Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.
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domingo, 14 de setembro de 2008

Escrúpulos de comunista

Do portal do OLAVO DE CARVALHO
11 de setembro de 2008

A propósito da notícia publicada no último dia 30 pela Agência Reuters, com o título “Doação da Gerdau ao PSOL abre debate ideológico na esquerda”, devo lembrar aos distintos leitores que todo o dinheiro dos partidos comunistas e pró-comunistas do mundo vem de uma ou várias das seguintes fontes:

1. Roubos, assaltos, seqüestros, narcotráfico e outros crimes.

2. Trabalho escravo em quantidades jamais vistas antes no Oriente ou no Ocidente.

3. Desapropriações sumárias, sem indenização, impostas à força, não raro mediante o assassinato do proprietário, rico ou pobre (pobre, na maioria dos casos).

4. Lavagem de dinheiro da KGB e órgãos similares, obtido pelos meios acima e investido em negócios capitalistas por intermédio de testas-de-ferro (as maiores fortunas do mundo, hoje em dia, têm essa origem).

5. Subsídios estatais e privados extorquidos mediante chantagem psicológica e ameaça de violências ou drenados sutilmente da rede de ONGs esquerdistas que cobre meio planeta.

6. Contribuições de militantes, que podem chegar a 50 por cento dos seus salários (e ai de quem não pague em dia!).

7. Uma imensidão de negócios lícitos e ilícitos, nos ramos de indústria, mídia, edições, publicidade, bancos, educação etc., que colocam comunistas e seus aliados entre os maiores capitalistas do universo.

8. Ajuda vinda de ricos “companheiros de viagem”, seja em troca de favores ou do mero aplauso.

9. Ajuda ocasional recebida de milionários direitistas ou pelo menos não comunistas, empenhados, por algum motivo que não cabe discutir agora, em agradar seus inimigos.

Nenhuma quantia proveniente das oito primeiras fontes jamais causou o menor problema moral a seus recebedores comunistas. Ao contrário, eles estão persuadidos de que é seu direito e dever embolsar todo o dinheiro do mundo, porque eles são bons, mesmo quando matam, escravizam, roubam ou torturam em massa, e os outros seres humanos são maus, mesmo quando se limitam a ganhar honestamente a vida. Só o dinheiro vindo da última origem mencionada suscita alguns escrúpulos de consciência – não por causa da natureza da fonte, já que “pecunia non olet”, mas porque, raios!, às vezes a coisa é divulgada na mídia e pega mal entre os comunistas não beneficiados diretamente pela doação. Aí a consciência moral comunista desperta e seus rugidos de indignação sacodem o ar em torno. Debates “éticos” acalorados eclodem por toda parte, colocando em questão a pureza ideológica dos beneficiados e seu direito de contaminar-se em tão más companhias.

A maneira como a mídia noticia esses episódios dá a entender não só que se trata de escrupulosidade moral nobre e genuína, mas que isso diferencia os partidos de esquerda de seus concorrentes direitistas e que, de modo geral, embolsar dinheiro do adversário é a única mancha possível – mesmo assim incerta – na ilibada moralidade comunista. De um só golpe, a mais patente hipocrisia é transfigurada em prova de virtude suprema, ao passo que a imensidão de crimes cometidos com total frieza pelos maiores ladrões, exploradores e assassinos do mundo desaparece do horizonte do debate, como se não houvesse aí nenhum problema moral a discutir. O único pecado concebível em que um comunista pode sujar-se é receber, em público, dinheiro do inimigo. O resto são só virtudes.

Essa lisonjeira auto-imagem publicitária dos comunistas tornou-se norma de redação obrigatória para toda a mídia. O jornalismo nacional acabou virando um órgão do debate interno da esquerda, encerrando os leitores, para sempre, numa redoma mental onde se torna impossível escapar, mesmo em imaginação, aos valores e critérios do esquerdismo. Hoje em dia, até para criticar a esquerda o cidadão é obrigado a pensar segundo as categorias que ela determina. Isso é precisamente o que Antonio Gramsci chamava de “hegemonia”.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Comunista fora na Itália (infelizmente só lá)

Por e-mail

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Amigos


Pela primeira vez, desde inícios do século passado, nenhum comunista foi eleito nas últimas eleições na Itália.


NEM UM ÚNICO COMUNISTA!


Porque os italianos aprenderam na carne, pela dor e sofrimentos, o que é realmente esta sub-humanidade vermelha...


Como sub-produto deste refinamento inteligente, vejam abaixo os 'espécimens' que elegeram.


E, a seguir, os exemplares comuno-petistas, comuno-piçolistas, etc... ícones da 'glória vermelha".


MINISTRAS ITALIANAS

Stefania Prestigiacomo

Mara Carfagna


S
INISTRAS BRASILEIRAS


Marina Silva

Marta Suplicy

e a PIOR de todas, Dilma Roussef, a Stela dos milhões roubados

Comentário do Cavaleiro do Templo: as pessoas deste desgoverno têm idolatria pela feiúra interna, que reflete na parte externa. Alguém já viu a Dilma depois de se arrumar, passar no cabeleireiro, no salão de beleza? Não melhora, a feiúra destas mulheres vem de dentro. As italianas podem ser incopetentes, podem estar no cargo pela carinha bonita ou porque outro motivo. Mas a Itália está no Primeiro Mundo e deu a resposta ao flagelo sociopata como vimos no e-mail acima. As pessoas gostam da beleza e ela existe de dentro para fora. Gandhi era um monstrinho por fora mas por dentro não preciso comentar. A feiúra externa DESAPARECE quando as pessoas são sãs por dentro, quando são honestas consigo mesmas e com as outras pessoas.



quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Jeffrey Nyquist estréia (20 de janeiro de 2004) no Mídia Sem Máscara

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Jeffrey Nyquist em 20 de janeiro de 2004

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Resumo: A partir desta semana, o MSM publicará toda terça-feira os artigos do analista político Jeffrey Nyquist. Um dos poucos a alertar sobre a ingenuidade americana e ocidental em geral a respeito da calculada extinção da União Soviética e do "fim do comunismo", Nyquist atua de forma independente, isenta e, por isso mesmo, altamente precisa a respeito da realidade geopolítica e suas conseqüências.

© 2004 MidiaSemMascara.org

Há uma nota de rodapé curiosa sobre a Guerra Fria que merece ser mencionada. A derrota do comunismo soviético em 1989-1991 não foi uma derrota total. Foi mais como um recuo tático que veio torto, e não completamente torto. No Ocidente, sentiram-se bem para reivindicar a vitória sobre algo tão sinistro quanto o comunismo, com suas cem milhões de vítimas, sua sustentação para o terrorismo global, subversão e revolução. Mas qualquer vitória sobre as idéias marxistas, sobre uma mentalidade que vive em milhões de povos do mundo inteiro, deve estar equivocada. Aqueles que dizem que o comunismo internacional morreu, aqueles que imaginam que o descontentamento interno foi posto para dormir, estão se iludindo. Homens não desistem de sua religião assim de repente, e o comunismo é uma religião. Somente foi transformado em sua aparência exterior. Sua imagem tem sido moderada na Rússia, na Alemanha e no Brasil. O fato é, o bloco comunista está revivendo neste exato momento. Ainda existe e coordena uma política negativa no mundo inteiro. Semana passada o Kremlin anunciou a aceleração de seus laços nucleares com o Irã. A Rússia está armando a China, sua nova e velha aliada. Um grupo exclusivo da KGB, conduzido pelo presidente Vladimir Putin, governa a Rússia. Ao mesmo tempo, figuras obscuras –- e até comunistas escancarados –- estão governando países como Polônia, Hungria e a República Tcheca. O pró-capitalista aqui e um “social-democrata” ali, sob um exame mais minucioso, estão freqüentemente ligados a estruturas comunistas escondidas.

Em minhas discussões com ativistas poloneses e tchecos, a evidência sobre a construção de movimentos de oposição controlados por Moscou na Europa Oriental é irrefutável. Minhas fontes tchecas têm a evidência documental, incluindo instruções secretas para recrutar redes de agentes em 1988 para um porvir de liberdade “administrada”. Estas instruções esboçaram métodos para infiltração, sabotagem, manipulação, e cooptação de organizações anticomunistas, incluindo jornais e partidos políticos. Há também uma referência a uma misteriosa diretoria dentro da KGB encarregada com a coordenação e supervisão da democracia controlada nos ex-países do Pacto de Varsóvia.

