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sexta-feira, 13 de março de 2009

O DUELO DE EXPLICAÇÕES

NIVALDO CORDEIRO
10 de março 2009

 

Há um franco debate entre as duas correntes alternativas de pensamento para a compreensão da crise atual.Entenda, caro leitor, que o ato de compreender o real antecede o ato de tomada de decisão para agir sobre a realidade, fato notavelmente superlativo em tempos de crise. De um lado a ala esquerda, que tem na figura de Paul Krugman o seu emblema, que entende que a presente crise se deve às falhas intrínsecas do mercado, tendo havido a um só tempo omissão e timidez dos governos para prevenir a crise. Vão além: dizem que só é possível superá-la com a ação vigorosa do Estado, seja na política monetária, para restabelecer o crédito, seja nos gastos governamentais, a fim de criar demanda.

 

A essa ala esquerda alinham-se também os economistas da vertente do liberalismo de Friedman, que aceitaram o suposto lado “bom” das teorias de Keynes. O denominador comum dessa gente é que a ação do Estado é necessária e suficiente para a superação dos problemas. De fato, acreditam na reengenharia humana a partir do Estado (Cavaleiro do Templo: nada mais comunista, a definição mesmo da ideologia). Há  aqui uma fé escancarada na capacidade do Estado gerenciar os problemas humanos, sobretudo aqueles ligados à economia. Seu remédio recomenda o agigantamento da ação estatal, embora no caso dos liberais consequencialistas essa ação seja, ao menos  teoricamente, temporária e reversível. A história mostra que isso nunca houve, a reversão do crescimento do Estado, quando este se agigantou a qualquer pretexto, na guerra como na paz.

 

Do outro lado temos os economistas que se alinham em torno do liberalismo clássico e da chamada Escola Austríaca, que entre nós tem seu emblema na pessoa do economista carioca Ubiratan Iorio


Esses economistas atribuem a crise não a falhas de mercado, mas a falhas de governo, que exorbitou de suas funções, que desorientou a alocação de recursos, que emitiu moeda em demasia, que se endividou além da conta, que gastou muito e mal. 


Além disso, a história do século XX foi a história do esparramo do Estado por áreas novas, como Educação, Saúde, Habitação e Previdência, de sorte que essas áreas não apenas demandaram enormes quantidades de recursos, mas tornaram-se elas próprias a raiz da crise.

 

Toda a gente sabe que o nó central da crise não reside no sistema bancário, que caminha para bancarrota em muitos países. O nó principal é o sistema de Previdência Social, seja na forma estatizada, seja na forma de fundos de pensão, estes que sempre mantêm um elo com o poder emissor e taxador do Estado. A persistência do governo norte-americano, por exemplo, de preservar a AIG está ligada diretamente aos fortes elos que a seguradora mantém, não apenas com o sistema bancário, mas com as garantias últimas que deu aos ativos dos ricos e generosos fundos de pensão norte-americanos. A quebra dessa seguradora será a realização instantânea de gigantescos prejuízos na carteira de ativos desses fundos, levando o sistema inteiro à derrocada.

 

A capacidade de esses fundos honrarem seus compromissos previdenciários de longo prazo está fortemente afetada. Muita gente perderá a sua aposentadoria por causa da insustentabilidade atuarial dos fundos e da má qualidade dos seus ativos.

 

Essa segunda linha de pensamento recomenda a receita em contrário: o reencontro da economia natural, a privatização de tudo, a começar pelas perdas dos valores dos ativos, a preservação do bem maior, que é o valor da moeda, a saída do Estado de áreas que não são da sua competência, inclusive as quatro acima nominadas.  Eu vou além: digo que não acontecerá de outra forma. 


Essa crise veio para fazer o rio retornar a seu leito. 


Ela não será superada se o Estado não regredir. A pena por retardar esse processo será prolongá-lo indefinidamente sem superá-lo.

 

O desastre político é que não há estadistas à altura da tarefa. Será preciso que alguém diga às massas, clientes do Estado, que a festa acabou e que todos terão que cumprir o mandamento bíblico de comer o pão como o suor de seu rosto. Então os beneficiários de rendas do Estado – funcionários públicos, aposentados, rentistas portadores de títulos da dívida pública, fornecedores e toda sorte de parasitas – terão que se conformar com o empobrecimento abrupto, em escala mundial, inclusive no Brasil. Certamente não acontecerá algo assim sem uma profunda catarse coletiva, que pode se traduzir em movimentos de violência. Terá que ser feito, todavia.

 

O debate até agora foi politicamente vencido pela ala esquerda, que tomou o poder nos EUA e na maioria dos países do mundo, inclusive no Brasil. O presidente Barack Obama é o filho primogênito da crise. O problema é que sua receita é puramente ideológica e, como tal, parte de uma falsa explicação da realidade. Quanto mais os governantes esquerdistas agirem, isto é, quanto mais emitirem moeda, alavancarem a dívida pública e elevarem os gastos do Estado, mais a situação econômica será agravada. Desagradar as massas acontecerá da mesma forma, só que pela mão da esquerda política será usada via torta da desordem, com inflação e interrupção do comércio mundial. É possível imaginar um cenário bastante catastrófico, do ponto de vista não apenas econômico, mas também político, se esses governos persistirem no uso dessa receita.

 

A crença no poder miraculoso da ação estatal é tão grande que mesmo o finado governo Bush adotou a via estatistade superação da crise, fazendo  projetos de bailout para vários setores e estatizando de vez as financiadoras FannieMae e Freddie Mac, operadoras do mercado imobiliário secundário. Serão talvez os maiores depositários de ativos “tóxicos” do planeta, cujo valor está estimado em US$ 6 trilhões. A direita norte-americana agiu apenas no nível de discurso, não na implantação de políticas públicas. Na prática a via proposta pela esquerda tem sido a única política econômica de fato posta em ação. Nunca houve outras.

 

Mesmo a chamada Reaganomics, a economia do lado da oferta, contentou-se na redução de alguns impostos. O gasto estatal jamais foi reduzido. A crise, portanto, tem sigo gerada por gerações seguidas de governantes irresponsáveis  aclodiu nesse momento pelo simples fato de que levaram a experiência do gigantismo do Estado ao paroxismo.  Vivemos a Era do Estado Total.

 

Meu caro leitor, você deve se preparar. O mundo não escapará da forte purgação, o Brasil inclusive. O artificialismo econômico vivido nas últimas décadas não retornará jamais. Haverá sangue, suor e lágrimas.

terça-feira, 10 de março de 2009

Os pais da crise americana

Diário do Comércio, 5 de março de 2009

Se a folha de realizações criminosas dos movimentos revolucionários nas democracias não pode, por definição, concorrer com o desempenho deles nas áreas que dominam, nem por isso ela deixa de ser a causa principal de distúrbios e sofrimentos, seja no Terceiro Mundo, seja nas nações desenvolvidas. Não há crise, não há fome, não há violência, não há fracasso para o qual a proposta revolucionária, nua e crua ou numa de suas inumeráveis versões camufladas, não tenha dado sua contribuição essencial. Talvez o exemplo mais evidente esteja em nosso próprio país, onde as gangues de criminosos jamais teriam chegado a derramar o sangue de 40 mil brasileiros por ano se não fosse pela ajuda, indireta e direta, que receberam dos revolucionários, primeiro mediante a instrução em técnicas de organização e guerrilha, recebida dos terroristas presos na Ilha Grande na década de 70, segundo pela sucessão de leis que esses mesmos terroristas, anistiados e transfigurados em políticos, criaram para proteger os criminosos e dificultar a ação da polícia, terceiro pela assistência técnica e treinamento militar que as Farc hoje dão às quadrilhas nacionais.


