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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O Terror – a Revolução Francesa

Dica de um internauta que deixou um comentário no artigo A FACE OCULTA DA REVOLUÇÃO FRANCESA


Postado em 22 de julho de 2009, quarta-feira.


A Editora Record lançou este mês o livro O Terror, do historiador David Andress, um relato pungente dos anos que sucederam a Revolução Francesa.

O autor apresenta uma profunda reflexão sobre o Terror, como ficou conhecido o período mais violento da Revolução Francesa. De 1793 a 1794, o governo revolucionário perseguiu e assassinou seus adversários, levando a França a uma guerra civil das mais selvagens (Cavaleiro do Templpo: ora, reflitamos: não era LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE? A Revolução Francesa prova que revolução, a reinvenção do mundo ou interpretação sociopática do mesmo, só traz "bons frutos" para os revolucionários. Aliás, nem para eles no médio/longo prazo. O engraçado é que quando os não-revolucionários matam revolucionários a "turma" fica muito triste, não é mesmo? Transformam seus mortos em santos imediatamente ao mesmo tempo em que tratam os mortos do outro lado como um nada, como lixo. Olhem a segunda foto deste artigo. Acho que o tratamento para os mortos deveria ser igual, de um jeito ou de outro, o que acham? E o tratamento para doentes mentais deveria ser internação, no mínimo distância da vida pública). Andress analisa as motivações e os atos dos homens que lideraram este marcante momento da história francesa, que influenciou de forma irreversível o pensamento ocidental.


Até que ponto pode um Estado desumanizar seus inimigos? Quando tem o direito de deter arbitrariamente suspeitos de subversão? Pode o terror justificar-se como instrumento de política? Ao longo dos últimos duzentos anos, a suspensão dos direitos civis à época da Revolução Francesa assombra a imaginação da Europa. A evolução do movimento - da exaltação libertadora para uma orgia aparentemente absurda de derramamento de sangue, sob o comando da sombria e enigmática figura de Robespierre - gerou incontáveis reflexões sobre a maldade humana e a loucura das tentativas de mudança revolucionária.


Andress demonstra que o Terror foi uma guerra civil das mais selvagens. De ambos os lados havia inocentes e aproveitadores, e também os que agiam corajosamente, cumprindo seu dever como patriotas ou súditos leais. É em sua incapacidade de compreender o caráter complexo do conflito que se revela a verdadeira tragédia do Terror, que serve o mais sincero patriotismo de pretexto para o massacre.


David Andress é profundo conhecedor da Revolução Francesa. Atualmente, professor de História Européia Moderna na Universidade de Portsmouth, Fellow da Real Sociedade Histórica. É editor de H-France, o mais consagrado foro eletrônico de debate sobre a história da França. Publicou French Society in Revolution, 1789-99 (Manchester University Press) e The French Revolution and the People (Hambledon and London).

A FACE OCULTA DA REVOLUÇÃO FRANCESA

Fonte: SACRALIDADE

Jean Marc Bastière Le Figaro Magazine*

Da perseguição religiosa aos tribunais do Terror; da guerra civil à destruição das obras de arte, "O Livro Negro da Revolução Francesa" revela o que os manuais escolares nos ocultam



Como o tempo passa! Faz praticamente vinte anos que celebramos o bicentenário da Revolução Francesa. Tomando como referência o ano de 1789, seria como se já estivéssemos na época do Império... Embora o nome de Napoleão esteja presente nas livrarias, o homem do 18 Brumário já não é celebrado oficialmente [1]. Em certo sentido, porém, o Consulado e o Império também integram o grande ciclo inaugurado em 1789. Agora, vem à luz um "O Livro Negro da Revolução Francesa". Sem dúvida, um acontecimento de porte! Trata-se de um alentado volume, com 882 páginas, que ajuda a refrescar a memória.

