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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Ataques nunca dantes desfechados

ESTADÃO
Marco Antonio Villa* - O Estado de S.Paulo | domingo, 15 de fevereiro de 2009

Cavaleiro do Templo: agora que a revolução conseguiu o apoio dos menos favorecidos e/ou dos menos esclarecidos não é mais necessário lamber as botas da mídia por seus favores como dar cara de boa moça para a esquerda revolucionária brasileira, esta turma pode jogar a mí"r"dia fora. 

Lula, em 74 meses de governo, é o presidente da República que mais violentamente fustigou a imprensa na história do Brasil

 - Nunca antes na história deste País um presidente fez ataques tão violentos à imprensa como os realizados nos 74 meses da gestão Luiz Inácio Lula da Silva. Nos pouco mais de seis anos de governo, Lula passou por uma séria crise política em 2005 - quando do mensalão - e por uma campanha eleitoral amena, como a de 2006. Nada, portanto, excetuando alguns meses de 2005, que justificasse uma espécie de cerco da mídia ao governo. Nos 120 anos de república ocorreram diversas crises políticas com repercussão na imprensa. Basta recordar o episódio das cartas falsas, de 1922, quando foi atribuída a Artur Bernardes uma série de cartas críticas ao Exército. O então candidato respondeu através da imprensa e travou-se um acirrado debate político. Mas Bernardes não imputou aos jornais a razão da crise. Evidentemente que havia periódicos abertamente anti-Bernardes, como o Correio da Manhã, porém a disputa ficou no campo político.

Em agosto de 1954, depois do atentado da Rua Tonelero, excetuando o Última Hora, a imprensa fez o maior ataque coletivo a um presidente até hoje conhecido. Mesmo assim, Getúlio Vargas manteve a disputa - que acabou tragicamente - na esfera política, contra seus adversários da UDN. Dez anos depois, a mídia foi parte da efervescente contenda entre os defensores da democracia e aqueles que buscavam encontrar uma saída do impasse político pelo caminho do golpe de Estado.

Durante o regime militar, os presidentes, claro, não foram simpáticos às críticas da imprensa. Especialmente depois do Ato Institucional nº 5 (1968), fizeram de tudo para controlar e impedir a divulgação de notícias que o presidente Lula chama de negativas. Neste caso, há um ponto de convergência entre os presidentes Médici - que melhor representou os anos de chumbo - e Lula: ambos, no exercício da Presidência, manifestaram preferência por uma imprensa do sim, e, se possível, do sim senhor. Médici dizia que ficava muito feliz ao assistir ao Jornal Nacional e ver como o Brasil era uma ilha de tranquilidade em meio a um oceano turbulento marcado por greves, guerras e revoluções, por todo o mundo. Não tinha azia, diversamente de Lula, ao ler os jornais. Havia a censura, jornalistas eram presos e alguns, mortos. Eram os tempos das páginas em branco ou adornadas com receitas de bolo ou trechos de Os Lusíadas. Lula nem deve ter percebido tudo isso, pois, como revelou ao site www.abcdeluta.org.br, naquela época "meu negócio era ler o Diário da Noite porque tinha a coluna que falava de futebol e eu queria ler tudo que falava do Corinthians, era isso. Não tinha cabeça para outra coisa". Nem Fernando Collor, no auge da CPI que levou ao seu impeachment, em 1992, teve coragem de usar as mesmas palavras que Lula utilizou na última semana ((assim como o fez, só para ficarmos neste ano, no Fórum Social Mundial, em janeiro, ou na entrevista a revista piauí).

Para os padrões brasileiros, Lula é um gênio da política. Ataca violentamente e ameaça de forma subliminar a imprensa - e não se ouvem protestos. Diz que o ato de campanha de Dilma com os prefeitos, pago com dinheiro público, não foi uma ação político-partidária. Elogia o regime militar, mas paga a alguns perseguidos políticos da ditadura aposentadorias milionárias. Tem como guru Delfim Netto - célebre por ter manipulado o índice de inflação de 1973, quando era o todo-poderoso ministro da Fazenda - e censura os governos militares pela péssima distribuição de renda. Faz severas críticas ao coronelismo nordestino e incensa José Sarney como exemplo positivo de político. 

Lula fala o que quer, disserta até sobre o nada, tudo porque não tem oposição. Os partidos oposicionistas estão sempre evitando o confronto. Consideram o embate político um desserviço ao Brasil (lembra, neste caso, o discurso dos generais presidentes). Para usar uma metáfora ao gosto do presidente, a oposição quer ganhar o jogo sem entrar em campo. No auge do mensalão, achou que já estava ganha a eleição presidencial do ano seguinte. Agora imagina que a crise mundial vá fazer seu papel e derrotar o candidato governamental. Supõe que a popularidade de Lula seja uma espécie de antídoto ao debate, quando justamente ocorre o contrário: o índice é alto porque não há contraponto ao presidente. 

