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terça-feira, 12 de maio de 2009

A moralidade descartável dos comunistas

LIBERTATUM
SÁBADO, ABRIL 25, 2009

Por Klauber Cristofen Pires

Sei lá o que me deu de assistir ao programa A Grande Família. Nunca fiz isto! Foi a curiosidade? Não sei. Se tem uma sensação que este programa me inspira, é a de "vidinha"; assim o chamaria?

Bem, eis que me flagro assistindo ao epísódio exibido em 23/04/2007, intitulado "Só uma injustiça não dói", e testemunho a cena quando o personagem Mendonça (interpretado pelo ator Tonico Pereira), chefe do Lineu (por Marco nanini), é preso pela Polícia Federal sob a acusação de corrupção.

O personagem Lineu faz o tipo de servidor público honesto, incorruptível, de moral rígida e de reputação ilibada; em termos mais conectivos, diria, faz o próprio garoto-propaganda do PT, naquele tempo em que este partido se auto-proclamava o baluarte da moralidade.

Quem ainda puder se lembrar, que recorde as primeiras vinhetas deste programa (já desta geração) que mostravam o Lineu jovem idealista e agitador político ou sindicalista, a bradar suas palavras de ordem com um megafone em punho, até conhecer o personagem da atriz Marieta Severo.

Voltando ao cerne da questão, no episódio em tela, o seu amigo de longos anos Mendonça é preso pela Polícia Federal, e Lineu, em atitude que comporta a sua moralidade coerente com as suas convicções, exclama mais ou menos nestes termos, depois que Mendonça implora por sua compaixão: " - Não sou amigo de corrupto"!
Aqui se flagra o instinto "Gulag" do idealista Lineu. Ao lixo todos os anos de convívio e de amizade. "- Que coloquem um plástico na cabeça do safado e o joguem numa vala", assim revelou sua postura polpotiana, seguida pela retirada do amigo infeliz pelos policiais. Com mais razão, e pela pena do próprio argumentista da série, em cenas posteriores é provada a inocência de Mendonça. Se, pela vontade ou descaso de Irineu, tivesse sido fuzilado no paredão, só lhe restaria uma cena de remorso.

Este episódio me chamou a atenção pelo fato de semelhante fato ter acontecido comigo. Tratou-se igualmente da prisão de um amigo meu, quando eu já não morava mais na cidade em que trabalhávamos juntos. Conversando com outro amigo, tempos depois, este me informava que praticamente todos os colegas lhes deram as costas e apenas ele e mais um ou outro se revezavam em visitá-lo na cadeia para lhe oferecer algum tipo de conforto.

Compadecer-se de algum amigo que tenha cometido um crime, ou ainda menos, que tenha sido acusado por tanto, é agir com atitude cristã. O cristão não teme o "contágio" do crime ou do criminoso. O cristão não é covarde. Sabe que o amigo deverá enfrentar a lei e as consequências dos seus atos. Mas não o abandona por causa disto. Antes, lhe presta assistência, oferecendo-lhe ânimo, calor humano e se puder, qualquer outro tipo de ajuda material. Se há algum sentido que me seja lícito interpretar na Bíblia de acordo com o que explanei acima, é a máxima de Jesus: "- Não julgueis, para não serdes julgados".

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O anestesiamento moral da humanidade

ESTADÃO DE HOJE
Domingo, 22 de Fevereiro de 2009

Em O Paradoxo da Moral, o filósofo Vladimir Jankélévitch diz que o homem passa a maior parte da vida numa cegueira ética

Regina Schöpke

Para o filósofo e musicólogo francês Vladimir Jankélévitch (1903-1985), "o homem é um ser virtualmente ético, que existe como tal, isto é, como ser moral". Ele complementa a frase com uma afirmação surpreendente: ele é um ser moral "de tempos em tempos e de longe em longe". Parece haver algum sarcasmo nestas palavras, mas trata-se apenas de uma simples constatação: a de que embora os homens não possam prescindir dos seus valores, a verdade é que eles passam a maior parte de suas vidas numa espécie de cegueira moral ou ética, algo que Jankélévitch chama de "eclipses da consciência", "anestesiamento moral". Isso quer dizer que o homem vive transigindo com os próprios valores, praticamente alheio aos princípios nos quais diz acreditar: em suma, fala uma coisa e vive outra. No entanto, basta que algo ameace o seu castelo de areia e, então, a moral ressurge forte. "A moral tem sempre a última palavra", diz Jankélévitch.

