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sábado, 18 de outubro de 2008

Itamaraty ignora brasileira à morte na Alemanha

MOVIMENTO ORDEM VIGÍLIA CONTRA A CORRUPÇÃO - MOVCC

Por Cláudio Humberto 


A baiana Michelle Santos, 21, sentiu na pele o descaso do governo a brasileiros no exterior: em junho foi surpreendida por avançada leucemia quando visitava o namorado em Ludwighafen. Sem seguro de saúde, pediu ajuda ao Itamaraty para voltar e morrer no Brasil, mas foi negada sob a alegação de “falta de verbas”. Michelle, que é pobre, retorna neste sábado ao Brasil graças à ajuda de brasileiros residentes na Alemanha.

Vergonha
Indagada sobre a ação do governo, Michelle disse a esta coluna: “tenho vergonha do meu país, eles simplesmente me negaram o direito à vida”.

Muita despesa
O Itamaraty afirma que fez “o possível” para ajudar a brasileira, lidando com negociações do seu retorno. Michelle nega e diz que nada foi feito.

Solidariedade
A comunidade brasileira em Ludwighafen realizou uma campanha que pagou a ida da mãe de Michelle à Alemanha e sua estadia no país.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

O dia em que os pobres enriqueceram

Do portal do ESTADÃO
por Alexandre Barros

Política é fascinante, não pelo que se sabe que vai acontecer, mas, sobretudo, pelo que não se consegue antecipar.

Durante anos o discurso dos políticos era o de que eles iam melhorar a vida dos pobres. Inúmeras políticas foram feitas em nome disso. Algumas úteis. A maioria, desperdício, porque o dinheiro não chegou aos pobres - comida que foi, no meio do caminho, por políticos desonestos e burocratas honestos, encarregados de distribuir o dinheiro. Em troca de um bom salário, é claro.

O caso é que, pelo menos desde a década de 1950, ocorreram coisas aparentemente desordenadas: uma indústria nacional montada a elevadíssimo custo, uma ampliação da educação (mesmo que sem muito controle de qualidade, o que ficou claro era que melhor era que as pessoas tivessem alguma educação do que nenhuma); a decadência do ensino público e o crescimento da oferta do ensino privado, controlado pelo mercado; a montagem de uma infra-estrutura feita, basicamente, pelos governos militares, por razões militares; a montagem de uma rede de telecomunicações nacional, a instalação de uma indústria aeronáutica e a abertura comercial iniciada em 1991.

A lista é maior, mas vou ficar por aqui. O curioso dessa lista e do que não coloquei nela, por falta de espaço, é que ela não foi obra dos políticos, como um todo. Foi obra de alguns personagens, individuais ou coletivos, que tomaram decisões para satisfazer as suas necessidades específicas.

Juscelino queria reeleger-se. Os militares queriam um Brasil poderoso. Collor queria mais liberdade de consumo. E o PSDB queria reformar o País. Cada um fez um pouco do que queria, por razões privadas, e poucos efeitos dramáticos eram vistos como resultado de cada uma dessas políticas. Só que, independentemente do desejo de cada um dos atores que protagonizaram ou implementaram essas decisões, seus efeitos se foram acumulando, mas, ainda assim, eram pouco visíveis.

O fusível que detonou os efeitos cumulativos de todas essas políticas e tornou a mudança visível foi a continuada política antiinflacionária e o aparente milagre da queda dos juros. De repente, os efeitos sobre os quais muito pouca gente refletia se acumularam e desaguaram como se se rompesse uma barragem: com dinheiro que pouco se desvaloriza e crédito farto, os pobres entraram no mercado de consumo para valer.

Aí apareceram vários nós, especialmente nas áreas controladas pelo Estado e pelo governo, que não mudaram quase nada nesse período. Os setores que menos nós tiveram foram os privatizados mais cedo: telefonia, mineração, indústria aeronáutica, indústria automobilística e rodovias (só as privatizadas). Os nós foram maiores e mais embaraçados nos setores em que o Estado não só permaneceu, como pouco ou nada fez: saúde, educação pública, transportes urbanos, rodovias não-privatizadas, transporte aéreo e infra-estrutura.

