Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.
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sexta-feira, 27 de março de 2009

O que Lênin faria

Olavo de Carvalho
Época, 24 de agosto de 2002


Se fosse presidente do Brasil, ele acalmaria os investidores.


Cavaleiro do Templo: leia o artigo abaixo escrito em 2002 e reflita: Olavo é profeta? Não, de jeito nenhum. Olavo estuda de fato, está dentro da realidade, portanto. Busca informações, erra como qualquer ser humano mas seus diagnósticos acerca do que vai acontecer dificilmente caem longe dos fatos quando ocorridos. No Brasil temos este monstro de capacidade e outros como a Graça Salgueiro, Heitor de Paola, Nivaldo Cordeiro, Ubiratan Iorio, Klauber Kristofen Pires e tantos outros mas nenhum deles é tratado adequadamente pelas empresas de mídia. Vamos ao artigo.

   

A julgar pelos diagnósticos alarmantes ou calmantes que saem na nossa imprensa, as únicas áreas ameaçadas em caso de ascensão da esquerda radical são o dinheiro do Exterior investido aqui e o crédito do Brasil nos bancos estrangeiros. Toda a discussão gira em torno de saber se o sr. Fulano ou Beltrano, eleito, pode ou não colocar em risco esses bens supremos. Na primeira hipótese, ele é um perigoso comunista; na segunda, um admirável democrata.


Mas, quando Lênin destruiu em três semanas a ordem constitucional russa e instaurou o reinado do terror, a bolsa de Moscou e Petrogrado não caiu um ponto sequer, e nos anos que se seguiram os investidores estrangeiros ganharam dinheiro a rodo com o novo regime. À luz do critério brasileiro, portanto, Lênin não era comunista de maneira alguma.


A prevalência desse critério imbecil demonstra apenas a completa sujeição intelectual da burguesia brasileira aos cânones do marxismo difuso que a induzem a desempenhar, no teatro da realidade, precisamente o papel estereotipado que a estratégia comunista lhe reservou: o de uma classe de interesseiros imediatistas que podem ser manipulados por meio de seus próprios interesses.


Hegemonia é isso: pautar o discurso dos adversários, induzindo-os a formular seus pensamentos e seus desejos segundo um quadro de categorias mentais pré-calculado para amarrá-los com sua própria corda.


A esquerda nacional é burra e inepta, mas, comparada ao empresariado, é uma plêiade de gênios. Para qualquer estudioso de Antonio Gramsci, ludibriar industriais e financistas brasileiros, induzindo-os a trabalhar pela sua própria perdição, é bater em crianças. Que é que pode o pragmatismo grosso de quem mede o mundo pelo saldo de caixa, comparado ao complexo maquiavelismo da “revolução cultural”? É até covardia. Não conheço um só empresário que não alardeie tranqüilidade olímpica face ao avanço do comunismo, mas, defrontado com alguma estrela do esquerdismo letrado, não se prosterne em rapapés de abjeto servilismo. Claro: não importando o quanto de dinheiro você tenha no bolso, a superioridade intelectual, mesmo pequena, tem sobre você uma força e uma autoridade intrínsecas. Na estratégia revolucionária, a hegemonia cultural equivale ao que, na guerra, é o domínio do espaço aéreo. Correndo para esconder seus tesouros, os roedores se expõem aos olhos do predador que, do alto, controla seus movimentos.


Por isso é que, em vez de perder-se em vãs conjeturas economicistas, nenhum deles pergunta aos candidatos presidenciais:


1) Qual a sua visão geopolítica do mundo? O senhor pretende usar de discursos contra o “poder unipolar” para alinhar o Brasil com o pólo oriental e comunista cuja existência e crescimento essa retórica se destina a encobrir?


2) Após anos de demolição e constrangimento das Forças Armadas, o senhor pretende completar dialeticamente a aplicação do ardil leninista, oferecendo à oficialidade humilhada algum reconforto tardio em troca do seu apoio a uma política externa anti-ocidental e pró-comunista que antes nenhum militar aceitaria?


3) Como o senhor vai combater o narcotráfico sem entrar em choque com Cuba, as Farc e a mídia esquerdista internacional? Ou, ao contrário, vai montar um simulacro de combate só para liquidar as quadrilhas adversárias -- que dominam por exemplo o Espírito Santo -- e entregar à narcoguerrilha comunista o controle total do mercado brasileiro?


Essas são as únicas perguntas que interessam. O próprio Lênin, se presidisse o Brasil de hoje, nem pensaria em socializar a economia. Trataria de consolidar o capitalismo e acalmar os investidores, ganhando tempo para lutar nessas três frentes, estas sim vitais para a estratégia comunista mundial. Tranqüilizados pelas garantias oferecidas ao seu rico dinheirinho, os burgueses seriam os primeiros a colaborar com ele.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

KATYN - MASSACRE COMUNISTA NA POLÔNIA

As legendas estão um pouco ruins, faltam as letras com acentos mas dá para se ter uma idéia adequada do flagelo que é o NACIONAL SOCIALISMO de Hitler e o pai do regime alemão, o COMUNISMO daquela que viria a se chamar URSS.

Acordem brasileiros, é isto que os aguarda.




Veja abaixo mais alguma coisa sobre o assunto...

terça-feira, 7 de outubro de 2008

O terror comunista - I

Seg, 07 de Maio de 2007 09:21 Carlos I.S. Azambuja

“O conhecimento do que foi o terror comunista pode ajudar muitas pessoas, sobretudo as mais jovens, a entenderem a importância da verdadeira liberdade, sem coletivismos e falácias socialistas, impedindo a repetição de tragédias semelhantes”.

(Carlos I. S. Azambuja)

Muito já se escreveu sobre o terror comunista, mas nunca é demais detalhar como esse terror foi implantado por Stalin, com um relato baseado não apenas em memórias e diários inéditos de personagens importantes, e entrevistas com os sobreviventes e os descendentes dos poderosos da era stalinista, mas também – e sobretudo – beneficiado pela liberação recentíssima de documentos, cartas, bilhetes, anotações nas margens de documentos e de livros, minutas de reuniões, agendas e dos papéis que passavam todos os dias pela escrivaninha de Stalin, em muitos dos quais ele deixava a sua marca de aprovação, reprovação ou escárnio. Assim, foi possível mostrar tanto a intimidade do poder, que até agora permanecia envolta em brumas e mistério, como sua face mais brutal.

