Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.
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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Olavo de Carvalho: O Brasil perante os Conflitos da Nova Ordem Mundial

Olavo de Carvalho.

O Brasil perante os Conflitos da Nova Ordem Mundial: Oportunidades e Desafios.

Palestra proferida pelo filósofo, jornalista,escritor e professor Olavo de Carvalho no dia 6 de agosto de 2004, no Salão Nobre da OAB SP.

Aqui entende-se porque comunista "pré-revolucão" está sempre cheio de dinheiro. Ele vem dos que o professor chama de "metacapitalistas", multi-milionários que enriqueceram no capitalismo mas que não querem mais correr o risco que existe de perder seu capital. Deixaram, portanto, de ser capitalistas (não aceitam mais as leis de mercado), e agora querem ser dinásticos. E o comunismo, por ser uma armadilha para enganar a todos para se tomar o PODER eliminando as estruturas da sociedade e instalando um grupo dinástico no comando do Estado, é uma ótima ferramenta para os "metacapitalistas" atingirem seus objetivos.

Esta aliança entre sociopatas de direita e de esquerda de diversos matizes é um dos processos de onde nasce a NOVA ORDEM MUNDIAL. A China já é assim. Metacapitalistas são os donos do poder, dos chineses e do capital. Além disto, nos sistemas ditos comunistas não existe as leis de mercado mas nunca deixou de existir um capitalismo disfarçado feito na base do chicote no lombo dos escravos, o que também é perfeito para os "metacapitalistas". A União Soviética era assim e como diz Olavo é fácil perceber isto. Diz ele que "no dia seguinte ao fim da URSS apareceram milionários russos fazendo negócios pelo mundo afora. Ora, como pode-se ter gente rica onde EM TESE não existia propriedade privada dos bens de produção?".

É uma bela aula, assistam.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Resenha do livro Jardim das Aflições - Olavo de Carvalho





Introdução

A partir de uma palestra de José Américo Motta Pessanha, em um seminário de ética em 1993, Olavo de Carvalho constrói uma desconcertante narrativa sobre a falência intelectual de nosso tempo e a consolidação da nova era em que o indivíduo é destruído dentro de uma nova concepção de Império.

Questiona os critérios do seminário no MASP que ao discutir a ética grega, referiu-se apenas às tragédias e a Epicuro, ignorando propositalmente os grandes filósofos gregos que trataram do assunto, notadamente a trinca Sócrates-Platão-Aristóteles. A ética medieval ficou reduzida à inquisição, ignorando completamente a escolástica e o monumental trabalho de Tomás de Aquino e Agostinho. Para Olavo, o sentido era claro, desviar as mentes de qualquer análise filosófica mais séria.

Pessanha teria apresentado Epicuro como modelo para a ética moderna e a partir deste ponto começam as reflexões de Olavo. Na verdade, o palestrante não queria construir um debate sobre ética mas usá-la como instrumento político. Analisando o caso do ex-presidente Collor, afastado do poder por um movimento de ética na política, Olavo mostra que o discurso foi apenas uma arma para atingir um objetivo claro: afastar do poder um presidente indesejado.

Epicuro

O título do livro remete ao jardim de Epicuro, que o autor identifica como raiz da nova ordem, o abandono do mundo real em favor de uma realidade artificial criada para iludir o homem em um esquema mental de felicidade. O epicurismo é apresentado como um disfarce do materialismo, uma falsa filosofia que só se sustenta pela abolição da consciência e a completa dissociação da prática com a teoria.

O epicurismo parte do princípio que tudo é material e que a densidade é que faz a diferença entre coisas mais “reais” ou menos “reais”. A diferença dos deuses é que estes seriam mais rarefeitos e, portanto, mais duráveis. Os deuses não se ocupariam do humano, apenas conversariam caracterizando-se como os filósofos na essência, dedicariam-se ao ócio contemplativo. O homem seria movido pela busca do prazer e a causa de seus movimentos seria o desejo.

O epicurista deveria seguir uma auto-disciplina em torno de quatro convicções básicas:

1. Não se deve temer a morte;
2. É fácil alcançar o bem (o prazer);
3. Não se deve temer à divindade; e
4. É fácil suportar o mal.

Esta disciplina teria como objetivo a perda da consciência e a fuga da realidade. A meditação epicúria, renascida em nossos dias, é uma fuga do real, uma física para hipnotizados. Trata-se da perda da distinção entre o efetivo e o possível. O senso do real é onde repousa a moral e a responsabilidade. O epicurista foge do conhecimento objetivo pois este reflete um compromisso com a verdade e a coerência. Surgem os desejos na cultura de massa, o trio sexo-dinheiro-fama, caracterizando uma nova ética baseada em novos valores provocando o rompimento com a tradição.

Olavo denuncia o uso das modernas técnicas de psiciologia como arma de convencimento e o epicurismo como a origem na história da humanidade da manipulação das mentes. Não demorou muito para que o Estado Nacional, as empresas e os movimentos de massa passassem a utilizar as técnicas de moldagem de personalidade com o objetivo de subjugar a mente humana em um culto universal do engano.

Em um capítulo fascinante, descreve os trabalhos de Pavlov, Poezl e outros, envolvendo a programação neuro-linguística, reflexo condicionado, estimulação incoerente provocando reação contrária, propaganda subliminar e a lavagem cerebral, agora em sua forma mais cruel: permanente e de forma subliminar. A utilização destas técnicas pode ser vista no pragmatismo, neopositivismo, marxismo, pseudo-religião e Nova Era.

Marx

Não por acaso, Marx começou seus estudos por Epicuro. Olavo identifica a simbiose entre teoria e prática como a mais forte ligação entre o epicurismo e o marxismo. Nos dois fenômenos há a nítida fuga da tentação da objetividade e a auto persuasão hipnótica; o papel do filósofo é transformar o mundo pois existe o culto à transformação, cujo objeto se torna um meio. A prática está acima da contemplação pois há um reinado dos meios invertendo o sentido da ação humana.

Os Braços e a Cruz

A era moderna começou com dois movimentos paralelos que logo entraram em choque entre si: a divinização do espaço e a divinização do tempo.

Na divinização do espaço, a ciência tornou-se o único critério da verdade. O mecanicismo tomou contra do mundo gerando a substituição do mundo real por esquemas matemáticos, gerando uma uniformização e simplificação da realidade. É o triunfo das ciências físico-matemáticas.

A divinização do tempo é o triunfo das ciências humanas. A partir do pensamento de Leibinitz (temos o universo dentro de nós) e Vico (só conhecemos o que fazemos), a única fonte verdadeira de conhecimento passa a ser a história. A vida intelectual deixa a Igreja e passa aos palácios, a dialética é abandonada em função da retórica.

Com Hegel surge explicitamente o culto ao Estado Moderno como substituto da Igreja na condução espiritual dos povos. Seja em sua versão comunista, nazista ou liberal, o estado se torna unipresente através do império das leis.

O epicurismo podia ser representado como o Iogue, aquele que acreditava em uma verdade em outro mundo. O marxismo era o Comissário, aquele que desejava mudar o mundo à imagem de sua verdade. Os tempos atuais mostram a simbiose entre Iogue e o Comissário, uma espécie de aliança do epicurismo com o marxismo contra um inimigo comum: a inteligência teorética. O homem de hoje quer ao mesmo tempo os prazeres da evasão consumista (capitalismo) e o sentimento da participação ética em uma epopéia redentora (socialismo). “Mais do que um líder ou guru, o iogue-comissário é um símbolo em que se projetam as mais potentes aspirações de nosso tempo em direção à utopia.”

Este deus histórico-cósmico já passou várias vezes pela história ocidental. Primeiro como César, o deus-imperador. Na segundo como o gnosticismo, o retorno à religião imperial para manchar com seus vapores os primeiros séculos do cristianismo.

O gnosticismo surgiu como uma reação global da mentalidade antiga contra o Cristianismo emergente. A nova religião teria se oposto a todas as anteriores ao não propor nenhum modelo social para a humanidade, ao ligar-se diretamente ao verbo, ao afirmar a salvação individual e por seu caráter universal. Até então, a religião tinha um caráter social onde o modelo social deveria espelhar a cosmovisão espiritual, uma religião para iniciados e que o acesso ao verbo só poderia ser realizado por líderes espirituais. O Cristianismo veio para dessacralizar o Estado pois o esforço deveria se dar na salvação da alma (auto-consciência) do homem solitário religioso e autônomo e não mais no melhoramento da sociedade e satisfação individual.

Olavo recorre à figura da cruz para mostrar um esquema para as religiões e seitas do mundo. Na haste vertical teríamos a alma na base e Deus na parte superior. No braço horizontal teríamos o “mundo” humano (Sociedade, lei, Histórica) de um lado e o “mundo” natural (cosmos, lei natural, ambiente físico) de outro. Estes quatro elementos estariam presentes em todos os fenômenos religiosos do mundo e se defeririam na ênfase de seus elementos.

