Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.
Mostrando postagens com marcador china. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador china. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 29 de julho de 2009

10 mil desapareceram em distúrbios na China, diz líder uirgur

Fonte: ESTADÃO
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Efe

Em Tóquio, ativista exilada nos EUA denuncia que milhares sumiram numa única noite de protestos em Urumqi

Cavaleiro do Templo: governo totalitário de qualquer bandeira (esquerda, direita, alienígena, etc.) é uma desgraça. Mas por pior que tivesse sido o tempo dos militares brasileiros no governo, JAMAIS aconteceu isto que aconteceu na CHINA COMUNISTA E EM UM ÚNICO DIA. Já passou e muito da hora de ensinarmos em casa e nas escolas o seguinte: POR PIOR QUE SEJAM DITADURAS DE DIREITA elas jamais conseguiram se comparar com a desgraça, a miséria e os assassinatos acontecidos em DITADURAS DE ESQUERDA. E é do lado desta turma de assassinos em massa que a Iberoamérica está, é isto que querem para cá. Para pensar: em 20 (vinte) anos de governo militar no Brasil menos de 400 (quatrocentas) pessoas desapareceram. E estes eram (pelo menos em sua maioria) da turma destes sociopatas.


Pequim acusa Rebiya Kadeer de incitar os protestos em que ao menos 197 morreram

Reuters

Pequim acusa Rebiya Kadeer de incitar os protestos em que ao menos 197 morreram

TÓQUIO - A ativista política uigur exilada Rebiya Kadeer denunciou nesta quarta-feira, 29, que cerca de "10 mil pessoas desapareceram" durante os distúrbios registrados na cidade chinesa de Urumqi, no início do mês, e pediu ao Japão que investigue o ocorrido.

Veja também:

lista Entenda: Xinjiang, área de maioria muçulmana que incomoda Pequim

O governo de Pequim convocou o embaixador japonês no país para protestar contra a visita da dissidente. A presidente do Congresso Mundial Uigur (WUC, na sigla em inglês), que vive exilada nos Estados Unidos, estará em Tóquio até quinta-feira para falar sobre a situação de sua etnia na China, com vários representantes políticos japoneses, enquanto o governo do Japão considera que sua visita ao país não danificará as relações bilaterais entre os dois países.

"Como governo, entendemos que a visita (de Rebiya) foi resultado de um convite privado e não achamos que prejudique a relação Japão-China", disse o ministro porta-voz do governo japonês, Takeo Kawamura, citado pela agência de notícias Kyodo.

Rebiya, de 62 anos, denunciou em entrevista coletiva no Clube de Correspondentes Internacionais de Tóquio que houve cerca de "10 mil desaparecidos em uma só noite" durante os distúrbios na cidade de Urumqi, na província de Xinjiang, no oeste da China. A ativista quer saber onde estão as milhares de pessoas, caso elas estejam mortas e pediu ao governo do Japão que "se envolva seriamente no esclarecimento da situação".

Rebiya responsabilizou, além disso, o governo chinês de ter transformado em "violenta" uma manifestação que começou como pacífica e negou as acusações que a apontam como instigadora dos distúrbios. Pequim acusou a ativista uigur de ser uma "delinquente", por instigar os protestos em Urumqi, nos quais, segundo os números oficiais do governo chinês, morreram pelo menos 197 pessoas, 1.700 ficaram feridas e cerca de 1.400 foram presas. Segundo as organizações uigures no exterior, 800 pessoas morreram durante os protestos em Urumqi.

Rebiya se reuniu, além disso, com Seichi Eto, representante no Senado do governamental Partido Liberal-Democrata (PLD) e que pediu que o Executivo japonês envie uma missão de representantes à China para verificar os dados relacionados com os distúrbios. "Estou impressionada com o problema de direitos humanos que está ocorrendo em nosso país vizinho atualmente. Não podemos fechar os olhos para o que aconteceu", disse Eto, que considerou "natural" que o Japão envie uma missão de investigação à China, segundo a Kyodo.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

De olho na China: Calmaria antes de outra tempestade?

Fonte: MÍDIA A MAIS
por Redação Mídia@Mais em 10 de julho de 2009 Destaques - Clipping


Tropas chinesas: repressão contra minoria muçulmana (AFP/Getty Images]

Depois de abandonar às pressas a reunião do G-8 na Itália, o presidente chinês Hu Jintao coordenou outra reunião na noite desta quarta-feira, 08/07: a do Politburo do Partido Comunista Chinês. Tema: “Questões relativas aos motins na província de Xinjiang”. A principal decisão do Politburo foi a “de manter a estabilidade”, um eufemismo para a dura repressão. Além do reforço policial, tropas do exército chinês fazem o patrulhamento em Urumqi, capital da província.

O número oficial de mortos e feridos, até agora, é de 156 e 1.000, respectivamente. No entanto, nenhuma foto de feridos, mortos ou mesmo de hospitais foi liberada, o que permite especular que esses números podem ser bem maiores. Além disso, pelos padrões de brutalidade da China comunista, é difícil imaginar que “apenas” 156 mortes demandassem uma reunião de emergência do Politburo, e mais ainda: uma reunião tornada pública.
Uma das fagulhas que atingiu o barril de pólvora das tensões étnicas em Urumqi teria origem a 2.000 km de distância, numa fábrica de brinquedos em Shaoguan, onde trabalhadores muçulmanos da etnia Urghui teriam estuprado uma mulher da etnia Han. A notícia se espalhou pela Internet e dois homens foram presos, acusados de espalhar boatos. Por outro lado, uma mulher entrevistada pelo WSJ afirma que o governo silencia as vítimas de estupros, em nome da harmonia entre as etnias.

Rebiya Kadeer ( AFP/Getty Images]

Estranha harmonia, uma vez que Pequim acusa Rebiya Kadeer, líder dissidente Uighur, solta da prisão em 2005, e atualmente residente nos EUA, de ser a responsável pelo incitamento à revolta. Suas recentes conversas telefônicas foram gravadas e os chineses afirmam que tais gravações são provas irrefutáveis de sua responsabilidade. Mas, um momento: e o boatos propagados por membros da etnia Han? Rebiya Kadeer se aproveitou deles ou há algo mais, ainda não revelado? Também no Wall Street Journal, ela conta uma história completamente diferente.
Num país de 1,20 bilhão de habitantes, 1,16 bilhão pertencem à etnia Han e 81 milhões a outras. Os Uighur são meros 8,4 milhões nesse mar de gente e tensões.
De tudo isso e num futuro próximo, há apenas uma certeza: a mão de ferro da liderança comunista chinesa.
Para ler mais (em inglês) clique aqui.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Execuções aumentaram 90% no mundo em 2008, diz Anistia

BBC BRASIL
Atualizado em 24 de março, 2009

Chineses são sentenciados à morte em Wenzhou, na China

China foi responsável por 72% das execuções no ano passado, segundo a AI


Cerca de 2390 condenados à morte foram executados no mundo no ano passado, um aumento de 90% em relação a 2007, aponta relatório da organização não governamental Anistia Internacional, AI, divulgado nesta terça-feira.