O primeiro dos grandes processos espetaculares do terror comunista teve início em 19 de agosto de 1936 no Salão de Outubro, no segundo andar da Casa dos Sindicatos, em Moscou. Os 350 espectadores eram funcionários do NKVD com roupas comuns, jornalistas estrangeiros e diplomatas. No centro, sobre um tablado, os três juizes, liderados por Vassili Ulrikh, sentaram-se em cadeiras semelhantes a tronos, cobertas com pano vermelho. A verdadeira estrela desse espetáculo teatral, o procurador Andrei Vichinski, com uma interpretação de ira espumante e pedantismo articulado. Os acusados, 16 sujeitos rotos, guardados por soldados do NKVD com baionetas caladas, sentaram-se à direita. Atrás deles uma porta que dava para um espaço comparável a uma sala de espera das celebridades em um estúdio de televisão. Ali, com sanduíches e refrescos, estava Guenrikh Grigorievitch Iagoda (Comissário do Povo de 1934 a 1936), que poderia conferenciar com Vichinski e os acusados durante o julgamento.

Dizia-se que Stalin a tudo assistia desde uma galeria escondida, com janelas escuras, nos fundos do salão.

Os acusados foram indiciados por uma quantidade fantástica de crimes tramada pela conspiração obscura liderada por Trotski, Zinoviev e Kamenev (o “centro Trotskista-Zinovievista Unido”) que conseguira matar Kirov, mas falhara várias vezes ao tentar matar Stalin. Durante seis dias eles confessaram esses crimes com uma docilidade que espantou os espectadores ocidentais.

A linguagem desses processos era tão obscura quanto hieróglifos e só podia ser entendida dentro do universo fechado bolchevique de conspirações do mal contra o bem, em que “terrorismo” tinha o significado de “quaisquer dúvidas sobre as políticas ou o caráter de Stalin”. Todos os seus adversários políticos eram tachados de “terroristas”. Mais de dois “terroristas” era uma “conspiração” e a reunião de “terroristas” de facções diferentes criava um “Centro Unificado” de espantoso alcance global, revelador da paranóia bolchevique, formada em décadas de vida na clandestinidade.

Enquanto os 16 réus esmagados diziam suas falas, o procurador Vichisnky combinava com brilhantismo o embuste indignado de um pregador com as maldições diabólicas de um feiticeiro. Uma testemunha ocidental achou-o parecido com um corretor da Bolsa, acostumado a almoçar no Simpson’s e jogar golfe em Sunningdale. De uma família polonesa nobre e rica de Odessa, Vichinsky fora companheiro de cela de Stalin, com quem dividia os cestos recebidos da família, investimento que pode ter salvado sua vida. Era desagradável com seus subordinados, mas servil com seus superiores. Seus subordinados o consideravam uma “figura sinistra”. Alerta, vigoroso, vaidoso e inteligente, impressionava os ocidentais tanto quanto os assustava com seus maneirismos forenses. Orgulhava-se muito de sua notoriedade: apresentado à princesa Margaret, em Londres, em 1947, sussurrou aos diplomatas que fazia as apresentações: “Por favor, acrescente meu antigo título de procurador nos processos de Moscou”.

As acusações deixaram sérias dúvidas entre muitos dos jornalistas, exacerbadas pelas asneiras cômicas do NKVD: a corte ouviu como Sedov, filho de Trotsky, ordenou os assassinatos em uma reunião no hotel Bristol, na Dinamarca, mas descobriu-se que esse hotel fora demolido em 1917...

Consta que Stalin teria gritado: “Para que diabos vocês precisam de hotel? Deveria ter dito estação ferroviária. A estação está sempre lá”.

Esse espetáculo teve um elenco maior do que as pessoas que estavam no palco, porque outras pessoas foram cuidadosamente implicadas, abrindo a perspectiva de outros famosos “terroristas” aparecerem em julgamentos posteriores. Os réus implicaram comandantes militares e outros, como Bukharin, Rikov e Tomski, e Wichisnky anunciou que iria instaurar processos contra esses nomes famosos.

Em 22 de agosto, apenas três depois de iniciado esse processo, Stalin recebeu o seguinte telegrama de Lazar Kaganóvitch, um dos poderosos do círculo de Stalin: “Esta manhã Tomski se suicidou com um tiro. Deixou uma carta para você em que tenta provar sua inocência (...) Não temos dúvidas de que Tomski, sabendo que agora não é mais possível esconder seu lugar no bando Zinoviev-trostkista, decidiu dissimular com o suicídio”.

Os porta-vozes de Stalin criaram uma abominação pública contra os “terroristas”. Nikita Kruschev (que em fevereiro de 1956, no XX Congresso do PCUS, iria denunciar os crimes de Stalin), partidário raivoso dos processos e dos fuzilamentos, chegou uma noite ao Comitê Central e encontrou Kaganovitch e Sergo (apelido de Grigori Konstantinovitch Ordjonikidze) induzindo o poeta Demian Bedny a produzir um poema curto e aterrorizante para o Pravda. Esse poema, publicado no dia seguinte, bradava: “Esmagar as criaturas repugnantes! Os cães raivosos devem ser fuzilados!”

No tribunal, Andrei Vichinsky encerrou a acusação: “Esses cães raivosos do capitalismo tentaram rasgar de membro a membro o melhor de nossa terra soviética, o camarada Kirov. Exijo que esses cães raivosos sejam fuzilados. Todos eles!”. Os cães fizeram então seus apelos patéticos e confissões. Mesmo mais de 70 anos depois, são trágicos de ler. Kamenev terminou sua confissão mas depois se ergueu de novo para apelar por seus filhos, aos quais não tinha outro meio de se dirigir: “Qualquer que seja a minha sentença, considero-a de antemão justa. Não olhem para trás! Vão em frente! Sigam Stalin!”.

Os juizes se retiraram para decidir sobre seu veredicto já decidido, retornando para sentenciar todos à morte, diante do que um réu gritou: “Viva a causa de Marx, Engels, Lênin e Stalin!”

