PERCIVAL PUGGINA
15/01/2011
O Joãozinho é aquele menino das anedotas. Quando quer algo, azucrina tanto, tanto, tanto, atormenta de tal modo quem se antepõe a seus anseios que acaba conseguindo o que deseja. Pois tenho me lembrado do Joãozinho quando vejo a insistência de setores da esquerda em pautas como aborto, supressão de símbolos religiosos, limitação da propriedade da terra e revisão da lei da anistia. Não têm suporte legal, a opinião pública rejeita-lhes as teses, o STF as declara inconstitucionais, mas pouco se lhes dá. Encanzinados, criam ONGs, comissões, conselhos e até ministérios inteiros. Mobilizam as "bases", extraem aqui e ali decisões judiciais que não resistem à primeira contestação, mas vão angariando apoios, sempre pressionando, até a exaustão. Dos outros.
A luta contra a Lei de Anistia é típica. Os joõezinhos já começaram. Primeiro trataram do assunto no âmbito da Comissão de Anistia. Aliás, temos uma Comissão de Anistia que se voltou contra a anistia. No final de 2009 embutiram sua revisão no megadecreto do PNDH-3. Depois tentaram convencer o STF de que a interpretação dada à lei, desde que promulgada em 1979, descumpre preceito constitucional fundamental. Perderam por sete a dois, em decisão do dia 29 de abril do ano passado. Inútil. Poucos mais tarde, Lula mandou ao Congresso projeto criando a "Comissão Nacional da Verdade no âmbito da Casa Civil da Presidência da República ...a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional"). Enquanto o projeto tramita, conseguiram na Corte Interamericana de Direitos Humanos, agora em dezembro, uma condenação ao Brasil por manter a vigência da lei.
Temos aí um suposto interesse pela verdade casado com memória curta. A anistia foi objeto de persistente campanha da oposição ao regime militar, sendo aprovada pelas duas bancadas (ARENA e MDB), em 1979, por votação simbólica. Mas ainda não era ampla, nem geral, nem irrestrita. A emenda nesse sentido foi derrotada. Ela só alcançou essa extensão seis anos depois, após intensa mobilização oposicionista, com a emenda constitucional que convocou a Constituinte, visando à volta dos exilados remanescentes e à total reconciliação.
Passados vinte e cinco anos parece que se arrependeram. O artigo primeiro do projeto presidencial em tramitação no Congresso começa com uma mentira, ao alegar a necessidade de uma reconciliação nacional. Mas isso é o que a anistia já fez! E fez tão bem que os anistiados da esquerda estão no poder pelo voto popular. O que de fato os interessa, ao contrário do que alegam (grande novidade!), são os dividendos políticos dos processos que teriam início. Jamais haverá entendimento ou verdade singular sobre a história de um período tão deplorável. Em torno dele já há historiografia para todos os gostos. E o atual interesse pela verdade, que beatifica os crimes cometidos pelos que pegaram em armas pelo comunismo não produz meia verdade nem gera meia anistia. É uma inteira farsa.
Se não conseguimos solucionar crimes do mês passado, como esclareceremos os de quase meio século atrás? É impossível nos entendermos sobre o passado. Mas com a Lei de Anistia já o fizemos sobre o futuro, obtendo uma pacificação nacional que os joõezinhos, irresponsavelmente, desejam romper. Aliás, a maior prova de que já nos entendemos está em que essa esquerda, hoje como ontem, quer arrumar confusão. Sabem por quê? Porque para ela não há realidade fora do conflito. Mas isso daria um outro artigo.
Especial para ZERO HORA
16/01/2010
Não demonstre medo diante de seus inimigos. Seja bravo e justo e Deus o amará. Diga sempre a verdade, mesmo que isso o leve à morte. Proteja os mais fracos e seja correto. Assim, você estará em paz com Deus e contigo.
Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
A nova conspiração da direita internacional contra Hugo Chávez
VANGUARDA POPULAR
ESCRITO POR EMMANUEL GOLDSTEIN

ESCRITO POR EMMANUEL GOLDSTEIN
CARACAS - O líder progressista venezuelano, Hugo Chávez, guia genial dos povos oprimidos latino-americanos, denunciou hoje uma conspiração direitista internacional envolvendo os governos de Israel, da Colômbia, dos Estados Unidos e de vários municípios contra-revolucionários do interior do Piauí (Brasil), entre eles os governos municipais de Piracuruca, Jerumenha, Conceição do Canindé e São João da Canabrava.
“O Partido da Imprensa Golpista (PIG) e o grande capital espoliativo internacional criaram um clone do presidente Chávez e agora estão publicando vídeos apócrifos no Youtube com declarações que o verdadeiro Hugo Chávez nunca deu”, afirmou o Ministro da Verdade do governo Chávez.
Para o Mico Mandante Bolivariano, o PIG “obedece a uma nova conspiração internacional que já está em andamento para gerar um golpe de Estado, uma guerra civil ou uma invasão imperialista. Os lacaios da direita troglodita querem me prejudicar só porque meu coração está com Dilma. Mando um beijo para você, Dilma! O socialismo petista é o único caminho para a paz e a justiça!”.
“O Partido da Imprensa Golpista (PIG) e o grande capital espoliativo internacional criaram um clone do presidente Chávez e agora estão publicando vídeos apócrifos no Youtube com declarações que o verdadeiro Hugo Chávez nunca deu”, afirmou o Ministro da Verdade do governo Chávez.
