Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.
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domingo, 14 de dezembro de 2008

Annus Gramscii

Olavo de Carvalho


Por Félix Maier
17 de março de 2002

 

A imprensa tem o dom de trazer à baila, de tempos em tempos, os mesmos assuntos de sempre, em datas criteriosamente escolhidas. Com este tipo de propaganda maciça e contínua, os jornais e as revistas esperam conquistar corações e mentes, especialmente dos mais jovens, que não presenciaram os "anos de dinamite" dos 60 e 70. Pela eterna repetição dos assuntos, sob o enfoque dualista de sempre, como convém à doutrinação marxista, aos poucos parece que a sociedade brasileira está se acostumando a comer gato por lebre, lambendo os beiços com satisfação, pedindo até repetição do prato. A verdade histórica, assim, está se tornando mentira, a mentira um dogma.


Quando chega o 31 de março, lá vem uma enxurrada de artigos tratando do contragolpe dos militares, e tudo o que seguiu depois, unicamente sob a ótica marxista: a luta do bem (eles) contra o maligno (os militares). Isso, quando não é apresentado um documentário sobre o AI- 5, que foi decretado em dezembro de 1968, mas apresentado em 2001 pela TV Cultura (TV Lumumba?) no dia 31 de março.


Chega o dia 19 de abril, e durante semanas é reprisada a novela do "massacre" de Eldorado do Carajás, a maioria dos artigos inocentando completamente aquela turba enfurecida do MST que atacou, qual exército de Brancaleone, um destacamento da polícia do Pará, acionada para desobstruir uma rodovia. O mesmo período de abril é utilizado pelo MST para uma campanha acirrada na mídia contra o governo, fazendo marchas da vagabundagem pelo País, assaltando prédios públicos e fazendo reféns, tomando fazendas e matando gado - quando não chegam a matar pessoas também. Um verdadeiro menu terrorista.


Para não deixar empalidecer a "mística" esquerdista, que deve ser continuamente polida para se tornar cada vez mais brilhante, as claques esquerdistas, unidas mais do que nunca na imprensa, quando não têm à mão um episódio recente para atacar, por exemplo, as Forças Armadas, requentam fatos ocorridos há muito tempo, como a biografia de um guerrilheiro morto pelas forças de segurança, em uma situação que sempre denigre os antigos defensores da lei, ou a morte de um Vladimir Herzog ou de um Manoel Fiel Filho, que todos os anos são lembrados com pompa e circunstância, com páginas e mais páginas relatando os terríveis "anos de chumbo". São balões de ensaio lançados no ar, de tempos em tempos, para aferir a "temperatura" e a "pressão" do momento político atual, de modo a garantir uma tranqüila navegação da espaçonave esquerdista. E para fazer apologia de terroristas.


Em 2001, voltou à pauta esquerdista a questão dos guerrilheiros do PC do B mortos na região do Araguaia. Dizem os cínicos esquerdistas que é para as famílias enterrarem seus parentes mortos, que merecem um sepultamento digno. Que é uma questão "humanitária". Pura encenação. A maioria desses cretinos, nos anos 60 e 70, saíram por aí matando um monte de pessoas, em nome de uma ideologia que trucidou mais de 100 milhões de pessoas, e nunca se penitenciaram em público pelos crimes cometidos, ou pelo apoio dado a criminosos, no País ou no exterior. Nunca se empenharam em encontrar os ossos de milhões de condenados que sumiram nos gulags soviéticos, por que se importariam com meia dúzia de ossadas perdidas no Pará? O único fato é que os ossos dos terroristas precisam ser encontrados, para serem esfregados nas fuças das Forças Armadas.


Investigando documentos que versariam sobre a Guerrilha do Araguaia, procuradores da República encontraram em Marabá, PA, documentos sigilosos do Exército, emitidos pela sua Escola de Inteligência. O que fizeram os procuradores? Apuraram se havia alguma irregularidade nas cartilhas daquela Escola? Não. Simplesmente chamaram um jornalista da "Folha de S. Paulo", Josias de Souza, para publicar a íntegra de textos secretos que nunca poderiam ter vindo a público.


E toda a cínica imprensa esquerdista nacional ficou "estarrecida", o Presidente do STF se mostrou "perplexo", em saber que um órgão de Inteligência do Exército faz espionagem, coisa que acontece em todos os países do mundo, seja com os CDRs cubanos, a CIA dos EUA, seja com o Mossad israelense ou o KGB russo atualizado. Convém esclarecer que o MST possui seu próprio serviço de Inteligência, a Inteligência do Movimento (INTEMO), que tem por objetivo obter dados sobre quaisquer pessoas ou organizações que afetem os interesses do MST.


O PT tem a PTpol, trocadilho da palavra Interpol e da "polícia do PT", criado pelo então Senador Esperidião Amin durante a "CPI dos Anões do Orçamento", em 1993. Amin estranhava a desenvoltura com que José Dirceu apresentava documentos que só um espião poderia fazer. Aliás, José Dirceu, atual presidente do PT, é especialista em informações, contra-informação, estratégia e segurança militar, com treinamento em Cuba, e fez parte do serviço secreto cubano durante os governos militares. E vai receber uma bela "bolada" do Governo FHC por estes feitos, por conta da "perseguição" sofrida pelos governos militares...


Hoje, a arapongagem é uma prática comum em todos os setores da vida nacional, se proliferando pelo país como geração espontânea. Até a TV Globo tem diariamente um encarte de "araponganews" no Jornal Nacional, com repórteres travestidos de Sherlock Holmes, fazendo reportagens com filmadoras e microfones escondidos. Toda essa prática ilícita não é contestada por órgãos como a OAB, organizações de direitos humanos etc. Pelo contrário, ela é até incentivada. Para esses, os fins propostos justificam os meios utilizados, abolindo-se qualquer noção de ética.


Por que, então, os órgãos de Inteligência do Brasil iriam andar com capacetes com a inscrição "SECRETO"?


Bem, prossigamos com o Annus Gramscii da esquerda brasileira, e com seus assuntos de sempre pautados em datas específicas.


Passou o abril de Eldorado do Carajás do MST, passaram-se os meses de julho e agosto com os noticiários dos documentos secretos surrupiados do Exército e publicados na imprensa. Vamos entrar em setembro. O que teremos em setembro?


- Dia da Pátria - diria o último patriota ainda existente no Brasil.


Que nada, 7 de setembro não é Dia da Pátria para a turma da canhota, apenas "dia dos excluídos". Nada de a população se confraternizar, ir à rua com bandeirinhas para celebrar nossa nacionalidade. O que se vê são grupos cheios de ódio, que fazem um desfile alternativo, com punks, anarquistas e uma claque de estudantes, normalmente com ações de vandalismo, todos incitados pelo MST, pelo PT, pela CUT e pela CNB do B, para que tenham ódio do desfile militar, ataquem as atuais instituições brasileiras, que devem ser modificadas a seu gosto, o do totalitarismo socialista. Enfim, o 7 de setembro será utilizado pela esquerda apenas para que muitos brasileiros tenham ódio de sua própria Pátria.


Depois do dia 7, tem também o 11 de setembro. Por que o 11 de setembro é um dia importante para a esquerda brasileira? Simples, é o dia do "martírio" de Salvador Allende. É também o dia em que a famigerada "Comissão dos desaparecidos políticos" presenteou uma bolada de US$ 100,000.00 aos familiares de Lamarca e Marighela. Uma "ação entre amigos" promovida pelo deputado Nilmário Miranda e outros colegas esquerdistas da Comissão a velhos camaradas de outrora. Depois dessa vergonha nacional, o dia 11 de setembro deveria ser o "dia da traição", como já sugeriu o deputado Jair Bolsonaro.


Se Tancredo Neves foi "morto" no dia 21 de abril, para que sua morte coincidisse com a de seu conterrâneo Tiradentes, para que fosse santificado sem a necessidade dos estudos do Vaticano, com peregrinações a seu túmulo ocorrendo até os dias atuais, por que a Comissão de Nilmário não iria homenagear a data do suicídio de Allende, associando seu nome aos de Lamarca e Marighela, alçados desde então a heróis nacionais?


Em 2001, o 11 de setembro não foi o dia de Allende, Lamarca e Marighela. Foi o dia de intensa comemoração esquerdista, com a derrubada das torres gêmeas de Nova York e de uma ala do Pentágono. Junto com palestinos da Cisjordânia e de muçulmanos do Sul do Brasil, a canhota brasileira foi ao delírio, espumando de satisfação.


E aí o Annus Gramscii apresenta a folhinha de outubro. Que terá outubro, além da Revolução de Outubro, da Rússia, que na verdade ocorreu em novembro de 1917? Outubro terá o dia 8, dia de mais um "martírio" no calendário da esquerda latino-americana, a morte de Ernesto Che Guevara, na Bolívia, em 1967. Quem traiu Guevara? Foi a maldita CIA? Foi o próprio Fidel Castro que o mandou para a morte, com ciúmes do guapo líder argentino? Ou foi sua amante, enviada pelo Comintern (URSS) para trair Che? Tudo isso será especulado nos jornais e nas revistas no mês de outubro. Só nunca foi e nunca será especulado pela esquerda se os ossos de Che foram realmente aqueles encontrados na Bolívia, se foram feitos análises de DNA ou não para comprovar sua autenticidade, já que foram rapidamente transportados para um mausoléu em Cuba, para que não fosse feita mais nenhuma pergunta. Exatamente como convém à mitologia esquerdista, seguidora da "máxima de Ricúpero", de encobrir tudo o que lhe é adverso, de alardear tudo o que lhe convém, doutores e mestres que são na arte da desinformação.


