Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.
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domingo, 28 de dezembro de 2008

A liberdade e a esquerda

MÍDIA SEM MÁSCARA
Autor: 26 dezembro 2008 
Editorias - CulturaPolítica

Cavaleiro do Templo: leiam atentamente o artigo e, logo abaixo, os comentários enviados por e-mail (sic) pelo meu amigo M.

A maior parte das pessoas na esquerda não se opõe à liberdade. Elas apenas são favoráveis a todo tipo de coisas que são incompatíveis com a liberdade.


Liberdade significa, no fim das contas, o direito de as pessoas fazerem coisas que nós não aprovamos. Os nazistas tinham o direito de ser nazistas sob Hitler. Somos livres apenas quando somos capazes de fazer coisas que outros não aprovam.


Um dos mais aparentemente inocentes exemplos das muitas imposições da visão da esquerda sobre os outros é a difundida exigência das escolas e universidades do “serviço comunitário”, para admissão de estudantes.


Há escolas de ensino médio em todo o país em que você não se forma, e faculdades em que você não entra, a menos que tenha se engajado em atividades arbitrariamente definidas como “serviço comunitário”.


A arrogância de se confiscar o tempo dos jovens – em vez de deixá-los (e a seus pais) livres para decidir como usar seu tempo – só não é maior que a arrogância de se impor o que é ou não é um serviço à comunidade.


Trabalhar num abrigo de sem-teto é amplamente considerado um “serviço comunitário” – como se ajudar e se acumpliciar com a vagabundagem fosse necessariamente um serviço, em vez de um desserviço, à comunidade.


Estará a comunidade mais bem servida com mais desempregados vagando pelas ruas, agressivamente mendigando pelas calçadas, urinando nos muros, deixando agulhas e seringas nos parques onde as crianças brincam?


Este é apenas um dos muitos modos em que a distribuição dos vários tipos de benefícios a pessoas que não trabalham rompe a conexão entre produtividade e recompensa.


Mas essa conexão permanece tão inquebrável como sempre esteve para a sociedade como um todo. Você pode fazer de qualquer coisa um “direito” para indivíduos ou grupos, mas nada é um direito para a sociedade como um todo, nem mesmo comida ou abrigo, que têm de ser produzidos pelo trabalho de alguém ou eles não existirão.


Para alguns, o que “direitos” significam é forçar outras pessoas a trabalharem para o benefício deles. Como uma frase de pára-choque de caminhão diz: “Trabalhe duro. Milhões de pessoason welfare [vivendo dos programas sociais do governo] estão dependendo de você.”


O mais fundamental dos problemas, contudo, não é que atividades particulares são exigidas dos estudantes sob o título “serviços comunitários”.


A pergunta fundamental é: O que, afinal, qualifica professores e membros das comissões de admissão das faculdades a definir o que é bom para a sociedade como um todo, ou mesmo para os estudantes sobre os quais são impostas suas noções arbitrárias?


Qual especialidade eles têm que justifica sobrepor-se à liberdade dos outros? O que suas imposições mostram, exceto que “os idiotas abundam onde os anjos temem pisar”1?


Que lições os estudantes aprendem disso, exceto a de submissão a um poder arbitrário?


A finalidade é, supostamente, a de que os estudantes adquiram um sentido de compaixão ou nobreza por meio do serviço aos outros. Mas isso depende de quem define compaixão. Na prática, isso significa forçar os estudantes a se submeterem à propaganda para fazê-los receptivos à visão de mundo da esquerda.


Estou certo de que aqueles favoráveis às exigências de “serviços comunitários” entenderiam o princípio por trás das objeções a esses serviços se exercícios militares fossem exigidos nas escolas de ensino médio.


De fato, muitos que promovem o “serviço comunitário” obrigatório são fortemente contrários ao treinamento militar mesmo voluntário nas escolas de ensino médio e faculdades, embora muitos outros considerem esse treinamento como uma contribuição à sociedade muito maior que alimentar pessoas que se recusam a trabalhar.


Em outras palavras, esquerdistas querem o direito de impor suas idéias do que é bom para toda a sociedade – um direito que eles veementemente negam àqueles cujas idéias do que é bom para a sociedade diferem das deles.


A essência da intolerância é recusar aos outros os direitos que você exige para si próprio. Tal intolerância é inerentemente incompatível com a liberdade, embora muitos esquerdistas fiquem chocados de serem considerados oponentes da liberdade.


Townhall.com


Tradução de Antônio Emílio Angueth de Araújo.


***


O estilão de Sowell tem como selo inconfundível este abrir com lucidez o cerne vivo, essencial, dos temas tratados. E o faz com tal engenho e arte que alcança condensar mais de um sentido em um única frase. Atente para a primeira delas:
 
"A maior parte das pessoas na esquerda não se opõe à liberdade. Elas apenas são favoráveis a todo tipo de coisas que são incompatíveis com a liberdade."
 
Significa:
 
a) - Muitos esquerdistas não alcançam entender que suas intervenções são negativas e fatalmente limitarão a liberdade.

Esta é a postura do primeiro dos três - únicos e clássicos - perfis humanos passíveis de adição ao esquerdismo - o imbecil.

O termo resume várias condições, desde a ingenuidade desarmada do adolescente inexperto até a madura estupidez congênita, incapaz de senso crítico, desprovida desta humana curiosidade que nos leva a esmiuçar os vários aspectos de um fenômeno em busca da verdade. Como cracas - cujo Q.I. compartilham - aderem teimosamente à primeira visão-de-mundo haurida de algum doutrinador canhoto e tanto, que se tornam inamovíveis, pouco importando a pertinência e factualidade da argumentação contraditória. Formam a maior porção das massas de manobras.
 
b) - Esquerdistas 'dizem' não se opor à liberdade, ao tempo que labutam por sua extinção.

É a disposição dos dois tipos seguintes, que completam a trilogia maldita: o 'doente' e o canalha, características frequentemente somadas no mesmo indivíduo, como ocorria com Karl Marx, Lênin, Stalin, Trotsky e atualmente, cá por casa. em uns tantos personagens em Brasília.

Entre aspas, porque tal patologia é tão encontradiça que se faz estatisticamente normal. Refiro-me a fulcros neuróticos que a partir do inconsciente ( instância anímica existente apenas no Outro, claro! Não em mim, Deus me livre! ) determinam as opções existenciais e, sob capas racionalizantes, moldam o comportamento.

A criatura, em geral, é um 'universitariado', semi-intelectualizado, tem umas quantas leituras que, inclusive, lhe facultam conhecimento dos efeitos inevitavelmente ruinosos das ideologias canhotas. Atente, amigo: ele sabe que o esquerdismo é uma maldição para a humanidade. Este é um dado-chave para a real natureza deste espécimen:
 
o anzol que assegura sua adição é precisamente a destrutividade implícita na práxis ideológica.
 
É um fato muito bem conhecido por psicoterapeutas, mas que o tipo nega à própria consciência. E o faz porque o passo seguinte em direção à causa usa ser insuportável - aceitar que é um medíocre frustrado consumindo-se em inveja. (Há tempos, uma pesquisa entre brazucas revelou que 86% dos entrevistados apontam a inveja como o pior dos defeitos humanos. Mas, atenção! defeito do Outro. Apenas 1% admitia sentir inveja - ocasionalmente.).

Claramente, todos nós, bípedes implumes, somos suscetíveis à inveja. Entretanto, seres sadios não a negam, reconhecem sua ocorrência enquanto evento que nos acomete desde os porões psiquicos, aceitam-na como traço humano, mas não se identificam com ela ( está momentaneamente em nós, mas não somos aquilo ) e cuidam que se dissipe sem prejuízos para ninguém. 