O documento "Penas de Morte e Execuções em 2008", que é publicado anualmente, revela que a China sozinha executou mais prisioneiros do que todo o resto do mundo, sendo responsável por 72% das mortes ocorridas no ano passado.

O número de mais de 1718 prisioneiros mortos na China, no entanto, é uma estimativa independente, pois o Partido Comunista não divulga estatísticas sobre o assunto.

Dentre os seis países que mais utilizam a pena capital, apenas os Estados Unidos revela números.

As estimativas da Anistia para os outros países são construídas com base em informações coletadas junto à mídia local, grupos de direitos humanos e familiares de condenados.

Após a China, os países que mais executaram prisioneiros foram Irã (346), Arábia Saudita (102), Estados Unidos (37), Paquistão (36) e Iraque (34). Juntos, estes seis países são responsáveis por 93% de todas as execuções.

Progresso

De acordo com dados da AI, em 2006 cerca de 1591 execuções ocorreram no mundo todo, enquanto em 2007 esse número caiu para 1252 pessoas, subindo para 2390 no ano passado.

Apesar do aumento no número de execuções em 2008, a Anistia Internacional afirma que tendências apontam para um menor uso da pena de morte, pois das 59 nações que admitem a pena capital apenas 25 fizeram uso desse tipo de punição.

"A boa notícia é que execuções ocorrem em um pequeno número de países, o que mostra que estamos caminhando em direção a um mundo livre da pena de morte", disse Irene Khan, secretária geral da organização.

O relatório também sugere que nos Estados Unidos somente Estados conservadores do sul, como o Texas, ainda fazem uso extensivo desse tipo de punição.

O Texas foi responsável por metade de todas as execuções (18 de 37) ocorridas nos Estados Unidos em 2008 e já executou outros 12 condenados somente em 2009, informou a AI.

O relatório ainda destacou que Belarus é o único país da Europa e entre as ex-repúblicas soviéticas que ainda conduz execuções de pena de morte e que, apesar de não haver números oficiais, cerca de 400 prisioneiros foram mortos no país desde 1991.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

A política de natalidade assassina na China

Do blog CAVALEIRO CONDE
Domingo, Agosto 31, 2008



O mundo parece que se esqueceu das atrocidades do governo chinês contra o seu povo. Este vídeo feito por jornalistas ingleses retrata a política de natalidade chinesa, em que milhares de crianças são abandonadas ou mesmo assassinadas pelo regime comunista. O povo chinês não vale mais do que o gado. Enquanto isso, o ocidente se deslumbra com as Olímpiadas. . .

domingo, 24 de agosto de 2008

O golpe do século - China

Do portal BRASIL ACIMA DE TUDO
Por Mario Sabino, de Pequim (*), 24 de agosto de 2008

CLIQUE AQUI E VOTE CONTRA A LEI QUE VAI ACABAR COM A LIBERDADE NA INTERNET BRASILEIRA

 

Thomas Kienzle-AP

chinaespecial1
A simetria que satisfaz
Uma cena da abertura da Olimpíada: os chineses alinham-se disciplinados na marcha para a liberdade – de produção e consumo

O partido comunista chinês é a mais formidável máquina de cooptação social já criada: mudou a China para que tudo continuasse como era

Jade Palace Hotel. É onde a equipe de VEJA está hospedada em Pequim. No cardápio dos estabelecimentos credenciados pelo comitê olímpico, foi apresentado como um hotel do nível dos melhores ocidentais e bem localizado.

É longe de tudo, estamos praticamente isolados em uma franja da cidade. Os funcionários são amadores – todos têm o crachá de "trainee" e trabalham por um prato de macarrão. Ninguém fala inglês, ninguém sabe colocar uma mesa, muitos chegaram do interior na semana passada. Pedir um sanduíche de queijo é um sacrifício. Não sabem o que é sanduíche, não sabem o que é queijo, não sabem o que é um hóspede. Os trainees foram encarregados de vigiar cada movimento nosso. Quando não estamos com o crachá olímpico, exigem que apresentemos o cartão magnético do hotel para nos deixar entrar no elevador. A comida é de campo de reeducação. Os preços são extorsivos: um café custa o equivalente a 14 reais. O único serviço satisfatório é o de tinturaria. Não exige comunicação verbal e a tradição chinesa é boa nessa área do conhecimento humano.

O Jade Palace Hotel pertence ao governo – ou seja, ao partido comunista. Não tem sócios capitalistas, locais ou estrangeiros. Desde que soube disso, este repórter resolveu dar ordens como o presidente Hu Jintao. "Não temos banana, senhor." "Então, ligue para o partido e ache uma banana." A banana aparece. "É impossível achar um táxi, senhor." "Então, ligue para o partido, quero um táxi em cinco minutos." O táxi aparece.

Dar ordens é a única maneira de fazer funcionar uma parte dos chineses. A constatação empírica foi confirmada por estrangeiros que trabalham em Pequim. Sem dar ordens, concordamos todos, a vida fica impossível.

Mais do que uma má experiência pessoal, o Jade Palace Hotel é uma má experiência política.

Estamos diante do comunismo em estado puro, a maior empulhação da história.

Vende-se como o paraíso, mas as tintas são infernais. Nesta China capitalista, que abriu uma estrada de dezesseis pistas para o Ocidente, o dado tão curioso quanto inquietante é que o comunismo sobrevive forte em vários aspectos, para além da marca de fantasia do partido.

É espantoso que a internet, hoje ao alcance de 250 milhões de chineses, esteja sob controle da censura estatal, mas o que dizer de revistas estrangeiras que chegam às bancas (pouquíssimas) ou aos eventuais assinantes (menos ainda) com páginas coladas?

Se o assunto da reportagem for China, os censores grudam o que julgam ser ameaçador ao regime.

Da mesma forma que os trainees do Jade Palace Hotel, eles não sabem inglês ou qualquer outra língua estrangeira. Então, eliminam o problema da liberdade de imprensa passando cola em todos os textos aparentemente sensíveis. Basta lerem a palavra China e lá vai cola. Ao leitor, resta o caminho do fogão. Esquenta-se uma panela d’água e, quando o vapor sobe, coloca-se a revista sobre ele, para tentar desgrudar as páginas. Leves princípios de incêndio vêm sendo causados pela censura.

Livros de bons autores à venda: quase não há.

De maus autores: situação idêntica.

Importação de livros: demorada e com o risco de cola nas páginas.

Cinema: minguadas setenta salas para os 17,4 milhões de habitantes de Pequim. A exibição de filmes estrangeiros no país é restrita a vinte títulos novos por ano. Assim como as produções chinesas, eles não podem ter cenas de sexo, mensagens políticas ou questionamentos de ordem moral. É o mundo encantado da Disney comunista.

Televisão: apenas forasteiros têm acesso a canais a cabo. Chineses, só se ficarem hospedados num hotel cinco-estrelas. As emissoras abertas, estatais, exibem majoritariamente novelas ambientadas quinhentos anos atrás, protagonizadas por senhores da guerra de barbas e sobrancelhas longas, com os cabelos, também compridos, cortados ao estilo Chitãozinho e Xororó e enfeitados por coques fashion. As novelas seriam suportáveis sob efeito de uísque. Você poderia fingir mais facilmente que assistia a Kill Bill 278, 279, 425... Como no Jade Palace Hotel não há uísque de verdade, o dia começa cedo e acaba tarde na Olimpíada e o honorável estabelecimento só tem CNN e um canal da HBO, o melhor é apagar a TV.