No que diz respeito à enganosa estratégia soviética, em 1984 um desertor russo da KGB de nome Anatoliy Golitsyn escreveu um livro com o título “New Lies for Old”. Golitsyn advertiu que os comunistas soviéticos planejaram desmoronar seu próprio sistema, introduzindo reformas democráticas “desde cima” a fim de desarmar e dividir o Ocidente. Golitsyn explicou que a estratégia de Moscou poderia levar décadas para ser revelada. Os mecanismos usados neste esforço incluiriam a criação de movimentos dissidentes controlados, a aparência de políticos soviéticos “liberais” e a desistência do monopólio político do Partido Comunista. Poucos fora dos Estados Unidos ouviram sobre avisos de Anatoliy Golitsyn, desde que foram escritos em inglês, zombado por quase todos, e tido como “paranóico” por uma CIA presunçosa. Os conservadores pró-Reagan, incluindo os principais anticomunistas dos Estados Unidos, ignoraram o “New Lies for Old”. Quando as predições detalhadas de Golitsyn sobre a democratização futura do bloco comunista se tornaram realidade, os conservadores caíram aos trambolhões sobre outros para declarar vitória e atribuir o crédito a Ronald Reagan. Entre historiadores da inteligência, somente Mark Riebling observou: “das refutáveis predições de Golitsyn, 139 de 148 foram cumpridas até o fim de 1993 – uma exatidão de quase 94%”.

Com a força esmagadora de um furacão, a opinião se dirigiu para as ilhas do otimismo. No lugar das “Sete Cidades do Ouro” e da “Fonte da Juventude”, os novos conquistadores encontraram o “dividendo da paz”. Desta construção imaginária fluiu a exuberância econômica como sopa no mel. A despesa com a Defesa foi cortada e segredos tecnológicos foram dados a Rússia e a China. Os serviços de inteligência puseram muitos “Cold Warriors” para pastar. Era hora de fazer dinheiro e esquecer-se dos horrores da Destruição Mútua Garantida (1). E quase todos ficaram aliviados. Conseqüentemente, quase ninguém sobrou para questionar esta falsa vitória sobre o comunismo. Um escritor nascido na Rússia, Andrei Navrozov, tentou soar um aviso nas páginas do “Chronicles Magazine”; mas era repreendido como um “teórico da conspiração” e rejeitado como um excêntrico pelos principais formadores de opinião conservadores. Na Inglaterra, o desertor soviético Vladimir Rezun da GRU (mais conhecido sob o pseudônimo Viktor Suvorov) estava receoso para contradizer a euforia do Ocidente. Confidencialmente Rezun admitiu que o colapso da União Soviética era uma óbvia fraude, mas publicamente mordeu a língua. Dado as investidas premeditadas dos anticomunistas ocidentais para creditar Reagan, Thatcher ou o papa com o colapso da União Soviética, as outras idéias eram mal-vindas. Andrei Navrozov deixou os Estados Unidos enfastiado, praguejando os conservadores enquanto ia embora. Na Europa escreveu um livro, “The Gingerbread race” em que usou a história do “Gingerbread man” (2) como uma alegoria para a estupidez do Ocidente e a vitória inevitável do totalitarismo. O livro foi interrompido no meio da primeira impressão. Como me disse mais tarde, “Finalmente alguém entendeu sobre o que era o livro”.

A fraude estratégica não é uma coisa derivada de ficção ruim. Ao invés disso, é a verdadeira substância dos capítulos mais escuros da história do totalitarismo. Considere a realidade da “Operação Confiança” sob Lênin e Dzerzhinsky na década de 1920 (um premeditado colapso "falsificado" do comunismo conhecido como a Nova Política Econômica ou NEP). A verdade é que fraudes em larga escala são manipuláveis. Olhe para os intelectuais da Defesa dos Estados Unidos e comece a discutir historia russa com eles. Suas reações são interessantes. Eles simplesmente rejeitam a idéia da fraude estratégica soviética com preconceito, sem pensar duas vezes, porque a própria idéia é no momento inconveniente.

Eles lambem seus pequenos dedos de carreiristas e voam de acordo com vento. “Não”, dirão a você com aparente gravidade, o “Comunismo desmoronou”.

Como os intelectuais da defesa de um país -- liberal e conservador – são condicionados a rejeitar uma possível linha enganosa quando essa linha, historicamente, foi bem sucedida no passado? Isto nos conduz a “sociologia do conhecimento”; isto é, como condicionamentos sociais impedem o reconhecimento de fatos perigosos. Há tendências naturais para cegueiras em cada cultura. Se estas forem reforçadas pela desinformação, pela propaganda, pelas operações da influência, etc., então você tem um tipo de "gerência das percepções" ocorrendo.

Lembre de toda história do período de Stálin e da grande imprensa ocidental que não compreendeu o que estava acontecendo na Rússia. Nós sabemos agora que aqueles grandes jornalistas que contavam com a cobertura da União Soviética eram agentes soviéticos – como o ganhador do Prêmio Pulitzer Walter Duranty. E ele não estava sozinho. As percepções do Ocidente sobre a Constituição de Stálin, da aliança com o “Tio Sam”, a suposta liquidação interna do comunismo, as garantias mentirosas de oficiais soviéticos e a atitude ingênua do presidente Roosevelt são difíceis de entender pelos fatos. Mas os fatos são claros. Moscou iludiu o Ocidente, e o Ocidente estava feliz em ser iludido. Quando a Guerra Fria começou após a derrota do Japão em 1945, muitos foram lentos em aceitar que o comunismo era um problema. Os “wishful thinkers”, os otimistas do dia, disseram que o anticomunismo era "histeria" e Joseph McCarthy estava em uma “caça às bruxas". Com o tempo todos descobriram que Stálin era um monstro, Khrushchev surgiu para expurgar o mal de Stálin, enquanto esboçava uma União Soviética mais nova, mais amável e mais delicada (3).

Os líderes russos sempre reinventaram eles mesmos, como os líderes chineses. No retrospecto, o teste padrão é claro. Como um cão ou um gato tem um caráter original, os comunistas russos têm seu caráter. E uma vez que você conhece este caráter você sabe o que esperar. Você não troca a floresta pelas árvores. Você observa o Gorbachev, Yeltsin, Putin, e após ter estudado muitos demônios em detalhe você entende que é, certamente, um exemplo de “novas mentiras no lugar das antigas" (4). Conseguem chamar Golitsyn de teórico da conspiração, mas não conseguem explicar seus 94% de exatidão nas predições.

Começando com uma compreensão geral da história soviética, do caráter e do método russo, juntando tudo isso ao aviso de Golitysn, é possível ver a Guerra da América contra o Terror sob uma luz mais clara. Após ler incontáveis jornais, revistas e livros, eu fiquei perturbado ao encontrar inúmeras ligações a al-Qaeda e os russos, como o infame fornecimento de armas e o “ex”-oficial militar soviético - Victor Bout. Eu encontrei ligações documentadas entre o homem no. 2 da al-Qaeda (Ayman al-Zawahiri) e a China, a Bulgária e o FSB (5) russo. O ex-oficial da inteligência tcheca, capitão Vladimir Hucin, não está sozinho em dizer que Mohammed Atta, líder dos ataques do 11 de Setembro nos Estados Unidos, foi treinado na Tchecoslováquia comunista em 1988. Na literatura sobre o al-Qaeda pode-se pode tropeçar em referências, aqui e ali, das transações de Bin Laden com a máfia russa (conhecida por ser aliada dos serviços de segurança da Rússia). Eu cocei minha cabeça e lembrei dos avisos de Golitsyn em 1984.

Então comecei a ler sobre a guerra da Chechênia e a encontrar os intelectuais e jornalistas discutindo o passado de GRU/KGB de Shamil Basayev, líder rebelde checheno (e o seu trabalho como pára-quedista soviético). Encontrei fatos curiosos sobre a carreira do presidente checheno, Dudayev, como comandante soviético do bombardeiro que cobriu de bombas os muçulmanos afegãos antes de "ser condescendente" e de conduzir os chechenos à liberdade. Há também a morte misteriosa de Dudayev (que nunca foi autenticada). Mesmo os intelectuais esfregam seus olhos e admitem que toda a guerra da Chechênia tem o caráter de uma provocação clássica da KGB.

Foi então que eu me assustei ao tomar contato com o livro de Yossef Bodansky, perito em terrorismo, dizendo que Osama Bin Laden tinha comprado armas nucleares soviéticas através da Chechênia durante a década de 1990. Eu lembrei de Golitsyn uma vez mais. Eu imaginei o velho sorrindo. A palavra “álibi” se formou entre meus lábios. Como alguém explica tantas ligações bizarras entre os terroristas e o “ex”-bloco comunista? A guerra da Chechênia serviu como cobertura para entregar armas nucleares aos terroristas, e estabelecer o álibi do Kremlin como um inimigo daqueles mesmos terroristas? E se a Chechênia tinha armas nucleares, por que não usaram contra os invasores russos em 1999?

