundo Gramsci, foi o de crer que o Estado se reduz a um simples aparato político. Na verdade, o Estado atua não apenas com a ajuda do seu aparato político, como também por meio de uma ideologia que descansa em valores admitidos que a maioria dos membros da sociedade têm como supostos. A referida ideologia engloba a cultura, as idéias, as tradições e até o sentido comum. Em todos esses campos atua um poder no qual também se apóia o Estado: o poder cultural.


A necessidade de uma reforma intelectual e moral para lograr uma mudança de mentalidade nas sociedades ocidentais que foram constituídas por convicções, critérios, normas, crenças, pautas, segundo a concepção cristã da vida, é de suma importância para o triunfo da revolução mundial.


Porém, nesse propósito de formação de uma nova consciência proletária, o gramscismo encontra um obstáculo: a religião. De acordo com os estudos de Gramsci, a Igreja Católica, encarada como inimiga irreconciliável do comunismo, utiliza elementos fundamentais e comuns na sociedade, chegando a toda população, tanto urbana como rural. O catolicismo, segundo Gramsci, é uma doutrina geral simplificada a fim de ser entendida por todos. Analisando esse fato, Gramsci chegou à conclusão que uma das chaves da sobrevivência do catolicismo ao longo dos séculos foi o fato de que em seu seio conviveram harmonicamente humildes e elites, sentenciando que “
a Igreja romana sempre foi a mais tenaz em impedir que oficialmente se formem duas religiões: a dos intelectuais e a das almas simples.


Concluiu que é a Igreja Católica que inspira a formação desse sentido comum cristão e, por conseguinte, era preciso erradicá-lo mediante uma ação não violenta já que essa via seria repelida pelas sociedades ocidentais, onde influi e gravita o consenso e a vontade das maiorias. Gramsci afirmou que “
os elementos principais do sentido comum são ministrados pelas religiões e, por isso, a relação entre o sentido comum e a religião é muito mais íntima do que a relação entre o sentido comum e os sistemas filosóficos dos intelectuais”. Então - prossegue Gramsci – todo o movimento cultural que tenda a substituir o sentido comum e as velhas concepções do mundo deve repetir incansavelmente os próprios argumentos, variando suas ‘formas’”.


Dessa forma, as novas concepções se difundem utilizando sofismas, dando novas interpretações a fatos históricos e chegando a parafrasear o Evangelho em alguns casos, mostrando distintos “
ensinamentos” de determinadas passagens bíblicas, tal como a expulsão dos mercadores do Templo de Deus, utilizando-os como argumentos para justificar a violência e fortalecer a imagem do “Cristo guerrilheiro”, criada pelos “cristãos revolucionários”.


Essas concepções, porém, não deverão ser apresentadas em formas puras, uma vez que o povo não as aceita na medida que provoquem uma mudança traumática. Para isso, devem ser apresentadas como combinações, explorando “a crise intelectual e a perda da fé na concepção que se deseja mudar”.


Por isso, diz Gramsci, não se deve enfrentar frontalmente a Igreja Católica, e sim criar os enfrentamentos em seu seio. Enfrentamentos que não sejam apresentados como provocados por causas exógenas e sim endógenas.


Acrescente-se que o marxismo de Gramsci se apresenta como uma interpretação “
filosófica” distinta do marxismo conhecido. Não há filosofia e práxis; existe uma igualdade entre pensamento e ação ao ponto em que tudo é considerado ação. Em conseqüência, a “filosofia da práxis” deve ser elaborada partindo de uma equivalência entre filosofia e política, e deverá ser construída como ciência da história, posto que filosofia e história são indissociáveis. Diz Gramsci que “a filosofia da práxis supera as precedentes, por isso é original, especialmente porque abre uma via completamente nova, ou seja, renova totalmente o modo de conceber a filosofia mesma”.


Quanto ao papel dos intelectuais, ele deixa claro que a tarefa de agente da mudança na nova concepção de mundo não pode ser desenvolvida pelos intelectuais burgueses, considerados “
o elo mais débil do bloco burguês”.

Devem surgir “novos” intelectuais da massa do povo.

Dessa forma, a tarefa a ser desenvolvida por essa “
nova” elite será a de formar uma vontade coletiva e lograr a reforma moral e intelectual, agregando que uma reforma cultural que eleve os extratos submersos da sociedade não pode ocorrer sem uma prévia reforma econômica e uma mudança na sua posição social. Por isso, afirmou queuma reforma intelectual e moral tem que ser vinculada forçosamente a um programa de reforma econômica”.


(Cavaleiro do Templo: deu para entender agora o que está ocorrendo na América Latina? E porque todo mundo diz por aí que o COMUNISMO MORREU? Morreu o comunismo russo. O Ocidental nunca esteve mais vivo e feliz pois está conseguindo alcançar todos os seus objetivos citados acima.)

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

GRAMSCI E A COMUNIZAÇÃO DO BRASIL

Fonte: ANATOLLI OLIYNIK
13 de Março de 2009


Por Anatoli Oliynik

Em lugar algum no mundo o pensamento de Gramsci foi tão disciplinadamente aplicado como está sendo no Brasil. Inicialmente, pelo governo FHC, e agora pelo PT, cuja nomenklatura governamental segue com rigor as orientações emanadas dos intelectualóides uspianos que dirigem o Foro de São Paulo e que têm como cartilha os Cadernos do Cárcere, de Gramsci.

Quem não está familiarizado com as ideologias políticas, por certo estará perguntando: Quem foi Gramsci e qual sua relação com o comunismo brasileiro?

Antonio Gramsci (1891-1937), pensador e político foi um dos fundadores do Partido Comunista Italiano em 1921, e o primeiro teórico marxista a defender que a revolução na Europa Ocidental teria que se desviar muito do rumo seguido pelos bolcheviques russos, capitaneados por Vladimir Illitch Ulianov Lênin (1870-1924) e seguido por Iossif Vissirianovitch Djugatchvili Stalin (1879-1953).

Durante sua prisão na Itália em 1926, que se prolongou até 1935, escreveu inúmeros textos sobre o comunismo os quais começaram a ser publicados por partes na década de 30, e integralmente em 1975, sob o título Cadernos do Cárcere. Esta publicação, difundida em vários continentes, passou a ser o catecismo das esquerdas, que viram nela uma forma muito mais potente de realizar o velho sonho de implantar o totalitarismo, sem que fosse necessário o derramamento de sangue, como ocorreu na Rússia, na China, em Cuba, no Leste Europeu, na Coréia do Norte, no Camboja e no Vietnã do Norte, países que se tornaram vítimas da loucura coletiva detonada por ideólogos mentecaptos.

Gramsci professava que a implantação do comunismo não deve se dar pela força, como aconteceu na Rússia, mas de forma pacífica e sorrateira, infiltrando, lenta e gradualmente, a idéia revolucionária.

A estratégia é utilizar-se de diplomas legais e de ações políticas que sejam docilmente aceitas pelo povo, entorpecendo consciências e massificando a sociedade com uma propaganda subliminar, imperceptível aos mais incautos que, a priori, representam a grande maioria da população, de modo que, entorpecidos pelo melífluo discurso gramsciano, as consciências já não possam mais perceber o engodo em que estão sendo envolvidas.

A originalidade da tese de Gramsci reside na substituição da noção de “ditadura do proletariado” por “hegemonia do proletariado” e “ocupação de espaços”, cuja classe, por sua vez, deveria ser, ao mesmo tempo, dirigente e dominante. Defendia que toda tomada de poder só pode ser feita com alianças e que o trabalho da classe revolucionária deve ser primeiramente, político e intelectual.