Inveja é a difusa sensação da própria incompetência e inferioridade em relação ao objeto-alvo e tão indigesta para a auto-estima, tão dolorosamente humilhante, que egos primários tendem a assumir, por dinâmica defensiva inerente à natureza humana, que a destruição do objeto invejado é, não apenas, a única solução para seu sofrimento, como também 'perfeitamente justa'. Para criar-se tão curioso e confortável sentimento de 'justiça', que alicerça e apoia as resultantes agressões, ativam-se banais mecanismos projetivos: atiro sobre o invejado todo o lixo anímico que, mui cuidadosamente, nego reconhecer em mim mesmo: ele - não eu! - é desonesto; ele - nunca eu! - é ganancioso, odiento, inescrupoloso, agressivo, mentiroso, destrutivo, voraz, falso, hipócrita... e o que mais se fizer necessário para configurar no próprio imagínário "um cachorro muito do fia-da-puta", merecedor de todo meu ódio.

No rude bestunto esquerdótico o futuro 'benefício à humanidade' derivado da destruição de tamanho monstro, justifica a priori que ele atue com malícia, que minta, roube, perverta, corrompa, assassine... Para isto foi criado o sofisma Os fins justificam..Atuando como lente inversora coadjuvante da auto-cegueira, reveste sua própria monstruosidade com a brilhante armadura de um paladino pela justiça: "-- Nossa! Como EU sou ótimo! "
 
As zelites esquerdopatas, sempre compostas pelo terceiro tipo ( canalhas bem criados ) usam ser desdobramentos - por aprofundamento da auto-corrupção - do segundo perfil, com um fator superlativamente agravante: a compulsiva ânsia por domínio e poder, temperada com aquela sede de vingança que era uma característica de Marx.

O foco é neurótico, turbinado pela inevitável dinâmica da compulsão.

Atenta, amigo: compulsão é coerção, imposição interna irresistível que obriga a dado comportamento, e tanto mais coercitiva quanto mais inconsciente.

A periculosidade de tal quadro se potencializa maximamente pela completa ausência de escrúpulos limitantes. Há muito, ele - ateu convicto - sabe que "se Deus não existe, tudo é permitido."  Sabe também que a ideologia canhota é nada mais que um amontoado de absurdos, mas excelente instrumento para manipular idiotas. Algo que executa com frio cinismo e total desprezo pelos "otários".

O símile cabível é o da fera à solta na selva, exclusivamente motivada a livremente satisfazer seus apetites. É precisamente este o termo com que um evangelista nos alertava desde séculos - a Fera.

Reagan sabia bem o que dizia ao chamar a URSS de "o império do Mal".
 
Às vítimas, presas potenciais expectantes - democratas, empresários, militares - fica a questão:
 
- Como se pára uma fera?
 
M.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

ESQUERDA FASCISTÓIDE

REINALDO AZEVEDO
Sexta-feira, Outubro 17, 2008

Em uma semana, o principal partido de esquerda brasileiro, o PT, escancarou o seu viés fascitóide duas vezes. Começou no domingo, com a baixaria contra o prefeito Gilberto Kassab (DEM), estimulando na cidade os preconceitos mais asquerosos, numa campanha canalha e, ademais, covarde porque oblíqua. Eis a tolerância do PT. Um ou outro leitores me mandam comentários publicados nos blogs das ratazanas e mãos-peludas. É de assustar. Para eles, Marta é vítima, e Kassab merece a campanha porque, afinal, “é de direita”. Como a direita é horrível! Estamos vendo, então, do que a esquerda é capaz.

Ontem, essa esquerda estimulou que policiais civis armados partissem pra cima da Polícia Militar. Não há nada mais característico das hordas fascistas do que manifestações públicas de arma na mão.

Como essa gente vai perder a eleição de modo humilhante, decidiu perder primeiro o juízo.

domingo, 5 de outubro de 2008

O esquerdismo e sua consequência: a morte em vida

CAVALEIRO DO TEMPLO


Uma semana atrás recebi a ligação de uma pessoa querida, uma ex-namorada que é amiga do coração, honesta até a exaustão a ponto de acreditar no que as pessoas dizem de si mesmas sem prestar muita atenção nas suas ações (o que é um erro gravíssimo), com problemas pessoais que envolviam direta e indiretamente uma outra pessoa que conheço faz algumas décadas. Fomos conversar e acabei mostrando um artigo do OLAVO DE CARVALHO que é leitura obrigatória chamado ENGENHARIA DA CONFUSÃO. Prestando atenção ao momento atual mundial sem perder de vista o papo com esta amiga, li NIVALDO CORDEIRO em outro artigo que também é leitura obrigatória chamado O FIM DO LIBERALISMO.

Percebi que a situação desta amiga era apenas a consequência do modus operandi da mais grave doença ocidental: o ESQUERDISMO E SEUS TENTÁCULOS

Para mim é fato que

quanto mais esquerda, mais infelicidade, miséria, insatisfação e loucura. 

Reflitindo sobre isto e voltando no tempo percebo que,

desde que conceitos esquerdistas tornam-se REGRA deixando de ser o que são de fato, ou seja ABERRAÇÃO, mais a vida perde o sentido

Aumenta a descrença nas coisas boas que nossos avós tanto nos ensinaram quando pequenos pois (citando OLAVO DE CARVALHO), 

"o esquerdismo É UMA DOENÇA ESPIRITUAL GRAVE que destroe o sentido da vida aos desintegrar todos os valores da SOCIEDADE". 

O esquerdismo é a valorização de um grupo em detrimento de todos os outros, portanto é muito mais um movimento pseudo-religioso que político. Foi feito para destruir, não para construir (uma sociedade melhor, um homem melhor, um mundo melhor, etc.) como ele tentam nos fazer acreditar. Não é de se admirar que o NAZISMO, o mais brando dos modernos movimentos esquerdistas signifique NACIONAL SOCIALISMO. E que a esquerda mundial, por ser por definição apenas MENTIRA E PROPAGANDA, trabalhe com todo afinco e há décadas para que entntendamos como movimento de um grupo de loucos de direita. A esquerda se limpa publicamente de seu lixo, quando este é exposto, acusando-o de direitismo. Lula, daqui a pouco, será julgado como direitista, como já faz o PSOL ao referir-se ao seu papai, o PT. 

O esquerdismo ACABA com o sentido da vida ao desligar o sujeito da "linha do tempo" e da "história de fato" pois esquerdismo é, como já disse acima, MENTIRA E PROPAGANDA e nada mais.

Mas o que isto tem de relação com o problema de minha amiga? Os dois artigos citados acima falam do Ocidente atual, da nossa civilização acamada. Tenho 38 anos, muito pouco para poder escrever mas sou atrevido e vou ter que conversar com Deus sobre isto um dia. Espero que isto tenha ajudado alguém, no mínimo que não atrapalhe meus semelhantes em fé na vida e nos princípios morais ocidentais, só os esquerdopatas. Mas com quase quarenta anos conversei, convivi com inúmeras pessoas e percebo claramente que a imensa maioria sofre sem saber porque. Sim, com certeza cada caso é um caso mas vejo em todos que sofrem que a base de suas vidas foi explodida sem que estas pessoas tenham percebido isto, nem mesmo quando ocorreu. Vivem vidas moldadas pelos grupos de pressão psicológica como as mídias, as escolas e a "sociedade". Minha amiga vivia um problema causado pelo relacionamento com uma pessoa, um ex-namorado posterior ao nosso relacionamento, que vive a vida através da ótica esquerdopata da forma mais doentia que consegue. Esta pessoa (o ex dela) busca isto deliberadamente. Afirmo isto pois é meu vizinho a 35 anos. 

Esquerdismo é anti-vida, morte em vida. 

Obs.: A bandeira vermelha acima é da UNASUL, se eu consegui passar alguma mensagem com o que escrevi acima você, então, percebeu o que será sua vida, da sua família, seus filhos e de seus amigos daqui para frente. 

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Lembretes indesejados

Do portal BRASIL ACIMA DE TUDO
Por Olavo de Carvalho (*), 09 de dezembro de 2006

Resumo: A esquerda cresceu sozinha, no espaço vazio deixado por uma direita cujo único projeto político era ganhar dinheiro na Bolsa de Valores, descaracterizar-se ideologicamente e mimetizar o discurso da moda, ditado pelos adversários.