Deus seria o único elemento físico em todas as religiões, mesmo que com outro nome ou reduzido a algum conceito abstrato, mas sempre presente. Os outros três fatores são móveis. Assim teríamos:

• Cristianismo: ênfase na relaçnao direta entre a alma e Deus (eixo vertical)
• Judaísmo: ênfase na relação entre Deus e a comunidade humana, o povo de Israel.
• Budismo: ênfase na alma

O cristianismo portanto, representava a perda da sociedade e da natureza como interlocutoras entre a alma e o divino e foi este o sentido da reação contra, a luta pela restauração da natureza e da sociedade ao seu estatuto anterior, “a luta, portanto, contra o indivíduo humano, contra a alma, contra a consciência autônoma”.

O catolicismo foi a exteriorização do cristianismo para ocupar o vazio religioso da Europa barbarizada, foi a adaptação do cristianismo ao poder temporal, a romanização da Igreja com a sua conseqüente contaminação pelo gnosticismo, mostrando sua inaptidão para o poder terreno. A Igreja conquista o mundo, mas deixa-se conquistar em parte por ele. O eixo vertical finalmente é derrubado e a luta humana passa ao eixo horizontal, a luta entre o espírito da sociedade política e o culto das forças materiais do cosmos. “A dimensão sóciocósmica pretende subjugar, engolir e eliminar a dimensão espiritual e metafísica”.

“Aparece aí, com toda clareza, o tema dominante de todos os conflitos de idéias no Ocidente desde o Renascimento. Derrubado o eixo vertical, o horizontal não pode permanecer de pé, pois não há entre os dois termos a desigualdade flagrante que há entre o indivíduo humano e Deus: história e mundo, cultura e natureza, valor e fato, jamais podem chegar a um acordo senão tomando como fiel da balança a vertical que aponta, para cima, a esfera das leis metafísicas, os limites do possível e do impossível, e, para baixo, os desejos e aspirações da alma humana singular. Retirados de cena a alma e o Absoluto, resta apenas o combate de Leviatã e Beemoth, o espírito da rebelião autolátrica que comada a História, o espírito da submissão cega e mecânica à natureza exterior.”

A Religião do Império

Foi Conte que pela primeira vez descreveu a proposta de um novo culto, de uma nova religião em que desaparecia à relação com o divino. Os pontos básicos eram:

- Seria uma religião do Estado;
- Um novo calendário com apenas as datas civis
- Predomínio da ciência-técnica

O tempo seria divinizado através do culto aos antepassados, a fusão da lei religiosa com a lei civil e a ideologia do progresso. Tirando o Brasil, nenhum país adotaria integralmente o positivismo. Alguns itens, como o calendário civil seria adotados por todos os países como forma de diminuir a importância dos religiosos.

Para Olavo de Carvalho, a história política do ocidente seria a luta pelo direito de sucessão do Império Romano. A grande pergunta seria como restaurar o Império sem uma religião estatal? Por muito tempo o conflito foi entre o sacerdócio e a realeza, até que a Revolução Francesa o colocasse sobre novos patamares.

Inicialmente, o clero dispunha do poder na Europa barbarizada mas estava preso pelo celibato, como construir uma dinastia para governar o mundo? A solução inicial foi aliar-se à realeza buscando uma aliança com nobres que se dispusessem a seguir a orientação espiritual da Igreja o que levou à primeira tentativa de re-estabelecimento do Império com Carlos Magno. Entretanto, o sonho do Império Cristão se desfez com a sucessão e desmembramento.

A segunda Roma Imperial foi fundada por um pacto entre um Papa, João XII e um rei, Otto I, originando o Sacro Império Romano. Seria a segunda translação do modelo imperial. Concebido para ser o braço armado da Igreja, na prática passou quase um século às turras com o papado. Durante a maior parte de sua existência, não passou de um aglomerado de principados e ducados independentes e mutualmente hostis.

A terceira forma de tentativa de restauração do império se deu pelo colonialismo. O Império doméstico era substituído pelo Império Colonial que trazia consigo três mudanças profundas:

- A multiplicação dos concorrentes a Império;
- A alteração profunda entre realeza e clero;
- A diversificação das culturas nacionais e a ruptura da unidade cristã.

A luta passa a ser entre o internacionalismo, representado pelo papa e remanescentes do antigo Império e o nacionalismo imperial das novas potências. A idéia da religião como uma instância superior ao poder temperal é substituída por um conflito entre legislativo e executivo, um conflito que nunca terminará justamente por ausência desta superioridade, um conflito que sempre terá um único resultado possível, o fortalecimento ilimitado do poder.

No conflito entre o rei e a lei, os ingleses bolaram o parlamentarismo onde o rei exercia um poder divino mas conferido pelo legislativo que por ser expressão da vontade do povo tornava-se automaticamente um corpo místico pois a vontade do povo era a voz de Deus. O rei autodivinizado é o estágio necessário para que as idéias de Maquiavel pudessem ser aplicadas e a razão do Estado se tornasse prática generalizada. Assim nasceu o Estado moderno, através da apropriação por nações ambiciosas do sonho imperial através de uma falsa consciência religiosa.

Com a revolução francesa, surge Napoleão, que realiza uma nova tentativa de translação da idéia do império, agora dispensando toda a legitimação religiosa, mesmo que farsesca. O Império era a única divindade, César é maior que Cristo. É o primeiro império não-cristão do Ocidente. Todo o cristianismo residual deveria ser absorvido e laicizado na forma de “direitos e deveres do cidadão”. Napoleão foi incapaz de construir esta realidade pois procurou conservar a estrutura de poder do antigo regime, uma aristocracia militar e hereditária. Este foi o seu fim. O novo estado leigo não poderia se sustentar na hereditariedade, na aristocracia de sangue, nos resquícios do feudalismo.

“O Império leigo não podia ter um resíduo sequer de compromisso com a Igreja, nem, por isso mesmo, com as velhas aristocracias. Ele necessitava apoiar-se numa nova classe social, numa nova estrutura de poder, numa instituição religiosa que fosse intrinsecamente ligada ao Estado: César só poderia ressuscitar sob a forma capitalista, republicana, maçônica e protestante. República imperial, capitalista, maçônica e protestante: é a definição dos Estados Unidos”.

O Império Contra-Ataca

A dificuldade das nações européias em entender que estavam diante do crescimento de um novo império deveu-se principalmente ao caráter totalmente diferente da evolução americana. Em primeiro lugar, surgira de uma revolução anti-imperialista. Em segundo lugar, era democrática, com extensas discussões parlamentares; era impossível imaginar uma política imperial sem um Imperador autocrático. Em terceiro lugar, não havia uma política imperial e contínua. Em quarto lugar, os EUA eram também uma nação capitalista. Os interesses privados eram, na maior parte dos casos, contrários ao expansionismo do Estado, preferindo a penetração comercial às intervenções militares.

Tratava-se de uma mutação da idéia imperial, mas um disfarce perfeito para seus reais objetivos. Era um império leigo que incorporava de forma laicizada e desespiritualizada os valores cristãos, assumindo o encargo de substituir a Igreja na vida interior das gentes, e de unificar sob a nova religião laica o mundo Ocidental e se possível, o Oriente.

A religião do Novo Mundo é maçônica. Desde a declaração da independência que ninguém faz carreira política nas três Américas sem ter de entrar na Maçonaria, prestar satisfações a ela ou enfrentá-la. A aristocracia não deixa de existir com o novo império, mas sofre uma gigantesca reciclagem tornando-se não uma classe, mas uma casta. Seus traços:

- substituição das antigas aristocracias de sangue pela nova aristocracia iniciática;
- caráter secreto ou pelo menos discreto do novo poder aristocrático;
- formidável concentração do poder do dominador, aliada a uma não menos formidável expansão dos direitos nominais do dominado.

A democracia esconde na verdade uma luta interna no seio de uma casta aristocrática, cuja unidade espiritual repousa nas mãos de um novo sacerdócio. Todos os conflitos abertos, todas as disputas travadas diante o público, não passam de exteriorização das divergências nascidas e elaboradas dentro da Maçonaria.

Outra característica fundamental para entender os Estados Unidos é o fato de ser uma República protestante, que significa, em última instância, o Estado Leigo, Estado sem Religião oficial. Os Estados Unidos são o primeiro Estado professadamente a-religioso da História. Um Estado que se coloca acima das religiões, árbitro de suas disputas, que julga sem ser julgado, sem prestar satisfação senão ao Deus encarnado na “vontade popular”: vox populi, vox Dei.