Para o Mico Mandante Bolivariano, o PIG “obedece a uma nova conspiração internacional que já está em andamento para gerar um golpe de Estado, uma guerra civil ou uma invasão imperialista. Os lacaios da direita troglodita querem me prejudicar só porque meu coração está com Dilma. Mando um beijo para você, Dilma! O socialismo petista é o único caminho para a paz e a justiça!”.

Um dos vídeos que causaram a polêmica sobre o clone de Hugo Chávez ainda está no Youtube. No vídeo, que não passa de um simulacro de entrevista realizada em 1998, o falso Chávez afirmou que Cuba é uma ditadura, declarou-se contrário à estatização de empresas privadas, celebrou a liberdade de imprensa e defendeu valores burgueses como a redução dos poderes do estado, o federalismo pleno, o corte de 50% na alíquota do imposto de renda, o livre mercado, o desarmamento dos bandidos e a posse de armas pelos cidadãos cumpridores de seus deveres, o império da lei e o respeito aos contratos e direitos individuais.
Confira o vídeo do falso Hugo Chávez:
Cavaleiro: como sabemos, ele não foi o primeiro a dizer que não era um socialista/comunista disfarçado de homem democrático.
Teocracia socialista: a tirania em nome da compaixão
JULIO SEVERO
20 de janeiro de 2011
20 de janeiro de 2011
Usando o Estado para impor sobre a sociedade um modelo pervertido da igreja primitiva judaica
Julio Severo
“Usar o modelo apostólico de administração de igreja para sustentar um sistema de governo que rouba em nome da compaixão é uma perversão da missão da igreja e da missão do Estado”.
Um apelo dramático à compaixão, principalmente pelos pobres, conquista infalivelmente a maioria dos corações. Se esse apelo não funcionasse, o nazismo e o comunismo jamais teriam feito tanto sucesso. Até mesmo o diabo, sem precisar se disfarçar de anjo de luz, pode hoje ser muito bem recebido em qualquer lugar se simplesmente alegar: Vim aqui ajudar os pobres!
Enquanto o nazismo naufragou em sua própria loucura, com renovados e inovados apelos o comunismo e suas várias metamorfoses estão conseguindo fazer suas loucuras sobreviverem — até hoje.
Um desses apelos inovados, feito especialmente para cativar populações nominalmente cristãs, diz que o socialismo começou no Novo Testamento.
Das profundezas da Grécia antiga
Na verdade, historicamente, a primeira proposta genuinamente socialista (ou comunista, dependendo da mega-variedade de rótulos que os marxistas usam para se encobrir) apareceu na obra A República, escrita pelo filósofo grego Platão, que viveu 400 anos antes de Cristo.
O plano de Platão para uma sociedade ideal era bem simples: Todos os homens e mulheres deveriam ter ocupações no mercado de trabalho. A propriedade privada deveria ser abolida, isto é, ninguém deveria ter casa própria nem propriedade. Dentro desse conceito, Platão queria que também as esposas fossem abolidas como “propriedade” privada do marido e que os filhos fossem abolidos como “propriedade” privada das famílias. As esposas estariam assim submetidas, como mulheres livres do casamento, a todas as vontades do Estado. E todas as crianças pertenceriam ao Estado.
Assim, em vez de pertencer a um só homem, as mulheres estariam “livres”, disponíveis para todos os homens. Em vez de criar em seu próprio lar seus próprios filhos, a mulher estaria “livre” para trabalhar a vida inteira no mercado de trabalho, fazer sexo com qualquer homem e todas as crianças concebidas seriam criadas pelo Estado.
Como um visionário, Platão viu muitíssimos séculos antes, a sociedade feminista e socialista “ideal”, onde a “igualdade” entre homens e mulheres reinaria de forma absoluta, dando às mulheres total liberdade de ocupar todas as funções masculinas, inclusive de soldados e policiais. O único problema que Platão via era a gravidez, que atrapalharia a mulher de ter a mesma liberdade que o homem tem de atuar em diversas profissões, sem as “interferências” previsíveis da natureza.
Muitos séculos mais tarde, os seguidores de Marx ressuscitariam as mesmas ideias de Platão, embora com muita cautela diante de ouvidos cristãos ou moralistas. Entretanto, invariavelmente as políticas socialistas acabam trazendo como consequência a desmoralização social, onde o casamento perde sua sacralidade e o sexo sem compromisso e sem casamento se tornam sagrados. Coincidência ou não, nas mais modernas sociedades socialistas, cada vez mais todas as crianças são “responsabilidade” de todos — eufemismo para a posse estatal — e todas as mulheres são de todos os homens. Falta muito pouco para a família e o casamento serem completamente abolidos como “maldita herança patriarcal”.
Mesmo com todas as suas propostas originais e resultados tão patentemente antifamília, o apelo religioso dos marxistas funciona. Cuidadosamente acobertando as ideias socialistas de Platão de 400 anos antes de Cristo, eles insistem em dizer: “O socialismo nasceu na igreja primitiva!”
O que ocorreu nas igrejas primitivas judaicas?
O que foi que aconteceu na igreja primitiva? Os 12 apóstolos tiveram a ideia de aplicar, exclusivamente nas igrejas judaicas, uma norma onde todos os membros deveriam entregar suas propriedades e outros bens aos apóstolos, para que esses recursos fossem administrados pela igreja.
Muito diferente da proposta de Platão e do próprio marxismo, que colocam o Estado no centro da administração e controle, a proposta dos apóstolos colocava a própria igreja no centro da administração e controle.