© 2006 MidiaSemMascara.org

As vitórias fáceis de Lula e Chávez, depois de outras tantas obtidas no continente ao longo de uma ascensão esquerdista cada vez mais irresistível, são uma ocasião excelente para lembrar a seus adversários – ou vítimas – algumas verdades óbvias e arquiprovadas, cujo conhecimento teria podido salvá-los se obtido em tempo, mas que eles sempre se recusaram a ouvir.

Primeira. O presente sucesso esquerdista começou a ser preparado nos anos 60, com a fundação da Organização Latino-Americana de Solidariedade (Olas), primeira edição do que viria a ser na década de 90 o Foro de São Paulo (aqui, aqui e na pagina do blog).

Durante todo esse tempo, nada se fez na direita para criar uma organização equivalente e contrária (não venham me falar de Operação Condor, um arranjo de improviso, restrito à esfera policial-militar, sem nenhum alcance político ou cultural). A esquerda cresceu sozinha, no espaço vazio deixado por uma direita cujo único projeto político era ganhar dinheiro na Bolsa de Valores, descaracterizar-se ideologicamente e mimetizar o discurso da moda, ditado pelos adversários.

Segunda. Em parte pela falsa sensação de tranqüilidade propiciada pelas ditaduras militares, em parte por seu próprio economicismo contumaz e sua decorrente indigência intelectual, a direita entregou aos adversários o domínio das instituições culturais e de ensino, justamente na época em que a influência das idéias de Antonio Gramsci recomendava aos esquerdistas a conquista prioritária desses espaços.

À progressiva ocupação de espaços correspondeu a ampliação das áreas de interesse intelectual da esquerda e concomitante retração na direita. Já na década de 80 o pensamento esquerdista mostrava presença em todas as esferas do debate público – educação, moral, psicologia, letras e artes etc. -, enquanto a direita se limitava cada vez mais a temas econômicos e ao puro argumento da eficácia, propositadamente amputado de justificação moral ou religiosa.

Terceira. A autocastração intelectual da direita latino-americana, freqüentemente legitimada em nome de um pragmatismo apolítico muito do agrado das classes empresariais, recebeu um tremendo incentivo do Concílio Vaticano II, que abriu as portas para o diálogo com os marxistas enquanto reprimia e marginalizava todo pensamento católico conservador, que acabou por se recolher às catacumbas.

Nas esferas direitistas, intoxicadas de weberianismo prêt-à-porter, essa tragédia chegou a ser celebrada como o sinal auspicioso de um grande progresso para a democracia capitalista, travada, segundo tagarelas liberais, pela moral católica.

Foi assim que, dominando o pensamento religioso do continente, a esquerda se investiu do papel sacerdotal e profético de guardiã da ética e da moralidade, deixando aos adversários apenas o espaço do puro discurso pragmático que os tornava ainda mais suspeitos aos olhos da multidão.

Quarta. A esquerda latino-americana tem um projeto histórico-civilizacional abrangente, ao qual corresponde uma estratégia integrada e de longo prazo, com esquemas de ação permanente em todos os setores da vida social, cultural e política.

Contra isso a direita não tem oferecido senão uma resistência esporádica e pontual, limitada sobretudo a esforços eleitorais que, contra esse pano de fundo inteiramente desenhado pelo adversário, não poderiam ser senão ilusórios, impotentes e condenados ao fracasso.


Publicado pelo Diário do Comércio em 04/12/2006


(*) Olavo de Carvalho é jornalista, escritor, filósofo e Editor do MÍDIA SEM MÁSCARA.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

A moralidade deles e a nossa moral. . .

Do blog CAVALEIRO CONDE
Sexta-feira, Agosto 22, 2008

Nasci no meio militar. Durante um bom tempo de minha vida, morei em vilas militares. Estudei em colégios administrados por militares. Por toda essa trajetória, raramente deparei-me com um nível tão alto de pessoas a serviço deste país. Da cepa do oficialato conheci eruditos, pianistas, cientistas, homens de sólida cultura. Conheci também a banda podre, mas era minoria. No geral, as forças armadas são compostas de pessoas decentes, de ilibada formação moral. Além de honrados, são verdadeiros patriotas. Em épocas caóticas da república brasileira, nunca se recusaram ao dever de salvar o país da subversão e da ausência de caráter da classe política. Na verdade, com a queda da monarquia, em 1889, o exército brasileiro se tornou a única instituição de consenso republicano da nação, uma espécie de poder moderador. Não deixa de ser uma tragédia, por um ponto, já que o império foi a única instituição política realmente estável do país. Porém, as forças armadas gozam de credibilidade, precisamente por serem as únicas instituições que inspiram honestidade em uma república cada vez mais corrompida. As estatísticas não negam. A despeito de toda a fábrica de calúnia e mentiras com relação as forças armadas, é uma das instituições mais populares do país. As forças armadas possuem muitos defeitos. Entretanto, suas virtudes são melhores do que seus pecados.

E por falar em desinformação, calúnia e mentiras, o governo federal, na figura do Ministro da Justiça Tarso Genro, agora move mais um ato de vingança contra os militares. Ao arrepio do caso jurídico perfeito, da coisa julgada e do direito adquirido, quer revogar a Lei de Anistia, o decreto que propiciou a volta da normalidade democrática do país. A Anistia isentou tanto o governo, como o lado da subversão comunista, dos crimes políticos decorrente no regime militar. Na verdade, a lei colocou um ponto final no estado de exceção, criando condições propícias para que os ressentimentos causados por aquela época fossem apagados da memória, sem guardar os seus devidos traumas.

No entanto, a esquerda é rancorosa. Apoiada pela ONU, por ONGs internacionais riquíssimas e por uma campanha de desinformação na imprensa e na classe intelectual, quer revogar aquilo que deu as garantias necessárias para que ela mesma retornasse ao poder no país. Claro, a anistia só vale para os terroristas, seqüestradores e assaltantes de banco da guerrilha. Isso porque lei da anistia nunca abrangeu o perdão a esses crimes. Quando o Sr. Tarso Genro prega o fim da anistia, numa tacada só, ele criminaliza a reputação dos militares, ao mesmo tempo que isenta as práticas da esquerda revolucionária de seus crimes. Os argumentos são tacanhos, artificiosos. Em nome de se deparar com o “passado” do país, os comunistas querem justificar a unilateralidade de sua história e atingir a reputação das forças armadas. Na realidade, há muito tempo eles fazem isso. O que se conta sobre a contra-revolução de 1964 nas escolas e universidades é pura mentira, pura falsificação, pura mistificação. Como é mentira, falsificação e mistificação a idéia falaciosa de que os guerrilheiros, terroristas e assassinos seqüestradores lutavam por democracia. Besteira! Lutavam para instaurar uma ditadura totalitária no país! Lutavam para transformar o Brasil numa gigantesca Cuba, espalhando revoluções para a América Latina. O corrupto ex-ministro da Casa Civil José Dirceu que o diga (ele que era espião do regime cubano e foi treinado para espalhar focos de guerrilha e terrorismo no Brasil). O meu grande amigo, o príncipe Dom Bertrand, em uma conversa informal, falava-me a respeito disso: - As forças armadas não salvaram o Brasil do comunismo. Salvaram a América Latina inteira!

A mobilização esquerdista sobre a revogação da Anistia lembra as piores épocas do período stalinista. Trotsky, com muita propriedade, dizia que a moral revolucionária não era a moral comum. Quando se comparam os escrúpulos dos bandidos de esquerda que governam atualmente o país e os militares de 1964, há uma tamanha disparidade de caráter, de princípios e de moralidade, que só mesmo tamanha canalhice pode mover tal cinismo jurídico.

