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sexta-feira, 13 de março de 2009

O DUELO DE EXPLICAÇÕES

NIVALDO CORDEIRO
10 de março 2009

 

Há um franco debate entre as duas correntes alternativas de pensamento para a compreensão da crise atual.Entenda, caro leitor, que o ato de compreender o real antecede o ato de tomada de decisão para agir sobre a realidade, fato notavelmente superlativo em tempos de crise. De um lado a ala esquerda, que tem na figura de Paul Krugman o seu emblema, que entende que a presente crise se deve às falhas intrínsecas do mercado, tendo havido a um só tempo omissão e timidez dos governos para prevenir a crise. Vão além: dizem que só é possível superá-la com a ação vigorosa do Estado, seja na política monetária, para restabelecer o crédito, seja nos gastos governamentais, a fim de criar demanda.

 

A essa ala esquerda alinham-se também os economistas da vertente do liberalismo de Friedman, que aceitaram o suposto lado “bom” das teorias de Keynes. O denominador comum dessa gente é que a ação do Estado é necessária e suficiente para a superação dos problemas. De fato, acreditam na reengenharia humana a partir do Estado (Cavaleiro do Templo: nada mais comunista, a definição mesmo da ideologia). Há  aqui uma fé escancarada na capacidade do Estado gerenciar os problemas humanos, sobretudo aqueles ligados à economia. Seu remédio recomenda o agigantamento da ação estatal, embora no caso dos liberais consequencialistas essa ação seja, ao menos  teoricamente, temporária e reversível. A história mostra que isso nunca houve, a reversão do crescimento do Estado, quando este se agigantou a qualquer pretexto, na guerra como na paz.

 

Do outro lado temos os economistas que se alinham em torno do liberalismo clássico e da chamada Escola Austríaca, que entre nós tem seu emblema na pessoa do economista carioca Ubiratan Iorio


Esses economistas atribuem a crise não a falhas de mercado, mas a falhas de governo, que exorbitou de suas funções, que desorientou a alocação de recursos, que emitiu moeda em demasia, que se endividou além da conta, que gastou muito e mal. 


Além disso, a história do século XX foi a história do esparramo do Estado por áreas novas, como Educação, Saúde, Habitação e Previdência, de sorte que essas áreas não apenas demandaram enormes quantidades de recursos, mas tornaram-se elas próprias a raiz da crise.

 

Toda a gente sabe que o nó central da crise não reside no sistema bancário, que caminha para bancarrota em muitos países. O nó principal é o sistema de Previdência Social, seja na forma estatizada, seja na forma de fundos de pensão, estes que sempre mantêm um elo com o poder emissor e taxador do Estado. A persistência do governo norte-americano, por exemplo, de preservar a AIG está ligada diretamente aos fortes elos que a seguradora mantém, não apenas com o sistema bancário, mas com as garantias últimas que deu aos ativos dos ricos e generosos fundos de pensão norte-americanos. A quebra dessa seguradora será a realização instantânea de gigantescos prejuízos na carteira de ativos desses fundos, levando o sistema inteiro à derrocada.

 

A capacidade de esses fundos honrarem seus compromissos previdenciários de longo prazo está fortemente afetada. Muita gente perderá a sua aposentadoria por causa da insustentabilidade atuarial dos fundos e da má qualidade dos seus ativos.

 

Essa segunda linha de pensamento recomenda a receita em contrário: o reencontro da economia natural, a privatização de tudo, a começar pelas perdas dos valores dos ativos, a preservação do bem maior, que é o valor da moeda, a saída do Estado de áreas que não são da sua competência, inclusive as quatro acima nominadas.  Eu vou além: digo que não acontecerá de outra forma. 


Essa crise veio para fazer o rio retornar a seu leito. 


Ela não será superada se o Estado não regredir. A pena por retardar esse processo será prolongá-lo indefinidamente sem superá-lo.

 

O desastre político é que não há estadistas à altura da tarefa. Será preciso que alguém diga às massas, clientes do Estado, que a festa acabou e que todos terão que cumprir o mandamento bíblico de comer o pão como o suor de seu rosto. Então os beneficiários de rendas do Estado – funcionários públicos, aposentados, rentistas portadores de títulos da dívida pública, fornecedores e toda sorte de parasitas – terão que se conformar com o empobrecimento abrupto, em escala mundial, inclusive no Brasil. Certamente não acontecerá algo assim sem uma profunda catarse coletiva, que pode se traduzir em movimentos de violência. Terá que ser feito, todavia.

 

O debate até agora foi politicamente vencido pela ala esquerda, que tomou o poder nos EUA e na maioria dos países do mundo, inclusive no Brasil. O presidente Barack Obama é o filho primogênito da crise. O problema é que sua receita é puramente ideológica e, como tal, parte de uma falsa explicação da realidade. Quanto mais os governantes esquerdistas agirem, isto é, quanto mais emitirem moeda, alavancarem a dívida pública e elevarem os gastos do Estado, mais a situação econômica será agravada. Desagradar as massas acontecerá da mesma forma, só que pela mão da esquerda política será usada via torta da desordem, com inflação e interrupção do comércio mundial. É possível imaginar um cenário bastante catastrófico, do ponto de vista não apenas econômico, mas também político, se esses governos persistirem no uso dessa receita.

 

A crença no poder miraculoso da ação estatal é tão grande que mesmo o finado governo Bush adotou a via estatistade superação da crise, fazendo  projetos de bailout para vários setores e estatizando de vez as financiadoras FannieMae e Freddie Mac, operadoras do mercado imobiliário secundário. Serão talvez os maiores depositários de ativos “tóxicos” do planeta, cujo valor está estimado em US$ 6 trilhões. A direita norte-americana agiu apenas no nível de discurso, não na implantação de políticas públicas. Na prática a via proposta pela esquerda tem sido a única política econômica de fato posta em ação. Nunca houve outras.

 

Mesmo a chamada Reaganomics, a economia do lado da oferta, contentou-se na redução de alguns impostos. O gasto estatal jamais foi reduzido. A crise, portanto, tem sigo gerada por gerações seguidas de governantes irresponsáveis  aclodiu nesse momento pelo simples fato de que levaram a experiência do gigantismo do Estado ao paroxismo.  Vivemos a Era do Estado Total.

 

Meu caro leitor, você deve se preparar. O mundo não escapará da forte purgação, o Brasil inclusive. O artificialismo econômico vivido nas últimas décadas não retornará jamais. Haverá sangue, suor e lágrimas.

terça-feira, 10 de março de 2009

Os pais da crise americana

Diário do Comércio, 5 de março de 2009

Se a folha de realizações criminosas dos movimentos revolucionários nas democracias não pode, por definição, concorrer com o desempenho deles nas áreas que dominam, nem por isso ela deixa de ser a causa principal de distúrbios e sofrimentos, seja no Terceiro Mundo, seja nas nações desenvolvidas. Não há crise, não há fome, não há violência, não há fracasso para o qual a proposta revolucionária, nua e crua ou numa de suas inumeráveis versões camufladas, não tenha dado sua contribuição essencial. Talvez o exemplo mais evidente esteja em nosso próprio país, onde as gangues de criminosos jamais teriam chegado a derramar o sangue de 40 mil brasileiros por ano se não fosse pela ajuda, indireta e direta, que receberam dos revolucionários, primeiro mediante a instrução em técnicas de organização e guerrilha, recebida dos terroristas presos na Ilha Grande na década de 70, segundo pela sucessão de leis que esses mesmos terroristas, anistiados e transfigurados em políticos, criaram para proteger os criminosos e dificultar a ação da polícia, terceiro pela assistência técnica e treinamento militar que as Farc hoje dão às quadrilhas nacionais.


Mas outro exemplo, não menos significativo, é o da crise econômica americana. Especulações quanto às causas desse fenômeno pululam por toda a mídia internacional, mas é um erro metodológico monstruoso buscar explicação em supostas tendências gerais da economia e da sociedade quando se pode pôr à mostra a seqüência precisa e determinada de ações individuais e grupais que produziram o efeito. Muito da pretensa “ciência social” contemporânea consiste em camuflar as causas concretas sob universais abstratos. Não espanta que, na totalidade dos casos, os explicadores sejam ou os próprios agentes posando de observadores externos, ou suas vítimas idiotizadas, empenhadas em anestesiar-se mediante auto-injeções de pseudociência para não ter de enxergar a verdadeira identidade de seus opressores.


Deixar-nos iludir por essa camuflagem é ainda mais inaceitável quando os agentes do processo daninho não têm sequer de ser investigados a posteriori porque eles mesmos legaram ao historiador a exposição escrita de seus planos e métodos. No caso em questão, a derrubada da previdência social americana e do sistema bancário que a sustenta não foi o efeito de uma confluência involuntária de fatores anônimos, não foi nem mesmo o resultado de uma longa colaboração de inépcias, mas foi a simples realização de um plano traçado desde a década de 60 por estrategistas de esquerda inspirados por Saul Alinksy, mais tarde o mentor de um jovem estudante de Direito, Barack Hussein Obama.