De volta à prisão, os “terroristas” apavorados apelaram por clemência, lembrando a promessa de Stalin de poupá-los. Enquanto Zinoviev e Kamenev aguardavam em suas celas, Stalin recebeu em sua ensolarada casa de campo um telegrama de Kaganovitch, Sergo e Iejov (*), informando-o de que o apelo dos acusados fora recebido e que “o Politburo propôs rejeitar os pedidos e executar o veredicto hoje à noite”. Stalin não respondeu, talvez cônscio de que o fuzilamento de dois camaradas mais próximos de Lenin marcava um passo gigantesco no sentido de sua próxima aposta colossal: um intenso reino de terror contra o próprio partido e contra os chefes do Exército, uma carnificina que sacrificaria até seus amigos e familiares.


O texto acima é um resumo das páginas 223 a 227 do livro “Stalin, a Corte do Czar Vermelho”, de Simon Sebag Montefiore, editora Companhia das Letras, 2003.

(*) Nkolaï Ivanovitch Iejov, chefe do NKVD de 25 de setembro de 1936 até 24 de novembro de 1938, um dos principais executores das purgas decididas por Stalin. Fuzilado por ordem de Stalin e Lavrenti Beria – que o sucedeu na chefia do NKVD – em 2 de fevereiro de 1940.


Publicado originalmente no site MídiaSemMáscara.org

sábado, 27 de setembro de 2008

Lênin e a PaTota

Do blog LOST IN THE E-JUNGLE

Deixe-me dizer, para começar o o post, quais são as fases de controle da KGB:

Desmoralização. No sentido de minar a "moral". A idéia é que ao criar confusão sobre o que é certo e o que é errado as pessoas aceitarão quaisquer ações imorais como corretas - e, muitas vezes, tomarão ações morais como o oposto. Esse é um processo demorado, toma de 15 a 20 anos para ser implementado. Não é interessante notar que dos anos 60 para cá é exatamente isso que vêm acontecendo em nosso país? Especialmente nos últimos 20 anos há inversões de valores intrínsecos, perpetrados essencialmente pelos intelectuais e a mídia. Na semana passada mesmo vi a notícia de que os 9 integrandes do "braço armado" do PCC tinham sido liberados pelo STJ. Ora, uma organização criminosa, cujos chefes os comandam das prisões, é - por definição - armada! Não há "braço armado". É a típica inversão: Se há um "braço armado" então o outro "braço" está apenas fazendo uma reinvidicação "justa". Entendeu?

A demoralização acontece através da educação. Também pela educação formal (vide notícias sobre cartilhas do MEC exaltando o comunismo e o socialismo, no ano passado), onde crianças e jovens são doutrinados. Conheço alguns cabeças-ocas que acreditam mesmo que Che Guevara foi um "herói" da revolução cubana. Que acreditam que Cuba é o equivalente ao Éden. Não surpreende então que a popularidade de Lula chegue aos 63%, como anunciado recentemente (apesar disso... notem que isso foi um anúncio da 
Data Folha para o jornal Folha de São Paulo. Ninguém me convence que essas alegações não sejam falsas!).

Recentemetne tivemos o episódio do "
Plenarinho", onde um site supostamente dedicado às crianças publicou um artigo - com a pretensão de ser uma "reportagem" - dizendo claramente que o não há nada errado com o comunismo e com ditaduras e ideologias socialistas. Alguém ai se lembra de Hitler e o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães?

Desestabilização - É a fase 2. Por desestabilização devemos entender, principalmente, a econômica e da defesa nacionais. Os menos atentos poderiam apontar diretamente para o governo militar, a partir do início dos anos 60. De fato tivemos inflação alta e um bocado de problemas econômicos no passado, mas não se esqueçam do contexto histórico: No final dos anos 30 uma grande depressão econômica caiu sob o mundo - não apenas nos EUA e a incompetência administrativa dos militares contribuiu um bocado. Militares são bons em defesa, administrar um país não é a praia deles. Mesmo assim, fizeram um grande trabalho. Não é sarcasmo: Eles deram a oportunidade do pais crescer, industrialmente. A CVRD, as siderúrgicas, as usinas hidro-elétricas e boa parte das estradas foram investimentos durante o governo militar.

A desestabilização ainda está por vir... Afinal, onde estão os investimentos? As nossas estradas encontram-se jogadas às moscas, os portos também (e o governo diz que vai investir 3 bilhões - mesmo que isso não chegue nem perto de ser um investimento, como afirmam os especialistas, segundo notícias dos telejornais). Há muita propaganda sobre o tesouro agrícola, que supostamente está sendo explorado a contento, mas o que não se divulga é que o menos beneficiado é o produtor - que é refém da política de empréstimos cedidos pelo governo nas entre-safras). Ok, os empréstimos são boa idéia, desde que acompanhada de uma margem de lucro mais decente para esses mesmos produtores (que ultrapassa pouco mais de 2%. Pense bem: A cada R$ 100,00 o produtor ganha R$ 2,00. Qual é o incentivo para 
manter a produção ou aumentá-la?).

Crise - O que nos leva a crise... Em poucos anos teremos uma crise, tanto econômica, educacional e política nas mãos. A crise educacional já começou. Parafraseando o atual presidente, "Nunca, na história desse país, a desinformação, as opiniões de segunda mão baseadas naquilo que a Fátima Bernardes diz no Jornal Nacional, em resumo, a idiotice, foi tão celebrada". A crise política também está ai, quem ainda não notou? Só nos falta a crise econômica e algumas outras. Infelizmente esse é o processo mais rápido do que os outros. Em algumas semanas tudo pode, de repente, desmoronar.

Normalização - O próprio termo da fase 4 é contraditório... Depois da crise bem a "normalização"... onde tudo volta ao "normal", pelo menos do ponto de vista do revolucionário de esquerda. O normal é uma ditaduta instaurada com base em que a um "salvador da pátria" é dado o poder supremo e que este abrirá mão com prazer depois que a crise passar (Lembra alguma coisa? O senador Palpatine (pros menos atentos à cultura popular: Senador Palpatine é o lord Sith que assumiu o controle da antiga república e a transformou no Império intergalático, em Guerra nas Estrelas. Tá certo, foi uma tentativa de brincadeira de minha parte!)? Ou talvez um certo chanceller alemão? Quem sabe outros "líderes" russos ou cubanos?).

