Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.
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sexta-feira, 23 de maio de 2008

Ad aeternum

Do portal do OLAVO DE CARVALHO
Por Olavo de Carvalho, 22 de maio de 2008

Ao longo dos tempos, a militância socialista usou de dois meios preferenciais de luta, juntos ou alternados: o assassinato e o roubo, ou, mais genericamente, a crueldade e o embuste. A primeira fez as glórias da esquerda cubana, o segundo as da brasileira.

Nenhum governo da América Latina pôde jamais competir com o de Fidel Castro em brutalidade, nem com o de Lula em safadeza. O primeiro ficou no poder por quarenta anos enviando cem mil cubanos ao outro mundo e mais cem mil para a cadeia. O segundo mantém-se no alto das pesquisas conservando fora da cadeia todos os que deveriam estar nela -- uma longa lista que começa nos ministros que falsificam documentos para legitimar a fragmentação do território nacional, passa pelos familiares do presidente transfigurados em milionários da noite para o dia e culmina nos terroristas estrangeiros aos quais o partido do sr. presidente prometeu e jamais negou solidariedade.

Em qualquer democracia normal, um só dos crimes desse governo – o laudo falso em prol da doação de Roraima, por exemplo – bastaria para levar o presidente ao impeachment e seus assessores ao cárcere. Aqui, centenas desses episódios acumulados provocam, no máximo, uns resmungos preguiçosos, umas gesticulações de vago descontentamento, umas simulações pusilânimes de protesto cívico e, coroando tudo, a firme decisão de não fazer nada.

Nada? Estou sendo injusto. As elites falantes “dêfte paíf” fazem alguma coisa, e até uma coisa revolucionária, inédita: chamam de “normalidade institucional” o direito concedido a uma agremiação partidária de roubar o quanto queira, de distribuir a seus cúmplices estrangeiros o patrimônio nacional, de tratar como parceiros e amigos os terroristas que armam e adestram os quadrilheiros locais para que espalhem o terror nas ruas, de destruir a cultura nacional no altar da propaganda comunista e do mais vulgar show business politicamente conveniente, de abafar investigações e censurar notícias, de usar a burocracia estatal como secretaria do partido, de ofender toda semana os sentimentos morais e religiosos da população, de gastar dinheiro público numa orgia carnavalesca onde a esposa de um ministro se esfrega despudoradamente num governador e respectiva digníssima, etc. etc. etc.

Cada um desses episódios daria um livro, como o Mensalão deu “O Chefe”, de Ivo Patarra ( http://www.escandalodomensalao.com.br/ ). Todos juntos formariam uma enciclopédia da patifaria como jamais se viu no mundo. Mas, como se convencionou que a soma desses descalabros constitui a “normalidade institucional”, toda alternativa ao presente estado de coisas parece medonha ameaça de golpe, hipótese que inspira um sacrossanto horror e conduz inevitavelmente à conclusão de que o lulismo é uma fatalidade cósmica inelutável: ruim com ele, pior sem ele. E assim vão se passando os dias, o Chefe cada vez mais poderoso, os políticos “de oposição” cada vez mais colaboracionistas, a elite cada vez mais acanalhada e subserviente, a “sociedade civil” cada vez mais atrelada às ONGs esquerdistas bilionárias, a vontade popular cada vez mais débil, mais fácil de desviar contra alvos fictícios e bodes expiatórios, entre os quais ela própria.

O sr. Lula diz que ele e José Serra inauguraram um novo modo de fazer política. É verdade, com a ressalva de que ele não falava de duas pessoas, mas de dois partidos, gêmeos nascidos do ventre da USP. E esse novo modo consiste no seguinte acordo: Nós dois vamos à ONU, pegamos cada um uma cópia do receituário globalista para a destruição das soberanias nacionais e da civilização judaico-cristã e o aplicamos no Brasil à risca, mas fazendo de conta que seguimos duas políticas diferentes e trocando uns tapinhas de vez em quando. Como prêmio, a mídia internacional dirá que somos maravilhosos e exibirá ao mundo nossa alternância no governo como prova de maturidade democrática. Os brasileiros, idiotas, dirão que é “normalidade institucional” e, temendo rompê-la, nos manterão no poder ad aeternum .

sábado, 10 de maio de 2008

Na contramão da história

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por João Luiz Mauad em 07 de maio de 2008

Resumo: Para grande parte de nossos socialistas o trabalho é um fim em si mesmo e não um meio para a obtenção do verdadeiro fim, que é o aumento do bem-estar geral, obtido através do gradativo aumento do poder de compra de cada indivíduo.