De fato, nada parece descrever melhor a existência humana do que o eterno conflito entre os desejos e as necessidades mais profundas do indivíduo e a vida social, as obrigações e os deveres para com "o outro". Para Jankélévitch, a moral sempre será um problema filosófico, e o primeiro deles, independentemente de ser chamado de ética ou outro nome. Afinal, o homem é um animal social e, nesse sentido, o "outro" estará sempre em nosso horizonte, senão o tempo inteiro, ao menos nos momentos mais decisivos. É isso que defende Jankélévitch em seu livro O Paradoxo da Moral (tradução de Eduardo Brandão, ed. Martins Fontes, 252 págs., R$ 37,50). Nele, deparamos com a descrição dos mais profundos dilemas humanos, do eterno medo de desviar-se das obrigações por causa das paixões e até mesmo as incertezas de se viver um grande amor, não apenas quando ele se choca com as conveniências sociais, mas pela própria natureza paradoxal dessa entrega total e atordoante.

Jankélévitch, que ocupou a cadeira de filosofia moral na Sorbonne entre 1951 e 1979, faz uso de linguagem teológica quando nos fala da vox conscientiae. É assim que ele descreve esse "outro" em nós, essa voz sem interlocutor ou, simplesmente, a própria consciência "face a face" consigo mesma. Aliás, há maior paradoxo do que esse ser cindido, que vê a si próprio (ou pensa se ver)? Num âmbito mais profundo, a consciência é aquela que nos alerta dos perigos, que deseja nos conservar, é a que nos lembra de nossos deveres. Para Nietzsche, ela é uma espécie de carcereira do homem, e não um instrumento que lhe sirva de guia. Shakespeare (em Hamlet) também dizia algo semelhante ao afirmar que é ela que faz de todos nós covardes. 

Bem, sendo um conjunto de valores, normas, preceitos, proibições e ideais, a moral é, no fundo, a voz do campo social e de tal maneira ela está impregnada em nossa consciência (e inconsciente) que parece mesmo impossível romper com ela. É isso, pelo menos, que pensa Jankélévitch: por mais que nos julguemos livres, os valores que nos constituíram estão sempre agindo sobre nós. Isso é verdade e mais ainda numa moral teológica como a ocidental, que com seu jogo profundo de culpas e remorsos, eleva o drama do indivíduo à enésima potência. O homem, criado dentro dessa moral de renúncias absolutas e sacrifícios pessoais demasiado humanos (diria Nietzsche), não poderia deixar de ser melancólico e confuso. É assim que a sua vida interior, tão bem retratada por Jankélévitch, mostra-se repleta de crises de consciência, desesperos e, sobretudo, de pavor diante das paixões e dos prazeres, sempre considerados perigosos para a conservação da vida social.

Mas será mesmo a moral algo inescapável? Será que o "eu" é sempre privado de seus direitos à felicidade ou à liberdade em prol dos "outros" (o que, no fim das contas, quer dizer "todos são privados", todos os "eus": eis o paradoxo real)? Sim e não. É claro que somos seres sociais, mas sem felicidade individual também não pode haver felicidade coletiva. É verdade que a vida em sociedade exige que o indivíduo ponha o grupo acima de seus desejos egoístas, mas não de suas necessidades essenciais; uma moral ou uma sociedade que exige isso age contra o próprio homem. Eis o que Nietzsche já havia nos mostrado (e é impossível não tocar em Nietzsche quando o assunto é a moral).

Em outros termos, numa moral de renúncia total, o homem torna-se um ser cheio de falsidades: eis porque as promessas feitas serão quase sempre traídas ou cinicamente vividas (porque, no fundo, o homem não consegue e não pode abrir mão completamente dos seus desejos e paixões; ele apenas os viverá de modo atormentado). Se há algo que Nietzsche ensinou de superior a todos os outros filósofos é que tendo sido o próprio homem o criador de seus valores é sempre possível recriá-los. No fundo, a diferença capital entre Nietzsche e Jankélévitch é que se, para Jankélévitch, o homem vive anestesiado quando fecha os olhos para a moral que o constituiu, para Nietzsche, a moral acaba se convertendo no próprio anestesiamento do homem quando esses valores estão fundamentados em falsos pressupostos. 

Jankélévitch, de fato, conhece bem o homem e a moral. Mas é Nietzsche quem ensina o caminho da vida sem hipocrisias. Ele faz a guerra contra os valores que nos condenam a viver covardemente, a aceitarmos nossa condição como inexorável, a tratarmos como pecado e tentação o que é parte do nosso ser. Se Jankélévitch fala em elevação moral, Nietzsche fala em elevação real. Afinal, para o filósofo alemão, "elevar-se" significa viver de fato os valores na sua máxima potência, e não só de "tempos em tempos". Mas, para isso, é preciso estar em consonância consigo mesmo e com a vida (e não contra ela). É preciso, antes de qualquer outra coisa, ter coragem de romper as amarras e viver de verdade. 