Centrar fogo na imprensa é peça de uma estratégia maior. Lula simula uma relação cordial com prefeitos e governadores de oposição que não passa de representação mambembe de política republicana. Sabe que é uma farsa. Mas contém os tímidos, os oposicionistas café-com-leite (como no futebol se faz com as crianças). O Lula real é o que ameaça a imprensa. Faz isso porque sabe que é na mídia que encontra seus reais opositores, não por motivo político, mas simplesmente por questionar o discurso oficial ufanista; discurso que deve deixar invejoso o coronel Octávio Costa, chefe da Assessoria Especial de Relações Públicas, do ditador Médici. O curioso (ou triste) é que a imprensa faz um papel que não é o seu. O faz porque a oposição lembra a célebre Conceição, sucesso musical de Cauby Peixoto, aquela que ninguém sabe, ninguém viu. 

Enquanto isso, Brasília, a capital da esperança (?), viveu dias momentosos em fevereiro, uma espécie de prenúncio do carnaval e com foliões animadíssimos. Primeiro, a eleição para as mesas da Câmara e do Senado. Só as fotos de confraternização dos poderosos da hora dão pavor. Quem não ficou receoso ao ver os efusivos cumprimentos de Fernando Collor ao bissenador (Maranhão e Amapá) José Sarney, sob as vistas de Renan Calheiros? Quem não ficou envergonhado ao ver os prefeitos participando da encenação da fotomontagem com Lula e Dilma? E com o presidente dizendo que o batom da ministra candidata é pago pelo contribuinte

A política brasileira faz com que o cidadão oscile entre o medo e a vergonha. Para o historiador há sempre uma saída: o passado. Mas será que esse refúgio também não é uma farsa? Em algum lugar do passado tivemos um varão de Plutarco? Ou será que sempre estivemos mais para algum personagem suburbano de Nelson Rodrigues, um Palhares qualquer, aquele que beijou a cunhada no pescoço, no corredor apertado? 

* Marco Antonio Villa, historiador, é professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e autor, entre outros livros, de 1932: Imagens de uma Revolução



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Decepcionado com o governo do PT, Mino Carta desiste do Brasil (que ele mesmo ajudou a criar)

POLÍBIO BRAGA

É dificil ter que lidar com indigentes mentais ou acumpliciados com eles. Isto o editor percebe todos os dias. Vem de longe, e a cultura do petismo ampliou a corte ao raciocínio mais primário. 

. É uma pena que Mino Carta desista logo agora da sua missão, justo quando passou a compreender o que o editor desta páginas compreende há 20 anos, desde quando todos os grupos ressentidos brasileiros se uniram para reduzir as conquistas ao nível baixo em que atuam - uma gente que não consegue êxito porque não tem competência, vontade, valor, esforço e disposição para ir à luta e obter o que precisa através do seu trabalho e não do saque ao que os outros conseguiram com talento e esforço próprios. 

. Mino Carta, que é um trovador que ainda acredita em muita coisa correta (???), um esteta (?????), não pode reclamar do que está acontecendo no atual governo, autor do maior escândalo de corrupção que já ocorreu em toda a história brasileira, patrocinado diretamente por Lula e pelo Planalto, apoiou toda essa degradação política, moral e ética. No seu blog, o jornalista diz que desiste de escrever sobre o Brasil. O texto integral está no Blog dele.