A religião deixa de ser o princípio organizador da conduta humana pois os princípios religiosos só é possível na medida em que não entra em conflito com as leis civis. É a vitória da “Teologia Civil” trazendo junto a “espiritualidade civil”. O resultado é a extraordinária expansão do ateísmo no mundo.

Olavo percorre as características do império americano e sua expansão cultural pelo mundo até retornar ao ponto inicial de seu livro: o retorno ao MASP e o ingresso no Jardim das Aflições.

Na Borda do Mundo

No capítulo final e na conclusão, Olavo faz a ligação do ressurgimento do César e do Império Romano com a situação política e cultural brasileira. O país não está isolado do conflito de forças que existe no mundo e que tem seu epicentro nos Estados Unidos, o conflito entre o Leviatã e Beemoth e o consequente esquecimento do eixo vertical da cruz, da ligação da alma com Deus.

Um livro denso e pesado, com uma análise apurada dos vários movimentos que marcaram a modernidade e seus reflexos nos dias atuais. Uma daquelas obras que transformam a forma com que vemos o mundo, abrindo campos e mais campos para reflexão e observação. Um livro que deixa aquele gosto que há algo de profundamente errado com o mundo e a grande pergunta que fica é até que ponto esta situação pode ser revertida pelo homem.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Seminário de Filosofia completa um ano!

PARABÉNS PROFESSOR E OBRIGADO POR TUDO QUE TEM FEITO POR ESTE PAÍS QUE, COMO SEMPRE, TENTA ESQUECER DE SEUS MELHORES FILHOS.

DEIXEMOS O PAÍS ESQUECER, TEUS "FILHOS" (COMO EU) ESTAREMOS SEMPRE DO TEU LADO APRENDENDO O QUE É SER UM SER HUMANO DE VERDADE, UMA CRIATURA CUJAS PAIXÕES CEDEM ESPAÇO AOS VALORES ETERNOS COMO A VERDADE, ENTRE TANTOS OUTROS QUE O SENHOR "DESCORTINA" PARA TODOS NÓS.



Com Olavo de Carvalho eu aprendi o significado da epígrafe do Cavaleiro e estas palavras passaram a fazer sentido para mim, de fato:

"Não demonstre medo diante de seus inimigos. Seja bravo e justo e Deus o amará. Diga sempre a verdade mesmo que isso o leve à morte. Proteja os mais fracos e seja correto. Assim, você estará em paz com Deus e com você mesmo."

Obrigado mestre!!!

domingo, 1 de março de 2009

Artigo pretensiosamente didático escrito por mim mesmo

Recentemente publiquei um longo comentário sem deixar de ficar preocupado com as possíveis interpretações de trecho dele, que reproduzo abaixo. Vou assinalar as partes polêmicas do mesmo com a cor verde:

"...Neste grupo existem outros além dos citados. Os mais macabros são os que acham que são de direita/conservadores. Uma das características é que acreditam mesmo que o problema do Brasil tem um nome e um partido: Lula e PT. Outra é que possuem a certeza de que não precisam de ninguém que demonstre ter mais capacidade que eles..." 

Eu sabia que as pessoas que possuem estas características E que fazem parte ao mesmo tempo do grupo maior das pessoas que enxergam o mundo através de um vidro embaçado e sujo iriam nos brindar com a demonstração prática da mente que descrevi

Aqui está, postada logo depois que publiquei o artigo. 

Vejam o restante do site e perguntem-se: este tipo de material é fruto de trabalho por um Brasil melhor? Ou o pretenso resultado que busca é deteriorar ainda mais este país ao desinformar os brasileiros e fazê-los perder tempo com atrocidades como aquela e BBBs como faz a mídia brasileira? Para mim é o longo braço da revolução em ação. Se de um "pé de árvore" nasce manga, então a árvore é uma mangueira.

Para terminar, Olavo de Carvalho em um trecho de A ARTE DA ACUSAÇÃO INVERTIDA. Íntegra AQUI.

"Comunista, quando quer caluniar alguém, não precisa inventar crimes: atribui-lhe um dos seus, e pronto. Resolve dois problemas de uma vez: queima a reputação do infeliz e ainda esconde as suas próprias culpas sob as cinzas do cadáver. Isso é assim desde os tempos de Lênin. O método é simples, prático, brutal e descarado. Tão descarado que a platéia, recusando-se instintivamente a acreditar que alguém seja mau o bastante para usá-lo, cai no engodo de novo e de novo e de novo."

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

The Left's Assault on Language - Olavo citado nos Estados Unidos

Written by Donald Hank  |  Wednesday, 25 February 2009

Many conservatives now hesitate to identify themselves as conservatives or as being on the Right. One reason for this hesitation, no doubt, is the erratic way President Bush conducted himself in office.


President BushAnother reason is less known and almost never discussed. The definition of the terms Left and Right have been deliberately and carefully altered over the last few decades, just as most terms that apply to social issues have ("gay" "marriage", fundamentalism, racism, Supreme Court "striking down" laws, references to men with sex changes as "she", etc.).

The term "right" or "conservative" has been co-opted by the Left (I mean “Left” in the original sense) so that it now includes people in the extreme middle and on the near Left. Hence, the policies of G.W. Bush, even those relating to border control and immigration, are referred to erroneously as rightwing. After all, most Americans accept at face value Bush’s extravagant claim to be a conservative. This is because few understand that Bush's thinking has been heavily influenced by the "religious" Left, flying under the radar and generally mislabeled, deliberately again, as "religious right." Bush did not accept miscreant schemes like the SPP, the Mexican truck highway, open borders and amnesty for illegal immigrants only because he wanted to cater to business interests, as the Left and pseudo-Right stoutly maintain. He did so because he believed the “evangelical” myth that nationalism – and hence, national sovereignty as opposed to allegiance to world or supranational government – is anti-Christian, which is utter and absolute nonsense.

If we accept these unacceptable redefinitions of English, then, of course, we can no longer use the terms Left and Right because they are in constant flux at the whim of the Left.

But why should we chase after the Left's definition du jour as so many hapless tagalongs have done on their way to our current state of semi-anarchy? We must accept no other definition than the original organic one and it is not our fault if some foolishly accept bogus definitions – that is, it is not our fault if some have lacked the discernment to see how our language has been deliberately eroded by interest groups to their own benefit and to the detriment of our nation.

Another great example, by the way, is red states vs blue states, a word pair that is perfectly crafted to make the unwary forget that red China was communist, or that red was the preferred color of the Russian Revolution. We are now all the same under our newspeak definitions.

To understand these stealthy changes and to know what the Left – in the original sense of that word – is all about, you can rely on the writings of Olavo De Carvalho, who may well be the foremost authority anywhere on the Left and on the useful idiots who aid and abet them. He still knows the correct meanings of words (in more than one language) and refuses to let the Left lead him around by the nose.

All of this language change madness is a perfect illustration of why conservatives have the duty to "stand athwart history and yell 'stop,'" according to William Buckley’s definition.

Sadly, many of us have instead yelled: "take it slow going over the cliff."

Those who have done so are conservatives only by the Left's definition. Isn't it time to stand our ground, reclaim our language and stop being maneuvered by these weasels?

Then we can have our name back, without apology.


Donald Hank
 is a former language teacher, currently operating a technical translation agency in Wrightsville, PA. A former language teacher, he holds an undergraduate degree in French and German from Millersville State University (PA), a Master’s degree in Russian language and literature from Kutztown State College (also in PA), has studied Chinese for 3 years in Taiwan at the Mandarin Training Center, and is self-taught in other languages, having logged a total of 8 years abroad in total immersion situations. He is also the founder of Lancaster-York Non-Custodial Parents, a volunteer organization that provides Christian counseling for non-custodial parents.

Olavo descreve previsão de Belloc

BLOG DO ANGUETH
Quarta-feira, Dezembro 10, 2008

No artigo A Elite que Virou Massa, Olavo de Carvalho descreve o estado de coisas que vemos hoje no mundo e que Hilaire Belloc chamava escravidão. Vamos ao texto de Olavo. Transcrevo um trecho abaixo. Os negritos são meus (do Angueth).

“Em 1939, Eric Voegelin observava que as condições essenciais para a democracia, tal como haviam sido concebidas no século XVIII, já não existiam mais. De um lado, a economia e a administração pública tinham se tornado tão complexas que o cidadão comum já não preenchia as condições mínimas para formar uma opinião racional a respeito: sua razão refluíra para o círculo estreito das atividades profissionais e familiares, deixando suas escolhas políticas à mercê de apegos emocionais, desejos pueris, sonhos e fantasias que o tornavam presa fácil da propaganda totalitária. De outro lado, as novas classes surgidas na sociedade moderna – o proletariado urbano, o baixo funcionalismo público, os empregados de escritório – eram bem diferentes dos pequenos proprietários que criaram a democracia iluminista: eram exemplares do “homem massa” de Ortega y Gasset, menos inclinados à busca da independência pessoal do que a confiar-se cegamente à mágica do planejamento estatal e da disciplina coletiva. Tudo, no mundo, convidava ao totalitarismo.