Regina Schöpke é filósofa, historiadora e, atualmente, faz pós-doutorado na Unicamp

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Rebelião dos valores

ESTADÃO
Carlos Alberto Di Franco, Segunda-Feira, 20 de Outubro de 2008

Dizem as más línguas de más testemunhas que Liam Gallagher, cantor do Oasis, já foi visto às 6h30 da manhã caminhando por Hampstead Heath com os filhos, vestidos com uniformes escolares, a caminho da escola. A ovelha negra do rock inglês? Levando os filhos à escola? Soa inverossímil, não?

"Mas é verdade. Antigamente, essa era a hora em que eu chegava em casa, saindo de um pub. Gastava mais tempo bebendo do que com qualquer outra coisa. Agora, eu gasto meu tempo com meus filhos. E eles estão ótimos, obrigado por perguntar", confessou o próprio Liam, falando por telefone ao repórter.

O texto, do jornalista Jotabê Medeiros, foi publicado no caderno Variedades do Jornal da Tarde. É revelador. 

O comportamento de Liam, na contramão da contracultura, mostra que o pêndulo comportamental começa a mudar de direção. Hoje, o subversivo no modo de ser da juventude é o resgate dos valores. Após décadas de liberação dos costumes, toda uma geração de cinqüentões e sessentões assiste, perplexa, a uma contra-revolução moral protagonizada por seus filhos e netos.

A religiosidade dos jovens, por exemplo, é um fato sociológico. Impressionou-me, em Roma, a massa multicolorida de jovens que, nas audiências das quartas-feiras, ocupa a Praça de São Pedro para ver o papa. O túmulo de João Paulo II, atapetado de fotografias e bilhetes deixados por milhares de peregrinos, é um grito espantoso de religiosidade. Bento XVI, sem o carisma de seu antecessor, mas com uma comunicação simples e direta, arrebata a moçada. Tímido, mas cativante na sua humildade que desarma, o brilhante intelectual que ocupa a cátedra de São Pedro é um sucesso no meio juvenil.

Reunidos na celebração da Jornada Mundial da Juventude em Sydney, um mar de jovens recebeu o pontífice com um entusiasmo impressionante. Usando tênis e mochilas, os "papaboys", como são apelidados os jovens que participam das jornadas católicas, dançaram, cantaram e rezaram.

O desempenho de Bento XVI no meio juvenil é uma charada que desafia o pretenso feeling de certos estudiosos do comportamento. Afinal, o estereótipo do papa conservador, obstinadamente apegado aos valores que estariam na contramão da modernidade, vai sendo contestado pela força dos fatos e pela eloqüência dos números. Os megaeventos papais contrastam fortemente com as previsões dos profetas da morte de Deus.

O papa é exigente. Sem dúvida. E os jovens vão atrás do seu discurso comprometedor. Não gostam de um cristianismo aguado. Alguns (e não são os jovens), equivocadamente, vislumbram fervores conservadores no pensamento e na ação do papa. Desejariam, como já escrevi neste espaço opinativo, um papa que deixasse de ser cristão para ser mais bem aceito? 

Pretenderiam que, perante o deslizamento do mundo para baixo, com a glorificação de aberrações ideológicas e morais, o papa exercesse a sua missão acompanhando a descida, cedendo a tudo, limitando-se a belos discursos de paz e amor e a um falso ecumenismo em que todos os equívocos se pudessem congraçar, porque ninguém acreditaria em coisa alguma, a não ser em "viver bem"? 

Bento XVI aposta suas fichas não na quantidade, mas na qualidade. Sabe, como ninguém, que as grandes viradas se apóiam em quadros qualificados.

Mas não é só a religião que reencontra a juventude. A família é outra forte demanda da adolescência. Em casa deixou de rotular os pais de caretas para buscar neles a figura do amigo. A juventude real, perfilada em algumas pesquisas, está identificando valores como respeito, amizade, fidelidade. Há uma busca de âncoras morais e de normalidade.

Recente pesquisa sobre juventude e comportamento realizada em El Salvador confirma essa percepção. O estudo, elaborado a partir de uma amostra de mais de 3 mil jovens salvadorenhos entre 13 e 19 anos, reafirma a importância dos pais na orientação das políticas de saúde e na formação dos adolescentes. Oito de cada dez adolescentes afirmam que seus pais são essenciais para seu desenvolvimento integral, para a transmissão de cultura e de valores. Os jovens manifestam desejo de que seus pais sejam sua primeira fonte de informação sobre estilos de vida, amor e sexualidade.

Os filhos e netos da revolução sexual sentem uma aguda nostalgia de valores. Não é novidade para quem mantém contato com o universo estudantil. 