E então eu tive a lembrança pessoal de estar sozinho com um desertor russo da GRU que me disse, anos antes das Torres Gêmeas virem abaixo, que se eu ouvisse falar que foram os terroristas árabes que atacaram a América com armas nucleares, para que eu não acreditasse. O ataque seria da Rússia.

Nada disso é prova, certamente. Mas é poderosamente sugestivo e merece muito mais atenção do que tem recebido. O item mais interessante, entretanto, é a falta de curiosidade dentro do establishment americano. Não é que os intelectuais e os líderes da América não sabem sobre as ligações de que escrevo. Não querem saber. Não querem levar em consideração. Suas mentes estão fechadas como túmulos. E é aqui onde sou deixado de lado, em total descrédito.

Conheço psicologia o suficiente para reconhecer um groupthink (6) quando vejo um. Posso reconhecer a negação patológica dentro do círculo abençoado justamente porque estou fora desse círculo. Não sou traído pelas minhas palavras. Não movo um dedo nesta briga. E assim eu sei quando estou vendo algo significativo, algo GRANDE, algo que não permita mais jogos de enganação (não o jogo russo, mas o jogo americano -- o jogo do auto-engano).

A loucura da sociedade americano que descrevi em meu livro “Origins of the Fourth World War”, não é loucura simplesmente moral, ou loucura burocrática. É também loucura intelectual. Negar o desvanecimento da integridade intelectual de nossos dias chega a ser ridículo.

Por coincidência, tenho em minha frente o novo livro de Laurie Mylroie, "Bush vs. the Beltway" (7). Ela escreve algo que tenho ouvido dos insiders de Washington. Um perito do Oriente Médio disse a Mylroie: "todos precisam fazer o que for possível para suas carreiras". De acordo com Mylroie isto significa que "o comportamento que era considerado descartável se tornou aceitável, independente de suas possíveis implicações para a segurança do país".

O mesmo pode ser dito aos jornalistas, acadêmicos e pesquisadores. Se eles imaginam que há um círculo abençoado de luz e de verdade e que, uma vez que alguém entra nesse círculo ao ser empregado por prestigiosas organizações ou fundação de mídia, então confundiram seu próprio sucesso pessoal com a verdade. A respeito deste erro, podemos dizer que a cegueira resultante é quase total quando tenta distinguir o importante do trivial, o significativo do popular. E aqui nós encontramos o solo mais rico, os insights mais maravilhosos, porque o “não querer ver” de uma sociedade acoberta o Grande Segredo no qual essa sociedade está metida -- assim como o “não querer ver” de um individuo nos ajuda a compreender o destino daquele individuo.

Os grandes especialistas de nossos dias não podem explicar porque a Rússia continua a violar acordos de controles de armas, alinhar-se com a China, enviar suporte secreto a Saddam, dar tecnologia nuclear ao Irã, criticar a política externa dos Estados Unidos, incentivar aliados dos Estados Unidos a um curso independente, e muito mais.

A álgebra política aqui é simples. É básica. É fácil de ser decifrada para aqueles que estiverem familiarizados com a história. Talvez aquilo que me dá forças, mais do que qualquer outra coisa, é o testemunho de poloneses, russos, tchecos, romenos e húngaros em circunstâncias muito reais, obtidas nos “ex”-países comunistas.

Aqui deixo o leitor brasileiro para pensar nas mudanças do Brasil. O segredo que lhes passo, da Europa Oriental via América do Norte, é que o comunismo está vivo e aqueles que carregam a velha bandeira vermelha ainda estão conosco, e seu método resume-se em “novas mentiras para as antigas”.

Tradução: Editoria MSM

Notas da Editoria:

(1).Traduzido de Mutual Assured Destruction (MAD)

(2).Biscoito de gengribe em forma de pessoa

(3).Cabe lembrar que as políticas de Kruchev, embora tenham eliminado o terrorismo policial, mantiveram o sistema autoritário.

(4).Tradução livre do título do livro de Anatoliy Golitsyn, “New Lies For Old”.

(5).FSB (Federal'naya Sluzhba Bezopasnosti) - Serviço de Segurança Federal, da Inteligência Soviética.

(6).Pensamento de grupo em que os membros estão mais preocupados com a concordância, do que uma consideração realista dos fatos.

(7).Este livro fala sobre como a CIA e o Departamento de Estado tentaram parar a Guerra contra o Terror.


Jeffrey Nyquist é formado em sociologia política na Universidade da Califórnia e é expert em geopolítica. Escreve artigos semanais para o Financial Sense (http://www.financialsense.com/), é autor de The Origins of The Fourth World War e mantém um website: http://www.jrnyquist.com/


quarta-feira, 6 de agosto de 2008

A escória do mundo

Do portal do OLAVO DE CARVALHO
Diário do Comércio (editorial), 20 de maio de 2008

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“Cuanto más alto sube, baja al suelo.” (Frei Luís de León)

Vou resumir aqui umas verdades óbvias e bem provadas, que uma desprezível convenção politicamente correta proíbe como indecentes.

Todo comunista, sem exceção, é cúmplice de genocídio, é um criminoso, um celerado, tanto mais desprovido de consciência moral quanto mais imbuído da ilusão satânica da sua própria santidade.

Nenhum comunista merece consideração, nenhum comunista é pessoa decente, nenhum comunista é digno de crédito.

São todos, junto com os nazistas e os terroristas islâmicos, a escória da espécie humana. Devemos respeitar seu direito à vida e à liberdade, como respeitamos o dos cães e das lagartixas, mas não devemos lhes conceder nada mais que isso. E seu direito à vida cessa no instante em que atentam contra a vida alheia.

Nos anos 60 e 70, a guerrilha brasileira não foi nenhuma epopéia libertária, foi uma extensão local da ditadura cubana que, àquela altura, já tinha fuzilado pelo menos dezessete mil pessoas e mantinha nos cárceres cem mil prisioneiros políticos simultaneamente, número cinqüenta vezes maior que o dos terroristas que passaram pela cadeia durante o nosso regime militar, distribuidos ao longo de duas décadas, nenhum por mais de dois anos – e isto num país de população quinze vezes maior que a de Cuba. Nossos terroristas recebiam dinheiro, armas e orientação do regime mais repressivo e assassino que já houve na América Latina, e ainda tinham o cinismo de apregoar que lutavam pela liberdade.

Agora que estão no poder, enchem-se de verbas públicas e justificam a comedeira alegando que o Estado lhes deve reparações. O dinheiro do Estado é do povo brasileiro e o povo brasileiro não lhes deve nada. Eles é que devem aos filhos e netos daqueles que suas bombas aleijaram e seus tiros mataram.

Perguntem aos cidadãos, nas ruas: “O senhor, a senhora, acham que têm uma dívida a pagar aos terroristas, pelo simples fato de que a violência deles foi vencida pela violência policial? O senhor, a senhora, acham justo que o Estado lhes arranque impostos para enriquecer aqueles que se acham vítimas injustiçadas porque o governo matou trezentos deles enquanto eles só conseguiram, coitadinhos, matar a metade disso?”

Façam uma consulta, façam um plebiscito. A nação inteira responderá com o mais eloqüente NÃO já ouvido no território nacional.

É claro que os crimes que esses bandidos cometeram não justificam nenhuma barbaridade que se tenha feito contra eles na cadeia. Mas justifica que estivessem na cadeia, embora tenham ficado lá menos tempo do que mereciam. E justifica que, surpreendidos em flagrante delito e respondendo à bala, fossem abatidos à bala.

Mas eles não acham isso. Acham que foi um crime intolerável o Estado ter armado uma tocaia para matar o chefe deles, Carlos Marighela, confessadamente responsável por atentados que já tinham feito várias dezenas de vítimas inocentes; mas que, ao contrário, foi um ato de elevadíssima justiça a tocaia que montaram para assassinar diante da mulher e do filho pequeno um oficial americano a quem acusavam, sem a mínima prova até hoje, de “dar aulas de tortura”.

Durante a ditadura, muitos direitistas e conservadores arriscaram vida, bens e reputação para defender comunistas, para abrigá-los em suas casas, para enviá-los ao exterior antes que a polícia os pegasse. Não há, em toda a história do último século, no Brasil ou no mundo, exemplo de comunista que algum dia fizesse o mesmo por um direitista.

Sim, os comunistas são diferentes da humanidade normal. São diferentes porque se acham diferentes. São inferiores porque se acham superiores. São a escória porque se acham, como dizia Che Guevara, “o primeiro escalão da espécie humana”.

Eles têm, no seu próprio entender, o monopólio do direito de matar. Quando espalham bombas em lugares onde elas inevitavelmente atingirão pessoas inocentes, acham que cumprem um dever sagrado. Quando você atira no comunista armado antes que ele o mate, você é um monstro fascista.

Por isso é que acham muito natural receber indenizações em vez de pagá-las às vítimas de seus crimes.