A doutora Marli Nogueira, juíza do trabalho em Brasília, e estudiosa do assunto, nos dá a seguinte explicação sobre a “hegemonia”:

“A hegemonia consiste na criação de uma mentalidade uniforme em torno de determinadas questões, fazendo com que a população acredite ser correta esta ou aquela medida, este ou aquele critério, esta ou aquela ´análise da situação´, de modo que quando o comunismo tiver tomado o poder, já não haja qualquer resistência. Isto deve ser feito, segundo ensina Gramsci, a partir de diretrizes indicadas pelo ´intelectual coletivo´ (o partido), que as dissemina pelos ´intelectuais orgânicos´ (ou formadores de opinião), sendo estes constituídos de intelectualóides de toda sorte, como professores – principalmente universitários (porque o jovem é um caldo de cultura excelente para isso), a mídia (jornalistas também intelectualóides) e o mercado editorial (autores de igual espécie), os quais, então, se encarregam de distribuí-las pela população”.

Quanto à “ocupação de espaços”, pode ser claramente vislumbrada pela nomeação de mais de 20 mil cargos de confiança pelo PT em todo o território brasileiro, cujos detentores desses cargos, militantes congênitos, têm a missão de fazer a acontecer a “hegemonia”.

Retornando a Gramsci e segundo ele, os principais objetivos de luta pela mudança são conquistar, um após outro, todos os instrumentos de difusão ideológica (escolas, universidades, editoras, meios de comunicação social, artistas, sindicatos etc.), uma vez que, os principais confrontos ocorrem na esfera cultural e não nas fábricas, nas ruas ou nos quartéis. O proletariado precisa transformar-se em força cultural e política, dirigente dentro de um sistema de alianças, antes de atrever-se a atacar o poder do Estado-burguês. E o partido deve adaptar sua tática a esses preceitos, sem receio de parecer que não é revolucionário. Isso o povo brasileiro não está percebendo, pois suas mentes já foram entorpecidas pelo governo revolucionário que está no poder.

Desta forma, Gramsci abandonou a generalizada tese marxista de uma crise catastrófica que permitiria, como um relâmpago, uma bem sucedida intervenção de uma vanguarda revolucionária organizada. Ou seja, uma intervenção do Partido. Para ele, nem a mais severa recessão do capitalismo levaria à revolução, como não a induziria nenhuma crise econômica, a menos que, antes, tenha havido uma preparação ideológica. É exatamente isto que está acontecendo no presente momento aqui no Brasil: A preparação ideológica. E está em fase muito adiantada, diga-se de passagem.

Segundo a doutora Marli Nogueira:

“Uma vez superada a opinião que essa mesma sociedade tinha a respeito de várias questões, atinge-se o que Gramsci denominava ´superação do senso-comum´, que outra coisa não é senão a hegemonia de pensamento. Cada um de nós passa, assim, a ser um ventríloquo a repetir, impensadamente, as opiniões que já vêm prontas do forno ideológico comunista. E quando chegar a hora de dizer ´agora estamos prontos para ter realmente uma ´democracia´ (que, na verdade, nada mais é do que a ditadura do partido), aceitaremos também qualquer medida que nos leve a esse rumo, seja ela a demolição de instituições, seja ela a abolição da propriedade privada, seja ela o fim mesmo da democracia como sempre a entendemos até então, acreditando que será muito normal que essa ´volta à democracia´ se faça por decretos, leis ou reformas constitucionais”.

Lênin sustentava que a revolução deveria começar pela tomada do Estado para, a partir daí, transformar a sociedade. Gramsci inverteu esses termos: a revolução deveria começar pela transformação da sociedade, privando a classe dominante da direção da “sociedade civil” e, só então, atacar o poder do Estado. Sem essa prévia “revolução do espírito”, toda e qualquer vitória comunista seria efêmera.

Para tanto, Gramsci definiu a sociedade como “um complexo sistema de relações ideais e culturais” onde a batalha deveria ser travada no plano das idéias religiosas, filosóficas, científicas, artísticas etc. Por essa razão, a caminhada ao socialismo proposta por Gramsci não passava pelos proletariados de Marx e Lênin e nem pelos camponeses de Mão Tse Tung, e sim pelos intelectuais, pela classe média, pelos estudantes, pela cultura, pela educação e pelo efeito multiplicador dos meios de comunicação social, buscando, por meio de métodos persuasivos, sugestivos ou compulsivos, mudar a mentalidade, desvinculando-a do sistema de valores tradicionais, para implantar os valores da ideologia comunista.

Fidel Castro, com certeza, foi o último dinossauro a adotar os métodos de Lênin. Poder-se-á dizer que Fidel é o último dos moicanos às avessas considerando que seus discípulos Lula, Morales, Kirchner, Vasquez e Zapatero, estão aplicando, com sucesso, as teses do Caderno do Cárcere, de Antônio Gramsci. Chávez, o troglodita venezuelano, optou pelo poder força bruta e fraudes eleitorais. No Brasil, por via das dúvidas, mantêm-se ativo e de prontidão o MST e a Via Campesina, como salvaguarda, caso tenham que optar pela revolução cruenta que é a estratégia leninista.

Todos os valores que a civilização ocidental construiu ao longo de milênios vêm sendo sistematicamente derrubados, sob o olhar complacente de todos os brasileiros, os quais, por uma inocência pueril, seja pelo resultado de uma proposital fraqueza do ensino, seja por uma ignorância dos reais intentos das esquerdas, nem mesmo se dão conta de que é a sobrevivência da própria sociedade que está sendo destruída.

Perdidos esses valores, não sobra sequer espaço para a indignação que, em outros tempos, brotaria instantaneamente do simples fato de se tomar conhecimento dos últimos acontecimentos envolvendo escancaradas corrupções em todos os níveis do Estado.

O entorpecimento da razão humana, com o conseqüente distanciamento entre governantes e governados, já atingiu um ponto tal que, se não impossibilitou, pelo menos tornou extremamente difícil qualquer tipo de reação por parte do povo. Estando os órgãos responsáveis pela sua defesa – imprensa, associações civis, empresariado, clero, entre outros – totalmente dominados pelo sistema de governo gramsciano que há anos comanda o País, o resultado não poderia ser outro: a absoluta indefensabilidade do povo brasileiro. A este, alternativa não resta senão a de assistir, inerme e inerte, aos abusos e desmandos daqueles que, por dever de ofício, deveriam protegê-lo em todos os sentidos.

A verdade é que os velhos métodos para implantação do socialismo-comunismo foram definitivamente sepultados. Um novo paradigma está sendo adotado, cuja força avassaladora está sendo menosprezada, e o que é pior, nem percebido pelo povo brasileiro.

O Brasil está sendo transformado, pelas esquerdas, num laboratório político do pensamento de Gramsci sob a batuta do aluno aplicado e tutela do Foro de São Paulo.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Um guru da educação brasileira e Paranóia sociológica

Dois artigos do Olavo de Carvalho, um é sequência do outro:


A “revolução cultural” opera-se por meio de mudanças sutis e quase imperceptíveis do imaginário popular – do “senso comum” como o chama Gramsci –, de tal modo que tudo pareça espontâneo e que a vontade do Partido não se imponha como ditado autoritário de uma organização política em particular, mas como decorrência involuntária e anônima da natureza das coisas, como “autoridade onipresente e invisível de um imperativo categórico, de um mandamento divino


Um guru da educação brasileira

Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 4 de fevereiro de 2009

Uma das idéias mais influentes e respeitadas na educação brasileira é a teoria da “violência simbólica”, criada por Pierre Bourdieu (v. Pierre Bourdieu e Jacques Passeron, A Reprodução. Elementos para uma Teoria do Sistema de Ensino, trad. Reynaldo Bayrão, 3ª. ed., Rio, Francisco Alves, 1992). Por esse termo ele entende “a violência que extorque submissão não percebida como tal, baseada em ‘expectativas coletivas’ ou crenças socialmente inculcadas”. Violência simbólica é toda forma de dominação mediante impregnação inconsciente de hábitos, símbolos e valores que ao mesmo tempo impõem essa dominação e a encobrem aos olhos dos dominados, de modo que a violência é tanto mais efetiva quanto menos reconhecida.

