Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.
Mostrando postagens com marcador liberdade de imprensa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador liberdade de imprensa. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 22 de setembro de 2009

LIBERDADE DE IMPRENSA E DEMOCRACIA

Fonte: JAYME COPSTEIN
22/09/09

Por Ives Gandra Martins (*)

O autoritarismo está de volta a alguns países da América Latina, com risco de contagiar muitos outros. E um dos principais sintomas desse avanço do retrocesso está nas contínuas investidas dos governos na tentativa de calar os jornais de oposição.

As sucessivas críticas que se tem feito ao regime bolivariano da Venezuela - em que um histriônico presidente cerceia cada vez mais todas as manifestações dos que lhe são contrários, cortando-lhes os pulmões da manifestação democrática pelo fechamento de canais de televisão, rádios e intimidações judiciais - já ganharam dimensão internacional.

No modelo constitucional venezuelano (artigo 232), o presidente pode tudo, desde convocar referendos e plebiscitos até governar com leis habilitantes e dissolver a Assembleia Nacional, o mesmo ocorrendo no modelo equatoriano (artigos 130 e 148), em que o presidente pode dissolver a Assembleia, mas, se esta destituir o presidente, dissolve-se automaticamente. Não diferente é o modelo boliviano, em que os membros da Suprema Corte devem ser eleitos pelo povo por seis anos, candidatando-se por partidos políticos (artigo 182)!

Em todos esses países, há restrições à liberdade de imprensa, sob a alegação de que ela prejudica a vocação "bolivariana" do povo. Vale lembrar que as três Constituições lastrearam-se em modelos idealizados por uma instituição de estudos espanhola, segundo a qual as democracias só devem ter, de rigor, um representante do povo, que deve convocar o próprio povo a manifestar-se, mediante sucessivos referendos ou plebiscitos.

O equivocado modelo espanhol não reconhece que, das 20 democracias estáveis pós-Segunda Guerra Mundial (Lijphart, "Democracies"), apenas uma é presidencialista. As outras 19 são parlamentaristas.

É que nos Parlamentos está a totalidade da representação popular (situação e oposição), mas no Executivo está apenas a situação. Em outras palavras: o Executivo encarna apenas a maioria dos integrantes de uma nação, e o Legislativo, a totalidade.

Ao reduzir a expressão do Legislativo a quase nada, tais modelos fazem de qualquer democracia uma estrada larga para as ditaduras, mormente quando têm força para calar a oposição, eliminando seus pulmões, que são os meios de comunicação social.

Apesar do nível cultural do povo argentino, parece que a família Kirchner sucumbiu às lições semiditatoriais de Chávez, Morales, Correa e Ortega (a Nicarágua está tentando aprovar projetos de lei que reduzem a liberdade de imprensa), com a desastrada invasão do jornal "Clarín" e com a proposta de legislação nitidamente fascista ou bolchevista, voltada a silenciar a imprensa.

Nem mesmo o Brasil, cuja Constituição de 1988 deveria hospedar um modelo parlamentar de governo, mas que na undécima hora transfigurou-se em presidencial, preservando, porém, o equilíbrio entre os Poderes, parece estar imune a tal influência.

Já houve, no governo Lula, duas tentativas frustradas de condicionar a imprensa a um conselho controlador e as manifestações artísticas a outro, o que a sociedade repeliu com vigor. O próprio presidente, não poucas vezes, refere-se de forma pouco apreciativa aos órgãos de comunicação.

E, como realçado em editorial da Folha de São Paulo (12/9) ou no artigo de Judith Brito neste espaço (27/8), mesmo os membros de instâncias inferiores do Judiciário - cuja corte suprema é claramente a favor da liberdade de imprensa - tomam decisões impondo restrições à liberdade de imprensa.

É necessário que a sociedade brasileira, nitidamente democrática, não se deixe contaminar pela antidemocrática política de nossos vizinhos, em que o crescimento do autoritarismo é evidente. Sem imprensa livre, não há democracia, pois o povo não tem como saber o que ocorre nos bastidores e porões dos poderes senão pelos órgãos de comunicação.

Num país que, depois de 1988, conheceu um impeachment presidencial, uma superinflação e escândalos governamentais - anões do Orçamento, mensalão, Senado... -, só foi possível manter a alternância de poder, impedir a ruptura institucional e assegurar o bom funcionamento das instituições por força do equilíbrio entre os Poderes, do amplo direito de defesa e, principalmente, da liberdade de expressão.

Que esse maior bem de uma democracia seja preservado no Brasil. O povo brasileiro não pode deixar-se contaminar pelos ventos procelosos que fustigam nossos vizinhos. Que a nossa democracia prevaleça sobre as semiditaduras em que vão se transformando alguns países latino-americanos.



(*) advogado, professor emérito da Universidade Mackenzie, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e da Escola Superior de Guerra e presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

A TENTATIVA DE ENQUADRAR A IMPRENSA E DE SILENCIAR OS REPÓRTERES. QUE ELES RESISTAM A UM CERCO INÉDITO EM PERÍODO DEMOCRÁTICO

Fonte: BLOG DO REINALDO AZEVEDO
terça-feira, 28 de julho de 2009

Queridos,

Segue um texto longo, longo mesmo. Mas peço que vocês leiam porque se trata da exposição de um método. Demonstro o modo como o oficialismo está tentando calar a imprensa. Com ele, também presto uma homenagem aos repórteres que honram a sua profissão.
*
Há um movimento organizado para desacreditar o jornalismo e intimidar os jornalistas, especialmente os repórteres. Não se trata de nenhuma teoria conspiratória, com personagens secretas a se mover nas sombras. Eu nunca lido com isso. Meus “fantasmas” sempre são de carne e osso. O comandante da operação é até bem conhecido. Chama-se Franklin Martins, ministro da Comunicação Social e responsável último tanto pela área de comunicação propriamente dita como pela distribuição da verba publicitária do governo e de estatais. A manifestação mais visível e virulenta dessa ação é o tal blog da Petrobras. Ele é o melhor exemplo do que pode ser descrito como um método.