Em 1989, a Revolução deixara de ser a personificação daquela mulher petulante e fogosa [Marianne] à qual o mundo inteiro não ousava resistir. A Revolução bolchevista já havia projetado as suas sombras sobre Marianne, empalidecendo-lhe os atrativos. É certo que, com o brilhante desfile de 14 de julho, o publicitário Jean-Paul Gaude tentou insuflar-lhe novo alento. Contudo, nesse mesmo ano [1989], a derrubada do Muro de Berlim desferiu um decisivo golpe no sonho de um "porvir revolucionário". Hoje, a única mulher jovem que pretende encarnar a idéia de Revolução usa véu e é islâmica! [2]

Foi, sobretudo, nos últimos vinte anos que uma re-interpretação radical, feita por certos historiadores, comprometeu seriamente a reputação dessa antiga glória. A partir da década de 60 [do século XX], François Furet, um homem de esquerda que aderira ao liberalismo, abriu um rombo no catecismo revolucionário de Soboul e dos historiadores marxistas. Pouco antes das celebrações do Bicentenário, e como um ponto final após longa análise, ele chegou à conclusão — em seu Dicionário Crítico da Revolução Francesa, publicado em 1988 — de que o processo revolucionário, em nome da "soberania indivisível", já trazia em seu bojo os germes do Terror. A bem dizer, não sendo a Revolução aquele “bloco indivisível”, como intentara fazer crer Clemenceau aos correligionários da Terceira República, também a fase sangrenta [o Terror] já não poderia ser vista como mero “desvio” no conjunto do processo. [3]

No elenco de autores que contribuíram para "O Livro Negro da Revolução Francesa", encontram-se numerosos historiadores de renome que, nas últimas décadas, tomaram parte ativa na “desconstrução” da mitologia revolucionária. Mencionemos alguns: Pierre Chaunu, Jean-Christian Petitfils, Jean de Viguerie, Jean Tulard ou Emmanuel Le Roy Ladurie. Nesse rol, excelentes escritores, assim como Reynald Secher, Jean Sévillia, Jean des Cars ou Frédéric Rouvillois. Embora de valor desigual, tais estudos são sérios, caracterizando-se pela erudição e largueza de horizontes.


Não só a nobreza foi guilhotinada, 80% eram pessoas do povo!

A primeira parte do "Livro Negro da Revolução Francesa" discorre sobre os episódios históricos. São discutidos os mais diversos temas, entre os quais, soberania popular, iconografia, legado do Terror, 14 de Julho, divisa "Liberdade, Igualdade, Fraternidade", vandalismo, perseguição religiosa ou o papel de Saint-Just — figura que, ainda hoje, atrai certa gama de fascistas... [4]

Desde o princípio, a Revolução suscitou intenso debate, com um grau de repercussão que se prolongou durante várias gerações. Daí provém o interesse da segunda parte da obra, análise inteiramente inédita, que versa sobre o impacto dessa crise sobre as mentalidades. Não só autores contra-revolucionários são estudados. Constam da relação: Joseph de Maîstre, Rivarol, Malesherbes, Chateaubriand, Balzac, Baudelaire, Augustin Cochin, Maurras, Bainville, Péguy, Nietzsche, Hannah Arendt...

O gênio literário ou filosófico encontrou na Revolução Francesa um tema-padrão para a formulação de uma crítica radical da modernidade. A terceira parte — final da obra — apresenta uma antologia de textos inéditos ou menos conhecidos.


O vandalismo revolucionário


Escreve Alexandre Gady: “Não há termos para exprimir a comoção de quem vê a escultura da “Virgem com o Menino”, do século XIII, sendo destruída a marteladas. Não há vocabulário que faça sentir o impacto de presenciar uma catedral medieval dinamitada e reduzida a escombros...”.


No "Livro Negro", esse professor da Sorbonne analisa o vandalismo revolucionário. Não há igreja, castelo ou cidade que não ostente tal estigma. Juntamente com os objetos e monumentos religiosos, as destruições mais sistemáticas se voltaram contra as efígies reais. Com exceção de uma estátua em pé de Luís XIV, de Coysevox, poupada por milagre (ela se encontra no Museu Carnavalet), não foi preservada nenhuma das estátuas eqüestres ou pedestres que ornamentavam os palácios reais e os edifícios públicos. Foram todas derrubadas, despedaçadas, espalhadas, pulverizadas...