Todo sistema educacional, desta ou de outras épocas, constitui-se, segundo Bourdieu, de “atos pedagógicos” destinados a impor um conjunto de valores culturais, sempre arbitrários e injustificáveis, por meio de “violência simbólica”. As noções de “violência” e “arbitrário” estão interligadas: “A seleção de significações que define objetivamente a cultura de um grupo ou de uma classe como sistema simbólico é arbitrária na medida em que a estrutura e as funções dessa cultura não podem ser deduzidas de nenhum princípio universal, físico, biológico ou espiritual, não estando unidas por nenhuma espécie de relação interna à ‘natureza das coisas’ ou a uma ‘natureza humana’.”

A premissa aí oculta é que, se o sistema simbólico refletisse princípios universais, a ação pedagógica não seria violência simbólica e sim persuasão racional. Mas isso, segundo Bourdieu, jamais acontece: “Toda ação pedagógica é objetivamente uma violência simbólica enquanto imposição, por um poder arbitrário, de um arbitrário cultural.

Mas, se a cultura não tem fundamento, nem por isso deixa de ter utilidade – para alguns, é claro: “A seleção de significações que constitui objetivamente a cultura de um grupo ou classe como sistema simbólico é sociologicamente necessária na medida em que essa cultura deve sua existência às condições sociais das quais ela é o produto.” O esquema dominante (as “condições sociais”) não se limita a “produzir” o sistema simbólico – ele se serve dele para seus próprios fins: “...O arbitrário cultural que as relações de força entre os grupos ou classes... colocam em posição dominante... é aquele que exprime o mais completamente, ainda que sempre de maneira mediata, os interesses objetivos (materiais e simbólicos) dos grupos ou classes dominantes.

Bourdieu apresenta esses parágrafos como uma lição de sociologia, isto é, uma descrição de como as coisas funcionam nas sociedades existentes, inclusive e primordialmente, é claro, a sociedade burguesa. Ele pretende, portanto, que a classe burguesa, na busca de seus próprios interesses, criou um sistema de significações a ser inculcado por meio de atos pedagógicos de violência simbólica nas mentes dos dominados, de tal modo que não só essas significações, mas também aqueles interesses, e a relação de poder que os atende, permaneçam invisíveis. É, convenhamos, uma operação de engenharia psicológica das mais complexas. Para realizá-la, é preciso, primeiro, agentes humanos qualificados. Uma “classe”, afinal, abrange milhões de pessoas e não é possível que todas elas participem do empreendimento. É preciso que, dentre elas, se destaquem uns quantos especialistas, os “educadores”, que estes sejam aceitos como legítimos representantes da classe, que entrem num consenso ao menos aproximado quanto aos interesses da classe que representam; é preciso ainda que esse consenso corresponda de fato aos tais interesses e obtenha, uma vez formulado, a aprovação da classe que nomeou os educadores. Partindo, pois, dessa representação meramente esquemática da situação social, eles teriam de selecionar e organizar os símbolos, estratégias e esquemas mentais mais propícios não só a produzir obediência nos dominados, mas também a manipulá-los e ludibriá-los de tal modo que não percebessem estar obedecendo a uma classe dominante, e nem mesmo a seres humanos, mas acreditassem seguir espontaneamente a natureza das coisas ou a vontade divina.

Vocês conseguem imaginar quantas assembléias, quantos grupos de trabalho, quantas pesquisas científicas, quantos projetos técnicos, quantas tentativas e erros seriam necessários para um plano dessa envergadura? Já imaginaram a imensa capacidade organizativa, os incalculáveis recursos orçamentários e, no topo da hierarquia, a mão de ferro necessária para manter a ordem, controlar o fluxo de trabalho e assegurar a produtividade num empreendimento todo feito de sutilezas psicológicas infinitamente evanescentes? Se algo dessa natureza tivesse um dia sido concebido, os trabalhos preparatórios deveriam ter deixado uma multidão de rastros: monografias acadêmicas, atas, publicações periódicas, regulamentos, ordens de serviço, etc, etc. O problema é o seguinte: nada disso existe, nada disso existiu jamais.

Se vasculharmos todas as bibliotecas, todos os registros, todos os arquivos sobre a história da educação burguesa, não encontraremos um só documento, um só memorando, uma só ata onde apareça, mesmo indiretamente, uma discussão nestes termos: “Os interesses objetivos da nossa classe são tais e quais, os meios de forçar as pessoas a trabalharem para nós são estes e aqueles, e os meios de camuflar toda a operação são x e y.” Nenhum educador, ministro da educação, professor ou inspetor do ensino primário, médio ou superior jamais disse uma coisa dessas, ou pelo menos não há documento que o registre.

Eles falam, sim, de valores, de fins da educação, de aprimoramento da inteligência humana, de virtudes cívicas, etc., mas nunca, jamais, de uma operação para forçar invisivelmente os dominados a uma conduta que, alertados, eles poderiam não aprovar. Como é possível que uma operação tão delicada não deixasse o menor rastro, senão numa linguagem tão desligada, aparentemente, de qualquer intenção manipulatória, de qualquer imposição camuflada, de qualquer “violência simbólica”? Se admitimos que essa intenção existiu, então só há, para explicar a inexistência de registros, as seguintes hipóteses:

Hipótese 1. Além de conceber um sistema de camuflagens para ludibriar os dominados, os malditos educadores burgueses ainda criaram, em cima dele, uma segunda rede de disfarces verbais para enganar os observadores futuros, isto é, nós. Mas esta segunda operação, sendo ainda mais complexa e trabalhosa do que a primeira, e só podendo ser levada a cabo depois que esta estivesse pronta, pela simples razão de que não se pode camuflar o que não existe, também não deixou para os historiadores o menor registro, o que supõe que, além da primeira camuflagem e da segunda, houve em seguida uma operação-sumiço ainda mais gigantesca do que as outras duas.

Hipótese 2. Ao planejar a manipulação dos dominados, os educadores burgueses não tinham conscientemente essa intenção, mas, enquanto serviam aos interesses objetivos da burguesia, acreditavam piamente trabalhar por valores culturais sublimes, pelo aprimoramento da inteligência etc. Isolados da realidade pelo seu próprio véu ideológico que encobria os verdadeiros interesses em jogo, planejaram inconscientemente a manipulação do inconsciente alheio e, embora trabalhassem totalmente às cegas, produziram um sistema tão organizado, racional e eficiente que conseguiram realmente fazer-se obedecer por milhões de paspalhos ainda mais inconscientes que eles – a multidão dos “dominados”. Não me perguntem como é possível uma operação tão vasta e complexa atingir miraculosamente os fins desconhecidos que, por vias ignoradas e inapreensíveis, atendem aos interesses de classe postulados, também inconscientemente, no início do processo.

Quando vemos o gênero de tolice em que os responsáveis pelas nossas escolas públicas devotamente acreditam, torna-se bem fácil explicar por que os alunos dessas escolas tiram sempre os últimos lugares nos testes internacionais.


***

Paranóia sociológica

Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 12 de fevereiro de 2009

Terminei o antigo anterior dizendo que a teoria da “violência simbólica” pressupunha ou uma megaconspiração cujos traços documentais desapareceram para sempre, ou o milagre de uma intenção inconsciente ser capaz de manipular o inconsciente alheio com a precisão de um cálculo matemático. Se as duas hipóteses são francamente dadaístas, à segunda vem acrescentar-se ainda mais um fator complicante. Para que os educadores fossem induzidos a trabalhar inconscientemente para os interesses da burguesia, teria sido preciso que a burguesia os manipulasse para esse fim, o que supõe que os capitalistas fossem educadores ainda mais hábeis do que os educadores profissionais, impondo a estes, por meio de “violência simbólica”, as normas e padrões de uma violência simbólica de segundo grau que, inconscientemente, eles deveriam repassar à multidão dos dominados. Também não há registro histórico de que isso jamais tivesse acontecido, é claro.