Mas outro exemplo, não menos significativo, é o da crise econômica americana. Especulações quanto às causas desse fenômeno pululam por toda a mídia internacional, mas é um erro metodológico monstruoso buscar explicação em supostas tendências gerais da economia e da sociedade quando se pode pôr à mostra a seqüência precisa e determinada de ações individuais e grupais que produziram o efeito. Muito da pretensa “ciência social” contemporânea consiste em camuflar as causas concretas sob universais abstratos. Não espanta que, na totalidade dos casos, os explicadores sejam ou os próprios agentes posando de observadores externos, ou suas vítimas idiotizadas, empenhadas em anestesiar-se mediante auto-injeções de pseudociência para não ter de enxergar a verdadeira identidade de seus opressores.


Deixar-nos iludir por essa camuflagem é ainda mais inaceitável quando os agentes do processo daninho não têm sequer de ser investigados a posteriori porque eles mesmos legaram ao historiador a exposição escrita de seus planos e métodos. No caso em questão, a derrubada da previdência social americana e do sistema bancário que a sustenta não foi o efeito de uma confluência involuntária de fatores anônimos, não foi nem mesmo o resultado de uma longa colaboração de inépcias, mas foi a simples realização de um plano traçado desde a década de 60 por estrategistas de esquerda inspirados por Saul Alinksy, mais tarde o mentor de um jovem estudante de Direito, Barack Hussein Obama.


O documento que o atesta acima de qualquer possibilidade de dúvida nada tem de secreto. Foi publicado em 1966 na prestigiosa revista The Nation e até hoje consta da lista dos dez artigos mais lidos da publicação desde sua fundação em 1886 (v. Richard A. Cloward e Frances Fox Piven, “The Weight of the Poor: A Strategy to End Poverty”, The Nation, 2 de maio de 1966; uma cópia do artigo em PDF pode ser obtida por três dólares na página de arquivos da revista; um excelente resumo comentado encontra-se no artigo de James Simpson, “Barack Obama e a estratégra da crise orquestrada”, traduzido para o português em http://cavaleirodotemplo.blogspot.com/2009/01/barack-obama-e-estratgia-da-crise.html).


Os autores, Cloward e Piven, buscavam aí colocar em ação a regra ensinada por Saul Alinsky, que ele mais tarde enunciaria por escrito em seu livro Rules for Radicals, de 1971 (Vintage Books): “Faça o inimigo pôr em prática seu própria manual.” A regra antecipa uma das táticas mais notórias da “guerra assimétrica”. David Horowitz assim a interpreta:


“Quando pressionada a honrar cada palavra de cada lei e estatuto, cada princípio moral judaico-cristão e cada promessa implícita do contrato social liberal, a ação humana é inevitavelmente deficiente. O fracasso do sistema em ‘pôr em prática’ o seu manual de regras pode então ser usado para desacreditá-lo completamente e para substituir um manual capitalista por um socialista.” (V.http://www.discoverthenetworks.org.)


A estratégia proposta por Cloward e Piven consistia, segundo Horowitz, em “forçar uma mudança política através da crise orquestrada, ... procurava acelerar a queda do capitalismo ao sobrecarregar a burocracia governamental com uma enchente de demandas impossíveis, arrastando então a sociedade para uma crise e um colapso econômico”. Mas não pensem que isso é interpretação proposta por Horowitz. O texto original de Cloward e Piven é de uma clareza absolutamente cínica:


“É nosso propósito pôr em ação uma estratégia que forneça a base para uma convergência de organizações... Se essa estratégia for implementada, o resultado será uma crise política que poderá levar a uma legislação que garanta uma renda anual e portanto acabe com a pobreza.”


Cloward e Piven prosseguiam explicando que havia “um abismo de diferença entre os direitos nominais assegurados pela previdência social e o número de pessoas que desfrutavam efetivamente desses direitos. Se fosse possível localizar e organizar esses beneficiários inatendidos e usá-los para pressionar os institutos de previdência, estes não teriam dinheiro para atender à demanda e entrariam fatalmente em colapso.” A proposta de uma legislação socialista surgiria então, com aparente espontaneidade, como natural solução do problema. Nas décadas que se seguiram, a estratégia foi aplicada à risca, arregimentando milhões de beneficiários potenciais para que exigissem seus direitos em massa e produzissem a crise. Na liderança desse movimento estava o grupo de ativistas formado por Alinsky, entre os quais Barack Hussein Obama. A pletora de créditos imobiliários fornecidos pelos bancos, sob pressão dos ativistas, a solicitantes desprovidos das mínimas condições de pagar os empréstimos, foi a causa direta da crise bancária eclodida em setembro de 2008.


Dois pontos essenciais do plano Cloward-Piven chamam imediatamente a atenção do observador externo. De uma lado, a diferença entre duas concepções da previdência social. No sistema capitalista, a previdência social é, por natureza, um último recurso a que os cidadãos só devem recorrer em casos de extrema necessidade. A prosperidade geral do sistema, esperava-se, deveria prover por si o sustento das famílias, reduzindo a um mínimo as filas nos guichês da previdência. Cloward e Piven reconhecem essa obviedade em teoria mas adotam como estratégia ignorá-la na prática, forçando o direito virtual expresso em lei a tornar-se uma garantia de atendimento imediato a todos os pretendentes reais e potenciais, necessitados ou não. Entravam instantaneamente na fila, portanto, desde os miseráveis genuínos (um número insignificante) até pessoas de classe média baixa meramente insatisfeitas com a sua situação modesta:


“Para cada pessoa nas listas da previdência, há pelo menos mais uma que preenche os critérios de legibilidade mas não está recebendo assistência. Essa discrepância não é um acidente que emerga da ineficiência burocrática. É um traço inerente do sistema previdenciário, o qual, se desafiado, precipitará uma profunda crise financeira e política. A força para esse desafio, e a estratégia que propomos, é um esforço maciço para recrutar os pobres e colocá-los nas listas da previdência.”


Sob esse aspecto, a mera entrada em ação da campanha Alinsky-Cloward-Piven já modificava radicalmente a natureza do sistema, transformando o Estado liberal-capitalista num Estado previdenciário pré-socialista – e a falência deste último seria então denunciada como crise do anterior.