O documento que o atesta acima de qualquer possibilidade de dúvida nada tem de secreto. Foi publicado em 1966 na prestigiosa revista The Nation e até hoje consta da lista dos dez artigos mais lidos da publicação desde sua fundação em 1886 (v. Richard A. Cloward e Frances Fox Piven, “The Weight of the Poor: A Strategy to End Poverty”, The Nation, 2 de maio de 1966; uma cópia do artigo em PDF pode ser obtida por três dólares na página de arquivos da revista; um excelente resumo comentado encontra-se no artigo de James Simpson, “Barack Obama e a estratégra da crise orquestrada”, traduzido para o português em http://cavaleirodotemplo.blogspot.com/2009/01/barack-obama-e-estratgia-da-crise.html).


Os autores, Cloward e Piven, buscavam aí colocar em ação a regra ensinada por Saul Alinsky, que ele mais tarde enunciaria por escrito em seu livro Rules for Radicals, de 1971 (Vintage Books): “Faça o inimigo pôr em prática seu própria manual.” A regra antecipa uma das táticas mais notórias da “guerra assimétrica”. David Horowitz assim a interpreta:


“Quando pressionada a honrar cada palavra de cada lei e estatuto, cada princípio moral judaico-cristão e cada promessa implícita do contrato social liberal, a ação humana é inevitavelmente deficiente. O fracasso do sistema em ‘pôr em prática’ o seu manual de regras pode então ser usado para desacreditá-lo completamente e para substituir um manual capitalista por um socialista.” (V.http://www.discoverthenetworks.org.)


A estratégia proposta por Cloward e Piven consistia, segundo Horowitz, em “forçar uma mudança política através da crise orquestrada, ... procurava acelerar a queda do capitalismo ao sobrecarregar a burocracia governamental com uma enchente de demandas impossíveis, arrastando então a sociedade para uma crise e um colapso econômico”. Mas não pensem que isso é interpretação proposta por Horowitz. O texto original de Cloward e Piven é de uma clareza absolutamente cínica:


“É nosso propósito pôr em ação uma estratégia que forneça a base para uma convergência de organizações... Se essa estratégia for implementada, o resultado será uma crise política que poderá levar a uma legislação que garanta uma renda anual e portanto acabe com a pobreza.”


Cloward e Piven prosseguiam explicando que havia “um abismo de diferença entre os direitos nominais assegurados pela previdência social e o número de pessoas que desfrutavam efetivamente desses direitos. Se fosse possível localizar e organizar esses beneficiários inatendidos e usá-los para pressionar os institutos de previdência, estes não teriam dinheiro para atender à demanda e entrariam fatalmente em colapso.” A proposta de uma legislação socialista surgiria então, com aparente espontaneidade, como natural solução do problema. Nas décadas que se seguiram, a estratégia foi aplicada à risca, arregimentando milhões de beneficiários potenciais para que exigissem seus direitos em massa e produzissem a crise. Na liderança desse movimento estava o grupo de ativistas formado por Alinsky, entre os quais Barack Hussein Obama. A pletora de créditos imobiliários fornecidos pelos bancos, sob pressão dos ativistas, a solicitantes desprovidos das mínimas condições de pagar os empréstimos, foi a causa direta da crise bancária eclodida em setembro de 2008.


Dois pontos essenciais do plano Cloward-Piven chamam imediatamente a atenção do observador externo. De uma lado, a diferença entre duas concepções da previdência social. No sistema capitalista, a previdência social é, por natureza, um último recurso a que os cidadãos só devem recorrer em casos de extrema necessidade. A prosperidade geral do sistema, esperava-se, deveria prover por si o sustento das famílias, reduzindo a um mínimo as filas nos guichês da previdência. Cloward e Piven reconhecem essa obviedade em teoria mas adotam como estratégia ignorá-la na prática, forçando o direito virtual expresso em lei a tornar-se uma garantia de atendimento imediato a todos os pretendentes reais e potenciais, necessitados ou não. Entravam instantaneamente na fila, portanto, desde os miseráveis genuínos (um número insignificante) até pessoas de classe média baixa meramente insatisfeitas com a sua situação modesta:


“Para cada pessoa nas listas da previdência, há pelo menos mais uma que preenche os critérios de legibilidade mas não está recebendo assistência. Essa discrepância não é um acidente que emerga da ineficiência burocrática. É um traço inerente do sistema previdenciário, o qual, se desafiado, precipitará uma profunda crise financeira e política. A força para esse desafio, e a estratégia que propomos, é um esforço maciço para recrutar os pobres e colocá-los nas listas da previdência.”


Sob esse aspecto, a mera entrada em ação da campanha Alinsky-Cloward-Piven já modificava radicalmente a natureza do sistema, transformando o Estado liberal-capitalista num Estado previdenciário pré-socialista – e a falência deste último seria então denunciada como crise do anterior.


De outro lado, o objetivo último proclamado – garantir uma renda anual estatal a todos os pobres – se autodesmascarava imediatamente como farsa, pelo enunciado mesmo do plano: se a previdência não tinha dinheiro nem para atender os direitos já existentes no papel, como poderia tê-lo para arcar com um gasto imensamente maior? “Acabar com a pobreza” não era o objetivo do plano: era apenas o pretexto moral para gerar a crise. Esta era o único objetivo real, e não resta a menor dúvida de que foi alcançado. Neste caso, como em muitos outros, o discurso revolucionário apela a um objetivo utópico inatingível para viabilizar o esforço por um objetivo prático perfeitamente atingível, só que propositadamente desastroso. Se olharmos para a situação atual da economia americana, com o sistema bancário agonizante e o desemprego crescendo dia após dia, e notarmos que tudo isto foi feito sob a desculpa de “acabar com a pobreza”, é impossível deixar de perceber que os autores da idéia jamais acreditaram nessa desculpa, assim como os propugnadores de leis criminais mais brandas não acreditavam em diminuir a criminalidade e os defensores da educação sexual nas escolas não acreditavam em diminuir os casos de gravidez adolescente. Todas essas medidas e muitas outras similares visam tão-somente a destruir o sistema capitalista por meio de políticas assistenciais socialistas, calculadamente formuladas sob a lógica do prejuízo. Não há nenhum motivo razoável para supor que os danos resultantes fossem o puro efeito da inépcia ou da má administração. Foram resultados calculados, alcançados mediante uma engenharia social notavelmente eficaz. Trata-se, sempre e invariavelmente, de fazer o “sistema” pagar pelas culpas de seus agressores.

domingo, 1 de março de 2009

O CRASH FINANCEIRO NORTE-AMERICANO: O SISTEMA CAPITALISTA É O VERDADEIRO CULPADO?

SACRALIDADE

Apresentamos a seguir três artigos que comentam o crash financeiro norte-americano. São análises que identificam as causas dessa crise. O primeiro artigo resume os demais.

     Publicamos também, no Site da Sacralidade, outros artigos que apontam o avanço do socialismo nos EUA:

     

          


As Viúvas de Stalin e a Crise Americana *


Cezar Cauduro Roedel



     Longe de ser uma "falha de mercado", o que estamos vivenciando é o resultado de uma política muito antiga de intervenção na economia. Enquanto alguns saem dizendo que o capitalismo falhou, não percebem que a falha veio do governo, de uma política redistributivista e socialista.

A crise detonou o Lehman Brothers

      Não demorou para que as "Viúvas de Stalin" fossem propalando suas análises embusteiras sobre a "crise" do subprime americano. Com muita felicidade estampada no rosto davam gargalhadas e seus veredictos intelectualescos, comentando a derrocada do capitalismo, o fim do livre mercado, o modelo americano ruindo em suas próprias contradições...

      Portanto é necessário fazer alguns esclarecimentos sobre esta crise do mercado imobiliário, que de longe não é nada recente. A pergunta que devemos responder é a seguinte: Esta crise foi realmente gerada por uma "falha de mercado"? Segue o argumento:

      1- A origem da crise está ligada com a criação das gigantes hipotecárias, Fannie Mae e Freddie Mac, que recentemente receberam grandes verbas do governo americano. A Fannie Mae foi criada em 1938 pelo governo de Franklin Delano Roosevelt, dentro dos objetivos da política do New Deal.

     2- O New Deal previa o acesso de todos os cidadão americanos à casa própria. Mesmo àqueles sem capacidade creditícia, um plano de reestruturação com forte intervenção na economia. Assim, a gigante hipotecária forneceria liquidez ao mercado de hipotecas de alto risco, com a verba do contribuinte americano.

     3- As gigantes hipotecárias são instituições paraestatais, não são eminentemente privadas, por isso não estão "à prova do mercado", no sentido puro da expressão.

     4- O Governo americano sempre injetou muito dinheiro nestas instituições, que compram as hipotecas de alto risco do bancos americanos, dando assim, acesso aos cidadãos a sua casa própria.