© 2008 MidiaSemMascara.org

Tramita na Câmara dos Deputados, em Brasília, com apoio amplo, geral e irrestrito das centrais sindicais, o Projeto de Lei nº 7663/06, de autoria do deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), que reduz a jornada máxima de trabalho, no país, das atuais 44 para 40 horas semanais. De acordo com o autor do projeto e seus patrocinadores, a lei, caso aprovada, deverá gerar mais empregos, além de aumentar a segurança do trabalhador.

Antes de mais nada, é preciso ressaltar que, como normalmente acontece em Pindorama, estamos andando na contramão da história. Discute-se hoje um projeto que já foi testado em alguns países mundo afora, sempre com resultados muito diferentes do esperado. Há cerca de uma década, por exemplo, a França aprovou dispositivo legal que reduziu a jornada semanal de trabalho de 40 para 35 horas. Conhecida como “ Lei de Aubry” – numa referência direta à ex-ministra socialista do trabalho Martine Aubry –, a estrovenga foi saudada como um marco histórico na caminhada daquele país rumo ao pleno emprego – uma das maiores e mais veneradas utopias socialistas.

Após todos esses anos, no entanto, a taxa de desemprego na terra de Napoleão não só não caiu, como apresentou um discreto aumento. Como era de se esperar, pesquisas recentes mostram que 2/3 dos franceses são hoje favoráveis à revogação da tal lei. Não por acaso, esta era justamente uma das plataformas de campanha do recém-eleito Nicolas Sarkozy.

Um outro francês, este bem menos popular que o atual presidente, porém infinitamente mais sábio, costumava dizer que "na esfera econômica, um ato, um hábito, uma instituição, uma lei não geram somente um efeito, mas uma série de efeitos. Dentre esses, só o primeiro é imediato. Manifesta-se simultaneamente com a sua causa. É visível. Os outros só aparecem depois e não são visíveis. Podemos nos dar por felizes se conseguirmos prevê-los. (...) Entre um bom e um mau economista existe uma diferença: um se detém no efeito que se vê; o outro leva em conta tanto o efeito que se vê quanto aqueles que se devem prever." (Frédéric Bastiat)

Acho que já contei, num outro artigo, a história de um empresário ocidental que, em viagem à China comunista, deparou-se com um grupo de centenas de homens que construíam uma pequena barragem de terra, munidos exclusivamente de pás e enxadas. Antevendo uma oportunidade de negócio, ele comentou com o oficial chinês que o acompanhava que apenas um operário, de posse de uma moderna máquina escavadeira, poderia executar toda aquela empreitada num tempo bem mais curto. A resposta do astuto oficial – mal escondendo um sorriso sarcástico no canto dos lábios – foi: "sim, mas imagine todo o desemprego que isso acarretaria". Sem nada dizer, porque estúpido não era, o empresário pensou: "se são empregos que desejam, melhor seria que lhes tirassem as pás e dessem-lhes colheres".

O raciocínio do chinês é o mesmo que infesta a mente de muitos dos nossos socialistas, para quem o trabalho é um fim em si mesmo e não um meio para a obtenção do verdadeiro fim, que é o aumento do bem-estar geral, obtido através do gradativo aumento do poder de compra de cada indivíduo. A curto prazo e em âmbito localizado, a introdução de novas máquinas e equipamentos realmente provoca um desemprego temporário. Como diria Bastiat, é o efeito que se vê. No entanto, no longo prazo, os efeitos do avanço tecnológico são inúmeros, mormente em relação ao aumento da produtividade e da prosperidade econômica que ela provoca.

Tempo e trabalho são fatores presentes na produção de qualquer bem ou serviço. Ambos são recursos escassos e, portanto, sujeitos à lei dos custos de oportunidade. A sua utilização em determinada tarefa automaticamente exclui seu uso concomitante noutra qualquer. Se tenho, por exemplo, que plantar batatas para ganhar a vida, não poderei utilizar o mesmo tempo e energia para desenvolver programas de computador ou pesquisas no ramo da energia nuclear. Até posso desenvolver duas atividades distintas, mas nunca ao mesmo tempo.