Blogueiros a serviço do oficialismo se encarregam, depois, de tentar difamar na rede os veículos da grande imprensa. Muitos deles já passaram por jornais, TVs ou revistas importantes e usam esse passado como prova de autoridade. Seus eventuais leitores se esquecem de perguntar por que, afinal de contas, foram banidos da imprensa de primeira linha e terminam seus dias exercendo este triste papel. Mas não quero me deter nisso agora. Volto à questão do método, não sem antes fazer uma advertência.

Chegou a hora de a chamada grande imprensa se dar conta desse movimento de desmoralização e reagir. Até porque é evidente que as chances de o atual grupo que governa continuar no poder não são pequenas. Mais oito anos na mesma toada, e será abolida a saudável vigilância do poder exercida pela imprensa em qualquer país democrático do mundo. Nesta segunda-feira, uma reportagem pôde ser tomada como estudo de caso. Professores de jornalismo, se ainda os há, deveriam levá-lo para a sala de aula — os que não forem de esquerda, claro, se os houver. Adiante.

A Folha publicou ontem uma reportagem de Fernando Barros de Mello, um jovem repórter muito cuidadoso e cioso dos bons procedimentos da profissão. Leiam a íntegra do que foi publicado. É importante ir até o fim. Reparem quantas são as estranhezas nas quais vocês tropeçam. Volto depois.

A Petrobras pagou, de 2003 a junho deste ano, R$ 203,1 milhões a um grupo de empresas de terceirização de mão de obra de Santo André (Grande ABC) que já utilizou laranjas e tem uma dívida milionária cobrada pela União, entre débitos tributários e previdenciários.

As empresas possuem o mesmo nome -Protemp-, têm fundadores ou sócios em comum, apresentam o mesmo endereço e estão abrigadas no mesmo site da internet.

A própria Petrobras enviou à Folha, em um primeiro momento, os valores como se fossem repassados a uma só empresa. Só depois confirmou que eram três diferentes CNPJs.

Dos 27 contratos com a Petrobras desde 2005, 11 foram por dispensa de licitação e 16 pelo sistema de convite, em que a estatal escolhe as empresas que apresentam propostas.

Segundo a Petrobras, a Protemp é responsável por funcionários que fazem de análise de dados meteorológicos ou fiscalização de topografia até serviços de limpeza e comunicação. A empresa diz não ter contratos com outros órgãos públicos.

Dois CNPJs que receberam verbas da Petrobras estão na Lista de Dívida Ativa da União desde fevereiro de 2009 e não podem obter Certidão Negativa de Débitos, o que impede a contratação. Quem está na lista, diz a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, “não está parcelando, não tem uma decisão judicial favorável (mesmo que liminarmente) e nem efetuou um depósito como forma de garantia, antes de discutir a validade ou não do tributo”.

A reportagem apurou que o primeiro débito previdenciário surgiu em 1999. Hoje, a União cobra dívida de R$ 16,99 milhões. A Protemp diz que os contratos foram feitos porque a empresa questiona débitos na Justiça e está parcelando a dívida. A Petrobras afirma que até o último contrato, de outubro de 2008, toda a documentação estava em ordem.

O grupo Protemp já prestava serviços à Petrobras antes de 2003, mas em volume menor: R$ 19,9 milhões entre 1995 e 2002, no governo Fernando Henrique Cardoso -crescimento de 920,3% em relação ao período da gestão Lula.

Laranjas
As empresas com o nome Protemp pertencem, já pertenceram ou foram fundadas pela empresária Sueli do Espírito Santo, sócia majoritária na Protemp SG Prestação de Serviços, aberta em 1998 em nome de Walter Fabri. À Folha Fabri, que trabalha na empresa até hoje, disse que nunca foi sócio. “Sempre fui funcionário.”

O endereço da sede foi alterado de uma sala em Santana do Parnaíba para o centro de Santo André em 2004. Em 2006, foi aberta a filial do Rio, a cem metros da sede Petrobras.

Na internet, a Protemp diz ter sido fundada em 1987. Na verdade, essa era a Protemp Serviços Empresariais, outra da lista de devedores e que recebeu verbas da Petrobras.

Criada por Sueli do Espírito Santo e Agostinho João Pinheiro (já morto), ela esteve em nome de duas moradoras da periferia de Santo André. Uma delas, Deolinda Malentachi (que também foi sócia de outra Protemp), morreu em novembro de 2007. Ela tinha uma participação majoritária na empresa, de R$ 296 mil. Mas não deixou bens. A documentação mostra que Deolinda deixou o negócio três dias antes de sua morte.

Já a Protemp Consultoria em RH está hoje em nome de ao menos uma laranja. Essa empresa, no entanto, não recebeu da Petrobras.

A Folha localizou, na periferia de Santo André, a aposentada Maria Aparecida da Costa, que aparece como sócia da Protemp Consultoria, mas diz ter sido colocada em uma confusão depois que ela perdeu seus documentos. “Pediram para eu assinar uns papéis”, afirmou.

Maria Aparecida afirmou que, agora, segue orientações de um advogado, que, segundo ela, a procurou há alguns meses. O advogado é Saulo de Lima, de Blumenau (SC). Ex-juiz, foi secretário na gestão do petista Dario Lima e defende o ex-prefeito em outro caso.

Voltei
Barros de Mello fez tudo certo. Ouviu as empresas, inclusive a Petrobras, consultou o cadastro de devedores, procurou os laranjas e falou com eles, evidenciou os procedimentos heterodoxos desses empreendedores. Tudo conforme tem de ser. E quem foi que entrou, então, na arena? O Blog da Petrobras — com os seus satélites fazendo o serviço sujo para tentar desqualificar jornal e jornalista. Publica o blog, sem economizar palavras:

Manchete da Folha está errada
Na matéria “Devedora da União recebe R$ 203 mi da Petrobras” (27/7, pág. A4), a Folha de São Paulo constrói uma tese, a partir de sua manchete, de que a Petrobras fez contratos com empresas devedoras da União. Na verdade, a Petrobras só tem relação comercial atualmente com a Protemp SG Prestação de Serviços, cujo último contrato foi assinado em outubro de 2008, mediante apresentação de todos os documentos exigidos pela legislação vigente.