Setembro de 1792: foram massacradas em Paris 1400 pessoas pelos revolucionários. Enquanto matavam, elaboravam as Declarações de Direitos Humanos...


Destruam a Vandéia!


“Destruam a Vandéia!” (Barrère, julho de 1793); “A Vandéia deverá ser um cemitério nacional” (Turreau); “Serão todos exterminados” (Carrier); “Essa é uma gente maldita” (Lequinio). De fato, a população vandeana foi objeto de um inaudito empenho de extermínio. Prisões, campos de prisioneiros a céu aberto e barcos-prisões afundados tornaram-se leitos mortuários. No afã de acelerar os processos, recorria-se à guilhotina, aos fuzilamentos em massa e aos afogamentos. Mulheres e meninos não escaparam à carnificina. Os próprios revolucionários relataram as piores atrocidades. Do total de uma população calculada em 815.000 pessoas, a incursão republicana na Vandéia matou 117.000 habitantes — decorrência de uma “chacina populacional” cujos métodos inspirariam, no século XX, figuras como Lenine e Pol Pot.


A ambição do "Livro Negro" não é denegrir a Revolução Francesa, mas apenas deixar que os fatos falem por si. São atrocidades pavorosas. Do ponto de vista humano, financeiro, econômico ou internacional, o balanço é bem triste. Contudo, como acentua Pierre Chaunu, computadas as perdas do ponto de vista de talentos e capacidades criativas, os resultados desastrosos foram, proporcionalmente, ainda muito mais altos para a França. Enquanto potência, o país debilitou-se irreversivelmente.[5]


A editora católica Le Cerf, que goza de grande penetração nos meios universitários, acha-se na origem desse projeto, sendo que o responsável pela publicação é Renaud Escande, (jovem) religioso dominicano. Eis aí dois pontos que merecem registro. Ao que parece, a esfera eclesiástica está-se desprendendo de certos tabus, ou da inibição de ventilar certos temas...


No afã de acelerar os processos, recorria-se à guilhotina, aos fuzilamentos em massa e aos afogamentos. Mulheres e meninos não escaparam à carnificina.

Sem dúvida, à Igreja Católica coube oneroso tributo: a perseguição anti-religiosa, na Revolução Francesa, foi de uma extrema crueldade. Nela pereceram oito mil sacerdotes, religiosos, religiosas, e muitos milhares de leigos. Um dos aspectos interessantes do livro é propriamente fazer uma clareação a respeito do problema espiritual (aliás, uma obra vinda a lume recentemente é intitulada “As Origens Religiosas da Revolução Francesa”). Outro sinal característico da evolução das mentalidades: um artigo do filósofo Michaël Bar-Zvi, com uma visão bastante crítica sobre a natureza ambígua da Revolução Francesa em face dos judeus.

O Livro Negro da Revolução Francesa é como que um desdobramento ou eco de outra obra de grande repercussão, anos atrás. Trata-se doLivro Negro do Comunismo. Vale notar que Stéphane Courtois, coordenador do trabalho sobre o comunismo, também contribui para este novo estudo com um brilhante artigo acerca da Revolução Francesa enquanto “inspiradora da Revolução de Outubro”. Como O Livro Negro da Revolução Francesa foi calcado no Livro Negro do Comunismo, é fácil compreender porque o descrédito do comunismo e a sua posterior derrocada concorreram para difundir a desconfiança e as interrogações sobre a Revolução Francesa. É daí que procede a crise moral e intelectual da esquerda francesa, que está num beco sem saída. [6]