Outrora, quando a tecnologia ainda engatinhava, os seres humanos gastavam praticamente todo o seu tempo na caça e na coleta, atividades indispensáveis à sua sobrevivência. Depois de muito tempo, nossos ancestrais descobriram que podiam cultivar a terra e dela colher quantidades cada vez maiores de alimento, além de estocá-lo para consumo futuro. Embora a agricultura ainda fosse bastante rudimentar, seu aparecimento liberou um contingente razoável de pessoas para outras atividades, antes impossíveis ou improváveis, como a produção artesanal de roupas, ferramentas e outros acessórios, por exemplo. Aos poucos, o desenvolvimento de novas técnicas foi liberando um contingente cada vez maior de pessoas (a princípio desempregadas) para outras atividades, tornando crescente e diversificada a produção de bens e serviços.

Com o advento da Revolução Industrial, a introdução de novas técnicas e máquinas, tanto na agricultura quanto na indústria, colocou em disponibilidade uma quantidade inimaginável de pessoas. Num primeiro momento, o desemprego no campo foi impressionante e ocasionou uma onda de imigração para as cidades que chocou diversos historiadores, além de turvar as mentes obtusas de alguns economistas, alguns deles donos de uma retórica contundente e sofisticada, como Karl Marx, para quem a riqueza produzida pelo novo modelo, por ele apelidado de capitalista, se dava às custas da miséria da maioria. Infelizmente, o alemão era um dos que só conseguia enxergar os efeitos imediatos daquela revolução que testemunhava, uma deficiência que gerou teorias tão esdrúxulas quanto absurdas, que vêm repercutindo até hoje e cujas conseqüências nefastas para toda a humanidade talvez um dia possam ser mensuradas.

A história do capitalismo, no entanto, demonstrou que Marx estava errado. Como mau economista que era, não previu que todo aquele enorme contingente de desempregados, substituídos por máquinas e outros equipamentos, migraria para outras atividades e provocaria uma onda de desenvolvimento e prosperidade até então inimagináveis. Não sabia ele que o progresso necessita de gente com tempo e força disponíveis para produzir novos bens e serviços, enfim, para criar novas riquezas.

Na medida em que as indústrias tornam-se mais eficientes e produtivas, os produtos ficam mais baratos, a renda per capta dos consumidores aumenta e, com ela, a demanda por serviços – setor que, nos países desenvolvidos, passou a absorver cada vez mais mão-de-obra, sendo hoje o responsável por cerca de 80% do mercado de trabalho nos EUA, por exemplo. A melhor notícia, no entanto, é que o trabalho braçal (físico) foi sendo paulatinamente substituído pelo "cerebral". Além disso, o aumento da renda e do tempo disponíveis possibilita que parcelas sempre crescentes da população possam ter acesso à educação é à cultura, antes um privilégio apenas dos nobres.

O raciocínio por trás dos pseudobenefícios da redução da jornada semanal de trabalho está calcado na mesma idéia estúpida dos comunistas chineses, acima descrita. Ao reduzir em 10% a jornada máxima, pretende-se, através da lei, colocar 11 homens para fazer o trabalho que hoje é feito por 10. Ao enxergar apenas o resultado aparente – de todo modo questionável, já que, mantidos os valores nominais da hora trabalhada, os novos empregos de alguns serão proporcionais às horas tiradas de outros – seus idealizadores não vêem que, a longo prazo, este tipo de política acaba freando o desenvolvimento, uma vez que impede a dinâmica natural do capitalismo.

O autor é empresário e formado em administração de empresas pela FGV/RJ.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Monstros

Do portal MOVIMENTO ENDIREITAR
Escrito por Olavo de Carvalho em 28 de fevereiro de 2008

Para os comunistas e seus bajuladores, a morte de uns 400 terroristas, durante o regime militar brasileiro, foi algo de incomparavelmente mais grave, mais revoltante, mais intolerável do que a matança de 75 milhões de civis chineses pela ditadura de Mao Dzedong, de 20 milhões de russos pelo governo soviético ou de 3 milhões de cambojanos pela quadrilha de Pol-Pot. Claro, os comunistas são diferentes de nós. Segundo Che Guevara, são "o primeiro escalão da espécie humana". Se você mata um deles, mesmo em defesa própria, é crime hediondo. Se ele mata 100 mil de nós, desarmados e amarrados, torna-se um herói, que é como o senhor Mino Carta define Fidel Castro.