De outro lado, o objetivo último proclamado – garantir uma renda anual estatal a todos os pobres – se autodesmascarava imediatamente como farsa, pelo enunciado mesmo do plano: se a previdência não tinha dinheiro nem para atender os direitos já existentes no papel, como poderia tê-lo para arcar com um gasto imensamente maior? “Acabar com a pobreza” não era o objetivo do plano: era apenas o pretexto moral para gerar a crise. Esta era o único objetivo real, e não resta a menor dúvida de que foi alcançado. Neste caso, como em muitos outros, o discurso revolucionário apela a um objetivo utópico inatingível para viabilizar o esforço por um objetivo prático perfeitamente atingível, só que propositadamente desastroso. Se olharmos para a situação atual da economia americana, com o sistema bancário agonizante e o desemprego crescendo dia após dia, e notarmos que tudo isto foi feito sob a desculpa de “acabar com a pobreza”, é impossível deixar de perceber que os autores da idéia jamais acreditaram nessa desculpa, assim como os propugnadores de leis criminais mais brandas não acreditavam em diminuir a criminalidade e os defensores da educação sexual nas escolas não acreditavam em diminuir os casos de gravidez adolescente. Todas essas medidas e muitas outras similares visam tão-somente a destruir o sistema capitalista por meio de políticas assistenciais socialistas, calculadamente formuladas sob a lógica do prejuízo. Não há nenhum motivo razoável para supor que os danos resultantes fossem o puro efeito da inépcia ou da má administração. Foram resultados calculados, alcançados mediante uma engenharia social notavelmente eficaz. Trata-se, sempre e invariavelmente, de fazer o “sistema” pagar pelas culpas de seus agressores.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Brasil entra em forte desaceleração econômica, alerta OCDE

O DIA ONLINE
06/03/2009


Paris (França) - Um estudo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado nesta sexta-feira, alerta que o Brasil entrou em um processo de "forte desaceleração" econômica. Em janeiro, na comparação com dezembro, o País teve a segunda pior queda na atividade econômica entre os 35 países pesquisados, atrás somente da Rússia.


Os diagnósticos dos indicadores compostos avançados anunciados nesta sexta, que correspondem aos dados coletados em janeiro, indicam que o Brasil diminuiu seu nível de atividade em 2,7 pontos - para 94,5 pontos - em relação ao mês anterior (dezembro), quando já havia registrado redução de 1,8 ponto na comparação com novembro. Em relação ao mesmo período do ano passado - quando a economia do Brasil estava em aceleração -, são 10,1 pontos a menos de atividade econômica.


O relatório de indicadores compostos avançados mostra um retrato da atividade econômica de um determinado país e qual a sua tendência para os seis meses seguintes. A avaliação dos números e gráficos possibilita enquadrar a economia em expansão, desaquecimento (parar de crescer), desaceleração (diminuir o crescimento) ou retomada da atividade.


Os indicadores são baseados nas variações da atividade em torno de uma linha de 100 pontos. Estão em expansão ou desaquecimento as economias que se movimentam com números acima de 100, e em desaceleração e retomada os que se encontram abaixo de 100. Nestes últimos resultados, todos os países estudados se movimentam cada vez mais abaixo da linha dos 100 pontos, ou seja, se encontram em processo de forte desaceleração.


Todos os outros países estudados, assim como o Brasil, encontram-se igualmente em forte desaceleração econômica, com constantes quedas na atividade desde novembro. O estudo da OCDE é realizado mensalmente.


A surpresa, desta vez, é que o Brasil vinha se destacando nos estudos anteriores justamente porque demorou para entrar em desaquecimento - quando a economia pára de crescer - e foi o último a entrar em desaceleração - quando a economia começa a decrescer -, ao passo que os demais países já se encontravam nestas condições desde novembro. Agora, o País surpreendeu pelo lado inverso.


Pior que o Brasil só ficou a Rússia, que teve retração da atividade econômica de 3,3 pontos, para 85,9. "Os indicadores compostos avançados da OCDE continuam caindo", diz o título do estudo. "As perspectivas de crescimento continuam também a se deteriorar nas grandes economias não-membros da OCDE, em particular o Brasil, que faz face agora a fortes desacelerações, como a China, a Índia e a Rússia."


Os números chineses também não são nada animadores: diminuição de 2,1 pontos em relação a dezembro (para 87,4 pontos) e de 14,8 pontos sobre janeiro de 2008. Na zona euro, o decréscimo foi de 0,6 ponto (para 93,7), índice inferior em 8,4 pontos na comparação com o nível no ano passado. Já os Estados Unidos tiveram retração de 1,4 ponto (para 90,1), resultado inferior em 10,8 pontos em relação a um ano atrás.


"Para janeiro de 2009, eles continuam indicando um enfraquecimento das perspectivas de crescimento para as sete grandes economias do grupo: o da zona euro caiu a um nível ainda mais baixo, com sinais muito fracos de estabilização próxima", precisa o estudo.


O Reino Unido foi um dos países com menor retração, de 0,3 ponto (para 95,7), ao lado da França, com recuou de 0,2 ponto (para 96,2), e a Itália, com queda de 0,1 ponto (para 95,7).


As informações são de Lúcia Jardim, do Terra

domingo, 1 de março de 2009

O CRASH FINANCEIRO NORTE-AMERICANO: O SISTEMA CAPITALISTA É O VERDADEIRO CULPADO?

SACRALIDADE

Apresentamos a seguir três artigos que comentam o crash financeiro norte-americano. São análises que identificam as causas dessa crise. O primeiro artigo resume os demais.

     Publicamos também, no Site da Sacralidade, outros artigos que apontam o avanço do socialismo nos EUA:

     

          


As Viúvas de Stalin e a Crise Americana *


Cezar Cauduro Roedel



     Longe de ser uma "falha de mercado", o que estamos vivenciando é o resultado de uma política muito antiga de intervenção na economia. Enquanto alguns saem dizendo que o capitalismo falhou, não percebem que a falha veio do governo, de uma política redistributivista e socialista.

A crise detonou o Lehman Brothers

      Não demorou para que as "Viúvas de Stalin" fossem propalando suas análises embusteiras sobre a "crise" do subprime americano. Com muita felicidade estampada no rosto davam gargalhadas e seus veredictos intelectualescos, comentando a derrocada do capitalismo, o fim do livre mercado, o modelo americano ruindo em suas próprias contradições...

      Portanto é necessário fazer alguns esclarecimentos sobre esta crise do mercado imobiliário, que de longe não é nada recente. A pergunta que devemos responder é a seguinte: Esta crise foi realmente gerada por uma "falha de mercado"? Segue o argumento:

      1- A origem da crise está ligada com a criação das gigantes hipotecárias, Fannie Mae e Freddie Mac, que recentemente receberam grandes verbas do governo americano. A Fannie Mae foi criada em 1938 pelo governo de Franklin Delano Roosevelt, dentro dos objetivos da política do New Deal.

     2- O New Deal previa o acesso de todos os cidadão americanos à casa própria. Mesmo àqueles sem capacidade creditícia, um plano de reestruturação com forte intervenção na economia. Assim, a gigante hipotecária forneceria liquidez ao mercado de hipotecas de alto risco, com a verba do contribuinte americano.

     3- As gigantes hipotecárias são instituições paraestatais, não são eminentemente privadas, por isso não estão "à prova do mercado", no sentido puro da expressão.

     4- O Governo americano sempre injetou muito dinheiro nestas instituições, que compram as hipotecas de alto risco do bancos americanos, dando assim, acesso aos cidadãos a sua casa própria.