Na França, a Revolução tem assento num espaço da memória nacional, mas de uma maneira hoje bem edulcorada. [...] Com efeito, de um lado, a abolição dos privilégios, a proclamação dos direitos do homem e do cidadão (reafirmados e complementados principalmente pelas resoluções da ONU, em 1945) são pilares essenciais de nossa República. Todavia, de outro, a fase do Terror, freqüentemente na penumbra, suscita certo mal-estar. Nossa Revolução, ao longo de tanto tempo tida como a fonte inspiradora do Universo, na verdade, teria sido apenas uma exceção nacional. Isso porque os demais países, em particular os anglo-saxões, tornaram-se promotores dos mesmos valores democráticos sem o grande derramamento de sangue de que nós, franceses, nos tornamos responsáveis. A reforma e o progresso social podem ser efetivados sem que a perspectiva de futuros radiosos degenere em alvoradas sangrentas. Ao contrário da política de tábua rasa, é o nosso legado histórico, em toda a sua profundidade e complexidade, que precisamos saber avaliar.


_________

NOTAS DO TRADUTOR:

[1] Em 18 Brumário, 09/11/1799 no calendário gregoriano, Napoleão Bonaparte derrubou o governo do Diretório e instituiu o Consulado.


[2]
Marianne é figura alegórica que personifica os ideais da Revolução Francesa encarnados na República Francesa. Delacroix pintou Marianne como a “Liberdade guiando o povo”, empunhando a bandeira tricolor no campo de batalha, os seios com liberdade à mostra. Hoje não há mais sinais de vitalidade revolucionária republicana na França: passou da Marianne para certas manifestações de adeptos do islamismo ou grupos afins, que incendeiam automóveis e semeiam o caos na periferia das cidades francesas.


[3]
François Furet, partidário da corrente “revisionista” da revolucionária francesa, afirmou, às vésperas do bicentenário, que o processo revolucionário trazia em si os germes do Terror. Em outras palavras, o período do Terror não teria sido tão-só um episódio marginal, já que toda a Revolução Francesa ficou impregnada pela violência cruel e ferocidade sangrenta.


[4]
Há, em nossos dias, toda espécie de condescendência e cegueira diante da crescente disseminação de tiranetes, mais ou menos ferozes, mais ou menos histriônicos. Haja vista a espalhafatosa presença, no cenário internacional, de certos caudilhos latino-americanos: Chaves, Morales, Corrêa, indubitavelmente inspirados no verdugo-mor que é Fidel Castro e o seu regime. Analogamente, é o que acontece com relação aos régulos ou chefetes de muitas infelizes nações africanas. Não espanta, pois, que, nesse contexto, as memórias de muitos terroristas dos últimos séculos, mesmo dentre os mais sanguinários e monstruosos, encontrem guarida, admiração e sejam até objeto de “culto” em diversos círculos étnicos e sociais. Assim, é o caso de Stalin, em certas zonas da Rússia, de Mao-tsé-Tung na China, como também de Robespierre e Saint-Just, em certos meios político-sociais francófonos.


[5]
Essa lúcida afirmação de Pierre Chaunu colide frontalmente com tudo aquilo que os manuais de História, em voga há décadas nas escolas brasileiras, sempre proclamaram quase como dogma de fé — a saber, as indestrutíveis “conquistas” e “glórias” da Revolução Francesa. Para Chaunu, num cotejo imparcial, foi a Revolução que acarretou para a França o início de seu declínio como grande potência no concerto das nações.


[6]
A Revolução Francesa é a matriz inspiradora da revolução comunista. O descrédito da segunda repercute sobre a primeira. Se as duas revoluções estão em crise irreversível, a alternativa lógica consistiria em aderir à Contra-Revolução. O desfecho lógico do artigo, portanto, conduziria o leitor a essa direção. Contudo, o articulista Jean Marc Bastière não é contra-revolucionário. É revolucionário moderado. Seu coração não está com os Danton e os Marat sanguinários, mas comunga com os moderados girondinos, companheiros de Madame Roland. Por isto a conclusão do artigo, no último parágrafo, não conduzirá a uma efetiva tomada de atitude contra-revolucionária. O legado que intenta preservar é de matiz girondino: mescla o passado contra-revolucionário com o "futuro radioso" revolucionário. Ora, de fato, uma vez feito o balanço dos últimos duzentos anos, verifica-se que a faceta vitoriosa da Revolução foi moderada e não radical. A face oculta da Revolução Francesa — pelo seu radicalismo sanguinolento — não é bem vista pelos revolucionários moderados de hoje. Não nos iludamos, porém. Assim como os seus predecessores, também estes são "companheiros de viagem" da Revolução radical, consolidando assim, a seu modo, as suas “conquistas” passadas, obtidas no decurso do período sangrento.