Povo consome e pessoas se esquecem de olhar que o milagre da multiplicação dos pães só pôde ocorrer quando entrou nisso tudo um ingrediente essencial: dinheiro estável e barato.

Penamos ainda durante o governo passado e no primeiro mandato do atual presidente, até que o milagre apareceu.

Os aeroportos e as companhias de aviação não davam mais conta de tanta gente querendo voar. As ruas pararam de dar conta de tantos carros novos (e usados), cujos donos queriam ir para o trabalho ou passear. Os sistemas de transporte de massa não davam mais conta das pessoas que precisavam chegar ao trabalho, porque agora tinham emprego.

Em resumo, tudo o que ficou por conta do capitalismo se resolveu - ou porque o capitalismo era dinâmico, ou porque algum político ou burocrata se distraiu e deixou o capitalismo funcionar.

Enquanto isso, socialistas e estatistas continuavam a tentar vender aos pobres a idéia que eles tinham de ter muita consciência crítica e aspirar ao paraíso socialista (que, claramente, não incluía consumir os malditos bens capitalistas), composto de péssimos serviços de saúde, educação e segurança, mal prestados ou não prestados.

O mais curioso é que o atual governo, não se sabe bem por que (eu, pelo menos, não sei), mas talvez por distração ou coincidência, acreditou que uma política monetária austera iria melhorar a situação. E melhorou: agora o presidente chama a atual inflação de inflação boa, porque os pobres estão comendo melhor.

Não vou discutir os discursos de Sua Excelência, mas o mais curioso é que ele e seus bem remunerados burocratas, mais os 513 senhores e senhoras que se reúnem na Câmara dos Deputados e os 81 no Senado, insistem em dar ao povo mais do mesmo: o que não deu certo.

Criam mais algumas dezenas de universidades públicas condenadas ao mau ensino e à ineficiência. Tentam passar uma lei para financiar uma saúde mal produzida pelo Estado e provêem uma segurança em que todos confiam mais no guardas privados do que nas polícias estatais. E o presidente do STF, quando vai ao Rio de Janeiro, tem um carro blindado, confortavelmente alugado com o nosso dinheiro. Melhor que ele não sinta os efeitos do milagre.

Bem-vindos ao Brasil novo, em que os pobres ficaram ricos e o governo não aprendeu que tudo o que deu certo foi resultado do capitalismo. Mas, ainda assim, não acredita no que vê e ainda acha que o estatismo vai dar certo.

Tinha razão Milton Friedman quando disse que, como o governo não produz nada, apenas repassa o dinheiro que tira de quem paga imposto, não importam nem o preço pago nem a qualidade do serviço, porque, afinal de contas, ele gasta o dinheiro dos outros, supostamente em benefício dos outros.

Bem-vindos ao país em que os pobres enricaram. Preparem-se: eles gostaram. Daqui para a frente quererão mais.

Alexandre Barros é pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação do Centro Universitário (Unieuro), de Brasília E-mail: alex@eaw.com.br

sexta-feira, 16 de maio de 2008

10% mais pobres pagam 32% de sua renda em impostos e contribuições; 10% mais ricos pagam só 22%

Do blog ALERTA TOTAL
Por Jorge Serrão em sexta-feira, 16 de maio de 2008

Os 10% mais pobres no Brasil pagam 32% de sua renda em impostos e contribuições, enquanto os 10% mais ricos pagam só 22%. Já os extremamente pobres entregam 44,5% do que ganham para o Estado. Enquanto isso, os 10% mais ricos concentram 75% da riqueza e da renda nacional. Embora sirva para acirrar discursos tipo “luta de classes”, tão ao gosto do patrulhamento ideológico imposto pelo atual desgoverno, os números divulgados ontem pelo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) confirmam que os brasileiros precisam dar um basta no atual sistema de imposto e imposturas.

