Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

KATYN - MASSACRE COMUNISTA NA POLÔNIA

As legendas estão um pouco ruins, faltam as letras com acentos mas dá para se ter uma idéia adequada do flagelo que é o NACIONAL SOCIALISMO de Hitler e o pai do regime alemão, o COMUNISMO daquela que viria a se chamar URSS.

Acordem brasileiros, é isto que os aguarda.




Veja abaixo mais alguma coisa sobre o assunto...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

URSS, a mãe do nazismo


Diário do Comércio, 11 de dezembro de 2008

Se você acha que comunistas, socialistas e marxistas acadêmicos são pessoas normais e respeitáveis, com as quais é possível um "diálogo democrático", por favor vá ao site http://www.sovietstory.com/about-the-film, ou diretamente a http://www.youtube.com/watch?v=xqGkj-6iF2I&feature=PlayList&p=26731056B15AF3E1&index=0&playnext=1 e veja o filme The Soviet Story, que o cientista político Edvins Snore escreveu e dirigiu baseado em documentos recém-desencavados dos arquivos soviéticos. Eis algumas coisinhas que você pode aprender com ele: 1. Toda a tecnologia genocida dos campos de concentração foi inventada pelos soviéticos. Os nazistas enviaram comissões a Moscou para estudá-la e copiar o modelo. 2. O governo da URSS assinou com os nazistas um tratado para o extermínio dos judeus e cumpriu sua parte no acordo, entre outras coisas enviando de volta à Gestapo os judeus que, iludidos pelas promessas do paraíso comunista, buscavam asilo no território soviético. 3. A ajuda soviética à máquina de guerra nazista foi muito maior do que se imaginava até agora. O nazismo jamais teria crescido às proporções de uma ameaça internacional sem as armas, a assistência técnica, os alimentos e o dinheiro que a URSS enviou a Hitler desde muito antes do Pacto Ribbentrop-Molotov de 1939. 4. Altos funcionários do governo soviético defendiam – e os remanescentes defendem ainda – a tese de que fortalecer o nazismo foi uma medida justa e necessária adotada por Stálin para combater o "fascismo judeu" (sic). 5. Nada disso foi um desvio acidental de idéias inocentes, mas a aplicação exata e rigorosa das doutrinas de Marx e Lenin que advogavam o genocídio como prática indispensável à vitória do socialismo.


Todo militante ou simpatizante comunista é cúmplice moral de genocídio, tem as mãos tão sujas quanto as de qualquer nazista, deve ser denunciado em público e excluído da convivência com pessoas decentes. A alegação de ignorância, com que ainda podem tentar se eximir de culpas, é tão aceitável da parte deles quanto o foi da parte dos réus de Nuremberg. É uma vergonha para a humanidade inteira que crimes desse porte não tenham jamais sido julgados, que seus perpetradores continuem posando no cenário internacional como honrados defensores dos direitos humanos, que partidos comunistas continuem atuando livremente, que as idéias marxistas continuem sendo ensinadas como tesouros do pensamento mundial e não como as aberrações psicóticas que indiscutivelmente são. É uma vergonha que intelectuais, empresários e políticos liberais, conservadores, protestantes, católicos e judeus vivam aos afagos com essa gente, às vezes até rebaixando-se ao ponto de fazer contribuições em dinheiro para suas organizações.


Seguem abaixo algumas considerações sobre esse fenômeno deprimente. A convenção vigente nas nações democráticas trata os porta-vozes das várias posições políticas como se fossem pessoas igualmente dignas e capacitadas, separadas tão-somente pelo conteúdo das suas respectivas convicções e propostas. Confiantes nessa norma de polidez e aceitando-a como tradução da realidade, os conservadores, liberais clássicos, social-democratas e similares caem no erro medonho de tentar um confronto com os revolucionários no campo do diálogo racional.


Todos os seus esforços persuasivos dirigem-se, então, no sentido de tentar modificar o "conteúdo" das crenças do interlocutor, mostrando-lhe, por exemplo, que o capitalismo é mais eficiente do que o socialismo, que a economia de mercado é indispensável à manutenção das liberdades individuais, ou mesmo entrando com eles em discussões morais e teológicas mais complexas. Tudo isso não apenas é uma formidável perda de tempo, mas é mesmo um empreendimento perigoso, que coloca o defensor da democracia numa posição extremamente fragilizada e vulnerável. A discussão democrática racional não somente é inviável com indivíduos afetados de mentalidade revolucionária, mas expõe o democrata a uma luta desigual, desonesta, impossível de vencer. O debate com a mentalidade revolucionária é o equivalente retórico da guerra assimétrica.


Trinta anos de estudos sobre a mentalidade revolucionária convenceram-me de que ela não é a adesão a este ou àquele corpo de convicções e propostas concretas, mas a aquisição de certos cacoetes lógico-formais incapacitantes que acabam por tornar impossível, para o indivíduo deles afetado, a percepção de certos setores básicos da experiência humana. A mentalidade revolucionária não é um conjunto de crenças, é um sistema de incapacidades adquiridas, que começam com um escotoma intelectual e culminam numa insensibilidade moral criminosa. É uma doença mental no sentido mais estrito e clínico do termo, correspondente àquilo que o psiquiatra Paul Sérieux descrevia como delírio de interpretação.


