Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.
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quinta-feira, 19 de março de 2009

Exumação do Padre Pio de Pietrelcina

WIKIPEDIA


Padre Pio nasceu no pequeno comune de Pietrelcina, muito próximo à cidade de Benevento, em 25 de maio de 1887, um dos sete filhos de Grazio Forgione e Maria Giuseppa De Nunzio. Foi batizado no dia seguinte.


Ainda criança era muito assíduo com as coisas de Deus, tendo uma inigualável admiração por Nossa Senhora e o seu Filho Jesus, que os via constantemente devido a tanta familiaridade. Ainda pequenino havia se tornado amigo do seu anjo da Guarda a quem recorria muitas vezes para auxiliá-lo no seu trajeto nos caminhos do Evangelho. Conta a história que ele recomendava muitas vezes as pessoas a recorrerem ao seu anjo da guarda estreitando assim a intimidade dos fiés para com aquele que viria a ser o primeiro sacerdote da história da igreja a receber os estigmas do Cristo do Calvário.


Com quinze anos de idade entrou no noviciado em Morcone adotando o nome de "frei Pio"; concluído o ano de noviciado, formulou os votos simples em 1904; em 1907 formulou a profissão dos votos solenes. Freqüentou estudos clássicos e filosofia. Foi ordenado padre em 10 de agosto de 1910 no Duomo de Benevento.


Aos casos mais urgentes e complicados o frade de Pitrelcina dizia: "Estes só Nossa Senhora", tamanha era a sua confiança na sua maezinha do céu a quem ele tanto amava e queria obter suas virtudes.


Percebendo que a sua missão era de acolher em si o sofrimento do povo, recebe como confirmação do Cristo os sinais da Paixão em seu próprio corpo. Estava aí marcado em si mesmo a sua missão. Deus o queria para aliviar o sofrimento do seu povo. Entregando-se inteiramente ao Ministério da Confissão, buscava por este sacramento aliviar os sofrimentos atrozes do coração de seus fiés e libertá-los das garras do Demônio que era conhecido por ele como "barba azul". Torturado, tentado e testado muitas vezes por este, sabia muito da sua astúcia no seu afã em desviar os filhos de Deus do caminho da fé.

Percebendo que não somente deveria aliviar o sofrimento espiritual, recebeu de Deus a inspiração de Construir um grande hospital, o tão conhecido "Casa Alívio do Sofrimento", que viria a ser o referência em toda aEuropa. Mesmo com o seu ministério sacerdotal vitimado por calúnias injustificáveis, não se arrefeceu o coração para com a Igreja por quem tinha grande apreço e admiração. Sabia muito bem distinguir de onde provinham as calúnias, sendo estas vindas por parte de alguns da Igreja, e não da Igreja mãe e mestra a quem ele tanto amava.


A pedido do Santo Padre, devido aos horrores provocados pela Segunda Guerra Mundial, cria os grupos de Oração, verdadeiras células catalizadoras do amor e da paz de Deus para serem dispenseiros de tais virtudes no mundo que sofria e angustiáva-se no vale tenebroso de lágrimas e sofrimentos.


Na ocasião do aniversário de 50 anos dos grupos de oração celebra-se uma Missa nesta intenção. Seria esta Missa o caminho do seu Calvário definitivo, onde entregaria a alma e o corpo ao seu grande apaixonado; a última vez que os seus filhos espirituais veriam o padre a quem tanto amavam. Era madrugada do dia 23 de setembro de 1968, no seu quarto conventual com o terço entre os dedos repetindo o nome de Jesus e Maria, descansa em paz aquele que tinha abraçado a cruz do Cristo, fazendo desta a ponte de ligação entre a terra e o céu. Morte suave de quem havia completado a missão, de quem agora retornaria ao seio do Pai em quem tanto confiou. Hoje são muitas as pessoas que se juntaram a fileira dos seus devotos e filhos espirituais em vários grupos de oração que se espalharam pelo mundo. É o próprio padre Pio que diz: "Ficarei na porta do Paraíso até o último dos meus filhos entrar".










quarta-feira, 4 de março de 2009

Perseguição e morte de cristãos na Coréia do Norte

Testemunho de uma missionária que esteve na Coréia do Norte. 
Vídeo passado no dia 24/03/2007 no culto do ministério em português da Igreja Sunbogum. 
Legendas realizadas pela Mepaganda.


domingo, 28 de setembro de 2008

Algumas razões cristianíssimas

Do blog CAVALEIRO CONDE (Conde Loppeux de la Villanueva)
DOMINGO, SETEMBRO 21, 2008


Uma das razões de eu ter buscado o cristianismo, e, em particular, o catolicismo, foi a minha profunda aversão ao materialismo moderno. Durante uma boa parte da minha adolescência, eu me embebi do veneno do ateísmo e do relativismo, e não percebia o quanto isso tinha um potencial destrutivo. Minhas idéias passavam de uma estranha mistura de liberalismo anticlerical, com aquela pitada de pseudo-cientificismo pedante, tão comum a muitas estrelas do circulo acadêmico (embora eu não pertencesse a nenhum).Lembrava os velhos ódios maçônicos da Revolução Francesa contra a igreja católica e contra o cristianismo em geral. Claro, com sacadas de Nietszche na cabeça. Na verdade, meus sentimentos eram até sinceros, embora obtusos. Observava alguns absurdos sendo atribuídos a religião e acabava crendo nisso como se fosse uma totalidade. A minha crença era a de que a religião visava um mal, os clérigos foram feitos para dominar a sociedade em causa própria e a fé era um emaranhado de superstições. E eu infernizava a vida dos pobres religiosos: os protestantes eram minhas maiores vítimas. Paradoxalmente, hoje, eles são todos amicíssimos meus. E, confesso, tenho um carinho profundo por eles.