Vamos ver…
Pra começo de conversa, a Folha de S. Paulo não construiu tese nenhuma. Cadê a tese? Desafio alguém da Petrobras a demonstrá-la. Reportou um fato. A Petrobras pagou mais de R$ 200 milhões a três CNPJs diferentes, todos de empresas com nome Protemp, e duas delas estão na lista de devedores da União. E estão!!! Mas atenção para isto: “Na verdade, a Petrobras só tem relação comercial atualmentecom a Protemp SG Prestação de Serviços, cujo último contrato foi assinado em outubro de 2008, mediante apresentação de todos os documentos exigidos pela legislação vigente.”

Ah, bom!!! Ter relações “atualmente” com apenas uma das três esquisitíssimas Protemps não anula as relações passadas com as outras. Ou anula? Os mais de R$ 200 milhões pagos, está claro, referem-se ao período de 2003 a esta data e dizem respeito a todas as empresas. Mas olhem que isso, na minha opinião, nem é o mais importante, embora estatais e governos não possam fazer negócios com devedores da União. A dívida é apenas um dos aspectos da reportagem da Folha. E os outros?

É razoável fazer negócios com empresas que têm tal histórico? Voltem lá ao subtítulo “laranjas”. Vejam como foram constituídas essas empresas. Olhem que maravilha:

“A Folha localizou, na periferia de Santo André, a aposentada Maria Aparecida da Costa, que aparece como sócia da Protemp Consultoria, mas diz ter sido colocada em uma confusão depois que ela perdeu seus documentos. “Pediram para eu assinar uns papéis”, afirmou.

Maria Aparecida afirmou que, agora, segue orientações de um advogado, que, segundo ela, a procurou há alguns meses. O advogado é Saulo de Lima, de Blumenau (SC). Ex-juiz, foi secretário na gestão do petista Dario Lima e defende o ex-prefeito em outro caso.”

Alguém precisa de mais explicações?

O método
Em que consiste o método de intimidação da reportagem? Em ignorar os problemas para os quais não há resposta e em submeter um aspecto ou outro do texto a torções, respondendo àquilo que não foi escrito. Recuperemos mais duas linhas da reposta da Petrobras: “O último contrato foi assinado em outubro de 2008, mediante apresentação de todos os documentos exigidos pela legislação vigente.” O “último” contrato está de acordo com a legislação vigente? E os outros? Barros de Mello, por acaso, referiu-se, em sua reportagem, ao “último contrato”? Mas a mágica do Blog da Petrobras para esconder débitos com a União vem agora.

A mágica
Leiam com atenção este outro trecho da resposta que está no Blog da Petrobras:

A Protemp SG Prestação de Serviços Limitada reiterou hoje, por meio de carta encaminhada à Petrobras, que não tem débito de nenhuma natureza, seja fiscal, previdenciário, com fornecedores ou empregados.

Notaram? Esse é o caso da Protemp SG Prestação de Serviços Limitada. Não se está falando das outras duas Protemps — NÃO POR ACASO, AQUELAS APONTADAS NA REPORTAGEM DA FOLHA. Elas vêm agora:

Durante a vigência dos contratos anteriores com as empresas Protemp SG Mão de Obra Temporária Ltda. e Protemp Sertviços Empresariais Ltda. também não existiam débitos junto ao INSS e FGTS e as certidões negativas foram apresentadas. Portanto, a Petrobras não celebra contratos com empresas devedoras da União.

Viram? Os débitos “não existiam durante a vigência dos contratos”, o que quer dizer que agora existem — como negar o que está na lista oficial? Então vamos ver se nós entendemos direito a situação. Há três Protemps. As três fazem praticamente a mesma coisa e têm uma mesma dona — depois de alguns “laranjas” terem passado por lá. Como duas das Protemps passaram a ter dívidas com a União (e não foi por falta de grana da Petrobras, né?), então há uma terceira Protemp, esta sem dívida. Entenderam ou preciso desenhar? Se esta vier a ter dívida também, faz-se uma quarta Protemp. Não será por falta de Protemp que essa gente vai ficar sem milhão.

E, assim, a Petrobras conclui, somando dois mais dois e encontrando cinco: “Portanto, a Petrobras não celebra contratos com empresas devedoras da União.” ERRADO! Celebra, sim. Celebrou com uma das Protemps, fazendo de conta que as outras, com as quais já havia trabalhado, não existiam.

Na Folha de hoje, há mais informações sobre a Protemp. Ela conta com 336 funcionários atuando na Petrobras, 183 deles só na área de comunicação. Mas a empresa não tem preconceitos. A exemplo das organizações de R. A. Brandão, é polivalente: atua também na área de limpeza, meteorologia e serviços médicos… Se a R. A. Brandão concorria com as Organizações Capivara, do Seu Creysson, esta deixa as Organizações Tabajara no chinelo.

Ah, sim: quase me esqueço de deixar uma vez mais registrado. Um dos funcionários que a Protemp tem na Petrobras é o ex-chefe do Gabinete Regional da Presidência da República em São Paulo e um dos mais próximos seguranças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em campanhas políticas. Seu nome é José Carlos Espinoza, um dos aloprados do escândalo do dossiê. Ele está na área de comunicação, e sua função é fazer a interlocução com os movimentos sociais. Mais um pouco, vão contratar Freud Godoy para a área de psicologia.

Concluindo
O que a Petrobras fez com o texto de Fernando Barros de Mello, chamando de erro uma apuração impecável e submetendo a linguagem a pequenas malandragens para esconder a verdade nas suas dobras, tornou-se uma constante da área de comunicação do governo. Os tontons-maCUTs da Internet se encarregam do resto.

Essa prática tem de ser denunciada. É nefasta para o jornalismo, especialmente se as próprias redações começarem a duvidar da apuração de seus repórteres. Intimidados, estes tenderão a se limitar ao despacho burocrático para que seus respectivos nomes não passem a freqüentar o lixão da Internet.