Numa discussão com o homem normal, o revolucionário está protegido pela sua própria incapacidade de compreendê-lo. Os antigos retóricos consideravam que o gênero mais difícil de discurso, chamado por isso mesmo genus admirabile, é aquele que se dirige ao interlocutor incapaz. Os melhores argumentos só podem funcionar ante a platéia que os compreenda; eles não têm o dom mágico de infundir capacidade no auditório, nem de curá-lo de um handicap adquirido.


Os sintomas mais graves e constantes da mentalidade revolucionária são, como já expliquei, a inversão do sentido do tempo (o futuro hipotético tomado como garantia da realidade presente), a inversão de sujeito e objeto (camuflar o agente, atribuindo a ação a quem a padece) e a inversão da responsabilidade moral (vivenciar os crimes e crueldades do movimento revolucionário como expressões máximas da virtude e da santidade). Esses traços permanecem constantes na mentalidade revolucionária ao longo de todas as mutações do conteúdo político do seu discurso, e é claro que qualquer alma humana na qual eles tenham se instalado como condutas cognitivas permanentes está gravemente enferma.


Tratá-la como se estivesse normal, admitindo a legitimidade da sua atitude e rejeitando tão-somente este ou aquele conteúdo das suas idéias, é conformar-se em representar um papel numa farsa psicótica da qual os dados da realidade estão excluídos a priori, já não constituindo uma autoridade a que se possa apelar no curso do debate.


Revolucionários são doentes mentais. Os exemplos de sua incapacidade para lidar com a realidade como pessoas maduras e normais são tantos e tão gigantescos que seu mostruário não tem mais fim. Cito um dentre milhares. O sentimento de estar constantemente exposto à violência e à perseguição por parte da "direita" é um dos elementos mais fortes que compõem a auto-imagem e o senso de unidade da militância esquerdista. No entanto, se somarmos todos os ataques sofridos pelos esquerdistas desde a "direita", eles são em número irrisório comparados aos que os esquerdistas sofreram dos regimes e governos que eles próprios criaram. Ninguém no mundo perseguiu, prendeu, torturou e matou tantos comunistas quanto Lenin, Stálin, Mao Tsé Tung, Pol Pot e Fidel Castro. A militância esquerdista sente-se permanentemente cercada de perigos, e nunca, nunca percebe que eles vêm dela própria e não de seus supostos "inimigos de classe". Esse traço é tão evidentemente paranóico que só ele, isolado, já bastaria para mostrar a inviabilidade do debate racional com essas pessoas.


O que separa o democrata do revolucionário não são crenças políticas. É um abismo intransponível, como aquele que isola num mundo à parte o psicótico clinicamente diagnosticado. O que pode nos manter na ilusão de que essas pessoas são normais é aquilo que assinalava o Dr. Paul Serieux: ao contrário dos demais quadros psicóticos, o delírio de interpretação não inclui distúrbios sensoriais. O revolucionário não vê coisas. Ao contrário, sua imaginação é empobrecida e amputada da realidade por um conjunto de esquemas ideais defensivos.


A mentalidade revolucionária é uma incapacidade adquirida, é uma privação de autoconsciência e de percepção. Por isso mesmo, é inútil discutir o "conteúdo" das idéias revolucionárias. Elas estão erradas na própria base perceptiva que as origina. Discutir com esse tipo de doente é reforçar a ilusão psicótica de que ele é normal. Uma doença mental não pode ser curada por um "ataque lógico" aos delírios que a manifestam. Se o debate político nas democracias sempre acaba mais cedo ou mais tarde favorecendo as correntes revolucionárias é porque estas estão imunizadas por uma incapacidade estrutural de perceber a realidade e entram no ringue com a força inexorável de uma paixão cega. E não se pode confundir nem mesmo este fenômeno com o do simples fanatismo. Fanatismo é apenas apego exagerado a idéias que em si mesmas podem ser bastante razoáveis. Em geral, mesmo o mais louco dos revolucionários não é um fanático. É um sujeito que expressa com total serenidade os sintomas da sua deformidade, dando a impressão de normalidade e equilíbrio justamente quando está mais possuído pelo delírio psicótico.


Na peça de Pirandello, Henrique IV, um milionário louco se convence de que é o rei Henrique IV e força todos os seus empregados a vestir-se como membros da corte. No fim eles já não têm mais certeza de que são eles mesmos ou membros da corte de Henrique IV. É este o perigo a que os democratas se expõem quando aceitam discutir respeitosamente as idéias do revolucionário, em vez de denunciar a farsa estrutural da própria situação de debate. A loucura espalha-se como um vírus de computador. A maioria dos democratas que conheço é inteiramente indefesa em face da prepotência psicológica do discurso revolucionário. Daí a hesitação, a pusilanimidade, a debilidade crônica de suas respostas ao desafio revolucionário. Uma doença mental não pode ser "respeitada", aliás nem "desrespeitada". O respeito ou o desrespeito supõem um fundo de convivência normal, que justamente o delírio revolucionário torna impossível.