terça-feira, 24 de março de 2009

O exemplo francês



NIVALDO CORDEIRO | 22 MARÇO 2009
ARTIGOS ECONOMIA

A crise econômica veio acabar com tudo isso. A Era do Estado Total chegou à exaustão. A presente situação não pode ser mantida e a volta à normalidade exigirá o restabelecimento do Direito Natural como o entendiam os teóricos clássicos do liberalismo.

“Eu vos digo: de toda palavra vã que se proferir há de se prestar conta, no dia do juízo. Por causa das tuas palavras serás considerado justo; e por causa das tuas palavras serás condenado”.
Mateus, 12, 36-37

A imprensa internacional informou: a França ontem (19/03) foi paralisada por greves e manifestações contra a crise mundial, a segunda em menos de dois meses. Mais de três milhões de pessoas marcharam pelas ruas gritando slogans conta o capitalismo.  O primeiro-ministro francês, François Fillon, declarou que o “governo tem que ser responsável”, como se precisasse fazê-lo, enfatizando que o déficit da França dobrou com o conjunto de pacotesanti-crise e não há como o Estado fazer mais.


Caro leitor,  essas manifestações na França são o prelúdio do que está por vir. A terra de Flaubert é sempre aprimigênia quando se trata de fazer a rebelião das massas e quero comentar esse momento importante. Veja que ainda estamos nos albores da crise, cujo epicentro está nos EUA e a mobilização das massas já começou a acontecer de forma maciça do outro lado do Atlântico. O que esperar daqui a seis meses, com o aprofundamento inevitável da crise? A mobilização permanente, e não apenas na França, mas em todos os países. O processo produtivo, já anêmico com os efeitos naturais da crise, poderá ser desorganizado pelas paralisações freqüentes e irracionais provocadas pelos líderes sindicais populistas e pelos partidos revolucionários, sempre a postos para tirar proveito da situação, sempre vista na ótica do quanto pior, melhor.

É necessário sublinhar a estupidez dos manifestantes, ao atribuir ao capitalismo de per si a causa última da crise. Quem tem acompanhado o que eu escrevo está bem informado e sabe que a raiz da crise não é o livre mercado, mas o próprio Estado. Tenho demonstrado que a exorbitância estatal e o surgimento do chamado capitalismo de fundo de pensão (Peter Drucker) são as causas da crise, de tal forma que o sistema de livre empresa está sendo praticamente destruído. É essa a origem de tudo. Para piorar, as políticas econômicas de praticamente todos os Estados são de corte keynesiano, de sorte que tendem a aprofundar e a agravar os desequilíbrios econômicos. A crise foi levada ao paroxismo precisamente pela insana tentativa de se tentar superar seus efeitos sem tocar nas causas (a exorbitância do Estado), basicamente usando os instrumentos da emissão de moeda e da ampliação da dívida pública.

O fato é que as massas marcharam na França contra a ameaça do fim do privilégio de se trabalhar pouco ou nada, em um sistema de remuneração do ócio que contraria a lei natural. E mais todos os falsos e insustentáveis direitos à Saúde, Educação, Habitação e Aposentadoria. Esse sistema de privilégios pôde se manter enquanto a massa de desocupados remunerados era relativamente pequena em relação ao total daqueles que trabalhavam para pagar a conta. A generalização de “direitos” (na verdade, de privilégios contra pagadores de impostos) levou o sistema à bancarrota. O Estado não tem poderes para debelar a crise e não tem meios de manter os privilégios indignos usufruídos pelas massas desocupadas.