Dilma Roussef, a Ministra da Casa Civil, no programa do charlatão Jô Soares, falava abertamente de sua participação no roubo do dinheiro de uma suposta amante do governador paulista Adhemar de Barros. Dias antes dessa entrevista, em audiência com senadores, ela dizia se orgulhar de mentir para os supostos torturadores dela, na época do regime militar. Do mesmo modo, ela passava o pito de que estava mentindo mesmo para o Congresso Nacional inteiro. Comenta-se que um professor da Unicamp, o Sr. João Quartim de Morais, atualmente militante do PC do B, se orgulhava de ter participado do assassinato do oficial americano Charles Chandler, em 1968, quando seu grupo crivou o militar com rajadas de metralhadora na frente do filho e da esposa da vítima. Se não bastassem esses auto-elogios obscenos, a esquerda não se cansa de se auto-indenizar pelos feitos de criminalidade. Um dos assassinos do capitão Chandler, o Sr. Diógenes de Oliveira, conhecido como “Diógenes do PT”, recebeu uma indenização milionária do contribuinte por suas práticas terroristas neste período. Todavia, as maldades do sujeito não param por aí. Ele também foi responsável pela explosão do consulado americano no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, em 1968. Três estudantes que passavam a frente do prédio foram atingidos pelo estilhado da bomba e um deles perdeu a perna. Enquanto o Sr. Diógenes é indenizado com uma dinheirama por serviços prestados aos crimes revolucionários, o estudante aleijado jamais recebeu a menor atenção do governo. Também em 1968, foi Diógenes um dos responsáveis pela explosão de um carro-bomba em frente ao quartel do exército de Ibirapuera, fazendo virar pó o sentinela Mário Kozel Filho.

Entretanto, a esquerda não se deixa de rogado. Queria elevar o desertor Lamarca, inimigo confesso do exército brasileiro e assassino covarde do tenente da PM Alberto Mendes Junior, como general póstumo das próprias forças armadas que combateu. E mesmo glorificar outros demais bandidos daquela época funesta, como se a criminalidade terrorista fosse um sinônimo excelso de virtudes. A família de Mário Kozel Filho, o militar feito em pedaços pela bomba do Sr. Diógenes do PT, recebeu apenas um mísero salário mínimo de indenização.

Enquanto a esquerda se orgulha e se premia de seus crimes, os militares se mostram contritos com o seu passado. E isso tem uma explicação simples: o exército tem reputação e caráter. A grande maioria dos militares não sente nostalgia do regime militar. Pelo contrário, o oficialato é leal à democracia e a Constituição. Nem mesmo a tortura e as perseguições políticas são motivos de orgulho para eles. Sob determinados aspectos, a violência política contra a guerrilha foi um estorvo para a maioria dos oficiais, acostumados às regras convencionais da guerra. Impressionante é perceber que, mesmo com poderes autoritários, praticamente todos os presidentes militares morreram pobres, apenas vivendo de suas pensões. Não há um só caso de corrupção que envolva a reputação deles. Os serviços de repressão eram muito restritos a algumas pessoas que faziam o trabalho sujo. A grande maioria dos militares brasileiros de 1964 para cá não viveu a repressão política e estava alheia a ela.

Não se vê essa contrição quando os comunistas morrem de amores pela ditadura cubana, ainda que esta tenha executado milhares de cidadãos inocentes, que mal ofereciam resistência ao regime. Tampouco nunca de arrependeram de ter defendido ditaduras violentíssimas, como a de Stálin ou Mao Tse Tung, causadoras da morte de milhões de pessoas. Na verdade, se vê um orgulho psicótico, laudatório, egocêntrico, de crimes abomináveis. Isso porque o regime militar matou 300 bandidos e a maioria dos terroristas sobreviveu. Percebe-se que, pelos números, o estado de exceção militar estava longe de uma ditadura totalitária. Na verdade, a esmagadora maioria da população brasileira jamais sentiu o menor pressentimento da repressão política. Pessoas tinham suas vidas normais e praticamente nada mudou em sua vida cotidiana. Isso não se pode dizer dos chineses, russos, cubanos, vietnamitas, alemães orientais e europeus do leste que sofreram os horrores da ditadura comunista.

A lógica do ministro trotskista Tarso Genro, o mesmo que manda a Polícia Federal expulsar os proprietários de suas casas sem mandado legal em Roraima, reflete tão somente o caráter delinqüente e terrorista de quem se embebedou por um relativismo moral doentio. Reflete a dúbia moral comunista que multiplicou o século XX de cadáveres. Os bandidos comunistas se enriquecem com o dinheiro público, usam o Estado como arma contra os inimigos e se vangloriam de seus crimes abjetos, enquanto culpam nos outros, o que é conseqüência de seus próprios atos. O regime militar foi uma reação violenta contra gente violenta. Foi legitimo porque salvou o país de males piores. A revogação da Anistia é tão somente a elevação moral do delinqüente e a condenação moral do justo que salvou o país. É a inversão da moralidade preconizada por Trotsky e que custou sua vida, quando um agente stalinista o matou com uma picaretada na sua cabeça. É a moral “nossa”, contra a moral “deles”. . .

*A primeira foto mais acima é o que sobrou do cadáver do soldado Mário Kozel Filho, morto por um carro-bomba, que explodiu em um quartel em SP. A segunda foto é a do tenente da polícia militar de SP, Alberto Mendes Junior, assassinado por Lamarca.

domingo, 25 de maio de 2008

Alain Touraine, por qué no te callas?

Do portal do DIÁRIO DO COMÉRCIO
Por Olavo de Carvalho, 19 de maio de 2008

Em recente entrevista à France-Presse , em Lima, o mundialmente célebre sociólogo francês Alain Touraine (C.T. - não esqueçam o nome deste desqualificado, para dizer o mínimo) disse que “a América Latina caminha para a Direita ”. O argumento que ele apresentou para justificar uma afirmativa tão extravagante foi que “nenhum dos países da região fez reformas para reduzir a desigualdade”. A ciência política nasceu quando Platão e Aristóteles distinguiram entre o discurso do agente político que quer produzir certos efeitos práticos e o discurso teorético do estudioso que quer apenas compreender a ação política. Decorridos dois mil e quatrocentos anos, ainda há quem se esforce para apagar essa distinção, de modo a que o olhar atento do filósofo não constitua obstáculo à ação política baseada na confusão e no erro. Hoje em dia esse esforço é premiado com honras acadêmicas e aplausos da mídia, constituindo mesmo tudo o que um cidadão precisa fazer para celebrizar-se como cientista político.

Direita e Esquerda são termos que podem ser usados seja por um observador para descrever entidades políticas concretas, seja por essas mesmas entidades para definir-se a si próprias ou a seus adversários. Têm, portanto, três camadas básicas de significado. São, em primeiro lugar, nomes de grupos políticos atuantes, perfeitamente identificáveis. Em segundo lugar, nomeiam um conjunto de ideais e valores, reais ou fictícios, alegados para legitimar as ações desses grupos. Em terceiro lugar, e com emprego inverso, constituem o nome de vícios e crimes que cada um dos grupos imputa ao respectivo adversário.

Só o primeiro desses três sentidos corresponde diretamente a uma realidade objetiva: os outros dois são expressões simbólicas de emoções e preferências subjetivas. Deixar claro em qual desses três sentidos as expressões estão sendo usadas é um dever que incumbe até mesmo às pessoas empenhadas na pura ação política, quanto mais ao estudioso acadêmico. Confundir os significados é a obra dos demagogos e charlatães.

Na primeira das três acepções, Esquerda é o nome das entidades que sustentam a política de Lula, no Brasil, de Hugo Chávez, na Venezuela, de Evo Morales, na Bolívia, etc. Na segunda acepção, representa o conjunto de pretextos ideológicos que legitimam essa sustentação, o mais veemente dos quais é a promessa de “reduzir as desigualdades”. Na terceira, expressa a auto-imagem desses grupos enquanto inimigos da Direita , identificada, para fins de propaganda, como criadora e beneficiária da desigualdade.

Nos países latino-americanos presentemente governados pela Esquerda , os partidos que ela denomina de Direita - dos quais alguns se autodefinem como tal e outros não - encontram-se cada vez mais distanciados não só do poder como da mera possibilidade de alcançá-lo um dia, tal a força dos mecanismos repressivos e de controle, ostensivos ou sutis, que a Esquerda dominante mobilizou contra eles.