     5- Em uma situação de economia de mercado, os Bancos não cederiam empréstimos para pessoas com histórico creditício duvidoso. A economia de mercado prevê que só pode emprestar dinheiro para pessoa que pode honrar a dívida. Então porque os banqueiros cediam estes empréstimos? Veja abaixo:

     6- Em 1977, então governo Carter, foi criado o decreto federal (Community Reivestment Act - Decreto de Reinvestimento Comunitário) que "obrigava" os bancos a fazerem os empréstimos aos cidadãos sem capacidade de honrar suas dividas com o aval das gigantes hipotecárias, a juros mais baixos, justamente para que todos tivessem acesso à casa própria. Os bancos que não se adaptassem as essas regras não poderiam fazer fusões, aquisições e novas linhas de negócio, até que provassem ao governo um certo número de empréstimos a estes "maus pagadores".

     Longe de ser uma "falha de mercado", o que estamos vivenciando é o resultado de uma política muito antiga de intervenção na economia. Enquanto alguns saem dizendo que o capitalismo falhou, não percebem que a falha veio do governo, de uma política redistributivista e socialista.

 

     * Publicado em 08/10/2008.

     Fonte: http://www.if.org.br/analise.php 

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Nota da Redação

Site Mídia Sem Máscara

 

     Em artigos de Thomas Sowell e João Luiz Mauad publicados recentemente pelo MSM, surge a grande pista que aponta, se não a culpa, a responsabilidade política pela origem da bolha imobiliária americana: as profundas alterações que a Community Reinvestment Act [Lei de Reinvestimento na Comunidade] sofreu logo no início (1993) do primeiro mandato de William Jefferson Clinton, o popular Bill Clinton.


A origem da crise:Clinton e os democratas

      Num longo, mas muito esclarecedor artigo publicado pela revista inglesa The Spectator em 01/10/08, o jornalista inglês Dennis Sewell diz com todas as letras: a culpa é dos democratas de Clinton. Ele demonstra os esforços de um grande e fanático grupo de ativistas-engenheiros sociais, liderados por Roberta Achtenberg, uma advogada e ativista dos direitos dos homossexuais em São Francisco, que mudaram radicalmente os outrora rígidos critérios de concessão de empréstimos imobiliários. Clinton a nomeou Secretária Assistente para a Moradia Justa (sic) e Oportunidades Iguais do Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano [Department of Housing and Urban Development – HUD].

         A política de Clinton era de ampliar enormemente o acesso das chamadas minorias ao crédito imobiliário. Roberta Achtenberg logo tratou de estabelecer escritórios ao redor dos Estados Unidos, cuja função seria a de fiscalizar a aplicação da “nova” lei, mas que, na prática, trataram de táticas de coação e chantagem. Tais escritórios tinham seu staff composto por advogados ativistas e investigadores. Primeiramente, os bancos imobiliários, e depois também os bancos comerciais, se viram em face de numerosos e rumorosos processos judiciais (aqui entra em cena a pressurosa colaboração de Janet Reno, a ministra da Justiça de Clinton) que os acusavam de práticas discriminatórias de todo tipo. Além das custas processuais crescentes, da publicidade negativa, os bancos recebiam insistentes convites da Casa Branca clintoniana para que “cooperassem”.

     Além disso, a própria lei (CRA- Community Reinvestment Act) estabelecia um critério de notas para os bancos que concedessem empréstimos imobiliários conforme as diretrizes governamentais. Dependendo da nota que um banco obtivesse, teria ou não permissão para fusões, aquisições ou a simples abertura de uma nova agência. Os tais critérios inicialmente exigiam que o tomador do empréstimo depositasse apenas três por cento (3%) do valor do mesmo. Depois, esse valor foi rebaixado para zero (0%) de entrada. Num ambiente econômico de expansão de crédito, os bancos cederam e a bolha imobiliária veio a estourar quinze anos depois de ter sido planejada como ação de “justiça social”.

 

Bush agiu, mas os republicanos foram omissos

     Dennis Sewell faz questão de isentar George W. Bush quanto à responsabilidade pelo atual estado de coisas, pois Bush teria tentado reverter ou modificar mais de uma vez os critérios da CRA. Uma vez que Sewell não é americano, nem republicano e muito menos uma Ann Coulter, a sua defesa de Bush ganha mais força.

     Todavia, há alguns detalhes que ele não menciona no artigo e que levam a algumas indagações: durante seis dos oitos anos dos dois mandatos de Bill Clinton, a maioria no Congresso americano (Câmara e Senado) era republicana. Onde estava essa maioria republicana que não viu ou não percebeu o que estava acontecendo? Se Clinton, que teve maioria durante apenas dois anos (1993-94) conseguiu introduzir modificações profundas numa lei já existente (de 1977), o que não poderia ser feito em seis anos?

     Mais ainda: com pequenas oscilações no Senado, George W. Bush teve maioria de 2001 até boa parte do ano de 2007. Assim, os republicanos tiveram algo em torno de doze (12) anos para modificar uma lei. A partir de 2001 é possível argumentar que os ataques de 11 de setembro, a campanha no Afeganistão, a guerra no Iraque, possam ter desviado a atenção dos republicanos. Mas nos anos Clinton, as únicas grandes desculpas ou distrações levam o nome de Monica Lewinsky e impeachment (este, tampouco consumado).

     E há mais um agravante: o candidato republicano John McCain é senador republicano desde 1986 e ainda assim não foi capaz de (ou não quis) rebater Barack Hussein Obama, quando este, no debate do último dia 07/10, atribuiu a Bush toda a culpa pela crise. Hoje, no que diz respeito à crise financeira, McCain não parece ter outra coisa a propor a não ser mais intervenção e ajuda estatal.

     Quando Richard Nixon declarou, em 1972, que “agora somos todos keynesianos”, pode não ter dito uma coisa boa, mas bem pode ter dito uma triste verdade.  O que resta é a constatação de que os verdadeiros conservadores americanos estão, ou sempre estiveram, muito, muito longe do poder.

    

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Política da salvação *

Thomas Sowell


     Nada demonstra mais dolorosamente o que está errado com o Congresso do que a atual crise financeira. Dentre os “líderes” partidários convidados à Casa Branca para criar uma “solução” de salvamento estão as mesmas pessoas que têm, por anos a fio, criado os riscos que agora nos atormentam.

     Cinco anos atrás, Barney Frank apoiou a “racionalidade” de Fannie Mae e Freddie Mac[1], dizendo que “Eu não vejo” qualquer “possibilidade de perdas financeiras importantes para o Tesouro”. Além disso, ele disse que o governo federal tem “provavelmente feito muito pouco, em vez de excessivamente muito, para estimulá-los a alcançar os objetivos de moradias a preços razoáveis.”

     No início deste ano, o senador Christopher Dodd[2] elogiou Fannie Mae e Freddie Mac por “liderarem o resgate” quando outras instituições financeiras estavam reduzindo os empréstimos habitacionais. Ele disse também que elas “precisavam fazer mais” para ajudar os credores subprime a conseguirem melhores empréstimos.

     Em outras palavras, o deputado Frank e o senador Dodd queriam que o governo pressionasse as instituições financeiras a emprestarem às pessoas que elas, por si mesmas, não emprestariam pelo risco de inadimplência. A idéia de que políticos podem calcular riscos melhor que pessoas que passam suas vidas profissionais calculando riscos deveria ser tão obviamente absurda que ninguém deveria considerá-la seriamente. Mas as palavras mágicas “moradia a preço razoável” e a palavra horrorosa “redlining”[3] levaram os políticos a determinarem para onde os empréstimos deveriam ir, por meio de coisas tais como oCommunity Reinvestment Act (Lei do reinvestimento comunitário) e várias outras coerções e ameaças.