Que os repórteres resistam; que não cedam à tropa de choque do oficialismo e aos prestadores de serviço a soldo. A reportagem de Fernando Barros de Mello segue intacta, e o Blog da Petrobras, em vez de contestá-la, endossou-a de forma vexaminosa para ela e virtuosa para ele.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

FIM DA LIBERDADE DE IMPRENSA NO BRASIL - JB TENTA AMORDAÇAR OLAVO DE CARVALHO E O EXCLUI DE SUAS PÁGINAS

NOTALATINA
Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009



Desde que o "Comandante Daniel", também conhecido pela alcunha de "Zé Dirceu", tornou-se articulista do JB como prêmio de consolação por ter sido cassado politicamente como "Chefe do Mensalão", senti um cheiro de podre no ar e temi pelo futuro dos meus amigos que ali escreviam, Olavo, Iorio, Antônio Sepúlveda. Cheguei a enviar uma carta para o JB questionando a presença deste "ex" terrorista nas páginas de um jornal até então bem conceituado, e a resposta que recebi foi de que ele "não era articulista do jornal" e que "tinha direito de dar sua opinião como qualquer outro cidadão".

A mentira não se sustentou por muito tempo pois, a partir dali, as escrevinhanças do "brasileiro-cubano" - como ele mesmo se autodefine - passaram a ter a constância de um articulista fixo e, para maior afronta, dividia a página com Olavo; tudo isto pago a peso de ouro, salário que poucos jornalistas com décadas de profissão e competência jamais ousaram sonhar.

A cassação de Dirceu foi muitíssimo providencial. Para dar uma aparência de lisura nos julgamentos dos parlamentares acusados de vários crimes contra o povo e a Nação brasileira é que cassou-se este elemento. O objetivo era, na realidade, deixá-lo livre e longe das cobranças da imprensa para AGIR, nos tradicionais moldes do patrulhamento ideológico e perseguição àqueles que insistem em não se "adequar" às imposições do regime comunista, como ocorre em Cuba, na China, na Rússia e com os nossos vizinhos sul-americanos, sobretudo a Venezuela.

O relato abaixo é um Raio-X claríssimo de que a liberdade de expressão e de imprensa acaba de ser sepultada no Brasil. Olavo era o único farol a iluminar a escuridão da ignorância e da farsa consentida que vigoram em todos os jornais do país, restando-nos ainda seus artigos no "Diário do Comércio" de São Paulo e em seu próprio site.

Este é o preço que pagam aqueles que asumiram um compromisso com a Verdade e não se vergam perante ameaças, como fizeram Boris Casoy, Mendelski e tantos outros jornalistas brasileiros que passam muito bem e continuam com suas colunas e programas de televisão.

Resta saber: de toda a classe jornalística brasileira, quantos terão a coragem de hipotecar publicamente sua solidariedade a Olavo? O tempo dirá quem são embusteiros, covardões, vendidos e onde estão os que sabem honrar o ofício da profissão jornalística.

Leiam todo o relato e o artigo censurado. A carapuça caiu como uma luva sobre as cabeças dos mandantes do JB, daí porque tornou-se imperativo jogar fora a última fatia do salame.

Fiquem com Deus e até a próxima!

Comentários: G. Salgueiro
*****

O preço do salame

Olavo de Carvalho

Aproximadamente um ano atrás, o Jornal do Brasil diminuiu arbitrariamente meu salário, de US$ 2.000,00 para US$ 400,00 por mês. O aviso veio como fato consumado, sem qualquer consulta prévia a esta desprezível criatura.

Cortes de salário e de espaço são na imprensa brasileira um meio usual de boicote, empregado quando o jornal ou revista quer se ver livre de um articulista sem assumir a responsabilidade de demiti-lo. É um estilo especialmente jornalístico de operação-salame. O sujeito vai sendo encurtado fatia por fatia, até que, quando o salame já está um toquinho de nada, a diretoria lhe informa que sua coluna será “ampliada” (sic), isto é, dividida e reduzida.

O mesmo truque, que não engana a ninguém exceto à consciência moral de seus autores, foi usado contra mim na Zero Hora, naÉpoca, no Globo e, por fim, no JB. Só do Jornal da Tarde a exclusão veio toda de uma vez, sem amortecedores, porque não havia o que amortecer: meus artigos ali já eram quinzenais em vez de semanais, e o pagamento era uma micharia simbólica impossível de reduzir. Ademais, desde que os Mesquita deixaram o controle do jornal eu havia perdido todo embalo de escrevcr ali, coisa que só fazia por um sentimento de gratidão e admiração para com a família.

Desde o corte de salário, fiquei de sobreaviso, sabendo que meus dias no Jornal do Brasil estavam contados. Minha expectativa confirmou-se quando outros articulistas de orientação liberal ou conservadora foram demitidos. Em 29 de maio veio a seguinte mensagem do economista Ubiratan Iorio, até então meu colega de página:



Amigos, vejam a que ponto chegou o JB. Nem coragem para nos comunicar a dispensa tiveram, preferindo recorrer ao subterfúgio batido de "mudanças" editoriais.

Saímos eu, Antonio Sepúlveda, o Jarbas Passarinho e outros. Espero pelo menos que você, Olavo, continue firme...

Abraço,
Iorio

No último dia 8, enviei ao JB o seguinte artigo:


Norma de redação

Olavo de Carvalho


Confissões de Luiz Garcia, um dos potentados da redação de O Globo, reveladas durante um simpósio da University of Tulane, em março de 2008, por Carolina Matos, em conferência intitulada (sem ironia aparente) Partisanship versus professionalism:

“Fizemos um enorme esforço para atrair o pensamento esquerdista para O Globo. E fizemos isso em tal extensão que depois tivemos de procurar um direitista que escrevesse bem, e escolhemos Olavo de Carvalho, o que hoje lamentamos um bocado. Toda a esquerda tem acesso ao Globo: Élio Gaspari, Zuenir Ventura, Veríssimo... E também os ativistas, as ONGs. Estamos fazendo uma coisa balanceada.”