Em segundo lugar, a Esquerda latino-americana está organizada supranacionalmente, através do Foro de São Paulo e da sua bem azeitada rede de contatos, que lhe tem propiciado vitórias em cima de vitórias, enquanto os partidos de Direita se limitam a reações locais e inconexas, incapazes de fazer face a uma estratégia continental unificada. Muitos desses partidos encontram-se tão debilitados que já temem ostentar o rótulo de direitistas e buscam adaptar-se ao esquerdismo triunfante por meio de toda sorte de concessões pusilânimes e mimetismos simiescos. Mais ainda, as organizações de esquerda , apoiadas por fundações bilionárias, por organismos internacionais e pela grande mídia da Europa e dos EUA, têm hoje recursos financeiros com que nenhum partido de Direita ousaria sonhar.

Por fim, o governo dos EUA, em vez de contrabalançar a situação ajudando os partidos latino-americanos de direita no seu próprio interesse, insiste na velha tática de buscar “conter a Esquerda radical ” por meio do apoio à Esquerda moderada , ignorando solenemente a solidariedade profunda entre as duas esquerdas e ajudando a marginalizar e estrangular as poucas forças de Direita e pró-americanas que possam restar no continente. Nesse panorama, a coisa mais evidente é que a Esquerda , como força concreta organizada, já domina a América Latina como nenhuma outra corrente política unificada jamais dominou antes, e que as perspectivas de afastá-la do poder são cada vez mais remotas e, a curto prazo, praticamente inexistentes.

Por outro lado, é um fato histórico inegável que a Esquerda , justamente nos países que dominou da maneira mais completa e incontrastada, como a URSS, a China ou Cuba, não só fez pouco ou nada para reduzir as desigualdades, como realmente as aumentou. Tanto do ponto de vista político quanto do econômico, a distância entre os privilegiados e a massa popular aí cresceu a um ponto que o cidadão comum das democracias mal pode conceber, mas que se mede em números: jamais se morreu de fome, no mundo, como se morreu nessas nações governadas por nababos revolucionários. Em matéria de fome e miséria, nada, nos países capitalistas, ou mesmo na maior parte das colônias das antigas potências européias, se compara ao que se passou na Ucrânia em 1932-33 ou na China durante o Grande Salto para a Frente .

Definir a Esquerda pela “luta contra a desigualdade” é defini-la pelo seu discurso de auto-exaltação ideológica exclusivamente, vendendo como realidade atual e concreta o que é somente um slogan publicitário e uma promessa jamais cumprida. Isso não é ciência, é vigarice intelectual. Vigarice tanto mais intolerável quando acoplada à fraude semântica complementar e inversa que, recusando à Direita o privilégio conferido à Esquerda , de autodefinir-se por seus ideais nominais, a define pelos males e pecados que a Esquerda lhe imputa. Mas fazer desse truque imoral o fundamento para o diagnóstico de uma situação política concreta, saltando da mera confusão proposital de conceitos à falsificação de um estado de fato, já é ir além da pura vigarice, é abdicar da condição de intelectual e rebaixar-se ao nível dos demagogos mais chinfrins e desprezíveis.

Além de camuflar o poder da Esquerda sob o falso alarma de uma guinada à Direita, desviando as atenções gerais de um desastre atual e presente para um perigo remoto e fictício, o professor Touraine transforma em propaganda esquerdista aquilo que, pela sua substância fática, só poderia e deveria ser um ataque frontal à hipocrisia das organizações de Esquerda , ao já proverbial cinismo com que, uma vez chegadas ao poder, elas só se ocupam em conquistar mais poder ainda, em vez de zelar pelo bem do povo que nelas confiou.

Não, o que define a Esquerda, historicamente, não é a luta contra a desigualdade. É a luta pela concentração de poder político, sob o pretexto de combater a desigualdade. Foi isso o que se viu na Revolução Francesa, na Revolução Russa, na Revolução Chinesa, na Revolução Cubana e por toda parte onde a Esquerda reinou sem ser atrapalhada pela presença da maldita Direita . Mesmo nas nações democráticas, onde tem adversários a enfrentar, a Esquerda busca sempre aumentar por todos os meios possíveis o poder da burocracia estatal. E, como a concentração do poder político concentra também necessariamente o poder econômico – motivo pelo qual os capitalistas monopolistas ajudam sempre a Esquerda , não a Direita --, a Esquerda mundial deve ser definida estritamente, segundo a substância da sua realidade histórica, como a força política que há pelo menos dois séculos promove a desigualdade em nome da igualdade.

Nenhum cientista social, mesmo sem o prestígio do prof. Touraine, tem jamais o direito de tomar slogans como realidades, seja para favorecer o seu próprio grupo político, seja para denegrir o adversário.

Olavo de Carvalho é jornalista, ensaista e professor de Filosofia

terça-feira, 6 de maio de 2008

Esquerda e criminalidade: Parte I

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
Por Thomas Sowell em 06 de setembro de 2006

Resumo: Dentre os dogmas da esquerda está o que afirma que colocar indivíduos na prisão não reduz a criminalidade e que a “raiz” social do crime deve ser atacada como prevenção, pouco importando as enormes evidências de que essa postura simplesmente não funciona.
© 2006 MidiaSemMascara.org

A mentalidade geral da esquerda política é similar em todos os países e em todos os tempos.[1]

A tolerância para com criminosos perigosos, encontrada em escritores do séc. XVIII, tais como William Godwin e Condorcet, tem seu eco, hoje em dia, naqueles que fazem vigílias de protesto nas execuções [de pena de morte] de assassinos e que reclamam que não estamos sendo bonzinhos com os trogloditas presos em Guantanamo.

Questões específicas variam de lugar para lugar e de tempos em tempos, mas a mentalidade permanece notavelmente similar. O que é também diferente de país para país e de uma época para outra é o nível de resistência enfrentada pela esquerda, o que determina o quão longe ela pode ir, na prática.

Os EUA sempre foram mais resistentes à esquerda que a maioria dos países europeus. Podemos ver, quase sempre, para onde vai a esquerda americana observando aonde chegou a esquerda européia.

Um novo livro sobre o crime na Inglaterra mostra o que acontece quando a mentalidade da esquerda prevalece no sistema judiciário. O livro se intitula “A Land Fit for Criminals” [Um país ideal para criminosos] e foi escrito por David Fraser.

Num passado ainda recente, a Inglaterra era uma das nações mais obedientes à lei na face da Terra. Quando Lee Kuan Yew visitou Londres, vindo de Singapura, logo após a II Guerra Mundial, ele ficou tão impressionado com a honestidade dos ingleses e seu respeito à lei e à ordem que ele voltou para casa determinado a fazer o mesmo em seu país.

Hoje, Singapura é uma das nações mais obedientes à lei no mundo, enquanto a criminalidade na Inglaterra aumentou a um nível que, pela primeira vez, excede à dos EUA.

O que aconteceu entre uma e outra época foi o crescimento contínuo dos dogmas esquerdistas, até seu completo predomínio, tanto no sistema legal, quanto na mídia e entre as elites políticas da Inglaterra.

Hoje, um ladrão preso em flagrante pela polícia inglesa tem grande chance de receber uma advertência. Se ele já tiver sido condenado por roubo, ele poderá receber uma advertência mais severa. Mas, ele dificilmente enfrentará a situação draconiana, por exemplo, de ser posto atrás das grades.

Roubo é considerado ofensa “leve” por líderes de ambos os partidos (do Trabalho e Conservador) na Inglaterra. Casos raros em que ladrões são presos são criticados pela mídia.

A ideologia esquerdista a respeito do crime, incluindo seu desprezo pela propriedade privada, tem se alastrado por todo o espectro político, atingindo a todos que desejam ser considerados “homens de seu tempo”. Essa ideologia é essencialmente a mesma em ambos os lados do Atlântico, mas na Inglaterra atingiu uma dominância muito maior e sem contestação.

Dentre os dogmas da esquerda está o que afirma que colocar indivíduos na prisão não reduz a criminalidade e que a “raiz” social do crime deve ser atacada como prevenção, além de que a “reabilitação”, por meio de vários programas “na comunidade”, é mais efetiva que a prisão de criminosos.