"....Enquanto isso, o Brasil ainda divide com Serra Leoa e Nigéria a primazia mundial da má distribuição de renda, exporta commodities, 55 mil brasileiros morrem assassinados todo ano, 5% ganham de 800 reais pra cima. E 2009 promete ser bem pior que pretendiam os economistas do governo. Houve, e há, justificadíssima grita quanto às privatizações processadas no governo FHC. E que dizer do BNDES que empresta aos bilionários para armar a BrOi, a qual (é uma modesta previsão) acabará nas mãos de ouro de Carlos Slim? E que dizer da compra pelo governo de 49% das ações do Banco Votorantim à beira da falência? Em um ponto houve melhoras sensíveis, na política exterior. E aí vem o caso Battisti. Até este serve ao propósito da conciliação, a despeito das críticas bem fundamentadas da mídia. O ministro Tarso Genro disse em Belém que a favor da extradição de Battisti se alinham os defensores da anistia aos torturadores da ditadura, "com exceção de Mino Carta". Agradeço a referência, observo, porém, que o ministro cai em clamorosa contradição. Não foi ele quem, em rompante que beira a sátira volteriana, sugeriu à Itália baixar uma lei da anistia igual àquela assinada no Brasil pelo ditador de plantão? Talvez o ministro não saiba que enquanto no Brasil vigorou o Terror de Estado, na Itália houve uma gravíssima e fracassada tentativa terrorista de desestabilizar um Estado democrático de Direito estabelecido desde o fim do fascismo. Se eu digo que o Festival de Besteira assola o País desde a época de Stanislaw Ponte Preta, e que se o ministro merece o Oscar do Febeapá, ao menos o professor Dalmo Dallari faz jus a uma citação, recebo as mensagens ferozes e as agressivas admoestações de centenas de patriotas. Pois não é bobagem (sou condescendente) dizer que na Itália dos anos 70 estava no poder um governo de extrema-direita, ou que se Battisti for extraditado, de volta ao seu país corre até risco de vida? Ou afirmar que Mestre e Milão, norte da península, são muito distantes, quando entre as duas cidades há menos de 200 quilômetros? Sem contar que, como me levam a observar vários frequentadores do meu blog, Battisti foi o autor do homicídio de Mestre e apenas o idealizador daquele de Milão. Está claro que o ministro Tarso não erra ao dizer que a mídia nativa está sempre a agredir o governo de Lula, e contra esta forma desvairada de preconceito CartaCapital tem se manifestado com frequência. Ocorre que, ao referir-se à extradição negada a mídia está certa, antes de mais nada em função dos motivos alegados, a exibir ao mundo ignorância, falta de sensibilidade diplomática e irresponsabilidade política, ao afrontar um estado democrático amigo. De todo modo, Battisti transcende sua personalidade de "assassino em estado puro", segundo um grande magistrado como o italiano Armando Spataro, para se prestar a uma operação que visa compactar o PT e empolgar um certo gênero de patriotas canarinhos.Isto tudo me leva a uma conclusão desoladora, embora saiba de muitíssimos leitores generosos e fiéis: minha crença no jornalismo faliu. Em matéria de furo n'água, produzi a Fossa de Mindanao, iludi-me demais, mea culpa. Donde tomo as seguintes decisões: despeço-me deste blog e, por ora, calo-me em CartaCapital. Creio que a revista ainda precise de minha longa experiência profissional, completa 60 anos no fim de 2009. Eu confiei muito em Lula, por quem alimento amizade e afeto. Entendo que o Brasil perde com ele uma oportunidade única e insisto em um ponto já levantado neste espaço: o próximo presidente da República não será um ex-metalúrgico com quem o povo identifica-se automaticamente. Conforme demonstra aliás o índice de aprovação do presidente, cada vez mais dilatado.Vai sobrar-me tempo para escrever um livro sobre o Brasil. Talvez não ache editor, pouco importa, vou escrevê-lo de qualquer forma, quem sabe venha a ser premiado pela publicação póstuma".


Cavaleiro do Templo: postei este artigo em honra ao que Olavo de Carvalho e tantos homens e mulheres dignos e honrados que nos falam faz tempo sobre estes vigaristas da mídia que FIZERAM o Lula mas que jamais se acusam em público do mal que fizeram ao país e aos cidadãos brasileiros. Mino Carta foi um entre tantos (quase todos na verdade) a promoverem o homem-massa (não só o apedeuta do ABC) ao status de grande ser humano. Agora que ficou de fora da partilha dos saques vem dizendo que está desgostoso com o país. Mas, oras, está descontente com o Brasil QUE ELE MESMO CRIOU quando ainda participava da festa. Assim como o GABEIRA, HELOÍSA HELENA, CRISTOVAM BUARQUE e tantos outros que tentam se passar ou por decepcionados ou por mais radicais que o Pouco Trabalho (digo, PT) é nada enquanto ser humano. NADA!!! Menos do que NADA, aliás. Se fosse um nada, não teria podido fazer... NADA. É um monstro, isto sim. Todos os "ex-petistas" dêsti paiz, que de "ex" não têm nada quando deixam de se acusar em público (pegando as palavras do próprio Olavo quando fala de si mesmo que por ser ex-comunista e dedicar-se desde a saída do reino da farsa, da mentira e da destruição da condição humana a lutar contra a mesma e expô-la em público).

sábado, 4 de outubro de 2008

Salvando a mentira

Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 19 de setembro de 2008

O New York Times, como ninguém ignora, torce – e distorce – para a esquerda. Notícias que maculem gravemente a imagem dos ídolos do esquerdismo só saem lá em último caso, quando a porcaria é grande ou notória demais para ser escondida. Se é contra a direita, contra os EUA ou contra Israel, qualquer picuinha vai logo para a primeira página. No entanto, o enviezamento ideológico do velho diário não passa muito além desse ponto. Vexames colossais de outras épocas, como as matérias estalinistas do arqui-embrulhão Walter Duranty (modelo de jornalismo da “Hora do Povo”), a campanha dos anos 50 para convencer os americanos de que Fidel Castro era um grande líder pró-ocidental ou a imensa foto de primeira página do árabe agredido pela polícia israelense que era na verdade um judeu agredido por árabes, jamais se repetiram. A mentira completa e proposital passou a ser evitada sempre que possível, ao menos para dar às distorções sutis uma credibilidade jornalística que elas não teriam, digamos, num semanário do MST.