É curioso que, a despeito desse aparente conflito com a religião, nunca me isentei dos valores com que ela me ensinou. Felizmente, percebi, com o tempo, que meu relativismo era postiço; que minha visão anti-religiosa era falsa. E tais manifestações não condiziam com a realidade dos meus sentimentos. Percebia que me identificava com o passado, com a história e com a Idade Média cristã. Algo estranho para um suposto ateu militante. . .

O materialismo promete a liberdade insuflando a revolta contra Deus e mesmo contra os homens. É pior: 
ele insufla uma revolta sem precedentes contra a realidade e contra a escala das premissas morais, éticas e epistemológicas elementares, deformando a própria compreensão do mundo. Analisando parcamente as teses iluministas atéias, marxistas, positivistas e outros tipos ideológicos “cientificistas”, deparo-me com algo que me foi particularmente incômodo: elas conspiram contra a consciência e contra a liberdade humana. Porque os aspectos filosóficos que dimensionam a liberdade, a consciência, a moral, a ética, entre outros, só podem ser visíveis e substanciais, dentro de uma profunda crença na transcendência. Até então, eu, que acreditava lutar pela liberdade, na prática, estava ajudando a destruí-la.

Se há algo que existe nos materialismos é um profundo fatalismo da realidade humana. Não existem atributos inatos que nos caracterizam como seres humanos livres, independentes ou espirituais. Os marxistas, os positivistas, os evolucionistas e outros tipos de 
“ismos” nos reduzem a um rebanho determinado por forças históricas, biológicas e materiais arbitrárias e impessoais. Às vezes pensava comigo: como conciliar a razão humana e seus valores dentro de uma perspectiva filosófica que transforma a humanidade num nada? O matemático Blaise Pascal falava do terrível silêncio do universo na falta de Deus. Este universo sem voz, sem razão de ser, sem nexo causal, anulava e esmagava o significado e a importância do homem no mundo. O que percebi, cada vez mais nos materialismos, é que eles supõem piamente que o acaso é algo superior a racionalidade. Mas desde quando o acaso cria alguma coisa? Se os homens não conseguem criar quase nada ocasionalmente, como isso pode ser uma realidade do surgimento do mundo, com suas complexidades, suas harmonias e suas maravilhas? Qual seria o sentido de discutir sobre a liberdade, sobre os direitos, sobre a consciência, sobre a sacralidade da vida humana, se todo o resto do universo silencia quanto a isso? Um amigo ateu me perguntou por que comecei a crer em Deus. E aí respondi: - Por uma razão muito simples. Se Deus não existir, todas as hierarquias valorativas da ética, da moral e mesmo da existência humana, com os quais cremos com tanta preciosidade, simplesmente não terão sentido.

Apesar disso, nunca ignorei a existência da religião. Pelo contrário, comecei a ficar impressionado com suas metáforas, quando li algumas questões a respeito do judaísmo. Havia uma singeleza simbólica nas tradições ancestrais daquele povo errante do deserto da Palestina. Isso também me aproximou do cristianismo, em particular, o catolicismo romano, com suas complexidades teológicas e filosóficas e sua gloriosa história civilizacional. Assim, conhecer a figura de Jesus Cristo é algo que me apaixonou.


A idéia mitológica de uma modernidade utópica foi outro caso com que perdi a fé. É um senso comum a muitos intelectuais, ativistas e políticos, essa perspectiva idolátrica do progresso da humanidade, como se o presente e o futuro por si mesmos fossem uma época superior aos tempos históricos do passado. Essa crença fantasmagórica evolutiva da humanidade parece ser uma ilusão da era dourada, uma laicização do juízo final e do reino de Deus na Terra. O positivismo prega um futuro onde o mundo será regido pela cosmovisão racionalista e científica e a religião e a metafísica serão trituradas pela perspectiva positiva. O marxismo pretende essa mesma finalidade, através de um paraíso da sociedade materialista e sem classes. No geral, percebi que são falsas religiões, são falsas concepções de mundo. Não é por acaso que Auguste Comte acabou criando uma lunática e esotérica 
“religião da humanidade” e um“catecismo" ou uma "igreja positivista”. E os marxistas criaram o Partido-seita-oráculo-da-deusa-história, implantando a pior tirania jamais registrada na história humana.