O próprio presidente do Ipea aproveitou a divulgação dos números para criticar a proposta de reforma tributária proposta pelo desgoverno em que trabalha. Márcio Pochmann reclamou que tal proposta da equipe econômica de Lula não tem o objetivo de promover a igualdade. “Não percebo o princípio de que ela busque a eqüidade fiscal. Não acredito que ela terá impacto, para o bem ou para o mal, nas desigualdades sociais”. O projeto de reforma tributária é coordenado pelo ex-ministro da Fazenda, deputado federal Antônio Palocci Filho, homem cujos banqueiros querem trazer de volta para o desgoverno, no Ministério da Previdência.

Na dura constatação de Márcio Pochmann, “Quem é pobre no Brasil está condenado a pagar mais imposto”. O presidente do Ipea destacou que a maior incidência de carga tributária se dá entre os que ganham entre 5 e 30 salários mínimos (R$ 2.075 a R$ 12.450). Por isso, Pochmann defende a criação de novas faixas para a cobrança do Imposto de Renda – hoje restrito às alíquotas de 15% e 27,5%. A primeira muito elevada para quem ganha pouco. E a segunda muito baixa para quem ganha demais.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

O Estado pesa sobre todos

Do portal do LUCAS MAFALDO

Texto originalmente publicado na Digizap. Siga o link caso queira comentar:
http://colunas.digi.com.br/lucas/dois-tipos-de-liberdade/

Algumas pessoas tentam justificar a alta carga tributária brasileira dizendo que isso não é um problema tão grave, já que são os ricos que pagam a maior parte da conta.

É verdade que os impostos pesam mais sobre quem tem mais dinheiro, mas isso está longe de ser uma coisa boa. Esta idéia não apenas está baseada em um princípio errado – o de que o governo deveria ser um tipo de Robin Hood, roubando dos ricos para dar aos pobres – como em seu pressuposto: a de que altos impostos sobre os ricos prejudicam apenas os ricos.

Como a discussão de princípios é sempre um pouco complicada, nesse artigo limitar-me-ei a discutir o pressuposto: pretendo demonstrar como, ao prejudicar os ricos, o governo prejudica toda a população por tabela.

Peço que o leitor me acompanhe em um exercício empático: coloque-se mentalmente na pele de um empresário que acaba de saber de um novo e gigantesco aumento nos impostos. O empresário consulta os balanços da sua empresa e verifica que o aumento consumirá efetivamente todo o seu lucro do próximo ano. Ou seja: ele não receberá um centavo pelo dinheiro que está investindo.

Imagine-se no lugar desse empresário, caro leitor, e comece a analisar suas alternativas. A primeira e mais óbvia opção, evidentemente, é fechar a empresa. Afinal, para quê investir seu dinheiro em algo que não lhe dará nada em troca? Além de esforço e do tempo que gasta administrando o negócio, o empresário ainda está arriscando perder o patrimônio investido. Se ele não vai receber nada em troca do seu trabalho e do seu risco, porque não simplesmente fechar a empresa e gastar o próprio dinheiro?

É fácil ver como isso prejudica os ricos, mas quais os efeitos que isso trará para os não ricos?

Em primeiro lugar, isso prejudicará os consumidores, que terão uma opção a menos de prestador de serviço; um restaurante a menos, uma loja a menos, uma livraria a menos. Em segundo lugar, isso prejudicará enormemente os funcionários, que ficarão sem emprego e sem renda.

O efeito direto dos impostos sobre os ricos, portanto, é fechar empreendimentos existentes ou impedir o surgimento de novos negócios. Desse modo, o aumento dos impostos prejudica tanto os ricos como todos os trabalhadores e consumidores que se beneficiariam desses empreendimentos.

Mas talvez nosso empresário não queira desistir de sua empresa. Nesse caso, ele terá que descobrir modos de contornar os novos impostos do governo.