Alguns podem achar que estou sendo um tanto radical. Outros, podem me chamar de maluco à vontade, mas as evidências estão a meu favor. Esse alerta sobre a maneira Lêninista-Marxista
 com que o governo do PT age não é novidade e nem mesmo causa mais alguma comoção. Como alguns acreditam (eu, inclusive!) o panorama sócio-político desse país não tem mais jeito. Mas isso não impede - AINDA - de que eu e outros esperneemos e nos contorçamos na tentativa de abrir os olhos de outros.

Quando a merda for lançada ao ventilador, só não nos digam que não avisamos....

segunda-feira, 28 de abril de 2008

A doutrina da mentira

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Claudio Téllez em 14 de junho de 2004

Resumo: A perda de referenciais de moralidade através da propagação de uma idéia confusa de bem e de mal e o abandono do senso crítico por parte das sociedades embotadas com a propaganda esquerdista, constituem o terreno fértil no qual a desinformação se desenvolve.

© 2004 MidiaSemMascara.org

Após a leitura de livros como (SHULTZ; GODSON, 1987), (BITTMAN, 1987) ou (GOLYTSIN, 1983), podemos ser levados a pensar que o uso da desinformação como elemento estratégico em política internacional é um fenômeno pontual que ocorreu em determinadas épocas e lugares, motivado por fatores extrínsecos ou pelo reconhecimento de conveniências e oportunidades. Entretanto, a motivação para o uso da desinformação reside em fatores intrínsecos à doutrina marxista.

Para Karl Marx, a compreensão da realidade tem que levar à sua superação, já que as realidades históricas não passam de construções humanas que visam perpetuar uma relação de dominação de uma classe (burguesia) sobre a outra (proletariado). Partindo do pressuposto de que tudo é construção e nada é natural, a teoria marxista ataca criticamente a realidade ao mesmo tempo em que se coloca numa confortável posição de imunidade às críticas que possam ser formuladas a respeito dela (OLIVA, 2001).

Já o Marxismo-Leninismo, ou Marxismo Soviético, baseou-se nos trabalhos filosóficos de Marx. Entretanto, enfatizava o caráter revolucionário e transformador do Marxismo e abordava de outro modo o movimento comunista, por exemplo através da análise do imperialismo (LENIN, 1985), da possibilidade de termos revoluções em países não-industrializados, da participação dos camponeses nas ações revolucionárias e da organização do Partido Comunista como vanguarda da classe proletária.

Lênin foi o fundador do Partido Comunista da União Soviética. Ele estudou o Marxismo e o incorporou ao seu momento histórico, mantendo-se sempre fiel ao pressuposto de que as realidades históricas não passam de construções para manter a dominação de uma classe sobre a outra.

Para Lênin, a desinformação era mais do que uma tática militar de informação falseada, era um verdadeiro instrumento para a eficácia da engenharia social e política. Ele defendia que os comunistas deviam estar preparados para utilizarem as “armas envenenadas” da mentira e da calúnia. A difamação sistemática dos adversários políticos e o recurso a estratégias e ardis para a ocultação da verdade eram não somente válidos, mas essenciais para o sucesso revolucionário (LENIN, 1975).

Vários pensadores ocidentais entraram em desacordo com o materialismo histórico determinista e constituíram o que conhecemos por Marxismo Ocidental (MERQUIOR, 1987). Trata-se de um corpo de idéias, intervenções teóricas e análises históricas que denotam o pensamento marxista não-soviético. O Marxismo Ocidental abarca autores como Lukács, Althusser, Walter Benjamin, Jean-Paul Sartre, Antonio Gramsci, os representantes da Escola de Frankfurt e outros. Esses autores trabalham com a cultura e com as idéias, acreditando que a revolução está fadada ao fracasso se os aspectos culturais das sociedades não forem levados em consideração.

Dentre os marxistas ocidentais, podemos destacar Antonio Gramsci (1891 - 1937). Ele percebeu que a revolução feita de “cima para baixo” não conseguiria alcançar a superestrutura das sociedades, portanto a ênfase não deveria ser na violência revolucionária, mas na penetração ideológica, na manipulação das mentalidades através dos meios informativos e nas expressões artísticas e culturais. A difusão bem sucedida da ideologia socialista deveria partir da conquista do cultural.

Atualmente, constatamos um forte tendencionismo de cunho marxista nos meios informativos e um verdadeiro imperialismo ideológico de esquerda nos centros acadêmicos, onde verifica-se um intenso patrulhamento contra aqueles que não rezam a cartilha da hegemonia intelectual do “politicamente correto”.

A perda de referenciais de moralidade através da propagação de uma idéia confusa de bem e de mal e o abandono do senso crítico por parte das sociedades embotadas com a propaganda esquerdista (baseada em um arcabouço teórico que nega toda a possibilidade de conhecermos a realidade) constituem o terreno fértil no qual a desinformação se desenvolve e se reproduz com quase total liberdade de ação. É assim que a doutrina da mentira é engolida pelas multidões, que aplaudem satisfeitas enquanto chafurdam no engano socialista.

Desde as origens com Marx, passando pelo Marxismo-Leninismo revolucionário e culminando com os marxistas ocidentais e teóricos críticos do século XX, as técnicas de propaganda velada, de manipulação de idéias e de influência da opinião pública têm estado presentes nas diretrizes socialistas. Sabemos que a desinformação foi utilizada sistematicamente pelos soviéticos durante o período da Guerra Fria (1945 – 1989), mas essa prática tem um embasamento doutrinário substancial que não podemos ignorar.

Referências:

BITTMAN, Ladislav. El KGB y la desinformación soviética: panorámica desde el interior. Barcelona: Juventud, 1987. 332 p.

GOLITSYN, Anatoliy. New lies for old: the communist strategy of deception and disinformation. New York: Dood, Mead & Co., 1983. 412 p.

LENIN, Vladimir Ilyich. Que fazer? Problemas candentes do nosso movimento. Lisboa: Estampa, 1975. 261 p. (Biblioteca do Socialismo Científico)

LENIN, Vladimir Ilyich. O imperialismo: fase superior do capitalismo. 3a. ed. São Paulo: Global, 1985. 127 p. (Coleção Bases, 23)

MERQUIOR, José Guilherme. O marxismo ocidental. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987. 323 p.

OLIVA, Alberto. À espera da ciência: um mundo de fatos pré-interpretados. Episteme, Porto Alegre, n. 13, p. 17 – 43, jul./dez. 2001.