Leram? Leiam de novo. Com o maior ar de inocência, com aquela consciência limpa de quem não quer sujá-la num confronto com os próprios atos, o criador da página de opinião de um grande diário brasileiro apresenta sua noção de jornalismo balanceado, isento, equilibrado: franquear as páginas do jornal para “toda a esquerda”, um exército inteiro de editorialistas, cronistas, analistas e ongueiros, depois camuflar o partidarismo concedendo um espacinho a um – isso mesmo: um, um único – articulista de direita, em seguida reduzir um pouco mais esse espacinho e no fim ainda reclamar que o convidado, um brutamontes sem educação, ultrapassou a quota de direitice admitida. Em matéria de disfarce, isso foi tão eficiente quanto limpar bumbum de elefante com um cotonete.

Mas disfarçar era totalmente desnecessário: quem, entre as multidões, reclamaria do viés esquerdista do Globo? Brasileiro não lê jornal. Num país de 180 milhões de habitantes, a tiragem dos maiores diários, somada, mal chega a dois milhões de exemplares. A imagem que o zé-povinho tem dos jornais é a de trinta anos atrás: o Estadão ainda é os Mesquita, O Globo ainda é Roberto Marinho. Diga ao cidadão comum que O Globo é de esquerda, e ele rirá na sua cara com aquele ar de infinita superioridade que é o privilégio sublime da completa ignorância. De outro lado, o esquerdismo da mídia nacional é mais que hegemônico: é uma instituição tão antiga, tão sólida, tão tradicional e intocável que acabou por se tornar um estado natural. O jornalismo de esquerda já nem pode ser reconhecido como tal, pois há três gerações não existe um de direita que lhe sirva de contraste. A firme obediência ao programa esquerdista passa hoje como a encarnação mesma do profissionalismo idôneo, mainstream. Fanatismo, propaganda, distorção ideológica, só na coluna do Olavo de Carvalho, é claro. Pois não é que o safado teve a ousadia de contar para todo mundo que o Foro de São Paulo existia, quando a massa de seus colegas de ofício se empenhava solicitamente em ajudar essa central da subversão a crescer em silêncio? Por que ele não se limitou ao direitismo cool, educado, àquele amável direitismo de centro que festeja a eleição de Barack Obama como uma glória da democracia americana e de vez em quando até verte umas lágrimas (de crocodilo ou não) pelos terroristas mortos nos “anos de chumbo”?

Se querem entender como essa mudança aconteceu, leiam o livro de Alzira Alves de Abreu, Else Mudaram a Imprensa (FGV, 2003). São “depoimentos de seis jornalistas que, na qualidade de diretores de redação, tiveram uma participação fundamental na reformulação ou na criação de órgãos de imprensa brasileiros nas últimas três décadas do século XX”. Dos seis entrevistados, cinco são esquerdistas. Só faltou, dessa geração de reformadores célebres, o Cláudio Abramo, que já tinha morrido. E Cláudio era um devoto de Leon Trotski. Isso, meus amigos, é a mídia brasileira. Ser esquerdista, no ambiente que esses homens criaram, não requer nem mesmo uma tomada de posição pessoal: é só você não pensar no assunto, e a força da rotina geral o arrastará insensivelmente para a esquerda sem que você tenha de assumir a mínima responsabilidade por isso.

Se Luiz Garcia parece não ter a menor consciência de que confessou uma manipulação abjeta, delituosa até, não é porque seja cínico de propósito: é porque, no meio em que ele vive, a insensibilidade moral para com os abusos do esquerdismo se tornou uma espécie de norma de redação.

No dia seguinte recebi de Rodrigo Almeida, da direção do JB, a seguinte mensagem:

Caríssimo Olavo,

A direção do jornal considerou inadequado para o JB um artigo com tantas referências ao Globo. Por esse motivo, optamos pelo cancelamento da publicação do seu artigo. Peço-lhe a gentileza de enviar um novo texto, e lhe garanto a publicação até o fim de semana.
Obrigado.
Um abraço e feliz 2009!
Rodrigo de Almeida

Não desejando criar conflito, respondi a ele nos seguintes termos:



Prezado Rodrigo

Não se trata do Globo, mas de um caso patente de discriminação ideológica com grave dano profissional para a vítima e prejuízo para a liberdade de imprensa em geral. À distância em que estou, meu espaço no JB é o único instrumento de defesa do qual disponho. Peço à direção do jornal reconsiderar a decisão. Caso necessário, assinarei uma declaração isentando o jornal de qualquer responsabilidade pela publicação do artigo. Se o abuso autoritário cometido por um jornal não pode ser denunciado por outro jornal, então a liberdade de imprensa acabou no Brasil.

Abraço,
Olavo de Carvalho

No dia seguinte, não tendo recebido resposta nenhuma, enviei novamente o e-mail. Decorridas algumas horas, chegou, em vez da resposta de Rodrigo Almeida, a seguinte mensagem de Paulo Márcio Vaz, editor de opinião do JB:

Prezado Olavo,

Comunico-lhe que, a partir da próxima semana, a editoria de Opinião do 
Jornal do Brasil será ampliada, com a chegada de mais articulistas. Portanto, todos os nossos colaboradores passarão a escrever apenas um artigo por mês. Ainda hoje, ou no início da próxima semana, lhe envio a data exata de publicação de seu artigo para fevereiro.
Peço-lhe que, por favor, confirme o recebimento desta mensagem.
Um grande abraço,
Paulo Marcio
(21) 2101-4481
(21) 8101-4472

Respondi a ele o seguinte:



Prezado Paulo Márcio,

Por favor, comunique à diretoria do 
JB que terei o máximo prazer em escrever um artigo mensal para o jornal. O preço de cada artigo será dois mil e quatrocentos dólares.
Atenciosamente,
Olavo de Carvalho

Até agora não veio resposta. Será que acharam dois mil e quatrocentos dólares um preço caro demais para uma fatia de salame?