Ora, se a teoria da educação como “violência simbólica” não corresponde a nenhum fato objetivo, a nada que tenha acontecido historicamente, de onde é que ela extrai sua força de persuasão, a aparência de verossimilhança que a torna aceita, de umas décadas para cá, como uma grande verdade sociológica?

A resposta é escandalosamente simples. Toda a documentação que não existe sobre o planejamento da manipulação psicológica burguesa existe, em abundância, sobre a manipulação educacional revolucionária e socialista. Milhares, centenas de milhares de livros, artigos acadêmicos, atas de assembléias de professores e estudantes, revistas educacionais, circulares de sindicatos, filmes, vídeos etc., sem contar as obras completas de Antonio Gramsci e do próprio Pierre Bourdieu, atestam a existência de enormes trabalhos empreendidos para implantar na cabeça das crianças os valores e condutas que os revolucionários julgam convenientes para transformar os estudantes em massa de militantes ou simpatizantes da causa revolucionária, bem como para fazer com que os agentes desse empreendimento passem despercebidos e os efeitos de suas ações sejam vivenciados como transformações espontâneas do processo histórico. E isto não é uma interpretação que eu esteja fazendo. Os próprios revolucionários declaram que esse trabalho tem de ser feito e explicam como ele deve ser feito (Cavaleiro do Templo: outro exemplo claro e explícito e que está ocorrendo neste momento é o novo modelo educacional venezuelano). A frase de Antônio Gramsci citada no artigo anterior é o resumo da coisa toda. A “revolução cultural” opera-se por meio de mudanças sutis e quase imperceptíveis do imaginário popular – do “senso comum” como o chama Gramsci –, de tal modo que tudo pareça espontâneo e que a vontade do Partido não se imponha como ditado autoritário de uma organização política em particular, mas como decorrência involuntária e anônima da natureza das coisas, como “autoridade onipresente e invisível de um imperativo categórico, de um mandamento divino”.

Mais do que pôr em prática a máxima leninista “acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é”, Bourdieu inventa seu inimigo à imagem e semelhança do que ele próprio está fazendo. A famosa “violência simbólica” da cultura burguesa, não existe senão como projeção invertida da educação revolucionária. Ela é, em toda a linha, uma criatura do imaginário militante. É precisamente por só existir como fantasma na alma doente dos revolucionários que a pedagogia burguesa não apenas deixa de oferecer qualquer resistência visível ao avanço da educação revolucionária, mas ainda a protege e fomenta, oferecendo ao educador antiburguês todos os meios de ação disponíveis, acompanhados de honrarias e recompensas. Não há establishment educacional no mundo burguês que não tenha em Pierre Bourdieu o seu queridinho, o seu enfant gâté, infinitamente badalado e paparicado. Na verdade, a maioria dos educadores de grande sucesso no mundo burguês são todos revolucionários – John Dewey, Celestin Freinet, Paulo Freire, Jean Piaget, Emilia Ferrero e tutti quanti –, e é inconcebível que a astúcia maquiavélica dos burgueses que montaram a operação de manipulação invisível descrita por Pierre Bourdieu não tivesse percebido isso e, como uma sonsa, consentisse em promover seus inimigos em vez de seus porta-vozes fiéis.

A “sociologia da educação” de Pierre Bourdieu é não somente uma idiotice: é uma projeção psicótica das ações do próprio Bourdieu e de seus correligionários sobre uma realidade inexistente. É uma doença mental, e seu sucesso se deve precisamente a isso: é mais fácil transmitir o vírus de uma moléstia incapacitante do que algum conhecimento da realidade.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Annus Gramscii

Olavo de Carvalho


Por Félix Maier
17 de março de 2002

 

A imprensa tem o dom de trazer à baila, de tempos em tempos, os mesmos assuntos de sempre, em datas criteriosamente escolhidas. Com este tipo de propaganda maciça e contínua, os jornais e as revistas esperam conquistar corações e mentes, especialmente dos mais jovens, que não presenciaram os "anos de dinamite" dos 60 e 70. Pela eterna repetição dos assuntos, sob o enfoque dualista de sempre, como convém à doutrinação marxista, aos poucos parece que a sociedade brasileira está se acostumando a comer gato por lebre, lambendo os beiços com satisfação, pedindo até repetição do prato. A verdade histórica, assim, está se tornando mentira, a mentira um dogma.


Quando chega o 31 de março, lá vem uma enxurrada de artigos tratando do contragolpe dos militares, e tudo o que seguiu depois, unicamente sob a ótica marxista: a luta do bem (eles) contra o maligno (os militares). Isso, quando não é apresentado um documentário sobre o AI- 5, que foi decretado em dezembro de 1968, mas apresentado em 2001 pela TV Cultura (TV Lumumba?) no dia 31 de março.


Chega o dia 19 de abril, e durante semanas é reprisada a novela do "massacre" de Eldorado do Carajás, a maioria dos artigos inocentando completamente aquela turba enfurecida do MST que atacou, qual exército de Brancaleone, um destacamento da polícia do Pará, acionada para desobstruir uma rodovia. O mesmo período de abril é utilizado pelo MST para uma campanha acirrada na mídia contra o governo, fazendo marchas da vagabundagem pelo País, assaltando prédios públicos e fazendo reféns, tomando fazendas e matando gado - quando não chegam a matar pessoas também. Um verdadeiro menu terrorista.


Para não deixar empalidecer a "mística" esquerdista, que deve ser continuamente polida para se tornar cada vez mais brilhante, as claques esquerdistas, unidas mais do que nunca na imprensa, quando não têm à mão um episódio recente para atacar, por exemplo, as Forças Armadas, requentam fatos ocorridos há muito tempo, como a biografia de um guerrilheiro morto pelas forças de segurança, em uma situação que sempre denigre os antigos defensores da lei, ou a morte de um Vladimir Herzog ou de um Manoel Fiel Filho, que todos os anos são lembrados com pompa e circunstância, com páginas e mais páginas relatando os terríveis "anos de chumbo". São balões de ensaio lançados no ar, de tempos em tempos, para aferir a "temperatura" e a "pressão" do momento político atual, de modo a garantir uma tranqüila navegação da espaçonave esquerdista. E para fazer apologia de terroristas.


Em 2001, voltou à pauta esquerdista a questão dos guerrilheiros do PC do B mortos na região do Araguaia. Dizem os cínicos esquerdistas que é para as famílias enterrarem seus parentes mortos, que merecem um sepultamento digno. Que é uma questão "humanitária". Pura encenação. A maioria desses cretinos, nos anos 60 e 70, saíram por aí matando um monte de pessoas, em nome de uma ideologia que trucidou mais de 100 milhões de pessoas, e nunca se penitenciaram em público pelos crimes cometidos, ou pelo apoio dado a criminosos, no País ou no exterior. Nunca se empenharam em encontrar os ossos de milhões de condenados que sumiram nos gulags soviéticos, por que se importariam com meia dúzia de ossadas perdidas no Pará? O único fato é que os ossos dos terroristas precisam ser encontrados, para serem esfregados nas fuças das Forças Armadas.