Muito diferente das ideias de Platão, que aboliam o lar e colocavam todas as mulheres no mercado de trabalho, a proposta dos apóstolos não destruiu o papel das esposas como trabalhadoras no lar. Nesse sentido, o modelo da igreja primitiva não tem nada a ver com o marxismo, que tira a mulher do lar, dando-lhe valor apenas no mercado de trabalho.
Muito diferente das ideias de Platão, que viam a gravidez como uma “interferência” da natureza contra a liberdade do Estado para a mulher ocupar todas as funções masculinas, na igreja toda gravidez era celebrada como manifestação da bênção de Deus. Nesse sentido, o modelo da igreja primitiva não tem nada a ver com o marxismo, cujas políticas entopem as mulheres de contracepção e cuja obsessão pró-aborto se transformou em assassina insanidade ideológica. Aborto e contracepção não eram preocupações dos apóstolos, nem faziam parte de sua igreja.
Muito diferente da proposta de Platão, que queria todas as crianças sob controle estatal o mais cedo possível, a proposta dos apóstolos não tirou as crianças da esfera de suas famílias. Nesse sentido, o modelo da igreja primitiva também não tem nada a ver com o marxismo, que tira as crianças do lar e da autoridade dos pais a fim de doutriná-las na religião marxista.
A meta das ideias de Platão e da ideologia socialista é impor sobre toda a sociedade uma política de nivelamento, onde o controle do Estado é absoluto sobre todos na área econômica, moral, sexual, legal, etc.
As igrejas europeias de Paulo eram diferentes da igreja de Jerusalém
A meta dos 12 apóstolos nunca foi impor sobre todas as igrejas seu modelo — e muito menos impor sobre a sociedade por meio do Estado, como tipicamente fazem os adeptos da Teologia da Libertação. Pelo contrário, havia liberdade para todas as igrejas.
Enquanto a igreja de Jerusalém, comandada por 12 apóstolos, estabelecia a entrega de todos os bens, as igrejas europeias do Apóstolo Paulo seguiam uma direção muito diferente. Paulo queria todos trabalhando independentemente e cuidando de seu próprio sustento. Nada de vida comunal e entrega de todos os bens a Paulo.
Paulo tinha total liberdade de agir diferente, pois na Bíblia não havia nenhum mandamento ordenando que os seguidores de Jesus são obrigados a depositar tudo aos pés dos apóstolos. Ele simplesmente viu tal medida como uma orientação dos apóstolos de Jerusalém que, conforme o próprio Paulo dizia, não eram perfeitos. (Confira Gálatas 2.)
A grande vantagem de ser diferente para Paulo foi que, quando uma crise internacional de fome atingiu o Império Romano inteiro — inclusive as igrejas de Paulo e as igrejas dos 12 apóstolos em Jerusalém —, as igrejas dos 12 apóstolos na Judéia e Jerusalém começaram a passar fome, enquanto que as igrejas de Paulo na Europa, atingidas pela mesma fome, não só conseguiram ter forças durante a crise como também mandaram ajuda para as igrejas dos 12 apóstolos.
Usando o Estado para impor sobre a sociedade um pervertido modelo apostólico de igreja?
Embora os marxistas e seus aliados de rótulo cristão aleguem que o marxismo nasceu na igreja primitiva, nenhum modelo comunista, marxista ou socialista colocou apóstolos na liderança suprema do governo. Eles só colocaram ditadores sanguinários. Esse modelo também violou sistematicamente a integridade da família, ao pressionar as esposas a entrar no mercado de trabalho e ao impor leis que obrigam as crianças a ficar sob controle estatal através das escolas.
Com genuínos apóstolos no governo, um sistema baseado na igreja primitiva jamais cometeria tais abusos. Um sistema baseado no modelo da igreja primitiva teria apóstolos na liderança. Com apóstolos na liderança, o aborto não teria vez. O homossexualismo não teria vez. Escravidão educacional estatal para as crianças não teria vez. Esposas obrigadas a trabalhar fora por pressões de pérfidas políticas socialistas anti-família não teria vez.
Mas, em vez de uma real transferência do modelo apostólico para a esfera secular, o que vemos é o contrário. O modelo socialista, que expulsa as esposas e as crianças do lar para encaixá-las em metas socialistas, está dominando as igrejas. Mas o sistema apostólico não está dominando no mundo.
O modelo secular da tão chamada redistribuição de bens, supostamente baseado na igreja dos apóstolos, não respeita a autoridade apostólica, não respeita as famílias, não respeita os bebês em gestação, etc.
Enquanto o modelo apostólico era baseado no amor e na submissão dos membros à autoridade apostólica, o sistema socialista não envolve amor, compaixão e livre arbítrio, mas apenas uma suposta e forçada “compaixão” que invariavelmente termina em injustiças, ódio e assassinatos.
A teocracia socialista tem base na Bíblia?
O sistema socialista, com seus adeptos nominalmente cristãos que lhe emprestam um alicerce fraudulentamente baseado na primeira igreja apostólica, é nada mais do que uma teocracia pervertida, onde o deus central é o Estado humanista como supremo provedor de todas as necessidades humanas.
Essa teocracia é o maior desafio para os homens desta geração que querem, como Elias, servir a Deus numa sociedade onde todos, até mesmo muitos que usam o nome de Deus, estão prostrados diante do moderno Baal estatal, que impõe aborto e homossexualismo.