Os anos da permissividade produziram muito sexo e pouco amor. O relacionamento descartável deixou o travo do vazio. Agora, o auê vai sendo substituído pelo sentido do compromisso. A juventude real manifesta crescente procura de firmeza moral. Aspira, ao contrário do que se pensa, ao conselho seguro. Não respeita a velhice assanhada e concessiva. Espera, sim, a palavra que orienta, o amor que sabe exigir e limitar. Nós, jornalistas, quem sabe, não somos capazes de depor nossos preconceitos e continuamos falando e escrevendo sobre uma juventude que se amolda ao tamanho dos nossos clichês, mas que está muito longe da realidade. Talvez aí resida uma das causas, entre outras, da nossa incapacidade de renovar consistentemente nossa carteira de leitores.

A família, "um produto anacrônico da sociedade burguesa", segundo alguns, assume a liderança da credibilidade entre os jovens; a religião, paradigma da "alienação" na geração liberada, está fortemente em alta.

A juventude, ademais, abraça grandes bandeiras: a luta contra as discriminações, o combate à corrupção, a defesa do meio ambiente e o apoio às minorias. O futuro não será conservador na acepção pejorativa que as patrulhas ideológicas impuseram ao termo. Será, estou certo, um período de recuperação do verdadeiro humanismo. 

Carlos Alberto Di Franco, diretor do Master em Jornalismo (www.masteremjornalismo.org.br), professor de Ética e doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, é diretor da Di Franco - Consultoria em Estratégia de Mídia. E-mail: difranco@iics.org.br

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

A moral dos imorais


MOVIMENTO ENDIREITAR
Qua, 17 de Setembro de 2008 12:25 Olavo de Carvalho

O comerciante que quando pega um freguês distraído lhe vende cem gramas dizendo que são duzentos é sem dúvida um vigarista, mas não tão perverso quanto aquele que altera a balança para que sempre os cem gramas pareçam duzentos.

Do mesmo modo, os crimes e pecados, em qualquer quantidade que seja, nunca são tão graves quanto a deformação do próprio senso moral. Nenhuma anormalidade é tão temível quanto corrupção da norma.

A alma honesta odeia o mal por amor ao bem. A mente estragada odeia determinados males em nome de outros ainda maiores. A diferença aparece no julgamento escalar da relatividade dos males, que no primeiro caso é  baseada na hierarquia objetiva dos valores ameaçados, no segundo é irracional, dependente de interesses egoístas e voltado, em última análise, à dissolução da própria hierarquia de valores.

O Brasil espuma de ódio ao mal, mas em nome de um senso moral corrompido que fomenta a proliferação de males cada vez maiores.

O sintoma mais evidente dessa perversão é que o povo odeia mais os ladrões e trapaceiros vulgares do que os assassinos e narcotraficantes, colocando o dinheiro acima da vida humana.

Um país onde ocorrem cinqüenta mil homicídios por ano não tem nenhum problema mais grave e urgente do que a violência criminosa. A mortalidade equivalente a uma guerra do Iraque por ano, em tempo de paz, é uma anomalia recente que brada aos céus, enquanto a corrupção dos políticos é doença crônica que remonta aos tempos do Brasil-Colônia.

Pode-se tolerar um governo que roube, mas não um governo que, diante do morticínio crescente, atenua as penas para os crimes hediondos, zela pelos direitos humanos dos bandidos mais que pelos das suas vítimas, premia velhos atos de terrorismo e, para cúmulo, mantém boas relações com a mais perigosa quadrilha de narcotraficantes do continente.

O sr. Lula gaba-se de haver mandado prender tais ou quais quadrilheiros. Ora, o que seu governo faz é perseguir traficantes menores, ao mesmo tempo que representantes da alta administração federal e outros membros importantes do seu partido publicam uma revista em parceria com as Farc (América Libre), defendendo objetivos comuns.

A oposição, por sua vez, denuncia mensalões e valdomiragens diversas, mas não diz uma palavra contra essa amizade macabra. A única vez que alguém reclamou quanto a esse ponto foi quando surgiu uma suspeita de financiamento ilegal da narcoguerrilha colombiana à campanha do PT.    

Ora, as Farc matam, seqüestram, distribuem cocaína até na porta das escolas e adestram os bandidos locais para que espalhem o terror nas ruas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Mas, no consenso geral da oposição e da mídia, o PT viver aos beijinhos com essa gente não é grave, enquanto nenhum petista levar dinheiro por isso.

O critério moral subjacente é claro: matar brasileiros é banalidade, mas brincar com dinheiro é crime hediondo. Cinqüenta mil vidas ceifadas por ano são apenas uma incomodidade rotineira, mas cinco milhões de dólares por baixo do pano são um escândalo insuportável.

Entendem por que a oposição está tão desmoralizada?

O discurso dela é tão falso quanto o do governo. Entre dois engodos, o eleitorado simplesmente prefere, como diria o próprio sr.  Lula, não trocar o certo pelo duvidoso.