P. S. Sheila Figlarz, editora do jornal Visão Judaica, avisa que finalmente a devotada estudiosa Sonia Bloomfield terminou seu trabalho de traduzir para o português a página do Memorial do Holocausto. A versão já está no ar em 

http://www.ushmm.org/museum/exhibit/focus/portuguese/.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Jeffrey Nyquist estréia (20 de janeiro de 2004) no Mídia Sem Máscara

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Jeffrey Nyquist em 20 de janeiro de 2004

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Resumo: A partir desta semana, o MSM publicará toda terça-feira os artigos do analista político Jeffrey Nyquist. Um dos poucos a alertar sobre a ingenuidade americana e ocidental em geral a respeito da calculada extinção da União Soviética e do "fim do comunismo", Nyquist atua de forma independente, isenta e, por isso mesmo, altamente precisa a respeito da realidade geopolítica e suas conseqüências.

© 2004 MidiaSemMascara.org

Há uma nota de rodapé curiosa sobre a Guerra Fria que merece ser mencionada. A derrota do comunismo soviético em 1989-1991 não foi uma derrota total. Foi mais como um recuo tático que veio torto, e não completamente torto. No Ocidente, sentiram-se bem para reivindicar a vitória sobre algo tão sinistro quanto o comunismo, com suas cem milhões de vítimas, sua sustentação para o terrorismo global, subversão e revolução. Mas qualquer vitória sobre as idéias marxistas, sobre uma mentalidade que vive em milhões de povos do mundo inteiro, deve estar equivocada. Aqueles que dizem que o comunismo internacional morreu, aqueles que imaginam que o descontentamento interno foi posto para dormir, estão se iludindo. Homens não desistem de sua religião assim de repente, e o comunismo é uma religião. Somente foi transformado em sua aparência exterior. Sua imagem tem sido moderada na Rússia, na Alemanha e no Brasil. O fato é, o bloco comunista está revivendo neste exato momento. Ainda existe e coordena uma política negativa no mundo inteiro. Semana passada o Kremlin anunciou a aceleração de seus laços nucleares com o Irã. A Rússia está armando a China, sua nova e velha aliada. Um grupo exclusivo da KGB, conduzido pelo presidente Vladimir Putin, governa a Rússia. Ao mesmo tempo, figuras obscuras –- e até comunistas escancarados –- estão governando países como Polônia, Hungria e a República Tcheca. O pró-capitalista aqui e um “social-democrata” ali, sob um exame mais minucioso, estão freqüentemente ligados a estruturas comunistas escondidas.

Em minhas discussões com ativistas poloneses e tchecos, a evidência sobre a construção de movimentos de oposição controlados por Moscou na Europa Oriental é irrefutável. Minhas fontes tchecas têm a evidência documental, incluindo instruções secretas para recrutar redes de agentes em 1988 para um porvir de liberdade “administrada”. Estas instruções esboçaram métodos para infiltração, sabotagem, manipulação, e cooptação de organizações anticomunistas, incluindo jornais e partidos políticos. Há também uma referência a uma misteriosa diretoria dentro da KGB encarregada com a coordenação e supervisão da democracia controlada nos ex-países do Pacto de Varsóvia.

No que diz respeito à enganosa estratégia soviética, em 1984 um desertor russo da KGB de nome Anatoliy Golitsyn escreveu um livro com o título “New Lies for Old”. Golitsyn advertiu que os comunistas soviéticos planejaram desmoronar seu próprio sistema, introduzindo reformas democráticas “desde cima” a fim de desarmar e dividir o Ocidente. Golitsyn explicou que a estratégia de Moscou poderia levar décadas para ser revelada. Os mecanismos usados neste esforço incluiriam a criação de movimentos dissidentes controlados, a aparência de políticos soviéticos “liberais” e a desistência do monopólio político do Partido Comunista. Poucos fora dos Estados Unidos ouviram sobre avisos de Anatoliy Golitsyn, desde que foram escritos em inglês, zombado por quase todos, e tido como “paranóico” por uma CIA presunçosa. Os conservadores pró-Reagan, incluindo os principais anticomunistas dos Estados Unidos, ignoraram o “New Lies for Old”. Quando as predições detalhadas de Golitsyn sobre a democratização futura do bloco comunista se tornaram realidade, os conservadores caíram aos trambolhões sobre outros para declarar vitória e atribuir o crédito a Ronald Reagan. Entre historiadores da inteligência, somente Mark Riebling observou: “das refutáveis predições de Golitsyn, 139 de 148 foram cumpridas até o fim de 1993 – uma exatidão de quase 94%”.