A compaixão do socialismo rouba das pessoas, fortalece um Estado tirânico e traz revoluções sangrentas (aborto, sexo livre e desenfreado, abusos sexuais em massa de crianças, infanticídio, abolição da família, abolição do papel da esposa, abolição da autoridade dos pais nas decisões de educação e saúde dos filhos, etc.), forçando todos os cidadãos a entregar seus recursos sob a alegação de que o Estado precisa para ajudar os pobres.
A compaixão de Deus não rouba de ninguém, não tem nada a ver com o Estado e fortalece as famílias, o papel da esposa dentro do lar, o papel do marido e pai, levando todos a contribuir, voluntariamente, para ajudar os pobres.
A teocracia socialista, que se veste de Estado laico, não tem compaixão nenhuma das famílias e seus valores, e muito menos dos cristãos e seus valores.
A teocracia socialista é fruto do pai da mentira, que promete tudo e finge compaixão, mas acaba sempre roubando, matando e destruindo.
Misericórdia sem misericórdia?
Ao alegar que está imitando a igreja primitiva, os estatistas marxistas violam uma separação necessária entre Estado e igreja, impondo sobre a sociedade um modelo de “misericórdia” sem a mínima misericórdia, e dispensando a necessidade indispensável de liderança apostólica cheia do Espírito Santo na administração da misericórdia.
Misericórdia e caridade forçadas não fazem parte de Deus e suas instruções na Bíblia, mas são partes integrantes de todo sistema socialista. Quer queiram ou não, todos são obrigados a pagar impostos mais elevados para sustentar as políticas socialistas supostamente de “misericórdia e caridade”. No plano de Deus, a misericórdia e a caridade dependem exclusivamente do livre arbítrio do cidadão, que é livre para contribuir, pois Deus não o obriga nem lhe cobra impostos para uma misericórdia e caridade forçada. Deus não tem esse nível de tirania.
Quando substitui as funções de misericórdia de Deus, da família e da igreja, o Estado marxista comete um erro fatal — contra o povo, é claro. Não é a toa que o comunismo — que alegadamente quer tudo em comum para todos — tenha assassinado mais de 100 milhões de homens, mulheres e crianças.
O modelo da igreja primitiva, que jamais foi seguido pelo apóstolo Paulo, era livre. Não era estatal. Não era ideológico. Não era imposto pela força da lei a todas as igrejas, muito menos a toda a sociedade. As igrejas hoje que quiserem segui-lo, são livres. Mas o Estado não pode impô-lo, nem tê-lo sem estabelecer primeiramente na liderança governamental a devida autoridade apostólica cheia do Espírito Santo.
O modelo apostólico não envolvia nenhuma ideologia feminista. Não envolvia aborto. Não envolvia homossexualismo. Aliás, o assistencialismo da igreja primitiva não era liderado diretamente pelos apóstolos.
Por isso os Doze reuniram todos os discípulos e disseram: “Não é certo negligenciarmos o ministério da palavra de Deus, a fim de servir às mesas. Irmãos, escolham entre vocês sete homens de bom testemunho, cheios do Espírito e de sabedoria. Passaremos a eles essa tarefa e nos dedicaremos à oração e ao ministério da palavra”. (Atos 6:2-4 NVI)
Tentar transferir para o Estado um modelo criado exclusivamente para determinada igreja beira à heresia.
Portanto, a teocracia socialista tem de sofrer resistência de todos os cristãos genuínos, que deveriam apoiar para o Estado o dever de seguir apenas modelos de governo que não interfiram na esfera da igreja e das famílias.
O Estado é a igreja?
O Estado não deveria impor sobre a sociedade a conversão forçada dos cidadãos ao Cristianismo. E o que os “cristãos” marxistas querem é muito parecido: eles querem que o Estado force sobre a sociedade as decisões particulares dos apóstolos que visavam exclusivamente a uma igreja determinada, não a todas as igrejas e muito menos à sociedade secular.
Entretanto, o mais importante é que o Estado que esses pseudo-cristãos querem não é a imagem da igreja primitiva, por mais que aleguem ao contrário. Esse Estado é a imagem das ideias de Platão, das ideias de Marx, das ideias de Stalin.
O modelo apostólico era voltado exclusivamente para a igreja, só aceitando ajudar os mais pobres — que na época eram as viúvas — que tivessem um currículo de bom testemunho (confira 1 Timóteo 5:3-16). Viúvas desamparadas e outros pobres não cristãos não faziam parte da assistência material apostólica. As viúvas cristãs desamparadas precisavam preencher certos requisitos antes de serem aprovadas para receber ajuda, pois os apóstolos eram muito criteriosos e seletivos. Dentro das igrejas apostólicas, o simples rótulo de cristão não garantia assistência material para as viúvas.
Deus aprova roubar em nome dos pobres?
O que os cristãos marxistas fazem é apoiar sistemas de governos que, a pretexto de ajudar os pobres, roubam, mediante políticas injustas de impostos, o dinheiro dos cidadãos que trabalham.
Os apóstolos não roubavam nem nunca recorreram ao Estado ou ao estabelecimento de leis estatais para tirar os bens das pessoas.
Portanto, usar o modelo apostólico de administração de igreja para sustentar um sistema de governo que rouba em nome da compaixão é uma perversão da missão da igreja e da missão do Estado.
A missão da igreja — que são os cristãos lavados pelo Sangue de Jesus e comprometidos com Ele — é pregar o Evangelho a todos e dar assistência material aos pobres exclusivamente conforme o critério apostólico.