Quem pode esperar um debate político razoável com pessoas de mentalidade tão deformada, tão manifestamente sociopática?

Um comunista honesto, um comunista honrado, um comunista bom, um comunista que por princípio diga a verdade contra o Partido, um comunista que sobreponha aos interesses da sua maldita revolução o direito de seus adversários à vida e à liberdade, um comunista sem ódio insano no coração e ambições megalômanas na cabeça, é uma roda triangular, um elefante com asas, uma pedra que fala, um leão que pia em vez de rugir e só come alface. Não existiu jamais, não existe hoje, não existirá nunca.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

A MÍDIA E O MODO COMUNISTA DE PENSAR

Do portal do HEITOR DE PAOLA - PAPÉIS AVULSOS
MSM 20/02/2003



O fenômeno que ficou conhecido como “revolução gramcista” - que não passa de uma nova e mais eficiente estratégia subliminar de doutrinação marxista – foi bem sucedido porque há muitas pessoas ávidas por encontrar um meio simplista e esquemático de fingir que pensa. Quem jamais entrou neste esquema terá dificuldades de entender este artigo; quem entrou e ficou, está tão obliterado pelo que se vai dizer aqui que se recusará sequer a pensar sobre isto. É preciso ter entrado e saído para entender plenamente. A tentação da palavra fácil é tão grande e a saída tão dolorosa e custosa, que são poucos os que se dispõe a enfrentar a si mesmos e admitir o quão burrificados estavam.

A razão é que mesmo os grandes mistérios que há milênios deixam a Humanidade perplexa perante sua própria ignorância, são explicados de maneira simplificada e compreensível para qualquer sujeito que decore as regrinhas básicas do pensamento “dialético”. Todas as relações humanas são facilmente explicadas dentro da noção de “luta de classes”. A metafísica é negada como “ideologia burguesa”, a religiosidade como superestrutura de justificação do domínio de classes. Não há mistérios. Tenta-se apresentar como ciência o que não passa de uma tentativa pífia de fazer uma religião “laica”.

Mas esta simplificação não se mantém sem pelo menos dois outros componentes. O primeiro é a necessidade de compartilhar as explicações com o maior número de pessoas possível. O comunista não pensa, substitui o pensamento por dogmas, é incapaz de uma opinião própria, sua, independente dos demais. Se não for compartilhado numa “consciência coletiva” a qualquer momento o dogma pode falhar, como freqüentemente ocorre, e o sujeito que não aprendeu a pensar por si mesmo, sente-se como um náufrago sem terra à vista. A perplexidade o ameaça de sucumbir ou de acabar pensando de verdade, com tudo de sofrimento que isto implica, pois pensar é um ato solitário e muitas vezes frustrante. A solução então é suspender a perplexidade até saber a opinião “do grupo”, que o reanima.

Estes grupos não funcionam iguais a outros, não se busca ali a livre troca de opiniões ou, como no caso de grupos decisórios, de chegar a uma maioria. É preciso mais, é necessário o “consenso”, a burra unanimidade, sem a qual a antiga perplexidade voltaria a ameaçar. Foi baseado na persistência nos adultos desta necessidade infantil, ou no máximo das “patotas” adolescentes, que Lênin criou o conceito de “centralismo democrático”, onde após a discussão “fecha-se uma posição” que passa a ser incontestável. Tais grupos funcionam obrigatoriamente de forma orgânica, isto é, não são grupos de indivíduos completos em si mesmos, mas de uma massa orgânica disforme na qual cada pessoa não passa de um órgão de um organismo completo, que é o próprio grupo. Decorre daí a noção errônea de que um grupo é mais do que a soma dos indivíduos que o compõe, que domina os debates sociológicos e psicológicos há décadas.

Como esta consciência coletiva não passa de uma falsa consciência, a simplicidade e unanimidade não são suficientes. É preciso evitar a qualquer custo o aparecimento de opiniões contrárias que venham a emergir dentro do grupo ou fora dele e que possam por a nu esta falsidade. O terceiro passo, portanto, é o que conhecemos por “patrulhamento ideológico”. Sobretudo é preciso impedir que alguns dos elementos do grupo escapem do condicionamento em que estão programados e, simultaneamente, ampliar ad infinitum o número de adeptos. Ora, felizmente a mente humana nem sempre é tão dócil assim e é preciso impedir a tentação de se deixar influenciar por “más companhias”, pessoas que efetivamente pensem e tenham idéias próprias.

É neste ponto que a necessidade da tomada de assalto dos meios de comunicação se torna fundamental. A mídia prolífica, fértil e polêmica que tínhamos há umas três décadas era combatida como “imprensa burguesa” à qual se opunham os jornais “populares”, que ninguém, a não ser os “adeptos”, lia, dada a indigência intelectual dos mesmos. Era preciso mudar este estado de coisas e como de nada adiantava o combate limpo e aberto, era necessário tomar por dentro, minar a criatividade, substituindo-a paulatinamente pela massa amorfa em que a máxima divergência seja a do “sim” com a do “sim, senhor” e todos concordem quanto aos slogans fundamentais, palavras que perderam todo significado, como “justiça social”, “cidadania”, “progressista” , “neoliberal” e tantas outras que conhecemos muito bem. Não tenho dúvidas que a obrigação de estudar jornalismo para ser profissional de imprensa foi um dos golpes mais duros na criatividade, pois os tais grupos tomaram de assalto as faculdades de jornalismo e passaram a criar uma choldra que nada mais faz do que repetir uns aos outros.

Finalmente, quem discorda é imediatamente anatematizado com outros slogans, como reacionário, direitista, conservador. Isto de público, dentro dos seus grupelhos os termos utilizados são impublicáveis. A Internet propiciou uma saída para esta situação, mas já é alvo do mesmo patrulhamento, com a expulsão de quem pensa diferente dos editores de sites interessados em manter a belíssima unanimidade da ignorância.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Explorando os nossos infortúnios econômicos

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Jeffrey Nyquist em 15 de julho de 2008


Resumo: Na guerra pelo controle do mundo, mentirosos se travestem de reveladores da verdade e teorias conspiratórias têm sido um importante veículo para promover uma agenda totalitária de subversão e agitação revolucionária.

© 2008 MidiaSemMascara.org

A economia global está em apuros. De acordo com o jornal londrino The Telegraph, o Royal Bank of Scotland aconselhou seus clientes a que “reforcem sua posições em preparação para uma quebradeira geral nos mercados de ações e de crédito no transcorrer dos próximos três meses”, na medida em que a inflação, conduzida pelos altos preços da energia, paralise os principais bancos. É triste o fato de que os preços do petróleo tenham se recusado a cair. Dizem-nos que, recentemente, os sauditas tentaram reduzir o preço do barril – mas eles falharam.

A dor continua enquanto as perdas continuam a crescer. Haverá promessas políticas – com a ênfase na palavra “políticas”. De um lado, temos o senador John McCain, e do outro, o senador Barack Obama. Escrevendo no Wall Street Journal de 19 de junho, Karl Rove[1] alertava que ambos os candidatos à Casa Branca “podem se revelar iletrados em matéria de economia e irresponsavelmente populistas”. Ambos fazem as delícias do público que nutre a convicção de que as companhias de petróleo estão obtendo lucros obscenos. Mas as companhias de petróleo não são o problema, e se nós não tivermos a capacidade de avaliar a importância do assunto, com alguma perspectiva, a crise econômica se transformará em crise política, e esta poderá levar a uma sublevação social. Eu temo que os líderes dos EUA tenham ignorado o perigo, uma vez que o foco de sua atenção está concentrado no Oriente Médio e nas eleições. Sob a superfície, e por muitos anos, os valores e os ideais ocidentais vêm sendo atacados nos campi universitários americanos, nas igrejas, na televisão, em livros e na Internet. E eu ainda acrescentaria, apesar de poucos concordarem comigo, que isso foi apenas uma preparação do terreno para algo mais.

Num filme documentário de 2007 [link para o vídeo], intitulado Zeitgeist[2], dizem-nos que o Cristianismo é uma religião falsa, que os ataques de 11 de setembro foram uma armação interna e que os terríveis bancos centrais estão por trás de um sistema de escravização e pauperização. O filme nos diz que somos vítimas da conspiração de uma elite que usa a religião, a política e o dinheiro para controlar nossas vidas. O apelo à paranóia é realizado por uma série de giros e mudanças bruscas. Mas o que o filme evidentemente não faz é notar que o Cristianismo, o governo americano e um sistema com base num banco central deram à humanidade a mais bem sucedida sociedade da história. Três gerações de americanos desfrutaram de um alto padrão de vida e de uma excepcional liberdade individual. Que tenhamos usado mal nossa riqueza é outro problema; que tenhamos nos tornado uma sociedade permissiva e narcisista é mais fundamental na condução política do que ideologias ou política partidária. Mas isso apenas descreve a nossa vulnerabilidade.