Olavo de Carvalho

domingo, 28 de dezembro de 2008

Obama e o futuro da liberdade de expressão e de imprensa

MÍDIA SEM MÁSCARA
Autor: 17 dezembro 2008
Editorias - CulturaEstados Unidos


“O Congresso não fará lei relativa ao estabelecimento de religião; ou que limite a liberdade de expressão ou de imprensa; ou o direito do povo de reunir-se pacificamente e de dirigir petições ao Governo para a reparação de seus agravos”. (PRIMEIRA EMENDA À CONSTITUIÇÃO DOS EUA)


Pouco depois da promulgação da Constituição os framers (“modeladores” da Constituição) se deram conta de que deveriam esmiuçar melhor os direitos dos cidadãos frente ao Governo e foram propostas dez emendas que levaram 810 dias para serem discutidas, votadas e referendadas, constituindo a Declaração de Direitos (Bill of Rights) [i]. O fato da liberdade de expressão e de imprensa ter sido dos primeiros assuntos discutidos mostra a importância que foi atribuída a elas na organização de um país livre: a busca da verdade, o progresso científico, o desenvolvimento cultural, o incremento da virtude entre o povo, a adesão dos funcionários governamentais aos princípios republicanos, o reforço da comunidade e uma ameaça a políticos demagógicos. A discussão que se seguiu foi a respeito do verdadeiro significado da liberdade de imprensa, principalmente em relação a um ponto crucial: haveria somente proibição de censura prévia e necessidade de registro de publicações, como na lei britânica, permitindo a punição após a publicação (como defendiam os Federalistas e Sir William Blackstone); ou proibiria também a punição pós-publicação, como defendiam os Republicanos e James Madison: “Esta idéia (britânica) jamais deverá ser admitida como uma idéia americana, pois uma lei que permita punir publicações a posteriori teria efeito similar a uma que prevê a censura prévia”. Os Federalistas defendiam que deveria haver limitações porque “…o Governo não pode estar seguro se forem permitidas calúnias falsas e maliciosas que diminuam a confiança e a afeição do povo”. Predominou, até 1937 (ver adiante), a posição dos Republicanos, de que mesmo discursos que criem “desprezo ou má reputação ou ódio (do governo) no meio do povo” devem ser tolerados porque a única maneira de determinar se este desprezo é justificado, é “pelo livre exame (das ações do Governo) e a conseqüente livre comunicação no meio do povo” [ii] [iii].


Em 1644 o poeta britânico John Milton (Paradise Lost), escrevendo contra a censura, instou seu país a ser ‘a grande casa da liberdade’ (the mansion house of liberty [iv]). Dizia ele: “Se os censores atacarem os livros porque não iriam proibir canções populares, conversas privadas ou até mesmo espetáculos de rua? (…) A principal marca de nosso caráter não está na proteção contra as palavras dos outros, mas em nossa responsabilidade por nossas opções”. (…) “A autoridade deve confiar que, sob a liberdade e a lei, a verdade (e a virtude) prevalecerão num livre enfrentamento com os erros e vícios”. A liberdade de expressão é parte essencial da dignidade humana, do progresso e da liberdade. “A Primeira Emenda garante aos indivíduos e aos grupos uma grande autonomia, não apenas para decidir suas mensagens, mas também de se expressar de forma criativa até mesmo em assuntos controversos”. [v]


* * *


Este preâmbulo foi necessário porque o que se chamava então de imprensa era o que hoje chamamos de mídia escrita (oriunda do inglês communications media, meios de comunicação), pois desde então o conceito de imprensa se ampliou para o rádio, o cinema, a televisão e, mais recentemente, a internet. A Suprema Corte tem tomado todos estes meios como expressões do original imprensa. Já liberdade de expressão é um termo mais vasto e abrangente, incluindo a livre discussão de idéias em público ou privado, os discursos de qualquer natureza, a divulgação de descobertas científicas e desenvolvimentos tecnológicos, a livre circulação de idéias dentro das sociedades científicas e o direito de divulgá-las [vi].


A Suprema Corte vem dando preferência para a interpretação Republicana da Emenda e esta é a base do direito ao sigilo das fontes adotado por toda a mídia. Os Democratas nunca engoliram esta liberdade total. Desde o governo socialista de Franklin D. Roosevelt que as coisas começaram a mudar, pois era preciso impedir que o público soubesse das nomeações de altos dirigentes comunistas para cargos de relevância no seu governo, como Alger Hiss, agente soviético nomeado para funcionário do Departamento de Estado – Departamento entregue totalmente, na ocasião, ao Council on Foreign Relations (CFR) - e Presidente da Comissão que elaborou a carta da ONU.


A Seção 315 do Communications Act de 1937 obrigava as estações de rádio a oferecer ‘oportunidades iguais’ para todos os representantes de candidatos dentro de uma emissora, exceto nos noticiários, entrevistas e documentários. Desde o início da década de 40 a Federal Communications Commission (FCC) adotou a “Mayflower Doctrine” que proibia as emissoras de rádio de expressar as idéias do editor (editorializing). Ao longo da década houve um relaxamento, permitindo a editoração em casos em que outros pontos de vista fossem igualmente irradiados. Finalmente, em 1949, no governo do ex-Vice de Roosevelt, Harry S. Truman, foi adotada a Fairness Doctrine que estabelecia a obrigatoriedade de balanceamento de opiniões nos programas de rádio, a critério da FCC, para estimular a discussão de opiniões controversas sobre assunto de importância pública. Enquanto a Seção 315 era lei federal aprovada pelo Congresso, a Fairness Doctrine não passava de política interna do FCC, portanto não é lei federal, como muitos acreditam.


A pergunta que fica no ar é: por que só o rádio e, desde que existe, a TV a cabo? Os jornais apresentam claramente seus pontos de vista e apóiam candidatos e as grandes redes de TV também. A resposta é dupla. Em primeiro lugar é o rádio que é o meio de comunicação mais apreciado pelos americanos. O programa de Rush Limbaugh, por exemplo, atinge 40 milhões de ouvintes diariamente, número muito maior do que os grandes jornais e as redes de TV, exceto nos horários de pique e em finais de competições esportivas. Nos jornais nem todos lêem os editoriais e nas redes de TV o tempo é tão caro que torna impossível algum repórter ou mesmo um âncora se estender em grandes elucubrações. E se o fizesse o público mudaria de canal, pois o que se procura na TV não é profundidade e sim divertimento rápido e notícias idem.