“Passados setenta anos, a composição da sociedade tornou-se ainda mais vulnerável à manipulação totalitária.
O advento de massas imensas de subempregados, dependentes em tudo da proteção estatal, somada à destruição da intelectualidade superior por meio da transformação global das universidades em centros de propaganda revolucionária, reduziu praticamente o eleitorado inteiro à condição de massa de manobra.

Olavo segue enumerando as conseqüências da situação descrita acima para a democracia. Vale a pensa ler o artigo.

Vamos agora a Belloc. Em seu livro “As Grandes Heresias”[1], escrito em 1938, ele descreve uma das características do que ele chama de Ataque Moderno à Igreja Católica. É a volta da escravidão. Os negritos são meus (do Angueth).

“Em primeiro lugar, estamos testemunhando um renascimento da escravidão, o resultado necessário da negação da liberdade quando essa negação vai um passo além de Calvino e nega a responsabilidade perante Deus tanto quanto a falta de poder no interior do homem. Duas formas de escravidão que estão gradualmente aparecendo, e que amadurecerão mais e mais com o passar do tempo sob o efeito do ataque moderno contra a Fé, são a escravidão ao Estado e às corporações privadas e indivíduos.”
(...)
“Quando o papa reinante[2], em sua Encíclica[3] falou do homem reduzido “a uma condição não muito longe da escravidão”, ele quis dizer simplesmente o que foi dito acima. Quando as famílias num Estado não possuem propriedades, então aqueles que antes eram cidadãos, se tornam escravos. Quanto mais o Estado interfere para garantir condições de segurança e suficiência, quando mais regula os salários, provê seguro compulsório, plano de saúde, educação – em geral assumindo o controle da vida dos assalariados, em benefício das companhias e homens que empregam os assalariados – mais a condição de semi-escravidão é acentuada. E, se a situação continuar por, digamos, três gerações, ela se tornará tão completamente estabelecida como um hábito social e um padrão mental que não haverá dela escapatória nos países onde um Socialismo de Estado desse tipo tenha sido forjado e incrustado ao corpo político.

“Na Europa, a Inglaterra em particular (mas muitos outros países em menor grau) adotou esse sistema. Abaixo de certo nível salarial, um homem tem garantida uma subsistência mínima, caso perca o emprego. Um salário desemprego é dado a ele pelas autoridades públicas as custa da perda de sua dignidade humana. Cada circunstância de sua família é examinada; ele fica ainda mais nas mãos dessas autoridades, quando desempregado, do que estava nas mãos de seu empregador, quando empregado. A coisa está ainda em transição; a massa de homens ainda não percebeu para qual objetivo ela tende; mas o desprezo pela dignidade humana, a potencial, senão a real, negação da doutrina do livre arbítrio, tem levado, por uma conseqüência natural, ao que são as instituições semi-servis. Estas se tornarão totalmente servis com o tempo.

“Contra o mal do sistema salário-escravidão, há tempos foi proposto, e já está agora em pleno funcionamento, certo remédio. Seu nome mais breve é comunismo: escravidão ao Estado, muito mais avançada e integral do que a primeira forma, escravidão ao capitalismo.

Como se vê, Olavo (e também Eric Voegelin) e Belloc se aproximam do assunto de perspectivas diferentes. Belloc toma como ponto de partida o fato de o Ataque Moderno ser uma heresia religiosa, contra a Igreja. Isso lhe dá um ângulo de visão diferente, mais profundo, mais elementar, mais radical. Vale pena ler o livro.

__________________________________________
[1] A ser publicado em 2009, pela Editora Permanência.
[2] Pio XI.
[3] Quadragesimo anno.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Olavo de Carvalho - O COMUNISMO NO BRASIL É INEVITÁVEL!

Basta assistir...

Olavo de Carvalho faz uma declaração arrazadora e firme: O total domínio do comunismo no Brasil é certo e inevitável!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Bruno Garschagen entrevista Olavo de Carvalho

MOVIMENTO ENDIREITAR
Escrito por Bruno Garschagen   
Qua, 28 de Janeiro de 2009 07:00

"Ser conservador é não ser jamais o portador de um futuro radiante"


Em 2007, quando comecei a colaborar com a revista Atlântico, de Lisboa, fiz uma lista de pessoas do Brasil que eu gostaria de apresentar aos portugueses leitores da revista. Era uma forma de restabelecer uma aproximação cultural entre os dois países que não se limitasse à esfera diplomática e governamental.

O primeiro entrevistado foi Diogo Mainardi. O segundo, Reinaldo Azevedo. O terceiro, Olavo de Carvalho, cuja conversa, feita por e-mail, reproduzo hoje integralmente. Por questões de espaço, a revista publicou uma parte pequena, embora substancial, da entrevista (o quarto entrevistado foi Nelson Ascher). Antes, porém, algumas considerações.

Considero Olavo um dos grandes responsáveis por reabrir na imprensa e na vida intelectual um espaço de debate que no Brasil já era tido como morto, enterrado, goodbye, so long, farewell. Foi nos anos de 1990 que o filósofo brasileiro inaugurou uma nova fase na filosofia e na discussão político-cultural em Terras de Vera Cruz.

Sua faceta notavelmente provocadora é apenas uma das pontas de um trabalho criativo de pesquisa e reflexão que não vejo similar no âmbito do debate público. Ao lançar obras filosóficas da envergadura deAristóteles em nova perspectiva e O Jardim das Aflições. De Epicuro à Ressurreição de César, entre outras, imprimiu no pensamento filosófico brasileiro um rumo completamente diverso da dominação doutrinária impingida pelos autoproclamados filósofos que eram (e são), apenas, professores universitários ligados à esquerda, de forma consciente ou não. No Brasil, a revolução gramsciana foi tão bem executada na educação, artes e meios de comunicação que a maior parte da população assimilou o espírito degenerado do esquerdismo sem sequer saber que fora estrategicamente convertida em inocente útil da causa.

Mediante aulas, cursos e divulgação de idéias pelos jornais, revistas, site e talkradio (www.olavodecarvalho.org), Olavo segue com seu trabalho abnegado de construir um pensamento original e tentar formar uma elite intelectual. Uma rápida googlada dá uma idéia, embora pálida, do efeito explosivo que esse trabalho vem provocando desde a década de 1990. Aos 60 anos, o filósofo mora com a família desde 2005 em Richmond, Estados Unidos, onde desenvolve seus estudos, principalmente, sobre a mente revolucionária e a paralaxe cognitiva, e trabalha como colunista do Diário do Commércio (SP) e Jornal do Brasil.

Olavo aceitou gentilmente responder algumas perguntas para a revista Atlântico, respostas essas que divido com vocês, não sem antes fazer um agradecimento especial à Roxane Andrade, mulher do filósofo, pessoa extraordinária e gentil que tenho a honra de ter como amiga. À entrevista:

O que é e há quanto tempo, Olavo, você desenvolve os estudos sobre a mentalidade revolucionária?

É uma longa história. Esse estudo surgiu da confluência mais ou menos acidental de duas investigações independentes que eu vinha desenvolvendo desde os anos 80. A primeira diz respeito às definições de direita e esquerda. Por um lado, havia uma tendência, na mídia e nos debates públicos em geral, de minimizar ou até negar explicitamente a diferença entre direita e esquerda. Essa tendência tornou-se ainda mais forte depois da queda da URSS. Por outro lado, a esquerda assumia cada vez mais orgulhosamente sua identidade de esquerda, ao mesmo tempo em que a sua influência política se tornava cada vez mais dominante. A direita, por seu lado, se encolhia numa timidez abjeta, negando sua própria existência, escondendo-se sob o rótulo de "centro" e copiando cada vez mais o vocabulário e a forma mentis da esquerda. Era claro que aí havia um problema, principalmente porque os mais obstinados negadores da diferença entre esquerda e direita eram provenientes da direita. O problema colocava-se portanto em dois níveis. Primeiro, o empenho de dissolver as diferenças entre dois discursos ideológicos não impedia que pelo menos uma das forças políticas correspondentes continuasse existindo historicamente como força atuante e perfeitamente identificável. Segundo: se a negação da diferença tencionava esvaziar a esquerda, diluindo a força atrativa do comunismo num vago e inofensivo "progressismo", foi a própria direita que por meio desse artifício acabou se tornando vaga e inofensiva. Se era assim, era claro que havia um desnível entre a discussão pública e as forças políticas reais por baixo dela. A pergunta que surgia era: Em que consistem a direita e a esquerda como forças históricas objetivas, para além de seus respectivos discursos de autodefinição ideológica? Logo tornou-se claro que era impossível definir direita e esquerda em função de seus objetivos proclamados, que não só eram mutáveis, mas intercambiáveis.