     5- Em uma situação de economia de mercado, os Bancos não cederiam empréstimos para pessoas com histórico creditício duvidoso. A economia de mercado prevê que só pode emprestar dinheiro para pessoa que pode honrar a dívida. Então porque os banqueiros cediam estes empréstimos? Veja abaixo:

     6- Em 1977, então governo Carter, foi criado o decreto federal (Community Reivestment Act - Decreto de Reinvestimento Comunitário) que "obrigava" os bancos a fazerem os empréstimos aos cidadãos sem capacidade de honrar suas dividas com o aval das gigantes hipotecárias, a juros mais baixos, justamente para que todos tivessem acesso à casa própria. Os bancos que não se adaptassem as essas regras não poderiam fazer fusões, aquisições e novas linhas de negócio, até que provassem ao governo um certo número de empréstimos a estes "maus pagadores".

     Longe de ser uma "falha de mercado", o que estamos vivenciando é o resultado de uma política muito antiga de intervenção na economia. Enquanto alguns saem dizendo que o capitalismo falhou, não percebem que a falha veio do governo, de uma política redistributivista e socialista.

 

     * Publicado em 08/10/2008.

     Fonte: http://www.if.org.br/analise.php 

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Nota da Redação

Site Mídia Sem Máscara

 

     Em artigos de Thomas Sowell e João Luiz Mauad publicados recentemente pelo MSM, surge a grande pista que aponta, se não a culpa, a responsabilidade política pela origem da bolha imobiliária americana: as profundas alterações que a Community Reinvestment Act [Lei de Reinvestimento na Comunidade] sofreu logo no início (1993) do primeiro mandato de William Jefferson Clinton, o popular Bill Clinton.


A origem da crise:Clinton e os democratas

      Num longo, mas muito esclarecedor artigo publicado pela revista inglesa The Spectator em 01/10/08, o jornalista inglês Dennis Sewell diz com todas as letras: a culpa é dos democratas de Clinton. Ele demonstra os esforços de um grande e fanático grupo de ativistas-engenheiros sociais, liderados por Roberta Achtenberg, uma advogada e ativista dos direitos dos homossexuais em São Francisco, que mudaram radicalmente os outrora rígidos critérios de concessão de empréstimos imobiliários. Clinton a nomeou Secretária Assistente para a Moradia Justa (sic) e Oportunidades Iguais do Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano [Department of Housing and Urban Development – HUD].

         A política de Clinton era de ampliar enormemente o acesso das chamadas minorias ao crédito imobiliário. Roberta Achtenberg logo tratou de estabelecer escritórios ao redor dos Estados Unidos, cuja função seria a de fiscalizar a aplicação da “nova” lei, mas que, na prática, trataram de táticas de coação e chantagem. Tais escritórios tinham seu staff composto por advogados ativistas e investigadores. Primeiramente, os bancos imobiliários, e depois também os bancos comerciais, se viram em face de numerosos e rumorosos processos judiciais (aqui entra em cena a pressurosa colaboração de Janet Reno, a ministra da Justiça de Clinton) que os acusavam de práticas discriminatórias de todo tipo. Além das custas processuais crescentes, da publicidade negativa, os bancos recebiam insistentes convites da Casa Branca clintoniana para que “cooperassem”.

     Além disso, a própria lei (CRA- Community Reinvestment Act) estabelecia um critério de notas para os bancos que concedessem empréstimos imobiliários conforme as diretrizes governamentais. Dependendo da nota que um banco obtivesse, teria ou não permissão para fusões, aquisições ou a simples abertura de uma nova agência. Os tais critérios inicialmente exigiam que o tomador do empréstimo depositasse apenas três por cento (3%) do valor do mesmo. Depois, esse valor foi rebaixado para zero (0%) de entrada. Num ambiente econômico de expansão de crédito, os bancos cederam e a bolha imobiliária veio a estourar quinze anos depois de ter sido planejada como ação de “justiça social”.

 

Bush agiu, mas os republicanos foram omissos

     Dennis Sewell faz questão de isentar George W. Bush quanto à responsabilidade pelo atual estado de coisas, pois Bush teria tentado reverter ou modificar mais de uma vez os critérios da CRA. Uma vez que Sewell não é americano, nem republicano e muito menos uma Ann Coulter, a sua defesa de Bush ganha mais força.

     Todavia, há alguns detalhes que ele não menciona no artigo e que levam a algumas indagações: durante seis dos oitos anos dos dois mandatos de Bill Clinton, a maioria no Congresso americano (Câmara e Senado) era republicana. Onde estava essa maioria republicana que não viu ou não percebeu o que estava acontecendo? Se Clinton, que teve maioria durante apenas dois anos (1993-94) conseguiu introduzir modificações profundas numa lei já existente (de 1977), o que não poderia ser feito em seis anos?

     Mais ainda: com pequenas oscilações no Senado, George W. Bush teve maioria de 2001 até boa parte do ano de 2007. Assim, os republicanos tiveram algo em torno de doze (12) anos para modificar uma lei. A partir de 2001 é possível argumentar que os ataques de 11 de setembro, a campanha no Afeganistão, a guerra no Iraque, possam ter desviado a atenção dos republicanos. Mas nos anos Clinton, as únicas grandes desculpas ou distrações levam o nome de Monica Lewinsky e impeachment (este, tampouco consumado).

     E há mais um agravante: o candidato republicano John McCain é senador republicano desde 1986 e ainda assim não foi capaz de (ou não quis) rebater Barack Hussein Obama, quando este, no debate do último dia 07/10, atribuiu a Bush toda a culpa pela crise. Hoje, no que diz respeito à crise financeira, McCain não parece ter outra coisa a propor a não ser mais intervenção e ajuda estatal.

     Quando Richard Nixon declarou, em 1972, que “agora somos todos keynesianos”, pode não ter dito uma coisa boa, mas bem pode ter dito uma triste verdade.  O que resta é a constatação de que os verdadeiros conservadores americanos estão, ou sempre estiveram, muito, muito longe do poder.

    

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Política da salvação *

Thomas Sowell


     Nada demonstra mais dolorosamente o que está errado com o Congresso do que a atual crise financeira. Dentre os “líderes” partidários convidados à Casa Branca para criar uma “solução” de salvamento estão as mesmas pessoas que têm, por anos a fio, criado os riscos que agora nos atormentam.

     Cinco anos atrás, Barney Frank apoiou a “racionalidade” de Fannie Mae e Freddie Mac[1], dizendo que “Eu não vejo” qualquer “possibilidade de perdas financeiras importantes para o Tesouro”. Além disso, ele disse que o governo federal tem “provavelmente feito muito pouco, em vez de excessivamente muito, para estimulá-los a alcançar os objetivos de moradias a preços razoáveis.”

     No início deste ano, o senador Christopher Dodd[2] elogiou Fannie Mae e Freddie Mac por “liderarem o resgate” quando outras instituições financeiras estavam reduzindo os empréstimos habitacionais. Ele disse também que elas “precisavam fazer mais” para ajudar os credores subprime a conseguirem melhores empréstimos.

     Em outras palavras, o deputado Frank e o senador Dodd queriam que o governo pressionasse as instituições financeiras a emprestarem às pessoas que elas, por si mesmas, não emprestariam pelo risco de inadimplência. A idéia de que políticos podem calcular riscos melhor que pessoas que passam suas vidas profissionais calculando riscos deveria ser tão obviamente absurda que ninguém deveria considerá-la seriamente. Mas as palavras mágicas “moradia a preço razoável” e a palavra horrorosa “redlining”[3] levaram os políticos a determinarem para onde os empréstimos deveriam ir, por meio de coisas tais como oCommunity Reinvestment Act (Lei do reinvestimento comunitário) e várias outras coerções e ameaças.

     As raízes desse problema são antigas de muitos anos. Mas, como a crise a que tudo levou aconteceu na presidência de George W. Bush, isso foi motivo suficiente para aqueles que pensam em termos de retórica, não desejando ser “confundidos pelos fatos”. Na realidade, o presidente Bush tentou sem sucesso, anos atrás, que o Congresso criasse alguma agência reguladora que supervisionasse Fannie Mae eFreddie Mac.

     N. Gregory Mankiw, presidente do Conselho de Consultores Econômicos de Bush, alertou, em fevereiro de 2004, que a esperança de uma ajuda financeira governamental de emergência em caso de crise criava “um incentivo para uma empresa se arriscar e desfrutar do respectivo aumento de crescimento.”

     Como investimentos de risco pagam usualmente mais do que investimentos mais seguros, o incentivo é para que empreendimentos apoiados pelo governo assumam maiores riscos, pois eles auferem maiores lucros se tudo der certo, e os contribuintes ficam com os prejuízos, caso isso não ocorra.

     O governo não é avalista de Fannie Mae e Freddie Mac, mas a suposição geral tem sido de que o governo interviria, com ajuda financeira, para prevenir o caos nos mercados financeiros.