E vem novembro, e vem dezembro, e algo sempre será escrito para manter a "mística" da esquerda latino-americana. E antes de janeiro chegar, antes que o Annus Gramscii volte a apresentar mais um Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, para condenar o maldito capitalismo americano, muito já se escreveu sobre os novos heróis brasileiros, criados durante essa "nova era" esquerdista que já dura há anos.


Nem calendário juliano, nem calendário gregoriano. Hoje, o Brasil adota o calendário gramscista, o Annus Gramscii com sabor de mojito e cigarro de palha messetê.


TERNUMA REGIONAL BRASÍLIA - ternumabrasilia@terra.com.br 
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terça-feira, 9 de dezembro de 2008

As explicações do sifu do Lula

TERÇA-FEIRA, 9 DE DEZEMBRO DE 2008

Casamata

As baixarias do Lula, do MAG top-top, da Martaxa relaxa e goza e de tantos outros companheiros, todas estão de acordo com a orientação gramscista. 

Leiam este artigo e entenderão que tudo isso não faz parte de "gafes" e sim, de uma técnica para plantar a esculhambação, confundindo as pessoas de inicio mas com o tempo, acostumando-as ao desmonte dos valores, do respeito, da boa educação e de tudo o as esquerdas consideram "comportamento burguês"

Muito esclarecedor está este artigo. 

Ana Prudente 


*** 

GRAMSCISMO E COINCIDÊNCIAS 


É Larry Rother quem conta em livro publicado recentemente no Brasil: 

- "Dois repórteres da `Folha' e do `Estado de S. Paulo' (`Viagens com o presidente', de Eduardo Scolese e Leonencio Nossa), contam: `Ao chegar a um jantar na embaixada brasileira em Tóquio, Lula pediu uma dose caprichada de uísque com gelo e antes mesmo do jantar mandou servir o segundo, o terceiro e o quarto copos, usando linguagem chula, que deixou constrangidos os presentes, diplomatas, ministros, senadores: `Tem hora que eu tenho vontade de mandar o Kirchner para a puta que o pariu. A verdade é que temos que ter muito saco para aturar a Argentina. O Chile é uma merda. Querem mais é que a gente se foda'". 

A cantilena da imprensa sobre o “sifú” que o ilustre presidente cuspiu na cara Brasil que via o noticiário no “horário nobre” da TV, me arrancou um “puta merda!” - interior, envergonhado, triste. Lembrei o que me contou um daqueles jovens que nos anos 60 do século passado - (parece muito tempo! Tempo suficiente para enrolar uma nação em papel vermelho) sobre palestras num dos cursos de guerrilha em Cuba. 

Tentarei reproduzir o mais fielmente possível: 

“Entre as marchas, confecção de bombas ofensivas e incendiárias, tiro com tudo quanto era arma, a gente também ouvia as palestras do político. Era um oficial do exercito cubano que contava histórias exemplares para ilustrar o comportamento revolucionário diante dos burgueses.” 

“Eu ouvia pensando que eram piadas ou que o sujeito queria aliviar a tensão e o cansaço do grupo. Hoje sei que ele estava aplicando as lições de Gramsci contra a ética e os bons costumes. Contou que um “companheiro” fingiu vomitar no prato num restaurante luxuoso, somente para escandalizar os burgueses... que um outro aproximou-se de um lord inglês homossexual, deixou-se fotografar em intimidades e depois utilizou as fotos para chantagear. Quebrou a cara porque o tal Lord apenas comentou sorrindo: “Ficaram lindas!”(as fotografias) e convidou-o para fazer outras mais”. 

Gramsci: ética aristotélica e valores devem ser atirados à lata do lixo. Infiltração em todas as áreas e provocar os comportamentos amorais, na contra mão dos costumes conservadores e do respeito. Inverter tudo. E a infiltração está aí, até no exemplo do primeiro (ou será segundo, terceiro, décimo...) mandatário desta republiqueta em que transformaram um Brasil que já tentou ser soberano. 

A infiltração nas faculdades está nos computadores do farquista Reyes: os militantes das farc eram enviados para universidades brasileiras e mexicanas, para aliciar jovens militantes. Nesta onda há muitos sumidos das famílias e a polícia não os encontra. 

Sexo, drogas, Gramsci, palavras chulas e semi analfabetos na universidade, são hoje a regra de ouro, boa para petistas e outros comunistas. 

Família, religião (ópio do povo) já estão bastante desmoralizadas. A violência corriqueira, completa o quadro de terrorismo imposto para abrir caminho para os discursos “light” e salvadores. Os capitalistas, os banqueiros, o imperialismo, tudo”direitista”, “nazi-fascista”, “explorador” leva a bronca. Devem ser atirados à “lata de lixo da história”. É o que querem, é o que fazem. 

Imagino, agora, (amanhã não sei) que a ausência da prática e consciência política, a falta de manifestação e mecanismos de exigência práticos, perpetua o poder de oligarcas. E que os acadêmicos, formadores de opinião, professores, padres e anexos, estão todos com os olhos cheios de poeira... A democracia não é entendida, nem praticada. É apenas uma utopia. 

"Burgueses não pegam na enxada / Burgueses não plantam feijão / E nem se preocupam com nada / Arrasam aos poucos a nação", diz a letra de uma das canções ensinadas aos "sem-terrinha". 

A Juventude Revolucionária Oito de Outubro (JR8) é a organização de frente para a atuação do Movimento Revoucionário Oito de Outubro no movimento estudantil. O V Encontro Nacional da JR8 reuniu jovens de vários estados do país na Praia Grande (SP), entre os dias 8 e 11 de abril, para debater temas como conjuntura nacional, movimento estudantil, socialismo, cultura, e eleger a nova Coordenação Nacional da JR8. 

Com a palavra de ordem “1, 2, 3, 4, 5 mil, a JR8 é a energia do Brasil”, a juventude reafirmou a bandeira da libertação nacional e a construção do socialismo, e elegeu como coordenador nacional Pedro Campos Pereira. 

O novo coordenador da JR8 prestou homenagens a Márcio Cabreira, que deixou a direção da coordenação nacional. “A JR8 que temos hoje é fruto dessa força e dessa capacidade de compromisso com o povo e, muito especialmente, o nosso camarada Márcio representa e sintetiza essas qualidades, a de um revolucionário, de um socialista”, 

“A cultura pode tanto atuar pela revolução ou pela conservação das relações sociais”, disse Valério. “Por exemplo, o Império Romano, em relação à cultura, incorporava palavras, culto aos deuses e costumes de outras culturas. Por quê? Porque sabia que quanto mais identificação o dominado tivesse com o dominador, melhor” 

Um fato inusitado nunca esclarecido: em maio de 1972, o Consulado da Inglaterra no Rio de Janeiro retirou do país o jovem cidadão inglês Thimothy William Watkin Ross, professor de inglês em um colégio em Santa Teresa, que com o codinome de “Samuca” era militante do MR8, tendo participado de diversas ações armadas. Antes disso, um diplomata do Consulado havia estado no “aparelho” onde “Samuca” residia, tendo retirado todos os documentos que lá se encontravam, muitos deles já destruídos, levando-os para o Consulado. Esses documentos foram retirados de dentro do Consulado, contra a vontade dos diplomatas, por uma equipe da Inteligência da Força Aérea. Ou seja, um cidadão inglês atuando em um grupo terrorista nacional sob a virtual proteção do Consulado! 

A partir de uma profunda autocrítica realizada por esses militantes, no Chile, o MR8, em um Pleno, realizado em dezembro de 1972, abandonou a luta armada, definindo-se pelo trabalho de massa, considerado uma absoluta necessidade histórica. Retemperado pela autocrítica e rejuvenescido pela nova linha política, o MR8 voltaria, no ano seguinte, 1973, às suas atividades no Brasil, gradativamente deixando de ser uma organização guerrilheira e transformando-se em um balcão de negócios. Inicialmente tornando-se a chamada “Juventude do PMDB”, ou seja, a ala esquerda do PMDB, sobrevivendo graças ao auxílio financeiro recebido, durante anos, de um ex-governador de São Paulo, auxílio que permitiu a manutenção, desde então até hoje, de um jornal – “Hora do Povo” – editado às terças e sextas-feiras. (Mídia sem Mascara, Carlos Azambuja). 

Assinado por quem já esteve lá.


quinta-feira, 16 de outubro de 2008

GRAMSCI E AS PALAVRAS-SENHA

PAPÉIS AVULSOS do HEITOR DE PAOLA


"Uma das maiores alegrias de um comunista é ver na boca dos burgueses, nossos adversários, as nossas palavras de ordem”. 

GIOCONDO DIAS
Ex-Secretário Geral do PCB

Volto a citar esta frase lapidar do továrishch Giocondo para abordar um assunto que confunde a mente de muitas pessoas bem intencionadas a respeito dos termos que devem ser usados para definir alguns conceitos. Não uso o adjetivo apenas no sentido frouxo de frase artisticamente perfeita, mas sim no mais restrito de inscrição em lápide, pois ela pode ser um dos epitáfios da ordem e da linguagem “burguesas”. Como exemplo inicial a palavra ética: o seu significado original hoje está tão deturpado que é sempre melhor evitá-la. Como ocorreu esta deturpação? Para isto é necessário algum conhecimento sobre a estrutura e hierarquia de um partido revolucionário e um pouco de história.