Protestando contra a comparação quantitativa entre a ditadura brasileira e a cubana, que o colunista Reinaldo Azevedo faz na última Veja, Gerald Thomas vocifera seu sacrossanto horror à contagem de cadáveres e em seguida se põe a contá-los por sua vez, acusando os militares brasileiros pela "perda da vida de milhares, digo, milhares de vidas inocentes". Primeiro, não eram inocentes: eram guerrilheiros armados, que só começaram a morrer depois de estourar com bombas dezenas de civis (estes sim, inocentes). Segundo: não foram milhares, foram quatro centenas na mais hiperbólica das hipóteses, jamais submetida a revisão crítica. Para Gerald Thomas, números são um expediente retórico desonesto quando verdadeiros: só os falsos são argumentos honrados.

Sinceramente, já estou velho demais para continuar fingindo que indivíduos capazes de julgar seus semelhantes com um critério tão desproporcional, tão disforme, tão manifestamente iníquo, sejam pessoas normais e decentes com quem eu não tenha senão divergências filosóficas. Esses sujeitos são doentes, são sociopatas perigosos, incapazes de olhar para os discordantes sem antever, com sádica alegria, o cadáver do "inimigo de classe" girando no espeto como um frango no forno da História.

Eis alguns - só alguns - dos objetivos proclamados abertamente pelos líderes e mentores comunistas:

1. Karl Marx: extermínio de classes sociais inteiras e de uns quantos "povos inferiores" (sic).

2. V. I. Lênin: terrorismo sistemático como fórmula de governo.

3. Leon Trotsky: militarização completa do trabalho industrial e agrícola. Supressão da liberdade de escolher emprego.

4. Stálin: "Morte aos pequenos proprietários rurais. Ódio e desprezo aos que os defendem" (sic).

5. Che Guevara: Treinar os militantes para que se tornem "eficientes e frias máquinas de matar" (sic).

Notem bem: não são crueldades impremeditadas, sobrevindas no calor da batalha. São intenções declaradas.

Como é possível que alguém em seu juízo perfeito considere o comunismo um belo ideal humanitário, que um acaso infeliz desviou de seus altos propósitos?

Foi só por um desejo insano de enganar-se retroativamente a si próprios que muitos comunistas, depois da morte de Stálin, começaram a espremer seus cérebros para explicar como o regime dos seus sonhos pudera "degenerar" em tanta violência e maldade. Não era degenerescência: era a execução racional e bem sucedida de planos traçados com muita antecedência - desde Marx - e levados à prática com a frieza metódica de uma obra de engenharia.

Fidel Castro, Guevara, Pol-Pot, Lênin, Stálin, Trótski, Marx - quem quer que escreva uma só palavra em favor desses monstros é seu semelhante, distinguindo-se deles em tamanho apenas, não em qualidade. Ainda que por covardia ou falta de ocasião não venha a realizar pessoalmente seus desígnios macabros, não esconde sua admiração por quem os realiza. E depois ainda se faz de horrorizado ante quem cometeu crimes incomparavelmente menores, se é que é crime apelar à violência para deter um genocídio anunciado e já em fase avançada de execução.

Publicado no Jornal do Brasil - 28/02/2008

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Educação comunista – a Praxis contra a Verdade

Do blog MÍDIA SEM MÁSCARA
por Carlos I.S. Azambuja em 30 de janeiro de 2008

Resumo: A escola e o ensino, segundo os comunistas, devem ser permanentemente controlados para evitar a infiltração de resíduos e concepções burguesas. É esse o objetivo da educação marxista: formar consciências comunistas. E isso, como é obtido?

© 2008 MidiaSemMascara.org

Para o marxismo, a prática tem prioridade sobre o conhecimento e é o fundamento deste. Essa é uma tese de Marx, que seus epígonos não hesitaram em manter e que é a própria base do marxismo: a primazia da praxis sobre o conhecimento, da ação sobre a doutrina e do fazer sobre o ser.

A conseqüência imediata dessa tese no ensino é a de que, para o marxismo, educar não é pôr em contato com a verdade e sim com a prática. Mao Tsetung afirmou que uma das características do materialismo dialético “é o seu caráter prático; sublinha a independência da teoria à prática; que a prática é a base da teoria; que o critério da verdade nada mais é que a prática social”.