Estrangeiros e chineses mais exigentes (pouquíssimos) perdem um quinhão do seu tempo driblando as proibições. "Se você tiver o software certo, dá para acessar os sites de notícia europeus e americanos", disse a VEJA uma mocinha de Xangai. "É a coisa mais fácil do mundo", confirmou outro jovem de Pequim, mais interessado em pornografia. Comprar filmes piratas na China, a única maneira de assistir a cenas de sexo, mensagens políticas ou questionamentos de ordem moral, não representa uma dificuldade. Ligações clandestinas de emissoras a cabo já são um clássico. Contrabando de livros do exterior, idem. Não é que o governo não veja. Ele simplesmente fecha os olhos, porque sabe ser peraltice de uma infimíssima minoria. A maioria – com todo o peso que isso significa num país de 1,3 bilhão de habitantes – está ocupada em seguir o modelo do cidadão da Nova China: não reclame, não discuta, confie nos seus líderes, trabalhe duro em prol da nação e você também progredirá materialmente.

Mark Ralston/AFP
chinaespecial2

A Pequim que sorri
No cotidiano real, do qual a Olimpíada foi interregno em certos aspectos, o comunismo mantém ilhas de ineficiência e censura férrea sobre a informação e o entretenimento

A abertura econômica é uma realização a festejar. Graças a ela, os chineses comuns entrevistados por VEJA podem dizer, sem incorrer na mentira, que vivem melhor do que seus pais e avós. Mas, do ponto de vista político, foi o golpe do século. Deveriam trocar o retrato de Mao Tsé-tung, na Praça da Paz Celestial, pelo de seu artífice, Deng Xiaoping.

Abrir a economia permitiu a sobrevivência no poder do Partido Comunista Chinês.

No fim da década de 70, sob a égide do reabilitado Deng, submerso à força durante a Revolução Cultural, alguns dirigentes começaram a pregar publicamente uma certa flexibilização do regime, e resoluções nesse sentido foram adotadas. Para que ela fosse adiante, no entanto, era preciso exorcizar a figura do timoneiro sanguinário, morto em 1976, bem como parte de sua herança maldita, sem que o ritual de execração implicasse a autodestruição do PC. Em 1982, as condições internas (comunista adora falar em "condições internas") permitiram que, durante um congresso do partido, Mao sofresse sua crítica definitiva. A Revolução Cultural, que jogara a China na treva absoluta durante os anos 60, foi declarada um desastre, um tumulto interno. Mao perdeu a condição quase divina, mas manteve a classificação de "grande homem".

O processo de abertura, mesmo com o empuxo a favor, só ganharia velocidade e corpo em 1989, depois do massacre de 200 estudantes entre milhares de revoltosos reunidos na Praça da Paz Celestial. Os mártires e mais o milhar de colegas presos queriam um tantinho de oxigênio, nada além disso, mas haviam ido longe demais. A tragédia, que marcou indelevelmente a história chinesa, embora não conste da versão oficial, acendeu o alarme vermelho no partido. Temerosa do mesmo destino dos amigos soviéticos, então próximos do fim, a cúpula deliberou mudar logo e rápido, para que tudo continuasse como era. "Um país, dois sistemas", na brilhante – e marota – definição de Deng. O golpe do século.

"Eu estava fora da China quando ocorreu o episódio na Praça da Paz Celestial. Aquilo me transtornou. Saí andando sem destino. Dias mais tarde, recebi uma circular secreta do partido. Nela, os dirigentes reconheciam a demora para abrir a economia. Se houvessem tomado as devidas providências, afirmavam no documento, a revolta e a morte dos estudantes teriam sido evitadas", disse um integrante do PC (vamos chamá-lo de Zhou),

enquanto almoçava com a reportagem de VEJA em um restaurante da região de Sanlitu, em Pequim, onde os turistas têm à sua escolha todos os tipos de diversão – e risco – do capitalismo outrora considerado decadente.

Quem olha de fora tende a acreditar que, tal como ao dia se segue a noite, ao desentrave econômico sucederá a liberdade política. Não é bem assim.

A primeira verdade em oposição é que, como a China jamais foi pluralista, inexistem anseios democráticos como no Ocidente.

Esses são frutos da filosofia iluminista européia e dos ideais da revolução americana, concepções estranhas e alienígenas do ponto de vista chinês.

O marxismo, igualmente alienígena, vicejou na China por ter-se casado à perfeição com uma cultura alicerçada sobre o absolutismo. A segunda verdade é que, apesar de todo o controle estatal, os chineses nunca foram tão livres como hoje – e enxergam no partido comunista pós-1989 uma garantia dessa liberdade, em vez de um obstáculo a ela. Liberdade, aqui, não é de palanque, voto ou informação. É de compra, venda e consumo. O golpe do século, lembra-se?

Ao contrário do soviético, que nasceu, cresceu e morreu como um organismo estranho à sociedade, o partido chinês foi-se entranhando na estrutura do país. O mais surpreendente é que a dinâmica se acelerou nos últimos anos. O PC chinês é hoje um clube com 78 milhões de membros – ou 6% da população total. Há quase tantos comunistas de carteirinha na China quanto alemães na Alemanha. A idade média é 35 anos. As células e os comitês, que movimentam o dia-a-dia do partido, somam 3 milhões de militantes. A cada ano, o PC incorpora 1,8 milhão de novatos.

O financiamento se dá por meio de contribuições. Os integrantes da área rural, mais pobres, pagam 1 iuane por mês, o equivalente a 23 centavos de real. Os assalariados de menor renda desembolsam 1% do salário mensal; os de maior renda, e também profissionais liberais e empresários, de 4% a 5% do que ganham por mês. Os dados foram fornecidos pelo secretário-geral de comunicação do partido, Lu Jianping, em entrevista a VEJA.

A revista chegou até ele por intermédio de Wang Jianchao, uma simpática e prestativa jornalista da Associação de Jornalistas de Toda-China.

O hífen está presente na designação das associações profissionais chinesas. Indica que não há divisões sindicais ou algo do gênero – e que elas não são toleradas.

Os jornais e revistas todo-chineses são abundantes. Existem 10 000 publicações periódicas, cuja função é, no máximo, contar uma parte da verdade, jamais a verdade inteira. No hall do prédio da Associação de Jornalistas de Toda-China, duas fotos distraem os visitantes no chá de sofá: a de Mao lendo o Diário do Povo, órgão oficial do PC, e outra de Chou En-Lai, no jardim de sua casa, rodeado de jornalistas ocidentais. Deve datar dos anos 50 e dá vontade de ser um dos seus figurantes. Companheiro de primeira hora de Mao, Chou era de família rica e tinha formação européia. Viveu em Paris, exilado, no início da década de 20. A foto revela aquele permanente estar à vontade dos bem-nascidos. Devia ser um ótimo papo.