Uma primeira alternativa é economizar na matéria prima. Se ele possui um restaurante, pode comprar uma carne de pior qualidade; se tem uma loja de roupa, um tecido mais simples. Desse modo, ele pode baixar seus custos e manter sua lucratividade, mas o consumidor terá um produto de qualidade inferior pelo mesmo preço de antigamente. Ou seja, o aumento dos impostos predicará diretamente os consumidores.
Uma segunda alternativa seria baixar os custos administrativos: demitir alguns funcionários, cortar salários ou aumentar a carga de trabalho de cada membro da instituição. Nesse caso, o aumento dos impostos implicaria em perdas financeiras e em piores condições de trabalho para os funcionários da empresa.

Uma terceira alternativa seria manter os funcionários e a qualidade do produto, mas aumentar o preço final, o que também prejudicaria os consumidores, que teriam que pagar mais pelo mesmo produto que tinham antes.

Portanto, se o governo tentar prejudicar os ricos aumentando seus impostos, as conseqüências negativas dessa medida se espalharão por toda a população. Isso ocorre porque as relações econômicas não são relações de exploração e de luta de classes, mas sim, de mútua cooperação. O empresário precisa do funcionário tanto quanto o funcionário precisa do empresário. Uma empresa só cresce por causa das pessoas que trabalham nela, do mesmo modo que um trabalhador só sobe de vida se a empresa em que trabalha continuar crescendo.

O inverso também é verdadeiro: se o governo cortar os impostos e deixar mais dinheiro nas mãos das empresas, os efeitos benéficos dessa medida se espalharão por toda a população. Com mais capital para investir, a empresa poderá contratar novos funcionários, abrir novas divisões, lançar novos produtos – contribuindo, portanto, para o crescimento de toda a sociedade.

Mesmo que o governo financie seus gastos com o dinheiro de um único grupo em particular, isso não muda um fato fundamental: cada centavo gasto pelo governo é retirado dos setores produtivos da sociedade e, portanto, é um centavo que deixou de ser investido no aperfeiçoamento de projetos que estavam sendo úteis ao povo.

Por isso, o único item essencial de uma reforma tributária é reduzir o custo total do governo. Por mais que se altere a distribuição dos impostos, isso não irá mudar o fato de que todo o dinheiro gasto pelo governo será retirado da economia produtiva. Não importa quem paga. O que importa é que o Estado pesa sobre todos – e o seu peso enorme está continuamente nos empurrando para trás.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Perigosa demagogia: Parte I

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Thomas Sowell em 08 de fevereiro de 2008

Resumo: O mundo de John Edwards, como o mundo de Barack Obama, é um mundo de vítimas, de quem alegam ser os salvadores, comprovando que já é tempo de os eleitores exigirem programas políticos sérios, em vez de retórica emocional que coloca a lógica de lado.
© 2008 MidiaSemMascara.org

A maioria das pessoas tem senso comum e senso de decência suficientes para não apoiar horrores, a menos que alguém encontre uma forma de “desligar” seu pensamento e “ligar” suas emoções.

Jim Jones fez isso levando centenas de pessoas à morte em Jonestown. Numa escala muito maior, foi assim que Lênin criou um regime assassino na Rússia, foi assim que Hitler fez a mesma coisa na Alemanha e Mao na China.

Com tudo isso, devemos estar ainda mais conscientes da necessidade de nos mantermos em guarda contra a demagogia, em pleno século XXI, que aqueles que miravam Hitler, boquiabertos de emoção, nos anos 1930, ou miravam outros demagogos, grandes ou pequenos, por todo o mundo durante o turbulento século XX.

Muitos acham eletrizante que o mantra “mudança” esteja ressoando por todo o país durante este ano eleitoral. Mas façamos o que os políticos esperam que nunca vamos fazer – paremos e pensemos.

É duvidoso que haja um só homem neste país que esteja 100 por cento satisfeito com tudo que está acontecendo. Em outras palavras, todos apóiam mudanças.

A diferença real entre esquerdistas e conservadores está nas coisas específicas que eles desejam mudar, e em que direção deverá ser a mudança.