No jornalismo brasileiro, porém, essas precauções já foram para o beleléu faz muito tempo. Com exceções infinitesimais que só servem para sublinhar a generalidade onipresente da regra, a grande mídia nacional transformou-se num eco passivo dos debates internos da esquerda, onde só são admitidas as opiniões e notícias que possam, sem escândalo, ser lidas do alto do pódio numa assembléia geral do Foro de São Paulo (aqui e aqui). O leitor leigo pode se deixar impressionar pelas freqüentes acusações de direitismo lançadas pelos jornalistas uns contra os outros, mas, como nunca viu direitismo de verdade, não tem meios de comparação e não percebe, portanto, que o teor dessas acusações é precisamente idêntico ao daquelas que se poderiam ouvir, em tumultos estudantis dos anos 60, atiradas pela AP contra o PCB ou vice-versa. O que aí se denuncia é um direitismo figurado, de segundo grau, que não consiste em adesão firme e coerente a qualquer proposta liberal ou conservadora, mas em simples contaminação parcial, em concessão por fraqueza, em fidelidade imperfeita ao ideário esquerdista. A veemência crescente do tom em que essas acusações são proferidas, dando a falsa impressão de que há uma direita em ascensão no país, revela na verdade que mesmo esse direitismo metafórico e diluído já é cada vez menos tolerado. A esquerda lucra duas vezes com isso: fortalece sua posição na mídia e mantém a militância naquele estado de temerosa expectativa de uma investida inimiga, necessário para a maior disciplina, lealdade e coesão.

Nessa confortável posição de controle absoluto, ela está livre para mandar às favas os últimos escrúpulos de idoneidade jornalística e deixar que a imaginação militante assuma o lugar do que possa ter sido um dia o senso de realidade, mesmo atrofiado e mínimo.

Isso acontece em todos os maiores jornais do país, mas a Folha e o Globo são aqueles onde a obliteração da consciência jornalística é mais visível.

Vejam por exemplo a matéria que saiu no New York Times sob o título “Personagem do caso Rosenberg confessa ter espionado para os soviéticos”. Reproduzida na Folha, transformou-se na seguinte coisa: “Ethel Rosenberg era inocente, diz ex-réu”.

Como é possível transformar uma confissão de culpa na proclamação de um erro judiciário, na denúncia de uma condenação iniquamente imposta a pessoa inocente? É o milagre jornalístico dos títulos. Com quatro ou cinco palavras você inverte o sentido de uma matéria inteira. Como a maior parte dos leitores só lê os títulos, o impacto da notícia real é neutralizado e é o contrário dela que permanece na memória geral. Repitam esse processo uns milhares de vezes e as mais estúpidas histórias da carochinha se tornam verdades de evangelho.

Isso é o que no Brasil de hoje se chama “jornalismo”.

Vale a pena examinar o caso com mais atenção.

Segundo o despacho do NYT, Morris Sobell, condenado à prisão em 1951 por espionagem atômica enquanto seus cúmplices Julius e Ethel Rosenberg iam para a cadeira elétrica em Sing Sing, continuou alegando inocência obstinadamente, até que, aos 91 anos, desistiu e confessou que ele e Julius eram mesmo espiões soviéticos. 

A culpa deles é monstruosa: passaram aos russos segredos essenciais de construção da bomba atômica, transformando a falida URSS numa potência ameaçadora, colocando o mundo sob risco de guerra nuclear e inaugurando a era da Guerra Fria.

A confissão derruba uma das maiores e mais persistentes mentiras do calendário litúrgico esquerdista. 

Durante mais de meio século, a intelectualidade e o jornalismo de esquerda proclamaram a inocência de Sobell e dos Rosenbergs. Ainda em 1988 centenas de artistas e escritores esquerdistas participaram do “Rosenberg Era Art Project” (v. Rob A. Okun, ed., The Rosenbergs: Collected Visions of Artists and Writers, Universe Books, 1988), uma rodada de exposições e conferências, repetida nas mais famosas galerias de arte dos EUA em homenagem aos Rosenbergs, ali apresentados como mártires inocentes, vítimas de perseguição macartista e – é claro – de anti-semitismo (Arnaldo Jabor adora essas coisas).

As provas em contrário, no entanto, continuaram se acumulando e acabaram por se tornar irrespondíveis após a abertura dos Arquivos de Moscou e a decifração, pelo exército americano, dos códigos Venona, comunicações secretas entre o Kremlin e a embaixada soviética nos EUA

A bibliografia a respeito é abundante e, por ironia, quase toda produzida por autores judeus (por exemplo, Ronald Radosh, The Rosenberg File, Yale Univ. Press. 1997; John Earl Haynes and Harvey Klehr, Venona: Decoding Soviet Espionage in America, id., 1999; Herbert Rommerstein and Eric Breindel, The Venona Secrets: Exposing Soviet Espionage and America’s Traitors, Regnery, 2000). Para cúmulo, o próprio agente soviético que serviu de ligação entre Moscou e os Rosenbergs, Alexander Feklisov, contou tudo no seu livro de memórias (The Man Behind the Rosenbergs, Enigma Books, 2001).

Se ainda faltasse lançar a pá de cal sobre uma das mais vastas, dispendiosas e obstinadas campanhas de desinformação comunista, a entrevista de Sobell fez precisamente isso. O debate está encerrado e, mais uma vez, comprovada a mendacidade esquerdista que produziu as mais extraordinárias falsificações históricas do século XX.