Teh Eng Koon/AFP
chinaespecial3

Comunistas do futuro
Um grupo escolar desce as escadas do Monumento aos Heróis do Povo. Os melhores alunos serão convidados a entrar no partido ainda no colegial

Fomos de carro preto, com motorista, ao encontro do secretário-geral. No trajeto, a senhora Wang explicou que o departamento havia mudado de nome recentemente – deixara de ser "de propaganda" para se tornar "de comunicação". "Alguma mudança nas diretivas?" "Não." Às vezes os jornalistas chineses dizem toda a verdade. Lu Jianping não é um Chou En-Lai, mas tem lá sua cota de poder, é simpático e até relaxado para os padrões locais (só contraiu o rosto diante da lente do fotógrafo). Tem 54 anos, não pinta o cabelo e não usa gel, ao contrário da maioria dos dirigentes do partido. Estava sem terno, porque o presidente Hu Jintao, secretário-geral do PC, recomendou que, no verão, o traje formal fosse abolido. Economiza-se no ar-condicionado. Como em toda sala oficial chinesa para recepção de visitantes, a de Lu Jianping tem poltronas arrumadas em simetria, voltadas para um centro vazio: a do anfitrião é separada por uma mesinha da do visitante principal. Em cima do móvel com toalha de renda e vaso de flores, uma garrafa de água e uma chávena de chá para cada um. O número de poltronas depende do tipo de reunião. Quanto maior a quantidade, mais importante é o dignitário. A simetria expressa formalidade – e não deixa de ser intimidatória. Seis poltronas foi lisonjeiro. Quando VEJA o entrevistou, os jornalistas estrangeiros, recém-chegados ao centro de imprensa olímpico, reclamavam que a China não havia cumprido o compromisso de deixar o acesso à internet inteiramente livre. Perguntado a respeito, Lu Jianping respondeu que ocorrera um problema técnico e que o país seguiria à risca o acordo com o Comitê Olímpico Internacional. "Por que os ocidentais acham que controlamos tudo?", completou. "Essa conversa não vai longe", pensou este repórter. Mas foi.

Virar comunista no Brasil é fácil. Basta ter as idéias erradas, preencher uma ficha de filiação, colocar um broche na camiseta e sair por aí falando e fazendo bobagens.

Na China, é necessário mais do que idéias erradas (atualmente, são exigíveis até algumas corretas) e você assina a ficha depois de uma seleção rígida. Não é um clube que aceita qualquer um, coloque-se dessa maneira. Lu Jianping animou-se a contar a história do seu ingresso no partido, segundo ele muito ilustrativa. Em 1974, aos 20 anos, estudante universitário, começou a trabalhar na secretaria de educação de Xinjiang, região autônoma no oeste do país, com significativa população de fé islâmica (e palco de atentados perpetrados por separatistas, no início de agosto). Foi nessa ocasião que Lu Jianping se animou a entrar no PC. Para tanto, teve de escrever uma carta em que expunha os motivos da decisão. Carta aprovada em uma reunião da célula correspondente à secretaria, ele passou a ser observado por dois sindicantes que davam expediente na mesma repartição. Verificada sua, digamos, vocação para comunista, foi procurado por dois homens para uma conversa. Nela, fizeram-lhe três perguntas:

a) O partido é para servir ao povo. Você quer servir ao povo?

b) Você está de acordo com os princípios e o programa do partido?

c) Você está disposto a trabalhar dentro de um sistema de democracia centralizada?

Sim, sim e sim para as questões, a célula reuniu-se outra vez. Acharam que Lu Jianping levava jeito e ele foi submetido a novas rodadas de conversas. Ouviram as opiniões a seu respeito de pessoas do seu convívio profissional, social e familiar. Como o horizonte se manteve favorável, Lu Jianping viu-se convidado a participar de uma reunião da célula, em que fez uma explanação sobre o seu desejo de filiar-se ao partido. Em seguida, a célula votou. Seu nome foi aprovado da única forma possível: por unanimidade. Enviaram, então, um relatório ao comitê local do partido. Chancelado pela instância superior, declararam-no aspirante e lhe designaram um tutor. Um ano depois, ainda na condição de aspirante, ele fez um juramento de lealdade diante da bandeira do PC. Inúmeras reuniões e votações correram até que, em 1981, finalmente, ele se tornou membro pleno. "Eu me esforcei durante sete anos", disse Lu Jianping, ainda com o orgulho de vestibulando aprovado.

Nem todos os aspirantes demoram tanto tempo. A protelação do ingresso de Lu Jianping pode ser creditada a um período de enormes convulsões – e desconfianças – entre os quadros partidários. Mas o processo de seleção, para 99% das pessoas, é basicamente o mesmo. VEJA entrevistou uma jovem de 26 anos, Lillian Chen, moradora de Pequim. Formada em jornalismo, fluente em inglês, produtora de documentários televisivos – faz trabalhos para a BBC –, ela foi convidada a entrar no PC quando cursava o equivalente ao colegial brasileiro, por causa de suas notas excelentes. Gostou da idéia e cumpriu a trajetória de Lu Jianping, só que apenas em um ano. Quando completou 18, assinou a ficha de filiação. Além de viver em outros tempos, Lillian Chen recebeu um convite e na adolescência. Combinados, os dois fatores aceleram o processo. "Não, ser do partido não me proporciona regalias diretas. Talvez no passado fosse assim", afirmou. "O seu ingresso, então, foi por motivos ideológicos?", perguntou VEJA. Lillian Chen abriu um sorriso: "Não falo sobre política. Aliás, nem em casa. As duas amigas com quem divido apartamento também são do partido, mas nós só conversamos sobre roupas, acessórios que estão na moda, essas coisas". O nosso terceiro comunista, Zhou, enquadra-se no 1% que não enfrenta processo de seleção – pelo menos, não o usual. Abriram-lhe as portas do partido graças aos serviços prestados à China no exterior. Quais serviços foram esses, ele não revela.

Só deixou escapar que, no Brasil, se surpreendeu ao encontrar no estado do Acre um sujeito que mantinha na estante os livros de Mao e pregava a revolução armada contra os exploradores capitalistas. "Nem nós acreditávamos mais nesse tipo de coisa", riu-se Zhou. Foi-lhe explicado que a América Latina era "o cemitério de idéias". Ele aprovou a expressão.

O partido comunista chinês é visível e invisível no cotidiano. Você certamente sabe que seu chefe pertence a ele, mas talvez fique surpreso ao ser informado de que seu melhor amigo, sentado ao lado, também é do PC. Integrá-lo pode não lhe dar benefícios diretos, como diz a jovem Lillian Chen, mas pode resultar num bom guanxi – o nome que se dá à teia de relações pessoais e profissionais, sem a qual ninguém toca negócios ou é promovido na China. Por incrível que pareça, não é a única agremiação política do país. Há outras nove, todas aliadas ao PC, logicamente. Existe inclusive uma versão do Kuomintang, o partido nacionalista defenestrado do poder pelos comunistas, em 1949. Chama-se Comitê Revolucionário do Kuomintang. Quando a rebelde Taiwan for anexada, não é impossível que seus atuais líderes passem a integrar essa agremiação fantoche.