É preciso repetir que os valores do Cristianismo, da República Americana e do capitalismo estiveram sob ataque de rivais totalitários por décadas. Quer você aprove, ou não, os valores e tradições ocidentais, você não pode negar a veracidade desta afirmação. Um desafio esteve e está em andamento, e este desafio tem implicações internacionais – formidáveis implicações estratégicas. As idéias expressas no documentário Zeitgeist são as idéias cardeais daqueles que desejam derrubar “as forças políticas estabelecidas”. Ponderem sobre este desafio ao sistema no contexto daquilo que está acontecendo na esfera econômica e o que deve acontecer na esfera política. O nome do jogo é jogar a culpa.[3] Está em curso um ataque contra a autoridade religiosa, contra a autoridade política existente, e também contra o sistema econômico tal como representado pelos “banqueiros centrais”. O ataque está acontecendo em muitos níveis simultaneamente; está em curso há décadas e pode acelerar-se em breve.

Se houve uma conspiração, não foi uma conspiração de autoridades religiosas, de George W. Bush ou de diretores de bancos centrais. Em vez de uma conspiração do establishment, há uma conspiração revolucionária dirigida contra a fé cristã, o Tio Sam e o capitalismo. O documentário Zeitgeist sugere que a fé e o patriotismo são embustes, fraudes, e que a base da sociedade é uma mentira. Porém, o documentário mesmo faz uso da manipulação e do engodo para passar a sua mensagem. Um discurso do presidente Kennedy sobre a conspiração comunista internacional é tirado do contexto para fazê-lo soar como um discurso contra uma trama secreta que o mataria em Dallas.

Na guerra pelo controle do mundo, mentirosos se travestem de reveladores da verdade, enquanto os líderes do mundo livre são demonizados como “riquíssimos malfeitores” ou “fomentadores de guerras”. Teorias conspiratórias têm sido um importante veículo para promover uma agenda totalitária de subversão e agitação revolucionária. Elas são usadas para desacreditar nossos líderes às vésperas da próxima guerra. O que revela o impulso totalitário nesse filme em particular é o seu ódio violento às mais básicas estruturas da Civilização Ocidental. Deve ter-se em mente, antes de qualquer coisa, que aqueles que buscaram a erradicação do Cristianismo, do governo constitucional e do capitalismo eram antes conhecidos como “comunistas”. Seu legado é o legado de Lenin, Stalin, Mao e Pol-Pot. As estrelas menores do movimento incluem luminares do porte de um Fidel Castro, Hugo Chávez, Robert Mugabe, Ho Chi Minh e Kim Jon IL, dentre outros.

Se a “Revolução é agora”, como diz o filme, então essa revolução tem muito em comum com a revolução nacional-socialista na Alemanha – que se apoiou numa teoria da conspiração. Hitler sempre afirmava que os banqueiros, também conhecidos como “os judeus”, exemplificavam a perversidade do capitalismo e a decadência da cultura de mercado. “Meus sentimentos contra o americanismo são sentimentos de ódio e profunda repugnância”, dizia Adolf Hitler. Os Estados Unidos são parte de uma “civilização materialista venenosa”, diziam os intelectuais japoneses a mando do general Hideki Tojo. A destruição do Ocidente era o sonho de Lenin e o grande projeto de Stalin. Na China, a alta liderança ensina aos seus oficias que eles devem se preparar para uma futura guerra contra os Estados Unidos.

A ideologia anti-ocidental estimulou o Eixo na II Guerra Mundial e o Bloco Comunista durante a Guerra Fria. Ela estimula a al Qaeda e o regime clerical iraniano. Se você observar a política doméstica americana, a ideologia antiocidental inspirou e estimulou os radicais dos anos 1960 da mesma fora que continua a inspirar e estimular o movimento antiguerra hoje. George W. Bush é injustamente difamado e caluniado: “um mentiroso e fomentador de guerras”. Na verdade, ele não é nada além de um homem bem-intencionado que foi mal servido por seus conselheiros e traído por seu próprio serviço de inteligência. Seus erros não são os de um mestre conspirador. A lógica da retórica totalitária supõe que o 11 de setembro tenha sido uma armação americana porque é intolerável permitir que o capitalismo e a República Americana tenham qualquer tipo de superioridade moral. Todas as medidas de defesa nacional são, por isto, denunciadas como ilegítimas. Todos os funcionários do governo americano são vilões, escroques e bobos. A República é nada mais que um sistema de exploração que precisa ser derrubado. Atentem para estas palavras. Não sejam levados pelo rufar dos tambores da propaganda antiocidental.

[1] NT: Karl Rove é considerado um dos grandes “arquitetos” e organizadores do Partido Republicano. Atribuem-lhe, dentro e fora do partido, os maiores méritos pelas duas vitórias de George W. Bush nas eleições presidenciais em 2000 e 2004. Odiado e temido por muitos, é subestimado por muito poucos.

[2] NT: Zeitgeist, palavra alemã que significa “o espírito do tempo, da época”. Foi e é utilizada em contextos variados.

[3] NT: The name of the game is to blame. A rima é intraduzível, mas pode ser explicada: a tática é inculpar a outros pelos efeitos maléficos de suas ações planejadas.

© 2008 Jeffrey R. Nyquist

Publicado por Financialsense.com

Jeffrey Nyquist é formado em sociologia política na Universidade da Califórnia e é expert em geopolítica. Escreve artigos semanais para o Financial Sense, é autor de The Origins of The Fourth World War e mantém um website: http://www.jrnyquist.com/

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Grandes Perigos

Do portal do NIVALDO CORDEIRO
11/07/2008

Os acontecimentos dos últimos dias têm sido desnorteantes para aqueles que foram por eles surpreendidos. Todavia, devo dizer a você, meu caro leitor, que eles eram perfeitamente previsíveis, tanto quanto um passo lógico de uma equação. De uma banalidade desconcertante. A demagogia revolucionária não é capaz de criar, apenas de repetir-se, talvez porque seus agentes sejam por demais apegados aos manuais de seus antigos teóricos (C.T. - eu já vejo a coisa assim: o fato de a mente do sujeito SER REVOLUCIONÁRIA é por si só uma prova de estupidez humana e como o estúpido só sabe repetir-se e àquilo que ouviu...). Demasiado humana ela é, a demagogia. É, como Nietzsche dizia de coisas muito mais importantes (e estava nisso errado), a sina do eterno retorno do mesmo. Estamos a ver em nosso país o velho filme bolchevique/nazista, aperfeiçoado por Gramsci, de tomada do poder de Estado. Não precisaram disparar um tiro que fosse.

A caçada aos banqueiros e aos ricos de um modo geral sempre foi a lógica e a tônica dos campeões da igualdade geral, a mais maluca e insana das idéias de Rousseau perseguida desde sempre pelos revolucionários. A tropa do PT já está se sentindo suficientemente forte para pôr os ricos em fuga. Antes os industriais e comerciantes apenas, agora a “categoria” dos banqueiros. É puro terror patrocinado pelo Estado. Entendo que estamos perigosamente a tangenciar o regime de exceção, sob o amparo das leis injustas e excessivas, que dão aos esbirros do Estado todo o poder sobre a vida privada do cidadão. Não haverá retorno à normalidade se não começar imediatamente a mobilização contra as forças da esquerda revolucionária no poder, no terreno em que elas têm sido imbatíveis: no campo da política.

É preciso que aqueles que deram apoio tácito e recursos aos militantes das esquerdas até agora cessem imediatamente de fazê-lo, passando a financiar a oposição. E não apenas aquela oposição consentida, tão bem representada pela social-democracia. Esses financiadores, cuja cara mais óbvia é a dos banqueiros agora perseguidos, precisam acordar para a realidade mais óbvia. O mundo como o conhecíamos, de segurança institucional, de confiança nas forças da ordem, foi-se. Acabou. Morreu de tanta covardia e cegueira da nossa elite econômica. Esse acordar não será fácil, será um despertar em meio a um pesadelo dantesco. Mas o despertar terá que acontecer sob pena de se ir direto ao sono eterno sem saber a causa.

O sistema legal já está completamente deformado no Brasil. Veja-se essa estúpida lei seca, recém aprovada. Ela grita aos nossos ouvidos: “Todo poder ao guarda de trânsito, o novo guardião das virtudes públicas”. É emblemática da nossa situação. O Estado transformou-se no grande inimigo das pessoas. Uma ameaça permanente e cara, que nos rouba a todos e nos ameaça com as suas masmorras e suas multas impagáveis. Falar, escrever, andar de carro, andar a pé, beber um gole ou fumar um cigarro: tudo agora ficou muito perigoso. A vida espontânea esfumou-se. É preciso agora a prontidão de um sentinela romano para chegar em casa, ao fim do dia, são e salvo dos perigos estatais. O poder de repressão às banalidades da vida chegou ao paroxismo.