Greenspan: alerta em 2004 para erros na condução da política de financiamento

     Alan Greenspan, então presidente doFederal Reserve System (o Banco Central americano), disse o mesmo em depoimento no Congresso em fevereiro de 2004. Ele disse: “O Federal Reserve está preocupado” que Fannie Mae e Freddie Mac estivessem usando essa esperança implícita no salvamento governamental numa emergência para assumir mais riscos, a fim de “multiplicar a lucratividade de débitos subsidiados”.

     O presidente Greenspan adicionou sua voz à daqueles que insistiam que o Congresso devia criar um “agente regulador com autoridade similar às agências reguladoras do sistema bancário” para reduzir os riscos de Fannie Mae e Freddie Mac, riscos estes que cairiam nas costas dos contribuintes.

     Fannie Mae e Freddie Mac não merecem ser salvos, mas nem os trabalhadores, as famílias e os empresários merecem ser colocados num caos econômicos por um colapso dos mercados de crédito, tal como ocorreu durante a Grande Depressão dos anos 1930.

     Tampouco os eleitores merecem ser decepcionados nas vésperas de uma eleição pela noção de que isso é uma falha dos mercados livres que deveriam ser substituídos por uma microgerência política.

     Se Fannie Mae e Freddie Mac fossem instituições do livre mercado, elas não conseguiriam manter suas práticas financeiras arriscadas, pois ninguém teria comprado seus certificados de crédito sem uma suposição implícita de que os políticos as salvariam.

     Teria sido melhor que tais empreendimentos com apoio governamental não tivessem sido criados e que os empréstimos habitacionais fossem deixados para o livre mercado. Essa operação de salvamento cria expectativas de futuras operações similares.

     A desativação progressiva de Fannie Mae e Freddie Mac faria muito mais sentido do que deixar os políticos brincarem com elas de novo, com o risco e as despesas sendo deixados para os contribuintes. 

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     NOTAS:

 

    [1] Fannie Mae é o apelido da Federal National Mortgage Association (Associação Nacional de Hipotecas Federais) e Freddie Mac é o apelido da Federal Home Mortgage Corporation (Corporação Federal de Hipotecas). Essas empresas, criadas em 1968, são patrocinadas pelo governo e conhecidas como GSEs. Isso significa que elas são empresas privadas, mas protegidas financeiramente pelo governo federal. Essa proteção inclui acesso ao Tesouro Americano. (N. do T.) 

    [2] Sobre esse senador é interessante ler, de Dennis Prager, Caro sen. Dodd: Educação não é uma resposta para todos os problemas. (N. do T.) 

    [3] Recusar empréstimos habitacionais para áreas ou bairros considerados de alto risco. (N. do T.) 

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     Publicado por Townhall.com

     Tradução de Antônio Emílio Angueth de Araújo

     Publicado no site Mídia Sem Máscara - 7 outubro 2008

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Capitalismo de mentirinha *

João Luiz Mauad


“Government is not the solution to the problem. Government IS the problem.”

(Ronald Reagan)

     No decorrer de uma dessas crises recorrentes do capitalismo, durante os anos 80, o então presidente Reagan, instado a fazer o Estado salvar a economia do cataclismo que se anunciava pela mídia, formulou a famosa frase que até hoje reverbera no mundo liberal como uma das mais lúcidas e criativas tiradas do ex-presidente: “na crise atual, o governo não é a solução para os nossos problemas; o governo É o problema”. 

Ronald Reagan: o Estado é o problema, não a solução

     Se vivo fosse, provavelmente estaria dizendo hoje a mesma coisa. Embora as viúvas do comunismo insistam em maldizer o mercado e a ganância dos agentes econômicos pelas mazelas por que passa o setor financeiro mundial, e proclamem que é chegada a hora de o todo-poderoso Estado-babá colocar ordem na casa, a verdade é que os referidos problemas têm início, meio e fim nas ações (e regulamentações) equivocadas do Tio Sam, as quais disseminaram incentivos institucionais nocivos entre os agentes, que acabaram por desvirtuar, durante quase três décadas, a eficiente alocação dos recursos no mercado. 

     Como muito bem colocou o economista Lawrance H. White, “culpar a ganância dos agentes pelo problema é o mesmo que culpar a força da gravidade pela queda de um avião”. Tal qual a gravidade nos eventos de natureza física, a ganância estará quase sempre presente nas interações dos indivíduos no mercado. Se o problema estivesse na ganância, portanto, nem só o setor financeiro estaria atingido, mas o mercado como um todo. Aliás, de forma geral, as trocas no mercado seriam impossíveis se precisássemos afastar a ganância humana para que elas se realizassem. 

     Por outro lado, para qualquer analista sério, não resta dúvida de que a origem da atual crise está intimamente relacionada às “ações afirmativas” dos recentes governos norte-americanos, a começar pela paternidade desses dois monstrengos gêmeos – que respondem pela alcunha de Freddie Mac e Fannie May – cujo caráter peculiar de empresas privadas implicitamente patrocinadas pelo governo, aliado à demagogia dos políticos em querer tornar em realidade o sonho da casa própria a cada americano, tudo isso temperado por uma política monetária frouxa, acabou gerando a famigerada bolha imobiliária que acaba de estourar. 

     Em meu último artigo, contei a história das duas estrovengas híbridas, meio peixe, meio mulher, digo, meio públicas, meio privadas, e como elas se valeram de sua situação especial para tomar e emprestar dinheiro barato. O que eu não contei ainda foi que os políticos também apropriaram-se delas para colocar em ação suas políticas demagógicas e ações assistencialistas.  

     Tudo começou em 1977, quando o então governo socialista de Jimmy Carter criou o chamado Comunity Reinvestment Act, cujo propósito era obrigar os bancos a emprestar uma parte dos seus ativos às comunidades mais carentes. Em 1994, aquela legislação foi ampliada, e o governo explicitamente determinou que a dupla expandisse seus empréstimos a tomadores finais de baixa renda. Isso, logicamente, criou enormes incentivos para que os bancos emprestassem mais aos hipotecários chamados “sub-prime”, ou com capacidade de pagamento reduzida, já que, na retaguarda, Fannie e Freddie entrariam como uma espécie de “resseguradores” estatais, numa analogia com o mercado de seguros. 

     Enquanto isso, o Banco Central (FED) continuava com sua política de crédito frouxa, sempre na esperança de que pudesse adiar indefinidamente as tão odiadas recessões. (Só para que o leitor possa ter uma idéia de como essa paranóia anti-recessiva está impregnada na política daquele país, existe por lá uma lei – Humphrey-Hawkins – apelidada de “lei do Pleno Emprego”, que força o FED a manter as taxas de juros artificialmente baixas, olhando não só para a inflação e o poder de compra da moeda, como seria prudente, mas também para os índices de emprego e desemprego). 

     Com o dinheiro cada vez mais barato e disponível, os bancos continuavam a assumir riscos cada vez maiores. Para piorar as coisas, em 2005, após um escândalo contábil ocorrido na Freddie Mac, ambas as GSEs concordaram, como forma de penitência diante do congresso, em expandir ainda mais as suas operações junto às comunidades de baixa renda, de tal sorte que, entre 2004 a 2006, o percentual das chamadas operações “sub-prime” cresceu de 8 para 20% do total de hipotecas. E, mesmo diante de todas as evidências, ainda há gente hipócrita a gritar que a raiz do problema estava na ausência da mão peluda do Estado.  É preciso ser muito cara-de-pau! 

     Em resumo, os bancos assumiam cada vez mais riscos, mas tinham compradores garantidos para os seus títulos, nas pessoas de Freddie e Fannie, as quais estavam – em princípio supostamente, e agora efetivamente – lastreadas pelo governo (contribuinte). O leitor poderá dizer que os bancos agiram sem as devidas cautelas, além de movidos pela ganância de ganhar sempre mais – o que é absolutamente correto. Ocorre que eles estavam respondendo a incentivos criados por intervenções do governo, ainda que estas intervenções muitas vezes fossem bem intencionadas. 

     Pois bem: depois que a cobra fumou e a crise estabeleceu-se, os mais afoitos resolveram que o incendiário deveria, de uma hora para outra, transformar-se em bombeiro. E pior: o único instrumento de que dispõe o bombeiro/incendiário é justamente querosene.  Resumindo, pretende-se curar uma crise gerada por excesso de liquidez, injetando-se no mercado cada vez mais dinheiro. 

     No afã de defender o chamado “bailout”, seus patrocinadores não se fazem de rogados.  O mínimo que prevêem, caso o resgate dos títulos podres pelo governo não seja implementado, é o Armagedom. 

     Pois eu discordo do catastrofismo reinante no mercado.  Até onde a vista alcança, as condições hoje são completamente distintas das de 1929, a começar – e principalmente – pela liquidez do sistema. Note-se ainda que os bancos comerciais não estão tendo maiores problemas, como os bancos de investimento, e recentes dados divulgados lá nos EUA demonstram que as linhas de crédito comerciais estão fluindo e irrigando a chamada economia real sem maiores problemas.