Sinceramente, eu não acredito na 
"evolução" histórica da humanidade, tal como se supõe esse culto idolátrico ao tempo. Acho até uma tolice. Não existe nada criterioso que possa nos levar a crer que, cronologicamente, há um aperfeiçoamento da humanidade. Esta não se aperfeiçoa por um mecanismo evolutivo. Pelo contrário, a civilização pode ser perdida em uma década. Basta esquecermos os legados do passado e tudo será jogado na lata de lixo. Se há algo que acredito é que a civilização não é evolução, mas permanência. A história da civilização é um esforço pela continuidade e tradição. Algumas tradições se preservam através dos tempos, precisamente porque são autênticas, atemporais e universais. O cristianismo me ensinou uma coisa preciosa: que por trás das aparentes mudanças históricas, sociais e políticas, o que vale mesmo é o que pode ser preservado na eternidade, na transcendência. É ela, de fato, que dá uma continuidade histórica ao homem e a sua existência. Dá, inclusive, um referencial ético, moral e filosófico à sua existência. O que é de fato imutável, atemporal e eterno é o que deve ser compreendido como um legado autêntico da historicidade. Os homens podem viver em várias culturas e épocas. E, no entanto, continuam os mesmos nas suas essências. Sob determinados aspectos, a história nos liga ao passado, precisamente porque os homens de outrora possuem os mesmos dilemas, aptidões e dramas visíveis à nossa atualidade. A natureza humana continua a mesma. O culto do progresso é uma ideologia de glorificação insana do tempo, uma vangloria insensata de quem é contemporâneo a tal época. Em suma, uma notória besteira renascentista e iluminista. Quando me deparo com o culto do progresso na boca dos ativistas, eis que me recordo do nazismo e do bolchevismo, as duas doenças espirituais do século XX. Raramente a humanidade registrou tamanha perversidade moral. É tudo isso que até então o século XVIII, com o seu desprezo pelo passado religioso e pela sua idolatria ao progresso nos esperava?

Santo Agostinho, em suas Confissões, fala de algo que me causou profunda impressão: 
“Observado as outras coisas que estão abaixo de Ti, compreendi que absolutamente não existem, nem totalmente deixam de existir. Por um lado existem, pois provém de Ti; por outro lado não existem, pois não são aquilo que És. Só existe aquilo que permanece imutável. ‘Bom para mim é apegar-me com Deus’, porque, se eu não permanecer Nele, tampouco poderei permanecer em mim mesmo. ‘Ele, imutável em si mesmo, renova todas as coisas. Tu és o Meu Senhor, porque não tens necessidade dos meus bens”. Para os homens, os números são infinitos. E para Deus, o tempo simplesmente não existe, é insignificante.

Daí minha atávica rejeição e desprezo por todas as ideologias revolucionárias. Porque elas são essencialmente anti-históricas e destrutivas. Ou melhor, são doenças. Uma coisa que aprendi com elas é que as desordens espirituais do gênero humano acabam se refletindo na realidade e na ação humana. A deformidade política e social da ideologia nazista precisou, primeiramente, de uma deformidade moral sem precedentes no intelecto humano, na figura dos pensadores acadêmicos e universitários. O bolchevismo é algo bem pior. Aumentou exponencialmente o número de cadáveres do nazismo. E a loucura continua solta, sob os auspícios de uma classe de pessoas levianas, irresponsáveis, que apregoam novas justificativas para o genocídio. O embelezamento intelectual da feiúra estética, do rebaixamento moral e da violência e do crime em todas as suas formas é uma das coisas mais assustadoras da nossa época. Quem vê beleza num campo de concentração nazista e comunista e crê que isso é o belo futuro redentor da humanidade, deveria estar internado num manicômio judiciário. Porém, estes são os nossos formadores atuais de opinião, seja na mídia ou nas faculdades. O sonho deles é uma bota esmagando um rosto humano. São os sacerdotes da modernidade, que ao rejeitarem os compromissos da realidade e da transcendência em Deus, querem ser como deuses. Acabam virando monstros, tão demoníacos como aqueles encontrados no romance de Dostoievski.

Não me vejo como um grande modelo de cristão. Estou muitíssimo longe da perfeição e muito longe de ser um carola. Contudo, não consigo viver sem o cristianismo. Aliás, não consigo ver o mundo sem o cristianismo. São as minhas razões cristianíssimas, meus motivos autênticos de referência. Penso que quando o ocidente abandonar totalmente a fé na Cristandade, ele estará em decadência. Já está. É o que se assiste na civilização européia. Tomará conta do resto?! Aí será o final dos tempos!

Evolução e permanência: outras razões cristianíssimas.

Do blog CAVALEIRO CONDE (Conde Loppeux de la Villanueva)
SÁBADO, SETEMBRO 27, 2008


Estranha é a definição com que muitos fazem da chamada“evolução”. Quando este raciocínio é aplicado cronologicamente, ele se torna particularmente corrosivo. Na verdade, o mito evolutivo da história parte do pressuposto de que o tempo tem algum mecanismo auto-regulatório da espécie humana, destruindo os valores e tradições das épocas passadas que não condizem com as conveniências da realidade futura. De fato, este raciocínio também é aplicado à mutação biológica das espécies. Através de um processo de adaptação contínua, alguns seres se tornam inaptos à vida natural e desaparecem, para dar lugar a outros. Dentro dessas crenças, existe um moto perpétuo de modificações de ordem biológica e histórica, em que o homem não é visto como alguém portador de uma natureza própria imutável e atemporal, porém, como uma vítima amorfa destes processos de transformações. Na prática, a única coisa absoluta é o mecanismo de mutação.


Todavia, há um problema sério nessa perspectiva evolucionista. Ela tem um caráter destrutivo, porque não reconhece a herança cultural e histórica acumulada. Quando algumas ideologias afirmam que uma época histórica 
“substitui” a outra, há uma ruptura do processo histórico, uma descontinuidade daquilo que o homem criou através dos tempos. É, em suma, uma filosofia anti-histórica. Certos conceitos evolucionistas possuem as sementes do ódio revolucionário contra as tradições. Não é por acaso que muitas revoluções quiseram destruir os legados do passado em nome de um futuro hipotético “maravilhoso” da humanidade. Quiseram criar uma espécie de “tabula rasa” milenarista de uma época dourada hipotética, ainda que para isso se apagasse toda a memória intelectual, moral, cultural e histórica do mundo. O “progresso”, no sentido moderno e iluminista tal como é entendido, é justamente uma rebelião contra o passado histórico da civilização, em particular, a civilização cristã. É uma revolta mesma contra a realidade e a natureza humana.