A missão do Estado é não interferir nem substituir a igreja nessas importantes funções.
A missão do Estado é exclusivamente manter a ordem social e punir os criminosos, preservando assim um ambiente social pacífico em que a sociedade e a igreja possam desempenhar tranquilamente suas funções.
Eu não sei bem como seria uma sociedade administrada pelos apóstolos. Mas não seria uma sociedade com aborto e homossexualismo. Enquanto “cristãos” da teologia marxista se mobilizam por qualquer político que tenha como propaganda “ajudar os pobres”, os apóstolos seriam, como sempre, criteriosos e seletivos. Eles não cometeriam o erro tão comum dos “cristãos” marxistas de entregar populações inteiras a governantes que, em nome de uma compaixão pelos pobres, impõem a tirania marxista, com muito derramamento de sangue, ou por revoluções ou pelo aborto.
Teocracia socialista no Antigo ou Novo Testamento?
Os juízos e cobranças de Deus contra o Estado de Israel no Antigo Testamento são abundantemente usados pelos adeptos da teologia da missão integral como prova de que Deus quer um Estado comprometido com sua visão socialista. Mas há problemas sérios nessa interpretação. O Israel do Antigo Testamento era teocrático e misturava e encarnava funções de Estado e Igreja. Somente um Estado teocrático pode fazer essa mistura.
Contudo, no Novo Testamento, o Apóstolo Paulo essencialmente “desteocratizou” o Estado, reconhecendo-lhe apenas, conforme desígnio de Deus, a responsabilidade de castigar os maus e elogiar os bons. Às igrejas fica a responsabilidade de mostrar a compaixão e amor de Deus à sociedade, inclusive atuando como consciência moral e profética do Estado, nunca o usando para impor, em nome de uma misericórdia ou caridade forçada, sobre a sociedade ideologias estranhas ao Evangelho. Às igrejas também fica, conforme os rigorosos critérios apostólicos já estabelecidos, a responsabilidade de dar ajuda material aos pobres dentro da igreja.
A teocracia socialista, com toda a sua pregação de compaixão pelos pobres, sua obsessão pelo aborto e homossexualismo e roubo e controle sistemático dos cidadãos através de iníquas políticas de impostos, não espelha o modelo de administração que havia na igreja dos 12 apóstolos. Não espelha também o coração de Deus, que quer que todo ato de ajuda aos pobres, na igreja ou na sociedade, seja feito voluntariamente por amor, não por força, violência ou impostos.
Nem o Estado tem direito de tirar das pessoas o livre arbítrio de decidir livremente o que fazer com o que ganham com seu trabalho. Afinal, por mais que Deus ame os pobres, um dos Dez Mandamentos não é sobre ajudar os pobres, mas uma proibição categórica de não se roubar. Uma proibição que vale tanto para uma pessoa quanto para o Estado.
E o primeiro mandamento não é “adorar o Estado acima de todas as coisas”. É adorar a Deus acima de todas as coisas. Só isso já é suficiente para mostrar que a pregação dos “cristãos” progressistas não tem nada a ver com a pregação dos 12 apóstolos e de Paulo.
Só isso já basta para tornar completamente desnecessário, ilegal e criminoso todo sistema de governo baseado na teocracia socialista, que coloca o Estado como supremo deus “compassivo” e provedor de tudo acima do único e verdadeiro Deus compassivo e provedor de tudo.
Fonte: www.juliosevero.com
No primeiro conjunto do Minha Casa, Minha Vida, venda de imóveis e calote
ESTADÃO
20 de janeiro de 2011 | 23h 01
Cavaleiro: alguém esperava que algum projeto esquerdopata funcionasse depois que desligam as câmeras da TV?
Edna Simão e Tiago Décimo, de O Estado de S.Paulo
FEIRA DE SANTANA, Bahia - Apenas seis meses depois de entregues as chaves, o primeiro empreendimento do Programa Minha Casa, Minha Vida para famílias de baixa renda tornou-se uma espécie de assentamento urbano com comércio ilegal de apartamentos e abandono dos imóveis por falta de pagamento das prestações de R$ 50, colocando em xeque o programa xodó da presidente Dilma Rousseff.
Dilma usou Feira de Santana em programa eleitoral
O Residencial Nova Conceição, em Feira de Santana (BA), foi o primeiro empreendimento para famílias com renda de até R$ 1.395 entregue no País e recebeu duas visitas do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na campanha presidencial, Dilma levou ao ar no horário eleitoral gratuito o condomínio como exemplo bem-sucedido de política pública para os mais pobres.
De lá para cá, desligadas as câmeras da campanha, o "condomínio" apresenta personagens com dramas reais. O presidente da Associação de Moradores do Residencial Nova Conceição, Edson dos Santos Marques, 27 anos, diz que o calote tem aumentado no empreendimento porque boa parte dos moradores tem como renda apenas o benefício do Bolsa Família.
De acordo com ele e com entrevistas realizadas pelo Estado, das 440 unidades do residencial distribuídas em 22 blocos, 50 já foram ilegalmente negociadas pelos ocupantes de direito, escolhidos pela Prefeitura de Feira de Santana em parceria com a Caixa Econômica Federal. Eram pessoas que tiveram as casas condenadas depois da enchente que atingiu o bairro periférico de Feira X, a cerca de dez quilômetros dali, em 2007.