É preciso que lideranças apareçam para enfrentar o infortúnio. Só na vida político-partidária se poderá reduzir a pressão sobre as gentes. Antes, no entanto, faz-se necessária a metanóia das crenças desses potenciais líderes: é preciso restabelecer as tradições, o culto à liberdade, o sentido da vida privada, o respeito inalienável à pessoa. Não é tarefa simples quando se cultua, há décadas, o coletivo, as massas, o Estado; se inimiza os virtuosos, se elege a luta de classes como a redentora da Nação. Antes terá que vir a pedagogia e não sei se teremos nem tempo para isso.

Em texto sombrio de 1923 – tempos muito parecidos com os atuais e que pressagiavam o que viria depois – Ortega y Gasset escreveu: Las épocas post-revolucionarias, tras uma hora muy fugaz de aparente esplendor, son tiempo de decadência, Y las decadencias, como los nascimientos, se envolven históricamente em la tiniebla y el silencio. La historia practica un extraño pudor que le hace correr un velo piadoso sobre la imperfección de los comienzos e la fealdad de las declinaciones nacionales.

E completou o ensaio, de forma crua: Comienza el reinado de la cobardia – un fenómeno extraño que se produce lo mismo en Grecia que en Roma, y aún no ha sido justamente subrayado. En tiempos de salud goza el hombre medio de la dosis de valor personal que basta para afrontar honestamente los casos de la vida. En estas edades de consunción, el valor se convierte en una cualidad insólita que sólo algunos poseen. La valentia se torna profesión, y sus profesionales componen la soldadesca que se alza contra todo el poder publico (Notem bem, não é o Estado aqui, mas o povo em geral - NC) y oprime estúpidamente el resto del cuerpo social.

Há alguma dúvida de que vivemos neste tempo de covardia? Onde estão as lideranças? Por que há essa ausência de homens egrégios e essa presença massacrante das massas estupidificadas, personificadas nos Lulas da vida? Quem tem coragem de ser voluntário? Quem ousa enfrentar os decadentes?

A grande superstição dos nossos tempos, sua grande cortina de fumaça e justificativa para a covardia, é achar que o mercado tem algum poder sobre o processo. Santa ignorância! Só a verdadeira ciência política para mobilizar os melhores para segurar a decadência e impedir uma tragédia de maiores proporções.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Hegemonia e Ainda a Hegemonia

Do portal do OLAVO DE CARVALHO
Por Olavo de Carvalho em 02 de julho de 2008

Desde a década de 30, o Partido Comunista foi-se tornando cada vez mais a influência cultural dominante no Brasil, não por sua superioridade intelectual, é certo, mas por sua capacidade de arregimentar escritores, artistas, jornalistas e professores numa elite militante bem organizada, consciente da sua missão de transformar toda a vida do espírito em arma de guerra revolucionária.

A astuta manipulação de cargos e prestígios, a ocupação de espaços, o boicote feroz aos adversários logo reduzidos a servos dóceis da polítca comunista por meio da intimidação e da chantagem – tais foram os instrumentos com que o Partido acabou por emascular uma intelectualidade conservadora na qual avultavam tipos do porte de um Manuel Bandeira, de um Gilberto Freyre, de um Nelson Rodrigues, de um João Camilo de Oliveira Torres, de um Lúcio Cardoso, de um Gustavo Corção, de um Antônio Olinto, de um Paulo Mercadante, de um Otto Maria Carpeaux e tantos outros, com os quais a esquerda jamais poderia concorrer no campo do livre debate.

Eleitoralmente, o Partido jamais foi grande coisa, mas sua influência tornou-se desproporcionalmente maior que seu minguado número de eleitores, ao ponto de impor à nação um presidente pró-comunista e consolidar o seu poder mediante um plebiscito em que a linguagem da lei e da ordem foi habilmente posta a serviço da subversão e da desordem.

Longe de debilitar essa influência, o novo regime advindo em 1964 acabou por fortalecê-la, na medida em que, concentrando seus esforços no combate à subversão armada e esquivando-se preguiçosamente ao dever da luta cultural, permitiu que a esquerda se revigorasse mediante o debate interno, a autocrítica e a reorganização estratégica segundo as linhas preconizadas por Antonio Gramsci, cujas obras, não por coincidência, chegaram ao alcance da militância intelectual esquerdista local precisamente a partir de 1965. Nessa data começou também a circular a mais importante publicação cultural esquerdista, a “Revista Civilização Brasileira” de Ênio Silveira, que marcou um upgrade intelectual da esquerda e provou sua capacidade de reagir criativamente, agressivamente, a uma derrota política que hoje sabemos ter sido apenas superficial e provisória.

Em meados da década de 1970, a hegemonia cultural da esquerda já era, mais que um fato consumado, um direito adquirido. Sem isso, a total falsificação da história do período, hoje consagrada como verdade incontestável em todo o sistema de ensino e em toda a grande mídia sem exceção, jamais teria sido possível – e, sem ela, a escalada triunfal da esquerda rumo ao poder absoluto jamais teria acontecido.

Ao longo de todo esse trajeto, só duas tentativas de resistência liberal-conservadora organizada se esboçaram, ambas tímidas e débeis.

A primeira veio da Igreja, entre os anos 40 e 60, mas foi logo diluída pela infiltração que veio a fazer da intelectualidade católica o mais eficiente instrumento de camuflagem e legitimação do esforço subversivo. A conversão de Alceu Amoroso Lima e de Dom Hélder Câmara ao esquerdismo, a devassidão ideológica fomentada pelo Concílio Vaticano II e a tomada dos seminários por uma hoste de endemoninhados “teólogos da libertação” resultaram na fundação do PT mediante a tripla união adúltera dos bispos com a intelectualidade comunista e com a militância sindical de esquerda, tudo sob as bênçãos da elite globalista bilionária e da mídia chique internacional.

A segunda foi a fundação do Instituto Liberal no Rio de Janeiro em 1983 e do Instituto de Estudos Empresariais no Rio Grande do Sul no ano seguinte, daí resultando o Fórum da Liberdade, que desde 1988 leva anualmente a Porto Alegre os melhores palestrantes liberais e conservadores do mundo. Essa iniciativa meritória, porém, ademais de ser sistematicamente boicotada pela mídia nacional inteira, ainda padece de duas autolimitações congênitas:

(1) Cinge-se ao debate doutrinal, sem nenhuma perspectiva de ação política e muito menos de uma ofensiva antigramsciana organizada na esfera cultural.

(2) Tende a concentrar-se nos temas econômicos, ignorando as questões essenciais da guerra cultural e da estratégia revolucionária e combatendo antes o estatismo enquanto idéia geral do que a esquerda enquanto força política concreta.

Ainda a hegemonia
Por Olavo de Carvalho em 03 de julho de 2008

Um dos princípios fundamentais do marxismo é a união indissolúvel do conhecimento e da ação revolucionária. Quaisquer que sejam os erros da teoria, eles acabam sendo neutralizados, na prática, pela constante revisão da estratégia à luz da experiência adquirida pelo “intelectual coletivo” (o Partido) na sua luta pela conquista do poder absoluto e pela destruição final do adversário.

A intensidade do esforço intelectual coletivo, organizado e voltado a objetivos mensuráveis, dá aos partidos de esquerda uma capacidade de ação concentrada, orgânica, que seus adversários no campo liberal e conservador nem de longe conseguem emular, e no mais das vezes nem mesmo conceber.

Na verdade, a simples necessidade de adestrar os intelectuais e organizá-los para uma ação cultural integrada é algo que jamais passou pelas cabeças dos nossos “direitistas”. No máximo, o que concebem é uma pura “disputa de idéias”, como se, uma vez demonstrada em teoria a superioridade intrínseca da livre empresa, a militância socialista se dissolvesse por si, cabisbaixa e arrependida, desistindo para sempre de suas ambições revolucionárias.

Nem de longe suspeitam que, na voragem da ação política, as “idéias” podem vir a representar um papel bem diverso – ou até inverso – daquilo que parecem anunciar pelo seu mero conteúdo. O “intelectual coletivo”, consciente dessa diferença bem como do fato de que os direitistas em geral a ignoram, diverte-se sadicamente, num jogo de gato e rato, fazendo as idéias mais ortodoxamente direitistas trabalharem pela glória e triunfo do esquerdismo.

A aposta unilateral dos liberais no “enxugamento do Estado”, inspirada em considerações econômicas e morais perfeitamente verazes e justas em si mesmas, mas amputadas de toda conexão com a estratégia política e cultural, só tem servido para transferir as prerrogativas do Estado para as ONGs esquerdistas, quando não para organismos internacionais perfeitamente afinados com o esquerdismo.