ESTRUTURA E HIERARQUIA

Todos os partidos, revolucionários ou não, são organizados em pirâmide, por isto os termos usuais bases e cúpula partidária. A diferença é que nos partidos democráticos esta pirâmide está mais ligada aos níveis decisórios, enquanto nos revolucionários há, da base para o alto, uma graduação do nível de segredos estratégicos, a ponto de, acima de um certo nível, transformar-se numa verdadeira organização esotérica que emite palavras de ordem e resoluções cuja estratégia de longo prazo não é discernível, sequer suspeitada, pelos níveis inferiores. Claro está, todos os partidos têm seus segredos, suas malícias, suas visões de longo prazo tanto quanto as eleitorais, de curto prazo. Seu intento é mudar alguma coisa restrita do mundo através de métodos políticos consensuais, como maior controle estatal ou mais liberalismo e as nuances entre os dois, decisão sobre os setores mais importantes para investimentos, visões diplomáticas diversas, etc. Além disto, aceitam o jogo democrático e a alternância no poder, isto é, aceitam a política como ela é: a arte do possível baseada em negociações.

Já os partidos revolucionários funcionam com base numa estratégia secreta de engenharia social, com a finalidade de mudar o mundo todo, de conformá-lo com sua visão estratégica e ideológica. Parte desta não é secreta: os fins, sempre idealizados como “um mundo melhor é possível”, mas os meios para chegar a este mundo permanecem secretos, pois são necessariamente muito violentos e despertariam rechaço por parte do eleitorado. Isto enquanto precisam de eleitores, pois para estes partidos a política não passa de um meio pelo qual se extinguirá a própria política. Aceitam a alternância no poder apenas como um meio de destruir os inimigos, não considerados apenas adversários políticos. Fingem aceitar o jogo político consensual só para liquidar com ele quando tiverem a hegemonia [*].

Obviamente, a estruturação de um partido com tais intenções deve ser diferente. Embora também em pirâmide, os níveis não são os mesmos dos partidos tradicionais, assim como a diferença qualitativa entre os membros dos diversos níveis. Por razões didáticas podemos grosseiramente definir os seguintes níveis, da base para o alto: idiotas úteis, companheiros de viagem, “ampliações”, militantes de base, militantes de nível intermediário, dirigentes de baixo nível e dirigentes de nível superior.

Entre os idiotas úteis, que nada sabem, apenas se deixam seduzir pelo canto de sereias, pela “utopia”, que anuncia um renascer mais justo e eqüitativo para a humanidade, são selecionados os companheiros de viagem, aqueles que se encarregam de tarefas sem grande importância, como panfletagem, pichações, incitação de greves, etc. São os que carregam a bandeira e se expõem aos riscos. Os mais eficientes dentre esses são selecionados como ampliações. Este termo se aplicava originalmente ao programa permanente de ampliação de quadros (aumento do número de militantes). Passou a ser usado nos casos particulares e por neologismo se transformou até em substantivo: uma “ampliação” é um simpatizante em fase de teste de “pureza ideológica” com vistas a conquistá-lo para a militância. Alguns nunca chegam neste ponto e permanecem para sempre “companheiros de viagem” e serão os primeiros a serem trucidados pelo regime revolucionário triunfante porque o choque da realidade os tornaria ferozes opositores ao perceberem que foram traídos.

Os militantes de base são aquelas ampliações que amadureceram e estão preparados para ler alguns documentos doutrinários e ideológicos, ainda de teor utópico. Aqueles que começam a perceber o “espírito da coisa” – que não existe utopia nenhuma, apenas luta pelo poder hegemônico – são “promovidos” a militantes de nível intermediário. Esclareça-se que tais “promoções” são de natureza totalmente secreta para o indivíduo, o qual não tem a mínima idéia de ser constantemente observado e avaliado, muito menos quais são os critérios para isto. Os militantes dos dois níveis constituem o que Orwell denominou “Partido Externo” (Winston e Julia). Orwell não podia prever que os que não foram promovidos a militantes viriam a ser organizados em estruturas auxiliares (ONG’s) que promovem as palavras de ordem do partido revolucionário sem nem saberem – com exceção dos dirigentes, ligados ao Partido Interno – de onde elas provêm ou o que significam. Os que ficarem fora da estrutura partidária, são os “Proles”.

Ao falarmos dos dirigentes entramos já no “Partido Interno” (O’Brien) e então se revela a verdadeira organização esotérica baseada nas sociedades secretas. Como veremos adiante, só estes começam a ter acesso ao verdadeiro significado dos termos da “novilíngua” ou a linguagem do politicamente correto. Deve-se observar que a clandestinidade é condição essencial para os dirigentes dos partidos revolucionários e não conseqüência da eventual repressão pelas autoridades. Sem a clandestinidade dos dirigentes e o segredo da estratégia, a estrutura sucumbe completamente!

É evidente que a correia de transmissão das decisões através de palavras de ordem deve guardar a mesma gradação de segredo dos reais conceitos, dos verdadeiros fins e dos meios cruentos para atingi-los. O sentido de uma palavra de ordem só pode ser conhecido pelos “iniciados” do partido interno, aos demais devem ser dadas explicações mais palatáveis. 

Vejamos outro exemplo: justiça social. De forma proposital deixa-se cada um entender o que quiser sobre este termo desde que não atinja o verdadeiro significado esotérico. No entanto, o caminho para atingir a justiça social deve ser claramente explicitado: só a redistribuição de renda levará ao tão almejado estado de coisas. Tome-se uma figura de um carro de luxo passando numa favela com crianças nitidamente desnutridas. A maioria das pessoas imediatamente associa: injustiça social! – precisamos redistribuir a renda para acabar com ela. Mas, o verdadeiro significado é: os membros do partido são os justiceiros que, através da redistribuição da renda vão deixar as crianças ainda mais famintas e o carro de luxo será desapropriado em benefício de um dos dirigentes, o qual, como grande justiceiro, terá avenidas exclusivas para trafegar (os prospekts com faixas exclusivas da URSS). Os luxuosos balneários, como Cubanacán e Siboney, expropriados para gozo e deleite dos mesmos.

Se isto sempre foi assim, após os estudos de Gramsci, no pós-guerra, a tarefa ficou muito facilitada. Ao perceber que a classe revolucionária por excelência não é a proletária, que jamais deixarão de ser Proles, mas a intelectualidade das classes média e abastada deu ao partido revolucionário uma ferramenta potentíssima: transformou-o no Partido-Classe, onde os dirigentes – os intelectuais orgânicos - têm consciência de constituírem não mais uma classe-em-si mas uma classe-para-si. É exatamente quando o militante adquire a noção de que a revolução é para-si, e a aceita plenamente, que ele passa a integrar o quadro de dirigentes, ou Partido Interno. 

Aqueles que adquirem esta noção e se horrorizam com o mundo infernal que se avizinha e pelo qual lutaram, e não a aceitam, passam por uma crise de consciência terrível da qual poucos saem. A maioria, sem coragem para enfrentar a humilhação de ter acreditado e se submetido a uma grossa mentira, fica pairando como almas penadas em busca de um corpo que não as aceita mais: os antigos “camaradas” jamais confiarão nele outra vez. São os que vão engrossar o coro das ONG’s globalistas, dos movimentos “sociais” e pela “paz”.

Alguns, alquebrados pelo esforço, aceitam a suprema humilhação das “autocríticas” que se revelarão um ciclo interminável. Muito poucos enfrentam a angústia de aceitar a culpa e enfrentar o esforço moral e psicológico da convalescença, pois como bem o disse Aron, estas ideologias viciam como os tóxicos e criam dependência e síndrome de abstinência.

HISTÓRIA DAS PALAVRAS-SENHA NO BRASIL

O estudo intensivo da obra de Gramsci se deu na URSS a partir do XX Congresso do PCUS (1956) (ver op. cit.), mudando completamente os rumos da revolução mundial no sentido de uma revolução dos intelectuais. As condições para o estudo intensivo no Brasil se deram a partir do movimento contra-revolucionário de 1964. A clandestinidade e a momentânea supressão das atividades externas foram impostas pela Polícia e pelas Forças Armadas. Os Comitês Centrais e regionais das diversas organizações revolucionárias mergulharam fundo e, enquanto na superfície ocorria a derrota político-militar e econômica da revolução, na clandestinidade aprofundava-se a revolução cultural, levando ao quadro que temos hoje: embora derrotados, são vitoriosos porque as forças da lei, o aparelho hegemônico da burguesia, contentou-se com aquela vitória de Pirro e nem percebeu que lentamente modificava-se o senso comum da sociedade e organizavam-se os grupos sociais que viriam formar a sociedade civil organizada. (Todos os termos em itálico correspondem a categorias de Gramsci). 

Embora não fosse esta a sua principal função estas palavras serviam como uma espécie de senha de reconhecimento mútuo, pois aquelas que elas vieram substituir não podiam ser pronunciadas ou escritas. Funcionavam como sinais, imitação das sociedades secretas como a maçonaria e nada tinham a ver com as noções “burguesas”. Lá pela década de 80 a palavra ética tomou força – movimento pela ética substituiu movimento comunista. Seguiu-se cidadania que tomou impulso com o movimento pelas diretas e a luta pela anistia levadas a cabo pelos “autênticos” (outra senha, esta genuinamente nacional) do MDB, culminando na proclamação pelo companheiro de viagem Ulisses Guimarães, da “Constituição Cidadã” que “resgatava o exercício pleno da cidadania e da ética na política”. Logo após a redemocratização o governo se viu abalroado pelos aparelhos privados de hegemonia, as organizações não governamentais (ONGs), que somando-se a este constituíram o Estado Ampliado. Cada vez mais vemos estes aparelhos privados assumindo diversas funções do governo. Desde 1994, com a plena concordância, aval e apoio financeiro do mesmo. 