Há outra contradição séria na idéia exaltada e futurista do progresso evolutivo da humanidade: 
é que não há parâmetros morais e éticos sólidos ou absolutos para consagrá-la. Só podemos falar em “evolução” dentro de um universo de valores e de uma realidade preexistentes que possam ser aperfeiçoados. Pois dentro dessa mesma realidade, alguns aspectos da natureza se mantêm imutáveis e alguns valores permanecem absolutos. Por mais que haja mudanças aparentes na forma em como a sociedade aborda seus valores, a perspectiva da realidade, a causalidade e conseqüência dos atos e mesmo a boa tradição que a sustenta tendem a permanecer os mesmos, na sua essência. Só há como aceitar a melhora ou evolução da humanidade dentro de atos humanos sublimes de criação ou o aperfeiçoamento do que já existe de bom. Isto porque a boa tradição é que assegura a validade e a consagração destes parâmetros.


Neste caso, existe outro mito tão alardeado pela cantilena revolucionária idólatra do futuro: 
a de que a tradição é refratária ao progresso ou contra a melhora da humanidade. A palavra tradição já está implícita no seu sentido: ou seja, o repasse de experiências, conhecimentos, valores, de gerações a gerações, no objetivo de se preservar uma bagagem cultural, histórica e de conhecimento da civilização. Uma sociedade sem tradições é uma cabeça com amnésia existencial, uma planta sem raízes, uma prataria sem valor real. Porque a tradição, através da solidez da experiência e do conhecimento, aperfeiçoa continuamente a humanidade. Jamais a cultura pode se renovar sem os parâmetros comparativos do passado e do futuro e sem sua interligação histórica no tempo e no espaço. Na verdade, a tradição é uma tensão permanente entre o que foi construído, cultivado e descoberto e o que há para descobrir. A tradição não é válida porque pertence ao passado; não é uma época que a valida. O tradicionalista que eleva o passado pelo passado, peca pela mesma idolatria cronológica revolucionária do progressista. Ela é válida porque seu legado vale para todas as épocas vindouras. Quando se fala de uma tradição ocidental respaldada na cultura judaico-cristã e greco-romana, se está falando de um acúmulo histórico e existencial de experiências que criam nortes para as criações futuras. Da boa árvore, conhecereis os frutos. A negação completa da tradição não somente nega a historicidade dos atos humanos, como destrói a memória cultural da humanidade, já que esta se torna alijada de suas criações através da história. Sem a tradição, a humanidade perderia sua memória e seria incapaz de compreender a si mesma.


Isto porque toda grande tradição histórica que permanece, um dia representou a renovação, a novidade que se firmou no tempo e no espaço. Quando Deus revelou os Dez Mandamentos no Sinai para os judeus e quando Jesus Cristo chegou à Terra para pregar as boas novas, tudo isso era novidade aos homens. E depois se tornou costume, tanto pela prática, como pelo valor. Alguém poderia objetar, afirmando que há costumes ruins que são preservados no tempo. Isso também é verdadeiro. Entretanto, a reflexão histórica da tradição é que faz resguardar valores autênticos e, ao mesmo tempo, abandonar costumes e práticas odiosas em nome dela. O cristianismo aboliu muitas práticas terríveis do mundo antigo, consideradas
“tradicionais”, e, nem por isso, revogou a grandeza da filosofia antiga grega e do direito romano. Mesmo na história cristã, muitas coisas ruins surgiram em nome da Cristandade. Porém, os princípios essenciais do cristianismo foram educativos, no sentido de corrigir ou combater essas distorções muitas vezes imprevistas.


Há outro aspecto que a tradição revela, ainda que não se confunda com ela: 
a transcendência. A busca filosófica, como a busca religiosa, revela, através dos tempos, que a história implica uma continuidade, um estado de permanência, ainda que algumas coisas da natureza pareçam mutáveis. Quando se lê Aristóteles, Platão ou Santo Tomás de Aquino; ou quando se degusta a leitura da bíblia ou de Dom Quixote, existe um componente de identificação de certas questões que permanecem dentro de nosso meio, mesmo que isso tenha sido escrito num passado longínquo e distante. Há nestes pensadores, escritores e obras, uma busca do absoluto, do universal e do eterno. A identificação ou mesmo a rejeição pessoal do que podemos ter pelo passado nos liga a uma continuidade histórica com ele. O acúmulo das tradições, como a valoração do que elas preservam, implica um permanente estado de coisas existentes na realidade e que ganham universalidade, na medida em que são imutáveis no tempo e no espaço. Quem lê Aristóteles ou Santo Tomás de Aquino, em parte, sente os mesmos dramas filosóficos e existenciais que estes. Quem ama a figura do Dom Quixote vê um personagem que se eterniza na existência humana, a do homem iludido e sonhador. E a bíblia, com suas tramas familiares, seus personagens enigmáticos, suas guerras e mesmo os conflitos do povo eleito de Israel sujeito a uma obrigação moral com Deus, implica um reflexo da relação do homem temporal com a eternidade determinada pelos céus. Por mais que a humanidade modifique suas instituições e a expressão formal da cultura, na prática, os dilemas políticos, morais, éticos, filosóficos, continuam parecidos, senão os mesmos. A unidade, harmonia, coerência, revelados na tradição através da historia, acabam nos levando a crer que existe uma ordem superior que coordena toda a natureza das coisas. Os valores do sagrado, por assim dizer, permanecem eternizados, precisamente porque comprovam uma continuidade, uma permanência, uma imutabilidade, uma fé no absoluto. E a tradição é mero canal disso. Há certas características ontológicas do homem e da natureza que são imutáveis. E essa imutabilidade só é possível dentro de um pré-ordenamento do universo vindo de uma inteligência superior, que é Deus.