Milton Friedman foi uma liderança do pensamento conservador enquanto viveu, mas ele queria mudar radicalmente o FED (Banco Central Americano), o sistema educacional, o sistema fiscal, dentre outras coisas.

Todos apoiamos mudanças. Diferimos nas especificidades. Unir as pessoas em torno do inconseqüente mantra “mudança” significa pedir um cheque em branco em troca de retórica. Esse negócio foi feito várias vezes em muitos lugares – e milhões de pessoas viveram o bastante para se arrependerem amargamente.

É muito pedir aos políticos para formularem programas específicos, ao invés de desfilarem entre nós “desligando” nossas mentes e “ligando” nossas emoções por meio de uma retórica inflamada.

Os otimistas até esperam por alguma consistência lógica e por fatos concretos.

Barack Obama diz que quer “curar os EUA e reparar o mundo”. Fica-se imaginando o que ele proporá para um segundo mandato e se ele descansará no sétimo dia.

Que tenham tantas pessoas que são levadas por tal retórica é um enorme perigo, pois isso significa que o destino desta grande nação fica em risco toda vez que aparecer um demagogo competente.

Barack Obama diz que quer “curar” o país e, ao mesmo tempo, vende a idéia de que todo tipo de pessoa é uma vítima por quem ele lutará.

Promover a divisão enquanto se proclama a unidade é algo que só se poder fazer no mundo da retórica.

Contudo, o senador Obama não tem o monopólio da demagogia. O ex-senador John Edwards tem jogado o mesmo jogo por mais tempo, mesmo que não seja com a mesma eficiência.

John Edwards construiu sua fortuna nos tribunais, retratando bebês com defeitos congênitos como vítimas dos ginecologistas. O custo de tal demagogia excede, em muito, as dezenas de milhões de dólares que Edwards embolsou para si próprio enganando jurados ingênuos.

Tais processos, baseados em arremedo de ciência (junk science), têm feito subir os custos do sistema de saúde, não somente diretamente, mas mesmo indiretamente, levando a um aumento dos nascimentos por cesariana e outros caros processos de “medicina defensiva” que protege os médicos em vez de proteger os pacientes.

O mundo de John Edwards, como o mundo de Barack Obama, é um mundo de vítimas, de quem ele alega ser o salvador.

O que é assustador é o pequeno interesse que o público e a mídia têm na história passada dos políticos salvadores e do clamor por uma genérica “mudança”.

Os EUA não são a Rússia czarista ou o Irã sob o governo do xá, de forma que as pessoas podem pensar que qualquer mudança seja para melhor. Mas, mesmo em tais países despóticos, as mudanças – para o comunismo e para o regime dos aiatolás – foram para pior.

Já é tempo de os eleitores exigirem programas políticos específicos em vez de retórica que “liga” as emoções e “desliga” o pensamento.

Publicado por Townhall.com

Tradução de Antônio Emílio Angueth de Araújo

Leia também Perigosa demagogia: Final

Perigosa demagogia: Final

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Thomas Sowell em 14 de fevereiro de 2008

Resumo: O ano eleitoral trás de volta a velha mentira segundo a qual há um fosso crescente entre ricos e pobres, dando uma boa chance para as pessoas que ainda não trocaram fatos reais pela retórica considerarem se não estão sendo enganadas sobre o assunto.

© 2008 MidiaSemMascara.org

Todo mundo espera que os políticos mintam, especialmente em ano eleitoral. Você pode apostar o dinheiro do seu aluguel nisso.

Dentre as muitas mentiras que esperamos ouvir neste ano eleitoral, nenhuma será maior ou mais freqüentemente repetida, pelos políticos e pela mídia, do que a de que há um crescente fosso entre os ricos e os pobres.

Por que isso é mentira, quando há tanta estatística que parece substanciá-la?

Comecemos pelo começo e avancemos um passo de cada vez.

Primeiramente, há uma diferença fundamental entre as categorias estatísticas e os seres humanos de carne e osso.

Quando há uma crescente disparidade entre uma e outra categoria estatística com o passar do tempo, isso não significa que haja uma correspondente disparidade crescente entre os seres humanos de carne e osso com o passar do tempo, pois os seres humanos se movem de uma para outra categoria estatística.