Investigando documentos que versariam sobre a Guerrilha do Araguaia, procuradores da República encontraram em Marabá, PA, documentos sigilosos do Exército, emitidos pela sua Escola de Inteligência. O que fizeram os procuradores? Apuraram se havia alguma irregularidade nas cartilhas daquela Escola? Não. Simplesmente chamaram um jornalista da "Folha de S. Paulo", Josias de Souza, para publicar a íntegra de textos secretos que nunca poderiam ter vindo a público.


E toda a cínica imprensa esquerdista nacional ficou "estarrecida", o Presidente do STF se mostrou "perplexo", em saber que um órgão de Inteligência do Exército faz espionagem, coisa que acontece em todos os países do mundo, seja com os CDRs cubanos, a CIA dos EUA, seja com o Mossad israelense ou o KGB russo atualizado. Convém esclarecer que o MST possui seu próprio serviço de Inteligência, a Inteligência do Movimento (INTEMO), que tem por objetivo obter dados sobre quaisquer pessoas ou organizações que afetem os interesses do MST.


O PT tem a PTpol, trocadilho da palavra Interpol e da "polícia do PT", criado pelo então Senador Esperidião Amin durante a "CPI dos Anões do Orçamento", em 1993. Amin estranhava a desenvoltura com que José Dirceu apresentava documentos que só um espião poderia fazer. Aliás, José Dirceu, atual presidente do PT, é especialista em informações, contra-informação, estratégia e segurança militar, com treinamento em Cuba, e fez parte do serviço secreto cubano durante os governos militares. E vai receber uma bela "bolada" do Governo FHC por estes feitos, por conta da "perseguição" sofrida pelos governos militares...


Hoje, a arapongagem é uma prática comum em todos os setores da vida nacional, se proliferando pelo país como geração espontânea. Até a TV Globo tem diariamente um encarte de "araponganews" no Jornal Nacional, com repórteres travestidos de Sherlock Holmes, fazendo reportagens com filmadoras e microfones escondidos. Toda essa prática ilícita não é contestada por órgãos como a OAB, organizações de direitos humanos etc. Pelo contrário, ela é até incentivada. Para esses, os fins propostos justificam os meios utilizados, abolindo-se qualquer noção de ética.


Por que, então, os órgãos de Inteligência do Brasil iriam andar com capacetes com a inscrição "SECRETO"?


Bem, prossigamos com o Annus Gramscii da esquerda brasileira, e com seus assuntos de sempre pautados em datas específicas.


Passou o abril de Eldorado do Carajás do MST, passaram-se os meses de julho e agosto com os noticiários dos documentos secretos surrupiados do Exército e publicados na imprensa. Vamos entrar em setembro. O que teremos em setembro?


- Dia da Pátria - diria o último patriota ainda existente no Brasil.


Que nada, 7 de setembro não é Dia da Pátria para a turma da canhota, apenas "dia dos excluídos". Nada de a população se confraternizar, ir à rua com bandeirinhas para celebrar nossa nacionalidade. O que se vê são grupos cheios de ódio, que fazem um desfile alternativo, com punks, anarquistas e uma claque de estudantes, normalmente com ações de vandalismo, todos incitados pelo MST, pelo PT, pela CUT e pela CNB do B, para que tenham ódio do desfile militar, ataquem as atuais instituições brasileiras, que devem ser modificadas a seu gosto, o do totalitarismo socialista. Enfim, o 7 de setembro será utilizado pela esquerda apenas para que muitos brasileiros tenham ódio de sua própria Pátria.


Depois do dia 7, tem também o 11 de setembro. Por que o 11 de setembro é um dia importante para a esquerda brasileira? Simples, é o dia do "martírio" de Salvador Allende. É também o dia em que a famigerada "Comissão dos desaparecidos políticos" presenteou uma bolada de US$ 100,000.00 aos familiares de Lamarca e Marighela. Uma "ação entre amigos" promovida pelo deputado Nilmário Miranda e outros colegas esquerdistas da Comissão a velhos camaradas de outrora. Depois dessa vergonha nacional, o dia 11 de setembro deveria ser o "dia da traição", como já sugeriu o deputado Jair Bolsonaro.


Se Tancredo Neves foi "morto" no dia 21 de abril, para que sua morte coincidisse com a de seu conterrâneo Tiradentes, para que fosse santificado sem a necessidade dos estudos do Vaticano, com peregrinações a seu túmulo ocorrendo até os dias atuais, por que a Comissão de Nilmário não iria homenagear a data do suicídio de Allende, associando seu nome aos de Lamarca e Marighela, alçados desde então a heróis nacionais?


Em 2001, o 11 de setembro não foi o dia de Allende, Lamarca e Marighela. Foi o dia de intensa comemoração esquerdista, com a derrubada das torres gêmeas de Nova York e de uma ala do Pentágono. Junto com palestinos da Cisjordânia e de muçulmanos do Sul do Brasil, a canhota brasileira foi ao delírio, espumando de satisfação.


E aí o Annus Gramscii apresenta a folhinha de outubro. Que terá outubro, além da Revolução de Outubro, da Rússia, que na verdade ocorreu em novembro de 1917? Outubro terá o dia 8, dia de mais um "martírio" no calendário da esquerda latino-americana, a morte de Ernesto Che Guevara, na Bolívia, em 1967. Quem traiu Guevara? Foi a maldita CIA? Foi o próprio Fidel Castro que o mandou para a morte, com ciúmes do guapo líder argentino? Ou foi sua amante, enviada pelo Comintern (URSS) para trair Che? Tudo isso será especulado nos jornais e nas revistas no mês de outubro. Só nunca foi e nunca será especulado pela esquerda se os ossos de Che foram realmente aqueles encontrados na Bolívia, se foram feitos análises de DNA ou não para comprovar sua autenticidade, já que foram rapidamente transportados para um mausoléu em Cuba, para que não fosse feita mais nenhuma pergunta. Exatamente como convém à mitologia esquerdista, seguidora da "máxima de Ricúpero", de encobrir tudo o que lhe é adverso, de alardear tudo o que lhe convém, doutores e mestres que são na arte da desinformação.


E vem novembro, e vem dezembro, e algo sempre será escrito para manter a "mística" da esquerda latino-americana. E antes de janeiro chegar, antes que o Annus Gramscii volte a apresentar mais um Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, para condenar o maldito capitalismo americano, muito já se escreveu sobre os novos heróis brasileiros, criados durante essa "nova era" esquerdista que já dura há anos.


Nem calendário juliano, nem calendário gregoriano. Hoje, o Brasil adota o calendário gramscista, o Annus Gramscii com sabor de mojito e cigarro de palha messetê.


TERNUMA REGIONAL BRASÍLIA - ternumabrasilia@terra.com.br 
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terça-feira, 9 de dezembro de 2008

As explicações do sifu do Lula

TERÇA-FEIRA, 9 DE DEZEMBRO DE 2008

Casamata

As baixarias do Lula, do MAG top-top, da Martaxa relaxa e goza e de tantos outros companheiros, todas estão de acordo com a orientação gramscista. 

Leiam este artigo e entenderão que tudo isso não faz parte de "gafes" e sim, de uma técnica para plantar a esculhambação, confundindo as pessoas de inicio mas com o tempo, acostumando-as ao desmonte dos valores, do respeito, da boa educação e de tudo o as esquerdas consideram "comportamento burguês"

Muito esclarecedor está este artigo. 

Ana Prudente 


*** 

GRAMSCISMO E COINCIDÊNCIAS 


É Larry Rother quem conta em livro publicado recentemente no Brasil: 

- "Dois repórteres da `Folha' e do `Estado de S. Paulo' (`Viagens com o presidente', de Eduardo Scolese e Leonencio Nossa), contam: `Ao chegar a um jantar na embaixada brasileira em Tóquio, Lula pediu uma dose caprichada de uísque com gelo e antes mesmo do jantar mandou servir o segundo, o terceiro e o quarto copos, usando linguagem chula, que deixou constrangidos os presentes, diplomatas, ministros, senadores: `Tem hora que eu tenho vontade de mandar o Kirchner para a puta que o pariu. A verdade é que temos que ter muito saco para aturar a Argentina. O Chile é uma merda. Querem mais é que a gente se foda'". 