Interessante observar que uma boa parte da perspectiva política e moral do mundo ocidental foi influenciada pela idéia da imutabilidade de certos valores e atributos da natureza, produto tanto da tradição cristã, como da filosofia greco-romana. A idéia moderna dos “direitos humanos”, indevidamente possuída pelos politicamente corretos cheios de relativismos, só tem substância, de fato, na premissa de que existem princípios invioláveis e imutáveis do direito, no âmbito da natureza e da realidade humana e divina. A vida, a liberdade e a propriedade são sagradas porque existe uma ordem natural inata na realidade que valida a consagração destes direitos. Mesmo a ordem política, pautada nos valores do bem comum e da verdade objetiva, só tivera respaldo autêntico e completo dentro dos valores cristãos da Idade Média. Que a filosofia grega e o direito romano tenham contribuído para esse fim, isso é inegável. Mas foi a associação com a transcendência cristã que deu os critérios teológicos necessários para a legitimação de valores essenciais a uma sociedade política virtuosa. Em outras palavras, o cristianismo medieval colocou o direito romano e a filosofia grega nas alturas. Quando o homem ocidental médio repudia a escravidão, a violência, a barbárie e enaltece a idéia da compaixão, da piedade e do amor pelos fracos; ou quando ele se recusa a aderir à divinização das tiranias, pela idéia dos direitos individuais elementares e irrevogáveis, ele pensa como cristão, ainda que não o seja por confissão. Repudia-se o totalitarismo nazista e comunista e demais aberrações da modernidade, pela visão judeu-cristã tradicional de que somos portadores naturais de direitos e de que a sociedade política visa o bem comum da verdade, da justiça e da concórdia. Essa sorte de direitos é imutável porque é condição necessária a nossa felicidade e existência e reflete a própria realidade mesma, seja no âmbito da natureza como da conduta humana. Por mais que certas sociedades violem a consagração de tais direitos, postergam o princípio básico da justiça elementar vinda dos céus. Direitos são“justos” ou “injustos”, precisamente por há algo além das leis jurídicas que o pré-ordena, um propósito da realidade e da transcendência que assim o determina.

As ideologias totalitárias, como negadoras completas de absolutos na natureza, projetaram criar um homem e uma realidade artificiais, negando a natureza humana e mesmo a realidade tais como elas são. Não é por acaso que elas negam as tradições mais genuínas e as crenças mais absolutas da Cristandade, já que o único absoluto que reconhecem é a gnose da engenharia social, a gnose destrutiva de revogar o que é imutável no homem e no universo. Como o homem do passado e do presente é apenas um 
“atraso”, dentro da concepção evolucionista do futuro, os regimes totalitários acabam devastando o homem real, imutável nas suas qualidades, em nome de um homem fictício, irreal e mutável. O “homem novo” do nazismo e do comunismo é a destruição da humanidade tal como ela é. Os relativismos e os materialismos representam o homem rebaixado à cova e ao desespero do nada. E o totalitarismo que os inspira é uma bota esmagando um rosto humano, na feliz expressão de George Orwell.


Civilização, tradição, transcendência, Cristandade. Legados que permanecem no tempo, a despeito de algumas mudanças, boas ou ruins. No entanto, mudam-se as aparências, e as essências continuam imutáveis. Não se pode falar em 
“evolução”, aperfeiçoamento, sem referências absolutas. Não se pode falar em melhora dos valores e da sociedade, sem sustentáculos morais e éticos autênticos. Não se pode falar em causalidades e efeitos fora da realidade. As concepções evolucionistas do tipo materialista não visam reformular ou melhorar o ser humano. Visam sim, destruir a natureza humana, a sociedade, os valores absolutos e mesmo a memória histórica milenar. Esse é o preço a se pagar pelas revoluções do século XX.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

O arcebispo Carlo Caffarra denuncia o silêncio da mídia sobre as perseguições na Índia (Zenit.org),

Do portal do PERCIVAL PUGGINA

BOLONHA, sexta-feira, 12 de setembro de 2008 (ZENIT.org).- O cardeal Carlo Caffarra, arcebispo de Bolonha, denunciou o «ensurdecedor silêncio da mídia, mais preocupada com os ursos do que com os cristãos», durante a jornada de jejum e oração convocada pelas dioceses italianas em solidariedade com os cristãos perseguidos no estado indiano de Orissa, em 9 de setembro passado.

Em sua homilia na catedral de Bolonha, o cardeal afirmou que «a grandeza do mártir desmascara a pobre nudez do relativismo», e animou os fiéis lá reunidos a «compartilharem, com o jejum e a oração, a mesma paixão dos que são perseguidos pelo nome do Senhor».