Com a força esmagadora de um furacão, a opinião se dirigiu para as ilhas do otimismo. No lugar das “Sete Cidades do Ouro” e da “Fonte da Juventude”, os novos conquistadores encontraram o “dividendo da paz”. Desta construção imaginária fluiu a exuberância econômica como sopa no mel. A despesa com a Defesa foi cortada e segredos tecnológicos foram dados a Rússia e a China. Os serviços de inteligência puseram muitos “Cold Warriors” para pastar. Era hora de fazer dinheiro e esquecer-se dos horrores da Destruição Mútua Garantida (1). E quase todos ficaram aliviados. Conseqüentemente, quase ninguém sobrou para questionar esta falsa vitória sobre o comunismo. Um escritor nascido na Rússia, Andrei Navrozov, tentou soar um aviso nas páginas do “Chronicles Magazine”; mas era repreendido como um “teórico da conspiração” e rejeitado como um excêntrico pelos principais formadores de opinião conservadores. Na Inglaterra, o desertor soviético Vladimir Rezun da GRU (mais conhecido sob o pseudônimo Viktor Suvorov) estava receoso para contradizer a euforia do Ocidente. Confidencialmente Rezun admitiu que o colapso da União Soviética era uma óbvia fraude, mas publicamente mordeu a língua. Dado as investidas premeditadas dos anticomunistas ocidentais para creditar Reagan, Thatcher ou o papa com o colapso da União Soviética, as outras idéias eram mal-vindas. Andrei Navrozov deixou os Estados Unidos enfastiado, praguejando os conservadores enquanto ia embora. Na Europa escreveu um livro, “The Gingerbread race” em que usou a história do “Gingerbread man” (2) como uma alegoria para a estupidez do Ocidente e a vitória inevitável do totalitarismo. O livro foi interrompido no meio da primeira impressão. Como me disse mais tarde, “Finalmente alguém entendeu sobre o que era o livro”.

A fraude estratégica não é uma coisa derivada de ficção ruim. Ao invés disso, é a verdadeira substância dos capítulos mais escuros da história do totalitarismo. Considere a realidade da “Operação Confiança” sob Lênin e Dzerzhinsky na década de 1920 (um premeditado colapso "falsificado" do comunismo conhecido como a Nova Política Econômica ou NEP). A verdade é que fraudes em larga escala são manipuláveis. Olhe para os intelectuais da Defesa dos Estados Unidos e comece a discutir historia russa com eles. Suas reações são interessantes. Eles simplesmente rejeitam a idéia da fraude estratégica soviética com preconceito, sem pensar duas vezes, porque a própria idéia é no momento inconveniente.

Eles lambem seus pequenos dedos de carreiristas e voam de acordo com vento. “Não”, dirão a você com aparente gravidade, o “Comunismo desmoronou”.

Como os intelectuais da defesa de um país -- liberal e conservador – são condicionados a rejeitar uma possível linha enganosa quando essa linha, historicamente, foi bem sucedida no passado? Isto nos conduz a “sociologia do conhecimento”; isto é, como condicionamentos sociais impedem o reconhecimento de fatos perigosos. Há tendências naturais para cegueiras em cada cultura. Se estas forem reforçadas pela desinformação, pela propaganda, pelas operações da influência, etc., então você tem um tipo de "gerência das percepções" ocorrendo.

Lembre de toda história do período de Stálin e da grande imprensa ocidental que não compreendeu o que estava acontecendo na Rússia. Nós sabemos agora que aqueles grandes jornalistas que contavam com a cobertura da União Soviética eram agentes soviéticos – como o ganhador do Prêmio Pulitzer Walter Duranty. E ele não estava sozinho. As percepções do Ocidente sobre a Constituição de Stálin, da aliança com o “Tio Sam”, a suposta liquidação interna do comunismo, as garantias mentirosas de oficiais soviéticos e a atitude ingênua do presidente Roosevelt são difíceis de entender pelos fatos. Mas os fatos são claros. Moscou iludiu o Ocidente, e o Ocidente estava feliz em ser iludido. Quando a Guerra Fria começou após a derrota do Japão em 1945, muitos foram lentos em aceitar que o comunismo era um problema. Os “wishful thinkers”, os otimistas do dia, disseram que o anticomunismo era "histeria" e Joseph McCarthy estava em uma “caça às bruxas". Com o tempo todos descobriram que Stálin era um monstro, Khrushchev surgiu para expurgar o mal de Stálin, enquanto esboçava uma União Soviética mais nova, mais amável e mais delicada (3).

Os líderes russos sempre reinventaram eles mesmos, como os líderes chineses. No retrospecto, o teste padrão é claro. Como um cão ou um gato tem um caráter original, os comunistas russos têm seu caráter. E uma vez que você conhece este caráter você sabe o que esperar. Você não troca a floresta pelas árvores. Você observa o Gorbachev, Yeltsin, Putin, e após ter estudado muitos demônios em detalhe você entende que é, certamente, um exemplo de “novas mentiras no lugar das antigas" (4). Conseguem chamar Golitsyn de teórico da conspiração, mas não conseguem explicar seus 94% de exatidão nas predições.