SHULTZ, Richard; GODSON, Roy. Desinformação: medidas ativas na estratégia soviética. Rio de Janeiro: Nordica, 1987. 188 p.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Monstros

Do portal MOVIMENTO ENDIREITAR
Escrito por Olavo de Carvalho em 28 de fevereiro de 2008

Para os comunistas e seus bajuladores, a morte de uns 400 terroristas, durante o regime militar brasileiro, foi algo de incomparavelmente mais grave, mais revoltante, mais intolerável do que a matança de 75 milhões de civis chineses pela ditadura de Mao Dzedong, de 20 milhões de russos pelo governo soviético ou de 3 milhões de cambojanos pela quadrilha de Pol-Pot. Claro, os comunistas são diferentes de nós. Segundo Che Guevara, são "o primeiro escalão da espécie humana". Se você mata um deles, mesmo em defesa própria, é crime hediondo. Se ele mata 100 mil de nós, desarmados e amarrados, torna-se um herói, que é como o senhor Mino Carta define Fidel Castro.

Protestando contra a comparação quantitativa entre a ditadura brasileira e a cubana, que o colunista Reinaldo Azevedo faz na última Veja, Gerald Thomas vocifera seu sacrossanto horror à contagem de cadáveres e em seguida se põe a contá-los por sua vez, acusando os militares brasileiros pela "perda da vida de milhares, digo, milhares de vidas inocentes". Primeiro, não eram inocentes: eram guerrilheiros armados, que só começaram a morrer depois de estourar com bombas dezenas de civis (estes sim, inocentes). Segundo: não foram milhares, foram quatro centenas na mais hiperbólica das hipóteses, jamais submetida a revisão crítica. Para Gerald Thomas, números são um expediente retórico desonesto quando verdadeiros: só os falsos são argumentos honrados.

Sinceramente, já estou velho demais para continuar fingindo que indivíduos capazes de julgar seus semelhantes com um critério tão desproporcional, tão disforme, tão manifestamente iníquo, sejam pessoas normais e decentes com quem eu não tenha senão divergências filosóficas. Esses sujeitos são doentes, são sociopatas perigosos, incapazes de olhar para os discordantes sem antever, com sádica alegria, o cadáver do "inimigo de classe" girando no espeto como um frango no forno da História.

Eis alguns - só alguns - dos objetivos proclamados abertamente pelos líderes e mentores comunistas:

1. Karl Marx: extermínio de classes sociais inteiras e de uns quantos "povos inferiores" (sic).

2. V. I. Lênin: terrorismo sistemático como fórmula de governo.

3. Leon Trotsky: militarização completa do trabalho industrial e agrícola. Supressão da liberdade de escolher emprego.

4. Stálin: "Morte aos pequenos proprietários rurais. Ódio e desprezo aos que os defendem" (sic).

5. Che Guevara: Treinar os militantes para que se tornem "eficientes e frias máquinas de matar" (sic).

Notem bem: não são crueldades impremeditadas, sobrevindas no calor da batalha. São intenções declaradas.

Como é possível que alguém em seu juízo perfeito considere o comunismo um belo ideal humanitário, que um acaso infeliz desviou de seus altos propósitos?

Foi só por um desejo insano de enganar-se retroativamente a si próprios que muitos comunistas, depois da morte de Stálin, começaram a espremer seus cérebros para explicar como o regime dos seus sonhos pudera "degenerar" em tanta violência e maldade. Não era degenerescência: era a execução racional e bem sucedida de planos traçados com muita antecedência - desde Marx - e levados à prática com a frieza metódica de uma obra de engenharia.

Fidel Castro, Guevara, Pol-Pot, Lênin, Stálin, Trótski, Marx - quem quer que escreva uma só palavra em favor desses monstros é seu semelhante, distinguindo-se deles em tamanho apenas, não em qualidade. Ainda que por covardia ou falta de ocasião não venha a realizar pessoalmente seus desígnios macabros, não esconde sua admiração por quem os realiza. E depois ainda se faz de horrorizado ante quem cometeu crimes incomparavelmente menores, se é que é crime apelar à violência para deter um genocídio anunciado e já em fase avançada de execução.

Publicado no Jornal do Brasil - 28/02/2008

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

PT, o partido dos ricos

Do portal OLAVO DE CARVALHO
Olavo de Carvalho, Diário do Comércio, 21 de janeiro de 2008

O PT não é um partido ladrão porque abandonou seus altos ideais e se corrompeu ao contato com a maldita direita. Para que a direita o corrompesse seria preciso que ela fosse mais corrupta do que ele, e é só comparar a lista de escândalos dos governos respectivos para ver que o próprio P. C. Farias teria muito a aprender com os Dirceus e Berzoinis. O PT é um partido ladrão porque é um partido revolucionário, filiado a uma tradição de amoralismo maquiavélico que pelo menos desde a Revolução Francesa, com intensidade crescente desde a Primeira Internacional de 1864 e mais ainda desde a fundação do Partido Socialdemocrata de Lênin, sempre achou que era de seu direito, e até da sua obrigação, financiar a si próprio por meio de assaltos, de seqüestros, de extorsões, de desvio de dinheiro público, bem como de uma infinidade de negócios capitalistas legais e ilegais, cujo volume total faria inveja a seus mais reacionários inimigos burgueses.

Estudem a vida de Lênin e confirmarão o que estou dizendo. O volume do capital que o financiava, sem contar a ajuda de governos estrangeiros, era tal que, se aplicado em atividades produtivas, teria feito dele uma espécie de J. P. Morgan – com o detalhe significativo de que as contribuições de J. P. Morgan engrossavam aquele capital junto com o dinheiro dos assaltos comandados por Stálin. Revoluções custam caro. O revolucionário Parvus, que enriqueceu com mil e um negócios na Turquia, já ensinava em 1914: “A melhor maneira de derrubar o capitalismo é nós mesmos nos tornarmos capitalistas.” Não foi o Lulinha quem descobriu essa fórmula. Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht riram dela e acabaram derrotados. Lênin, o vitorioso, ouviu-a com reverência e gratidão da boca de seu gerente financeiro na Suíça, Jacob Hanecki, a quem depois da Revolução premiaria com o cargo de Comissário do Povo para as Finanças. Leiam Lenin in Zurich , de Alexander Solzhenitsyn (London, Farrar, Straus & Giroux, 1975). A revolução socialista consiste na simples transfiguração de uma elite ativista proprietária de boa parte do capital em senhora absoluta de todo o capital. Sempre foi assim, e com a esquerda nacional não é diferente. O mensalão não foi um pecado temporão cometido por almas santas no último minuto antes da ascensão aos céus. Foi a execução lenta e metódica de planos traçados desde o começo da década de 90 -- contemporâneos à criação do Foro de São Paulo --, já denunciados então por César Benjamin, algo como uma versão “los macaquitos” de Karl Liebknecht, à qual, como a este último, a História e o distinto público deixaram falando sozinha.