O purpurado denunciou o «ensurdecedor silêncio dos meios de comunicação (exceto os católicos) com relação a estas graves violações dos direitos fundamentais da pessoa, o direito à vida e o direito à liberdade religiosa».

«Este 'silêncio ensurdecedor' nos oferece matéria de profundas reflexões», comentou o cardeal Caffarra, e se perguntou depois: «Por que as pessoas se preocupam mais pelo destino dos ursos polares que pelos homens e mulheres culpados apenas por terem escolhido a fé cristã?».

Segundo o arcebispo de Bolonha, este comportamento se deve a que «o martírio incomoda gravemente quem crê que no fundo tudo é negociável, quem nega que exista algo sobre o que não se possa dispor ou que não possa ser comercializado».

«O mártir exalta a dignidade da pessoa, de modo que só pode ser censurado por quem pensa que, no final, o homem é só um fragmento corruptível de um todo impessoal. A grandeza do mártir desmascara a pobre nudez do relativismo.»

O purpurado recordou a vida e os ensinamentos de Jesus, que morreu na cruz para salvar os homens, e explicou que «nossos irmãos e irmãs estão percorrendo o caminho do Senhor».

«Eles são o grão de trigo que, caído na terra indiana, trará muito fruto – prosseguiu. Eles são conscientes de que é melhor, se essa for a vontade de Deus, sofrer fazendo o bem antes que fazendo o mal.»

«Estes irmãos e irmãs perseguidos – concluiu – estão nos oferecendo o maior ensinamento sobre o homem, sobre sua dignidade, sobre sua altíssima vocação.» Por isso, «nada nos perturba, mas adorando só Cristo em nosso coração, estamos sempre dispostos a responder a quem nos peça razões de nossa esperança».

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Um cristão pelo capitalismo

Do portal OrdemLivre.org
por James Gwartney

Muitos líderes cristãos – evangélicos, protestantes tradicionais e católicos – parecem acreditar que o capitalismo é injusto e que talvez seja necessária mais intervenção governamental para humanizá-lo. Embora muitos de nós que somos economistas e cristãos consideremos essa visão equivocada, às vezes não temos argumentos suficientes para ajudar a mudá-la. Mas eu gostaria de oferecer alguns.

O que eu defendo, quando falo sobre o capitalismo, é uma ordem social que se mobilize para proteger a propriedade de alguém, caso ela tenha sido adquirida sem o uso da violência, do roubo ou da fraude; e que confie primeiramente nos preços do livre mercado para a alocação de bens e serviços – o sistema social fundamental dos Estados Unidos. Aqui estão algumas razões pelas quais os cristãos devem pensar com mais carinho sobre esse tema.

O capitalismo recompensa e reforça a prestação de serviços a terceiros. No capitalismo, a renda de uma pessoa é diretamente relacionada à sua capacidade de fornecer bens e serviços que melhorem o bem-estar dos outros. Os vencedores no mundo dos negócios são aqueles que descobrem o que os consumidores desejam e lhes oferecem um negócio melhor do que encontrariam em outro local.

Além disso, essas iniciativas colocam pressão sobre outras empresas para que sirvam melhor os consumidores, como você perceberá se observar como os varejistas reagem à abertura de uma nova loja de produtos baratos. Claro que os homens de negócios não devem se preocupar com outras pessoas, como os cristãos são guiados a fazer. Porém, se desejam ser bem sucedidos, eles devem servir a seus consumidores melhor do que a concorrência. Em essência, a competição força os homens de negócios a agir como se preocupassem com os outros.

O capitalismo abastece as massas, não apenas a elite. Para se obter um grande sucesso no capitalismo, você deve produzir algo que atraia muitas pessoas. Henry Ford se tornou um multimilionário por produzir automóveis a preços baixos, que cabiam no orçamento da massa de consumidores. Por outro lado, Sir Henry Royce morreu com uma modesta riqueza. Ele desenvolveu um carro bem superior ao de Ford, o Rolls Royce, mas o desenvolveu para os ricos. O mercado o recompensou de acordo com a sua escolha.

O capitalismo cria oportunidades para realizadores de todas as origens socioeconômicas subirem na escala social. Não é coincidência que as pessoas pobres do mundo corram em direção aos países capitalistas, ao invés de para longe deles. Os pobres trabalhadores mexicanos arriscam suas vidas por oportunidades de trabalho nos Estados Unidos. Na Europa, os soviéticos construíram um muro para evitar que mais pessoas fossem para o ocidente capitalista. No sudeste da Ásia, as pessoas são atraídas por Hong Kong, Taiwan, Tailândia e outros países capitalistas. Por quê? Porque o capitalismo fornece oportunidades para aqueles que desejam o sucesso.

Nos Estados Unidos, os que antes eram refugiados pobres estão obtendo sucesso, seja trabalhando em restaurantes, dirigindo táxis ou fazendo negócios. Um estudo recente descobriu que quase metade das famílias que faziam parte dos 20% mais pobres nos Estados Unidos em 1971, tinham subido bastante na escala econômica já em 1978. Nenhum outro sistema fornece mais oportunidades para avanços com menos rigor social embutido.
O movimento escala abaixo também acontece: as riquezas de hoje não garantem seu sucesso amanhã. Como o Deus dos cristãos, o capitalismo “não faz acepção de pessoas.”