A cantilena da imprensa sobre o “sifú” que o ilustre presidente cuspiu na cara Brasil que via o noticiário no “horário nobre” da TV, me arrancou um “puta merda!” - interior, envergonhado, triste. Lembrei o que me contou um daqueles jovens que nos anos 60 do século passado - (parece muito tempo! Tempo suficiente para enrolar uma nação em papel vermelho) sobre palestras num dos cursos de guerrilha em Cuba. 

Tentarei reproduzir o mais fielmente possível: 

“Entre as marchas, confecção de bombas ofensivas e incendiárias, tiro com tudo quanto era arma, a gente também ouvia as palestras do político. Era um oficial do exercito cubano que contava histórias exemplares para ilustrar o comportamento revolucionário diante dos burgueses.” 

“Eu ouvia pensando que eram piadas ou que o sujeito queria aliviar a tensão e o cansaço do grupo. Hoje sei que ele estava aplicando as lições de Gramsci contra a ética e os bons costumes. Contou que um “companheiro” fingiu vomitar no prato num restaurante luxuoso, somente para escandalizar os burgueses... que um outro aproximou-se de um lord inglês homossexual, deixou-se fotografar em intimidades e depois utilizou as fotos para chantagear. Quebrou a cara porque o tal Lord apenas comentou sorrindo: “Ficaram lindas!”(as fotografias) e convidou-o para fazer outras mais”. 

Gramsci: ética aristotélica e valores devem ser atirados à lata do lixo. Infiltração em todas as áreas e provocar os comportamentos amorais, na contra mão dos costumes conservadores e do respeito. Inverter tudo. E a infiltração está aí, até no exemplo do primeiro (ou será segundo, terceiro, décimo...) mandatário desta republiqueta em que transformaram um Brasil que já tentou ser soberano. 

A infiltração nas faculdades está nos computadores do farquista Reyes: os militantes das farc eram enviados para universidades brasileiras e mexicanas, para aliciar jovens militantes. Nesta onda há muitos sumidos das famílias e a polícia não os encontra. 

Sexo, drogas, Gramsci, palavras chulas e semi analfabetos na universidade, são hoje a regra de ouro, boa para petistas e outros comunistas. 

Família, religião (ópio do povo) já estão bastante desmoralizadas. A violência corriqueira, completa o quadro de terrorismo imposto para abrir caminho para os discursos “light” e salvadores. Os capitalistas, os banqueiros, o imperialismo, tudo”direitista”, “nazi-fascista”, “explorador” leva a bronca. Devem ser atirados à “lata de lixo da história”. É o que querem, é o que fazem. 

Imagino, agora, (amanhã não sei) que a ausência da prática e consciência política, a falta de manifestação e mecanismos de exigência práticos, perpetua o poder de oligarcas. E que os acadêmicos, formadores de opinião, professores, padres e anexos, estão todos com os olhos cheios de poeira... A democracia não é entendida, nem praticada. É apenas uma utopia. 

"Burgueses não pegam na enxada / Burgueses não plantam feijão / E nem se preocupam com nada / Arrasam aos poucos a nação", diz a letra de uma das canções ensinadas aos "sem-terrinha". 

A Juventude Revolucionária Oito de Outubro (JR8) é a organização de frente para a atuação do Movimento Revoucionário Oito de Outubro no movimento estudantil. O V Encontro Nacional da JR8 reuniu jovens de vários estados do país na Praia Grande (SP), entre os dias 8 e 11 de abril, para debater temas como conjuntura nacional, movimento estudantil, socialismo, cultura, e eleger a nova Coordenação Nacional da JR8. 

Com a palavra de ordem “1, 2, 3, 4, 5 mil, a JR8 é a energia do Brasil”, a juventude reafirmou a bandeira da libertação nacional e a construção do socialismo, e elegeu como coordenador nacional Pedro Campos Pereira. 

O novo coordenador da JR8 prestou homenagens a Márcio Cabreira, que deixou a direção da coordenação nacional. “A JR8 que temos hoje é fruto dessa força e dessa capacidade de compromisso com o povo e, muito especialmente, o nosso camarada Márcio representa e sintetiza essas qualidades, a de um revolucionário, de um socialista”, 

“A cultura pode tanto atuar pela revolução ou pela conservação das relações sociais”, disse Valério. “Por exemplo, o Império Romano, em relação à cultura, incorporava palavras, culto aos deuses e costumes de outras culturas. Por quê? Porque sabia que quanto mais identificação o dominado tivesse com o dominador, melhor” 

Um fato inusitado nunca esclarecido: em maio de 1972, o Consulado da Inglaterra no Rio de Janeiro retirou do país o jovem cidadão inglês Thimothy William Watkin Ross, professor de inglês em um colégio em Santa Teresa, que com o codinome de “Samuca” era militante do MR8, tendo participado de diversas ações armadas. Antes disso, um diplomata do Consulado havia estado no “aparelho” onde “Samuca” residia, tendo retirado todos os documentos que lá se encontravam, muitos deles já destruídos, levando-os para o Consulado. Esses documentos foram retirados de dentro do Consulado, contra a vontade dos diplomatas, por uma equipe da Inteligência da Força Aérea. Ou seja, um cidadão inglês atuando em um grupo terrorista nacional sob a virtual proteção do Consulado! 

A partir de uma profunda autocrítica realizada por esses militantes, no Chile, o MR8, em um Pleno, realizado em dezembro de 1972, abandonou a luta armada, definindo-se pelo trabalho de massa, considerado uma absoluta necessidade histórica. Retemperado pela autocrítica e rejuvenescido pela nova linha política, o MR8 voltaria, no ano seguinte, 1973, às suas atividades no Brasil, gradativamente deixando de ser uma organização guerrilheira e transformando-se em um balcão de negócios. Inicialmente tornando-se a chamada “Juventude do PMDB”, ou seja, a ala esquerda do PMDB, sobrevivendo graças ao auxílio financeiro recebido, durante anos, de um ex-governador de São Paulo, auxílio que permitiu a manutenção, desde então até hoje, de um jornal – “Hora do Povo” – editado às terças e sextas-feiras. (Mídia sem Mascara, Carlos Azambuja). 

Assinado por quem já esteve lá.


terça-feira, 4 de novembro de 2008

BREVE NOTA SOBRE A ELEIÇÃO NO RIO DE JANEIRO

PAPÉIS AVULSOS do HEITOR DE PAOLA

Heitor De Paola


Não estava nos meus planos, como já disse, escrever sobre eleições no Brasil, onde as opções partidárias se resumem a uma arrumação aleatória de letras numa sopa de letrinhas. Em São Paulo ganhou a direita, mas quem leva é a esquerda, o comunista Serra! Que consegue munição para lutar contra o comunista Lula ou seu alter egoa Dilma. Em Porto Alegre ganhou um candidato notoriamente esquerdista com os votos da direita. Pode? No Brasil pode! Em nenhum país do mundo isto seria sequer cogitado. Imagino um eleitor conservador inglês votando num cadidato trabalhista. Ou um democrata de Massachusets votando em Giuliani ou McCain.


No Rio a situação foi interessante, tão interessante que o Prefeito eleito, Eduardo Paes, de direita, perguntado sobre por que perdera para o candidato comunista na Zona Sul onde moram os mais ricos, respondeuNão entedi nada! 