A educação e o ensino, para o marxismo, devem realizar, na prática, a vinculação do homem ao sentido da história. A educação é necessária, seu significado e sua tarefa consistem em provocar a máxima aceleração no processo histórico e em tornar possível a transformação da consciência dos homens.

Para o marxismo, a única forma possível de educar consiste em lograr que, consciente e livremente – falamos da liberdade marxista – a educação se realize, por contradições sucessivas, na natureza e na história; a educação marxista deve ser interpretada como acomodação. A educação é uma atividade acomodadora à situação revolucionária. Educar é socializar.

O professor desempenha um papel importante, e é fundamental que o ensino esteja em mãos de mestres ideologicamente doutrinados e capacitados para acender a chispa da consciência comunista em seus alunos e, ademais, além de uma formação adequada deve ter, acima de tudo, uma consciência política. A escola e o ensino, segundo os comunistas, devem ser permanentemente controlados para evitar a infiltração de resíduos e concepções burguesas.

É esse o objetivo da educação marxista: formar consciências comunistas. E isso, como é obtido?

O procedimento varia, segundo as circunstâncias; não é o mesmo quando o partido comunista esteja no poder, ou quando ainda não tenha conseguido a tomada do poder. Quando domina a sociedade todos sabem como opera, e, no outro caso?

Em primeiro lugar devemos ter em mente que o marxismo não trata de melhorar nada, e sim fazer uma transformação total, face ao seu próprio caráter dialético. A crítica do marxismo a toda injustiça real ou a toda situação que se apresente como injusta, ou que se faça passar como tal, não tem por finalidade restabelecer a justiça ou melhorar as coisas em seu real e mais amplo sentido, e sim inserir o homem na dialética, lograr que os homens aceitem sua vinculação ao processo dialético, que é no que consiste o progresso para o marxismo.

O marxismo não se preocupa com o proletariado porque este esteja oprimido ou porque seja débil e sim na medida em que é ou pode tornar-se uma força, e quanto mais proletários existirem maior será sua força como classe revolucionária e mais próximo e possível estará o socialismo.

O objetivo confesso dos marxistas é a tomada do poder pela classe trabalhadora. Isso, todavia, não significa que nada se possa fazer antes de o poder passar às mãos dessa classe. A luta pela educação tem uma importância fundamental, pois sem a dedicação a essa luta não podem tomar forma e desenvolver-se nem os meios para tornar possível a ofensiva final, nem a ideologia que sustenta essa luta. Qualquer avanço no progresso educativo poderá vir, afinal, auxiliar o desenvolvimento da consciência de classe da classe trabalhadora.

Daí a importância e o perigo do ensino do marxismo nos centros escolares da sociedade em que este ainda não tenha assumido o poder. Perigo mais latente e real hoje, quando os ensinamentos de Gramsci, de tomada não-violenta e indolor do poder pretende chegar ao final da história – o comunismo – por meio da conquista da sociedade civil, o que tornará possível a subseqüente conquista do Estado. Isto é, a conquista da sociedade civil como prelúdio da conquista da sociedade política. Ou seja, antes de tomar o poder é preciso conquistar a cultura, segundo a terminologia gramscista.

Exemplo clássico de derrota do marxismo por não possuir a hegemonia na sociedade civil foi a sofrida por Allende, no Chile. Daí a tática comunista adaptada à lição recebida. Uma vez conquistada a cultura, o caminho estará livre à implantação do socialismo.

Gramsci, ideólogo marxista-leninista italiano, falecido na década de 30, e seus seguidores, descartam, por esse motivo, a violência revolucionária – que, no entanto, admitem em último extremo – e dão mais importância à educação levada a cabo pelos intelectuais, considerando-a o principal fator revolucionário. Dessa forma, pretende-se evitar que a forte personalidade da sociedade civil nos países ocidentais se rebele contra um governo revolucionário, levando-o a fracassar, como ocorreu no Chile em 1971-1973.

Ainda Gramsci: “É impossível que uma luta política possa culminar em verdadeiros resultados se não vem acompanhada de uma revolução, de uma reforma intelectual e moral, se não se modifica a mentalidade das pessoas e, por conseguinte, a superestrutura da sociedade. Por isso, o problema da revolução é também um problema de educação. (...) É necessário que o fato revolucionário apareça não somente como um fenômeno de poder, e sim, também, como um fenômeno de costume, como um fato moral, o que implica, necessariamente, numa radical transformação das mentalidades”.