Nada disso é novidade e sua racionalidade já é velha de mais de dois séculos. O que é notável é como montanhas de evidências factuais contrárias são ignoradas, evitadas ou simplesmente ocultadas, em ambos os lados do Atlântico.

O livro de David Fraser examina essas evidências à exaustão e expõe a alegação fraudulenta usada para tentar justificar a contínua leniência para com criminosos, enquanto a criminalidade cresce assustadoramente na Inglaterra.

Há montanhas similares de evidências contra os dogmas criminais da esquerda nos EUA e essas evidências são, da mesma forma, ignoradas, evitadas e ocultadas por esquerdistas. Mas, aqui a esquerda enfrenta uma oposição maior, razão pela qual ela não atingiu uma dominância tão grande quanto na Inglaterra – ainda.

Em ambos os países, os ideólogos têm o apoio de políticos e burocratas “práticos”[2] que simplesmente não querem gastar o dinheiro necessário para construir e manter prisões para trancafiar, durante longos períodos, os criminosos.

Aqueles que comparam custos e benefícios definem “custos” como aquilo que o governo gasta. Mas, os custos pagos pelo público, apenas em termos econômicos, excedem enormemente o custo das prisões. Mas isso não importa, tanto para os ideólogos, quanto para os políticos e burocratas jurídicos “práticos”.

[1] O sítio Townhall.com publica, na página deste artigo de Sowell, uma foto do jornalista da Globo seqüestrado pelo PCC. Na legenda da foto, há referência à aquiescência da emissora em divulgar um comunicado, no Fantástico, do grupo criminoso. (N. do T.)

[2] Sobre homens “práticos”, Chesterton tem um delicioso texto. Para sua versão original clicar aqui. Para a versão traduzida clicar aqui. (N. do T.)

Publicado por Townhall.com

Traduzido por Antônio Emílio Angueth de Araújo

Esquerda e criminalidade: Final

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Thomas Sowell em 13 de setembro de 2006

Resumo: Nos EUA e em outros países a esquerda tem sustentado persistentemente suas suposições e crenças sobre a criminalidade, e milhões de vítimas pagam o preço dessas ilusões sobre o crime.

© 2006 MidiaSemMascara.org

Um alto índice de prisões de criminosos reduz a criminalidade? O crime é resultado da pobreza, desemprego e coisas similares? Alternativas à prisão são mais efetivas na prevenção da reincidência no crime?

Alguns hesitariam em responder tais questões antes de consultar muitos dados reais e de pensar muito a respeito.

Mas, muitos esquerdistas são capazes de responder imediatamente, pois eles sabem quais as respostas estão em voga na esquerda – afirmam, ademais, que a razão de outros não aceitarem essas respostas é que eles estão atrasados no tempo ou são desumanos e gostam de punir.

Uma coisa é acreditar que uma política A é melhor que uma política B. Outra muito diferente é acreditar que aqueles que acreditam em A são mais sábios, mais compassivos e, geralmente, seres humanos mais valorosos do que quem acredita em B.

A transformação da questão empírica dos resultados da política A versus os resultados da política B numa questão pessoal de um maravilhoso Nós versus um terrível Eles, torna mais difícil uma eventual retratação, se os fatos não apoiarem a crença.

Se a escolha entre a política A e a política B for considerada como um símbolo de mérito pessoal, moral ou intelectual, então haverá um risco devastador à auto-estima de alguém o fazer das evidências empíricas o teste fundamental.

Não somente nos EUA, mas também em outros países, a esquerda tem sustentado persistentemente suas suposições e crenças sobre a criminalidade por, pelo menos, dois séculos, não apenas a despeito da ausência de evidências reais, mas também em oposição a evidências contrárias, acumuladas por dois séculos, em diversos países ao redor do mundo.

Onde a dominância da esquerda é maior – na mídia e na academia, por exemplo – fatos contrários são raramente considerados.

A futilidade do encarceramento, por exemplo, é um dogma da esquerda. Não adianta lembrar que o índice de criminalidade tanto nos EUA, quanto na Inglaterra, elevou-se enormemente na década de 1960, quando a pobreza estava em declínio – e o índice de prisões estava também diminuindo.

Não adianta observar que o índice de criminalidade elevado nos EUA começou a diminuir somente depois que o declínio do índice de prisões foi revertido, levando a um aumento da população carcerária, o que foi deplorado pelos esquerdistas.

Não adianta mostrar que o índice de prisões de Singapura é mais que o dobro daquele do Canadá – e seu índice de criminalidade é menor que um décimo daquele do Canadá. Muitos no Ocidente ficaram horrorizados em descobrir, alguns anos atrás, que um americano, sem antecedentes criminais, foi sentenciado, em Singapura, a uma punição corporal.

Poucos críticos indignados se preocuparam em considerar a possibilidade de que isso poderia ter sido uma forma de prevenir que o jovem pudesse se tornar um criminoso contumaz – e, talvez, pudesse salvá-lo de um destino pior se ele continuasse a desrespeitar as leis.

A autodefesa contra criminosos é um anátema para a esquerda, tanto na Inglaterra, quanto nos EUA, mas lá a esquerda tem uma maior predominância. Britânicos que pegam ladrões em suas casas e os mantêm lá, na mira de uma arma, até a polícia chegar, são, depois, processados por crime – mesmo quando a arma é de brinquedo.

Dada a visão prevalecente no sistema de justiça criminal da Inglaterra de que roubo é uma ofensa “leve” e a feroz hostilidade a armas, mesmo de brinquedo, a vítima de roubo tem maior probabilidade de acabar atrás das grades do que o próprio ladrão.

A jihad esquerdista contra cidadãos de bem que possuem armas tem produzido uma inundação de informações distorcidas. Comparações internacionais são invariavelmente feitas entre os EUA e países que têm um controle de armas mais rígido e um menor índice de crimes.

Mas, se os fatos fossem realmente importantes, você poderia, com a mesma facilidade, comparar os EUA com países que possuem leis mais rígidas de controle de armas e maiores índices criminais – Brasil e Rússia, por exemplo.

Você poderia comparar os EUA com países que tivessem um maior número de cidadãos possuidores de armas – Suíça e Israel, por exemplo – e menor índice de criminalidade. Mas isso, somente se os fatos fossem considerados mais importantes que os dogmas da esquerda.

Milhões de vítimas pagam o preço das ilusões da esquerda sobre o crime – e sobre ela mesma.

Leia também Esquerda e criminalidade: Parte 1

Publicado por Townhall.com


Traduzido por Antônio Emílio Angueth de Araújo

terça-feira, 8 de abril de 2008

Esquerda – vegetarianos e carnívoros

Do portal CINFORM ONLINE
Por RODORVAL RAMALHO em segunda-feira, 07 de abril de 2008

É impressionante a popularidade da tese sobre a diferenciação de uma esquerda carnívora e outra vegetariana na América Latina. Segundo esse raciocínio, Chávez, Correa, Morales e Ortega estariam no primeiro grupo e Kirchner, Bachelet e Lula estariam no outro. Essa tese desconhece o conceito gramsciano de guerra de movimento e guerra de posição. A primeira leva o protagonista a uma ação revolucionária violenta, aquela que envolve ações terroristas armadas, buscando atingir não somente alvos militares, mas também civis. A segunda é uma ação política voltada para ocupar espaços nos mais variados setores da sociedade civil e política. Nesse caso, a esquerda usa a democracia para corroê-la a partir de dentro. Assim, a ordem é agir nas escolas, na imprensa, nos movimentos sociais, nas igrejas, nas artes, mas também dentro do próprio Estado - polícia, parlamento, governos, judiciário.

A guerra de movimento ficou em segundo plano no mundo contemporâneo. Segundo o vocabulário de Antonio Gramsci, autor de Cadernos do Cárcere, essa forma de luta só faz sentido em sociedades pouco ocidentalizadas, onde a sociedade civil ainda é gelatinosa. Em outras palavras, guerra de movimento é sinônimo de um ambiente atrasado dos pontos de vista sócio-econômico e político-cultural.