      Agora, cá entre nós e que ninguém nos escute: é lógico que os profissionais, investidores ou operadores do mercado, seja porque estão entupidos de papeis podres ou sentados em cima de um monte de ações que não param de encolher, vão ficar alardeando o fim do mundo, pois querem salvar a própria pele ou lucrar um pouco mais. 

     Ao ler essas opiniões, de gente que tem todo interesse no resultado da questão, me fizeram lembrar das minhas peladas futebolísticas da infância, em que não havia juízes e quem marcava as faltas e decidia as regras eram os próprios jogadores. É óbvio, e não podia ser diferente, que cada um queria “puxar a brasa para a própria sardinha”. E nem poderia ser diferente.

     Vejam, por exemplo, o caso do famigerado Warren Buffet, oráculo do mercado financeiro mundial e de boa parte da chamada Grande Mídia:  acabou de comprar $ 5 bi em papeis do Goldman Sachs “na bacia da almas”. É previsível, e muito provável que, a curto prazo, as ações desse banco de investimento aumentem muito de preço, caso o pacote do governo venha a ser aprovado. O que faz então ele? Usa todo a sua influência, tanto junto ao Congresso quanto junto à mídia, para alardear uma crise sistêmica profunda, caso o congresso não aprove o plano de salvamento. E tome canelada pra todo lado.

      Já no meio acadêmico, no entanto, não há essa ânsia pela aprovação do plano, nem há consenso sobre supostas catástrofes, caso o plano não seja aprovado. É evidente que algum sofrimento imediato, principalmente no meio financeiro, vai ocorrer, mas daí a supor que acontecesse “o fim do mundo” ou que “a vaca fosse para o brejo” vai uma enorme diferença.

     Enfim, já me alonguei demais, especialmente porque, pelo menos de acordo com os últimos informes vindos de Washington D.C., parece que a associação perversa dos rent-seekers do mercado financeiro com os intervencionistas do Estado-Babá mais uma vez irá deixar os contribuintes com o abacaxi nas mãos e o pepino sabe-se lá onde… 

     E viva o capitalismo de mentirinha!

     

     * Publicado no site Mídia Sem Máscara - 6 outubro 2008

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Barack Obama e a estratégia da Crise Fabricada

TRADUÇÕES ESSENCIAIS
Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009

Tradução e publicação original:

Link original:

por James Simpson[1]
American Thinker, 28 de Setembro de 2008[2]


***

Notas da tradução:

1) Procurei ser o máximo fiel ao texto original mas nalgumas vezes tiver que adaptar para o melhor entendimento do texto.

2) Todas as referências foram mantidas do texto original, logo todas elas estão em inglês.

3) Todos os negritos e itálicos foram mantidos do texto original, nada acrescentei.

4) Vocês podem se perguntar o porquê de esforço para traduzir um texto que expõe coisas tão faladas nos círculos honestos de divulgação, ou seja todas as tramóias do Obama. Esse texto tem particular importância, pois explica a estratégia por trás do modo de agir do Obama, e como ele está inserido no processo maior. Por isso, e somente por isso, me dei ao trabalho de traduzir esse artigo, que para o entendimento da situação atual daquele país é peça chave.

5) Não traduzi o quadro pois qualquer pessoa que ler o post inteiro não terá dificuldade de reconhecer ali todos os nomes e indicações!

6) Qualquer sugestão de modficação da tradução será bem vinda, traduzi livremente sem seguir regras nem imposições alguma. Assim não terei o menor problema em alterar partes do texto desde que mantenha o seu sentido.

7) Obrigado e boa leitura!

***

Prendendo a respiração, a América espera enquanto Washington luta para tirar a economia dos EUA da beira do desastre. Mas muitos desses mesmos políticos causaram a crise, e se deixados à solta com seus ardis vão fazer tudo de novo.

Apesar do bloqueio da grande mídia, uma série de livros, programas de rádio e blogs conseguiu revelar as ligações de Barack Obama com seus mentores radicais – os terroristas do Weather Underground
William Ayers e Bernardine Dohrn, o membro do Partido Comnunista Frank Marshall Davis e outros. David Horowitz e seu Discover the Networks.org também contribuíram com muitas informações, e apontaram as ligações radicais de Obama desde o início.

Que eu saiba, porém, ninguém até agora ligou todos os pontos entre Barack Obama e a Esquerda Radical. Vistas em conjunto, as influências na vida de Obama contém um mostruário do movimento esquerdista radical, e se torna dolorosamente visível que Obama não só participa voluntariamente do movimento como passou a maior parte da sua vida adulta profundamente mergulhado nele.

Mas mesmo isso não descreve inteiramente a natureza extremista desse candidato. Pode-se associá-lo diretamente a uma vasta estratégia maliciosa que motiva muitas, se não todas, das mais destrutivas organizações esquerdistas radicais dos EUA desde a década de 1960.



A Estratégia Cloward-Piven e a Crise Orquestrada

Numa
mensagem anterior, apontei o histórico esquerdista de completos desastres legislativos, o último dos quais está se desenrolando agora nos mercados financeiros bem diante dos nossos olhos. Antes da ascensão republicana de 1994, os Democratas tiveram sessenta anos de poder virtualmente contínuo no Congresso – na maior parte das vezes com maioria substancial. É possível que um grupo de pessoas inteligentes, com recursos praticamente ilimitados sob o seu comando, estudando problema após problema por anos a fio, não tenha sido capaz de elaborar uma única política que funcione? Qual é a razão dessa incapacidade crônica?

Qual é a razão?

Uma de duas coisas tem de ser verdade. Ou os Democratas são idiotas completos, que na sua santa ignorância perseguem políticas cada vez mais destrutivas apesar de décadas de evidências contrárias, ou eles entendem perfeitamente as conseqüências de suas ações e ainda assim persistem na mesma direção, porque são de algum modo beneficiados por ela.

Digo a vocês que eles entendem as conseqüências. Para muitos é simplesmente uma questão prática, de obter votos do eleitorado alvo às custas do contribuinte; nós perdemos um pouco, eles ganham muito, e os políticos mantêm seus cargos. Mas para outros, o objetivo é mais maligno – o fracasso é deliberado. Não riam. Esse método não só possui seus defensores, mas possui um nome:
Estratégia Cloward-Piven, que descreve os seus objetivos, as suas táticas e a sua estratégia a longo prazo.

A Estratégia foi explicada pela primeira vez na edição de 2 de Maio de 1966 da revista The Nation, por uma dupla socialistas radicais, Richard Andrew Cloward e Frances Fox Piven, professores da Universidade de Columbia. David Horowitz a resume como:

    A estratégia de forçar uma mudança política através da crise orquestrada. A "Estratégia Cloward-Piven" procura acelerar a queda do capitalismo ao sobrecarregar a burocracia governamental com uma enchende de demandas impossíveis, arrastando então a sociedade para uma crise e um colapso econômico.

Cloward e Piven inspiraram-se no organizador radical (e mentor de Hillary Clinton) Saul Alinsky:

    "Faça o inimigo pôr em prática seu próprio manual" escreveu Alinsky no seu livro Rules for Radicals (Regras para Radicais) de 1989. Quando pressionada a honrar cada palavra de cada lei e estatuto, cada princípio moral judaico-cristão e cada promessa implícita do contrato social liberal, a ação humana é inevitavelmente deficiente. A falha do sistema do "pôr em prática" o seu manual de regras pode então ser usado para desacreditá-lo completamente, e para substituir o manual capitalista por um socialista. (cortesia de Discorver the Networks.org)

A Newsmax esclarece mais ainda:
    Sua estratégia de criar caos político, financeiro e social que resulte em revolução mistura conceitos de Alinsky com esforços mais agressivos de causar uma mudança no governo americano. Para atingir sua mudança revolucionária, Cloward e Piven procuraram usar um time de organizadores agressivos, ajudados por uma mídia amigável, para forçar uma re-distribuição da riqueza nacional.

No seu artigo na The Nation, Cloward e Piven foram específicos quanto ao tipo de "crise" que estavam tentando criar:

    Por "crise", nós queremos dizer um rompimento público visível de alguma esfera institucional. Crise pode ocorrer espontaneamente (ex. revoltas) ou como resultado de táticas intencionais de protestos e manifestação em que ou se gera uma quebra institucional ou se traz para a atenção pública uma quebra até então não reconhecida.

Onde quer que a estratégia seja implementada, ela terá as seguintes características:

  1. A ofensiva organiza grupos antes dispersos, elegíveis para benefícios governamentais, mas que ainda não recebem tudo que podem receber.
  2. A ofensiva procura identificar novos beneficiários e/ou criar novos beneficiários.
  3. A finalidade é sempre impor novas pressões sobre os sistemas-alvos, com o objetivo último de forçar seu colapso.