A consciência moral da Folha, porém, não podia aceitar calada uma injustiça tão grande. A verdade vencera? Que horror! Era preciso dar um jeito nisso, restabelecer o equilíbrio, salvar ao menos um pedacinho da mentira moribunda. Felizmente, a própria entrevista de Sobell dava margem a isso. Confessando o crime dele e de Julius Rosenberg, o espião aposentado acrescentava que Ethel, a mulher do seu cúmplice, sabia de tudo mas não teve grande participação na rede de espionagem. Era tudo o que a Folha precisava para transfigurar a confissão de crime em denúncia de erro judiciário, jogando a essência comprovada da notícia para baixo do tapete e puxando para o título o detalhe menor e duvidoso.

Mais que duvidoso, na verdade.

A ocultação proposital de um ato de espionagem que coloca a segurança de um país em risco é parte integrante da própria espionagem. Ethel não encobriu só o marido: encobriu a operação inteira, que transformou o inimigo inerme em ameaça temível contra os EUA. 

Em nenhum tribunal do mundo ela seria considerada “inocente”. Só no título da Folha e, daí por diante, na imaginação dos otários que acreditam nela.

A técnica jornalística mais elementar ensina que o título deve resumir a parte mais importante e confirmada da notícia, ficando para o corpo do texto os detalhes complementares, sobretudo se não comprovados. A confissão de Sobell é em si um fato, e de importância histórica inegável. Sua declaração sobre Ethel é mera opinião, contraditada aliás pelo testemunho do próprio Feklisov. Mesmo se admitida como verdadeira não provaria nenhuma “inocência” de Ethel Rosenberg.

A Folha não se vexa de inverter o preceito básico do noticiário jornalístico, para atenuar o impacto de uma notícia que poderia pegar mal – ó horror! – para a reputação ilibada dos comunistas.

Episódios como esse repetem-se praticamente todo dia naquele e em outros jornais brasileiros, mostrando que ali a prioridade não é o jornalismo: 

é a manipulação esquerdista deliberada, mendaz, perversa e incansável. 

O que me pergunto é por que tantos leitores, assinantes e anunciantes aceitam passivamente ser ludibriados com tal persistência e nem mesmo fazem uma queixa à Delegacia do Consumidor.

domingo, 10 de agosto de 2008

O jornalismo da TV Globo

Do portal BRASIL ACIMA DE TUDO
10 de agosto de 2008

CLIQUE AQUI E VOTE CONTRA A LEI QUE VAI ACABAR COM A LIBERDADE NA INTERNET BRASILEIRA

Por Geraldo Almendra (*)

“...sabendo que mentem a FGV e o IPEA, declaro que sei bem o que são as elites do poder e prefiro a enfermaria dos pobres...” (Waldo Luís Viana)

O tipo de jornalismo e programação que a TV Globo pratica lucra com a falência da educação, da cultura, e com a degradação dos valores sociais.

Esta poderosa organização se vale do auxílio de verbas de propaganda do desgoverno petista, relacionamentos corporativistas com os poderes públicos, e financiamentos das agências estatais, mas, principalmente, com o suborno moral de seu quadro gerencial, executivo e de artistas.

Sua grade de programação dos horários “nobres” retrata a depravação moral da sociedade sem se utilizar dos instrumentos de esclarecimento - para quem assiste a seus programas - sobre as mazelas que estão destruindo a família e seus valores fundamentais.

Seu jornalismo edita as noticiais para lhes tirar qualquer caráter crítico ou formativo procurando manter-se “politicamente correto” com os poderes instituídos, e exibindo uma omissão absurdamente conivente com a degradação moral do país diante da essência redundante dos fatos que evidenciam os desvios de conduta do poder público.

O que recebemos da maior rede de televisão do país é (C.T. - apenas) um relato, dos atos de governo e de suas conseqüências, destituído de valor crítico realçando o contraditório, por isso mesmo desonesto, imoral e leviano. A missão de informar não pode eximir-se da responsabilidade social de contribuir para evitar que o povo seja manipulado por meias verdades e que o país seja conduzindo na direção da catástrofe do Estado Comunista de “Direito”.