Em segundo, porque tanto o cinema de Hollywood quanto o teatro da Broadway encontram-se firmemente em mãos esquerdistas desde o magistral trabalho com a intelectualidade americana feito por Willi Münzenberg na década de 30 [vii]. Os grandes jornais e as redes de TV seguiram o mesmo caminho. Estando de acordo com o “progressivismo” do Partido Democrata não é necessária uma Fair-ness, pois tudo é fair (leal, justo, honrado). A onipotência e a onisciência das esquerdas, claramente psicóticas, torna suas opiniões sempre justas e corretas por falarem em nome de um delirante mundo futuro brilhante e glorioso. Mas não o rádio e as estações de TV a cabo, locais ou regionais, que, por atingir os grotões bluegrass (regiões de caipiras, onde imperam as tradições) os conservadores têm mais sucesso. Aí não é fair que eles expressem suas opiniões ‘retrógradas’.


Inúmeros jornalistas protestaram por considerá-la uma violação da Primeira Emenda e dos direitos de livre manifestação e liberdade de imprensa, e defendiam que os repórteres é que deviam decidir por si mesmos sobre o ‘balanceamento’. Ao contrário da tão magnânima intenção da Doutrina, ao invés de estímulo ocorreu uma maior inibição por medo de censura – o efeito assustador (chilling effect): para evitar a obrigatoriedade de andar em busca de pontos de vista opostos, a maioria dos jornalistas simplesmente evitava cobrir qualquer item controverso. Deve-se notar aqui a clarividência de James Madison: expor a punições é igual à censura prévia.


Com a desregulamentação do governo Reagan o novo Presidente do FCC, Mark Fowler, elaborou o Fairness Report em que se evidenciava que ela estava tendo o efeito contrário por causa do chilling effect. Declarou extinta a Doutrina e finalmente, em 1987, várias Cortes declararam que a doutrina não era lei e, portanto, não poderia ter força de lei. Mas os Democratas voltaram ao ataque: na primavera de 87 ambas as Casas do Congresso aprovaram a doutrina como lei, obrigando a FCC a torná-la obrigatória, mas Reagan vetou a lei e não houve votos suficientes para derrubar o veto (2/3 dos votos de ambas as Casas). O mesmo voltou a ocorrer no governo Bush com igual resultado. No entanto a fairness permanece como pano de fundo e membros do Congresso – a maioria expressiva de Democratas – continuam a ameaçar torná-la lei.

* * *

Agora, com os Democratas controlando a Presidência e ambas as Casas do Congresso a Speaker (equivale a Presidente) da Casa dos Representantes, Nancy Pelosi, e o líder da maioria Reid, já disseram que querem trazer de volta a Fairness para impedir os talk shows conservadores de criticarem seu partido. Obama tem interesses primordiais em aprová-la pois, tal como Roosevelt, tem muito a esconder: sua verdadeira nacionalidade, seus aliados passados e presentes e seus planos de insurreição social através dos ‘organizadores de comunidades’ da ACORN (www.acorn.org/) e outras organizações. Mas ele é mais esperto do que Pelosi e sabe que exumar agora a doutrina seria visto como um ataque frontal à Primeira Emenda e despertaria a fúria dos ouvintes de Limbaugh, Hannity, Glenn Beck – que já foi avisado que será retirado do ar caso seja aprovada - e muitos outros, além de milhares de processos. O que Obama tem em mente é um ataque indireto à liberdade de imprensa. De fato, em junho ele declarou (http://www.humanevents.com/article.php?id=29566) que se opunha a trazer de volta a doutrina e sim apoiava a abertura das transmissões radiofônicas e das modernas comunicações aos mais diversos pontos de vista. À primeira vista uma abertura, não parece? Mas não é!


Mark Rudd (www.markrudd.com/Homepage/Who%20is%20Mark%20Rudd.htm), ex-terrorista da organização Weather Underground (http://en.wikipedia.org/wiki/Weatherman_(organization)) e um dos fortes apoios de Obama, afirma (http://www.aim.org/aim-column/is-obama-following-the-leninist-line/) que ele ‘finge ir para a direita e se move para a esquerda’. Outro ex-terrorista da WU, Jeff Jone (www.democracynow.org/2004/12/3/growing_up_in_the_weather_underground), declarou que os compromissos de Obama com o centro são apenas cortinas de fumaça para cooptar centristas, mas ele continua sendo o Comandante-em-chefe, sugere olhar detidamente para o segundo escalão, totalmente de esquerdistas e acrescenta: ‘Até Lenin ficaria impressionado!’


É claro que Obama não pode se sentir seguro “se forem permitidas calúnias falsas e maliciosas que diminuam a confiança e a afeição do povo”, pois esta ‘afeição’ é baseada exclusivamente em falsidades e imposturas e no desconhecimento de suas ligações com grupos terroristas e criminosos de Illinois. Três dias depois das eleições o Vice-Presidente para Estudos de Governabilidade da Brookings Institution (www.brookings.edu/), Darrell West, mandou para Obama o primeiro de 12 memorandos a serem enviados nas próximas semanas, instando-o a restaurar a Fairness Doctrine para ‘restaurar a ética jornalística e cumprir com a função da mídia de educar o povo’.


A grande novidade que será encaminhada ao Congresso chama-se localismo.