Explorando a tensão racial da década de 1960, Cloward e Piven viram o Sistema de Previdência como seu primeiro alvo. Alistaram o ativista negro radical George Wiley, que criou o National Welfare Reform Organization (NWRO – Organização Nacional de Reforma da Previdência) para implementar a estratégia. Wiley contratou uma infantaria de militantes para invadir escritórios de previdência ao redor do país, reivindicando violentamente os seus "direitos". De acordo com um artigo de Sol Stern para o City Journal, o resultado foi um crescimento no número de beneficiados pela Previdência de 4.3 para 10.8 milhões até o meio da década de 1970, e na cidade de Nova York, onde a estratégia foi particularmente bem sucedida, "havia uma pessoa na Previdência. . . para cada duas empregadas na iniciativa privada."

De acordo com outro artigo do City Journal intitulado "
Compassion Gone Mad" (Compaixão Enlouquecida):

    O impacto do movimento na cidade de Nova York foi chocante: o número de casos na Previdência, que já subia 12 por cento ao ano no início da década de 1960, subiu 50 por cento nos dois primeiros anos do governo de Lyndsay; os gastos dobraram. . . A cidade tinha 150.000 casos na Previdência em 1960; uma década depois, tinha 1.5 milhão.

A vasta expansão da Previdência em Nova York causada pelas táticas Cloward-Piven da NWRO levou a cidade à falência em 1975. Rudy Giuliani citou Cloward e Piven pelo nome, como os responsáveis por "um esforço na sabotagem econômica." Ele também atribuiu à Cloward-Piven a mudança na atitude cultural em relação à Previdência que, de um expediente temporário, passou a ser vista como um direito vitalício – mudança de atitude que, em si mesma, talvez tenha causado o maior dos danos.

Cloward e Piven viram nessa estratégia uma mina de ouro de oportunidades. Dentro dos grupos recém-organizados, cada ofensiva encontraria uma ampla gama de recrutas dispostos a promover sua agenda radical
por pouco ou nada em troca, e a expandir a sua base de eleitores confiáveis, legais ou não. As táticas ameaçadoras dos radicais construiriam ainda uma reputação intimidadora, gerando inúmerasoportunidades de extorquir dinheiro e outras concessões das organizações-alvo. Enquanto isso, ofensivas bem-sucedidas afundariam cada vez mais a sociedade. Como eles observaram, deliciados:

    Ademais, esse tipo de influência de massa é cumulativa, pois os benefícios são contínuos. Uma vez estabelecida a elegibilidade para subsídios básicos de comida e aluguel, o ralo nos recursos locais prosseguirá indefinidamente.


Na próxima vez que vocês dirigirem por um dos muitos bairros empesteados das nossas cidades, ou lerem sobre a criminalidade astronômica, o vício em drogas, as taxas de natalidade fora do controle, ou refletirem sobre as escolas falidas, a polícia atada e os recursos dos bombeiros de cada grande cidade, lembre-se da excitação de Cloward e Piven ao preverem que "o ralo nos recursos locais prosseguirá indefinidamente."


ACORN, a nova ponta-de-lança Cloward-Piven

Em 1970, um dos protegidos de George Wiley,
Wade Rathke – como Bill Ayers, um membro da radical Students for a Democratic Society (SDS - Estudantes para uma Sociedade Democrática) – foi mandado para fundar a Arkansas Community Organizations for Reform Now (Organização Comunitária do Arkansas para a Reforma Agora). Ainda que a NWRO tivesse tido um bom começo, ela sozinha era incapaz de atingir os objetivos de Cloward-Piven. O grupo de Rathke ampliou a ofensiva para incluir uma ampla gama de "direitos" para as pessoas de baixa renda. Pouco tempo depois, eles trocaram o "Arkansas" por "Association of," e a ACORN tornou-se uma organização nacional.

Hoje a ACORN está envolvida em uma ampla variedade de atividades, incluindo habitação, direitos eleitorais, imigração ilegal e outros. De acordo com o site da ACORN: "A ACORN é a maior organização comunitária de base para pessoas de baixa renda do país, com mais de 400.000 famílias afiliadas, organizadas em mais de 1.200 filiais, em bairros de 110 cidades ao redor do país." Ela é talvez o mais radical grupo em ação nos EUA, e tem sido acusada pela
prática generalizada de atividades criminosas em vários fronts.


Eleições

Quanto a direitos eleitorais, a ACORN e a sua subsidiária de mobilização eleitoral, a
Project Vote, estão envolvidas nacionalmente em esforços para garantir o direito a voto a criminosos condenados, e fizeram pesado lobby em favor do Motor Voter Act de 1993, uma lei que autoriza as pessoas a se registrarem para votar em departamentos de trânsito, escolas, bibliotecas e outros lugares públicos. Esta lei era perseguida por Cloward e Piven desde o início da década de 1980, e ambos estavam presentes, atrás do presidente Bill Clinton, na cerimônia de assinatura da lei.

A tática da ACORN em relação a direitos eleitorais segue a Estratégia Cloward-Piven:

  1. Registrar o maior número possível de eleitores Democratas, legais ou não, e ajudá-los a votar, várias vezes se possível.
  2. Sobrecarregar o sistema com registros fraudulentos, usando múltiplas entradas com o mesmo nome, nomes de mortos, nomes aleatórios da lista telefônica, e até mesmo nomes inventados.
  3. Tornar o sistema difícil de controlar, através do lobby pelas exigências mínimas de identificação.

Nesse esforço, a ACORN cria locais de registro por todo o país, e tem sido freqüentemente acusada de entregar registros fraudulentos e de destruir registros republicanos. Apenas no período das eleições de 2004-2006, a ACORN foi acusada de fraude eleitoral generalizada em 12 Estados, e pode ter conseguido virar a eleição de um governador estadual.

O website da ACORN se vangloria: "Desde 2004, a ACORN tem ajudado mais de 1,7 milhões de cidadãos de baixa e moderada renda a proceder o registro eleitoral." O Project Vote diz que foram 4 milhões. Eu me pergunto quantos deles estão mortos. Para o ciclo eleitoral de 2008, a ACORN e o Project Vote não tiveram escrúpulos. Dada a intensidade de seus esforços por todo o país, não é inconcebível que essa corrida presidencial possa ser decidida apenas por votos fraudulentos.

Barak Obama dirigiu o Project Vote da ACORN em Chicago, e a sua extremamente bem-sucedida campanha de registro eleitoral foi
apontada como responsável pela eleição da ex-Senadora Carol Moseley-Braun, caída em desgraça. A Newsmax enfatiza as aspirações de Cloward e Piven para os esforços de registro eleitoral da ACORN:

    Ao defender massivas campanhas de registro eleitoral sem nenhum controle, eles [Cloward e Piven] buscavam uma administração Democrata em Washington D.C., que redistribuiria a riqueza nacional e levaria o país a um estado socialista totalitário.

Imigração Ilegal

Como
escrevi em outro lugar, a ofensiva da Esquerda Radical para promover a imigração ilegal é "Cloward-Piven ao quadrado." A ACORN está na dianteira também desse movimento, e foi a líder de uma vasta coalizão de grupos radicais, incluindo a Soro's Open Society Institute, aService Employees International Union (o fundador da ACORN, Wade Rathke, também dirige uma filial da SEIU), e outras, que se tornaram aCoalition for Comprehensive Imigration Reform (Coalizão para uma Reforma Compreensiva da Imigração). A CCIR felizmente fracassou em conseguir fazer passar a lei de anistia para imigrantes ilegais de 2007, mas seus objetivos continuam os mesmos.

O fardo da imigração ilegal em nosso já sobrecarregado sistema de Previdência já foi amplamente documentado. Algumas cidades na Califórnia já foram inclusive tomadas por c
artéis de narcotráfico de imigrantes ilegais. A doença, o crime e a superlotação trazidas pelos imigrantes ilegais pesa sobre cada segmento da sociedade e cada instância de governo, ameaçando dividir o país com um abismo. Enquanto isso, os esforços dos esquerdistas radicais em dar cidadania a imigrantes ilegais garante uma quantidade enorme de novos eleitores Democratas e, com quase nenhum controle de fronteira, terroristas também conseguem entrar.

Obama auxiliou a ACORN como advogado principal em um
processo bem-sucedido que ele moveu contra o governo de Illinois para implementar no Estado o Motor Voter Act. O governador republicano Jim Edgars havia resistido à lei, por temer que ela fosse uma abertura para a fraude eleitoral generalizada.

Seus temores eram justificados, pois o Motor Voter Act tem sido desde então apontada como uma grande oportunidade de fraude eleitoral, especialmente para imigrantes ilegais, incluindo terroristas.
De acordo com o Wall Street Journal: "Depois do 11 de Setembro, o Departamento de Justiça descobriu que oito dos 19 seqüestradores eram eleitores registrados. . ."