Daí a importância da Escola – na qual a política, a cultura e a pedagogia estão indissoluvelmente unidas – que poderá vir a cumprir, com relação aos jovens, o mesmo fim que um partido político.

Por tudo isso, ainda segundo Gramsci, “a difusão, desde um centro hegemônico – a Escola -, de um modo de pensar homogêneo, é a condição principal para a elaboração de uma consciência coletiva”.

Direção, organização da cultura, centro hegemônico, modo de pensar homogêneo, consciência coletiva, escola unitária, tudo isso é destinado a impor e a lograr que se assimile a filosofia da práxis, isto é, o marxismo, pela sociedade civil.

No fundo, no fundo, nada mudou. Trata-se da instrumentalização da cultura e do ensino para atingir o objetivo visado pelo marxismo: a submissão do homem mediante a submissão da inteligência.

Volodia Valentin Teitelboim Volosky, advogado, político, escritor e intelectual, Secretário-Geral do Partido Comunista Chileno de 1988 a 1995, referiu-se a esse tema na Revista Internacional nº 1-1982: “A cultura é uma vaga e prestigiosa palavra em razão da qual, a seu juízo, os povos e as nações conservam, continuam e até superam seu passado, Porém, quem controlar a cultura e sua base imprescindível, a educação, poderá não só definir retrospectivamente o acontecido como também controlar o futuro. O amanhã se encontra nas mãos e no cérebro daqueles que estão sendo educados hoje”.

Carlos I. S. Azambuja é historiador.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Um século de hipocrisia

Do blog MOVIMENTO ORDEM E VIGÍLIA CONTRA A CORRUPÇÃO
Por Rodrigo Constantino em 17 de dezembro de 2007

“É divertidíssima a esquizofrenia de nossos artistas e intelectuais de esquerda: admiram o socialismo de Fidel Castro, mas adoram também três coisas que só o capitalismo sabe dar - bons cachês em moeda forte; ausência de censura e consumismo burguês. Trata-se de filhos de Marx numa transa adúltera com a Coca-Cola...” (Roberto Campos)


Niemeyer, sejamos bem francos, não passa de um hipócrita. O arquiteto mamou e muito nas tetas estatais, tornando-se um homem bem rico. No entanto, ele insiste em pregar, da boca para fora, o regime comunista, a “igualdade” material entre todos.

Na prática, Niemeyer é um capitalista, não um comunista. Mas um capitalista da pior espécie: o que usa a retórica socialista para enganar os otários. Sua festa do centenário ocorreu em São Conrado, bairro de luxo no Rio, para 400 convidados. Bem ao lado, vivem os milhares de favelados da Rocinha. Artistas de esquerda são assim mesmo: adoram os pobres, de preferência bem longe.

Outro aclamado artista socialista é Chico Buarque, mais um que admira Cuba bem de longe, de sua mansão. E cobra caro em seus shows, mantendo os pobres bem afastados de seus eventos. A definição de socialista feita por Roberto Campos nos remete diretamente a estes artistas: “No meu dicionário, ‘socialista’ é o cara que alardeia intenções e dispensa resultados, adora ser generoso com o dinheiro alheio, e prega igualdade social, mas se considera mais igual que os outros”. Leia mais aqui

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

A verdadeira “Operação Torquês”

Do blog FAROL DA DEMOCRACIA REPRESENTATIVA
por Alejandro Peña Esclusa

Uma semana antes do referendum, o Regime fez circular um ridículo e estrambótico “Memorando da CIA” – evidentemente elaborado pelo oficialismo – no qual se fazia referência a uma “Operação Torquês”, supostamente dirigida pelo “Império”, para impedir a reforma constitucional.

Essa absurda operação nunca existiu. Porém, sem planejamento nem coordenação alguma, na prática funcionou outra operação, também do tipo torquês – quer dizer, em dois flancos – para forçar o oficialismo a reconhecer a vontade popular.

Por um lado, as forças opositoras que votaram pelo NÃO, cuidaram das mesas de votação, recolheram atas, contabilizaram votos e acorreram ao CNE para fazer valer os resultados. Por outro lado, a ameaça – clara e tangível – de sair às ruas para protestar em todo o território nacional, no caso da fraude se materializar.