Começando com uma compreensão geral da história soviética, do caráter e do método russo, juntando tudo isso ao aviso de Golitysn, é possível ver a Guerra da América contra o Terror sob uma luz mais clara. Após ler incontáveis jornais, revistas e livros, eu fiquei perturbado ao encontrar inúmeras ligações a al-Qaeda e os russos, como o infame fornecimento de armas e o “ex”-oficial militar soviético - Victor Bout. Eu encontrei ligações documentadas entre o homem no. 2 da al-Qaeda (Ayman al-Zawahiri) e a China, a Bulgária e o FSB (5) russo. O ex-oficial da inteligência tcheca, capitão Vladimir Hucin, não está sozinho em dizer que Mohammed Atta, líder dos ataques do 11 de Setembro nos Estados Unidos, foi treinado na Tchecoslováquia comunista em 1988. Na literatura sobre o al-Qaeda pode-se pode tropeçar em referências, aqui e ali, das transações de Bin Laden com a máfia russa (conhecida por ser aliada dos serviços de segurança da Rússia). Eu cocei minha cabeça e lembrei dos avisos de Golitsyn em 1984.

Então comecei a ler sobre a guerra da Chechênia e a encontrar os intelectuais e jornalistas discutindo o passado de GRU/KGB de Shamil Basayev, líder rebelde checheno (e o seu trabalho como pára-quedista soviético). Encontrei fatos curiosos sobre a carreira do presidente checheno, Dudayev, como comandante soviético do bombardeiro que cobriu de bombas os muçulmanos afegãos antes de "ser condescendente" e de conduzir os chechenos à liberdade. Há também a morte misteriosa de Dudayev (que nunca foi autenticada). Mesmo os intelectuais esfregam seus olhos e admitem que toda a guerra da Chechênia tem o caráter de uma provocação clássica da KGB.

Foi então que eu me assustei ao tomar contato com o livro de Yossef Bodansky, perito em terrorismo, dizendo que Osama Bin Laden tinha comprado armas nucleares soviéticas através da Chechênia durante a década de 1990. Eu lembrei de Golitsyn uma vez mais. Eu imaginei o velho sorrindo. A palavra “álibi” se formou entre meus lábios. Como alguém explica tantas ligações bizarras entre os terroristas e o “ex”-bloco comunista? A guerra da Chechênia serviu como cobertura para entregar armas nucleares aos terroristas, e estabelecer o álibi do Kremlin como um inimigo daqueles mesmos terroristas? E se a Chechênia tinha armas nucleares, por que não usaram contra os invasores russos em 1999?

E então eu tive a lembrança pessoal de estar sozinho com um desertor russo da GRU que me disse, anos antes das Torres Gêmeas virem abaixo, que se eu ouvisse falar que foram os terroristas árabes que atacaram a América com armas nucleares, para que eu não acreditasse. O ataque seria da Rússia.

Nada disso é prova, certamente. Mas é poderosamente sugestivo e merece muito mais atenção do que tem recebido. O item mais interessante, entretanto, é a falta de curiosidade dentro do establishment americano. Não é que os intelectuais e os líderes da América não sabem sobre as ligações de que escrevo. Não querem saber. Não querem levar em consideração. Suas mentes estão fechadas como túmulos. E é aqui onde sou deixado de lado, em total descrédito.

Conheço psicologia o suficiente para reconhecer um groupthink (6) quando vejo um. Posso reconhecer a negação patológica dentro do círculo abençoado justamente porque estou fora desse círculo. Não sou traído pelas minhas palavras. Não movo um dedo nesta briga. E assim eu sei quando estou vendo algo significativo, algo GRANDE, algo que não permita mais jogos de enganação (não o jogo russo, mas o jogo americano -- o jogo do auto-engano).

A loucura da sociedade americano que descrevi em meu livro “Origins of the Fourth World War”, não é loucura simplesmente moral, ou loucura burocrática. É também loucura intelectual. Negar o desvanecimento da integridade intelectual de nossos dias chega a ser ridículo.

Por coincidência, tenho em minha frente o novo livro de Laurie Mylroie, "Bush vs. the Beltway" (7). Ela escreve algo que tenho ouvido dos insiders de Washington. Um perito do Oriente Médio disse a Mylroie: "todos precisam fazer o que for possível para suas carreiras". De acordo com Mylroie isto significa que "o comportamento que era considerado descartável se tornou aceitável, independente de suas possíveis implicações para a segurança do país".

O mesmo pode ser dito aos jornalistas, acadêmicos e pesquisadores. Se eles imaginam que há um círculo abençoado de luz e de verdade e que, uma vez que alguém entra nesse círculo ao ser empregado por prestigiosas organizações ou fundação de mídia, então confundiram seu próprio sucesso pessoal com a verdade. A respeito deste erro, podemos dizer que a cegueira resultante é quase total quando tenta distinguir o importante do trivial, o significativo do popular. E aqui nós encontramos o solo mais rico, os insights mais maravilhosos, porque o “não querer ver” de uma sociedade acoberta o Grande Segredo no qual essa sociedade está metida -- assim como o “não querer ver” de um individuo nos ajuda a compreender o destino daquele individuo.