O capitalismo protege as opiniões minoritárias. Quando as decisões são tomadas politicamente, as visões minoritárias, geralmente, são suprimidas. Por exemplo, em uma escola pública, a maioria decide se serão permitidas orações, se haverá aulas de educação sexual e qual deverá ser a ênfase nas habilidades básicas. Aqueles que não concordam com a decisão deverão desistir ou então pagar duas vezes pela educação, uma vez nos impostos e outra nas mensalidades da escola privada.

Um sistema de mercado permitiria que cada minoria fosse representada. Por exemplo, sem interferir na liberdade dos outros, alguns pais poderiam enviar suas crianças para escolas que permitem orações. Cristãos praticantes, que freqüentemente se encontram em minoria, deveriam apreciar esse aspecto do capitalismo, que permite que pessoas tenham objetivos diferentes sem conflito ou rancor.

Mesmo aqueles que conseguem ver essas vantagens ainda podem acreditar que o capitalismo é materialista demais. É verdade que esse sistema possibilita às pessoas ter prosperidade e algumas pessoas acabam tendo problemas em sua busca por riquezas. Porém, o capitalismo não força os indivíduos a cultuar o “dólar sagrado”. Os indivíduos são tão livres para ser cristãos ascetas quanto para ser hedonistas.

Às vezes, os cristãos argumentam que o capitalismo promove a desigualdade, favorecendo os ricos. Porém, a desigualdade está presente em todos os sistemas econômicos. As pessoas que têm as melhores idéias, as mentes mais criativas e mais energia, tendem a subir ao topo da burocracia socialista, exatamente como aconteceria em um sistema capitalista.

Entretanto, as elites em um sistema capitalista possuem menos poder do que as elites em um sistema no qual o governo predomina. Mesmo em uma democracia, os detentores de cargos eletivos possuem mais poder sobre a vida dos outros do que o mais rico dos indivíduos. Os membros do congresso têm o poder de tomar uma porção de nossos rendimentos sem nosso consentimento, algo que David Rockefeller ou os irmãos Hunt não podem fazer, não importa o quão ricos sejam. Além disso, caso as pessoas ricas utilizem suas riquezas de forma improdutiva – ou seja, para o consumo em vez de para o investimento, ou para fornecer coisas que as pessoas rejeitam – ver-las-ão desaparecer com o tempo. Mesmo um milionário que viva de dividendos gerados por suas ações só recebe os frutos de seu investimento se as companhias fornecerem produtos que as pessoas desejam.

É claro que o capitalismo não impõe demandas morais, como o cristianismo. Porém, os sistemas econômicos que buscam aperfeiçoar a natureza humana nos levam com mais freqüência à tirania do que à melhora da raça humana. Os cristãos fariam muito bem ao se satisfazer com um sistema econômico que reforça as virtudes cristãs, melhora os padrões de vida e dá espaço à visões minoritárias. E esse sistema é o capitalismo.

Original em inglês.

domingo, 27 de julho de 2008

Decapitados e decapitadores

Do portal do OLAVO DE CARVALHO
Por Olavo de Carvalho, 22 de julho de 2008

Num seriado da TV estatal britânica BBC, uma organização cristã “de extrema-direita”, com nome sutilmente racista (White Wings, “Asas Brancas”), decapita um inocente muçulmano “politicamente moderado”, sob o pretexto – oh, quão paranóico! – de que a tradição cristã do Reino Unido está sob ameaça.

Não sei precisamente a quantidade de cabeças cristãs que têm rolado no mundo islâmico nos últimos anos – várias dúzias, até onde acompanhei o noticiário –, mas sei o número exato de muçulmanos decapitados pelos cristãos, fundamentalistas ou não, no Ocidente ou no Oriente: zero.

Quando uma TV estatal decide chamar os decapitados de decapitadores, atribuir a eles o fanatismo sangrento daqueles que os matam e ainda acusá-los de paranóicos quando se sentem ameaçados, uma coisa é clara: o proprietário dessa TV está em guerra contra a religião dessas pessoas e, na ânsia de extingui-la, não se vexa de recorrer à calúnia deliberada e cínica. Quando esse próprietário é o governo de uma das nações mais poderosas do mundo, o risco que a comunidade visada está exposto não é nada pequeno. É pelo menos tão grande quanto a imaginária “White Wings” diz que é.

Semanas antes, quase ao mesmo tempo que o governo britânico legalizava a poligamia e autoridades judiciais proclamavam que a implantação da lei islâmica no Reino Unido era apenas uma questão de tempo, a BBC havia proibido seus redatores de usar o termo “ditador” para referir-se ao falecido Saddam Hussein, aquela gentil criatura que consolidou seu poder presidencial matando os deputados de oposição e depois espalhou cemitérios clandestinos por todo o Iraque, preenchendo as valas comuns com centenas de milhares de rebeldes e indesejáveis em geral.

Simultaneamente, uma pesquisa do American Textbook Council (v. www.worldnetdaily.com/index.php?pageId=63872) mostrou que os livros de História distribuídos na rede de escolas públicas dos EUA são francamente pró-islâmicos, enquanto toda expressão pró-cristã é ali cada vez mais desestimulada e reprimida sob todas as formas, incluindo expulsão, prisão e estágios obrigatórios de “reeducação da sensitividade”.

Também quase ao mesmo tempo, a Suprema Corte dos EUA concede aos terroristas islâmicos presos em território estrangeiros os mesmos direitos dos cidadãos americanos, enquanto a grande mídia e os megabilionários globalistas conjugam esforços para eleger presidente dos EUA um muçulmano (relativamente) enrustido.