"Houve quem vendesse a unidade a R$ 500, antes de receber as chaves", conta Marques. Em média, cada apartamento tem 37 m², dois quartos, cozinha e banheiro. "Hoje, os valores estão por volta de R$ 15 mil." Como rege a lei da oferta e da procura e há demanda para as unidades, os preços dos apartamentos estão subindo.
Contas
Para Anália Barbosa dos Santos, de 62 anos, a entrega das chaves do apartamento 2, do bloco 16, depois da visita presidencial e da então candidata parecia encerrar uma vida de necessidades. Agora, ela pensa em se mudar. "Tenho dificuldades para pagar todas as contas que chegam", conta a idosa, que sonha comprar uma casa no bairro de origem com o dinheiro da venda.
A inadimplência já preocupa a Caixa. Isso porque, a entrega do empreendimento é recente e há o temor de que essa situação se repita em outros locais.
Com a "expulsão" dos beneficiários originais, o residencial que era para ser destinado, principalmente, aos inscritos no Bolsa Família que moravam em áreas de risco está sendo "colonizado" por famílias com renda familiar superior.
Mãe solteira de três crianças, Cristiane Lopes, 30 anos, deixou de pagar, há quatro meses, as parcelas da casa própria à Caixa. Desempregada, ela conta apenas com a renda de R$ 134 do Bolsa Família para manter a casa. "Paguei as duas primeiras parcelas com R$ 100 que ganhei da minha tia. Depois não consegui pagar mais", lamentou Cristiane. Ela já recebeu cartas da Caixa cobrando o débito e teme perder o imóvel por inadimplência.
Lançado por Lula em 2009, o Minha Casa, Minha Vida foi um dos principais trunfos de Dilma na campanha. Na ocasião, ela prometeu entregar 2 milhões de moradias para famílias com renda de até R$ 4.650 até 2014.
O objetivo do programa é reduzir o déficit habitacional no País, que é de quase 6 milhões de moradias - concentrado entre as famílias que recebem até um salário mínimo. Mas quando foi lançado, o Minha Casa, Minha Vida também serviu de estímulo econômico em momento em que o País sentia os efeitos da maior crise financeira dos últimos 80 anos.
De abril de 2009 a dezembro de 2010, a Caixa assinou 1 milhão de contratos, como era esperado. O número de imóveis entregues, no entanto, não chegou a 300 mil unidades. A expectativa é de que as entregas se acelerassem no decorrer de 2010. Isso porque, um empreendimento demora, em média, 18 meses para ser construído.
20 de janeiro de 2011 | 23h 01
Cavaleiro: alguém esperava que algum projeto esquerdopata funcionasse depois que desligam as câmeras da TV?
Edna Simão e Tiago Décimo, de O Estado de S.Paulo
FEIRA DE SANTANA, Bahia - Apenas seis meses depois de entregues as chaves, o primeiro empreendimento do Programa Minha Casa, Minha Vida para famílias de baixa renda tornou-se uma espécie de assentamento urbano com comércio ilegal de apartamentos e abandono dos imóveis por falta de pagamento das prestações de R$ 50, colocando em xeque o programa xodó da presidente Dilma Rousseff.
Dilma usou Feira de Santana em programa eleitoral
O Residencial Nova Conceição, em Feira de Santana (BA), foi o primeiro empreendimento para famílias com renda de até R$ 1.395 entregue no País e recebeu duas visitas do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na campanha presidencial, Dilma levou ao ar no horário eleitoral gratuito o condomínio como exemplo bem-sucedido de política pública para os mais pobres.
De lá para cá, desligadas as câmeras da campanha, o "condomínio" apresenta personagens com dramas reais. O presidente da Associação de Moradores do Residencial Nova Conceição, Edson dos Santos Marques, 27 anos, diz que o calote tem aumentado no empreendimento porque boa parte dos moradores tem como renda apenas o benefício do Bolsa Família.
De acordo com ele e com entrevistas realizadas pelo Estado, das 440 unidades do residencial distribuídas em 22 blocos, 50 já foram ilegalmente negociadas pelos ocupantes de direito, escolhidos pela Prefeitura de Feira de Santana em parceria com a Caixa Econômica Federal. Eram pessoas que tiveram as casas condenadas depois da enchente que atingiu o bairro periférico de Feira X, a cerca de dez quilômetros dali, em 2007.
"Houve quem vendesse a unidade a R$ 500, antes de receber as chaves", conta Marques. Em média, cada apartamento tem 37 m², dois quartos, cozinha e banheiro. "Hoje, os valores estão por volta de R$ 15 mil." Como rege a lei da oferta e da procura e há demanda para as unidades, os preços dos apartamentos estão subindo.
Contas
Para Anália Barbosa dos Santos, de 62 anos, a entrega das chaves do apartamento 2, do bloco 16, depois da visita presidencial e da então candidata parecia encerrar uma vida de necessidades. Agora, ela pensa em se mudar. "Tenho dificuldades para pagar todas as contas que chegam", conta a idosa, que sonha comprar uma casa no bairro de origem com o dinheiro da venda.
A inadimplência já preocupa a Caixa. Isso porque, a entrega do empreendimento é recente e há o temor de que essa situação se repita em outros locais.
Com a "expulsão" dos beneficiários originais, o residencial que era para ser destinado, principalmente, aos inscritos no Bolsa Família que moravam em áreas de risco está sendo "colonizado" por famílias com renda familiar superior.