As categorias estatísticas, nesse caso, são faixas de renda. Não há dúvidas de que a renda das faixas superiores tem se elevado tanto absoluta quanto relativamente em relação às faixas inferiores de renda.

O engraçado é que milhões de pessoas se movem de uma para outra faixa de renda.

Ainda mais engraçado é que os contribuintes cuja renda estava na faixa inferior dos 20% em 1996 tiveram um aumento de 91% até 2005.

Enquanto isso, os contribuintes na faixa superior de um centésimo por cento – “os ricos” e “super-ricos”, se você for acreditar nos políticos e na mídia – tiveram sua renda reduzida em 26% durante o mesmo período.

Obviamente, quando a renda de milhões de pessoas quase dobra numa década, muitos deles saem das faixas inferiores de renda. Igualmente, quando outras pessoas que estavam no topo vêem sua renda cair de um quarto, muito delas descem de faixa de renda.

Quando falamos dos “ricos” e dos “pobres”, queremos dizer seres humanos ricos e pobres, não faixas estatísticas de ricos e pobres. Mesmo assim, os políticos e a mídia tratam as pessoas e as categorias estatísticas com se fossem a mesma coisa.

Em parte, a razão para isso é que os dados estatísticos das faixas de renda são mais numerosos e mais fáceis de se encontrar, tanto nas estatísticas do Census Bureau [o IBGE americano] quanto numa variedade de outros lugares.

Os dados de seres humanos de carne e osso e sua evolução temporal estão, no entanto, também disponíveis. As estatísticas mencionadas acima são do Treasury Department [Ministério da Fazenda], que recebe as declarações de impostos das pessoas, o que possibilita a esse órgão acompanhar a evolução temporal da renda de cada contribuinte individualmente.

Você mesmo pode verificar os números num relatório de Treasury Department de 13 de novembro de 2007, intitulado “Income Mobility in the United States from 1996 to 2005” [Mobilidade de Renda nos EUA de 1996 a 2005]. Você pode encontrar um resumo dos mesmos dados no editorial do Wall Street Journal na mesma data.

Esses não são os únicos dados que podem contar uma histórica diametralmente oposta à dos políticos e da mídia, de que os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.

Um estudo prévio do Treasury Department mostrava padrões similares para as mudanças de rendas individuais no período de 1979 a 1988.

Além disso, um estudo conduzido na Universidade de Michigan, que acompanhou os mesmos indivíduos por um período de tempo ainda maior, mostra, de forma similar, a maioria subindo, de faixa em faixa, com o passar do tempo – acontecendo isso especialmente com aqueles que começaram na faixa inferior dos 20%.

O painel “The University of Michigan Panel Survey on Income Dynamics” [Painel sobre dinâmica de renda da Universidade de Michigan] mostrou que, dentre as pessoas na faixa inferior dos 20% em 1975, somente 5% estavam ainda nessa categoria em 1991. Quase seis vezes esse número estavam na faixa superior dos 20% em 1991.

Havia um resumo, nos dados da Universidade de Michigan, do relatório anual de 1995 do Federal Reserva Bank os Dallas, que também editou um excerto intitulado “Com os nossos próprios esforços”.

Dentre a intelligentsia, virou moda debochar da mobilidade de renda e considerá-la um “mito de Horatio Alger”[*] – e, como alguém disse certa vez, você não consegue responder ao sarcasmo. Mas vale a pena, para as pessoas que ainda não trocaram fatos reais pela retórica, parar e considerar se não estão sendo enganadas pelos políticos e pela maior parte da mídia.

[*] Horatio Alger myth no original. Um dito popular americano que se refere a Horatio Alger, prolífico escritor do século XIX, que escrevia contos com o mesmo tema: um jovem de infância pobre que se torna um adulto de sucesso. (N. do T.)

Publicado por Townhall.com

Tradução de Antônio Emílio Angueth de Araújo

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".