É fundamental que os liberais e conservadores tomem conhecimento do verdadeiro significado revolucionário que estes termos adquiriram e abstenham-se de usá-los para não se deixarem confundir. Um pequeno glossário é fundamental. Como não há espaço aqui cito apenas algumas mais usuais. (Não usarei a ordem alfabética para facilitar a compreensão).

Ética – é ética toda e qualquer ação que promova o aprofundamento da revolução. É a expressão do princípio de que “os fins justificam os meios”, em oposição total ao conceito “burguês” tradicional. 

Liberdade – é a expressão da conformidade do cidadão com a coletividade. Não tem nada a ver com liberdade individual.

Democracia – não corresponde ao governo da maioria, mas ao da unanimidade baseada no consenso e hegemonia do partido-classe.

Consenso – conformação coletiva do grupo social com as ações do Estado ampliado, necessário para alcançar os fins éticos.

Hegemonia - capacidade de influência e de direção política e cultural que um grupo social exerce sobre a sociedade civil organizada e esta sobre a sociedade política. Predominância efetiva do partido-classe sobre ambas para impulsionar e fazer avançar o processo revolucionário.

Sociedade Civil Organizada – espaço onde atuam os aparelhos privados de hegemonia.

Aparelhos Privados de Hegemonia – as ONG’s, principalmente.

Estado Ampliado – os órgãos governamentais e as ONG’s. Também pode ser chamado de Estado Democrático de Direito por estar em constante mutação (ver meu artigo anterior).

Cidadania – “espaço” coletivo onde atua a sociedade civil organizada; o exercício da cidadania nada tem a ver com a atuação dos indivíduos livres, mas com este “espaço” criado pela ampliação do Estado e que obedece rigorosamente ao consenso prévio. É a submissão do cidadão ao consenso coletivo.

NOTA:

[*] Para mais detalhes ver meu “O Eixo do Mal Latino-Americano e a Nova Ordem Mundial”, Capítulo II, 3, É Realizações, SP, 2008 

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Partido dos Trabalhadores: Seu desgoverno e as Forças Armadas - a Revolução Petista em marcha

BRASIL ACIMA DE TUDO
08 de outubro de 2008

Por Aluisio Madruga de Moura e Souza
Visite o site: http://www.ternuma.com.br/

Em continuação, citaremos mais alguns exemplos da pregação da violência revolucionária por militantes e grupos do Partido dos Trabalhadores.

“A revolução de 1964 foi benevolente, pois apesar de ter desbaratado as organizações que adotaram a luta armada, não chegou a extremos como na Argentina e Uruguai, países onde a repressão praticamente dizimou uma geração inteira de elementos ligados à esquerda. Este fato, ocorrido entre nós, permitiu que as organizações do passado voltassem a se agrupar de forma mais compacta, podendo tirar proveito dos ensinamentos deixados pelo fracasso sofrido”.

Nessa mesma ocasião foi dito que: “terrorismo contra militar não era terrorismo e sim uma forma de luta contra o imperialismo”. (Flávio Koutzi, militante da Tendência Partidária Democracia Socialista (TP/DS), que deu origem ao P SOL, ao proferir palestra nas dependências do Plenário da Câmara Legislativa do Rio Grande do Sul, no 1º semestre de 1989).


“Nova República não passa de conspiração. A revolução total dentro da sociedade capitalista tem que se tornar Luta Armada”. (Florestan Fernandes, professor, considerado o Pai da Sociologia no Brasil, ligado ao trotskismo internacional e ao PT. Entrevista à Folha de São Paulo de 22 de junho de 1986).


“O Partido Revolucionário Comunista (PRC) repudia qualquer aliança com a burguesia e não tem dúvida de que a violência revolucionária será necessária para que a classe operária chegue ao poder”. (Ozéas Duarte de Oliveira, ex-membro do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PC do B) e a época membro do Comitê Central do PRC. Entrevista ao Jornal do Brasil de 18 de julho de 1984).


Lembro ao leitor que, para o comunista, a classe operária no poder significa ter em mãos o Executivo, Legislativo e Judiciário e que eles estão trabalhando para isto. Esta é a revolução que está em marcha.


“Não acredito na via eleitoral ou democrática como pretende o PDT de Brizola. Não consigo ver na história nenhum exemplo de socialismo chegar ao poder sem que fosse de forma traumática”. (Maria Luiza Fontenele, militante do PRC, eleita prefeita de Fortaleza/CE pelo PT, ao Correio Braziliense, de 22 de novembro de 1985).


“O Trabalho Para Reconstrução da Quarta Internacional (OT/QI) não descarta a Luta Armada como meio de consecução de seus objetivos, admitindo a formação de piquetes de greves armados, que devem reagir à força em um confronto com os órgãos de segurança, como preconizava Trotski”. (Curso de formação de quadros da organização, em 1986).

Das resoluções do 1º Congresso do Partido Revolucionário Comunista (PRC), ocorrida em janeiro de 1984, extraímos os seguintes trechos:

“... A revolução social do proletariado será necessariamente violenta. A luta armada é um componente essencial de sua realização...”

“A luta de classes no Brasil ingressou num período novo, com episódios de rompimento da legalidade, de violação dos tecidos constitucionais, com ampliação sem precedentes das ações de massa e o seu ingresso na luta política. Está germinando a semente da revolução”.


“Para o partido trata-se de aproveitar estas condições, ampliar cada vez mais as mobilizações, radicalizá-las, aprofundar o seu cunho antiditatorial e disputar a hegemonia das massas com a burguesia liberal, empurrando-as para o enfrentamento cada vez maior com a oposição”.


Neste momento cabe destacar que, após três tentativas infrutíferas para chegar à Presidência da República, o PT adotou nova postura, tendo mudado seu discurso, até então radical. Em vez de compor, apenas com os partidos de esquerda, seus tradicionais e naturais aliados, a agremiação decidiu investir, também, em partidos ditos, até então, de centro e até de direita, na crença de que esta nova postura o levaria à Presidência da República. E o levou! Deu certo...


Desde então passou a adotar a doutrina de Gramsci, que entrelaça o liberalismo com o marxismo por meio da “guerra de movimento” e “guerra de posições”. Segundo ele, a “guerra de posições” não visa apenas a conquista do poder do Estado, mas, principalmente, a posse gradual da sociedade, que no seu entender significa o domínio da rede de instituições educativas, religiosas, culturais e demais instituições que possam disseminar um novo modo de pensar, capaz de fornecer uma doutrinação moral e intelectual de caráter unitário. E, para cumprir o que determina esta nova estratégia é preciso uma constante infiltração e subversão dos múltiplos e complexos mecanismos de dominação ideológica, quer dizer, - do aparelho de Estado – que segundo o ideólogo se resume na “sociedade política”.


Daí a necessidade da existência de 37 ministérios, com missões revolucionárias múltiplas, inclusive de repassar para o Partido, uma parcela do que seus militantes recebem pelo cargo que ocupam, já que o cargo é do partido e não do militante.


Logo, para Gramsci, a condição indispensável para a vitória do proletariado é o desinteresse da “sociedade civil pela sociedade política”, provocando a erosão do domínio ideológico burguês, sua substituição por uma hegemonia marxista e a adesão do espírito popular aos novos princípios.


Resumindo: a estratégia de Gramsci, que vem sendo adotada pelo Partido dos Trabalhadores, tem como objetivo conquistar um após outro, todos os instrumentos de difusão ideológica como escolas, universidades, editoras, meios de comunicação social, sindicatos e, se possível, toda a cúpula do Executivo, Legislativo (lembrem-se do mensalão) e Judiciário.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Grandes Perigos

Do portal do NIVALDO CORDEIRO
11/07/2008

Os acontecimentos dos últimos dias têm sido desnorteantes para aqueles que foram por eles surpreendidos. Todavia, devo dizer a você, meu caro leitor, que eles eram perfeitamente previsíveis, tanto quanto um passo lógico de uma equação. De uma banalidade desconcertante. A demagogia revolucionária não é capaz de criar, apenas de repetir-se, talvez porque seus agentes sejam por demais apegados aos manuais de seus antigos teóricos (C.T. - eu já vejo a coisa assim: o fato de a mente do sujeito SER REVOLUCIONÁRIA é por si só uma prova de estupidez humana e como o estúpido só sabe repetir-se e àquilo que ouviu...). Demasiado humana ela é, a demagogia. É, como Nietzsche dizia de coisas muito mais importantes (e estava nisso errado), a sina do eterno retorno do mesmo. Estamos a ver em nosso país o velho filme bolchevique/nazista, aperfeiçoado por Gramsci, de tomada do poder de Estado. Não precisaram disparar um tiro que fosse.

A caçada aos banqueiros e aos ricos de um modo geral sempre foi a lógica e a tônica dos campeões da igualdade geral, a mais maluca e insana das idéias de Rousseau perseguida desde sempre pelos revolucionários. A tropa do PT já está se sentindo suficientemente forte para pôr os ricos em fuga. Antes os industriais e comerciantes apenas, agora a “categoria” dos banqueiros. É puro terror patrocinado pelo Estado. Entendo que estamos perigosamente a tangenciar o regime de exceção, sob o amparo das leis injustas e excessivas, que dão aos esbirros do Estado todo o poder sobre a vida privada do cidadão. Não haverá retorno à normalidade se não começar imediatamente a mobilização contra as forças da esquerda revolucionária no poder, no terreno em que elas têm sido imbatíveis: no campo da política.