E o que fez para avançar na investigação?

A idéia que me ocorreu então foi atacar o problema num nível mais profundo, buscando diferenças estruturais de percepção da realidade, das quais os sucessivos discursos historicamente registrados como de direita e esquerda pudessem se desenvolver com toda a sua variedade interna alucinante, sem prejuízo das estruturas básicas. Se eu conseguisse descobrir essas duas estruturas permanentes, a direita e a esquerda estariam delineadas por diferenças objetivas para muito além do horizonte de consciência dos indivíduos e organizações que personificavam essas correntes. Descobri várias dessas diferenças. A principal é a diferença na percepção do tempo histórico. A esquerda – toda a esquerda, sem exceção – enxerga o tempo histórico às avessas: supõe um futuro hipotético e o toma como premissa fundante da compreensão do passado. Em seguida, usa essa inversão como princípio legitimador das suas ações no presente. Como o futuro hipotético permanece sempre futuro, e por isso mesmo sempre hipotético, toda certeza alegada pelo movimento esquerdista num dado momento pode ser mudada ou invertida no momento seguinte, sem prejuízo, seja da continuidade do movimento, seja do sentimento de coerência por baixo das mais alucinantes incoerências.

Somando a isso a descoberta de Jules Monnerot de que a cada geração é a esquerda quem aponta e delimita a direita, nomeando como tal aqueles que lhe resistem, a direita aparecia portanto como o conjunto daqueles que, por mil motivos variados, resistem à inversão da razão histórica. Podem fazê-lo, por exemplo, por ser cristãos e acreditar que o "fim da história" é uma passagem para a eternidade e não um capítulo da história profana. Mas podem fazê-lo também por ser ateus de mentalidade científica que preferem moldar as hipóteses segundo os fatos e não alterar os fatos conforme as hipóteses. A segunda investigação foi da "paralaxe cognitiva".

O que é a paralaxe cognitiva?

Assim denomino o deslocamento, às vezes radical, entre o eixo da construção teórica de um pensador e o eixo da sua experiência humana real, tal como ele mesmo a relata ou tal como a conhecemos por outras fontes fidedignas. Raro e excepcional na antigüidade e na Idade Média, esse deslocamento começa a aparecer com freqüência cada vez mais notável a partir do século XVI, dando a algumas das filosofias modernas a aparência cômica de gesticulações sonambúlicas totalmente alheias ao ambiente real em que se desenvolvem. Um exemplo claro é a teoria de Kant sobre a incognoscibilidade da "coisa em si". Se não conhecemos a substância das coisas materiais, mas somente a sua aparência fenomênica, que esperança podemos ter de atingir um dia, a partir de indícios materiais, isto é, letras impressas numa folha de papel, a substância da filosofia de Immanuel Kant? Certamente o filósofo de Koenigsberg não se contentaria se apreendêssemos somente a aparência fenomênica da sua filosofia, a qual filosofia, nesse sentido, é radicalmente incompatível com o ato de escrever livros – e olhem que Kant os escreveu em profusão. Por mais coerente que seja consigo mesma, a filosofia de Kant é incoerente com a sua própria existência de obra publicada.

Outro exemplo: Karl Marx diz que só o proletariado pode apreender o movimento real da história, porque as classes que o precedem vivem aprisionadas na fantasia subjetiva das suas respectivas ideologias de classe. Mas, se é assim, por que o primeiro a perceber isso e a apreender o movimento alegadamente real da história foi o próprio Karl Marx, que não era proletário, não tinha nenhuma experiência da vida proletária e até a idade madura só conhecia os proletários por meio de leituras? Ou a ideologia de classe é inerente à posição social real do sujeito, ou é de livre escolha independentemente da posição social, mas neste último caso não é ideologia de classe de maneira alguma e sim apenas ideologia pessoal projetada ex post facto sobre uma classe, também de livre escolha. Os exemplos desse tipo são tantos que não espero jamais poder chegar a recensear senão uma amostragem ínfima deles. Inevitavelmente, a semelhança estrutural entre a paralaxe cognitiva e a inversão do tempo tinha de se tornar clara um dia, por mais lerda que fosse a minha cabeça.

Como conseguiu?

Substituí, no meu estudo, os termos "esquerda" e "direita" pelos de "revolução" e "reação". Daí para diante, foi ficando cada vez mais evidente para mim a unidade histórica do movimento revolucionário desde as rebeliões messiânicas estudadas por Norman Cohn em The Pursuit of the Millennium até o Fórum Social Mundial. E aí foi que se tornou também claro, mesmo para o meu cérebro cansado e obscurecido, o centro da confusão entre os termos direita e esquerda – porque muitos movimentos tidos popularmente como "de direita" operavam, de fato, na clave revolucionária e não reacionária. De uma maneira ou de outra, esses movimentos acabavam jogando lenha na fogueira da revolução, e trabalhando, portanto, contra seus próprios ideais declarados. Captar e descrever a unidade do movimento revolucionário é desenhar claramente, perante os olhos dos homens "de direita", a verdadeira natureza do seu inimigo permanente. É desfazer uma infinidade de confusões catastróficas, que determinaram, ao longo do tempo, outras tantas políticas suicidas. Se eu conseguir lançar nesse matagal toda a claridade que pretendo, creio que terei feito alguma coisa de útil, pelo menos para dar a Nosso Senhor Jesus Cristo um pretexto que ele possa alegar em minha defesa no Juízo Final.

A partir de qual momento e o que o levou a desenvolver o estudo da paralaxe cognitiva?

É outra história comprida, que vou abreviar dizendo que foi sobretudo uma motivação de ordem moral. Erneste Renan dizia que não conseguia pensar se não tivesse a garantia de que suas idéias não teriam a menor conseqüência no mundo real. Essa atitude sempre me inspirou horror. A cada frase que eu dizia em aula, sempre me ocorriam as perguntas: Até que ponto eu acredito mesmo nisso? E que direito tenho eu de persuadir os outros de alguma coisa em que eu mesmo não sei se acredito ou não? Não sei quando me ocorreu a idéia de fazer essas perguntas não só a mim mesmo, mas aos filósofos que eu lia. René Descartes, por exemplo, jura que a seqüência das suas "Meditações de Filosofia Primeira" não é um mero raciocínio, mas o relato de uma experiência real. Examinando essa experiência, notei que ela era psicologicamente impossível, exceto como dedução hipotética. Ou seja: Descartes tomava como sua história interior real o que era apenas uma construção lógica, confundindo o seu eu pessoal histórico com o eu filosófico abstrato. Isso tinha a estrutura exata de um fingimento histérico ou, se levado às últimas conseqüências, de um delírio esquizofrênico. Creio ter demonstrado isso em duas apostilas que vocês podem ler no meu website. Não é estranho nesse sentido que, ao expor suas teorias sobre a estrutura do mundo físico, isto é, sobre aquilo que pode haver de menos subjetivo, sobretudo no próprio sentido cartesiano da res extensa, ele tenha escolhido fazê-lo sob a forma de uma obra de ficção, o "Tratado do Mundo". E isso justamente numa época em que o teatro como metáfora da realidade universal se tornava moda literária na Europa. A física de Descartes, afinal, era um conjunto de afirmações sobre a realidade objetiva, ou uma fantasia teatral? Descartes não o sabia, e eu muito menos.

À medida que fui descobrindo novos e novos exemplos desse fenômeno, acabei concluindo que quase toda a filosofia moderna se omitia de uma tomada de posição responsável que permitisse saber até que ponto seus criadores a levavam a sério como ciência objetiva ou apenas se deleitavam nela como num espetáculo de teatro. Quando chegamos a Nietzsche, a impossibilidade de decidir por uma coisa ou outra se torna total e invencível. Jamais saberemos "o que Nietzsche quis dizer precisamente", pois toda sua obra é um convite à indistinção entre fantasia e realidade.

Já o mesmo não se pode dizer da filosofia de um Leibniz, de um Schelling (na velhice ao menos), de um Husserl ou de um Eric Voegelin. Esses estão tentando falar mortalmente a sério, mesmo quando erram. A exploração dessa diferença é que resultou na tese da paralaxe cognitiva.

De que modo age social e politicamente o portador da mente revolucionária e de que forma é possível combatê-la?

