Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.
Mostrando postagens com marcador natal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador natal. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Meditação de Natal

Olavo de Carvalho

Jornal do Brasil , 25 de dezembro de 2008



Se há no mundo uma coisa óbvia, é que o cristianismo não é na origem uma doutrina, mas uma narrativa de fatos miraculosos. O próprio Jesus deixa isso muito claro em Mateus 11:1-6, quando lhe perguntam quem Ele é: “Contem o que ouviram e viram: os cegos enxergam e os paralíticos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem e os mortos se levantam”. Se essa é a autodefinição de Jesus, essa é a definição do cristianismo: não um discurso doutrinal, mas uma sucessão de milagres.

Mas vivemos numa época tão estúpida que as pessoas, mesmo crentes, já não conseguem conceber o que seja um milagre: acreditam que é um acontecimento estranho ao qual se atribui uma “causa divina” por falta de uma “explicação científica”. Essa idéia é absurda. Vejam, por exemplo, o milagre de Fátima: ele junta, num só momento do tempo, uma variedade de acontecimentos correlatos – as aparições, milhares de curas de doenças, as profecias confirmadas pelo decorrer da História e, por fim, a “dança do Sol”, vista a centenas de quilômetros por pessoas sem a menor idéia dos demais fatos que ocorriam simultaneamente. Uma “explicação materialista” requereria uma superciência inexistente e, a rigor, impossível, que fosse capaz de encontrar uma causa material comum não só para os variados fatos de ordem histórica, médica e astronômica que compõem o episódio mas para a sua convergência naquele instante e lugar, bem como para a sua coincidência acidental com a simbólica e as doutrinas cristãs.

Na verdade, todo milagre é assim: não é um fato recortável nos padrões desta ou daquela ciência existente ou inexistente, mas um complexo inseparável, e inexplicavelmente harmônico, de diferentes fatos pertencentes a diferentes planos de realidade. Não pode haver uma “explicação científica” dos milagres antes da sua descrição científica, e esta não pode ser válida se começa por mutilar os dados que pretende explicar. Não obstante, a mera hipótese de uma “explicação material” futura, embora problemática e virtualmente impossível, é usada com freqüência como argumento cabal para negar de imediato o caráter miraculoso de fatos bem comprovados. Suponham que seja possível encontrar uma explicação médica para a menina que, curada pelo Padre Pio de Pietrelcina, enxerga sem pupilas. Seria ainda preciso explicar a coincidência de que esse fato médico inusitado acontecesse em seqüência com centenas de outros fatos miraculosos, uns semelhantes, outros diferentes, ocorridos no curso de uma mesma vida de santo. Por exemplo, o fato de que o mesmo sacerdote conhecesse tão bem a vida secreta de tantas pessoas que ele via pela primeira vez, ou de que, ao contrário, fosse visto à distância por pessoas que nunca tinham ouvido falar dele, e que depois ao conhecê-lo confirmavam o que ele lhes havia dito nessas aparições. O Padre Pio de verdade, efetivamente existente, é o mesmo ser humano concreto que fez todas essas coisas, e não as fez em momentos isolados, inconexos, mas no curso de uma vida coerentemente dedicada àquele que, no seu entender, era o Autor desses milagres. Qual o nexo comum entre esses vários fatos – entre a disciplina cristã do Padre Pio, a menina que vê sem pupilas, as aparições à distância, os segredos íntimos conhecidos à primeira vista, etc. etc.? Ou você encontra esse nexo, ou as “hipóteses científicas” que você inventou para explicar um ou outro detalhe isolado – só existente como tal na sua imaginação abstrata – não serve para absolutamente nada. A impotência da ciência materialista ante os milagres não é um obstáculo temporário que possa ser removido por “progressos” futuros: é um abismo intransponível. Os milagres, a começar por este que celebramos hoje, não são fatos comuns provisoriamente inexplicados: são fatos de uma ordem específica, com uma estrutura interna reconhecível e irredutível, distintos não só dos fatos acessíveis a esta ou àquela ciência materialista, mas até mesmo a uma utópica articulação de todas as ciências materialistas existentes ou por existir.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Mensagem de Natal 2007

Do portal MOVIMENTO ENDIREITAR
Escrito por Olavo de Carvalho em 20 de dezembro de 2007

Interrogado sobre a data do fim do mundo, Jesus Cristo disse que era um segredo que Deus Pai guardava para si (Mateus 24:36). Esta resposta traz em si duas implicações lógicas inescapáveis.

Primeira: Cristo é o Logos Divino, a Razão Divina, isto é, o sistema eterno e vivente das leis que governam o cosmos e toda realidade possível. Se o conhecimento da data do fim do mundo pertence propriamente ao Pai e não ao Filho enquanto tal, isso significa que a chegada do fim não será determinada por nenhuma lei anterior, mas por um puro Ato de Vontade, expressão da Liberdade Divina e não propriamente da Razão Divina.

Segunda: Se a data do fim é um mistério indeslindável, a culminação ou meta final do processo histórico humano é também incognoscível, pois qualquer estado de progresso ou decadência que possa ter sido atingido numa data precisa pode ser mudado por novos desenvolvimentos imprevistos no dia ou minuto seguintes. Uma decisão eterna do próprio Deus Pai faz com que a história humana seja um processo aberto, não limitado por quaisquer fins predeterminados, nem destinado a atingir qualquer estado de perfeição predefinido.

Desde há cinco ou seis séculos, no entanto, muitos homens têm tentado persuadir a humanidade de que eles não apenas podem antever muito claramente aquele estado de perfeição, mas conhecem os precisos caminhos sociais, culturais, políticos e históricos que devem ser percorridos para chegar a ele.

Isso é o que chamo "a mentalidade revolucionária". Se os resultados históricos da sua vinda ao mundo tomaram a forma de assassinatos em massa, governos tirânicos e indescritível miséria e sofrimento, não foi porque a mente revolucionária foi traída por seus próprios representantes ou cometeu alguns pequenos erros no caminho para o paraíso terrestre prometido. Foi porque a mente revolucionária presume ser mais sábia do que o próprio Cristo. E quem presume ser mais sábio do que Cristo recusa também o Espírito Santo. A mente revolucionária é o pecado contra o Espírito Santo, pecado que não será perdoado nesta vida nem na próxima.

Nunca se deve acreditar que, com a destruição de tal ou qual regime, a mente revolucionária foi expulsa para sempre da história humana. Sob milhares de novos disfarces, alguns dos quais muito sutis e difíceis de reconhecer, ela reaparece de novo e de novo nos nossos corações e mentes, pois ela é a versão especificamente moderna da grande tentação.

Hoje, quando nos preparamos para contemplar uma vez mais o Menino Deus em seu berço humilde, por favor lembrem-se: Ele é a fonte e o limite do nosso conhecimento. Ele é a medida, a régua e a balança. Ele é o alfa e o ômega. Para além desses limites, existe apenas o mistério insondável da Liberdade Divina.

Publicado no Jornal do Brasil - 20/12/2007

wibiya widget

A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".