Os grandes especialistas de nossos dias não podem explicar porque a Rússia continua a violar acordos de controles de armas, alinhar-se com a China, enviar suporte secreto a Saddam, dar tecnologia nuclear ao Irã, criticar a política externa dos Estados Unidos, incentivar aliados dos Estados Unidos a um curso independente, e muito mais.

A álgebra política aqui é simples. É básica. É fácil de ser decifrada para aqueles que estiverem familiarizados com a história. Talvez aquilo que me dá forças, mais do que qualquer outra coisa, é o testemunho de poloneses, russos, tchecos, romenos e húngaros em circunstâncias muito reais, obtidas nos “ex”-países comunistas.

Aqui deixo o leitor brasileiro para pensar nas mudanças do Brasil. O segredo que lhes passo, da Europa Oriental via América do Norte, é que o comunismo está vivo e aqueles que carregam a velha bandeira vermelha ainda estão conosco, e seu método resume-se em “novas mentiras para as antigas”.

Tradução: Editoria MSM

Notas da Editoria:

(1).Traduzido de Mutual Assured Destruction (MAD)

(2).Biscoito de gengribe em forma de pessoa

(3).Cabe lembrar que as políticas de Kruchev, embora tenham eliminado o terrorismo policial, mantiveram o sistema autoritário.

(4).Tradução livre do título do livro de Anatoliy Golitsyn, “New Lies For Old”.

(5).FSB (Federal'naya Sluzhba Bezopasnosti) - Serviço de Segurança Federal, da Inteligência Soviética.

(6).Pensamento de grupo em que os membros estão mais preocupados com a concordância, do que uma consideração realista dos fatos.

(7).Este livro fala sobre como a CIA e o Departamento de Estado tentaram parar a Guerra contra o Terror.


Jeffrey Nyquist é formado em sociologia política na Universidade da Califórnia e é expert em geopolítica. Escreve artigos semanais para o Financial Sense (http://www.financialsense.com/), é autor de The Origins of The Fourth World War e mantém um website: http://www.jrnyquist.com/


segunda-feira, 3 de março de 2008

Proporção inversa

Do portal do OLAVO DE CARVALHO
Por Olavo de Carvalho, Jornal do Brasil em 14 de fevereiro de 2008

A ofensiva cultural soviética começou nos anos 20 e durou até o fim da URSS. Tanto pelas dimensões quanto pelos métodos que empregava, foi fenômeno sem similares no mundo. Não houve onde sua influência não penetrasse, determinando os rumos da história cultural de nações inteiras. Seus meios de ação estendiam-se para muito além da propaganda, dos festivais, das turnês de artistas e congressos de escritores. Iam muito além das viagens de cortesia, inumeráveis e freqüentemente prolongadas em estágios de treinamento na KGB. Iam muito além do financiamento perpétuo a milhares de escritores e jornalistas. Iam até mesmo além da dominação exercida sobre centenas de jornais, revistas e estações de rádio em todo o mundo. Incluiam todos os recursos usados em espionagem, monitorando a vida pessoal dos “companheiros de viagem” para mantê-los sob a ameaça de chantagem, implantando discretos comitês de censura na imprensa cultural, nas universidades e nos meios editoriais para boicotar os autores indesejáveis até o limite da exclusão total e bajular os desejáveis até o limite da idolatria. Após a queda da URSS, a máquina laboriosamente montada não se desmantelou: adaptou-se à estratégia gramsciana e à nova organização da esquerda internacional em “redes”, muniu-se de novas fontes de financiamento e, aliviada do entulho burocrático soviético, continuou funcionando, mais eficiente do que nunca e tão prepotente quanto sempre.

A história cultural do Brasil nas últimas seis ou sete décadas é absolutamente incompreensível sem o estudo dessa imensa obra de engenharia, cujo custo não se pode calcular.