A crise econômica veio acabar com tudo isso. A Era do Estado Total chegou à exaustão. A presente situação não pode ser mantida e a volta à normalidade exigirá o restabelecimento do Direito Natural como o entendiam os teóricos clássicos do liberalismo. Lembremos que os tais direitos humanos que esses teóricos defendiam, embora teoricamente errados em face da boa ciência política aristotélico-tomista, jamais podem ser confundidos com as aberrações que foram feitas em seu nome desde o século XX. Os direitos humanos de que falavam os liberais clássicos eram basicamente o direito à vida, á liberdade e à propriedade, ou seja, um limite claro para que o Leviatã não invadisse a esfera privada. Portanto, esses direitos eram limitadores da exorbitância natural do poder de Estado. 

No século passado esse conceito de Direito Natural foi prostituído, de sorte que foram multiplicados. A contrapartida desses novos direitos não foi a diminuição do poder de Estado, como ocorreu originalmente no século XVIII, mas o seu agigantamento, pressupondo que os capitalistas, os ricos e a classe média, deveriam ser os pagadores da conta dos privilégios das massas bestificadas. A nova classe política dirigente que emergiu, como Obama e Lula, é composta de exemplares acabados de aduladores dessa massa faminta de privilégios. A generalização do sufrágio universal facilitou a vida desses populistas irresponsáveis. Vivemos a plena rebelião das massas.

O mundo está em perigo. A cada estágio de agravamento da crise veremos mais e mais multidões nas ruas, a bradar contra o capitalismo. Mais greves para manter privilégios que não poderão ser mantidos. Os desempregados serão multiplicados aos milhões, em todo o mundo. Essa multidão não sabe o que diz, não tem descortino algum da realidade, vive mergulhada na Segunda Realidade. Como zumbis, repetirão os chavões dos revolucionários inescrupulosos. Uma explosão de violência caótica é perfeitamente previsível e a chegada ao poder de líderes carismáticos e  messiânicos, bradando contra o livre mercado, é fato ainda mais esperado. Não podemos nos esquecer do que houve com a Alemanha em 1933 e na Rússia em 1917.

Quem viver verá.



segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

As maravilhas da Revolução Francesa - FRANCESES DA VENDÉIA PEDEM PARA MASSACRE DA REVOLUÇÃO SER DENOMINADO “GENOCÍDIO”

HOMEM CULTO
Fevereiro 8, 2009

Cavaleiro do Templo: as obras máximas de toda revolução sempre foram e sempre serão assassinatos em massa daqueles que não são "abençoados" com a luz que ilumina os revolucionários e a elevação de um grupo ao status máximo do novo estado: a nova classe dominante revolucionária. Ou seja, se as revoluções dizem que brigam contra a opressão de uns pelos outros o que eles impõem depois do processo é NO MÍNIMO o mesmo domínio de seu grupo de esfarrapados físicos, morais e intelectuais SOBRE TODOS OS OUTROS. É, portanto, como diz Olavo de Carvalho, a mentira mais nojenta que se pode contar para a tomada do PODER TOTAL. Leiam a "obra francesa" abaixo.

No início de 1794 – no auge do Reino do Terror – soldados franceses marcharam pela Vendéia atlântica, onde camponeses tinham se levantado contra o governo revolucionário em Paris.

Dozes “colunas infernais” comandadas pelo general Louis-Marie Turreau receberam ordens para matar qualquer um e qualquer coisa que vissem. Milhares de pessoas – incluindo mulheres e crianças – foram massacradas à sangue-frio, e fazendas e aldeias incendiadas.

Na cidade de Nantes, o comandante revolucionário Jean-Baptiste Carrier livrou-se de prisioneiros de guerra vendeianos numa, horrivelmente eficiente, forma de execução em massa. Nas chamadas “noyades” – afogamentos em massa – homens, mulheres e crianças, nus, foram amarrados juntos em botes especialmente construídos, que foram rebocados para o meio do rio Loire e, então, afundados.