     As raízes desse problema são antigas de muitos anos. Mas, como a crise a que tudo levou aconteceu na presidência de George W. Bush, isso foi motivo suficiente para aqueles que pensam em termos de retórica, não desejando ser “confundidos pelos fatos”. Na realidade, o presidente Bush tentou sem sucesso, anos atrás, que o Congresso criasse alguma agência reguladora que supervisionasse Fannie Mae eFreddie Mac.

     N. Gregory Mankiw, presidente do Conselho de Consultores Econômicos de Bush, alertou, em fevereiro de 2004, que a esperança de uma ajuda financeira governamental de emergência em caso de crise criava “um incentivo para uma empresa se arriscar e desfrutar do respectivo aumento de crescimento.”

     Como investimentos de risco pagam usualmente mais do que investimentos mais seguros, o incentivo é para que empreendimentos apoiados pelo governo assumam maiores riscos, pois eles auferem maiores lucros se tudo der certo, e os contribuintes ficam com os prejuízos, caso isso não ocorra.

     O governo não é avalista de Fannie Mae e Freddie Mac, mas a suposição geral tem sido de que o governo interviria, com ajuda financeira, para prevenir o caos nos mercados financeiros.

Greenspan: alerta em 2004 para erros na condução da política de financiamento

     Alan Greenspan, então presidente doFederal Reserve System (o Banco Central americano), disse o mesmo em depoimento no Congresso em fevereiro de 2004. Ele disse: “O Federal Reserve está preocupado” que Fannie Mae e Freddie Mac estivessem usando essa esperança implícita no salvamento governamental numa emergência para assumir mais riscos, a fim de “multiplicar a lucratividade de débitos subsidiados”.

     O presidente Greenspan adicionou sua voz à daqueles que insistiam que o Congresso devia criar um “agente regulador com autoridade similar às agências reguladoras do sistema bancário” para reduzir os riscos de Fannie Mae e Freddie Mac, riscos estes que cairiam nas costas dos contribuintes.

     Fannie Mae e Freddie Mac não merecem ser salvos, mas nem os trabalhadores, as famílias e os empresários merecem ser colocados num caos econômicos por um colapso dos mercados de crédito, tal como ocorreu durante a Grande Depressão dos anos 1930.

     Tampouco os eleitores merecem ser decepcionados nas vésperas de uma eleição pela noção de que isso é uma falha dos mercados livres que deveriam ser substituídos por uma microgerência política.

     Se Fannie Mae e Freddie Mac fossem instituições do livre mercado, elas não conseguiriam manter suas práticas financeiras arriscadas, pois ninguém teria comprado seus certificados de crédito sem uma suposição implícita de que os políticos as salvariam.

     Teria sido melhor que tais empreendimentos com apoio governamental não tivessem sido criados e que os empréstimos habitacionais fossem deixados para o livre mercado. Essa operação de salvamento cria expectativas de futuras operações similares.

     A desativação progressiva de Fannie Mae e Freddie Mac faria muito mais sentido do que deixar os políticos brincarem com elas de novo, com o risco e as despesas sendo deixados para os contribuintes. 

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     NOTAS:

 

    [1] Fannie Mae é o apelido da Federal National Mortgage Association (Associação Nacional de Hipotecas Federais) e Freddie Mac é o apelido da Federal Home Mortgage Corporation (Corporação Federal de Hipotecas). Essas empresas, criadas em 1968, são patrocinadas pelo governo e conhecidas como GSEs. Isso significa que elas são empresas privadas, mas protegidas financeiramente pelo governo federal. Essa proteção inclui acesso ao Tesouro Americano. (N. do T.) 

    [2] Sobre esse senador é interessante ler, de Dennis Prager, Caro sen. Dodd: Educação não é uma resposta para todos os problemas. (N. do T.) 

    [3] Recusar empréstimos habitacionais para áreas ou bairros considerados de alto risco. (N. do T.) 

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     Publicado por Townhall.com

     Tradução de Antônio Emílio Angueth de Araújo

     Publicado no site Mídia Sem Máscara - 7 outubro 2008

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Capitalismo de mentirinha *

João Luiz Mauad


“Government is not the solution to the problem. Government IS the problem.”

(Ronald Reagan)

     No decorrer de uma dessas crises recorrentes do capitalismo, durante os anos 80, o então presidente Reagan, instado a fazer o Estado salvar a economia do cataclismo que se anunciava pela mídia, formulou a famosa frase que até hoje reverbera no mundo liberal como uma das mais lúcidas e criativas tiradas do ex-presidente: “na crise atual, o governo não é a solução para os nossos problemas; o governo É o problema”. 

Ronald Reagan: o Estado é o problema, não a solução

     Se vivo fosse, provavelmente estaria dizendo hoje a mesma coisa. Embora as viúvas do comunismo insistam em maldizer o mercado e a ganância dos agentes econômicos pelas mazelas por que passa o setor financeiro mundial, e proclamem que é chegada a hora de o todo-poderoso Estado-babá colocar ordem na casa, a verdade é que os referidos problemas têm início, meio e fim nas ações (e regulamentações) equivocadas do Tio Sam, as quais disseminaram incentivos institucionais nocivos entre os agentes, que acabaram por desvirtuar, durante quase três décadas, a eficiente alocação dos recursos no mercado. 

     Como muito bem colocou o economista Lawrance H. White, “culpar a ganância dos agentes pelo problema é o mesmo que culpar a força da gravidade pela queda de um avião”. Tal qual a gravidade nos eventos de natureza física, a ganância estará quase sempre presente nas interações dos indivíduos no mercado. Se o problema estivesse na ganância, portanto, nem só o setor financeiro estaria atingido, mas o mercado como um todo. Aliás, de forma geral, as trocas no mercado seriam impossíveis se precisássemos afastar a ganância humana para que elas se realizassem. 

     Por outro lado, para qualquer analista sério, não resta dúvida de que a origem da atual crise está intimamente relacionada às “ações afirmativas” dos recentes governos norte-americanos, a começar pela paternidade desses dois monstrengos gêmeos – que respondem pela alcunha de Freddie Mac e Fannie May – cujo caráter peculiar de empresas privadas implicitamente patrocinadas pelo governo, aliado à demagogia dos políticos em querer tornar em realidade o sonho da casa própria a cada americano, tudo isso temperado por uma política monetária frouxa, acabou gerando a famigerada bolha imobiliária que acaba de estourar. 

     Em meu último artigo, contei a história das duas estrovengas híbridas, meio peixe, meio mulher, digo, meio públicas, meio privadas, e como elas se valeram de sua situação especial para tomar e emprestar dinheiro barato. O que eu não contei ainda foi que os políticos também apropriaram-se delas para colocar em ação suas políticas demagógicas e ações assistencialistas.  