Não temos dúvida que em matéria de tecnologia e competência organizacional a TV Globo supera em larga margem suas concorrentes. Contudo seu jornalismo marrom é leviano, evidenciando uma clara falta de ética; se furta de fazer uma avaliação da informação através da divulgação apartidária de editoriais esclarecedores e honestos, fundamentados em princípios morais, base da formação de uma sociedade com formação crítica. Vou abrir uma exceção para o Sr. Alexandre Garcia, que apesar de ser funcionário da TV Globo, vez por outra se expõe fazendo duras críticas à incompetência do desgoverno petista ou aos desvios de condutas de representantes dos poderes públicos, mas que, infelizmente, por uma questão de sobrevivência profissional, limita seus posicionamentos na fronteira do risco da demissão. (C.T. - e, por causa de si mesmo, o Sr. Alexandre Garcia ajuda o outro lado por omissão. Eu não abriria exceção a ele não pois O INTERESSE DE UM NÃO PODE SE SOBREPOR AO INTERESSE DE UMA NAÇÃO. Ou seja, é um covarde um pouco mais corajoso que os outros que sabem o que ele sabe mas se calam, tanto na Glogo quanto nas outras entidades. Jornalista MESMO sabe destes riscos quando assume que quer ser jornalista. Sabe que ele um dia, se for HONESTO consigo e com o país, poderá ter que colocar seu pescoço na forca para salvar muitos. Pensem bem: quantos NÃO JORNALISTAS (como este "que vos fala") estamos colocando nossos pescoços na forca por fazermos o trabalho destes canalhas aqui na Internet? O blog MOVCC publicou outra dia um artigo mostrando que estão sendo monitorados pela PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA e, mesmo assim, continua firma e forte.)

O problema desse jornalismo praticado pela TV Globo é que a informação destituída de vínculos esclarecedores com uma amplitude maior do que o fato em si, é um crime contra a sociedade, sendo uma prática que, grotescamente, manipula a opinião pública ou, no mínimo, a deixa indefesa contra a absurda falência moral que tomou dos podres poderes da República.

Nesta semana, assistimos um verdadeiro escândalo informativo sobre a questão da classe média no Brasil. Não é necessário conhecer números, mas apenas ter bom senso para tirar algumas conclusões óbvias, o que assim seria, se nossa sociedade não fosse majoritariamente ignorante e refém de um populismo assistencialista que nivela todas as classes sociais menos favorecidas na fronteira da pobreza material, educacional e cultural.

Diante dos absurdos e repetitivos escândalos de corrupção e prevaricação ostensivas que têm envolvido o desgoverno petista, não tenho qualquer dúvida de que os instrumentos públicos e privados de avaliação estatística estão criminosamente viciados no seu processo, e levianamente interpretados no momento de passar para o público as conclusões tiradas dos números.

O pior de tudo isso são as conivências da academia e da intelectualidade pública e privada em permitirem, sem qualquer reação, se chamar de classe média alguém que ganha entre R$ 1064,00 a R$ 4590,00, o que é no mínimo leviano, porque não informa qual a forma de distribuição na faixa considerada e que tipo de padrão de vida seria possível. Se a informação existe e isso é uma premissa, ela não foi divulgada, caracterizando a manipulação dos resultados da pesquisa por torpes motivos eleitoreiros e corporativistas.

Para entendermos a dimensão dessa canalhice basta fazermos uma simples pergunta: - quanto precisa ganhar uma família com dois filhos para poder ter à sua disposição alimentação saudável, educação, segurança e saúde dignos de uma classe média de verdade?

O que é classe média? – É uma classe social, nascida no desenvolvimento capitalista da sociedade, que se apresenta com um padrão de vida e consumo razoáveis, líquido de relevante endividamento por falta de alternativa para a aquisição de bens necessários, graças ao seu poder aquisitivo.

No nosso país o que significa ganhar, por exemplo, R$ 2000,00 se somente um plano de saúde para pessoas acima de determinada faixa de idade custa acima de R$500,00 / mês?

No nosso país o que significa ganhar esse valor se somente uma mensalidade escolar para uma educação de qualidade custa entre R$ 500,00 a R$ 1500,00/mês? E a extorsão tributária na folha de pagamento dos assalariados?

Conclusão: em uma grande amplitude da faixa de renda considerada na pesquisa, a “classe média” é aquela que vive na fronteira da pobreza ou limitada para prover a família de condições de vida minimamente dignas.

Estamos presenciando milhares de pessoas da “classe mérdia” nas filas dos hospitais públicos, muitos morrendo por falta de atendimento, endividadas até o pescoço com empréstimos consignados, e com seus filhos freqüentando um dos piores sistemas públicos de ensino do mundo.

Daí advém o caráter absurdamente leviano, hipócrita e desonesto da forma da divulgação da pesquisa pela TV Globo, que teve, nitidamente, uma intenção de associar esse sórdido desgoverno petista com alguma melhoria para a sociedade.

O fenômeno da “síndrome da mangabeira” já se multiplicou dentro do desgoverno petista; diplomas e competência acadêmica viraram instrumentos para distorcer números e fatos para proteger o mais corrupto e corporativista sórdido desgoverno da nossa história.

Esses aspectos e muitos outros não são tratados pela TV Globo que, a par de sua responsabilidade de informar, deveria exercer sua obrigação de avaliar criticamente o que realmente está acontecendo com a sociedade brasileira no desgoverno petista que, contrariamente ao prometido no seu estelionato eleitoral, pratica a mais desavergonhada política populista-assistencialista-corporativista-corrupta para fabricar cenários mentirosos com o claro objetivo de se perpetuar no poder, para transformar o país em um Estado Comunista de “Direito”.

A burguesia estatal, esta sim, cada vez mais rica, não pára de crescer, estando fortalecida com seus milionários cúmplices da iniciativa privada, coniventes com o canalha do sapo barbudo.