É preciso que aqueles que deram apoio tácito e recursos aos militantes das esquerdas até agora cessem imediatamente de fazê-lo, passando a financiar a oposição. E não apenas aquela oposição consentida, tão bem representada pela social-democracia. Esses financiadores, cuja cara mais óbvia é a dos banqueiros agora perseguidos, precisam acordar para a realidade mais óbvia. O mundo como o conhecíamos, de segurança institucional, de confiança nas forças da ordem, foi-se. Acabou. Morreu de tanta covardia e cegueira da nossa elite econômica. Esse acordar não será fácil, será um despertar em meio a um pesadelo dantesco. Mas o despertar terá que acontecer sob pena de se ir direto ao sono eterno sem saber a causa.

O sistema legal já está completamente deformado no Brasil. Veja-se essa estúpida lei seca, recém aprovada. Ela grita aos nossos ouvidos: “Todo poder ao guarda de trânsito, o novo guardião das virtudes públicas”. É emblemática da nossa situação. O Estado transformou-se no grande inimigo das pessoas. Uma ameaça permanente e cara, que nos rouba a todos e nos ameaça com as suas masmorras e suas multas impagáveis. Falar, escrever, andar de carro, andar a pé, beber um gole ou fumar um cigarro: tudo agora ficou muito perigoso. A vida espontânea esfumou-se. É preciso agora a prontidão de um sentinela romano para chegar em casa, ao fim do dia, são e salvo dos perigos estatais. O poder de repressão às banalidades da vida chegou ao paroxismo.

É preciso que lideranças apareçam para enfrentar o infortúnio. Só na vida político-partidária se poderá reduzir a pressão sobre as gentes. Antes, no entanto, faz-se necessária a metanóia das crenças desses potenciais líderes: é preciso restabelecer as tradições, o culto à liberdade, o sentido da vida privada, o respeito inalienável à pessoa. Não é tarefa simples quando se cultua, há décadas, o coletivo, as massas, o Estado; se inimiza os virtuosos, se elege a luta de classes como a redentora da Nação. Antes terá que vir a pedagogia e não sei se teremos nem tempo para isso.

Em texto sombrio de 1923 – tempos muito parecidos com os atuais e que pressagiavam o que viria depois – Ortega y Gasset escreveu: Las épocas post-revolucionarias, tras uma hora muy fugaz de aparente esplendor, son tiempo de decadência, Y las decadencias, como los nascimientos, se envolven históricamente em la tiniebla y el silencio. La historia practica un extraño pudor que le hace correr un velo piadoso sobre la imperfección de los comienzos e la fealdad de las declinaciones nacionales.

E completou o ensaio, de forma crua: Comienza el reinado de la cobardia – un fenómeno extraño que se produce lo mismo en Grecia que en Roma, y aún no ha sido justamente subrayado. En tiempos de salud goza el hombre medio de la dosis de valor personal que basta para afrontar honestamente los casos de la vida. En estas edades de consunción, el valor se convierte en una cualidad insólita que sólo algunos poseen. La valentia se torna profesión, y sus profesionales componen la soldadesca que se alza contra todo el poder publico (Notem bem, não é o Estado aqui, mas o povo em geral - NC) y oprime estúpidamente el resto del cuerpo social.

Há alguma dúvida de que vivemos neste tempo de covardia? Onde estão as lideranças? Por que há essa ausência de homens egrégios e essa presença massacrante das massas estupidificadas, personificadas nos Lulas da vida? Quem tem coragem de ser voluntário? Quem ousa enfrentar os decadentes?

A grande superstição dos nossos tempos, sua grande cortina de fumaça e justificativa para a covardia, é achar que o mercado tem algum poder sobre o processo. Santa ignorância! Só a verdadeira ciência política para mobilizar os melhores para segurar a decadência e impedir uma tragédia de maiores proporções.

terça-feira, 20 de maio de 2008

GRAMSCI E A ESTRATÉGIA ATUAL DAS ESQUERDAS

Do portal GRUPO INCONFIDÊNCIA

Palestra realizada pelo general José Saldanha Fábrega Loureiro, no Círculo Militar/BH, dia 31 de outubro de 2001 e divulgada no Jornal do Grupo Inconfidência, em 4 partes.

parte 1

“A crise do ‘Socialismo Real’ compromete uma específica interpretação de Marx, mas não o patrimônio categorial do marxismo, expresso nos textos clássicos... O que se esfacela com esta crise é o marxismo-leninismo, utilizado como pseudônimo do stalinismo, que empobreceu o aporte teórico de Marx e a própria leitura de Lenine... A esperança revolucionária não se esgotou somente porque o comunismo entrou em colapso no Leste Europeu”.

Estas são palavras de um conhecido intelectual marxista, o Sr Nelson C. Coutinho, e servem para nos alertar sobre precipitadas afirmações, comumente difundidas, tais como: o comunismo acabou, a era das ideologias está finda, a proposta marxista está superada e o mito da revolução já não empolga as massas. Será verdade? Não é demais lembrar que as ideologias entram em crise mas não desaparecem facilmente - mesmo porque, como ensina Daniel Bell, “o fim da ideologia não deve representar o fim da utopia”.

A queda do muro de Berlim encerra apenas um ciclo da história, mas não representa evidentemente seu final. É um grande equívoco acreditar que o comunismo morreu somente porque a “praxis” marxista-leninista, na ex-URSS, redundou num contundente fracasso. Mas o que é inegável, em verdade, é que o comunismo ingressa no século XXI com o seu prestígio abalado e com a sua proposta transformadora sob questionamento. Porém o mais surpreendente é que, paradoxalmente, isso tudo, muito pouco afetou a situação das esquerdas no Brasil. A muitos intriga e surpreende, em primeiro lugar, a rápida e eficiente recuperação do espectro comunista, após a derrota acachapante que as forças democráticas da nação lhe impuseram, nas décadas de 1960/70. Em segundo lugar, a situação inusitada, em termos de participação, reapresentação e influência política, alcançada, hoje, pelas correntes de esquerda no Brasil, em contraste com o desprestígio vivido pela proposta comunista, em nível internacional. Certamente, em nenhum outro período, desde a fundação do Partido Comunista Brasileiro (PCB), em 1922, o segmento comuno-tupiniquim desfrutou de tão consistente e privilegiada situação, no espaço sócio-político brasileiro, como atualmente. Isto tudo, porém, não aconteceu por acaso.

Para este quadro paradoxal, muito contribuiu um fato importante, que por muito tempo escapou da nossa observação. É que após a contundente derrota na luta armada, portanto, cerca de 15 anos antes da queda do Muro de Berlim, as esquerdas brasileiras iniciaram a catarse do leninismo e seus derivados (maoísmo, castrismo, foquismo, etc.) - o tradicional paradigma estratégico da III Internacional - e uma nova opção estratégica para a tomada do poder no Brasil, começa a surgir; agora porém, sob a influência e a liderança do segmento sócio-marxista mais intelectualizado, dando cumprimento, assim, a um aceitável axioma que recomenda: uma estratégia derrotada tende a ser, prudentemente, substituída e não, imprudentemente, repetida.

De nossa parte, é preciso reconhecer que, se por um lado, fomos suficientemente competentes para derrotar todas as tentativas do marxismo-leninismo durante 40 anos, por outro, custamos a perceber que no âmbito do próprio marxismo haviam outras alternativas estratégicas que possibilitavam a continuidade da sua luta pela tomada do poder. E entre tais alternativas - talvez a mais original de todas - destacava-se, nos textos do neomarxismo italiano, a proposta teórico-estratégica de Antônio Gramsci, que a ortodoxia de Prestes e companhia sempre repeliu e nós, os vencedores de 1964, com algum retardo fomos perceber.

Justamente, é com base nas concepções de Gramsci “o mais original pensador neomarxista italiano” que o segmento intelectual comuno-brasileiro vai encontrar inspiração e suporte, seja para superar a incômoda situação a que fora submetido, em face da inclemente derrota nos anos de 1970, seja para definir o rumo da sua inserção no processo político que, sob novos moldes, já se delineava no horizonte dos últimos governos da Revolução de 1964. Assim podemos dizer que Gramsci é, hoje, o grande “guru” das esquerdas brasileiras e o inspirador da estratégia que modula as suas ações na luta pela conquista do poder. Aliás, luta esta que vem incluindo um discurso que se caracteriza por falar de uma tal “democracia radical” e que enfatiza como legenda maior a LUTA PELO SOCIALISMO NO BRASIL, sem contudo especificar, de modo claro e insofismável, qual a forma de LUTA que pretende empreender e qual o TIPO DE SOCIALISMO que pretende implantar. Bem! A ambigüidade e o mimetismo são velhas e conhecidas armas do arsenal persuasivo das esquerdas.

Uma estratégia derrotada tende a ser, prudentemente, substituída e não, imprudentemente, repetida. Gen. Fábrega

parte II

A revolução triunfará através da estratégia de "Guerra de Posição", mediante a qual se desgasta o inimigo penetrando nas "casamatas" e "fortificações" da "Sociedade Civil". Antônio Gramsci

Mas quem é Gramsci ?

Antônio Gramsci nasceu em Ales, na Sardenha em 1891. Desde cedo exerceu intensa atividade intelectual e política, tendo sido um dos fundadores do Partido Comunista Italiano (PCI) em 1921.

Por sua militância política e ferrenha oposição ao fascismo foi preso em NOV/1926, aos 35 anos de idade, e condenado a 24 anos de prisão. Nesta ocasião era deputado ao Parlamento Italiano e principal dirigente do PCI. Após cumprir 11 anos de prisão, devido ao seu precário estado de saúde, foi posto em liberdade, em 20.04.1937, vindo a falecer, sete dias após, numa clínica em Roma.