     Tudo começou em 1977, quando o então governo socialista de Jimmy Carter criou o chamado Comunity Reinvestment Act, cujo propósito era obrigar os bancos a emprestar uma parte dos seus ativos às comunidades mais carentes. Em 1994, aquela legislação foi ampliada, e o governo explicitamente determinou que a dupla expandisse seus empréstimos a tomadores finais de baixa renda. Isso, logicamente, criou enormes incentivos para que os bancos emprestassem mais aos hipotecários chamados “sub-prime”, ou com capacidade de pagamento reduzida, já que, na retaguarda, Fannie e Freddie entrariam como uma espécie de “resseguradores” estatais, numa analogia com o mercado de seguros. 

     Enquanto isso, o Banco Central (FED) continuava com sua política de crédito frouxa, sempre na esperança de que pudesse adiar indefinidamente as tão odiadas recessões. (Só para que o leitor possa ter uma idéia de como essa paranóia anti-recessiva está impregnada na política daquele país, existe por lá uma lei – Humphrey-Hawkins – apelidada de “lei do Pleno Emprego”, que força o FED a manter as taxas de juros artificialmente baixas, olhando não só para a inflação e o poder de compra da moeda, como seria prudente, mas também para os índices de emprego e desemprego). 

     Com o dinheiro cada vez mais barato e disponível, os bancos continuavam a assumir riscos cada vez maiores. Para piorar as coisas, em 2005, após um escândalo contábil ocorrido na Freddie Mac, ambas as GSEs concordaram, como forma de penitência diante do congresso, em expandir ainda mais as suas operações junto às comunidades de baixa renda, de tal sorte que, entre 2004 a 2006, o percentual das chamadas operações “sub-prime” cresceu de 8 para 20% do total de hipotecas. E, mesmo diante de todas as evidências, ainda há gente hipócrita a gritar que a raiz do problema estava na ausência da mão peluda do Estado.  É preciso ser muito cara-de-pau! 

     Em resumo, os bancos assumiam cada vez mais riscos, mas tinham compradores garantidos para os seus títulos, nas pessoas de Freddie e Fannie, as quais estavam – em princípio supostamente, e agora efetivamente – lastreadas pelo governo (contribuinte). O leitor poderá dizer que os bancos agiram sem as devidas cautelas, além de movidos pela ganância de ganhar sempre mais – o que é absolutamente correto. Ocorre que eles estavam respondendo a incentivos criados por intervenções do governo, ainda que estas intervenções muitas vezes fossem bem intencionadas. 

     Pois bem: depois que a cobra fumou e a crise estabeleceu-se, os mais afoitos resolveram que o incendiário deveria, de uma hora para outra, transformar-se em bombeiro. E pior: o único instrumento de que dispõe o bombeiro/incendiário é justamente querosene.  Resumindo, pretende-se curar uma crise gerada por excesso de liquidez, injetando-se no mercado cada vez mais dinheiro. 

     No afã de defender o chamado “bailout”, seus patrocinadores não se fazem de rogados.  O mínimo que prevêem, caso o resgate dos títulos podres pelo governo não seja implementado, é o Armagedom. 

     Pois eu discordo do catastrofismo reinante no mercado.  Até onde a vista alcança, as condições hoje são completamente distintas das de 1929, a começar – e principalmente – pela liquidez do sistema. Note-se ainda que os bancos comerciais não estão tendo maiores problemas, como os bancos de investimento, e recentes dados divulgados lá nos EUA demonstram que as linhas de crédito comerciais estão fluindo e irrigando a chamada economia real sem maiores problemas.

      Agora, cá entre nós e que ninguém nos escute: é lógico que os profissionais, investidores ou operadores do mercado, seja porque estão entupidos de papeis podres ou sentados em cima de um monte de ações que não param de encolher, vão ficar alardeando o fim do mundo, pois querem salvar a própria pele ou lucrar um pouco mais. 

     Ao ler essas opiniões, de gente que tem todo interesse no resultado da questão, me fizeram lembrar das minhas peladas futebolísticas da infância, em que não havia juízes e quem marcava as faltas e decidia as regras eram os próprios jogadores. É óbvio, e não podia ser diferente, que cada um queria “puxar a brasa para a própria sardinha”. E nem poderia ser diferente.

     Vejam, por exemplo, o caso do famigerado Warren Buffet, oráculo do mercado financeiro mundial e de boa parte da chamada Grande Mídia:  acabou de comprar $ 5 bi em papeis do Goldman Sachs “na bacia da almas”. É previsível, e muito provável que, a curto prazo, as ações desse banco de investimento aumentem muito de preço, caso o pacote do governo venha a ser aprovado. O que faz então ele? Usa todo a sua influência, tanto junto ao Congresso quanto junto à mídia, para alardear uma crise sistêmica profunda, caso o congresso não aprove o plano de salvamento. E tome canelada pra todo lado.

      Já no meio acadêmico, no entanto, não há essa ânsia pela aprovação do plano, nem há consenso sobre supostas catástrofes, caso o plano não seja aprovado. É evidente que algum sofrimento imediato, principalmente no meio financeiro, vai ocorrer, mas daí a supor que acontecesse “o fim do mundo” ou que “a vaca fosse para o brejo” vai uma enorme diferença.

     Enfim, já me alonguei demais, especialmente porque, pelo menos de acordo com os últimos informes vindos de Washington D.C., parece que a associação perversa dos rent-seekers do mercado financeiro com os intervencionistas do Estado-Babá mais uma vez irá deixar os contribuintes com o abacaxi nas mãos e o pepino sabe-se lá onde… 

     E viva o capitalismo de mentirinha!

     

     * Publicado no site Mídia Sem Máscara - 6 outubro 2008

terça-feira, 25 de novembro de 2008

INSTITUTO LUDWIG VON MISES BRASIL
 

Por Mark Thornton

 

rothbardcoinageEis as minhas respostas a um jornalista que fez as seguintes perguntas:


1) De que maneira os bancos centrais contribuem para os problemas que vemos atualmente?


Foi o banco central americano quem criou o problema atual. As baixas taxas de juros e a garantia real de que ele socorreria financeiramente todos os bancoscausaram a bolha imobiliária que, por sua vez, estimulou coisas como reduções no padrão de qualidade dos empréstimos, títulos lastreados em hipotecas e corrupção financeira.


2) Os governos ou os bancos centrais poderiam ou deveriam fazer alguma coisa para impedir o colapso do sistema bancário, a essa altura? Por que não?


Não, eles não deveriam fazer coisa alguma - exceto cancelar suas operações de socorro e retornar suas políticas ao normal. No melhor dos mundos, eles seriam extintos.


3) Quais serão as conseqüências das contínuas tentativas das autoridades de impedir mais quebras bancárias e o conseqüente congelamento dos mercados de crédito?


Políticas de salvamento financeiro são exatamente as medidas que transformam recessões normais em depressões. Veja os EUA nos anos 1930 e 1970 e o Japão durante toda a década de 1990. Em todos esses casos, cada governo empreendeu agressivas políticas de resgate financeiro designadas para salvar acionistas e administradores, sustentando-os com crédito farto e com políticas criadas para manter os preços artificialmente elevados. Essa foi uma das principais causas da duração e severidade da Grande Depressão. Em um exemplo típico de como o estado entende tudo ao contrário, o governo federal presumiu que a queda dos preços foi o que causou a depressão, quando na realidade a queda nos preços foi a conseqüência da depressão, e era algo necessário para se restaurar o equilíbrio econômico. Em suas tentativas de manter os preços agrícolas elevados, o governo federal começou a pagar agricultores para destruir suas plantações, enquanto pessoas desempregadas se amontoavam em estabelecimentos públicos em busca de um prato de sopa.