Como há otimistas em qualquer situação, há quem entreveja a possibilidade de a China vir a adotar um regime próximo da democracia real. Eles enxergam nas eleições para representantes municipais, que começaram em meados da década de 80, o germe de um sistema de escolha nacional mais abrangente. Embora poucas cidades constem desse espectro, citam, em seu favor, o fato de haver votação popular nas 700 000 aldeias do interior, onde vivem 700 milhões de pessoas. O americano John L. Thornton, professor da Escola de Economia e Administração da Universidade Tsinghua, em Pequim, detecta avanços na mentalidade dos líderes chineses. Na visão de Thornton, se, em 2012, o substituto de Hu Jintao na secretaria-geral do partido for eleito por voto no Comitê Central, e não por aclamação dirigida, isso sinalizará que mudanças positivas poderão ocorrer no regime como um todo. "O partido, internamente, está tentando adaptar-se à nova dinâmica social", corrobora Lu Jianping. Mas ele ressalva:

"O sistema chinês não devorará o ocidental, nem o ocidental devorará o chinês".

O fato incontornável e imune a otimismos é que o partido comunista chinês é a mais formidável máquina de cooptação social já criada na história. Concentra, com raras exceções, a elite intelectual, técnica, empresarial e financeira do país. Em uma China interessada em fechar bons negócios, entrar para o PC é o primeiro negócio a ser feito. Garante guanxi para ganhar dinheiro e blindagem judiciária, pois os juízes e promotores são indicados pelo partido.

Como na União Soviética da era Leonid Brejnev, se um comunista de carteirinha for pego com a boca na botija, mas seu caso for considerado "delicado", ninguém o condenará. O PC transformou-se numa espécie de centrão, onde sempre cabe mais um. Candidatos de listas independentes a cargos locais invariavelmente se filiam à agremiação depois de eleitos. Por que mudar se está ótimo para todo mundo que conta e o povão jamais viveu tão bem? A coisa só não é boa para os hóspedes do Jade Palace Hotel.

(*) Fonte: http://veja.abril.com.br/270808/p_134.shtml

 



segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Um Império fake

Do blog CAVALEIRO CONDE
Segunda-feira, Agosto 18, 2008

CLIQUE AQUI E VOTE CONTRA A LEI QUE VAI ACABAR COM A LIBERDADE NA INTERNET BRASILEIRA



As Olimpíadas da China são a máscara de deslumbramento do um novo império, de uma nova potência econômica, tanto para comunistas, como para os liberais. Os primeiros exaltam o “socialismo de mercado” como um modelo para a humanidade, ainda que quase todos eles abafem as atrocidades, tiranias e abusos do regime totalitário. Ainda me lembro de um sujeitinho vulgar, militante de algum movimento de esquerda, que falava com esperanças na China. Também pudera: os comunistas, ao colecionar fracassos, precisam se reinventar em novos mitos, novas mentiras. Isso é história comunista desde a sua fundação. Os segundos são magnetizados pelo capitalismo chinês, crédulos na democratização do país pela economia, ainda que isto implique o enriquecimento do Partido Comunista, do exército e o abandono puro e simples de 900 milhões de chineses miseráveis à fome e à escravidão. É lugar-comum no raciocínio de alguns liberais economicistas a crença de que a economia de mercado inexoravelmente levará às liberdades políticas. Na verdade, quando os liberais repetem essa máxima, parecem marxistas de sinais trocados: eles assimilam a balela marxista de que a economia, a infra-estrutura material, determina a superestrutura espiritual e política.

Entretanto, o mito China nunca me convenceu. Tampouco me seduzem as estatísticas dos burocratas, que dizem que o país será uma potência mundial e ultrapassará os Estados Unidos. Até porque, recorde-se, as estatísticas chinesas não são lá confiáveis, e numa nação onde as fontes são sempre oficiais, controladas pelo Estado, nada do que o governo chinês conta é coisa digna de confiança. É certo que a China experimenta um estrondoso crescimento econômico. Porém, está a anos-luz de distância do padrão norte-americano.

Leio as reportagens tolas a respeito daquele país, em particular, no noticiário brasileiro, que é um primor de pérolas. Uma jornalista afirmou que o coletivismo chinês, com seu total desprezo pelo indivíduo, é fruto da cultura instituída, e como tal, inquestionável. Há neste argumento uma espécie de fatalismo, como se a cultura pudesse justificar quaisquer tipos de crimes ocorridos naquele país. Tal argumento parece legitimar todos os assassínios atribuídos a Mao Tse Tung e a ditadura comunista chinesa, como se tais exercícios de engenharia social e terror em massa fossem produtos da natureza imutável de um povo. De fato, a China tem um histórico cultural impregnado de coletivismo, já que o país só conheceu uma única forma de governo: a autocracia. Outros falam da chamada “cultura milenar chinesa”. Isso existe? Desde que a Revolução Cultural encabeçada pela esposa de Mao patrocinou a destruição sistemática de quatro mil anos de civilização para ser substituída pelos livrinhos vermelhos do ditador chinês, essa “cultura”, por assim dizer, ficou apenas na aparência da muralha da China e na Cidade Proibida. Cultura chinesa mesmo, só em fast-food ou em Taiwan, Hong Kong e Macau.

A dimensão real da China e o que é retratado dela nos dão uma idéia de falsidade, de algo postiço, a começar pelo povo. O chinês médio não parece existir. Ele não é pessoa, no sentido ocidental do termo. Tal como os turcos dos tempos de outrora, é mera extensão do sultão, mera extensão de uma gigantesca tenda de escravos. Se o chinês individual não vale nada, tampouco vale a China, na sua forma coletiva. O que é retratado coletivamente sobre a China é falso. É quase tudo invenção do Partido Comunista. As Olimpíadas de Pequim apenas reforçam essa aparência. Enquanto o mundo inteiro assiste aos esportes, aos jogos, às medalhas olímpicas, o Partido cria muralhas de madeira em plena capital, para que ninguém veja a China real, miserável, atrasada. Essa mesma China que atualmente massacra populações inteiras em nome da unidade do regime, executando milhares de inocentes por ano, sem contraditório, ampla defesa, quase tudo sumariamente. Recentemente ouve-se a violenta perseguição a membros de uma seita, a Folung Dong, sem contar o extermínio físico e cultural dos cidadãos do Tibet. Curioso pensar que a Falung Dong foi incentivada pelo próprio Partido Comunista e, quando o regime temia perder o controle do movimento, acabou por suprimi-lo com violência. Alguns boatos dão conta da extensão da brutalidade comunista: os seguidores do movimento são enviados a campos de concentração e quando executados, seus corpos servem ao tráfico de órgãos humanos. A muralha da China não está mais nas fronteiras, está dentro do país, formando duas nações: o que é escondido do público, misterioso, e o que é exportado “made in”. . .