As duas ofensivas da ACORN, em eleições e imigração ilegal, são convenientemente complementares. Ambas incham as listas de eleitores com Democratas fiéis, enquanto a ACORN, atacando o país, procura arruiná-lo com uma sobrecarga de novos problemas.


Crise imobiliária

E agora nós temos a crise imobiliária, que atingiu Wall Street com uma onda de choque e levou pânico aos mercados financeiros mundiais como nenhuma outra desde a quebra da bolsa de valores em 1929. Mas esse é um problema criado em Washington há muito tempo atrás. Ele teve início com o
Community Reinvestment Act (CRA - Ato do Reinvestimento Comunitário), assinado em 1977 pelo presidente Jimmy Carter. O CRA foi a resposta de Carter a um movimento ativista iniciado em Chicago, e forçou bancos a darem empréstimos a clientes de baixa renda e alto risco. Phil Gramm, doutor em economia e ex-senador pelo Texas, o chamou de "um vasto esquema de extorsão contra os bancos nacionais."

A ACORN buscou agressivamente a expansão de empréstimos para grupos de baixa renda usando o CRA como açoite. O economista
Stan Leibowitz escreveu no New York Post:

    Nos anos 80, grupos como os ativistas da ACORN começaram a apresentar denúncias de redlining,[3] alegando discriminação dos bancos contra minorias em empréstimos imobiliários. Em 1989, membros simpatizantes do Congresso conseguiram emendar o Home Mortgage Disclosure Act (Ato de Divulgação de Empréstimos Imobiliários), para forçar os bancos a coletar dados raciais em pedidos de empréstimos, o que estimulou a realização de vários estudos, que pareceram validar a acusação original.

De fato, pedidos de empréstimos de minorias eram rejeitados mais freqüentemente do que outros – mas a razão esmagadora não era discriminação racial, mas simplesmente o fato de que minorias tendem a ter piores finanças.

A ACORN mostrou a cara novamente em 1991, ao ocupar a sala doHouse Banking Committee por dois dias para protestar contra esforços para limitar o CRA. Obama representou a ACORN no processoBuycks-Robertson vs. Citibank Fed. Sav. Bank, de 1994, contra a prática de redlining. Mais significativo ainda, a ACORN foi a grande força por trás da revisão regulatória de 1995 promovida pelo governo Clinton, que expandiu enormemente o CRA e abriu o caminho para que Fannie Mae e Freddie Max produzissem a crise que nós confrontamos hoje. Barack Obama era o advogado da ACORN nesse esforço. Com esta nova autoridade, a ACORN usou sua subsidiária, a
ACORN Housing, para promover empréstimos de alto risco (subprime) mais agressivamente.

Como um
artigo no New York Post descreve:

    Um fortalecimento do Community Reinvestment Act em 1995 obrigou os bancos a encontrar maneiras de distribuir empréstimos para suas comunidades mais carentes, e permitiu que ativistas comunitários interferissem em revisões bancárias anuais, sacudindo os bancos para tirar deles grandes quantidades de dinheiro.

Os bancos que receberam revisões negativas foram punidos; alguns viram seus planos de fusão frustrados; outros foram diretamente interpelados pelo Departamento de Justiça.

Programas de empréstimos flexíveis se expandiram, muito embora eles tivessem taxas mais altas do que os empréstimos tradicionais. Na internet, vocês ainda podem encontrar empréstimos disponíveis pelo CRA via ACORN com "100 por cento de financiamento. . . sem avaliação de crédito. . . sem comprovação de renda. . . mesmo que você não o inclua na sua declaração de imposto de renda." Aconselhamento financeiro é obrigatório, é claro.

Ironicamente, um relatório entusiasmado da Fannie Mae Foundationselecionou um paradigma de empréstimo não-discriminatório, uma instituição que trabalhava com ativistas comunitários e seguia "os mais flexíveis critérios de seguro permitidos." O 1 bilhão de dólares que esta instituição destinou a empréstimos de baixa renda em 1992 cresceu para 80 bilhões em 1999, e para 600 bilhões no início de 2003.

A instituição da qual eles falavam era a Countrywide, que se especializou em empréstimos subprime e
que mantinha um relacionamento de parceria com a ACORN.

O
Investor's Business Daily acrescentou:

    As revisões também permitiram pela primeira vez a securitização de empréstimos regulados pelo CRA que continham hipotecas de alto risco (subprime). As mudanças aconteceram na medida em que grupos radicais de "direitos habitacionais," liderados pela ACORN, faziam lobby por esses empréstimos. A ACORN naquela época era representada por um jovem advogado do interesse público em Chicago chamado Barack Obama. (Ênfase minha.)

Uma vez que esses empréstimos seriam assumidos por Fannie Mae e Freddie Mac, que por sua vez eram patrocinados pelo governo, a garantia implícita do governo sobre esses empréstimos liberou os financiadores, bundlers[4] e investidores de qualquer preocupação com o risco óbvio. Como o Bloomberg descreveu: "Esse é um caso clássico de socialização de riscos e privatização de lucros."

E se vocês pensam que os políticos de Washington se importaram com a influência negativa da ACORN, pensem melhor. Antes de todo esse problema vir à tona, uma lei patrocinada pelos Democratas teria criado um "Affordable Housing Trust Fund" (Fundo Fiduciário de Custeio Habitacional), que daria à ACORN acesso a aproximadamente 500 milhões de dólares dos rendimentos da Fannie Mae e Freddie Mac, com pouca ou nenhuma vigilância.

E mesmo agora, inacreditavelmente – com o país à beira do desastre – os Democratas têm insistido que a ACORN se beneficie das negociações de bailout! O Senador Lindsay Graham afirmou, ontem à noite (25/09/08), numa entrevista com Greta Van Susteren para o
On the Record, que os Democratas querem que 20 por cento do dinheiro do socorro governamental (bailout) vá para a ACORN!

Todo esse fiasco representa talvez o auge dos esforços da ACORN para promover a Estratégia Cloward-Piven, e é uma demonstração perfeita do poder que eles possuem em Washington.


Obama entra em cena

Numa tentativa de capturar o significado das conexões de Barack Obama com a Esquerda Radical e sua relação com a Estratégia Cloward-Piven, eu construí o mapa abaixo. Ele não está completo de modo algum; o número de indivíduos e organizações radicais é simplesmente grande demais para que todos fossem incluídos aqui. Mas estes talvez sejam os mais significativos:




O mapa põe Barack Obama no epicentro de uma incestuosa rede de esquerdismo radical americano. Suas conexões não são somente significativas: elas praticamente definem quem ele é. Juntas, elas constituem um "quem é quem" da esquerda radical americana e, guiando a todos, lá está a Estratégia Cloward-Piven.

Notáveis por suas ausências são quaisquer conexões com qualquer outro grupo, seja moderado, ou mesmo esquerdista light. Eles são todos radicais, firmemente unidos na mesma malha antiamericana, comunista, socialista, esquerdista radical.


Saul Alinsky

A maioria das pessoas não sabe que Barack Obama recebeu seu treinamento em "organização comunitária" da Industrial Areas Foundation, de Saul Alinsky. Mas ele recebeu. Isso marca, por si só, a sua herança e o seu treinamento como sendo os de um radical ativista. Ninguém precisaria ir mais fundo. Mas nós fomos.


Bill Ayers

Obama nega ser associado ao terrorista da SDS Bill Ayers, e afirma estar sendo difamado com "culpa por associação." Mas eles trabalharam juntos no
Woods Fund. O Wall Street Journal aumentou substancialmente o nosso conhecimento ao descrever detalhadamente o trabalho de Obama por cinco anos com o terrorista da SDS Bill Ayers na diretoria de uma ONG, a Chicago Annenberg Challenge, impondo a sua agenda radical a crianças da rede pública. Como Stanley Kurtz declara:

    ". . . a questão aqui não é de culpa por associação; é de culpa por participação. Enquanto presidente da CAC, o senhor Obama apoiava moral e financeiramente o senhor Ayers e o seu círculo radical. Isso seria digno de interesse mesmo que o senhor Ayers nunca tivesse plantado uma única bomba 40 anos atrás."

Também incluída no bolo está a instituição de caridade preferida de Theresa Heinz Kerry, a Tides Foundation. Uma lista parcial dos beneficiários da Tides diz tudo que é preciso saber: ACLU, ACORN,Center of American Progress, Center for Constitutional Rights (um front comunista), CAIR, Earth Justice, Institute for Policy Studies (um ninho de espiões da KGB), National Lawyers Guild (o front comunista mais antigo dos EUA), People for the Ethical Treatment of Animals (PETA), e praticamente todos os outros grupos radicais que existem. Wade Rathke, da ACORN, dirige uma subsidiária da Tides, a Tides Center.