O Regime, encurralado pelo triunfo do NÃO e pela negativa dos militares em reprimir o protesto legítimo, viu-se obrigado a aceitar os resultados, embora maquiados para não parecer tão contundentes.

Dias antes do 2D (2 de dezembro), o Regime iniciou uma histérica campanha contra mim, baseada em todo tipo de calúnias e atribuindo-me uma importância e um poder de convocatória que não tenho.

A desculpa foi um vídeo – a meu ver, inofensivo – que descreve um foro democrático, no qual aparecem Leopoldo López e este humilde servidor. López apresentou seu ponto de vista – diferente do meu – e eu apresentei a tese da “candelita”, esclarecendo – como sempre faço – que se tratava de um protesto pacífico, democrático e constitucional, para fazer valer a vontade popular.

Na realidade, o protesto estava sim delineado, porém não por meu inexistente poder de convocatória, mas pelo rechaço majoritário a uma Constituição comunista, imposta através da fraude eleitoral.

Em meio à sua paranóia, o Regime pensou – equivocadamente – que López e eu trabalhávamos em um esquema conjunto e isso o assustou. O oficialismo sempre pressionou os partidos políticos para que se deslindassem da mal chamada oposição radical, e assim negar-lhes a capacidade de resposta nas ruas.

A lição é esta: há que manter a luta democrática, porém sempre respaldada pela possibilidade de ativar o protesto popular. Essa é a única combinação à qual o Regime teme verdadeiramente.

Por minha parte, estou profundamente feliz e agradecido de que não se tenha desatado a violência e de que possamos celebrar um Natal em paz. O próximo passo é exigir a libertação dos presos políticos.

Aproveito a oportunidade para felicitar os que, dentro e fora do país, pressionaram Chávez para que reconhecesse os resultados. Também quero felicitar – de todo coração – os heróis anônimos, que não aparecem nos meios de comunicação, porém que estavam dispostos a defender a vontade popular nas ruas, de maneira pacífica, democrática e constitucional, mas também de maneira firme, valente e patriótica.

Tradução: Graça Salgueiro

sábado, 17 de novembro de 2007

Receita para se manter comunista após os 30

Logo de cara, nates mesmo dos crédito, quero dizer aos meus leitores que a matéria é ABSOLUTAMENTE IMPERDÍVEL!!! Análise perfeita das cabeças dementes destes sociopatas.

Do portal DUPLIPENSAR
Otávio Machado de Albuquerque - Publicado em 13.12.2006

Parabéns camarada, mais um aniversário. Você está preocupado porque em alguns anos atingirá a marca de 30 anos, aquela marca que lhe contaram que ao atingi-la você não será mais comunista. Como continuar comunista depois dos 30? Quer saber? Leia as instruções abaixo com cuidado porque senão o seu irmão mais novo deixará de confiar em você. Afinal, não confie em ninguém com mais de 30. Não confie em ninguém com 32 dentes.

A primeira regra para se manter comunista após os 30 é: nunca diga que é comunista. A segunda regra para se manter comunista após os 30 é: NUNCA diga que é comunista.

Isto significa que você deve adotar um pseudônimo para dizer que você não é comunista. Você dará a desculpa que a sua identidade secreta foi criada para você se defender do patrão, quando na verdade neste "novo eu" você poderá externar todo o Partidão que existe dentro de você sem ser ridicularizado. Se alguém questionar a duvidosa coerência do uso de pseudônimo você vai lembrar que Stendhal, Lênin, Pablo Neruda e George Orwell usavam pseudônimos. Afinal, para você e seus seguidores você é um deles.

A terceira regra para se manter comunista após os 30 é se afastar do mundo produtivo. Monte sua própria banda antiamericana ou, melhor ainda, torne-se um professor universitário. Assim você poderá viver confortavelmente à custa de seus fãs ou do governo. Você terá um refúgio contra o capital para escrever maciçamente contra ele sem ser importunado.

Você poderá escrever e falar qualquer asneira que defenda o comunismo. Que a URSS foi libertária e, mesmo que seja contraditório, você dirá que o comunismo nunca existiu e que Stálin é o grande culpado. Defenderá Cuba, mas dirá que o comunismo nunca existiu. Defenderá que a URSS não foi um império, mas negará a existência do comunismo. Meu jovem, na vida você faz escolhas. Seja coerente ou seja comunista.