No entanto, não existe nenhum livro brasileiro a respeito, e a imensa bibliografia estrangeira sobre o assunto (muito aumentada depois da abertura dos Arquivos de Moscou) continua vetada ao nosso público. Nas universidades e na mídia, muitos de nossos intelectuais continuam trabalhando nas linhas determinadas por Stálin, Karl Radek e Willi Münzenberg, não porque ainda tenham alguma conexão formal com o aparato (a maioria nem tem), mas simplesmente porque nunca aprenderam a fazer outra coisa. O mais patético é que em geral esses indivíduos, tão ciosos de “historicidade”, não têm a menor suspeita da origem de seus hábitos mentais. Vivendo da ignorância das suas próprias raízes ocultas, tornam-nas ainda mais invisíveis mediante o hábito compulsivo de ofuscar-se lançando uma luz demasiado forte sobre a história secreta (ou suposta história secreta) de seus desafetos políticos. O número de livros-denúncia contra a CIA que circulam no Brasil supera em muito o dos agentes da CIA já localizados comprovadamente no país. Não é de estranhar que àqueles livros se some agora, com formidável alarde midiático, o de Frances Stonor Saunders sobre o Congresso pela Liberdade da Cultura, a resposta muito modesta e tardia (e, no mínimo, moralmente obrigatória), que a CIA esboçou ao avanço cultural soviético entre os anos 1950-1967 (The Cultural Cold War, publicado pela Record com o título de Quem Pagou a Conta?). Embora enfatizando que o empreendimento tinha objetivos de propaganda política – como se algum dos participantes o ignorasse! --, a autora nada consegue alegar contra o argumento de que o Congresso se distingue de seu antagonista por jamais ter usado de chantagem, intimidação ou censura, nem rebaixado artistas à condição de office-boys, nem subornado alguém para mentir deliberadamente, práticas usuais da KGB na guerra cultural. No fim das contas, a tese de Saunders pode ser resumida nesta frase: “No seu auge, o Congresso empregava dúzias de funcionários.” Mesmo no seu ponto mais baixo, a ofensiva cultural soviética não empregava dúzias de pessoas, mas dúzias de milhares. Se a diferença entre as duas campanhas é inversamente proporcional à atenção que recebem da mídia brasileira, isso só mostra o sucesso continuado de uma delas.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Discrso requentado ou Marxismo-leninismo aporta na América Latina

Do portal do OLAVO DE CARVALHO
Por Olavo de Carvalho em 27 de dezembro de 2007

No começo da década de 90, a ilusão triunfalista do “fim do comunismo” produziu nos liberais brasileiros a mais desconcertante das mutações: fez com que daí por diante eles concentrassem suas baterias na propaganda das vantagens da economia de mercado e na apologia abstrata do Estado de Direito, como se não lhes restasse outro inimigo a enfrentar. A esse programa acrescentou-se apenas, a partir de 2002, o combate à corrupção petista – muito mais brando e educado do que aquele que o PT havia travado contra os governos Collor e FHC. Se esse mesmo período foi também o da ascensão da esquerda ao controle hegemônico do Estado e da sociedade, só um cérebro monstruosamente letárgico poderia ver aí só coincidência.

Ao desmantelamento parcial e aparente da URSS seguiu-se, na América Latina, a fundação do Foro de São Paulo . Quando as Farc, em carta ao PT, celebram essa fundação como o acontecimento providencial que salvou da extinção o movimento comunista no continente, elas sabem muito bem do que estão falando: partidos legais e organizações criminosas de esquerda são hoje os dominadores incontestes da América Latina.

Isso aconteceu precisamente no período em que os liberais, desejando limpar-se de toda contaminação com a imagem de um passado conservador, não só se abstinham de toda menção ao perigo comunista, mas não escondiam sua má vontade hostil ante quem quer que ousasse tocar no assunto. Se, numa disputa política, um dos lados está disposto a todos os sacrifícios para reconquistar o terreno perdido e o outro se sente comprometido a jamais denunciar o que o adversário está fazendo, não é preciso ser muito esperto para saber quem vai ganhar a briga. Mas os liberais já a perderam, e a maioria deles ainda se recusa a entender o porquê.

Não percebem, essas angélicas criaturas, que toda a sua retórica não pode fazer nenhum mal à esquerda, a qual já se apossou dela quase que por inteiro, ao ponto de ser acusada, por alguns de seus membros mais loucos e por seus próprios agentes de desinformação empenhados em espalhar falsas pistas, de haver se bandeado para a direita.

O inimigo que hoje se perfila diante dos liberais e conservadores do continente não é um nebuloso “populismo”, não é um mero estatismo administrativo, não é um adocicado burocratismo social-democrata de estilo europeu: é o marxismo-leninismo, é o bom e velho comunismo de sempre, hoje com uma estratégia mais abrangente e flexível do que nunca e com adversários mais tímidos e bobocas do que seus sonhos mais róseos poderiam jamais ter concebido.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Na lista negra da História OU O senador americano Joseph McCarthy estava realmente errado em suas acusações.

Do blog MOVIMENTO ENDIREITAR
Escrito por Olavo de Carvalho em 26 de novembro de 2007

Na mídia nacional inteira, assim como no meio universitário e, de modo geral, entre as camadas ditas cultas neste país, reina a certeza inabalável de que o senador americano Joseph McCarthy foi uma das piores criaturas já nascidas neste planeta, um mentiroso compulsivo, um caluniador desavergonhado e um perseguidor de inocentes. Crença idêntica vigora nos EUA, mas só entre pessoas que aprenderam História com filmes de Hollywood. Entre as demais sempre restou pelo menos a vaga suspeita de que as coisas não eram bem assim, de que havia realmente uma perigosa infiltração de agentes soviéticos no governo americano, de que talvez muitos deles fossem mesmo aqueles que constavam das execradas listas de “security risks” alardeadas pelo senador.