A derrota do socialismo, ilustrada pelos eventos de 1989, obrigou a esquerda da América Latina, para ficarmos com um exemplo caseiro, a investir tanto no legado de Gramsci quanto na herança leninista. Quem acompanhou a origem do PT deve lembrar de discussões que hoje podem parecer bizarras sobre partido de quadros ou partido de massas, reforma ou revolução, democracia representativa ou democracia direta, parlamento ou luta armada.

Essas e outras discussões da mesma natureza faziam parte do debate que preparava os rumos a serem seguidos. Venceu Gramsci, que assumiu a "cabeça da chapa", mas Lênin foi indicado como vice, ou seja, a ação política da esquerda tem combinado as guerras de movimento e de posição. A ordem é: aprovar leis de reforma agrária, mas estimular as invasões e conflitos armados no campo; usar a liberdade de imprensa, mas tentar sufocá-la com intimidações diretas e indiretas; estimular o mercado, mas agredir o direito de propriedade; agir politicamente no parlamento, mas fraudá-lo através da cooptação, inclusive financeira; fazer diplomacia nos organismos internacionais, mas apoiar guerrilhas narco-terroristas nas suas localidades; garantir o "lucro burguês hoje, mas preparar seu enterro amanhã".

A grande virtude da construção petista foi ter elaborado essa estratégia de dupla-face, pois manteve os dois tipos de revolucionários à sua mercê. E mais, ainda aproximou amplos setores do empresariado e dos políticos que, por cretinice ou imediatismo financeiro, fizeram um verdadeiro cordão sanitário em torno dos seus próprios coveiros.

A construção petista foi lenta, gradual e ampla. Foram duas décadas de ação nas escolas, na imprensa, nos movimentos sociais, no judiciário, nas igrejas etc. Nesse sentido, soube construir de forma consistente a sua hegemonia. Não é por outro motivo que mesmo perdendo as próximas eleições presidenciais, dificilmente o lulo-petismo sairá do poder, pois está espalhado de tal forma no espaço público brasileiro que ninguém irá perturbá-lo, muito pelo contrário, precisará do seu apoio para governar.

Quando eu vejo políticos, empresários, diplomatas, banqueiros e alguns intelectuais do campo democrático elogiando o lulo-petismo e cantando loas à sua domesticação, inclusive afirmando que esse negócio de esquerda e direita é coisa do passado, só me vem à lembrança um bordão do humor televisivo - Ô, coitados!!

A tática gramsciana, também conhecida no sertão como "comendo pelas beiras", só pode ser limitada por ações contra-hegemônicas que afirmem os valores da liberdade e da propriedade, os dois melhores antídotos contra os coletivismos em geral. Mas, esse debate é tão distante do universo intelectual das lideranças políticas não-esquerdistas brasileiras que eu não tenho nenhuma ilusão de que sairá desses setores qualquer atitude que contribua para inibir a ascensão desse totalitarismo tardio.

É verdade que ainda existem alguns setores minoritários na imprensa e no judiciário (sobretudo no STF), que apresentam algumas reações anti-totalitárias. Entretanto, é no âmbito da internet que enxergo o universo da resistência democrática. Figuras como Olavo de Carvalho, Denis Rosenfield, Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo e muitos outros nos permitem alguma esperança no combate a essa mistura de banditismo e esquerdismo que imperam na cena brasileira.

Portanto, senhores, não se iludam: a esquerda está vivíssima e com apetite pantagruélico tanto para saladas quanto para carne.

domingo, 30 de março de 2008

Esquerda e criminalidade: Parte I

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Thomas Sowell em 06 de setembro de 2006

Resumo: Dentre os dogmas da esquerda está o que afirma que colocar indivíduos na prisão não reduz a criminalidade e que a “raiz” social do crime deve ser atacada como prevenção, pouco importando as enormes evidências de que essa postura simplesmente não funciona.

© 2006 MidiaSemMascara.org

A mentalidade geral da esquerda política é similar em todos os países e em todos os tempos.[1]

A tolerância para com criminosos perigosos, encontrada em escritores do séc. XVIII, tais como William Godwin e Condorcet, tem seu eco, hoje em dia, naqueles que fazem vigílias de protesto nas execuções [de pena de morte] de assassinos e que reclamam que não estamos sendo bonzinhos com os trogloditas presos em Guantanamo.

Questões específicas variam de lugar para lugar e de tempos em tempos, mas a mentalidade permanece notavelmente similar. O que é também diferente de país para país e de uma época para outra é o nível de resistência enfrentada pela esquerda, o que determina o quão longe ela pode ir, na prática.

Os EUA sempre foram mais resistentes à esquerda que a maioria dos países europeus. Podemos ver, quase sempre, para onde vai a esquerda americana observando aonde chegou a esquerda européia.

Um novo livro sobre o crime na Inglaterra mostra o que acontece quando a mentalidade da esquerda prevalece no sistema judiciário. O livro se intitula “A Land Fit for Criminals” [Um país ideal para criminosos] e foi escrito por David Fraser.

Num passado ainda recente, a Inglaterra era uma das nações mais obedientes à lei na face da Terra. Quando Lee Kuan Yew visitou Londres, vindo de Singapura, logo após a II Guerra Mundial, ele ficou tão impressionado com a honestidade dos ingleses e seu respeito à lei e à ordem que ele voltou para casa determinado a fazer o mesmo em seu país.

Hoje, Singapura é uma das nações mais obedientes à lei no mundo, enquanto a criminalidade na Inglaterra aumentou a um nível que, pela primeira vez, excede à dos EUA.

O que aconteceu entre uma e outra época foi o crescimento contínuo dos dogmas esquerdistas, até seu completo predomínio, tanto no sistema legal, quanto na mídia e entre as elites políticas da Inglaterra.

Hoje, um ladrão preso em flagrante pela polícia inglesa tem grande chance de receber uma advertência. Se ele já tiver sido condenado por roubo, ele poderá receber uma advertência mais severa. Mas, ele dificilmente enfrentará a situação draconiana, por exemplo, de ser posto atrás das grades.

Roubo é considerado ofensa “leve” por líderes de ambos os partidos (do Trabalho e Conservador) na Inglaterra. Casos raros em que ladrões são presos são criticados pela mídia.

A ideologia esquerdista a respeito do crime, incluindo seu desprezo pela propriedade privada, tem se alastrado por todo o espectro político, atingindo a todos que desejam ser considerados “homens de seu tempo”. Essa ideologia é essencialmente a mesma em ambos os lados do Atlântico, mas na Inglaterra atingiu uma dominância muito maior e sem contestação.

Dentre os dogmas da esquerda está o que afirma que colocar indivíduos na prisão não reduz a criminalidade e que a “raiz” social do crime deve ser atacada como prevenção, além de que a “reabilitação”, por meio de vários programas “na comunidade”, é mais efetiva que a prisão de criminosos.

Nada disso é novidade e sua racionalidade já é velha de mais de dois séculos. O que é notável é como montanhas de evidências factuais contrárias são ignoradas, evitadas ou simplesmente ocultadas, em ambos os lados do Atlântico.

O livro de David Fraser examina essas evidências à exaustão e expõe a alegação fraudulenta usada para tentar justificar a contínua leniência para com criminosos, enquanto a criminalidade cresce assustadoramente na Inglaterra.

Há montanhas similares de evidências contra os dogmas criminais da esquerda nos EUA e essas evidências são, da mesma forma, ignoradas, evitadas e ocultadas por esquerdistas. Mas, aqui a esquerda enfrenta uma oposição maior, razão pela qual ela não atingiu uma dominância tão grande quanto na Inglaterra – ainda.

Em ambos os países, os ideólogos têm o apoio de políticos e burocratas “práticos”[2] que simplesmente não querem gastar o dinheiro necessário para construir e manter prisões para trancafiar, durante longos períodos, os criminosos.

Aqueles que comparam custos e benefícios definem “custos” como aquilo que o governo gasta. Mas, os custos pagos pelo público, apenas em termos econômicos, excedem enormemente o custo das prisões. Mas isso não importa, tanto para os ideólogos, quanto para os políticos e burocratas jurídicos “práticos”.