Esse caso foi retratado quando uma bela menina chinesa cantou o hino nacional de seu país, na abertura dos Jogos Olímpicos. A mídia internacional, sempre empática, colocou a jovem nas alturas. A fraude foi descoberta logo depois: a menina dublava a voz de outra jovem, bem menos bonita. E qual a resposta das pessoas que produziram a farsa? A de que a beleza de uma era mais conveniente à nação do que a suposta feiúra talentosa de outra. Digo “feiúra” em termos, porque dentro de nossos padrões, a menina realmente talentosa, além de ter uma voz bonita, era uma criança também graciosa. O que tal ocorrido nos ensina? Se o coletivismo é absoluto, a ficção prevalece, pois o coletivo é abstrato e não está, a princípio, pelo crivo da análise particular. Se uma criança bonita se passa com a voz de outra, o que importa? O indivíduo real não vale nada. Isso me faz lembrar o romance “1984”, de George Orwell. O herói da história, Winston Smith, torturado pelo agente do Partido, ouve as máximas da tirania do regime, nestas palavras: o coletivo é absoluto e imortal. O que importa é o coletivo. O coletivo, que é a mente do Partido.

A China é um império fake. Mao Tse Tung, no auge de sua loucura, e desejando provocar uma guerra nuclear, dizia que o imperialismo era um tigre de papel. Ainda complementava: a China ganharia a peleja, porque sobrariam chineses. Na verdade, tigre de papel era a China, já que, enquanto o ditador discursava, 30 milhões de chineses morriam de fome no famigerado programa de coletivização da agricultura, “O Grande Salto para Frente”. Que os países capitalistas e os liberais sejam condescendentes com a China é uma demonstração cabal de estupidez completa. Se a China é envolta num mundo de falsificações, mentiras e condescendências, só pelo fato de possuir um regime essencialmente militarista, é sempre uma ameaça ao sistema de liberdades ocidentais. E neste ponto, ela não é nada “fake”. O país se arma e aponta os mísseis contra os países capitalistas que sustentam o seu progresso econômico. O indivíduo chinês não é nada. O regime chinês não vale nada. Por que o mundo ocidental é tão laborioso com as mentiras chinesas? Eles não têm nada a perder. . .

terça-feira, 15 de julho de 2008

Já pensou?

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Percival Puggina em 14 de julho de 2008


Resumo: A história caminha e a China está bombando seu crescimento numa surpreendente versão do capitalismo posto a serviço do totalitarismo.

© 2008 MidiaSemMascara.org

Parte ativa de um vastíssimo processo de acomodação de forças determinado pela globalização, a China se agiganta no contexto da economia internacional com a força de um player peso pesado. A atual curiosidade sobre o país excede, em muito, a que existia ao tempo dos mistérios e brumas resguardados pela Grande Muralha.

Nunca é demais lembrar que a partir de 1949, quando o comunista Mao Zedong finalmente derrotou os nacionalistas do Kuomintang, essa mesma China repartiu com a União Soviética os amores e os suspiros ideológicos de praticamente toda a esquerda mundial. Centenas de camaradas daqui, inclusive o núcleo central da Ação Popular e, posteriormente, da Guerrilha do Araguaia, foram buscar treinamento militar em Pequim. Em 1967, Jean-Luc Godard acabou sendo profético ao retratar no filme “La Chinoise” a influência da Revolução Cultural e do comunismo chinês sobre a burguesia estudantil francesa que se levantaria em Nanterre e na Sorbonne no ano seguinte. Em certo momento do filme, a personagem Véronique, em consonância com as receitas dos livrinhos vermelhos que se empilhavam no apartamento, afirma: “Eu botaria uma dinamite na Sorbonne, no Louvre e na Comédie Française”. O Livrinho Vermelho dessa China maoísta substituía a Playboy no banheiro da rapaziada daqueles anos muito loucos.

O tempo passou. Após a queda do Muro de Berlim sobreveio algo ainda mais inacreditável: a Grande Muralha arrombou seus portões aos investimentos estrangeiros. O capitalismo já havia chegado à Rússia, é verdade. Mas para a China ele se mudou com armas, bagagens, tecnologia, máquinas, marcas e grifes. A economia do país, crescendo segundo taxas anuais assustadoras, incontroláveis, será a segunda força mundial bem antes de 2020, suplantando o conjunto dos 27 países da União Européia. E, em seguida, ultrapassará a economia norte-americana. No livro “Cuentos Chinos”, publicado em 2005, o argentino Andrés Oppenheimer prenuncia que a hegemonia mundial, em meados do século, estará repartida entre China e Estados Unidos.

E a velha esquerda não democrática, como fica? Hoje está bem nítido que o anti-americanismo é seu grande fator de unidade, levando-a a abraçar-se com o que há de mais retrógrado no planeta - ditadores africanos, terroristas islâmicos, narco-guerrilheiros colombianos e por aí afora. Esses laços de ternura anti-americanistas ficaram evidentes na recente visita de Lula ao Vietnã, quando nosso homem no exterior transbordou entusiasmo ao lembrar o êxito vietnamita na guerra contra os EUA: “Fiquei tão orgulhoso da vitória quanto os próprios vietnamitas (...) foi a vitória dos oprimidos. E nós nos sentimos co-participantes e muito orgulhosos do significado para a humanidade da vitória de vocês". A tal grande vitória dos oprimidos matou, logo após, mais de dois milhões de seres humanos, mas acho que o co-participante Lula estava tão orgulhoso que não ficou sabendo.

Contudo, a história caminha e a China está bombando seu crescimento numa surpreendente versão do capitalismo posto a serviço do totalitarismo. É um capitalismo do pior feitio, sanguinário, destituído de quaisquer escrúpulos, que teria causado engulhos ao mais ganancioso empresário manchesteriano do século 19. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos enfrentam uma poderosa força destrutiva interna, que ataca seus valores e seu sistema. E pode acabar se tornando, num mundo bi-polarizado com a China, a versão política e ideológica domesticada pela velha esquerda, sendo por ela adotado como única alternativa remanescente. Já pensou?

O autor é arquiteto, político, escritor e presidente da Fundação Tarso Dutra de Estudos Políticos e Administração Pública. puggina.org

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Entrevista com Nivaldo Cordeiro, um dos palestrantes do FORTE 2008, da FEBRATEL, em São Paulo

Do site TELEBRASIL
14/07/2008 :: João Carlos Fonseca


A Federação Brasileira de Telecomunicações – FEBRATEL – promove no dia 18 de agosto, em São Paulo, a edição 2008 do Fórum de Relações do Trabalho em Telecomunicações, com o tema "Liderança Empresarial do Brasil e os BRICS". José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas pela FGV-SP. É homem de idéias e seus recados são diretos. Na qualidade de fórum, o evento promete um debate ativo sobre a contemporaneidade. Para se inscrever, gratuitamente, é só enviar um e-mail (forte2008@febratel.org.br) ou ligar para (21) 2541-4848.

A sigla BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China – traduz o coletivo de países emergentes que disputam lugar no privilegiado clube do Primeiro Mundo. A liderança empresarial, sua formação e a dinâmica política são importantes fatores nessa disputa. A entrevista com o economista José Nivaldo Cordeiro foi feita por e-mail. As perguntas foram editadas para fins de publicação, mas as respostas estão reproduzidas em sua íntegra, tal como nos foram enviadas pelo entrevistado.