A mentalidade revolucionária não é só inversão do tempo: é inversão das relações lógicas de sujeito e objeto, dos nexos de causa e efeito, da relação entre criminoso e vítima, etc. Uma boa parte do meu estudo é dedicado ao recenseamento dessas inversões, psicóticas no sentido clínico mais estrito do termo. Elas são a essência do movimento revolucionário, mas essa essência pode se manifestar sob uma impressionante variedade de formas. É por isso que o movimento revolucionário não pode ser definido nem pelo conteúdo concreto dos seus objetivos declarados a cada momento, nem pelo discurso ideológico com que os legitima. É preciso sempre buscar, sob a variedade dessas aparências, a resposta à pergunta: Tal ou qual movimento político ou cultural, nas circunstâncias precisas em que atua, impõe ou não impõe a seus militantes e simpatizantes aquele pacote de percepções invertidas? Se a resposta é "sim", então torna-se claro que se trata de um movimento inserido na corrente revolucionária. Se ele tem mais consciência ou menos consciência disso, é perfeitamente irrelevante para os resultados históricos objetivos que ele vai desencadear necessariamente por meio da inversão da consciência de populações inteiras.

Se o oposto de revolução é "reação" ou "conservadorismo", um reacionarismo ou conservadorismo consciente não atacará o movimento revolucionário apenas na superfície dos seus ideais proclamados ou da sua conduta política ostensiva, mas na base mesma, que é a inversão revolucionária da consciência e das consciências. Como todo movimento revolucionário se arroga o papel de representante do futuro, ele só responde perante o tribunal do futuro, mas como esse futuro, por definição, é móvel, o seu autonomeado representante no presente não tem jamais de responder perante ninguém. A mentalidade revolucionária é, na base, a reivindicação de uma autoridade ilimitada, de um poder divino. As pretensões explícitas de tal ou qual líder revolucionário podem até parecer modestas e sensatas na formulação verbal que ele lhes dê no momento, mas no fundo delas está sempre essa reivindicação, essa exigência implícita. Os movimentos revolucionários não criaram as grandes ditaduras genocidas do século XX por um desvio dos seus belos ideais ou por um acidente histórico qualquer. Eles as criaram por necessidade intrínseca da própria dialética revolucionária, que sempre terminará em totalitarismo sangrento, seja por um caminho, seja por outro caminho aparentemente inverso.

É nesse ponto, precisamente, que a mentalidade revolucionária tem de ser atacada de maneira implacável e incansável: ela é demência megalômana na sua essência mesma. Ela nunca pode produzir nada de bom. Ela é a mentira existencial mais vasta e profunda que já infectou a alma humana desde o início dos tempos. Ela é crime e maldade desde a sua raiz mesma – e é essa raiz que tem de ser cortada, não as ramificações mais aparentes apenas.

A boa notícia é que o movimento revolucionário não é uma constante na história humana. Ele apareceu numa dada civilização e num dado momento do tempo. Ele teve um começo e terá um fim. Apressar esse fim é o dever de todos os homens de bem.

Qual o reflexo do desenvolvimento da mentalidade revolucionária sem uma devida reação?

O principal e mais desastroso reflexo é que o próprio impulso conservador, um dos mais básicos e mais saudáveis da humanidade, acaba por não ter meios próprios de expressão e por copiar as estratégias e táticas revolucionárias, infectando-se da mentalidade que desejaria combater. Só para dar um exemplo, quando você rejeita alguma proposta revolucionária, logo lhe perguntam: "Mas o que você propõe em lugar disso?" Aí o conservador começa a inventar hipotéticas soluções conservadoras para todos os problemas humanos, e perde a autoridade da prudência, passando a discursar na clave psicótica das "propostas de sociedade". Ser conservador é não ter nenhuma proposta de sociedade, é aceitar que a própria sociedade presente vá encontrando pouco a pouco a solução para cada um dos seus males sem jamais perder de vista o fato de que, para cada novo mal que seja vencido, novos males aparecerão. Ser conservador é não ser jamais o portador de um futuro radiante, é ser o porta-voz da prudência e da sabedoria. Ser um conservador é saber que os limites da capacidade humana não desaparecerão só porque Lênin mandou ou porque Trotski disse que no socialismo cada varredor de rua será um novo Leonardo da Vinci.

Seus estudos mostram como operou a mentalidade revolucionária em Portugal?

Para responder a essa pergunta seria preciso sondar mais cuidadosamente o antigo regime. O salazarismo foi uma estranha mistura de conservadorismo cristão com elementos extraídos do fascismo, o qual é sem a menor sombra de dúvida uma ideologia revolucionária. A característica das ideologias revolucionárias é ter um "projeto de sociedade", em vez de respeitar a sociedade existente e tentar aperfeiçoá-la na medida modesta das possibilidades humanas e com a cautela que a prudência recomenda.

Qualquer nação que tenha se infectado profundamente da mentalidade revolucionária e tenha dado aos seus valores conservadores uma formulação política revolucionária corre o risco de estar sempre à mercê de novos projetos revolucionários, pelo simples fato de que perdeu de vista a noção de "ordem espontânea", que é a essência mesma da democracia e do conservadorismo. Que é ordem espontânea? É o conjunto de soluções aprendidas ao longo do tempo. É uma ordem espontânea porque não foi imposta por ninguém. É ordem porque tem um senso arraigado da própria integridade e rejeita instintivamente toda mudança radical. Mas é também aprendizado, isto é, absorção criativa das situações novas por um conjunto que permanece conscientemente idêntico a si mesmo ao longo dos tempos por meio de símbolos tradicionais constantemente readaptados para abranger novos significados.

Examinem bem e verão que ordem democrática é precisamente isso e nada mais. Se, ao contrário, um grupo imbuído do amor a valores tradicionais tenta deter a mudança, ele está introduzindo na ordem espontânea uma mudança tão radical quanto o grupo revolucionário que deseja virar tudo de pernas para o ar, pois o que esse alegado conservadorismo deseja é imortalizar no ar um momento estático de perfeição hipotética. Se esse momento, na imaginação dele, expressa os valores do passado, isso não vem ao caso, porque na prática política esse ideal será um "projeto de futuro" tanto quanto o ideal revolucionário. Uma sociedade só embarca no projeto revolucionário quando perdeu todo o respeito por si mesma. Um respeito que, entre outras coisas, implica o amor aos valores do passado como instrumentos de compreensão e ação no presente, não como símbolos estereotipados de uma perfeição ideal no céu das utopias.

E onde entra o salazarismo nesse história?

Não tenho a menor dúvida de que Antonio de Oliveira Salazar foi um homem honesto e um grande administrador. Mas o salazarismo foi infectado da mesma ambição de controle burocrático total que é característica do movimento revolucionário. Quatro décadas desse regime, e Portugal não tinha mais conservadores genuínos em número suficiente. Os poucos que havia fizeram um esforço heróico para dar à nação a verdadeira estabilidade democrática, mas a ânsia das soluções totais estava, por assim dizer, no ar — e, dissolvido o salazarismo, só quem podia tirar proveito dela era a esquerda.

Não desejo dar palpites na política interna de um país que da minha parte só merece aquele amor cheio de reverência que a gente tem por um avô navegante e guerreiro. Não levem a mal essa minha análise, que é só um esboço sem pretensões. Espero um dia poder estudar mais profundamente a história de Portugal e tirar um pouco das minhas dúvidas.

Há alguma particularidade sobre o que houve aqui?

Há algo de trágico na história de Portugal, pois os filósofos escolásticos portugueses foram os primeiros a compreender a verdadeira natureza do capitalismo, séculos antes de Adam Smith, mas, quando se inaugurou a temporada de caça aos escolásticos, com o iluminismo, ela não trouxe consigo a modernização capitalista, e sim um burocratismo centralizador sufocante. Por uma triste ironia, os adversários do centralismo pombalino eram os jesuítas, eles também revolucionários, que sonhavam com uma república socialista de índios na América do Sul. Posso estar enganado, mas o drama de Portugal é o mesmo de "A Montanha Mágica" de Thomas Mann: um jovem bom e promissor aprisionado entre dois falsos gurus: um iluminista autoritário com discurso modernizador e um jesuíta comunista.

E no Brasil?