[1] O sítio Townhall.com publica, na página deste artigo de Sowell, uma foto do jornalista da Globo seqüestrado pelo PCC. Na legenda da foto, há referência à aquiescência da emissora em divulgar um comunicado, no Fantástico, do grupo criminoso. (N. do T.)

[2] Sobre homens “práticos”, Chesterton tem um delicioso texto. Para sua versão original clicar aqui. Para a versão traduzida clicar aqui. (N. do T.)

Thomas Sowell é doutor em Economia pela Universidade de Chicago e autor de mais de uma dezena de livros e inúmeros artigos, abordando tópicos como teoria econômica clássica e ativismo judicial. Atualmente é colaborador do Hoover Institute.

Publicado por Townhall.com

Traduzido por Antônio Emílio Angueth de Araújo

segunda-feira, 24 de março de 2008

O esquerdismo clinicamente morto

Do blog do DIOGO MAINARDI

"Li que Dilma Rousseff perdeu
12 quilos para se eleger à Presidência. Pelo que entendi, trata-se do principal ponto de sua plataforma eleitoral. Estou torcendo para que Dilma Rousseff seja a candidata do PT em 2010. Estou torcendo muito. Sem a Dilma, o PT chega em terceiro lugar. Com a Dilma, ele chega em quinto"

"Como deixei de ser um esquerdista clinicamente morto." É mais ou menos esse o título de um artigo de David Mamet no Village Voice. Para quem está boiando, David Mamet é um dos maiores dramaturgos dos Estados Unidos. Village Voice é um jornal de Nova York. E "esquerdista clinicamente morto" é todo mundo menos a patota de VEJA, considerando-se o que se diz por aí a nosso respeito.

David Mamet foi um esquerdista clinicamente morto até o dia em que se pegou imprecando contra a rádio pública americana. Ele se deu conta de que suas antigas idéias políticas já não refletiam a realidade: do preconceito contra as grandes empresas – cujos produtos ele consumia – ao ódio pelos militares – que arriscavam a vida para protegê-lo de um mundo hostil. Ele passou a questionar o papel do governo, rejeitando o intervencionismo estatal, um dos mitos inabdicáveis dos esquerdistas clinicamente mortos: "Mas, se o governo não intervém, como é que nós, meros seres humanos, vamos fazer? Eu li e refleti, e me ocorreu que eu conhecia a resposta, que é a seguinte: parece que nós simplesmente sabemos". Para demonstrar isso, David Mamet fez um paralelo com o teatro: "Tire o diretor de uma peça teatral e o que acontece? Em geral, menos conflitos, um período mais curto de ensaios e um resultado melhor".

O teorema de David Mamet pode ser aplicado a todas as esferas da política. Dilma Rousseff está tentando cacifar sua candidatura presidencial graças ao PAC. Tire Dilma Rousseff do PAC e o que acontece? Menos conflitos, um período mais curto de obras e um resultado melhor.

Estou torcendo para que Dilma Rousseff seja a candidata do PT em 2010. Estou torcendo muito. Sem a Dilma, o PT chega em terceiro lugar. Com a Dilma, ele chega em quinto. Quinto é bem melhor do que terceiro. Com a Dilma é bem melhor do que sem a Dilma. Os esquerdistas clinicamente mortos parecem entusiasmados com Dilma Rousseff. Eu também. No que se refere à sua candidatura, pode-se dizer que sou esquerdista clinicamente morto.

Li que Dilma Rousseff perdeu 12 quilos para se eleger à Presidência. Pelo que entendi, trata-se do principal ponto de sua plataforma eleitoral. Quem também emagreceu um bocado no último período foi Caio Blinder. O suficiente para se eleger vereador. Caio Blinder é a Dilma Rousseff do Manhattan Connection. Passei a semana com ele, para a festa dos quinze anos do programa. Falamos sobre o passado e sobre o futuro. O passado remete a 1993, quando o Manhattan Connection foi ao ar pela primeira vez. Em 1993, eu era um romancista sem leitores. É bom ser um romancista sem leitores. A gente só pensa na posteridade. Agora minha vida piorou tremendamente. Eu só penso no futuro, e o futuro é muito mais aborrecido do que a posteridade. Meu futuro é tentar sobreviver aos esquerdistas clinicamente mortos.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O futuro da direita

Do portal OLAVO DE CARVALHO
Olavo de Carvalho, Jornal do Brasil, 21 de fevereiro de 2008

A Playboy deste mês publica uma entrevista reveladora com alguns líderes emergentes do chamado “liberalismo” brasileiro, filhos de velhos caciques regionais falecidos, aposentados ou desativados. Reveladora, digo eu, porque ilustra com clareza didática algumas obviedades que tenho publicado nesta coluna, mas que os bem-pensantes insistem em não querer admitir, como outrora se recusavam a admitir a existência do Foro de São Paulo.

A mais flagrante delas é que não existe direita politicamente relevante no Brasil. Os entrevistados não só rejeitam a denominação de direitistas – o que já é bastante significativo, tendo em vista o orgulho com que os esquerdistas se assumem como tais --, mas subscrevem no fim das contas todo o programa sociocultural da esquerda, com a única diferença de que desejariam realizá-lo pelo livre mercado em vez da ação estatal direta.

Que isso constitua mesmo uma diferença, é altamente duvidoso. Do ponto de vista econômico, a disputa entre liberais e socialistas no mundo vai-se tornando cada vez mais adjetiva: nenhum político é louco o bastante para advogar em público a supressão do Estado previdenciário, nem idiota o suficiente para continuar acreditando na eliminação total da propriedade privada. A guerra entre os sistemas tornou-se uma tênue oscilação para lá e para cá de um confortável meio-termo. A direita quer o capitalismo sob a proteção do governo-babá, a esquerda quer o socialismo vitaminado pela força do livre mercado. É a tese de Paul Edward Gottfried em After Liberalism : Mass Democracy in the Managerial State (Princeton University Press, 2001): junto com o socialismo real morreu também o liberalismo ideal. A vitória da “revolução dos gerentes” matou os dois, inaugurando a era da democracia de massas, o que é o mesmo que dizer: o império universal da burocracia.

Com isso, o foco da disputa efetiva transferiu-se para um domínio mais sutil -- e infinitamente mais decisivo para o futuro da humanidade: o sonho do espírito revolucionário já não é o controle estatal da economia, mas o controle estatal da vida privada, da mentalidade popular, dos usos e costumes, da imaginação e dos sentimentos. É promover a ruptura total com as tradições históricas e operar enfim a longamente ambicionada mutação radical da natureza humana. Décadas atrás os melhores cérebros da esquerda – Lukács, Gramsci, os frankfurtianos – já haviam concluído que nesse campo, e não na economia, seria travada a batalha decisiva. Mas a idéia era prematura quando a lançaram. O advento da “democracia de massas” vem dar-lhe uma atualidade explosiva, preparando o terreno para a revolução cultural globalizada.

No novo contexto, o dever máximo ou único de uma direita historicamente consciente é defender os princípios e valores civilizacionais milenares, resistindo à ambição insana de planejadores sociais para os quais a espécie humana não passa de matéria-prima para experimentos que variam entre o irresponsável e o macabro.

Mas muito provavelmente essa resistência será em breve criminalizada como extremismo de direita, e, se não lutar como um exército de leões, desaparecerá do cenário político decente. Só sobrará lugar para a “direita bossa nova”, como a chama a Playboy – a direita que cede tudo em troca de um pouco de capitalismo.

A economia de mercado deve, sim, ser defendida, porque só nela os princípios e valores hoje ameaçados podem subsistir. Mas abdicar deles em troca da economia de mercado pura e simples, fazendo dela a única finalidade em vez de um meio entre outros, é servir duplamente ao esquerdismo, entregando-lhe de mão-beijada o que ele mais almeja conquistar e ainda criando uma camuflagem “capitalista” para dar aparência inofensiva à mais temível mutação revolucionária de todos os tempos.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".