Tomem, por exemplo, a forma mais simples e bruta do capital – a posse da terra – e façam a conta de tudo o que a militância organizada, com o auxílio deste governo e dos anteriores, vem amealhando ao longo dos últimos anos. Somem a extensão das propriedades do MST com as reservas indígenas, com os quilombos (ou ditos tais) em vias de desapropriação, com os imóveis estatais e privados já transferidos a ONGs ativistas, com as áreas sob domínio das Farc diretamente ou através de seus prepostos locais – e verão que nunca houve, neste país, um patrimônio imobiliário comparável. Nem incluo aí o patrimônio financeiro – as verbas estatais que jorram sobre as organizações esquerdistas, as participações acionárias em mil e uma empresas, as contribuições internacionais impossíveis de calcular e, last not least , os lucros do narcotráfico. Os ricos não serão destruídos pelos pobres. Serão destruídos pelos mais ricos.

No fundo, o cinismo lulista é até mais respeitável do que o moralismo posado de seus críticos de esquerda, postiço até o desespero, macaqueação tardia do mesmo discurso enganoso que levou o PT às supremas glórias eleitorais. O que o antilulismo de esquerda nos promete, na hipótese viabilíssima de sua ascensão ao poder, são prodígios de ladroagem que farão Dirceu e Berzoini parecerem São Cosme e São Damião. No ato mesmo em que explicam a corrupção petista como traição aos ideais revolucionários, os santarrões do PSOL e do PSTU se desmascaram a si próprios com uma eloqüência quase sublime: Quem pode acreditar em patifes que prometem fazer a revolução marxista sem descumprir em nada os ditames da moral burguesa?

Ademais, por que alardeiam suas denúncias na Rede Globo, na Folha , no Estadão – naquela mesma mídia a que chamam reacionária e imperialista – antes de haver sequer tentado discuti-las discretamente no Foro de São Paulo, a instância máxima do esquerdismo continental? Roupa suja se lava em casa, e quando alguém o faz em público antes de haver nem mesmo tocado no assunto em família, é porque está tramando alguma. Imaginem um soi disant dissidente soviético que, nos anos 60, saísse berrando contra o comunismo na Voz da América ou Rádio Europa Livre, ao mesmo tempo que conservasse seu cargo e suas boas relações no Politburo ou na KGB. É exatamente a mesma coisa. Se a esquerda está dividida entre os corruptos e os honestos, a divisão deveria aparecer primeiro nos seus debates internos – só depois ante os inimigos, se chegasse a tanto. O inverso é prova clara de que se trata de pura encenação, de que por trás a família continua unida e coesa, tramando para ludibriar uma vez mais a multidão dos trouxas. Não há cisão na esquerda: há apenas uma natural divisão de trabalho – uns amealham dinheiro e poder à custa de enfeiar a imagem do esquerdismo, outros embelezam a imagem consentindo devotadamente em adiar o recebimento da sua quota de dinheiro e poder. Sempre foi assim. O movimento revolucionário limpa-se na sua própria sujeira, engorda alimentando-se do seu próprio cocô.

O hábito de salvar o prestígio do esquerdismo no ato mesmo de denunciar os seus crimes já está tão arraigado nas rotinas mentais da classe falante, que aparece até mesmo nos lugares que se julgariam, à primeira vista, os mais inusitados. Falando dos reféns em poder da narcoguerrilha colombiana, escreve a Veja desta semana – sim, Veja , nominalmente o spalla da orquestra antipetista:

“A organização que mantém cerca de oitocentas pessoas em seu poder, conhecida pela sigla Farc, não é formada por guerrilheiros marxistas , como repete a denominação usual (grifo meu). Nem Marx endossaria as barbáries cometidas pelas Farc, que se originaram numa querra civil ocorrida na Colômbia e depois tiveram inspiração esquerdista, mas há muito tempo degeneraram em uma espécie de seita de fanáticos que vive à custa do tráfico de cocaína.”

Desde logo, é falso que Marx não endossaria essas violências e outras piores, de vez que contemplava como exigência normal e desejável do processo revolucionário a extinção sumária de povos inteiros. Em segundo lugar, o narcotráfico das Farc é mixaria perto do que foi feito na China por Mao Dzedong, a quem ninguém jamais acusou de ser infiel às tradições marxistas. Em terceiro lugar, o comércio latino-americano de drogas foi na sua parte mais substantiva uma criação da KGB, que se empenhou nisso desde os anos 50 (v. o depoimento do general tcheco Jan Sejna – um participante direto da operação – em Christopher Story , Red Cocaine. The Drugging of America and the West , London, Edward Harle, 2nd. Ed., 1999). Devemos crer que o governo soviético, Mao Dzedong e o próprio Marx não representam o autêntico espírito do marxismo, cujo único porta-voz autorizado é o redator de Veja ? Este aliás se trai miseravelmente ao dizer que, de esquerdistas genuínos, os militantes das Farc se trasnformaram numa “seita de fanáticos”. Se dissesse que se transformaram em aproveitadores sem fé nenhuma, talvez enganasse melhor. Mas “fanáticos”? Fanáticos do quê? Do espiritismo? Do vegetarianismo? Da Seicho-No-Iê? Fanáticos jogadores de futebol-de-botão? Fanáticos admiradores da Ana Paula Arósio? Fanáticos, por definição, acreditam em alguma coisa, e em que acreditam os homens das Farc, senão no bom e velho marxismo de sempre? Fanáticos marxistas, sim, é o que são, ontem como hoje. Se não o fossem, não seriam aceitos e celebrados como representantes fidedignos do marxismo no templo mesmo da revolução comunista, o Foro de São Paulo. Ou será que Veja tem mais autoridade do que o Foro de São Paulo para julgar a ortodoxia comunista dos outros?