O que em Portugal foi tragédia, no Brasil é uma palhaçada sangrenta. Se os portugueses têm uma consciência aguda da sua própria história e constantemente se interrogam sobre o seu passado, os brasileiros não conseguem se lembrar nem do que aconteceu quinze dias atrás, e não aprendem nada, absolutamente nada, com a experiência histórica. Mesmo porque não querem saber dela. Se não querem saber nem do presente, como vão entender o passado? O exemplo mais deprimente do desprezo brasileiro pelo conhecimento – e não digo do conhecimento superior, mas do simples conhecimento dos fatos da atualidade – foi a obstinada recusa geral de tomar ciência de um fenômeno chamado "Foro de São Paulo". Coordenação estratégica do movimento comunista no continente, reunindo em seu seio partidos legais em pé de igualdade com organizações de terroristas e narcotraficantes, o Foro é a mais poderosa organização política que já existiu na América Latina. Tudo o que todos os partidos de esquerda, armados e desarmados, fizeram ao longo dos últimos dezessete anos foi ali tramado e decidido. E durante esses dezessete anos toda a mídia brasileira, todo o establishment acadêmico, toda a classe política, todo o empresariado, todos os formadores de opinião se recusaram obstinadamente a ouvir falar do assunto. É um fenômeno inédito, único na história da estupidez universal. É claro que uma opinião pública formada sob a influência dessa casta de jumentos não pode ter nenhuma visão da realidade. Vive de sonhos, de desconversas, de tagarelice oca e dispersão de suas melhores energias em esforços vãos para resolver problemas não raro inexistentes, enquanto à sua volta o caos e a violência vão tomando conta de tudo e ninguém sequer se dá conta de que, através do Foro de São Paulo, os narcotraficantes e terroristas já estão no poder. A proposta revolucionária é, para o brasileiro de hoje em dia, o substitutivo completo e satisfatório da realidade. Nas últimas décadas, à medida mesma que aquela entidade invisível dominava o continente inteiro com seu segredo de Polichinelo, a cultura superior era totalmente destruída no Brasil, nossas crianças tiravam sempre os últimos lugares nos testes internacionais e a violência crescia até chegar aos cinqüenta mil homicídios por ano – mais ou menos duas guerras do Iraque. Já tive muita pena dos meus conterrâneos, agora não tenho mais. Eles fizeram uma opção preferencial pela ignorância. Seu sofrimento não é injusto.

Você tem sido um crítico do liberalismo e, concomitantemente, um defensor do conservadorismo. Esse conservadorismo que você defende é herança do moderno modelo inglês inaugurado por Edmund Burke?

Eu não diria só inglês, mas anglo-americano. A Inglaterra e os EUA foram os países do Ocidente que mais profundamente se impregnaram do sentimento de respeito pelas tradições, o qual no fim das contas é respeito pelo povo. É verdade que mesmo nesses dois países os planejadores alucinados de sociedades perfeitas estão tentando, e com freqüência conseguindo, destruir esse sentimento. Não sei em que medida os ingleses percebem o mal revolucionário que os vem acometendo nos últimos anos, mas os americanos estão acordadíssimos. Ainda que sem uma clareza suficiente quanto à unidade histórica do movimento revolucionário, os conservadores americanos sabem mais ou menos onde está o mal. E, o que é melhor ainda, pouquíssimos dentre eles se deixam levar pela tentação do que poderíamos chamar de "conservadorismo revolucionário". Eles nunca leram o brasileiro Jackson de Figueiredo, mas se o lessem endossariam com entusiasmo esta fórmula dele: "O de que precisamos não é uma contra-revolução. É o contrário de uma revolução".

Quais as principais virtudes do conservadorismo?

A autoconservação é a necessidade básica dos seres vivos. A própria capacidade de crescimento, desenvolvimento e adaptação a novas circunstâncias não é senão o instinto de autoconservação visto sob seu aspecto ativo e – nos seres humanos – criativo. Goethe dizia que aquele que sabe guardar, proteger e conservar terá sempre, no fim, a melhor parte. (Goethe é, aliás, um dos grandes pensadores do conservadorismo, tão grande quanto Burke. Shakespeare é outro, como também Dante, Balzac e Dostoievski.)

Veja um exemplo: quando você aprende uma língua, o que é mais importante, adquirir novas palavras ou conservar as velhas na memória? As novas só fazem sentido em função das velhas, mas estas são úteis em si mesmas, ainda que você não lhes acrescente mais nenhuma. Todo desenvolvimento deve buscar em primeiro lugar a conservação dos bens adquiridos, e só em segundo lugar a conquista de novos bens. Jean Fourastié observava que, se ao lado da história dos progressos do conhecimento fizéssemos também a história da ignorância, o recenseamento e reconquista dos conhecimentos perdidos, o progresso seria muito maior.

Para aumentar o patrimônio é preciso antes possuí-lo e conservá-lo. Antes de poder começar a desenvolver-se por sua própria iniciativa, uma criança tem de ser cuidada, protegida, conservada por vários anos. Assim também a sociedade. A riqueza e a cultura perdem-se com uma facilidade impressionante, e as perdas maiores ocorrem sobretudo quando das mutações revolucionárias. Não é coincidência que nenhum regime tenha conseguido matar de fome tanta gente — e com tanta velocidade — quanto os regimes revolucionários que alegam acabar com a fome. Para acabar com a fome, a condição número um é não fazer uma revolução, não destruir bens, não criar a desordem geral por meio da implantação forçada de uma nova ordem — mesmo que essa nova ordem seja nominalmente inspirada em valores tradicionais e conservadores. Por isso é que regimes como o fascismo ou o radicalismo islâmico não são de maneira nenhuma conservadores e sim revolucionários. Eles alegam valores aparentemente conservadores, mas buscam implantá-los por meio da mutação revolucionária que acaba por destruir esses valores.

O perdão, a tolerância, a paciência, a sabedoria e, sobretudo, o respeito pela fragilidade humana, tais são as virtudes em que se baseia o conservadorismo.

Lembro você ter escrito que, ao dialogar com alguns liberais, ao final da conversa constata que o sujeito é conservador com idéias liberais. Por quê isso acontece?

Isso nasce de um vício de linguagem. Como a mídia brasileira chama de "conservadores" os grupos de interesses sem nenhuma ideologia própria, o que é totalmente errado, a direita corrigiu um erro com outro erro, dizendo-se "liberal" em vez de conservadora. Da minha parte, uso sempre o termo liberalismo no seu sentido histórico de um capítulo do movimento revolucionário.

Às vezes, quando critico o liberalismo nesse sentido, alguns conservadores brasileiros acham que estou falando mal deles. O liberalismo, no sentido em que uso o termo, acredita que a liberdade é um princípio fundante da política, mas a liberdade é apenas uma regra formal, que, elevada à condição de princípio, resulta no esvaziamento relativista de todos os valores, fomentando a mutação revolucionária e a extinção da própria liberdade. A diferença entre princípio substantivo e regra formal é que o primeiro pode ter sua aplicação estendida indefinidamente sem levar a contradições, ao passo que a regra formal, se aplicada além de um certo limite, acaba por se negar a si mesma. A liberdade é uma regra formal porque ela sempre necessita de outras que a definam e não funciona fora delas. Os liberais — no sentido em que uso o termo — não entendem isso.

Fonte: http://www.olavodecarvalho.org/

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Não deixem de ouvir hoje - TRUE OUTSPEAK

Enviado por e-mail pela Graça Salgueiro (sic)

Não deixem de ouvir hoje, 
26 de janeiro, às 8 da noite 
(horário de verão)

TRUE OUTSPEAK
Sinceridade de fato
Talk show de Olavo de Carvalho

Listen Live

 
 

Segredo terrorista


Cesare Battisti não recebeu apenas um asilo político do Brasil, mas uma promoção na hierarquia revolucionária. Deixou de ser executor na linha de frente para ser analista e planejador nas altas esferas. Ele é protegido porque é útil, não porque Carla Bruni, sua protetora na França, é bonitinha.
 
Olavo de Carvalho
 

Muitos se escandalizam com o asilo político concedido ao assassino Cesare Battisti, mas poucos tentam averiguar o que o episódio significa realmente. A sucessão de casos similares, a proteção concedida pela esquerda brasileira a praticamente todos os terroristas internacionais que aqui aportam – Achille Lollo, Olivério Medina e sua esposa, os seqüestradores de Abílio Diniz e Washington Olivetto – e o contraste que esses casos formam com a recusa de asilo aos dois boxeadores cubanos, deveriam alertar para a obviedade de que não se trata de episódios isolados, mas de uma atividade permanente, sistemática. Mas mesmo aqueles que o percebem hesitam em sondar a relação entre esses fatos e a estratégia petista.

Qual é exatamente a posição do Brasil no quadro da esquerda internacional em ascensão? A uma visão superficial, o Brasil é uma democracia de esquerda moderada, favorável ao livre mercado e respeitosa da ordem jurídica. Quase ninguém entende que o País precisa ser tudo isso precisamente para poder desempenhar a função nuclear que lhe cabe na estratégia esquerdista mundial. Também poucos querem enxergar que a democracia brasileira é hoje um puro formalismo jurídico a encobrir o poder monopolístico da esquerda e a total exclusão da simples possibilidade teórica de uma oposição conservadora, seja na política eleitoral, seja na mídia, seja até na pura esfera cultural.