Sua obra de maior relevo e repercussão está consubstanciada nos denominados "CADERNOS DO CÁRCERE", escritos na prisão entre 1929 e 1935. São 33 cadernos manuscritos que perfazem um total de 2.500 páginas. Segundo Giovani Reale destacado filósofo e historiador italiano...."a obra de Gramsci constitui uma das mais notáveis reelaborações do marxismo, no século vinte, tanto por suas referências aos problemas sociais, culturais e políticos, mas também por sua tentativa de integrar o marxismo na história italiana..."

Os escritos de Gramsci só vieram a ser conhecidos após a Segunda Guerra Mundial (1945). Até então eram totalmente ignorados uma vez que foram, por inteiro, produzidos no interior da prisão.

Vale acrescentar que o pensamento de Gramsci não constitui unanimidade dentro da ortodoxia marxista-leninista, que sempre identificou nas suas propostas um acentuado viés revisionista.

Daí explicar-se a dificuldade de aceitação e penetração do gramscianismo nos centros irradiadores do Movimento Comunista Internacional (MCI) e, também, da sua tardia difusão fora da Itália.

Entretanto a leitura atenta da sua obra demonstra, insofismavelmente, que os seus estudos, reflexões e propostas têm como fundamento essencial e ponto-de-partida os referenciais básicos oferecidos pelo marxismo teórico - a "filosofia da praxis" - isto é : o materialismo dialético, o materialismo histórico, a luta de classes, o mito da revolução etc. etc. Isto significa dizer que o comprometimento total da sua proposta inovadora está dirigido, essencialmente, para a consecução da "revolução socialista", cujo propósito maior é a superação da sociedade burgueso-capitalista e a conseqüente edificação da sociedade proletária.

Percebe-se, porém, que certos autores gramscianos, propositadamente, procuram omitir ou esmaecer o sectarismo e o revolucionarismo marxista consubstanciados na proposta de Gramsci, apresentando-a, eufemisticamente, como uma forma mitigada (de marxismo) de passagem do capitalismo ao comunismo, atitude que representa um claro desvirtuamento dos propósitos da obra do pensador italiano. Gramsci, manteve-se sempre fiel à essência do projeto comunista, embora, tenha proposto formas e caminhos mais consentâneos com o mundo do seu tempo, mas sem perder a referência essencial da teoria marxista.

Qual a essência da proposta teórica de Gramsci ?

O desenvolvimento da teoria de Gramsci buscou motivação na necessidade de encontrar respostas e alternativas ao inconteste fracasso em que se transformara a aplicação do paradigma revolucionário bolchevista (Revolução Russa/1917) nos países capitalistas desenvolvidos da Europa.

Gramsci convenceu-se de que o mencionado fracasso resultara, primordialmente, da inadequação da estratégia bolchevista ("Guerra de Movimento") às condições histórico-políticas e culturais daqueles países, que, evidentemente, se revelavam flagrantemente distintas das condições vigentes na Rússia em 1917. Percebeu, também, que o ponto focal desta distinção residia, sobretudo, no grau de desenvolvimento e organização da "Sociedade Civil", numa e noutra formação social, e, fundamentalmente, na dinâmica das relações entre "Sociedade Civil" e Estado ("Sociedade Política"). Isto evidenciava, nitidamente: a importância do processo histórico-cultural dos países-alvos, o elevado significado estratégico da "Sociedade Civil" e a necessidade de formulação de uma nova estratégia, adequada ao universo sócio-político de tipo europeu. A partir daí, Gramsci construiu a sua teoria sobre a estratégia da "Guerra de Posição", destinada à conquista do poder numa Sociedade de tipo "Ocidental". Este termo tem um sentido meramente metafórico e não necessariamente geográfico como pode parecer. Para explicitar a sua teoria, o autor criou um corpo conceitual próprio, hoje conhecido e designado como "Categorias de Gramsci", cuja originalidade terminológica e de suporte analítico constitui uma especificidade no seio do marxismo.

Por exemplo: Sociedade Civil, Sociedade Política, Hegemonia, Consenso, Senso Comum, Intelectual Orgânico, Domínio, Direção Cultural, Bloco Histórico, Oriente e Ocidente, Crise Orgânica, etc. etc., são categorias de Gramsci , freqüentemente utilizadas no proselitismo ideológico das esquerdas, sem que a audiência leiga, muitas vezes, perceba o vinculo categorial desses termos.

Mas, vejamos como se referiu Gramsci sobre as estratégias da "Guerra de Movimento" e da "Guerra de Posição":

No "Oriente" o Estado era tudo e a "Sociedade Civil" era primária e gelatinosa. Neste caso a "Guerra é de Movimento", isto é, caracterizada pelo ataque frontal e direto à Cidadela do Poder.

No "Ocidente" entre Estado e "Sociedade Civil" havia uma adequada e equilibrada relação e quem pretendesse flanquear o Estado encontraria, de imediato, a robusta estrutura da "Sociedade Civil". O Estado não era mais que uma trincheira avançada, atrás da qual havia uma sólida cadeia de fortificações e casamatas... Em tais circunstâncias, a revolução não pode triunfar no "Ocidente" através de um choque frontal contra as trincheiras do Estado, porque estas se encontram bem consolidadas e protegidas. Neste caso, a revolução triunfará através da adoção da estratégia da "Guerra de Posição", mediante a qual se desgasta o inimigo penetrando nas fortificações e casamatas da Sociedade Civil. Este é o único caminho que pode levar o Partido Comunista ao Poder nos países de perfil "Ocidental".

A "Guerra de Posição", concebida por Gramsci para a conquista do "Poder no Ocidente", tem como referência e fundamento a dinâmica das inter-relações dialéticas (ação recíproca) entre a "Sociedade Civil" e a "Sociedade Política" (Estado no sentido estrito), característica essencial das sociedades tipo "Ocidental". Lenine, por exemplo, em 1917, empregou a "Guerra de Movimento", atacando, de modo frontal e direto, o Estado Russo, porque lá o Estado era tudo e não havia uma "Sociedade Civil" organizada, participativa e dinâmica, que fizesse o contraponto relacional com a "Sociedade Política" (Estado).

Já no "Ocidente", essa inter-relação dialética é decorrência de um processo hegemônico continuado e desenvolvido ao longo da história, que, por sua vez, gerou uma concepção de mundo própria (ideologia), consubstanciada, hoje, no que a linguagem gramsciana chama de "Senso Comum" da Sociedade burguesa . O "Senso Comum" é representado pela incorporação, comunhão e prática de valores, princípios, procedimentos, tradições, costumes, história, civismo, vultos, próceres, etc, enfim, a própria Cultura.

"Gramsci manteve-se sempre fiel à essência do projeto comunista, embora propondo formas e caminhos mais consentâneos com o mundo do seu tempo."

parte III

Por oportuno, desejamos iniciar esta Parte III, com a seguinte OBSERVAÇÃO: Por reconhecer que a teoria de Gramsci apresenta um certo grau de complexidade, sobretudo conceitual, pedimos escusas antecipadas por algum excesso teórico-didático, presente na nossa abordagem sobre a “Guerra de Posição”. Vale dizer, entretanto, que o nosso propósito maior, no caso, é facilitar ao máximo a compreensão do assunto e, principalmente, oferecer aos caros leitores mais um instrumento teórico-auxiliar, para a leitura dos fatos que perfilam a nossa complexa realidade atual (dominada pelo mimetismo, pela ambigüidade e pelas manipulações das esquerdas, em geral) e máxime para identificar os seus fatores de comandamento, de modo a constatar o inequívoco e perceptível avanço da estratégia de Gramsci no nosso país.

No diagnóstico gramsciano, o “Senso Comum” é uma visão de mundo acrítica, difundida (pelas classes dominantes) no seio das classes subalternas (proletariado urbano e rural), constituindo-se, assim, num eficaz instrumento de dominação ideológico-cultural e, ipso fato, de afirmação da “Hegemonia” burquesa. Este entendimento harmoniza-se com um clássico conceito marxista, que sublinha: “as idéias dominantes, em todas as épocas, sempre foram idéias da classe dominante”. Há um texto de I. Simionatto (Ed.Cortez/95), bastante ilustrativo que complementa esta parte: ....“a “Hegemonia” cria a subalternidade (social) de outras classes, não apenas pela submissão à força, mas também pela submissão às idéias... A classe dominante repassa a sua ideologia (concepção de mundo) e realiza o controle do “Consenso” através de uma rede articulada de aparelhos culturais – que Gramsci chama de “Aparelhos Privados de Hegemonia” e o ilustre Professor Jorge Boaventura, da ESG, muito apropriadamente, denomina de “Centros de Prestígio e de Irradiação Cultural”. Estes aparelhos (que correspondem às “casamatas” e “fortificações” da “Sociedade Civil”) compreendem: Escolas, Universidades, Igrejas, Mídia (Rádio, TV, Jornais, Revistas, etc), Associações Intelectuais, Culturais, Corporativas, Sindicatos, Editorialismo, Literatura, Crítica, Cinema, Artes em geral, ONGs, etc. “Através desses aparelhos é que é imposta às classes subalternas a submissão passiva e feito o repasse ideológico (isto é, o próprio “Senso Comum”)”.

Gramsci, por seu turno, destaca que “a supremacia (Hegemonia) de um grupo social se manifesta como “Domínio” ou como “Direção” Intelectual e Moral” (cultural). O “Domínio” pressupõe o acesso ao Poder, o uso da força e a coerção. A sede do “Domínio” é o Estado (“Sociedade Política”). Já a “Direção”, que corresponde à “Hegemonia” propriamente, é exercida na “Sociedade Civil” e é alcançada mediante a persuasão, o proselitismo, a doutrinação, a adesão, enfim pela obtenção do “Consenso”. A “Hegemonia” se conquista e se exerce no universo aliado; o “Domínio”, por sua vez, é imposto sobre o universo antagônico.