A própria mídia, quando seus representantes apanham de militantes do PT, só colhe o que plantou. Quem aceita tratar o confronto entre a lei e o crime como se fosse apenas uma disputa eleitoral já deu, só com isso, toda autoridade e dignidade ao criminoso. Não pode querer que, em seguida, ele o trate com respeito e deferência. Quem pede tapa na cara não pode esperar afagos.

O pior é que esse julgamento viciado já corrompeu a mente do próprio povo. Em todos os ambientes, em todas as conversas o morticínio anual de brasileiros suscita menos escândalo menos indignação do que qualquer mordida mais forte dos políticos vorazes no “nosso dinheiro”. 

Dize-me o que mais prezas, e eu te direi quem és.

Fonte: www.olavodecarvalho.org

quinta-feira, 10 de julho de 2008

A fundamentação moral da liberdade

Do portal OrdemLivre.org
Por Ralph Husted

Os fundadores dos Estados Unidos da América acreditavam que vivemos em um universo ordenado. Eles acreditavam que faziam parte de uma ordem universal das coisas. Colocando as coisas de outra forma – eles acreditavam em Deus. Eles acreditavam que cada homem deve achar o seu próprio lugar em um mundo onde existe um lugar feito para ele. Eles buscavam a independência para a sua nação, porém, mais importante que isso, eles buscavam a liberdade para os indivíduos; a liberdade para os homens – como indivíduos – pensarem e agirem por si mesmos.

Lá na Filadélfia, eles fundaram uma república dedicada acima de tudo a um objetivo – a preservação da liberdade individual, a proteção de uma sociedade em que os homens seriam livres para buscar seus propósitos na vida, da forma que desejassem. Eles não acreditavam que o propósito da vida de um homem deveria ser determinado pelo governo ou que o governo deveria decidir a quais propósitos nossa sociedade deveria servir.

Espiritual, econômica e política

O que queremos dizer quando falamos de liberdade individual? Em última análise, eu creio que existam três elementos essenciais: a liberdade religiosa, a liberdade econômica e a liberdade política.

A liberdade religiosa significava para nossos antepassados exatamente o que essas palavras indicam, ou seja, a liberdade de adorar a Deus da forma que cada indivíduo preferir. Mas lembre-se, isso também lhes dá a liberdade de não adorar a Deus de forma alguma. É claro que nós sabemos que poucos estavam dispostos a fazer essa opção. Para a maioria dos fundadores, o culto a Deus era uma parte essencial de suas vidas. É verdade que acreditavam e defendiam a separação entre a Igreja e o Estado, mas eles certamente não acreditavam na separação entre o povo e Deus.

Existe ainda mais uma coisa que eu gostaria de dizer em relação à liberdade religiosa, que leva à principal idéia que pretendo expor aqui. A liberdade religiosa não significa nada sem a liberdade econômica e política. A nossa vida não é dividida em pequenos compartimentos independentes uns dos outros. A vida não pode ser dividida, nem a liberdade. É impossível ter liberdade religiosa sem liberdade econômica e liberdade política. E é igualmente impossível ter liberdade política ou liberdade econômica sem ter liberdade religiosa. Examinemos agora a liberdade econômica de acordo com esses princípios.

A importância da liberdade econômica

A liberdade econômica significa, literalmente, a liberdade de buscar os meios de satisfazer as necessidades materiais de alguém; porém, duvido que qualquer pessoa já tenha pensado sobre seu bem estar considerando apenas as suas necessidades materiais. A reflexão acerca das necessidades materiais do homem envolve pensarmos também nas suas necessidades espirituais, pois seu bem estar depende da satisfação de ambas; essas duas necessidades, consciente ou inconscientemente, influenciam os seus esforços para satisfazer seus desejos. Portanto, existe uma interdependência entre a liberdade econômica e a religiosa.

O significado da liberdade econômica se baseia na própria natureza da criação. Nós somos feitos um de cada vez e somos todos diferentes. As diferenças entre nós são imensas e, certamente, nossas maiores diferenças são espirituais. As necessidades básicas da vida são poucas, mas o número de coisas materiais necessárias para expressar o espírito da humanidade é infinito.

As milhões de formas pelas quais a propriedade é moldada pela mão dos homens e os milhões de usos nos quais é empregada não são nada além de expressões das milhões de personalidades humanas que acumulam propriedades e as adaptam às suas necessidades. Sejam elas lápis ou usinas siderúrgicas, as propriedades não são nada mais que um reflexo do espírito infinito do homem. Elas refletem o desejo de auto-expressão do espírito humano.