Apoio é importante. Se você tiver uma banda, logo terá um fã-clube. Se você se tornar um professor universitário logo terá vários "voluntários" trabalhando de graça para você. Eles divulgarão os seus livros, seus artigos sem que você precise pagar nada por isso. Sempre terá uma pessoa carente que vai acreditar nos seus discursos contra o sistema. Ora, quer algo mais sedutor do que isso? Dizer a um jovem que quer mudar o mundo que existe uma saída? Lembre-se. Ingênuos não faltam nesse planeta.

Reescreva a história. Diga que o comunismo é a força do povo e não a forca do povo. Diga que o comunismo não matou ninguém. Diga que não é um sistema que poucos ganham muito e muitos não ganham nada, além de chibatadas nas costas e férias forçadas na Sibéria.

Para ser defensor do comunismo é necessário exaltar o crime. Assassinos em massa são líderes e assassinos comuns são vítimas do sistema capitalista opressor. Culpe o capitalismo por tudo. Culpe a polícia sempre. Nunca os bandidos. Exalte o comunismo sempre. Mas lembre-se, ele nunca existiu de verdade. Não esqueça de mencionar que os direitos humanos são para todos, mas esqueça dos policiais, sim. Você vai ensinar que os policiais são os novos capitães do mato e em todo camburão tem um pouco de navio negreiro. Os seus seguidores acreditarão que você é mesmo contra o sistema. Se alguém invadir a sua casa ligue para a polícia, mas não diga a eles que você os critica e nem diga aos seus amigos o que aconteceu. Afinal quem precisa de polícia, não é verdade? Mas, cuidado. Defender o crime e difamar pessoas nem sempre dá certo.

Escreva muitos livros. Sobre tudo. Escreva muitos artigos. Sobre tudo, mas culpe sempre a burguesia e os Estados Unidos. Sempre culpe os EUA por todos os males do mundo. Faça textos antiimperialistas, mas negue a todo tempo que a URSS foi imperialista. Você pode fazer isso, claro. Se ficar muito claro que a URSS é imperialista, diga que o verdadeiro comunismo nunca existiu. Culpe então o Stálin e diga que um dia o Messias chegará para libertar o povo das amarras da tirania. Deixe a entender que o Messias pode ser você. Se tudo isso não colar, bote a culpa nas elites deste país.

Use a incoerência. Sempre. Defenda ditaduras em nome da liberdade. Defenda o patriotismo, mas use o brasão da URSS. Diga que você defende os negros, mas em todos os seus registros classifique-se com Caucasiano (Branco), apesar de ser mestiço. Defenda as mulheres em público, mas seja machista no privado. Defenda o uso do idioma português correto, mas ignore os analfabetos que chegam ao poder. Acuse a burguesia de todos os males. Importante: você não é burguês. Minta. Diga que você acessa a Internet de uma Lan House e não de casa, afinal você é um defensor dos pobres. Não pega bem que saibam que você tem carro, tv a cabo, máquina digital, microondas, celular com câmera e internet com banda larga em casa. Denomine-se "outsider" (em inglês mesmo) e mantenha um perfil cheio de preferências e fotos no Orkut. Passe a todos que você é cult e inteligente. Procure comunidades de pensadores e movimentos sociais. Não basta ser comunista, tem que ser cult.

As pessoas deixam de ser comunistas após os 30 anos porque entram em contato com a realidade. Amadurecem e percebem o grande erro que é regulamentar a vida das pessoas de cima para baixo. Só afastado do mundo da fantasia da vida acadêmica e artística você começa a entender que a melhor saída para corrigir as injustiças é mudar as pessoas, não os sistemas. Só os artistas, comunistas e os que vivem das tetas do governo podem encher os pulmões e dizer: “Eu sou burguês, mas eu sou artista. Estou do lado do povo...”

Entendeu? O importante não é só enganar os outros, mas enganar a si próprio. Desta forma você ultrapassará a barreira dos 30 e continuará a ser comunista.

Siga estes passos e com certeza você vai ganhar muito dinheiro. Lembre-se, Cristo atingiu seu ápice aos 33 anos. Portanto, nunca deixe de ser a vítima, mas muito cuidado para não ser desmascarado um dia!

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".