Esta visão conceitual levou Gramsci a concluir que: “um grupo social pode e deve ser dirigente, antes mesmo de ser dominante, significando dizer que: antes de ter o Poder Governativo, um grupo social pode conquistar a “Direção” ideológica e cultural, na Sociedade como um todo. Tal entendimento evidencia, claramente, a posição de relevo que a “Hegemonia” (e por extensão o “Senso Comum”) ocupa na formulação estratégica da “Guerra de Posição”, corroborada, também, numa conhecida sentença de Gramsci: “jamais existiu um Estado sem “Hegemonia” e, em substância, a luta entre duas classes que se disputam o poder é, antes de tudo, uma luta entre duas “Hegemonias”. Por outro lado, cabe frisar que a “Hegemonia” só se completa com a eliminação do “Senso Comum” da classe dominante e com a conseqüente imposição de um “Novo Senso Comum”. Nesta oportunidade, vale mostrar aos caros leitores como este processo já está em curso no país, recorrendo, para isso, a um exemplo apresentado pelo General Sérgio A. Coutinho, que destaca alguns aspectos pragmáticos, que se enquadram nas técnicas do gramscianismo, com vistas à mudança do “Senso Comum”, vigente na nossa Cultura: “Sociedade nacional x sociedade civil organizada; direito positivo x direito alternativo; desenvolvimento x ecologia; vulto histórico x líder popular; vontade nacional x opinião pública; tradição x atraso; organismo público x comunidade; invasão x ocupação; legal x legítimo; casamento x união civil de parceiros – formalidade x informalidade”.

Retomando, pode-se aduzir que toda esta elaboração teórico-conceitual, até aqui apresentada, está imbricada na grande premissa estabelecida por Gramsci que: considerou a fórmula maximalista, adotada por Lenine em 1917, como superada, levando, em conseqüência, o pensador italiano a fixar-se na concepção de que a luta revolucionária, no “Ocidente” deve ser travada, substantivamente, no plano das idéias e da cultura, afastando-se, deste modo, do economicismo estrutural, próprio do marxismo clássico.

Neste contexto, portanto, a “batalha cultural” assume um papel preponderante, na rota para a conquista do Poder, apresentando-se, no caso, como “fator decisivo no processo de luta pela “Hegemonia”, na conquista do “Consenso” e da direção político-ideológica, por parte das classes subalternas”. O espaço estratégico nesta contenda é representado pelas “casamatas” e “fortificações” da “Sociedade Civil” – (que na visão gramsciana compreende o conjunto das relações políticas, sociais, ideológicas, culturais, religiosas, intelectuais, etc. e, como tal, é cenário da luta de classe, do repasse do “Senso Comum” e palco dos fatos históricos) – e pelos estamentos da “Sociedade Política” (Estado).

A guisa de síntese e recorrendo a uma linguagem mais formatada, tipo “conceito de operação”, podemos dizer que: Na estratégia da “Guerra de Posição”, a luta revolucionária se caracteriza, em essência, pela disputa da “Hegemonia” (direção política, ideológica e cultural) e conseqüente obtenção do “Consenso” (adesão, concordância, aceitação voluntária), nas “casamatas” e “fortificações” da “Sociedade Civil”, a fim de neutralizar (pela desinformação, desgaste, desvirtuamento, etc) o repasse da ideologia burguesa e impor um “Novo Senso Comum”, criando, ato continuo, as condições subjetivas e objetivas necessárias para investir sobre os estamentos da “Sociedade Política” (Estado), conquistar o Poder burguês (“Domínio”), elevar o proletariado à condição de classe dominante e implantar uma “nova ordem”, calcada nos cânones do marxismo.

Percebe-se, assim, que a “Sociedade Civil” funciona como a grande plataforma de manobra, tanto para a conquista da “Hegemonia” num primeiro tempo, quanto para o investimento sobre a “Sociedade Política”, quando constituirá a própria base estratégica. A tática de luta repousa, por excelência, na “Penetração Cultural”, levada a efeito, como já ressaltado, nos espaços da “Sociedade Civil” e do Estado (“Sociedade Política”). A penetração nos estamentos deste último, opera-se, na verdade, de forma concomitante com a disputa pela “Hegemonia” na “Sociedade Civil” e é dirigida, basicamente, sobre as instâncias e organizações dos Serviços Públicos, Justiça, Legislativo, Executivo, Procuradoria, Promotoria, Defensoria, TCU, Empresas Estatais, Autarquias, Forças Armadas, Polícias, Universidades e Escolas Públicas, Hospitais, Associações de Funcionários, Sindicatos etc.etc.

Um exemplo inequívoco do processo de penetração do gramcianismo nos estamentos do Estado brasileiro e na “Sociedade Civil” é a “Operação Marabá”, levada a efeito por motivação ideológica e conduzida por funcionários da “Sociedade Política”: policiais e procuradores federais, em íntima ligação com jornalista --estes últimos, funcionários pertencentes a uma "casamata" de "Sociedade Civil" (integrantes da parcela "araponga" da mídia "hegemonizada") -- A citada operação, vale recordar, foi realizada contra instalações da 23ª Brigada de Infantaria de Selva, sediada em Marabá/PA.

Esta forma de atuação, inaceitável e sem precedentes é bastante reveladora de que na Procuradoria Geral da República e na Polícia Federal, já vige, hoje, um "Novo Senso Comum" que, ideologicamente, inspira e baliza as suas ações e procedimentos institucionais, sendo que, no presente caso, tiveram propósito de inibir e neutralizar a atuação das Forças Armadas na Segurança Interna, objetivo buscado insistentemente pelas esquerdas derrotadas.

“Jamais existiu um Estado sem “Hegemonia” e, em substância, a luta entre duas classes que se disputam o poder é, antes de tudo, uma luta entre duas “Hegemonias”

parte IV (final)

Gramsci dedica um apreciável espaço na sua obra para realçar o papel decisivo e estratégico reservado aos “Intelectuais” e ao Partido Político, na “Guerra de Posição”.Dadas as peculiaridades e, sobretudo, o caráter da luta visualizada na proposta gramsciana de tomada de poder – que muitos identificam como uma modalidade da estratégia indireta, tipicamente de desgaste e de aplicação a longo prazo – pode-se admitir que a “Força de Manobra Revolucionária”, na “Guerra de Posição” está centrada, basicamente, na tropa de “Intelectuais Orgânicos” e no Partido Político (o Comando), que Gramsci também denomina de “Intelectual Coletivo” e de “Moderno Princípio”, este por inspiração maquiaveliana.

O texto gramsciano destaca que: “uma massa humana não se distingue e não se torna independente, por si, sem organizar-se; e não existe organização sem “Intelectuais”. O Partido Político é o novo e eficiente instrumento para enfrentar os grupos dirigentes, na luta pela conquista da “Hegemonia”. Ele será o “parteiro”de uma nova sociedade, realizando a elevação cultural das massas (reforma intelectual e moral) e movendo as suas vontades à ação político-revolucionária. (G.Staccone – Vozes/95)

A teoria de Gramsci, na verdade, considera duas categorias de “Intelectuais”: os “Orgânicos” e os “Tradicionais”. Os primeiros se caracterizam, antes de tudo, pela função organizadora e militante que exercem, em prol da causa revolucionária e não, necessária e obrigatoriamente, por possuírem um elevado nível cultural ou de conhecimento, ou mesmo pelo exercício efetivo da atividade intelectual. Os “Intelectuais Orgânicos” distinguem-se, de fato, por serem os artífices da organização, da doutrinação ostensiva e subliminar e do repasse do “Novo Senso Comum”.

Por exemplo, o Sr. José Rainha e sua esposa dona Deolinda, membros do MST, são considerados “Intelectuais Orgânicos” do mesmo modo como o são Frei Beto, o Senador Roberto Freire e o Sr. Chico Buarque de Holanda. Os “Intelectuais Tradicionais”são os que realmente exercem atividades intelectuais, possuindo as qualificações devidas e reconhecidas como tais. Em princípio, constituem um grupo autônomo adaptado à convivência com a ideologia dominante.

Habitualmente são alvo de cooptação ideológica, até mesmo pelo afago às suas vaidades e, via de regra, são pressionados e patrulhados pelos “Intelectuais Orgânicos” para aderirem ou colaborarem com a causa revolucionária.

Não será difícil para os caros leitores identificar um e outro tipo de “Intelectual”, no universo brasileiro, onde os “orgânicos” já desfrutam de posições consolidadas na mídia, na educação, nas igrejas, na cultura, nos sindicatos, nas associações de profissionais liberais, no serviço público, nos movimentos ditos populares, nas ONG(s), etc. A acelerada penetração ideológico-cultural e a concomitante disseminação do “Novo Senso Comum”, no nosso espaço sócio-político, têm estimulado a incorporação de novos segmentos sociais (inclusive classe média) ao espectro ativista-participativo e militante das esquerdas em geral, indicando o surgimento de um esdrúxulo “proletariado ampliado” e, por via de conseqüência, a moldagem de uma nova “identidade de classe”. Tal fenômeno tem feições próprias do atual processo sócio-político brasileiro, mas certamente deve ser encarado, também, como produto das transformações , sobretudo sociais, trazidas pela dinâmica da nova “Sociedade de Serviços”, cuja tardia percepção na União Soviética levaram-na á completa desintegração, como indica F.Fukuyama.