4) Um mundo sem bancos centrais é possível ou desejável? Por favor, explique.


Bancos centrais não apenas são desnecessários, como também são nocivos. É possível e desejável eliminá-los. Algumas de suas funções poderiam ser geridas por instituições de mercado, tais como as câmaras de compensação, por exemplo. A determinação das taxas de juros poderia e deveria ser feita também pelo mercado. Uma inflação persistente e errática da oferta monetária não é algo desejável, de forma que a incumbência dessa função aos bancos centrais seria eliminada e o controle da oferta monetária seria devolvido ao mercado na forma de mineração de ouro e prata, o que é algo muito consistente e difícil de ser manipulado, uma vez que é necessário haver "dinheiro real" para financiar a escavação de metais preciosos.


5) Como a ausência de um padrão-ouro contribui para o problema?


Um padrão-ouro é a parte mais importante da solução porque amarra as mãos do governo, impedindo-o de praticar déficits e de inflar a oferta monetária. Não obstante, o sistema bancário de reservas fracionárias também contribui enormemente para o problema da instabilidade monetária, da inflação e dos ciclos econômicos. É necessário abolir o sistema de reservas fracionárias para os depósitos em conta-corrente (depósitos contra os quais se pode emitir cheques) e retornar às leis relacionadas a depósitos e armazenagens que existiam antes do advento dos bancos centrais e que de fato continuam existindo hoje para todos os contratos que envolvem a armazenagem e a guarda temporária de qualquer bem. Isso significa que cada dólar depositado em conta-corrente teria de ser mantido como reserva pelo banco. Não haveria exigência de reservas para depósitos a prazo, como aplicação em títulos, certificados de depósito, entre outros. Isso acabaria com a alavancagem e a instabilidade do sistema monetário.


6) Como se poderia impedir que o padrão-ouro fosse abandonado aos primeiros sinais de problemas sérios, como foi o caso no passado - e também quando vários países tentaram atrelar suas moedas ao dólar americano?


O Tesouro e o Banco Central não deveriam ter a permissão de emitir papel-moeda sem qualquer lastro, apenas moedas de ouro e prata; e cunhadores privados também deveriam poder emitir moedas de ouro e prata, o que faria com que a oferta monetária fosse determinada pelo mercado (e também faria com que a proporção entre metais preciosos para uso monetário e para outros usos, como para a indústria, estivesse sempre em harmonia). Um padrão-ouro genuíno é aquele sistema baseado em moedas-commodity - cujo exemplo prático mais próximo foi aquele que existiu até 1913 -, e não um sistema baseado exclusivamente em trocas internacionais de ouro, como o que existiu entre 1933 e 1971, sistema esse que permite que o Tesouro e o Banco Central manipulem a oferta monetária.


Mais especificamente, o dólar deveria ser fixado em um peso determinado de prata, porque foi assim que o dólar surgiu no mercado (o ouro era usado como dinheiro em transações mais altas, mas os EUA só entraram num padrão-ouro porque os britânicos tomaram decisões monetárias ruins quando estavam em um sistema de razão fixa entre ouro e prata, o que fez com que a Lei de Gresham[*] entrasse em efeito). Não deveria haver uma razão fixa entre ouro e prata, e as pessoas deveriam ser livres para utilizar ambos como moeda. Cheques e cartões de débito continuariam existindo; aliás, os cartões de débito poderiam automaticamente transformar os valores em ouro depositados em conta-corrente em valores em prata para quaisquer tipos de compras. Esses princípios básicos deveriam ser escritos em todas as constituições de modo a bloquear as ações dos governos e não impedir as inovações do mercado.


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Mark Thornton é um membro residente sênior do Ludwig von Mises Institute, em Auburn, Alabama, e é o editor da seção de críticas literárias do Quarterly Journal of Austrian Economics. Ele é o co-autor do livroTariffs, Blockades, and Inflation: The Economics of the Civil War e editor de The Quotable Mises e The Bastiat Collection.


[*] A lei de Gresham - em homenagem ao financista e comerciante inglês Thomas Gresham - diz que o dinheiro ruim expulsa o dinheiro bom de circulação. Ou seja: em um sistema monetário em que há mais de uma moeda em circulação, a moeda de valor inerente mais baixo (uma moeda artificialmente valorizada) será a preferida para ser usada como moeda corrente, ao passo que a moeda de valor inerente mais alto (aquela que está artificialmente desvalorizada) será estocada para ser usada apenas em eventualidades ou contingências.

 

Tradução de Leandro Augusto Gomes Roque

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A pior parte da crise: Começou o desemprego em massa

MOVIMENTO ORDEM VIGÍLIA CONTRA A CORRUPÇÃO

CRISE REDUZ EMPREGO E BANCOS ELEVAM JURO

Indústria de São Paulo sinaliza menor produção e elimina 10 mil vagas de trabalho em outubro - Correio Braziliense

Perdeu fundamento, ontem, a tese de que o crescimento do PIB evitaria a pior conseqüência da crise, a demissão em massa de trabalhadores. Como reflexo direto da maior restrição ao crédito e do menor nível de consumo, o setor industrial paulista fechou 10 mil postos de trabalho em outubro.

 A Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) informou que o nível de emprego na indústria paulista caiu 0,41% sem ajuste sazonal em outubro na comparação com setembro, representando a primeira queda para mês de outubro desde 2003, quando o indicador havia recuado 0,63%.

Ao divulgar o indicador, o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francini, relacionou o fechamento das vagas à turbulência internacional. “O que move a economia são as decisões de indivíduos carregados de maior ou menor confiança. A percepção é de que o mundo está em crise, e isso determina as ações dos empresários”, explicou.

Um agravante é que os efeitos da crise na economia real começam a despontar na região mais dinâmica do país e que responde por grande parte da economia, numa sinalização de que essa conseqüência tende a se propagar.

Ao apresentar a queda no indicador, Paulo Francini disse que se tratava de uma mudança do padrão. “O que realmente importou foi a alteração de padrão. Houve inflexão na curva de crescimento e, de repente, a tendência se alterou”, comentou. No acumulado dos últimos 12 meses, a expansão, que vinha num nível de 4,5% até setembro, decresceu para 3,6%. Outubro também foi o primeiro mês em que a maior parte dos segmentos registrou redução nos postos. Das 21 atividades que compõem a mostra do emprego pesquisada pela Fiesp, 10 tiveram desempenho negativo e seis registraram estabilidade.

O maior número de demissões ocorreu nas fábricas de calçados (-4,09%), de móveis (-3,10%) e confecções (-1,07%). Os maiores desligamentos ocorreram em Franca, Jaú e São Carlos. De acordo com Francini, o desempenho negativo indica menor produção. “A redução do emprego não está ligada à diminuição efetiva da atividade industrial, mas à expectativa sobre o desempenho futuro da economia”, explicou.