Se você concorda com isso, creio que você concordará também que a propriedade, para servir melhor a seu propósito, deva ser privada. Pela própria natureza da criação, nenhum de nós pode ter os mesmos desejos, as mesmas habilidades ou as mesmas capacidades mentais de outras pessoas. Nenhum de nós consegue se expressar exatamente da mesma forma que outra pessoa. Uma propriedade possivelmente não poderia servir a um proprietário da mesma forma que serve a outro. O que nós chamamos de propriedade é o direito ao uso, à posse, ao controle e à disposição da propriedade, e são essas ocorrências que fazem com que ela seja útil na satisfação das necessidades dos indivíduos.

Assim, evidentemente, a propriedade deve ser privada, já que qualquer objeto de propriedade existe para satisfazer as necessidades de um homem, da forma que ele as enxerga pessoalmente. Se você ainda tem dúvidas a respeito da propriedade privada, considere por um momento que todos nós temos propriedades; o trabalho de um homem é sua propriedade e, caso ele não seja livre para controlar e dispor de seu trabalho da forma que deseja, será um escravo.

Os homens têm coordenado seus esforços de inúmeras formas, visando à satisfação de seus desejos materiais, mas sempre, e sem levar em consideração o quanto suas vidas podem se tornar independentes, seus esforços são direcionados à satisfação dos desejos dos indivíduos. Os homens criaram organizações comerciais grandes e pequenas, simples e complexas, mas essas organizações não possuem vida, filosofia, capacidade de criar ou produzir quando separadas dos indivíduos que as compõem.

Uma organização ou corporação pode se tornar tão grande que uma pessoa pode sentir sua individualidade completamente engolida, mas permanece um fato que é a pessoa que fornece a vida e não a organização. Somente os indivíduos podem crescer e progredir, somente os indivíduos podem gerar progresso econômico. Somente um indivíduo pode querer. Somente um indivíduo pode saber o que quer; e, a menos que seja livre para escolher o que lhe satisfaça, ele não é realmente livre.

Apesar de nosso sistema ser complexo, ele é, no entanto, construído sobre algo que todos nós compreendemos – a promessa de um homem a outro. Ele é construído sobre o direito de fazermos acordos livremente, sem a intervenção governamental. Ele é construído sobre a liberdade de escolha individual. Uma sociedade planificada pode forçar a especialização do trabalho, porém, a imposição nunca desempenhou os milagres da produção que se tornaram comuns entre os homens que são livres para fazer acordos na forma de desejarem.

O significado de liberdade política

Agora, mas e a liberdade política? A liberdade política, na cabeça de várias pessoas, é um termo definido vagamente pela palavra “democracia”, e que é associado com a liberdade de expressão e o direito ao voto. Pensar sobre a liberdade política apenas como a democracia é realmente perigoso porque a democracia pode se transformar em um arrastão tirânico. Pensar na liberdade política como sendo apenas a liberdade de expressão e o direito ao voto é cair na armadilha socialista, já que até mesmo os socialistas dizem acreditar em ambos. O direito a voto pode ser essencial à liberdade, mas devemos sempre nos lembrar que os povos já abriram mão de sua liberdade através da maioria dos votos.

Então, o que queremos dizer com liberdade política? Penso o seguinte. Todo direito que nós exigimos como homens livres carrega consigo o dever de não interferir através do uso da força no gozo desse mesmo direito por outras pessoas. O desejo humana de expressar-se é natural e bom, e o direito a expressar-se é fundamental; porém, a não ser que sejam acompanhados por um senso de responsabilidade apropriado, eles podem se manifestar através do uso da força.

Somos seres responsáveis, mas todos sabemos que no estágio atual da civilização, e provavelmente será assim pelas próximas eras, ninguém é ou será perfeito. Ninguém tem ou terá um senso perfeito de certo e errado. Assim, devemos ter o Estado de Direito para restringir o uso da força.

Mas devemos ter consciência disso. A lei não é auto-executável. A própria lei deve aplicar a força ou a ameaça da força para conter aqueles que agem irresponsavelmente. Pode parecer banal repetir aqui que “o melhor governo é aquele que governa menos”, mas ainda é tão importante repetir essa frase hoje quanto na primeira vez em que ela foi pronunciada.

Liberdade política significa liberdade em relação às restrições governamentais e às imposições que vão além do necessário para se conter os irresponsáveis. Quando o governo vai além desse ponto, ele se transforma no opressor da liberdade. Quando entregamos ao governo o trabalho de planejamento, administração ou controle sobre qualquer tarefa, independentemente de sua suposta aparência humanitária, nós devemos pesar o custo disso em relação à perda de liberdade, já que a delegação de poder vem sempre acompanhada de uma perda de liberdade.