Por outro lado, ao contrário do que ocorreu em relação aos pólos irradiadores do marxismo-leninismo (detetados e conhecidos), os centros de irradiação do gramscianismo, hoje no Brasil, são bastante difusos, não permitindo, ainda, a sua precisa indicação.

Entretanto, poder-se-ia dizer que, atualmente, o gramscianismo atua e propaga-se por capilaridade ideológica, valendo-se dos partidos de esquerda, em geral, e da rede militante menos radical do espectro marxista no país.

Do ponto-de-vista teórico-estratégico, o quadro final que a “Guerra de Posição” pretende configurar é o da geração de uma crise irreversível nos domínios do Estado burguês, motivada pela ruptura do equilíbrio nas relações entre a “Sociedade Política” e a “Sociedade Civil”. Segundo Gramsci, nas Sociedades “ocidentalizadas” o Estado se “ampliou”, isto é: o Estado (lado sensu) é concebido como um conjunto composto de dois elementos indissociáveis: a “Sociedade Política” (Estado stricto sensu) e a “Sociedade Civil”. Isto significa que o Estado, em si, detém, ao mesmo tempo, as funções de Domínio (coerção) e de Direção (“Hegemonia”) – “Hegemonia revestida de coerção”.

A crise final se instalará, justamente, quando o “Estado Ampliado” perder a “Hegemonia” (Direção) na “Sociedade Civil”- o que significa perder a legitimidade – ficando destarte reduzido aos estamentos da “Sociedade Política” (Estado stricto sensu) e ao exercício do Domínio (coerção). Isto ocorrerá porque nos espaços da “Sociedade Civil” já terão sido implantados, de fato, um “Novo Senso Comum” e uma nova “Hegemonia”, sob a liderança das classes subalternas que, em conseqüência, terão adquirido a condição de “classe dirigente”, mas não ainda a de “classe dominante”, que só se produzirá com a conquista da “Sociedade Política”, isto é com a obtenção do “Domínio” (o Poder).

Tal situação retrata um quadro caótico, em que uma classe tem o “Domínio” e a outra classe a “Direção” a (“Hegemonia”) indicando, pois, a inevitabilidade do confronto e da ruptura final. Esta antevisão caracteriza o que Gramsci denomina de “Crise Orgânica” e que está sintetizada numa frase sua: “o velho está morto e o novo não pode nascer”.

O que os democratas devem ter presente é que o impasse da “Crise Orgânica” será resolvido inclusive pela “Guerra de Movimento”, se necessário. Gramsci nunca negou esta possibilidade. Eis o porquê da generosidade do tratamento concedido ao MST, pelas esquerdas no Poder.

O “novo” nascerá seja de parto normal seja pela ação “cesária” das armas; mas nascerá de qualquer maneira, porque o seu nascimento representa o caminho único para a edificação do Estado Comunista.

Segundo o insuspeito Norberto Bobbio, Gramsci, como todo bom marxista, não fugiu à regra e, na sua obra, ocupou-se somente dos aspectos relativos à tomada do Poder, revelando-se omisso e silente com relação aos problemas do exercício da democracia e dos limites do Poder do Estado, não explicitando, seriamente, como a nova classe deveria exercer a “Hegemonia” e o “Domínio”, na transição para alcançar a “Sociedade Regulada”, isto é: “a sociedade sem classes”, a utopia.
Seu silêncio, no caso, representa uma coonestação ou referendo à ditadura do proletariado – Caros leitores ! cuidado com a pregação de uma tal “democracia radical” que vem sendo feita, espertamente, pelos mesmos pregadores da UTOPIA.

Tenhamos sempre presente o alerta que nos faz o grande filósofo Giovani Reale: “Cuidado! Em todo utópico costuma esconder-se um totalitário”.

“O nosso compromisso é com a Pátria”.
* CURRICULUM VITAE

- Natural de Itaqui/RS
- Turma de Formação:
- AMAN/1954 – Cavalaria
- Cursos:
- Possui todos os regulares do Exército e o da Escola Superior de Guerra
- Principais funções desempenhadas como oficial:
- Instrutor da AMAN – EsAO e EsCEME
- Adjunto da Missão Militar Brasileira de Instrução no Paraguai
- Oficial de Gabinete do Ministro do Exército
- Adjunto do Estado-Maior do Exército
- Comandante do 3º Regimento de Carros de Combate (3º RCC - Realengo/RJ)
- Subchefe do Exército do Gabinete Militar da Presidência da República
- Assistente do Secretário de Economia e Finanças
- Comandante da 2ª Brigada de Cavalaria Mecanizada (2ªBda C Mec-Uruguaiana/RS)
- Assistente do Exército no Comando da Escola Superior de Guerra
- Condecorações:

  • Possui 9 (nove) condecorações nacionais e 5 (cinco) estrangeiras

“Uma massa humana não se distingue e não se torna independente, por si, sem organizar-se; e não existe organização sem “Intelectuais”

Caros leitores!
"Cuidado com a pregação
de uma tal “democracia radical” que vem sendo feita, espertamente, pelos mesmos pregadores da UTOPIA".

OBSERVAÇÃO

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A REVOLUÇÃO GRAMSCISTA NO OCIDENTE”

Autor: Gen Sérgio Augusto de Avellar Coutinho

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terça-feira, 13 de maio de 2008

Máfia gramsciana

Do portal do OLAVO DE CARVALHO
por Olavo de Carvalho em 25 de novembro de 1999

A cada dia que passa, mais o chamado “debate cultural” brasileiro se reduz a mero debate eleitoral, tudo rebaixando ao nível dos slogans e estereótipos e, pior ainda, induzindo as novas gerações a crer que a paixão ideológica é uma forma legítima de atividade intelectual e uma expressão superior dos sentimentos morais.

Tão grave é esse estado de coisas, tão temíveis os desenvolvimentos que anuncia, que todos os responsáveis pela sua produção – a começar pelos fiéis seguidores da estratégia gramsciana, para a qual aquela redução é objetivo explicitamente desejado e buscado – deveriam ser expostos à execração pública como assassinos da inteligência e destruidores da alma brasileira.

Para Antonio Gramsci, a propaganda revolucionária é o único objetivo e justificação da inteligência humana. O “historicismo absoluto”, um marxismo fortemente impregnado de pragmatismo, reduz toda atividade cultural, artística e científica à expressão dos desejos coletivos de cada época, abolindo os cânones de avaliação objetiva dos conhecimentos e instaurando em lugar deles o critério da utilidade política e da oportunidade estratégica.

É idéia intrinsecamente monstruosa, que se torna tanto mais repugnante quanto mais se adorna do prestígio associado, nas mentes pueris, a palavras como “humanismo” ou “consenso democrático” (naturalmente esvaziadas de qualquer conteúdo identificável), bem como das insinuações de santidade ligadas à narrativa dos padecimentos de Antônio Gramsci na prisão, as quais dão ao gramscismo a tonalidade inconfundível de um culto pseudo-religioso.

Recentemente, um grande jornal de São Paulo, que se gaba de sempre “ouvir o outro lado”, consagrou a Antonio Gramsci todo um caderno, laudatório até à demência, que, sem uma só menção às críticas devastadoras feitas ao gramscismo por Roger Scruton, por Francisco Saenz ou – de dentro do próprio grêmio marxista – por Lucio Coletti, deixa no leitor a falsíssima impressão de que essa ideologia domina o pensamento mundial, quando a verdade é que ela tem aí um lugar muito modesto e até o Partido Comunista Italiano, com nome mudado, já não fala de seu fundador sem um certo constrangimento.

Que o jornalismo assim se reduza à propaganda, nada mais coerente com o espírito do gramscismo, o qual não busca se impor no terreno dos debates, do qual não poderia sair senão desmoralizado, e sim através da tática de “ocupação de espaços”, por meio da qual, excluídas gradualmente e quase sem dor as vozes discordantes, a doutrina que reste sozinha no picadeiro possa posar como resultado pacífico de um “consenso democrático”.

Com a maior cara-de-pau os adeptos dessa corrente atribuirão a um mórbido direitismo esta minha denúncia, sem ter em conta aquilo que meus leitores habituais sabem perfeitamente, isto é, que eu denunciaria com o mesmo vigor qualquer ideologia direitista que tentasse se impor mediante o uso de estratagemas tão sorrateiros e perversos.

Se no momento pouco digo contra a direita é porque sua expressão intelectual pública é quase nula, não por falta de porta-vozes qualificados, mas de espaço. Os liberais, banidos de qualquer debate moral, religioso ou estético-literário, recolheram-se ao gueto especializado das páginas de economia, o que muito favorece o lado adversário na medida em que deixa a impressão de que o liberalismo é a mais pobre e seca das filosofias. Quanto às correntes conservadoras que ainda subsistem, por exemplo católicas e evangélicas, sua exclusão foi tão radical e perfeita, que hoje a simples hipótese de que um conservador religioso possa ter algo a dizer no debate cultural já é objeto de chacota. Chacota, é claro, de ignorantes presunçosos, que, nunca tendo ouvido falar de Eric Voegelin, de Russel Kirk, de Malcom Muggeridge, de Reinhold Niebuhr ou de Eugen Rosenstock-Huessy, acreditam piamente que não pode existir vida inteligente fora de suas cabecinhas gramscianas, e provam assim ser eles próprios as primeiras vítimas da censura mental que impuseram a todo o País.

No campo intelectual, atacar a “direita”, hoje, seria mais que covardia: seria coonestar a farsa de que no Brasil existe um debate cultural normal, quando o que existe é apenas o mafioso apoio mútuo de gramscianos a gramscianos, que priva os brasileiros do acesso a idéias essenciais e ainda tem o cinismo de posar de democrático.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".