Durante cinqüenta anos a aposta numa dessas duas hipóteses foi uma questão de preferência política. Agora não é mais. A publicação dos códigos Venona finalmente decifrados pelo FBI (comunicações secretas entre o Kremlin e a embaixada soviética em Washington) e a abertura temporária dos arquivos do Comitê Central do PCUS eliminaram definitivamente a dúvida. Os primeiros historiadores que tiveram acesso a esse material ficaram atônitos. Alguns deles só deram o braço a torcer após longa hesitação e com indisfarçada má-vontade. Hoje sabemos quem mentiu e quem disse a verdade. E quem mentiu não foi Joseph McCarthy. Foi o establishment político, midiático e universitário praticamente inteiro, empenhado em proteger seus comunistas de estimação.

Logo após a publicação de “Venona. Decoding Soviet Espionage in America” por John Earl Haynes e Harvey Klehr em 1999 (Yale University Press), um primeiro esboço das conclusões incontornáveis (que até Haynes e Klehr hesitavam em tirar) apareceu na biografia do senador por Arthur Herman (“Joseph McCarthy. Examining the Life and Legacy of America’s Most Hated Senator”, New York, Free Press, 2000). A reação dos bem-pensantes foi apegar-se aos subterfúgios mais frágeis e rebuscados para poder continuar negando o óbvio. Um sumário dessas reações quase psicóticas foi apresentado por Haynes e Klehr em “In Denial. Historians, Communism and Espionage” (San Francisco, Encounter Books, 2003). Agora, com a estréia do livro ansiosamente aguardado de M. Stanton Evans, “Blacklisted by History. The Untold Story of Senator Joseph McCarthy and His Fight Against America’s Enemies” (New York, Crown-Random, 2007), a fase substantiva do debate pode se considerar encerrada. Doravante, qualquer insistência na lenda macabra que fazia de McCarthy “um troglodita no esgoto” deve ser condenada como sintoma de desonestidade visceral ou estupidez obstinada. Os fatos revelados por Evans, com esmagadora abundância de provas, são os seguintes:

1. Os documentos principais que atestavam a infiltração comunista no governo americano simplesmente desapareceram dos arquivos oficiais. São milhares de páginas arrancadas, numa operação criminosa destinada a forjar as aparências de credibilidade que serviram de base à demonização do senador Joe McCarthy. Por ironia, os dados faltantes acabaram sendo supridos, em grande parte, pela documentação soviética.

2. Não só havia agentes soviéticos infiltrados nos altos postos do governo de Washington desde os anos 30, mas eles eram em número muito maior do que o próprio McCarthy suspeitava. A influência que exerceram foi tão vasta e profunda que chegou a determinar os rumos da política exterior americana, mediante bem urdidas operações de desinformação, em episódios tão fundamentais como a Revolução Chinesa e a tomada do poder pelos comunistas na Iugoslávia. Nos dois casos, uma enxurrada multilateral de informações falsas induziu o governo americano a trair seus aliados e a ajudar seus inimigos, semeando as tempestades que viriam a desabar sobre ele próprio no período da Guerra Fria.

3. Entre os suspeitos apontados por McCarthy, invariavelmente apresentados pela mídia e consagrados pela ficção histórica como vítimas de perseguição injusta, não apenas não havia inocentes, mas nenhum deles era sequer um puro militante ideológico: não se tratava de meros “comunistas”, mas de agentes pagos da KGB e do serviço secreto militar soviético, o GRU.

Bem sei que a revelação desses fatos não mudará em nada a atitude ou o vocabulário das Elianes Catanhedes, Emires Sáderes, Mauros Santayanas e Folhas de S. Paulo da vida. Mesmo que algum editor brasileiro tenha a coragem de publicar os livros acima mencionados, coisa improvável, nada pode obrigar os tagarelas iluminados a lê-los e a confrontá-los com suas crenças mais queridinhas. E é preciso levar sempre em conta aquilo que dizia Goethe: “Muitas pessoas não abdicam do erro porque devem a ele a sua subsistência.” Ao confiar seu destino às virtudes salvadoras da elite esquerdista, o Brasil disse um adeus definitivo ao desejo de conhecer. Se não queremos saber nem de onde surgiu a balela da participação americana no golpe de 1964 (v. http://www.olavodecarvalho.org/semana/sugestao.htm), por que haveremos de corrigir nossa visão fantasiosa da própria história americana? Diante dos fatos medonhos que atestam a mendacidade ilimitada daqueles que escolhemos como nossos professores de moral, reagimos com o horror do poeta espanhol ante a “sangre derramada” de seu amigo toureiro: “No, yo no quiero verla.” Progredimos da burrice endêmica à ignorância irreversível. A sombra que lançamos sobre o passado já começou a encobrir o nosso futuro. Logo será tarde demais para tentar removê-la.

Fonte: Diário do Comércio, 19 de novembro de 2007.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".