O papel do governo

Agora, alguns de vocês podem perguntar, “Mas e os vários serviços que o governo presta às pessoas? Será que o governo não faz para nós várias coisas que não poderíamos fazer sozinhos?” Será? Talvez estejamos apenas nos iludindo. O doutor F. A. Harper disse:

O governo ... não pode fazer nada que as pessoas não pudessem fazer sozinhas, pela simples razão de que pessoas compõem um governo. O governo é preenchido por exatamente as mesmas pessoas cujas deficiências deveriam desaparecer quando combinadas dentro de uma estrutura legal com enfeites políticos e burocráticos – um processo que faz uma pessoa normal ficar menos capaz de executar tarefas do que era antes.

Certa vez, Edmund Burke disse:

Para se compor um governo não é necessária muita cautela. Arrume-se na cadeira do poder; ensine a obediência; e o trabalho está feito. Dar liberdade é ainda mais fácil. Não é necessário a guiarmos; ela requer apenas que soltemos as rédeas. Mas a formação um governo livre, ou seja, a mistura desses esses elementos opostos de liberdade e restrição em um trabalho consistente, requer mais pensamento, uma reflexão profunda e uma mente sagaz e poderosa.

Não foi por acidente que George Washington e seus contemporâneos fundaram algo que o mundo nunca tinha visto antes, uma nação dedicada à liberdade individual. Suas mentes compreenderam que a única liberdade real é a liberdade individual. Suas mentes sagazes e poderosas compreenderam a fundação moral da relação pessoal do homem livre com o seu Criador – e eles fizeram disso a base da maior nação da terra.

Os perigos que enfrentamos

Hoje estamos frente a frente com o mais sério ataque à nossa liberdade que já enfrentamos. Digo que é o mais sério por ser um ataque que ocorre exatamente sobre aquela fundação moral que acabei de mencionar. É um pouco confortante saber que o ataque pode ter sido inspirado inicialmente por pessoas além de nossas fronteiras. O fato perturbador é que agora esse ataque está sendo feito por pessoas de todos os estilos de vida, que dizem e pensam ser bons americanos.

Eu acredito não ser verdade a afirmação de que abandonamos conscientemente nossa fé, mas, pelo contrário, temos sido conduzidos sem pensar à aceitação de muitas crenças que, de fato, negam que os homens possuem uma relação pessoal com Deus. A liberdade individual tem sido sacrificada e o governo passou a ser considerado acima de tudo um instrumento para o planejamento econômico e social.

Nós permitimos que a crença de que os homens já não são mais capazes de cuidar de si infectasse nossa filosofia política. Estabelecemos uma burocracia enorme para planejar por eles. Nós ainda professamos a necessidade de liberdade religiosa, mas repudiamos a convicção de nossos antepassados – segundo a qual, a não ser que tenhamos a liberdade econômica e política, a liberdade religiosa não tem sentido.

Nós adotamos, por exemplo, um imposto de renda gradativo com o propósito declarado de dar apoio às funções essenciais do governo, mas mudamos nosso conceito do que é essencial e estamos agora usando os impostos, em larga escala, para a redistribuição de riqueza e como meio de controlar a vida das pessoas.

Temos subsídios para habitação, subsídios para agricultores, subsídios para a energia, subsídios no serviço de entregas e subsídios para os idosos. Nós retiramos a propriedade de um homem para dá-la para outro e acreditamos que isso esteja correto simplesmente porque isso acontece com o consentimento da maioria dos votantes. Adotamos o princípio marxista de “de cada um de acordo com a sua capacidade, a cada um de acordo com as suas necessidades.” Vemos a propriedade governamental direta de centenas de empreendimentos. Temos a interferência governamental sobre os direitos contratuais em praticamente todas as áreas da atividade econômica. Em muitas áreas essa interferência é tão grande que o livre mercado, a liberdade de escolha econômica, já acabou. Nós nos permitimos pensar que um pouco de socialismo não nos causaria danos, mas a semente cresceu e se transformou em uma floresta gigante.

A economia mista

Muitos de nossos políticos, cientistas políticos, economistas, escritores de livros escolares e mesmo alguns de nossos líderes financeiros e industriais vêem com grandes esperanças o que chamam de sistema misto de empreendimentos públicos e privados. Eles falam sobre o “setor público” de nossa economia, em contraste com o “setor privado” e da necessidade de parcerias entre os dois. Elogiam o que é agora chamado de parceria público-privada. Falam da maravilhosa adaptabilidade do nosso sistema de livre iniciativa porque, como dizem, ele foi capaz unir-se com o governo para satisfazer o que os planejadores governamentais chamam de necessidades da sociedade.

Mas que espécie de parceria é essa na qual um parceiro é completamente sustentado pelo outro? Que tipo de parceria é essa, na qual um parceiro se torna um fardo tão grande para o outro que passa a ser evidente de que esse peso já está grande demais? Quanto tempo isso pode durar?