Mais abusadamente ainda, Marcelo Otávio Dantas, no artigo “Messianismo e o credo petista” (Folha de S. Paulo), querendo contrastar o PT corrupto de hoje com o PT puríssimo de outrora, diz que a mentalidade do partido “converteu-se, assim, em um neosabbatianismo radical, alimentado por uma intelectualidade delirante, especializada em justificar o injustificável”. Como se os traços da heresia de Sabbatai Zevi já não estivessem no próprio sangue do movimento revolucionário desde sempre e como se a marca distintiva do PT não tivesse sido, desde a origem, o culto do pecado redentor assumido até mais explicitamente que o dos outros partidos de esquerda então existentes. Nascido de uma aliança entre os comunistas e a esquerda católica, o PT veio imbuído do projeto gramsciano de subverter a Igreja por dentro, esvaziando-a de seu conteúdo espiritual e fazendo dela o instrumento dócil do que pode haver de mais anticristão no mundo, a revolução comunista. Se isso não é uma forma extrema de heresia messiânica, não sei em que outra classificação possa caber. O discurso untuosamente moralista do PT nunca teve nada de sincero, foi sempre, entre os líderes, uma parasitagem maquiavélica do prestígio da Igreja para fins de propaganda e, na arraia miúda dos militantes, uma forma patológica de auto-engano lisonjeiro. Perto disso, o mensalão é apenas um pecadinho de fim de semana. A corrupção financeira do PT não é senão a exteriorização tardia – e mais vistosa, para a mentalidade dinheirista – da podridão interior sem fim que inspirou a criação do partido-seita.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Fortuna em Política

Do site do NIVALDO CORDEIRO
04/01/2008

A obra O PRÍNCIPE, de Maquiavel, é certamente o marco decisivo para a modernidade e se opõe diretamente aos valores não apenas cristãos, mas também àqueles da tradição de Sócrates, Platão e Aristóteles. Esse livro é o manual para novos príncipes que irão surgir desde então, tornando-se o pai de todos os aventureiros políticos e a bíblia daqueles que construíram os partidos de vanguarda. Maquiavel conseguiu transformar todos os vícios e canalhices da política nas virtudes por excelência dos governantes. Tresvalorizou todos os valores muito antes de Nietzsche, filósofo que fechou o ciclo macabro aberto pelo florentino no campo da política.

Não que a canalhice não fosse prática corrente desde tempos imemoriais onde se organizou alguma forma de Estado. É próprio da política a violência, a traição, a rapina. A guerra, diz a expressão consagrada, é a continuação da política por outros meios, e nada há de mais atroz do que a guerra. O que Maquiavel fez foi teorizar a canalhice e dar sustentação filosófica para ela. Não é possível compreender o morticínio perpetrado na modernidade, desde a Revolução Francesa pelo menos, sem que essa filosofia seja devidamente situada na motivação e na justificação da ação dos atores políticos. Que seria de Napoleão sem Maquiavel? E de Lênin? E de Hitler? E de todos os herdeiros gnósticos da modernidade? Marx e Nietzsche são santos perto do que fez Maquiavel.

Estudiosos da obra do florentino não se cansam de exaltar a fria lógica e o cálculo racional que ele emprestou ao estudo da ciência política. E, no entanto, quedam surpreendidos com o elemento mítico com que o autor fecha a obra, ao falar da Fortuna ou, em termos astrológicos, da Roda da Fortuna, a X carta dos Arcanos Maiores do Tarô, que era ao que ele se referia verdadeiramente. A questão colocada é que todos os aventureiros poderiam usar do manual maquiavélico, como aliás têm feito desde sempre. Por que apenas alguns chegam lá, como Lula lá, e outros fracassam redondamente, como Luiz Carlos Prestes? Por que outros são efêmeros, como o nosso Fernando Collor de Mello? [As declarações da ex-esposa Roseane à revista Veja, relatando os sacrifícios de animais no quintal da Casa da Dinda pelas madrugadas quando ele era presidente da República – 3 da manhã é a hora satânica – são fatos ilustrativos de como o elemento irracional demoníaco pode tomar conta das personalidades mais proeminentes. O poder pode literalmente enfeitiçar aqueles que foram por ele fascinados]. Efêmeros como Hitler, este que também era um satanista emérito? E por que outros se mantêm no poder até a morte, como Lênin, Mao e Fidel Castro?

Não basta o manual de canalhice para ser bem sucedido, disso Maquiavel sabia. O símbolo da Roda da Fortuna é encimado por uma figura que é metade anjo e metade demônio. É, a meu ver, uma excelente representação pictórica do poder, que pode ter tanto um lado benéfico como um lado maléfico, dependendo de quem esteja a exercê-lo. Platão e Agostinho criaram a tradição de que deve o governante buscar a Justiça, sendo esse o papel fundamental do poder de Estado, a sua missão por essência. A política, para eles, era a arte de praticar a Justiça. Por isso São Paulo escreveria sobre a fundamentação divina do poder. Do governante esperava-se ao menos a boa intenção.

Maquiavel joga na lata do lixo a investigação das virtudes, despreza a missão de Justiça e recomenda expressamente que os candidatos a novos príncipes sejam mal-intencionados. Que Justiça que nada! Põe ele as armas como o único sustentáculo do poder. Obviamente que isso é um erro, a negação da essência do elemento civilizacional. Maquiavel tem, no entanto, o mérito de reconhecer esse elemento transcendente que condiciona o poder de Estado e a ação dos seus agentes, fato que seus discípulos posteriores negam ou abandonam. Esqueceram-se do principal.

Quanto maior o orgulho, maior será a queda. Ou, dito de outra forma, quanto maior a ambição política, maior a frustração. Hitler terá sido o mais audacioso dos revolucionários, o mais temerário e, no entanto, foi consumido pelas chamas de sua paixão. Queimou numa pira funerária, uma maneira plástica de ser remetido aos infernos. Muitos ditadores seguiram o seu caminho. Permanece a questão de saber porque o governante malvado pode morrer no governo, em pleno exercício do poder totalitário.