Não entendeu porque sua visão não vai além da política tradicional já há muito ultrapassada! Naqueles tempos a intelectualidade estava dividida em esquerda e direita, muito mais para a última. Desde a revolução gramcista (*) o mundo da política não é mais o mesmo e a intelectualidade burrificou-se e se tornou acadêmica e burocrática. Os intelectuais orgânicos tomaram a frente e praticamente eliminaram os pensadores independentes das editoras, das redações e da mídia em geral e das universidades. O discurso único de esquerda só admite discussões intra-muros: esquerda contra esquerda. Um destes é o discurso da ética, da lisura e do despreendimento político. Que foi exatamente o discurso de Gabeira, velho matreiro que milita há mais de 40 anos e aprendeu bem a lição de que revolução não se faz mais com armas (de fogo) nas mãos nem com terrorismo e seqüestros: o processo revolucionário tornou-se quase que exclusivamente cultural (**).


Quem não aprendeu nada foi o 'pessoal da Zona Sul' que simbolicamente representa o beautiful people, os bem falantes que abominam os políticos tradicionais e seus 'currais eleitorais', sem perceberem que formam um curral de vaquinhas de presépio que se encanta com os discursos vazios mas apelativos para termos como ética ou uma nova forma de fazer política.


Gabeira usou na medida correta este discurso. Seu melhor momento de hipocrisia foi quando disse ao outro cadidato: a diferença entre nós é que você faz qualquer coisa para se eleger e eu não.


Enquanto o curral dos pobres é mantido à custa de promessas de emprego, asfaltamento e água encanada, o do beautiful people o é de promessas vazias de 'ética'. E nada aprenderam com o PT e seus mensalhões e mensalinhos?


Gabeira ganhou. Paes perdeu. Não pelas razões que andam falando, mas porque Paes vai assumir e terá que mostrar a que veio. Gabeira cotinuará sendo a ilusão de esperança de que fosse diferente e melhor. E a esperança é a última que morre.


(Esclarecendo: no primeiro turno, depois de anos anulando o voto, votei em Paes para evitar os piores nomes, inclusive Gabeira. No segundo, devido às alianças de Paes - principalmente com Jandira Feghali, votei em branco).

 


(*) Nunca é demais lembrar os livros de Sérgio Augusto de Avellar Coutinho (A Revolução Gramcista no Ocidente Cadernos da Liberdade) e de Olavo de Carvalho A Nova Era e a Revolução CulturalBem como o Capítulo III do meu O Eixo do Mal Latino-Americano e a Nova Ordem Mundial, também para a Escola de Frankfurt.


(**) É claro que movimentos revolucionários tradicionais, como atualmente o MST, existem paralelamente com dois propósitos: 1 - para o assalto final ao poder quando for atingido o ponto de ruptura institucional e&nbsp2 - para enganar os idiotas úteis&nbspde que a esquerda está desunida entre uma soft (paz e amor) e outra truculenta.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

GRAMSCI E AS PALAVRAS-SENHA

PAPÉIS AVULSOS do HEITOR DE PAOLA


"Uma das maiores alegrias de um comunista é ver na boca dos burgueses, nossos adversários, as nossas palavras de ordem”. 

GIOCONDO DIAS
Ex-Secretário Geral do PCB

Volto a citar esta frase lapidar do továrishch Giocondo para abordar um assunto que confunde a mente de muitas pessoas bem intencionadas a respeito dos termos que devem ser usados para definir alguns conceitos. Não uso o adjetivo apenas no sentido frouxo de frase artisticamente perfeita, mas sim no mais restrito de inscrição em lápide, pois ela pode ser um dos epitáfios da ordem e da linguagem “burguesas”. Como exemplo inicial a palavra ética: o seu significado original hoje está tão deturpado que é sempre melhor evitá-la. Como ocorreu esta deturpação? Para isto é necessário algum conhecimento sobre a estrutura e hierarquia de um partido revolucionário e um pouco de história.

ESTRUTURA E HIERARQUIA

Todos os partidos, revolucionários ou não, são organizados em pirâmide, por isto os termos usuais bases e cúpula partidária. A diferença é que nos partidos democráticos esta pirâmide está mais ligada aos níveis decisórios, enquanto nos revolucionários há, da base para o alto, uma graduação do nível de segredos estratégicos, a ponto de, acima de um certo nível, transformar-se numa verdadeira organização esotérica que emite palavras de ordem e resoluções cuja estratégia de longo prazo não é discernível, sequer suspeitada, pelos níveis inferiores. Claro está, todos os partidos têm seus segredos, suas malícias, suas visões de longo prazo tanto quanto as eleitorais, de curto prazo. Seu intento é mudar alguma coisa restrita do mundo através de métodos políticos consensuais, como maior controle estatal ou mais liberalismo e as nuances entre os dois, decisão sobre os setores mais importantes para investimentos, visões diplomáticas diversas, etc. Além disto, aceitam o jogo democrático e a alternância no poder, isto é, aceitam a política como ela é: a arte do possível baseada em negociações.

Já os partidos revolucionários funcionam com base numa estratégia secreta de engenharia social, com a finalidade de mudar o mundo todo, de conformá-lo com sua visão estratégica e ideológica. Parte desta não é secreta: os fins, sempre idealizados como “um mundo melhor é possível”, mas os meios para chegar a este mundo permanecem secretos, pois são necessariamente muito violentos e despertariam rechaço por parte do eleitorado. Isto enquanto precisam de eleitores, pois para estes partidos a política não passa de um meio pelo qual se extinguirá a própria política. Aceitam a alternância no poder apenas como um meio de destruir os inimigos, não considerados apenas adversários políticos. Fingem aceitar o jogo político consensual só para liquidar com ele quando tiverem a hegemonia [*].

Obviamente, a estruturação de um partido com tais intenções deve ser diferente. Embora também em pirâmide, os níveis não são os mesmos dos partidos tradicionais, assim como a diferença qualitativa entre os membros dos diversos níveis. Por razões didáticas podemos grosseiramente definir os seguintes níveis, da base para o alto: idiotas úteis, companheiros de viagem, “ampliações”, militantes de base, militantes de nível intermediário, dirigentes de baixo nível e dirigentes de nível superior.

Entre os idiotas úteis, que nada sabem, apenas se deixam seduzir pelo canto de sereias, pela “utopia”, que anuncia um renascer mais justo e eqüitativo para a humanidade, são selecionados os companheiros de viagem, aqueles que se encarregam de tarefas sem grande importância, como panfletagem, pichações, incitação de greves, etc. São os que carregam a bandeira e se expõem aos riscos. Os mais eficientes dentre esses são selecionados como ampliações. Este termo se aplicava originalmente ao programa permanente de ampliação de quadros (aumento do número de militantes). Passou a ser usado nos casos particulares e por neologismo se transformou até em substantivo: uma “ampliação” é um simpatizante em fase de teste de “pureza ideológica” com vistas a conquistá-lo para a militância. Alguns nunca chegam neste ponto e permanecem para sempre “companheiros de viagem” e serão os primeiros a serem trucidados pelo regime revolucionário triunfante porque o choque da realidade os tornaria ferozes opositores ao perceberem que foram traídos.

Os militantes de base são aquelas ampliações que amadureceram e estão preparados para ler alguns documentos doutrinários e ideológicos, ainda de teor utópico. Aqueles que começam a perceber o “espírito da coisa” – que não existe utopia nenhuma, apenas luta pelo poder hegemônico – são “promovidos” a militantes de nível intermediário. Esclareça-se que tais “promoções” são de natureza totalmente secreta para o indivíduo, o qual não tem a mínima idéia de ser constantemente observado e avaliado, muito menos quais são os critérios para isto. Os militantes dos dois níveis constituem o que Orwell denominou “Partido Externo” (Winston e Julia). Orwell não podia prever que os que não foram promovidos a militantes viriam a ser organizados em estruturas auxiliares (ONG’s) que promovem as palavras de ordem do partido revolucionário sem nem saberem – com exceção dos dirigentes, ligados ao Partido Interno – de onde elas provêm ou o que significam. Os que ficarem fora da estrutura partidária, são os “Proles”.