Democracia sui generis, onde as liberdades legalmente constituídas coexistem pacificamente com a total impossibilidade de exercê-las, o Brasil é a origem e o centro de comando da revolução comunista na América Latina.


É da elite intelectual petista, fundadora do Foro de São Paulo, que emanam discretamente as instruções gerais destinadas a transformar-se em espetáculos de esquerdismo histriônico por meio dos Chávez, Morales e outros tantos, que às vezes nem mesmo compreendem as sutilezas dialéticas do processo e por isto acabam, com freqüência, exagerando no desempenho de seus papéis. Se a Venezuela e a Bolívia parecem estar na vanguarda da revolução, e o Brasil muito na retaguarda, é porque o comando, por definição, fica na retaguarda.


Por isso mesmo é que o Brasil se torna também o abrigo ideal para os revolucionários caídos em desgraça nos seus respectivos países. Se eles fossem para Cuba ou para a Venezuela, teriam de conservar sua identidade exterior de revolucionários e se tornariam inúteis para funções mais discretas e relevantes. Aqui, podem adquirir uma fachada de cidadãos pacíficos, aposentados de toda violência, e integrar-se, sem risco nenhum, nos altos círculos intelectuais que comandam o processo.


Só um idiota completo pode acreditar que o governo brasileiro aceitaria o risco de uma crise diplomática só para agradar a uma socialite. Tal como Achille Lollo e Olivério Medina, Cesare Battisti não recebeu apenas um asilo político, mas uma promoção, subindo na hierarquia revolucionária, do posto de executor na linha de frente para o de analista e planejador nas altas esferas. Ele é protegido porque é útil, não porque Carla Bruni é bonitinha.


Nenhuma análise séria dos fatos políticos pode-se fazer desde o ponto de vista liberal e conservador se este não absorve, primeiro, a perspectiva do adversário. Se você não está capacitado para fazer uma análise marxista da situação exatamente como a fariam os teóricos e estrategistas do movimento revolucionário, suas opiniões a respeito da política de esquerda serão sempre meras tentativas de projetar sobre ela categorias que lhe são estranhas, ajudando, portanto, a encobrir seus verdadeiros intuitos e a conferir o privilégio da invisibilidade quase absoluta às estratégias e táticas do esquerdismo.


Afinal, o marxismo não é só uma “ideologia”: ele é uma estratégia da praxis revolucionária e, nesse sentido, é uma ciência – uma ciência extremamente sutil e complexa, da qual os formadores de opinião liberais e conservadores, no Brasil, não sabem praticamente nada. O deslocamento entre as categorias analíticas e a natureza do fenômeno estudado é garantia segura de incompreensão, e a incompreensão é por sua vez a origem dos erros estratégicos monstruosos que, ao longo dos últimos trinta anos, reduziram o liberalismo e o conservadorismo, de forças imperantes, a exceções doentias que só subsistem graças à tolerância provisória do sistema.


É fácil observar de fora os erros da economia marxista e pontificar que todo movimento baseado nela está condenado ao fracasso. Mas a estratégia do movimento comunista não é, de maneira alguma, uma decorrência direta e mecânica da sua economia. Principalmente, não o é na esfera da luta cultural, onde as manobras e rodeios da intelectualidade ativista vão, com freqüência, no sentido contrário daquilo que se poderia deduzir do economicismo marxista vulgar.


Trata-se de um ramo de conhecimento que tem sua própria autonomia e que não pode ser dominado senão mediante longos anos de estudo. É só aprendendo a pensar como os teóricos da revolução mundial que se pode, em seguida, transcender a sua visão das coisas e condená-la com fundamento. Atirar-lhe pedras desde fora é ficar abaixo dela e tornar-se vítima cega do processo revolucionário.


Olavo de Carvalho é jornalista, ensaista e professor de Filosofia  

Por que sou insuportável


Diário do Comércio, 14 de janeiro de 2009


Marx descrevia a socialização dos meios de produção como um processo longo e complexo, que poderia se arrastar por muitas gerações. Nenhum partido comunista em seu juízo perfeito deve subir ao poder e logo no dia seguinte baixar um decreto: “Agora é o comunismo, turma. Fica abolida a propriedade privada.” Ao contrário: seja operada por meios pacíficos ou com farto recurso à violência, a transição é sempre lenta, irregular, intercalada de mil e uma concessões ao capital privado até que a elite comunista tenha se assenhoreado de todos os instrumentos de controle político, social, educacional e cultural, sem chance para o ressurgimento das forças reacionárias e conservadoras. O ideal é deixar a economia capitalista intacta e funcionando a pleno vapor até que a tomada do poder em todas as áreas da vida seja completa e irreversível.


Como a elite empresarial e os políticos “de direita” ignoram isso por completo – a maioria não leu nem sequer o Manifesto Comunista –, todos já começam a celebrar o triunfo do capitalismo tão logo um governo ou partido comunista dê sinal de se acomodar ao livre mercado, ainda que parcialmente. Ficam tão felizes com esse arranjo que nem reparam que a concessão no campo econômico vem junto com o avanço do controle hegemônico em todas as demais áreas. Que lhes importa que a militância comunista domine as escolas ou as instituições de alta cultura, se eles continuam ganhando dinheiro e até recebem alguns favores do governo esquerdista? Foi tendo isso em vista que Lênin disse: “A burguesia tece a corda com que a enforcamos.” É claro que a posição privilegiada do empresariado na sociedade não consiste só no direito de encher os bolsos, mas na obrigação de garantir que as próximas gerações desfrutem da mesma liberdade que o capitalismo lhes assegurou. Mas poucos, se algum chega a tanto, entendem que, sem um conjunto de valores culturais socialmente favoráveis à liberdade econômica e, mais ainda, sem os canais e instrumentos para a defesa e preservação desses valores, o capitalismo vai-se reduzindo pouco a pouco a uma concessão estatal provisória, até que se torne tão fraco politicamente que possa ser destruído da noite para o dia sem que um só protesto se levante contra o advento do comunismo.


Se querem saber, portanto, a que distância estamos desse advento, não perguntem se as empresas capitalistas estão prosperando. Perguntem quantos partidos políticos, jornais e canais de TV são abertamente anticomunistas. Quantos discursam habitualmente contra o martírio pérpétuo de prisioneiros políticos na China, na Coréia do Norte ou em Cuba em vez de fazê-lo contra as meras incomodidades que os tagarelas da esquerda alardeiam como “tortura” em Guantanamo? Quantos defendem a instituição da família e a moral tradicional? Quantos denunciam a perseguição anticristã e antijudaica? Quantos protestam contra a doutrinação comunista nas escolas? Quantos se recusam a colaborar com a demagogia gayzista e abortista ou com a eterna promoção de semi-intelectuais de esquerda à condição de representantes máximos da alta cultura? Quantos, ao menos, recusam adaptar-se ao vocabulário “politicamente correto”?


Resposta: nenhum. No Brasil, nenhum. Em todos esses setores, a fase da conquista da hegemonia, tal como descrita por Antonio Gramsci, já passou. O que se observa aí é o domínio total e absoluto, o controle draconiano da formação de opiniões, a ditadura mental onipotente e incontestada.


Enquanto isso, é preciso dar à massa idiota a ilusão de que a liberdade ainda existe. Isso se obtém por dois meios:


1) Reservam-se, na mídia e nos partidos, dois ou três lugares para os discordes e resistentes, de modo que seu mero contraste com a maioria satisfeita lhes dê ares de excêntricos amalucados, fazendo deles, mais que a exceção a confirmar a regra, um instrumento de legitimação inversa do estado de coisas. A estratégia gramsciana previa isso, dando a essas raridades o nome de “aberrações” e agradecendo sua ajuda involuntária à imposição dos novos padrões de normalidade. A única saída decente, para os que foram colocados nesse papel, é denunciar insistentemente a própria situação que lhes foi imposta, até que se tornem ainda mais aberrantes do que convém aos autores da manobra. O preço disso, é claro, é a discriminação aberta, o boicote ostensivo.


2) Abre-se oportunidade para um número um pouco maior de falsos conservadores, incumbidos de ocupar o espaço com argumentos em favor do livre mercado, perfeitamente inofensivos na atual fase da estratégia comunista, e com generalidades insossas sobre democracia, constitucionalismo, ordem jurídica, etc., sem tocar jamais nas questões substantivas que mencionei acima.


Infelizmente, entre jovens que assistiram a meus cursos e conferências, sem se tornar por isso meus estudantes genuínos, abundam os que se dispõem a exercer esse papel abjeto, satisfeitos de ver-se bem recebidos onde fui rejeitado, e acreditando-se por isso uma “alternativa superior”, mais moderninha, serena e equilibrada, ao cada vez mais insuportável Olavo de Carvalho.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".