TERRORISMO

O Lula repercutiu o corte de vagas ocorrido em São Paulo. Ontem, ainda em viagem à Itália, ele ressaltou a preocupação com o desemprego. Em resposta a uma pergunta sobre se o desemprego tirava o seu sono, ele respondeu que o “terrorismo psicológico” causado pela crise deixa investidores e consumidores cautelosos.

O que me preocupa, e o que já aconteceu comigo, é que muitas vezes você quer comprar ou trocar de carro e ouve por aí que vai ter um problema e acaba não comprando. Na hora que você não compra um carro, é menos um carro produzido e pode ser um posto de trabalho que você perde”, afirmou. Arte/Gabriel Góes/Esp. CB/D.A





O AUMENTO DA IOF (POR LULA) AJUDA A ELEVAR A INADIMPLÊNCIA
A crise financeira já começa a ter impacto na inadimplência da pessoa física no Brasil. O índice calculado pela Serasa de inadimplência da pessoa física aumentou 4,9% em outubro em relação ao mês anterior.

Já era previsto para este ano um aumento da inadimplência, em razão de uma série de fatores. No início do ano, o governo aumentou o imposto sobre o crédito (IOF), o Banco Central iniciou em abril um novo ciclo de alta dos juros e as pessoas tinham se endividado mais nos últimos anos. O crédito subiu 20,8% até setembro, depois de uma alta sólida de 33% em 2006.

Antecipação
Na opinião de Erivelto Rodrigues, presidente da Austin Rating, o que a crise financeira fez foi antecipar o aumento da inadimplência para o final deste ano. Sua expectativa era de que ela só começasse a subir no início de 2009, mas a crise acelerou o processo. Rodrigues atribuiu essa alta da inadimplência aos problemas gerados pela restrição ao crédito e aos efeitos das demissões que já começam a ocorrer em alguns setores da economia. PorGuilherme Barros e Marina Gazzoni - Folha de São Paulo. Assinante lê mais 
aqui





É GRAVE A CRISE
A Vale anunciou ontem em comunicado interno que estão canceladas todas as festividades de fim de ano. A empresa diz que não é corte de custos, mas respeito aos funcionários neste momento de crise, em que quatro minas já foram fechadas, 1.200 empregados foram postos em férias coletivas e se analisa o possível fechamento da Valesul - Ancelmo Góis – O Globo





AGRICULTORES PODEM PERDER MÁQUINAS EM PLENA SAFRA
Supera a marca dos 30% o índice de inadimplência nos empréstimos bancários para a compra de máquinas e equipamentos agrícolas.

A encrenca foi relatada por executivos de bancos ligados aos fabricantes de tratores numa reunião com técnicos do ministério da Fazenda, nesta quinta (13). Num instante em que os produtores rurais semeiam a próxima safra, os bancos ameaçam retomar dos caloteiros o maquinário financiado e não pago. A reunião de Brasília teve o objetivo de sensibilizar o governo a abrir uma linha de crédito para que os produtores possam refinanciar os débitos. Recomenda-se ao contribuinte que leve a mão ao bolso. Vem aí o prómáquina. Por Josias de Souza da Folha





EMPRESAS DE TECNOLOGIA DESACELERAM E CORTAM EMPREGOS
A demanda por novidades tecnológicas está em baixa. O motivo? A crise, claro.

Ninguém mais vive sem eles: telefones celulares, computadores, internet. O problema para quem fabrica é que os consumidores não estão trocando os aparelhos antigos por novos. Culpa da crise econômica. Com a redução nas vendas, há redução também das vagas de trabalho. É o que está acontecendo em todo o mundo. Em vários países, já foram demitidos 22 mil funcionários do setor. Continue lendo 
aqui, no Bom Dia Brasil do Portal G1





ONDE LULA METE AS PATAS, DETONA
Lei de estágio provoca queda em número de vagas oferecidas no país

Em 45 dias, desde que a nova lei de estágio foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o número de vagas oferecidas no País caiu 40%, de acordo com levantamento da Associação Brasileira de Estágios (Abres). A oferta caiu de 55 mil postos mensais para 33 mil. O motivo, segundo a entidade, é o desconhecimento das novas regras, que têm assustado e confundido as empresas e as instituições de ensino superior. Leia mais 
aqui, Agência do Estado/Notícias UOL





PLANALTO SE MOBILIZA CONTRA AUMENTO DOS APOSENTADOS
Por ordem de Lula, os operadores políticos do governo iniciaram uma articulação para sepultar na Câmara três projetos que aumentam despesas da Previdência.Não são propostas da oposição. O autor é o companheiro Paulo Paim (PT-RS), do partido do presidente. Nesta quinta (13), o ministro José Múcio, coordenador político de Lula, começou a fazer a cabeça dos líderes do consórcio governista contra o “pacote Paim”. Na próxima semana, o pedido será reiterado, de forma solene, numa reunião do Conselho Político, no Planalto.O governo alega que os projetos que beneficiam aposentados e pensionistas, se aprovados, vão estourar o caixa da Previdência. Continue lendo 
aqui, no Josias de Souza





GOVERNO NEGOCIA CRIAÇÃO DE MAIS CARGOS

Apesar da crise financeira e da necessidade de cortar gastos no próximo ano, o governo acertou ontem com a base aliada a aprovação de projetos que criam novos cargos na administração federal. A meta é garantir ao Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome e à Secretaria Especial de Direitos Humanos mais, respectivamente, 140 e 60 funções. O plano foi traçado durante reunião, no Palácio do Planalto, entre o presidente da República em exercício, o vice José Alencar, quatro ministros e o chamado conselho político, grupo do qual fazem parte presidentes e líderes de legendas governistas. Continue lendo aqui– no Correio Braziliense




AS CONTAS NÃO PARAM DE CHEGAR
De uma só penada o Conselho da Justiça Federal espetou no Tesouro Nacional uma conta de R$ 2 bilhões.

O conselho entendeu que todo o universo de juízes no país deve receber auxílio-moradia, retroativo ao período de setembro de 1994 a dezembro de 1997, mesmo que eles trabalhem na cidade onde moram. O mesmo benefício já era pago aos ministros do STF e aos parlamentares e a decisão do conselho pretendeu fazer uma equiparação. A medida se aplica a juízes, desembargadores, aposentados que estavam em atividade no período citado e pensionistas, num total estimado de 4 mil pessoas. A decisão foi tomada em agosto, a conta foi apresentada em seguida, mas ainda não foi paga por falta de dotação orçamentária. O governo quer parcelar esse débito.

Tramita na Justiça, também, outra demanda bilionária: o pagamento dos quintos e décimos de 1998 a 2001 aos servidores comissionados. Se o STF julgar a causa procedente - na primeira decisão, o ministro Eros Grau foi favorável ao pagamento - o Tesouro terá que desembolsar entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões, conforme cálculos do Ministério do Planejamento. Esse "esqueleto" compreende pagamento das gratificações retroativas para os funcionários dos três Poderes. Apenas o Executivo, através da Advocacia Geral da União (AGU), recorreu ao STF para não ter que pagar.

Essa é uma história bizarra, fruto de uma balbúrdia de medidas provisórias elaboradas sem clareza e sem cautela. Por Claudia Safatle do Valor Econômico – assinante leia mais 
aqui

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".