Mãe solteira de três crianças, Cristiane Lopes, 30 anos, deixou de pagar, há quatro meses, as parcelas da casa própria à Caixa. Desempregada, ela conta apenas com a renda de R$ 134 do Bolsa Família para manter a casa. "Paguei as duas primeiras parcelas com R$ 100 que ganhei da minha tia. Depois não consegui pagar mais", lamentou Cristiane. Ela já recebeu cartas da Caixa cobrando o débito e teme perder o imóvel por inadimplência.
Lançado por Lula em 2009, o Minha Casa, Minha Vida foi um dos principais trunfos de Dilma na campanha. Na ocasião, ela prometeu entregar 2 milhões de moradias para famílias com renda de até R$ 4.650 até 2014.
O objetivo do programa é reduzir o déficit habitacional no País, que é de quase 6 milhões de moradias - concentrado entre as famílias que recebem até um salário mínimo. Mas quando foi lançado, o Minha Casa, Minha Vida também serviu de estímulo econômico em momento em que o País sentia os efeitos da maior crise financeira dos últimos 80 anos.
De abril de 2009 a dezembro de 2010, a Caixa assinou 1 milhão de contratos, como era esperado. O número de imóveis entregues, no entanto, não chegou a 300 mil unidades. A expectativa é de que as entregas se acelerassem no decorrer de 2010. Isso porque, um empreendimento demora, em média, 18 meses para ser construído.
FARC publica anúncio classificado em busca de novo Chefe Militar
VANGUARDA POPULAR
ESCRITO POR EL CHIGÜIRE BIPOLAR
ESCRITO POR EL CHIGÜIRE BIPOLAR
Jovem latino-americano! Você está cansado de trabalhar para os outros? Seja seu próprio patrão! Oferecemos a oportunidade da sua vida: se você não quer ser mais explorado por seus patrões, chegou a hora de explorá-los!
Abriremos as portas para uma das carreiras mais promissoras do mercado: Chefe Guerrilheiro. Mais do que um trabalho, oferecemos uma nova vida! Seja seu próprio patrão! Lidere um grupo com visão e estratégia! Mostre que você pode! Finalmente você terá um trabalho apaixonante, emocionante e cheio de adrenalina!
Se você está cansado de dormir em sua cama, tomar banho com água morna e quer embarcar numa aventura sem futuro, esta é a sua chance!
Rejeitaremos infiltrados da CIA.
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Originalmente publicado em El Chigüire Bipolar. Traduzido e Adaptado por E. Goldstein.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Um dia na vida da única fábrica ocupada do País: çossialismo na prátika.
IG
19/01/2011 06:17
Trabalhadores da Flaskô, em Sumaré (SP), com jornada semanal de 30 horas, lutam pela estatização da empresa Patrick Cruz, de Sumaré.
Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o comando do Brasil em 2003. Naquele ano, os funcionários da Flaskô – uma fábrica de tambores plásticos usados para fins tão diversos quanto o de acondicionar combustível para automóveis ou tripas de bois – também tomaram o poder, ainda que em uma escala menor: eles assumiram as rédeas de sua própria empregadora. Era para os destinos de Lula e dos trabalhadores terem se cruzado.



19/01/2011 06:17
Trabalhadores da Flaskô, em Sumaré (SP), com jornada semanal de 30 horas, lutam pela estatização da empresa Patrick Cruz, de Sumaré.
Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o comando do Brasil em 2003. Naquele ano, os funcionários da Flaskô – uma fábrica de tambores plásticos usados para fins tão diversos quanto o de acondicionar combustível para automóveis ou tripas de bois – também tomaram o poder, ainda que em uma escala menor: eles assumiram as rédeas de sua própria empregadora. Era para os destinos de Lula e dos trabalhadores terem se cruzado.
A crença era que Lula, o ex-metalúrgico, daria um norte definitivo para a vida profissional dos trabalhadores da problemática Flaskô, ocupada pelos funcionários na sequência de uma série de traumáticas adversidades, entre as quais o recorrente atraso de salários e o não-cumprimento de direitos trabalhistas. Tudo se resolveria no governo Lula, criam os funcionários.
A era Lula passou, e a Flaskô é hoje a única empresa ocupada do País sob o comando de seus funcionários – transmutados em patrões. Filhote do mesmo grupo que deu origem à Tigre, a fábrica, localizada em Sumaré (SP), a 120 quilômetros de São Paulo, vive hoje entre o sonho de ser estatizada e o receio com o aperto em suas finanças cotidianas.
“A conta fica sempre no vermelho”, diz Fernando Martins, membro da comissão que comanda a fábrica. Uma das despesas sagradas é a com a conta de luz – em torno de R$ 60 mil mensais –, e por motivo óbvio: em uma empresa endividada, com um histórico problemático e carente de recursos, o corte de luz interrompe a fonte de receita imediatamente. A Flaskô já enfrentou interrupções de fornecimento de energia, uma delas por 40 dias.
"Ninguém fica em cima"
A tensão com um prosaico corte de luz contrasta com algumas das manifestações otimistas dos trabalhadores da empresa. “Tem esperança, sim. A gente sempre tem esperança”, diz a operadora de máquinas Tânia Gomes de Oliveira sobre uma eventual reviravolta no caso da Flaskô. Tânia, que chegou à companhia em 1993 – e pode, portanto, comparar a vida pré e pós-ocupação –, afirma que hoje “a vida é mais tranquila. Ninguém fica em cima”.

Foto: Theo Ribeiro / FotoarenaAmpliar
"Aqui não tem patrão, não tem chicote", diz Ivan Soares de Oliveira, operador de máquinas. Cavaleiro: faltou dizer que não tem chicote pois foi vendido para comprar papel higiêncio, que estava em falta.