Mas, é claro, só um fanático militante da “White Wings” veria em tudo isso uma convergência entre os três grandes projetos de dominação mundial – o metacapitalista, o comunista e o islâmico – num esforço comum de realizar a velha meta do filósofo marxista Georg Lukács: destruir a civilização judaico-cristã.

“Judaico-cristã” não é só um modo de dizer. A guerra não é só contra os cristãos: a BBC tanto demonizou Israel que o governo de Tel-Aviv decidiu vetar a entrada de representantes dessa emissora nas entrevistas coletivas oficiais. Claro: de que adianta contar tudo a repórteres que depois escrevem o contrário? De que adianta mostrar-lhes dezenas de bombas lançadas diariamente contra Israel se depois eles vão pintar toda e qualquer reação israelense, mesmo desproporcionalmente modesta, como se fosse uma iniciativa isolada, sem motivo, inspirada pela pura brutalidade?

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Um capítulo de memórias

Do portal do OLAVO DE CARVALHO
Por Olavo de Carvalho em 23 de junho de 2008

Vou pedir desculpas ao professor Olavo e publicar apenas a parte final de seu último artigo. Quem quiser ler na íntegra, clique aqui.

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As sociedades humanas podem ser comparadas – e julgadas – pelo seu sucesso ou fracasso em transmutar a linguagem comum em instrumento do encontro genuíno entre os seres humanos. E, de tudo o que vi e vivi depois, concluí que a sociedade brasileira se destaca pelo total desinteresse em fazer isso, pela acomodação complacente a uma convivência feita só de estereótipos. Foi isso o que o conde de Keyserling, aquele observador arguto, notou ao dizer que, enquanto nos outros países as pessoas só imitam aquilo que desejam tornar-se no futuro, os brasileiros se contentam com a imitação enquanto tal, esmerando-se nela ao ponto de esquecer que é possível ser algo na realidade e acabando por acreditar que a única coisa a esperar da vida é o sucesso no fingimento. Não é à toa que a obra do maior dos nossos ficcionistas é uma galeria de fingidos, hipócritas e palhaços como jamais se viu no mundo. Em Machado de Assis o único personagem sincero, o único que fala consigo mesmo e tenta se compreender a si próprio e aos outros, o conselheiro Aires, acaba vivendo num prudente e recatado isolamento. Isso explica muita coisa da nossa política.

No meu caso, justamente a confissão, que deveria ser o encontro mais íntimo da consciência interior com o observador onissapiente, acabou se transformando no desencontro completo entre a rotina de um confessor entediado e a confusão mental de um menino ignorante. O Papa João Paulo II acertou em cheio quando disse que os brasileiros são cristãos no sentimento, mas não na fé. Não existe fé sem vida interior, mas a vida interior começa pelo ingresso naquele recinto fechado, sombrio, e pelo esforço de comunicar o incomunicável. O brasileiro acha isso angustiante demais e, buscando alívio numa familiaridade fácil, acaba por se transformar no seu próprio estereótipo.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Cristãos do mundo, reflitam

É neste contexto que Saint Gabriel Communications International publica o Livro Real de Apologética Católica, "Defesa dos Sete Sacramentos", a fim de contribuir para a autêntica reunificação de todos os que clamam ser cristãos sob "Um Senhor, uma Fé, e um Batismo" (Efésios 4:5), na única Igreja de Jesus Cristo, "coluna e alicerce da Verdade" ( 1 Timóteo, 3:15), a Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana.

A obra, escrita por um Rei (Henrique VIII), orientada por um Santo (São Tomás Morus) e aclamada por um Papa (Leão X), é dedicada à Rainha Elizabeth II e publicada in memoriam do grande Cruzado do Século XX, Plinio Corrêa de Oliveira.

"Defesa dos Sete Sacramentos" foi dedicada ao Papa Leão X, o qual concedeu ao autor o título de "Defensor da Fé'". Na obra, Henrique VIII refuta em detalhes as doutrinas errôneas de Martinho Lutero, e apresenta a verdadeira doutrina católica do primado do Papa sobre toda a Igreja Universal e a da prática das indulgências.

Publicada em inglês, a obra foi editada por Raymond de Souza, diretor de Saint Gabriel Communications (Austrália); apresentador de programa na EWTN, a maior emissora de televisão católica do mundo; diretor do Escritório de Evangelização do Santuário Nacional do Sagrado Coração de Jesus (Estados Unidos); porta-voz de Saint Gabriel Communications International.

Destinada a ser difundida na América do Norte, no Reino Unido e em todos os países da Commonwealth britânica, "Defesa dos Sete Sacramentos" levanta a bandeira da ortodoxia católica, ao refutar as várias formas de falso ecumenismo em nossos dias, que procuram reunir todos os credos num só povo, em vez de reunir todos os povos num só Credo.

Também tem como objetivo ajudar a orientar os convertidos à Igreja, de modo que, ao voltarem para a casa paterna, não se deixem levar pelas doutrinas modernistas que hoje infeccionam muitos ambientes católicos.

Saint Gabriel Communications International pede a oração de todos, no sentido de que a autêntica reunificação de todos os cristãos tenha lugar, e que a islamização da Europa - já denunciada pelo padre Georg Gaenswein, secretário do papa Bento XVI - seja evitada para o bem da Santa Igreja e da Civilização Cristã.

Para mais informações, visite o site www.KeysofPeter.org.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".