FEBRATELEm que consiste a liderança empresarial, tema do FORTE 2008? É a liderança dos empresários perante a sociedade ou é a liderança de pessoas nas empresas?

Nivaldo Cordeiro – A liderança, enquanto tal, consiste nas duas coisas. No meio empresarial, há que emergir vozes que representem seus pares junto à sociedade civil e ao governo. Da mesma forma, há que liderar as ações dentro da empresa. Uma das acepções do verbo “liderar” é “conduzir”. Um dos sentidos dado pelos dicionários ao termo é “ir junto com ou dentro de (algo), de um lugar para outro, dando-lhe direção e/ou comando”. Portanto, há o movimento que deve ser orientado em direção a uma meta.

FBTFale-nos da figura do líder.

NC – O líder é como o proverbial pastor que sabe aonde vai e o caminho certo, se porta da maneira correta, com a linguagem correta, faz as coisas no tempo certo. É a figura do spoudaios, o homem que amadurece com sabedoria e é respeitado pelos pares e pelos mais jovens. Na empresa, essa figura é representada pelo gerente, seja ele o administrador ou o técnico, o que sabe fazer e sabe organizar o trabalho.

FBTA liderança empresarial é um fenômeno comum para o sucesso de todos o BRICS (Brasil, Rússia, China, Índia)?

NC – Sim. É comum em toda parte, embora cada cultura imprima a sua própria característica à liderança. Confesso que me fascina saber como se dá a liderança em uma sociedade como a chinesa, tão distante de nós em termos culturais e políticos. Certamente que o viés autoritário seja uma constante, em face do sistema político. Mas, a recente abertura ao ocidente impactou nas técnicas administrativas, de sorte de a busca da cooperação e do exemplo, algo tão importante, para nós, devem ter sido incorporados nos últimos anos. Mas, liderança não é apenas uma técnica, vai além.

Liderança na China, Rússia e Índia

FBT O que acontece na China?

NC – A China, enquanto sociedade fechada e comunista, tende a produzir um tipo de líder que eu chamaria de “negativo”, não obstante ele conseguir obter os melhores resultados técnicos e empresariais, tão bons quanto os nossos. O fato é que liderar transcende a empresa, impacta a sociedade e a própria estrutura de poder. Uma sociedade que não tem a liberdade como valor tende a produzir líderes que não a valorizam e, por isso, enquanto homens, falham. Um spoudaios é, antes de tudo, um defensor da liberdade.

FBTVamos falar da Rússia?

NC Na Rússia, vemos emergir uma sociedade conturbada com o fim do regime comunista, cujo regime democrático ainda não está consolidado. Então temos fenômenos interessantes, como uma grande agressividade empresarial casada com os males da sociedade ocidental do século XIX. As estatísticas mostram que em 2007 houve queda na população russa, pela mortalidade dos velhos e de pessoas jovens. Uma coisa selvagem. A redução de população em uma unidade política será sempre uma tragédia. Há, aqui, uma clara indicação de que houve uma escassez de bons condutores, de bons líderes; e não apenas de líderes políticos.

FBTSó lhe falta comentar sobre a Índia...

NC – A Índia, por sua vez, conseguiu adaptar sua cultura milenar ao que de melhor tem o ocidente. Seus jovens invadiram as universidades ocidentais e levaram para o seu país inovações importantes, tanto que criaram centros de excelência notáveis.

FBTQuais as vantagens competitivas do Brasil?

NC – O Brasil tem grande vantagem por estar próximo dos mercados consumidores do ocidente, ter fartura de matéria prima, fuso horário compatível com os EUA.

FBTAs vantagens da China?

NC – A China, por sua vez, tem mão de obra barata, o que tem o lado ruim, o dos indicadores sociais.

FBTE as vantagens da Índia e Rússia?

NC – A Índia conseguiu ter centros de excelências tecnológicas; a Rússia, fartura de petróleo.

Liderança no mundo empresarial

FBTHá alguma diferença entre "empresa pequena, média ou grande" para a "liderança empresarial do Brasil no contexto dos BRICS?”

NC – Veja. A função de liderar tem um fundo comum, que é a inteireza de alma, o compromisso de vida com seus liderados, com a família, com a pátria. É uma responsabilidade muito grande ser líder, em qualquer contexto, seja numa pequena, numa média ou grande empresas. O desempenho mais das vezes é medido no processo competitivo, que leva em conta inovações tecnológicas, técnicas de comercialização, organização no processo produtivo e motivação das pessoas envolvidas no processo. Então, há um fundo comum. Cada líder tem que saber tirar proveito daquilo que tem à mão.

FBTComo deve agir o Brasil?

NC – O estrategista que “toca” negócios no Brasil precisa saber os pontos fortes e fracos dos competidores, e não apenas daqueles que vendem no mercado mundial. O mercado mundial também é aqui, na medida em que os produtos importados chegam às prateleiras de nossos supermercados. Compreender o processo como um todo pode ser a chave do sucesso empresarial.

FBTHá diferença entre "empresa multinacional" e "empresa nacional" para a "liderança empresarial do Brasil, no contexto dos BRICS?”

NC – Essencialmente, não. Certos setores multinacionais têm grandes desvantagens quando vêm para o Brasil. Veja o caso de bancos de varejo. Não conseguiram entrar. É difícil, muito regulamentado. Veja o setor de TI. As multinacionais fabricantes tiveram que desenvolver uma rede de parceiros para entrar no nosso mercado, por muitas razões, o que abriu um leque de oportunidades para pequenas e médias empresas do setor.

FBTO que distingue uma multinacional?

NC – As multinacionais têm várias vantagens, como um conhecimento amplo do mercado mundial, facilidades de financiamentos mais baratos, produção própria de tecnologia e um padrão competitivo de classe mundial. Elas são muito cuidadosas com o desenvolvimento de seus quadros gerenciais, seus líderes. E têm também a vantagem de importar talentos, quando esses faltam, com algum perfil específico.

O sistema sindical

FBT Qual sua visão sobre o sistema sindical praticado no Brasil, visto em perspectiva histórica?

NC – Eu não gosto desse sistema, de concepção fascista. Sou favorável ao livre mercado, ao livre sindicalismo; sou pelo fim do imposto sindical. Penso que associações desse tipo devem ser voluntárias e custeadas pelos interessados.

FBTQual a importância dos sindicatos patronais?

NC – Os sindicatos patronais são muito importantes para representar os setores e cuidar para que os interesses coletivos não sejam ameaçados, seja por medidas legislativas, seja por medidas arbitrárias do Poder Executivo.

FBTE dos sindicatos laborais?

NC – Já os sindicatos laborais são de grande importância para manter o equilíbrio na relação capital/trabalho.

A presença do Estado

FBTNo contexto dos BRICS (Brasil, Rússia, índia, China), como o Sr. percebe a presença e a atuação do Estado?

NC – Aqui está a questão central. Esses países têm em comum o fato de viverem ou vive de experiência com algum grau de socialização. Como a literatura prova à exaustão, a ingerência do Estado é perniciosa para a produtividade e para o desenvolvimento econômico, além de prejudicar a justa distribuição da renda.