Carl Davidson e o New Party

Nós temos ouvido falar do terrorista Bill, mas pouco ouvimos a respeito do seu companheiro de SDS
Carl Davidson. De acordo com o Discover the Networks, Davidson foi um antigo aliado de Barack Obama e um proeminente membro do New Party de Chicago, que é uma síntese de membros da CPUSA, socialistas, veteranos da ACORN e outros radicais. Obama procurou e recebeu o endosso do New Party, e eles o ajudaram na campanha. O New Party também desenvolveu uma relação forte com a ACORN. Como um excelente artigo sobre o New Party observa: "Barack Obama sabia no que estava se metendo, e continua sendo, para o New Party, um candidato ideal."


George Soros

O mapa sugere a razão do fervor com que George Soros apóia Obama. O presidente da sua Open Socieaty Institute é Aryeh Neier, fundador do radical Students for a Democratic Society (SDS). Como mencionado acima, três outros ex-membros da SDS tiveram extenso contato com Obama: Bill Ayers, Carl Davidson e Wade Rathke. Certamente Aryeh Neier teria ouvido de seus antigos colegas sobre o novo político promissor. E, o que é mais importante, Neier está firmemente empenhado em apoiar a imensamente bem-sucedida organização radical, a ACORN, e certamente apoiaria seu candidato favorito, Barack Obama.


ACORN

Obama dedicou uma grande parte da sua vida profissional trabalhando para a ACORN ou suas subsidiárias, representando a ACORN como advogado em algumas das suas mais críticas questões, e treinando seus líderes. O excelente artigo de Stanley Kurtz para a National Review, "
Inside Obama´s Acorn," também descreve em detalhes as conexões de Obama com a ACORN. Mas eu não posso melhorar as próprias palavras de Obama:

    Eu tenho lutado durante toda a minha carreira ao lado da ACORN nos problemas que preocupam vocês. Mesmo antes de eu ser eleito, quando eu administrava o movimento de registro de eleitores doProject Vote em Illinois, a ACORN estava bem no meio de tudo, e nós somos gratos pelo seu trabalho. – Barack Obama, discurso para a ACORN, novembro de 2007. (Contesia da Newsmax. A ênfase é minha.)


Em outro excelente artigo sobre as conexões de Obama com a ACORN, a Newsmax faz uma pergunta perturbadora:

    Seria revelador saber se Obama, durante os seus anos em Columbia, teve a oportunidade de encontrar Cloward e estudar a Estratégia Cloward-Piven.

Eu pergunto a vocês: é possível que a ACORN tivesse treinado Obama para ocupar posições de liderança dentro da própria ACORN sem dizer a ele para que ele estava sendo treinado? É possível que a ACORN pusesse Obama em posições de liderança sem informá-lo a respeito dos objetivos? É possível que a mais radical das organizações pusesse alguém para treinar seus treinadores, sem que ele soubesse para que ele os treinava?

Enquanto ativista comunitário da ACORN; enquanto treinador de lideranças da ACORN; enquanto
organizador principal do Project Voteda ACORN; enquanto advogado representando os bem-sucessivos esforços da ACORN em impor os regulamentos do Motor Voter Act em Illinois; enquanto representante da ACORN nos lobbies para a expansão de empréstimos imobiliários de alto risco através da Fannie Mae e Freddie Mac que levaram à crise atual; enquanto político assistido pela ACORN em suas campanhas políticas – tanto com dinheiro quanto com funcionários de campanha; é duvidoso que ele desconhecesse os verdadeiros objetivos da ACORN. É duvidoso que ele não soubesse da Estratégia Cloward-Piven.

Avancemos para 2005, quando um obsequioso, serviçal e ruidoso Daniel Mudd, CEO da Fannie Mae,
se pronunciou perante oCongressional Black Caucus na cerimônia de juramento do recém-eleito Senador de Illinois, Barack Obama. O Congressional Black Caucus, disse Mudd, é "nossa família," a "a consciência da Fannie Mae."

Em 2005, Republicanos procuraram apertar as rédeas de Fannie e Freddie. O
Senador John McCain liderava esse esforço, que fracassou devido a um intenso esforço de lobby de Fannie e Freddie.

Em seus poucos anos como senador americano, Obama recebeu $126.349 em contribuições de campanha de Fannie e Freddie, tendo sido superado apenas pelo Senador Chris Dodd ($160.400), que vinha recebendo doações desde 1988. O que torna Obama tão especial?

Seus conselheiros mais próximos formam uma
lista negra de indivíduos que estão no coração da crise financeira: o ex-CEO da Fannie Mae Jim Jonhson; o ex-CEO da Fannie Mae e antigo Diretor de Orçamento de Clinton Frank Raines; e o bilionário membro da Diretoria do falidoSuperior Bank of Chicago, Penny Pritzker. Johnson precisou deixar seu cargo, de conselheiro de Obama na busca por seu vice-presidente, depois que essa pérola surgiu.

Um relatório do Office of Federal Housing Enterprise Oversight(OFHEO), de setembro de 2004, descobriu que durante o exercício de Johnson como CEO, a Fannie Mae impropriamente adiou $200 milhões em despesas, o que possibilitou que seus executivos-chefes, incluindo Johnson e seu sucessor, Franklin Raines, recebessem bônus substanciais em 1998. Um relatório de 2006 da OFHEO descobriu que os números divulgados pela Fannie Mae são muito menores dos que os efetivamente recebidos por Johnson em compensações. Originalmente ela havia reportado compensações entre 6 e 7 milhões de dólares, quando Johnson, na verdade, recebeu algo em torno de 21 milhões.

Obama nega ligações com Raines, mas o Washington Post fala de Raines como membro do "
círculo político de Obama." Raines e Johnson foram multados em $3 milhões pelo OFHEO pela manipulação dos registros da Fannie. A multa é uma ninharia, contudo, quando comparada aos $50 milhões que Raines conseguiu obter em bônus impróprios através de suas fraudes.

Mais significativamente, Penny Pritzker, atual Chefe de Finanças da campanha presidencial de Obama, ajudou a desenvolver, na qualidade de acionista e membro executivo do Superior Bank, o complicado esquema de proteção sobre investimentos de alto risco que está no coração do desastre. O banco faliu em 2001, levando consigo $50 milhões em poupanças não seguradas de aproximadamente 1.400 clientes. Penny foi citada em um processo sob a Racketeer Influenced and Corrupt Organizations Act (RICO - Lei das Organizações Corruptas e Vítimas de Extorsão), mas não parece ter saído dele tão mal.

Como um jovem advogado nos anos 90, Barack Obama representou a ACORN em Washington em seus vitoriosos esforços para expandir a autoridade do Community Reinvestment Act (CRA). Alem de facilitar a ação dos grupos da ACORN, de obrigar bancos a dar empréstimos de alto risco, isso também abriu caminho para que bancos como o Superiorinserissem hipotecas no rol de investimentos, e para que as GSE's
[5]Fannie Mae and Freddie Mac as endossassem. Essas mudanças criaram as condições que, no fim, levaram à crise financeira atual.

Eles sabiam que isso iria ocorrer? Será que essas pessoas inteligentes, liderados por um graduado em Harvard, desconheciam o conceito de
risco moral, primário em economia, que resultaria do fato do governo garantir implicitamente o endosso de riscos financeiros do setor privado? Eles tinham que saber que, livrando o mercado de empréstimo de alto risco dos riscos, a calamidade viria com certeza. Eu creio que eles sabiam.

Barack Obama, o candidato da Cloward-Piven, independentemente de como ele descreve a si mesmo, tem sido um radical ativista na maior parte de sua carreira política. Esse ativismo tem sido em suporte de organizações e iniciativas que, em suas essências, buscam derrubar os pilares da nação e substituí-los por seus malucos sonhos socialistas. Sua influência se espalhou tão ampla e profundamente que, apesar de sua culpa evidente na atual crise financeira, eles conseguiram manipular os políticos do Capitólio e levar um pedaço de $140 bilhões do bolo dobailout!

Deus há de dar aos poucos políticos responsáveis que ainda existem em Washington a força para impedir essa fraude maciça. Deus há de dar-lhes coragem para se levantar e encarar o tsunami Marxista.

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[1] James Simpson é ex-economista da Casa Branca e analista financeiro. Seus textos já apareceram em American Thinker, Washington Times, FrontPage Magazine, e DefenseWatch, entre outros. Edita o blog Truth and Consequences. voltar

[2] Traduzido por Leandro Silva. voltar

[3] Redlining: prática bancária – ilegal nos EUA – de recusar empréstimos ou qualquer outro tipo de crédito a populações de certas áreas geográficas consideradas de alto risco. [N.T.] voltar

[4] Bundler: Profissional que coleta e reúne contribuições de indivíduos em comunidades, e as apresenta de forma unificada. [N.T.] voltar

[5] GSE's: Government Sponsored Enterprises, isto é, empresas que, ainda que privadas, com o suporte do governo federal e assumem responsabilidades públicas. Literalmente, "Empresas Patrocinadas pelo Governo." [N.T.] voltar

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".