A Flaskô integrava um conglomerado de empresas que, por sua vez, fizeram parte do grupo criado por João Hansen Júnior, fundador da Tigre. Algumas empresas do grupo, entre elas a Cipla, conhecida fabricante de assentos para vasos sanitários, foram invadidas entre 2002 e 2003 como forma de pressionar os controladores a pagar salários e encargos trabalhistas, sempre em falta. Em Joinville (SC), onde ocorreram as outras invasões, as fábricas estão hoje sob intervenção judicial. A Flaskô é a remanescente entre as ocupadas.
A jornada atual é de 30 horas semanais, preenchidas de segunda a sexta-feira. Os 63 trabalhadores da Flaskô se dividem em três turnos por dia, que começam à meia-noite, às seis da manhã e ao meio-dia.
“Esta vai ser minha última empresa. Com fé em Jesus”, diz o operador de máquinas Ivan Soares de Oliveira, há quatro anos na Flaskô. “Aqui minha vida é melhor: não tem patrão, não tem chicote”.
A falta de dinheiro é parte do cotidiano da fábrica. Os salários às vezes atrasam uma semana, mas o atraso não é regra. Ocasionalmente também atrasa o pagamento dos fornecedores de matéria-prima (atualmente, toda comprada de empresas que reciclam a resina utilizada para a fabricação dos tambores; o material reciclado é mais barato que a resina “virgem”). As máquinas, obsoletas – e, em parte, fora de operação por falta de dinheiro para reparos –, têm produtividade até três vezes menor que de uma nova.
A empresa chegou a receber matéria-prima subsidiada em 2007, em um acordo entre o governo da Venezuela e as fábricas ocupadas. Já não há mais essa alternativa. Como há dificuldade para a compra de insumos, a Flaskô não forma estoques de matéria-prima: as compras são feitas à medida que chegam os pedidos dos compradores de bombonas plásticas. E o comércio não é homogêneo ao longo do ano: a receita mensal é de cerca de R$ 500 mil, mas em 2010, teve mês que rendeu R$ 600 mil, mas teve mês que deu R$ 350 mil.

Foto: Theo Ribeiro/ FotoarenaAmpliar
Aldemir Pontes, o gerente comercial: sonho de voltar para a Bahia e, quem sabe, montar lá "uma nova Flaskô". Cavaleiro: seria um sucesso na Bahia também, ô xente...
Confiabilidade
“A ocupação foi a única saída”, diz Aldemir Tavares Pontes, que entrou na Flaskô antes da ocupação de 2003 na função de ajudante de caminhão, passou a ajudante de serigrafia e por outras funções até assumir o posto atual de gerente comercial. É dele a responsabilidade de fechar os contratos de compra de matéria-prima e venda da produção.
O gerente comercial atesta que os problemas da Flaskô afugentam alguns potenciais clientes (“tem esse problema de confiabilidade”, diz), mas isso não impede o fechamento de novos negócios. Pontes, baiano de Vitória da Conquista, onde trabalhou em padaria, faz planos, ainda não totalmente claros, de voltar para sua terra. “Vamos ver como vai ser. De repente monto uma Flaskô lá”, afirma.
Como a Flaskô é gerida pelos trabalhadores, as decisões têm que ser homologadas em assembleia. Uma comissão de fábrica também se reúne para deliberações cotidianas, em uma sala ornamentada por artigos como uma bandeira do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), um calendário com a foto do presidente da Venezuela, Hugo Chávez – que talvez valha mais pela imagem, já que o calendário é de 2008 – e adesivos da Esquerda Marxista, corrente política do PT ao qual está ligado o braço brasileiro do Movimento das Fábricas Ocupadas.
À assembleia dos trabalhadores cabe a tarefa de escolher as alternativas de sobrevida da Flaskô. O governo federal já sugeriu que os trabalhadores criem uma cooperativa para tocar a fábrica, mas eles argumentam que, com isso, perderiam direitos trabalhistas que não foram honrados pelos antigos patrões. Preferem, em vez disso, a estatização, sob o argumento de que mais de 80% das dívidas da empresa, de estimados R$ 200 milhões, são com a União – com a estatização, o governo garantiria, portanto, o recebimento do que é dele.

Foto: Theo Ribeiro / Fotoarena
Detalhe da decoração em uma das salas da Flaskô. Cavaleiro: faltou Hugo Chávez, Fidel, Mao...
“Para mim, estatizar significa dividir com toda a sociedade os prejuízos da má gestão dos antigos proprietários”. Com esta frase, publicada na coluna semanal “O Presidente Responde”, reproduzida por jornais de todo o País, Lula, em janeiro do ano passado, frustrou a esperança dos defensores da estatização. No texto, ele voltava a defender a proposta de criação de uma cooperativa.
Lula estava a par dos problemas dos funcionários de Cipla, Interfibra e Flaskô desde sua campanha presidencial de 2002. Assumiu a presidência, saiu dela, e, na Flaskô, o impasse segue. “Mas vamos ver. Agora tem uma mulher no poder, né?”, diz a operadora de máquinas Tânia Oliveira.
Cavaleiro: claro, está tudo resolvido. Agora temos uma presidente!!! Como não pensamos nisto antes?
Cavaleiro: claro, está tudo resolvido. Agora temos uma presidente!!! Como não pensamos nisto antes?
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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".