A idéia abstrata de “lei e ordem”, inteiramente correta, mas letal quando desligada do respectivo quadro cultural e estratégico, levou muitos liberais a colaborar servilmente na derrubada de Fernando Collor, a entronizar portanto a esquerda como detentora das virtudes morais por antonomásia e a dar-lhe por essa via os meios de elevar a corrupção a alturas que o ex-presidente não poderia nem mesmo imaginar.

Não houve então um só intelectual esquerdista que, vendo o decano liberal Roberto Campos sair do hospital em cadeira de rodas para ir votar contra Collor, não se lembrasse, com enorme satisfação, da máxima de Lênin que recomenda fazer o adversário lutar contra si próprio. E não houve um só deles que não enxergasse, no sepultamento político do ex-presidente, o prenúncio da iminente ascensão petista.

Já assinalei também, nestes artigos, a facilidade com que, em prol da liberdade de mercado, liberais e conservadores admitem negociar – ou ceder de graça – os princípios morais e culturais que geraram essa liberdade e sem os quais ela não subsiste senão como etapa de transição para o socialismo.

A “direita” deixa-se conduzir porque não tem nenhuma visão ou plano de conjunto, apenas o apego a pontos de detalhe que, de um modo ou de outro, sempre podem ser manejados para encaixar-se na estratégia abrangente da esquerda.

Para que tivesse essa visão ou plano, a direita precisaria ter formado uma genuína militância intelectual habilitada, no mínimo, a acompanhar as discussões internas da esquerda e a prever o curso das manobras estratégicas que ali se preparam.

Mas como esperar que os intelectuais da direita enxerguem o futuro, se não querem nem mesmo olhar para o passado e o presente? Participei de muitos Fóruns da Liberdade, em Porto Alegre – a maior concentração de inteligências liberais e conservadoras que já se viu no Brasil – e jamais ouvi ali uma única palavra sobre o Foro de São Paulo, exceto saída da minha própria boca.

Enquanto os liberais e conservadores discutiam em abstrato o sistema econômico e a estrutura do Estado, a esquerda construía, diante dos seus olhos cegos, a maior e mais poderosa organização política – político-militar, na verdade – que já existiu no continente.

E, cada vez que falo em criar uma intelectualidade, eles me olham como se eu fosse um professor de abstratices, a quem se pode ouvir com reverência polida, mas jamais levar a sério no campo da “prática”, que eles consideram o seu terreno próprio. Como se fosse muito prático teimar no erro e perder sempre.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Komintern – A ajuda fraternal aos partidos comunistas de todo o mundo

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Carlos I.S. Azambuja em 14 de junho de 2008

Resumo: O Partido sempre valorizou e considerou mais útil a seus interesses estratégicos um homem tido como de direita, com acesso aos organismos empresariais ou de Segurança, que um provado e leal militante. Essa foi a realidade.

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O Komintern - Organização internacional comunista fundada por Vladimir Lenin e pelo Partido Comunista da União Soviética em março de 1919, que pretendia lutar com “todos os meios disponíveis, inclusive armados, para derrubar a burguesia internacional e estabelecer uma República Soviética internacional como um passo transitório à completa abolição do Estado”.

Após a Revolução Bolchevique de 1917, na Rússia, foram criadas forças e partidos comunistas em vários países, que logo aceitaram as famosas 21 condições exigidas pela III Internacional – também conhecida como Komintern ou Internacional Comunista – para que fossem reconhecidos em nível internacional. O Komintern foi assim definido pelo “Pequeno Dicionário Político”, editora Progresso, Moscou, 1984: “Estado-Maior ideológico e político do movimento revolucionário do proletariado”.

Em troca da adesão, o Komintern outorgava a esses partidos a patente de revolucionários, numa relação periferia-centro que pouco tempo depois ficaria conhecida como Movimento Comunista Internacional. Essa foi a origem dos vínculos que, por 70 anos, os comunistas da ex-União Soviética mantiveram com todos os partidos comunistas do mundo.

Para Lênin, que dirigiu a Revolução Bolchevique, o Komintern tinha como objetivo “lutar por todos os meios possíveis para a derrubada da burguesia internacional e criação de uma revolução mundial soviética, como etapa de transição à completa abolição do Estado”. Nesse contexto, a ditadura revolucionária do proletariado era o único caminho possível para “libertar a humanidade dos horrores do capitalismo”.

Logo depois da Revolução Bolchevique, em 1925, foi instalado em Buenos Aires o Bureau Sul-Americano (BSA) do Komintern, com a tarefa de coordenar as atividades dos partidos comunistas da região. Nesse sentido, o papel do Partido Comunista Argentino (PCA), como correia de transmissão da política do Komintern, passou a ser decisivo, uma vez que, então, o PCA já possuía contatos com dirigentes da Internacional, em Moscou, que eram os que, de fato, dirigiam o PC Argentino.

Nessa época o PCA era o partido comunista mais importante da América Latina, e já contava, em 1923, com cerca de 3.300 militantes.

Em 1928 o Bureau Sul-Americano passou a ter existência legal na Argentina e a refletir as forças e as precariedades do Komintern na região. A bolchevização, ou seja, a aplicação irrestrita das 21 condições leninistas e a adesão incondicional à União Soviética era a condição essencial para que um partido comunista fosse admitido como membro do Komintern. O Partido Comunista Brasileiro, fundado em 1922, logo aceitou essas condições. Tanto é assim que sua denominação era Partido Comunista do Brasil, Seção Brasileira da Internacional Comunista.

Segundo o dirigente comunista argentino Luis Sommi, enviado do PCA ao Komintern, em fins de 1934 foi realizada em Moscou a III Conferência Comunista Latino-Americana, na qual foi aprovada a deflagração, no Brasil, de um movimento armado. Nesse sentido, a Conferência respaldou a criação da Aliança Nacional Libertadora, que pouco tempo depois, em julho de 1935, viria a ser efetivamente criada como uma organização de fachada do PCB.

Sob a tutela da Internacional Comunista, criaram-se uma série de organizações internacionais, entre as quais pode-se citar: Internacional Sindical Vermelha (Profintern), Internacional da Juventude Comunista, Socorro Vermelho Internacional (MOPR), Internacional Camponesa (Krestintern) e Internacional Desportiva Vermelha (Sportintern);

Em 15 de maio de 1943, depois de celebrada a Conferencia de Teerã, o Presidium do comitê executivo da Internacional Comunista, “tendo em conta a maturidade dos partidos comunistas” nacionais, e para evitar os temores dos países capitalistas aliados, decidiu disolver a Internacional Comunista.

Em 1947 foi criada a Kominform (Oficina de Informação Comunista) como substituta da Komintern, que reunía os Partidos Comunistas da Bulgária, Checoslováquia, França, Hungria, Itália, Polônia, a União Soviética e Iugoslávia. Foi dissolvida em 1956 por Nikita Kruschev.

William Waak, em seu livro “Camaradas”, assinala que a Intentona Comunista seria impossível de ser explicada sem levar em conta a personalidade carismática de Prestes, já então membro do Comitê Executivo do Komintern. Baseado em dados inéditos, pesquisados nos arquivos do Komintern, em 1993, em Moscou, William Waak demonstra que a Intentona Comunista foi mais uma ação do prestismo do que do comunismo.

Em 1932, quando o general Agustín Justo tomou o Poder na Argentina, em decorrência de um golpe de Estado, o Bureau Sul-Americano foi tornado ilegal, passando a funcionar em Montevidéu.

Sobre o tão falado Ouro de Moscou, ou seja, a ajuda fraternal que o PC Soviético sempre deu a todos os partidos comunistas do mundo, deve ser assinalado que sustentar um exército de revolucionários profissionais que tornasse possível a manutenção de casas ilegais (aparelhos), imprensas, depósitos para literatura, aparatos de autodefesa, gráficas, serviços de Inteligência, etc, requeria muito dinheiro. Dinheiro que os PCs da região não tinham. Nesse contexto, a ajuda fraternal, embora limitada para as necessidades sempre crescentes, não era desdenhável. Aos partidos comunistas antepunham-se duas alternativas: o caminho das expropriações revolucionárias ou o da penetração nos grandes âmbitos econômicos – os chamados empreendimentos partidários. Todos os partidos comunistas do mundo optaram por este último caminho, que requeria pessoas fiéis e incorruptíveis.