Ao falarmos dos dirigentes entramos já no “Partido Interno” (O’Brien) e então se revela a verdadeira organização esotérica baseada nas sociedades secretas. Como veremos adiante, só estes começam a ter acesso ao verdadeiro significado dos termos da “novilíngua” ou a linguagem do politicamente correto. Deve-se observar que a clandestinidade é condição essencial para os dirigentes dos partidos revolucionários e não conseqüência da eventual repressão pelas autoridades. Sem a clandestinidade dos dirigentes e o segredo da estratégia, a estrutura sucumbe completamente!

É evidente que a correia de transmissão das decisões através de palavras de ordem deve guardar a mesma gradação de segredo dos reais conceitos, dos verdadeiros fins e dos meios cruentos para atingi-los. O sentido de uma palavra de ordem só pode ser conhecido pelos “iniciados” do partido interno, aos demais devem ser dadas explicações mais palatáveis. 

Vejamos outro exemplo: justiça social. De forma proposital deixa-se cada um entender o que quiser sobre este termo desde que não atinja o verdadeiro significado esotérico. No entanto, o caminho para atingir a justiça social deve ser claramente explicitado: só a redistribuição de renda levará ao tão almejado estado de coisas. Tome-se uma figura de um carro de luxo passando numa favela com crianças nitidamente desnutridas. A maioria das pessoas imediatamente associa: injustiça social! – precisamos redistribuir a renda para acabar com ela. Mas, o verdadeiro significado é: os membros do partido são os justiceiros que, através da redistribuição da renda vão deixar as crianças ainda mais famintas e o carro de luxo será desapropriado em benefício de um dos dirigentes, o qual, como grande justiceiro, terá avenidas exclusivas para trafegar (os prospekts com faixas exclusivas da URSS). Os luxuosos balneários, como Cubanacán e Siboney, expropriados para gozo e deleite dos mesmos.

Se isto sempre foi assim, após os estudos de Gramsci, no pós-guerra, a tarefa ficou muito facilitada. Ao perceber que a classe revolucionária por excelência não é a proletária, que jamais deixarão de ser Proles, mas a intelectualidade das classes média e abastada deu ao partido revolucionário uma ferramenta potentíssima: transformou-o no Partido-Classe, onde os dirigentes – os intelectuais orgânicos - têm consciência de constituírem não mais uma classe-em-si mas uma classe-para-si. É exatamente quando o militante adquire a noção de que a revolução é para-si, e a aceita plenamente, que ele passa a integrar o quadro de dirigentes, ou Partido Interno. 

Aqueles que adquirem esta noção e se horrorizam com o mundo infernal que se avizinha e pelo qual lutaram, e não a aceitam, passam por uma crise de consciência terrível da qual poucos saem. A maioria, sem coragem para enfrentar a humilhação de ter acreditado e se submetido a uma grossa mentira, fica pairando como almas penadas em busca de um corpo que não as aceita mais: os antigos “camaradas” jamais confiarão nele outra vez. São os que vão engrossar o coro das ONG’s globalistas, dos movimentos “sociais” e pela “paz”.

Alguns, alquebrados pelo esforço, aceitam a suprema humilhação das “autocríticas” que se revelarão um ciclo interminável. Muito poucos enfrentam a angústia de aceitar a culpa e enfrentar o esforço moral e psicológico da convalescença, pois como bem o disse Aron, estas ideologias viciam como os tóxicos e criam dependência e síndrome de abstinência.

HISTÓRIA DAS PALAVRAS-SENHA NO BRASIL

O estudo intensivo da obra de Gramsci se deu na URSS a partir do XX Congresso do PCUS (1956) (ver op. cit.), mudando completamente os rumos da revolução mundial no sentido de uma revolução dos intelectuais. As condições para o estudo intensivo no Brasil se deram a partir do movimento contra-revolucionário de 1964. A clandestinidade e a momentânea supressão das atividades externas foram impostas pela Polícia e pelas Forças Armadas. Os Comitês Centrais e regionais das diversas organizações revolucionárias mergulharam fundo e, enquanto na superfície ocorria a derrota político-militar e econômica da revolução, na clandestinidade aprofundava-se a revolução cultural, levando ao quadro que temos hoje: embora derrotados, são vitoriosos porque as forças da lei, o aparelho hegemônico da burguesia, contentou-se com aquela vitória de Pirro e nem percebeu que lentamente modificava-se o senso comum da sociedade e organizavam-se os grupos sociais que viriam formar a sociedade civil organizada. (Todos os termos em itálico correspondem a categorias de Gramsci). 

Embora não fosse esta a sua principal função estas palavras serviam como uma espécie de senha de reconhecimento mútuo, pois aquelas que elas vieram substituir não podiam ser pronunciadas ou escritas. Funcionavam como sinais, imitação das sociedades secretas como a maçonaria e nada tinham a ver com as noções “burguesas”. Lá pela década de 80 a palavra ética tomou força – movimento pela ética substituiu movimento comunista. Seguiu-se cidadania que tomou impulso com o movimento pelas diretas e a luta pela anistia levadas a cabo pelos “autênticos” (outra senha, esta genuinamente nacional) do MDB, culminando na proclamação pelo companheiro de viagem Ulisses Guimarães, da “Constituição Cidadã” que “resgatava o exercício pleno da cidadania e da ética na política”. Logo após a redemocratização o governo se viu abalroado pelos aparelhos privados de hegemonia, as organizações não governamentais (ONGs), que somando-se a este constituíram o Estado Ampliado. Cada vez mais vemos estes aparelhos privados assumindo diversas funções do governo. Desde 1994, com a plena concordância, aval e apoio financeiro do mesmo. 

É fundamental que os liberais e conservadores tomem conhecimento do verdadeiro significado revolucionário que estes termos adquiriram e abstenham-se de usá-los para não se deixarem confundir. Um pequeno glossário é fundamental. Como não há espaço aqui cito apenas algumas mais usuais. (Não usarei a ordem alfabética para facilitar a compreensão).

Ética – é ética toda e qualquer ação que promova o aprofundamento da revolução. É a expressão do princípio de que “os fins justificam os meios”, em oposição total ao conceito “burguês” tradicional. 

Liberdade – é a expressão da conformidade do cidadão com a coletividade. Não tem nada a ver com liberdade individual.

Democracia – não corresponde ao governo da maioria, mas ao da unanimidade baseada no consenso e hegemonia do partido-classe.

Consenso – conformação coletiva do grupo social com as ações do Estado ampliado, necessário para alcançar os fins éticos.

Hegemonia - capacidade de influência e de direção política e cultural que um grupo social exerce sobre a sociedade civil organizada e esta sobre a sociedade política. Predominância efetiva do partido-classe sobre ambas para impulsionar e fazer avançar o processo revolucionário.

Sociedade Civil Organizada – espaço onde atuam os aparelhos privados de hegemonia.

Aparelhos Privados de Hegemonia – as ONG’s, principalmente.

Estado Ampliado – os órgãos governamentais e as ONG’s. Também pode ser chamado de Estado Democrático de Direito por estar em constante mutação (ver meu artigo anterior).

Cidadania – “espaço” coletivo onde atua a sociedade civil organizada; o exercício da cidadania nada tem a ver com a atuação dos indivíduos livres, mas com este “espaço” criado pela ampliação do Estado e que obedece rigorosamente ao consenso prévio. É a submissão do cidadão ao consenso coletivo.

NOTA:

[*] Para mais detalhes ver meu “O Eixo do Mal Latino-Americano e a Nova Ordem Mundial”, Capítulo II, 3, É Realizações, SP, 2008 

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".