Esse verme hediondo da política saiu do pântano do sindicalismo apodrecido graças à corrupção e à incompetência do desgoverno FHC, e pelo beijo da princesa “democracia”, que estava inebriada pelo cheiro etílico de suas promessas de resgate da moral e da ética dentro das instituições públicas.

O país precisa urgentemente de um jornalismo honesto, crítico, sério, apartidário, e que não precise de verbas públicas nem financiamentos oficiais para sobreviver, e não esse jornalismo praticado pela TV Globo. (C.T. - o BRASIL já tem este jornalismo, é só acessar os blogs, oras...)

No Circo do Retirante Pinóquio você, contribuinte, é o palhaço.

Ajude a salvar o país: TROQUE DE CANAL.

(*) Geraldo Almendra, Professor de Matemática e Economista, Petrópolis

terça-feira, 22 de julho de 2008

Falsificação endêmica

Do portal do OLAVO DE CARVALHO
18 de julho de 2008

Antigamente o jornalismo era uma variante menor da ciência histórica. Documentando o presente, aplanava o caminho para os historiadores, dando-lhes um retrato aproximativo do “clima de opinião” da época e ao mesmo tempo indicando-lhes por alto as fontes primárias onde poderiam conferir a diferença, se houvesse, entre os fatos e sua imagem pública. Os métodos de pesquisa e averiguação usados por um bom repórter eram em essência os mesmos do investigador histórico, apenas praticados em escala mais modesta, apressada e superficial.

Desde que entrei na profissão, em 1965, ela mudou demais. Trocou de modelo. Já não imita a historiografia, mas o show business , a propaganda e o ativismo político. O pouco de pesquisa que resta é instrumento auxiliar subordinado a esses três fins supremos: o jornal deve atrair e seduzir como um show erótico, gerar hábitos como uma campanha de marketing, moldar e controlar as mentalidades como uma escolinha de militantes, uma madrassa do PT. O fato mesmo de que esses três objetivos concorram entre si acaba criando uma impressão geral de equilíbrio, que o leitor toma como sinal de credibilidade, sem notar que todos os critérios antigos de veracidade – que as novas gerações nem chegaram a conhecer – foram cinicamente suprimidos do conjunto e que, na ordem do jornalismo atual, a última coisa que interessa é contar o que está acontecendo.

A mudança, ao menos no Brasil, não foi espontânea. O instrumento para realizá-la foi a obrigatoriedade do diploma universitário, que, colocando sob a batuta de uma reduzida elite de professores-doutrinadores a formação dos jornalistas, tornou praticamente inevitável a uniformização da sua mentalidade e a institucionalização de uma rede de cumplicidades solidárias, ao ponto de já não haver fraudes jornalísticas isoladas: os jornais e noticiários de TV mentem em uníssono, berrando ou silenciando em coro, com ritmo perfeito.

Ao longo dos meus artigos, tenho assinalado e documentado a infinidade de descalabros, de atentados à mais elementar exigência de veracidade, que se tornaram não só a prática usual mas a norma obrigatória no jornalismo nacional, incluido prêmios para os mentirosos devotos e castigos para os relapsos e recalcitrantes.

Sem mencionar de novo o caso do Foro de São Paulo – decerto a mais bem articulada operação-silêncio já registrada na mídia continental, conditio sine qua non da eleição de Lula em 2002 e de sua reeleição em 2006 –, ocorrem-me de memória alguns exemplos notáveis:

(1) A reportagem-denúncia de Caco Barcelos sobre um crime alegadamente cometido por militares do Exército, a qual, depois de bem provada a sua falsidade, recebeu não um, mais dois dos mais reputados prêmios jornalísticos nacionais (v. A vaca louca da história nacional).

(2) O “Observatório de Mídia da USP”, montado com dinheiro público sob o pretexto de fiscalizar a objetividade do noticiário, mas que acabou se revelando apenas uma peça de um gigantesco esquema de propaganda esquerdista (v. Observatório de Mídia da USP: bilionário esquema de poder).

(3) A falsificação obstinada, pertinaz e grosseira de dados estatísticos para favorecer as campanhas apoiadas pela mídia, como desarmamentismo, aborto e gayzismo (v. A arte de mentir, Para além da covardia e Aritmética da fraude).

O pior de tudo é que, mesmo entre os leitores de elite, quase nenhum percebe a diferença entre esse estado de coisas e a quota de safadeza estrutural mínima, inerente ao jornalismo de todas as épocas. Mas a diferença é enorme. As fraudes jornalísticas antigas eram, por assim dizer, de iniciativa privada: cada jornal mentia conforme os interesses que lhe eram peculiares. A concorrência neutralizava os abusos mais vistosos e forçava as empresas a respeitar uma certa margem de profissionalismo idôneo. Hoje em dia as grandes campanhas de falsificação atendem a pressões de interesses globais que se sobrepõem até mesmo às fronteiras de nações, quanto mais às disputas entre empresas, e que, para maior uniformismo ainda, coincidem no todo e nos detalhes com os anseios da militância esquerdista nas redações. Mentir descaradamente em favor de causas como abortismo, gayzismo, anticristianismo, desarmamento civil, aquecimento global, indigenismo, etc., não é escolha desta ou daquela empresa individual: é imposição que vem muito de cima, dos organismos internacionais, das fundações bilionárias, e se espalha por toda parte através da rede onipresente de ONGs. É a mentira total, avassaladora, cínica e prepotente, imune aos clamores mais justos e mais óbvios da consciência moral.