O Ouro de Moscou, no entanto, não fluía sem limites e, muitas vezes, nem em montantes significativos que atendessem a todas as necessidades partidárias. Todavia, esse auxílio fraternal foi muito mais amplo do que se possa imaginar, conforme os balancetes dados a conhecer em Moscou após o fim da União Soviética, a partir de 1991. Seguindo o jornal Konsomolskaya Pravda de 8 de abril de 1992, o PCUS, somente em 1990 – ou seja, 5 anos após a implantação das políticas da glasnost e perestroika, de Gorbachev – “ajudou com mais de US$ 200 milhões os partidos irmãos do mundo, entre os quais o da Espanha e Portugal e quase todos da América Latina. Os mais beneficiados foram os partidos comunistas do Chile (US$ 700 mil), da Argentina, da Venezuela e de El Salvador (US$ 450 mil cada um). Os do Brasil e Colômbia receberam US$ 400 mil cada um. Os partidos de tendência comunista da Espanha receberam US$ 300 mil e o PC Português, o primeiro da lista, U$ 1 milhão”.

O apoio político e a ajuda fraternal, todavia, não eram dados apenas aos partidos comunistas fiéis a Moscou, como seria lícito supor. Ao final da década de 70, dos diversos exilados latino-americanos que foram acolhidos e viveram em Moscou e em países do bloco comunista, cerca de 100 pertenciam à organização argentina de luta armada Montoneros, segundo registra o livro El Oro de Moscu, 1994, de Isidoro Gilbert, ex-chefe da agência de notícias soviética Tass, em Buenos Aires. Ou seja, o PCUS, que se sobrepunha ao Estado soviético, apoiava também as organizações de luta armada, ao mesmo tempo em que mantinha negócios e relações diplomáticas com os países onde essas organizações atuavam, como ficou claro com o apoio em dinheiro, armas e treinamento aos militantes da Frente Patriótica Manuel Rodriguez, uma cisão do Partido Comunista Chileno que, em meados da década de 80 descambou para a luta armada.

Essa ajuda fraterna era, todavia, muito mais ampla que as cifras mencionadas pelo Konsomolskaya Pravda. Implicava também em financiamento de editoras, gráficas, jornais, revistas, viagens de membros do aparelho dirigente ao exterior, férias anuais em casas de repouso na Criméia, educação política e treinamento de quadros nas escolas do partido, em Moscou, inclusive treinamento militar e outros tipos de auxílio. Muitos negócios no comércio exterior foram facilitados graças à interferência do Departamento de Relações Internacionais do PCUS, ao qual se vinculavam os partidos comunistas de todo o mundo, através de um “referente” (membro do aparelho do Departamento de Relações Internacionais responsável pelos assuntos de um PC determinado, encarregado de encaminhar e buscar solucionar todos os problemas, que ordinariamente surgiam, envolvendo o partido comunista ao qual ministrava assistência). O “referente” fazia também as vezes de “perevodchic” (intérprete) quando das reuniões de visitantes comunistas com funcionários de maior hierarquia do PCUS. Os “referentes” sempre conheceram de perto e influenciaram nas lutas íntimas dos partidos comunistas aos quais davam assistência política.

Nos casos de intermediação de negócios de comércio exterior, os partidos comunistas recebiam comissões por parte das empresas nacionais que haviam sido ajudadas. Mas, na medida em que o socialismo real se foi degradando, particularmente após 1985, quando Gorbachev assumiu o Poder na URSS, sua decadência influenciou negativamente sobre esses negócios, bem como sobre os empreendimentos partidários, pois nenhum deles conseguiu adaptar-se à situação de livre mercado. Na Rússia de hoje, conforme a imprensa dá conta quotidianamente, o fim do PCUS deixou a várias frações e diversos ex-dirigentes pós-soviéticos alguns negócios, dando origem ao que hoje é chamado máfia russa.

Depois que o PCUS foi formalmente colocado na ilegalidade e declarado extinto, em agosto de 1991, seus arquivos secretos foram abertos e, alguns deles, rapidamente fechados. Velentin Falin, último chefe do Departamento de Relações Internacionais do PCUS, que em fins de 1992 solicitou e obteve asilo político na Alemanha – onde havia sido embaixador – declarou que “em meados de março de 1990, uma grande injeção financeira foi recebida pela maioria dos partidos comunistas estrangeiros. O da França recebeu US$ 2 milhões, o do Chile US$ 700 mil, os da Alemanha e Portugal US$ 500 mil cada um, o do Líbano US$ 400 mil, o de Luxemburgo US$ 270 mil, e os da Índia e Argentina US$ 250 mil cada um” (jornal Novedades, Moscou, 27 de setembro de 1992).

Também o livro “A Conspiração do Kremlin”, escrito conjuntamente pelo Procurador-Geral da Rússia, Valentina Stepankov, por seu segundo, Evgueny Lisov, e pelo jornalista Pavel Nikitin, assinala que o PCUS doava cerca de US$ 20 milhões de ajuda financeira, anualmente, aos partidos comunistas e organizações revolucionárias de todo o mundo. Esse montante é considerado correto pelo general da KGB, hoje na reserva, Nokolai Leonov.

Todavia, a imaginação criadora daqueles que geriam os fundos financeiros do PCUS não tinha limites. Havia outras formas de enviar dinheiro aos partidos comunistas estrangeiros. A Federação Sindical Mundial, a Federação Mundial da Juventude Democrática, a União Internacional de Estudantes, a Federação Democrática Internacional de Mulheres, e outras entidades que integravam o Movimento Comunista Internacional, também possuíam seus canais, se bem que mais modestos, de remeter ajuda fraternal às entidades similares dos países do Ocidente.

Essa tarefa de auxílio aos revolucionários de todo o mundo teve início em 1920, logo depois da Revolução Bolchevique, através do Serviço de Relações Internacionais do Komintern, entidade conhecida pela sigla OMS (Otdel Mezhdunarodnykh Suyasey), que era a alma do aparato secreto do Komintern, pois controlava os códigos para a transmissão e o recebimento de mensagens, bem como as planilhas sobre o financiamento aos partidos comunistas, que eram manuscritas, a fim de que delas não tomassem conhecimento olhares menos confiáveis.

Existiam, então, representantes do OMS em todo o mundo, aos quais cabia a tarefa de fazer chegar essa ajuda fraternal a quem de direito. Esses representantes, contudo, não devem ser confundidos com os dirigentes do Komintern enviados ao exterior para educar na doutrina científica os membros dos partidos comunistas estrangeiros. Os partidos comunistas da América Latina, por exemplo, durante toda a existência do Komintern, desativado por Stalin em maio de 1943, receberam a ajuda financeira através do Bureau Sul-Americano, em Buenos Aires e, posteriormente, em Montevidéu.

Nesse sentido, é edificante o quadro publicado por William Waak, na página 210 do seu livro “Camaradas”, relacionando “os gastos justificados ao Komintern de abril a setembro de 1935” com a conspiração que resultou na Intentona Comunista. Segundo esse quadro, desde então, Luis Carlos Prestes era um assalariado do Komintern, recebendo a quantia de US$ 1.714,00.

A nova situação criada com o fim da União Soviética e o desmantelamento do PCUS afetou fundamentalmente as finanças dos partidos comunistas de todo o mundo, que a partir de 1992 não mais receberam a ajuda fraternal à qual haviam se acostumado por 70 anos, levando à falência os jornais, revistas, gráficas, editoras e demais empreendimentos da maioria – senão de todos - os partidos comunistas do mundo.

A bem da verdade, deve ser assinalado que essa múltipla colaboração, sob a hegemonia do PCUS e sob a égide do Movimento Comunista Internacional, não obscurece o talento e o sacrifício de milhares de militantes que integraram os aparatos anônimos dos partidos comunistas de todo o mundo, que participavam de comícios, greves políticas, distribuição de panfletos e colagem de cartazes, tarefas essas que marcaram a ferro e fogo as personalidades da grande maioria desses anônimos que fizeram dessa profissão o seu modo de vida e jamais conheceram outro, e da vida um alheamento da realidade. Profissão que deglutiu famílias e pessoas diabolicamente convencidas de estarem lutando por um mundo melhor.

A esses, o dinheiro nunca chegou. Viviam como pedintes, do que era denominado “circulismo”. Isto é, de arrecadar dinheiro em seu círculo de amigos, colaboradores e simpatizantes. Muitos desses militantes agora perguntam: “O que se passou?”. Nada, apenas o tempo...

Contraditoriamente, o Partido (com inicial maiúscula) sempre valorizou e considerou mais útil a seus interesses estratégicos um homem tido como de direita, com acesso aos organismos empresariais ou de Segurança, que um provado e leal militante. Essa foi a realidade. Realidade que não significou, absolutamente, o fim da História. Pelo contrário, o mundo encontra-se apenas no início de um período duvidoso, carregado de imponderáveis. Mais perigoso que o dos tempos da Guerra Fria. As perspectivas são várias e as diversas conjecturas estão em aberto.

Carlos I. S. Azambuja é historiador.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".