FBTO Sr., então, vê a redução do Estado como algo positivo?

NC – Sim; aquele que conseguir reduzir o Estado e a regulamentação e patrocinar as livres trocas internacionais irá proporcionar o maior institucional para que as empresas alcancem seu apogeu.

FBTPoderia citar um exemplo?

NC – É esse o segredo da China, que, não obstante manter o regime político fechado, abriu largas zonas para o livre comércio. Está crescendo a taxas espetaculares, semelhante às alcançadas pelo Brasil nos tempos do “milagre”. Livre mercado é o combustível desse processo.

FBTE o caso do Brasil?

NC – No Brasil estamos na contramão, com o crescimento da regulamentação, da carga tributária, da ingerência estatal. Nossos líderes empresariais precisam fazer-se também líderes políticos para fazer mudar essa realidade. Estado Mínimo é o essencial para tornar nossas empresas competitivas.

Os BRICS no cenário mundial

FBTOs BRICS competem ou se aliam no cenário internacional?

NC – Depende do tema. Nos mercados, eles competem ferozmente. O crescimento da China, por exemplo, em alguns mercados, está sendo feito à custa da nossa indústria. Por outro lado, abriu enormes mercados para os produtos que não chocam com nossa matriz industrial.

FBTE quando se trata de política?

NC – Na arena política, há um certo alinhamento dos governos contra os EUA, que eu considero um erro. O Brasil não tem porque hostilizar aquele que é nosso maior mercado e tem uma democracia que é exemplo para o mundo. Entendo a postura da China e da Rússia que têm pretensões geopolíticas diferente das nossas. Entrar nesse coro, todavia, só nos trará perdas.

FBTO Sr. acha que o Brasil, que é o "B" dos BRICS, tem vocação natural para basear seu sucesso em commodities e produtos extrativos ou deve investir em inovação?

NC – Veja que o Brasil tem uma forte vocação agrícola. Isto é um fato que até as pedras sabem. O Brasil já é o maior produtor (senão o maior exportador) em muitos mercados, como carne, soja, álcool, frutas etc. E o País vai crescer porque tem território, água e uma liderança empresarial nesse setor de fazer inveja a concorrentes.

FBTEntão, a vocação do Brasil seria explorar seus recursos naturais?

NC – A situação do Brasil não se esgota aí. Temos uma grande matriz industrial. No setor de TI, a vocação para crescer é total, com fuso horário favorável e estabilidade política, que falta aos concorrentes (a Índia tem ogiva atômica do Paquistão apontada para ela). Então, não temos que fazer nenhuma escolha; temos é que explorar as potencialidades de ambas as áreas. Essa é uma falsa questão.

A presença do Estado

FBTO Brasil já foi apelidado de um "BRIC lento". O Sr. concorda ou discorda?

NC – O Brasil ficou lento nas décadas recentes. Visto em um contexto mais amplo, a afirmação não se sustenta. O que tem segurado nosso desenvolvimento são dois fatores: o descontrole de preços, que perdurou muito, e o agigantamento do Estado, que ainda continua. Na verdade, o primeiro fator está contido no segundo.

FBTO Estado, então, seria grande demais no Brasil?

NC – Sim. Vejo que precisamos mobilizar as forças da nação para reduzir o gigante estatal. E quando falo isso, estou pensando pelo lado da receita e da despesa. É preciso reduzir impostos, mas igualmente as despesas.

FBTComo seria, no seu entender, a redução de impostos e das despesas do Estado?

NC – Não tenho nenhuma fórmula, apenas sei que se precisa ser feito e aqui a demanda por líderes positivos e genuinamente comprometidos com os interesses gerais da nação precisam emergir. Não será um processo nem curto e nem fácil. Teremos que enfrentar crenças socialistas fortemente arraigadas. Mas, essas crenças são malignas, erradas, são os grilhões que nos prendem e impedem o desenvolvimento voltar a ocorrer de forma acelerada.

FBTO Sr. acha que seria necessário reformular tudo?

NC – Acho que precisamos redesenhar o Estado, repensar a federação, a representação. É uma demanda para redundar a nação.

FBTMas, isso seria possível?

NC – Sei da importância do que estou dizendo, da gravidade das minhas palavras. Mas, não seria honesto com os leitores não dizer o que penso e vislumbro. Temos que redundar politicamente o Brasil para que os brasileiros possam enriquecer e prosperar e se tornar um povo mais feliz. Para tanto, precisamos reduzir o monstro estatal. Não temos alternativa.

Pensador brasileiro

FBTA programação do Forte 2008 se refere a Ortega y Gasset. Qual o pensador brasileiro que dele se aproxima?

NCOlavo de Carvalho. Ele é profundo e comprometido com a nacionalidade.

FBTAlgum outro tema que queira comentar?

NC Sim. Seria relativo aos rumos políticos atuais do Brasil que vejo com muita apreensão. Estamos na rota revolucionária. O PT está, desde que assumiu o poder, ocupando todo a aparelho de Estado e conduzindo o Brasil no rumo da socialização, exatamente na contramão da nossa necessidade histórica, de ir em busca da liberdade.

FBT O momento atual seria, então, motivo de preocupação?

NC – Eu vejo com muita preocupação a hipótese ou do terceiro mandato ou de ser eleger alguém da linha do PT. Podemos estar em véspera da destruição da alternância de poder no Brasil, algo que na prática já vige, na medida em que não existem forças políticas ditas de “direta”. Não há organizações partidárias verdadeiramente comprometidas com o livre mercado, o que é uma tragédia colossal.

FBTO Sr. poderia explicar?

NC – Agora dar o monopólio do poder político às forças em torno do PT é muito grave, pois equivale a manter o curso do processo revolucionário. Isso se casa com o que está acontecendo com a maioria dos países vizinhos, todos atuando no âmbito do Foro de São Paulo, com a notável exceção da Colômbia, que acabou de infringir vigorosas derrotas às FARC, o braço colombiano do FSP.

FBTAlgum recado?

NC – Nossos líderes empresariais precisam largar a passividade e ir para a arena política, tendo consciência dos perigos que estamos vivendo. Esses perigos podem significar uma regressão civilizacional de grande monta, como vimos na Venezuela e no Zimbábue, este em maior proporção. Não estamos longe disso. E não existe nenhum determinismo histórico que nos diga que as forças do livre mercado devem ser derrotadas. Não.

FBTComo assim?

NC – Se lutarmos, se líderes assumirem as suas responsabilidades, podemos, aqueles que combatem pela liberdade, retomar o caminho perdido e colocar o Brasil na trilha do desenvolvimento. Mas, isso não acontecerá por inércia, terá que vir pela mãos de homens inteligentes, sóbrios e comprometidos com a nação. Certamente que os setores das Teles com e de TI terão que dar sua contribuição de novos líderes, que confrontem os adversários socialistas, para mudar o curso da nossa História.

FBTSuas palavras finais.

NC – Acredito firmemente que esse é o lado “certo”. Como dizia Ortega, não se pode permanecer no “erro”. O socialismo é um erro que precisa ser corrigido. As lideranças empresariais não poderão escapar ao enfrentamento dos inimigos da civilização.

wibiya widget

A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".