Entendo que as coisas do poder não são alheias a Deus. O jovem teólogo Ratzinger, no seu brilhante INTRODUÇÃO AO CRISTIANISMO, escrito quando ainda não tinha as responsabilidades que hoje tem, sugere haver um elemento irreconciliável entre o reino desse mundo e as coisas de Deus. Por isso o Deus de Abraão não tinha território, vivia em tendas, uma maneira bastante didática de dizer que não era um Deus estatal, não era um concorrente de Baal e Moloch. É aquele que é, o Deus vivo. Da mesma forma, Cristo rejeita peremptoriamente a terceira tentação que lhe fez o Demônio e disse a quem queria ouvir que seu reino não era o desse mundo.

Penso que a contribuição do homem virtuoso à política é se manter virtuoso quando do exercício da política. Ao contrário do que pensava Maquiavel, isso não implica em fraqueza ou tibieza. A virtude pode ser varonil, viril, como bem o demonstra Voegelin no seu A NOVA CIÊNCIA DA POLÍTICA. O governante virtuoso pratica o bem por escolha, mas sempre poderá usar mão da força para combater os oponentes movidos pela ambição das trevas. E esse uso da força é santificado, caracteriza o bom combate.

Os tempos de hoje conhecem os piores governantes simplesmente porque as idéias de Maquiavel (e de Marx, Hegel, Lênin, Gramsci. Nietzsche e tutti quantti) governam gente do seu próprio nível moral. A Europa da primeira metade do século XX já não era mais cristã, era atéia, como agora o é mais ainda. A força do Islã no território europeu é o espelho de sua fraqueza espiritual. O que dizer de nosso Brasil de Lula Lá? Collor, sacrificando animais no quintal à terceira hora da madrugada, é bem o emblema de um povo que cultua o Maligno alegremente. Um povo assim merece os seus governantes. Com propriedade poderíamos repetir aqui, com Cristo, que essa gente é palha que deve ser queimada no fogo inextinguível. Vivemos o tempo do Estado Total e tudo pode acontecer.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

A teoria marxista da revolução proletária: uma utopia

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Carlos I.S. Azambuja em 21 de dezembro de 2007

Resumo: O tal partido revolucionário do proletariado expropriou o proletariado do poder político, a burocracia apropriou-se do partido revolucionário e dos meios de produção e impediu qualquer progresso no sentido do dito socialismo.

© 2007 MidiaSemMascara.org

“Em princípio não renunciaremos nunca e nem podemos renunciar ao terror. O terror é uma das formas de ação militar que pode ser útil e até indipensável em um determinado momento do combate, ante determinado estado das tropas e determinadas circunstâncias”.

(Lenin, “Por onde Começar?”, maio de 1901)

Este é um tema complexo, que pode ser abordado de várias maneiras. Eis uma síntese das idéias que se combinam na teoria marxista da revolução proletária

Inicialmente, a de que o caráter opressor da sociedade capitalista, assentada, segundo Marx, em uma economia baseada na exploração do homem pelo homem, sujeita a crises cíclicas e com tendência ao declínio. Uma economia que não pode ser reformada e que deve ser suprimida.

Em segundo lugar, a definição de que a luta de classes é o motor da História, pois a Historia, desde os primórdios da civilização, nada mais tem sido do que o relato da luta de classes; que o sujeito revolucionário fundamental, o proletariado, jamais obterá uma melhoria global e definitiva em suas condições de vida e trabalho a não ser pela supressão do capitalismo. Pelos seus interesses históricos objetivos e pela sua força social, a classe operária foi definida por Marx como o sujeito revolucionário fundamental, capaz de emancipar-se e a toda a humanidade.

Outro aspecto da teoria marxista revolucionária é o que se refere ao Estado da sociedade capitalista, que Marx definiu como um aparato de dominação a serviço da burguesia, que não pode ser reformado, transformado ou utilizado pelo proletariado. Tem que ser destruído pela revolução proletária, que construirá outros organismos – administração pública, órgãos policiais, Forças Armadas e aparelhos ideológicos do Estado – que permitirão o exercício do poder pelos trabalhadores e conduzirão à passagem do capitalismo ao socialismo. Esse novo Estado foi definido por Marx como “ditadura revolucionária do proletariado”, do mesmo modo que no capitalismo o Estado é uma “ditadura da burguesia”.

Outra questão central na teoria marxista da revolução proletária é a necessidade da construção de um partido revolucionário que introduza, desde fora, no proletariado, a consciência de classe, pois, sozinho, ele é incapaz de adquirir essa consciência.

Posteriormente, a obra de Lênin implementou, de forma decisiva, a teoria marxista do Estado e do partido.

Finalmente, temos a concepção de Marx do que seria a sociedade comunista: uma sociedade sem classes, sem Estado, sem divisão social do trabalho, onde este deixaria de ser um meio de ganhar a vida para tornar-se uma fonte de realização dos indivíduos.

A teoria marxista da revolução proletária define, assim, como necessidade objetiva a supressão da sociedade capitalista, a ser realizada por uma revolução proletária, dirigida por um partido revolucionário, que daria origem a um Estado de novo tipo e iniciaria a construção da sociedade socialista, preâmbulo da sociedade comunista.

Após mais de 150 anos do Manifesto Comunista, esse projeto não se tornou viável nos países capitalistas. Pelo contrário, o comunismo ruiu onde quer que tenha sido implantado pela força das armas, restando Cuba para demonstrar o que, segundo a doutrina marxista, não é o comunismo. E mais: nos países capitalistas o modo de produção não marxista foi sedimentado e a classe operária – apontada como sujeito revolucionário fundamental – obteve sensíveis e constantes melhorias em suas condições de vida e trabalho, está organizada em sindicatos e nunca teve perspectivas revolucionárias, apesar da insistência do partido da classe operária e de seus militantes de classe média predominantemente urbana.

Todavia, o fato mais inquietante e questionador das idéias de Marx e seus epígonos é o de que, onde quer que o capitalismo tenha sido momentaneamente suprimido – sempre pela força das armas e não pela força dos argumentos da doutrina – não se seguiu o regime de democracia operária imaginado por Marx e nem, pelo menos, um processo de construção do socialismo que tenha avançado em direção a ele. O tal partido revolucionário do proletariado expropriou o proletariado do poder político, a burocracia apropriou-se do partido revolucionário e dos meios de produção e impediu qualquer progresso no sentido do dito socialismo. Em lugar da liberdade e da fonte de realização dos indivíduos, foram erigidos os gulags e os hospitais psiquiátricos.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".