Aceitamos a imoralidade fiscal como política nacional. Isso não é algo que nos tenha sido forçado. O fato é que nós exigimos isso. Toda maré baixa nos negócios se torna uma ocasião para maiores demandas, para que o governo aumente os gastos e para que o Banco Central reduza as taxas de juros e compre títulos do governo para aumentar a oferta de crédito bancário. Tudo isso, claro, resulta em um aumento da oferta de dólares consumíveis, mas não contribui em nada para a riqueza real das pessoas. As pessoas não estão melhores, porque dólares não são bens, nem são uma medida real de riqueza quando estão sujeitos à desvalorização por meio do aumento arbitrário de sua oferta.

Se alguém admite que a propriedade privada é indispensável para a obtenção da felicidade pelo homem, então deve-se admitir também que qualquer manipulação artificial do meio de troca, pelo qual o valor da propriedade é medido, é moralmente errado. Ainda assim, é exatamente isso que o nosso governo federal faz quando manipula as taxas de juros para expandir ou restringir o crédito, ou reduz as exigências de reservas, ou coloca pressão sobre o Banco Central para comprar ou vender títulos governamentais para aumentar ou diminuir o crédito bancário, ou passa a operar em déficit orçamentário. O dinheiro que está sujeito às manipulações governamentais se transforma em instrumento por meio do qual as pessoas têm suas propriedades roubadas.

Pela maioria dos votos em nome da democracia

Nós fizemos isso tudo com a maioria dos votos e em nome da democracia. Nesse momento, não quero ser mal interpretado. A palavra democracia ainda tem significado para mim e eu acredito nele, mas eu pediria a você para sempre se lembrar de que a democracia não é um fim em si. Apesar da pregação dos escritores de livros didáticos atuais e dos planejadores sociais do governo, a democracia não é o objetivo dos Estados Unidos. A democracia pode ser e tem sido muitas vezes um instrumento usado para se abusar dos indivíduos. O nosso objetivo é, e deve continuar sendo, a liberdade individual.

É claro que acreditamos que todos devam ter uma moradia decente, que um agricultor deva ter um alto padrão de vida, e que os idosos não devem viver na pobreza. Mas como esses objetivos poderão ser consumados se passarmos a adotar um planejamento econômico e social maior por parte do governo e um programa de grandes gastos governamentais?

Será que devemos ignorar o fato de que, quando falamos de planejamento governamental, pressupomos a existência de alguém no governo com uma inteligência sobre-humana que faça esse planejamento? Será que devemos ignorar o fato de que, quando o governo planeja, os seus poderes coercitivos são usados para colocar os planos em prática, sacrificando enormemente a liberdade individual? Aparentemente, para alguns dos líderes atuais, estejam dentro ou fora do governo, sim, nós deveríamos ignorar isso tudo.

Será que devemos aceitar a noção de que só porque o planejamento governamental é feito sob o rótulo da democracia, e de supostamente representar os interesses da maioria das pessoas, ele é correto?

Hoje, muitas pessoas, estejam no governo ou não, acreditam que o “bem-estar da maioria” é o critério pelo qual nós devemos medir o tamanho da interferência e do controle governamental sobre as questões econômicas. Nós vemos pessoas, do governo ou não, clamando por um grande programa de planejamento e gastos governamentais para, como dizem, melhorar a sociedade e fortalecer a liberdade. Hoje, encontramos confirmações sinceras da idéia de que os homens merecem, por uma questão de direito, ter condições de trabalho favoráveis, um salário justo, assistência social, moradia adequada e um bom padrão de vida.

É claro que todas essas coisas são desejáveis, mas deixem-me lembrar-lhes que nos Estados Unidos como concebidos por seus fundadores, os direitos inalienáveis do homem – à vida, à liberdade e ao direito de propriedade – não eram concedidos pelo Estado. Eles são dádivas de Deus. Uma moradia decente, um salário justo e a assistência social não são dádivas divinas. Deus dá aos homens a capacidade de adquirir essas coisas por si, e nada mais que isso.

Deus dá aos homens a capacidade e a liberdade de trabalhar e criar. Ele não dá nada que eles não possam criar sozinhos. Nós renunciamos à grande herança religiosa transmitida a nós por nossos fundadores quando falamos das coisas materiais pelas quais os homens desejam trabalhar como se fossem também algo que nós teríamos algum direito divino de reivindicar.

Se acreditamos nas mesmas coisas que os fundadores dos EUA, então devemos permitir que os homens sejam livres para desenvolver seu senso de responsabilidade à sua própria maneira, e devemos ter fé de que assim eles farão. Quando passarmos a compreender que todos os homens são dotados do espírito divino, creio que então, e apenas então, compreenderemos que os homens nasceram para ser livres.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".