Localismo, Diversidade, e Propriedade dos meios de comunicação


A interpretação progressivista [viii] dada ao localismo exige que as emissoras sirvam aos interesses das comunidades locais para manterem suas licenças de transmissão. Ocorre que muitas emissoras possuem várias estações em cidades diferentes e/ou promovem programas nacionais, o que permite que os talk-shows conservadores tenham uma audiência nacional. Se fizermos o que Jeff Jones recomendou e ficarmos atentos ao segundo escalão, veremos que o escolhido por Obama para chefiar esta área e a equipe de transição é John Podesta, Presidente e CEO do Center for American Progress (CAP) (www.americanprogress.org/), o todo poderoso Chief of Staff de Clinton de outubro de 1998 a janeiro de 2001, quando dirigia e gerenciava a política interna e todas as operações diárias da Casa Branca. O Relatório Podesta recomenda maior responsabilidade sobre as licenças de transmissão e multas às emissoras que transmitem vozes conservadoras consideradas fora das necessidades ‘locais’. A receita gerada pelas multas seria revertida para financiar transmissões esquerdistas (liberals). Mas os esquerdistas já possuem vários órgãos de divulgação e os conservadores só têm os programas de rádio. Localismo não passa de um disfarce para silenciar a voz dos conservadores.


Além disto, o think tank de Podesta exige ‘diversidade de propriedade’, de forma a transferir a propriedade dos meios de comunicação a minorias esquerdistas do tipo Al Sharpton ou Jesse Jackson. Não passa de mais uma arma contra os conservadores que ‘não refletiriam a diversidade das comunidades às quais servem’ e, portanto, devem ser substituídas por vozes das supostas ‘minorias’, totalmente controladas pela esquerda. Isto é, roubo puro de propriedade!, nada mais característico dos esquerdopatas.


Jim Boulet, Jr., o dirigente da organização English First (http://www.englishfirst.org/) que inclui o projeto Keep Rush on the Air (www.keeprushontheair.com), vem advertindo há meses sobre a transformação do localismo do FCC. Boulett declarou à Human Events (www.humanevents.com/) o seguinte:


Em setembro de 2007 Obama fez uma declaração pró-localismo a uma audiência do FCC na sede do Operation Push do Reverendo Jesse Jackson (http://www.encyclopedia.chicagohistory.org/pages/934.html). Um mês depois Obama insistia junto ao Presidente do FCC Martin: “A Comissão falhou quanto às metas de diversidade nos meios de comunicação e de promover o localismo”. O CAP, dirigido por John Podesta produziu um relatório The Structural Imbalance of Political Talk Radio (http://www.americanprogress.org/issues/2007/06/talk_radio.html) com a conclusão de que “a ausência de localismo levou a uma maioria de talk-shows conservadores” e instou um “incremento de responsabilidade de maior localismo sobre as licenças de rádio”.


O escolhido para a equipe de transição para o FCC é Henry Rivera, Presidente do Minority Media Telecommunications Council (www.mmtconline.org/) que defende que as rádios não devem visar ao lucro, mas servir às comunidades, principalmente os interesses de grupos minoritários através de organizações que não visam lucro. As emissoras que não conseguirem aplacar os ‘líderes comunitários locais’ (os ‘organizadores comunitários’ de Obama, única atividade ‘profissional’ conhecida do próprio) poderão ter suas licenças revogadas automaticamente.


Curiosidade: qual foi a primeira organização que usou o localismo desta modalidade? Nada menos do que a altamente politizada The United Church of Christ (www.ucc.org/) do Reverendo Jeremiah Wright que já roubou a licença de uma emissora sulista que não ‘preenchia as condições de defesa dos direitos civis’.


Sou testemunha visual e auditiva de que essas afirmações ‘localistas’ são falsas. No lounge do aeroporto de San Francisco, que já freqüentei algumas vezes, existiam 4 aparelhos de TV transmitindo em inglês, espanhol, chinês e japonês. Nas rádios do Texas e do Arizona, que muito escutei andando de carro, tem programas totalmente em espanhol voltados para a comunidade mexicana. Existem em vários estados programas de rádio em árabe, russo e outros idiomas não identificáveis.


O que vem por aí com a eleição deste impostor é a estatização total dos meios de comunicação através da qual suas imposturas ficarão definitivamente enterradas sob um monturo fedorento de mentiras esquerdistas; e 211 anos depois colocarão uma pá de cal sobre o mais importante documento a favor da liberdade de todos os tempos: a Constituição Americana. Que se juntará à estatização dos meios de produção, conforme o discurso do Senador Ron Paul (ver vídeo aqui publicado). Como venho denunciando há anos, é mais um passo no sentido do suicídio da águia!


Notas:


[i] Não confundir com a Declaração Universal dos Direitos do Homem da ONU, uma empulhação comunista. Em breve comentarei a diferença entre ela e o direito anglo-saxônico.


[ii] As informações sobre a Constituição e as discussões subseqüentes estão baseadas em The Heritage Guide to the Constitution, Edwin Meese III, Ed., Regnery, Washington DC, 2005 e The Constitution and what it Means Today, Edward S. Corwin, Princeton, 1978 (1920).


[iii] As diferenças entre as leis britânica e americana estão bem evidenciadas no artigo a ser publicado de Rachel Ehrenfeld Rocking the free speech boat sobre o processo movido contra ela pelo bilionário saudita Khalid bin Mahfouz na Inglaterra.


[iv] A expressão Mansion House tem também significado simbólico de poder, pois é a denominação da residência oficial dos Prefeitos de Londres, Dublin e York.


[v] The Fire Guide to Free Speech on Campus, David A. French, Greg Lukianoff & Harvey A. Silvergate, Foundation for Indicidual Rights in Education (FIRE), 2005


[vi] Uma das táticas para coibir a livre circulação de idéias muito comum nas universidades e sociedades científicas é a pressão para manter as discussões “dentro da comunidade” (o famoso ‘roupa suja se lava em casa’), impedindo o público de tomar conhecimento das divergências que eventualmente poderiam lhe interessar diretamente, como no caso das sociedades médicas e psicológicas. Nos últimos tempos o próprio conceito de ética foi distorcido para voltar-se mais para a relação entre colegas do que desses com o público diretamente afetado. Voltarei a este assunto em outro artigo.


[vii] Ver meu O Eixo do Mal Latino-Americano e a Nova Ordem Mundial. Também para o CFR.


[viii] O termo progressivismo é preferível a progressista, pois o último é propositadamente confundível com os defensores do progresso real, seja tecnológico, científico, cognitivo, etc., enquanto o primeiro é a progressão rumo ao comunismo.


wibiya widget

A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".