A Vendéia de hoje, um departamento costeiro na França ocidental, está pedindo para o incidente ser relembrado como o primeiro genocídio na história moderna.

Residentes afirmam que o massacre foi diminuído para que não enodoasse a história da Revolução Francesa.

Os historiadores acreditam que, por volta de 170 mil vendeianos foram mortos na guerra camponesa e nos massacres subseqüentes – e por volta de 5 mil nas “noyades”.

Quanto tudo acabou, o general francês François Joseph Westermann, enviou uma carta para o Comitê de Salvação Pública declarando:

”Não há mais Vendéia… De acordo com vossas ordens, esmaguei as crianças debaixo das patas dos cavalos, massacrei as mulheres que nunca mais darão à luz bandidos. Eu não tenho um só prisioneiro que possa me recriminar. Eu exterminei todos.”

Dois séculos depois, crescentes apelos de políticos locais para declarar isto como “genocídio”, acenderam um debate intelectual.

“Havia na Revolução, uma programa, claramente exposto, para aniquilar a raça vendeiana,” disse Philippe de Villiers, deputado europeu e ex-candidato presidencial pelo partido de direita tradicionalista Movimento Pela França (MPF).

“Por quê isto ocorreu? Porque um povo foi selecionado para ser liquidado, por conta de sua fé religiosa. Hoje, nós exigimos uma lei, oficialmente, declarando isto como um genocídio; nós exigimos um pronunciamento do presidente e o reconhecimento pelas Nações Unidas.”

Mr. De Villiers – que se opôs a entrada dos turcos na UE – esteve na Armênia, mês passado, onde comparou a Vendéia de 1794 aos massacres de armênios em 1915. Em nenhum dos casos, disse ele, “os perpetradores admitiram suas culpas ou pediram pelo perdão das vítimas.”

Os sangrentos eventos da Vendéia estavam, de há muito, ausentes dos livros de história franceses, devido à luz maligna lançada por eles sobre os revolucionários. No entanto, eles eram bem-conhecidos no bloco soviético. O próprio Lênin tinha estudado a guerra lá ocorrida e tirou inspiração dela, para suas políticas para com o campesinato.

De acordo com o historiador Alain Gerard, do Centro Vendeiano para Pesquisa Histórica: “em outras partes da França, os revolucionários assassinaram nobres ou burgueses ricos. Mas, na Vendéia, eles assassinaram o povo.”

Era a Revolução, voltando-se contra o mesmo povo de quem ela reclamava a legitimidade. Isso demonstrou a falsidade da Revolução para com seus próprios princípios. E é por causa disto, que o episódio foi riscado da memória histórica,” disse ele.

Enquanto ninguém nega que os massacres tiveram lugar, alguns historiadores argumentam que eles não podem ser chamados de “genocídio” já que ocorreram excessos, de ambos os lados, naquilo que foi uma guerra civil, e eles não se adequam ao critério da ONU de matanças baseadas em identidade étnica ou religiosa. “Os vendeianos não foram mais isentos de culpa do que os republicanos. O uso da palavra “genocídio” é, totalmente, incorreto e inapropriado”, disse Timothy Tackett da Universidade da Califórnia.

Para Mr. Gerard, os massacres foram, claramente, “uma política deliberada da parte das autoridades”.

Para Mr. De Villiers, um aristocrata cuja família mora na Vendéia, o genocídio se aplica, sem dúvida, já que seus ancestrais foram assassinados por razões religiosas: eles haviam se rebelado para proteger seus sacerdotes, que se recusaram a prestar juramento à nova constituição.

“É o caso raro de um povo se levantando por razões religiosas. Eles não se rebelaram porque estavam famintos, mas porque seus padres estavam sendo assassinados,” ele disse.

“É minha carga – e minha grande honra – defender a Vendéia até o fim dos meus dias. A Vendéia não é, somente, uma província da França, ela é uma província do espírito. Se hoje nós gozamos da liberdade para cultuar aquilo que escolhermos, é, em grande parte, devido ao sacrifício daqueles que morreram aqui.”

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".