Nem todo mundo, é certo, se deixa enganar por essa endemia de fraudes. A expansão do jornalismo eletrônico reflete a desconfiança geral ante a “grande mídia”, mas seu poder é limitado, sobretudo porque a espontaneidade de milhões de reações isoladas vem sendo gradativamente substituída por tentativas de controlar o universo bloguístico desde os centros orientadores da mudança global, através de restrições legais, da concentração administrativa e da bem subsidiada malha de ONGs.

O resultado é que mesmo as classes cultas acabam ignorando os fatos mais decisivos, vivendo à margem da realidade. Vou lhes dar três exemplos. São, objetivamente falando, as notícias mais importantes da semana, pelas conseqüências históricas descomunais que acabarão fatalmente desencadeando mas cedo ou mais tarde. Mas vocês não as encontrarão, ao menos com o destaque devido, nem na Folha , nem no Globo , nem no Estadão , nem no Jornal Nacional , nem em parte alguma da “grande mídia” brasileira. Se vocês não têm por hábito pesquisar o jornalismo eletrônico e as fontes primárias, não ficarão sabendo delas – e de muitas outras – de maneira alguma, e atravessarão a história atual como sonâmbulos num bombardeio.

1. A Rússia ameaça reagir militarmente a um acordo que expande para a República Checa o sistema americano de defesas nucleares. A notícia saiu dia 9 na edição eletrônica do Times de Londres.

2. Está para entrar em discussão na ONU um regulamento que proíbe, sumariamente, qualquer crítica à religião islâmica em todo o mundo. Informalmente, essa proibição já está em vigor em alguns países, graças ao fato de que as organizações islâmicas, no Ocidente, recorrem usualmente aos meios judiciais para calar a boca de seus críticos, ao passo que, nas próprias nações islâmicas, qualquer ataque à religião oficial é punido com pena de morte (v. U.N. scheme to make Christians criminals).

3. Bradley LaShawn Fowler, um homossexual de 39 anos, de Canton, Michigan, está processando as editoras cristãs Zondervan e Thomas Nelson, pedindo uma indenização de 70 milhões de dólares pelo “sofrimento emocional” que a leitura de trechos anti-homossexuais da Bíblia lhe teria causado (v. 'Gay' man sues Bible publishers). Fowler não é um maluco isolado: ele tem um blog no site de campanha do senador Barack Obama e tudo sugere que outros militantes homossexuais seguirão o exemplo do seu processo, depois de tantos artifícios judiciais já usados, nos EUA, no Canadá e na Europa, para criminalizar primeiro a leitura em voz alta da Bíblia em recinto público, em seguida a sua simples publicação em livro.

A primeira notícia torna evidente que a Rússia ainda considera a República Checa um país-satélite e está disposta a partir para a guerra em defesa das antigas fronteiras soviéticas nominalmente abolidas. Pela enésima vez, confirmam-se os prognósticos que o ex-agente da KGB, Anatoliy Golitsyn, fez em 1984 no seu livro New Lies for Old . A Guerra Fria jamais terminou, exceto na mídia elegante e nas conversas de salão.

A segunda e a terceira notícias mostram que a campanha global anticristã está cada vez mais articulada e agressiva, caracterizando uma perseguição religiosa que ainda uns anos atrás pareceria inverossímil. Quando li pela primeira vez o anúncio dessa perseguição no livro de Don McAlvany, Storm Warning. The Coming Persecution of Christians and Traditionalists in America (Oklahoma City, Hearthstone Publishing, 1999), achei que era exagero. Depois li Persecution. How Liberals Are Waging War Against Christianity (Washington D.C. , Regnery, 2003) e pensei que estava na hora de fazer minhas próprias pesquisas. Coletei 280 páginas de notícias que eliminavam qualquer possibilidade de dúvida (Perseguição anticristã nos EUA: mostruário de notícias; o dossiê vai só até 2004, e já é de arrepiar os cabelos). Por fim li The Criminalization of Christianity , de Janet L. Folger (Sisters, Oregon, Multnomah Publishers, 2005) e entendi que não se tratava apenas de uma tendência geral, mas de um movimento articulado, poderosíssimo – e, por isso mesmo, obsequiosamente ausente das páginas do New York Times , da Folha ou do Globo . Quem quer que recuse atenção a este assunto ou o despreze com base no costumeiro argumentum ad ignorantiam , imaginando que o que não está na grande mídia não existe ou não tem importância, faz isso com risco próprio. Depois não diga que não o avisei.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".